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NADADOR SALVADOR
E agora o tempo.
As temperaturas estão a aumentar em toda a ilha.
Nas próximas semanas, um vento seco do norte
pode aumentar o risco de incêndios
e pôr em crise uma região já em dificuldades.
Por causa da baixa probabilidade de precipitação,
estão previstos recordes de temperatura para o verão, que se espera
ser o mais quente dos últimos 150 anos.
THE HOTTEST SUMMER
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.
Onde raio estás?
A última missa!
Mas não é domingo.
Para onde vai o padre Gabriele?
Para outra paróquia.
- E como vai fazer o padre Carlo? - Pergunta-lhe tu depois.
- Anda lá! - Também estou quase a ir embora.
Anda, mexe-te.
Lucia!
É assim que vocês estudam?
Abre a janela, isto parece uma pocilga.
Mãe!
Vem comigo ver a Sra. Brancatelli. Vou medir-lhe a pressão.
Depois vamos ao outlet.
Hoje há missa.
Mas não é domingo.
Mete-te na tua vida.
Depressa, vamos.
Louvado seja Jesus Cristo.
Louvado seja.
Tempus fugit.
Quer dizer: "O tempo voa."
E o nosso Gabriele, quando chegou cá,
tornou-se logo parte da nossa comunidade.
E hoje, a nossa comunidade despede-se dele com orgulho.
Gostaria de fazer como os discípulos em Emaús.
Fizeram sexo.
Sinto o cheiro na tua pele.
...a vontade de Nosso Senhor e da Igreja.
Gabriele, vem.
Vem.
Jovem, gostamos muito de ti.
Muito. Assim.
Veem, ele veio e agora parte.
Mas deixou a sua marca e vão sempre lembrar-se dele.
Vão fazer uma missa por ti quando fores embora?
- Queres dizer alguma coisa? - Sim.
Fala.
Gostaria de agradecer a toda a comunidade e especialmente ao padre Carlo,
que me recebeu como a um filho.
Chega. O padre Gabriele vai para outro lugar,
mas será substituído por alguém igualmente válido.
Em breve, um novo diácono vai juntar-se...
O que é um diácono?
Alguém que está prestes a tornar-se padre.
Calem-se, idiotas!
- Fala com ele. - Claro.
Nem é tanto o meu pai, é mais a sua família.
Ele nem sabe que eu bebo.
Conta-lhe bêbedo, matas dois coelhos com uma cajadada.
Claro.
Anda lá, estou a brincar. Tens o verão todo para o fazer.
Sim, vamos ver.
Omar, és estúpido? O que estás a dizer?
Tens de dizer. Também tinhas medo da tua mãe.
Com ela é diferente. Ela vive aqui.
- Em outubro vamos viver para Roma. - Num apartamento partilhado.
- Estamos juntos há muito tempo. - Como toda a gente.
Nós não somos "toda a gente".
Olha.
Eu falo com ele, prometo.
Como posso passar dois meses sem ti?
Diz ao teu pai que tens namorada
- e que para o ano vamos ao Egito. - Certo.
Vamos?
Luci, vá. Estão à nossa espera.
Entra.
Porque estás sempre atrasada?
Estou pronta em dois minutos.
Queres que te maquilhe?
Então, que posso fazer por ti?
Não estou interessada em nenhum dos que ali vão estar.
É importante causar boa impressão.
Não consegues, pois não? Não me arranjas um namorado antes de ires embora.
Não é uma corrida. Vais ver que arranjas alguém.
- Eu apresentei-te ao Omar. - E depois?
É a tua vez. E é mais fácil.
Não é que eu queira um namorado.
Não quero ficar para trás. Sou a virgem mais velha da terra.
Olha que é uma virtude.
Que bonito.
- Olá. - Olá.
Ela acha que és giro.
- Valentina, prazer. - Olá. Sou o diácono Nicola.
- E tu? - Lucia.
Olá.
- Trocamos? - Sim, vamos.
Merda, foi embaraçoso.
Vamos arrumar a casa.
Tenho 26 anos, nasci na Apúlia e o meu pai é de lá.
Quando tinha cinco anos fomos para Roma.
Tenho uma irmã. A minha mãe era daqui, mas já não temos parentes.
Quanto tempo vais ficar?
Até outubro. Depois vou ser ordenado padre.
E depois?
E depois... Estou a pensar ficar por aqui.
- Se acharem bem. - Claro!
- Roma está cheia de padres. - O Arturo decidiu, está decidido.
- Chama-me Turu. - Está bem.
- A Lucia vai estudar para Roma. - O que interessa isso?
O que vais estudar?
- Economia. - Depois contem-me tudo sobre vocês.
- E porquê em Roma? - Há um mestrado em gestão ambiental.
Porque é muito fina.
Não quer ficar aqui.
A Catânia é muito pequena para ela.
Não é verdade, e tu sabes que não.
Ainda bem que aqui estás. O que faríamos sem ela?
Não é verdade!
A Lucia é um pilar, vamos sentir muito a falta dela.
- Todos. - Tu, sem dúvida.
O Omar não?
- Quem é o Omar? - É o meu namorado. Ele vai comigo.
Ouve, diácono. Já tiveste uma namorada?
- Algumas. - Algumas?
- Na secundária. - E depois?
- E depois senti a vocação. - E o que aconteceu?
Aconteceu que...
Estava a passar uma fase difícil
e um amigo esclareceu-me.
Caraças!
Não queres ter uma família?
Olhem que bela família vocês são.
- Ao verão na villa. - Ao verão na villa.
VERÃO NA VILLA
Matteo, estamos aqui. Vem.
Queres ser o último a chegar também este ano?
Então...
Estamos na página 45. Vá lá.
Cheguei. Desculpem o atraso.
Vês isto? Tens de completar as frases.
Vale, vê a Ruth. Ela já terminou.
O que foi?
Estás sempre a dizer que não cuido de mim.
Mas estão 80 graus!
- O que puseste tu? - Nada, estou a morrer de calor.
- Fazes-me tu? - O que queres?
- Disseste que me ajudavas. - A fazer o quê?
Sexo.
Mas não rejeitaste o Ignazio?
Vá, trata disso. Estás sempre a dizer que tenho um cabelo bonito.
Quero fazê-lo com o Nicola.
O Nicola é um padre.
Desculpa, o que disseste?
Ele ainda não é padre.
Prometeste-me.
Com ele não. Ele vai ser padre. Para com isso!
Está bem. Turu?
- O que queres? - Ajudas-me a pentear?
Bom dia. O que se passa?
Olá, Lucia.
Há anos que não funciona. Tem que se encher à mão.
Eu sei, está incrustado.
Mas quero experimentar uma coisa.
Nunca verificam os canos?
Não está incrustado. Não tem água.
Vamos tratar disso. Um momento.
Cuidado!
- Desculpem! - É um milagre!
Viste como é prendado o diácono Nicola?
- Segura. - Sim.
- Precisas disto? - Não, vamos usar isto. Segura com força.
Tem um sorriso muito doce.
Estás a olhar para o sorriso dele?
- Turu, és um porco. - Porco, porco!
Calem-se e joguem!
Que desperdício. Nunca vi um padre tão bonito.
- Na verdade ainda não é padre. - O quê?
Nada, é um filme!
Na tua cabeça, Valentina!
Nunca imaginei encontrar alpacas na Sicília.
- E este? - Chama-se Al Pachino.
- Como a cidade? - Não, como o ator.
A irmã Enza gosta muito do Scarface.
O padre Carlo contou-me a história da marquesa.
Ele contou-te que ela trouxe as alpacas para a amante peruana?
- Ele contou-me que era a governanta. - Também era.
Estava no armazém.
Quando ela morreu doou tudo à paróquia.
Os confessores de antigamente não eram burros.
Está tudo a cair agora,
mas há fotos dos anos 50 que são incríveis.
Ainda me parece bonito. Tirando alguns pormenores.
Ninguém quer saber disto?
Já só há duas freiras e não têm dinheiro.
Tiveram esta ideia das crianças dormiram na villa.
- Elas dormem aqui? - Algumas, no verão.
Os pais dão algum dinheiro às freiras.
O padre Carlo disse-me que, quando falam em vender tudo,
tu ficas chateada.
Vender tudo para fazer um hotel de luxo?
Isso dá dinheiro.
Não é essa a questão.
A villa e o jardim foram deixados à paróquia.
E devem permanecer na paróquia, para todos.
Eu venho todos os dias ajudar a irmã Enza.
Eu cresci aqui. Importo-me com isto.
E quando fores para Roma?
Já vai ser um milagre se chegarmos ao fim do verão com este calor.
Quando um jogador está no campo adversário,
pode ser parado se um defesa da outra equipa lhe tocar.
E deve ficar parado, imóvel.
- Do que falaram? - Cala-te. Deixa-me ouvir as regras.
Têm de esconder a bandeira.
Tu sabes as regras. Ele é gay?
É da equipa do Turu?
Da próxima, vem ajudar-me.
Eu não tenho tanto tempo como tu.
Os animais estão cheios de carraças.
- Não é verdade! - É sim!
Se lhe tocarem, tem de esperar que um colega de equipa o liberte.
Vamos escolher as equipas.
Eu separo as águas, como Moisés.
Anda cá.
Se vieres para a nossa equipa, fica igual.
Sim.
Irmã Agata, pode ser?
Têm o Arturo e a Barbara. Agora vêm para qui.
Certo. Vou eu, está bem?
Boa!
- Se calhar, é melhor ir sozinho. - Sim.
Vai!
Dá para os dois.
O que estão a fazer?
- Nicola, não dizes nada? - Estamos a jogar um jogo.
- Um jogo? - Sim.
Estão aqui! Estão encavalitados!
Juro-te, estava a fazer-se!
Não sejas parva.
Achas que podíamos namorar?
- Era um desperdício fazermos só sexo. - Grita mais alto, ó animal!
Estava excitado?
- Tu tentaste, agora chega! - Tem de haver ambiente.
Temos de estar sozinhos.
Anda lá, tens de ajudar-me.
Ajudas-me a regar as plantas à noite?
Há mosquitos!
Dó, de quem lhe dói a perna
Ré, a parte de um navio
-Mi, milhares a cantar -Lucia
Quero ser aquela guitarra.
Fá, faz o que tu quiseres
Sol, que a todos alumia
Lá, fica longe de aqui
Si, simpática canção
E voltamos para o Dó
-Dó -Dó, de quem lhe dói a perna
-Ré -Ré, a parte de um navio
-Mi -Milhares a cantar
-Fá -Fá, faz o que tu quiseres
Sol, que a todos alumia
Lá, fica longe de aqui
O padre Carlo quer que dês as tuas chaves ao Nicola.
- Sim, eu faço uma cópia. - Muito bem.
Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, sol, dó
Muito bem. Esta era bonita.
Também fui jovem.
Era um rapaz bonito. Não tanto como tu, mas ainda assim...
Já volto.
É normal haver momentos de tentação.
Como gostar de mulheres. Estás aqui para dar ao mundo.
Padre Carlo, não é isso.
Não quero saber de mulheres.
Não queres saber de mulheres?
- Então és... - Não.
Eu quero ser padre.
O meu caminho é o de Cristo, as suas regras são as minhas.
O que dizia Ele?
Quem?
- O que dizia Cristo? - Certo, Cristo.
- Certo. - "Segue-me."
Ele disse isso, sim.
"E esquece o resto."
Sim, certo.
Percebo perfeitamente, Nicola.
E vais ver que com o tempo... Como é o ditado?
O tempo... Não me lembro.
- Tu percebeste. - Percebi.
- Traz o vinho. - Sim.
É um bom rapaz. Sério e determinado.
E gosta de estar com as pessoas.
Não é?
Não chegou nem há um mês e já fez montes de coisas.
- Vai ficar com o teu lugar. - Fico contente por alguém ajudar.
Até porque se aproxima outubro.
Ouvi dizer que quer tratar da villa,
está a chamar muitas pessoas.
Há anos que o digo, mas ninguém aparece.
É muito diferente do anterior.
O padre Gabriele era tão tímido, com aquela vozinha...
Não é verdade.
A tua mãe vai começar a ir à missa.
Quem sabe?
Lembras-te do Pássaros Feridos?
Sim... O Pássaros Feridos.
Que sabes tu disso? Come.
Ele acha que é o maior.
Como assim?
É um convencido.
Estão todos caídos por ele, até a Valentina.
- A Valentina? - Sim, está maluca.
- Tem as hormonas aos saltos. - Ai sim?
Até de canos, sabe de tudo.
Queriam dar-lhe as minhas chaves.
É melhor, não? Para passares a pasta.
Tenho de ver se se apaixona pela Valentina.
Falaste com o teu pai?
Não, ainda não.
Amanhã, quando voltares do aniversário do teu primo,
pode ser um bom momento.
A noiva dele não é cristã?
O que estás a fazer?
És tão bonita, não resisto.
Mostras-me as mamas?
Este?
A irmã Agata nem te deixa entrar.
Para ela até "Ámen" é demasiado.
Não gosto de polos.
Os polos têm botões, animal.
E depois?
Podes desabotoá-los.
Não me chateaste por ele ser padre?
Ainda não é.
Entretanto, o Salvo e o Ignazio começaram a reparar em ti.
Está bem.
O que foi?
Tenho feito coisas com eles desde o quinto ano.
Até quando tinha aparelho.
Todos sabem as regras?
- Não! - Como assim? É o mesmo jogo,
só que estamos na praia. Vá, ajudem-me.
Salvatore, chefe da equipa vermelha. Maria Chiara, chefe da equipa azul.
Vamos fazer as equipas.
Rápido.
Rápido.
Tu vens connosco.
- Quero estar com o Pasquale. - Não, vens connosco.
Então...
Eu vou convosco, e levamos também...
Leva a Valentina.
Lucia, vem connosco. Vamos.
Prontos!
Não me apanhas!
Matte, não vás para a estrada.
Matteo, para. Já te apanharam.
- Matteo! - Matteo, não!
HOSPITAL
URGÊNCIAS
Olá, rapazes.
Aqui estamos. Como vai isso?
Deram-nos o verde, temos de esperar.
Já pus gelo. No máximo, fica com um hematoma.
Antes assim.
Em que estavas a pensar?
Vão fazer uma radiografia.
Só por segurança.
Sim. Obrigada, diácono.
Muito obrigada.
Como podemos agradecer?
Vão tomar uma cerveja.
Não é preciso.
Dá-lhe mais.
- Nada disso! - Obrigado.
É uma oferta para a colónia de férias.
Bem...
Não sejas maluco.
- Adeus, obrigado. - Adeus.
- Adeus. - Adeus.
Vamos tomar uma cerveja ou não?
Hoje pode-se respirar, finalmente.
Sim, está bom. A que horas tens de voltar?
O padre Carlo não é meu pai.
Ainda assim tens de obedecer-lhe, não?
- Como vão as coisas com ele? - Bem.
Bem, ele é fixe.
Ele é uma instituição na povoação.
Antigamente era mais ativo.
Ao longo dos anos ficou meio...
Meio?
Idiota, não é? Podes dizer. Idiota.
Ele é obcecado com remédios? Está sempre na farmácia.
Ele tem uma caixa com comprimidos que enche todas as manhãs,
- e põe o despertador. - Não!
- Senão, esquece-se. - Que personagem.
Percebes?
Não tens medo de ficar como ele?
São ossos do ofício.
Porque escolheste esta profissão?
Para não pagar IMI.
VALENTINA Onde estão vocês?
Estás a falar-lhe de mim?
Não lhe digas que sou virgem! Ajuda-me!
Acho que a tua amiga Valentina tem um paixoneta.
Tu nem devias reparar nessas coisas.
Até parece que é só ela.
Não?
Não viste como a mãe do Matteo olhou para ti?
Não. Como é que olhou para mim?
Como alguém que deseja algo que nunca vai ter.
De qualquer modo, não deve ser fácil.
Não é.
Até porque, na vida, experimentei
o amor e experimentei o sexo. Antes do seminário.
Só acho que, às vezes, vale a pena prescindir de coisas preciosas
em nome de algo maior.
Nunca fizeste isso?
Deixa-me explicar...
São os outros que se confessam a ti, está bem?
Regressamos?
Tenho de passar na villa primeiro.
Para quê?
- Não desperdices água! - Desculpa.
Desculpa.
Não reajas.
Ele estava a molhá-la,
e havias de ver como ela estava a gostar.
Por favor, Carmen!
"Por favor, Carmen!"
Parece que sou uma coscuvilheira.
Não andes por aí a falar com as pessoas como se estivesses no recreio da escola.
Eu preocupo-me contigo.
Obrigado, és muito atenciosa.
Mas, asseguro-te, o Nicola é um rapaz sério.
Já falámos sobre isso.
Então houve precedentes?
Que precedentes?
Não percebo essa tua desconfiança.
Tu, de todas as pessoas? Esqueces-te de quando chegaste aqui?
O que diziam, o que faziam.
Não achas normal que me preocupe com a comunidade?
Vivo aqui há 40 anos.
- São acusações sérias. - Eu não estou a fazer de juiz.
Eu odeio comunistas.
Então, sugiro que vigies a situação de perto.
Assim fica tudo esclarecido. Certo, irmã Agata?
Nunca responde, pois não?
Muito bem, diácono, fica para ti. De qualquer modo, vai marcar.
Obrigado, Salvo. É um bom negócio.
- Confia em mim, aceita. - Não quero.
No ano passado, o Ignazio marcou muitos pontos.
Não quero.
Ele percebe ou não?
Há muitas coisas que ele não percebe.
Por exemplo?
Nada.
De qualquer modo, se...
Carmen, podes ajudar-me?
Muito bem.
Mas ainda não escrevi nada.
Muito bem.
Já escolhi a equipa.
Querido, ele não me quer dar.
Se não, já o teria reclamado.
- És mesmo... - O que estás a fazer?
- A sério... - Rapazes, por favor!
-Desculpe, Carmen, -Desculpe.
Dizes-me porque estás chateada comigo?
É por tua causa que ela está em cima de nós.
O que fizeste?
Já disse, nada!
Ajudas-me com os trabalhos de casa?
Tens de ajudar-me.
O tempo passa e estou cada vez mais virgem.
Pensa em algo e que seja rápido.
Mais de 7000 fogos devastaram milhares de hectares de floresta na Sicília,
com uma média de 135 fogos por dia.
E agora, o tempo.
O ciclone Circe deve chegar de África
e afetar a costa sul a partir de domingo, trazendo fortes chuvadas.
Malta, e se fôssemos a Spaccuzza amanhã?
- Amanhã? - Pode ser.
- Já lá foste? - Não.
Amanhã não posso.
Quem vais engatar desta vez?
Tens ciúmes?
Não posso porque é o aniversário da minha mãe.
Vamos no domingo.
No domingo há o Circe.
Pode ser que chova.
Vá lá, vamos amanhã. Salvo, tens a carrinha?
- Sim. - Certo. Diácono, vens?
Não, malta, não contem comigo.
Não?
Porque não? Nunca viste Spaccuzza.
Por estes dias estou sob vigilância.
Não tem mal, é só passarmos tempo juntos.
- É verdade. - Ela não vem, com este calor.
Odeio o agosto.
Lucia, não vai chover amanhã?
Não sou meteorologista.
Devo tirar o páreo agora?
Malta, vamos embora!
Paguei 30 euros por este biquíni. Ele tem de o ver.
Podem ir buscar ramos para queimarmos?
Sim, vamos.
Tu vai dar uma volta.
Vai ver a fortaleza.
Vamos todos depois do almoço.
Vai agora, depois vai chover.
Vale, vais com ele?
Claro. Vamos?
- Vamos? - Sim.
- Vamos. - Já vou!
Carmen, ensina-me a fazer as cipollate?
Sim.
Vais gostar da fortaleza. Fica no ponto mais alto de Spaccuzza.
O mais longe possível da Carmen. Não é irritante, ela?
Sim.
Damos uma volta e regressamos.
Certo.
Bonito.
Vens?
Sim.
Vamos.
Foram os gregos antigos que a construíram.
Os gregos, tens a certeza?
Algo assim.
Incrível.
Meu Deus!
- O que foi? - O que se passa?
O que foi?
Devo ter ficado presa. Espera, acho que já está bem.
Desaparecidos todo o dia.
Procurámos e nada, nenhum sinal.
Até fomos ao parque perguntar.
Dividimos os miúdos que estavam connosco e demo-los a outros.
Depois fomos procurar com a irmã Agata.
Bem, a irmã Agata não estava a procurar.
Foi assim todo o dia.
Estávamos quase para ligar aos pais e dizer que tinham desaparecido.
E depois?
O que estás a fazer?
Como correu na fortaleza?
Muito bem.
Malta, vamos recolher. É capaz de chover.
Padre, o caraças. Desapareceram durante uma hora.
Devias tê-los visto quando voltaram.
Achas que o fizeram?
Não sei, não estava com eles.
Falaste com o teu pai?
Já percebi. Não.
Não tive tempo. É uma confusão aqui.
Não, Omar, não quiseste. Foda-se! É assim tão difícil ser coerente?
Sim, é duro. Duríssimo.
Então mete-a na boca.
O muito esperado ciclone Circe revelou-se uma desilusão.
Muitos pensaram que traria alívio das temperaturas muito elevadas.
Afinal, ainda teremos de esperar mais alguns dias pelas primeiras chuvas.
És o pão que nos dá vida
Força e humanidade Pureza e fé
- Corpo de Cristo. - Ámen.
No vinho tu nos dás
- Corpo de Cristo. - Ámen.
Nova fonte que poderá
Corpo de Cristo.
Salvar-nos da falsidade
Corpo de Cristo.
Não mais cederei A quem enganou o meu coração
Saberei evitar a tentação
Não seguirei a mentira
Não me renderei
Corpo de Cristo.
Se dentro de mim houver esperança
De um amor mais forte que tudo
Que consola quem tem o coração partido
És o pão que nos dá vida
Força e humanidade
Pureza e fé
- Corpo de Cristo. - Ámen.
No vinho tu nos dás
Nova fonte que poderá
Salvar-nos da falsidade
Corpo de Cristo.
Viste o cesto das coletas?
Estava a transbordar de notas de cinco euros.
Apesar do calor, a igreja estava cheia.
Tudo graças ao Nicola.
Vou embora. Até logo.
Que seja louvado.
Contamo-las mais tarde.
E compramos aquele crucifixo dourado da Amazon.
Temos aqui 170 ou 180. Nunca me engano.
O que aconteceu ontem?
Nada. Porquê?
Não sei, ele diz que amanhã vai a Roma ver o pai.
Parece-me preocupado.
Se calhar ligou-lhe.
Padre?
- Tomaste os comprimidos? - Sim... Não.
Ou tomei? Não me lembro.
Tenho de verificar.
Olá, Lucia.
- Olá, Lucia. - Olá.
Já viste que maravilha?
- Queria fazer-te uma surpresa. - Onde ponho isto?
Espera, eu ajudo.
- Malta, desculpem, mas tenho de ir. - Não!
Obrigado a todos.
- Obrigada. - Adeus.
Adeus, diácono.
Nicola, espera um pouco!
Tenho coisas a fazer. Desculpa.
Não precisas de fugir. Se te incomodo, vou-me eu embora.
- Incomodavas-me menos se não... - Diz-me.
A Valentina não vai contar a ninguém. Nem eu, se é disso que tens medo.
Tu não percebes, pois não?
Conta-me, então.
Não aconteceu nada com a Valentina.
Lamento. E eu confiei em ti.
Divertiste-te?
Sim ou não?
Foi divertido testar o padre?
- Mas, se com a Valentina... - Não quero saber da Valentina!
Bom dia, Carla.
Nicola, voltaste!
- Que bom. - Obrigado.
Já vou, brigadeiro.
Nicola, o que fazes aqui?
Olá, pai.
Entra.
Podias-me ter dito que vinhas. É uma boa surpresa.
Mas podias ter telefonado...
Damiana!
Está cá a Damiana?
Damiana, vem cá ver!
Está aqui de passagem... Esperamos.
Como estás?
Bem.
E tu, como estás?
Damiana!
A tua irmã não ouve bem.
Damiana!
Damiana!
Olha o filho pródigo!
- Surpresa. - Mas é Natal?
- Sabias que ele vinha? - Não.
- Quis fazer uma surpresa. - Estás tão bronzeado.
- É verdade que és padre? - Damiana...
Nunca acreditei que fosse possível.
- És o outro filho? - Sim.
É o padre.
Não pareces um padre.
- É parecido com a tua mãe. - Eu sou parecida com o padeiro.
- É igual! - Pai, não estejas triste!
Que raio, estava a brincar!
É o homem da casa.
Nicola. Olá.
Prazer. Michele. Devo tratá-lo por você?
- Não, estás a brincar? - Querido! Que se passa na Sicília?
Ficas para jantar?
Estava a pensar ficar uns dias.
- O que vais fazer? - Mas como fazemos?
A Damiana e o Michele estão no teu quarto.
Se nos tens dito antes...
Vamos mostrar-te um pequeno pormenor. Que achas desta joia?
Coleção primavera-verão.
Quanto mais tempo tens de a usar?
"Quanto mais tempo tens de a usar?" "Quando vais ter filhos?"
"Quando te casas?" "Roubaste sozinha ou com mais alguém?"
São assuntos meus. Está bem?
Para!
Estou a brincar!
Já não se pode brincar nesta casa?
- Café? - Sim.
Desculpa, devia ter-te contado antes.
Tudo bem, pai.
Se a vossa mãe estivesse aqui...
Deste o teu melhor, pai.
Temos pouca coisa em casa.
Porque não vais às compras e nos fazes o jantar?
Está bem.
Vais contar-nos alguma coisa de Spadola ou não?
Está tanto calor como aqui?
Ainda não acredito que quiseste ir para lá.
- Mas onde fica exatamente? - A sul de Ragusa.
Também fizeste alguma asneira? Exilaram-te?
Que caralho estás a dizer?
É perto da aldeia da nossa mãe.
O que querem que vos diga?
Fiz a minha cama...
Deitas-te nela.
É uma terra pequena. Desconfiam dos estrangeiros.
São estúpidos?
Na minha opinião, é preciso tempo.
Mas com alguns é mesmo impossível.
Se calhar é melhor assim.
Como assim?
Deixa. Café, licor?
Cocaína?
- Estou a brincar. - Não tem graça.
Vês o que tenho de aturar?
Onde está o diácono Nico hoje?
Hoje não está cá. Mas volta em breve.
Lu. Ele volta em breve, não?
Antes de irem, temos de arrumar isto. Esta noite vai chover.
Estás maluca. Quem me dera que chova.
Deixamos estas coisas aqui, talvez sequem.
Não, irmã Agata?
- Pai. - O que foi?
"I belong to Bari Vecchia"?
Que tem?
Nós somos de Cerignola.
A Apúlia é toda linda.
Diz-me. Pelo menos és feliz?
Sinto-me culpado por não ser mais.
Parece que estou sempre a fugir de alguma coisa.
Não te preocupes.
Desde que não te ponham uma pulseira eletrónica, estás safo.
Olha que eu ouvi.
Quando quer, ela ouve.
- A que horas é o comboio? - Calma aí.
Posso pedir um favor?
Sim.
Podemos rezar juntos?
Agora?
Queria pedir-vos para rezarem por mim.
Vou dar um salto à villa, senão, vão andar alpacas pelas ruas.
O que estão a fazer?
Desculpa, querida.
Querida, é a lua cheia.
Não te preocupes que vais continuar a ser filha única. Já não há risco.
Olá!
Olá.
Tivemos a mesma ideia.
Como correu em Roma?
Bem.
E aqui?
Safámo-nos, sim.
Ajudas-me a levar os trabalhos das crianças para dentro?
Sim, claro.
Não! Merda!
Leoluca, ajuda-me.
Ajuda-me!
Se calhar nem vai chover esta noite e amanhã vai estar ainda mais calor.
O que foi?
Merda!
Saiam!
- Vá! - Vá, vamos!
Vamos, cuidado!
Depressa, crianças, têm de descer as escadas.
Vem comigo.
Venham comigo.
Martina?
Temos de ir jogar um jogo.
Que jogo?
Um jogo, querida.
Muito bem.
Vamos, por ali.
Vamos, meninos.
Muito bem, por aqui.
Diácono, cantamos a canção da melancia?
Sim.
Lembram-se?
Como é a canção da melancia?
Matteo.
Matteo! Aonde vais? Anda cá!
Matteo.
Al Pachino!
- Matteo! - Matteo, vamos!
Al Pachino!
Nico!
Nico!
Nico!
Al Pachino!
Que noite!
Boa noite.
Querida, há alguém que te quer ver.
Bom dia, Lucia. Quer contar-nos como foi a noite de ontem?
As três senhoras à frente. As camisas dos homens são horríveis.
A fachada da igreja tem de ser coberta.
- Estás pronta? - Vamos.
- Estou gordo? - Eu disse "vamos".
Caros amigos do canal Biddizza, sou o Romano Vasta.
Estamos aqui com Carlo Scalisi, o padre da povoação,
e com o homem do dia, o diácono Nicola,
que ontem salvou da morte certa
oito crianças, uma dúzia de alpacas e até duas freiras.
Diácono Nicola, é verdade? Fez um milagre?
Não, eu não faço milagres.
Salvámos as crianças e a villa, e o mérito não é só meu,
mas também da Lucia e das irmãs.
Quem é o culpado? Têm algum suspeito?
Receberam ameaças? Há alguém que queira ficar com a villa?
Há anos que tentamos...
Deixe-me falar.
Foi um pirómano ou só descuido?
Na minha opinião...
Seja como for, foi um imbecil.
E como presidente da câmara,
no domingo, depois da missa da Imaculada Conceição...
Assunção.
Qual assunção?
De Nossa Senhora. É a Assunção.
- E quando é a Imaculada Conceição? - A 8 de dezembro!
Senhores, estamos a gravar!
Domingo, depois da missa da Imaculada Conceição, vai haver uma grande festa
para celebrar o nosso Nicola e o seu feito heroico.
Sigam-me no Facebook.
Chega. Pegue e vá-se embora.
Pessoal, tiramos uma foto?
Irmã Agata, venha!
Está tão bonito hoje. Amo-o, é a minha vida.
- Um, dois... - Vem!
Boa!
Diácono Nicola.
Sim, tens razão.
Então...
Eu bato, tu bates, ele bate.
Nós?
Nós batem.
Nós batemos.
- Nós batemos. - Nós batemos, isso.
Escreve aqui: "Nós batemos."
Olá, diácono Nicola.
Bom dia, Carmen.
Bom dia, meninos. Tudo bem?
- Bom dia. - Exercícios de gramática...
- Estão bem aqui connosco? Tudo bem? - Sim.
Quero que me peças desculpa.
- Nicola... - Entendes o que fizeste ontem?
Percebes porque não o posso fazer?
Sabes porquê?
Não sei se posso voltar atrás.
Martì... Vós bateis, eles batem.
Acaba isso.
A fugir do monstro peludo.
Mas quem é o monstro peludo?
Quem é o monstro peludo?
O que foi, querido?
Onde está a Lucia? Sem ela não consigo fazer.
Temos de aprender a safar-nos sozinhos.
Eu vejo contigo, anda.
Gostava de saber aonde foi a tua amiga.
Deve estar com o Vasta a dar entrevistas.
Para onde foram aqueles idiotas?
Espera.
Espera.
Estás bem preparada!
Lucia!
Lucia!
Carmen, dá-me um cigarro.
Lucia, onde estás?
Lucia.
Lucì?
Lucì?
Matteo... Olá.
O que fazes aqui?
E os trabalhos de casa?
Quero a Lucia.
Vamos procurá-la.
Portas-te sempre mal!
- Viste a Lucia? - Não.
- Não estava contigo? - Não.
Quem está a fazer os trabalhos de casa?
DIÁCONO NICOLA Comemos algo juntos esta noite?
VERÃO NA VILLA
Malta, bebemos uma cerveja depois do jantar?
- Eu vou. - Nós também.
Eu acho que não.
Tens outra entrevista?
Que caralho tens para fazer?
Valentina, estás chateada?
Ele está quase a ser padre e ainda não fizemos nada.
Não? Nem na fortaleza?
Não foste sincera, pois não?
Prometeste que me ajudavas.
Se ele quisesse fazer alguma coisa, já o tinha feito.
És demais! É um padre, eu disse-te.
Até me fizeste comprar erva!
Fala baixo.
Sim, eu sei. O primo do meu pai é juiz.
Lucia, não me podes abandonar.
O que estás a fazer?
Vemo-nos amanhã e contas-me como correu.
Adeus.
Olá, campeão. Vai tomar um duche.
- Adeus, Lucì. - Até amanhã.
Vou sair.
Tiziana, anda cá ver.
Vieram buscar-me. E depois?
Não consigo ir. Estou a fritar. O que é?
Nada.
Adeus, mãe!
Se não vieres dormir, avisa.
Eu venho. De qualquer modo, telefono.
Acho que esta noite o Omar não vai passar pela porta da pirâmide.
Idiota!
- Olá. - Boa noite.
Vamos?
Assim.
Então, e o Nicola?
Ele enviou-me uma mensagem.
Hoje não consegue vir.
Porquê?
Não sei, apareceu alguma coisa.
O que acontece aos padres se pinarem?
Turu, deixa-me dizer-te isto. É melhor esqueceres. Ele não é gay.
Não digo que fosse comigo.
Vá, Vale, pareces maluca.
Aqueles dois estão sempre a desaparecer.
Idiota. A Lucia não faz essas coisas.
Certo.
Olha...
- O que se passa? - Espera.
- Boa noite. - Boa noite.
Bem-vindos.
Por acaso tem mesa para dois?
Estão com sorte, já só temos uma.
Sentem-se, já vou trazer o aperitivo.
Obrigado.
Não te vais sentar?
És maluco.
Não, não bate certo. Estás a esconder alguma coisa.
Que raio, Leoluca. Isto é culpa tua.
Estás a falar a sério?
Antes de casar contigo, eu nem sequer fumava.
Explica-me porquê.
E agora quase matei toda a gente.
O que fizeste é contra as regras.
Tinham razão.
Talvez fosse melhor voltar para Itália.
Como todos aqui queriam.
Não, quais vídeos? Não quero ver nada.
- Eu confio no Paolo. - É um erro.
Já vou.
A minha mãe era assim. O almoço de domingo era na estação com os sem-abrigo.
Não havia nada a fazer.
- Ela levava-te com ela? - Sim.
Desde que me lembro, sempre.
O meu pai ia ao estádio com a minha irmã e eu ia com ela.
Há lá todo o tipo de pessoas. Não é um lugar para crianças.
Imagino.
É só que, para ela, fazer bem aos outros era um dever.
E para ti?
Como assim?
Fazes porque o sentes ou porque a tua mãe te mandava?
Não te vires. Acho que ele está a ouvir.
Achas?
Tu fazes-me lembrar dela.
De quem?
Da minha mãe.
Ela também era paranoica?
Não! Refiro-me à forma de ser.
Como tomas conta da comunidade, da villa,
da Valentina, de toda a gente.
Está bem.
Está bem?
Eles têm sorte por te terem.
Acho que a Valentina não concordaria neste momento.
Como assim?
Escolheste ir para o inferno para a salvar.
Estou a brincar.
Achas que ela desconfia?
Não! Mas esta situação criou alguma distância entre nós
e não é a melhor altura.
Não gostas?
É delicioso.
Obrigado, é muito simpática.
Não aguento, são os dois muito bonitos.
Enfim. Bebemos?
E agora?
Agora aguardamos.
Se é que já não entraram. Demorou duas horas a preparar-se.
É importante causar boa impressão, não?
Desligue a luz.
Hoje foi um belo dia.
Se amanhã me confessar ao padre Carlo, a igreja vem abaixo.
Tu não te vais...
Estou a brincar!
Estou a brincar!
Tenho um mês para fazer tudo.
Não é assim que funciona, tu sabes.
Queres opor-te ao poder da Igreja?
Responde.
- Não se brinca com estas coisas. - Eu posso.
- Ai sim? - Sim.
Até porque... Falando a sério...
Devo dizer-te que estou a pensar em desistir.
Desistir de quê?
De tudo.
Para fazer o quê?
- Cuidado! - Desculpa.
Como vamos para casa?
Não vamos para casa.
Vamos fugir.
Com o carro do padre Carlo?
Vamos para Roma.
Eu já vou para Roma.
Começo a dar aulas.
Tu fazes o curso com calma.
Claro, havíamos de viver os dois bem com o salário de um professor.
Vou falar com o padre Carlo amanhã.
Queres estragar-lhe a festa?
Não, mas não quero estragar a minha vida.
Devíamos filmar com dois telemóveis.
Eu filmo daqui, tu podes sair e aproximar-te deles.
Como nos programas de TV.
Se calhar, podia estar calada.
O que está a fazer?
Olha, sabes que mais?
Se ficar bem, podemos mesmo enviar para a televisão.
Com a vergonha, toda a família vai ter de ir embora.
Leoluca, esta noite vais orgulhar-te de mim.
Vais ver.
- Vou comprar cigarros. - Não, fique aqui.
Fique aqui.
Tu tens?
És maluca?
Ninguém vai descobrir. Assim descontrai.
Olha que eu sei o que é isto.
- Boa noite. - Boa noite.
Que fedor é este?
Tiraste-me as palavras da boca.
Mentirosa! Cabra e puta!
Vale!
Vale, o caralho!
Há quanto tempo dura isto? És ridícula!
- Ainda a acordas! - Nem te controlas.
Mesmo quando não estás envolvida, acabas por te meter.
Vale, espera.
Tens sido a voz da justiça todos estes meses,
e, afinal, fodeste com o padre!
"Não foste sincera." Merda, és mesmo falsa!
Eu ia contar-te. Não houve tempo.
Não é uma boa desculpa para mentir.
Para com isso!
Há meses que andas obcecada com fazer sexo com ele.
És uma obcecada!
Sabes porque estava tão obcecada com isto?
Porque era a última coisa que podíamos fazer juntas!
Sou uma idiota por me sentir mal com isto. Vais-te embora e vais deixar-me para trás.
Vais contar a todos?
Querida, olha quem está aqui.
- O que... - Meu amor!
Vim mais cedo.
Eu vou-me.
Calma!
Eu vi os vídeos no YouTube e a reportagem. Foste ótima.
E tens razão, fui um idiota.
Em relação a quê?
Contei tudo ao meu pai.
A sério?
Sim. Eles disseram que não faz mal, mesmo que sejas italiana e católica.
Têm orgulho de ti.
Senti tanto a tua falta.
Merda, está morta?
Quem é? A Carmen?
Depois de terminarmos esta missa, vamos...
Carmen!
Carmen! Abre!
Sim.
Está tudo bem?
Tu és real?
Ainda dura? Louvado seja Cristo.
Louvado seja.
Abençoados os que fazem a paz,
diz Nosso Senhor Jesus.
Fazer a paz significa também tomar conta da comunidade.
É por isso que hoje é um dia de grande alegria. É um grande dia.
Certo...
Nicola, vem aqui. Vem.
Tu também.
Vem.
Ao tomarem conta do jardim, da villa, dos animais, das crianças,
vocês os dois recordaram-nos que devemos ser uma comunidade.
Recordaram-nos que devemos dar valor às coisas
que tomamos como certas. Não. Não devem ser tomadas como certas.
Ensinaram-nos a sermos cristãos.
Não é preciso.
Nicola, quando vieste de Roma,
eu... Não te ofendas, eu estava cético.
Conquistaste toda a gente. Todos te amam.
E quando te ordenares padre,
espero que fiques connosco o máximo de tempo possível.
Precisamos de padres como tu.
- Gostaste do meu discurso? - Sim.
Vamos. Estão à nossa espera.
Eu vi quem está à tua espera.
Porque não me disseste que ia voltar?
Eu não sabia.
Cada um sabe de si.
Tenho de falar com ele, mas não hoje.
- Parabéns. - Obrigada.
- Para ti também. - Obrigado.
Esperem, quero fazer uma história.
Querem dizer alguma coisa?
Preferem o TikTok?
- Eu quero dizer uma coisa. - Diz!
Na verdade, é mais um pedido.
Nós escapámos ao fogo, mas a villa ainda está em perigo.
Que rapariga simpática.
Bonita e competente.
Gostaria de pedir uma coisa em nome de todos.
O nosso presidente, que sempre esteve atento às questões ambientais,
devia comprometer-se a classificar a villa e o jardim,
pela agência do ambiente.
Para assegurar que continuam a pertencer a todos.
- Concordam? Sim ou não? - Sim.
Então, Sr. Presidente.
Vamos fazer um compromisso perante estes jovens?
Causei má impressão.
Todos notaram que adormeci. Devo ter tomado os comprimidos errados.
Sabes que, às vezes, dormir ajuda muito,
regenera muito.
Na verdade, se me permites...
A noite passada, experimentei uns cigarros
que sabem a rosmaninho.
Rosmaninho?
Por vezes, não vale a pena preocuparmo-nos.
Só dá problemas. Não é?
Conseguiste fodê-lo?
É um garanhão!
Bem...
Mete-te na tua vida!
Além disso, talvez a Lucia te deva contar umas coisas.
Espera, Valentina, estava a brincar.
Eu também pensei muito naquela padre.
Que contam?
ARRUMEM TUDO
Vem.
Graças a estes animais maravilhosos, embora cuspam...
O grande jardim e a villa estão agora sob proteção da agência do ambiente.
O presidente da agência anunciou que em breve será nomeado um responsável.
OMAR Responde
E foi por isso que Paula quis confrontar-se na praia com Valeria.
Há algo de errado?
Nicola.
Muito bem. Fazes bem em praticar desporto.
Eu praticava quando tinha a tua idade.
Não demasiado, mas o suficiente.
Eu entendo tudo...
Porque está ainda acordado?
Estava a ver isto.
A Carmen costuma ver.
Porque não desliga e adormece?
Como? A pressão arterial sobe, cai, cai, sobe...
Demasiados comprimidos, padre.
Tens toda a razão.
É que eu sou ansioso.
Não devia ser ansioso!
Não é uma coisa má.
Nosso Senhor fez-nos de certo modo
e não devemos ter a soberba de querer mudar.
Então vou ficar confuso para sempre?
Estou comprometido. É a minha situação.
Nicola, posso dizer-te uma coisa? Senta-te.
Senta-te.
Nós somos instrumentos imperfeitos.
E não devemos pensar na nossa própria salvação.
Reza pelos teus pecados e pensa no que podes fazer pelos outros.
Não deites isso fora.
Não?
E que hei de fazer? Ser um padre com uma amante?
Não sei. Eu não teria essa energia.
Tu é que és o corajoso.
Olha para isto.
Inspirei-me em ti.
De que te ris?
Não sou estúpido. Tomei uma decisão.
Tomei uma decisão, mas não sei se o Nosso Senhor concorda.
Com as escolas a reabrirem para a semana, este verão chegou ao fim.
Para muitos estudantes e não estudantes, há que dizer,
"é tempo de fazer o balanço e de voltar à realidade."
Fumas desde quando?
Estou a tentar começar, mas...
É demasiado nojento.
Todos os vícios?
Tenho de escolher?
Queres estar comigo e dizer missa?
Não seria o primeiro.
O primeiro por minha causa.
Porquê por tua causa, Lucia? Ambos o queríamos.
- Que vida é esta? - Eu lido com a minha consciência.
Vamos tentar.
Vamos ver como corre.
- Vamos com calma. - Entretanto, ordenas-te padre?
Nico, ouves-te a ti mesmo?
Queres ir a um restaurante a sério para jantarmos?
Posso fazê-lo.
Tirar férias juntos? Eu posso ir.
Não, não podes.
Porquê?
Porque eu estou com o Omar.
Eu quero estar com ele.
Vamos embora.
Sabes, também...
O quê?
Há também uma versão da Orietta Berti.
Desta canção.
O Turu tinha razão.
Não podes ser hétero.
Já não estou habituado. Esqueci-me.
De quê?
De quando tens tanta esperança e tudo se desfaz.
Acho que é assim 90% das vezes.
Pelo menos, dá-me um sorriso.
Vemo-nos quando voltares, não?
Não. Vou apagar o teu número. Vou bloquear-te. É assim que funciona.
Merda!
Então fazemos assim. Saúdo-te em direto durante o primeiro Angelus.
Para saberes que estou a pensar em ti.
É melhor um gesto que ninguém entenda, Sua Santidade.
Por exemplo?
O dedo do meio.
Imaginas o dedo do meio em frente à multidão de São Pedro?
Mal posso esperar.
Adeus.
CINCO ANOS MAIS TARDE
Nico!
Lucia.
- Olá. - Olá.
Como estás?
Que barba branca é esta?
Espera, deixa-me olhar para ti.
Quanto tempo passou?
Uma vida.
- Como estás? - Como estás?
Sempre a correr. Estou a caminho da manifestação em Montecitorio.
Que, como de costume, não vai servir para nada, mas enfim.
- Moras aqui? - Estás diferente. Com a barba e tudo.
Sim, muitas coisas mudaram.
Achas que não sei?
A Carmen mortificou o padre Carlo.
Pobre homem.
Como estão?
- Perdão, sou a Lucia. - Olá, sou a Ginevra.
Que bonita. Olá. Os teus olhos são tão bonitos.
O que se diz, querida? Obrigada.
Chama-se Livia. A Lucia estava na paróquia onde fiz o último diaconato.
Acho que me esqueci de um saco lá dentro. Desculpem-me por um momento.
És feliz?
Sim, acho que sim.
Ainda estás com o Omar?
Vemo-nos por aí um dia destes.
Sim, vemo-nos com mais tempo.
Sim.
- Vemo-nos por aí. - Adeus.
Lucia.
Nem sabes quem encontrei.
Onde raio estás?
O Tommaso outra vez não, por favor.
Qual Tommaso, por amor de Deus! Vai mais para trás.
Quem havia antes do Tommaso?
Mais para trás.
Antes do Tommaso?
Espera.
Não... O diácono Nicola?
Agora é só Nicola.
Meu Deus!
Estava com a mulher grávida e com a filha, Livia.
Disseste que estavas com um garanhão?
Quem?
O que disseste? Que vivias comigo?
És louca.
Quantas vezes te disse? Com os ex, deves ser ardilosa.
O que fizeste para o jantar?
- Há caponata no frigorífico. - Vamos cozinhá-la.
Vamos.
Ouve, pelo menos está feio?
Está um pouco mais velho.
Ótimo. Só de pensar que estive para namorar com ele...
Lembras-te do calor que fez nesse ano?
Está sempre calor aqui na Sicília.
Não, nesse ano só choveu uma vez, quando estávamos em Spaccuzza.
Não choveu nada.
Cala-te. Quase consegui.
Porque és uma puta.
O meu biquíni ficou preso.
Qual biquíni?
THE HOTTEST SUMMER
Legendas: Nuno Camarneiro
Supervisão Criativa Mariana Vieira
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