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- Art Subs - 13 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - zumBRAL -
Revis�o - Frederic -
A PIOR PESSOA DO MUNDO
UM FILME EM 12 CAP�TULOS, UM PR�LOGO E UM EP�LOGO
Voc�s estudaram a epiderme, a derme e os m�sculos.
PR�LOGO
Julie decepcionou a si mesma.
Isso costumava ser f�cil.
Ela ainda estava entre os melhores estudantes,
mas havia muitas interrup��es, atualiza��es,
not�cias, problemas globais insol�veis.
Ela sentia...
uma inquieta��o torturante, que tentou superar estudando,
afogando-a em interfer�ncia digital.
Isso estava errado. N�o era ela.
Ela escolheu a medicina,
porque era muito dif�cil conseguir admiss�o.
Onde as excelentes notas dela, na verdade, nada significavam.
Mas ela teve uma revela��o.
A paix�o dela sempre foi a alma.
A mente, n�o o corpo.
Cirurgia � tipo, t�o concreto.
� quase como ser um carpinteiro.
Mas agora...
Minha paix�o sempre foi o que vem de dentro,
pensamentos e sentimentos.
Era como se uma janela tivesse sido aberta.
N�o o corpo.
Se a psicologia a far� feliz, ent�o v� em frente.
Eu acho que voc� � realmente corajosa.
N�o posso seguir com isso. N�o quero.
Ela o deixou.
Mesmo ficando devastado, ele tinha que respeitar
o modo como ela assumiu o controle da pr�pria vida.
Ela observava seus colegas.
Os futuros conselheiros espirituais da Noruega.
Principalmente as meninas com dist�rbios alimentares.
Digamos que est� numa festa...
Ainda sentia-se presa no papel de estudante modelo.
Tanto estudo! Quando a vida deveria come�ar?
Qual � o seu nome?
- Julie. - Julie!
O nome da pessoa � Julie. E...
digamos que Julie e eu nos conhecemos numa festa,
e sentimos uma atra��o m�tua.
Hipoteticamente.
Na verdade, ela era uma pessoa visual.
Agora eu sei...
Eu quero ser fot�grafa.
Uma fot�grafa?
Certo...
Julie gastou seu cr�dito educativo em c�meras e lentes.
Contanto que leve a s�rio.
Sem garantias. Sem voltar atr�s.
Precisa de ajuda?
Ela arrumou trabalho numa livraria.
Come�ou o curso de fotografia.
�timo!
Fez novos amigos.
Parecia como voltar para casa.
De repente, Oslo era uma cidade diferente.
Novos lugares, novas pessoas.
Oi. Sou Aksel.
Certo... Voc� � o artista dos quadrinhos?
Ouvira falar que ele era o criador do Bobcat.
DESCULPEM, SOU UM ANIMAL SELVAGEM.
- Voc� j� leu? - Sim.
E a�?
Ela fingiu que havia lido.
S� lembrava de uma tirinha
que tinha achado vagamente sexista.
Sei o que quer dizer. Nada � bom o suficiente.
A �nica coisa pior que os idiotas � voc� mesma.
Mas...
Se continuarmos, me apaixonarei por voc�.
Ent�o ser� muito tarde.
Talvez devamos concordar...
em parar de nos vermos.
O problema � nossa diferen�a de idade.
S� tenho medo que entremos em um ciclo vicioso.
Voc� � muito mais nova do que eu.
Voc� vai come�ar a questionar quem voc� �.
Eu j� passei dos 40. Entrei numa nova fase.
Ao passo que voc� ainda precisa de tempo para se encontrar.
N�o precisa que eu te espere.
Voc� precisa ser completamente livre.
S� tenho medo que machuquemos um ao outro.
Mais tarde ela disse que foi o exato momento...
em que se apaixonou por ele.
Obrigada.
Posso colocar sua mala no quarto?
Sim, por favor.
Tenho dois livros iguais!
- Como? - Sim.
Vou jogar um fora.
Posso ter duas prateleiras?
De quantos closets precisa?
Quantos posso ter?
N�o � assim que funciona.
Esses vidros s�o antigos. Todos canelados e tudo mais...
N�o, n�o fa�a isso! Assim n�o!
N�o! Levante isto aqui...
Estou com medo de que quebre.
Eu olho por essa janela...
- Sem condi��es! - N�o estou brincando.
Ei, � assim que relacionamentos funcionam.
Ela est� um pouco fria comigo. Isso � novidade.
�? Por que acha que est� assim?
� embara�oso dizer. Temos estado solteiras juntas.
Viv�amos aquela vida...
Ent�o, de repente, estou morando com voc�.
- E voc� est� feliz? - Sim.
N�o, n�o, n�o...
Teve um encontro com esse cara?
Sim, s� uma aventura.
- Certo. - Pare!
Voc� � t�o previs�vel!
Vamos apenas transar.
Um dia
Quando estiver terrivelmente Deprimida
Quando o mundo estiver frio
Sentirei uma fa�sca S� de pensar em voc�
Ol�!
CAP�TULO 1 OS OUTROS
- Estou feliz em te ver. - Eu tamb�m.
- Est� tudo bem? - Sim.
Oi, Martin.
Bem-vindos. Obrigado por vir.
O papai projetou isto.
Vamos reformar, mas n�o queremos mudar nada.
� lindo.
Sim, mas tem coisas como isso. Umidade.
Ficamos neste quarto, por n�o termos filhos.
Prefer�ncia para o beliche de cima.
Eu sempre sinto que Tone n�o gosta de mim.
Ela � apenas t�mida.
Isso � o que voc� diz sobre pessoas chatas.
- � minha vez agora. - Certo.
- Obrigada. - Vinho?
- Vinho branco? - Obrigada.
J� chega?
Voc� j� tem amigos com filhos?
N�o. Apenas um.
Acho que n�o deve ser familiar pra voc�.
- Eles s�o muito fofos. - Obrigada.
Ent�o, o que est� fazendo agora, Julie?
Aksel disse que voc� come�ou a escrever.
Bem, n�o posso chamar exatamente de escrever.
- Est� sendo modesta? - N�o.
Parece que sim.
Tem algo que voc� gostaria de fazer,
como carreira?
Perguntas e mais perguntas, Karianne...
Essa pergunta era vulgar quando �ramos estudantes.
- Sortudo! - Sim, n�s �ramos.
� verdade, n�s t�nhamos muita liberdade.
Ser jovem hoje � diferente. A press�o � desoladora.
N�o h� tempo para pensar. Tem sempre algo na tela.
Veja William...
Se n�o colocamos limites, ele passa a vida nas telas.
- Boa tentativa. - Muito bem.
- N�o, n�o � sua vez agora. - � a vez de Martin.
Julie ainda � a mais pr�xima.
Hora de dormir.
- Ela est� exausta. - N�o!
N�o!
- Sim. - N�o, eu n�o quero dormir.
Eu n�o quero!
Eva, n�o fa�a outra cena. Venha aqui!
N�o, eu n�o quero!
Solte!
- Voc� � uma garota boba! - Eu n�o quero!
Mas eu quero que voc� v�! Eu n�o quero!
Eu n�o quero! Me solta!
- Filhos podem ser intensos. - Bem, est� tudo bem.
- Divertindo-se com as crian�as? - Sim.
- N�o podemos apenas aproveitar? - Por favor, sem brigas.
Tem crian�as aqui e est� um caos. Apenas tente...
Tente brincar com elas ou algo parecido, certo?
Por favor. Me poupe de conversa sobre crian�as.
Desculpe, mas n�o fui eu quem come�ou.
Voc� est� com algu�m mais nova do que voc�. H� uma lacuna.
Voc� tem quase 30. N�o � uma idade ruim para ter filhos.
Eu tenho 44 e quero passar para a pr�xima etapa. Com voc�.
N�o tem nada a ver com meus amigos.
Voc� parece estar esperando alguma coisa. N�o sei o qu�.
- Al�? - Meu Deus!
Eu n�o queria ter entrado nisso.
Realmente n�o.
Tudo � nos seus termos.
Voc� est� de folga, ent�o temos um feriado.
Voc� concordou.
Depois que voc� publicou, voc� ficou chato.
E come�ou a falar sobre filhos.
Os outros aqui t�m filhos, ent�o isso � um problema.
- N�o � verdade. - � verdade sim.
E ent�o... voc� teve uma nova ideia uma hora,
e desapareceu em sua prancha de desenho.
O que est� dizendo, Julie? N�o comece. Isso n�o � legal.
Cale-se, por favor.
Certamente eu estaria l�, se tiv�ssemos filhos.
Voc� sabe disso. Sabe que eu quero filhos.
Claro, eu tamb�m vou querer filhos em algum momento.
Mas eu n�o sei...
Eu n�o tenho instinto maternal, certo?
N�o, voc� daria uma �timo m�e.
- Tenho certeza disso. - Eu quero ter filhos tamb�m.
Em algum momento.
Ent�o pelo que estamos esperando? O que tem que acontecer primeiro?
Eu n�o sei exatamente o qu�.
S� quero fazer mais coisas primeiro.
Certo, o que quer fazer? O qu�?
- Qual � o obst�culo? - N�o sei. Por que voc� pergunta?
Sua concep��o � equivocada.
A maioria das pessoas t�m filhos sem resolverem suas vidas primeiro.
- Elas simplesmente descobrem. - Equivocada?
� como a maioria das pessoas faz.
Mas eu n�o quero que tudo aconte�a baseado nos seus termos,
cren�as, na sua sua vontade, no que voc� quer, seu tempo...
�timo, eu entendi. Mas o que voc� quer?
Diabos! Por favor! Temos que parar.
Preciso dormir para aguentar aquelas pessoas.
Conhe�o um cara que tem uma teoria a respeito. Ele diz que temos...
um n�mero limitado de espermatozoides.
Digo... 3 trilh�es em toda a sua vida.
Se bater muita punheta...
voc� acabar� com eles. Pode ser verdade.
Tenha calma, Portnoy.
Que fascinante.
Pessoalmente, sinto que sei tudo sobre problemas masculinos.
Disfun��o er�til, ere��o matinal, paix�o por mulheres mais jovens...
ejacula��o precoce...
Bom trabalho, Aksel.
Est� em todos os livros e filmes.
E onde fica o per�odo menstrual nesse meio?
E o orgasmo feminino e o desejo? Onde ficam?
Boa pergunta. Nos diga. Com detalhes picantes.
N�o, a quest�o � que isso n�o deveria ser um tabu.
Se os homens menstruassem, isso era tudo o que ouvir�amos.
Pode womansplain isso um pouco melhor?
Como assim?
O mesmo mansplaining, mas agora � como f�mea.
- O que �? - Mansplaining �...
Quando um homem de 45 anos explica...
como as coisas realmente s�o para uma mulher mais nova.
- Obrigada pela demonstra��o! - O prazer foi meu.
- Sa�de! - U�sque, algu�m?
Como est� se saindo o cidad�o s�nior do clube?
Vamos.
Perdemos tempo tentando
Fomos deixados de fora
Olhando as paix�es sucumbir
Emo��es se fortalecem O tempo todo
Mas est� tudo bem
Podemos seguir em frente
Mas est� tudo bem
Podemos seguir em frente
Vejam quem est� aqui!
- Voc� est� bem? - Na verdade n�o.
Me mostre.
- N�o! - Deixe-me ver...
Vamos rir disso depois. Foi s� um arranh�o.
Karianne � a rainha do drama.
- A culpa � minha. - De modo algum, Julie!
� sim. Eu sempre exagero.
Sei que estar aqui n�o � f�cil para voc�. Mas...
eu tamb�m n�o gosto dessa coisa de "fam�lia feliz".
Estou feliz que a noite tenha se tornado uma festa.
Espero que tenha se divertido!
O que diabos h� com voc�?
O que h� de errado em se divertir um pouco?
Eu n�o me diverti nada!
Desculpe por isso!
N�o! Voc� n�o se importa!
Cale a boca! Cale a boca!
Voc� n�o d� a m�nima para mim!
Vamos fazer um beb�?
V� se foder.
- Oi. - Bom dia.
Tem caf�. E x�caras.
Escute
Escute
Escute a voz
A voz � uma ilus�o
Escute a voz
N�o deixe que as palavras A confundam
Porque se precisa de algo Em que se concentrar
Concentre-se em mim
Voc� precsa de algo Para meditar
Medite sobre mim
Escute
Escute
Escute seu cora��o
Entre no ritmo
Escute seu cora��o
Batendo com precis�o
CAP�TULO 2 INFIDELIDADE
Desculpe, eu esqueci. Qual a sua linha de trabalho?
- Eu trabalho numa livraria. - Qual?
Qual livraria? Na Norli, pela universidade.
Poderiam me dar licen�a por um instante?
- Poderia autografar? - Claro, s� vou terminar este.
Algum novo Bobcat saindo do forno?
Estou seguindo em frente.
Voc� trabalha nisso em tempo integral,
ou � apenas um divertimento dos finais de semana?
- Com licen�a. - Tchau.
- Ei, acho que vou para casa. - Tudo bem.
- Voc� est� bem? - Sim.
- Tem certeza? - Sim, estou bem.
- Posso ficar, se quiser. - N�o, est� tudo certo.
- Tenho que ficar um pouco mais. - Claro.
Muito bem, te vejo em casa.
- Oi, pode me dar um cigarro? - Claro.
Ent�o tive meu segundo filho 10 anos depois.
Agora temos que introduzir s�lidos aos 4 meses.
O que fez os pediatras mudarem de opini�o?
Voc� � carinhosa com seus filhos?
- Claro, muito. - Ent�o ser�o viciados em drogas.
Ser�o viciados por eu dar carinho a eles?
Sim, de acordo com uma nova pesquisa.
Uma nova pesquisa diz que voc� n�o deve dar carinho a seus filhos?
Imagino que seja contraintuitivo para uma m�e.
Mas a maternidade perturba seu sistema l�mbico.
Ent�o meus filhos ser�o viciados em drogas?
Isso � rid�culo. Voc� tem filhos?
N�o, mas eu sou m�dica. Tenho uma perspectiva m�dica.
Os beb�s se expressam pelo choro.
� normal para uma m�e ou para um pai confort�-los.
- Oi. - Oi.
N�o vai me fazer as perguntas de sempre?
- Quais? - Quem eu sou, o que eu fa�o...
Quem � voc�? O que voc� faz?
Odeio essas perguntas.
Elas s�o especialmente ruins quando se � m�dico.
- Voc� � m�dico? - N�o, voc� �.
Que perguntas devo fazer?
Me pergunte quem eu conhe�o aqui.
- Quem voc� conhece aqui? - Ningu�m.
Entrei de penetra.
Voc� simplesmente entrou?
Muito bem.
- N�o vai acontecer nada. - � claro que n�o.
- Estou com algu�m que amo. - Eu tamb�m.
E eu n�o suporto trai��o. J� passei por isso. Nunca mais.
- Isso mesmo, trai��o �... - N�o � bom.
Mas qual � o seu limite?
Voc� pode senti-lo.
Se eu fizer isto...
- Isso � trai��o? - N�o.
E isto?
- N�o, isso � permitido. - � mesmo?
E machucar algu�m que n�o � seu parceiro?
- Voc� machuca seu parceiro? - Isso � trai��o?
Doeu?
Doeu?
- Sente-se bem? - Sim.
Certo...
Deixe-me cheirar seu suor.
- N�o. - Sim.
- S�rio? - Sim, isso � permitido.
- Cheira mal! - Sim.
� o tipo de cheiro que voc� nunca esquece.
� minha vez de te cheirar.
N�o, por favor. Estou arrependida agora.
Deixe-me cheirar.
Acho que voc� cheira bem.
N�o sei se...
isso � permitido.
- Continue. - Certo.
Voc� come�a e eu vou depois.
Na verdade, acho que o sexo � melhor
quando o pau n�o est� muito duro.
Porque...
de certa forma, sou eu quem...
o deixa duro, entende?
Meu segredo ser� idiota agora.
Acho que entendi mal.
Eu ia dizer que gosto do Projeto Barcode.
Parece bonito visto da ponte quando vou trabalhar...
Expus meu segredo mais obscuro, e voc�...
Voc� disse "segredos", n�o "mais obscuros".
- Ent�o por que isso � um segredo? - Porque todos o acham feio.
Desculpe, n�s estamos...
- Posso sussurr�-lo? - Tudo bem.
O que foi?
Desculpe, parece que estou sentado em tudo.
Foi mal.
- N�o h� nada de sexual nisso. - Nada mesmo.
- Embora voc� goste paus moles. - Sim.
Muito bem, sua vez.
- N�o consigo mijar. - Apenas relaxe.
Eu vou por aqui.
Certo.
- Qual � o seu nome? - Julie.
- Sou Eivind. Eivind... - N�o diga isso.
- Por que n�o? - Vou te encontrar no Facebook e...
Bem pensado.
- Certo. - Certo.
- Tchau. - Tchau.
- N�s n�o tra�mos. - N�o.
- De jeito nenhum. - N�o.
- Tchau. - Tchau.
CAP�TULO 3 SEXO ORAL NA ERA #METOO
Aksel?
Aksel, preciso te dizer uma coisa.
Aksel?
Uma amiga me disse que fez sexo com um homem
que socou o pau na boca dela enquanto lhe segurava a cabe�a.
Ela ficou confusa porque gostou disso.
Isso realmente a excitou.
Voc� pode ser feminista e gostar de ser fodida na boca?
A maioria das mulheres que conhe�o s�o ambivalentes sobre sexo oral.
Devem agir como se gostassem... ...na pat�tica expectativa
de que isso as excitar�...
Eu gosto dele fl�cido.
Ent�o, eu crio a rigidez, em vez de soc�-lo em mim
como algo a ser apaziguado.
Isso est� bom.
- Est�? - Est� acima do topo.
N�o concordo com tudo, mas est� muito bem escrito.
Original. Muito bom.
- O que vai fazer com isso? - N�o sei.
- Acha mesmo que est� bom? - Sim, absolutamente.
- Tem certeza? - Sim, n�o estou mentindo.
N�o?
- Tem certeza? - N�o ouse duvidar disso.
Est� bem cerebral.
Mas me excitou tamb�m.
- � mesmo? - Mais ou menos.
Foi por isso que escreveu?
Viagra intelectual?
- Sim. - Isso funciona.
Seu artigo "Sexo Oral na Era #MeToo"
foi publicada no "jubel.no".
Foi amplamente compartilhada
e rendeu um intenso debate no Facebook.
Com os fortes analg�sicos que estou tomando,
n�o posso dirigir.
CAP�TULO 4 NOSSA PR�PRIA FAM�LIA
Esperava que pudesse ir, mas...
N�o consigo passar uma hora no �nibus com as costas assim.
N�o se preocupe com isso.
Voc� poderia vir para o jogo do H�nefoss na pr�xima semana?
Ent�o podemos comemorar juntos.
Nathalie mandou os parab�ns tamb�m...
Mande lembran�as por mim.
- Que bom te ver. - Igualmente.
- J� faz tanto tempo. - Muito tempo mesmo.
De qualquer forma, tenha um bom anivers�rio.
Obrigada. Certo...
Estou muito magro?
- Voc� trabalha muito. - � verdade.
Nos falamos depois.
Feliz anivers�rio!
Por que sempre eu tenho que ir v�-lo?
- Ele n�o vem? - N�o.
Bem, ele est� com dor nas costas.
Sempre tem algo errado com ele.
Ol�.
Ent�o, ele n�o vem.
Isso n�o � legal.
Ele queria vir, mas est� com dor nas costas.
Ele percebe como isso a faz se sentir?
- Ele est�... - Ele est� com dor nas costas, m�e.
Desculpe. Por favor, sirvam-se.
Obrigado, parece delicioso.
Espero que gostem.
Viva e feliz anivers�rio!
� hora de celebrar voc�!
Aos 30, Eva, a m�e de Julie, j� era divorciada h� 2 anos.
Uma m�e solteira e contadora de uma editora.
Vamos dan�ar, saltar, Pular e requebrar
Desejando a voc� O votos mais felizes
Por ora, � hora de celebrar!
Parab�ns!
Muito obrigada.
- Voc� leu o artigo da Julie? - Certamente.
- E ent�o? - Muito bom.
- Voc� leu, m�e? - N�o.
O artigo da Julie. � excelente.
Aos 30, a av� de Julie tinha 3 filhos.
Interpretou Rebecca West na pe�a Rosmesholm, no Teatro Nacional.
Aos 30, a bisav� de Julie, Astrid,
era vi�va, sozinha com 4 filhos.
A trisav� de Julie teve 7 filhos.
Dois morreram de tuberculose.
A tatarav� de Julie, Herta, era mulher de um comerciante,
com 6 filhos em um casamento sem amor.
A pentav� de Julie nunca fez 30 anos.
A expectativa de vida das mulheres na �poca era de 35 anos.
N�o quero te incomodar com isso, mas...
Est� cada vez mais dif�cil para eu urinar.
Estava com medo de que fosse c�ncer de pr�stata, mas n�o era.
- Bem, que bom. - Sim.
Ainda assim...
vou ao banheiro o tempo todo.
E... tenho incontin�ncia.
Obrigada pelo casaco legal. Veio na hora certa.
Pensei em come�ar a fazer caminhadas.
Desculpem o nosso atraso.
- N�o fez caf� para eles? - Tudo bem.
Vou preparar algo.
- Como foi l�. - �timo.
- Quantas defesas? - V�rias.
- Bom trabalho. - Parab�ns atrasado.
30 anos � uma marca importante.
Que pena que faltamos. O torneio durou o dia todo.
Ent�o, n�o pudemos ir.
Sem problemas. Est� tudo certo.
Ela � a goleira. Precisa v�-la jogar.
N�o, ela n�o tem que fazer isso.
Ela � incr�vel.
- Vou te avisar da pr�xima vez. - Sim, por favor fa�a isso.
Legal.
Recebeu o artigo que te mandei?
Sim, eu j� ia te perguntar.
Eu n�o consegui que o link funcionasse.
Meu computador fica louco.
- Sabe algo sobre computadores? - Sim, posso dar uma olhada.
Mas ela n�o pode apenas reenviar o e-mail?
N�o havia um... Ela mandou o artigo por e-mail?
Como anexo de um e-mail.
N�o, eu pressionei o bot�o do mouse.
Ent�o, coloquei a setinha no quadrado.
Tentei duas vezes e ent�o ele desapareceu.
Deve ter sido culpa minha.
Talvez, eu tenha enviado a vers�o errada.
Vamos dar um jeito. Voc� tem que ler esse artigo.
� realmente bom.
Muito... Muito bem escrito, e...
Garota inteligente.
Quando voc� vem nos ver, Per Harold?
N�s adorar�amos. Venha ver onde sua filha mora.
Claro, certamente.
Mas � dif�cil de estacionar no centro de Oslo.
Fizeram...
residentes... Estacionamento para residentes, l�.
Sim.
Isso facilitou a tarefa de achar uma vaga. S� precisa pagar.
E movimentar o carro a cada meia hora?
Essa � a raz�o pela qual n�o vem nos ver?
Porque � dif�cil dirigir na cidade?
- N�o � isso. - Ent�o, o que �?
Bem, sabe...
eu n�o posso dirigir por causa dos meus analg�sicos.
Tem isso tamb�m.
A coisa boa � que ele se abriu.
As dores dele. A pr�stata dele.
Voc� tem que fazer sua pr�pria fam�lia.
CAP�TULO 5 HORA ERRADA
- Com licen�a? - Oi.
Voc� tem "Ioga Verde"?
Deixe-me verificar.
- Qual livro mesmo? - Ioga Verde.
Publicado no ano passado.
N�o, eu tenho que pedi-lo. N�o est� no estoque.
- Quanto tempo demora? - Duas semanas.
Certo. N�o, obrigada.
Eles tamb�m n�o t�m.
Tudo bem. Podemos tentar na Ark.
Obrigada.
Disse que esqueci meus �culos.
Eu s� tinha que dizer...
que sei o que dissemos. Mas penso muito em voc�.
E... n�o quero te bugar, se estiver feliz.
Est�?
- N�o sei o que dizer. - N�o diga nada.
Gostaria de te ver de novo. S� para conversar.
Quer dizer, eu n�o vou...
Mas gostaria de te ver de novo. S� para...
Estou na �pent Bakeri, no Barcode, quase todos os dias.
Quer dizer, eu trabalho l�. Se voc� quiser...
Ent�o...
- Eivind? - Sim.
- Seus �culos. - Ah, sim. Porra.
A linguagem abre a porta para o subconsciente.
Freud era um grande escritor. Ele podia ser autocr�tico.
Ele nunca hesitou em revisar suas teorias.
Ele via cada paciente individual como um objeto de pesquisa.
Freud n�o distinguia entre terapia e pesquisa.
Eu acho isso muito atraente.
Especialmente nestes dias,
quando a metodologia cient�fica � aplicada
at� mesmo nas humanidades.
Chega de Freud. Como vai o filme?
Ele n�o est� quase pronto?
Sim, eu assisti, mas...
- Assistiu? - Sim.
Ele n�o � mais meu.
� t�o ruim quanto temia?
A pior coisa � como domesticaram Bobcat.
Est� tudo muito limpo e seguro.
Vou te mostrar uma coisa.
Um mockup do p�ster do filme.
Tenho que admitir...
Estou embara�ado por meu nome estar nisso.
- Merda. - N�o! � s�rio?
Voc� deve estar brincando. De jeito nenhum!
Este � o p�ster. De verdade.
Vamos ver.
- Parece com Tico e Teco. - Puta merda.
Devo rir ou chorar?
Tudo foi esculhambado. A hist�ria. Todos os detalhes.
Removeram a estrela do mar.
Desculpe, estou por fora.
Que estrela do mar? �, voc�s sabem...
o cu, o �nus.
A bunda dele � lisa no filme.
Esta coisa sumiu. Sumiu.
Isso � ruim no meu livro.
Nos quadrinhos underground, voc� caga,
voc� vomita, fode e tudo mais.
Bobcat � um gato selvagem num mundo de gatos dom�sticos.
Ele � um rebelde contra a burguesia.
Um dos mais ic�nicos cus da hist�ria.
- Caf�? - Sim.
N�o sei o que devemos fazer.
Tenho que ir.
Aksel, precisamos conversar.
Sim, claro.
O que houve?
Julie disse que andou pensando.
N�o era culpa dele. Nada que ele pudesse ter mudado.
N�o � nada que tenha feito.
N�o � culpa sua. Mas eu sinto...
Era sobre todos os velhos argumentos deles.
Coisas que ambos sabiam. Era a hora errada.
Eles se conheceram em diferentes fases da vida.
Eles queriam coisas diferentes.
Queremos coisas diferentes.
- Voc� est� me deixando? - Sim.
Eu quero que isso acabe.
Tem certeza de que est� sendo voc� mesma?
- Como assim? - Voc� percebe...
Voc� percebe o que est� fazendo?
O que est� destruindo?
Sim, certamente.
Por isso � t�o dif�cil.
Onde voc� vai viver?
- N�o sei. - N�o sabe?
N�o. Com minha m�e.
- Vai se mudar pra casa da sua m�e? - Sim, at� achar um lugar.
Certo.
N�o, deixe disso...
Acabou.
J� deu. O que mais eu posso dizer?
Tem algo mais incomodando e voc� est� descontando em mim?
N�o. Tenho pensado nisso h� muito tempo.
Isso parece o correto.
- Voc� conheceu algu�m? - N�o.
Estou t�o cansado de tudo isso, Julie. Porra.
Cansado demais disso.
Mas tudo bem.
Apenas v� embora. Se � isso que voc� quer.
Vou dar uma volta enquanto arruma suas coisas.
Julie disse que ele precisava de uma mulher mais segura.
Pronta para ter filhos.
Que fosse confiante,
que n�o fraquejasse a cada 6 meses.
Mas eu gosto de voc� fraquejante.
Aksel disse que gostava que ela fraquejasse.
Que ele precisava de algu�m assim.
Algu�m que poderia tir�-lo de sua prancha de desenho.
E quanto a ter filhos...
Ele disse que preferia n�o ter filhos com ela,
do que ter filhos com outra pessoa.
Voc� sabe que esse n�o � o �nico problema.
- Voc� sabe disso. - Ent�o, qual � o problema?
� uma combina��o de coisas, n�o apenas isso.
Posso ver que voc� est� em crise neste momento.
Eu posso entender isso.
Mas, se voc� me ama,
vamos resolver tudo isso.
Sim, eu te amo.
E n�o te amo.
Julie sentiu que aquela frase,
a forma como a disse, a �nfase em certas palavras,
resumiu a impossibilidade de toda a situa��o.
Me sinto como uma espectadora em minha pr�pria vida.
Como se eu fosse coadjuvante da minha pr�pria vida.
Entendo que se sinta presa.
Voc� precisa de uma mudan�a. Mas essa � a solu��o?
� exatamente disso que estou falando.
Estou tentando te dizer como me sinto,
e voc� est� definindo meus sentimentos.
Eu vejo o que est� fazendo.
O que eu estou fazendo? Diga-me o que estou fazendo!
Cale a boca, e eu vou te dizer!
Voc� est� representando o confronto que nunca ousou ter com seu pai.
- Voc� est� descontando em mim. - � isso mesmo?
� o que estou fazendo? O que sabe sobre isso?
Este � o n� do nosso relacionamento.
Tudo o que sentimos, temos que colocar em palavras.
�s vezes, eu s� quero sentir as coisas.
Voc� insiste em ser t�o forte o tempo todo.
Para voc�, ser forte � formular coisas.
Se analisa as coisas em todos os n�veis psicol�gicos,
voc� acha que � forte.
Mas por eu ser menos anal�tica, voc� acha que sou mais fraca.
Ela disse que tinha medo de ficar sozinha.
Com medo de viver sem ele.
Que quando ela partisse, seria como o Bambi no gelo.
E exatamente por isso ela tinha que fazer isso.
Aksel murmurou palavras apaziguadoras que ela n�o ouviu.
Ela estava pensando em como,
aos 30 anos de idade, acabara de se comparar ao Bambi.
N�o.
- Eu sou pat�tico. - N�o, voc� n�o �.
Um pouquinho?
Aksel...
Ei...
- N�o quis dizer o que disse. - Tudo bem.
Eu disse muitas coisas tamb�m.
Fique mais um pouco.
Voc� vai se arrepender disso.
Tenho certeza de que vou.
A coisa mais triste,
� que um dia voc� vai querer filhos.
De qualquer forma, voc� ter� outros relacionamentos.
E voc� vai perceber que o que t�nhamos era �nico.
Eu sei.
N�o, voc� n�o sabe. Eu sei. Eu tive muitos relacionamentos.
Eu sei o quanto isso � dif�cil.
Ningu�m se comunica como n�s. Ningu�m ri como n�s...
Quem sabe? Talvez possamos voltar a ficar juntos algum dia.
Naquele momento, ela falou s�rio.
Estou falando s�rio.
CAP�TULO 6 PLANALTO FINNMARK
- Est� com frio? - Sim.
- Parecia mais f�cil no YouTube. - Eu disse que dev�amos treinar.
Espere... Este aqui primeiro.
- Tem certeza? - Sim, isso fica no topo.
Certo, mas ele vai primeiro?
N�o � o outro primeiro?
- N�o, este � o topo. - Certo.
Eivind transformou isso numa hist�ria engra�ada
que contava a todos.
Mas aquilo a tocou profundamente
GRUPO DE L�NGUAS SAMI
Despertou algo nela.
Pesquisou o nome da fam�lia no Google.
O av� dela vinha do Extremo Norte.
A amostra de DNA que ela enviou para a Am�rica confirmou isso.
Eivind n�o via como a identidade rec�m-descoberta dela,
como 3,1% Sami,
conectava-se a subst�ncias que expandem a mente
e rituais ex�ticos n�o relacionados,
mas tentou apoi�-la.
� medida que se tornava cada vez mais militante,
ela viu como as mudan�as clim�ticas
prejudicavam os povos ind�genas.
Inu�tes morrendo de fome com o desaparecimento das focas.
Derretimento de geleiras destruindo as pastagens de renas.
Abor�gines morrendo de c�ncer de pele
devido ao buraco na camada de oz�nio!
Eivind poderia esquecer o voo para Nova York.
Inspirem. Tudo para dentro.
Ela os fez viver...
de forma mais sustent�vel.
Ele sempre poderia fazer melhor.
Estudar mais detidamente os ingredientes.
Considerar o impacto ambiental de suas compras.
O pl�stico est� matando os oceanos.
O bacalhau noruegu�s foi de barco para a China e voltou.
A minera��o de cobalto estava destruindo o Congo.
As baterias tinham sangue nas m�os.
A suma da culpa ocidental sentava-se ao seu lado no sof�.
Ia para a cama com ele � noite.
Tudo foi colocado na balan�a contra a causa maior.
Ele sentiu que tra�a Sunniva. Tra�a o povo Sami.
Sentiu-se a pior pessoa do mundo, mas n�o podia resistir.
Esqueci meus �culos de sol l� dentro.
- Certo. - Volto logo.
Disse adeus a mim mesmo
CAP�TULO 7 UM NOVO CAP�TULO - Olhei no espelho
E comecei a chorar
Deixarei minhas coisas Para tr�s
Para que todos vejam
E espero que ela entenda O porqu�
Terminar o jogo
� como mudar o nome De sua can��o favorita
Saia da rima Pela primeir�ssima vez
E a can��o acaba
N�o h� mais nada a dizer
Empacotarei mihas mem�rias E ent�o irei embora
Eivind tamb�m n�o queria filhos.
Pesquisadores do clima previram tempos dif�ceis
para as futuras gera��es.
A superpopula��o era a raz�o de tudo estar desmoronando.
Julie gostou de como esse pessimismo
adicionou profundidade � natureza alegre dele.
Mas ela tamb�m poderia dizer que ele tinha outros motivos.
O pai de Eivind, como o de Julie,
tendia a esquecer anivers�rios.
Eivind normalmente diria:
"De acordo com o calend�rio do meu pai..."
Eu tenho 12 anos
Est�o todos duros. Nenhum maduro.
Pessoas morrem de sede no Chile
porque os abacates precisam de muita �gua.
Ainda seguindo Sunniva no Instagram?
Sim, ela posta links interessantes sobre o meio ambiente.
N�o trocamos mensagem nem nada...
Ela tem mais de 30.000 seguidores.
Por mostrar o rabo?
Ela n�o est� mostrando o rabo, est� fazendo ioga.
Isso � ioga.
Certo, talvez ela mostre um pouco.
N�o me importo que voc� a siga.
Isso n�o � problema, mas...
Eu n�o quero ser...
a escolha sens�vel, enquanto ela � a escolha sexy.
N�o h� nada sens�vel em voc�.
- Quer dizer... - Sim.
- O �ngulo da pelve dela... - � ioga.
- Isso n�o � ioga. - Isso � ioga.
Voc� curtiu isso!
Meu Deus!
- Isso n�o foi legal! - Eu tinha que curtir aquilo!
Isso mesmo.
Ent�o, � por isso...
CAP�TULO 8 CIRCO NARCISISTA DE JULIE
S� assim me olham quando a Julie dan�a.
Quero que me vejam dan�ar. Isso � chato pra cacete.
Voc� pode fazer papel de boba na pista de dan�a
e ainda assim ser legal.
Isso � muito verdade! Eu percebi isso.
Quando dan�amos, voc� ocupa todo o espa�o.
Sim, mas tamb�m � como se fosse,
"todos olhem pra mim!"
Sim, � a� que quero chegar. Voc� � sempre t�o misteriosa.
Voc� ainda tem seu estoque?
O que � isso?
Onde encontrou isso?
O que � isso?
Cogumelos m�gicos.
J� experimentou isto?
Sim.
Beleza.
Por que voc� fez isso?
Eca. Tem gosto de sujeira.
Algu�m quer?
N�o estou sentindo nada. Devem ser muito velhos.
Tenho que ir.
Tem certeza? Pode ser arriscado.
Deixa disso, cara.
J� fizemos isso.
- Conversaremos amanh�? - Ligue para mim.
Adil?
Consegue falar?
Est� fazendo efeito nele.
Julie? Est� come�ando a fazer efeito?
Voc� precisa de �gua. � importante.
Precisa beber muita �gua.
Aqui est�. Beba tudo.
Voc� vai ficar bem.
Sabe que estou aqui pra te ajudar.
Julie? Beba a �gua.
Est� tudo bem! Eu estou aqui!
Julie, voc� est� bem?
Achei que tinha feito isso.
Voc� est� bem?
Achei que poder�amos tomar um caf�.
N�o vamos fazer aquilo de novo.
Voc� devia tomar um banho.
Estou cheirando mal?
- � que... - Meu Deus!
Meu Deus. Preciso tomar um banho.
N�o se preocupe, n�o � urgente.
Fa�o o caf� da manh�?
Sinto que posso ser eu mesma com voc�.
Completamente.
Voc� n�o era antes?
Era, mas eu sentia...
que tinha que ser...
um pouco como eu era quando nos conhecemos.
Obrigada por me aturar.
Eu te amo.
CAP�TULO 9 BOBCAT DESTR�I O NATAL
BOBCAT DESTR�I O NATAL
Voc� leu os antigos quadrinhos do Bobcat depois que cresceu?
Porque nos dias atuais,
eles parecem t�o inadequados e obscuros,
ao ponto de nos sentirmos quase enjoados
ao l�-los.
� desagrad�vel perceber que voc� criou um personagem
que ganhou popularidade �s custas das mulheres.
Tudo bem, eu j� entendi.
Voc� est� dizendo que a arte deve ser agrad�vel?
Voc� acha que isso � arte?
Eu trouxe alguns dos seus primeiros quadrinhos.
Bobcat � uma coisa, mas ent�o temos Dick Wolf Dick,
Pedo, o papagaio...
Certo, eu realmente n�o acho que esta seja a m�dia certa
para explicar o humor dos quadrinhos.
Voc� j� considerou que alguns de seus leitores
podem ter sido v�timas de incesto ou estupro?
Caramba.
Paramos de criar porque algumas pessoas podem se sentir mal?
Artistas s�o mortos por desenhar coisas consideradas ofensivas.
Eles s�o baleados.
Voc� est� comparando caricaturas de Maom�
com desenhos de mulheres com peitos grandes?
Ou com incesto? Aonde voc� quer chegar?
Bem, sim e n�o...
� um pouco evasivo
reivindicar liberdade de express�o quando as pessoas o criticam.
Estamos discutindo o seu trabalho agora,
ent�o ningu�m est� te censurando.
Eu, como mulher, estou chateada.
Estou ofendida, embora n�o devamos dizer isso.
Voc� tem uma escolha. N�o precisa se sentir ofendida.
Isso n�o � uma escolha.
Isso � muito geracional.
Um autor n�o pode ser considerado o �nico respons�vel.
Acho que a arte tem que ser instigante e gratuita.
Tem que ser um pouco perigosa para ser divertida.
Eu quero que a arte seja uma forma de terapia
onde eu possa me expressar e trabalhar
todos os meus pensamentos inaceit�veis,
todos os meus impulsos mais obscuros.
Mas voc� est� usando o seu privil�gio masculino
para zombar de pessoas mais fracas do que voc�.
Dificilmente isso � arte ou mesmo humor.
Desculpe, n�o � t�o inteligente para ser s�tira.
Mas isso n�o sou eu.
Assim, quando eu crio algo, n�o sou apenas eu falando.
- Eu entendo isso. - N�o, eu acho que n�o.
Digamos que eu desenhe esta entrevista
como um quadrinho.
A minha vers�o c�mica pode cham�-la de prostituta.
N�o significa que eu ache isso.
Poderia ser...
uma par�dia de um certo tipo de homem inseguro...
Voc� usou a palavra "prostituta"?
Sim, eu disse "prostituta".
Voc� n�o liga para o que eu quero dizer.
Voc� n�o consegue ver que isso � sexualiza��o grosseira?
Acho que estamos numa ladeira escorregadia aqui.
Todas voc�s p�s-feministas s�o t�o hip�critas!
Obrigada, Marthe Refstad e Aksel Willmann.
Em tempo, o termo agora � profissional do sexo.
CAP�TULO 10 O MAL-ESTAR NA CULTURA
FICO FELIZ EM AJUDAR
Quanto tempo!
- Sim. - Como voc� est�?
Bem, e voc�?
Estou bem.
Voc� fala sempre com Aksel? Ele est� bem?
Sim, bem...
Ouvi a entrevista no r�dio...
Sim.
Ele foi um pouco longe demais.
Ele n�o anda muito bem.
Sabia que ele est� doente?
- Aksel? - N�o soube? Ele tem c�ncer.
Desculpe, achei que soubesse.
Se espalhou rapidamente.
Descobriram tarde demais...
- C�ncer? - No p�ncreas.
Mas...
Como ele est� lidando com isso?
Muito bem, dadas as circunst�ncias. Mas � dif�cil.
O progn�stico...
n�o � bom.
� incur�vel.
Obrigada por me avisar.
Achei que soubesse.
N�o, n�o sabia de nada.
� s�...
Eu n�o sabia.
Quando escreveu isto?
Voc� leu?
Estava colocando em papel reciclado.
� muito bom.
Voc� acha?
Sim, me sugou direto. Est� muito, muito bom.
Quer dizer...
� como...
- O que foi? - Bem...
Tenho que dizer,
que � realmente muito bom ler sobre voc�.
Mas isso n�o � sobre mim.
Mas a cena do Natal � sua fam�lia, n�o �?
Sim, mas � fic��o. Voc� n�o entendeu assim?
Eu inventei.
Certo, � fic��o. Em todo o caso...
- Est� bom. - Porque sou eu?
N�o, � bom... porque est� legal.
"Legal"?
Sim, legal. Bom. Bem escrito.
A maneira como voc� escreve � realmente �tima.
Como aqui?
"Muitas mem�rias se sobrepondo, fundindo-se em um borr�o."
Isso ressoa comigo. Est� bem escrito.
Realmente bom.
N�o est� bem escrito.
O que houve?
De repente, est� interessado em literatura?
Qual foi o �ltimo livro que voc� leu?
- Voc� est� bem? O que h�? - Por qu�?
Voc� critica tudo o que eu fa�o, ultimamente.
Desculpe, mas mexer no meu lixo � muito invasivo.
- Voc� n�o consegue ver isso? - Relaxe.
- "Relaxe?" - Acalme-se.
Relaxar � a sua especialidade!
Voc� n�o se importa em servir caf� at� os 50 anos.
Mas eu quero mais!
Isso � doloroso. Eu n�o sei o que dizer.
CAP�TULO 11 POSITIVO
Ol�?
Ei...
Voc� comeu?
Sim, mas posso fazer macarr�o, se voc� quiser.
N�o, n�o preciso de nada se voc� j� comeu.
� s� uma forma De permanecer vivo, garoto
� como um passeio Para se sobreviver, garoto
� s� uma forma De permanecer vivo...
Desculpe.
Come�ou com uma dor nas costas.
J� tive dores nas costas antes. E n�o me preocupei.
Ent�o, minha pele ficou quase dourada.
At� achei que parecia bem.
Acontece que era icter�cia.
Mam�e disse que eu nasci com icter�cia.
Me colocaram numa caixa de luz.
- � doloroso? - N�o, na verdade n�o.
Est� tudo bem.
Eles bloqueiam as vias neurais selecionadas com Botox.
Isso � bom.
Sim, me poupa de tomar analg�sicos demais.
Como est� sua fam�lia?
Bem, eu acho.
Mam�e ainda segue cada movimento seu.
E seu pai?
- Basicamente, eu o eliminei. - Boa.
Ele pode me perseguir se quiser.
- E ele quer? - N�o, na verdade n�o.
Dois caf�s.
Eles acharam que foi hil�rio.
Em algumas circunst�ncias,
o humor m�rbido pode ser engra�ado.
At� sexo anal em um bar mitzvah?
Isso me faz rir. Mas agora sou um cara velho.
N�o.
Bem, sabe...
Eu meio que esperava por isso.
Desisti muito antes de ficar doente.
S�rio. Acabei de assistir a meus filmes antigos favoritos
v�rias vezes.
David Lynch, O Poderoso Chef�o - Parte II...
Quantas vezes voc� consegue assistir a Um Dia de C�o?
Muitas vezes!
Voc� deve assistir.
Absolutamente.
�s vezes, ou�o m�sica.
N�o ouvia antes.
Mas...
S�o igualmente antigas.
M�sica que n�o conhecia, mas de quando eu cresci.
Parecia que eu j� tinha desistido.
Cresci numa �poca sem internet e telefones celulares.
N�o, mas honestamente...
Eu pare�o um velhote. Mas penso muito nisso.
Que o mundo que eu conhecia...
desapareceu.
Para mim, tudo se resumia a ir �s lojas.
Lojas de discos...
Pegava o bonde para a Voices em Gr�nerl�kka.
Para folhear quadrinhos usados na Pretty Price.
Posso fechar os olhos
e ver os corredores da Video Nova em Majorstua.
Cresci em uma �poca...
em que a cultura era transmitida atrav�s dos objetos.
Eles eram interessantes porque...
n�s pod�amos viver entre eles.
N�s pod�amos peg�-los. Segur�-los em nossas m�os.
Compar�-los.
Um pouco como livros?
Sim, um pouco como livros.
Isso � tudo o que tenho. Passei minha vida fazendo isso.
Colecionando todas essas coisas, quadrinhos, livros...
E...
Eu apenas continuei, mesmo quando isso parou de me dar
as poderosas emo��es.
que sentia no in�cio dos meus 20 anos.
Eu continuei mesmo assim.
E...
Agora � tudo que me resta.
Conhecimento e mem�rias de coisas est�pidas e f�teis
que ningu�m d� a m�nima.
N�o diga isso.
Voc� tem os quadrinhos que criou.
Eu gostaria de ter tido o que voc� teve.
Ser capaz de desenhar
sem duvidar que se est� fazendo o que deveria fazer.
Eu realmente gostaria de ter tido isso.
Sim, mas...
eu tenho um c�ncer. Estou morrendo.
� claro que estou sendo retrospectivo.
Voc� disse que fazia isso h� anos.
N�o por muito tempo.
Nos �ltimos anos,
cheguei a um ponto na vida que, de repente...
Simplesmente aconteceu.
Quando...
eu comecei a adorar o que havia sido.
E agora n�o tenho mais nada. N�o tenho futuro.
S� posso olhar para tr�s.
E isso...
n�o � nem nostalgia. �...
Medo da morte.
� porque estou com medo.
N�o tem nada a ver com arte.
Estou apenas tentando processar...
Tenho uma cirurgia amanh�, �s 9h.
Senti que poderia te contar qualquer coisa.
Voc� n�o me julgaria.
Voc� � a pessoa que eu conhe�o que menos julga.
N�o tenho ningu�m com quem conversar...
da maneira como costum�vamos conversar.
Pode me dizer o que costumava me dizer?
Odiei ouvir isso na �poca, mas pode me dizer agora...
Eu serei uma boa m�e?
Voc� est� gr�vida?
Parab�ns?
Como se sente? Bem ou mal?
N�o sei.
N�o tenho certeza.
Simplesmente aconteceu.
Devo ter sido descuidada. Quer dizer, claramente fui.
Voc� tinha mesmo certeza?
Tinha certeza de que queria filhos?
Eu tamb�m estava com medo. Tive d�vidas, � claro.
Mas n�o queria mostrar a eles, para impedir voc� de...
Nunca duvidei que voc� daria uma boa m�e.
Eu via que voc� duvidava disso.
Se me arrependo de alguma coisa, � de que nunca consegui...
fazer voc� ver como � maravilhosa.
O que est� pensando?
Isso � dif�cil de ouvir.
Mas... voc� vai manter?
N�o sei.
Desperdicei muito tempo...
me preocupando com o que poderia dar errado.
Mas o que deu errado
nunca foram as coisas com as quais me preocupava.
Se ele � um homem bom, ent�o v� em frente.
Com um bom pai, e voc� como a m�e,
tudo vai ficar bem.
Sua voz ficou na minha cabe�a.
Ainda temos �timas conversas.
De jeito nenhum?
Sobre o qu�?
Principalmente sobre quadrinhos.
Gostos ecl�ticos.
O mesmo comigo.
Tenho conversas imagin�rias com voc�.
Tenho certeza de que me lembro de coisas sobre voc�
que voc� esqueceu.
E o contr�rio.
Sim, talvez.
Quando eu me for,
todas essas coisas sobre voc� ir�o comigo.
Posso te fazer uma pergunta?
J� o tinha conhecido quando terminou comigo?
Sim.
Por que n�o me contou?
N�o sei.
N�o tive coragem.
E agora est� terminando com ele?
N�o, por que diz isso?
Talvez porque voc� n�o pare�a feliz com o beb�.
E � isso que voc� faz quando as coisas se complicam.
Estou feliz por este beb�.
Desculpe.
Tudo bem.
Voc� foi o relacionamento mais importante da minha vida.
N�o tem que dizer nada...
Sei que n�o � o mesmo para voc�.
Isso � normal. Voc� ainda tem muitos anos de vida.
Mas eu sei, eu sinto isso.
E quero que voc� saiba.
Voc� foi o amor da minha vida.
Voc� � uma pessoa incr�vel.
Devia ter te contado antes.
Mas n�o pude.
Estou gr�vida.
H� quanto tempo voc� sabe?
Sei que n�o queremos filhos.
N�o...
N�o sei se eu quero.
Sinto que nunca vejo nada adiante.
Eu vou de uma coisa para outra.
Preciso de tempo para...
pensar sobre tudo isso.
Sobre n�s.
Est� tudo bem.
CAP�TULO 12 TUDO CHEGA AO FIM
� onde eu morava.
Nos mudamos para c� quando eu tinha 8 anos.
Vamos bater?
N�o. Acho que n�o.
O que voc� lembra daqui?
Lembro dessas cores.
Elas sempre foram minha refer�ncia
quando desenhava meus quadrinhos.
Essas cores.
E eu lembro...
do b�bado do peda�o, que era superlegal.
Estou t�o cansado de fingir que est� tudo bem.
� foda estar com tanta dor. � foda!
Tudo est� foda.
E...
Eu n�o quero ser uma mem�ria para voc�.
N�o quero ser uma voz na sua cabe�a.
N�o quero viver atrav�s da minha arte.
Quero viver no meu apartamento.
Quero viver...
Quero viver no meu apartamento com voc�.
Quero que sejamos felizes juntos.
Tchau.
Tchau.
Oi, Julie.
A condi��o de Aksel piorou de repente.
Ele est� muito doente para fazer o tratamento planejado.
Pode n�o sobreviver a esta noite.
A fam�lia est� com ele, mas achei que voc� devia saber.
EP�LOGO
N�o h� mais nada a dizer!
Se pudesse Encontrar um lugar
Onde estranhos sorridentes Conhecessem nossos rostos
Eu a levaria l�
Um lugar Com melodia constante
Onde eu voc� Pud�ssemos andar livres
Eu a levaria l�
Corta!
Mais uma.
Mais uma tomada r�pida. S� um pequeno ajuste.
- Fique mais triste. - Certo.
Mas ele se levanta t�o r�pido.
Ei, aten��o!
Certo, c�mera pronta.
A��o!
N�o h� mais nada a dizer!
Corta! Excelente.
Vamos prosseguir.
Certo, fotos.
Desculpe, preciso de algumas fotos suas.
- Claro. Aqui? - Sim.
- Voc� est� bem? - Sim.
Mas acho que eu estava terr�vel.
Ent�o use isso. Se apegue a esse sentimento.
Aja como se estivesse olhando para ele.
- Art Subs - 13 anos fazendo Arte para voc�!
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