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Original subtitles

Ou�am com aten��o.

� o mundo a despertar...

... com caf�.

Eu preciso de caf�.

� dif�cil imaginar um dia sem ele.

E n�o sou o �nico.

Bebemos caf� em todos os cantos da Terra,

quase tr�s mil milh�es de vezes por dia.

� um v�cio global.

O canto de sereia do caf� tem um lugar curioso nas nossas vidas.

Familiar, mas misterioso.

A sua hist�ria ainda � em grande parte desconhecida.

Mas cada ch�vena conta uma hist�ria.

Vamos at� um lugar que j� viu o melhor

e o pior do que uma ch�vena de caf� pode fazer.

Vamos seguir o caminho de um s� gr�o de caf�,

do seu ber�o, nas colinas do Ruanda,

at� um torrador de caf� no Sul dos EUA,

para testemunhar a sinfonia do esfor�o humano, do labor e suor,

de m�os habilidosas que apanham, escolhem e torram.

Todas as vidas interligadas

para nos proporcionar um momento fugaz de alegria.

O milagre di�rio do caf�.

OMN�VOROS

CAP�TULO 7 CAF�

A hist�ria do caf� � menos um conto de sabor

e mais uma hist�ria de estimula��o.

Isso inclui a hist�ria m�tica das origens do caf�.

Reza a lenda

que um pastor de cabras et�ope do s�culo IX chamado Kaldi

andava pela floresta quando se deparou com o rebanho

a comer um pequeno fruto vermelho.

O rebanho ficou inquieto, animado, quase a levitar.

O pastor perplexo recolheu os frutos

e levou-os para um mosteiro ali perto.

Os monges torraram e ferveram os misteriosos rebentos

e ficaram possu�dos por um novo fervor religioso.

O milagre do caf� nasceu.

Que acontece quando damos o primeiro gole de caf�?

A dopamina inunda o c�rebro.

Os nossos cora��es batem mais depressa.

O nosso sistema nervoso central desperta.

N�o se deixem enganar.

O caf� � uma subst�ncia que altera a mente, o corpo e o humor,

um ve�culo da cafe�na, a droga psicoativa mais consumida no mundo.

O nosso v�cio fez do caf� um dos produtos mais comercializados,

sendo cultivado em quase metade do globo.

A nossa sede por este ingrediente reformulou economias,

paisagens e na��es inteiras.

Poucos lugares tiveram um renascer t�o espetacular como o Ruanda.

No espa�o de 30 anos,

o caf� no Ruanda passou de ser uma fonte de dor e opress�o

para ser o motor respons�vel por uma das maiores transforma��es econ�micas

do s�culo XXI.

MAHEMBE RUANDA

Como �?

N�o � mau.

FUNDADOR, CAF� MAHEMBE

� da melhor qualidade.

Vamos plantar uma nova variedade de caf�.

Perto de Murunda?

Junto aos sop�s.

Quando o caf� foi introduzido no Ruanda,

a minha fam�lia estava entre os primeiros agricultores.

Herdei o neg�cio do caf� dos meus pais.

Quando era novo, lembro-me de termos tr�s pequenas planta��es

com cerca de mil cafeeiros.

Na altura, pensava que a �nica forma de ganhar dinheiro era cultivando caf�.

Quando tive o Willy,

decidi que o devia ensinar a cultivar caf�,

para que ele soubesse como cuidar do caf� e o trabalho requerido

e aprendesse os benef�cios e a estim�-lo.

Assim, quando eu for velho e j� n�o o conseguir fazer,

ele poder� continuar a tradi��o.

Nunca pensei em trabalhar nisto.

CHEFE DO CONTROLO DE QUALIDADE

Mas o meu pai � o tipo de pessoa capaz de nos fazer amar algo

e de nos ensinar mais durante o processo.

O solo ruand�s � muito bom para o caf�.

E ainda h� a altitude, porque o caf� das montanhas mais altas � melhor.

Estes ramos repletos de frutos

cont�m o futuro do vosso pr�ximo capuchino,

porque o caf� � um fruto,

e os gr�os que usamos s�o as suas sementes.

Cada fruto amadurece ao seu pr�prio ritmo,

at� os que est�o no mesmo ramo.

Os agricultores mais dedicados de caf� de especialidade

revisitam a mesma �rvore repetidamente durante semanas,

privilegiando a qualidade � quantidade.

No Ruanda, todo o caf� � apanhado � m�o.

Apenas s�o colhidos os frutos maduros e vermelhos.

Se um colhedor misturar frutos vermelhos e amarelos

e outro colhedor s� apanhar frutos maduros e vermelhos,

a qualidade ser� diferente.

� essa a diferen�a do caf� de especialidade ruand�s.

O esfor�o humano.

Assim que o fruto � colhido, o tempo come�a a contar.

E o tempo n�o � misericordioso

com o fruto delicado que se pode estragar numa quest�o de horas.

A jornada do caf� � t�o variada como desafiante.

As plantas do caf� prosperam no cora��o do Cintur�o do Caf�,

um grupo de pa�ses junto ao equador.

Nesses lugares, o caf� � mais do que um ingrediente.

� uma mercadoria global comprada e vendida como o a�o, o algod�o ou o petr�leo bruto.

A sua jornada, da semente � ch�vena, � ditada por efici�ncia, consist�ncia

e pelas flutua��es constantes do mercado,

sempre sedento de mais caf�.

Esta exig�ncia insaci�vel coloca um grande fardo

nas pessoas respons�veis pelo nosso ritual di�rio.

P�e na balan�a.

Isso torna o seu trabalho

para preservar o elo da cadeia do caf� ainda mais miraculoso.

A diferen�a entre uma infus�o decente e uma ch�vena sublime

depende do toque humano.

Umas surpreendentes 30 a 40 pessoas,

cada uma delas perita numa parte espec�fica da jornada.

E cada m�o por que passa

� uma encruzilhada entre o sucesso e o fracasso.

Aqui, o processo � incr�vel.

Quando os frutos chegam � esta��o de lavagem,

tira-se a polpa para separar o fruto do gr�o no interior.

CAF� MAHEMBE

Depois, fermentam para remover a mucilagem e desenvolver sabor.

A seguir, o caf� � diferenciado.

Passando por canais de �gua, os gr�os mais leves flutuam,

e os mais pesados e de melhor qualidade afundam-se e seguem viagem.

Por fim, os gr�os s�o espalhados em mesas compridas e elevadas

para secarem sob o sol escaldante.

Como veem, n�o � preciso equipamento caro.

S�o os olhos, as m�os

e o conhecimento coletivo das pessoas que faz a diferen�a.

Deste processo aperfei�oado

nasce o que alguns consideram um dos melhores caf�s do mundo.

Lim�o, laranja, caju e chocolate.

S�o os sabores que muita gente identifica

no caf� desta regi�o.

Quando os agricultores entregam caf�, querem saber: "Como est� o caf�?

Como correu o processo? Que me escapou?

Que tenho de melhorar para a pr�xima, quando o apanhar ou escolher?"

Em todas as regi�es, temos de dar opini�es sobre o seu caf�.

Quero que a comunidade de Mahembe, os agricultores, tenham uma boa vida,

correspondente aos esfor�os que dedicam.

Estamos ligados atrav�s dos produtos que consumimos.

O caf� � um �timo exemplo.

Descrevo-o como uma colcha colorida

que une pessoas que, de outro modo, n�o estariam ligadas.

PERITO EM SUSTENTABILIDADE E IDENTIFICA��O

Origin�rio do Ruanda,

Arthur Karuletwa assumiu como miss�o de vida

lutar pelas pessoas que produzem o nosso caf�.

Hoje, a dist�ncia da quinta para a mesa � um vazio que continua a aumentar.

A maioria do caf� est� destinado � obscuridade,

desligado das suas ra�zes, da sua hist�ria e das m�os que cuidaram dele.

Uma hist�ria de separa��o na nossa busca cont�nua por conveni�ncia.

Mas essa conveni�ncia tem um custo,

sobretudo para os agricultores,

encarregados de manter o mundo cafeinado a pre�os baixos,

a quem � pedido que fa�am mais por menos,

mesmo perante um clima em constante mudan�a

e as flutua��es do mercado global.

Hoje, os agricultores come�am a afastar-se de uma ind�stria que lhes est� a falhar

numa altura em que bebemos mais caf� do que nunca.

Mas a melhoria � poss�vel.

O Ruanda est� a esculpir um caminho.

O modelo cooperativo favorecido aqui pode ser uma salva��o,

prometendo uma vida melhor para as pessoas que o merecem.

Muito disso gra�as a Arthur.

Um homem que, no in�cio do s�culo XXI,

j� estava a cimentar o caf� de especialidade no Ruanda.

Arthur � uma daquelas raras pessoas

que estimula a verdadeira mudan�a.

� uma hist�ria sobre a cren�a no poder da liga��o humana,

o que acontece quando substitu�mos r�tulos por caras

e como a transforma��o global come�a quando h� liga��es pessoais.

CONFER�NCIA DE SUSTENTABILIDADE, 2018

A miss�o � localizar a viagem dos gr�os da �rvore at� � ch�vena,

garantindo que todos os que contribuem na cadeia do caf�

s�o reconhecidos e recompensados pelos seus esfor�os.

Ol�, Justin. Como est�s?

- Estou bem. - H� quanto tempo!

- Obrigado por nos visitares. - Sim.

Fala-me da tua rela��o com os teus agricultores.

O nosso objetivo � ensinar-lhes o m�ximo poss�vel,

para que possam produzir o melhor caf�.

Isso � informa��o valiosa para eu levar aos mercados.

Enquanto ruand�s, tenho orgulho em exportar caf�

e em entreg�-lo a quem verdadeiramente o aprecia.

N�o h� palavras para o orgulho que isso me traz.

Ao trabalhar com agricultores como os da Mahembe, abordo aspetos pessoais.

Quanto pagam aos agricultores?

Como os tratam?

N�o podemos ter caf� de qualidade

e n�o esperar ver qualidade de vida nas pessoas que o cultivam

e nas comunidades sustentadas por ele.

O Justin e o Willy cuidaram da comunidade

e a qualidade de vida � importante para eles.

� algo muito bonito que merece ser reconhecido.

O caf� n�o � nativo do Ruanda.

Ali�s, � origin�rio de uma pequena parte da Eti�pia e do Sul do Sud�o.

Como acabou por dominar tantos pa�ses pelo globo?

�FRICA DESERTO DA AR�BIA

A sua dissemina��o al�m de �frica e do M�dio Oriente

come�ou no s�culo XVII com um her�i improv�vel,

um comerciante chamado Baba Budan,

que atou sete gr�os frescos de caf� � barriga

antes de os contrabandear do I�men at� ao seu pa�s, a �ndia.

Depressa, o caf� passou a ser cultivado pela �sia.

� medida que a produ��o foi para leste, o consumo passou para o ocidente,

de Moca a Meca, do Cairo a Constantinopla,

acabando por chegar a Veneza,

onde o caf� come�ou a surgir em 1615, marcando a sua chegada � Europa.

Substituiu a cerveja e o vinho como bebida de pequeno-almo�o de elei��o.

Como era de esperar, a produtividade disparou.

Para os intermedi�rios,

a popularidade explosiva do caf� levantou uma pergunta maior.

Porqu� compr�-lo se podiam controlar a distribui��o?

Os holandeses lideraram o caminho,

criando planta��es nas suas col�nias nas �ndias Orientais, como em Java.

Outros pa�ses depressa seguiram o exemplo.

Por todo o mundo, do Brasil a �frica e �s Cara�bas,

os imp�rios europeus obrigaram as col�nias a cultivar as suas planta��es.

O Ruanda foi primeiro colonizado pelos alem�es e, depois, pelos belgas.

Acho que ningu�m sabia que o Ruanda produzia caf�,

porque o caf� ia diretamente para a B�lgica.

N�o havia nenhum reconhecimento de que vinha do Ruanda.

Era cultivado, colhido, processado e escolhido com mentalidade esclavagista.

A introdu��o colonial do caf� estipulou tr�s leis.

Primeiro, cultiv�-lo.

N�o importava se se tinha um quintal pequeno

onde se cultivava comida.

Tinham de arranjar espa�o para as colheitas comerci�veis.

Segundo, nunca cortar uma �rvore sem autoriza��o.

E, terceiro, era ilegal consumir caf�.

Est�vamos proibidos de o beber.

Imaginem o que isso faz a uma na��o e ao seu povo.

O fardo e a dor de produzir um produto

com o qual n�o se pode contar de forma econ�mica nem social.

Na maioria da sua hist�ria de cultivo de caf�,

o Ruanda foi obrigado a concentrar-se na quantidade, n�o na qualidade.

Os agricultores do Ruanda n�o tinham op��o sen�o vender o caf� ao pre�o mais baixo.

Mas, no final dos anos 80, os pre�os mundiais do caf� ca�ram a pique.

Os pa�ses produtores ficaram numa pobreza devastadora.

Poucos foram t�o atingidos como o Ruanda,

que j� sofria com uma corrente crescente de divis�o �tnica.

Os anos seguintes testemunharam agita��o pol�tica e desespero econ�mico,

que culminou no genoc�dio de 1994.

Extremistas do grupo �tnico dominante hutu

iniciaram uma matan�a de 100 dias para livrar o pa�s dos tutsis, a minoria.

Foram mortas mais de 800 mil pessoas em 100 dias.

Foi um homic�dio em massa como s� visto na II Guerra Mundial.

Durante o genoc�dio, queimaram tudo.

At� a planta��o de caf�.

A casa foi demolida.

Havia 27 resid�ncias

na colina onde viv�amos, mais de 200 pessoas.

Todas as resid�ncias pertenciam � mesma fam�lia.

S� quatro de n�s sobreviveram.

Perdi os meus av�s no genoc�dio.

O meu pai mudou-se para Kigali e trabalhou em transportes,

mas, na verdade, queria regressar

e continuar o trabalho do pai dele.

Depois de 1994, passei os anos seguintes

a tentar perceber porque acontecera o genoc�dio

e como acontecera t�o depressa.

Cheguei � conclus�o de que a raz�o principal fora a pobreza.

Foi a esse ponto que produtos como o caf�

levaram o meu pa�s em 1994.

O caf�, entre outras coisas, desempenhou o seu papel.

A sua introdu��o e os seus processos sustentaram o ciclo de pobreza.

Mas, no rescaldo do genoc�dio,

tamb�m percebemos que o caf� nos permitiria reconciliar.

Quarenta e quatro, Majya.

Sim.

Cuidado. O saco pode cair-te em cima.

- Agora, � 32. - Est� bem.

O caf� � o produto que vai preencher o vazio.

- Quanto? - Quarenta e cinco.

No Ruanda, s� havia tr�s esta��es de lavagem.

Pass�mos de tr�s para 330, por todo o pa�s.

- Quanto? - Trinta.

Assim, podemos ter 330 locais

em que as pessoas se podem juntar

com um objetivo comum.

Quinze.

Certo.

Sab�amos que era o in�cio do processo de cura.

Apanh�vamos o caf� em sil�ncio

e lev�vamo-lo para os moinhos em sil�ncio,

mas process�vamo-lo a conversar.

E, quando o export�vamos, garant�amos que nos abra��vamos.

O Tupac tem uma can��o incr�vel em que diz "uma rosa cresce no cimento".

Isso � o caf� do Ruanda.

Com o caf�, observamos a nossa humanidade atrav�s de lentes promissoras.

As trevas e a luz.

Trabalhando juntos, lado a lado,

para melhorar a qualidade do seu caf� e dos processos,

milhares de agricultores ruandeses conseguiram sair da pobreza.

Todos os pa�ses que cultivam caf� passam por perigos e decl�nios,

mas o que aconteceu no Ruanda deu esperan�a

de que o caf� pudesse ser um catalisador para um futuro melhor.

BEM-VINDOS A KARONGI

Os agricultores e produtores do Ruanda

iniciaram a colossal primeira parte da transforma��o do caf�.

Mas a jornada destes gr�os est� longe de acabar.

Passar� por uma vasta rede de intermedi�rios e leiloeiros,

sacos de serapilheira levados em bicicletas,

carregados em carrinhas e comboios

e transportados em compartimentos de carga aos milh�es por todo o planeta.

Alguns destes gr�os de caf� do Ruanda v�o a caminho de Sydney.

Outros v�o para Singapura.

Quanto aos nossos, est�o destinados a um canto especial do Sul dos EUA.

DURHAM CAROLINA DO NORTE

COFUNDADORA, CAF� LITTLE WAVES

Os torradores t�m muita responsabilidade,

mas todos os livros de torragem

dizem que se tem de come�ar com bom caf�.

� imposs�vel dar qualidade a caf� mau.

Tem de se come�ar com boa qualidade.

No Little Waves, torramos caf�

e focamo-nos em criar rela��es

com produtores de caf� de todo o mundo.

Sentimos que, quando o caf� chega at� n�s,

tem a sua pr�pria ess�ncia e perfil de sabor,

e cabe-nos a n�s retirar o melhor sabor dele.

Um torrador experiente eleva bons gr�os a algo extraordin�rio.

Mas, dada a temperatura elevada e a maquinaria pesada,

segundos podem separar conseguir extrair o sabor ideal dos gr�os

ou arruinar o esfor�o de todos os que os fizeram chegar ali.

Nos meros 12 minutos que demora a torrar um gr�o

e a pass�-lo de claro a castanho-dourado

est�o sistemas clim�ticos inteiros, esperan�as e sonhos de pessoas

e incont�veis horas de trabalho.

Podemos torrar demasiado,

ficando simples e ressequidos.

Podemos torrar de menos,

ficando a faltar-lhes um sabor rico e doce

e passando a saber a erva e palha.

Em todos os passos, tudo tem de ser perfeito.

Pessoalmente, gosto dos gr�os pouco torrados,

repletos de elementos frutados e acidez, tra�os de framboesa e alfazema.

Para mim, um bom caf� � como um �timo copo de vinho.

Pode parecer rebuscado para alguns,

mas, quando consideramos todas as pessoas

e todo o esfor�o implicado na produ��o de uma boa ch�vena de caf�,

� dif�cil n�o ver a liga��o.

- Ol�, Arthur. - Ol�.

- Tudo bem? - Ol�! Bem-vindo a Durham.

Obrigado pelo convite.

Para chegar a este ponto, este pequeno fruto cruzou continentes,

atravessou oceanos e passou pelas m�os de dezenas de pessoas.

Tem um tom azulado e esverdeado.

� como se dissesse: "Estou aqui, estou limpo e fui bem processado."

As hist�rias que contaria s�o fascinantes.

Cada m�o que toca no caf� acrescenta valor.

Por�m, tal como em tanta da comida que consumimos,

o valor raramente � passado para tr�s.

Os agricultores de caf� s� ficam com 1% do valor que pagamos por uma ch�vena.

� uma disparidade que as pessoas no mundo do caf� de especialidade

esperam melhorar.

A conversa que tem acontecido na nossa ind�stria

passa pela partilha dos riscos

para os produtores poderem ter muito mais a dizer e muito mais prote��o.

O caf� revela a sua beleza se for justo.

Temos de recompensar todos os respons�veis pelo caf�.

Isso come�a pelos agricultores serem reconhecidos e vistos.

H� 20 anos, o caf� de especialidade era um nicho.

Hoje, � uma ind�stria de 25 mil milh�es de d�lares,

e espera-se que o valor duplique at� 2030,

o que prova que as pessoas est�o dispostas a pagar por qualidade.

O caf� nunca foi t�o delicioso como � atualmente.

E muito disso depende da infus�o.

Se provassem caf� h� 500 anos,

nas primeiras casas de caf� da Europa e do M�dio Oriente,

provavelmente n�o o reconheceriam.

Fervido, amargo e demasiado extra�do,

a qualidade do caf� n�o era o que importava.

O ritual, a folia, o rebuli�o.

Era isso que mantinha o sucesso do caf�.

S� no s�culo XX

� que a tecnologia do caf� come�ou a reformular a bebida

e os lugares onde as pessoas a bebiam.

Em 1908, uma dona de casa alem� inventou o caf� filtrado,

um m�todo ainda usado atualmente para um sabor mais leve e delicado.

� o meu favorito, na verdade.

Apenas alguns anos antes,

dois engenheiros italianos tinham criado um sistema de alta press�o

para filtrar �gua quente atrav�s de gr�os finamente mo�dos,

para uma ch�vena mais r�pida e forte,

proporcionando-nos a d�diva do expresso.

As bebidas e as t�cnicas foram surgindo.

Latte, capuchino, AeroPress, frap�, instant�neo,

gelado, com espuma, agitado, prensado, infundido, ado�ado.

Um tipo de caf� para cada esta��o, cada estado de esp�rito e cada pessoa.

Uma express�o individual de n�s.

LOS ANGELES CALIF�RNIA

Se beberem caf� todos os dias, j� est�o a causar impacto.

Todos o fazemos sem saber.

� dif�cil consumir um produto vezes suficientes

sem querer saber mais sobre ele.

E a primeira pergunta costuma ser: "De onde vem isto?"

Eu dou valor ao caf�,

prestando homenagem a onde foi produzido e �s pessoas que o cultivaram.

� sua flora, � sua fauna,

ao odor da terra vermelha ap�s cair alguma chuva.

�s colheitas em redor a florir.

�s crian�as a rir, �s mulheres a cantar.

O que podemos aprender com o caf� � que o que consumimos tem import�ncia.

A mudan�a pode ocorrer...

... atrav�s do simples processo de beber algo.

Como bebem o vosso caf�?

Servido lentamente num caf� tranquilo?

Prensado numa c�psula na vossa cozinha?

Ou talvez produzido pelas m�os de um perito?

� essa a beleza do caf�.

N�o h� um m�todo errado.

Mas e se, ocasionalmente, fizermos mais do que beber caf�?

Tentarmos perceber e apreciar, por apenas alguns momentos,

as pessoas, a aptid�o e a colabora��o envolvidas na sua cria��o.

Esse ato t�o simples

pode dar mais significado ao caf�.

Talvez at� o torne...

... um pouco mais milagroso.

Legendas: Lara Kahrel

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