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Acho que podemos ser amig�veis uns com os outros, gostar uns dos outros,
mas n�o conseguimos conviver nem nos comunicar.
Isso j� devia ter acabado, entende?
O que podemos fazer? Voc� sabe.
Provavelmente qualquer outra pessoa estaria feliz em ter o que temos.
NOVA YORK - 18 DE MAR�O DE 2002
HALL DA FAMA DO ROCK & ROLL CERIM�NIA DE ENTRADA
Os Ramones realmente inventaram todo um g�nero novo.
A m�sica n�o seria a mesma se n�o fosse pelos Ramones.
Achei que os Ramones deviam ter sido como os Stones.
Quero dizer que eles influenciaram muita coisa.
Tudo o que se ouve hoje em comerciais de carro,
em comerciais de TV, s�o as guitarras dos Ramones.
Essa m�sica salvou o rock'n'roll
e influenciou milh�es de garotos no mundo todo.
E eles nunca foram reconhecidos.
Algo bastante incomum est� acontecendo aqui hoje:
Esta ind�stria est� pagando um tributo aos Ramones.
Ent�o, com o poder em mim investido,
eu gostaria de receber os Ramones.
Acreditem ou n�o, n�s realmente nos amamos,
mesmo quando n�o est�vamos sendo gentis uns com os outros.
�ramos irm�os de verdade.
A honra de entrar para o Hall da Fama significa muito para n�s,
mas realmente significava tudo para o Joey.
Muito obrigado.
"�ramos genu�nos. �ramos singulares.
"�ramos quatro indiv�duos singulares.
"Havia uma qu�mica.
"Havia um forte desequil�brio qu�mico.
"Os opostos se atraem, toda essa baboseira." - Joey Ramone
- � aqui. - Como se sente ao voltar aqui?
- N�o sente nada mesmo? - N�o.
Este lugar meio que perdeu a coisa que eu tinha por ele.
Nem mesmo parece de onde eu vim.
Aqui � onde costum�vamos ficar.
N�o sabia? Parece que est� fechado.
Com arame farpado ali. Significa que os tempos mudaram.
Tommy foi �timo. Ele foi muito importante.
Ele nos convenceu, a mim e ao Dee, de montarmos uma banda.
Ele ficou perturbando a mim e ao Dee Dee por um ano para montarmos uma banda.
Dissemos a ele que era loucura e que n�o dev�amos fazer aquilo.
Na nossa adolesc�ncia, todos n�s mor�vamos em Forest Hills.
Tinha muitas colinas. Forest Hills tem mesmo muitas colinas,
e o Queens Boulevard � largo demais para atravessar sem...
Muitas pessoas s�o atropeladas l�.
Todos os garotos l� estavam usando LSD,
maconha e, sabe, eram mais sofisticados,
como jovens universit�rios.
N�o acho que John, eu e Tommy nos encaix�vamos nem um pouco naquilo.
Acho que �ramos todos exclu�dos.
Por um lado, talvez solit�rios, ou mais que isso, sabe?
Como conheceu esses caras?
Todos eles disseram: "Ouvi voc� como os Stooges."
Algo assim, voc� sabe.
Eu disse: "Sim, gosto deles."
Talvez s� tr�s pessoas gostavam dos Stooges em toda a �rea.
E os demais eram radicalmente contra eles.
Ent�o, se voc�s gostavam dos Stooges, tinham de ser amigos.
T�nhamos um amigo, Richie Stern.
Ele era o l�der do f�-clube dos Stooges.
Por meio dele, n�s fic�vamos juntos,
cheir�vamos cola, fum�vamos maconha
e ouv�amos a nossa... T�nhamos uma fita dos Stooges ao vivo
que sempre toc�vamos, sabe.
Fazia parte dos nossos encontros.
Ouvir Iggy e assistir ao Richie cantar um pouco como o Iggy para n�s.
Durante os meses do ver�o,
fic�vamos na �rea de Forest Hills,
e havia um lugar especial
que era chamado de Thorneycroft.
Era um condom�nio que tinha um p�tio.
Quando crian�a, eu morava no bairro
e conheci Johnny quando era bem pequeno.
Eu comprei dele minhas primeiras bombinhas.
Ele tinha uma personalidade um pouco vol�vel.
Ele era legal comigo. Com as outras pessoas, pode n�o ter sido t�o legal.
Eu o vi dar um soco na cara do pai de um garoto.
Porque a minha janela era bem aqui,
eu estava olhando para baixo, ele se meteu numa briga, deve ter come�ado com o garoto.
O pai do garoto veio para o p�tio e ele deu um soco no nariz dele.
Deu um soco no nariz do pai.
Mas, voc� sabe, coisas assim acontecem quando estamos com amigos.
Eu era mau. Era mau todos os minutos do dia,
da hora em que levantava at� a hora de dormir.
- S�rio? - Sim.
Tudo o que eu podia pensar em fazer, eu fazia.
S�rio? Roubou, coisas assim?
Sim.
E n�o quero que minha m�e assista a isto.
John partiu para a faculdade uma semana antes de mim porque ele foi para a Fl�rida.
Ent�o, ele vai para a Fl�rida, certo?
Ent�o, fizemos uma festa de despedida para ele.
Na semana seguinte, sa� da minha casa,
estava andando na dire��o de Thorneycroft, e l� estava John.
Eu disse: "O que voc� est� fazendo aqui?"
Ele disse: "N�o gostei de l�."
Entre 18 e 20 anos � um per�odo dif�cil, por termos de resolver o que fazer da vida.
Eu era uma esp�cie de delinq�ente naquela �poca.
Os Ramones o salvaram dessas coisas?
N�o. Larguei essas coisas quando estava com 20 anos.
Estava andando pelo bairro um dia e aquilo simplesmente me veio.
Era como uma voz dizendo: "O que est� fazendo?
"Foi para isso que Deus nos p�s aqui?"
Eu fui para casa e parei com tudo.
Planejei o resto da minha...
o que eu ia fazer comigo mesmo.
O que era certo fazer, o que n�o era.
Simplesmente mudei, em quest�o de um minuto.
"N�o foi uma inf�ncia t�o ruim,
"mas foi a s�ndrome do lar destru�do -
"tive tr�s pais diferentes.
"Passei muito tempo sozinho." - Joey Ramone
Eu n�o conhecia bem o Joey. Ele era meio quieto.
Ele era meio isolado e t�mido,
e percebi que ele n�o era como os outros garotos.
Ele era solit�rio.
Joey, n�o sei, era dif�cil.
Ele costumava largar os discos do irm�o no aquecedor,
coisas assim,
n�o os colocava de novo na capa, e eles acabavam derretendo.
Roubava a maconha de todo mundo,
eu acho.
Est�vamos andando pela rua � noite, e Jeff era muito alto.
Eu olhava para cima para o..."Jeff'. Assim, sabe?
"E a�?" Ele dizia: "Sim, e a�, cara?"
Esse era o Jeff. Para mim, ele era esquisito.
Ele era... Mas era legal.
Tinha a cabe�a no lugar.
Ele era engra�ado, mas tinha a cabe�a no lugar.
Na inf�ncia, as previs�es para ele n�o eram boas.
Os professores diziam: "Ele tem problema de vista, n�o est� lendo bem."
Ele era um aluno lento,
mas n�o pensavam na intelig�ncia fundamental dele.
Ele era altamente inteligente
e muito criativo.
Nem olhavam para esse lado dele.
Joey, quando estava com uns 18 anos,
decidiu ele mesmo se internar no St. Vincent's,
pois estava sofrendo muito
com um dist�rbio chamado TOC -
Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
Ele ouvia vozes que o obrigavam a repetir coisas.
Eu o levei a um especialista.
Disseram que ele era compulsivo.
E simplesmente diziam � minha m�e
que ele tinha um dist�rbio emocional
que provavelmente o deixaria incapaz de exercer qualquer atividade na sociedade
pelo resto da vida.
Est�vamos todos preocupados com o que seria dele.
A m�sica foi a minha salva��o e tem sido at� hoje.
Para mim, � algo muito especial.
Eu me lembro de quando estava muito infeliz ou deprimido
e colocava um disco agrad�vel e tranq�ilo, como os Stooges,
- porque era como um exorcismo. - Poderoso, sim.
Era uma liberta��o total, sabe?
Vi meu irm�o no palco com a banda dele, Sniper.
Ele nunca tinha cantado numa banda.
Ele j� estava se apresentando quando cheguei. Eu o vi l� em cima
e vi um cara que tinha sofrido uma transforma��o
que eu nunca tinha visto, a n�o ser nos filmes, como...
Acho que a compara��o mais pr�xima � com Jerry Lewis, em "O Professor Aloprado".
Mas t�o agressivo,
que eu n�o conseguia acreditar que fosse a mesma pessoa.
Ele estava cantando, estava urrando.
Fiquei muito feliz por ele,
por ver a coragem dele de subir l� e fazer uma coisa assim.
Mas pude dizer que ele estava finalmente encontrando seu nicho.
Uma semana depois, eles o expulsaram da banda
porque n�o era bonito.
Johnny n�o gostava do seu irm�o.
Ele n�o se dava com meu irm�o nem queria conhec�-lo
porque meu irm�o era meio...
N�o quero dizer esquisito. Todos �ramos esquisitos.
Mas ele era mais um hippie esquisito, acho,
e John, embora ele n�o fosse...
Ele tentava se apresentar como um conservador de direita,
mas tamb�m era um grande defensor de Charles Manson.
Todos esses caras estavam na cena glitter.
John estava usando cal�a de cetim e casaco de pele de chinchila.
Acho que foi onde John e meu irm�o encontraram a liga��o.
Eu e John �amos ver os Stooges
e todos n�s ficamos ao mesmo tempo fascinados com MC5 e Alice Cooper.
Havia garotas envolvidas com voc�s nessa �poca?
Nunca. N�o.
As garotas em Forest Hills sa�am de l� para encontrar um homem em outro lugar,
East Village ou algo parecido. N�o iam querer algu�m...
N�o era legal ser do Queens.
Voc� mentiria a respeito disso se fosse para Manhattan.
Voc� diria: "Tenho um apartamento na cidade."
E da� voltaria para a casa da sua m�e.
Ent�o eram s� os rapazes juntos?
Joey, eu, voc� sabe, e...
John, eu e Richie Stern.
Com sapato plataforma e cuidando do cabelo por duas horas.
Isso era tudo. S� t�nhamos condi��es de fazer isso para ir at� o carro do Tommy.
Isso era o mais perto de uma produ��o que todos podiam fazer.
N�o havia lugar para ir depois disso.
Depois passou a haver, quando os Dolls come�aram a tocar.
Quando digo que estou apaixonado, � melhor voc� acreditar que estou apaixonado.
Seus shows eram do tipo de noite bem movimentada
em que todos comparecem.
Era muito decadente, mas era �timo.
Grandes m�sicas, grande energia. Movimentos de palco muito fren�ticos.
N�o conseguia acreditar no que estava vendo. Era a melhor coisa do mundo.
De certa forma, n�o havia quem pudesse competir com eles.
Eu ia porque a m�sica era simplesmente incr�vel.
As roupas, o aparato, as coisas esquisitas. Era �timo.
E depois faz�amos a longa viagem de volta para o Queens.
Era duro.
Vi onde a musicalidade estava indo naquele momento.
A era das drogas chegava ao rock'n'roll.
Ent�o, todos estavam sendo muito condescendentes com seu modo de tocar.
Os longos solos. Jamais achamos que poder�amos tocar daquela maneira.
Mesmo que tivesse talento, levaria 15 anos praticando.
Fui ver os New York Dolls tocarem.
Eu estava vendo bandas como as de rock and roll deviam ser.
Como eles conseguiam ter um �timo som e ser �timos
com musicalismo limitado.
Ent�o, finalmente, John me telefona um dia e diz: "Comprei uma guitarra."
Ele disse: "Estou conversando com o Dee Dee. "
Eu disse: "Talvez a gente possa montar uma banda."
Eu tinha acabado de sair de outra banda,
e Dee Dee gostava do meu estilo.
Ent�o, ele disse ao John que me queria na banda.
As duas pessoas que conhec�amos, Joey ia tocar bateria,
eu e Dee Dee �amos tocar guitarra.
Tommy era nosso conselheiro.
Tommy dizia:
"Dee Dee deve ser o baixista, voc� toca guitarra..."
Dee Dee ia cantar, mas ele n�o sabia cantar e tocar ao mesmo tempo.
Quando estava cantando, n�o tocava.
Quando estava tocando, n�o cantava.
Ent�o Joey cantava.
Pasmem! Ele tinha uma �tima voz.
Tommy realmente for�ou a quest�o do Joey,
especialmente como vocalista.
Ele n�o era minha id�ia de vocalista, mas Tommy disse:
"Ele vai ficar bem entre voc� e Dee Dee."
Quando decidimos que Joey seria o vocalista,
precis�vamos de um baterista.
Testamos bateristas,
e, um dia, ningu�m apareceu para ser testado,
Tommy sentou-se na bateria, e n�s o convencemos...
O som ficava �timo com o Tommy, e ele ficou na banda.
No in�cio, fiquei... Nunca tinha tocado bateria.
Ent�o, levei um pouco de tempo
para conseguir fazer aquilo,
que se encaixasse com o som deles,
porque eles mesmos estavam aprendendo.
Assim que comecei a tocar bateria, todo o som da banda mudou.
Come�ou a se solidificar, a se tornar os Ramones.
Dee Dee estava usando o sobrenome Dee Dee Ramone.
Ramone, o modo como �amos us�-lo,
foi para criar um senso de unidade.
Um v�nculo entre heterog�neos.
A m�e do Joey tinha uma galeria de arte.
Est�vamos l� depois que j� tinha fechado
ensaiando algumas de nossas m�sicas.
Dee Dee e Joey estavam tocando "Judy Is A Punk".
Foi a primeira vez que ouvi "Judy Is A Punk".
Nunca tinha ouvido nada assim. Era algo futurista.
Perguntei: "O que � isso? Que letra � essa?
"Que melodia � essa? Que harmonia maluca � essa?"
Ent�o, tudo vai se solidificando, fico ouvindo e penso:
"Isso � fant�stico."
A partir dali, fiquei muito s�rio,
pois n�o era s� uma banda de glitter rock,
como outras 50 bandas de glitter rock em Nova York,
era algo fant�stico.
Novidade da K-Tel Records, 22 sucessos.
22 astros criativos.
Gallery.
No come�o dos anos 70, havia uma monotonia.
O esp�rito do rock'n'roll meio que tinha ido embora.
Naquela �poca e naquela cultura, Donny e Marie estavam na TV.
Todos eram �timos. Tudo simplesmente parecia muito med�ocre e entediante.
Era simplesmente horr�vel. Tudo era muito certinho.
Tudo estava tranq�ilo. Tudo estava sem colorido, sabe?
Eram cereais, e n�o gost�vamos daquilo.
E voc� n�o podia transar
a n�o ser que fosse espiritualmente correto
ou tivesse um papo sobre macram�.
N�o sei o que dev�amos fazer, mas eu n�o conseguia, sabe?
Foi o fim do "white flight" em Nova York.
Desde a Segunda Guerra, as pessoas estavam se mudando das cidades
para essas coisas novas chamadas sub�rbios.
As pessoas estavam saindo de Nova York, e ela estava ficando deserta.
E havia um sentimento de que os pais tinham ido embora
e voc� podia assumir a situa��o e fazer o que quisesse.
No come�o dos anos 70, Nova York estava vazia.
N�o havia clubes noturnos.
A raz�o de tocarmos no CBGB � porque n�o havia lugar para tocar.
Vimos um an�ncio m�nimo no jornal Voice.
O Television estava tocando l�.
Vimos muitos shows bons l�.
Eu adorava o Television.
Isto era o CBGB para mim: Algumas noites solit�rias
com dez pessoas l� e o Television tocando.
Tom Verlaine cantando a m�sica "V�nus de Milo".
Era �timo, sabe.
Na primeira vez que entrei no CBGB,
havia serragem no ch�o todo
e montes de coc� de cachorro por todo lado.
Era como andar num campo minado.
Fizemos um teste para o Hilly Kristal, e ele disse:
"Ningu�m vai gostar de voc�s, mas vou coloc�-los no palco."
Entramos no CBGB.
Era literalmente um boteco.
Havia b�bados no bar contando as moedas
para comprar um trago.
Havia umas dez pessoas sentadas nas mesas.
Naquele momento, os Ramones apareceram
e subiram ao palco
usando jaqueta de couro preto.
Contaram para come�ar a m�sica
e come�aram a tocar m�sicas diferentes.
E foi uma barulheira.
Eles jogaram suas guitarras no ch�o como indigna��o e sa�ram do palco.
Pareciam t�o... Parecia que a SS tinha acabado de chegar.
Eles chamavam muito a aten��o.
Esses caras n�o eram hippies.
Aquilo era algo completamente novo,
e o barulho apanhava todos em cheio.
Ent�o, dez minutos depois, eles voltaram,
Dee Dee fez a contagem: 1-2-3-4
e come�aram a tocar "Blitzkrieg Bop".
HEY. HO. VAMOS L�.
Eles simplesmente tocaram m�sicas muito r�pidas e curtas,
e foi muito engra�ado, mas faziam aquilo com muita seriedade.
Eles n�o estavam tentando ser engra�ados.
Estavam fazendo com seriedade; era quase como uma arte conceitual,
que era t�o genial que n�o se conseguia acreditar que aquilo pudesse existir.
Fazia voc� sorrir,
sempre que voc� tentasse fechar a boca.
Porque, a princ�pio, era assim...
A primeira pessoa que veio falar conosco foi Alan Vega, do Suicide.
Ele disse: "Voc�s s�o �timos. Era isso que eu estava esperando."
E pensei: "Esse cara � doido."
Primeiro f�.
Eu assisti a eles rindo,
porque eu era um m�sico mais s�rio,
vindo dos diferentes grupos por que passei.
Assistir aos Ramones era como uma piada, s�rio.
Lembro que tiveram um problema com o som, Dee Dee ficou irritado,
pegou seu baixo e jogou no ch�o.
Acho que eles sa�ram do palco e depois voltaram.
E aquilo tamb�m foi emocionante.
Eu nunca tinha visto em ningu�m uma raiva t�o espont�nea como aquela.
E foi o que me deixou com um pouco de medo deles.
A coisa famosa nos Ramones � que eles sempre paravam, come�avam,
tinham discuss�es no palco, o que sempre achei que era muito cativante.
Tommy: Espere, deixe disso, vamos tocar "Loudmouth", certo?
Johnny: Porra. Porra.
Dee Dee: Tamb�m quero tocar "I Don't Wanna Go Down To The Basement".
Johnny: Sim... S�o dois contra um.
Dee Dee: Quero mesmo.
Tommy: V�o se foder.
Voc� n�o ia a um bar e via uma banda genu�na.
Voc� ia a um est�dio para ver uma grande banda.
Quando ia a um bar, as bandas tocavam m�sica cover.
Ent�o, ver caras que compunham sua pr�pria m�sica, que eram aut�nticos,
vestiam jaquetas de couro, isso era maravilhoso.
Pensei: "Meu Deus, � isso."
EI, PAPAI
N�O QUERO IR
PARA O POR�O
H� ALGO L� EMBAIXO
N�O QUERO IR
EI, ROMEU
H� ALGO L� EMBAIXO
N�O QUERO IR
PARA O POR�O
Inicialmente, o CBGB era para umas 100 pessoas.
Os Ramones eram quatro, e o Blondie eram cinco.
Fa�a as contas, como dizem, e havia mais algumas bandas.
Era quem estava l�.
Todo mundo ficava do lado de fora do clube e era...
Havia, eu acho, como uma esp�cie de boa camaradagem a um certo n�vel.
CBGB, lembro-me das primeiras bandas l�.
A competi��o entre as bandas estava se tornando um pesadelo.
Com os Mumps, Mink DeVille e os Marbles,
todas essas bandas idiotas achavam que eram grandes astros,
mas n�o eram. Os Ramones eram os astros.
Est�vamos t�o altivos e presun�osos
que irrit�vamos todos os demais.
Somos os Ramones e voc� fala demais, meu bem.
� melhor voc� calar a boca.
Eles tinham uma concep��o bem definida.
Eram muito organizados.
Sim, eram como as for�as armadas.
Realmente tinham uma vis�o muito clara, e ela era bem firme.
Depois do fracasso dos New York Dolls em serem bem-sucedidos comercialmente,
foi como uma nuvem negra sobre Nova York; ningu�m ia assinar um contrato em Nova York,
e mais pessoas come�aram a ir ao CBGB, havia uma abund�ncia de artistas.
Os Talking Heads estavam fazendo algo totalmente diferente.
O Television eu n�o via como concorrente,
os Heartbreakers eram um bando de viciados.
Ent�o, eu sabia que a carreira deles ia ser curta.
L� pelo ver�o de 75, aconteceu um festival de rock no CBGB.
Foi uma coisa grande na �poca. A Rolling Stone estava cobrindo o evento.
Uma mat�ria de uma p�gina, e tr�s quartos eram sobre os Ramones.
Naquela �poca, nossos shows lotavam, j� que era uma coisa da Rolling Stone.
Gravei os Ramones ao vivo uma vez,
principalmente no CBGB, mas era muito cedo
e ficou t�o cheio que n�o se podia mais fazer aquilo.
N�o quero sair com voc�.
Ent�o, por que quer sair comigo?
Por volta de 550 pessoas por noite, tr�s noites seguidas.
Aumentamos o valor da entrada.
Fomos os primeiros a aumentar para US$ 2, US$ 3, US$ 4 e US$ 5.
Sempre quer�amos ter o m�ximo de controle, tir�-lo do Hilly.
Hilly Kristal Dono do CBGB
Quer�amos algu�m na porta, n�o quer�amos ser enganados por eles.
J� tinha virado neg�cio �quela altura.
Constru�mos um grande p�blico, continuamos a mandar convites,
tentando fazer Danny Fields aparecer l�, porque achamos que era a coisa dele.
Ele trabalhou para os Doors, trabalhou para os Stooges
e trabalhou para o MC5.
Ent�o, achamos que, com essas credenciais, se algu�m ia ver o que est�vamos fazendo,
esse algu�m era Danny.
Danny Fields acabou aparecendo.
Acho que ele n�o queria ir
porque pensou que �ramos uma banda espanhola, algo parecido,
como um grupo de flamenco, algo assim.
Fui v�-los na vez seguinte em que tocaram.
Foi assim: "Isso � simplesmente tudo.
"Solos de guitarra, as m�sicas s�o muito r�pidas,
"eles s�o todos atraentes, t�m uma �tima apar�ncia, adoro o que est�o vestindo. "
Eu disse: "Quero ser o empres�rio de voc�s."
Eles disseram: "Oh, bem, precisamos de alguns mil d�lares para uma bateria.
"Se voc� entrar com isso, pode ser nosso empres�rio."
"Est� bem."
Ele conhecia umas pessoas,
umas pessoas legais, ningu�m que pudesse ajudar nossa carreira,
mas as pessoas que andavam com Andy Warhol.
Ent�o, eles come�aram a ir nos ver, era como um bando de malucos.
Eu n�o era muito soci�vel ou gentil.
Apareci como um cara hostil e desagrad�vel, o que aceitaram bem.
Provavelmente eles queriam insultos, certo?
Esta era a minha prioridade: Conseguir um contrato, como Patti.
Isso foi a primeira coisa.
Est�vamos tocando no Mothers. Isso foi mais tarde em 75.
Ent�o, Craig Leon leva Linda Stein.
Acho que isso acabou levando Seymour Stein a ir nos ver.
Danny organizou um ensaio nos est�dios SIR.
Eles se apresentaram, deve ter levado uns 15 minutos, e bastou.
Seymour os contratou.
Ramones t�m Projeto de Viagem R�pida em Disco
Ouvi nos Ramones
o que procuro primeiro em qualquer artista que v� contratar...
Presidente, Sire Records
...que s�o as �timas m�sicas,
porque, para mim, isso � a coisa mais importante.
Nos Ramones, todos n�s t�nhamos um senso de humor sombrio,
sombrio... uma coisa sombria, sabe.
Sou um queridinho nazista
E luto pela minha terra natal
No primeiro �lbum, Seymour apareceu para as grava��es:
"Por favor, n�o cantem 'Sou nazista' em 'Today Your Love, Tomorrow The World'."
Eu disse: "O que h� de mais nisso?"
E ele: "Vamos l�, rapazes, por favor, por mim, troquem por outra coisa."
N�s: "Estamos nos comprometendo ao n�o cantar 'Sou nazista'."
"I Don't Wanna Walk Around With You" � uma can��o de amor.
Dee Dee a comp�s sobre a namorada dele na �poca.
N�o tentamos ser malucos, n�o tentamos compor coisas que fossem ofensivas.
Era tudo natural, est�vamos tentando ser normais, ent�o...
Estavam tentando ser normais e falharam?
Os Ramones - Sementes Mutantes De Punk Rock
Isso � porcaria da pior qualidade.
Novo pico alcan�ado em n�veis de grava��o.
"Ramones" parece um disco de grandes sucessos.
Ramones apelam para a morbidez
Como muitas pessoas, quando pusemos para tocar pela primeira vez, rimos,
olhamos uns para os outros e n�o consegu�amos parar de olhar a capa.
E s� consegu�amos ouvir isso.
Instantaneamente tornou metade da nossa cole��o de discos obsoleta.
Nossa m�sica � s� parte do que s�o os Ramones.
�, em parte, m�sica, mas h� muita vida nela.
Eles eram, de certa forma, t�o reais quanto a realidade podia ser.
Voc� podia estar passando pela esquina da 53 com a 3a.
E ver Dee Dee Ramone pegando clientes.
A 53 com a 3a. Em New York era uma esquina de prostitui��o muito famosa,
onde, se voc� quisesse pegar um garoto de programa,
era s� passar de carro que eles estariam todos parados na cal�ada.
Dee Dee comp�s uma m�sica sobre pegar clientes l�.
Gostar�amos de desejar feliz anivers�rio a Seymour Stein
e gostar�amos de dedicar este show a ele.
Na m�sica, ele se lamenta por ser o �nico que nunca � escolhido.
Quando um cara finalmente o escolhe, ele tem de mat�-lo,
provando que n�o � de fato homossexual.
53 com a 3a. Parado na cal�ada.
53 com a 3a. Estou tentando pegar um cliente.
53 com a 3a. Voc� � aquele que eles nunca escolhem.
53 com a 3a. Isso n�o faz voc� se sentir mal?
Ent�o, peguei minha navalha.
E fiz o que Deus proibiu.
Agora a pol�cia est� atr�s de mim.
Mas provei que n�o sou bicha.
Acho que, no come�o, ele se prostituiu por causa das drogas,
para comprar hero�na.
Acho que, depois, ele s� dormia com todos porque todos queriam dormir com ele.
Dee Dee, sabe, "53rd And 3rd". Qual � a verdade por tr�s de "53 And 3rd"?
H� muitos boatos.
Eu preferia deixar isso de lado.
Esses boatos, ningu�m est� sendo justo comigo,
tipo dizer o que � real e o que � fantasia.
Todo mundo sempre aumenta as coisas.
As pessoas tentam me apresentar como se eu fosse um personagem vulgar.
Eu era s� um baixista.
Eles deveriam olhar para si mesmos.
Wayne County era o DJ do Max's Kansas City.
Ele tinha acabado de comprar uma c�pia do primeiro �lbum.
Nunca tinha ouvido nada assim antes.
Fiquei extasiado, era algo que eu nunca tinha ouvido.
Era t�o despojado e t�o poderoso,
que, numa certa hora, eu disse: "Merda, eu queria estar nessa banda."
A abertura para Johnny Winter, que era um grande astro na �poca,
em Waterbury, Connecticut.
Ach�vamos que �amos ser vistos.
Ach�vamos que aquelas pessoas iam nos ouvir
e dizer: "Uau, isso � impressionante, cara, temos sorte de ver essa banda."
N�o foi bem isso o que aconteceu.
Na verdade, tivemos sorte porque n�o havia pausa entre nossas m�sicas,
mas, quando paramos para tirar a jaqueta antes de "Wanna Be Your Boyfriend",
um crescendo lento de...
surgiu.
Eu devia ser um roadie de palco
e me vi me escondendo atr�s dos amplificadores Marshall
porque estavam jogando garrafas a cada dez segundos.
Todos gritavam: "Saiam da porra do palco."
Tivemos sorte de n�o terem nos matado.
Os Ramones n�o s�o um n�mero de abertura.
Quem quer que voc� fosse ver, eles o confundiriam como um n�mero de abertura.
Nos Estados Unidos, naquela �poca, nem pod�amos come�ar. Ningu�m se importava.
Fora os Rolling Stone, Village Voice, ningu�m mais.
Mas, na Inglaterra, de fato criamos uma como��o.
Joey disse: "Tenho de ir para a Inglaterra." E eu: "Por que tem de ir?"
A Inglaterra n�o parecia t�o importante assim. N�o conseguiam emprego em Nova Jersey.
Eu tinha consci�ncia, e os Pistols tinham consci�ncia, da cena nova-iorquina
por meio de Malcolm McLaren.
Costum�vamos passar o tempo na loja dele, e ele tinha viajado aos Estados Unidos.
Ele tinha andado trabalhando como empres�rio dos New York Dolls.
Se aquele disco dos Ramones n�o existisse,
n�o sei se ter�amos conseguido construir uma cena aqui.
Ocupou um hiato vital, se voc� preferir assim,
entre a morte da cena do velho pub rock
e o advento do punk.
4 de julho de 1976.
Fomos para a Inglaterra.
Tocamos num lugar chamado Roundhouse. L� cabiam 3.000 e estava lotado.
Havia pessoas esperando no hotel para dormir conosco.
Voc� pode dizer que � muito bom
ter pessoas fazendo fila para transar com os roadies e empres�rios.
Durante a passagem de som naquele dia, todos aqueles garotos vieram at� n�s
e disseram como �ramos respons�veis por estimul�-los, essencialmente,
a formarem suas pr�prias bandas.
Todos os que estariam nas bandas de punk rock do Reino Unido estavam no show.
Devia haver umas 60 pessoas na plat�ia, o que n�o era nada,
mas todos formaram uma banda.
Eles iniciaram a coisa em grande estilo.
Stranglers, os Pistols, The Clash, The Damned.
Sab�amos como chegar � janela dos bastidores...
ENTRADA PRINCIPAL 'DOWNSTAIRS'
E quando os Ramones estavam se preparando para se apresentar...
Eu estava l�, Simo, Jonesy, alguns dos Sex Pistols.
Est�vamos nos fundos e jogamos uma pedra pela janela.
Johnny Ramone colocou a cabe�a para fora e disse: "Que foi?"
Dissemos: "Oi, este � o The Clash, estes s�o os Pistols e precisamos entrar."
Ent�o, eles meio que formaram uma corrente humana e nos puxaram por essa janela.
Foi a primeira vez que nos encontramos, e foi um grande momento do punk rock.
Johnny Rotten - eu n�o sabia quem ele era - estava tentando entrar por uma porta lateral.
Ele disse que queria conhecer a banda.
Mas estava com medo.
Diretor de Arte dos Ramones
Ele me perguntou se eles iam bater nele se ele fosse conhecer a banda.
Todos achavam que os Ramones eram uma gangue do Bronx ou algo parecido.
Paul Simonon disse uma vez: "Caramba, voc�s s�o grandes, lotaram tudo.
"Somos da Inglaterra
"e ainda n�o nos apresentamos porque n�o somos bons o suficiente."
Johnny disse: "Espere at� nos ver. Somos uma droga.
"Voc� n�o tem de ser bom. V� l� e toque."
Pessoal, � bom estar aqui esta noite. Feliz 4 de Julho.
Como foi v�-los ao vivo?
Foi uma grande emo��o, por causa do jorro constante de m�sicas.
N�o havia o m�nimo espa�o entre o fim de uma m�sica e o come�o da outra.
Muitas pessoas, provavelmente da ind�stria,
pensaram: "� um pandem�nio do punk rock. Vai haver b�bados caindo para todo lado. "
N�o estavam preparados para um soco forte...
Assim. Ent�o...
N�o podia ter ficado mais tenso do que se tivesse sempre vivido em Nova Orleans,
porque era inacredit�vel.
Foi o final de semana de 4 de Julho de 1976.
Lembro-me de ir para o loft e ficar na entrada esperando o Joey.
N�o sabia o que fazer. Ficava pensando: "Onde est� o Joey? Quando ele vai voltar?"
Ele voltou e disse: "Eles gostaram de n�s de verdade. " Eu disse: "S�rio?"
Pensei: "Uau. Isso � �timo."
OS RAMONES ATACAM LONDRES
Eu n�o tinha id�ia de como aquilo era significativo ou importante.
Era somente: "Oh, n�o jogaram garrafas em voc�s. Isso � �timo."
Foi emocionante, mas acabou porque voc�s n�o eram ricos ou famosos.
Voltam para casa e adivinha...
Ainda n�o conseguem fazer um show em New Haven, Connecticut, por a�. Toad's.
Voc� tinha de implorar para tocar no Toad's.
Estavam me pagando US$ 50 por semana para ser o roadie deles.
Eu estava falindo, e eles tamb�m estavam falidos.
Arturo tinha um loft grande, e todos simplesmente acabaram ficando l�.
A cama do Joey ficava na parte de tr�s.
Diretor de Arte dos Ramones
Dee Dee tinha um colch�o no ch�o que vivia mudando de lugar.
Porque ele ficava queimando o ch�o, voc� sabe.
Ele realmente tomou conta de mim e de Joey. �ramos como crian�as.
N�o faz�amos id�ia de como limpar o loft ou qualquer outra coisa.
E ele aceitou isso pelo bem da arte.
Ele achava que os Ramones eram alguma forma de arte.
E Connie morou l� por um tempo.
Eu os expulsei por causa das brigas.
- Quem expulsou? - Connie.
Connie era uma prostituta, loura, alta...
seios grandes, encorpada,
que era namorada de Dee Dee.
Os dois eram viciados em hero�na.
Connie era maluca. Connie estava com Arthur Kane, dos New York Dolls.
Ela teve um surto e, enquanto ele estava dormindo,
pegou uma faca e tentou cortar fora o polegar dele
para que ele n�o pudesse mais tocar baixo.
Oh, cara.
Coisa pesada... Ela era viciada, mas era uma pessoa pesada, muito intensa.
Ela ficava de igual para igual com ele. Eles brigavam, cara.
Uma vez, Dee Dee pegou uma moeda, colocou uma parte entre os dedos e deu um soco nela.
Eles sempre ficavam na porta do CBGB discutindo, quebrando garrafas.
Connie o apunhalou na bunda, lembro-me disso.
E ele ficou sem poder sentar.
Meu trabalho era manter Connie no estacionamento enquanto faziam os shows.
Era dif�cil para mim,
porque John me mandava manter Connie longe deles,
mas, por outro lado, ela era namorada do Dee Dee.
Sempre havia uma garota tentando roubar Dee Dee.
As brigas entre ele e Connie eram basicamente por causa disso.
Connie tomava conta do seu homem, que estava se tornando um astro do rock.
Por que toca t�o alto?
Gostamos assim. N�o sei.
- N�o sabe? - N�o temos... Por qu�?
Gostamos assim. N�o temos controle sobre isso.
Joey tinha de se tornar um astro do rock
porque era excelente de qualquer jeito.
Ele tinha de fazer algo com isso.
Ao inv�s de ser maltratado pelas pessoas, ele tinha de se tornar...
N�o acho mesmo que ele tinha escolha.
A primeira coisa de que me lembro
que me fez perceber que algo estava realmente acontecendo ao meu irm�o...
Est�vamos juntos no CBGB.
Um cara, Joe Stevens, fot�grafo,
queria tirar uma foto, certo?
E ele me disse: "Com licen�a, voc� pode se afastar do Joey?"
Poderia dizer que meu irm�o se sentiu mal com aquilo,
pois nos entreolhamos, rimos, e eu disse: "V� l�, sem problemas."
Ent�o, de repente,
ele come�a a se soltar um pouco, ganhando um pouco de confian�a.
E, de repente, as garotas come�am a prestar aten��o nele.
Garotas que n�o estavam tomando rem�dios.
Bem, depois de oito semanas na estrada,
vou ficar bem.
Cada cidade era uma batalha danada.
Boston, Rochester, New Haven, Filad�lfia...
Eram os Estados Unidos, eles estavam atrasados aqui. Era horr�vel.
N�o se conseguia chegar �s r�dios. A m�dia aqui era contra eles.
Sempre �ramos colocados na lista negra
porque acho que a ind�stria n�o queria quebrar a rotina.
Estavam esperando que desaparec�ssemos.
Sempre tocamos em lugares onde nenhuma banda havia tocado antes.
Lembro que v�rios lugares onde tocamos ainda tinham bolas girat�rias no teto.
Deixaram uma legi�o de f�s.
Crian�as. "Sem futuro, pessoal. Sem futuro."
"Talvez tenhamos um futuro. Pensamos que n�o t�nhamos futuro.
"Olhe para eles. Eles n�o sabem tocar. S�o horr�veis.
"N�o sabem mais do que tr�s, talvez duas notas.
"Mas, olhe, � emocionante. S�o grandes, famosos, todos vieram. Conseguem transar.
"Vamos montar uma banda."
Juro para voc�, em cada lugar a que fomos,
havia bandas que n�o existiam quando os Ramones tocaram pela primeira vez l�.
E, ao retornarem, j� existiam.
Eram como flautistas de Hamelin.
Claro que eu achava que �ramos os melhores no que faz�amos.
N�o conseguia ver outra banda e dizer: "Essa banda � melhor."
Estamos no topo.
E, num certo momento, realmente achei que havia algu�m t�o bom quanto n�s,
e era o The Clash.
Na turn� do segundo �lbum, eu disse: "Merda, esses caras s�o t�o bons quanto n�s."
Joey comprou o single "White Riot".
Tiramos da capa e Joey o colocou num toca-discos port�til.
Olhamos um para o outro e eu disse: "Meu Deus, est�o simplesmente copiando voc�s.
"Completamente."
A coisa na Inglaterra se tornou cada vez maior,
e ainda est�vamos tentando conseguir 75 centavos para uma caneca de cerveja.
Como se nada tivesse mudado.
Isso meio que o faz pensar: "Espere a�. Fizemos isso primeiro. N�o ganhamos nada. "
E ent�o o disco dos Sex Pistols foi lan�ado. Era �timo. Era um disco �timo.
Malcolm n�o s� roubou a cena e deu um novo formato,
mas tamb�m a m�sica era boa.
OBSCENIDADE E F�RIA
Os Ramones sofreram muito,
pois os Sex Pistols eram t�o famosos pelos v�mitos, sangramentos, arranh�es...
O ROCK EST� DOENTE E MORA EM LONDRES
...e anarquia.
Isso veio depois deles, com os Sex Pistols dominando as manchetes.
Uma banda de rock inglesa, que tinha de alguma forma constru�do um p�blico
cuspindo na plat�ia,
que freq�entemente respondia atirando garrafas na banda,
veio a este pa�s dizendo que estava aqui para "tirar alguns d�lares dos ianques".
Sentimos que n�s e os Sex Pistols nos tornar�amos
quase como os Beatles e os Stones dos anos 60.
Como se f�ssemos a nova revolu��o, digamos assim.
N�o ia funcionar assim. Estava passando uma sensa��o negativa...
O esgoto do exterior est� chegando PUNK ROCK
...de que isso destruiria a coisa toda.
Assustou todo mundo, assustou a ind�stria musical, as r�dios...
Lembro que tinha composto uma m�sica chamada "Sheena's A Punk Rocker"
e a toquei para Seymour Stein.
Ele se virou e disse: "Temos de tirar isso."
O disco estava indo muito bem.
Ent�o, um dia, no 60 Minutes, era sobre os Sex Pistols,
os alfinetes de fralda, todos tentando arrancar os olhos uns dos outros,
o estrangulamento, isso e aquilo.
Todos se impressionaram, e as coisas mudaram radicalmente.
Aquilo meio que estragou as coisas para n�s mesmos.
Quando os discos deles chegaram �s r�dios, aquela...
intui��o, tipo: "O que sei sobre eles?" "Oh, s�o problema."
"Eles vomitam. Se tocarmos o disco deles, teremos de traz�-los aqui,
"e eles v�o vomitar na mesa do est�dio de grava��o.
"N�o os queremos. N�o toquem o disco deles.
"� mais f�cil. N�o toquem o disco deles."
� sempre mais f�cil n�o fazer uma coisa do que faz�-la.
Essas m�sicas s�o m�sicas pop americanas cl�ssicas.
Por que elas n�o eram tocadas nas r�dios? Por que n�o eram?
LONDRES, V�SPERA DE ANO-NOVO, 1977
Na primeira descri��o que fizeram de n�s, nos chamaram de punks, uma banda punk.
Foi a� que come�ou. Depois disso, nos chamaram de punk.
Tommy era nosso porta-voz naquela �poca. Ele dava a maioria das entrevistas.
Ele achava que era importante que a banda acontecesse com um ar inteligente,
porque t�nhamos uma imagem de imbecis.
Ent�o, tentamos manter as entrevistas basicamente comigo e com ele.
Eu n�o era muito amig�vel, n�o estava querendo falar com ningu�m;
ent�o, isso ficou com ele.
Era a banda do Johnny. Johnny era o empres�rio interno.
Ele era o disciplinador,
e era assim: "N�o querem tratar um assunto importante com Dee Dee. "
Dee Dee � muito inteligente, mas Dee Dee � problema.
Ele vive para ser problema.
Ele vive para ser aquele garoto horr�vel de seis anos de idade.
E Joey era problema.
Ele era t�o fr�gil, estava sempre adoecendo, n�o conseguia descer escadas...
Johnny era problema. Ele socava a cabe�a do Dee Dee depois do show se ele errasse.
Todos eles eram problema.
� uma banda. Quero dizer, voc� sabe, � rock'n'roll.
Toc�vamos t�o alto, e os amplificadores n�o davam conta...
mas agora temos estes amplificadores
que... eles... realmente...
funcionam.
Podemos for��-los. Poder�amos explodir este lugar se quis�ssemos.
Armar�amos tudo.
Os Ramones estavam todos loucos.
Imagine estar numa van com Dee Dee, Johnny e Joey para sempre.
Passei muito tempo na van, e, deixe-me dizer, n�o foi divertido.
Eu estava na porra da van: "Vamos, Joe, temos de chegar a Buffalo hoje."
Ele descia os degraus
e voltava porque n�o tinha pisado em todos os outros degraus, algo assim.
Ele era... supersticioso, mas ia al�m. Era um comportamento compulsivo.
Ele tocava todas as estacas na...
Se fosse atravessar a rua,
voltaria, come�aria a atravessar a rua...
Lembro que cada um se sentou com sua namorada.
Connie e Dee Dee estavam l�.
E Johnny dizia: "Ela � uma porca. O que est� fazendo com ela?
"O que est� fazendo com uma porca?"
Somente provocando Dee Dee.
E Dee Dee come�ou a perder a cabe�a
e sacou aquela enorme faca 007, uma faca de gravidade.
E eu estava entre eles.
Dee Dee estava se jogando com aquela faca enorme para apunhalar...
Johnny dizia: "Vai me matar?"
Em rela��o aos neg�cios, Johnny era muito inteligente.
Ele sabia como administrar aquela organiza��o e os neg�cios,
e todos os aspectos de garantir que o grupo tivesse certas regras e as respeitasse,
o que eu respeitava muito.
Sua personalidade era uma droga.
Ele era controlador...
N�o sei, tinha uma personalidade controladora.
E dif�cil.
Ele s� estava tentando...
tirar vantagem de uma situa��o �nica na vida.
Ele tentava ser adulto a respeito disso.
E n�s �ramos realmente desequilibrados. Isso o deixava furioso.
Ele era muito desagrad�vel,
e, al�m disso, n�s o provoc�vamos para se tornar um monstro.
Se estou cuidando das coisas como um sargento, nem todos ag�entam isso.
Mas � preciso haver algu�m para tomar as decis�es. Algu�m tem de fazer algo,
sen�o ficamos todos patinando.
Acho que ele tamb�m fez muitos sacrif�cios pela banda.
Ele teve de ag�entar muita provoca��o.
Acho que o comportamento de todos da banda o ofendia.
Ele n�o queria que ningu�m usasse drogas.
Eu tamb�m n�o queria obedecer a algumas de suas regras o tempo todo.
E acho que os Ramones realmente tiveram de obedecer.
Dee Dee sempre manifesta frustra��o por ter ficado preso ao corte de cabelo "penico".
Ele queria se vestir de maneira diferente e ter o cabelo punk rock.
Acho que Dee Dee se sentiu muito frustrado com aquilo,
porque ele veio daquele visual Jerry Nolan/Johnny Thunders,
vestindo-se de maneira mais estilizada e tal.
Ao inv�s disso, tinha de ter uniforme, havia a imposi��o: "Eis seu uniforme. Vista-o."
A m�sica "Chinese Rocks" foi feita porque Dee Dee a tinha composto
e Hell tinha escrito um dos versos.
Os Ramones n�o queriam fazer m�sicas sobre hero�na
e n�o gostavam que Dee Dee andasse com Johnny, Jerry e Hell
porque eram viciados.
Ficaram irados quando descobriram que ele estava andando com os Heartbreakers.
Mas t�nhamos um relacionamento de viciados.
N�o pens�vamos em tocar guitarra quando est�vamos juntos.
Os Heartbreakers tinham como foco as drogas,
e acho que Dee Dee teria gostado de fazer parte dos Heartbreakers.
N�o seria �timo estar numa banda de viciados
e n�o com caras que colecionam cart�es de beisebol?
Como se sente em rela��o �s bandas que voc�s de fato inspiraram,
como Blondie, que comercialmente ofuscaram voc�s? Isso os deixa furiosos?
N�o. Eles escolheram essa maneira de tocar disco music.
Fazemos aquilo em que acreditamos, temos nossa integridade
e estamos felizes fazendo o que estamos fazendo.
L� pelo terceiro ano, para mim, as coisas come�aram a ficar claustrof�bicas.
Tommy deixou a banda. N�o sei bem por qu�.
Acho que ele n�o gostava das turn�s, queria ser produtor.
Eram dois mundos diferentes. No est�dio, eu estava no controle, criando.
Na estrada, eu era tipo um passageiro,
basicamente sendo mandado e n�o sendo bem tratado, na verdade.
Senti que estava enlouquecendo.
Eu explicava �s pessoas: "Acho que estou enlouquecendo",
e elas achavam isso interessante, certo?
A op��o era eu ficar na estrada e me tornar um vegetal
ou ajud�-los a compor m�sicas, produzir os discos,
o que achei que seria mais produtivo, e buscar outro baterista.
Ficamos chocados e tentamos convencer Tommy a ficar.
"O que faremos sem Tommy?" Isso era uma grande coisa.
Mas Tommy nos convenceu de que n�o seria problema, era s� achar um baterista melhor.
"Est� bem, �timo."
Fui aos ensaios deles,
e Tommy Ramone sentou atr�s de mim, mas John me disse para ficar alerta.
Sabia o que ele queria dizer, as can��es vinham uma atr�s da outra,
o que era impressionante. Nunca vi aquilo na vida.
Imediatamente fiquei inseguro.
� verdade? Esses s�o mesmo os Ramones?
Quem s�o os Ramones?
Tommy nunca foi realmente aceito como um Ramone entre os outros tr�s,
pois ele demonstrava uma fachada muito conservadora
para o resto de n�s.
Eu sabia que Tommy era totalmente maluco.
Ao mesmo tempo, havia certas coisas que eram t�o maravilhosas nele
que eu jamais conseguiria ser como ele.
Reconheci isso e n�o gostava daquilo em mim.
Tommy era o tipo de cara
que comprava batatas e hamb�rgueres para fazer uma refei��o para si mesmo.
Aos 21 anos de idade, � uma coisa bem legal de se fazer,
melhor que consumir drogas e fritas.
Tommy era importante para o som, n�o acha?
N�o.
Qualquer m�sica gravada com bateristas diferentes, baixistas, vocalistas,
sempre soaram como os Ramones.
Ele era muito importante para o som da banda, n�o acha?
N�o.
N�o mesmo. Acho que Tommy estava no lugar certo na hora certa.
Mas da� a ele poder levar a fama disso,
ou o cr�dito art�stico, ou qualquer coisa, esque�a.
D� um tempo.
N�o � verdade.
De "Rocket To Russia" a "Road To Ruin", levamos muito tempo fazendo aquele disco.
Queriam fazer um grande disco que fosse comercialmente vi�vel...
Engenheiro
...que alcan�asse um p�blico mais amplo.
Tommy me disse, quando estavam produzindo "Road To Ruin",
que, se esse disco n�o tivesse um sucesso,
nunca ter�amos um.
Joey sempre achou que o disco seguinte seria o disco de sucesso deles.
Ele era um eterno otimista.
- Tommy era muito realista. - A gravadora n�o vendia os discos.
Ent�o, quem v�o culpar?
N�o v�o culpar a si mesmos porque n�o conseguem vender a coisa;
ent�o, deve ser culpa do produtor.
Produzido por Tommy Erdelyi e Ed Stasium
Chamaram-me para fazer "Rock'N'Roll High School", fui para Los Angeles gravar as faixas
e pensei mesmo que Tommy estaria l�.
E nada do Tommy.
Tommy estava no controle de tudo.
Eles iam me ouvir, mas eu ia discutir com Tommy.
Desde que eu concordasse com o que Tommy achava que dev�amos fazer,
Dee Dee ia em frente.
E o Joey?
Ele tinha pouco a dizer, estava mais quieto nessa �poca.
No come�o, Joey n�o falava muito.
Estava aproveitando o sucesso que estavam tendo.
Foi uma continua��o de sua timidez e inseguran�a.
Ele n�o tinha um entendimento completo nem do que era a concep��o dos Ramones.
Ele n�o tinha mesmo muita coisa a dizer
e n�o tinha certeza se devia falar ou n�o,
porque n�o era seu papel.
Ele parecia um cara compreensivo e inofensivo.
Um dia, eu o vi mudar, na Fran�a, numa passagem de som,
quando Tommy estava na banda.
Ele ficou furioso por Tommy ser o porta-voz da banda.
Acho que o Joey se sentiu como se tamb�m tivesse algo a dizer.
Porque Tommy controlava o que Joey ia dizer nas entrevistas.
Ele foi sempre ignorado na maior parte de sua vida.
Agora, que ele finalmente est� conseguindo alguma aten��o,
voc�s p�em caras lhe dizendo: "� isso que voc� deve dizer.
"N�o fale sobre isso."
Acho que Joey come�ou a se rebelar. "Quem s�o voc�s para me dizerem o que devo dizer?"
Como Tommy n�o est� mais na banda, Joey come�a a manifestar sua opini�o.
N�o temos mais o Tommy
para ser nosso escudo e decidir o que devemos fazer e o que � certo.
Isso se tornou um problema.
Quando fizemos o disco do Phil Spector, foi quando conheci o velho Phil.
Ele foi meu companheiro de bebida em Los Angeles
nas cinco semanas que passamos l� fazendo "End Of The Century".
Algu�m tem de conseguir fazer algo com essa banda
que todos dizem que devia ser a maior banda do mundo.
Talvez Phil Spector.
Eu era o maior f� de Phil Spector. Ele era um her�i para mim.
"All Things Must Pass" e especialmente as coisas que fez com Lennon eram cruas.
Phil queria mesmo fazer o disco dos Ramones.
Ele estava convencido de que seria o maior disco da carreira deles.
Seria o No. 1. Ele me levou ao seu escrit�rio, olhou para mim
e disse: "Este ser� o maior disco de todos."
Ele estava convencendo a si mesmo. Ele tinha um olhar insano ao falar disso.
Joey era f� do Phil Spector da �poca em que t�nhamos nove, dez, onze anos de idade.
Todos os discos, mesmo antes de saber que eram produzidos por Phil Spector,
n�s compr�vamos,
e s� depois fomos saber que era Phil Spector quem tinha produzido todas aquelas bandas,
que as tinha organizado, composto as m�sicas.
Phil Spector era seu �dolo.
Para mim, a m�sica de Phil era como um come�o do punk rock � sua pr�pria maneira,
pois Spector estava sempre na vanguarda.
Acho que Phil amava o Joey. Tinham um bom relacionamento. Joey � um �timo cantor.
Acho que Phil viu no Joey toda a influ�ncia das primeiras coisas dele.
Acho que Johnny sabia que aquilo era um erro.
O cara � produtor. Os produtores n�o s�o nada.
Ele fez uns bons discos nos anos 60. Grande coisa.
O que tinha feito ultimamente? O cara n�o tinha produzido um sucesso fazia 15 anos.
M�sicos de Phil Spector E Amigos Pessoais
Phil n�o � assim: "Vou fazer de voc�s os Beatles",
� tipo: "Cara, voc� � rock'n'roll, conhece as coisas de Nova York, entendo voc�."
- Est� bem. - "Vamos fazer um disco."
"S�o os Ramones, sou Phil Spector, voc�s ser�o voc�s, eu serei eu, e faremos um disco."
O trabalho de Joey com Phil Spector ajudou-o a superar as inseguran�as que tinha
mais do que qualquer outra coisa que aconteceu em sua carreira.
Ele estava interessado no poder da banda e nos vocais do Joey.
Dedicou muito tempo ao Joey nos vocais.
Ele ficava fazendo aquilo a reuni�o toda, antes que fal�ssemos: "Joey, Joey."
Ele nos tratava como se nem estiv�ssemos l�.
Phil Spector nos convidou para ir � sua casa.
Foi assim: "�timo, vamos ver como �."
DJ de Los Angeles
Phil gostava de fazer suas prega��es, contando hist�rias sobre o rock'n'roll.
Joey � fan�tico por rock and roll.
Depois, come�ava a delirar e p�r filmes de horror estranhos, coisas assim.
Quer�amos ir embora, mas ele n�o queria que f�ssemos.
Ele disse: "Voc�s t�m de ficar aqui."
Ele tinha armas na casa.
PERIGO - C�ES DE GUARDA
Numa certa hora, Phil puxou sua arma.
Todos mergulharam atr�s do sof�.
Ele nos manteve ref�ns por um tempo l�.
Veja isto: Os Ramones, uma banda de garagem, brilhante, atual,
e, de repente, se v�em trabalhando com um produtor profissional s�rio,
s�lido, da mais alta estirpe.
Ele tinha uma pequena arca do tesouro do lado dele.
Num refrigerador. Ele tinha algum tipo de vinho l�. Num porta-garrafas t�rmico.
Nesse momento, Phil estava bebendo,
eu estava bebendo, Dee Dee estava tomando drogas,
e... havia muitos conflitos de personalidade durante essas reuni�es.
Phil os fazia tocar uma nota umas 60 ou 70 vezes.
O pesadelo daquele primeiro acorde de "Rock'N'Roll High School".
Fizemos duas grava��es e entramos para ouvir.
Phil tocou, acho que eu contei, umas 160 vezes.
Para Johnny, aquilo devia ser como a tortura chinesa da �gua.
Ent�o, fizemos o acorde, e ele andando pela sala por tr�s horas, xingando.
Ele parava a fita, batia o p� no ch�o e dizia: "Merda, droga, porra.",
sabe l� Deus por que raz�o.
Voltava, tocava o acorde de novo, andava por mais tr�s horas,
xingando o engenheiro.
Isso continuou por 12 horas.
CASTIGO
DIRETOR
At� o engenheiro teve um enfarte naquela �poca.
Foi muito estresse fazer aquele disco.
N�O DOU A M�NIMA PARA HIST�RIA...
Depois de tr�s dias daquilo,
Johnny decidiu que j� bastava e que n�o ag�entava mais.
"Vou dar o fora daqui, vou no pr�ximo avi�o para Nova York. Tchau."
"N�o. Voc� n�o vai a lugar algum."
"O que vai fazer? Vai atirar em mim, Phil? Fa�a isso. N�o me importo. Estou indo. "
� um homem pequeno com uma peruca na cabe�a e quatro armas.
� um babaca com todo mundo, trata todo mundo mal.
Relutantemente concordamos em fazer o disco com ele pois achamos que poderia nos ajudar.
Quando fizemos a mixagem,
para mim, era somente mais uma mentira.
Achei que n�o era o grande disco que podia ter sido.
Quando ouvimos, eu particularmente n�o gostei do som da bateria.
Dee Dee odiou,
mas acho que as m�sicas eram muito boas.
Acho que Phil fez um bom trabalho,
considerando a situa��o de poder que ele exercia.
"End Of The Century" representa o tipo de m�sica pop de que Joey gostava muito,
que queria fazer e que queria ver os Ramones fazendo.
Era mudar do puro punk rock pesado
que Johnny odiava ver acontecer.
Johnny queria que fosse o primeiro disco cl�ssico dos Ramones para sempre.
N�o � culpa de ningu�m termos sido jogados nisso e tentado fazer o melhor,
mas aquilo deu in�cio � ruptura e � separa��o.
PRODUZIDO POR PHIL SPECTOR
Fizemos um disco com Phil Spector. Era a nossa grande oportunidade.
E, novamente, n�o vendemos os discos.
Naquele momento, soube que finalmente aceitei que n�o vend�amos discos.
Vamos simplesmente tentar manter nossa carreira e continuar a ganhar dinheiro.
S� um emprego, vamos fazer o melhor que pudermos, deixar nossos f�s contentes,
n�o decepcion�-los.
E n�o se preocupar com isso. Aceitar.
� seu objetivo na vida.
O contrato de Danny Fields & Linda Stein como empres�rios n�o foi renovado.
Ent�o come�amos a colocar mais press�o.
"Graham Gouldman, trabalhar com Graham Gouldman?
"Ele est� com o 10cc, devia estar produzindo um disco dos Ramones? � rid�culo."
Sempre achei que trabalh�vamos melhor para o Tommy.
Acho que ele sempre via o que dev�amos fazer e via com clareza.
Acho que a banda ficava mais centrada. Joey tinha problemas com ele.
Ele come�ou a se indispor com muita gente depois de um tempo, como com o Tommy.
Depois, com muitos amigos de Forest Hills com quem crescemos,
e ele n�o queria ser lembrado do passado, dos dias ruins
quando era um jo�o-ningu�m.
Ele precisava esquecer isso,
precisava apagar tudo isso para ser aquele personagem Joey Ramone,
para ter for�a e confian�a.
Estava se construindo uma luta de for�as entre voc� e o Joey?
Suponho que sim.
J� havia uma luta de for�as na banda quando Tommy saiu?
- Responda, v� l�. - Acho que sim.
- O que significa luta de for�as? - Somente responda.
N�o tenho certeza do que estava ocorrendo, � mais f�cil olhar do lado de fora.
- Quando Tommy saiu. - Voc�s estavam no poder at� certo ponto.
Voz de Linda, esposa do Johnny
Eu assumi quando Tommy saiu?
Havia uma luta de for�as entre mim e Joey?
Mais tarde.
Mas n�o acho que ele queria estar no poder, acho que queria ser tratado como igual.
Est� bem.
Mas voc� reparou, naquele momento,
que Joey estava come�ando a sentir que podia ter uma vida fora dos Ramones?
Sim. E por que ele n�o devia ter?
Isso � normal. Todos precisam de uma fantasia de escape.
Mas �ramos todos trabalhadores,
eu n�o via Joey trabalhando mais do que eu, John ou Mark,
que voc� pudesse achar que o restante do grupo fosse, voc� sabe...
Havia outras coisas acontecendo, mas n�o posso falar sobre isso.
Marky e Dee Dee disseram que algo aconteceu com uma garota.
- Certo. - � verdade?
Bem, algo aconteceu, sim. Voc� sabe.
Quer falar sobre isso?
Bem, sim, eu... O que quer que eu diga?
Joey estava com uma garota e John roubou-a dele.
� a vida, as coisas acontecem e seguimos em frente.
Voc� n�o guarda ressentimento por uma pessoa da sua banda
por 18 anos, 17 anos.
H� muitas garotas no mundo.
Joey era muito rom�ntico, da� todas as can��es de amor.
Acho que ele realmente idealizava o amor,
queria se unir a essa garota
e viverem felizes para sempre.
Foi o primeiro relacionamento s�rio que ele teve,
e, de repente, ela vai embora com o seu guitarrista.
Ele compunha, e comp�s muitas m�sicas boas,
"She's A Sensation", todas elas.
Muitas foram compostas sobre Linda,
e ele estava realmente apaixonado por ela.
Ele gostava do fato de ela ter um ar estonteante.
Isso o fez aparentar mais um astro do rock.
Infelizmente, eles nunca resolveram esse assunto.
N�o consigo ver isso como proposital, pois eles continuavam juntos;
ent�o, tinha de haver mais coisas
do que a coisa t�pica que acontece com as bandas,
em que os parceiros ficam enciumados de o vocalista receber mais aten��o,
e a� v�o roubar a namorada dele. N�o foi isso.
Obviamente a natureza seguiu seu curso e Linda e John se apaixonaram um pelo outro,
mas isso foi, eu acho, provavelmente o maior rompimento
que eles dois tiveram.
E nunca falaram sobre isso, s�rio.
Ele teve tanta inspira��o, artisticamente, por meio dessa mulher,
e depois foi isso.
Ent�o, tudo desabou sobre ele e ele perdeu a namorada.
E provavelmente seu sonho, sua ambi��o.
O fato de John nunca ter falado com Joey sobre isso, nem Linda,
deu-lhe a sensa��o de que eles n�o se importavam com o que ele estava sentindo.
Acho que isso foi realmente o que o magoou mais.
N�o me lembro de nenhum confronto direto, mas a raiva estava l�.
Isto era estranho: Eles ficavam juntos, mas se odiavam.
Linda era uma grande lembran�a de que ele era esquisito,
de que n�o conseguia ter seu grande amor,
e ela ia se casar com Johnny, seu pior pesadelo.
Criativamente, acho que isso o ajudou, pois ele comp�s algumas m�sicas sobre isso.
Acho que foi por isso que Joey comp�s a m�sica "The KKK Took My Baby Away".
Tire suas pr�prias conclus�es.
Ou�a a m�sica atentamente.
ELA PARTIU DE F�RIAS
DISSE QUE IA PARA L.A.
ELA NUNCA CHEGOU L� ELA NUNCA CHEGOU L�
ELA NUNCA CHEGOU L�
DIZEM QUE A KKK LEVOU MINHA GAROTA
ELES A LEVARAM, ELES A TIRARAM DE MIM
A KKK LEVOU MINHA GAROTA
ELES A LEVARAM, ELES A TIRARAM DE MIM
Na van da turn�, sempre ficava um sil�ncio, ningu�m falava nada.
Eu contava uma piada, e todos riam.
Porque eu n�o ag�entava aquilo, ent�o tinha de animar a situa��o,
criar um ambiente bem-humorado.
Um dia, joguei uma cabe�a de peixe da janela de um hotel
na piscina, as pessoas nadando, aquilo foi engra�ado.
Ele era sempre muito divertido.
Mas tinha seus problemas. Ele bebia muito naquela �poca,
e a �nica vez que faltaram a um show foi por causa dele.
Eu sempre conversava com John e Dee Dee, mas ningu�m me telefonava.
Mas acabei recebendo o telefonema.
Johnny Ramone estava farto,
disse: "Mark, voc� estragou tudo", e me expulsou da banda.
Tentei recuperar a banda com "Too Tough To Die"
e lev�-la de volta ao seu som.
Recebi um telefonema de Dee Dee, de todo mundo.
Eles disseram: "Gostaria de trabalhar conosco?"
Eu disse: "Claro."
Eles tinham mudado muito,
j� estavam come�ando a ter seus pr�prios espa�os, o que era algo novo para mim.
Tinham um novo baterista.
Entrei, toquei tudo duas vezes mais r�pido.
Chegou ao ponto em que um show de uma hora e 15 minutos durava 56 minutos.
Eles disseram: "Espere, n�o estamos tocando tempo suficiente." Est�vamos r�pidos demais.
Sempre nos choc�vamos com eles mais � frente.
Lembro que encontrei Johnny Ramone e ele me disse: "Est� dois minutos mais r�pido."
Eu disse: "O qu�?" Ele: "Nosso show est� dois minutos mais r�pido do que em abril."
Eu disse: "Meu Deus."
Aprendi isto com os Ramones:
Aquela pancada. Acabamos esta m�sica. Onde est� a pr�xima?
"Pois h� pessoas assistindo e elas t�m coisas a fazer.
"� um mundo agitado l� fora. Tem de dar isso a elas."
Os anos 80 foram dif�ceis. �ramos a �nica banda fazendo isso.
Voc� continuou a fazer isso porque...
n�o sabia fazer mais nada.
Mas sab�amos que, nos anos 80, n�o havia chance.
A MTV n�o tinha arquivos de v�deos no come�o.
Eles eram gratos por qualquer coisa.
Ent�o, se lhes desse um v�deo dos Ramones, eles o exibiriam.
Assim que ficaram mais empresariais, os Ramones foram expulsos.
Acho que a MTV destruiu a m�sica.
Eles come�aram a se ver um pouco como deuses.
Se voc� n�o tivesse um v�deo de meio milh�o de d�lares, n�o seria exibido.
Est�vamos por nossa pr�pria conta. Sim, um per�odo dif�cil.
Ainda continuavam a ir assistir ao show.
� �timo estar aqui em New Hampshire esta noite,
tocando para pessoas fren�ticas como voc�s.
Gostar�amos de dedicar esta m�sica ao Kev.
No dia seguinte, Richie sai da banda...
N�o... nunca soube por que motivo, ele simplesmente saiu da banda.
Veja o que os Ramones eram.
Eu era Richie Ramone quando voc�s queriam que eu fosse,
mas era s� um empregado quando voc�s queriam que eu fosse.
A venda das camisetas deu muito dinheiro.
Quando veio o dinheiro das camisetas, eu n�o era um Ramone.
Isso depois de cinco anos. Achei que me deviam.
Achei que eu devia receber um pouco do dinheiro das camisetas, qual o problema?
Gostar�amos de apresentar-lhes nosso mais novo membro:
Marky Ramone, sim.
� com voc�, Dieter.
Uma coisa importante nos Ramones era que eles eram trovadores.
Estavam constantemente na luta, viajando pelo mundo.
N�s os v�amos como algo certo porque estavam sempre l�,
sempre eram �timos, eram sempre os mesmos.
N�o importava quanto tempo passasse,
parecia que eles estavam presos em alguma bolha do tempo em que n�o mudariam.
Os modismos vinham e iam,
e voc� ia ver os Ramones e pensava: "Em que ano estamos?"
L� est�vamos n�s, umas crian�as, e os discos deles chegaram a n�s
num lugar em que n�o nos encaix�vamos.
Todos, quando ouvem os Ramones,
pensam: "Uau. Finalmente uma banda para n�s."
Se s� tivesse admirado virtuoses quando crian�a,
eu jamais teria come�ado.
Descobri os Ramones, e deu um estalo na minha cabe�a:
Aquela m�sica era algo que eu podia fazer.
N�o havia par�metros depois dos Ramones.
Tudo o que precisava fazer era ser voc� mesmo,
e aquilo me deu muita auto-estima quando eu precisei, e autoconfian�a.
Ent�o, voltei, eu estava s�brio, e as coisas estavam bem,
a n�o ser a tens�o entre Johnny e Joey, que ainda estava l�.
Pensei: "Jesus Cristo, quanto tempo vai ficar agarrado a essa merda?"
Mas Joey guardava aquilo, n�o deixava aquilo passar.
Joey nunca esqueceu aquilo.
Joey podia levar um ressentimento como um elefante nunca esquece.
Dee Dee, quando finalmente sa�, tamb�m queria sair,
e acho que ele conseguiu ficar mais um ano, algo assim,
e fazer shows como DJ ou rapper.
Dee Dee se tornou um rapper por um tempo, um dos primeiros rappers brancos,
e come�ou a se vestir com roupas de rapper antes de p�r as roupas dos Ramones.
Fomos a Washington,
e ele estava no avi�o, usando um moletom e uma corrente grande de ouro.
Estava parecendo um rapper.
Olhamos para ele e dissemos: "O que...?" John ficou furioso.
Foi grotesco.
Ele come�ou a falar como um rapper, como um negro.
Quando Schoolly D lan�ou aquele disco, se voc� perguntasse: "Que horas s�o?",
"� a hora Gucci."
Entendi aquilo. � superar a opress�o, sabe,
um negro poder comprar um rel�gio Gucci. �timo. Tamb�m sou negro.
Senti a mesma empolga��o quando pude comprar um rel�gio Gucci,
e gastei muito dinheiro, como um fora-da-lei.
N�o acho que valesse a pena lutar, o disco n�o era bom mesmo.
N�o sabia fazer rap, estava tentando. N�o sei como, n�o sou bom nisso.
N�o sou negro nem nada, n�o sei o que �.
Eu queria fazer.
Dee Dee Ramone diz que saiu do grupo nova-iorquino embrion�rio do punk.
Numa entrevista para a MTV,
Dee Dee nos disse que as turn�s constantes dos Ramones colocavam em risco sua sa�de
e a vontade de parar com as drogas e o �lcool.
Tamb�m disse que estava abalado com seu div�rcio recente
e que estava entusiasmado em dedicar tempo integral � sua banda de rap, Strength.
Um porta-voz dos Ramones esperava que Dee Dee mudasse de id�ia,
j� que ele tinha dito que ia sair v�rias vezes antes.
Eu estava doente, estava bul�mico e anor�xico.
Ningu�m diria,
pois estava tomando tantos antidepressivos, que ficava inchado por causa deles.
E eu estava morrendo.
Mussolini dormiu aqui por duas noites.
Quero ir para casa.
Eu tinha de fazer aquilo. Era sofrimento demais.
Joey estava bebendo demais.
Finalmente eu disse: "Tenho de melhorar."
Eu me sinto um pouco magoado com isso
porque eu e Dee Dee sempre discutimos...
"Vamos fazer isto at� que n�s dois decidamos que n�o queremos mais."
Dee Dee era o principal compositor.
Quando ele saiu, senti como se fosse Paul McCartney saindo dos Beatles.
Como substituir um cara como Dee Dee Ramone?
Voc� pode, fisicamente, colocar algu�m no lugar dele,
mas n�o ter� a mesma
aura, imagem e qualidade de composi��o que tinha com Dee Dee Ramone.
Ent�o comecei a pensar positivo.
Todos ao meu redor me dizendo:
"Voc�s t�m de se separar, n�o podem tocar sem Dee Dee."
"O que quer dizer? Estou procurando outra pessoa, s� isso.
"Separar? Est� maluco? Separar porque Dee Dee saiu?
"Vou simplesmente aceitar a derrota e perder?"
Naquele momento eu estava determinado a provar a todos que estavam errados.
Era assim: "Est� bem, vamos encontrar um Dee Dee jovem, um clone do Dee Dee."
E aquele ali � o Johnny Ramone.
E esse � o Joey.
- E esse � C.J., nosso novo baixista. - Consegui.
� uma �poca emocionante com C.J. Na banda
e Dee Dee saindo... tendo deixado a banda.
Na verdade, acho que ele nos fez um grande favor ao deixar a banda.
C.J. Era �timo, era como um sopro de ar puro quando entrou no grupo.
� com voc�, C.J.
No come�o, mantive-me calado e s� assisti,
porque, se ia sobreviver na banda,
tinha de entender a din�mica de relacionamento entre os caras
e tinha de ter algum tipo de relacionamento com cada um deles.
Era muito estranho, pois Johnny � ultra conservador
e Joey � ultra liberal.
Politicamente, est�vamos em lados opostos.
- Voc� sempre foi de direita? - Eu? Sim.
Provavelmente desde os 10 anos de idade.
Fui defensor do Nixon em 1960.
J� o Joey acabou se tornando um judeu nova-iorquino de esquerda...
judeu de esquerda.
Ele estava presente em todas as campanhas tipo Salve os Namibianos Famintos,
ruandeses, burundienses, o que seja.
Estamos aqui em apoio a Jerry Brown.
Ele aborda os temas, entende os problemas
e � corajoso e firme o suficiente para desafiar, n�o s� o governo Bush,
mas toda a estrutura pol�tica norte-americana.
Esses caras eram o oposto um do outro, um casamento de completos opostos.
Mas tinham uma coisa em comum. Sabiam que eram os Ramones.
O que foi? Por que n�o votou no ano passado?
Se acha que n�o se inscrever deixa os pol�ticos preocupados, esque�a.
Muitos deles n�o querem que voc� vote. � por isso que dificultam tanto o "inscrevimento".
Dificultam o qu�?
Washington, do que voc� tem medo?
DEFENDA O VOTO
Eu gostava de verdade do Joey
e o respeitava muito,
mas Johnny sempre foi uma esp�cie de figura paterna para mim,
e era dif�cil ter uma amizade com ele.
Eu e Joey come�amos a desenvolver um bom relacionamento,
come�amos a ser amigos,
e acho que foi quando Johnny realmente n�o gostou muito de mim
por um tempo ali.
N�o � que ele n�o gostasse de mim ou o que fosse,
talvez ele estivesse frustrado por n�o conseguir me entender.
Na verdade, uma vez, Joey estava doente, e est�vamos fazendo um show atr�s do outro.
Era inverno e est�vamos na van.
Eu disse ao Joey: "Por que voc� n�o fala alguma coisa?
"Por que n�o diz simplesmente que n�o consegue fazer isso?
"Sabe o que quero dizer? A agenda desta turn� � absurda, cara."
Na manh� seguinte, Johnny estava dizendo:
"Quem voc� pensa que �? Mantenha sua boca fechada e fa�a o que o mandarem fazer."
Sabe quando voc� fica t�o furioso que suas l�grimas come�am a descer?
Era desse jeito que eu estava.
Obrigado.
Acho, sinceramente, para falar a verdade, que era como o Johnny sabia fazer aquilo.
Voc� vai em frente, vai em frente e n�o d� uma tr�gua.
Voc� simplesmente vai, vai, vai, vai, vai.
Talvez fosse s� isso que Johnny soubesse fazer.
Johnny era a cola.
Ele cuidava da parte financeira da banda na estrada. Ele era dur�o.
Joey respeitava Johnny pela sua perspic�cia para os neg�cios.
E Joey tinha dinheiro.
A qualquer momento nesses 20 anos que Joey quisesse sair, ele podia.
Mas ele n�o saiu.
Ele precisava da droga, da droga que � ser um dos Ramones.
Quando voc� sobe no palco, � um outro mundo,
e nada mais importa, h� toda uma outra euforia.
� por isso que eles permaneceram juntos.
Os Ramones realmente s�o... � pura e sincera energia,
e ela � passada de gera��o em gera��o.
O tipo de f�s que temos n�o s�o s� de um tipo de pessoa,
s�o os garotos do metal e do alternativo e as pessoas de todas as idades.
Na Am�rica do Sul, eram como os Beatles, era incr�vel.
Al�m disso, vamos receber os Ramones.
Era uma loucura. Voltando ao aeroporto,
os garotos nos seguiam em carreatas,
pendurando-se nas janelas, coisas assim.
Est�o quebrando a porra do vidro.
R�pido, r�pido, r�pido, vamos, vamos, vamos.
Que porra � essa?
- Caramba. - Jesus Cristo.
Sempre acontece alguma porra.
As coisas eram ruins por l�.
O Brasil � um pa�s onde h� um milh�o de crian�as abandonadas no Rio,
ficam cheirando cola e roubando as lojas;
ent�o, os comerciantes contratam esquadr�es da morte para matar as crian�as.
Isso � pesado.
E caras como os Ramones ajudam esses caras a se expressar um pouco,
uma pequena catarse da sua situa��o,
de t�o ruim que ela �.
� como Londres em 76. As crian�as n�o viam um futuro.
E, de novo, � a crueza da mensagem que esses garotos recebem.
Tocar no est�dio de futebol para 30.000 pessoas.
�timo. Voc� podia ver o que podiam ter se tornado nos outros lugares.
Voltar aos Estados Unidos e ter de tocar nesses clubes.
Era muito deprimente.
Acho que � um pouco mais duro para uma banda que foi o catalisador
e sempre parece que s�o os pioneiros que n�o recebem a gl�ria completa.
S�o as bandas que v�m depois porque tocam um pouco diferente
ou acomodam o som e assim abrem caminho,
ou t�m um pouco mais de atua��o comercial, esse tipo de coisa.
Quando a m�sica alternativa come�ou a estourar, era nossa chance de parar,
mas est�vamos bem l� na entrada.
Al�m disso, havia todos, do Nirvana ao Soundgarden proclamando:
"Sim, os Ramones, os Ramones." Rancid, todas as bandas que vendiam muito.
�ramos compat�veis com essas bandas e n�o pod�amos vencer isso.
Acho que foi o ponto em que eles pensaram: "Estamos acabados."
FM1063 no litoral de Jersey.
Todos est�o fazendo esta pergunta, vamos enfrent�-la logo.
"Adios Amigos" � o t�tulo porque voc�s supostamente est�o se separando.
H� um papo na internet de que n�o � verdade.
N�o, n�s... Esta provavelmente � nossa �ltima apresenta��o nesta �rea.
Fizemos um acordo, estamos fazendo isso h� 21 anos
e, voc� sabe, tem sido �timo e tudo o mais,
mas vai ser nosso �ltimo disco, um disco de est�dio,
e a banda vai tipo...
Estamos chamando de aposentadoria provavelmente l� para fevereiro.
�LTIMO SHOW (No. 2262) HOLLYWOOD, 6 DE AGOSTO DE 1996
Obrigado.
Muito estranho no final do �ltimo show.
Simplesmente mudei de roupa e fui embora.
Despediu-se de algu�m?
N�o que eu me lembre. Talvez tenha dito: "At� mais." N�o sei.
Agosto de 1999 Bastidores, Show de Conan O'Brien
Joey tirou tudo o que estava errado nele e deixou bonito,
o que acho que � a maior coisa no Joey.
E toda a filosofia do punk,
voc� pegar tudo o que h� de ruim, dar-lhe gl�rias e torn�-lo uma coisa boa.
Mas ele era para milhares, centenas de milhares de milh�es de pessoas,
um libertador.
Ele as libertou
de seu pr�prio sentimento de fracasso, de falta de aceita��o.
Joey foi um her�i
porque ele venceu as adversidades,
triunfou sobre a imbecilidade
e deu in�cio a um alien�gena
no mundo em que foi criado.
Joey Ramone, Influenciador do Punk, Morre aos 49 anos
Joey nunca foi uma pessoa saud�vel,
mas foi uma das pessoas mais fortes que eu conheci.
Joey perde a batalha contra o c�ncer aos 49
Ele conseguia lutar contra qualquer coisa e contra tudo o tempo todo.
Ent�o, voc� sabe, tinha-se a impress�o de que ele ia durar para sempre.
Ele estava completamente convencido de que ia viver.
Estava completamente convencido.
Quatro dias antes de morrer, recusava-se a ser alimentado por tubos pela garganta
porque n�o queria afetar suas cordas vocais.
Mas, nessa hora,
claro que n�o quis aceitar que ele n�o gostava de mim, que n�o era meu amigo,
que n�o se importava ou que pensava que eu tinha algo contra ele.
Eu colocava a culpa na m�e, no irm�o e no Arturo, em qualquer um, menos nele.
Ent�o, por que eu n�o podia ter tido uma �ltima conversa com esse cara?
Se voc� n�o se d� com algu�m, ent�o v�...
Eu n�o devia falar com ela, n�o sei, eu...
Vou ser do jeito como eu gostaria que as pessoas reagissem a mim.
Se eu n�o gostasse de algu�m, n�o ia querer que telefonasse se eu estivesse morrendo,
n�o ia querer que se arrependesse de n�o conversar comigo, estou feliz com isso.
Se estou acabado, � assim que vai ser.
Presumo, por causa da apar�ncia dele, que ele n�o quis que eu o visse naquele estado.
O que � muito doloroso para mim, pois, voc� sabe, eu queria falar com ele.
Sim, n�o, eu me importei, eu me importei. N�o podia ajudar, mas me importei.
Eu me importei.
Eu me perguntei: "Por que estou me preocupando tanto?", mas me importei.
Fiquei me perguntando aquilo. Estou deprimido a semana toda,
por que estou me sentindo assim? Eu realmente n�o me dava bem.
Isso me incomodou.
J� pensou por que foi isso, por que isso o incomodou?
Por qu�? N�o tenho certeza.
N�o sei se foi... N�o sei.
Por que... Eu me pergunto se � uma fraqueza interna, n�o sei.
N�o sei por qu�.
Ele � um membro dos Ramones, adoro os Ramones,
estamos nisso tudo juntos.
Mesmo que n�o nos d�ssemos bem, se algu�m fizesse algo com ele, eu o defenderia.
Se eu visse algu�m jogando algo nele, eu ia querer pegar essa pessoa.
Eu me importava porque tomava aquilo como um insulto aos Ramones.
Ent�o, dessa forma, est�vamos naquilo juntos.
Gostaria de agradecer a Seymour Stein tudo o que ele fez pelos Ramones,
por toda a nossa carreira.
Danny Fields, nosso primeiro empres�rio;
Gary Kurfirst, que nos empresariou nos �ltimos 22 anos;
e os f�s dos Ramones, que fizeram tudo isto valer a pena.
Deus aben�oe o Presidente Bush e Deus aben�oe os Estados Unidos.
Ol�, pessoal, sou Marky Ramone. Quero agradecer ao Johnny Ramone
ter me chamado para fazer parte dos Ramones,
e especialmente ao Tommy Ramone,
que come�ou com aquele estilo de bateria
que eu tive de dar duro para conseguir reproduzir.
E muito obrigado a voc�s.
Ol�, sou Dee Dee Ramone e...
Gostaria de dar os parab�ns a mim mesmo,
agradecer a mim mesmo e dar a mim mesmo um grande tapinha nas costas.
Obrigado, Dee Dee, voc� � maravilhoso, eu adoro voc�.
O que eles teriam feito sem mim?
O que eu teria feito sem eles? Nada.
Hall da Fama do Rock and Roll - 2002 Coquetel
Provavelmente estaria morto um milh�o de vezes. Os Ramones me salvaram.
N�o sei por que sou t�o amargurado. A coisa toda � que...
Bem, acho que � como uma vida horr�vel,
de alguma maneira.
N�o � f�cil estar numa banda de rock'n'roll.
- D� uma passada, est� bem? - Sim, eu vou.
Vou voltar e... Mande as novas datas.
Est� bem. Estou ensaiando para o Brasil.
Est� bem.
Oh, Deus, pobre Dee Dee.
Dois meses depois Dee Dee morreu de overdose de hero�na.
FIM DO S�CULO
A combina��o de CB e os Ramones foi m�gica;
ent�o � apropriado que Joey, o vocalista da banda,
d� nome a esta esquina.
Quatro, tr�s, dois, um...
Olhe, comprei isto.
� legal, estou feliz de ter comprado.
- Gosta do disco "Mondo Bizarro"? - Acho que n�o.
Deixe-me dar uma olhada.
Est� bem...
Certo, "Mondo Bizarro", n�o, n�o gosto mesmo.
Temos de atravessar a rua, ent�o...
Cuidado, Tommy.
Foi uma �tima tomada.
"Chicken Beat Boy" foi algo que inventei, eu acho.
Eu pulava pelas mesas e cadeiras, dobrava as costas,
balan�ava os bra�os e come�ava a cacarejar como uma galinha.
E isso era muito engra�ado.
Mas acho que, em fun��o da presen�a do �lcool e seus efeitos,
tinha muito a ver com "Chicken Beat Boy".
Ei, estou aqui. No mict�rio.
Tchau.
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