All language subtitles for Desperate.Lies.2024.S01E03.PORTUGUESE.WEBRip.NF.pBR[cc]

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[Tomás suspira]

Você tá me dizendo que...

Que você tá grávida de dois bebês de dois pais?

É. [ri constrangida]

Eu sou... Eu sou um achado científico, entendeu?

[arfa]

Eu não tô louca, eu não tô inventando. Eu sou isso. Eu sou uma aberração.

É isso que eu sou.

Liana, Liana. Liana, que merda que você fez, porra?

- Você me traiu! - Você me traiu!

[música tensa]

Você me abandonou.

Eu tava desesperada, eu tava triste.

Você é cínico. Você me traiu!

Você não ia me contar nada.

A gente fez as pazes naquela cama de hospital.

Você tava lá, a gente conversou.

Você disse com todas as palavras: "Vamos esquecer."

"Vamos esquecer" só serve pra você?

Você pode me trair, mas você não pode me perdoar?

Você tá brincando com a minha cara, não tá?

Você tá brincando comigo. Só pode ser isso.

Tomás.

Tem duas crianças aí dentro.

Uma é desse... Desse palhaço aqui.

E a outra, de quem é? Eu quero saber de quem é!

Eu tava triste, Tomás. Eu tava mal.

Não! Você não tava mal.

Você tava desesperada! Você tava desesperada pra ter um filho!

Tão desesperada que podia ter um filho com qualquer pessoa!

Com o primeiro vagabundo que te levasse pra cama!

- Não fala assim! - Quer acabar com a minha vida?

- Não foi assim. - Não fala mais nada!

- Não foi assim. - Não fala! Não fala!

Eu não quero te ouvir.

Eu não quero te ouvir!

[Liana] Tomás.

[Tomás] Porra!

- Que porra! - Tomás!

[baques]

[baques continuam]

[Liana ofegante]

[Tomás ofegando]

Tomás.

Eu tô grávida de um filho seu.

Eu te amo.

Eu te amo muito.

[música inquietante]

Eu não queria.

Aconteceu, mas eu não queria.

[música se dissipa]

Eu...

Eu bebi demais, eu perdi a noção.

Depois, eu fiquei...

Eu fiquei com vergonha. Eu fiquei...

Eu não tive coragem. Não consegui falar pra você.

Eu só queria esquecer.

Apagar, fingir que nunca aconteceu aquela noite.

Você não lembra quem foi?

Lembro.

Fala, Liana.

Foi o Oscar.

O Os...

O Os...

O Oscar?

Não é possível.

Tava...

Aquele escroto? Você transou com aquele escroto?

Eu não tava bem. Ele me ajudou a vir até aqui em cima.

[Tomás] Aqui?

Aqui na nossa casa? Você trouxe ele pra dentro da nossa casa?

Não foi assim, Tomás.

Me perdoa.

- Por favor. - [Tomás respira fundo]

[sussurra] Eu não sou Deus.

Eu te perdoei.

[música melancólica]

O que que a gente vai fazer?

Eu não sei.

[música melancólica cresce]

[porta destranca]

[porta abre]

[porta fecha]

[música se dissipa]

[respira fundo]

Eu já sei o que a gente vai fazer.

O quê?

Vamos interromper uma das gestações.

- Interromper uma? - [Tomás assente]

Você vai ficar com o nosso filho, a gente tira o outro.

Que foi? Você vai querer ter um filho do Oscar?

Como que a gente vai fazer isso?

Deve ter um jeito. A gente vai descobrir.

Liana, esse cara é...

[gagueja] É um canalha, é um...

É um aproveitador.

Vou contar uma coisa que fiquei sabendo pelo meu pai.

[suspira]

Esse marginal sofreu muito com o acidente do seu irmão, não foi?

Todo mundo ficou com pena dele.

Ele contou pra todo mundo que o seu irmão queria dirigir,

que ele foi legal.

E aí o Lucas bateu o carro e ferrou com os dois, né?

É mentira.

[música sentimental]

É tudo mentira.

Os dois tavam drogados, tavam doidões, na farra.

O seu irmão e ele.

Ninguém é santo nessa história,

mas o Oscar, ele...

Ele se faz de vítima, né? De coitadinho.

Foi o pai dele que livrou a cara dele e subornou a polícia.

Ele escondeu que tinha droga no carro.

É isso.

[floreio dramático]

[Inácio] Ô mãe!

- [Sílvia] Oi! - Mãe.

Qual você acha mais legal?

Filho, você tem certeza que você quer ir nessa festa sozinho?

[hesita] Acho que prefiro ficar vendo TV com você a noite toda.

[Sílvia suspira]

- Claro que eu quero ir! - [celular tocando]

- Essa daqui. - Essa? Tá, deixa eu pôr.

Alô?

Oi, Liana!

[Inácio suspira]

Agora?

Posso.

Tá bom. Até já.

Mas eu não sou obrigada a ter filho de alguém que me atacou?

Não, você não é obrigada.

Você foi estuprada.

Você tem direito a um aborto legal.

Um pouco mais complicado na situação de vocês porque são dois.

Mas eu não quero tirar os dois.

É, a gente quer interromper uma das gestações.

É possível fazer isso?

Talvez de uma forma clandestina, mas é muito perigoso, Tomás.

Tentar assim uma intervenção seletiva pode arriscar o outro embrião.

Vocês podem acabar perdendo os dois.

[Tomás expira com força]

Pesadelo.

[Sílvia] Eu sinto muito.

Não tem nada que eu possa fazer pra te ajudar.

- [música melancólica] - [elevador abre]

[Liana ofegando]

Liana? Tudo bem?

[Liana respira fundo]

[Tomás] Hein?

O que foi?

Quer... Senta aqui então, vai.

Senta aqui. Calma.

- O que que foi? - [Liana suspira]

[Tomás] Hum?

Não sei, acho que eu não comi direito.

Tá, tá. Tá, pera aí, não sai daí.

Pera aí.

Bom dia. Vocês têm um suco de laranja?

- [Liana suspira] - [Tomás] Um suco?

Tá aqui, ó.

Demorou, mas tá aqui. [grunhe]

Você não pode ficar sem comer, não.

Tá grávida.

[suspira]

Não vou abrir mão do nosso filho, Tomás.

Eu já me decidi.

Eu vou manter as duas gestações. Eu vou ter os dois.

[música tensa]

[Nina arfa]

Tudo bem?

Não, tá tranquilo.

[Sílvia] Vender o skate?

Filho, você sempre gostou tanto de andar de skate. Vender por quê?

Ah, gostava, mãe.

Já deu pra mim. Eu tô enxergando cada vez menos.

Nem durante o dia, filho?

Não consegue andar com um sol bem forte, com um dia bem iluminado?

É, tudo bem, mas já tá decidido.

Com a grana que eu juntar, eu vou comprar um Guitar Hero.

Um guita o quê, filho?

Um game irado, mãe. Meu lance é música.

Eu não tô a fim de me machucar e ficar sem poder tocar, sacou?

- Sacou. - Uma coisa pela outra.

Entendeu mesmo?

- Entendeu. - Então toca aqui.

Tranquilo.

Marcela? Oi, Marcela.

Descobre pra mim quem escreveu essa petição que você enviou.

Tá um lixo. Vou ter que reescrever tudo.

Tá? Obrigado.

[Jonas] Avisa pra Liana do almoço que a sua mãe quer fazer.

Nós vamos festejar a novidade que vem por aí.

Que novidade? Deixa eu... Deixa eu trabalhar.

[Jonas] Tá bom.

Eu não vou encher seu saco.

[inspira] Quando você tiver mais bem-humorado, a gente conversa.

Pai.

Desculpa.

As coisas não tão fáceis com a Liana, não.

- [Tomás suspira] - [Jonas] Imagino.

Mulher grávida fica uma fera.

Mas você tem a quem puxar.

Vai saber dar conta.

Ah...

Essa petição aí...

quem escreveu fui eu.

[bipes]

[música tensa]

[Tomás suspira]

[ambos suspirando]

[música se dissipa]

Pera aí, Cláudia.

[grunhe] Pera aí.

[suspira]

Que foi?

O que que aconteceu?

Eu não... Não devia tá aqui.

Não devia ter ligado pra você.

Tô cheio de problema.

- [porta fecha] - [Cláudia suspira]

[música suave]

[Liana] Nossa, esse ficou perfeito!

Já temos um telhado maravilhoso pra nossa casa.

Muito bem.

Você tá muito fera.

Vai devagar. No finalzinho, pra não cortar. Isso!

Vai.

Um, dois, três e...

Tchau, Max. Você quer levar essa tesoura?

Tá bem. Érica?

[música se dissipa]

[cães latindo ao longe]

[suspira]

[porta destranca e abre]

[porta fecha]

[Tomás suspira]

[relógio tiquetaqueando]

Não sabia se eu ia conseguir voltar pra casa.

Se a gente não decide

se vai amar ou deixar de amar alguém, né?

[Liana suspira]

Não é um botãozinho que você liga e desliga, né?

[respira fundo e expira com força]

[suspira]

[sussurra] Eu não sei se sou capaz.

Te amo.

Eu te amo muito.

Muito.

Vai dar tudo certo.

Tá?

Tá.

Te amo.

- Tá. - Amo você.

♪ Vem à lembrança ♪

♪ As nossas delícias ♪

[ambos ofegando]

♪ Quero eu voltar ♪

♪ Sentir seu calor ♪

♪ Eu rio e choro com suas notícias ♪

♪ Notas tocadas com a alma me dão ♪

♪ Um tempo longe ♪

♪ Dos meus problemas ♪

♪ Seu violão tá aqui ♪

♪ Você deixou pra mim ♪

♪ Junto ao caderno ♪

♪ Com seus poemas ♪

♪ Pra reviver ♪

[Liana] A gente vai ser feliz.

Eu, você e nosso filho.

♪ ...o nosso amor ♪

Será?

[música se dissipa]

Aquela vida maravilhosa que eu sonhei pra gente.

Eu não sei mais.

A gente vai fingir um pro outro que esse filho é nosso,

que não é daquele escroto?

A gente...

[suspira]

- O que a gente faz com isso? - Ninguém vai saber.

Só a Sílvia sabe. Ela não vai contar.

O outro a gente vai entregar pra adoção.

Você ajuda a levar pra um orfanato?

Tá.

Mas e até lá? O que a gente faz?

A gente diz que é um só.

Eu quero ter esse bebê.

A gente merece ter o nosso filho.

O outro vai ter uma chance de ter uma família que goste dele.

Tanta gente quer ter filho e não pode.

Outros pais vão olhar pra ele de outro jeito.

Não do jeito que eu vejo, que você vê.

[Débora] Um filho só?

Não eram dois?

[Liana] A Sílvia viu uma mancha e se confundiu.

[Débora] Como é que ela descobriu?

[Liana] A gente fez mais uma ultra e aí confirmou.

- Um filho só. - [Débora assente]

Mas tá tudo bem.

O que importa é que esse bebê aqui é do Tomás.

Ufa!

Menos um problema, né?

Menos uma tragédia.

Porque eu jamais teria um filho do Oscar.

Ô Liana, tudo bem, mas não precisa falar assim.

O Oscar vacilou, mas você também, né?

Vocês dois tavam doidões.

Não dá pra saber exatamente o que aconteceu naquela noite.

Eu sei exatamente o que aconteceu.

Mas o negócio da camisinha, pode ter escorregado.

Pode parar de ficar o tempo inteiro tentando livrar a barra do seu irmão?

Porra!

O Oscar, ele é imaturo, mas ele tem caráter.

[Liana arfa]

O que foi?

- Ele não faria uma coisa dessas. - Ai, Débora.

Eu não tô protegendo ele. Quando aconteceu o acidente do Lucas...

Chega!

Chega de falar sobre acidente.

Não quero mais você falando do acidente com o Lucas. Para!

Sei que não foi fácil pro Oscar, mas ele sempre se aproveitou do meu luto,

do luto da minha mãe, pra se fazer de vítima.

Meu irmão não era santo, mas foi ele que morreu.

E o Oscar fica se fazendo de coitado

como se o único culpado pelo acidente fosse o meu irmão, e não é.

Os dois tavam doidões.

Encontraram bebida, droga dentro do carro.

E o seu pai encobriu tudo pra inocentar o Oscar.

O meu pai? Quem te falou isso?

O Jonas.

[música de suspense]

E o Tomás me contou.

Você é minha amiga,

mas o seu irmão eu não quero ver nunca mais.

[Oscar] Que advogado é esse que conta tudo pra mulher?

- Isso é falta de ética. - Responde!

Você e o Lucas tavam bebendo, cheirando e dirigindo à toda?

E daí? Isso não muda nada.

Quem tava dirigindo era ele.

Isso muda tudo!

Muda tudo! Significa que você tava fazendo merda

desde aquela época!

Significa que você nunca me contou isso! Que o papai mentiu pra mim e você também!

O Lucas tá morto.

A minha carreira está morta, e isso não muda nada.

Para de se fazer de vítima.

Eu que sou a vítima!

Eu que perdi meu melhor amigo!

Eu nunca mais vou poder jogar bola, irmã.

Já tava bem fodido!

Queria o quê? Que eu me fodesse mais com a polícia?

É isso?

O papai fez o que tinha que fazer, tá bom?

E o Lucas tá morto.

Que diferença faz a verdade?

Porra, Oscar.

Ó o que você fez com a minha melhor amiga.

- Com que cara eu olho pra ela? - Ah, tá bom. Para, né, Débora?

A sua amiga que tá se fazendo de vítima, tá bom?

E, aliás, a verdade serve pra quê?

Se a mentira ajuda quem tá vivo, é melhor mentir, né?

Porque eu tô bem vivo.

Tchau.

[porta abre]

[Débora suspira]

[Norma] Grávida?

Olha só! Parabéns, Liana.

Você não vai ficar feliz por mim?

Claro que eu tô feliz.

- Não parece. - [Norma desdenha]

"Não parece."

Ai, esse é meu jeito. Você me conhece.

Menino ou menina?

- Menino. - Menino!

Como é que vai chamar?

- O Tomás vai decidir. - Ah, Tomás!

Então nem pensar em Lucas. Ele não ia aceitar, né?

Não força a barra, mãe.

Então, você topa ir nesse almoço?

Topo.

Agora só tenho você e meu neto.

[ri fraco]

[música alegre em italiano]

[em português] Ao meu neto tão desejado!

Futuro herdeiro do meu escritório.

- Saúde! - Saúde!

[Liana] Saúde!

- [Norma] Meu neto também. - Dois netos, meu bem.

- Você tem dois netos. - Dois netos.

Mas o Inácio não quer ser advogado.

Vou gostar de ter um primo.

Pra mim, pode vir do jeito que quiser. Pode ser até advogado.

[Sílvia] Tá adorando?

Olha, por mim, poderia ser um monte de primos e de primas.

É, mas, por enquanto, é um só.

Jonas Neto ou Tomás Júnior?

- Ai, mamãe, pelo amor de Deus! - Não, mãe.

Ele vai ter o próprio dele. Um nome bem forte.

Tudo bem, tudo bem. O importante mesmo é o sobrenome.

O que importa é ele ser amado.

Eu tô cismada com o tamanho dessa barriga.

Já tá aparecendo.

Não, mas cada gravidez é diferente.

Gêmeos.

Não. A gente já fez a ultrassonografia da Liana. É um bebê só.

- [Norma] Tem certeza? - [Sílvia] Tenho.

- Vamos almoçar, gente? - Vamos.

Afinal de contas, a sua mamãe deve tá morrendo de fome, né?

- [Inácio] E acho que a comida tá boa. - [Olinda] Ah, tá. Isso tá.

- [Jonas] Vamos almoçar. - Tô levando meu copo.

- [Sílvia] Também tô levando o meu. - Pode levar.

Sílvia!

- Boa tarde. - Boa tarde, doutora. Tudo bem?

Te liguei várias vezes, você não me atendeu.

Tá me evitando por causa da nossa última conversa,

que foi meio tensa?

Não. Imagina, Vicente. É a correria do dia a dia mesmo.

Eu vim atender uma paciente que entrou em trabalho de parto.

É, eu sei como é que é. Eu já encerrei o meu expediente por hoje.

Não quer atender a sua paciente e a gente sai pra comer alguma coisa?

Vamos jantar. Que tal?

[Sílvia] Eu não posso. Eu não gosto de deixar o Inácio sozinho

e eu ainda tenho que buscar ele numa festa hoje.

[telefone tocando]

Pera aí, só um minutinho. Ó, é ele.

Oi, filho. Eu só vou atender uma paciente...

Ah, é?

Mas é na casa dele que você vai dormir?

Tá. Tá bom.

Você me dá notícia quando chegar lá pra eu não ficar preocupada, tá bom?

Beijo. Te amo.

É, acho que agora você ficou sozinha.

Primeira vez que ele vai dormir fora de casa.

Que bom pra ele!

E que sorte a minha!

Tá certo. Combinado.

Opa, ganhei a noite.

Você me acha incrível, me admira.

- Pô, você nunca me deu bola, Sílvia. - Como que eu nunca te dei bola, Vicente?

Nós somos colegas há quanto tempo?

- Há mais de 20 anos. - Como que eu nunca te dei bola, Vicente?

Pra mim, você é muito mais que uma colega.

Você é a médica mais inteligente e charmosa que eu conheço.

Você tá realmente me paquerando?

Tô aqui falando da minha mãe,

da minha família, reclamando do trabalho.

Meu Deus do Céu! A gente pode começar essa conversa de novo?

Para. Eu tô adorando conversar com você.

Eu tô adorando te ouvir.

Pode falar.

Fala mais aí da sua família, do seu filho.

Aliás, tá se divertindo sem ele?

Hum?

Mas eu penso nele.

Mesmo quando eu tô me divertindo.

[música doce]

Eu penso no meu filho o tempo todo. Eu tenho medo...

de quando ele fica sozinho, tenho medo dele sofrer.

[suspira]

Eu sou uma mãe superprotetora. Eu não vou mentir pra você.

- O que posso fazer? - [Vicente] Relaxar.

Ele vai ficar bem.

[Vicente suspira]

E a gente...

também.

♪ Vento vem me trazer ♪

Ó.

- ♪ Boas novas ♪ - [Sílvia exclama]

♪ Que sempre esperei ouvir ♪

- [Vicente] Vem cá. Vem. - [Sílvia] Não!

- Vicente. - [Vicente grunhe]

- ♪ Vento vem me contar ♪ - [risos]

♪ Os segredos ♪

♪ De chuva, raio e trovão ♪

♪ Vento que me venta ♪

♪ Da cabeça aos pés... ♪

[Tomás] Vem.

Devagar.

- Olha aqui. - [Liana ri]

♪ Vento que me leva ♪

♪ Onde quero ir ♪

♪ E onde não quero ♪

♪ Para que... ♪

♪ Te quero, asas, se... ♪

♪ Eu tenho ventania ♪

♪ Dentro ♪

[mulher na TV] Por isso, o cordão umbilical é mantido intacto

por alguns minutos após o nascimento,

para permitir que o sangue flua...

Dá a sua mão. Rápido.

[Tomás mastigando]

Senti.

- Sentiu? - Tô sentindo.

Aqui também.

- Ó. - [Tomás hesita]

♪ Vento vem me mostrar ♪

♪ Qual a força... ♪

[homem na TV] É, amigos, não deu pra nossa seleção desta vez.

O Brasil chegou...

- [público reclama] - Porra! Que saco!

Pera aí, gente! Gente, seguinte!

O Brasil vacilou, mas essa festa não vai vacilar, não!

[público comemora]

[Oscar] Música, DJ!

- [música eletrônica] - Vamos afogar essas mágoas!

[música para]

[Tomás] Mateus vai ser ciclista que nem o pai.

Mateus?

Gostei.

Mateus tá ótimo.

Mateus quer dizer presente de Deus.

É isso que ele é.

- Presente de Deus. - [batimentos cardíacos]

[batimentos cardíacos continuam]

[Sílvia] Esse é o coração do outro bebê,

que também está ótimo.

Mateus, nosso bebê um,

tá encaixadinho em posição cefálica,

pertinho do colo do útero.

Vai ser o primeiro a nascer.

Continua maior do que o irmão.

Que bom.

Eu quero parto normal.

[Sílvia] Claro.

A gente pode tentar se tiver tudo bem até lá.

A gente vai avaliando conforme passa cada semana, tá?

[música melancólica]

Por aqui, senhora.

- Obrigada. - Faz favor.

[burburinho de crianças]

[mulher] Igualzinho.

Sim.

Tem.

Ainda tem.

Pra quem? Pra mim?

Que linda!

Eu amei!

Pra mim?

Obrigada.

Eu adorei!

[mulher ri]

Ela gostou de você.

- [mulher ri] - [Liana ri]

Ela é tímida.

[Liana] É tudo tão bem cuidado aqui, né?

Mas eu acho triste.

Tem que saber olhar. Porque é bonito também.

[Liana] Você vem sempre?

Eu venho visitar.

Eu aproveito e ensino trabalhos manuais, conto histórias, brinco com elas.

Eu e o meu marido. Sérgio?

A gente tá na fila pra adoção, mas é um processo tão demorado...

Olá.

Tudo bom? Prazer.

Sérgio.

Liana.

- [Sérgio] Prazer, Liana. - Prazer. Eu sou Betina.

Seja bem-vinda, Liana.

Licença, vou roubar ela um pouquinho.

- Amor, vou te mostrar uma coisa. - [Betina] Quê?

[portão abre]

- Olha aí. - Liana?

Você tá aqui ainda?

Pois é. Não tô conseguindo chamar um táxi.

[Betina] Quer uma carona?

- [Sérgio] A gente te leva. - Tem certeza?

- Claro! A gente te leva. - Claro!

- Vem com a gente. - Vambora.

- Não quero dar trabalho pra vocês. - [Sérgio] Que trabalho?

Quem leva é o carro. [ri]

[Liana] Você tem a mesma profissão da minha mãe.

- [Sérgio] Ah, é? - [Betina ri]

E muito bonito vocês também com as crianças lá no orfanato.

A gente sempre quis ter um filho.

[Sérgio] Acredita que outro dia eu sonhei que tinham deixado um bebê na nossa porta?

[Betina e Sérgio riem]

- [Betina] Para! - [Sérgio] É sério!

Para, eu fico ansiosa! Eu vivo ansiosa com isso!

Eu acho que eu posso ajudar vocês.

[música reflexiva]

A gente pode tomar um café?

[Betina] Não tô entendendo.

Você não quer ficar com a sua criança?

É o meu marido.

Meu marido não quer ter filhos.

Mas eu sou muito religiosa. Eu...

Eu não quero tirar. Eu sou contra.

E eu decidi entregar o meu filho pra adoção.

Mas, se eu puder escolher, eu quero escolher e eu escolho vocês.

[arfa] Desculpa, Liana,

mas eu tô achando isso tudo muito estranho.

Sem passar pelo juizado, sem nada, eu não sei.

[Betina] Sérgio,

ela tá com problema no casamento.

- E a gente sempre quis ter uma criança. - Eu sei, meu amor.

Mas isso é adoção ilegal.

Vocês podem confiar em mim.

[Betina suspira]

Eles são um casal ótimo.

[Tomás assente]

Eles tão na fila há um tempão, loucos pra adotar.

Eles moram aqui perto. Ela é professora também.

Tomás, me escuta.

É a solução pra gente.

[Tomás suspira]

Quando você conhecer eles, você vai concordar comigo.

Vai dar certo. Acredita em mim.

Deixa eu...

[expira]

É isso.

[música inquietante]

[burburinho]

[batida eletrônica]

[Oscar] Fala.

Quer o quê?

Valeu, irmão.

Bora, Mojito? Quem vai, quem vai?

E aí?

E aí, irmão?

Cheio, hein? Mó sucesso.

É, mó sucesso aqui. Vai beber alguma coisa?

Pode ser uma cerveja.

[música eletrônica para]

Ó.

Boate do seu amiguinho tá bombando.

Ele não é meu amiguinho.

Esse cara ainda vai se foder. Não vale nada.

[Liana geme]

Meu Deus! Eles não param de mexer.

Parece que tão fazendo uma festa aqui dentro.

O Mateus faz.

Você não pode remarcar essa consulta, não?

Não consigo remarcar. Foi o único horário que a Sílvia tinha.

[Tomás] É? Hoje eu não vou conseguir ir de jeito nenhum.

Não tem problema. Eu te conto como foi depois.

Tô te esperando, garotão.

[Liana ri fraco]

[batimentos cardíacos]

[Sílvia] O Mateus tá ótimo.

E você, como é que tá?

Um pouco cansada só.

Natural, né? Já tá com uma gravidez bem avançada.

Aliás, tá num tempo excelente.

Tem alguma coisa que você queira me perguntar,

que você queira me contar?

Não, eu tô bem. Não vejo a hora.

Vai ser a qualquer momento.

Os dois já estão em posição cefálica.

O Mateus, ó, já tá aqui encaixadinho,

e o outro tá um pouquinho mais pra cima.

Quero ter o parto em casa, Sílvia.

- Natural. - Em casa?

Nem pensar. Completamente contraindicado.

Eu não tenho medo de sentir dor.

Não tem a ver com a dor.

É pela sua segurança, pela segurança dos seus filhos.

Parto de gêmeos sempre inspira um pouquinho mais de cuidado.

A gente pode tentar o parto normal na maternidade, se tiver tudo bem.

[Liana] Terminamos?

[Sílvia] Quase.

[batimentos cardíacos]

[Sílvia] Hum...

Aqui, ó.

O bebê dois também tá ótimo.

Sempre menorzinho que o irmão.

Mas, ó, o coração a mil. É um guerreiro.

[Liana resmunga]

Guerreiro.

- Vai chamar Marcos. - Marcos?

Marcos?

Ela pensou em chamar ele de Marcos.

[Liana] Posso chamar ele assim?

Claro!

Liana, eu e Sérgio estamos aqui desejando uma boa hora pra você.

[Liana] Obrigada.

[música melancólica]

[suspira]

[Tomás] A gente vai pegar trânsito, né?

- [Liana] É feriado, né? Normal. - [Tomás] É.

Deixa eu abrir pra você.

[Liana respira fundo e expira]

Tudo bem aí?

Tudo. Dor nas costas só.

Só dor nas costas?

- Hum? - Ainda falta.

Então tá bom.

Eu poderia ficar no Rio,

mas, já que a Sílvia liberou pra viajar,

vamos viajar.

Vamos.

[Tomás] Obrigado, Isaías.

Ainda vai chegar encomenda, mas guarda que eu pego na volta.

[Isaías] Deixa comigo, Seu Tomás. Boa viagem.

Obrigado.

[suspira]

Pera aí, deixa eu te ajudar.

Opa, opa.

- [Liana suspira] - Tudo bem?

- [Liana resmunga] - [Tomás assente]

[expira]

[grunhe]

Li?

Li?

Pra que isso?

Eu achei melhor trazer.

Bom...

[Liana funga]

[funga]

[suspira]

[arfa]

[música de suspense]

[ofegando]

[Tomás] A gente vai voltar pro Rio.

Não dá mais tempo.

Então a gente vai pra um hospital aqui na cidade.

- Não vou pra lugar nenhum. - [Tomás] Vai, sim!

Vou avisar a Sílvia. Ela vai encontrar a gente lá.

[Liana suspira]

[música tensa]

[Tomás] Alô, Sílvia? Tô precisando falar com você.

Me retorna com urgência.

A Sílvia não tá atendendo. Que merda!

[Liana grunhe]

[Tomás] O que tá fazendo?

Me ajuda aqui.

- Não, a gente vai pro hospital. - Me ajuda aqui!

- Vai ser aqui, Tomás. - Não, eu vou puxar o carro.

[Liana suspira]

[respira fundo]

[motor do carro]

[Liana geme]

[arfa]

[ofegando]

[Tomás] Liana?

Liana!

Liana!

[Tomás bufa]

Liana!

[ofegando]

[Tomás] Liana!

Liana!

[ofegando]

Liana!

[ofegando]

[grunhe, arfa]

[grunhindo e chorando]

[Tomás] Liana!

[geme e arfa]

[expira]

[Tomás] Liana!

[Liana abafa gemido]

[Liana ofegando]

[grita]

[geme]

- [Tomás] Liana? - [Liana arfa]

- Porra, Liana. - [Liana] Tá nascendo.

- [Tomás] Hã? - Tá nascendo, Tomás. Pega a bolsa.

Pega a bolsa.

- [Tomás] Porra. Tá. - A bolsa, Tomás!

[Tomás ofegante]

[ofegando]

[grunhe]

[ofegando]

[Tomás] Pronto.

- [Liana] Vem. [geme] - [Tomás] Pronto. Fala.

Fala, amor. O que é que eu faço?

- Fala, o que eu faço? Hã? - [chorando] Pega!

Pega.

[Liana grita]

Tô vendo ele. Ele tá vindo.

- [Liana grunhe e grita] - Vem, vem, vem.

Meu Deus!

- [Liana grita] - [Tomás] Meu filho!

[bebê chorando]

[Liana] Aqui.

É o meu filho.

[Liana sussurra] Mateus.

- [Tomás] E agora? - Pega o fio. O fio, no bolso de fora.

[Liana] O fio. E a tesoura.

Aí.

[Liana ofegando]

[bebê chorando]

[Tomás] Posso cortar?

- Posso cortar? - Vai.

[Liana geme]

Eu pego. Shh...

Eu pego, eu pego.

- Shhh... - [Liana ofegando]

[Liana gemendo]

[ofegando]

- [bebê grita] - Aonde você vai?

[Liana tosse]

[grunhindo]

[sussurra] Mateus, filho.

Olha, calma, calma, calma.

Calminha.

Shh...

[Liana geme]

Tomás?

[grita] Tomás!

Tomás!

Tomás, o outro!

[grita]

[música tensa]

Tomás, o outro!

[ofegando]

[grita] Tomás!

Me ajuda, Tomás!

Tomás!

[grunhe]

Tomás!

Tomás!

[gemendo]

[arfa e geme]

- [Tomás] Vambora. - Tomás.

[Tomás] Vambora.

Vem.

[Liana grunhindo]

Vai!

[grunhindo]

[arfa e grita]

[ofegando]

[arfa]

[arfa e ofegando]

O que foi?

O que houve com ele, Tomás?

Tomás?

Me dá!

Meu filho.

Ele tá roxo, eu não sei. O que eu faço?

- Eu não sei. Ele tá roxo. - Vira e bate nas costinhas dele.

Bate nas costas. Massageia as costas.

Assim?

[tapinhas ritmados]

[Liana ofegando]

[tapinhas continuam]

[música solene]

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