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Bourbon, para mim e para este patife.
O que � preciso para se ser um bom parceiro?
Coragem, lealdade e honestidade.
�s um parceiro a s�rio. Mostraste que tens tomates.
Ao melhor parceiro que algu�m poderia desejar.
� verdadeira amizade entre homens.
Vai atestando, Imke.
Ouve, mi�do, tu e eu
vamos apanhar a cabra da Lady Lovelyn.
Que palha�ada.
Estamos hoje aqui reunidos
para nos despedirmos da nossa querida Sugar Candy.
Como sabem, ela era como uma filha para mim.
Quando veio da R�ssia para c� h� alguns anos,
perseguida e humilhada,
encontrou uma fam�lia no Kitty.
E, em mim, uma m�e.
Era dotada.
Dei-lhe espa�o para brilhar, como ela merecia.
O auto-elogio � uma treta, n�o achas?
Agora o nosso anjinho partiu.
O assassino ainda anda � solta,
a rir-se por dentro.
E porqu�?
Porque a pol�cia n�o quer saber
que uma de n�s tenha sido assassinada a sangue frio.
Pelo contr�rio,
at� tentam culpar-nos a n�s, as v�timas.
Mas n�o vamos tolerar isso.
Somos barulhentas.
E somos muitas.
Cabra.
Chefe, o que fazemos agora?
Larga-me! Tira as m�os!
Vais examinar aquele pav�o preto.
Quero-a deitada � minha frente, depenada e s� de cuecas.
Tens de ser como um falc�o a ca�ar um rato.
- �s uma grande traidora! - N�o sou nada!
- Deixa-me em paz! - Onde vais?
Deixem passar a Roxana, magricelas.
Entretanto, vou ver o que a bola de espelhos dourada tem a dizer.
Encontramo-nos na esquadra.
Bourbon.
Calma a�, amigo.
Deixa ficar a garrafa.
Um copo n�o bastar� hoje.
Sven.
N�o d�s essa nojice adulterada ao homem.
- O verdadeiro bourbon � do... - Kentucky.
Sa�de.
N�o gosto de gajos com pornobigodes dos anos 80.
E eu n�o gosto de gordos velhos e carecas.
Bruno.
Roxana.
Ou Dieter.
S� tiro a cabra velha de casa em ocasi�es especiais.
� um bom vinho, n�o �?
Deixa-te de tristezas, ela n�o ia querer isso.
- Tens raz�o. - N�o foi um bom espet�culo?
Sa�de.
Ela hoje foi mesmo at� ao fim.
Ol�. Com licen�a.
J� o fez antes e quase deu merda.
Imagina se tivesse fechado isto.
Nem quero pensar! Deus nos livre.
Com licen�a.
Ol�! Quem temos n�s aqui?
Sou o Inspetor Solowski.
Tenho mais umas perguntas para si, se n�o interrompo.
� um detetive.
Quer tomar um pouco de espumante connosco?
N�o mordemos. N�o tenha medo.
Eu... N�o posso.
Estou de servi�o. Estou a trabalhar, menina, senhora.
Diga-me, tem namorado?
N�o... Quero dizer...
Na noite da morte da Sugar Candy,
lembra-se das horas exatas em que Lady Lovelyn deixou o clube?
Vou ter de pensar.
A s�rio que n�o quer tomar um copo connosco?
Ele fala muito a s�rio.
Saia. N�o � bem-vindo aqui.
- Mas eu... - Saia. Desapare�a.
Vamos. Saia.
S� como um falc�o, Mark.
Estive num funeral.
Ela era minha amiga. Gostava muito dela.
Sabe qual � a pior parte?
Enterrei na verdade dois amigos, hoje.
Julgamos que conhecemos algu�m, mas afinal era tudo uma fal�cia.
Tive um amigo, o Vincent. Um grande amigo.
Apoiou-me quando o meu pai morreu.
Eu apoiei-o quando o velho dele o deixou todo negro.
Mas depois...
Quando t�nhamos uns 20 anos, tive uma namorada.
Queria casar-me com ela.
Tinha at� comprado um anel
com muito sacrif�cio e poupan�a.
- E ela...? - Ela...
Era c� uma brasa.
Tinha l�bios � Brigitte Bardot e as mamas pareciam pequenas pir�mides.
Mas tamb�m tinha miolos.
Um dia, chego a casa...
Parecia uma telenovela pirosa.
Apanhei-a.
Com o meu melhor amigo.
Conhecemo-nos h� 30 anos.
H� 30 malditos anos.
Pass�mos por tudo juntos.
Pensei que a conhecia melhor do que qualquer outro no mundo.
- Tamb�m lhe roubou a sua mi�da? - N�o.
Simplesmente mudou.
Bat�amos a rua juntos.
As coisas que vimos. Nem imagina.
Naquela altura, andar vestido de mulher n�o era pera doce.
Arrisc�vamos o couro.
Mas isso j� foi h� muito tempo.
O que aconteceu?
A certa altura, passou a querer s� fama e reconhecimento.
Fingia ser m�e delas.
Mas acredite,
a Lovelyn adoraria ter-se livrado da Sugar muito antes.
Porque todos deixaram de vir ver a rainha.
S� queriam a boazona da camareira.
Fingiam ser como m�e e filha,
mas aquelas duas odiavam-se.
N�o me fiz entender?
N�o falamos com a pol�cia.
Nem com ele, nem com o cachorrinho dele.
Sabemos o que pensam de n�s.
Agora saia.
Devia p�r iodo nesses arranh�es, Lady Lovelyn.
Adeus.
Ent�o, conseguiu o que veio buscar, Sr. Inspetor?
Posso ser um bicha b�bado, mas n�o sou idiota.
Topei-o logo no funeral da Sugar.
Nada mau.
Velhos instintos.
� hora de um bom caf� forte.
A bola de espelhos dourada bebe bourbon como um bezerro bebe leite.
Ouve.
O bicha cantou.
Lady Lovelyn, aquela mulher encantadora,
n�o suportava a outra rainha dos bichas.
O qu�? Mas a Sugar e a...
Aquela hist�ria da m�e era treta.
Ela tinha medo que a pequena Sugar lhe usurpasse o trono.
Muito bem. Tamb�m tenho uma coisa.
Lady Lovelyn tinha arranh�es no bra�o. Pareciam feitos por unhas.
Percebi que n�o queria que eu os visse.
Parece que aquelas duas se atiraram uma � outra como duas gatas.
Certo...
Mas n�o precisamos de provas s�lidas, como ADN?
Ou a chefe d�-nos uma ordem de captura?
Vamos deixar a bruxa velha fora disto.
Precisamos de provas reais.
O Peter trata do ADN, ficar� tudo preto no branco.
O segredo � tost�-las primeiro.
Depois ketchup,
a alm�ndega,
e mostarda no outro lado.
- Pode-se usar mostarda doce? - Peter?
Que foi?
Arranjas-nos uma amostra de ADN de Lady Lovelyn?
Deves ter tirado uma amostra na cena do crime.
N�o, n�o tirei.
E n�o te arranjo nada sem autoriza��o da comandante.
- Est� bem. - Para de ser maricas, Peter.
- Ou ela tem-te preso pelos tomates? - Vai tu pedir-lhe.
Preciso que ela o autorize.
Bom apetite.
O Bruno est� chateado.
Preferia ir para o inferno do que suplicar � bruxa da comandante.
Bruno sabe que vai ter de conseguir ele mesmo o ADN.
� o couro dele que est� em jogo.
- Que sede! - Morro por um batido de morango!
Tamb�m quero um.
- Ol�. - Ol�. Dois batidos de morango.
Nada m�.
Bela saia.
Em breve ter�s de usar tamb�m saia.
- O qu�? - N�o me vou enfiar eu num vestidinho.
- Porque o faria? - A tua m�e...
Deve ter uns vestidos sexy.
Leggings de leopardo?
Um arraso, mi�do.
Mas para qu�?
Hoje est�s um pouco lento.
O que foi, espertinho?
Precisamos do ADN dela.
Se os vest�gios nas unhas da Sugar s�o da Lovelyn...
Bingo! Apanh�mo-la.
Saberemos que se atiraram uma � outra como dois bichanos peludos.
� por isso que tu, meu amiguinho,
te vais disfar�ar de drag queen e conseguir-nos o ADN.
Uma escova, coisas de maquilhagem...
O que houver numa bolsinha.
A� teremos algo de s�lido para o velho drag�o da comandante.
Mas, Chefe, n�o temos autoriza��o.
Ol�, campe�o.
- Mal posso esperar pelo pr�ximo jogo. - Pois. Ei! Espera.
Porque me evitas?
Eu? N�o te estou a evitar.
Mark, se n�o est�s interessado em mim, tudo bem,
mas n�o fujas de mim.
N�o, n�o � isso, eu...
� que... eu...
Eu...
Ol�, Rhubarbra Stagehand.
Caramba!
Mark!
Pareces uma fada de um livro ilustrado.
Ouve, mi�do.
Vais conseguir.
E se n�o consigo?
Se as drag queens me apanharem sem um mandado...
Estarei perdido.
Conhecem a minha cara.
A Bo despede-nos. E o que direi � minha m�e?
N�o posso entrar ali.
Lembra-te do que te disse.
Por vezes, fazer o que est� certo significa infringir a lei.
�s vezes, tens de te aguentar, para ser um homem a s�rio.
Acredito em ti.
Vais conseguir.
Liga-me quando acabares.
Se esperar aqui, algu�m pode ficar com ideias.
Est� bem.
- Ol�, Wendy! - Tudo bem?
Tudo!
- Aqui est�. Divirtam-se. - Obrigado.
Ol�! Como vai isso?
Isso, beijos no ar � dist�ncia, hoje.
Divirtam-se e boa sorte.
� para o concurso de talentos?
Tamb�m pode ficar s� a ver.
Eu fa�o o mesmo.
Quer um selo?
Sim? Ent�o, venha c�.
Pronto.
Divirta-se.
Um momento!
Tem a etiqueta � mostra.
N�s, mi�das, temos de ser unidas.
Pode ir.
Meu Deus! Queres um schnapps para aquecer?
- N�o, obrigada. - N�o sejas t�o...
�s mesmo t�mida.
Com licen�a.
O que est�s aqui a fazer?
Eu?
Eu...
Vim para o concurso de talentos.
Fant�stico.
Como te chamas, querida?
Rhubarbra Stagehand.
S� queria retocar-me um pouco.
J� � tarde para isso.
Vamos come�ar.
Agora?
Sim. Agora.
Alice, sinceramente, � imposs�vel olhar por este doido.
N�o me ouve e mordeu o carteiro.
Arranja outra babysitter.
N�o �s nenhum c�o.
Mas n�o pode ficar aqui no bar.
O problema n�o � meu.
� uma crian�a, n�o um c�o de luta!
Kasper, prometeste que n�o mordias mais ningu�m.
Foi esse o acordo.
- Imke, n�o posso trabalhar hoje. - Claro.
Vamos ver se apanhamos o autocarro.
E n�o quero queixas.
Que tal levar-vos a casa?
Podes ir � frente, mi�do.
Senta-se.
P�e o cinto.
Lindo menino.
- Minha senhora. - Obrigada.
Ouve, mi�do.
Quando o xerife chega � cena,
todos saltam para o lado. Ora v�.
Muito bem, meus amores.
Esta noite, temos uma atua��o exclusiva, s� para voc�s,
de Miss Rhubarbra Stagehand!
- Tu consegues! - Rhubarbra!
Uau! Entraste mesmo na onda.
Foi �timo. Desfruta dos aplausos!
Sim, meus amores,
foi a maravilhosa Rhubarbra Stagehand!
Champanhe, querida!
Obrigada, amor.
- Algu�m disse "amor"? - Meu Deus, a� est�s tu.
- Um brinde a ti e a um grande espet�culo. - Obrigada.
� melhor do que viver como um monge.
Isso � verdade.
Muito melhor do que o normal.
- N�o � por acaso. - � verdade.
Preciso de me retocar. At� j�.
- Claro. Ciao. - Ciao!
Bom...
�s mesmo muito talentosa,
Rhubarbra Stagehand.
Obrigada.
Boa noite, mi�do.
Obrigada, Bruno. Foi muito am�vel.
Disponha, senhora.
Sim?
Vou j� para a�.
Ent�o?
�s um malandro.
Sim?
O que fazem aqui?
Que chap�u � esse?
� para n�o achatar o cabelo.
Mark?
Que faz em drag?
Preciso da an�lise de ADN at� amanh� de manh�.
Mas � de noite.
Bom, tira esse barrete e toca a trabalhar.
- Mas... - Envio-lhe o teu hist�rico da Internet.
Ela ver� a porcaria que v�s durante o expediente. Ent�o?
�s um estupor.
Eu sei.
Boa noite.
Anda, mi�do!
Larga o drag e entra na �gua!
Merda.
Chefe?
Adoro este lugar!
Toma, devem ser grandes de mais, mas n�o tenho mais nada.
Obrigado.
Est�-se bem aqui.
Quando eu era mi�do, com 11 ou 12 anos,
pass�vamos todos os domingos aqui.
Eu e o meu pai.
Ensinou-me a ca�ar e a pescar.
Isso � fant�stico.
Isto �, ter podido fazer isso com o seu pai.
O meu pai estragou tudo.
Bebia e vadiava de mais.
Mas isto...
Fez isto bem.
Era o melhor momento da semana.
S� eu e o meu pai.
Sent�vamo-nos neste preciso lugar.
Como tu e eu agora.
Olh�vamos para o lago e...
... n�o diz�amos nada.
E a sua m�e?
Eu e o meu pai est�vamos sozinhos.
Ele tinha um bar.
Cresci entre prostitutas e cerveja.
Ensinou-me cedo a ser um homem.
Nisso, o velho fez um bom trabalho.
Eu...
... mal me lembro do meu pai.
Conheceu-o?
A s�rio?
N�o por muito tempo.
Mas, pelo pouco que vi, notei que era bom homem.
Era um superpol�cia.
N�o deixava que o pisassem.
As mulheres eram doidas por ele.
Faziam fila para serem presas.
Fazes-me lembrar muito ele.
Se quiseres, ensino-te a pescar.
A s�rio?
Sim.
Quero dizer, sim, seria �timo.
O feij�o est� pronto.
S� precisamos de algo com que o empurrar.
E se fosses l� acima buscar o nosso amigo ao carro?
Vou j�.
"Relat�rio cl�nico. Bruno Kl�pel.
Caro Sr. Kl�pel,
foi-lhe diagnosticado um carcinoma da pr�stata, est�dio 2.
O tumor est� limitado a um local.
Recomendamos a remo��o cir�rgica do tumor, seguida de quimioterapia."
Tome.
Tu primeiro.
� o Peter.
- Diz. - Ol�, Bruno.
J� tenho os resultados.
Posso dizer com 99 % de certeza
que o ADN encontrado nas unhas da Sugar Candy
corresponde ao de Lady Lovelyn.
Apanh�mo-la.
Podemos pedir � Henschemeier o mandado de captura?
Melhor ainda,
apanhamos a Lady Lovelyn e servimo-la numa bandeja de prata.
Decorada com salsa e ma��, se quiseres.
Se lhe apanharmos a rainha com as provas de ADN,
ela vir� comer-nos � m�o como um porquinho-da-�ndia guloso.
Parece que algu�m chegou primeiro.
Maldi��o!
Alto! Pol�cia!
Merda.
Chefe!
Chefe!
Tem de vir ver isto.
Raios partam.
Legendas: Celeste Ferraz plint.com
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