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Original subtitles

Porque as tens em caixas separadas?

Porque vamos trocar estas sementes com outros produtores.

Se s� eu as tiver, que acontece se forem destru�das?

S� poder�o sobreviver se outros a tiverem.

Salv�-las � da nossa responsabilidade.

Estas s�o t�o bonitas.

Como as identificas? S�o todas parecidas.

Tamb�m identifico os meus filhos, certo?

Cuidei delas muitos anos e conhe�o-as.

A nossa comida � o clima.

Cada dentada que damos � uma mistura de luz do sol e sombra.

Uma dan�a de vento e chuva.

O arroz pode ser o nosso melhor exemplo.

Reflete o clima em muta��o do mundo,

encapsulado em cada gr�o que cultivamos e consumimos.

H� mil�nios que � a for�a vital de milhares de milh�es.

Hoje, metade do mundo n�o sobreviveria sem ele.

Mas o arroz � muito mais do que alimento.

Reflete a nossa cultura,

alimenta as nossas tradi��es

e forma uma tela branca amil�cea para algumas das cria��es mais deliciosas.

No centro destes sabores e tradi��es

prospera uma for�a da Natureza �nica.

As mon��es.

A poderosa concentra��o de vento e �gua

que atravessa a �sia todos os ver�es

d� luz � maioria do arroz do mundo.

Com as altera��es clim�ticas a reescrever as regras deste antigo ciclo,

o arroz est� na primeira linha deste momento incerto.

Recorda-nos a fr�gil liga��o

que une a nossa comida aos caprichos da Natureza,

desafiando-nos a todos,

produtores, cozinheiros e consumidores,

a adaptarmo-nos quando confrontados com mar�s de mudan�a.

Poder� o trabalho dos produtores ajudar a reverter a mar�?

Poder�o pessoas individuais assumir uma tarefa t�o imensa?

Poder� o arroz resistir � tempestade que se avizinha?

- Pai? - Sim?

Quando voltas?

Vai ser uma longa viagem.

OMN�VOROS

CAP�TULO 6 ARROZ

COPENHAGA DINAMARCA

Para mim, o arroz deve ser a mem�ria de comida mais forte que tenho.

O arroz com frango da minha tia albanesa, cozinhado num forno de lenha.

Os gr�os a reluzir com a gordura do frango.

O vapor que se espalhava pela sala de jantar.

O doce cheiro de arroz cozinhado.

Foi gra�as a esse prato que me tornei cozinheiro.

No mundo do noma, o arroz � o nosso crit�rio di�rio.

� a �nica constante no caos que � gerir um restaurante.

Todos os dias, �s 11 horas, a tigela de arroz torna-se um ato de comunh�o

entre 90 membros de equipa de todos os cantos do mundo.

- � picante. - Tem de ser.

Cria uma uni�o entre os caminhos agitados de Copenhaga

e os arrozais serenos do Sul da �ndia.

QUERALA �NDIA

Temos cenouras grandes, mas a tua m�e trouxe duas pequenas.

Que disse o teu pai?

Que trouxeste cenouras pequenas.

Porque est�s a desfazer isso?

A Rudhraa acabou a parte dela depressa.

� por isso que est� ali sentada.

MULHER DE JAYAKRISHNAN

PRODUTOR DE ARROZ

Quando comecei a produzir, foi pela nossa sa�de.

O meu filho, Bhagath, teve problemas de sa�de

quando tinha apenas dois anos.

O m�dico disse

que o estado do meu filho iria piorar com a idade.

Eu andava a ler muito sobre comida, naquela altura,

e aprendi sobre o valor nutricional do arroz tradicional.

S� tinha ouvido falar de umas variedades de arroz tradicionais como a Rakthashali.

N�o fazia ideia de como as descobrir ou encontrar.

Depois, um dia, deparei-me com o arroz Rakthashali.

O arroz Rakthashali � muito bonito.

� vermelho e tem muitos benef�cios para a sa�de.

Est� doce que chegue? Que achas?

FILHA DE JAYAKRISHNAN E RESHMA

- Est� doce? - Muito doce.

- O suficiente? - Sim.

Decidi despedir-me e entrar na agricultura org�nica.

Gra�as ao emprego da minha mulher, t�nhamos alguma seguran�a financeira.

Isso deu-me coragem.

Ela � a minha companheira, e tomamos decis�es em conjunto.

Quando entr�mos na agricultura org�nica,

eu sabia que era muito arriscado.

Mas senti alguma aud�cia no meu marido.

Sabia que ele iria insistir at� conseguir.

A nossa mentalidade, a nossa sa�de. Devemos tudo a este arroz.

N�s, indianos, consumimos arroz h� muito tempo.

� das principais fontes de energia.

Se usarmos �gua, vapor e fogo,

o arroz adquire qualquer forma...

... mostrando os seus diversos potenciais escondidos.

Mas o futuro do arroz n�o � est�vel.

E isso preocupa-nos muito.

�ndia vai produzir menos arroz

O pre�o crescente da comida vai aumentar ainda mais gra�as ao arroz.

Da China aos EUA, a produ��o de arroz diminuiu.

Que est� a causar isso?

Mau clima na China, menos produ��o no Paquist�o

e a guerra em curso na Ucr�nia.

A comida � a nova fatalidade desta guerra.

Custa a acreditar que o caminho at� aos nossos pratos

esteja t�o profundamente ligado a eventos distantes.

Uma guerra na Europa

ou uma rutura devastadora de soja no Brasil.

Quem poderia imaginar que o destino de uma refei��o

dependeria dos ventos das mon��es que atravessam a �ndia,

determinando se as fam�lias se alimentam ou enfrentam escassez?

PLANEAMENTO 130 DIAS AT� COLHEITA

A cada ano que passa, a nossa comida torna-se mais dependente

de circunst�ncias distantes fora do nosso controlo.

E esse fardo � suportado pelos produtores.

PARCEIRO DE NEG�CIOS DE JAYAKRISHNAN

Isto � a leste.

Vamos s� plantar arroz negro aqui.

E o arroz Nasar Bath fica aqui.

Vai tornar as margens do campo coloridas.

Se o clima for favor�vel,

estar�o prontos no in�cio do m�s da colheita.

Espero que a Natureza esteja do nosso lado.

Querala costumava ter cerca de seis mil variedades tradicionais de arroz.

Mas, hoje, s� restam

cerca de 200 variedades.

Quando comecei a agricultura org�nica,

as pessoas acharam insensato.

Chamaram-me louco.

Porque a agricultura org�nica � mais trabalhosa do que a qu�mica,

e a produtividade costuma ser inferior � da agricultura feita com qu�micos.

Mas a nossa sociedade j� come�ou a ver a sua import�ncia.

A sobreviv�ncia da Natureza � t�o crucial como a nossa.

H� in�meras hist�rias sobre o arroz em todo o mundo,

mas a �ndia merece um cap�tulo pr�prio.

PUNJAB �NDIA

� aqui, onde o poder das mon��es � especialmente forte,

que come�a 40% do com�rcio global do arroz.

COMISS�RIO DE MERCADO DE ARROZ

Chegam 10 a 15 mil sacos de arroz ao mercado diariamente,

mas, recentemente, a quantidade diminuiu devido ao clima.

Daqui, � enviado para a Europa, Am�rica, M�dio Oriente, Dubai, Ir�o e Iraque.

O nosso arroz vai para todo o mundo.

A procura � muito elevada.

Vamos come�ar.

- Come�a nos 4000. - Dou 4200.

Sim, 4250.

- Dou 4300. - Sim, 4300.

Dou 4500.

Est� nos 4625. Dois... Continuem.

Vendido por 4625! Valor final.

A �ndia � um imp�rio dos exportadores mundiais de arroz.

Um verdadeiro celeiro

que envia milh�es de quilogramas de arroz para todo o mundo, anualmente.

Todos, das pequenas quintas familiares aos gigantes industriais,

t�m de agir segundo a vontade das mon��es,

e chuva a mais ou a menos pode prejudicar tudo,

recordando-nos do equil�brio delicado entre a generosidade da Natureza

e o nosso apetite crescente.

A era conhecida por Revolu��o Verde foi um dos momentos mais cruciais

na hist�ria da agricultura.

Foi uma reconfigura��o radical de como produzimos comida.

Antes deste per�odo,

a agricultura implicava conhecimentos transmitidos ao longo de mil�nios.

DISTRIBUIDOR AUTORIZADO

Mas, nos anos 60, com a �ndia e o mundo a passarem por uma crise alimentar,

os cientistas criaram uma s�rie de novos instrumentos,

desde sementes h�bridas de alto rendimento a poderosos pesticidas,

que alteraram muito depressa o passado de dez mil anos da produ��o do arroz.

Em apenas alguns anos,

os produtores passaram a colher o dobro da quantidade nos arrozais.

Segundo estimativas, centenas de milh�es de pessoas foram salvas de passar fome.

Foi uma vit�ria clara para a humanidade,

mas teve consequ�ncias negativas.

�REA PERIGOSA

O grande arsenal de sementes de alto rendimento

e a mistura de qu�micos t�m um custo.

A perda de biodiversidade, o desaparecimento de len��is de �gua,

a polui��o de rios e do solo.

Um aumento de cancro e outros problemas de sa�de.

Ludibri�mos a Natureza e arranj�mos forma de sustentar a popula��o em crescimento?

Ou cri�mos, a longo prazo, mais problemas dos que os que resolvemos

para as futuras gera��es?

Recebemos mais pedidos das sementes de arroz.

Anda muita gente a pedir.

Recebemos um pedido hoje.

Vamos pedir uma balan�a na loja.

Tenho muitos amigos interessados na agricultura,

mas gostei muito do esp�rito empreendedor do Jayakrishnan.

Trabalhamos juntos h� cinco anos.

A nossa �nsia partilhada por conhecimento

quanto a sementes tradicionais mant�m-nos unidos.

Cada semente abre um mundo de curiosidade.

SEMEA��O 120 DIAS AT� COLHEITA

Vejam a semente de arroz Kuruva, que semeamos como cultura veranil.

Se houver possibilidade de seca, a semente floresce 10 a 15 dias mais cedo.

A partir da�, um produtor pode prever se haver� uma seca.

Uma semente tradicional cria uma rede de comunica��o incr�vel.

Uma liga��o do solo � planta e da planta ao produtor.

As sementes tradicionais lidam melhor com altera��es clim�ticas.

T�m uma capacidade maravilhosa de se adaptar.

Mesmo que seja esse o caso, o arroz enfrenta uma grande crise

quando surgem problemas meteorol�gicos inesperados.

As mon��es s�o um paradoxo da Natureza.

� algo que oferece vida e que tem o poder de nutrir...

... e de devastar.

� impulsionada por uma mudan�a dram�tica nos ventos em que os c�us explodem...

... libertando o que chove em meses em apenas algumas semanas...

... e transformando terras �ridas em campos vibrantes.

Milh�es de litros de �gua d�o vida a colheitas e reabastecem rios,

moldando as tradi��es e os destinos de todo um continente.

Por�m, o poder das mon��es nem sempre � misericordioso.

As suas torrentes violentas podem causar inunda��es.

Na sua aus�ncia, a terra estala, ressequida,

afetando quem conta com o equil�brio inconstante da Natureza para sobreviver.

E as oscila��es entre muito e pouco n�o t�m um fim � vista.

Est� nublado. Talvez chova em breve.

TRANSPLANTA��O 105 DIAS AT� COLHEITA

Depois da semea��o, s�o 10 a 15 dias para as ra�zes germinarem

e a muda poder ser replantada.

Na produ��o do arroz, tudo gira � volta de �gua.

Os pr�prios arrozais s�o reservat�rios de �gua.

A �gua tem de ser abastecida e drenada no momento certo.

O que mais receamos � chuva inesperada,

o que tem sido um grande problema.

P�e toda a colheita em risco.

As condi��es meteorol�gicas atuais

est�o a tornar irrelevante o calend�rio da produ��o.

H� mil�nios que os ritmos da �sia rural s�o definidos pelo calend�rio do arroz.

Na primavera, as sementes s�o semeadas em canteiros preparados.

No in�cio do ver�o,

os pequenos caules s�o transplantados para grandes arrozais irrigados,

onde passar�o mais de 100 dias a transformar-se em plantas do arroz.

Durante esse tempo, os produtores alagam os arrozais

para combater doen�as e ervas daninhas.

Um processo inalterado h� milhares de anos.

Fazer o que JK e Leneesh fazem � enfrentar um teste de resist�ncia.

� uma prova de aptid�o e trabalho �rduo e f� profunda nos elementos.

Tudo por um ingrediente da qual dependem tantas culturas.

Nunca conheci ningu�m que n�o gostasse de arroz.

E j� conheci todo o tipo de comensais desde que estou no noma.

Mas arroz?

Deem arroz a uma crian�a, basta uma colher, e ela ir� adorar.

BALI INDON�SIA

Na minha terra, no norte frio da Dinamarca,

onde p�o de centeio e pat� de f�gado s�o produtos principais,

a omnipresen�a do arroz em outras partes do mundo

� inimagin�vel para muitos.

Mas � algo do quotidiano,

devorado da primeira luz da madrugada � �ltima hora da noite.

E praticamente em todos os momentos do dia.

O gr�o de arroz transformou-se em in�meras cria��es.

Milhares de sabores surgem de um �nico gr�o.

Por todo o mundo, o arroz � rei.

S�o 17 horas num mercado noturno em Bali.

Os vendedores de comida produzem banquetes com arroz.

Uma senhora acende um wok

e junta-lhe arroz, carne e legumes.

Em Espanha, os cozinheiros fazem paelha.

Na Coreia, o arroz � tostado para fazer bibimbap.

Arroz jollof fofo � partilhado � mesa de jantar numa casa nigeriana.

Os pratos de arroz podem ter nomes ou misturas de ingredientes diferentes,

mas, de algum modo, s�o almas g�meas em todas as cozinhas,

unidos por este simples gr�o transformado em algo delicioso.

Num mundo de diferen�as,

podemos todos concordar que n�o h� desacordos quanto ao arroz.

� universalmente apreciado.

Uma l�ngua partilhada de sabor delicioso.

Uma recorda��o de prazeres simples.

E do poder da comida, que tem a capacidade de nos unir.

PUNJAB �NDIA

Quando comecei a produzir arroz org�nico,

a �nica variedade tradicional que conhecia era o arroz Navara.

Sementes como as do arroz Navara existem h� s�culos.

Talvez seja por isso que essas sementes compreendem melhor

as mudan�as clim�ticas.

S�o mais resilientes.

Com este conhecimento,

andamos a recolher sementes tradicionais por toda a �ndia.

As altera��es clim�ticas aceleraram a velocidade da minha busca

por sementes tradicionais.

Percebi que os produtores que t�m sementes hoje

podem n�o as ter amanh�.

Jayakrishnan, vieste de muito longe.

Quantas variedades de arroz tens?

Tenho mais de 200 variedades de arroz...

... comigo.

Esta � a nossa variedade tradicional.

Experimenta cultiv�-la na tua zona e v� como corre.

Quem sabe? Talvez um dia estas variedades sejam dominantes nos nossos arrozais.

As variedades tradicionais podem ser a �nica esperan�a.

- Obrigado. - Muito obrigado.

Obrigado.

Eu e o Jayakrishnan come��mos a produzir para cuidar dos nossos filhos,

mas, quando ele come�ou a viajar, eu fiquei preocupada e um pouco magoada.

N�o gostei muito da ideia de ele andar a viajar.

Mas s� recentemente comecei a perceber

que havia necessidade de conservar estas variedades.

N�o chega algumas pessoas as terem.

Elas t�m de ser partilhadas.

KARNATAKA �NDIA

Que v�o produzir nesta esta��o na tua zona?

Vamos focar-nos em arroz negro e Rakthashali.

Certo.

Aqui, chove muito.

Foi por isso que desenvolvemos uma variedade chamada SH.

Cr�-se que os seres humanos

sejam a esp�cie mais inteligente.

Muitas vezes, senti o oposto, porque a nossa gan�ncia � insaci�vel.

S� valorizamos as d�divas abundantes da Natureza quando as perdemos.

UM DIA AT� COLHEITA

Mais uma tempestade cicl�nica no estado indiano de Odisha.

� a segunda que o pa�s enfrenta no espa�o de algumas semanas.

O ciclone Yaas enfraqueceu para uma tempestade cicl�nica grave

ap�s atingir a costa de Odisha e a vizinha Bengala Ocidental,

com ventos a ultrapassarem os 130 quil�metros por hora.

O Yaas, que tinha sido classificado como muito severo...

O clima parece estar bastante mau.

Formou-se um ciclone.

�amos come�ar a colheita amanh�,

mas parece que vai continuar a chover a semana toda.

Precisamos de trabalhadores.

Espero que n�o se importem de trabalhar � chuva.

Se n�o fizermos a colheita a tempo, o arrozal fica arruinado.

Diz-se que, quando aquela montanha tem neblina,

� garantido que vai chover.

V� a montanha.

Est� toda tapada.

Tentem imaginar

que cada �poca de plantio � uma aposta que os produtores fazem no futuro.

� um risco elevado para todos n�s, mas sobretudo para quem nos alimenta.

Esperamos pelo melhor,

mas ningu�m sabe o que o clima nos reserva.

Uma tempestade demasiado forte, uma geada demasiado precoce

ou uma praga de doen�as demasiado faminta.

Tudo isto pode drasticamente alterar o alimento dispon�vel.

As for�as da Natureza, sobretudo as mon��es imprevis�veis,

permanecem indomadas pelos humanos.

N�o h� muito tempo, o fracasso das colheitas

tornou-se um acr�scimo indesejado ao nosso vocabul�rio.

Agora, � um panorama constante nas nossas conversas sobre o clima.

E a previs�o � de que os desastres com colheitas sejam o novo normal.

Poder� o impens�vel acontecer?

Poderemos um dia ficar sem arroz?

No cerne desta quest�o encontram-se diferentes intervenientes,

� procura de respostas que produzir�o um futuro pr�spero para o gr�o.

Todas as possibilidades est�o em cima da mesa.

Arroz produzido no oceano.

Arroz produzido no deserto.

Arroz produzido na escurid�o.

O Instituto Internacional de Investiga��o do Arroz est� no centro deste movimento.

� uma for�a central na inova��o do arroz desde a Revolu��o Verde.

In�meros outros juntaram-se ao combate,

todos � procura da solu��o m�gica.

Mas haver� uma?

Por quanto tempo poderemos continuar a refinar sementes?

E ser� a resposta continuar a diminuir a diversidade?

Seria demasiado esperar o oposto?

Uma explos�o de diversidade,

em que cada gr�o de arroz � adequado ao seu lugar e ao seu povo.

� a� que surgem produtores como JK.

� o trabalho que est�o a desenvolver.

Apesar das diferentes abordagens,

todos concordam que algo tem de ser feito.

O c�u limpo traz esperan�a e alegria,

mas a preocupa��o n�o desapareceu.

Pela nossa experi�ncia, sabemos que o desastre � iminente.

A decis�o de colher de imediato e de salvar o m�ximo poss�vel

adv�m de muitas li��es dolorosas.

Esperamos que as colheitas deste ano se consigam salvar,

mas o c�u limpo n�o significa que esteja tudo bem.

Espera-se que chova mais a qualquer momento.

Normalmente, ap�s a colheita,

deixamos os molhos a secar no arrozal antes da debulha,

mas isso agora n�o � poss�vel.

Os molhos precisam de ser debulhados

o mais depressa poss�vel.

Estou a fazer tudo para manter a produ��o.

Mas por quanto tempo?

Por cada semente semeada no campo

h� preocupa��o at� ela brotar.

Muitos produtores sofreram preju�zos devido �s altera��es clim�ticas.

Para n�s, este arroz ser� suficiente.

Apesar dos esfor�os de milh�es de produtores por toda a �ndia,

a colheita deste ano n�o foi suficiente.

Em 2023, foi implementada uma proibi��o de exporta��o tempor�ria.

�ndia pro�be exporta��o de arroz

O motivo principal da proibi��o

foi o receio do El Ni�o e do clima incerto futuro.

Altera��es clim�ticas devastaram reservas

� outra recorda��o do poder dos elementos que moldam a forma como nos alimentamos

e das formas surpreendentes de como a comida nos une a todos.

Comemos? Ruthu, pega no guisado.

- Ele quer salada com o sambar. - O qu�?

Junta o sambar. Toma.

Ambu, p�e aqui papad.

- Papad para o Ambu. - Sim.

Papad.

- Dou ao Ambu? - Sim.

H� algum tempo que temos uma boa vida.

� uma b�n��o da Natureza.

As altera��es clim�ticas podem destruir isso.

Vou ver se a m�e se saiu bem.

A m�e ou outra pessoa?

Se estiver bom, fui eu que fiz.

Mas as altera��es clim�ticas

t�m fortalecido a nossa rela��o com o arroz.

� um pouco picante.

Sim, �gua.

Digamos que um dos nossos filhos adoecia amanh�

ou sofria alguma trag�dia.

N�s abra��-lo-�amos e far�amos tudo para o proteger.

A produ��o de arroz faz parte da nossa identidade

e, para a preservarmos,

temos de valorizar muito o arroz e fazer tudo para o proteger.

Pai?

Porque gostas tanto de arroz?

V�s esta semente?

Os nossos antepassados diziam:

"N�o comam as sementes nem quando a pobreza estiver no auge."

Temos de guardar estas sementes para os nossos netos.

Legendas: Lara Kahrel

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