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Um filme de
A PROPOSTA
M�sica
lrm�, procuro o Padre McKinnon.
-Senhor padre! -O Padre McKinnon sou eu.
-Em que posso ajud�-lo? -O meu nome � Thurman.
Hannibal Thurman. Lembra-e de mim?
J� l� v�o alguns anos...
Mas recordo-e de que o senhor � o s�cio de Arthur Barret.
Arthur Barret faleceu. Teve uma trombose fatal h� dois dias.
Numa lista de instru��es escrita antes do seu falecimento,
o Arthur diz que o senhor
explicaria tudo o que h� para explicar,
o que quer que isso signifique.
lsto � um codicilo, que altera os termos
do testamento de Arthur Barret. Eu desconhecia a sua exist�ncia.
Sou padre, Sr. Thurman. N�o percebo de advocacia.
Eu sou obrigado a seguir os seus des�gnios,
apesar de n�o ser cat�lico, e a obter a sua b�n��o
... antes de assumir...
... a cust�dia dos dois filhos do Arthur.
E os pequenos? Devem estar agora com 16 anos, n�o �?
-S�o como ele? -Um deles �.
O outro � um rebelde, muito � semelhan�a da m�e, Eleanor.
Mas s�o ambos Barrets, se � a� que quer chegar.
Casmurros e orgulhosos.
-Tem a minha b�n��o, Sr. Thurman. -Padre.
-S� isso? -S� isto.
Padre, volto-lhe a dizer
que o Arthur insistiu para que o senhor me explicasse tudo.
Creio que honrar� este �ltimo desejo, visto ser sacerdote.
Muito bem.
Sente-e, Sr. Thurman.
Presumo que, enquanto advogado,
esteja habituado a reconhecer motivos l�gicos.
Talvez, por�m, os segredos n�o sejam l�gicos.
N�o sei por que motivo as coisas tiveram de ser desta forma.
Foi assim, simplesmente.
St. Jude foi a minha primeira par�quia,
mas era a minha �ltima escolha.
Eu n�o queria ir para l�.
Era uma par�quia rica, com aposentos bons e oportunidades melhores.
Os meus amigos do semin�rio invejavam-e,
mas poderio religioso e financeiro era o que menos me interessava.
Todavia, a influ�ncia do meu pai no meio eclesi�stico
esmagou a minha resist�ncia e eu fui colocado em Boston.
Daquele modo ele mantinha-e informado das minhas actividades,
continuando envolvido nojogo de controlar a minha vida.
Costuma-e dizer que na guerra e no amor vale tudo.
Aquela era a sua forma de se vingar por eu ter aderido ao sacerd�cio.
Esta par�quia obrigava-e a privar de perto com a nata da sociedade,
o que me faria conservar as maneiras at� regressar de novo a casa.
Apesar do plano do meu pai,
eu pretendia aproveitar ao m�ximo aquela experi�ncia.
Trabalharia muito, ajudaria os carenciados e serviria Deus.
Com sorte, talvez conseguisse evitar a �nica pessoa em Boston
que n�o desejava de todo encontrar...
Arthur Barret.
Pe�o a vossa aten��o, porfavor.
Eleanor, tem uma not�cia a dar, creio.
Obrigado, Hannibal.
Julgo que todos aqui conhecem o meu marido o bastante
para saberem que se a humildade fosse uma ch�vena de ch�
a dele transbordaria sem parar.
Gostaria, pois, de aproveitar este ensejo para o gabar,
falando-vos da sua nomea��o para
o Gabinete de Finan�as Externas do Presidente Roosevelt.
O Presidente n�o podia ter escolhido melhor homem para o cargo.
-Parab�ns, Arthur. - Obrigado, minha querida.
Que posso eu responder a isso?
Por�m, o que d� a um homem o direito de se gabar n�o s�o os seus feitos,
mas sim os amigos que tem e com quem os partilha.
Uma chamada, minha senhora.
-� esta? -Talvez seja.
Como est�, Mark? Tem not�cias sobre o livro?
-A Scribner vai public�-lo. -N�o me diga?
Que maravilha!
-Pode l� ir? -Sim!
-Que disse ele? -Na Scribner adoraram o livro!
Querem public�-lo no Outono.
Este tamb�m vai ser proibido em Boston?
Espero que sim. Tenho uma reputa��o a manter.
-Eleanor. -Entra.
-Est�s doente, querida? -N�o, estou s� a fazer contas.
Syril... Acho que � hoje.
-� um lindo dia. - Mas ser� que � o dia certo?
Ora vejamos.
-Um, dois... -Bom dia.
Amo-te.
Dormiste bem?
Eu tamb�m n�o.
N�o obstante o descanso ter sido med�ocre...
...tive um sonho maravilhoso. -Conta-e.
Sonhei que pegava no nosso beb� ao colo.
-Estava a dar-lhe o biber�o. -Era menino ou menina?
N�o sei. Passei-to quando chegou a altura de mudar a fralda.
-�s terr�vel! -N�o. Foi um sonho lindo.
Que �?
� o 12� dia. Temos mais hip�teses, se tentarmos hoje ou amanh�.
Pois ent�o, parece que as coisas se comp�em.
Logo � noite o sonho tornar-e-� realidade.
Tens de ir ao escrit�rio hoje?
O Sr. Thurmanj� o recebe, Sr. Martin.
Sr. Martin, obrigado porter correspondido a este contacto tardio.
Estive a ler novamente o seu curr�culo. � extraordin�rio.
Presumo que o melhor aluno de Harvard tenha tido uma ou outra proposta.
-Tr�s, para falar verdade. -Est� tentado a aceitar alguma?
Para ser sincero, tenho vindo a adiar.
Estava com esperan�a de receber um convite da Barret & Thurman.
N�o me envergonho de admitir que Arthur Barret � um dos meus �dolos.
A reputa��o de que goza em Harvard � lend�ria.
Muito o lisonjeia, a ele e a n�s. Ainda bem que o afirma.
Sempre disse que o desejo e a motiva��o constituem dois ter�os...
...de um caso laboral de sucesso. -E o outro ter�o?
Determina��o. Acapacidade de fazer o que for preciso
para alcan�ar o objectivo tra�ado, independentemente das dificuldades.
-O senhor possui tal determina��o? -Presumo que sim.
Presume?
N�o posso estar certo. Nunca fui testado a esse ponto.
Um esp�rito aberto. lsso agrada-e. Creio que aquilo que lhe vou propor
�justamente um dos supremos testes � sua determina��o. No entanto,
vejo-e obrigado a dizer-lhe que aquilo que lhe vou divulgar
deve ficar apenas entre n�s. Compreende?
Claro.
Tem de me dar a sua palavra de honra de que manter� sigilo absoluto.
Tem a minha palavra.
-Boa tarde, James. -Sabes que horas s�o?
Eu sei, mas n�o havia meio de a Virginia Wade se calar.
Alimentar 500 pessoas requer muita prepara��o,
mas at� o Padre Dryerj� dormitava. -Aonde vais agora?
Tenho de comer qualquer coisa. Estou com nervoso miudinho.
J� somos duas.
O que � preciso compreender acerca da Eleanor
� que acima de tudo ela estimava um quarto a que pudesse chamar seu;
um local onde pudesse explorar,
acalentar e desenvolver a liberdade de pensamento,
livre das influ�ncias e conven��es masculinas.
O seu quarto era um templo destitu�do de religi�o
e de expectativas, salvo uma... a de estar em paz consigo mesma.
� que o Deus da Eleanor era t�o feminino como masculino.
Ela est� nervosa?
-Claro. -Que est� ela a fazer agora?
A preparar-e, presumo eu.
-Posso fazer alguma coisa? -Sim.
Ser suficientemente homem para estar ao lado dela durante o acto.
lsso, ou desistir de tudo.
N�o me rebaixes, Syril. N�o te tolerarei essa atitude.
Ent�o n�o permita que isto aconte�a. � algo de abomin�vel.
Esta crian�a vai arruinar o seu casamento.
Como podes dizer uma coisa dessas?
-Amo a Eleanor mais do que a vida. -E isto prova-o?
Sim. Esta � a �nica coisa que n�o lhe posso dar.
� a �nica solu��o. Preciso de um herdeiro.
Eu sei, mas acredite
que comete um grande erro ao permitir que ela conceba esta crian�a.
Deus me perdoe eu dizer isto, mas esse coment�rio � digno de um homem.
�ptimo. �ptimo.
� a maneira de o fazer ouvir e respeitar o meu ponto de vista.
Deve ser um consolo para o seu orgulho masculino
partir do princ�pio que pode controlar aquilo que bem entender,
mas neste caso est� enganado. -Como?
Vai dar a uma mulher instru�da controlo sobre a pr�pria vida.
Para um homem na sua posi��o isso � algo muito perigoso.
AEleanor sempre teve absoluta liberdade.
-N�o lhe dei sempre tudo? -E mais alguma coisa.
-Qual � o mal de eu lhe dar um beb�? -lmporta-e de reformular isso?
lmporto.
Quero que passes a noite acordada, dispon�vel caso ela precise de ti.
Com certeza. Se n�o h� mais nada, vou para baixo.
S� mais uma coisa.
lsto n�o pode ocorrer em nenhum dos nossos quartos.
AEleanor disse-e para preparar um dos quartos de h�spedes.
Que tal � ele, Arthur?
�jovem.
�jovem, como euj� fui.
Quer que eu fa�a o qu�?!
N�s preferimos o termo ''fecundar''. Agiria como delegado do Sr. Barret.
-Santo Deus. Est� a falar a s�rio! -Sim.
Masj� agora, para ser exacto, � um trabalho.
Vai ser generosamente recompensado pelos seus esfor�os.
Esteja � vontade.
Boa ideia. Eu fa�o-lhe companhia.
Tenho umas d�vidas.
-Como por exemplo? -Como por exemplo, porqu�?
Os Barret querem ter um filho, o Sr. Barret n�o consegue.
-Porque n�o adoptam um? -lsso est� fora de quest�o.
ASra. Barret deseja viver a experi�ncia por inteiro,
da concep��o ao nascimento. Diz que � um direito seu como mulher.
-Compreendo. -Duvido muito.
Mas creio que podemos entender
a l�gica subjacente � sua vontade de ter um filho do pr�prio sangue.
-Quando? -Hoje � noite.
Hoje � noite?!
Lamento sert�o em cima do acontecimento, mas sabe como �.
lmperativos da M�e Natureza.
Absorta em pensamentos, Eleanor preparava-e meticulosamente
para exercer o supremo privil�gio de ser dona de si mesma.
Pensativa, concentrada e calmamente confiante na sua decis�o,
ela sabia, l� bem no �ntimo, que estava preparada.
N�ojulguem com rispidez esta cena,
pois n�o se tratava de um ritual de uma princesa mimada,
mas sim da aten��o que o autor de um plano genial d� aos pormenores.
Eu n�o podia deixar de compadecer-e do Arthur.
Que castigo cruel, saber que nos actos ocorridos
atr�s daquela porta fechada, ele, que era o marido,
n�o tivera a menor interven��o.
-Quer que lhe d� os pormenores? -N�o mos deuj�?
Est� a ser incorrecto?
N�o est� � espera que eu leve esta ''proposta de neg�cios'' a s�rio, est�?
Eu venho a esta firma � procura de um emprego respeit�vel
e o senhor insulta-e com um s�rdido esquema de fornica��o.
Se foi isso que lhe pareceu,
ent�o a minha apresenta��o n�o foi de todo eficaz.
Aculpa n�o � da apresenta��o, mas sim da duvidosa moralidade da miss�o.
Aqual consiste em ajudar o meu maior amigo numa situa��o grave e delicada.
� uma honra ele ter-e escolhido para tal.
-Que tipo de homem � Arthur Barret?! -O tipo de homem, Sr. Martin,
que tem a capacidade de atingir os seus objectivos,
custe o que custar.
Nesse caso, ou � um homem muito forte ou muito est�pido. lgnoro qual.
Mas sei que na vida � prefer�vel deixar algumas coisas porfazer,
custe o que custar.
Lamento que o tenhamos ofendido, Sr. Martin.
S� posso desejar que a seu tempo o senhor compreenda
a dimens�o do elogio contido na proposta do Arthur.
Elogio?
Sim. O senhorfoi escolhido para pai delegado do filho dele.
Arthur Barret considerou o seu perfil
(o seu intelecto, a sua personalidade, a sua apar�ncia...)
como atributos desej�veis, ao ponto de os querer ver num filho seu.
De certa forma, Sr. Martin, Arthur Barret idolatra-o a si.
N�o tinha pensado nisso.
Vou serfranco, Roger. Posso trat�-lo por Roger?
N�o sei se eu seria capaz de abdicar de tanto dinheiro
s� para fazer amor com uma linda mulher e virar costas.
N�o cheg�mos a falar de dinheiro.
N�o que isso interesse, mas que quantia est� em causa?
-Vinte e cinco mil. -Vinte e cinco mil d�lares?!
Cheguei a dizer-lhe que ela � bela?
-Bela? -Encantadora.
Sabe, Roger, parece-e que afinal
o Arthur n�o tinha raz�o a seu respeito.
Pensando bem, voc� deve ser um rematado idiota.
Bem, muitas felicidades para si.
-Como est�, Sr. Thurman? -Sr. Harrington.
Harrington? Que fazes aqui?
Candidato-e ao mesmo emprego que tu, se o lugar ainda estiver vago.
-Sim. -N�o.
Decidi reconsiderar a sua proposta.
-Palavra? -Aceito.
Creio que fiquei t�o lisonjeado que se me toldou o racioc�nio.
Lisonjeado. Bem, parece que a vaga foi preenchida, Sr. Harrington.
Guardaremos os seus dados,
para a eventualidade do Sr. Martin n�o corresponder.
-Obrigado e desculpe. -Obrigado eu.
Pelos vistos, est� de parab�ns, Rog. Boa sorte.
Sorte, pois.
N�o se vai arrepender, Sr. Thurman,
e quase que garanto que ela vai gostar.
Para o Hannibal, era evidente que ojovem Roger Martin
estava de todo perdido naquela situa��o.
Sra. Barret?
Creio que a Sra. Barret est� � minha espera. Roger Martin.
lnformarei a Sra. Barret de que o senhor chegou, Sr. Martin.
-Porfavor, entre. -Obrigado.
E ent�o?
-Ent�o o qu�? -Que tal � ele?
-Que aspecto tem? -P�bere.
O Arthur disse que ele tinha 24 anos.
O pobrezinho pensa que isto se trata de um encontro rom�ntico.
-Que queres dizer? -V� tu pr�pria.
Ele est� ali em baixo.
Boa noite, Sra. Barret. lsto �...
Boa noite, Sra. Barret.
Tens raz�o. Ele parecia muito mais velho na fotografia.
N�o me surpreendia que tivesses de lhe indicar o s�tio exacto.
Achas que ele nunca fez isto? N�o sei. N�o vi o curr�culo dele.
Boa noite.
Sr. Martin, presumo.
Ao seu dispor, Sra. Barret. N�o, o que eu quero dizer �...
Eu sei o que quer dizer. Obrigado, Roger.
Essas flores s�o para mim?
-Desculpe. -N�o faz mal. � s� um arranh�o.
-Feri-a. N�o acredito! -Eu estou �ptima.
Eu sabia que ia estragartudo. E nem cheg�mos � parte dif�icil.
Queria que tudo corresse bem.
Pensei que isto talvez resultasse, mas a verdade � que n�o tenhojeito.
Roger.
-Sim, Sra. Barret? -� assim t�o embara�oso?
-C�us, sim! -lnsuport�vel?
Neste momento daria tudo para me sumir por um buraco.
� um homem muito gentil.
Dadas as suas d�vidas, eu n�o levaria a mal se decidisse abalar.
-Lamento imenso, Sra. Barret. -N�o tem import�ncia.
Sendo padre, a minha tend�ncia no que toca � defini��o
de um milagre genu�no
sempre foi: ''lnterven��o divina, mais uma ajudinha''.
Nesta �ptica, um pneu furado em momento t�o oportuno
poderia suscitar d�vidas nos c�pticos,
mas n�s, os mais versados na mat�ria, entend�mo-lo com a naturalidade
de quem est� habituado a reconhecer a m�o de Deus.
Mesmo em mat�ria de milagres o momento certo � tudo
e estava a come�ar a parecer que Deus tinha um excelente rel�gio.
Algo de assombroso aconteceu.
Era uma decis�o dif�icil, mas ele l� acabou por chegar a uma conclus�o.
Avida est� pejada de compromissos.
Achave do �xito n�o � o orgulho,
mas sim a satisfa��o de ter atingido um objectivo.
Roger apercebeu-e de que lhe era totalmente insuport�vel
que uma linda e rica mulher na sua mans�o aquecida
o visse mudar um pneu � chuva.
Decidiu-e, ao inv�s, a fazer amor com ela.
Roger?
-Sim, Sra. Barret? -Est� tudo bem?
-Sim. Porque pergunta? -Est� a� h� 20 minutos.
-Posso entrar? -Bem, se pudesse...
Ol�, Roger.
-Sente-e mal? -N�o.
H� algum problema?
Um pequenino, mas se me der mais uns minutinhos...
-Diga-e. -Prefiro n�o dizer.
-Sou eu? -N�o, n�o. � mesmo comigo.
O que �, ent�o? Talvez eu possa ajudar.
Estou com uma... a senhora sabe.
-Uma erec��o? -Desculpe.
Est� a esconder-e porque tem uma erec��o?
� da antecipa��o...
E pensa que eu me posso ofender?
Sim. N�o quero que pense que sou uma esp�cie de animal sexual.
Sr. Martin, n�s contamos com isso! Agora, porfavor... podemos avan�ar?
-� paraj�, Sra. Barret. -Eleanor.
lsto � incr�vel!
-Estou pronto. -Eu tamb�m.
-Que foi agora? -Temos um problema. Est� a perder...
� a...
Roger, n�o existem problemas, s� solu��es.
-Roger... -Sim, Sra. Barret?
N�o � que tenha muita import�ncia, mas � costume tirar as pe�gas.
Bolas, eu sabia!
Ao sair para o brilhante sol matutino,
Roger dirigiu-e ao pneu furado como se tivesse renascido.
Caminhava resolutamente e de cabe�a erguida.
Era um garanh�o!
Obrigado porterfeito isso.
� muita amabilidade sua, mas n�o � preciso, obrigado.
Est�pido!
Padre Michael. Pediu-e que lhe indicasse Arthur Barret.
Que casal atraente!
Aesposa chama-e Eleanor.
Aescritora. � genial. Li os livros dela.
N�o diga isso ao senhor cardeal.
E ele? Ouvi dizer que � um tirano.
Um tirano? N�o sei quem lhe disse isso.
-Ningu�m de Boston, de certeza. -Padre Dryer, podia dar-e um minuto?
Tenho o maior prazer em vos apre- sentar o novo membro da nossa igreja.
O Padre Michael McKinnon veio de Londres, na lnglaterra.
Ser� ele o respons�vel pelas nossas obras de caridade.
Sugiro vivamente que se lhe apre- sentem e o fa�am sentir em casa.
Observei Arthur Barret,
esperando analis�-lo como um concorrente que avalia um advers�rio,
mas o meu olhar acabou por ser atra�do por Eleanor.
Embora me tenha parecido banal na altura,
este � o facto que melhor recordo do primeiro encontro com Arthur Barret.
-Bom dia, Arthur, Eleanor. -Gostei muito do seu serm�o.
-Bela Missa, John, como sempre. -Obrigado.
Padre, tenho o prazer de lhe apresentar
duas das minhas pessoas favoritas: Arthur Barret e a sua esposa, Eleanor.
Bem-vindo, senhor padre.
� um prazert�-lo c�. Aminha mulher est� encantada.
Sim, sou uma adepta fervorosa da obra de caridade.
Os seus conselhos seriam bem-vindos.
Porque n�o nos vem visitar na pr�xima ter�a-feira?
Discutir�amos esse assunto aojantar.
Ter�a-feira est� bem. Terei de consultar a agenda da par�quia.
Posso ligar-lhe?
Ela falar� de angaria��o de fundos toda a noite, ficaj� avisado.
S� se o meu marido me deixar meter uma ou outra colherada.
Lembre-e de que n�o pode haver evento mais importante na par�quia
do que um convite dos Barret, se � que me entende.
Com certeza, senhor p�roco. Entendi.
-Esperavas um milagre � primeira? -Para ser sincera, creio que sim.
-Que direi eu ao Arthur? -Diz-lhe a verdade.
Que tens de tentar de novo.
Como posso eu fazer isso?
-Pensei que estivesses a trabalhar. -E estava.
-Arthur, veio-e o per�odo. -Lamento.
Como podes sert�o compreensivo?
-Querias que dissesse o qu�? -Alguma coisa.
Para al�m de no dia seguinte me perguntares como estava, nunca...
Procurei n�o pensar no assunto. Era-e penoso.
Tento concentrar-e no que resultar� do acordo: o nosso filho.
�s t�o bom!
Quero que saibas que eu n�o o beijei, nem beijarei, desta forma.
-Eleanor, porfavor... -Arthur, deixa-e dizer isto.
Queria que soubesses qu�o s� me senti naquela noite.
Tentei imaginar a tua cara e o teu corpo.
Eu sei. Eu tamb�m me senti s�.
Queria perguntar-te, mas n�o suportava ouvir nem um pormenor.
-N�o sou assim t�o forte. -�s mais forte do que eu imaginava.
Eu pr�prio escolhi o rapaz para este efeito.
Quando ele p�s os p�s fora da mans�o naquela manh�, odiei-o.
Aele? Ou a mim?
Odiei-o a ele porte poder dar aquilo que eu n�o posso.
Creio que hei-de sempre odi�-lo por isso.
Embora me venha a roer de inveja dele,
telefonarei ao Hannibal amanh� de manh�.
Roger... Que est�s a fazer?
Sai da�.
-H� algum problema? -Bem... sim. Que est�s a fazer?
Estou a tentarfazer amor consigo.
lsso � muito lisonjeiro, mas este acordo tem outro objectivo.
� preciso n�o esquecer que o meu amante � o meu marido.
Como pode ele ser um amante para si se nem o consegue p�r de p�?
O Arthur � est�ril, n�o � impotente.
Vai dar ao mesmo. N�o consegue cumprir por inteiro o seu papel.
Creio que finalmente a entendo.
-Ah sim? -Ando a ler o seu romance.
''Se encararmos o facto de que vivemos desirmanados
''e pertencemos ao mundo da realidade, e n�o apenas aos homens e �s mulheres,
''ent�o a falecida poetisa que � irm� de Shakespeare
envergar� o corpo de que tantas vezes abdicou.''
Virginia Woolf. AEleanor cita-a no pref�cio.
O romance �-lhe dedicado, Roger.
Ela refere-e a um dia em que as mulheres
ser�o tidas como iguais aos homens?
Creio que se refere a um dia em que o sexo n�o ter� import�ncia.
-Shakespeare n�o teve uma irm�... -� uma met�fora.
Mesmo assim, n�o acredita que essa tal irm� pudesse ser capaz
de produzir escrita t�o brilhante... Uma mulher?
Se tivesse as mesmas oportunidades, sim, creio que seria capaz.
A prop�sito de oportunidades...
Amo-a, Sra. Barret.
-C�us, o que desencadeou isso? -Verdade. Penso em si a toda a hora.
lsso incomoda-a?
-Preocupa-e. -Porqu�?
Porque n�o quero que esta situa��o te fa�a sofrer.
Lembrei-e que talvez pud�ssemos prolongar o nosso acordo,
caso eu de vez em quando interrompesse a tempo.
Que te fizemos n�s, Roger Martin?
O seu marido fez-e muito rico e a Eleanorfez-e muito feliz.
-Roger... -N�o se preocupe.
N�o espero ser correspondido,
mas gostaria que soubesse que durante este acto
eu n�o estarei a fazer sexo, estarei a fazer amor.
Adecis�o de se manter debaixo dele foi, diria ela,
a maior asneira da sua vida,
pois embora ela percebesse todas as implica��es do acordo,
de repente era claro que o mesmo n�o sucedia com ele.
Eleanor suportava a ideia de p�r em risco a sua alma
para dessa forma ter um filho,
mas aquilo estava a p�r em causa a espiritualidade de outra pessoa.
Envolver o acontecimento numa aura de neg�cios
era uma forma de aligeirar esse perigo,
mas Roger professara amor.
Eleanorfechou os olhos e tentou n�o pensar no caso.
Por�m, mesmo �s escuras, algo era para ela t�o claro como a luz do dia.
Sentia-e daquela feita respons�vel pelo amor n�o correspondido de Roger.
Respire fundo. Expire.
�ptimo. Excelente!
Parab�ns, Sra. Barret.
Que se pode fazer quanto a estas horr�veis n�useas?
Pouco. � tomar um ch� fraquinho com bolachas.
Tente n�o ficar com muita fome ou comer demasiado. V� debicando.
N�o fazia ideia que estar gr�vida fosse t�o dif�icil.
Algumas das minhas pacientes dizem-e que a gravidez
� mais dif�icil do que a concep��o.
-lsso � o que doutor pensa. -Como?
-E ent�o? -Ela vai ficar boa.
E...? Desembuche, Harold.
Sim, Arthur. Asua mulher est� defini- tivamente � espera de beb�. Parab�ns.
�ptimo, Arthur. �ptimo.
Syril, podes atender?
Eu atendo.
-Resid�ncia Barret. -ASra. Barret, porfavor.
Sr. Martin, a Sra. Barret est� indisposta.
Deseja deixar outro recado?
N�o, eu quero � falar com ela. Estou farto desta rejei��o sem cerim�nia.
-Sr. Martin... -N�o me venha com isso.
Conhe�o os meus direitos. Ela est� gr�vida do meu beb�.
Sugiro que deixe a Sra. Barret em paz
e que n�o volte a telefonar para esta casa. Fa�o-e entender?
lsto est� a destro��-lo. Eu devia falar com ele.
lsso � que n�o! S� irias agravar as coisas ao provar-lhe
que a persist�ncia d� frutos.
Deixa o Arthur resolver a quest�o. Ele saber� o que fazer.
Desejava falar comigo, Padre Dryer?
-Sim. H� quanto tempo est� connosco? -H� quatro meses. Porqu�?
Falei hoje com Arthur Barret.
Ele manifestou pena por voc� n�o ter podido reorganizar a sua vida...
... porforma ajantar com ele. -Foi muita amabilidade.
N�o est� a compreender. Quando c� chegou,
eu fui ou n�o fui claro
quanto � import�ncia que os Barret t�m para esta par�quia?
Foi, senhor p�roco.
Visto que voc� � um jovem inteligente e com futuro, s� posso deduzir
que n�o tem andado a evit�-los,
mas que se viu confrontado
com casos de vida ou de morte uns atr�s dos outros
e por isso teve de cancelar.
Felizmente que o Sr. Barret � um homem com muita paci�ncia.
Quer saber se podem ser eles a reorganizar a vida em fun��o da sua.
Est� convidado parajantar na pr�xima semana.
Em que noite, senhor p�roco?
Na que ele escolher!
-Estamos entendidos? -Perfeitamente.
�ptimo.
Amans�o era magn�fica, mas n�o se equiparava � casa do meu pai.
-Um vinho do Porto? -N�o, obrigado.
Foi um ser�o maravilhoso. Muito obrigado.
N�o se vaij� embora?... Ainda � cedo.
O Arthurtem raz�o. Porfavor, fique mais tempo.
S�o muito am�veis. Obrigado.
Se a humildade teve um momento de fraqueza, foi de certeza ali.
Dizem que Wall Street nunca mais ser� como dantes.
O senhor � um financeiro. Concorda?
Concordo que o investimento a longo prazo nunca mais ser� como dantes.
Os americanos v�o querertirar lucros rapidamente,
em vez de terem o capital empatado.
Ent�o faz sentido que grandes somas de dinheiro americano acabem na Alemanha.
O meu instinto dizia-e para me ficar por ali,
mas, infelizmente, o orgulho insensato venceu.
Eu avan�ava por um caminho irresist�vel.
-Os nazis? -Receio bem que sim.
O senhor padre parece-e um astuto observador da l�gica de investimento.
Se me permite a ousadia, de onde lhe prov�m as informa��es?
De algumas pessoas que,
seja l� qual for o resultado, j� investiram na Alemanha.
-Diga-e uma. -Samuel Barret.
- Mas que � isto?! -Arthur, n�o te aborre�as, porfavor.
Vamos, senhor padre. Acabou-e ojogo.
O senhor orientou de prop�sito a conversa para esse nome. Porqu�?
N�o procurei esta conversa,
mas sei que detesta o seu irm�o mais velho e ele a si.
-E porque lhe diz isso respeito? -Sou filho dele.
Com licen�a.
-Sr. Barret, temos um problema. -Que �?
O senhor devia vir. Porfavor, Sr. Barret.
-Exijo v�-la! -Que se passa?
Quero ver a Sra... Quero ver a Eleanor.
Se n�o me deixar entrar, entrarei � for�a.
-N�o me diga?! -Estou a falar a s�rio.
Bem, senhor padre,
o senhor � um convidado fascinante. E a seguir?
Vai dizer que n�o � padre?! Sou padre, sim.
Porque usa o apelido McKinnon em vez de Barret?
Adoptei o apelido de solteira da minha m�e
quando entrei para a lgreja. -Porque n�o nos disse de in�cio?
Porque desde o in�cio que ando a tentar evitartoda esta situa��o.
Ouvi muitos coment�rios sobre Arthur Barret,
a maioria deles depreciativos. Creio que, no fundo,
n�o consegui resistir a verificar se era tudo verdade.
Que se dane o seu dinheiro! N�o a tenho visto nem falado com ela.
- Mere�o ver a m�e do meu filho. -J� recebeu o que merecia.
Agora recomponha-e e honre o seu contrato para comigo.
Volte para o seu autom�vel... que comprou com o meu dinheiro.
-Nunca mais aqui volte, ou... -Que far�? Desmascara-e,
revelando que sou pai do filho que a sua mulher espera?
Pense bem, Sr. Barret,
ou ainda se desmascara a si pr�prio como chulo da sua esposa.
Que coscuvilhice presidencial isso seria.
O meu nariz!
Se volta a amea�ar-e ou a aproximar-e da minha mulher,
ou a reclamar a paternidade do nosso filho, mato-o!
Compreende?!
Desculpa, minha querida. Est� tudo bem.
Quanto a si, Padre McKinnon, ou l� que nome tem,
n�o estou com disposi��o para lidar
com as suas motiva��es ou as do meu irm�o,
de que � um �bvio enviado,
mas espero uma explica��o detalhada da pr�xima vez que nos encontrarmos.
Saia da minha casa ou correrei consigo!
Tenta n�o te preocupares. Eu trato do caso.
Talvez fosse bom eu tentarfalar com o Roger.
Seria in�til. Ele est� apaixonado porti.
-Tamb�m amea�a desmascarar-nos. -Seria o nosso fim.
L� isso seria, e ele sabe-o bem.
Hannibal...
O nosso problema agravou-e.
O Martin esteve aqui ainda agora. Ele n�o quer abdicar.
Compreendo.
Sabias que o Sam e a Julia tinham tido um filho?
Sabia.
Padre McKinnon.
-Sra. Barret? -Posso falar consigo?
Com certeza.
-O seu marido sabe que aqui est�? -N�o.
-Ent�o porque veio? -Eu protejo aqueles que amo.
N�o compreendo.
Deveria ser �bvio. O Arthur � conselheiro do Presidente.
E se a imprensa vem a saber que o irm�o dele � simpatizante Nazi?
Temo um esc�ndalo.
Eu disse que o meu pai era simpatizante Nazi?
Foi o que deu a entender.
Descanse. Dinheiro e simpatia s�o duas coisas diferentes para o meu pai.
Ele at� investiria no Diabo se pudesse obter lucros
antes do Ju�zo Final.
A reputa��o do seu marido est� perfeitamente salvaguardada.
Disse que o jantar n�o correra como planeado. Como esperava que corresse?
-Pe�o desculpa por aquela noite, mas... -Padre Michael!
-Desculpe. Seria poss�vel... - Mas que desaten��o a minha!
Este � um dos aspectos penosos da nossa obriga��o para com os pobres.
-Conhecia-os? -N�o. � um cemit�rio de pobres.
As pessoas que para aqui v�m
n�o possuem nomes para deixar como marcos, nem amigos.
A menos que queira ser amiga de uma delas?
-Se puder ser. -Com certeza.
O anonimato delas torna o seu trabalho mais suport�vel?
N�o sei ao certo se � uma b�n��o ou uma maldi��o.
Como assim?
Reparei que nunca esque�o a cara das pessoas que coloco nestas campas,
mas esque�o facilmente a daquelas.
Talvez Deus tamb�m possua uma mem�ria selectiva.
''� mais f�cil um camelo passar pelo buraco de uma agulha
do que um rico entrar no reino dos C�us''.
Duvido que o meu caso seja assim t�o complicado.
Julgo que � a forma que Deus tem de me manter humilde.
Que lhe parece? Est� a resultar?
Se pergunta � porque j� sabe a resposta.
-Senhor padre, com licen�a. -Obrigado, Andr�.
Cuidado!
Vai chamar o Padre Dryer! Depressa!
Sra. Barret! Sra. Barret, consegue ouvir-e?
� grave. AEleanor sofreu uma grande hemorragia. Perdeu muito sangue.
-E o beb�? -Foi esmagado na queda.
O aspecto positivo da quest�o � que a Eleanorj� passou a fase crucial.
A noite de hoje dir� o resto.
-Ela conhece a sorte do beb�? -Sim.
At� que enfim! Ela tem pedido um padre.
-O senhor � o Padre McKinnon? -Bem, n�o...
Sou eu.
Entre. Ela est� a pedir para o ver desde que recuperou os sentidos.
N�o descansar� enquanto n�o falar consigo.
-O beb� est� bem? -N�o, perdemos o nosso beb�.
lsto n�o teria acontecido se voc� n�o tivesse vindo para c�.
-N�o tinha nada que ir ao cemit�rio. -Foi um acidente.
Mesmo nada!
-Raios o partam! -Venha, Arthur. Foi um acidente.
Sra. Barret. � o Padre Michael. Estou aqui.
-Aculpa � minha. -N�o, foi um acidente.
Senhor padre, escute. Aculpa � toda minha.
Est� a referir-e a qu�? Que quer dizer?
-Receio que ele o tenha feito. -Feito o qu�?
Assass�nio.
-Estamos � procura de qu�? -Esperava que mo dissesse.
Ele n�o est� morto h� muito tempo. Qual � a sua proveni�ncia?
Veio da morgue. Estava na sala onde colocam os pobres.
Este n�o � nosso. O meu colega tem estado fora toda a semana
e eu tenho feito os dois turnos. Nunca o vi...
Mas encontr�mo-lo na sala dos mortos com um cart�o a dizer ''Desconhecido''.
N�o, o caix�o n�o � do estado.
N�s marcamos os nossos para que n�o sejam roubados para servir de lenha.
Tem a certeza?
Tenho. Eu lembrar-e-ia bem deste. V�? A l�ngua est� toda inchada.
E ent�o?
Significa que a menos que o cavalheiro tenha ingerido veneno para ratos
ou algo igualmente potente, o pobre diabo foi assassinado.
O Arthur querfalar contigo antes de sair para o trabalho.
-Diz-lhe que n�o me sinto bem. -Eleanor...
Lamento, Arthur.
Quanto tempo vai isto durar?
Ela n�o se pode esconder mais de mim.
Como te atreves a entrar aqui � for�a?
As coisas j� chegaram ao ponto de te esconderes de mim?
Tens medo de mim?
-Devia ter? -Como podes perguntartal coisa?
Pensas mesmo que estou zangado contigo
porteres ido ver aquele padre?
J� n�o sei o que hei-de pensar, sobretudo a teu respeito.
Meu Deus, pensas que fui eu?!
Foste? Mataste-o?
Diabos te levem por me perguntares!
Recuso-e a ser controlada.
Se n�o me contares a verdade, deixo-te!
Deixas-e?
Vais para onde? N�o tens propriedades.
Descobrirei um s�tio.
-Com beleza igual � desta casa? -lsso n�o tem import�ncia.
-Ter�s criados? -P�ra!
Quem te preparar� o banho e por� na �gua os sais vindos de Paris?
-A prop�sito de Paris, viajar�s? -N�o sejas agressivo.
-Posso saber como te sustentar�s? -Escrevendo.
Sabemos o que as mulheres ganham,
sobretudo intelectuais preocupadas
com os direitos das mulheres!
Escreve, mas � como lavadeira que sobreviver�s!
Prefiro passarfome a vender a alma.
J� que falas nisso, onde ir�s adorar Deus?
Tu tens o Pe. Dryer no bolso, mas a mim n�o. Encontrarei outra igreja.
Cat�lica � que n�o ser�.
Nunca pedirei o div�rcio; nunca abrirei m�o de ti.
Como pudeste pensartal coisa?
Fica comigo, Eleanor.
L� no fundo, sabes que estou inocente.
A �nica coisa de teor pecaminoso que fiz na vida foi amar-te,
mais do que a Deus.
Est� bem, Arthur.
-N�o me deixar�s? -N�o.
Juro que voltar�s a acreditar em mim de novo, Eleanor.
Eu acredito, Arthur.
Acredito que o que aconteceu ao nosso casamento
e ao Roger Martin foi provavelmente culpa minha.
N�o passou pela cabe�a de Arthur tentar aliviar a dor de Eleanor
ou dividir com ela as culpas.
Eleanor n�o se apercebeu de que repetira o erro de todas as mulheres
desde os prim�rdios da Humanidade.
N�o s� perdoara os actos de um homem,
como tamb�m assumira a responsabilidade pelos mesmos.
Ela fechou os olhos e despediu-e do seu Deus feminino.
Fez o qu�?!
Pedi � pol�cia que falasse com Arthur Barret. Achei que devia saber.
Desculpe-e pelo que lhe vou dizer, mas voc� enlouqueceu?
Est� a querer dizer
que envolveu um dos cat�licos mais influentes de Boston,
ainda por cima nosso paroquiano, numa investiga��o de homic�dio...
... sem raz�es palp�veis? -A pol�cia disse-e...
Ah, compreendo. A pol�cia disse-lhe!
Tem algum motivo pessoal para perseguir Arthur Barret?
-Claro que n�o. -Venha comigo.
Sabe quem pagou a l�pide do falecido? Arthur Barret.
E mais este caix�o. Porqu� tal acto por um desconhecido?
Porque � generoso, motivo pelo qual arca com as despesas
do funeral e da prepara��o do corpo
e ainda com o custo do fato que este cad�ver malcheiroso est� a usar.
-� um samaritano dos diabos! -Quanta esperteza a sua!
lsto parece-lhe obra de um assassino desumano?
-N�o sei, mas a mem�ria de Roger... -O que ela lhe disse naquela noite...
... � mat�ria de confiss�o. -N�o foi uma confiss�o!
Se persistir nessa atitude, acus�-lo-ei de violar essa confian�a
e farei com que seja afastado da congrega��o de A.Barret.
Acongrega��o de Arthur Barret?!
-� mais dele do que sua. Entende? -Perfeitamente, senhor p�roco.
Padre Dryer, existe outro aspecto que pode vir a lume.
Deixe-e adivinhar: voc� � um protestante herege
enviado para destruir a minha vida.
Pior do que isso. Sou sobrinho de Arthur Barret.
Como est�, senhor padre? Desculpe o atraso.
At� estou admirado por v�-la.
O Arthur encontra-e na Alemanha h� uns dias. Tenho andado ocupada.
Sabe que a morte de Roger Martin foi considerada suic�dio?
Naquela noite no hospital... AEleanor estava a confessar-e?
Foi mais um pesadelo. Eu estava a delirar.
Ao ponto de contar a verdade? Como tolera esta espionagem?
ASyril � mais do que uma espia. Ela era uma menina indigente.
Asua av� acolheu-a e deu-lhe uma instru��o.
-Ela ajudou a educar o Arthur. -Os Barret fizeram dela algu�m.
Sim. Desde ent�o que ela defende esse privil�gio de modo fervoroso.
E porque n�o? Ela sabe o que � n�o ter nada.
� estranho o meu pai nunca se lhe ter referido.
-O seu pai estava apaixonado por ela. -O qu�?
� claro que o Sam nunca casaria com a Syril.
Em vez disso decidiu fugir com a noiva do Arthur, Julia McKinnen.
Aminha m�e foi primeiro noiva do Arthur?
Os irm�os tiveram uma briga terr�vel e cortaram rela��es para sempre.
ASyril e o Arthur formaram uma alian�a.
Ainda hoje se protegem um ao outro.
Ent�o a Eleanor sempre soube com quem lidava. Faz sentido.
J� nada faz sentido, senhor padre. � a f� que me traz at� si.
Gosta de cavalos?
J� estou em condi��es de montar.
Vou muito ao lago da velha azenha. Conhece?
Sim.
Fui ing�nua em pensar que poderia competir com o Arthur?
Com o Arthur, n�o; com o poder dele, sim.
-E como conseguimos separ�-los? -N�o sei.
Mas � previs�vel que nos interroguemos.
Sabia que � poss�vel estar no C�u e cair de l� pelo buraco da agulha?
Agora sei.
-Est� um dia lindo. -� verdade.
Cr� que o Roger Martin tem conhecimento disso?
AEleanor n�o perde tempo!
Presumo que tenha vindo para ouvir a minha confiss�o.
Pois engana-e. Vim aqui para ser seu amigo, isso sim.
Ele era mais do que um conhecido, Michael.
Est� a dizer que teve um romance?
Estou a dizer-lhe que o Arthur n�o pode terfilhos
e que n�s pag�mos ao Sr. Martin para agir como delegado.
-Quer dizer que ele e a Eleanor... - Mais do que uma vez.
Mas l� acab�mos porter �xito e assim se concluiu o neg�cio.
-Neg�cio? -A palavra choca-o?
Ainda n�o sei. Continue.
N�o h� mais nada a dizer.
Eu engravidei e o Rogerjulgou que estava apaixonado por mim.
Amea�ou desmascarar o Arthur...
... e reivindicar a paternidade do beb�.
O que os destruiria. Por isso, o Arthur...
-Desculpe, isto saiu-e mal. -S� preciso de saber porqu�.
-Porque teria ele de o matar? -Por sua causa.
AEleanor � a pessoa que Arthur Barret respeita ao ponto de recear,
ama ao ponto de por si matar.
Porqu�? O que me d� esse poder?
Desculpe. Tenho de ir.
Aonde? N�o me pode deixar assim pendurada.
Lamento, mas eu tenho um emprego, ou melhor, uma voca��o.
Est� na hora de ir ouvir confiss�es.
Embora tenha de admitir que nada conseguir� superar isto.
Sim?
Est�, Michael? Estou a ligar em m� altura?
Se � m� altura? Quem fala?
Sou eu, a Eleanor. Voc� hoje deixou-e pendurada.
Tirou-e o sono. Decidi pagar-lhe na mesma moeda.
Considere-e mais do que paga.
Tenho a sensa��o de que n�o est� muito apegado ao ritual religioso.
N�o mejulgou nem uma �nica vez hoje.
-Como teria feito um bom padre?! -Exacto. Como teria feito um padre.
lsso � porque...
o meu Deus n�o vive exclusivamente numa igreja.
Ele vai � pesca, tem dores de cabe�a de vez em quando
e tamb�m d� pontap�s nas pedras uma vez ou outra.
N�o creio que Ele nos censure por sermos humanos.
Quis ser padre porqu�?
Porque o meu pai n�o podia comprar a empresa.
-O meu Deus era uma mulher. -Era, j� n�o �? Est� bem.
E era bonita?
N�o sei. Contudo, era previs�vel que me fizesse essa pergunta.
Touch�.
Vamos, desembuche. O que me d� esse pretenso poder sobre o Arthur?
Tenho de desligar. Desculpe. Adeus.
Eleanor, est�s acordada?
Espl�ndido!
Estava completamente acordado e n�o havia nada para fazer.
la ser uma longa noite.
Ela tem ido ter com ele todos os dias?
-Sim. -Est� com ele agora?
Julgo que sim.
-Eles s�o amantes? -N�o.
Mas se isto continua, h�o-de ser.
Perdi-a, tal como a Julia. Raios, Syril. Diz-e o que hei-de fazer.
Decida o que quer e aceite as consequ�ncias.
Quero a Eleanor...
- Mas tamb�m quero um filho. -Ent�o eles devem ser amantes.
Termine o que come�ou, Arthur. Deixe-a dar � luz este filho,
o vosso filho. N�o era esse o motivo de tudo isto?
J� n�o me lembro o que esteve na origem de toda esta situa��o.
Todavia, com isto as coisas mudam de figura.
E tu sabe-lo bem.
Mudam para melhor.
-Um verdadeiro Barret ser� gerado. -N�o consigo.
Eu bem vi a sua felicidade quando a Eleanor estava gr�vida.
O beb� reaproximar-vos-�.
-Ela s� precisa de uma ajudinha. -Tuj� ajudaste o suficiente.
Agora... sai daqui.
N�o se preocupe, Arthur.
N�o me posso demorar. O Arthurj� regressou.
Aviagem foi coroada de �xito?
N�o. Ele disse que se recusa a fazer neg�cios com o diabo.
lsso significa que voltou a ser um homem de bons princ�pios?
Custa-lhe a aceitar o facto?
O Arthur e eu somos como dois estranhos num elevador gigantesco:
abra�amos as paredes na tentativa delicada de nos evitarmos um ao outro.
Que far� Deus num dia chuvoso?
Ela aproveita provavelmente para p�r a leitura em dia.
Obrigada por isso.
-Desculpe. -N�o. Aculpa foi minha.
Foi dos dois.
E agora, Eleanor?
Agora dizemos adeus.
Aben�oe-e, senhor padre.
Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a si, senhor padre...
...ter pecado.
Aben�oe-e, senhor padre, porque pequei.
Eu disse: ''Aben�oe-e, senhor padre, porque pequei''.
Syril! Que faz aqui?
-Vim confessar-e. -ASyril n�o � cat�lica.
- Mais um motivo para me confessar. -Confessar-e de qu�?
Uma amiga nossa pecou...
...e est� prestes a pecar de novo. -O qu�?
O senhor ouviu o que eu disse.
-Quando? -Hoje � noite.
Que foi aquilo?
O temporal deve ter escancarado umajanela. Vou ver.
Syril, n�o sou capaz.
-Como assim? -N�o sou capaz de fazer isto de novo.
O meu nome � Harrington. ASra. Barret est� � minha espera.
Est� atrasado, Sr. Harrington. Talvez irremediavelmente atrasado!
-Eleanor? -Quem �?
Mas que fazes...
-Eleanor, est�s bem? -Sim.
-Posso entrar? -N�o. Estou ligeiramente indisposta.
O teujovem chegou. Est� � espera l� em baixo.
Transmite-lhe as minhas desculpas. Diz-lhe que temos de adiar.
Syril ficou sentada �janela toda a noite, �s escuras,
a observar os elementos, a ponderar a sua origem
e a avaliar o poder da sua f�ria. Mais do que uma vez,
� medida que os trov�es ribombavam
e os raios iluminavam o relvado l� fora,
sorriu, saboreando as semelhan�as entre os segredos e as tempestades.
Quanto maiores eles s�o, mais perigosas elas se tornam.
� para si, senhor padre.
Podes tratartu disto, Andr�? Obrigado.
Roma?! N�o compreendo. Porque me est� a fazer isto?
Acabei de ter uma conversa com Eleanor Barret. Preciso de dizer mais?
Ela est� � espera para se despedir.
-Como �s gentil em despedires-te! -� melhor assim.
-Para ti ou para mim? -Para ambos.
Pensei que aquilo ficasse entre n�s.
Pensas que tamb�m eu me irei abaixo e que n�o conseguirei viver sem ti?
Sem mim n�o, sem o teu filho. Estou gr�vida.
Vou ter um filho e � teu.
Um filho meu?
Mas ser� que ele chegar� a serfilho do Arthur?
As mulheres n�o s�o donas de nada. N�o sabemos.
Trata-e de um ser humano. Ningu�m � dono de um beb�.
Mal uma mulher solteira engravida perguntam-lhe: ''De quem � a crian�a?''
-� uma maneira de dizer. -� a verdade!
Como te sentirias a baptizar o teu filho nos bra�os do Arthur?
Como se sentiria ele ao colocares a tua m�o para aben�oares o beb�?
N�o me leves a mal portentar proteg�-lo de tal situa��o.
Voltaste a apaixonar-te por ele. N�o foi, Eleanor?
Perdi o meu rumo, mas n�o a minha f�, Michael.
Como tens sorte!
-N�o est�s a falar a s�rio. -Claro que estou. Olha para isto.
Abandonei o meu pai ao tornar-e padre,
larguei o bom senso ao vir para Boston
e abdiquei da minha base moral ao dormir contigo.
Agora enfrentarei as consequ�ncias junto do meu Deus, mas, porfavor,
n�o fa�as com que me enviem para longe.
Deixa-e enfrentar Deus aqui mesmo.
O beb� ser� teu e do Arthur. N�o assumirei a paternidade.
-N�o fa�as dele a tua penit�ncia. -N�o o ser�.
Talvez seja a minha salva��o.
E o Padre Dryer?
Ele � um bom padre, mas est� � frente de um neg�cio.
Convence-o de que est�s a comprar a minha alma e n�o a dele.
Queres que use o dinheiro do Arthur como forma de press�o?
Sim.
Muito bem, Padre McKinnon,unidos venceremos.
Como contar uma hist�ria de cicatriza��o?
Ou avaliar os progressos internos?
Sendo um homem honrado, Arthur manteve a promessa feita a Eleanor.
Com uma paci�ncia infinita, dia ap�s dia,
dedicou-e � tarefa de lhe sarar a alma ferida.
Ela, por seu turno, abriu-lhe as portas do seu reduto.
Por�m, durante todo o processo, uma coisa era certa:
o ponto de converg�ncia deles permanecia imut�vel.
Ajuntar � convic��o de que um beb� lhes preencheria a exist�ncia,
encontrava-e agora a certeza de que
ele lhes alteraria por completo a vida.
Padre Michael! Senhor padre! Padre Michael, venha, porfavor!
-Que �? -Venha, porfavor.
-Quem fala? -� o Padre McKinnon.
Aqui fala o Dr. Jenkis. Onde est� o Padre Dryer?
Ausentou-e de Boston. Que se passa?
Estou em casa dos Barret. ASra. Barret est� muito mal.
Ainda est� s� no 8� m�s.
Ela reclama a presen�a do Padre Dryer.
� melhor vir rapidamente no lugar dele.
Que est� a acontecer?
Ela acordou com dores e pensou que fossem as �guas. Era sangue.
Teve outra hemorragia.
-E o beb�? -At� agora est�o vivos.
-Est�o? -S�o g�meos. O problema � esse.
O �tero sofreu les�es com a queda. N�o aguenta um parto duplo.
O doutor diz que ela � capaz de n�o sobreviver.
-Que Deus me traz hoje, senhor padre? -Que Deus preferes?
Hoje... creio que prefiro o Deus perfeito.
T�-lo-�s.
Sinto muito, Michael.
-N�o queria que... -Poupa as for�as.
Que far�s?
Que far�s com os beb�s agora que eu estou condenada?
Eleanor? Consegues ouvir-e, querida?
Perdeu os sentidos.
-Oh, meu Deus! -Diga-e o que querfazer, Arthur.
Por amor de Deus, homem!
Ela est� morta. N�o posso fazer mais nada.
Diga-e o que fazer quanto aos beb�s.
Ela est� morta. Agora, Arthur! Preciso de saber agora!
Eleanor. Eleanor.
Acorda. Diz-e o que hei-de fazer. N�o posso decidir isto sem ti.
-Os beb�s precisam da sua ajuda. -Tire-os!
Diga-lhe. Diga-lhe!
Senhor doutor, tire-os!
Fique perto de mim. Vou precisar da sua ajuda.
Oh, Deus!
Fa�a-lhe uma aspira��o.
-Como? -Coloque-o num s�tio qualquer.
Com o dedo mindinho, limpe-lhe o interior da boca.
-Ele n�o est� a respirar. -lncline-lhe a cabe�a para tr�s.
Respire-lhe para dentro da boca. N�o sopre com muita for�a.
Devagar.
Continue. � isso mesmo!
V� l�, pequenino.
-Sr. Doutor, isto n�o est� a resultar. -Ajude-o.
-Eu fa�o isso. -J� est�. Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Bem, Arthur...
tem dois rapazinhos g�meos.
Os meus sentidos p�sames, mais uma vez,
e os meus parab�ns. Ela era uma mulher extraordin�ria.
Obrigado, Harold. Voc� procedeu bem.
Quanto a si, Padre McKinnon, muito obrigado.
Virei busc�-los.
Eu bater-e-ei contra.
Eles s�o meus, Arthur. AEleanor contou ao Padre Dryer.
-Ele nunca o admitir�. -ASyril sabe a verdade.
Diga-lhe que estive com ela naquela noite,
que voc� permitiu que eu ficasse. Diga-lhe.
N�o h� nada que eu possa dizer ou fazer?
N�o. Se me desafiar, revelarei tudo.
Michael...
-Porfavor. -N�o haver� negocia��es.
Regressarei a lnglaterra depois do funeral e contratarei uma governanta.
At� l� eles podem ficar com a Syril.
Estupor! �s tal qual ele!
Director da obra de caridade Reverendo M. McKinnon
Eu fora l� para ter o meu momento a s�s com a Eleanor.
Arthur... vai corrertudo bem.
Costumo pensar em que medida a minha vida seria diferente
se eu tivesse denunciado a minha presen�a um instante mais cedo.
Porque fizeste aquilo, Syril?
Porque mataste aquelejovem?
Arthur, n�o...
O Rogerfoi ver a Eleanor naquela noite, n�o foi?
-N�o. -N�o foi?!
Sim.
Voc�s tinham ido ao teatro.
Ele ia destruir-te, Arthur. Eu tinha de te proteger.
-Amim? -Sim. Ele estava de cabe�a perdida
e gritava que te ia desmascarar no dia seguinte.
Menti-lhe.
Disse que ela estava a tomar banho e que esperasse.
-Ofereci-lhe um whisky. -Com ars�nico � mistura.
Fi-lo porti, Arthur. Para te salvar.
Salvar-e? Deste cabo de mim, Syril!
Agora n�o tenho nada...
... absolutamente nada.
Arthur, gosto de ti como de um filho meu.
Eu sei, Syril. Podes crer que sei.
Agora deixa-e a s�s com a minha mulher
Arthur...
Posso saber o que lhe disse? Porfavor, preciso de saber.
-Porqu�? -Porque ela merecia tanto
e porque, demasiado tarde e para minha eterna vergonha,
apercebo-e do quanto voc� merece. Porfavor, diga-e.
S� lhe disse a verdade:
que ela nunca seria esquecida.
Eu disse que n�o haveria negocia��es,
mas, se me permite, gostaria de fazer um acordo consigo.
Senhor, que revelais Vossa bondade na perp�tua miseric�rdia e no perd�o,
rogamo-Vos que a alma da Vossa serva Eleanor,
que deste mundo ordenastes que partisse...
Despedi-me da Eleanor, sabendo que ela estaria
sempre comigo. Nunca esqueceria o seu rosto.
N�o precisa de se sentir culpado.
O sol tamb�m brilha sobre estas campas.
N�o me sinto culpado, Michael.
Ela talvez tivesse apreciado mais um enterro � sua maneira.
A Eleanor uma vez disse-me
que, acima de tudo,
a irm� de Shakespeare teria sido uma alma humilde, paciente e sacrificada.
Mesmo da forma como foi secundarizada?
Sobretudo porque foi secundarizada.
Todos os domingos o Arthur ocupava o seu lugar na comunh�o,
de m�o orgulhosamente dada com os seus dois filhos g�meos.
Que Deus te aben�oe, Hannibal.
E eu tocava a cabe�a do pequeno cujo primeiro sopro adviera do meu.
E que Deus te aben�oe, Michael.
Ele pusera-lhe o nome de Michael. lmaginem s�!
� com reconhecida ironia que admito
que mais uma vez uma hist�ria contada de forma t�o canhestra por um homem
termina em trag�dia.
Apesar do rumo da nossa vida
poder mudar inesperadamente e ela terminar demasiado depressa,
creio que o percurso nunca � uma v� caminhada.
Talvez seja este mesmo percurso que confere � vida esperan�a e sentido.
Dizem que um pecador � algu�m que conhece Deus
e que um padre � algu�m em busca d'Ele.
Eu comecei por conhecer Deus atrav�s da Eleanor.
Foi ela que me ensinou o que era a f�.
Ripped By Wish-Master Powered By O Bando�
:: Ressincroniza��o ferneiva ::
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