Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
[Vicente] O feto um é compatível
com a amostra que você entregou do seu marido,
mas o feto dois não é.
[arfa] Não.
Não pode ser uma coisa dessa. Como assim?
[Vicente] É uma situação delicada, eu sei.
E eu entendo a sua angústia.
A sua gravidez é um caso muito excepcional.
Era melhor ter perdido.
Já perdi tantas vezes.
Dois bebês, você diz? Dois meninos?
Tanto faz o sexo pra mim. Só queria que eles fossem do meu marido.
Nem sabia que isso era possível. Isso aqui é loucura.
É, o termo científico é superfecundação heteroparental.
É um fenômeno extremamente raro em humanos.
Significa que você teve duas ovulações no mesmo ciclo, em momentos diferentes,
e, como teve relação com dois parceiros...
Não tenho dois parceiros, tenho um.
Tá, eu entendo. Eu tô tentando te explicar.
[música melancólica]
Eu adoro criança.
Sempre gostei. Sou terapeuta ocupacional.
Eu cuido das pessoas. Gosto de cuidar das pessoas.
Cuido da minha mãe.
Cuido das minhas plantas, do meu irmão.
Cuidava.
Meu irmão faleceu muito jovem,
e foi muito difícil.
Eu sinto saudade dele até hoje, até que eu conheci o Tomás, o meu marido,
e achei que a felicidade tinha voltado pra mim,
porque o que eu queria, o meu sonho é formar uma família com ele.
E agora isso.
Tá parecendo um castigo. Eu tô sendo punida?
[Vicente] Conversa com o seu marido.
Ele vai ficar louco.
Conheço meu marido.
[música tensa]
[Vicente suspira]
Eu já vou, doutor.
Tô tomando o seu tempo. Já falei demais.
Ó, eu vou buscar um copo d'água.
Você tenta ficar calma, por favor.
[música se dissipa]
Eu só queria fechar os olhos e...
tudo isso sumir, assim, de repente.
[suspira]
[música tensa]
[Oscar geme]
[Vicente] É um momento muito difícil, mas vocês vão encontrar a melhor solução...
Watch Online Movies and Series for FREE www.osdb.link/lm
[respiração ofegante]
[música melancólica]
[floreio dramático]
[porta destranca, abre]
Oi, filhote.
Oi.
Como é que foi o cinema?
Foi legal. Tinha um tempinho que eu não ia.
Pediu tanto pra sair com os seus amigos, me encheu a paciência por conta do cinema,
e agora tá assim, com essa carinha?
O filme não foi bom?
Foi diferente.
Diferente como?
Então, mãe, quando apagaram as luzes...
[suspira] ...eu não encontrei o meu lugar.
Eles viam, mas eu não.
Isso não foi nem o pior.
[Sílvia] O que foi o pior?
O filme era muito escuro. Algumas cenas, eu perdi.
[música intrigante]
[homem] Okay. Vamos lá, Inácio.
Houve, sim, uma progressão mais rápida.
Eu tinha entendido que a progressão da doença seria mais lenta.
[homem] É uma doença degenerativa,
mas isso não significa que a velocidade será sem pressa.
Não, doutor.
A visão dele tá cada dia mais restrita.
[homem] De fato,
mas vamos acompanhar com atenção.
Então, mãe,
de noite, no escuro,
tá complicado,
mas fica tranquila,
vai ficar tudo bem.
♪ ...que eu não sei dizer ♪
♪ Que era amor Tudo que eu sinto longe de você ♪
[Inácio canta junto] ♪ Eu era tão feliz e não sabia, amor ♪
♪ Fiz tudo que eu quis Confesso a minha dor ♪
Vai, mãe!
[Sílvia cantarola]
♪ Que eu só fazia fantasia E não fazia mal ♪
♪ E agora é tanto amor Me abrace como foi ♪
♪ Te adoro e você vem comigo Aonde quer que eu voe ♪
♪ E o que passou, calou ♪
♪ E o que virá, dirá ♪
♪ E só ao seu lado Seu telhado ♪
♪ Me faz feliz de novo ♪
♪ O tempo vai passar ♪
♪ E tudo vai entrar No jeito certo... ♪
[música se dissipa]
[teclado]
[respira fundo]
[Tomás] Li?
Surpresa!
- Alguém aqui pediu serviço de quarto? Hã? - [Liana ri]
Ó, um suquinho, uma uvinha.
Obrigada, amor.
Ó, vou te servir. Você tem que se alimentar.
Ó...
Tá escutando?
[Liana] Escutando o quê?
O choro do bebê.
Não, né? Então você aproveita, porque essa moleza vai acabar.
Logo, essa casa vai tá uma zorra.
Vai ser criança gritando, banho, fralda, comidinha dia e noite.
Eu não vejo a hora de falar pra todo mundo que eu vou ser pai. [ri]
[Liana suspira]
Ó, toma o seu suco, come uma uva.
Tem mais surpresa pra você lá em cima.
[música suave]
- [Oscar] E aí, amor? - [Débora] Deixa eu ver.
E aí, Kiko?
[Débora] Hum...
Olha quem tá aí!
Patrícia. Débora.
- Oi. E aí? - Tudo bem?
Patrícia, Débora.
E aí?
Tudo bem?
- Essa aqui é a Lara, gente. - Oi.
- Lara, Patrícia. Lara, Kiko. - [Patrícia] Prazer.
Então, aproveita que ele tá... Tá generoso.
[Oscar] Cervejinha, vai? Boa!
Pra você, pra sua amiga também. Tudo bem?
- Tudo bem? - [Oscar] Tudo bom.
Vem cá. Me vê aquele negocinho.
Vai nessa!
[música dançante]
[música tensa se sobrepõe]
[música dançante fica abafada]
[Patrícia suspira]
[zumbido]
[música tensa]
[música para de repente]
[suspira]
[expira]
[música agitada nos fones]
[celular tocando]
[grunhe]
Fala, Kiko.
Ferrou, Oscar!
Aquela mina que eu tava pegando tá me acusando de ter forçado uma barra.
Tá bom. O que eu tenho a ver?
Tem tudo a ver, cara. Foi na tua boate!
A droga era tua.
Se não me ajudar, vai acabar rodando junto.
Como é que é, irmão? Tu tá querendo me foder?
Tá avisado, Oscar.
Vai sobrar pra você.
[música tensa]
[sons distorcem]
Débora, preciso falar com você.
Não tô enxergando direito nem de dia.
Hã? O que você falou?
Tá no mundo da lua, hein, tia?
Deixa pra lá.
[Liana] Meninas, tô indo, tá bom?
Tchau!
Pera aí, Liana. Pera aí.
E aí?
- [suspira] Saiu o resultado? - Quê?
Do exame.
Do teste de paternidade.
Ah, ainda não.
- Achei que era por agora. - É, pois é. Eu me enganei.
- [celular tocando] - Pera aí.
Tchau.
[Débora] Oi, Oscar.
Não, tô esperando. Mudei a agenda inteira pra falar com você.
- [freada] - [Liana arfa]
- [motor ronca] - [Oscar] Ô!
- Que é isso? Tá maluca? - Você não me viu, seu idiota?
Você se jogou na frente do carro. Tá querendo morrer?
- [Liana ofega] Sai! Sai de perto de mim! - Que foi? Machucou?
Não encosta em mim!
Então fica aí, então! Porra!
Não quero mais você perto de mim, tá me ouvindo?
Acha que vim ver você?
Vim ver minha irmã, a Débora, sócia da sua clínica.
- Ou você esqueceu? - Dane-se!
Eu te odeio!
Me esquece, porra!
Me esquece!
- Você tá cada vez mais desequilibrada! - [Débora] Que é isso?
- Desequilibrada! - O que tá acontecendo?
Para com isso! Você tá brigando com a Liana?
- Para com isso! - Porra! Só tem gente doida nessa porra!
Tô de saco cheio!
Qual é a sua?
Parei tudo aqui pra te atender. Você tá sempre causando!
O Kiko, seu ex-ficante,
tá querendo me processar por causa daquela garota.
Vou estacionar ali. Licença.
Você aprontou, né? Você deve ter aprontado alguma!
E daí que transaram na boate? Vai dizer que nunca ninguém fez isso?
- Não interessa, Oscar. - Como assim, não interessa?
Pô, as pessoas transam nos lugares mais estranhos.
Até na cama que o marido dorme.
Tira a Liana disso.
Porra, deixa a Liana em paz!
Na hora da curtição, tudo é maravilhoso, vira os olhinhos.
Depois fica posando de santinha.
A garota do Kiko tava trêbada. Você tinha que ter se ligado nisso.
Aliás, se ela for menor de idade, não podia nem tá bebendo na tua boate.
Ah, tá. Como é que eu ia saber que a Patrícia era de menor?
Me fala, como é que... Quem é que pede identidade numa boate?
Como assim?
Ah, Débora. Tô limpo nessa história.
O Kiko que fez essa merda toda sozinho.
É, ele é um grandessíssimo babaca. Ainda bem que eu me livrei desse merda.
E você viu, a boate tava lotada. Como eu ia me ligar?
Eu tava trabalhando. Não vi nada.
Juro!
Tsc.
E a balinha que você deu?
[Oscar] Qual o problema?
Eu dei, não vendi.
Eu quero que meus amigos se divirtam, sejam felizes, entendeu?
A noite é livre.
Sexo e amor.
Sexo é bom quando é bom pra todo mundo.
Se a menina não tava bem, é péssimo.
Porra!
É o mínimo! É a porra do beabá de hoje em dia!
- Aprende, caralho! - Tá!
Ainda vai sobrar pra você essa. Aí você vai aprender.
Fala com o papai, pra ele me ajudar?
[suspira]
Quebra essa pra mim, maninha.
Por favor, vai?
Hein?
Hum?
Você tá linda com esse colar.
[música tensa]
[Débora respirando fundo]
[bipes]
- Opa. - [Sílvia] Oi, Vicente!
Sílvia?
- Oi. - Veio visitar os velhos amigos?
Não, tô acompanhando uma paciente que fez uma cirurgia.
E você, tá bem?
Continua trabalhando feito uma alucinada?
Nossa, completamente sem tempo.
Queria tanto fazer aquela pós contigo, mas...
Ah, que pena. Eu ia adorar ter você como minha aluna, colega, claro.
Mas vou te convencer. Lá na Antares, tem tudo que a gente gosta:
ciência, pesquisa, tecnologia de ponta.
Faz isso. Me convence.
Hoje.
Se você tiver um tempo, quero te mostrar um caso que apareceu no meu consultório.
Verdadeiro achado científico, Sílvia.
Tá. Pode ser mais tarde?
Fim do dia?
Te espero.
Combinado.
[suspira]
[música tensa]
[suspira]
[Liana] Não, não, não.
- Não. - Shh.
[música tensa cresce]
[música para]
[suspira]
[música melancólica]
- Me dá. - Tá, eu vou tirar isso daqui.
- Bom dia. Obrigado. - [Oscar] Oi. Tudo bem?
[homem] Bom dia.
Esse escritório aqui é do marido da minha sócia,
o Tomás.
Ué? É ele que vai cuidar do caso?
Quem manda mesmo é o Jonas, é o pai.
Ele vai nos atender diretamente.
Vamos?
César!
- Que prazer! Quanto tempo! - [César] Como vai?
- César. - [Débora] E aí?
Tudo bem?
- E aí? - Tudo bem?
- Débora. - Tomás.
O papai falou... Eu não tinha entendido que era o escritório de vocês.
Claro, claro. Não, bom te ver. Pena que nessa situação, né?
- É. - É.
- Oscar. - E aí, como é que tá, irmão?
Acabei de encontrar a Li. Cara, ela continua ótima, né?
Tipo, não muda. Maravilhosa. Mó amiga do coração da família nossa.
E tu? Tu sumiu, né?
Eu?
Tu caiu de bike, né? A Débora me contou.
- Ah! - É. Sim.
- Bike? - É. Mas eu já me recuperei rápido.
- Eu tive sorte. - Ah, que bom.
Tá melhor mesmo? Porque eu...
Meu irmão, todo mundo agora só quer me ferrar.
Tô sem sorte. Só me meto em confusão.
Desculpa, vou ter que resolver um negócio na clínica.
Tá.
- Vamos entrar? - Vamos.
Você vem, Tomás?
Sim. Vou...
Tá.
É...
Avisa o papai que não vou poder ficar, tá?
- Ué? Por que não? - Você tá me irritando.
E tu vai me deixar na mão?
A Li? A Li?
"Mó gente fina." Pô, esquece a Li.
Já te ajudei com o papai. Agora se vira com eles, tá?
E ó, não banca o idiota.
- Tá. Tá. - Respeita o Tomás.
Vem comigo.
Vem.
[estala a língua]
Bem, nós tivemos acesso ao Boletim de Ocorrência.
A moça, uma menor,
relatou abuso sexual praticado contra ela
num reservado da boate Pivô.
É, isso é grave.
E fez uma outra acusação.
Ela afirma que foi coagida a ingerir droga.
Ah, não, não, não.
Ela tomou porque quis.
Você não falou que não viu nada?
Viu ou não viu?
Não vi.
Tô supondo.
Se for comprovada a venda de drogas ilícitas,
ou mesmo o consumo,
dentro da sua boate,
o estabelecimento vai ser responsabilizado.
[César] Então como é que fica isso, Jonas?
Foi realizado um exame pericial
pra constatar a presença de droga no organismo da moça.
Eu posso garantir que o resultado vai ser inconclusivo.
Garantir como?
Tenho as minhas fontes.
Olha aí. Nada como um bom advogado.
[César] O nome do Oscar não pode aparecer.
[Oscar] Isso.
[Jonas] A moça não acusou diretamente o seu filho, César.
É muito importante que não apareça nenhuma testemunha
que possa contradizer o que foi dito aqui.
Tá, mas olha só. O Kiko, esse moleque, ele tá querendo me ferrar.
Vai dizer que eu fiz isso, que fiz aquilo...
A sua boate tem câmeras.
Dá pra gente averiguar a responsabilidade, né, de quem foi.
Saber se você realmente não tava ciente do caso.
Nesse exato momento, uma pessoa está averiguando o equipamento.
É um policial, nosso amigo, que nos presta alguns serviços.
Ele tá acostumado a lidar com casos especiais como o de vocês.
É um excelente perito.
Fez uma espécie de varredura no sistema de segurança da boate
e concluiu que o equipamento tava com defeito.
Eita, porra.
Não funcionou ontem à noite.
Olha.
[Tomás suspira] Pois é, César.
O seu filho vai se livrar dessa.
[Oscar] Claro, sou inocente.
Completamente.
É, completamente, eu não diria, né? Essa situação é, no mínimo, controversa.
Ah, doutor. A garota vacilou, né? Você sabe como é.
Não, eu não sei como é que é, Oscar.
Quem vacila é quem é conivente com o abuso,
não protege uma mulher em situação de vulnerabilidade.
Quem vacila é quem pode fazer alguma coisa e não faz.
O importante é que não vai dar em nada. Não tem provas.
Mas o Kiko, esse moleque, ele vai querer me acusar.
[buzinas]
[Jonas] Vai nada.
Ele também vai se livrar da acusação.
Seguinte: daqui pra frente, você esquece a boate,
esquece o Oscar.
Você some, pra você não ter nenhum problema.
Entendido?
Obrigado, Jonas. Obrigado, Tomás.
Imagina. Eu não tive grande participação. Foi o meu pai que conduziu o caso.
Quando precisar, pode contar comigo.
Eu queria fazer só algumas considerações.
Você, Oscar, como dono do empreendimento, você tem que ficar mais atento.
Você tem a obrigação de agir
se alguém tiver correndo risco dentro da sua boate.
[Oscar] Evidente. Vou ficar ligado.
É, você não pode encobertar o que acontece lá dentro.
Dessa vez, você teve sorte.
Mas cuidado, porque a sorte acaba.
Aí, nem o dinheiro do seu pai vai poder te ajudar.
Tem razão, Tomás.
Obrigado.
[Jonas] Vamos.
[Oscar suspira]
Obrigado, Jonas.
- Obrigado. - [César] Esse seu time, hein, Jonas?
- Tá mal pra caramba. - Tomás?
Só falar uma coisinha.
Pode ser até que a minha sorte acabe,
mas, até lá,
a grana do meu pai vai continuar pagando muito bem o seu pai.
[música inquietante]
Que história é essa de sumir com as fitas das câmeras?
Tomás, olha o tom comigo, tá?
E como você sabia que a perícia ia dar inconclusiva?
Não tinha outro jeito de defender o filho do César.
Claro, porque ele é conivente, né, pai? Porra, tá na cara!
O nosso dever profissional é defender o nosso cliente, porra.
Na justiça, não é?
Usando recursos legais.
Não essa... Não essa baixaria.
Pai, esse César e Oscar... Esses dois são dois criminosos.
E você toma cuidado pra acabar não se envolvendo demais com os dois.
Que é isso?
Olha lá como fala, porra.
- Me respeita. - [grita] Eu não gostei, pai!
Doutor Jonas, eu não gostei!
Se for pra continuar assim, prefiro trabalhar em outro escritório.
Ah, cacete.
[suspira]
O César é um bom cliente.
Eu só tentei livrar a cara do filho dele, que é um rapaz problemático.
A primeira foi aquela lá no acidente, que morreu o irmão da Liana.
[música tensa]
[pneus cantando]
[Oscar] Lucas, duvido você chegar no alto em dez minutos.
[pneus cantando]
Valeu, otário!
Acelera, cara. Passa esse cara, lentão.
Vambora!
[buzinas]
Como nunca me disse que acharam droga e bebida
no carro do Oscar?
[Jonas] Eu soube disso faz pouco tempo.
Limparam tudo por causa do César.
Quem me contou foi o antigo advogado deles.
Coitada da Liana.
Vive se desculpando com a Débora
por causa do idiota do Oscar, porque ele se machucou, perdeu a carreira.
Como se fosse um santo, né?
Quem morreu foi o irmão da Liana.
Ele agora é nosso cliente. Esquece essa história.
[bipes eletrônicos]
[música tensa]
[bipe eletrônico]
[Cláudia] Você quer mesmo que eu acredite que você ama a Liana
depois de tudo que a gente viveu?
Amo.
E me arrependo de ter magoado a minha mulher.
Cláudia, você tava do meu lado
num momento complicado da minha vida.
[suspira]
Você é uma mulher maravilhosa.
Gostosa. Gostosa.
Era o que você dizia. Era o que você mais dizia. Gostosa.
- Já esqueceu? - Cláudia.
Duvido.
Eu quero construir uma família com a Liana.
Eu quero ser feliz com ela.
[inspira]
Me desculpa ter sumido.
Eu devia ter te ligado pra gente conversar,
pra eu te dizer que acabou.
Mas agora tô dizendo com todas as letras.
Acabou.
Eu não vou mais tomar o seu tempo.
Mas pode me procurar na sua próxima crise.
Me liga.
Se eu tiver disponível, quem sabe eu atendo.
Ah.
E boa sorte no seu casamento de conto de fadas,
porque eu continuo na vida real.
"Houve exclusão da paternidade biológica do suposto pai
em relação ao embrião dois.
O alegado pai está excluído como pai biológico do embrião testado."
A paciente tem 34 anos, terapeuta ocupacional, casada,
e teve as duas relações.
Tomou estimulante pra ovulação por conta própria.
Como é que é?
"LAR" são as iniciais da sua paciente?
Que pergunta, Sílvia.
Você sabe que a gente não usa os nomes dos pacientes.
- Por isso tô te mostrando. - Liana Azevedo Rosenthal.
[Vicente suspira]
É minha cunhada!
[música inquietante]
[Tomás suspira]
E aí?
Vamos... Vamos guardar o enxoval?
Você comprou muita coisa.
Ah, eu tô empolgado.
Vamos. Quer ajuda?
Eu não tenho energia, Tomás.
Pode arrumar depois, se quiser.
[suspira]
Tá bom. Claro.
Você tá... Tá carregando dois aí dentro, né?
Tudo bem, eu também não tô leve hoje, não.
Sabe, lá no escritório foi...
[suspira] Foi pedreira.
Tomás?
[Tomás] Sabe o que eu acho que eu tô precisando hoje?
É ficar assim, ó.
Sabe? Pertinho da minha mulher,
dos nossos bebezinhos.
- [beijo] - [Tomás] Hum?
Quero conversar com você.
[sussurrando] Eu tô exausto, amor.
Eu tô exausto. Vamos fazer o seguinte.
Vamos ver um filminho?
Hum?
Vamos namorar?
- Vamos namorar? - Eu tô com dor de cabeça.
Liana.
A Sílvia falou vida normal.
Eu sei, desculpa.
Tem paciência comigo.
Eu não tô bem. Não tô me sentindo bem.
Me conta. O que houve no escritório?
Eu discuti com o meu pai.
E tudo por causa de quem? Adivinha? Tenta adivinhar?
Não sei.
O irmãozinho da tua amiga.
[Liana] Quem?
O Oscar.
O irmão da Débora.
O escroto se meteu numa denúncia séria aí. Quase que foi enquadrado.
Vocês se encontraram?
[Tomás] Ele disse que te viu hoje.
Ah, é.
Foi na saída da clínica. Foi.
[Tomás] Ah.
Puxou o saco.
Disse que você é gente fina.
Um babaca.
Ele tá metido num crime, sabe? Numa canalhice.
Canalhice como?
Uma menina, ela disse que foi drogada na boate dele
e tá acusando um sujeito, um tal de Kiko, de ter abusado dela.
Mas o Oscar fez o quê?
[Tomás] Foi cúmplice. Fez vista grossa.
E ainda oferece droga pros clientes dele.
Mas eu disse umas verdades na cara desse marginal.
Pra mim, ele não passa disso. Pra mim, esse cara é marginal.
Você não tem que falar com ele.
Você não tem que se envolver, se meter com esse tipo de gente.
[Tomás] Não, mas é cliente do meu pai. Não é meu, não.
Que nojo!
Defender criminoso em crime que envolve mulher?
É. Não, eu também não gostei.
E a garota? O que acontece com ela?
Nada. Ela vai ter que tomar mais cuidado da próxima vez,
porque agora é a palavra dela contra a do cara, né?
[suspira] Vamos jantar? Tô com fome.
Perdi a fome.
Liana?
Liana.
Pera aí. Ó, por isso que eu não te conto as coisas lá do escritório.
Eu falo pra você, e você fica assim, toda sensível.
[Liana] Que horrível esse tipo de coisa.
[Tomás] Eu sei que é horrível. É claro. Mas... a vida é assim, né?
A vida é injusta, ué.
É, mas não devia ser.
Promete que você não vai defender o Oscar nunca mais?
Se meter com gente assim? Eu não quero.
Não. Olha só.
Eu não preciso prometer.
Eu não quero isso pra minha vida.
[Liana suspira]
- Tá. - Tá?
Tá?
Tá? Tá?
[telefone tocando]
- [Liana geme] - [Tomás] Não.
Vem.
[Tomás suspira]
Alô?
[mulher] Oi, Liana!
Oi, Olinda.
Tudo bem? Só tô ligando mesmo pra saber se tá tudo bem por aí.
Você sabe que eu não gosto de incomodar, não é?
Mas, olha, eu, eu queria te dizer
que você pode contar comigo pra tudo, viu?
Contar com você? Como assim?
[Olinda] Meu bem, eu sou mulher, eu já passei por isso.
Isso o quê? Eu não entendi.
[Olinda] Ai, querida, tudo bem. Eu posso esperar algumas semanas.
Mais do que isso, não, hein?
Não é justo nem comigo, nem com o pai do seu marido, né?
Mas, olha, a gente tá torcendo muito por você, viu?
Tá bom, Olinda. Não posso falar agora.
- [Olinda] Tá bom. - Tô meio ocupada.
- [Olinda] Beijo. - A gente fala depois. Beijo.
Nossa! Que jeito, hein?
- Dispensou a minha mãe. - Você contou pra sua mãe da gravidez?
Não.
[rindo] Não, não, não, Li. Não.
Olha só, eu não contei,
mas eu acho que o meu pai, ele pegou alguma coisa no ar.
Eu tô feliz, né, meu amor?
Tá na minha cara.
Você que parece que não tá.
É que você não me respeita.
[Tomás hesita] O que que eu fiz de tão errado?
O combinado era não contar.
- A gente combinou de guardar segredo. - Mas segredo de coisa boa é difícil, né?
- Vem cá. - Me solta um pouquinho. Me deixa.
Pera aí, Li.
- Liana, sério? - Me deixa em paz.
Isso...
[porta tranca]
[Tomás suspira]
- Mas se coloca no lugar deles também, né? - [abre torneira]
Quero ver na hora que um filho nosso engravidar e esconder da gente.
[Liana] Tenho que me colocar no lugar de todo mundo, ninguém se coloca no meu.
Eu tô do seu lado, tá bom?
[fecha torneira]
Vai dar tudo certo, meu amor.
[celular tocando]
Parece que não tá feliz grávida também. Que inferno!
- [Tomás suspira] - [celular continua tocando]
[suspira]
- Oi, Sílvia. - Oi, Tomás.
- Tudo bem? - Mais ou menos.
A Liana tá aí?
A Liana não vai poder atender agora, não. Tá trancada no banheiro.
Como assim?
Ah, aconteceu que a gente brigou.
Por quê?
Acho que ela não tá bem, não, viu? Ela...
Sei lá, tá nervosa, tá com medo.
Tem que ter paciência com ela, Tomás.
Principalmente nesse momento.
Vou conversar com ela. Quero conversar com ela.
Mas depois, tá bom? Se acalma.
- Tá. - Beijo.
- Tá preocupada, mãe? - Tô.
- É a Liana, né? - É.
Ela tá diferente comigo também. Eu reparei.
Tsc. Não fala bobagem, Inácio. A Liana é louca por você.
Eu não tenho pai, mas eu tenho duas mães. Você e ela.
Verdade.
- Posso mostrar a música que tô ensaiando? - [Sílvia assente]
♪ Um belo dia, eu resolvi mudar ♪
♪ E fazer tudo que eu queria fazer ♪
♪ Me libertei daquela vida vulgar ♪
♪ Que eu levava estando junto a você ♪
♪ E em tudo que eu faço ♪
♪ Existe um porquê ♪
♪ Eu sei que eu nasci ♪
♪ Sei que eu nasci pra saber ♪
[Sílvia exclama]
- Amor da minha vida! - [Inácio grunhe]
Calma aí, mãe.
[música suave]
[campainha]
Oi, Sílvia, tudo bem? Entra.
Eu te liguei ontem. Acabei falando com o Tomás.
Ah, ele acabou de sair pra pedalar.
É. Não, eu sei. Eu, na verdade, esperei ele sair pra poder subir.
A gente tem que conversar.
Aconteceu alguma coisa?
Na verdade, eu nem sei direito como é que eu entro nesse assunto com você.
Eu vou tentar ser direta,
até porque eu tenho medo do Tomás não demorar.
Só quero te pedir pra escutar tudo com calma.
A situação toda é muito delicada.
Eu tenho amigos médicos.
Claro.
É comum a gente se encontrar pra trocar informações.
É...
Eu sou amiga do doutor Vicente Pinheiro.
O que ele falou pra você?
Não foi por mal, Liana. Foi uma coincidência terrível.
Que eu sou um caso raro, né? Que eu sou um achado científico pra vocês.
Ele não tocou no seu nome.
Ele tava, assim, muito impressionado,
porque o teu caso é muito incomum.
Mas eu que acabei vendo por acidente no computador dele
as iniciais do seu nome no exame.
Liana,
eu vim porque eu posso imaginar a angústia que você tá vivendo.
O Tomás tava saindo com outra. Tava de sacanagem no computador.
A gente brigou.
Ele sumiu por uns dias, ele viajou.
Foi na época do acidente de bicicleta.
E eu quis... Não sei, eu quis ir à forra.
Quis me divertir um pouco.
Sair.
Mas, aí, depois virou tudo um pesadelo, Sílvia.
- Por conta da gravidez? - Antes disso.
Nessa noite que eu saí, eu perdi o controle, eu apaguei.
Como assim, apagou?
O Oscar era amigo do meu irmão.
E aí sempre dizendo que gostava de mim, que eu era isso, que eu era aquilo...
Eu fui baixando a guarda pra ele.
Nessa noite, a gente saiu.
A gente bebeu, a gente dançou.
Eu tomei um ecstasy.
Bateu muito mal. Eu passei mal.
Quando eu vi, eu tava com ele aqui em casa.
Só que não foi bom, entendeu? Eu não queria mais.
Você falou isso pra ele, que você não queria mais?
Eu disse.
Eu acho que eu disse. Antes de apagar, eu disse.
O que é isso? Liana.
Você disse que não queria mais e apagou.
Tá me dizendo que esse cara transou com você desmaiada?
Eu tava bêbada, Sílvia. Eu tava inconsciente.
Meu Deus!
[Sílvia suspira]
Liana, o que esse cara fez foi um crime.
Ele tirou a camisinha na hora também.
O escroto tirou a camisinha. Não vi.
Eu não percebi. Não tinha como ver.
Eu ainda nem lembro direito.
Eu fico tentando lembrar aquele dia, mas eu fico me sentindo mal.
Suja. Eu fico me sentindo culpada.
Que nojo! Nossa, que coisa terrível! Que homem mais nojento!
[suspira]
[Liana] Eu errei, Sílvia.
Eu errei. Eu fiz merda.
- [Sílvia] Você não fez nada. - Eu fiz.
- Liana, olha pra mim. - Sei que errei. Fiz merda.
Você não fez nada. Você não tem culpa de nada!
Esse cara é um criminoso.
A gente tem que ir à polícia, tem que prestar queixa.
A gente tem que acusar esse cara!
Polícia?
Polícia, não.
Por que eu vou na polícia? Não vai dar em nada.
Vou o quê? Vou me expor?
Vou chegar na polícia, vão dizer que abri a porta,
que deixei o cara entrar, que...
Não vou. Polícia, não.
Não quero ir.
Só não sei o que faço agora,
porque agora eu tô grávida do bebê que eu mais desejei na minha vida.
E tô grávida de um...
de uma coisa que eu rejeito, que eu não quero ter.
O que eu faço, Sílvia? O que eu faço?
[Sílvia suspira]
Ô, Liana.
Eu não tenho como responder isso.
Só você vai poder decidir o que vai acontecer daqui pra frente.
Não consigo fazer isso sozinha.
[Sílvia exclama]
Meu amor, você não tá sozinha.
Você não tá sozinha. Eu juro que você não tá sozinha.
Você não tá sozinha.
[música melancólica]
Você precisa conversar com o Tomás.
Ele é teu parceiro, o teu marido.
É pai do seu bebê.
Ele é pai do bebê que eu quero, não do outro.
Você tá grávida de dois, meu amor.
De dois.
[Liana respira fundo]
[música se dissipa]
Amor, eu tava pedalando e tive uma ideia incrível.
Você trabalha muito. Eu também trabalho muito.
Dá uma olhada nessas fotos aqui. Vem cá.
- Tomás. - Eu tava pensando em comprar essa casa.
No meio da natureza. Um lugar lindo, meu amor.
Você pode deixar. Eu vou... Não vou decidir nada sozinho, tá?
A gente vai resolver tudo junto. É que eu achei essa ideia tão legal.
- Olha aqui. - A gente não precisa de casa.
Tá preocupada com a grana? Esquece, a gente tem grana.
Pensa só na curtição, meu amor.
Final de semana, férias.
Mais espaço pra gente, pros nossos filhos.
- Tem até uma cachoeira perto. - Chega, Tomás.
Deixa eu falar.
- É isso, né? - Quê?
Eu te mostro uma coisa dessa, conto um negócio desse,
e você fica desse jeito.
É isso mesmo? Assim?
Eu não sei se eu quero ter esses bebês.
Hã?
[música tensa]
Não sei se eu quero essa gravidez.
Pera aí, que eu...
Por quê? Aconteceu alguma coisa? Aconteceu alguma coisa com os bebês?
Tá tudo normal com os bebês? Não tá normal?
Não tem nada normal com os bebês.
Pera aí, Liana. Fala direito comigo aqui.
- O que é que tem com os nossos filhos? - Não são nossos filhos.
Como não são nossos filhos?
Você... Eu não...
Não tô entendendo. Quer me deixar maluco? O que...
Eu que tô ficando maluca.
Eu fiz um DNA pré-natal aqui.
[Tomás] Um DNA?
Liana...
o que que você tem pra me dizer?
[música tensa continua]
Você é pai de um dos bebês.
De um só.
São dois bebês de dois pais diferentes.
[floreio dramático]
[música se dissipa]
Anuncie seu produto ou marca aqui fale com www.OpenSubtitles.org hoje
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.