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A Terra.
Berço de uma inigualável beleza e de um encanto espantoso.
Incompreensível.
Avassalador.
Este planeta troça da nossa incapacidade para o descrever.
Sim, para apreciarmos verdadeiramente a surpreendente grandeza deste planeta,
às vezes, temos de o profanar.
Eis o Profanador.
O seu carácter é vil, básico e depravado.
Em tempos um orgulhoso apresentador, foi obrigado
por um ecossistema em mudança, a procurar um clima mais seco e agreste.
O podcast semanal.
CONAN O'BRIEN PRECISA DE UM AMIGO
Aqui, sem o sustento do seu público no estúdio,
este palhaço de olhinhos mortiços,
os olhos de um boneco mal pintado,
tem de se nutrir com o mínimo dos mínimos,
o fã ocasional.
Perturbado pelo aroma feral do seu fraco entusiasmo,
esgravata em terras distantes,
sem convite,
sôfrego por reconhecimento
e uma ou outra selfie.
É uma loucura.
É uma insanidade.
É o caos.
É o Conan O'Brien Must Go...
Tailândia.
Olá, Conan, sou a Anna e ligo da Tailândia.
Fala-me um pouco de ti. Onde vives?
- Vivo em Banguecoque, a capital. - Sim.
E, neste momento, vivo com a minha mãe.
Como vão as coisas?
Às vezes, é difícil trabalhar a partir de casa
e ter de estar no Zoom com a minha mãe a gritar lá fora.
Que tipo de coisas grita ela?
"Anna! Queres jantar?"
Se pudesse falar com ela, podia explicar-lhe
quão importante é a Anna fazer o seu trabalho
e que tem de parar de gritar.
Porque achas que ela te daria ouvidos?
BANGUECOQUE TAILÂNDIA
Olá!
Espera, para.
- Sim. - Posso entrar?
Pode, mas tem de tirar os sapatos.
Tirar os sapatos. Sim, claro. Respeito isso.
Pareces um tanto... Pareces um pouco...
Estou chocada por ter vindo.
- Obrigado por... - Sim.
Não me convidaste propriamente, mas vim na mesma.
Mãe, chegou uma pessoa.
Olá.
Sou o Conan.
Ela é uma grande fã minha?
Não é uma grande fã. Já me viu na televisão? Sabe...
- Ela não o conhece. - Está a mentir. Não faz ideia.
Porque é que ela mente?
Sabe que sou célebre nos EUA?
Não estou no topo. Sou médio. Acredite em mim.
Não seria convidado para uma festa dos Óscares,
mas, se houvesse uma dos Emmys pensariam... O que está a fazer?
- O que está ela a fazer? - Não sei.
Porque faz essas coisas estranhas?
O que se passa? Não sei. Ela está a assustar-me.
Posso chamar-lhe Mãe?
- Sim. Está bem. - Certo.
Mãe, sou amigo da Anna.
Sim.
Temos um problema que quero ajudar a resolver, com a sua filha.
- Não. - Sim, temos, de facto.
Certo.
Está a rir-se, mas estou a ser sincero.
Ela trabalha em casa.
- Ela trabalha em casa. - Sim.
Com todo o respeito.
Tudo bem.
Você fala alto, por vezes, quando ela está a tentar trabalhar.
Encontremos uma nova forma.
Foi aqui que falei contigo
no podcast. - Sim.
Estás ao computador.
- Sim. - Anna!
- Meu Deus! - Anna!
Estás no teu quarto?
- Anna! - Pronto.
Entre, Mãe. Entre. Olá.
Pronto. Não.
- Ouça. É muito alto. - É muito alto.
Experimente assim. "Anna." Experimente.
Anna.
- "Anna." - Está bem. Outra vez.
Anna, Anna. A Anna não me ouve.
Mas você está aqui e ouve. Porquê?
Ela atacou-me!
Achas que a tua mãe me dá ouvidos?
Ela vai mudar?
Não vai parar, pois não?
- Com o quê? - De me chamar a gritar.
Prometo?
- Promete? - Prometo.
É uma grande atriz. Não acredito nela.
Pronto.
Para que é o equipamento de ginástica?
- Sim. - É bom.
O que me está a fazer aos ouvidos?
Meu Deus!
Anna!
- O que é? - Anna!
Não fique aqui.
- Bateu-me. - Não, isso é exercício para si.
Não é um exercício para mim!
Muito bem!
Incrível! É...
Não está bem.
- Gosto de si. - Igualmente. Adoro-o. Igualmente.
Se precisar de ajuda com alguma coisa, grite o meu nome. "Conan!"
Conan!
Só um louco acabaria o primeiro dia em Banguecoque...
ESTÚDIO 2
... ao fim de um voo de 20 horas a cantar num programa de sucesso
em língua estrangeira.
Eu fui esse louco.
- Muito gosto. - Muito gosto.
Estou com jet-lag. Sinto-me um pouco fora.
E não falo tailandês, mas acho que sou capaz.
Sou bom a cantar e dançar. O que... Onde estão?
Faço o que for preciso. Sim? Sou ágil.
Continuo ativo para a idade. Desculpe.
Aquela pessoa viu uma velha ruiva a fazer agachamentos
e fugiu.
Diga-me se precisar de alguma coisa.
Sim, preciso de saber falar tailandês,
de conseguir cantar esta canção e ter mais talento do que tenho.
Preciso dessas três coisas.
- Em trinta minutos? - Trinta minutos.
A Jen vai ajudar-nos.
Qual o tema da canção?
É sobre alguém que está no canto e ele olha para ela
e está apaixonado.
- É sobre um tarado. - Pois.
- Talvez um assediador. - Ouve,
és a rapariga, certo? - Sim.
E estás aqui a cuidar da tua vida.
- Até que... - Sim, exato. Não tão assustador.
Vamos lá.
Diz-se "fai"?
Mai plot phai
- O que significa? - Não é seguro.
- Não é seguro? - Sim.
A canção é sobre um tipo sinistro que faz uma rapariga sentir-se insegura.
Que linda balada.
Está na hora.
Música...
Três, dois, um.
O êxito do célebre programa musical The Wall Song...
... com o lendário produtor e apresentador da televisão norte-americana,
o Sr. Conan O'Brien.
Obrigado.
Muito obrigado.
Bem-vindos ao The Wall Song. É um grande prazer para mim.
Sim!
Saí de um avião há quatro horas. Não sei o que se passa.
Devo dizer que é uma honra. Ele entrou no avião há quatro horas.
É a primeira vez que veio à Workpoint.
E gosta imenso da The Wall Song.
E sabe que, para vir ao programa, tem de cantar uma canção?
Estou com jet-lag e não sei a língua.
- Vamos tentar. Meus senhores. - Muito bem.
Ena!
- Non Thanon. - Non Thanon.
Ticha, mostra-lhes como os tailandeses dançam.
Não sei onde estou nem o que está a acontecer.
- Como é? - Mas Deus vos abençoe.
Estão a colaborar na obra de Deus.
Acredito mesmo nisso.
E vou até ao hospital mais próximo.
- Muito grato. - Obrigado.
A seguir, precisei de proteção dos telespectadores tailandeses zangados.
- Apresento-vos o Pod, meu segurança, sim? - Sim.
Porque alguém pensou que as pessoas da Tailândia
ficariam tão loucas ao ver-me que eu podia correr perigo de vida.
Pod, já alguém me tentou atacar?
Não.
Vês alguém assim tão empolgado?
Não.
Vou atacar-te de diferentes maneiras,
e mostras-me o que farias. Fá-lo-ei em câmara lenta.
Vou matar-te, Pod!
Vou atacar-te, Pod!
Vou atacar-te, Pod!
Estou muito impressionado. Obrigado.
Ótimo.
Estou no célebre Rio Don Nern. É onde fica o mercado flutuante.
Podemos flutuar ao longo do rio,
e em breve encontraremos outros barcos de comerciantes,
e posso regatear e fazer compras de barco.
Espere aí.
Pare.
Vejamos o que temos aqui.
Vejamos o que temos aqui. Espere.
- Quanto? - Cinco.
É demais!
Quatro.
Não. Dou-lhe seis. Seis.
Acabo de regatear. Espere aí.
Tenho de comprar isto.
Põe-me isto num saco, por favor? Não quero andar com isto.
Embrulhe, por favor.
Já está a sair. Está...
Vejam só.
Não, não comprei nada. Não comprei aquilo.
Uma criança.
Viu isto.
O que é isto? É batata? O que é?
É tamarindo.
Não se arranjam bons tamarindos na Whole Foods.
Meu Deus, vejam só. Quanto custa a pitão?
- Duzentos. - Duzentos.
Duzentos para comprar?
- Comprar, não. Foto. - Foto.
A foto!
Acham que quero a pitão enrolada à minha volta.
- Dê-me cá a mão. - É... O beijo.
- Dispenso o beijo. - Não pode sufocar.
Fantástico.
Paguei por este privilégio.
- Pode beijar. - Sim, fantástico. Sim, o beijo.
- É uma senhora. - Sim.
- Muito bem. - Sim.
Sim. Agora, beije você.
Beije você.
Por aqui.
Quero o leque grande. Leque grande.
- Leque grande. - Acolá.
Credo!
É bom. Sabe bem, não sabe?
Frango de borracha. Volte atrás. Tenho de o comprar. Frango de borracha.
- Quanto é? - Trezentos e cinquenta.
Vejam!
- Conan! - Sim!
Esta propaganda não se compra.
Obrigado, Pod. Obrigado. Isto é muito bom.
Pod, é só um segundo. Achas...
Leque. Céus, ele é tão bom.
As pessoas da Tailândia vestem-se com roupas ousadas e coloridas
e, como célebre fashionista, decidi participar.
INST. DE COSTURA RAPEE
Nanya é uma famosa costureira de fatos e vestidos
aqui em Banguecoque. - Sim.
Queria algo muito bonito e formal,
porque costumo vestir-me assim,
como alguém saído de uma clínica de reabilitação.
Olá.
Isto significa que estamos casados. Sim.
- Um peito grande para um homem. - Sim. Peito grande.
- Homem forte. - Sim.
- É por isso que se chama Conan. - Sim, por ser forte.
Obrigado.
Enquanto faziam o fato,
fui a um centro comercial, onde encontrei um velho fã.
Estava ali a filmar e disseram-me que querias falar comigo.
- O que há? - Sim. Tinha isto comigo.
Olha só! Tens uma t-shirt do Late Night Show with Conan O'Brien.
- Há quanto tempo a compraste? - Há dezassete anos.
- Compraste-a no programa? - Sim, no programa.
Fiquei na fila, comprei um bilhete e fui vê-lo.
Lembras-te do que ocorreu no programa?
Sim, havia uma paródia na coxia, os Jogos Olímpicos de Inverno, ou assim.
Foi durante a visita do Presidente da Finlândia.
Lembro-me vagamente.
- Estás no público? - Estou.
- Onde estás? - Estou ali.
- Para. - Sou eu.
Estás ali! Sabes no que reparei? Não te estás a rir.
- Não. - Estou a olhar para mim.
Parece que vais ser executado.
Há dezassete anos, assististe a esse sketch.
Depois, miraculosamente, encontrámo-nos.
- Sim. - Não te riste.
Dás-me a gargalhada que não me deste na altura?
- Claro. - Vai.
Muito bem. Obrigado.
Depois de levar com mais uma gargalhada falsa, soube que o fato estava pronto.
- Boa! - Não é?
Sim. O que acham?
Lindo. Belo contraste.
- Sim. - Sinto-me muito importante.
Um grande homem. Um homem montado num continente.
Um homem que domina e comanda.
Não é?
Um homem que merece imenso respeito. É como me sinto.
Um homem que comanda milhões.
Um homem que sobreviverá à história e nunca será esquecido.
Um homem de mãos nas ancas há imenso tempo,
embora não seja preciso e ninguém se ponha nesta pose.
Um homem que os homens querem ser e com quem as mulheres querem estar,
e com quem alguns homens querem estar, e não faz mal.
Cada um sabe de si.
Um homem que anda por aí, ainda de mãos nas ancas,
chumaços no rabo.
Um homem que se farta de dizer que é um homem.
Um homem que não para de falar,
enquanto esta artista paciente espera que ele se cale e saia do país.
Um homem que não compreende...
... que o seu tempo aqui talvez tenha acabado há 20 minutos.
Um homem que sobreviverá à história.
As roupas de Banguecoque equiparam-se aos seus magníficos templos.
Este é o Pong.
O Pong é um guia turístico profissional e especializado.
- Olá, Pong. - Olá.
- Prazer em ver-te. - Muito gosto.
Levas as pessoas a visitar os templos budistas, certo?
Sim. A visita ao templo é boa,
pois 95% das pessoas daqui são budistas.
- Sim. - Um homem como eu
já foi monge por algum tempo. - Espera. Já foste monge?
Sim, uma semana.
- Uma semana? - Sim.
Podemos fazer meditação para purificar a alma...
- Sim. ... para a próxima reencarnação.
Sabes que mais? Não quero uma próxima vida.
- Esta já deu trabalho que chegue. - Sim.
Pode-se desistir da próxima vida?
Cometer suicídio, talvez. Mas não é a maneira certa.
És a primeira pessoa hoje que me aconselha a suicidar-me.
- Sim. - Onde estamos agora?
O que é esta bela estrutura por trás de nós?
Wat Arun.
Deve ter demorado meses a construir. É lindo.
Um rei construiu-o, mas muitos renovaram-no.
Levou um ano a construir?
Ao todo, 240 anos em Banguecoque.
- Sindicatos. - Sim.
Podemos tirar uma foto?
Sim. De onde são?
- China, sim. - São chineses?
- Sim, obrigada. - Obrigado.
- Não sabia que era tão alto. - Ninguém sabe que o sou.
- Imaginam-me pequeno. - Não.
Mas nos Óscares, parece vulgar.
Disse-lhes que é o grande ator...
- Estrela da TV. - Estrela do cinema.
Estou na TV por cabo!
- Sim, sou eu. - Sim, estrela da TV.
Apresentou os Óscares.
Sim.
É o apresentador dos Óscares.
Dos Emmys, e dos Latin Grammys.
- E dos Latin Grammys. - Dos Latin Grammys.
Este tipo foi monge por uma semana. Diz-lhes.
Ele está a dizer-vos que fui monge por uma semana.
Julguei que ias dizê-lo em mandarim
e só repetiste o que eu disse.
Vamo-nos embora daqui.
Todos estes templos da Tailândia são guardados
por guerreiros enormes e ferozes, de ar zangado.
Mas depois, há este tipo. Acabo de o encontrar.
E digo-vos, é mesmo atrevido.
Atrevido!
- Que templo é este? - O Templo do Buda Reclinado.
O Templo do Buda Reclinado.
isto é absolutamente...
... espantoso.
É uma das coisas mais extraordinárias
que já vi na vida.
Deixa-me perguntar-te uma coisa.
O Buda está reclinado mas não está a dormir,
a menos que durma de olhos abertos, o que é sinistro.
Tive uma namorada que dormia assim.
Porque é só...
- É só uma imagem. Não é real. - Certo.
Eu sei que não é real.
O Buda Reclinado simboliza a terça-feira, não é?
- É. - E quarta-feira é?
- A postura da meditação. - E segunda-feira?
Segunda-feira?
- Segunda-feira... - Não sabes, vês?
- Não podes... - Esqueci.
Não podes ser monge por uma semana.
- Uma semana. - E dizer: "Já está."
A seguir, fui à Chinatown de Banguecoque, que se transforma à noite
num dos maiores mercados mundiais de comida de rua.
Vim experienciar a cultura de Banguecoque,
e isso significa tudo,
mesmo que inclua comida de rua, que, francamente, me assusta,
pois é o que os apresentadores turísticos fazem.
Escorpião frito.
Delicioso.
PORCO - CROCODILO - CARNE DE VACA
A comida de rua tailandesa é famosa pelo picante.
Picante que se farta.
Muitas vezes, atenuam-na para os turistas.
Eu disse: "Não, eu aguento. Força. Dê-me o mais picante."
É isto?
Nada mau.
Picante que se farta!
Eu disse: "Não, eu aguento."
Força com isso.
Caluda!
Dê-me o mais picante.
Picante que se farta!
Picante que se farta!
Atrevido!
Nada mau!
5 DIAS MAIS TARDE
Quando voltei a sentir o rosto, visitei outro fã.
Pelo menos, julguei que era uma fã.
Gosto em ver-te, Whitney.
Fala-me um pouco de ti. Como te divertes?
Faço escalada no interior. Já experimentaste?
Não. A ideia de ir a um ginásio e fazer escalada
assusta-me imenso.
Não, é bem divertido. Devias experimentar.
Achas mesmo que seria um bom alpinista, a sério?
Não.
Espera aí.
Tens a noção de que sou um homem muito velho?
Tenho. Estás na casa dos setenta?
Não, não estou na casa dos setenta.
- Gosto da Whitney. - Isso é péssimo.
Gostarias de dizer algo positivo sobre mim?
Nem por isso.
Então, Whitney, espero que os nossos caminhos se cruzem um dia. Cuida de ti.
- Olá. - Olá!
- Gosto em ver-te. Como estás? - Estou bem.
- Whitney, como estás? - Estou bem.
- Isto é o teu apartamento? - É um ginásio de escalada.
- De escalada. - Sim.
Digo-te, és mesmo forte.
- Obrigada. - Toca aqui.
Também está bem. Não está mal.
Podes mentir um pouco.
- Queres... - Já menti.
Já mentiste.
Isto é bom. Estás amarrada a algo.
- É a corda de segurança. - Certo.
Ali a Pan vai fazer-me segurança.
Vai fazer-te segurança, o que significa...
Que vela pela minha vida.
- Se caísses, ela apanhava-te. - Sim.
Tens de manter-te focada.
Sei que é importante para ti eu estar aqui.
- Muito importante, celebridade. - Nem sabe quem és.
Está a fingir não saber quem sou.
Para parecer fixe.
Whitney, quando estiveres pronta,
avança. - Está bem.
Vou escalar.
Ela sobe tão depressa.
Parece a Mulher-Aranha.
- Tensão. - Whitney, é incrível.
Obrigada.
- Não devo conseguir fazer isso. - Consegues.
- Não. - Sim.
- Não. - Experimenta.
- Queres ver-me cair. - Isso é verdade.
Esta perna vai para aqui.
- Esta também. - O pequeno também.
- A esquerda. - Do outro lado.
E isto vai para cada lado do...
- Sim. - Sim, do...
Do teu material.
O quê? Material? Não dizemos "material".
- O que dizem? - Testículos.
Tem-se de evitar o sistema reprodutor masculino de ambos os lados?
De ambos os lados.
Mas, como já tens filhos, não faz mal.
Lá por já ter filhos, não preciso de pénis?
- Sim. - És...
É o Don Rickles de Banguecoque.
És inconcebível.
Põe-se o pé nesta parte, certo?
- Sim. - Estás pronto?
Usa o dedo do pé.
- Vai. Conan, vai! - Boa.
- Tu consegues. - Põe a mão mais acima.
E passa o pé direito para o lado direito.
E olha para a direita, para a saliência grande.
Estou a conseguir! Estou a sangrar um pouco, tudo bem?
- Estás a ir bem. É só... - Estás bem.
Sim, és muito bom.
- Essa grande aí à esquerda. - Grande. Sim.
Vocês são uma seca.
Sim, essa grande aí à direita.
Porquê?
Porque é que vim a Banguecoque?
Estou a conseguir.
- Boa! - Sim. Quase no topo, Conan.
Vai para a esquerda.
- Boa! - Boa!
Mais duas.
- Boa! - Sim!
- Consegui! Desce-me daqui. - Boa!
- Descontrai e inclina-te para trás. - Muito bem.
Tem cuidado.
Tem cuidado.
- Pronto! - Até abaixo.
Até abaixo.
- Deita-te. - Agora cubram-me com um lençol.
- Vês, conseguiste. - Motivaste-me, Whitney.
Ao ríres-te de mim, fizeste-me...
... voar mais de 12900 km...
... chegar aqui... - Tentaste.
... e fazer algo inacreditável.
- Incrível. - Como são...
... os cuidados de saúde...
... em Banguecoque? - Péssimos.
Certo.
Estou nos Big Brain Studios.
E vim aqui porque muita da animação é feita na Tailândia.
Fazem um ótimo trabalho.
E fui convidado a vir ao estúdio pela Thumb. (Polegar)
- É Thumb? - Sim, Thumb.
Muito obrigado pelo convite.
Reparei no seguinte:
ao ver televisão aqui em Banguecoque, há imensa animação.
- Certo. - E, mesmo quando matam alguém,
há imensa coisa a acontecer à volta.
- Sim. - Vocês adoram animação.
Claro que sim.
Diga-me no que estão a trabalhar. Não quero incomodar ninguém.
- Quem é este? - É o Hey.
- É o Hey? - Hey, o lagarto-monitor.
Então, é uma personagem
que criaram aqui no estúdio? - Sim.
SOU O HEY
Não é possível que tenham feito algo muito perigoso?
Pegaram no lagarto-monitor,
um perigo para todos os humanos, e tornaram-no fofinho para os miúdos.
Não acha que isso pode ser um erro?
Ele mordeu-me.
- Não. - Infetou.
- Não. - Ele enganou-me.
Era tão fofinho.
- Não. - Sim, o Conan morreu.
- Não. - O Conan morreu. A culpa é da Thumb.
Nem pensar.
O mais surpreendente é que tenho andado por aí
e ninguém parou de trabalhar.
- Porque têm medo de si. - Têm medo de mim?
Como sabe se têm medo? Talvez nem se importem.
Não, eles são educados.
Porque a maioria... Alguns não sabem falar,
mas este aqui fala inglês.
- Pode falar-lhe. - Agrada-me
como o empurrou: "Dá atenção ao Conan."
- Ele pode falar consigo. - Não. O que está a fazer?
Isto são pessoas, e não bonecos.
- Ele gostou. - São seres humanos.
Ele gosta que eu faça esse tipo de coisas.
De certeza que... Sim, parece adorar.
Ele adora... Sim.
Sim, adora as suas atitudes à Franklin Roosevelt.
Vai para aqui. Pronto. Diverte-te.
Pode perguntar-lhe sobre animação.
Muito bem.
Podia. Ou podia perguntar-lhe se se sente seguro aqui.
Ele sente-se seguro.
Achas seguro trabalhar aqui, ou tens medo dela?
Não, eu... Atrás das costas, para ele não me ver.
Mulher louca. Loucura. Sim, compreendo.
Thumb, pedimos-lhe a si e à equipa criativa dos estúdios
para fazer uma animação curta a comemorar a minha visita à Tailândia.
- Certo. - Fê-la?
Estamos a trabalhar nela.
- Pode vê-la. - Posso ver o que temos?
- Sim. - Muito bem.
BEM-VINDO À TAILÂNDIA
Ali estou eu a aparecer. Ali estou eu numa moto.
Está fantástico. A receber uma massagem.
- Corta para... - A comer um escorpião.
O que se passa aqui com a minha garganta?
- Talvez... - Parece estar inchada,
como se tivesse um problema de glândulas.
- É o estilo tailandês. - Estilo tailandês.
Eles acreditam que, se tiver muita papada,
vai ficar cada vez mais rico.
Sim, mas eu vivo em Los Angeles,
e lá, tiraríamos estas linhas.
Mas na animação, acreditamos que vai ficar cada vez mais rico.
Sim, mas em LA, se tivermos rugas,
ficamos cada vez mais pobres.
Há algumas coisas que poderíamos acrescentar
se não houver problema, sim? São mais adequadas à minha viagem.
- Certo. - Podemos pôr um segmento
em que não responda às SMS da minha mulher?
O telefone podia dizer: "Onde estás? Onde estás?"
E eu não ouvia, sim?
- Sim. - Talvez um segmento em que bebo
vinho a mais à noite, no bar do hotel.
- Ponho... - E depois, o meu produtor
a levar-me do bar. - Sim.
Talvez um segmento em que, por ter visto a vossa animação,
ache que os lagartos-monitor são seguros.
Então faço festas a um, ele morde-me e tenho uma infeção horrível.
E depois, vamos os dois a tribunal.
- Certo. - Vamos pôr esse segmento. Sim.
Está no tribunal e o juiz diz: "É culpada."
E depois, recebo uma pipa de massa.
- Certo. - Está bem?
E depois o lagarto-monitor e eu batemos cinco,
porque estávamos feitos.
- Certo. - Muito obrigado.
Boa sorte para me sacarem dinheiro por isto.
Havia outro templo a explorar na Tailândia.
Sim, refiro-me ao meu corpo...
ÉS UM CAMPEÃO VIVE COMO UM
... que resolvi testar.
Este é o Chao.
O Chao dirige uma escola. A "T.C. Muay Thai"?
- Sim, boxe tailandês. - É o boxe tailandês.
HOMENAGEM AO CAMPEÃO DE MUAY THAI
Chen "Chao" Weichao é um ex-campeão mundial do WBC Muay Thai
e mestre de um dos tipos de boxe mais extenuantes do mundo,
o Muay Thai da Tailândia.
O boxe tailandês, claro,
tem muito jogo de pernas. - Sim.
Olha para as minhas pernas. Compridas.
Vê, esta perna, é quase da tua altura.
- Chega até... - Sim.
- Meu Deus! - Não é?
Quero fazer umas perguntas ao Chao.
- Certo. - Certo? Chao...
- Sim. - Há quanto tempo praticas boxe?
- Tens de me dizer. - Sim.
- Percebes de tradução? - Sim.
- Percebes? - Sim.
Ele falou-te em tailandês e fizeste...
Ainda bem que já percebeste.
Dezasseis anos.
- Dezasseis anos? - Sim.
Ele acha que tenho os atributos físicos
necessários para o Muay Thai?
- Sim. Ágil. Mexo-me. - Sim.
- Ena! - Estou aqui.
- Sim. - Estou aqui.
- Certo? - Sim.
- Agora, aqui. Não é incrível? - Sim.
Posso usar o boxe tailandês num combate à séria?
Porque às vezes perseguem-me e tenho de me proteger.
- Atacante. - Principalmente, familiares.
- Sim. - A sério?
Sim, a minha mulher.
- Sim. Certo. - A minha mulher.
- A tua mulher está aqui? - Sim, está aqui.
- Também luta? - Sim.
- Dão pontapés um ao outro? - Sim.
O quê?
- Esta é a tua mulher. Chama-se? - Yui.
- Yui. - Sim.
É verdade que, às vezes, dão pontapés um ao outro?
- Sim, só por diversão. - Por diversão.
Adoro que, se fossem a um conselheiro conjugal,
toda a discussão seria sobre métodos de defesa.
Riso forçado.
Agora mostra-me o que preciso de saber.
- Ótimo. - Muito bem.
Um.
Dois.
Um.
- Pronto. - Sim.
Isto partiu-se. Está tudo partido.
Um, dois.
Um, dois, três, quatro.
Um, dois, três, quatro.
Porque estás a gritar?
Sou eu que estou a fazer tudo.
E o pontapé.
Pontapé.
Pontapé.
Pronto.
- Sinto-me pronto para lutar. - Sim.
Acho que, em cerca de quatro minutos, dominei...
... o boxe tailandês. - Sim.
- Estás pronto? - Pronto.
- Estás com medo? - Sim.
- Devias ter medo. - Sim.
- Liga à família. - Sim.
Diz-lhes que hoje vais morrer.
- Tenho filha e filho. - Lamento.
- Tinhas filha, filho. - Sim.
Ninguém sobrevive a estas pernas. Ninguém.
MASSA BÊBEDA
Escada.
Degraus.
- Sim. - Desculpa.
- Sim! - Venham.
Depois de mandar oito homens para o hospital,
sabia que tinha de ir para o aeroporto e fugir da Tailândia.
Nunca esquecerei a minha visita a este país mágico,
os meus fãs, a Anna, a mãe dela e a Whitney,
e em especial os Tailandeses, alguns dos mais acolhedores, divertidos
e, talvez o mais raro, as pessoas mais felizes que já conheci.
Receberam-me otimamente.
E foi gratificante saber que o meu nome aqui é importante.
FAMOSO LOCUTOR DA ÍNDIA
NÃO O CONHEÇO LOL
DA ÍNDIA
Mas também me puseram à prova em alguns
dos desafios físicos e mentais mais extenuantes da minha vida.
Experiências...
... e triunfos...
que nunca esquecerei.
Obrigado, Tailândia.
Mulher: Onde estás?
CULPADA
Isto é insano.
Legendas: Maria Júdice
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