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Original subtitles

Baseado no romance de Filip de Pillecijn e documentos supostamente aut�nticos, entre os quais um di�rio do s�culo XIX.

Para Josef Von Sternberg

A fronteira!

Voc� o viu?

Ele quase corou de emo��o quando viu os nomes de todos esses pa�ses em nosso passaporte.

Ele os repetiu em sil�ncio, um ap�s o outro:

Marrocos, Pr�ssia, Turquia...

Bessar�bia, Pol�nia...

R�ssia...

Portugal...

Portugal...

O cocheiro diz que esse � um pequeno posto de fronteira.

Eles raramente veem algu�m.

Um fazendeiro, um vendedor de rua, s� isso.

Pode-se ver.

O pa�s � pequeno, pobre e silencioso.

O sol est� brilhando e estou com frio...

H� alguma cidade por aqui?

Provavelmente n�o haver� uma cidade por aqui...

Parece um pa�s sem uma �nica cidade.

E se h� pessoas morando aqui, o que elas fazem o dia inteiro?

O que elas fazem � noite? O que fazem no inverno?

O que farei...?

O que vou fazer na fazenda onde vamos morar?

N�o h� nada l�...

N�o h� nada l�!

Seguran�a...

Sim, � a �nica coisa.

Que teremos seguran�a...

Que voc� estar� seguro... Monsieur Hawarden.

Estou cansado, Victorine.

M�e, o Monsieur Hawarden est� chegando!

V� e avise seu pai.

Pai, Monsieur Hawarden est� chegando.

Vamos, abra o port�o! Ele... ele est� chegando!

Walter, descarregue!

Boas-vindas calorosas, Monsieur Hawarden.

Uma recep��o cordial!

Sim, voc� pode falar holand�s se quiser. N�s conhecemos o idioma.

Toda a minha fam�lia conhece, at� a Victorine.

Hans! Vamos l�!

Posso apresent�-lo � minha esposa?

- Uma empregada dom�stica da cidade. - Sua empregada dom�stica.

Algo nela parece falso.

Ela � bonita.

Seu quarto � ali...

no topo da escada.

Entre, voc� deve estar cansado.

Ah, sim, o que eu queria perguntar a voc�.

Como est� sua irm�, Meriora?

N�o a vejo h� muito tempo.

Entendo...

Voc� deve estar com fome.

Eu tomarei a iniciativa.

Voc� o viu, Axel?

Que cavalheiro espl�ndido!

T�o rico, t�o esbelto.

Voc� viu como sua m�e olhava para ele? A boca dela quase se abriu.

Ei, voc� n�o est� com ci�mes, est�?

Talvez um dia voc� se torne um homem t�o bonito tamb�m.

Alguma carta?

Quatro cartas novamente para voc�...

- Um pacote? - Sim, isso � uma encomenda.

Aqui est�.

Voc� vai me manter ocupado!

Sim...

O jantar est� pronto?

Londres

Paris Amsterdam

- Isso n�o � da sua conta! - E uma encomenda de Viena.

- Voc� � intrometida. - E voc�, n�o �?

� noite, voc� fica com o ouvido pressionado contra a parede, esperando ouvir alguma coisa.

- Eu? - Voc�!

Voc� est� dormindo no quarto ao lado dele, n�o est�?

- E o que voc� ouve � noite? - Nada.

Ele � um segredo.

O que voc� ouve � noite, Emma?

Voc�s deveriam calar a boca. Deixem esse homem em paz.

- Esse homem est� doente... e cansado. - Se ele est� doente, deveria chamar um m�dico.

Por que ele se tranca como um prisioneiro?

Ele est� aqui h� dez dias e o que vimos dele?

Apenas sua sombra passageira atr�s da janela...

e aquela empregada!

Quem disse que ela � a empregada dele?

Falei com um homem em Staverno e voc� sabe o que ele disse?

Ele � um lorde ingl�s...

que roubou a esposa de seu melhor amigo e agora os dois est�o se escondendo aqui.

Esse senhor...

e sua namorada.

O que voc� ouve � noite, Emma?

Voc� � um bastardo!

Eu vi a lux�ria suja em seus olhos quando voc� olha para ela.

O que voc� ouve � noite, Emma...

Voc� os ouve sussurrando?

O dia inteiro eles t�m que fingir que ela � uma empregada dom�stica.

Mas � noite...

� noite, ela entra sorrateiramente em seu quarto, vestindo uma camisola...

e aqueles perfumes...

Voc� os ouve ofegando, Emma?

Ele e a empregada?

Vamos l�! Eu quero saber se a Emma pode ouvi-los...

Ela vem buscar suas cartas... Ao seu servi�o, aqui est�o elas.

- E a refei��o de Monsieur Hawarden. - Refei��o?

A refei��o do Monsieur Hawarden!

Emma, a senhorita n�o precisa esperar, n�o �?

Eles est�o conversando demais na cozinha, � por isso que o trabalho n�o � feito.

Por favor, pegue uma cadeira.

Voc� n�o consegue ver a merda que voc� est� fazendo, porco?

Voc� � linda...

Voc� se machucou?

O que est� acontecendo aqui?

Ele estava se curvando para aquela empregada.

- Mas ela n�o o notou. - N�o! Porque ele est� cheirando mal!

Vinho da Als�cia. Espero que agrade ao seu mestre.

O senhor j� elogiou o vinho v�rias vezes.

Seu mestre n�o precisa de mais nada?

O senhor n�o precisa de nada. Tranquilidade apenas...

Ele quer ser deixado em paz.

Sim, eu sei. Mas se fechar no seu quarto desse jeito...

Eles nos escreveram que ele estava vindo para c� para... ficar sozinho.

O resto n�o � da nossa conta.

Voc� n�o viu como ele estava p�lido quando chegou aqui pela primeira vez?

Suas m�os, t�o finas...

N�o foi voc� quem me disse que devia dar-lhe carne extra?

De qualquer forma, � estranho...

que tenha algu�m morando em sua casa e n�o esteja nela...

M�e!

Querida m�e!

N�o. O senhor n�o beber� vinho hoje.

N�o houve nenhuma carta hoje.

Isso faz voc� se sentir sozinho.

Voc� sentir� falta deles.

Esta manh�, havia um homem no p�tio.

Acho que ele era um comerciante.

Ele carregava mercadorias em suas costas.

Mas eles o mandaram embora.

Eu o vi saindo pelo port�o.

Ele estava usando um bon� de pele...

embora estivesse quente l� fora.

Ele se assemelhava �queles pescadores no porto de Petersburgo.

Voc� se lembra?

Naquela �poca tamb�m era primavera.

O rio gelado derreteu.

Est�vamos sempre perto de rios na primavera.

O Schelde, o Sena, o Dan�bio...

Ontem

quando coletei o dinheiro,

Voltei na carruagem do oficial de justi�a

e durante toda a viagem de volta eu fiquei pensando

que poderia lev�-la � Espanha ou Paris

ou at� mesmo para Col�nia por um tempo.

Mas quando eu dei o dinheiro para voc�, eu percebi

que seria desperdi�ado.

seria desperdi�ado.

H� um pequeno rio que corre nas proximidades.

Voc� pode ver com seus pr�prios olhos!

O clima est� perfeito para estar ao ar livre.

Isso � o suficiente, Axel, por favor, pare!

� um cavalo maravilhoso.

Voc� gosta de cavalos?

- Eu gosto deste. - Sim, com raz�o.

Eu costumava gostar muito de um cavalo tamb�m.

Eu tinha quase a sua idade na �poca.

Ele morreu... e isso foi triste.

No arm�rio do meu quarto h� um livro de fotos de cavalos. Voc� pode ir busc�-lo?

Para Axel.

Voc� deve olhar para essas fotos com cuidado.

H� muitos cavalos dos quais voc� poderia gostar.

Vamos l�, Victorine!

Voc� est� vendo aquela �rvore?

Parece com meu av�.

Seu rio...

Ent�o pare�a feliz.

A primavera, um rio...

Voc� tem tudo o que deseja.

Os homens s�o rudes e grosseiros aqui.

Mas eles admiram voc�...

Isso deve ser uma bajula��o para uma senhora.

Eles est�o planejando algo para esta noite.

Monsieur Hawarden est� jantando com a fam�lia!

- Com sua namorada? - Sim!

E eu vou levar o vinho para eles.

Eles ficar�o b�bados esta noite...

Bem-vindo! Bem-vindo!

- Estamos felizes que tenha se juntado a n�s. - Obrigado.

Bem... o que vamos beber?

O que voc� estiver tomando.

Eu j� li o livro.

Leu?

Eu olhei principalmente, algumas das palavras eram estranhas.

N�o s�o t�o estranhas assim.

� realmente simples.

Cavalo... Pferd

franc�s: Cheval

Ingl�s: Horse

Latim: Equus

Sa�de, oficial de justi�a!

- Grego: Hippos.. Russo: Loshad, italiano: Cavallo

Voc� fala todos esses idiomas?

N�o, nem todos.

Nem mesmo quase todos eles.

Do que eles est�o falando?

- Eu sirvo a refei��o, n�o escuto. - Voc� n�o � surda, �?

Ela n�o quer ouvir, porque n�o � da conta dela.

Voc� � t�o intrometido quanto uma velha solteirona.

Eu sou intrometido?!

Estou protegendo todos voc�s!

Voc� sabe quem ele �?

O oficial de justi�a sabe? N�o.

O oficial de justi�a � vaidoso. Ele s� quer que os aristocratas experimentem seu vinho.

E os aristocratas levantam suas ta�as

e dizem...

Meus cumprimentos, oficial de justi�a.

Mas, enquanto isso...

Voc� se lembra do que aconteceu com aquela fam�lia em Schoonhoven?

- O conde estrangulou a condessa com a corda da cama. - Ela foi cortada em 70 peda�os.

E os corpos das crian�as estavam deitados limpos na pocilga.

� a sua vez.

Cuidado com suas dores de cabe�a.

Dores de cabe�a? Causadas pelo meu vinho?

O que voc� acha do meu vinho, Monsieur Hawarden?

Meus cumprimentos, oficial de justi�a.

Eu o desafio...

Procure por cinquenta ou at� cem quil�metros ao redor desta fazenda para encontrar um bom vinho.

Eu... � verdade, tenho orgulho dos meus vinhos...

e de minha esposa.

Um homem tem de se orgulhar de alguma coisa, n�o � verdade, senhor?

Certo. Cinquenta, cem quil�metros ao redor dessa fazenda.

Voc� encontra um excelente vinho...

e eu o levarei para a minha adega e lhe servirei um vinho ainda melhor.

Acredito em voc�, oficial de justi�a.

Porque se o acaso permitir...

Eu mesmo vou tir�-lo do barril de vinho.

Eu mesmo viajo para a Rue de Saint Labarque... e Borgonha.

Eu os mantenho no barril. Eu... eu os crio no barril.

Porque... eu...

Vinho...

Vinho, o vinho � como uma crian�a.

Ele nasce...

e tem seu pr�prio car�ter.

�s vezes caprichoso, �s vezes equilibrado...

Desafiador ou obediente.

Eu... euh... Sim, voc� tem que aument�-lo.

Com paci�ncia,

e amor.

E... e �s vezes com dureza.

Vinho... Vinho.

O vinho � um ser humano.

Um brinde a voc�, Senhor Hawarden!

Um brinde ao magn�fico jantar que sua esposa preparou para n�s, oficial de justi�a.

- N�o se preocupe com isso. - N�o � um problema.

N�o � nada grave.

Quando eu era pequeno... pequeno...

como voc� Axel...

Jovem...

Uma vez por ano, em outubro, �amos de carro para o campo, visitar os pobres e os doentes.

E lev�vamos a eles vinho e p�o.

E quando o orvalho come�ou a baixar, havia m�sica e n�s dan��vamos.

Meninos... meninas...

E mais tarde... Eu era um pouco mais velho, dezesseis... dezessete...

e eu estava muito apaixonado...

Meu pai estava doente.

Ele ia morrer.

O que eu queria dizer de novo, Victorine?

Eu n�o sei.

O que eu queria contar, Axel?

Mais tarde, quando voc� tinha dezesseis dezessete anos...

N�o me lembro.

O vinho, Monsieur Hawarden.

Isso � o vinho.

O esquecimento.

Nunca houve nada.

Voc� vive sozinho agora.

Voc� est� cada vez mais jovem...

Voc� est� corando.

Voc� se esqueceu disso...

Aqui est�.

Voc� conhece Paris, Monsieur Hawarden?

- Mas � claro. - Por favor, fique quieto, Herman.

Eu... Eu li em algum lugar...

que nas avenidas de Paris...

atualmente, constru�ram pilares, com dois metros de altura.

Com uma esfera sobre eles que termina em um �pice.

Como os pilares de uma igreja turca.

- Isso � verdade? - Herman, por favor...

- Voc� os conhece? - N�o sei.

Eu li... que existem essas casas pequenas e estreitas.

Para... para homens!

Voc� as viu?

Eu me lembro.

Eu me lembro!

Meu pai estava doente...

Todos n�s sab�amos que ele n�o viveria muito mais...

Minha m�e e eu voltamos do campo...

Sozinhos.

E um grande baile ia ser realizado em nossa casa...

Eu lhe disse isso Victorine, o que era mesmo? Um concerto. Mas onde?

Onde?

Um jovem. Um garoto...

- Mas onde?! - Em Lisboa.

Era uma noite.

Uma noite como esta, tudo parecia igual.

E havia um oficial... e havia aquela mulher de Toulouse!

Aquela marquesa que viajou pelo mundo com todos os seus pertences.

Sua espineta, as cadeiras, todos os livros.

- Mas onde?! - Lisboa.

Portugal!

Era uma noite. Uma noite como esta.

Tudo parecia igual.

Sei disso porque me lembro daquela marquesa nos perguntando de onde viemos e eu respondi...

De Viena, Madame!

E ent�o veio o oficial que disse:

Uma vida "honesta" significa uma morte precoce.

Estou falando alem�o. Minhas desculpas.

Esse garoto...

Essa crian�a, Axel...

Talvez n�o fosse Portugal?

Em minha mem�ria, tudo se parece com Viena.

A espineta, as carruagens, os oficiais, a m�sica, os parques, os bancos, os cavalos...

Havia cavalos em Lisboa?

N�o era Lisboa!

Aquela marquesa.

A marquesa estava...

Meu pai...

Meu pai ainda estava vivo.

Talvez ele estivesse doente, isso eu n�o sei.

Eu n�o sei.

Obrigado!

Foi uma noite maravilhosa, oficial de justi�a. Muito obrigado.

Durma bem.

Eu conhe�o o caminho, Victorine.

Sim?

Afinal, voc� veio?

- Eu estava preocupada. - Preocupada? Por qu�?

Por causa do vinho? O Brandy?

D� uma olhada em si mesmo.

Voc� est� corando.

Voc� est� muito bonita.

N�o foi divertido tamb�m?

Eu vi voc� observando cada copo, como uma m�e muito severa.

Uma m�e severa, Victorine...

Mas voc� bebeu tudo tamb�m.

Eu tamb�m estava observando voc�.

Voc� o deixou servir, n�o recusou um �nico copo.

A severa m�e, Victorine, � viciada no vinho do oficial de justi�a.

Enquanto estivermos juntos, estamos seguros.

Precisamos um do outro, Victorine.

Sim...

Enquanto estivermos juntos...

Enquanto cuidarmos um do outro quando bebermos vinho...

nada vai nos acontecer.

N�o durante toda a nossa vida.

Por toda a vida?

Por toda a vida.

Vida?

Aqui?

Viajar era a vida.

Como a maneira que fomos de um lugar para o outro durante todos esses anos.

Cada cidade, cada hotel, cada quarto, eles eram novos, desconhecidos.

Voc� viu o quarto que eu tenho aqui?

� frio e �mido.

E � noite eu ou�o os ratos rastejando no celeiro...

e um fazendeiro que ronca e se revira em seu sono.

E quando o vento sopra, a cal do teto cai sobre meus cobertores.

- N�o posso fazer isso, n�o posso. - Victorina...

E voc� nunca deve fazer isso.

Quando est�vamos viajando, ningu�m nos perguntava nada.

Mas aqui estamos presos e trancados.

A cada passo que voc� d�, eles veem, eles ouvem, e nos olham.

E quando voc� est� b�bado e diz "Viena"...

Temos que ir dormir, amanh� tudo ser� diferente.

Amanh� tudo ser� igual como hoje, ontem e semana passada...

E quanto a mim?!

Voc� recebe cartas e livros mas eu n�o recebo nada.

E eu as ou�o... Essas mulheres.

Eu sei do que elas est�o falando.

Eu tento n�o as ouvir, tento n�o as ver, mas elas est�o l�.

Elas querem que eu conte tudo...

sobre o Monsieur Hawarden.

- Preciso de voc�, Victorine. - Estou aqui.

- Mas em um lugar como esse? - Eu preciso ainda mais de voc�...

Ainda mais...

Voc� quer que eu ajude?

N�o, voc� pode ir.

Veja, � onde moramos e ali � o p�ntano de grama.

L� � perigoso.

Voc� pode ver por si mesmo, � um p�ntano.

N�o h� muitas crian�as aqui.

H� um garoto, que mora perto de Stavelo...

mas ele ficou doente. Ele est� no hospital h� um ano.

Eu j� estive l� uma vez...

mas ele realmente n�o queria conversar.

Quantos anos voc� tem, Axel?

Treze.

E voc�? Quantos anos voc� tem?

Quantos anos voc� acha que eu tenho?

Bem, talvez... euh... trinta?

Oh, Axel...

Voc� j� esteve em todos os lugares?

Oh n�o, nem de longe.

Para quantos pa�ses?

Olhe. Aqui � a Europa, o que voc� pode apontar? A linha costeira.

Fran�a, Espanha, It�lia.

Certo. E aqui � Viena...

Constantinopla, Riga...

Londres, Amsterd�...

Lisboa...

Era verdade, a hist�ria sobre aquela marquesa?

Era verdade.

Amsterd�. Mil�o.

Moscou. Thessaloniki.

Por qu�?

- Por que o qu�? - Por que voc� esteve em todos esses lugares?

�s vezes um lugar n�o � suficiente.

Veja! Em um �nico pux�o! E meu cora��o n�o est� batendo mais r�pido.

Sinta!

Voc� � um jovem...

Ela n�o � sua, amigo.

Ela � do Monsieur Hawarden.

E o Monsieur Hawarden � rico. Toda semana ele retira dinheiro do banco.

Voc� n�o o v� carregando sacolas.

E se ela n�o for do Monsieur Hawarden, ent�o ela � minha!

Venha, Axel.

Olhe ao redor por um momento.

Um minarete.

E quando voc� est� na Turquia, voc� ouve o padre cantar todas as tardes.

Ele est� parado no arco ent�o.

Voc� gosta?

Est� tudo bem...

Eles n�o s�o ador�veis?

Eu mantenho a hora de quase todos os pa�ses que visitei.

Voc� pode ver isso.

Existem pa�ses felizes e alegres.

E os tristes.

No norte, eles pensam na morte quando medem o tempo.

E no sul, no sol.

D� uma olhada.

S�o bonitos, n�o s�o?

Lindos.

Sim, eles s�o muito bonitos...

O que tem dentro disso?

O que h� dentro desse ba�?

Esse ba� est� cheio de roupas.

Agora voc� tem que ir.

Espere, eu tenho algo para voc�.

Obrigado.

Cuidado com os len��is!

Eles n�o podem nos ver aqui.

Vamos!

Por que voc� est� fugindo?!

Ele n�o pode ver voc�, ningu�m pode nos ver aqui!

Ou voc� quer aquele outro cara? O Hans?

Cuidado, solte! Solte, algu�m est� chegando.

Quem era aquele?

� um cara com uma lanterna, ele vem aqui todo ano.

Lanterna?

Sim, algo para velhas solteironas e crian�as.

Imagens em um len�ol.

Mas quando a crian�a nasceu...

o rei morreu de raiva.

Pois ele queria um filho, e n�o uma filha.

Apesar disso, a menina cresceu para ser uma linda princesa.

Mas ela se tornou o terror de toda a corte.

Porque todos...

que ousaram cham�-la de mulher...

eram punidos horrivelmente.

O Lorde Chamberlain disse "Minha Senhora"

E ela o enforcou.

E a Primeira-Dama de companhia disse:

"Doce princesa"

Ela �fez� com que cortassem sua l�ngua.

Ela �fez� com que cortassem sua l�ngua.

Assim, a princesa fez com que eles cortassem sua l�ngua.

E o general do ex�rcito...

a convidou para uma dan�a no baile estadual.

E ela queimou os olhos dele.

E quando ela tinha dezoito anos...

dois pr�ncipes vieram...

e ambos pediram sua m�o em casamento.

A um deles ela disse:

"Voc� ter� minha eterna gratid�o...

se voc� matar o outro pr�ncipe,

porque ele me insultou, ao me chamar de mulher. "

E o pr�ncipe matou seu rival...

Mas quando ele voltou para a princesa...

ela pegou um punhal e o apunhalou no cora��o.

E as pessoas a viram de p�, com as m�os ensanguentadas,

na sacada de seu pal�cio.

E uma onda de medo varreu toda a terra.

Mas a rainha tinha tanto medo como seu povo...

Ent�o ela baniu sua filha do reino.

E ela disse:

""Voc� est� morta...

voc� s� n�o morreu ainda."

E essa princesa ainda vagueia pelo mundo.

Ela j� se esqueceu h� muito tempo, se era um homem ou uma mulher.

E ela nem mesmo sabe se est� realmente viva.

O Monsieur Hawarden se foi!

Ele deve ter ido para seu quarto.

- Ficou t�o quente aqui dentro... - E abafado.

- Mas n�o h� luz acesa em seu quarto.

Ent�o ele provavelmente foi dar um passeio.

Esses contos de fadas podem fazer voc� ficar sonolento.

O port�o foi aberto!

Ent�o ele provavelmente foi dar um passeio.

Mas ele n�o sabe o caminho.

Ele n�o est� em seu quarto.

Estava t�o abafado aqui que ele provavelmente foi dar uma volta.

N�o! � noite?

Estou preocupada.

N�o o vejo em lugar nenhum.

Temos que procurar por ele.

Tochas! Peguem as tochas!

Estou feliz por voc� estar aqui.

Esta � a maneira que eu sempre imaginei estar. A cidade, uma grande mans�o, carruagens...

convidados, m�sica...

Os sonhos de uma garotinha.

Minha m�e costumava usar vestidos fabulosos para as noites de m�sica em casa.

Elas n�o aconteciam com frequ�ncia, talvez duas... tr�s vezes por ano.

Ent�o, de repente, papai se foi...

sem mais nem menos.

E tudo acabou.

A m�sica, os vestidos...

Quando eu vi meu marido pela primeira vez...

Ele era doce, forte e seguro.

Para o benef�cio do Axel, Estou feliz por voc� estar aqui.

Voc� pode ensin�-lo, mostrar-lhe algo que eu n�o posso mais.

Que eu n�o posso mais...

Querida m�e,

Durante todos esses anos eu n�o escrevi para voc�, n�o para voc�.

Escrevi para amigos em Haia e em Paris, mas apenas para perguntar sobre voc�.

Estou sozinha agora, exceto por Victorine.

Ela ficou comigo, mas n�o sei por quanto tempo mais.

N�o sei por quanto tempo as coisas ainda podem continuar assim.

Eu moro em Pont, na casa do oficial de justi�a Deschamps...

"e aqui eles me chamam de Monsieur Hawarden."

Voc� n�o entende, m�e, mas eu tamb�m n�o, e isso � ainda pior.

Por favor, escreva para mim, envie-me a �nica palavra pela qual anseio, antes que seja tarde demais.

Sua filha, Meriora.

Vamos!

Por aqui!

Sim, por aqui!

O piano! Por favor, ajude a mover o piano!

- Sim, sim. - Ele j� est� chegando!

J� estou indo!

Sim, o piano!

Cuidado, cuidado, cuidado!

Firme!

Firme. Firme.

Oh, tenha cuidado!

Vamos l�, n�o fa�a isso, oh!

V� para dentro!

- Levant�-lo? - Sim.

Oi!

O que h� de errado?

Ali embaixo da janela! Vamos, r�pido!

Hans, levante isso.

Eu vou derrub�-lo se voc� olhar para ela!

- De quem voc� est� falando? Corine, Victorine? - Tire suas patas de cima dela!

E voc� mantenha suas patas longe dela.

- Estou contando os dias... - Nada de brigas aqui, senhores!

Para a cozinha! Vamos l�!

- Monsieur Hawarden ainda n�o chegou? - Ele vir� em breve.

Esse Hawarden, ele est� chegando?

Estou curioso para ver se aquele homem ainda vir�!

A� vem Corine!

Puxe o cabelo da cabe�a dela!

V� em frente, fa�a isso!

- Vou arrancar seus olhos, vadia! - Voc� precisa ter todos eles, n�o �?

M�sica! M�sica!

Por favor, n�o se importe com isso, senhor.

De fato... �... realmente n�o � t�o ruim assim.

Um pouco de emo��o!

Isso acontece toda vez.

- Todo ano h� uma briga. - Eu quero ir embora.

- - Vou fazer as malas, n�o aguento mais um dia. - Por causa das coisas menores.

- Eles v�o me matar nesta fazenda fedorenta. - � final de ver�o, muito trabalho.

- Eu entendo, oficial de justi�a. - E todo ano no baile... - Entendo perfeitamente.

Essa conversa acabou! Por favor, Victorine!

- Posso lhe servir um copo? - Por favor, sirva.

� um Beaujolais antigo.

Ao amor, Monsieur, ao amor.

Que nojo.

Que nojo.

Tudo � doentio aqui.

O ar.

- E seus olhos. - Oh, pare com isso.

E o mau cheiro na cozinha.

V� embora, ca�ador de mortos.

Ele est� muito doente?

- E quem vai enterr�-lo? - Seus parentes.

Quais parentes?

Os de Londres?

Ou os da Holanda?

H� semanas sua empregada vem perguntando sobre cartas de Viena.

Definitivamente, esse � o lugar onde o agente funer�rio mora!

Bom dia!

Alguma carta de Viena "hoje"?

N�o, n�o h� nenhuma carta de Viena.

- Quem era? - Axel.

- Onde ele est� agora? - Foi embora.

Por qu�? Por que...?

Ele precisa ver voc� deitado a�?

Porque eu o mandei embora?

Porque eu n�o quero que eles nos espionem.

Fantasia por Hendrik Conscience

Escritor do ano, maravilhoso.

A vingan�a de Deus.

Era uma donzela virtuosa, com dezessete anos.

Sua forma esbelta...

estava espalhada de forma t�o descuidada e agrad�vel sobre a requintada espregui�adeira...

que ela quase parecia ser uma fantasia de um pintor grego.

Uma tiara...

A "Tiara" de folhas douradas estava brilhando em sua testa de m�rmore.

E o cabelo loiro pendia como mechas de fios de seda em seus ombros.

N�s dever�amos ter ido para Viena antes do inverno.

Eu vou melhorar, Victorine.

Voc� deveria ter ido a um m�dico h� muito tempo.

Eu vou melhorar, prometo a voc�.

- Havia alguma carta? - Nada...

N�o fiz nada hoje.

- Todos os dias, essa � a sua resposta. - Sim, todos os dias.

Diga-me o que voc� viu ontem e no dia anterior.

Diga-me o que voc� v� do lado de fora da janela.

Pedra... Vidro, barras...

Branco... branco... paredes

H� mais luz hoje.

Eu gostaria de dar uma olhada l� fora.

Est� chovendo.

Em breve ser� primavera.

Nada de Viena.

Nada est� vindo de Viena.

N�o estou mais perguntando.

Eu n�o quero morrer por causa de um sonho, uma miragem...

Nada est� vindo de Viena.

Voc� est� morto para sua m�e.

Eu prometi a voc� que iria melhorar, n�o foi?

Voc� n�o pode me prometer que nunca mais ficar� doente.

Voc� faria algo por mim?

O qu�?

Pe�a ao Axel para vir at� aqui.

- Agora? - Sim...

Ele est� l� fora, posso ouvir sua voz.

Eu vou busc�-lo.

Ol�, Monsieur Hawarden.

Oh, como voc� cresceu...

Senti sua falta.

Senti muito a sua falta.

�s vezes eu ouvia voc� gritando, e eu ouvi voc� tocando piano.

Parecia estar longe.

Voc� tamb�m sentiu minha falta?

Sentiu falta?!

Voc�s falam como dois amantes.

Oh, ele definitivamente sentiu sua falta.

Todos eles sentiram sua falta. Todas essas semanas.

Eles n�o a viam, porque eu a protegi! Por 12 anos! Contra os espi�es e olhares curiosos.

- Eu e somente eu protegi voc�! - Victorine, por favor...

Sim, Victorine.

Victorine ouviu, viu e sentiu.

Eles intoxicaram voc�. Voc� contou hist�rias sobre seu pai doente em Viena.

Eles s� queriam descobrir que ele n�o estava doente, mas que havia se enforcado!

E ent�o a f�bula da lanterna m�gica.

Voc� pensou que estava seguro aqui, mas eles sabem! Ele sabe!

O que voc� estava pensando quando ouviu a "bela" f�bula deles?

- O que voc� estava pensando?! - V� embora.

- Quer que eu diga o que voc� estava pensando? - V� embora.

- Quer que eu diga o que voc� estava pensando? - V� embora!

- Victorine, o que est� fazendo?! - Estou indo embora.

- Voc� n�o pode ir embora! - Tenho que ir, n�o posso ficar aqui!

E eu, o que acontece comigo?!

Eu n�o sei...

Voc� vai ficar! N�s partiremos para Haia amanh�!

Podemos ficar l� por um tempo, eles v�o entender.

Eu posso lhe dar dinheiro, todo o dinheiro que voc� quiser!

Voc� n�o est� entendendo.

Voc� n�o est� entendendo?

Eu amo voc�.

Eu sou a �nica pessoa no mundo que ama voc�.

Eu sei disso. Voc� sabe que eu sei, e que sou grato a voc�.

� por isso que n�o posso ficar sem voc�.

N�o posso mais fazer isso, � in�til. Deixe-me ir, em nome de Deus, deixe-me ir.

Voc� � a �nica Victorine, a �nica.

Em todos esses anos, voc� foi a �nica que sabia quem ou o que eu era.

Talvez voc� tamb�m esteja come�ando a esquecer.

Tudo parecia t�o bonito quando est�vamos viajando juntas.

O mundo consistia em hot�is...

Todo dia uma nova chave, um novo porteiro, um novo rosto na recep��o...

Passeios de carruagem no meio... E n�s juntas.

Mas � noite, Victorine...

Quando eu estava sozinha em meu quarto.

quando eu estava na frente de um espelho novo e estranho, pensava...

Quem � essa?

Quem sou eu?

Ent�o n�o � suficiente que voc� se lembre dos fatos.

Os fatos definham...

Quando ficava em frente ao espelho e me despia, eu via uma mulher.

E toda noite eu ficava mais velha, Victorine, era s� o que eu via.

Enquanto voc�...

Eu n�o sabia onde voc� estava ou o que estava fazendo, enquanto eu n�o sabia o que ou quem era.

Ent�o, voc� sabe que est� sozinha.

Voc� quer sair deste lugar, Victorine, mas voc� n�o pode ir.

Eu vou morrer se voc� for embora!

Temos que ficar aqui, Victorine, n�o podemos ir a nenhum outro lugar.

Este � o �nico lugar que eu ainda consigo respirar.

Mesmo que as paredes sejam brancas como as de uma pris�o.

Aqui, n�o importa quem eu sou.

Porque h� 10, 20, talvez cem pessoas que acreditam que eu sou o Monsieur Hawarden.

E todas essas pessoas deixam-me viver, porque acreditam em mim. Voc� percebe isso, n�o � Victorine?

Ent�o voc� n�o precisa de mim.

Voc� � a �nica pessoa que ama Meriora Gillibrand!

Mas n�o � mais suficiente.

Eu sei quem eu sou.

Eu n�o preciso que essas centenas de pessoas acreditem em mim para poder respirar.

Eu quero viver!

- Eu vivo! - Voc� vive comigo!

- N�o... - Voc� vive apenas por minha causa.

Voc� est� morta.

Morta como tudo entre essas paredes.

Todas as pessoas que acreditam em voc�, est�o mortas.

Eu estou indo embora.

Estou indo embora!

- Minhas malas est�o l� em cima! - Voc� pode pegar todo o meu dinheiro!

Voc� n�o pode ir embora assim! Por favor!

- Voc� n�o vai com ela! - Saia do meu caminho!

- Voc� n�o ir� com ela! - Droga, tire suas m�os de mim!

N�ooooo!

Ele est� indo embora para sempre.

Espero que sim.

Ele pediu ao oficial de justi�a para enviar seus pertences.

As pedras, os rel�gios...

As estatuetas, os sapatos...

Eles n�o trouxeram nada al�m de sangue.

Sangue e mis�ria.

As peles e as plantas e os livros...

E as fotos...

- Para onde ele est� indo? - Para Spa, eles me disseram...

Ele est� indo para Spa.

Depois disso, eu n�o sei.

Ele nunca mais voltar�...

Nunca mais o veremos.

"Quarto n�mero doze"

Senhoras e senhores, fa�am suas apostas.

Negro. Negro!

- Fa�am suas apostas. - Negro.

N�o mais apostas.

Vinte e quatro, negro, par e "passe"

Suas chances eram de cinquenta por cento.

As suas, cem por cento.

Qual � a prova?

Prova? Eu lhe darei. Posso?

Senhoras e senhores, fa�am suas apostas.

E em que voc� vai apostar? Vermelho? Negro?

Estou muito velho para apostar em cores.

Voc� vai apostar...

Negro!

- N�o, vermelho. Vermelho. - Negro.

Por que voc� n�o ajuda aquele homem ali?

Sua m� sorte � mais forte do que a minha intui��o.

Intui��o no dom�nio num�rico?

Fa�am suas apostas.

- Vinte e sete. - Vinte e oito.

N�o mais apostas...

15, �mpar, preto e "manqu�".

Senhoras e senhores, fa�am suas apostas.

Lembro-me de uma jogada...

em que um homem tentava convencer uma mulher...

que ele havia conhecido e seduzido, no ano anterior, em Marienbad.

L�, tudo era parecido, assim como aqui.

Eu n�o sei.

Estou tentando seduzi-la.

Isso eu entendi.

Sua resist�ncia � admir�vel.

S� se passaram quatro dias.

Para pessoas da nossa idade, isso � um per�odo muito precioso.

Mas um tempo bem gasto.

O sal�o de jogos, a inesquec�vel viagem pelas montanhas...

O jogo...

e concerto amanh�.

As crian�as fazem rodeios quando se trata de amor, porque elas n�o sabem o que � isso.

Ou porque t�m medo dele.

Sua confus�o � t�o grande que, no final, come�am a acreditar que seu medo � amor.

Ou o contr�rio.

Mas isso n�o � maravilhoso?

Maravilhoso! Os poetas ganham a vida com isso.

Mas ent�o chega um momento em que sua confus�o acaba.

As crian�as descobriram o mist�rio.

E ent�o elas n�o s�o mais crian�as.

Ai do homem que, nos primeiros momentos de um caso de amor, n�o acredita que esse amor seja eterno.

Por que voc� ri?

Porque eu sou alegre.

Voc� tem que ouvir.

A m�sica n�o foi feita para ser ouvida.

- Voc� mesma n�o est� ouvindo. - Eu escuto...

A m�sica � feita para relembrar mem�rias.

Voc� estava recordando mem�rias.

Elas estavam refletidas em seus olhos. Eu podia v�-las.

Eu "estava" ouvindo a m�sica.

E havia uma lembran�a...

Uma noite...

talvez dez anos atr�s. Eu estava viajando...

com uma amiga.

"Don Giovanni" estava em cartaz em Bonn.

Mas ela n�o queria vir, ela tinha conhecido um homem, eu o vi � tarde.

Um homem �spero e robusto com uma boca fina.

Ent�o eu fui sozinha.

Estava muito quente e eu temia que fosse desmaiar.

Eu estava cercada por estranhos, n�o havia ningu�m que eu conhecesse.

E eu tinha apenas um pensamento:

"N�o posso perder a consci�ncia...

n�o com todos esses estranhos ao meu redor...

que poderiam me tocar... "

E voc� permaneceu consciente?

Sim.

E por que eles n�o podiam toc�-la?

Eu sou Meriora Gillibrand...

Diga que eu sou Meriora Gillibrand.

Uma mulher.

Uma mulher.

Voc� tem que me tocar e dizer isso.

Eu estou dizendo, eu estou dizendo.

Eu quero ouvir.

Ou�a.

Em Bonn, no "Don Giovanni"

Eu era um homem.

Voc� n�o pode falar.

E eu estava cercada por estranhos que pensavam que eu era um homem.

Meriora Gillibrand, disfar�ada de homem.

E foi por isso que eu n�o podia desmaiar, pois teriam aberto minha camisa e visto meus seios.

N�o pare.

Quero sentir suas m�os.

Quero que voc� me beije.

Eu vou sussurrar.

Eu era uma garota...

E havia dois oficiais e n�s mor�vamos em Viena.

E eles eram jovens e bonitos.

Deus, como elas eram lindos.

Voc� tem que ouvir.

E um matou o outro por minha causa.

Por ci�mes.

Por lux�ria.

E eu sabia que ele o havia assassinado.

Foi por isso que escrevi aquela carta e marquei aquele encontro na floresta.

- Naquela mesma floresta. - - N�o v� mais longe!

Voc� tem que me tocar.

Em nome de Deus, n�o continue.

Eu quero sentir voc�.

Sua boca, suas m�os, seu corpo...

Voc� n�o precisa ouvir.

Eu falarei para mim mesma.

E quando entrei na floresta...

Eu n�o sabia mais o que eu queria.

N�o sabia se estava com medo... Se eu o amava...

E ele gritou...

E ele apareceu por tr�s das �rvores...

como uma fera ofegante, que havia matado por mim.

Ent�o eu peguei uma faca do bolso de meu peito.

E o apunhalei!

E o apunhalei!

E o apunhalei!

Eu fugi.

Por 15 anos, eu estive fugindo.

Com uma camareira.

E quando o mist�rio foi desvendado...

Eu me disfarcei de homem.

N�o uma mulher.

Nunca uma mulher.

E durante todo esse tempo...

O que aconteceu com voc�?

Nada.

Quase nada.

Meu Deus, voc� est� encharcado!

Est� muito frio aqui.

Por que voc� n�o desce por um momento?

Vou ficar aqui.

Aqui est�.

Beba isso rapidamente.

- Isso vai aquec�-lo. - Obrigado.

Voc� j� comeu alguma coisa?

N�o estou precisando de nada.

N�o preciso de nada mais. Por favor, voc� pode descer novamente.

Se voc� precisar de alguma coisa, por favor, nos chame.

Como est� Axel?

Bem... Ele chorou o dia inteiro quando voc� foi embora.

Por favor, abaixe isso...

Chegou alguma carta?

N�o, nenhuma carta ainda.

"Quando eu morrer, voc� vai se arrepender, pois tudo ter� sido em v�o."

"Porque as coisas que aconteceram h� muito tempo, n�o s�o mais verdadeiras."

"Querida m�e."

"E eu rastejei para o seu colo e voc� tinha uma manta, que colocou sobre mim."

"E ningu�m podia me ver, nem mesmo o papai..."

"M�e, eu estive pensando sobre tudo o que aconteceu."

"Eu pude ver de novo..."

"A floresta..."

"e a voz que gritou: 'Meriora..."

"A morte dele e como eu corri para ficar com voc�."

"Mas n�o consigo mais sentir como corri. N�o consigo sentir que fui eu."

"N�o era eu..."

"Esta manh� olhei pela janela."

"Com muita cautela"

"para que ningu�m me visse."

"E eu vi o cavalari�o que matou Victorine e ele chorou..."

"E eu o invejei..."

"Porque ele podia chorar, porque ele conseguia se lembrar de tudo."

"Estou aguardando sua carta, m�e."

"Todos os dias, espero sua carta."

Uma carta para Monsieur Hawarden!

H� uma carta... de Viena.

Sua m�e est� morta.

... est� morta.

Legendas PtBr: RC *Para Sonata Premi�re*

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