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A TURMA DOS TARADOS
Tradução: Anônimo. Adaptação pt.Br: Tatuador
Continuando.
Deste lado temos a catedral, dedicada a São Lourenço.
Construção românica do século XII.
É uma obra dos arquitetos lombardos que no século XI,
se estabeleceram aqui.
A fachada foi reconstruída em 1560.
No tempo do Cardeal Gambara.
E embora danificada durante a última guerra,
foi restaurada e restituída ao seu esplendor original.
Reparem na imponência da ampla escadaria...
...que leva às três entradas, a beleza das três rosáceas...
...que dão movimento à fachada e a sobriedade das linhas....
...a sobriedade das linhas estruturais do edifício...
...realçada particularmente pela...
...alternância de espaços cheios e vazios...
...e que constitui a característica dominante.
Continuemos para o campanil, reconstruído em gótico
...na segunda metade do século XIV.
A bolsa ...
- Que faço? - Dá um puxão.
Em 1494 Carlos VII ameaçou fazer soar as trombetas...
...do exército, forçando a orgulhosa resistência florentina...
Quero comprar esta coisa. Quanto custa?
Volte para o seu lugar.
Como estava dizendo, Carlos VIII, disse com arrogância:
"Faremos soar as nossas trombetas".
Pier Capponi, com todo o gosto de que era capaz, respondeu...
Está bom.
É tão grosseiro!
Porquê? O que fiz?
Disse que o espaguete estava bom e o molho apurado.
Quem era Pier Capponi?
- Quem era Capponi? - Quem era?
Pier Capponi ... foi o inventor das galinhas sem ovos.
Viu o que você é? Um ignorante.
- Eu? - Sim, você.
Nem sequer sabe quem foi Pier Capponi.
Sei, sei. Até temos ali um disco dele.
É o que canta. Sem ovos.
O que comemos depois? O que houve, tenho que comer isto?
Isso não é de comer. É de ler.
- Porque tenho que ler? - Não se sente ignorante?
Não me falta nada. Tenho você.
Uma pulseira do Cartier... um relógio,
todos os anos vamos de férias para os "Balneares".
...e ganho 10 milhões por mês!
Mas nunca com o cérebro. Com presunto, salame e requeijão.
E grana sim senhora e "gana".
Porque é com "gana" que eu ganho a grana.
Gostou desta?
Será possível que não sinta necessidade de se instruir...
de comprar livros?
Livros? já tenho um.
Sim. "A História do Queijo através dos Séculos", ignorante.
Vamos lá gatinha não se zangue. Esse Pier Ciccioni, Chiapponi, como se diz?
É Capponi.
O do disco.
Não é um cantor é um patriota.
Um cantor patriota? Eu sabia.
Seja o que for, viva o Pier Capponi.
E viva seus belos peitões!
Como está o meu queijinho fresco?
No queijinho fresco não se toca. Estou falando de coisas sérias.
Eu também. Falo sempre sério quando...
Aristides, por favor! Não se faça mais idiota do que é.
Está satisfeito com sua ignorância mas eu quero ter cultura.
- Mas podia ter dito logo! - Então não se importa?
Não requeijãozinho, pode ter a cultura que quiser!
O que eu quero é estudar em uma escola.
Para onde quer ir? Ora! Um docinho como você!
Somos ricos, vivemos bem, não te falta nada...
Deve ficar em casa, esperando seu maridinho,
Que chegando e vendo seu "queijinho fresco"...
...e estes presuntinhos...
Quieta. Quieta aí. Tem aí um bicho.
Um bicho com duas coisas que...
Sou eu o seu bicho, um bichão preto...
Valentina. Valentina, onde vai?
Tudo por culpa desse Pier Capponi!
Se eu o pego, esmago suas "bolas".
- Professor Pier Capponi. - Sra. Diretora.
Professor Pier Capponi, o senhor é supérfluo. Entendeu?
Não percebe que neste colégio elevamos ao cume da cultura...
...os melhores filhos da sociedade.
Refere-se aos que foram expulsos de todas as escolas públicas.
Vê? Não percebeu nada. Por isso é que é supérfluo.
A menos quê...
A menos quê?
Com as despesas sempre aumentando...
...talvez tenha que diminuir o número de professores...
...e aí o professor, Pier Capponi é um dos que correm mais riscos.
A menos quê?
A menos quê?
Em suma sou uma mulher só...
...que tem que dirigir este colégio sozinha.
Mas que está cansada de ser só.
Gostaria, de ter um homem a meu lado...
...no lugar de vice-diretor.
É pena que o senhor, no fim do ano,
...seja um dos que serão despedidos.
A menos quê...
A menos quê?
É mesmo um cretino, Pier Capponi! Um cretino.
- Sra. Diretora está aqui uma... - Uma quê?
Uma que vale por mil. Mando entrar? Entre por favor.
Bom dia! O senhor é o Diretor?
Não. É um cretino. A Diretora sou eu. Saia, Pier Capponi.
Mas ele é o Pier Caponi?
Pier Capponi! Já disse para ir embora.
Venha aqui!
- Estava fechada. - Eu vi.
Não. Sentiu.
Digo pela última vez, Gustavo: Não abuse.
Só está aqui como contínuo é por ser meu cunhado.
Todos temos a nossa cruz. A minha é você.
Se não fosse por causa da pobre da minha mulher...
...que teve a desgraça de ser sua irmã...
Tinha uma vida "enroscada".
Passou a vida fazendo roscas.
- Casada? - Sim.
Prole?
Como?
Perguntei: prole?
Bem. Não sei. Às vezes
As vezes como? Tem filhos?
Ah... filhos. Não.
A mensalidade são 300 mil. Visitas só no Domingo à tarde.
...e daqui a 3 meses...
...poderá conseguir um diploma de cultura geral.
- Um diploma? - Sim.
Ficou presa a minha ratinha.
Sempre o mesmo! Roto, ordinário, ignorante.
Deixe de me chamar de ignorante.
De onde vem a esta hora? Onde foi?
Me matricular no colégio privado "Força e Vontade".
A partir de amanhã sou uma estudante.
Que expressão inteligente a sua, Aristides!
Não tem orgulho da sua mulher?
Amanhã entro para o colégio e não me diz nada?
Não fique assim!
Não tem orgulho do seu requeijãozinho? Diga algo!
Eu quero muito!
Não, querido. O seu requeijãozinho precisa estudar.
Não posso desperdiçar energias. Daqui a 3 meses falamos.
Então esta é a última noite?
É a última noite e não quer.
Sou seu marido.
Não fique assim.
Vamos fazer um acordo. Você me dá uma coisa...
...e eu te dou outra.
O que foi cretino?
As bolas.
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
15 DE AGOSTO CHOVE. Desenvolvam.
Deixe-me ver o que está escrevendo.
Onde vai?
- Jogar isto no lixo. - Depressinha.
Não lhe ocorre nada?
Se chover em 15 de Agosto... não sabe o que fazer?
Sozinha não.
Foi você, Bernardi. Olha que estou de olho.
Te quebro, acabo com você. Vou tomar nota do seu nome.
Bernardi.
Um... Dois... Três.
Professor, onde vai?
Ao banheiro.
Vai deixar a aula durante um exercício?
Preciso lhe falar do programa do trimestre.
Mas o que tem?
Fique quieto!
Pare palerma.
Não pode ficar quieto um momento? Afaste-se. Deixe-me passar.
Não pode entrar antes de eu sair.
É realmente Pier Capponi?
Sou, modestamente.
Estou emocionada. Sou uma grande admiradora.
- Tem certeza? - Sim.
Deve saber tantas coisas!
Nem imagina.
Posso lhe dar lições particulares.
Quem me dera! Quando?
Num lugar tranquilo. Esta noite no seu quarto?
Faz isso por mim?
Faço tudo pela descentralização cultural. Qual o numero do quarto?
Vinte e oito
- As nove e meia? - Te espero lá.
Sr. professor, ia me esquecendo.
Requeijão? Mas quem fala?
É maluco ou quê?
Acho que é um maluco à procura de alguém.
Alô, quem fala?
Alô Valentina, sou eu. Como está?
Mas que Valentina. É um colégio. Não é a casa da "Maria".
Sei que é um colégio. Sei também que não é a casa da "Maria".
Mas quem fala? O que quer?
Quero falar com a minha mulher. Valentina Buratti.
Só um momento. Chama a Buratti. Mas, é uma coisa urgente?
Urgentíssima. Já não aguento mais.
- Mas só desta vez. - Sim.
Ai. Valentina. Valentina! Que falta me faz!
Requeijãozinho da minha vida!
Olá, Aristides. Que há de tão urgente?
O que há? Oh requeijãozinho! Não aguento mais.
Me faz falta o seu queijinho fresco.
O meu presuntinho está tão triste sem o teu queijinho.
Sim, compreendo.
Mas, como compreende? Não aguento. Estou aqui que não aguento mais.
Tenho muita pena.
Mas qual pena? Desta noite não passa. Vou te ver.
Não, Aristides. Me deixe em paz. Preciso estudar. Tchau.
Me dá um queijo fresco?
Não invoque o nome do queijo fresco em vão.
- Quando fez? - Esta tarde, quando ela chegou.
E dá para o chuveiro?
É melhor que estar na primeira fila do "strip-tease".
Lá está ela. Que boa!
Não se vê nada. Onde estão as curvas?
Lá está. O cú mais bonito da Europa.
E que peitos!
- Um pouco para cada um. - Você não.
Porquê?
Porque a Júlia entrou e se ela te vê está ferrado.
Não entendo. Estou aqui obrigada, mas você, casada...
...precisava disso?
Com meu marido não há diálogo possível. É um ignorante. Compreende?
E com os outros me sinto numa posição de inferioridade.
Mas que inferioridade? Não diga besteira. Sente-se inferior com esse físico?
Sim concordo. O físico é importante, mas não é tudo.
Quero ser uma mulher completa. Também quero ter cérebro.
Acho que é doida.
Eu, cérebro não tenho. Nem um físico como você.
Que devia fazer? Me matar? Não. Estou me lixando.
Pode crer. É uma felizarda. Tem tudo.
E no entanto não imagina os complexos que tenho!
Tudo por causa dessa maldita cultura que não tenho.
Feliz que você ainda acredite na cultura!
Hoje um diplomado se dá por feliz sendo varredor da rua.
Presente.
- Grita também presente. - Presente.
Mas por quê?
É a Diretora que nos tranca para não sairmos com os rapazes.
Mas nós a enganamos sempre.
É a escada de serviço.
Gustavo, Gustavo, depressa, estou atrasada. O Aquiles está esperando.
Calma, Julieta. Me deixe trabalhar.
Se não, se joga de cabeça, que vem mais depressa.
Passa os 2 mil.
Sempre levou 1.500.
Faça as contas, de noite é caro, a escada é cara, o risco sai caro.
Descarado!
- O descarado é caro, leva 2 mil. - Está bem.
Valentina, me empresta 500 liras?
O safado do Gustavo aumentou o preço da escada de serviço.
O que preciso fazer por umas "vitaminas".
Coxinha comprida, se manda.
Depressa que ainda tenho outro serviço. O Aquiles está ali.
Ei, você, escuta. Bonitão.
- Eu? - Sim, você. Vem aqui.
Tira a pata, frouxo.
Qual frouxo! Vem aqui.
Olha que chamo a policia.
- Que tal grana. - Com golpes baixos desses...
- Como se chama? - Gustavo, porquê?
Gustavo, tem diante de você um homem cheio de cio.
E quer se aliviar comigo?
Ei, ouça, tire a pata. Se me tocar vai levar, frouxo!
Mas que frouxo! Não sou frouxo, sou um homem.
Um homem? Um homossexual. Frouxo.
Não. Sou o marido da minha mulher, a aluna nova, Valentina Buratti.
Caramba! Muito prazer. Gustavo Filibotto.
Oh Gustavo. Toma. Me leva até a minha mulher!
Já sei. Tem as bolas fervendo.
Parece que tenho um fogareiro, na braguilha.
- São 20 mil. - Bolas.
As bolas dê para ela, a mim dê o dinheiro.
Uma trepada dá 10 mil liras. A sua mulher vale menos, é?
Acho razoável. Toma, toma.
Espera! Que pressa é essa?
Me diz por onde devo ir para chegar a ela.
Por aquela escada.
- E a janela qual é? - É onde está a escada.
É um gênio! Como advinhou?
Continuo desconfiado!
- Onde vai? - Lá em cima.
Para usar a escada são mais 20 mil.
Você não é um homem. É um aspirador.
Se gosta da mulheraça. Tem que soltar a grana.
Mais 10 mil.
Mas desta vez não paga.
Oh, professor Pier Capponi! Que romântico!
É você!
Que faz aqui?
Advinha. Vim...
Não pode entrar. Desça.
Que alto! Tenho vertigem.
- Isto é um colégio. - Quero lá saber!
Dei quarenta mil liras àquele filho da ... Como se diz?
- Da puta. - Sim.
Não, Aristides, não.
Ainda me arranja uma chatice. Vão me expulsar.
Seria melhor.
É um egoísta nojento. Não quer saber se quero me instruir.
Entra, não entra! Deixe-o entrar.
Não é o professor que te fala.
Não é o cunhado que te fala.
Não é o amigo que te fala.
Então é melhor se calar.
É o homem que te fala.
Ora! Me diz quem é a desgraçada.
A Valentina Buratti.
Está ocupada.
Eu o mato! Quem é?
É o marido. E ele não te mata. Te corta as...
Depois vai fazer voz de falsete no coro da capela Sistina.
Deixe-me sair pela porta. Pela escada não, que tenho vertigem.
A porta está fechada à chave.
Então vai ficar viúva.
Os cães!
Vai embora, antes que todos acordem.
Desce que o barbudo idiota soltou os cães.
Desce, senão largo a escada.
Vou largar. Aquilo não são cães, são feras.
Isto é uma escada móvel. Deixe-me entrar.
Aqui não entra.
Onde vai, Aristides?
Não sei. É ela que está andando sozinha.
Meu Deus, que pancada! Como é que eu fiz isto?
Quem é você? O que está fazendo aqui?
Lindo.
É sonâmbulo.
E é forte.
Onde é a saída?
Vi a morte na minha frente.
Vi a morte na minha frente.
Para vocês e para quem tem fome, sou uma mãe.
Calma, calma. Tem para todos.
Então como se sente no nosso colégio?
Muito bem, obrigada, Sra. Diretora.
Como vê, esta é a nossa grande família.
Aqui estudam juntos, comem juntos, e...
... dormem separados. Não é, professor?
O que disse, Gustavo?
Nada, Sra. Diretora. Falava com Pier Capponi. Que homem!
Ouça Gustavo...
Um homem que fica sempre em branco. Mais, branco é impossível.
Menos confiança, Gustavo.
Tem razão. Gustavo, continue...
...a servir o café da manhã aos alunos.
E você continua em branco.
A que se referia exatamente o Gustavo?
A nada. Uma besteira.
Como infelizmente somos... cunhados,
...ele toma certas liberdades.
Mas entre mim e ele, há um abismo...
...quer no plano cultural, etimologicamente falando...
...quer no plano social.
É um abismo
Como fala bem, o prof. Pier Capponi.
É um encanto ouvi-lo falar. Aprendemos tanta coisa.
Obrigado. É muito gentil.
É verdade. Tenho uma grande admiração pelo senhor.
A mim ninguém me serve?
Um momento. Júlia me passe o leite por favor.
Me dá licença Sra. Diretora? Diga quando bastar.
Queimei-a?
Você não.
Tenha mais cuidado... que diabo.
Devo-lhe uma explicação.
Não tem que me explicar nada, professor.
Não queria... Era você que eu queria...
Criou-se uma situação absurda. Compreenda. Não me atormente.
Professor.
Professor, estão te chamando.
Professor Pier Cappoli.
Valentina, me espere no seu quarto esta noite. Preciso lhe falar.
Peppino, depois de tantos anos. Nunca teria imaginado...
Imaginou mal.
Não se preocupe. Estamos sós.
- Foi um equívoco. - Eu sei querido.
Um equívoco que durou muito mas esclarecemos à noite.
A sós, finalmente. A sós, finalmente.
O coração me diz. Sou feliz, feliz. O coração me diz.
Ah. Que bonito que é o macho latino.
Forte e de boa montadura.
Que fedido.
Sou eu. Sou toda sua, Peppino. Está aí?
Ah, está aí. Abra. Sou toda tua.
Peppino.
Ah, é a senhora. Parecia um disco arranhado.
- O professor Capponi? - Estava indo na direção do seu quarto.
- Tem certeza? - Sim.
- Tudo é possível! Obrigada. - De nada senhora.
- 10 mil. - Por quê?
Imposto de salvação de mulher no cio.
Não entendo.
O que terá dado à velha esta noite, para não ter trancado a porta?
Como... Bem, antes assim.
Sabe o que estou dizendo?
Hoje, eu e o Aquiles nos livramos das dores nas costas. Vamos ter cama.
E ela vai estudar. Tchau, CDF. Acho que é doida.
Está com pressa, mas podia ter fechado a porta.
O que terá esquecido?
O que é...
Valentina, finalmente a sós.
A lua está vermelha. O mar está Azul.
Minha bela Valentina. Não posso aguentar mais.
Que é isso? Uma poesia para estudar?
Que poesia, que estudo?
Não sabe que é melhor a prática que a gramática?
Anda. Vamos praticar um pouco.
Saia daqui. É doido?
Doido. Doido, desde a primeira vez que te vi no chuveiro...
...que quero que experimente a profundidade e a dureza da vida.
No chuveiro? Como? Quando?
Pelo buraco.
Grande idiota. Viu a situação em que me colocou?
Pegue sua calça e se esconda.
Entra aí embaixo.
- Ah, é você. Olá. - Olá.
Preciso te dizer uma coisa, urgente.
A lua está vermelha. O mar está Azul.
Vem aqui, Valentina. Que não aguento mais.
Mas que tem vocês esta noite? Me larga.
Desde a primeira vez que te vi no chuveiro.
O meu chuveiro é uma sala de cinema?
Me deixe.
O melhor é se esconder rapidamente.
Estou pronto para enfrentar o escândalo.
Você sim. Eu não. Esconda-se.
Aí não. No guarda roupa.
No guarda roupa não. Sofro de claustrofobia.
Um momento, xeique. Me dê os petrodólares.
- Conta. São 50. - Mais 10 mil.
De quê?
O suplemento de guia interno do colégio.
E o suplemento de consumo de pilhas para iluminar a escada.
Deixa disso. Gustavo.
Então, o suplemento de fiscalização externa contra chatos.
Quanto a ser chato, me deve 20 mil. Pague depois. Tchau.
Com esta ele me enrolou.
Requeijãozinho, não me esperava, não é?
Não, e tem que sair imediatamente.
É doida? Ir embora, depois do que me custou chegar aqui?
O Gustavo é um poço sem fundo.
Ele está de volta, mas desta vez, quebro-lhe o fêmur.
É um professor, Aristedes.
Tem que se esconder, se te descobrem me expulsam do colégio.
Mas só por 10 minutos porque depois quero...
Tudo o que quiser, mas agora esconda-se.
Debaixo da cama não!
No guarda roupa.
No guarda roupa não.
- Por quê? - Porque pode sufocar.
No banheiro.
Mexa-se.
Mexa-se também, porque quero...
Quero goza... a... r.
- Gozar. - Está bem.
Professor, a que devo a honra desta visita?
O quê, não me esperava?
- Sim, mas esta noite, não. - E as explicações que prometi?
É muito tarde. Não podem ficar para outra noite?
Até lavei os pés.
Não é boa hora para explicações professor.
Me dói muito a cabeça e tenho muito sono.
Nada de desculpas. Não acredito.
Começamos por uma bela poesia
A lua está vermelha. O céu está azul.
- Minha bela Valentina.... - Não posso aguentar mais.
- O senhor também, professor. - Já conhecia?
Há uma hora não, mas agora está no Hit Parade.
O que tem o Hit Parade? O que conta é o sentimento.
Professor Pier Capponi, abra. Sei que está aí.
É a Diretora. Se me encontra aqui, me despede. É ciumenta.
- Me esconda. - Onde quer ficar?
- Debaixo da cama. - Não.
- No guarda roupa. - Também, não.
- No banheiro. - Nem pensar.
- Onde então? - No Parapeito. É o lugar mais seguro.
- Sofro de vertigens. - Não olhe para baixo.
Faço isto por você.
Desculpe Sra. Diretora. Estava no banheiro.
Onde está?
Onde está?
O Professor Pier Capponi. Despeço-o e expulso você.
- Aqui não tem ninguém. - Vamos ver se diz a verdade.
Aqui não está.
Debaixo da cama não tem ninguém.
Por favor confie em mim. Eu ia tomar...
- ...um banho. - Não ouço a água.
Não entre no banheiro.
Por quê?
Está todo sujo. Não tive tempo de limpar.
Bom dia.
Não me parece muito sujo.
Gosto dele mais limpo.
Vá tomar banho. Abra a torneira porque demora a esquentar.
Há algum problema?
Então porque não abre?
Não encontro a torneira. Ah! Já a encontrei.
- Está fria? - Sim.
Eu tinha razão.
Mas não me convence. Eu vi aquele ignóbil entrar.
Tenho o dever, o direito de velar pela moralidade das alunas.
Aqui não tem ninguém, como a senhora bem viu.
Claro que vi bem, não sou cega. Que quer insinuar?
Acalme-se. Acha que ia receber homens no meu quarto?
Sou uma mulher casada, fiel ao meu marido. Não faço mais que o meu dever.
Bem. Está querendo me enganar, mas tome cuidado. Nem tente.
É melhor não brincar com fogo.
Está brincando com fogo.
Acredite, posso contar tudo ao seu marido, embora deteste fofocas.
Mas trata-se do prestigio da minha escola.
E também do meu prestigio. E isso não posso tolerar.
A Sra. Diretora exagera. Juro que não tenho nada a esconder.
Acredite.
Eu acreditar em você? Você me esconde alguma coisa.
Não me engana com essa cara de santinha.
Aqui não tem ninguém.
Eu sabia que ele estava aqui.
Fogo, fogo.
Fujam... há fogo.
Fogo.
Eu a levo, Sra. Diretora. Encoste-se a mim. Eu a guio.
Tchau, Valentina. Escapei de boa.
Tchau Valentina.
Tchau, requeijãozinho. Volto em breve.
Por aqui. Cuidado com a escada. Cuidado com a escada.
Eu avisei para ter cuidado com a escada.
Que coisa dura é a cultura.
Fique calmo, sereno e tranquilo, que já vou. Paciência.
Que deseja?
Desculpe a minha ignorância, mas não entendo.
Sou o médico provincial de formação alemã.
Ah, médico provincial? São 100 mil.
- Por quê? - Quer ver a sua mulher? 100 mil.
- O médico não entra de graça? - Não.
- Gustavo, o que houve? - Nada.
- Quem é esse senhor? - Que faço?
50 mil.
- É um morto de fome. - 80.
- Vou pô-lo na rua. - Está bem. 100 mil. Sugador.
Paga idiota.
Um momento. Me deu agora o cartão de visita, pagável a...
...não, não, isto é, médico provincial.
Gosta mais de dinheiro, que macaco de banana.
O médico provincial! Veio à consulta anual dos alunos?
- Das alunas, desta vez. - E dos professores.
Os professores ficam para a semana.
Venha Doutor. Tenho uma dor que começa aqui.
Agora não posso examinar.
Desgraçado! Este não vai desistir.
Com o que já gastei comprava 10 queijos da serra.
Aqui está a primeira. Laura Antonelli.
A Laura Antonelli? Mande entrar. Mande entrar.
- Quem é você? - A Laura Antonelli.
- Não tem vergonha? Como está? - Bem.
Então está sadia. Vai, vai.
- Não me examina? - Está maluca?
Quer se despir? Vai, senão te acuso de atentado ao pudor. Vai.
Entre a próxima.
Ei, Doutor. Tenho uma dor que começa daqui e acaba aqui.
Não, não pode ser. Não tenho tempo. Não posso. Depois vejo isso.
Outra hora. Sei o que quer.... Toma.
Entre outra.
Já estou aqui. Presente.
- Bem, bem. Muito bem. Pode ir. - Mas me sinto mal.
- O que você tem? - Tenho anemia.
- É contagioso? - O Doutor é você.
Tem razão. O médico sou eu.
Quieta, quieta. Abra bem a boca. Deixa ver.
Diz 33.
Tem anemia, é ladra ou espiã.
Mas sou anêmica.
Oh senhores! O pote de banha.
Gustavo. Isto não é um colégio, é uma galeria de monstros.
Quando chegará a vez da minha mulher?
O sobrenome dela começa por B.
Primeiro é preciso examinar todas da letra A.
- Quantas são? - Deixe-me ver. 18.
Então quando chegar a vez dela não terei tempo de...
Não pode cortar o resto da letra A e começar com a B?
Falta o melhor...
Uma proposta de velhaco mas tenho que aceitar.
- Do que estão falando? - Isso é entre nós.
Acham que sou cretina?
Como médico provincial, declaro que é cretina.
Exijo que esta moça, que é mitômana e doida,
...seja imediatamente internada na prisão-manicômio local...
...por idiotice violenta.
Doidos são vocês! Sabem uma coisa? Vou contar para todos.
E querem saber outra coisa? Vão se foder os dois.
Mandou se foder.
Como pode haver neste colégio uma moça tão violenta?
- Tem que ser expulsa imediatamente. - Está brincando? É a melhor.
E não mude de assunto.
Quer ou não que mande embora todas da letra A?
Sim, sim. Manda, manda, para chegar a vez da Valentina.
Agora são 50 mil.
Você não é um homem, é um sanguesuga, um vampiro.
- Quantas há da letra B? - Só duas.
- A primeira é a Valentina? - Não. É a segunda.
Tinha que ser. Se manda, vai.
Porque parou com as consultas?
O Doutor já viu todas as alunas da letra A.
Mas estão todas lá fora.
Foi consulta à distância. Método Beckenbauer.
Ah, estudou na Alemanha?
Na Alemanha é outra coisa.
As alunas da letra A estão dispensadas.
Entre a primeira da letra B.
Tenho uma dor que começa aqui e acaba atrás.
E um grande comichão que começa aqui e desce, desce...
- Quantos anos tem? - Bem. Oh. Ah.
É um eczema.
Tenha calma. Isso passa.
Sempre que der, ponha bastante gelo.
Que chatice! Que tortura.
Quando ela chegar, ponho-a aqui e zás, zás.
Não, não. É muito duro e ela é muito delicada.
No sofá. No sofá. Ponho-a aqui e zás, zás.
- Doutor? - Sim, sim.
Sou a aluna Boa.
Nesta "corte de milagres", aparece agora uma aluna...
...Boa.
- Me chamo Luísa Boa. - Estou vendo, estou vendo.
Não aguento mais. Me dói muito a garganta.
Não consigo comer, nem consigo beber...
Receio que seja uma inflamação nas amígdalas.
Que lhe parece?
Que devo fazer, Sr. Doutor?
No momento. Dispa-se.
- Está bem assim? - Está ótimo.
Também tenho uma inflamação terrível nas gengivas.
- Devo dizer 33? - Diga o que quiser.
Que está fazendo?
Depois te explico.
Mas o que quer?
Quero o queijinho fresco.
Aristides.
Estava examinando a aluna boa. É o sobrenome dela.
Posso te explicar tudo, meu requeijãozinho.
Hoje vamos falar do corpo humano.
O corpo humano é uma máquina maravilhosa e complexa...
...que a ciência nunca conseguirá reproduzir.
É de uma perfeição inigualável.
A obra-prima da Natureza
Qual de vocês sabe dizer quantos ossos tem o corpo humano?
Já sabia. Ninguém sabe.
Pois bem... No corpo humano há 208 ossos.
Mas... Falta uma tíbia. Quem levou a tíbia?
Foi o Gustavo para fazer sopa.
Silencio... Silencio. Isto é uma escola séria.
Não tolerarei ditos espirituosos nas aulas.
O esqueleto sustenta os músculos e os órgãos internos.
Cada um de vocês tem um esqueleto com 208 ossos, como este.
Conseguem imaginar que dentro de mim tenha tudo isto?
Sim.
Basta. Acabou a aula. Podem sair.
Quem é? Um espírito?
Se está aqui, bata uma vez.
Então está. Diga teu nome.
Sou o Pinocador Mascarado.
Querido, querido, querido.
Sra. Diretora, quer este desgraçado no seu quarto?
Cale-se e cuide da sua vida.
- Onde coloco? - Em cima da cama, é claro.
- Deitado ou sentado? - Deitado.
Um momento, um momento.
- Posso entrar? - O que deseja?
Sou um frade do convento dos Fardelões e desejo ver uma aluna.
Uma qualquer ou tem preferência?
Valentina Buratti. Sou seu conselheiro espiritual.
Se é essa, é melhor falar com a Diretora.
- Ah sim? Onde posso falar? - No fim do corredor à direita.
Obrigado, meu filho. Sta. Tereza de Calcutá te pague.
Um Momento. Para ir à Diretora são 100 mil.
Sou um pobre padre...
Por isso tem um desconto. Se fosse o Buratti eram 200 mil.
Qual dos dois é? Escolhe.
Sou o raio que o parta.
Ao seu avô. Louvado seja o Banco da Itália.
Louvado seja Jesus... Cristo.
Professor. O que fez?
Sinto-me só, Valentina. Não aguento mais.
Tenha calma Professor. Calma... Calma.
Sou só, sou órfão, sou viúvo.
Nem sequer recebo os salários a que tenho direito.
A megera da Diretora não assenta os meus descontos.
Não posso mais. Não aguento mais. Vou me matar.
- É realmente um desgraçado. - Não sou digno de viver.
Me consola, Valentina. Deixe-me apoiar a cabeça...
...no seu casto seio.
O senhor não é um desgraçado, é um macaco.
Não sou um macaco, sou um homem.
Que chatice. Não se pode fazer uma rábula em paz.
Isto não é um colégio.
...é um congresso internacional de enrolados.
Valentina.
A Diretora. É a Diretora. Não tenho paz. É uma perseguição.
Vou já, Sra. Diretora.
No guarda-roupa.
Desculpe sra. Diretora.
Tenho uma boa noticia para você. Advinha quem está aqui.
Meu Deus. Quem mais?
O seu conselheiro espiritual.
- O meu o quê? - Não concorda?
- Você? - Trata-o por você?
Nos conhecemos muito bem.
Desde criança que lhe trato da alma.
Deixo-os a sós. Quando acabar, também quero me confessar.
Desta vez é que vou...
Porco. Não aceito suas desculpas.
Não vim para me desculpar. mas para...
É doida? Sou o Aristides, seu marido.
Não vê o que tenho passado?
Já gastei uma fortuna, com o safado do Gustavo.
Pouco me importa. Tenho que estudar, não devo pensar em tal coisa.
Eu penso por você. Eu penso em tudo.
- Júlia. - O fradeco queria te violentar?
Onde temos que colocar? Em que lugar?
No jardim, ou na caixa de lixo.
Que tal, no quarto da Diretora? Venham ,venham.
Não tem ninguém aqui. Entrem.
Vejam onde a velha o meteu. O que iria fazer com ele?
Este pesa. Onde o colocamos?
- Debaixo dos lençóis. - Tira esse.
Depressa que ela pode vir.
Vamos despi-lo e pô-lo na cama para a surpresa ser maior.
Quando a velha descobrir, que se dane.
- Está acordando. O que faremos? - Espera aí.
Dê-lhe isto. Vai dormir até amanhã.
- O que deu? - Um sonífero.
- É um laxante. - Laxante?
Tem razão. Não há problema. Dê-lhe isto.
Faz cocktail.
Tudo, tudo.
Agora que está ferrado.
Cubra-o e vamos sair daqui.
Missão cumprida.
Que fizeram ao meu.... fradeco?
Não se chateie mais.
Depois de tanto trabalho merecemos uma recompensa.
Um beijo, um beijo, um beijo.
Ganharam.
Você não, nem pensar.
Só um para provar.
É sempre a mesma.
Isso não é um beijo. É um...
É hora de jantar.
Desculpe professor. Tinha-me esquecido de você. Tudo bem?
Professor, como está?
Mal. Ar, ar, ar, ar.
E agora professor? Está melhor?
Estou pior. Quero... respiração... boca a... boca.
Espere.
Sempre à sua disposição. Claro que sei fazer respiração...
boca a boca.
Por quanto tempo? Umas, duas horas? Começamos já.
Sim. Com ele.
Diabo que te carregue. Peppi, acorda.
Como disse o outro depois. Ela enrolou nós dois.
Estou aqui.
Sou toda tua.
Aqui vou eu meu esqueleto do Pinocador Mascarado.
Milagre.
Materializou-se. Que maravilha. Que maravilha.
Estou sonhando.
Também eu. O mais belo sonho da minha vida.
- É você, meu requeijãozinho? - Sou eu mesma. Me coma toda.
- Finalmente, já era hora. - É o que disse.
Me dará tudo?
Tudo, tudo, meu presuntinho.
O queijinho fresco também?
Tudo. Toma o queijinho fresco. Por que espera?
Mas isso é Provolone.
Porque se importa? É o mesmo queijo.
Isso é o que você diz. Ai a minha barriga.
Preciso ir ao banheiro.
Depois.
19 mil e 800.
- Faltam 200 liras. - Não tenho mais nada
Não tem um selo, um bilhete de ônibus, de metrô?
- Vá lá, por esta vez. - É um amigo.
Me assina um recibo para três meses.
- Filho de uma cabra. - Cada um tem a mãe que merece.
- Gustavo, também preciso sair. - Espere. Volto já.
Gustavo, sou eu, o Peppino.
Droga. Logo agora.
Escada grátis. Que sorte.
Assim não vale. Para mim custou 20 mil.
Que maravilha. Que maravilha.
Faz de mim o que quiser. Diga o que quer.
Quero ir ao banheiro. Me sinto mal.
Por que pensa agora no banheiro? Vamos repetir.
- Não. Quero o banheiro. - Por quê? Cheira como uma rosa.
Há uma coisa mais urgente. Banheiro.
Banheiro.
Depois, depois...
Onde está a escada?
Que grande pata. Vou guardá-la. Pode aparecer a outra.
Gustavo. Estou aqui em cima.
Já tenho cãibras nos músculos.
Agora se mete a fazer ginástica à noite?
Faz mal, na sua idade. Desce.
Não há escada.
Também pagou por isso? Deve ter sido algum filho da...
Me tira daqui.
Quanto me dá?
Tenha coração. Por favor.
Coração eu tenho. E você tem coragem para se atirar daí?
Então quanto me dá?
Não consigo tirar a carteira.
Então atira o outro sapato.
Viva o macho latino, forte e de boa montadura.
- Onde vai? - Ao banheiro.
O meu cabelo. O banho.
Banho, cabelo. Vê que não sabe o que quer fazer?
Sei bem, o que quero fazer. Quero o banheiro.
Pense em fazer amor agora. Depois vá ao banheiro.
Tudo a postos. Salta daí.
É doido? É só uma rede.
Por um par de sapatos velhos queria também...
colchão, lençóis, almofada e coberta? Salta daí.
Não seja infantil. Salta daí.
Salta daí. Não tenha medo.
- Porra. Quer ou não saltar? - Não.
O banheiro. Não aguento mais.
Não é capaz de se conter. O que irá fazer no banheiro?
Agora faz acrobacias?
Gustavo, estou aqui.
Peppi, tudo bem?
- Gustavo.... - Sim. - Vai cagar.
Vade retro satanás.
Vi a morte na minha frente. Vi a morte na minha frente.
É uma "ninfomaníaca"
Volta para a festa Me dá novamente.
SALA DE EXAME
Como foi.
Como acha que foi?
- Um fiasco. - Foi isso mesmo.
Marcello Bernardi.
Onde está o Marcello?
Estou aqui.
- Mas ele é o Gustavo. - Se mete na sua vida.
Marcello Bernardi, presente.
Entre.
Sente-se.
Quantos anos tem?
Oito. Mas pareço mais velho.
- Conheço esta cara. Quem é? - Um repetente crônico.
Bernardi, já reprovamos muitos esta manhã.
Ao menos você tente se salvar, já é crescidinho.
Faço o que posso.
Como verifico que a sua preparação é bastante fraca...
...vou te fazer uma pergunta fácil, uma pergunta elementar.
- Sabe fazer um rombo? - Claro.
Bem. Então faça.
Que está fazendo.
A aterrissagem.
- Não percebeu? - Não foi bem?
Refiro-me a um rombo ou losango. Um bom rombo.
Já entendi.
Sempre quis saber porque o Marcello não veio.
Se arrisca a ser reprovado.
Deve ter tido coisa melhor para fazer.
O quê?
Mas hoje não tinha exame?
Exame? Mandei o meu sósia.
Ah. Bravo. E se o reprovarem?
Que importa. Era a única hora para estar a sós com você, e...
- E... - Não queria perdê-la.
Sou ao menos, um pouco simpático?
Sim. Um pouco. Mas agora acabou...
É tarde. Vou perder o exame.
A porta está fechada.
Acredito. Dei 20 mil liras ao Gustavo.
Está mesmo doido.
Sim, sou um doido. Doido de amor por você.
É incrível. Não sabe nada.
Modéstia à parte...
Como se pode passar um cara destes?
Não. Reprovado, reprovado. Professor Pier Capponi, é um dos seus alunos?
- Não. - Como não?
- Não? - Sim, sim, claro.
Ah. Bem, bem.
Bela preparação que dá aos seus alunos. Anotarei isso na ficha.
Apoiado. E eu? posso ir?
Vai, vai, vai.
Adeusinho a todos. Tchau, Peppi.
Dá assim tanta confiança aos seus alunos?
Aquele é um grande safado. Grande patife, grande idiota.
Filho da safada da mãe dele. E do cagão safado do pai.
Se o pego, esmago-o e faço-o num oito.
Foi um desabafo.
Quem é?
Vejamos o... próximo é... Bu... Buratti.
Por favor, professor.
- Burati. - Ah. Pouca sorte.
- É você, o Burati? - Sim, sim.
- Entra. - Quanto é?
Não banque o idiota. Entra.
É Simpamina. Vai te fazer bem.
Venha, venha.
Já é bem velhinho.
Sente-se.
- Fico de pé. - Sente-se.
Tire os óculos.
Quantos anos tem?
Isso é comigo.
Começamos bem.
Sr. Presidente, para um aluno de colégio particular é sempre embaraçoso.
dizer a própria idade.
Será embaraçoso para você, animal. "Linfómano".
Que maneiras são essas? Não está bem da cabeça?
- São parentes? - Não.
Então por que se mete, cara de Provolone.
Não seja mal educado.
Está bem. Quer que te faça em pedaços. Faço você mortadela.
Por favor. Parem. Por favor.
Lembrem-se que estamos num exame. Por favor.
- De quê? - Uma aula de exame.
Acalme-se, senão põe o júri, todo nervoso.
Estou calmo. Não estou nada nervoso.
- O senhor está nervoso? - Não, que ideia!
Ainda bem porque, quando me sobe a mostarda ao nariz.
Me dá licença? Buratti, produtos alimentares.
- Agora sente-se e acalme-se. - Está nervoso?
Estamos todos calmos. Vamos voltar ao exame.
Está tranquilo?
Ah, é você. Vendido.
20 mil.
Para sua informação, fiquei em branco.
- Nada ? - Nada. - Nem...
Nem isso.
- Então são 40 mil. - Por quê?
Ainda pergunta?
Então fica mudo? Não sabe nada. É próprio de um ignorante.
Quem é ignorante?
Não. O presidente diz isso por dizer. Vê-se bem que se preparou.
Mas está, como direi?
Distraído.
Intimidado.
Retardado.
Você é mesmo cretino professor.
Você é um violento.
- Eu? - Sim.
Violento eu? Sou a quinta essência da doçura.
Não é da minha opinião? Não é da minha opinião?
Uma beijoca. Uma beijoca
Com licença, sou a Buratti. Já me chamaram?
Buratti? Então, quem é você?
Sou o Buratti.
Porquê? Tem alguma coisa contra isso?
- Aristides... Aristides. - Meu requeijãozinho.
Desculpem.
Ficou sem saia? Não faz mal. Ainda assim.
Passa na prova. Com distinção. Sente-se.
- Mas quem é você? - Sou o marido.
- Então não devia fazer exame. - Não, por quê?
Saia imediatamente.
Quem está mandando sair?
Não, não. Se quiser pode assistir ao exame.
O júri está todo de acordo. Não é verdade?
Sim.
- Não. - Sim. Estou enganado?
Se estamos todos de acordo podemos prosseguir.
Prossigamos.
Comecemos então com uma pergunta...
- ...difícil. - Fácil.
Uma pergunta assim-assim. Está bem?
Estou completamente de acordo.
Quem foi o general de sobrenome Bonaparte...
...que foi imperador dos franceses...
...nasceu na Córsega e morreu no exílio em Sta. Helena.
Venceu em Austerlitz e foi derrotado em Waterloo?
Se é difícil, não responda.
Mais fácil do que isto. Quem foi?
Celentano.
Quem foi Celentano?
- Não. - Não.
Foi o gesto do Provolone.
Concentre-se.
Napoleão.
Vá ao quadro.
Permite que ela vá ao quadro?
Está bem. Vá ao quadro.
Sentados.
Parecem animais. "Linfómanos".
Estou pronta. O que devo fazer?
Escreva: se X é igual a Y menos Z e Y é igual a 4, Z menos X...
...mais raiz quadrada de Z ao cubo menos Z, qual é o valor de Z?
E se o arcebispo de Constantinola quisesse se desarcebispar...
todos os arcebispos de Constantinola se desarcebispariam?
Vamos para algo fácil. Por favor, diga o volume da esfera.
Não.
Diga a área do Círculo.
Não.
Diga como se chama a linha que delimita o círculo.
Diga isso. Faça-lhe a vontade.
A linha...
...que delimita o círculo...
...essa linha...
...chama-se... Tenho na ponta da língua.
Como se atreve a fazer-lhe esses gestos?
Por favor. tenham calma. Por favor.
Vem aqui. Vai para casa comigo.
Quero acabar o exame.
Que vergonha!
Professor Pier Capponi, está despedido.
O Pier Capponi... é aquele Provolone?
Professor Pier Capponi.
Então é o famoso Pier Capponi.
O homem importante de quem falava.
O cantor patriota Pier Capponi.
E por ele abandonou o leito conjugal para vir aqui.
Pier Capponi, prepare-se. Eu te dou a linha do círculo.
O Pinocador Mascarado.
Vai ser meu para sempre.
O Ministro da Educação.
Obrigado, Sr. Ministro.
Senhora. Senhora. Pode dar um queijo fresco?
Mas como se atreve? Atrevido!
Vá ao meu marido.
Vem aqui. O que quer, homem?
- Um queijo fresco. - O quê?
O quê?
100 gramas de mortadela.
Rapaz, 100 gramas de mortadela para este senhor.
É para já, Sr. Aristides.
- Quanto é? - Pague no caixa.
- Seiscentos. - Obrigada. Volte em breve.
Quem no Aristides comprou, feliz se considerou.
Uma gorjeta. Obrigado.
Amanhã, tem exercício.
Tema: o salame na Idade Média.
Quem tiver erros, vai escrever 100 vezes.
"A cultura é grandiosa, e eu sou imbecil".
- De acordo, requeijãozinho? - É claro.
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