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Por séculos, piratas aterrorizaram os oceanos...
saqueando navios,
confiscando cativos,
pilhando assentamentos...
Homens e mulheres em busca de sangue e riquezas,
provocando medo nos corações de populações inteiras.
Pirataria é roubo nos altos mares.
Realmente romantizamos a vida de piratas.
Quase ninguém na história humana se identifica como pirata.
Eram eles marinheiros habilidosos leais a suas coroas
ou criminosos selvagens prontos para matar por tesouro?
Todos tinham razões justificando o comportamento.
Todos tinham argumentos do por que o que faziam era certo.
É apenas uma questão de perspectiva.
Talvez nenhuma outra figura histórica é mais famosa por trilhar essa linha obscura
que Sir Francis Drake, um homem que inspirou gerações
a enfrentar o mar buscando suas fortunas.
Sir Francis Drake pode ser percebido como o maior pirata inglês.
Qualquer inglês que executou saques,
eles o viam como um herói, um modelo.
O primeiro inglês a circunavegar o globo,
conquistou o título de cavaleiro da rainha
e um lugar na alta sociedade inglesa.
O período de Drake no mar revelou seu caráter como um pirata implacável.
Griots Team apresenta: S01E01
PIRATAS - POR TRÁS DAS LENDAS
O CONTO DE FRANCIS DRAKE
Tradução: LeChatNoir - Shima Jufadinh4 - Sofia - Russi - Feroxxx
Revisão: Marck93
Francis Drake cresceu em Plymouth, que é no sudoeste da Inglaterra.
Ele estaria cercado de marinheiros e da cultura de vela.
Já tendo passado anos de sua vida no mar, Francis Drake zarpa para África Ocidental
sob comando de seu primo rico, John Hawkins,
um capitão experiente que fez fortuna na indústria mais sinistra.
Hawkins logo se aproveitou do tráfico transatlântico de escravos.
Pirataria tem relação relevante com o tráfico de escravos.
Os primeiros traficantes de escravos eram piratas.
De muitas formas, tráfico de escravos era ligado à pirataria.
Sir John Hawkins, primo de Drake,
foi um dos primeiros traficantes de escravos inglês.
No fim do século 15 e então no século 16, a Espanha controlou
o transporte de africanos escravizados para as Américas.
Eram o poder dominante,
e essencialmente os espanhóis prenunciam outras potências europeias
de negociar em seus territórios.
Peru, Mexico, Cuba, todos esses lugares
escravizaram africanos, a força motora de suas economias de metais preciosos,
plantações, commodities, etc.
Drake e Hawkins chegam à costa
de Serra Leoa com seis navios cheios com 100 homens,
determinados a reduzir o controle espanhol
no lucrativo tráfico transatlântico de escravos.
SERRA LEOA, ÁFRICA
Eles atacam aldeias.
Se aliam aos governantes locais que estão envolvidos na guerra
porque a maioria dos escravizados são prisioneiros de guerra no período.
E carregam grande número de pessoas escravizadas para as Américas,
tentam forçar espanhóis a negociar com eles,
mesmo que contra as regras do império espanhol.
As colônias espanholas pelo Novo Mundo estão fazendo muito dinheiro
pelo vasto número de trabalhadores escravizados
sendo levados de países africanos.
Sob a lei do rei Filipe II,
é ilegal comerciantes espanhóis negociarem com ingleses,
mas quando Hawkins e Drake chegam ao Novo Mundo,
pouco se importam com as regras de Filipe.
Ameaçando traficantes espanhóis, forçam-nos a vender os cativos.
Hawkins compra por 2 libras na África Ocidental e vende por 22 no Novo Mundo,
o que prejudica significativamente os comerciantes espanhóis.
Setembro de 1568.
Drake recebeu o comando de seu próprio navio no comboio de Hawkins,
e a dupla espera conseguir uma das maiores vendas até agora
no porto espanhol de San Juan de Ulúa.
Mas enquanto tentam trocar seus bens e comercializar pessoas escravizadas,
Drake e Hawkins são interrompidos
pela chegada repentina de uma frota espanhola.
Há um impasse entre as duas frotas, e eles chegam a uma decisão
que Hawkins terá permissão para sair.
No entanto, depois, a frota espanhola ataca a inglesa a noite.
Drake está em um dos outros navios ingleses, e vê isso acontecendo.
A frota do Hawkins está com problemas porque está preso no porto.
E em vez de ajudar Hawkins a ficar e lutar contra a Espanha,
Drake dá meia volta e retorna à Inglaterra.
É uma reflexão interessante, acho, sobre o caráter de Drake
nisso ele tem determinação de aço, ele é muito ambicioso.
Também está disposto a abandonar amigos quando acha certo fazê-lo.
Drake vai para casa em Plymouth.
Hawkins, no entanto, não é capturado ou morto no conflito.
Uma repentina mudança dos ventos tira a frota espanhola do curso,
permitindo que escape.
Hawkins aparece em solo inglês algumas semanas depois,
furioso,
acusando Drake de abandoná-lo.
A viagem deles foi um desastre,
e põe um fim do envolvimento inglês
no tráfico de escravos pelo próximo século.
A parceria lucrativa entre os primos havia terminado.
Ele escapou com vida, mas foi humilhado.
Aquele incidente realmente o fez odiar os espanhóis,
e ele jurou que dedicaria sua vida
a assediá-los, destruí-los e moê-los a pó,
para que ele pudesse construir uma Inglaterra para a Rainha Elizabeth I.
Mas a Espanha foi uma adversária formidável para o capitão pretensioso.
O Rei Filipe II controlava o maior império do mundo, que abrangia a própria Espanha,
os Países Baixos, partes da Itália
e vastos territórios das Américas.
A inigualável riqueza espanhola de milhões de libras
em prata extraída das minas do Novo Mundo,
atraiu a cobiça de todo monarca europeu, inclusive da Rainha Elizabeth I.
A rivalidade entre eles foi estimulada por questões de fé.
Elizabeth era protestante. Filipe era católico.
A Rainha Elizabeth I vivia em um mundo geopoliticamente problemático
porque o Reino da Inglaterra vivia sofrendo ameaças de invasão.
A Espanha queria acabar com os protestantes.
Tudo isso fez com que a Espanha fosse uma ameaça existencial.
Mas Eilzabeth I queria evitar a guerra total contra a Espanha,
porque A, não podia bancar isso
e B, seria muito perigoso para ela.
Mas ela queria fustigar a Espanha onde pudesse ser mais sentido, levando a guerra
para os territórios ultramarinos espanhóis.
Ela precisava de homens capazes de impedir a expansão espanhola.
A Coroa fica com parte da pilhagem.
Hawkins está entre aqueles cujas ações contra os espanhóis
são, para a rainha inglesa, legítimas.
Há um grande debate. Os espanhóis rechaçam a legalidade das ações.
A Rainha Elizabeth I, não se importava muito
com o que os espanhóis estavam dizendo.
Ela encontrara uma forma de enriquecer a Inglaterra:
atacando navios inimigos.
Os saqueadores não estavam em guerra formal contra a Espanha, mas queriam isso,
usando a legalidade da Carta de Curso e Represália.
Esses homens eram conhecidos como Cães do Mar.
Eles não tiveram o apoio de Elizabeth I, que nunca os condenou abertamente.
De certa forma, ela queria manter condições para a negação,
frente à represália espanhola em potencial.
Drake se organiza para uma outra expedição,
preparando o ataque a portos espanhóis no Novo Mundo.
Mas desde a separação de Hawkins,
ele não tem mais a proteção de uma Carta de Marca.
Qualquer ataque de Drake aos espanhóis será considerado um ato de pirataria.
No entanto, a portas fechadas, a Rainha Elizabeth I parece
apoiar discretamente as ambições de Drake.
As regras relativas à pirataria estavam evoluindo naquele momento.
Drake alega que está se vingando
dos ataques o Império Espanhol contra ele.
E não fica inteiramente claro se ele uma causa justa
que ele alega existir, o que o impulsiona
para o tipo de categoria obscura de invasor legítimo,
que é nada além do que ser um pirata.
Porém, para a Espanha, é um "corsário", um "pirata", um contrabandista.
Para Drake, qualquer alvo espanhol é legítimo.
Ele aponta sua atenção para o porto de Nombre de Dios no istmo do Panamá,
uma artéria fundamental na movimentação da prata espanhola.
É um ponto crucial na rota espanhola da prata.
Assim, a prata retirada das minas do Peru é levada até a costa pacífica no Panamá,
cruzando por terra até Nombre de Dios, e embarcada dali para a Espanha.
Nombre de Dios é um local incrivelmente atraente para uma invasão
pois, pelo fato de ser um local importante, era pouco protegido.
Drake entra no porto
e descobre que os tesouros se encontram vulneráveis.
É hora de atacar.
Agindo com rapidez, Drake e seu pessoal, destroem as defesas da cidade.
Mas, acabou sendo tardio: os alarmes foram acionados.
No combate, um tiro atinge a perna de Drake.
Mas por sorte apenas se feriu, fez uma retirada forçada, escapando com vida.
Drake sobrevive para lutar novamente.
Porém, agora ele percebe que precisa juntar mais gente
e conhecimento local, em razão das iminentes invasões que acontecerão.
Felizmente, Diego, um marinheiro poliglota,
se juntara recentemente à tripulação.
É provável que Diego fosse proveniente do Senegâmbia, região da África Ocidental.
Diego foi escravizado na propriedade do Comandante de Nombre de Dios.
E somos levados a crer que ele queria a liberdade de alguma forma.
Acredita-se que, na época havia um boato no mundo atlântico,
que a Inglaterra era um lugar em que não havia escravidão,
e que pisando em solo inglês, você se tornaria um homem livre.
Não muito mais depois de Drake, isso muda completamente.
Diego foi uma figura essencial para a invasão
em Nombre de Dios ao abrir o caminho, sendo os olhos no local.
Alguém que tinha excelente conhecimento do local, o que Drake não tinha.
Um outro ataque direto a Nombre de Dios estava fora de questão,
então, Diego se aproxima de um grupo de pessoas que vivia tranquilamente
no interior panamenho, os Cimaroons.
Os Cimaroons formam um grupo de africanos anteriormente escravizados pelo espanhóis,
que conseguiram escapar.
Eles foram anteriormente escravizados que escaparam das fazendas,
e que se esconderam em território inóspito.
Estamos falando de montanhas e florestas.
Eles organizaram suas comunidades sendo capazes de viver
por suas próprias regras em um estado de liberdade.
Por razões compreensíveis, eles odiavam os espanhóis.
Drake manipula aquele ódio para formar uma aliança com os Cimaroons.
Eles fornecem informações inestimáveis sobre a movimentação da prata espanhola,
como o caminho usado pelo comboio de mulas
através das florestas panamenhas,
carregado com uma fortuna em metais preciosos.
Há pontos fracos nessa corrente.
Você tem que levar a sua prata das minas até os portos,
durante 12 dias através da floresta com mulas carregadas com metal precioso,
e esperando não ser atacado por ninguém
antes que os seus enormes navios cheguem e te defendam.
O grupo de Drake entrou pela da floresta até um ponto ao sul de Nombre de Dios,
onde ficaram à Espera do comboio.
Drake e os outros prepararam uma emboscada, dividindo a força em duas.
Entra pelo lado esquerdo de Nombre de Dios
que está um pouco à frente e aguarda a chegada do comboio.
Drake e seus aliados lançam a armadilha..
A guarda espanhola oferece uma resistência forte, mas Drake a supera.
Os espanhóis sobreviventes fugiram pela floresta.
Daquela vez, houve enorme sucesso.
Drake apenas pega as barras de prata e desaparece.
O grupo de Drake arrasta a prata por 30 quilômetros de floresta.
O assalto é tão bem sucedido
que eles são incapazes de transportar todo o tesouro para os seus barcos.
Então os homens o enterraram ali.
Desenharam com minúcia um mapa para que um dia a prata pudesse ser encontrada.
Daí se originam os mapas de tesouro,
porque diz a lenda que Drake nunca retornou
para pegar todas as barras de prata, sendo possível ainda esteja lá.
Aí se inicia um dos mais persistentes e sedutores mitos sobre Drake, o mapa,
e a prata que nunca foi encontrada.
Gerações de futuros navegadores se sucederam em contos de tesouros
enterrados nas florestas do Panamá,
o mapa de Drake forneceu a catálise necessária por centenas de anos
de lendas sobre temíveis piratas e seus tesouros escondidos.
Inglaterra, agosto de 1573.
Drake retorna para a Inglaterra como um herói e fabulosamente enriquecido.
Quando voltassem com o saque, a rainha provavelmente não iria discutir
a respeito de como foi obtido, assim, na volta de Drake, ela ficou com uma parte.
Elizabeth gostava dele.
De fato, ele era uma ferramenta útil.
Porém, Elizabeth gostava de ser paparicada por diversas pessoas.
Os favores entravam e saíam do contexto muito rapidamente.
Mas certamente houve conexão em várias ocasiões com Elizabeth.
Dessa forma, Drake estava naquele momento na linha de frente, era o herói.
Quando Drake estava no istmo do Panamá, ele viu o Oceano Pacífico
pela primeira vez, e isso despertou nele a ambição de conquistar aquele oceano,
que fazia parte da rede global espanhola de prata,
porque muito da prata vinda das Américas ia para Manila e para China para comércio.
Essa região era menos protegida, porque era menos acessível do que o Caribe.
Foi o provável ponto de partida do plano de Drake:
o senso corrente de que não há lucro a ser produzido nessas rotas vulneráveis
ao longo da Costa Oeste das Américas.
Drake planeja o que esperava que viesse a ser o grande salto na história da nação:
um ataque às cidades espanholas desprotegidas na Costa Oeste das Américas.
Mas, temendo que houvesse baixa adesão se os marujos soubessem dos perigos e da
duração da expedição, Drake manteve seus planos verdadeiros em sigilo.
Sem a Carta de Marca, eles estariam praticando pirataria.
Ao invés disso, ele lança uma curta viagem com um saque fácil.
Os marinheiros tinham uma reputação nesse período,
sendo vistos como bêbados itinerantes.
Essa ideia de que vão de um lugar a outro, não têm um lar fixo,
cria essa imagem deles como sendo um bando de desordeiros.
Se você é alguém que cresceu na costa de Plymouth,
e era de uma família de pescadores,
talvez você fizesse apenas isso pelo resto da vida,
sempre vivendo com o mínimo.
Então, a ideia de poder viajar como o Drake
poderia significar uma mudança completa de vida.
Sua família poderia estar feita pelo resto da vida.
Drake reúne uma tripulação de 164 homens
vindos de todos os setores da sociedade inglesa.
Uma mistura sólida de marinheiros, soldados, aprendizes,
e até uma dúzia de cavalheiros.
Tripulações piratas tinham mais variedade racial do que imaginávamos.
Temos registros de pessoas africanas recebendo salários na Inglaterra.
Então, naquela época, nem todos os negros eram escravizados na Inglaterra,
muito pelo contrário.
Sempre devoto,
Drake também recrutou um pastor, para passar a mensagem de Deus.
E contratou músicos para acompanhá-los nos cantos diários de salmos.
E frequentemente vemos marinheiros viajando com o mesmo capitão várias vezes,
e isso também aconteceu com o Drake.
Dezembro de 1577.
Drake zarpa, rumo a águas desconhecidas,
guiado por sua fé dogmática e a promessa de saques incomparáveis.
Mas os desafios dessa expedição épica
serão muito maiores do que ele poderia imaginar.
À frente da frota do Drake ia um galeão chamado de Pelicano,
que depois foi renomeado The Golden Hind.
Medindo quase 25 metros de proa à popa,
ele carregava 22 armas e uma tripulação de 80 homens.
Sua velocidade daria a Drake uma vantagem distinta
ao confrontar navios mercantes maiores e menos ágeis.
Francis Drake e outros invasores como ele queriam navios rápidos e manobráveis,
e esse era o tipo de embarcação que estavam usando.
Têm um tamanho considerável e são bem armadas.
Mas não são tão grandes quanto os galeões espanhóis que atacavam.
Depois de dois meses no mar, a frota chegou em Cabo Verde
e imediatamente atacou uma embarcação portuguesa.
Drake obrigou o navegador de lá a se juntar à sua tripulação,
trazendo mapas raros do Pacífico com ele.
A informação não tem preço.
Enquanto mapas do Novo Mundo eram preenchidos com imprecisões,
eles, ainda sim, promoviam uma ideia básica dos continentes
pouco conhecidos pelo capitão inglês e seus homens.
Impérios espanhóis e portugueses tentaram controlar informações
porque era muito valioso, então mapas da América
eram firmemente regulados nos períodos inicias do impérios português e espanhol.
Drake faz uma escolha.
De Cabo Verde, iriam para oeste, chegariam na América do Sul e seguiriam para o sul,
onde enfrentariam o traiçoeiro Estreito de Magalhães.
Porém eles demorariam vários meses para cruzar o Atlântico.
Tendo ele mesmo vindo de um posto baixo,
Drake sabe que seu sucesso depende da disposição da equipe.
Mesmo sendo capitão, ele participa das tarefas mais árduas da navegação.
As condições eram insalubres.
Marinheiros dormiam ou no deck principal ou no andar de baixo.
Era extremamente molhado.
Eles geralmente tinham uma muda de roupa,
então o tecido ficava encharcado de sal facilmente.
Navios são frágeis. Eles são perecíveis.
A madeira apodrece. As cordas se desfazem.
Parte da vida dos marinheiros é a reparação contínua do navio,
para que continuem flutuando. Isso te faz pensar no esforço
durante essas viagens que duravam meses, até anos.
A comida é rudimentar.
Haviam biscoitos de navio, Um tipo duro de bolacha.
A caça por água fresca era um problema que estavam sempre tentando resolver.
É fácil pensar no desconforto e nas dificuldades
do trajeto, o que é verdade, mas há também esse importante senso de comunidade.
Provavelmente haviam apostas dentre outros jogos acontecendo nesses navios.
Alguns testamentos diziam: "Pague à essa pessoa o dinheiro que devo a ela".
Drake claramente se importa com os homens sob seu comando.
Por exemplo, sabemos que poucos morreram de doenças em suas viagens
o que era bem incomum para a época, então ele está claramente tomando medidas
para proteger as pessoas que servem à ele.
Eles motiva os marinheiros que o acompanham.
Os homens recebem parte do ganho. Não a mesma quantidade reservada à ele,
mas ele com certeza está recompensando todos.
Ele também não hesita em ser bruto
quando sente necessidade de tal abordagem.
Com a expedição adentrando o desconhecido,
com o navio indo ainda mais pro sul,
a equipe suspeita que Drake tenha saído do caminho propositalmente.
Essa será uma viagem muito mais longa
do que esperavam ou foram prometidos.
Alguns homens começam a reclamar abertamente,
outros conspiram em segredo.
O mais falante entre eles era Thomas Doughty, o segundo no comando.
Doughty é um nobre, Drake o enxerga como um desafio a sua autoridade.
E isso se torna um sério problema para Drake.
Ele fica paranoico.
Thomas Doughty acha que está dividindo o comando com o Drake.
Mas não é o que Drake acha. Ele transfere Doughty para um navio menos importante,
então o põe em julgamento por traição.
Drake sabe que não pode ser pego tolerando desobediência.
Ele deve assegurar sua posição como capitão.
Tendo selecionado cuidadosamente um júri,
Drake impiedosamente processa seu antigo amigo.
A tripulação fica com medo de Drake.
Em todas as suas viagens, ele identifica alguém em particular
que precisa ser disciplinado na equipe.
Os marinheiros entram na linha.
Ninguém no júri ousa votar contra ele,
e Doughty é considerado culpado por consentimento unânime.
Dado o seu status de nobre,
Doughty gosta do luxo cruel de uma decapitação,
ao invés de ser enforcado como um criminoso comum.
Com a confiança em seu capitão totalmente renovada,
a equipe de Drake Se preparam para se tornar
os primeiros ingleses a navegar pelo Oceano Pacífico.
Mas antes de entrar para a história,
ele deve enfrentar o Estreito de Magalhães,
um canal de 350 milhas pontuado por correntes letais,
vendavais violentos e litoral irregular.
A frota de Drake adentra.
Eles sofreram bastante.
O frio era congelante. Haviam tempestades.
Eles tinham que sobreviver matando e comendo carne de pinguins.
A frota se separou e ficou dividida. Não foi uma viagem agradável.
E o pior ainda está por vir.
O pacífico deu as boas-vindas ao Drake com uma tempestade violenta,
incansavelmente sacudindo seus navios por 50 dias.
Um navio afundou e todos a bordo se afogaram.
Outro navio abandonou a travessia e retornou à Inglaterra.
Permaneceu somente o navio de Drake, o Golden Hind, e sua pequena tripulação.
É muito difícil navegar nesta rota, e as coisas se complicaram
quando chegaram à América do Sul,
mas o império espanhol não estava pronto para a chegada de um navio inglês.
Os navios espanhóis daquele lado do Panamá até o Chile, não estavam armados.
Eles não esperavam que alguém como o Drake estivesse lá.
A primeira coisa que fizeram ao chegar foi construir mais embarcações menores
para ajudá-los a navegar também em viagens pela costa.
Logo começaram a atacar os principais acampamentos espanhóis ao longo
da costa da América do Sul.
OCEANO PACÍFICO
Já se passaram 11 terríveis meses desde que a expedição deixou a Inglaterra.
Finalmente, um Drake obstinado navega Oceano Pacífico acima,
o ponto fraco do Império Espanhol do Novo Mundo.
Ele atingiu diversas cidades rapidamente.
Em Valparaíso, os homens de Drake saquearam o armazém,
fugindo com milhares de garrafas de vinho.
Em La Herradura, roubaram porcos antes de serem contidos pelos espanhóis.
E em Arica, assaltaram dois navios, roubando prata.
Estes ataques seguem o padrão usado nos ataques no Caribe.
Eles chegavam a um porto, às vezes entravam, outras não,
dependia de como era a segurança nestes lugares.
Normalmente tentavam capturar navios que estavam no porto.
Se houvesse algo no navio, eles o atacavam e saqueavam.
O tripulação torturava os prisioneiros para que revelassem
aonde estava escondida a riqueza do navio capturado.
Até então, os ataques somente trouxeram um pequeno retorno.
Drake ouviu falar da fortuna a descobrir a bordo de um galeão
chamado Nuestra Señora de la Concepción, mas o navio não foi encontrado.
Até que, no árduo décimo sétimo mês ao mar, Drake viu o Concepción
próximo à costa do Peru.
Ele e seus homens se aproximam do seu prémio,
um arrastão grande o suficiente para finalmente justificar sua expedição.
Disfarçando o Golden Hind como navio comercial inócuo,
o pirata astuto rastreia ao Concepción até o anoitecer, quando ataca.
Disparando um flanco no galeão, os espanhóis são apanhados desprevenidos,
seus canhões se calam.
Se rendem instantaneamente.
Este navio em particular, é provavelmente
responsável pelas poucas centenas de milhares libras que Drake traz de volta.
Vários milhões no dinheiro de hoje.
Na verdade, dizem que eles capturaram tanto
que não usavam mais pedras como lastro.
Usavam barras de prata como lastro para o navio.
Então era um enorme esconderijo de prata
e também os itens preciosos que Drake captura nessa embarcação.
Drake saqueia joias raras, 80 quilos de ouro, e uma montanha de prata.
Nenhum inglês jamais apreendeu um prêmio tão impressionante.
Drake e seus homens serão extremamente ricos
se sobreviverem à longa viagem para casa através de águas inimigas.
Serão meses, senão anos, antes de chegarem a porto seguro.
Naquele tempo, a morte poderia acontecer a qualquer momento...
por naufrágio, batalha ou doença...
e se capturado pelos espanhóis, Drake e cada um de seus homens
seriam julgados como piratas e encarar o laço.
Drake continua a invadir a costa,
eventualmente chegando ao porto mexicano de Huatulco
em abril de 1579.
Tendo apreendido os objetos de valor do assentamento,
O olhar de Drake pousa em sua igreja católica.
Drake chegou em muitos desses lugares e começou
a destruir imagens religiosas em igrejas.
Drake e seus pares eram frequentemente vistos como hereges,
destruidores de cidades,
Visando particularmente suas igrejas.
Quebram crucifixos, retiram todos os sinos do campanário,
e levam o sacerdote como refém.
Relatos deste protestante atacando a Igreja Católica
transformam Drake em uma figura desprezada em toda a Espanha.
Era visto como o maior inimigo que a Espanha teve em toda a história.
Ele era conhecido como o Dragão do Apocalipse, o dragão de várias cabeças.
Os espanhóis puseram um resgate maciço pela sua cabeça para capturá-lo.
Ele temia ir ao outro lado do Atlântico,
pois haveria uma frota espanhola à sua espera.
Navios de guerra espanhóis estão se aproximando.
Se Drake tentar navegar para leste através do Estreito de Magalhães,
o Golden Hind provavelmente seria destruído por uma frota inimiga.
Resta-lhe apenas mais uma opção: uma longa e perigosa jornada para oeste
através de um Oceano Pacífico hostil.
A ideia se formula lentamente com Drake sobre fazer a viagem pelo Pacífico.
Então, de certa forma, a circum-navegação acontece
porque Drake não quer ir de volta pelo Atlântico.
Julho de 1579.
Um Golden Hind castigado pelo tempo deixa as enseadas da Califórnia
e dirige-se para oeste no vasto e desconhecido Oceano Pacífico.
A tripulação de Drake estava no mar por quase dois anos.
A viagem de volta será mais longa ainda.
Durante 68 dias e noites monótonos, Drake e seus homens enfrentam um mar sem fim.
Mas então, finalmente, eles avistam terra,
uma pequena ilha no arquipélago da Micronésia.
A partir daí, o Golden Hind escolhe seu caminho pelas Índias Orientais,
atravessa o Oceano Índico, e contorna o Cabo da Boa Esperança.
Enfim, eles estão de volta às águas familiares do Atlântico.
Drake navega para casa.
O Golden Hind atraca em Plymouth em 26 de setembro de 1580.
164 homens haviam deixado a Inglaterra
e três anos depois, apenas 59 retornam.
Os sobreviventes reivindicam um feito diferente
de quaisquer outros ingleses antes deles...
uma circum-navegação bem-sucedida do globo.
Um dos elementos mais surpreendentes da Era de Vela é a quantidade de risco
que se corria ao embarcar em uma dessas viagens.
E Drake é um bom exemplo disso,
centenas à bordo quando partirem,
todos empolgados pela viagem de aventura
e só para ter dezenas de pessoas vivas quando voltarem para casa.
E até isso é elogiado como uma viagem bem-sucedida.
Mas esses 59 dividiam uma enorme quantidade de riqueza.
A primeira coisa que ele faz ao navegar para a Inglaterra,
quando encontra um barco vindo da Inglaterra,
é perguntar: "A rainha ainda está viva?"
Porque está preocupado que se ela está morta e um sucessor assumir,
pode ver de forma diferente suas ações, e ele pode se meter em algum problema sério.
Felizmente para ele, ela está viva e ele é recebido como um herói.
Drake depositou saque no valor de aproximadamente 264.000 libras
nos cofres da Torre de Londres,
uma quantia equivalente a US$ 100 milhões hoje.
Esse saque primeiro teve que passar um processo legal, pelo menos em tese,
e parte dele era devido à rainha.
E depois o que sobrou foi repartido aos fornecedores
que cederam o navio, e também ao capitão e à tripulação.
Mas diferentes tripulantes recebiam
partes de acordo com sua classificação.
A rainha autorizou seu pirata favorito a embolsar 10.000 libras,
quase US$ 5 milhões em dinheiro de hoje, e distribuir mais 8.000 libras
entre sua fiel tripulação.
Os marinheiros provavelmente ganham anos de salários em apenas uma viagem.
E há muita preocupação entre os oficiais da Coroa
de que os marinheiros, que estão no navio,
peguem valores antes de chegarem aos juízes.
E a Coroa está sempre preocupada de não estar recebendo sua parte total
porque quando eles descem para o navio, muito disso já foi escondido
nas tabernas e nas lojas locais das comunidades marítimas.
Mesmo assim, a parte da Coroa na arrecadação de Drake
foi ainda maior que a Receita anual habitual da rainha.
Elizabeth está obviamente feliz, Mas não quer divulgar isso demais
por razões óbvias, ela não quer antagonizar ainda mais os espanhóis.
A narrativa da viagem é suprimida.
Há claramente sensibilidade sobre o que aconteceu.
Francis Drake prova ser uma figura controversa.
Cortesãos e comerciantes acreditam que ele incomodou
um equilíbrio delicado dos assuntos em toda a Europa.
Quando ele vem para corte, parte da elite rica
recusar-se-á a conhecer, receber presentes, e encontrá-lo
porque ele tem essa reputação muito divisiva.
Enquanto isso, os relatórios dos excessos violentos de Drake
no mar, seus atos flagrantes da pirataria, começam a circular,
colocando em questão seu status de herói.
Há um exemplo particularmente interessante
onde eles, durante a circum-navegação capturaram vários africanos,
um dos quais é uma mulher que achamos se chamar Maria.
Ela estava muito grávida.
Achamos que ela provavelmente engravidou no navio de Drake,
então ela parece estar em uma posição incrivelmente vulnerável
e que ela poderia ter sofrido agressão sexual.
Houve um número de pessoas que disseram
que o pai do filho de Maria era Drake,
mas não há nada que possa provar isso.
Acho que o que sabemos foi que Drake não a protegeu.
Deixam Maria em uma ilha no Oceano Índico, e ele provavelmente fez isso
para proteger sua reputação, mas é na verdade, gravada por escritores da época,
e é um rumor que está se espalhando de alguma forma.
Abril de 1581.
Apesar dos boatos de sua traição a Maria, Drake é condecorado pela rainha Elizabeth
a bordo de seu carro-chefe, o Golden Hind.
A carreira sangrenta de pirataria violenta é legitimada,
elevando Drake na alta sociedade inglesa.
O fato dessa condecoração representa a mudança rumo à imagem de um herói.
Com o embaixador francês e as outras pessoas lá,
é um caso grandioso, é muito público,
e assim Elizabeth está mostrando que respeita Drake e que o aceitou.
Drake foi condecorado pela rainha, e também nomeado prefeito de Plymouth.
Para Drake e sua autoimagem, foi na verdade uma das coisas mais importantes
que conseguiu, bem como eventualmente tornar-se deputado.
A história de Drake ainda não acabou.
Em 1588, eclode a guerra entre Inglaterra e Espanha.
A Rainha Elizabeth chama Drake para servir como seu vice-almirante,
encarregado de repelir a poderosa Armada Espanhola,
uma força de combate de 73 navios e 30 mil homens.
Drake consegue, derrotando os espanhóis com uma força muito menor.
Aos 46 anos, a vida do marinheiro viu uma transformação incrível...
de plebeu, a pirata, e a vitorioso comandante da marinha da rainha Elizabeth.
E, no entanto, tão rapidamente quanto se levanta, Drake cai.
No ano seguinte, lidera um ataque desastroso à Espanha.
Sua força é violentamente repelida,
com cerca de 10.000 ingleses mortos.
Volta para a Inglaterra, humilhado, seu nome caindo em desgraça.
São sete anos até ele receber outro comando.
Agosto de 1595.
Drake navega para o Caribe para o que viria a ser a sua última campanha.
É uma viagem que se desfaz um pouco.
Há relações conflitantes entre membros da tripulação.
Mas, é claro, o grande problema nessas viagens são as doenças.
A campanha de Drake se desintegra.
Os navios espanhóis policiando o Caribe
tornaram-se mais fortes e mais espertos em relação às suas táticas.
Enquanto isso, uma febre assola a tripulação inglesa,
apoderando-se de vidas por capricho,
e Drake adoece.
28 de janeiro de 1596.
Drake morre.
É enterrado no mar em um caixão forrado de chumbo.
Até hoje, caçadores de tesouros procuram para o local de descanso final de Drake,
mas seus restos mortais nunca foram encontrados.
Sir Francis Drake mediu seu sucesso
nos navios que capturou, cidades que saqueou,
e nas ondas dos oceanos, contra as quais ele lutou.
Acho que ele é um personagem muito complexo,
e característico das complexidades daquela época.
Transcendeu seu início sombrio
através de determinação, grande risco e crueldade
que teve pouca consideração para a vida humana.
Acho que Drake era muito ambicioso e sabia exatamente o que queria.
Se ergueu através da pirataria tornando-se extremamente rico,
para subir às alturas dos status sociais.
Então ele foi bem-sucedido a este respeito.
Mas eu não confiaria em Drake.
Era um homem que cuidava dos próprios interesses.
Durante sua vida tumultuada,
ganhou status como grande herói para os ingleses protestantes
e como o inimigo mais detestado da Espanha católica
ao mesmo tempo em que se tornou o primeiro inglês
a conseguir circum-navegar o globo.
A circum-navegação do globo por Drake foi incrivelmente significativo.
Acho que mostrou que a Inglaterra era uma força naval
a ser considerada, e a Grã-Bretanha se tornou um grande império
baseado em sua supremacia naval.
Mas para realmente entender o legado de Drake,
devemos seguir aqueles marinheiros ingleses,
que emergiram em seu rastro para as gerações vindouras.
Piratas e corsários inspirados em Drake desceriam sobre o Caribe
buscando fama e fortuna fazendo o que achassem necessário
para apoderar-se de um tesouro quase sempre indescritível.
Então, de certa forma, ele é a mais heroica
e a mais anti-heroica figura naval na história mundial.
Francis Drake morreu, mas a grande
era da pirataria estava apenas começando.
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