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A Terra.
Berço de uma inigualável beleza e de um encanto espantoso.
Incompreensível.
Avassaladora.
Este planeta troça da nossa incapacidade para o descrever.
Sim, para apreciarmos verdadeiramente a surpreendente grandeza deste planeta,
às vezes, temos de o profanar.
Eis o Profanador.
O seu carácter é vil, básico e depravado.
Em tempos um orgulhoso apresentador,
foi obrigado, por um ecossistema em mudança,
a procurar um clima mais seco e agreste.
O podcast semanal.
Aqui, sem o sustento do seu público no estúdio,
este palhaço de olhinhos mortiços,
os olhos de um boneco mal pintado,
vai ter de se nutrir com o mínimo dos mínimos,
o fã ocasional.
Perturbado pelo aroma feral do seu fraco entusiasmo,
esgravata em terras distantes, sem convite,
sôfrego por reconhecimento,
e uma ou outra selfie.
É uma loucura.
É uma insanidade.
É o caos.
É o Conan O'Brien Must Go.
Argentina.
UMA SEMANA ANTES
Olá, Conan. Sou o Sebastian. Estou a ligar de Buenos Aires, Argentina.
Fala-me um pouco sobre ti, Sebastian.
Sou artista, pintor, ilustrador
e estes são alguns dos meus quadros.
Meu Deus, és mesmo bom. São fenomenais.
Pintarias o meu retrato?
Claro, és muito bem-parecido.
- Obrigado. - Que querido, vês?
E o que é que notaste em mim que se destacaria num retrato?
Tens um queixo, tipo um queixo sopa de tomate, sabes?
Espera lá, espera lá.
Tenho um queixo lata de sopa de tomate?
- A sopa da Campbell. Sabes? - Não quero saber que tipo de sopa é.
- Uau! - Olá, meu amigo, como estás?
- O que fazes aqui? - Prazer em ver-te.
Como estás? És tão bonito em pessoa
como és... - Tu também.
- Gostas do queixo. - És mais alto.
Sim, sou muito mais alto.
- Prazer em ver-te. - É Bruno, um dos...
- Olá, Bruno. - ... meus filhos.
- Bruno. - Santiago.
Santiago, Bruno, prazer em conhecer.
E temos de nos cumprimentar como se faz neste país
e tenho de te dar um beijo, certo? - Sim, exato.
Não dou beijos aos miúdos, nem pensar.
Não me apanham outra vez.
- Não há problema. - Não vai voltar a acontecer.
- Já fizeste isso? - É IA, é um vídeo falso.
Ouçam, é só uma piada, miúdos.
Gostam deste tipo de brincadeiras, não gostam?
Não é engraçado?
É um tema engraçado. O vosso pai é um artista espetacular.
Quero ver algumas das tuas obras pessoalmente.
- É possível? - Sim, o estúdio é no andar de cima.
Sou como a Rapunzel.
- És como o quê? - A Rapunzel.
- Rapunzel. - Rapunzel.
- Estás na Argentina. - Desculpa, não quero saber.
- Tem cabelo comprido. - Sim, eu sei quem é. Eu sei quem é.
Mas é "Rapunzel". Nós dizemos "Rapunzel", não...
- Ele não é uma princesa. - Não...
Ouçam, vocês os dois, quero que vão dormir.
Este é o meu estúdio.
É minúsculo.
- É um espaço muito pequeno. - É o estúdio de uma só pessoa.
Não pintas aqui fora porquê?
Aqui é muito quente, por causa do sol.
- Pois. - O sol está...
Sim, o sol está no céu.
- Não está no céu. - O quê?
- Não está no céu. - Não está no céu?
Está no espaço.
Está no espaço.
Alguma vez o atiraste do prédio?
- Tentei, mas ele voltou. - Está bem.
Está ali um tipo a olhar para nós.
Sabes quem é? Está sempre a olhar para nós.
Pois...
Pronto.
Tens muitos amigos, certo?
- Claro. - Tu és mais solitário.
- Não. - Não, não és?
- És mais reservado, não és? - Não.
Só tu e as tuas experiências, certo?
Matas ratos por diversão.
Não é? Ele.... Há muitos animais mortos
na área e este tipo anda a matá-los?
Ele tem amigos.
Eu tenho um cão.
Sim, tens um cão, mas não vai durar muito.
Com ele, não.
Só me estou a meter contigo, estou a brincar contigo, está bem?
- Ele quer ser famoso. - Queres ser famoso?
Eu já sou famoso.
Assim que os corpos começarem a aparecer, serás bem conhecido.
Tens de ganhar ao Bundy, chegou aos 48, tu consegues.
Olhem para ele a sorrir.
A pensar: "Estou nos 44". E os gatos não contam.
Não saltes daí, ainda morres.
- Vocês estão bem? - E vou ser eu.
- O quê? - Vou empurrar...
Nunca fales dos teus crimes com ninguém.
Isso é depois, quando te forem entrevistar na cela na prisão.
Fizeste um péssimo trabalho.
Nunca vi crianças tão más.
Trouxe o Sebastian para aqui, para longe daquelas crianças diabólicas,
porque quero propor-lhe uma ideia.
Sebastian, aceitaste pintar o meu retrato.
Estava a pensar, se estivesse com dois outros argentinos famosos,
talvez, se estivesse com o Messi no quadro e se estivesse com o Papa.
- Nós os três e eu tinha os... - Fixe.
Eu tinha os braços à volta deles e dávamos-lhe um título.
Está bem.
Os Filhos Sagrados da Argentina.
E és um deles?
Devo dizer, estou impressionado, passou meia hora, se tanto,
e foi isto que o Sebastian desenhou.
- Está fantástico. - Obrigado.
- Tens muito talento, a sério. - Obrigado.
Podia ser um mural?
Onde as pessoas o vissem.
E se fizermos assim: eu pinto um quadro.
E depois, inspirado nesse quadro, fazemos um mural.
Claro. Conheces alguém para nos ajudar com o mural?
- Sim, um dos melhores. - Está bem.
Somos como os Vingadores da pintura.
Sim? És qual? O Homem de Ferro?
Não. Sou a rapariga.
- Não sei o nome... - Viúva Negra.
Não sei, não conheço os Vingadores.
- Falaste dos Vingadores, mas... - Mas não os conheço.
- Mas não sabes. - O Thor é dos Vingadores.
- Sim. - O Super-Homem, não.
Não, estás a misturar a Marvel e a DC.
- Desculpa. - Na América, davam-te um tiro por isso.
- Fantástico! Vai ser um mural. - Certo.
Sempre que visito um novo país, gosto de conhecer os costumes locais,
para poder ignorá-los.
Estamos no centro de Buenos Aires, correto?
- Sim. - E esta é a Martina.
A Martina aceitou ajudar-me.
- És tradutora. - Sim.
Quero garantir que percebo tudo o que preciso de saber
sobre estar na Argentina.
As pessoas são muito simpáticas.
Muito simpáticas, ainda bem, também sou simpático.
As pessoas dão um beijo, por exemplo, quando se cumprimentam.
Podes só dizer olá, por exemplo: "Olá, Conan".
Olá.
É rápido, vou mostrar-te o rápido que é, olha.
- Já está. - É tipo um beijo a fingir,
tipo... - Sim, mas, de facto,
tocas na outra pessoa, podes fazer assim.
Estás a tornar tudo muito estranho.
- Sim. - É a minha cena.
- É o dom que Deus me deu. - Que Deus te deu.
Que insultos é que posso usar que são muito... As pessoas dirão logo:
"Ele é mesmo de Buenos Aires". - Usamos muito boludo.
- Boludo? - Sim.
- Por exemplo: "Qué boludo!" - Qué boludo!
- O que significa? - "Que idiota".
- Qué boludo! - Boludo!
Finge que estás furiosa comigo,
atrasei-me muito para vir ter contigo.
- Hola, cómo estás? - Conan, sos boludo.
Já viste as horas?
- Primeiro, o beijinho. - Meu Deus.
- Não é preciso. Fica aí. - Fico aqui?
Que opinião têm dos americanos, de forma geral?
Depende dos americanos.
Portanto, às vezes, não todos, mas alguns de vocês
falam muito alto.
Abogado!
Ocupam muito espaço.
- Isto é minúsculo. - E são algo malcriados.
Fizeste um péssimo trabalho. Nunca vi crianças tão más.
Não somos todos assim.
Não sei se é adequado ao programa, mas tivemos uma das piores ditaduras
graças ao apoio do governo americano,
não das pessoas.
- Isso também é verdade em muitos países. - Sim, sobretudo na América Latina.
Muitos países da América Latina, é verdade.
E tens razão, não é adequado ao programa.
- Desculpa, eu... - Não, não por não ser verdade,
mas porque tentamos tornar tudo uma piada.
E sempre tentei ver a piada
no facto de o passado imperialista da América ter arruinado inúmeros...
- Pois. - Continentes enormes à sua volta.
Meu Deus, o nosso currículo é abismal.
Mas acontece o mesmo com todas as superpotências.
Olha para a Inglaterra.
Mas, lá está, não entrará no programa...
- Sim. - ... porque não é ligeiro, nem engraçado.
Mas a América, a Inglaterra, pensa no que os espanhóis fizeram.
Meu Deus, a Espanha, a Espanha colonial, um terror.
Que país que alcançou o poder não o utilizou depois de forma abusiva
e causou muita miséria pelo mundo todo?
A América é apenas um país de uma longa lista.
Bem, este é o tipo de comédia que eu faço agora.
Podem mandar o Prémio Peabody para Wilshire Boulevard, n.º 505.
Em Los Angeles, Califórnia.
Lembrei-me agora de outra coisa irritante que os americanos fazem
quando vêm cá.
Que bom. Diz lá. Que grande encontro este.
Sim...
E quando for embora?
- Damos outro beijo? - Dizemos "chau".
- Chau. - Tens de dar um beijo a todos
quando sais de um sítio.
Sempre que sais, tens de dar beijos a todos?
Mesmo que não os conheças, dás-lhes um beijo.
E se fores dispensado de um júri?
Levantas-te e dás um beijo a todos no júri?
"Jurado número sete, está dispensado."
"Bem, lamento, Meritíssimo."
- "Um momento." - Darias... A sério?
- Que loucura. - É de loucos.
- Chau. - Chau.
- Foi tão estranho. - Chau.
- Chau. - Chau.
- Só um. - Chau.
Só uma vez.
Não!
- Só um. - Já te cumprimentei?
- Te amo. - Adoro-te.
Adoro-te.
O que fazes aqui?
Um beijo!
Depois de curtir com os meus novos amigos,
decidi pôr a conversa em dia com um antigo.
A Argentina é famosa pela carne e pelo vinho
e eu conheço alguém que diz ser um especialista
nestes assunto, portanto, trouxe-o comigo.
Alguns de vós talvez o conheçam como Jordan Schlansky.
- Jordan. - Sim.
- Obrigado por teres vindo. - Obrigado pelo convite.
Jordan, já viajámos juntos para outros países.
- Já fomos ao Japão. - Sim.
- O xintoísmo está em todo o lado. - Xintoísta és tu.
Aos Estados Unidos.
Não me agrada a forma como muitos cafés
nos EUA preparam os expressos.
Prefiro ver esta mesa girar
do que ouvir o que tens para dizer.
- E mais? Itália. - Itália.
Temos de ver o nosso dedo através do vinho.
Jordan, vê se vês o meu dedo.
Mas agora estamos na Argentina.
Buenos Aires.
- Buenos Aires. - Sim.
Não tens de fazer isto.
- Diz só Buenos Aires. - Às vezes, gesticulo para acentuar
as palavras que digo. - Também eu.
Gesticulava ainda mais em adolescente.
- É uma piada sobre masturbação. - Eu percebi.
Acho que estamos
numa espécie de churrascaria argentina, certo?
Podes chamar-lhe churrascaria,
é um pouco forçado, mas eu chamo-lhe asado.
Queria explicar aos telespectadores que é como uma churrascaria.
Podes chamar-lhe churrascaria.
Não, vou chamar-lhe o termo certo, é asado.
- Vamos comer asado. - Sim.
- Em Buenos Aires. - Sim.
Com um imbecil.
- Um brinde. - Está bem.
O que estavas a fazer com a boca? Fizeste...
Estava a provar o vinho.
- E o que achas? - É adequado para...
- É perfeito para esta ocasião. - Ainda bem.
Chamamos o dono do restaurante e dizemos: "Obrigado,
é adequado". Chamamos?
A magia não tem de estar no vinho.
- A magia está entre nós, dois gaúchos. - Então, estamos fodidos.
Completamente fodidos.
- Enrique. - Enrique.
Fale-nos das carnes.
Só estive três meses a aprender espanhol.
Não percebo todas as... palavras que disse.
Muito bom.
Culturalmente... Conheces bem a cultura da Argentina?
Estamos aqui...
Não sou especialista na cultura dos argentinos.
Contudo, sei que a paixão e a intensidade
do "tan-go" corre nas veias do povo argentino.
Está em cada esquina que encontramos.
- Tango. - "Tan-go."
- Tango. - Diz-se "tan-go".
Tango. Último Tango em Paris.
Último "Tan-go" em Paris.
Ou, para ser mais preciso, Último "Tan-go" em Paris.
Nunca ninguém disse: "Vi aquele filme que não percebi,
é mesmo estranho, com o Marlon Brando, chamado
Último Tango em Paris."
- Nunca ninguém disse isso. - Dissemos nós.
- Dissemos nós. - Ninguém.
Dissemos nós agora, duas vezes.
- O que chamas ao Tubarão? "Tubaronhe?" - Não, Tubarão, é uma palavra normal.
Pois. E.T...
Vamos ver o Star Wars.
Podes dizer tango.
Diz-se "tan-go", mas podes dizer tango.
Isto aqui é um problema. É o meu maior problema com este sítio.
- Porquê? - É água purificada, não mineral.
- Sabes o que é água purificada? - Quero lá saber.
É destilada a vapor, que elimina todos os sólidos dissolvidos.
Torna-se uma água totalmente pura, o que pode parecer positivo.
Mas eles sabem disso.
Depois de destilar a água e eliminar todos os sólidos dissolvidos,
colocam os minerais de forma artificial,
coisas como cálcio e magnésio.
É uma imitação de água mineral.
E, para mim, compravam logo água mineral.
Sabes que mais? Disseste o que eu estava a pensar.
Deus te abençoe, estava a pensar mesmo nisso. O que é isto?
Não tem minerais?
- Eliminados? - Tem, adicionados artificialmente.
Foi o que eu disse. Minerais artificiais?
Não sei como não percebes.
Os minerais são eliminados e adicionados, artificialmente.
Eliminam-nos e voltam a adicioná-los? Foi o que eu disse.
Só quero água mineral,
com minerais naturais. - Foi o que disse.
- Aceito 150 sólidos... - Água mineral.
Não quero que eliminem nem acrescentem nada. Não quero isso. Foi o que disse.
- Não, queres os minerais naturais. - Quero os minerais naturais.
- Eliminá-los e adicioná-los? - Seja a Evian com 150 SDT,
ou a Gerolsteiner alemã com 25 SDT. - Diz-se Gerolsteiner.
- Não, é Gerolsteiner. - É Gerolsteiner.
Gerolsteiner.
Sabes que não é Frankenstein, certo?
Sabes que é Frankenstein. Sabes isso, certo?
Olha!
Bom e frio.
Estás a atenuar o sabor do vinho
como tentas atenuar a dor da tua infância com essa carne.
Os teus disparates com o asado não me incomodam, mas gostei disso
e não o quero coberto de baba tua.
Sei que falamos muito sobre partilhar na cultura argentina,
mas isto é uma barbaridade.
- Desculpa... - E só queria a entranha.
E sabia, de todas as carnes que comemos,
tinhas de fazer piadas com essa.
Então, admites que tem piada.
Ganhei!
Olha, sou o Nixon.
Já ninguém percebe essa referência.
É uma parrilla argentina autêntica. Temos carvão e madeira.
Porquê este ângulo, Jordan?
Tens de compreender os princípios da termodinâmica...
Não percebo!
- Portanto, avancemos. - Está bem.
Diz-se...
tango ou "tan-go"?
- Tango. - Tango, não é?
- Tango? - Tango.
- Tango? - Tango.
- Tango. - Tango!
Não dizem "tan-go", seu palerma!
É "tan-go".
Não é "tan-go"! Estas pessoas vivem aqui!
Adiante, ficamos a saber que é tango, não "tan-go"
e que sou especialista em carne, porque tenho o maior respeito
por aquilo que fazem aqui.
O Jordan pode não ser meu fã, mas felizmente este tipo é.
Olá, Conan, sou o Matías e estou a ligar da Argentina.
Fala-nos sobre ti, Matías.
Comecei agora a 11.ª temporada do nosso programa de rádio.
Fala-nos sobre o programa.
Que fixe, já dura há 11 temporadas.
Bem, o problema é que ninguém nos ouve,
mas, tirando isso, está a correr bem.
Quando dizes "ninguém nos ouve", diz-me o número exato
de pessoas que ouvem o teu programa.
Cerca de quatro,
talvez três. - Caramba.
Uma coisa posso prometer-te, Matías, atualmente
tens quatro ouvintes, todos da tua família.
- Sim. - Posso melhorar a tua audiência.
- Hola! - Hola, Conan!
- Então? - Matías!
- Como estás? - Como estás?
Tens um programa de rádio e só tens cerca de quatro ouvintes?
Sim, num dia bom, cinco.
Nesta estação de rádio, qual é o programa com mais audiência? Quantas pessoas ouvem?
- É o Camino Emprendedor, com 130. - Têm 130 ouvintes?
É o programa que temos de derrotar.
Quem é o apresentador?
Não sei.
Já vi que vens bem preparado.
- Não sabes? - Não sei quem é o meu inimigo, não.
Estou aqui para te dar alguma ambição.
- Está bem? - Está.
Quero aumentar a audiência e que acredites em ti.
Certo.
Antes de mais, a tua postura.
Assim, direito, vamos lá. E, volta e meia, faz assim.
Olha à tua volta e diz:
- "Há horizontes a conquistar." - Há horizontes a conquistar.
É este tipo de coisas que tens de fazer.
Quem são estes na t-shirt?
Cosmo e Wanda, de Os Padrinhos Mágicos.
Não podes usar isto.
Tens uma T-shirt das Powerpuff Girls?
Por acaso, tenho um peluche das Powerpuff Girls.
Pois.
Seu taradão.
- O que fazes com estes peluches? - Não, não, são decorativos.
Começam por ser decorativos.
Depois, estás a lavá-los duas vezes por dia.
- Caramba. - Bem, desculpa.
Tens de tirar isso. Quero ver um novo Matías.
Vai ser tipo uma make-over?
Não, não sei fazer isso.
Não, eu não... Não, nem por isso.
Tira a porcaria da t-shirt e está tudo bem.
- Está bem? - Está.
Hoje, vou apresentar o programa contigo.
- Sim. - Ora, eu sou um homem de negócios.
Não cheguei onde cheguei a fazer coisas de graça.
Vou ser pago?
Não?
A entoação deu a entender que havia algo mais, mas não disseste mais nada.
Então, não, ponto final.
Tem piada, normalmente não fico nervoso, mas estou.
Oito, sete, seis...
Argentina, espero que estejas pronta.
Olá, bem-vindos ao Noticias Descafeinadas.
E, como veem, estou a falar inglês, o que é invulgar.
Isso porque temos um convidado especial, Conan O'Brien.
- Olá. - É um prazer, Matías.
- Como ganhamos dinheiro com isto? - Até estamos a perder dinheiro.
Historicamente, sempre perdemos dinheiro.
Devíamos começar a ganhar dinheiro.
Tem alguma ideia sobre como ganhar dinheiro?
De vez em quando, podes fazer um anúncio de graça,
e vão ouvir e dizer: "Que belo anúncio"
e depois dizes: "Se quiserem outro, têm de pagar" e depois pagam.
Bem, podemos vender mate, por exemplo.
O nosso produtor está a beber mate agora mesmo.
Quem é o fabricante
do mate que todos bebem? - CBSé.
CBSé? Vão trazer-me um pouco.
Eu, Conan O'Brien, vou beber mate, mas não é um mate qualquer!
CBSé. E agora uma golada deliciosa.
Delicioso.
Agora perguntas: "Conan, o que bebes?"
- Conan, o que bebes? - Tenta outra vez, vá lá.
Conan, o que bebes?
Nem pareces interessado. Diz: "Conan, o que bebes?"
Conan, o que bebes?
És um desastre.
Diz: "Conan, o que tens aí?"
Conan, o que tens aí?
- Meu Deus. - Caramba.
Meu Deus. Diz só "Olá", só assim, "Olá, Conan".
- Olá, Conan. - Ainda bem que perguntaste o que bebo.
Isto é mate.
CBSé.
Te amo, CBSé.
- Tenho de te pedir para parar. - O que se passa?
Isto está a ficar muito pervertido, louco e estranho.
Só te digo, vais mostrar isto
à boa gente da CBSé Mate?
Vão perder a cabeça.
Vão passar-se com isto.
- Durou uns cinco minutos. - E depois?
- Estamos no intervalo agora, certo? - Sim.
Está bem, só queria dizer... Não há ar condicionado.
- Não. - Está muito calor aqui.
- Está. - Deixa-me perguntar,
quem é aquela ali, é a... a jovem?
- É a minha irmã, Carolina. - Certo.
- Como estás? - Muito bem.
Está calor aqui.
Para o nosso último segmento,
vamos passar uma canção argentina de um grande músico, Gustavo Cerati.
Adoro o Gustavo.
- A sério? - Sim, é fantástico.
- Ele é mesmo incrível. - Sim, é o máximo.
Não me canso de o ouvir.
Vamos ouvir "Otra Piel" de Gustavo Cerati, do meu álbum favorito, Ahí Vamos.
Adoro esta, é incrível.
- Ótimo. - A música do lado B também é incrível.
- Sim. - "Onde Estão os Vegetais?"
- Conheces, certo? - Sim.
E onde estão os vegetais?
Todos perguntamos o mesmo.
- Posso dizer uma coisa? - Sim.
Ontem, perguntei ao meu irmão se estava nervoso com isto
e ele disse-me: "Não, vai ser como falar com um velho amigo".
- Que simpático. - Sim.
Foi muito simpático e espero estar a envergonhar-te.
Que fixe, muito gentil.
Não funcionou, fiquei muito nervoso.
Não, mas somos amigos.
- Sim. - Sim.
- És meu amigo. - Exato.
- E tu és minha amiga. - Sim.
Viram como mudei a flexão de género?
Viagem nenhuma a Buenos Aires estaria completa
sem uma lição na sua dança nativa, o tango.
- Cassandra, o tango é a Argentina, sim? - Sim.
Pois.
Há quem diga que o melhor do tango é ninguém falar.
- A linguagem corporal. - O corpo é que fala.
- Exato. - Este é o Mario.
Mario é o proprietário desta escola de tango.
E se mostrassem o verdadeiro tango?
Eu fico a ver. La musica, por favor.
Direito. Esquerdo. Pés juntos. Esquerdo.
- Abre e fecha. Exato. - Sim.
Sim, acho que consigo.
Voltando à parte em que os corpos estão emaranhados noutros corpos,
quando os corpos se tocam. Essa parte é que me fascina.
- Isto e isto... - Não.
- Quero ver... quero entrar com tudo. - Meu Deus.
Quero entrar em ação, percebem?
Gosto quando enroscam as pernas,
não me interessa se é homem ou mulher ou se é homem e mulher,
não me interessa.
- Sexy. - Não olho para ti, só para a câmara?
Para o horizonte e vejo o futuro do nosso amor.
- Meu Deus. - Um bebé.
Meu Deus.
E depois cresce.
E depois eu digo: "Sai daqui! Estou a fazer o melhor que consigo!"
Desculpem.
Mas tenho um amigo que diz saber muito sobre tango. Jordan?
Aproxima-te mais um pouco, embora te odeie.
Já passei muitas noites nas milongas de Buenos Aires,
rodeado pelos ritmos latinos apaixonados do "tan-go" argentino.
- Tango. - "Tan-go."
- Diz-nos, como se diz? - Tango.
Foi o que eu disse.
- Não é assim que dizes! - Foi o que disse.
Se não estivessem aqui câmaras, matava-te.
E depois beijava o teu cadáver.
- Meu Deus. - Certo,
isto foi... nem sei o que isto foi.
Está quente, húmido.
Acho que, claramente, há aqui alguma paixão.
- Corres... - Certo, desculpa.
Desculpa.
Desculpa.
Corres o risco de te apaixonares por mim durante esta dança? Sê sincera.
Sim...
Olá, Conan, chamo-me Cami, estou a ligar de Buenos Aires, Argentina.
Olá, Cami, precisas de conselhos sobre encontros.
Tens saído com alguém?
Eu saio com homens. Só homens, só mais velhos.
Quanto mais velhos têm de ser estes homens?
Bem, o mais velhos possível sem ser esquisito.
Esquisito como? Sessenta anos é esquisito para ti?
- Um pouco, sim. - Está bem.
- Tu tens 60 anos! - Tenho 60 anos!
Quando conheces um tipo, dizes que és minha fã?
Não te quero magoar, mas talvez não saibam quem tu és.
- Só mentiras! Mentiras! - E não sabem quem é o Conan O'Brien,
não sabem quem é o amor da minha vida, Larry David.
- O amor da tua vida? - Espera lá, ele tem 76 anos.
Sim, mas é o Larry David, pá.
O Conan O'Brien é um tarado porque acabou de fazer 60 anos.
- Não. - Mas o Larry David é um possível amante?
Cammy, olá! Cómo estás?
Senta-te, por favor. Quero falar contigo um pouco.
Cami, estás à procura de alguém que seja de meia-idade, certo?
Com sentido de humor.
Propus, hipoteticamente, porque ambos sabemos que sou casado,
foi hipotético:
"E alguém como eu?" e disseste: "Não, Conan, és demasiado velho".
Mas depois falaste no Larry David.
Tu és o meu ídolo, ele é uma paixoneta. É diferente.
Qualquer homem quer ser uma paixoneta. É o que todos queremos.
E dizem: "É o meu ídolo, mas não uma paixoneta.
A minha paixoneta é alguém 20 anos mais velho do que ele."
- Desculpa. - Desculpa, o vento levanta
quando me zango.
Pois e fiquei... Também ficaste.
A poeira não se aproxima de mim.
- Sou famoso. - Pois és.
O meu sonho era convencer o Larry David a vir cá,
mas isso é ridículo.
Ele não viria à Argentina, mas consegui o melhor que pude.
Chama-se Pablo e é sósia do Larry David.
Chamem-no.
Larry, prazer em ver-te.
Diz-me lá um "muito bem".
- Muito bem? Muito, muito bem. - Tenta outra vez.
Muito, muito bem.
- Muito, muito bem. - Boa!
Ela tem uma paixoneta por ti! Este é o Larry.
E ela é... Tenho de admitir, eu disse-te que ela era bonita.
- Ela é bonita... - Muito bem.
- Não. Muito, muito bem. - Muito bem.
- Duas vezes o "muito". - Muito.
- Muito, muito... - Muito, muito...
- Muito bem. - Muito bem.
Conan, vamos namorar. Deixemos o Larry David fora disto.
- Tinhas razão. - Obrigado.
Se passarem uns dias na Argentina,
rapidamente ficaram a saber que a sua maior paixão é o futebol.
Assim, decidi treinar com a equipa favorita do Papa,
San Lorenzo de Almagro.
Estou aqui com alguns dos melhores futebolistas do mundo.
São atletas incríveis, incríveis, futebolistas fantásticos.
Não é futebol americano, futebol.
E tu és o capitão da equipa.
Diz-me uns exercícios para fazer.
Perito, põe-te em cima de mim.
Boa!
- Incrível! - Boa!
Pronto.
Não.
Eu consigo, a sério.
Desculpa.
PAPA: ESTOU COM A TUA EQUIPA FAVORITA
ESTÁS A FINGIR QUE ESTÁS COM A BOLA?
ELIMINA O MEU CONTACTO
Mostra-me.
Encontra o centro e escolhe um lado.
Muito bem.
Perito, uma dos segredos para ganhar é ser capaz de conseguir uma falta.
Exige algum teatro e quero ver como é que o fazem,
porque acho que o podemos melhorar.
Ação!
Vejam! Está magoado!
Não, não, não.
Vamos ver no VAR.
- Não, é falta. É... - Louco!
- Louco! É louco! - Louco!
Tento? Quero tentar.
Que pena!
Que pena!
E fim.
Malta, o que acham sobre o que fiz?
- Foi fixe. - Pode ser... pode ser melhor.
Falta!
- Não! - Não!
ENVIAR EMMY PARA CONAN O'BRIEN WILSHIRE BLVD, 505, SALA 5000
LOS ANGELES, CA, EUA
Depois de recuperar a fingir da minha morte fingida,
fui conhecer verdadeiros cowboys argentinos, conhecidos como gaúchos.
Bem, aqui estou eu, em Las Pampas.
- Juan Pablo, és um gaúcho. - Mucho gusto. Sim.
- Quero ajudar aqui em Las Pampas. - Perfecto.
Señor, foi gaúcho toda a sua vida?
Porque suspeito que era ator de telenovelas há dois anos
e contrataram-no porque sabiam que eu vinha cá.
Chamam-lhe "Risonho", certo?
Se eu tivesse um público cheio de tipos como você,
já me tinha suicidado há muito.
Não tens de lhe dizer tudo.
Tenho de me tornar um gaúcho. É o meu destino ser gaúcho.
Eu sou o gaúcho.
Vivo em Las Pampas. Não tenho nome.
Cavalgo sozinho.
Cometi um crime terrível na cidade
e, por isso, nunca poderei voltar.
Qual foi o meu crime?
Passei um cheque careca na farmácia, no valor de 65 dólares.
Ninguém anda à minha procura,
mas não posso voltar a essa farmácia.
Só queria comprar um duche nasal. A minha sinusite estava a dar cabo de mim.
E, já agora, essas coisas não funcionam.
Mais vale tomar pseudoefedrina. E, por isso...
... cavalgo em Las Pampas sozinho... para sempre.
Sou o gaúcho.
Sou o gaúcho.
Boa!
É tradição nas Pampas, que os gaúchos, depois de um dia de trabalho árduo,
se juntem à volta de uma fogueira e cantem as suas histórias de infortúnio.
Normalmente, acontece à noite. São duas da tarde.
Tem de ser agora, tenho de voltar para Buenos Aires.
Estamos num hotel espetacular, tem spa.
Juan Pablo Cairo, companheiro
É o meu nome e apelido
Por todos sou conhecido E a todos estendo a minha mão
Tenho um segredo sombrio Na cidade de Caramaco
Quero deixar claro, Quando me acabar a sorte,
Ainda terei os meus companheiros
Eu sou o Conando
Nasci em Boston, Massachusetts
E tive um pai, o meu padre
É um cientista
Ele trabalhava muito
Não me parece que tivesse trabalho
Mas éramos muitos filhos E a minha mãe era levada da breca
Por isso, acho que ia trabalhar para fugir
Mas estes são problemas Que todos os gaúchos têm de enfrentar
Mas eu preciso das pessoas
E não acredito na biblioteca
Com vinho, a cavalo
E o automóvel
Mas também
Estou a ficar com fome E quero ir para o meu hotel
Em Buenos Aires, Onde têm um spa fantástico
Fazemos tratamentos faciais
Usam aquela argila mesmo boa Limpa os poros
E podemos beber mimosas
De laranja!
Pero, bem, sabe como é, tío.
Em Las Pampas, é assim.
Sim.
Este homem não compreende quem eu sou
Nem de que merda estou a falar
Tenho um amigo, que diz saber tudo sobre gaúchos.
Para ti, o que significa ser um gaúcho, Jordan?
Hoje juntamo-nos a uma orgulhosa tradição
de cavaleiros latino-americanos.
Seja um gaúcho argentino,
um huaso chileno ou um vaquero norte-americano,
onde fomos buscar a palavra "buckaroo" [cowboy],
é importante, porque é um obstáculo partilhado
que enfrentamos juntos.
- De que é que estás a falar? - Vamos trabalhar a terra, la tierra.
Desculpa, eles não vivem de la tierra.
Este esteve num Denny's há uma hora.
Não façam caso às representações modernas do nosso mundo.
Na minha mente, estamos talvez nos meados do século XIX em Las Pampas,
e somos cinco homens e vamos criar laços.
Qual é o teu problema? A sério?
Estás a rir-te porquê?
Tens um cogumelo derretido na cabeça
e pareces o Super Mario a ter um esgotamento nervoso.
O que se passa? Estás bem?
- Estás bem? - Sim.
Vamos criar laços...
Olhem para os olhos dele, para as sobrancelhas.
Loco, veem? É maluco.
Só digo que hoje vamos viver com os animais.
Meu Deus! Controla-te, homem.
Vocês não vivem da terra. Vão ao restaurante, sí? Restaurante?
- Sí! - Sí! Vão ao McDonald's?
- Sí! - Ele vai ao McDonald's!
Gosta da Barbie, certo?
- Sí. - Sim, pois.
Não importa. Estou a dizer que vamos conviver com os animais.
- Vamos estar... - Qual é o teu problema, seu louco?
Estou a aproveitar, porque aqui estamos num momento poético.
Penso nas vacas, a pastar livremente nas planícies.
- Chamam-se Pampas. - Eu sei, estou a falar inglês.
- Mas percebes? - Sim, eu percebo.
Podem pensar que sou néscio,
porque, claro, sou estrangeiro, mas já percorri grandes porções
da estepe patagónica e vi os gaúchos na terra.
E muita gente acha que Ushuaia se diz "Ushuaia", que é uma palavra espanhola.
Mas, claro, Ushuaia é, na verdade, uma palavra nativa e remonta a...
Meu Deus, que manequim terrível.
Adiante, era altura de desvendar
o meu presente para as pessoas da Argentina.
Que loucura!
Maxi!
MAXI BAGNASCO, MURALISTA
- Que loucura! - Prazer.
- Gostas? - Conseguimos! Conseguimos!
Conseguimos! Boa!
Parece mais gordo ali.
- Sabia? - Já vi.
- Puseram-me gordo. - Sim.
- O que achaste do mural? - Muito bem feito.
Ótimo, adoro.
O do meio quem é? O Elon Musk?
Depois de ter danificado património público,
sabia que era altura de ir para casa.
Nunca me esquecerei dos meus fãs, Sebastian, Cami e Matías
e foi uma honra ajudá-los a atingir novos patamares.
OUVINTES: 0005
E aos meus muitos outros amigos na Argentina,
obrigado por tudo.
Quero dar-vos um grande fígado.
Muito bem.
Muito, muito bem.
Muito, muito bem.
Muito, muito bem.
Isto é insano.
Legendas: Adriana Veleda
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