All language subtitles for Ritratto di Borghesia in Nero (1978) DVDRip Oldies

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Original subtitles

OS COSTUMES OCULTOS DA BURGUESIA

Legenda: LABOK Mar�o 2024

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Bem, os tempos t�m sido muito bons.

Quanto a voc�, Richter, incrivelmente distra�do como sempre.

Por esta manh� terminamos, podem ir. Nos vemos � tarde.

- Bom dia. - Bom dia.

Bom dia, senhorita.

Bom dia.

Bom dia, senhorita.

Bom dia.

- Com licen�a, sou Mattia Morandi. - Morandi...?

Ah, Morandi! A bolsa de piano.

- Sim. - Voc� � de Lecco, certo? - Sim.

Terminamos, mas nos vemos � tarde e conversaremos.

- Bom dia. - Est� bem.

Voc� � novo no piano?

- Sim. - Renato Richter, seja bem vindo. - Ol�.

- Meu nome � Mattia Morandi. - Isso � o que estudamos.

N�o te entendo. Como lhe ocorreu vir para Veneza?

Foi minha m�e. Ele nasceu aqui e queria voltar.

Ele morreu antes de eu ganhar o concurso.

Eu tive que aceitar. Com a bolsa, pelo menos posso me sustentar.

- Minha fam�lia n�o era rica. - Nem a minha.

Tamb�m n�o somos de Veneza, mas de Trieste, mas

j� vivemos em muitos lugares: Viena, Berlim...

Meu pai morreu quando eu era pequeno.

Ele nos deixou sem um tost�o e minha m�e foi trabalhar.

Naqueles anos acho que aprendi muitas l�nguas

estrangeiras, mas n�o me lembro de nada.

Meu pai tamb�m morreu quando eu tinha dois anos. � estranho!

- Mas o que est� dizendo? - Sim, todas essas coincid�ncias.

Dizem tamb�m que meu pai era insuport�vel. Ent�o foi uma sorte, certo?

Com licen�a por um momento.

Estou atrasada, certo? Se voc� soubesse o que eu corri.

Nunca consigo ser pontual. Voc� j� me conhece.

Tenho tantas coisas para fazer e depois n�o...

Conhe�a Mattia Morandi. Um novo colega de classe.

- Encantado. - Essa � a Karla...

minha m�e.

Sua m�e?

Sim, Renato � meu filho, te parece t�o estranho?

N�o... n�o,... pensei que ela fosse uma amiga, uma irm�.

Eu o tive quando tinha 17 anos.

Voc� faz as contas.

Voc� poderia chamar isso de erro da juventude..

� dito assim, certo?

Mas n�o � um erro feio.

N�o comece com suas bobagens.

- Venha, vamos. - At� mais, Morandi. - At� logo.

- Tchau, Mattia. - Tchau.

O que voc� est� fazendo, voc� vem?

N�o, n�o estou com vontade.

Ol�?

Quem �? Um momento.

Desculpe. A porta estava aberta.

- N�o vai me dizer que � t�mido? - N�o, n�o. N�o.

- Voc� comprou alguma coisa? - Eu? Nada.

- Tudo � para voc�. - Para mim?

Carla enviou para voc�. N�o sei o que �, sou apenas o portador.

Um cobertor? Com este calor?

Como sempre, muito pr�tica Carla.

Ainda estamos no ver�o, e j� pensando no inverno.

- Voc� gosta de doces? - Sim, mas...

Olha, Renato, n�o sei se posso aceitar todas essas coisas da sua m�e.

"Sua m�e"? Por favor, chame-a de Carla.

Ele diz que m�e a envelhece.

E tamb�m n�o gosta de mam�e... ali�s, muito menos.

- Voc� j� leu? - Ainda n�o,

...mas todo mundo me diz que � muito bom.

Est� vendo?

Carla pensa tamb�m na sua cultura.

Bom, vou embora.

Ah, amanh� estaremos esperando voc� para almo�ar � uma,

e n�o me diga que tem coisas para fazer, � domingo.

- Est� bem. - Tchau. - Tchau.

Infelizmente estamos sem empregada, n�o tenho condi��es, mas nem

sempre foi assim, sabe, Mattia? T�nhamos at� 3 empregadas dom�sticas.

Agora ele come�a sua megalomania. Desculpe, nunca tivemos empregadas dom�sticas.

N�o � verdade, n�s as t�nhamos e voc� se lembra muito bem disso.

�s vezes penso que o Renato tem vergonha da nossa...

fam�lia, e faz mal.

Os Richter eram uma fam�lia rica e

muito querida. Uma das melhores de Trieste.

Ent�o, como muitas vezes acontece, ficamos com muito pouco.

Essa mans�o, por exemplo, seria o pouqu�ssimo que nos restava.

O resto vendemos quase tudo e nos

retiramos dentro destas quatro paredes.

Com certo decoro, certo?

Sabe, Mattia, o resto dos nossos parentes s�o armadores milion�rios,

e Carla adoraria bajul�-los.

Falando assim, o que seu amigo vai pensar.

Sabia que eu queria estudar pintura? Gosto muito mais

disso do que de m�sica, mas nem me ocorre contar � Carla.

Voc� sabia que voc�s dois s�o colegas?

- Carla � professora de piano. - Voc� d� aula no conservat�rio? - Vai saber,

Ele ensina algum cretino a mexer os dedos e, se der

certo, em dois anos acaba tocando "A Marcha Real".

Aqui estou.

Seu caf�.

Com licen�a.

Bom dia, senhora.

Pedi alguns dias, ainda n�o recebi o pagamento. Seja gentil.

- Olha, s� espero at� o final do m�s. - Por favor, eu te imploro.

- Ent�o eu lavo a ata, - Sim. - ... e eles tomam sua casa. - Sim, sim.

- Fique calmo. - Lembre-se disso. - Sim, adeus. - Adeus.

- Quem era? - Ningu�m. Nada importante.

Se soubesse quantas vezes j� pedi para ele me desenhar,

mas para mim ele sempre tem uma desculpa pronta.

Sabe de uma coisa? Acho que Renato est� apaixonado por voc�.

Quanto a��car?

- Quanto a��car? - Um, obrigado.

Seu caf� est� a�, querido. Vou deixar voc�s.

Voc� e sua m�e t�m uma maneira estranha de falar.

Calma, estou fazendo a boca.

Por que "estranho"?

N�o sei, eu n�o falaria assim com minha m�e.

Carla para mim n�o � s� m�e, ela � amiga...

e ent�o, tamb�m uma mulher.

Vejo tamb�m que ela � mulher, mas ainda � sua m�e.

Que quer dizer?

Sei muito bem que as pessoas ficam chocadas quando nos ouvem falar,

mas n�o nos importamos.

� normal que as pessoas se choquem, h� algumas tradi��es que devem ser respeitadas,

E h� tamb�m uma moralidade.

- Ah sim? - Claro, quer voc� queira ou n�o.

Percebo que voc� est� melanc�lica hoje, Sra. Richter.

Isso tamb�m me deixa triste.

- Vamos, vou te mostrar uma coisa! - Para onde est� me levando?

- Venha. - Elena, vou cair. N�o corra!

Viu? Aquele que voc� me aconselhou.

Eu fiz isso sem contar � sua m�e.

Gostou?

� lindo.

Estou feliz que voc� me ouviu.

Vou coloc�-lo, para que voc� possa me dizer com o que vestir.

Talvez voc� n�o perceba o quanto sortuda voc� �.

Por que?

Voc� j� teve tudo na vida.

Eu, por outro lado,

n�o pude aproveitar minha juventude...

como voc� faz agora.

- Na sua idade eu tive meu filho, Renato. - Esses bot�es... Pode me dar uma m�o?

Voc� n�o sabe o quanto meu filho mudou minha vida.

Eu te aborre�o com minha conversa?

Te incomoda?

Claro que n�o.

Chega de tristeza.

Voc� � muito bonita e jovem.

Aproveite esse momento antes...

Muito bem, voc� finalmente conseguiu o que queria, hein?

Deixe-me v�-la.

Sim, � bonito. � muito bom para voc�, mas h� algo que n�o gosto.

N�o � elegante.

� minha culpa, senhora.

- Fui eu quem recomendou esse vestido para Elena. - Como vai, Sra. Richter?

- Muito bem, gra... - N�o precisa se preocupar.

- Como v�o suas aulas? - Eu acho... - Sim, eu entendo.

N�o sabia que voc� tamb�m se dedicava � moda. At� logo.

Adeus amor. Nos vemos mais tarde.

N�o ligue pra ela, minha m�e � muito estranha.

Est� tudo bem, n�o se preocupe.

Eu apostaria que voc� j� estaria trabalhando.

Me conta uma coisa, voc� nunca sai com mulheres?

- N�o se preocupe. - Mas eu me preocupo.

E tamb�m por curiosidade, porque sou seu amigo.

A prop�sito, voc� j� dormiu com alguma mulher mais velha?

Mais velha?

Quero dizer uma mulher, n�o uma garota.

Por exemplo, da idade...

da Carla.

Olha, Renato, n�o gosto que fale assim.

Como voc� � chato.

- Tudo bem, n�o se pode nem brincar. - N�o.

...e ent�o voc� se encontrou em uma situa��o um tanto amb�gua, entendeu?

Sabe de uma coisa, Carla?

- Mattia n�o gosta de mulheres. - N�o! Mas o que est� dizendo?

Espere, n�o fique chocada. Me deixe terminar.

Ele quis dizer que n�o gosta de mulheres, apenas de meninas.

Portanto, ele n�o gosta de voc�.

Parece-me muito justo.

Mas Mattia, me diga uma coisa,

- ...eu pare�o t�o velha para voc�? - N�o, � o Renato quem fala besteira.

Eu sei, eu sei. N�o precisa se justificar.

Eu perdoo. Eu o perdoo em troca de n�o me chamar mais de senhora..

- Nunca mais, ok? - Sim. - E me ligue. - Est� bem.

O nosso pa�s presta homenagem � lealdade compacta do seu heroico povo.

Mais uma vez a coragem, o esp�rito...

�s vezes voc� se sente desconfort�vel conosco, certo?

N�o. Por que ele diz... Voc� disse isso?

Tipo, por qu�? Eu n�o sou est�pida, sabe?

Querido Mattia...

eu te conhe�o.

Voc� faz uma cara t�o engra�ada que quero te provocar ainda mais.

Voc� v�?

Eu n�o te contei?

Viva It�lia!

Vamos sentar aqui.

- Voc� viu quantas pessoas? - Uma bela demonstra��o.

- Sim, � verdade. - Obrigada.

- Bom dia, como est�? - Bom dia.

- Olha, � o Mazzarini. - Quem?

Eles s�o pessoas importantes.

Eu ensino sua filha.

- Bom dia. Como est�? - Bom dia.

Discurso maravilhoso.

Bom dia, Excel�ncia.

N�o, por favor. Uma mulher bonita n�o deve ser incomodada por um homem.

- Posso apresentar o Conde e a Condessa Grimani. - Encantado, um prazer.

- Encantado. - Sra. e Sr. Carteni - Encantados.

� uma grande honra.

Sente-se, senhores. Nos vemos mais tarde, na prefeitura.

� um grande momento para a It�lia.

Voc� acha? Sim, sim, todo mundo diz isso, mas...

Mas?

Eu estava pensando em algo. Hoje � s�bado, n�o tem aula e eu tamb�m n�o.

Por que n�o vamos para a casa de Linda? N�o �, Renato?

Linda � prima de Carla.

- Um dos nossos famosos parentes ricos. - O �nico legal.

- N�o � verdade, Giovanni? - Sim.

- Essa � Linda? - Sim. Sim. Vamos cumpriment�-la.

- Ol� Linda. - Ol�.

Ol�!

- Venha. - Obrigada.

- Linda. - Ol�. - Ol�. - Finalmente.

Este � Mattia Morandi, colega de Renato no conservat�rio.

- Estou muito feliz em conhec�-lo. - Eu tamb�m.

Deixe as malas que o Giovanni cuida, e venha me dar um beijo.

- Tchau prima. - Tchau.

Carla, preparei o quarto de costume para voc�.

Voc�s dois v�o dormir juntos, espero que n�o se importem.

- Tudo bem para mim, mas para Mattia... - Est� tudo bem pra mim tamb�m.

Melhor assim!

Entra.

Que maravilha!

- Nunca vi tantos peixes na minha vida. - � verdade, maravilhoso.

- Fizeram uma captura extraordin�ria a esta manh�.- Ah sim?

Al�m disso, sei o quanto voc� e seu filho gostam de... Comer.

- Comemos, sim. - Um pouco disso.

Ah, Linda, pare com isso. Estamos comendo demais!

Voc� decidiu me fazer explodir.

- Obrigada. - Pegue estes, que voc� ainda n�o comeu.

- Est� bom, n�? - �timo.

E voc� prova isso, que em Lecco n�o h� nada igual.

O que �?

Coma, coma, n�o diga nada.

Est� viva.

Claro que est� viva, � por isso que � gostoso! Vamos, n�o pense.

E?

- Voc� gostou? - Sim, � bom.

Voc� pode ver...

Voc� pode ver que isso o enoja.

Seu amigo me parece um bom menino.

E tamb�m bonito.

Ele tamb�m parece uma boa pessoa.

- Claro que �. Quando eu trouxe uma pessoa que n�o era? - Ah, sim,

porque sou uma pobre idiota sem mem�ria, hein?

Muito bem, Mattia, fico feliz em ver gente que come com entusiasmo.

Mas n�o coma muitos moluscos,

Esta noite voc� estar� agitado e s� eu estarei no quarto com voc�.

- Voc� n�o se sente bem? - Estava com sede.

Eu tamb�m n�o consigo dormir...

Com esse calor.

Algumas noites n�o consigo dormir at� o amanhecer...

� horr�vel?

Tendo tantas horas para pensar...

Especialmente a noite.

Talvez eu esteja ficando velha.

N�o � verdade.

Voc� � t�o bonita.

Voc� est� realmente dizendo isso?

Estou feliz por ter vindo.

Meu Deus, j� � noite, � t�o tarde.

Eu tenho que ir.

Renato ficar� preocupado. O que posso dizer a ele?

- Vou ter que inventar alguma coisa. - Espere mais um pouco. - N�o, n�o posso.

Tenho que ir.

Tente me entender.

- Vejo voc� amanh�? - Sim, sim.

Sim, em breve.

- Tchau. - Tchau.

Tchau.

- Voc� viu Carla ontem? - Sua m�e? N�o, por que? - Venha...

N�o se fa�a de bobo.

Eu sei disso desde a primeira vez. Na casa de Linda.

- Ela te contou? - Nem em sonhos.

Eu vi nos olhos dela,

ela estava feliz.

Venha, vamos.

Agora que isso foi dito, n�o h� raz�o para se preocupar.

Voc� faz minha m�e feliz,

ent�o eu gosto ainda mais de voc�.

Renato! Mattia!

- Eu fiz voc� esperar, desculpe. - Ol�, Karla. - Bom dia.

Voc� vem comer conosco?

Desculpe, eu tenho...

- ...um trabalho importante. - Como quiser.

- "Isso" chegou? - Esperava que estivesse l� tamb�m.

S�o as chaves da casa.

Voc� pode us�-las, sempre que quiser.

Se voc� quiser assim...

Agora voc� faz parte da fam�lia.

Tchau, Mattia.

At� logo.

Bravo.

- Bom, Andr�a, muito bom. - Bravo.

- Toca muito bem. - Obrigado.

- � tudo cr�dito da senhora. - Tenho que ir...

Espere, devo a voc� seu pagamento.

- Obrigado senhora. Obrigado. - De nada.

- Tchau, Andr�a. - Tchau. - At� logo. - At� mais, senhora.

- Obrigado novamente. - At� mais, Sra. Richter.

Meu amor...

H� quanto tempo estamos aqui? Somos dois loucos.

Eu tive minhas aulas.

Voc� me faz esquecer tudo.

Voc� sabe?

Eu te amo.

Meu amor...

S�o sensa��es,

sensa��es das quais j� n�o me lembrava.

N�o consigo pensar em nada...

nem mesmo em Renato.

Ele me faz perguntas, est� nervoso...

Sim, ele constantemente me verifica.

- Ele interpreta um marido ciumento? - N�o...

Mas at� os filhos podem ficar com ci�mes. Vem aqui.

N�o, n�o me olhe assim, estou com vergonha.

- N�o sou bonita. - N�o � verdade, voc� � linda.

� verdade?

Sim, me acaricie.

Acaricie-me.

Gosto das suas m�os, amor.

Te juro. Por que voc� insiste?

Tive que sair mais cedo porque precisava trabalhar. Dei aula a tarde toda, olha...

- Chega de mentiras! - Calma, Renato. - N�o acredito em voc�!

Nunca vi voc� t�o bravo. N�o vi hoje, n�o vi!

N�o � verdade!

Hoje estava com ele, e tamb�m ontem. Agora se veem todos os dias.

- Repito que n�o � verdade. N�o �. - Ent�o olhe para mim...

Sempre contamos tudo um ao outro, sim ou n�o? E agora n�o, por qu�?

- Por que voc� se apaixonou? - N�o, eu juro. - Voc� mente.

Olhe para mim!

Voc� se apaixonou e agora o ama mais que a mim!

- N�o diga bobagens, Renato. Acalme-se. - N�o! - Voc� � meu filho...

- Ele est� levando todo o seu amor, - N�o. - Mesmo aquele que me pertence!

Mam�e, me perdoe. Mam�e.

Me perdoe.

- Me perdoe. - Sim, sim, Renato.

Vamos, querido, vamos. Chega, chega.

Voc� n�o � mais uma crian�a. Eu n�o quero que sofra.

Voc� � a coisa mais importante da minha vida, voc� sabe. N�o quero te perder.

N�o, mas por que me diz isso? O que est� pensando?

Mesmo que eu gostasse dele. Mas n�o conta nada.

Ningu�m � mais importante que voc�.

Olha. N�o o veremos novamente.

Nunca mais quero v�-lo, voc� est� feliz? Ei?

Eu prometo... Al�m disso, j� estou cansada dele.

Ele �... ele � um tolo.

Sim, um idiota chato. Tudo bem, Renato? Ei?

Est� tudo bem, querido?

Meu tesouro.

J� passou, n�?

Meu filho.

- O que foi isso? - N�o sei.

Venha comigo, estou com medo.

Ol�.

Como vai?

Bem. E voc�?

Bem...

Posso entrar...

ou n�o?

Entre.

Faz um tempo que n�o nos vemos.

Aqui est� o seu retrato, terminei de mem�ria.

Eu agi mal com voc�.

Esque�a.

- Mas... eu queria te explicar... - Eu disse para esquecer.

Obrigado pelo retrato.

Eu vim...

porque eu queria ver voc�.

Sentimos sua falta.

- O que voc� quer dizer? - Sim...

Nos perguntamos sobre voc�.

E tamb�m...

queria convidar

voc� para jantar conosco.

Carla convidou os Mazzarini, com seus alunos ricos, lembra?

Se me lembro.

Ent�o voc� vem?

Elena, querida...!

Mattia...

Sim...

Ela n�o sabia que voc� estava vindo.

� uma bela surpresa, hein?

Entra.

Ei,

voc� fez muitas mudan�as.

- O que parece? - O mordomo est� para alugar.

Carla, megaloman�aca como sempre,

vendeu sua �ltima joia para este jantar

-~...e para decora��o. - Agora n�o... - Isso n�o � verdade?

E voc� sabe por qu�?

Porque espera comprar metade da riqueza dos Mazzarini com um anel.

- Ele quer que me case com Elena. - Voc� v� como �?

Ele nunca para de me provocar, nem mesmo quando penso em seu futuro.

Como vai?

Karla...

- Quer beber algo? Vermute, ok? - Est� bem.

Simples assim, hein?

- Pega. - Sr. Mazzarini. - Obrigado.

Bem-vinda.

Boa noite Senhora.

Boa noite, Elena. Boa noite, Edoardo.

- Boa noite. - Quero te apresentar...

- Mattia Morandi, um amigo... - Boa noite.

E este � o Renato, meu filho.

Ah, finalmente o famos�ssimo Renato.

Sua m�e falou muito sobre voc�.

- Certo, Edoardo? - Sim, muito.

Quem sabe quantas coisas est�pidas Carla lhes contou.

- N�o deveriam falar de mim, mas de m�sica. - Carla?

- Voc� chama sua m�e pelo nome? - Sim...

Sim, � um costume antigo em nossa fam�lia.

Voc� viu como Elena � linda?

Ent�o... quer beber alguma coisa?

- Sim. - N�o, deixe o mordomo servir.

Giuseppe!

Carla n�o faz nada al�m de falar sobre sua beleza,

mas n�o sabemos o que est� por tr�s disso.

Fale um pouco sobre voc�... isso te incomoda?

Da minha beleza?

Se voc� estiver interessado...

Vejamos, eu estudo v�rias coisas:

piano, dan�a cl�ssica, dan�a moderna e o que mais...?

Ah sim, estou fazendo curso de enfermagem.

- Ah, interessante. - N�o �. � o hobby da minha m�e.

Ela est� convencida de que em breve haver� uma guerra.

Em suma,

serei enfermeira como todas as meninas de boa fam�lia.

Satisfeito?

Sim, estou, e voc�?

No sentido... O que voc� far� depois de todos esses estudos?

Provavelmente me casarei com um homem que

meus pais escolheram, a quem n�o amarei,

isso ser� uma prote��o para mim,

e que ele se tornar� o pai dos meus filhos.

Est� tudo bem para voc� tamb�m?

Parece-me um quadro perfeito.

Mas n�o pense que n�o tenho minhas revolu��es.

Minha m�e queria que eu frequentasse uma escola de culin�ria e eu me rebelei.

Cozinhar � algo que odeio.

Se saiu muito bem, � como eu.

Tamb�m n�o sei fazer ovo.

Mas voc� � um homem.

Edoardo e voc�?

Quero ser um rep�rter fot�grafo.

Viajar o mundo.

Mas h� um pequeno problema,

meu pai n�o gosta nada disso.

O que voc� sempre diz, Elena?

- Elena? - Ele diz que n�o � um trabalho s�rio.

Boa noite, Elena. Adeus querida.

- Boa noite. - Edoardo, boa noite.

Est� ficando tarde. � melhor eu ir tamb�m.

Ei...? Ah... O que voc� diria de sairmos tamb�m, Renato?

Um pouco de ar fresco nos far� bem, est� muito calor esta noite.

Todos podemos acompanhar Elena e Edoardo juntos at� a casa deles.

- O que voc� est� dizendo? - Claro por que n�o? Vamos.

Al�m disso, perdemos um ao outro de vista.

Eles eram pessoas muito originais, certo?

Lembro que conheci meu primo.

Lembro-me de quando eles se casaram.

Foi uma coisa suntuosa, todo mundo estava l�. Foi uma cerim�nia espl�ndida.

O marido era muito violento, sabe?

- Jogador, acho que de profiss�o. - Um trapaceiro, eu diria.

- Ele literalmente perdeu a cabe�a. - Bem, ele teria outras mulheres.

J� chegamos.

Voc� quer ir comigo ao cinema no s�bado � tarde?

- Elena, se apresse. Apresse-se, mam�e estar� esperando por n�s. - Vamos.

- Amanh� �s tr�s e meia no cais de Sant'Angelo. - Est� bem.

- Senhores, obrigado e boa noite. - Boa noite, Elena, Edoardo.

Voc�s dois ter�o coisas a dizer um ao outro...

Eu estou indo.

Nunca gostei de cenas entre pai e m�e.

Voc� n�o est� rindo? Que pena.

Voc� n�o tem senso de humor?

At� logo.

Senti a sua falta.

Voc� n�o sabe o que me custou n�o ir te procurar.

Eu queria tanto voc� e...

e eu queria explicar para voc�.

N�o, n�o, n�o. N�o importa, amor.

N�o importa, n�o vou te contar nada.

Nada, tesouro.

Voc� me quer, hein?

Me diga, me diga.

- Venha, venha aqui. - N�o espera!

- Algu�m pode passar por aqui? - N�o me importa nada.

Tenho vontade.

- Carla... - Eu quero muito, fa�a amor comigo.

Ent�o.

Eles podem nos ver.

- Vamos? - Espere, voc� n�o quer ver de novo?

N�o por favor. � tarde.

- Boa tarde, Morandi. - Boa tarde.

Vamos sentar aqui.

Est� indo bem aqui?

Se voc� n�o tem nada para fazer, quer jantar conosco?

Eu?

N�o sei...

Do jeito que eu estou...

Na minha casa n�o prestamos aten��o nisso.

Al�m disso, n�o somos os Richters.

- Boa tarde, senhorita. - Boa tarde. - Boa tarde.

- Mas e seus pais? - Fique calmo, n�o se preocupe.

Voc� realmente gosta disso?

Mas em Veneza existem cinemas em edif�cios extraordin�rios.

Voc� v� Edoardo, n�o sou contra carreiras art�sticas.

Seu amigo, por exemplo, quer ser pianista. Muito bem!

Esta � uma verdadeira arte. Concertos, direitos autorais...

Francamente, sua ideia de fotografia...

que tipo de arte � essa?

Vamos, papai, ele fez o que voc� queria, est� matriculado na universidade.

- Ent�o deixe-o tentar, certo? - N�o, rep�rter fotogr�fico.

Para mim parece um trabalho para uma crian�a sem aspira��es.

Um trabalho para o qual n�o � necess�rio nenhum diploma. � rid�culo.

Posso entender um ateli� de retratos art�sticos, como o La Garelle.

mas esta perambula��o pelo mundo... Tamb�m � perigosa.

H� guerras por toda parte.

- Voc� sabe disso, n�o �? - � um absurdo, mam�e.

Ent�o eu deveria parar de dirigir, tamb�m pode se morrer a�.

Voc� sabe disso, n�o �?

Parece-me que Edoardo tem raz�o.

Pare, querido, n�o vale a pena.

Os jovens sempre concordam entre

si, era assim at� na minha �poca.

Deixe-os ser os pequenos rebeldes..

- Muito bem. - Bravo. Bravo, Mattia!

Bem, Elena, voc� viu como ele joga?

N�o vou fazer concertos.

Elena est� certa.

Venha sentar aqui, Mattia.

Venha.

Na sua opini�o, a sra. Richter � um boa professora?

Sim, muito.

Isso me faz feliz.

Tenho a impress�o de que Elena est� progredindo muito com ela.

- Certo, tesouro? - Sim, mam�e.

Ah... Ah, meu Deus.

A�, a cortina!

Um furac�o, horr�vel.

Chove sem parar h� dois meses.

Campo pobre, o vinho ser� p�ssimo, como no ano passado.

Um ver�o imposs�vel.

O que voc� est� esperando para vir acender as velas?

- Aqui. - Finalmente.

- Tenho medo. - Vamos, Elena, n�o seja crian�a.

Acenda-os a�. Tenha cuidado para n�o deixar cair cera nos tapetes.

- Mam�e. - Sim?

Como Mattia voltar� para casa?

N�o sei...

Posso lev�-lo com o barco.

Edoardo, v� ver se Vittorio est� acordado.

- N�o � necess�rio, obrigado. Me molho um pouco. - Como um pouco?

Voc� n�o me contou que mora longe, fora da cidade?

Sim, mas vai parar de chover.

Voc� n�o consegue ouvir? � uma tempestade.

Com licen�a, papai,

n�o seria melhor se Mattia passasse a noite conosco?

Sim, na verdade eu...

- O que voc� me diz, Am�lia? - Bem...

Sim. Desculpe, Morandi, n�o tinha pensado nisso.

Mariuccia, prepare j� o quarto de h�spedes.

N�o, n�o se preocupe. N�s faremos isso.

Vamos, Edoardo.

Venha.

At� mais, Morandi.

Estou muito feliz por ter conhecido voc�.

At� amanh�.

- Boa noite, Edoardo. - Boa noite, mam�e.

Boa noite amor.

Esse rapaz me parece s�rio... Ele joga bem.

Sim... mas ele � t�o t�mido.

Tchau.

Elena, olha quem eu trouxe para voc�.

- Tchau. - Surpreso?

Um pouco, sim.

� uma surpresa ruim?

N�o.

Edoardo, voc� pode por um disco?

A� est�.

Que bonito. O que �?

"Estou com vontade de amar"

- O que? - "Estou com vontade de amar"

Compramos em Nova York.

- Voc� j� esteve nos Estados Unidos? - Claro!

Como �?

Extraordin�rio. Um pa�s fant�stico.

Dan�a comigo?

Por favor, fa�a-a feliz, sen�o ela vai me pedir e eu n�o estou com vontade.

N�o, pombinhos. Voc� est� indo r�pido demais.

D� um beijo de boa noite,

e venha dormir.

Boa noite, Elena.

Tchau, irm�zinha.

Mattia...

Procuramos por voc�.

Renato j� foi at� sua casa.

Est�vamos com medo de que algo tivesse te acontecido.

Eu tamb�m vim.

Com toda a chuva n�o consegui voltar para casa,

ent�o insistiram para que eu ficasse.

Mas voc� tinha que jantar conosco.

- Voc� esqueceu? - Oh sim. Desculpe.

- Voc� n�o se importou nem em me ver. - N�o, por que me diz isso?

Olha, n�o vamos conversar aqui.

- Vou na sua casa esta tarde. De acordo? - Est� tarde?

Est� bem.

Tchau.

N�o, preste aten��o aqui.

N�o tenha tanta pressa. Vamos.

Olhe para mim.

Ok?

N�o. Voc� est� distra�da hoje.

Algo n�o est� bem?

Voc� quer que paremos?

Sim, � melhor

N�o estou com vontade de ficar aqui.

Eu gostaria de sair.

- Ir l� fora. - Se te entendo.

Est� um dia espl�ndido e claro.

- Chegando aqui encontrei Mattia. - Sim, ele dormiu aqui.

- Com a tempestade de ontem, n�o pode ir. - Sim...

a chuva...

Voc� foi muito gentil em hosped�-lo.

- Bom dia. - A aula j� terminou?

Elena n�o estava com vontade hoje.

- Edoardo... - Sim?

Voc� se importaria de caminhar comigo?

Eu gostaria de falar com voc�.

Encantado.

Vejo que voltou do t�nis. Eu jogava quando menina, sabe?

Ah, minha senhora, mas eu n�o me mexi, n�?

� verdade que n�o fiz nada para evit�-la, voc� entende.

Sim, os alem�es t�m um

temperamento diferente,

pergunte ao seu marido.

Excel�ncia, � realmente terr�vel.

Isso n�o � nada. Voc� deveria ter me conhecido h� 10 anos.

- Mam�e, voc� est� linda. A mais bonita. - Elena, o que est� dizendo?

- Se me permite, Elena fala a verdade. - Obrigada.

Al�m de n�o ter nada para fazer, ele gosta de boas bundas.

Cubra-se, h� muita umidade.

Obrigada.

Excel�ncia, como � Petacci? Voc� conhece ela?

Se me permite, condessa, n�o quero falar da senhora

Petacci, embora n�o negue t�-la conhecido pessoalmente.

Por favor entre.

Mam�e?

- Mam�e. - Sim? - Mattia pode ficar um pouco conosco?

Claro, agora � da fam�lia.

Boa noite, Mattia.

Boa noite e muito obrigado.

Obrigada mam�e.

Boa noite papai.

Quando vai me levar para um baile?

Quando chegar a hora, senhorita.

Boa noite.

Tchau.

Por favor, Edoardo, pode coloc�-lo de novo?

- Mas j� ouvimos milhares de vezes. - Eu gosto. - Sim.

Eu vi a Sra. Richter ontem.

Ah sim?

- Me diga, o que voc� fez pra ela? - Eu? Nada por que?

- Ela faz alguns coment�rios pouco gentis �s suas custas. - O que quer dizer?

Alus�es desagrad�veis sobre voc�.

N�o seja bobo, Edoardo.

� f�cil entend�-la, pobre mulher.

Ele queria casar seu filho comigo.

Me disse.

Mas eu n�o gosto do Renato,

assim que...

Que sono. Voc�s dois n�o est�o com sono?

Ok, entendi, vou para a cama.

Mattia, fique mais cinco minutos e depois v� para casa.

- Entendido? - Est� bem.

- Boa noite. - Tchau.

Elena.

Elena!

S�o 5 horas.

Devo ir.

N�o quero que ningu�m me veja.

Meu amor...

Espere, vou acompanh�-lo.

Vem r�pido.

Tchau.

- Bom dia, Mariuccia. - Bom dia, senhorita.

Abre?

Bom dia.

- Como est� amor? - Oi, mam�e. - Sim, sim, n�o se preocupe.

Estarei em Roma na pr�xima semana.

Falarei diretamente com Sua Excel�ncia, fique tranquilo.

Est� bem.

De nada.

- E bem? Sobre o que s�o esses mimos? - Por nada.

Voc� chegou tarde ontem � noite, �s dez e ainda est� na cama.

Voc� se divertiu?

Sim, um belo baile, muita gente...

demais, e tudo o que

fizeram foi falar sobre a guerra.

Dizem que chegar� em breve.

Sua m�e � obcecada pela guerra, ela at� viu isso no baile.

Ei m�e, n�o estou com

vontade de ter aula hoje.

- E por que? - Hoje o dia est� �timo.

Eu quero sair.

Por que n�o nos d� o carro?

Assim vamos para a villa, nunca mais fomos.

- N�o sei, pergunte ao seu pai. - Vamos, papai, diga sim.

Se sua m�e n�o tem nada contra...

Ent�o sim?

- Edoardo, mande prepararem o carro! - Ela nunca fecha a porta.

Mas com sua confus�o, d� uma sensa��o de alegria em casa.

- � verdade. - Ela ainda � uma crian�a.

Olha, Am�lia, voc� deveria evitar falar sempre de guerra.

D� a impress�o de um alarmismo um

pouco excessivo, dada a nossa posi��o.

A ideia n�o � s� minha, Riccardo.

Tamb�m outro dia na casa do Levi's, quando...

- Sim, mas a situa��o deles � diferente, eles s�o judeus. - De acordo,

- ...mas eles fizeram coment�rios muito justos, e eu... - Coment�rios?

Escute-me, Am�lia, por favor.

Quanto menos for dito, melhor.

Ei, olhem l�, os marmelos.

Depressa, venha.

- Aonde vamos? - Voc� ver�.

Onde voc� est�?

Boa jogada. Voc� conhece o caminho, eu n�o.

Elena!

Elena!

- Voc� gostou? - Sim.

- Vamos para a sa�da? - Sim, est� bem.

Voltemos ao in�cio. Vamos correr.

Este � o ponto de partida,

l� � o ponto de chegada.

Olha quem est� aqui.

Como voc� chegou aqui?

Muito bem, Elena, voc� se esqueceu da

nossa aula desta manh�, certo, querida?

N�o, eu n�o esqueci.

Mas n�o tive vontade, desculpe.

Sua m�e me contou, e tamb�m que voc� estava aqui,

e n�s viemos.

- Bom dia, Edoardo. - Bom dia.

- Bom dia, Mattia. - Bom dia.

Ei, mas... n�o queremos interromper seu jogo.

Podemos brincar tamb�m?

Claro...

porque estou convencida de que vou vencer.

Ent�o eu vou com voc�.

Eu tamb�m quero vencer.

V� em frente ent�o. Cada um em um caminho diferente.

- O ponto de chegada � l� em cima. - De acordo.

Vamos.

Mattia,

preciso te contar uma coisa.

Sim, mas rapidamente.

Voc� sabe que � um canalha?

Por que?

Porque voc� se comporta como um canalha.

Voc� n�o precisa de n�s agora, hein?

Voc� acha que pode nos tratar assim, como dois trapos sujos?

Olha, n�o estou dizendo isso por mim.

Eu gostei de voc� imediatamente, mesmo sendo bonito e legal.

Na verdade eu n�o me importo,

mas com Carla, n�o. Voc� n�o deveria fazer isso com ela?

Fazer que?

Voc� a est� humilhando de todas as maneiras.

Outro dia ela foi te ver e voc� fingiu que n�o estava em casa.

- Eu n�o estava em casa. - Voc� estava, estava.

E agora me escute bem, Renato, pela �ltima vez.

Talvez voc� esteja certo, mas tentei mostrar a ela de todas as maneiras.

Eu me apaixonei por Elena.

Ah...

Sim, � verdade.

E agora o que voc� quer de mim? N�o me incomode mais!

Em vez de ficar com raiva,

olhe l�.

Carla chegou primeiro, voc� v�?

Se eu fosse voc� ficaria mais atento, sabe? As mulheres n�o desistem t�o facilmente.

N�o, s�o coisas que n�o importam para mim.

- Prefiro que ele n�o fale comigo. - N�o est� interessado, como � poss�vel?

Acho que toda a sua fam�lia est� interessada.

N�o consigo entender como eles podem ter a ingenuidade

de realmente acreditar que Mattia � sincero.

- Eu n�o consigo entender. - E por que n�o?

Porque Mattia � meu amante!

Por que voc� saiu assim? Poderia ter esperado.

- Voc� falou com Renato. - E a�, n�o falei com ningu�m.

Tivemos que fazer o tour, certo?

Que perfume estranho.

- Mas voc� se importou tanto assim? - Sim.

E eu ganhei.

- Eu gosto de vencer. - N�o deve ficar sozinha com a Sra. Richter.

Olha, uma tartaruga.

O que estavam conversando?

Voc� realmente quer saber?

Sim.

Eu disse a ela que estou apaixonada por voc�.

- Voc� irritou toda a minha pele e boca. - � muito vis�vel?

Sim.

Espero que mam�e n�o perceba.

Que barba dura voc� tem.

Elena...

voc� gostou?

Elena?

Voc� gostou?

Claro que gostei.

� isso que voc� quer ouvir?

Est�o ali.

Est�o falando.

- Sabe do que falam? - Sim.

- Mas eu lhe contei... - Claro, tamb�m o que a Sra. Richter lhe contou.

Sim, sim, percebo que s�o problemas econ�micos.

Por enquanto eu sou... capaz de...

minha carreira est� apenas come�ando.

N�o, Mattia, vamos deixar a quest�o do dinheiro de lado.

Se f�ssemos novos ricos, querer�amos um homem importante para nossa filha.

Em vez disso, gra�as a Deus,

podemos dar-nos ao luxo de lhe dar um marido do seu agrado e nosso.

Voc� � um artista, mas s�rio.

Isto � o que apreciamos acima de tudo em voc�: seriedade.

Hoje somos um pa�s na vanguarda da Europa,

e voc� percebe isso, mas acima de tudo voc� realmente ama Elena.

O resto � fofoca.

Mas voc�s dois s�o muito jovens, crian�as.

S� vou te pedir uma coisa, que espere dois ou tr�s anos para se casar.

Estou certo, querido?

De agora em diante,

voc� ser� como um filho para n�s.

Obrigado.

Vamos, meu jovem, vamos at� Elena.

Bom. Muito bem, Elena.

- Foi isso que voc� decidiu? - Sim.

Mas voc� � t�o jovem...

Lembro que na sua idade cometi erros em tudo que fiz.

Voc� sabe, quando voc� � jovem...

apenas os sentimentos s�o seguidos.

N�o se percebe que o amor ideal n�o existe.

E ent�o voc� descobre que a �nica coisa que conta...

� amor f�sico.

- Voc� n�o se importa de eu falar assim? - N�o, em absoluto.

Me alegro.

De resto, estamos entre confid�ncias, entre mulheres.

Diga-me uma coisa,

Voc� j� esteve na cama com ele?

Eu? N�o, nunca.

E nunca sentiu vontade?

Nem se quer...

nem quando ele te beija, vamos l�... te abra�a?

Bem, claro,

mas ainda n�o somos casados.

Sim.

Voc� � uma �tima garota, sim.

Desejo que voc� seja muito, muito feliz.

Aqui, leia. Veja o que dizem sobre voc�.

Leia em voz alta.

Uma pessoa que h� muito valoriza sua fam�lia deseja alert�-lo

de que um indiv�duo normal est� corrompendo seus filhos.

Que viveu uma intimidade suspeita com o

amigo, e com mulheres notoriamente imorais.

� in�til dizer-lhe que n�o acreditamos em uma palavra do que escreveram.

Obrigado. A �nica assinatura que falta nesta carta � a da Sra. Richter.

Richter?

Voc� acha que foi ela quem escreveu esta... esta carta?

- Eu sei disso. - Por que motivo?

Sim, advogado?

N�o posso agora.

Acho que fui muito claro.

Eles cruzaram a linha. Se houver alguma dificuldade, n�o estou interessado.

Sauda��es, advogado.

Voc� estava me procurando, pai?

Ah, voc� est� aqui?

O que est� acontecendo?

Uma coisa muito desagrad�vel, Elena.

Fique tranquila, ele n�o tem nada a ver com isso.

Querida, por uma s�rie de raz�es que Mattia j� explicou,

...a partir de hoje as aulas de piano com a Sra. Richter terminaram. Por que?

N�o entendo.

O que ela fez de t�o s�rio?

Ele lhe enviou uma carta an�nima cheia de cal�nias contra Mattia.

� realmente odioso at� para n�s.

Mas se for an�nimo, como sabe que foi ela quem escreveu?

Mattia tem certeza.

- � verdade? - Sim, � verdade. Voc� tem que acreditar em mim.

- Bom dia. - Com licen�a senhora, tenho ordens de lhe dar isso.

�Considere as aulas de Elena suspensas a partir de hoje�

"Eu incluo o dinheiro que lhe devo"

- A senhora est� em casa? - N�o sei, acho que n�o.

V� procur�-la.

Diga-lhe que preciso falar com ela imediatamente.

Elena!

- Mas �...? - Preciso falar com voc�. Mas n�o aqui. N�o posso.

� algo que eu tamb�m deveria saber.

Ent�o venha para minha casa amanh� � tarde.

Te espero.

A senhora pede desculpas, mas n�o pode receb�-la.

Diz que se for pelo dinheiro, fale com o administrador.

Por favor.

Mattia...

Voc� est� louca.

- Voc� quer me arruinar? - Vamos, entre. - N�o, vamos conversar aqui!

Algo assim, t�o sujo, t�o nojento, que eu

nunca teria esperado. Nem mesmo de voc�!

Bem, voc� fez errado.

Eu fa�o qualquer coisa!

Foi voc� quem me fez fazer isso.

Sim, Mattia, foi voc�.

Eu? O que tenho a ver com isso?

Voc� tem sido um canalha.

Voc� estragou tudo!

Mas o que voc� espera? Que eu deixe Elena?

Isso nem passa pela minha cabe�a!

Mas voc� tem certeza que ela te ama?

Chega dessa hist�ria, Carla!

E tamb�m...

N�o � certo falarmos uns com os outros desta forma.

Sim, muita coisa aconteceu...

E al�m disso, no fundo, conheci Elena aqui com voc�.

Mas n�o... voc� n�o deveria se preocupar.

N�o vou esquecer de voc�, nem do Renato.

Que quer dizer?

Nada...

Que eu vou recompens�-la.

Vou te dar uma quantia.

Meu Deus!

Eu me pergunto como

ainda posso amar voc�.

Voc� �...

voc� � infeliz...

Pequeno carreirista, voc� s� se preocupa com dinheiro.

- O dinheiro e pronto! - E voc�?

Por que quis casar Renato com Elena? N�o era por causa do dinheiro, certo?

Eu nunca teria abandonado voc�, nunca.

Nunca!

Sim...

Eu escrevi essa carta.

Voc� j� viu, n�? � como se eu tivesse assinado.

Eu sei que n�o deveria ter feito isso, mas era a �nica maneira de...

te ver de novo...

para fazer voc�... voltar aqui.

Isso tamb�m � amor.

Voc� n�o entende, Mattia?

Uma vez...

�ltima vez, se quiser.

- N�o, n�o! - Espere, espere! - Fica! - N�o!

Vamos conversar um pouco mais, amor.

Adeus, Karla.

Aqui estou.

Voc� n�o sabe o quanto eu gostaria de n�o ter escrito isso.

� algo horr�vel,

do qual me envergonho.

Mas eu tive que...

me defender...

de alguma forma.

Defender? De quem?

Todos voc�s concordaram,

contra mim.

Antes eu te amava como uma fam�lia...

quase um pouco minha.

Ent�o voc� me abandonou.

Estou sozinha.

Sozinha. Eu nem sei a quem pedir desculpas.

A ningu�m.

Voc� � boa.

Talvez a �nica que me entenda.

Sempre, quando tenho algo meu,

eles sempre tiraram isso de mim.

N�o.

� um momento de fraqueza, n�o seja crian�a.

Mattia e voc� tamb�m se distanciaram de mim.

Eu ainda a amo, sabe?

Eu imploro, n�o v�.

Eu preciso ser consolada.

Voc� faz isso agora.

Ent�o...

Sim.

Ent�o.

Sim, assim, assim...

Agora voc� vai deixar Mattia.

Mattia?

Por que?

Mattia � meu noivo.

Era.

Agora voc� n�o vai mais se casar com ele.

Por que?

N�s duas podemos seguir secretamente.

Voc� ainda n�o entendeu?

Entender o que?

Voc� e Mattia,

n�o v�o se casar.

- Mas... - Fui clara?

O que?

Voc� ficou louca?

Eu e Mattia...

- ...vamos nos casar, � claro. - N�o!

Sen�o vou contar tudo o que aconteceu

entre n�s para seus pais, para todo mundo.

Voc� me d� nojo!

Antes, quando faz�amos amor, voc� n�o dizia isso.

Sabe por que fiz isso?

Porque era o �nico caminho que me restava

para impedir que voc� se case com Mattia.

Eles n�o v�o acreditar em voc�.

- Eles nunca acreditar�o em voc�. Nunca! - Voc� acha?

Ah, sim, v�o acreditar em mim.

O boato se espalhar�.

� preciso pouco para espalhar a palavra numa cidade como esta.

e voc� estar� arruinada, e seus pais tamb�m.

Que confiaram tanto em sua doce e pura menininha...

E acha que depois disso Mattia voltar� para voc�?

Voc� est� louca! Louca!

Voc� est� perdida assim como eu.

Talvez seja verdade,

na verdade �.

Mas eu, agora n�o...

tenho nada a perder.

Mas voc� tamb�m n�o o ter�...

E isso � o suficiente para mim.

Agora se vista e v� embora. N�o aguento mais sua presen�a.

Poder�amos ir para Salzburgo,

Existem alguns belos lagos pr�ximos

e Mattia podia ouvir boa m�sica.

Seria fant�stico, uma viagem maravilhosa todos juntos.

Mattia, h� quanto tempo voc� n�o tira f�rias?

F�rias de verdade, quero dizer.

Tem raz�o.

Os �ltimos foram...

na viagem para a Am�rica.

Com licen�a.

O que est� acontecendo?

Nada, ser� o campon�s que rouba mel.

Tamb�m no ano passado,

uma trag�dia por um pouco de mel.

Esse pobre rapaz pegou dois anos de pris�o.

Tenho uma m� not�cia para te dar...

algo muito desagrad�vel.

A Sra. Richter est� morta.

Parece que ela foi assassinada.

Aqui est� o Comiss�rio Franccetti.

N�o, querida, n�o chore.

Por favor acalme-se.

- N�o fique assim, vamos. - O comiss�rio � um amigo.

Ele quer falar conosco, especialmente com voc�, Elena.

Vamos, acalme-se. N�o chore.

Por amizade e por respeito � sua

fam�lia, preferi vir pessoalmente.

A minha visita � de pura formalidade, mas infelizmente inevit�vel.

Claro, comiss�rio, n�s entendemos.

Diga-me, senhorita Elena,

Quando foi a �ltima vez que viu a Sra. Richter?

Eu? No outro dia.

Lembre-se de que a senhora foi demitida ontem.

Por isso...

Comiss�rio, tem certeza de que isto � um assassinato?

- Talvez a pobre senhora tivesse problemas... - N�o, senhora,

Ningu�m comete suic�dio batendo na nuca.

Al�m disso, a arma foi encontrada ao lado do corpo:

uma pequena est�tua de bronze,

dos quais todas as impress�es digitais foram apagadas. Voc� entende.

Claro, com licen�a.

O filho da Sra. Richter foi quem encontrou o corpo.

Num colapso nervoso, ele disse alguns nomes,

� mais...

um nome espec�fico.

Uma pessoa que, se bem entendi, faria

parte, de certa forma, da sua fam�lia:

Sr. Mattia Morandi.

Como?

Mas...

- Ele � noivo da minha filha, comiss�rio. - Eu sei.

Olhe, Sr. Morandi, sou obrigado a lhe perguntar coisas muito pessoais.

Se voc� achar apropriado,

poderemos ter uma conversa mais reservada.

N�o � necess�rio. N�o tenho nada a esconder.

Est� bem.

Ent�o, Sr. Morandi, voc� era amante da Sra. Richter?

� certo.

E quando seu relacionamento terminou?

Quando conheci Elena.

Como a Sra. Richter reagiu, digamos assim, ao fim da sua...

"amizade"?

Bem... eu n�o queria aceitar o fato.

Ele n�o percebeu que nosso relacionamento era apenas...

- ...como eu diria... - Sim, sim,...

Eu entendo.

Eu entendo.

E diga-me, a Sra. Richter tentou de

alguma forma impedir o seu namoro?

Quero dizer, ela tentou acabar com voc� com amea�as?

Talvez com cartas?

Senhor Comiss�rio, se j� sabe de tudo, por que me pergunta?

Se tem algo para me dizer, diga-me.

De acordo.

Sou for�ado a perguntar onde voc� estava ontem � tarde,

entre as 15h...

e 18h00

Em casa, estudando.

Sozinho?

Sim.

Sinto muito, Sr. Morandi, mas temo que isso n�o seja suficiente.

O filho da Sra. Richter afirma que voc�...

Diga a ele, Mattia. Por favor, diga a ele.

Mam�e, papai, eu sei que

isso vai te machucar...

Mas � necess�rio.

Ontem � tarde, entre as 15h00 e as 18h00, estive com Mattia...

- ...em seu quarto. - Mas Elena... - N�o diga nada.

Senhorita Mazzarini,

est� disposta a testemunhar sob juramento,

num poss�vel julgamento, tudo o que acabou de contar?

Claro, comiss�rio.

Onde e quando quiser.

Est� bem.

Olha, Franchetti,

� meu forte desejo, se poss�vel,

que nada do que foi dito aqui hoje seja conhecido.

- Voc� me entende? - Naturalmente.

De resto, a palavra da sua filha � mais que suficiente para mim.

Os numerosos testemunhos sobre a Sra. Richter

a definem como uma pessoa pouco clara.

Ela provavelmente foi assassinada por algum amante casual,

- ...nada mais prov�vel. - Verdade, verdade.

Foi uma verdadeira leviandade colocar nossa filha em contato

com uma mulher sobre a qual n�o t�nhamos informa��es.

A prop�sito, e seu filho?

Muito bem, obrigado.

Acabou de se formar, ter� que encontrar um emprego.

Envie-o para mim.

Eu farei algo por ele.

Obrigado.

At� mais, Franchetti.

At� logo.

A terra � de Deus e tudo o que existe na terra � Dele.

Renato...

Fiquem parados!

Legenda: LABOK Mar�o 2024

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