All language subtitles for The 25th Hour - 25. Saat (1967)

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Original subtitles

A 25ª Hora (1967)

Re-tradução e Re-sincronia: Walter Santos

15 DE MARÇO DE 1939, EM ALGUM LUGAR DA ROMÊNIA

Deixem-me passar!

Não podem começar sem mim. Sou o padrinho!

Deixe-me passar, por favor!

Deixe-me passar. Sou o padrinho!

Sou o padrinho!

Pai nosso que estais no céu...

Ghitza, está atrasado!

-Por que se atrasou? -Depois eu digo.

-Dê-me o bebê! -Assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia...

-Perdoa nossas ofensas... -Suzanna!

Desculpe o atraso, Suzana!

Quieto, Ghitza! Está fazendo muito barulho.

Assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.

E não nos deixais cair em tentação.

Mas livrai-nos do mal.

Amém.

Me dê a criança!

Do que esta criança precisa?

Perguntei "Do que esta criança precisa?

-Fé, esperança e batismo. -O quê?

Fé, esperança e batismo.

Fé, esperança e batismo.

-Suzanna. -O quê?

Vamos!

Música adorável.

Deixa os bebês felizes.

E as vacas dão mais leite.

Johann, deixe-me explicar sobre esta manhã.

Explicar o quê?

Bem, sabe o quanto estou feliz por ser o padrinho.

Só se tem um padrinho.

-Perdeu metade da cerimônia. -Estou tentando dizer algo.

-Me dê um copo. -Johann, quero dizer uma coisa.

O quê?

Ontem, George Damian, me deu um emprego no seu barco.

-Como foguista. -Ótimo.

Bem, em 27 dias, estarei em Nova Iorque.

-América? -Sim.

Eu sei, não parece certo.

Um padrinho deixar o país no dia seguinte ao batismo...

Mas não vou ficar lá por muito tempo.

Vou ganhar muito dinheiro.

Eu voltarei pra Fontana.

E vou comprar um bom pedaço de terra.

-Ei, Johann! -O quê?

Não está com raiva de mim, não é?

Por que estaria com raiva? Meu filho terá um padrinho rico.

Me dê um copo.

Qual é o nome do seu navio?

Por que está perguntando?

Porque esta noite, sei que vou sonhar com isso.

E quero ter certeza do nome.

-É o Danou. -Danou.

Ao Danou!

Sabe, uma vez eu quase fui pra América?

-É mesmo? -Gastei tudo que tinha.

Uma passagem pra São Francisco.

Naquela noite, me despedi dos meus pais,

fiz as malas...

Bem, por que você não foi?

Não consegui fazer uma mulher parar de chorar.

Então eu casei com ela.

-Mas quer saber? -O quê?

Eu estou feliz.

Viu?

Suzanna.

Olá, Senhor Trajan.

Que prazer revê-lo.

-E uma honra para nosso filho. -Não perderia uma ocasião desta.

-Isso é para Anton, com amor. -Isso é para os pais dele.

-Obrigado. -Por favor, por favor, entre!

Padre, seu filho está aqui!

-Olá, filha! -Oh!

-Trajan! -Pai!

Minha querida!

-Isso é pra você, mamãe. -O que é isso?

-Onde está o famoso bebê? -Lá dentro. Dominhoco como o pai.

-Eu? Quando eu durmo? -Você dorme a qualquer hora.

Eu?

Ele acordou!

Johann, desligue, por favor.

Só um momento, Johann!

Por quê, Padre? Quem é ele?

Adolf Hitler.

Que voz!

Acordaria um cavalo morto!

Do que ele está falando?

Os Alemães invadiram a Tchecoslováquia.

-Isto é bom pra Fontana? -Não, não é bom pra ninguém.

-Nós nunca iremos pará-lo. -Temos que detê-lo. Todos nós.

-Mas como? -Por favor, Nora.

Está escrevendo um novo romance?

-Não. -Por que não?

Não acho que seja momento pra romances.

Sempre há tempo para tudo o que o homem tem que fazer.

-Está nas Escrituras. -Exatamente.

Está por vir uma grande tempestade, pai.

É hora de relatar antes que assole a todos nós.

Eu, você e Johann Moritz.

Mas estamos tão interessados! Qual seria o título do livro?

O título vem no final, mãe.

Você é tão brilhante, meu filho.

Mas o dia tem apenas 24 horas. Não as desperdice!

Elas já foram desperdiçadas.

Esta é a 25ª hora!

Me pergunto quem de nós vai sobreviver.

Olá, Suzanna!

Seu marido ainda não terminou a construção da casa?

Meu marido termina tudo que começa, Dobresco.

Como pode ver.

-E onde está seu belo garanhão? -No moinho de farinha.

Moendo, é claro.

Está com inveja?

Não tenho inveja de um camponês.

Posso ter a mulher que quiser.

Menos a mim.

Olhe, Suzanna, quando você era a mais bela garota de Fontana,

e eu o oficial mais bonito, demos muitas risadas juntos.

E por que não?

Você sempre foi divertido, Dobresco.

Você é a mãe mais bonita

e eu sou um capitão da polícia.

Por que não abre o portão? O que tem a perder?

Deixe-me pensar, agora.

Prefiro fazer mais uns tijolos.

Ora, vamos, Suzanna,

não seja má comigo.

Talvez um dia precise de mim.

Quando esse dia chegar, Dobresco, estarei morta.

E agora saia!

Se Johann te pegar, tentando seus truques comigo,

ele vai rachar a sua cabeça.

Ah! Deixe ele tentar!

Ainda sou o homem mais forte da aldeia.

Diga-me Suzana, se Johann não voltasse,

abriria o portão?

Abrir o portão? Pra você?

Não fiz isto antes. Por que faria agora?

Você é uma mulher casada agora.

Não tem mais medo de nada, como podemos ver.

Saia, Dobresco, isso já não está mais divertido.

Responda-me e eu irei. Apenas diga sim ou não.

Se não estivesse esperando ele voltar, abriria o portão?

Se ele ficasse fora por alguns meses, digamos?

Por que Johann ficaria fora por alguns meses?

Não sei, mas imagine que sim. O que faria?

Espere a hora chegar, Dobresco, e tente a sua sorte.

Quem sabe? Talvez esteja desesperada.

Sim, de fato! Talvez fique muito desesperada.

Adeus, Suzanna querida.

Vá para o inferno, Dobresco querido.

Suzanna!

Suzanna!

Por que o portão está trancado?

Trancado? Como isso pôde acontecer.

Você parece cansado.

É um trabalho duro no moinho.

Por que chegou tão tarde?

Estava no correio. Chegou um cartão postal.

Da América.

É do Ghitza.

Já está em Nova Iorque?

Olhe pra isso!

Olhe só pra isso!

"Cidade de Nova Iorque".

Se não fosse por mim, você estaria lá.

Talvez, mas o que eu faria lá sem você?

Sua chorona...

Vamos, Johann, a sopa vai esfriar.

Quem precisa de sopa?

Você, ou vai se desgastar.

Está esgotado.

Nunca, nunca, nunca.

Johann Moritz, é pra você.

-O que é isso? -Uma intimação.

-Deixe-me ver. -Mais tarde.

Vamos comer!

Será outro dia quente.

Os tijolos vão rachar.

Cubra-os. Todos.

E os mantenha bem úmidos.

Vou perder toda a manhã só por causa deste papel idiota.

Johann, deixe eu me vestir que vou com você.

Acha que hoje é domingo? Tem trabalho a fazer.

Esta tarde, vamos fazer tijolos.

Marcou! O que está fazendo?

-Volte! -Segure ele!

O que está acontecendo?

Vim ver o sargento Dobresco.

Só um momento.

-Você espere aqui. -Marcou, o que está havendo?

Sargento, Johann Moritz está aqui.

Deixe ele esperar.

"Estou expedindo ao seu comando, Marcou Goldenberg, advogado, 30

"e Johann Moritz, camponês, 44 anos.

"De acordo com os últimos regulamentos da lei

"de proteção da nação contra judeus e indesejáveis.

"Atendendo à requisição, são enviados aos campos de trabalho

"todos os judeus mencionados e os indesejáveis residentes no distrito.

"Assinado, Sargento Nicolai Dobresco,

"Capitão do Distrito de Fontana."

Sargento.

Moritz não é judeu, sargento.

E daí?

Nem um indesejável, sargento.

O Padre Koruga gosta muito dele.

Eu sou a lei aqui! Não o Padre Koruga.

E, pra mim, Johann Moritz é um indesejável.

Executem a ordem, rápido!

Espere! Espere!

Preciso ver Dobresco!

Olhe!

Está cometendo um erro.

Eu vim ver Dobresco!

Está cometendo um erro.

Marcou, Marcou, o que eu estou fazendo aqui?

O que EU estou fazendo aqui?

Bem, com você é diferente.

Por quê? Porque eu sou judeu?

Marcou, é uma injustiça com você, eu concordo.

Mas comigo foi um engano, um engano estúpido.

Não vejo a diferença.

Marcou, por favor! Diga-lhes que não sou judeu.

Olhe, Johann, estamos vivendo num mundo

onde qualquer um pode tornar-se judeu a qualquer momento.

Atenção todos vocês!

Formem colunas e sigam em frente!

Marcou, Mar...

Olá, Suzanna. Como está hoje?

Johann ainda está no moinho?

Ele não está aqui, Nicolai.

Vai me deixar entrar agora?

O portão está aberto, Nicolai.

Pare, Suzanna. O que está fazendo?

-Está louca! -Onde está o meu Johann?

Johann voltará assim que concluir o trabalho.

-Fique longe de mim! -Oh, Suzanna.

Pare com isso. Me escute. Pare com isso, minha querida.

Por que devemos lutar?

Sua polícia suja o levou embora.

O que eu tenho com isso? Apenas executo ordens.

Seu porco estúpido!

Vagabunda!

Eu sou a lei aqui.

Não fique me tentando, Suzanna.

Sou um homem, você sabe.

Um homem? Você?

Seu ladrão imundo!

Porco bêbado, fedorento!

Sou um representante do Governo Romeno.

Me ofendendo, está insultando o Rei da Romênia.

Um dia destes, você vai se ajoelhar

e me implorar por perdão. Me implorar!

E vou esmagar você assim. Desse jeito!

Calma! Parem!

Atenção!

De pé!

Vocês chegaram ao seu destino.

Meu nome é Capitão Apostol Constantin.

E eu sou o seu comandante.

No local em que estão de pé agora,

o Rei ordenou que seja cavado um canal.

Servirá como barreira contra o nosso inimigo,

os russos, caso eles ataquem o nosso país.

O canal se estenderá daqui até o rio Topolitsa.

E agora quero que ouçam com atenção:

Vocês irão cavar este canal com alegria em seus corações.

Sabendo que seu trabalho está servindo a uma causa nobre.

Em primeiro lugar, porque é a defesa do seu país.

Em segundo lugar porque vocês todos são judeus.

Por fim, terão alguma utilidade para alguém.

Mas eu não sou judeu.

Agora eu queria dar um pequeno conselho:

Para cada um de vocês será dada

uma certa cota de terra a ser cavada todos os dias.

E qualquer homem que não cumprir a sua cota,

será acusado de sabotagem

e levado à corte marcial como inimigo da pátria.

Já falei o suficiente!

Agora devem descarregar os caminhões.

A obra começará amanhã de manhã.

Senhor! Oficial! Não sou judeu.

-Não está envergonhado? -O que ele disse?

-Eu... -Disse que é um engano.

Um engano? O Rei não comete enganos.

Desculpe, mas desta vez cometeu.

Vocês judeus sempre reclamam.

Comecem a descarregar os caminhões.

Senhor, com quem eu falo sobre esse erro estúpido?

Qualquer pessoa, com uma queixa legítima,

poderá vir me ver no meu escritório.

Onde é o seu escritório?

Ainda não foi construído, idiota.

E não apareça antes disso!

Tudo bem.

-Senhor. -Senhor.

-Meu rapaz. -O quê?

Que tipo de comportamento é esse?

Não está entre seu próprio povo?

O que há para esconder?

Olhe, não estou escondendo nada.

-Se sente bem? -Estou bem.

Ei!

Escute, meu rapaz,

antes que eles te peguem, corra, se esconda, negue.

Diga qualquer coisa pra fugir. Você tem direitos.

Mas quando for pego, o que resta senão a coragem?

O que a coragem tem a ver com o fato de eu não ser judeu?

Um judeu que nega seu povo, se afasta deles.

Não estou negando nada.

Se eu fosse judeu, eu diria.

-Com orgulho. -Assim é melhor.

Mas eu não sou judeu.

Por favor, isso já está começando a me chatear.

Eu sou Cristão.

-Ele é Cristão. -Batizado.

Uma gota d'água não pode fazer de um judeu um cristão.

Com licença, senhor.

O escritório do ministro, por favor?

No fim do corredor vire à esquerda.

O que é? O que você quer?

Sua... Excelência...

Senhor, eu vim vê-lo.

Entre. Entre.

Sente-se, cara senhora.

O que posso fazer pela senhora?

É sobre o meu marido, senhor.

O prefeito de nossa vila e o comissário me disseram

que só o senhor pode trazê-lo de volta.

Exatamente qual é o problema, cara senhora?

Bem, foi só um erro bobo com o ministério da guerra.

Não quero dizer que cometem erros,

mas alguém não sabe que eu preciso dele.

Por favor, me ajude.

-Me ajude. -Por favor, cara senhora.

-Qual o nome dele? -Johann Moritz.

Johann Moritz.

De Fontana.

De Fontana.

5 meses atrás, o sargento Dobresco o prendeu por ser judeu.

E eu juro para o senhor, ele não é judeu.

E ele não é judeu.

Veja, aqui está o certificado

assinado pelo Padre Koruga que o batizou.

Por favor, Excelência.

Deixe ele voltar pra casa outra vez.

Temos 2 crianças pequenas.

É mesmo?

E você continua bem. Muito bem.

Obrigada, Excelência.

Então, solte Johann... Qual o nome dele mesmo?

Moritz, excelência. Johann Moritz.

Johann Moritz. Pois lhe digo, Sra. Moritz.

Vou dar ao seu caso toda a minha atenção.

Oh, obrigada. Obrigada, Excelência.

Bom dia, Excelência.

Dimitri, me traga os jornais da manhã, sim?

Agora mesmo, Excelência.

Cara Suzanna,

esta é a 11ª carta que escrevo desde que cheguei aqui

e ainda não tive resposta.

Sei que escrever não é fácil.

Mas por favor, isso é muito perturbador pra mim.

Caso você não tenha recebido minhas outras 10 cartas,

há algumas coisas que devo repetir pra você.

Por 6 meses, estivemos cavando um canal

para conter o exército Russo.

O comandante do campo, é claro, está muito ocupado.

Mas assim que ele puder me ver, vou explicar tudo pra ele.

E ele vai me mandar de volta pra Fontana.

Outra coisa, antes de partir, comprei um pouco de madeira.

Está tudo cortado e pago.

Carvalho é muito bom para o celeiro que quero construir.

Mesmo custando caro.

O Artimi mostrará onde as empilhei na floresta

e ele vai te ajudar a levar pra casa.

A propósito, você terá de consertar o poço também

antes da estação das chuvas ou terá problemas.

Vai acabar desmoronando.

E se você estiver com pouco dinheiro,

Palta me deve 500, pegue com ele.

Voltarei logo pra casa. Não se preocupe.

Beije o Anton e o Petre por mim.

Seu apaixonado marido, Johann.

Sabe onde eu encontrei essa carta?

No lixo.

É a 11ª carta que escrevo pra minha esposa.

O que estava fazendo no lixo?

Por que não pergunta ao comandante?

É na outra porta.

Vá.

Entre.

Vá em frente.

Senhor, é sobre a...

Reclamações só nas segundas-feiras.

Volte ao trabalho.

-Mas, senhor... -Mas o quê?

Hoje é segunda-feira.

Ah, um encrenqueiro, hein?

Não, senhor. Mas eu procuro...

Sabe o que fazemos com encrenqueiros por aqui?

Quer que eu te conte?

Nós os colocamos no lixo.

Eu já estou no lixo.

Senhor...

Agora me ouça, você...

Normalmente mando os encrenqueiros judeus

servir de comida aos porcos.

Mas...

quando me irrito perco o apetite.

Não quero deixar um imbecil como você

estragar o meu maravilhoso ensopado.

Strul, deixe-o cheirar nosso maravilhoso ensopado.

Cheire!

Não.

Daria a sua vida por este ensopado.

Agradeça ao ensopado.

Obrigado, ensopado.

Aproveitando que estou de bom humor, diga,

qual seu problema mesmo?

Mas seja breve.

Senhor, esta é a 11ª carta que escrevo pra minha esposa e eu...

Abrevia isso!

Me mande pra casa. Não sou judeu.

-Você não é judeu? -Não, senhor.

-Você não é judeu? -Não, senhor.

Strul, ele não é judeu.

Strul, traga os meus registros aqui.

Bem,

se não é judeu, o que está fazendo aqui, então?

Bem, senhor, é isso que eu gostaria de saber.

-Como vê... -E você não sabe.

O ministro da guerra diz que você é judeu.

Você diz que ele está errado.

-Mas houve um erro. -Moritz Yankel, dois filhos.

Residência, Vila Fontana.

Nome da esposa, Suzanna.

-Esse é você, não é? -Sim, senhor, sou eu.

Mas meu nome não é Yankel. É Johann.

Juro por todos os santos: Não sou judeu.

Por 5 meses tem estado num acampamento judeu

e só agora me diz, por quê?

Mas toda 2ª feira por 5 meses tenho tentado lhe dizer.

Veja só o que está dizendo.

Yankel Moritz, Johann Moritz ou seja lá quem for.

Não me envolva nisso.

Fiz 25 anos de serviço.

Não vou sujar minha ficha por um tolo como você.

Não sou um tolo.

E eu não estou mentindo.

Tudo bem.

Vamos resolver esse assunto de uma vez por todas.

Saia. E feche a porta.

Tudo bem, o que você é?

Romeno. Ortodoxo.

E você sabe como judeus são batizados?

Bem, eu acho que sim.

-E é Romeno Cristão Ortodoxo? -Sim, senhor.

Não é desses que foram batizados de última hora?

Não, senhor.

Tudo bem, vamos ver se você é um cristão.

Senhor?

Tire suas calças.

Como posso ver se é um Cristão se não tirar as suas calças?

Vamos com isso!

Não fique vermelho como uma colegial!

Acha que eu gosto disso?

Acha que o Rei me colocou no comando da Topolitsa

só para... fazer isso?

Strul?

Este homem é circuncidado?

-Talvez ele seja. -Talvez?

-Como talvez? -Tem razão. Como talvez?

Bem, capitão, é um caso duvidoso.

-Strul! -Ele é ou não é?

Bem, capitão, se um rabino teve algo a ver com isso

ou não, é difícil dizer.

Na minha opinião, é um trabalho não profissional.

Como vê, não é fácil.

Obrigado, Strul.

Bem, eu não quero tomar partido neste assunto.

Escreva uma declaração. Assine.

E eu enviarei aos canais oficiais.

POSTO POLICIAL DE FONTANA

7 de outubro de 1940 EXÉRCITO ALEMÃO INVADE A ROMÊNIA

-Sargento Dobresco. -Major Henkel.

Quer ir até o meu escritório?

Suzanna Moritz.

Precisamos falar com você.

Em nome da lei.

Suzanna Moritz, precisamos vê-la.

Ela é louca. Eu falei.

Suzanna, me ouça. Os alemães estão aqui.

Temos que requisitar todas as casas pertencentes a judeus.

Se não assinar o papel que eu trouxe,

em alguns dias, vai perder a sua casa.

O que há no papel?

Não é nada.

Eu quero ajudá-la, Suzanna.

É só uma pequena formalidade

requerendo o divórcio de Johann.

Seu cão sarnento!

Olhe pra isso!

Apenas olhe pra isso!

Quando a guerra acabar,

eu vou trazer a minha esposa

e os meus filhos

e mostrar a eles o canal que nós construímos.

Ah, eles... Eles vão adorar.

Meu caro Yankel,

trabalhar como escravo não é motivo para se orgulhar.

-Acredite em mim. -Eu não sou escravo.

O que nós somos, então?

Prisioneiros. Isso é tudo.

Ele está certo.

A única maneira de sair daqui

é se você fugir.

Ou nos manterão aqui até cairmos de tanto trabalhar.

Me diga, Yankel.

Você quer fugir?

Por que eu deveria fugir?

Em breve me deixarão ir embora.

-Não se iluda! -Espere e verá.

Yankel Moritz.

Yankel Moritz.

Apresente-se no escritório do comandante.

Cara legal.

Cara forte.

Mas muito ingênuo.

Eu falei, chegou o dia.

-Onde está indo? -O comandante me chamou.

-Vá. -Obrigado, senhor.

Entre.

Ah, Moritz.

Então, continua afirmando que é um Ortodoxo Romeno

e um bom Cristão?

Isso mesmo, senhor.

Mentiroso!

Sua esposa acabou de se divorciar porque você é judeu.

Não acredito em você.

Não acredita em mim?

Leia isto.

Não quero ler.

É verdade?

Leia você mesmo.

Assine aqui pra provar que foi notificado.

Aqui.

Desculpe.

Posso ver essa carta?

Então, o que diz agora?

Bem,

talvez eu seja um judeu.

Talvez meu avô ou meu...

meu tio ou...

alguém.

Se você é judeu ou não,

não vou me meter mais nisso.

Mas ela é uma mulher.

Ela não iria se divorciar de mim por causa disso.

Eu... eu ainda sou o mesmo homem.

Mas você não está lá e um outro homem sim.

Não a Suzanna.

Ela não poderia.

Ah, ela poderia.

E ela fez.

Uma mulher é uma mulher.

Yankel.

Yankel.

O quê?

Strul nos falou dos seus problemas.

É verdade que a sua mulher o deixou?

Isso é assunto meu.

-Coma. -Obrigado.

Sinto muito, Yankel.

Eu sei como se sente.

Sabe, é?

Amanhã à noite poderá se juntar a nós.

Me juntar?

Uma fuga está sendo planejada.

Fuga?

Pra onde eu iria?

Não tenho mais casa.

Primeiro, pra bem longe daqui.

Quem sabe a América.

América... Sempre América.

-Está conosco? -Se não está, bico calado!

Há guardas por toda parte.

Ouça, Yankel,

um caminhão nos pegará na entrada principal.

O resto você vai descobrir.

Então?

Tudo bem.

Ótimo. Então amanhã à noite.

Idiota. Todo o meu futuro está nessa mala.

É o comandante.

Claro que é o comandante.

Pelo que estamos pagando, não é de admirar.

Ei, eu não posso pagar.

Eu pago pra você, daí você me ajuda. Entre logo!

Pra você, Yankel.

Obrigado. Mas pra onde estamos indo?

Para a Hungria. Budapeste.

A vida não é tão difícil para os judeus por lá.

O ministro irá vê-los agora.

Sente-se, Padre.

O ministro me pediu para recebê-lo em seu nome.

E para lhe dizer isso:

Nosso país está agora em estado de guerra.

E não podemos tolerar interferências do sacerdócio

em casos sob a nossa jurisdição.

Os sacerdotes devem cuidar

das necessidades espirituais de seus fiéis.

A justiça também é espiritual, meu filho.

Por mais de um ano, bati em todas as portas.

A polícia, o exército, a milícia...

Não me surpreende a falta de respostas.

Esses assuntos são classificados como "Ultra secretos".

Mas já faz um ano e meio

que meu marido foi enviado a um acampamento judeu.

E ele nem é judeu.

Minha senhora, se divorciou de seu marido por ele ser judeu.

Tenho o seu requerimento aqui.

Foi assinado sob coerção.

Não adicione outra injustiça neste caso, eu imploro.

Olhe, Padre.

Este homem é judeu e nós temos provas.

Moritz acabou de fugir de um campo do governo

com um grupo de judeus.

Isso é o mesmo que uma confissão.

Por respeito à sua idade e posição,

o ministro decidiu que seu comportamento

não será considerado traição.

Diga ao ministro

que vou orar por todos aqueles

a quem Deus deu um pouco de poder.

Que Deus os ensine a usá-lo.

BUDAPESTE 20 de novembro de 1940

Yankel.

Doutor, estou com sede.

Posso comprar algo pra beber?

Tenho algum dinheiro romeno.

-Acredita nisso? -Quem poderia acreditar?

Pelo amor de Deus, estão mandando romenos

para campos de concentração neste país.

Continue andando.

-Julius. -Isaac.

Maravilha.

Julius.

Rosa...

Minha querida irmã.

Por 4 dias e 4 noites estivemos na estrada.

Foi terrível.

Terrível.

Mas ficamos juntos e aqui estamos.

Quero que conheçam meus caros amigos.

Aaron Strul.

Por favor, sente-se.

Israel Hurtig.

E Yankel Moritz. Yankel.

Entre, por favor. Conheça minha família.

Olá.

Me desculpe.

Sente-se, meu amigo, sente-se.

Estávamos recém começando o jantar.

Vamos brindar à 1ª refeição como homens livres.

Oh, Yankel.

Yankel, por favor, sente-se.

Sim, sente-se, sente-se.

Obrigado.

Mas, por favor, poderia...

Poderia comer na cozinha?

Como você quiser.

-Juliska? -Sim, madame.

Atenda o Yankel.

A cozinha fica à esquerda.

Ele é um sujeito simples.

Entre.

Com licença.

-De fato, a senhora... -Sente-se.

Estou com sede.

De onde você é?

Eu venho da...

Você é húngara?

Sim. Por quê?

É verdade que os húngaros

e os Romenos são inimigos?

Pergunte ao governo.

Eles que decidem essas coisas.

Eu sou Romeno.

Então?

Juliska,

sirva o frango.

Como são os Romenos?

Como qualquer outra pessoa.

Eles têm esposas,

casas,

filhos.

Às vezes eles perdem isso...

Como qualquer outra pessoa.

Estamos longe da beira-mar?

Da beira-mar?

Você quer dizer do rio?

Não, do porto.

Do mar.

Mas não tem mar na Hungria.

Não tem mar?

Como chegamos à América?

Que horas são?

2h30.

Da tarde.

O quê?

Você está dormindo há 17 horas.

Por que você não...

Por que não me acordou?

Oh, você estava tão cansado.

Obrigado, de novo.

Espero um dia voltarmos a nos encontrar.

É um prazer ajudar.

Eu já percebi isso.

Espero voltar a vê-los de novo.

Seja feliz!

Feliz jornada.

Boa sorte, Strul.

Boa sorte.

Eles...

Eles partiram.

Yankel.

Entre, Yankel.

Entre.

Sente-se.

Yankel...

tenho assuntos importantes para discutir com você.

Sim.

Esta manhã eu fui no Comitê do Estado Judeu de Budapeste.

Eles verificam os papéis para a América, e eles

-Eles... -Você os pegou?

Yankel, o seu caso

é muito, muito difícil.

O que eles disseram?

Eu implorei a eles.

Eles não podem fazer nada.

Simplesmente não podem.

O Comitê do Estado Judeu pode apenas cuidar de judeus.

E Yankel,

você simplesmente não é judeu.

Não, não sou judeu.

Mas eu fui judeu por um ano e meio.

Por que não posso ser judeu agora?

Ah, aquilo era diferente.

Para o governo, você era judeu.

Mas para os judeus, não era.

Sei.

Eu entendo.

Doutor, obrigado...

Obrigado por tentar, de qualquer forma.

Eu tentei, Yankel.

Tentei de todas as maneiras.

Mas...

milhares de judeus estão sendo assassinados

mortos, massacrados.

Por isso o Comitê só pode ajudar seu próprio povo.

Claro, claro.

Talvez exista um comitê para...

Para Cristãos.

Talvez.

Mas eu não tenho o endereço deles.

Obrigado.

Yankel, espere um minuto.

Olhe, Yankel,

não tenho muito dinheiro, mas quero que pegue isso.

Oh, não, doutor, por favor.

-Pegue. -Não, eu... eu...

Pegue e venda.

Vai precisar de dinheiro depois que eu partir.

BUDAPESTE - ZURIQUE

Vou sentir sua falta, Yankel.

A Suíça é muito longe?

Para um homem caçado,

nenhum lugar é longe o bastante.

Você é um homem livre, Yankel.

Livre.

Boa sorte, Yankel.

Boa sorte.

Boa sorte.

Ei.

Documentos?

-Eu já dei o... -Carteira de identidade.

-Não tenho carteira. -Prendam ele!

Senhor...

Senhor, eu só vim...

Só vim me despedir...

Por favor, por favor deixe...

só hoje...

Onde conseguiu isso?

Eu já disse.

Alguém me deu.

É ouro Russo.

Eu...

Eu não sei.

Por que foi enviado para a Hungria

com ouro Russo?

-Não fui enviado. -Levante-se!

Declara aqui que foi levado à fronteira

por um Capitão Romeno e não sabe o seu nome?

Não, senhor.

Quero dizer...

Quero dizer, era...

Está mentindo!

Foi o major Tanase Yvonne do serviço secreto Romeno.

Sabemos que ele opera nesse setor.

Sabemos que envia agentes à Hungria todos os meses.

Por que ele o enviou? Qual a sua missão?

Ah, senhor, eu não tenho missão.

Olhe aqui...

não percebe o quanto é estúpida essa sua história?

Hein?

Tudo bem, me ouça.

Diz que ficou num campo de trabalho para judeus

por 17 meses.

Está certo.

É mentira. Tem que ser.

Você é Romeno, não um judeu!

Está certo, eu não sou judeu.

Finalmente admitiu alguma coisa.

Vou colocá-lo na lista

de voluntários Húngaros

para a Alemanha.

É uma bela viagem de trem.

Por que está tão feliz? Gostou de ser vendido?

Só estou aproveitando a jornada.

De onde você é?

Sou Romeno.

Exatamente.

E você, amigo?

Tchecoslováquia

-E você? -Polonês, de Varsóvia.

E você?

Sou Grego. Nem deveria estar aqui.

Algum Húngaro aqui?

-Não. -Não.

Viram só? Nós os substituímos.

Entendeu agora?

Ainda digo que é melhor do que andar.

Todo mundo pra fora!

Todo mundo pra fora!

Sigam os soldados.

Sigam os soldados.

Vocês irão colher flores agora.

E vão colocar essas flores

nas janelas assim que retornarem ao trem.

Certo?

Agora, comecem a colher.

VIDA LONGA À ALEMANHA! VIDA LONGA À HUNGRIA!

Todo mundo de volta para o trem!

Mexam-se. Rápido!

OS TRABALHADORES HÚNGAROS SAÚDAM SEUS IRMÃOS ALEMÃES

2 ANOS DEPOIS NA ALEMANHA

DEZEMBRO DE 1942 CAMPO DE TRABALHO DE OREMBURG

Olhe pra eles!

São políticos.

Tratam eles pior do que a nós.

Pobres bastardos!

-Sr. Trajan! -Cale a boca!

Sr. Trajan! Johann Moritz de Fontana!

Cale a boca! Está louco?

Mas ele é um velho amigo.

Quer ser levado para um campo de concentração?

Por que ele está preso?

-Ele é um escritor. -Porque ele escreve a verdade.

Janos.

Janos!

Continuo esquecendo que meu nome é Janos.

Hoje à noite eu vou fugir.

Você quer vir?

Já fugi uma vez e veja onde isso me trouxe!

Entre 2 é muito mais fácil.

Iremos para a França.

-Outro país? -Sim.

Basta de outros países.

Não quer lutar? É inimigo dos alemães ou não?

Quieto aí, Moritz.

Não falem durante o horário de trabalho!

Sabe muito bem disso, seu húngaro burro!

Não gosto de Húngaros.

São todos iguais. Péssimos trabalhadores.

Só sabem falar de mulheres.

Quem estava nesta máquina antes de você,

também era húngaro.

Sabe o que aconteceu com ele?

Pegou 10 anos por sabotagem.

Eu sou Romeno.

Romeno, húngaro, qual a diferença?

Vocês estrangeiros me deixam doente.

Imprestável, verme. Olhe pra você!

Um verdadeiro bastardo da Mongólia.

Quem é este homem?

Só mais um imundo mongol, Coronel.

Fique em pé!

Abra a boca!

Abra mais!

Sargento!

Você é um imbecil. Este homem não é húngaro.

-Sim, senhor. -Está certo.

Por favor, feche a boca.

Venha comigo.

Atenção!

Cavalheiros, verão agora

uma interessante demonstração.

Vi esse homem 5 minutos atrás.

Eu nunca o vi antes, correto?

Correto, senhor.

-Já conversamos antes? -Não, senhor.

Mesmo assim,

posso dar detalhes importantes de sua biografia

e seu histórico familiar dos últimos 400 anos.

Minhas observações se baseiam em pesquisas científicas.

O Nacional Socialismo,

está pelo menos 100 anos à frente

no pensamento racial.

Tire a camisa.

Sente-se, então.

Tire a camisa.

Agora,

julgando pela formação do crânio desse homem,

pelo seu modelo de estrutura frontal

dos ossos nasais,

pelo seu tipo esquelético,

especialmente o tórax

e clavículas,

o que eu posso deduzir?

Chamo sua atenção, cavalheiros,

para o número 13-C em seu gráfico.

Um Grupo Germânico minoritário,

vindo do Vale do Reno,

Luxemburgo, Transilvânia e Austrália.

Existem mais de 30 sub-categorias neste grupo,

encontrados na China e nos Estados Unidos.

Não temos estatísticas disponíveis,

já que só foram descobertas poucos meses antes da guerra.

No trabalho que estou preparando sob as ordens do Dr. Rosenberg,

tenho chamado esse grupo de "A Família Heroica".

Tem no máximo 800 membros

de raça Germânica absolutamente pura.

seus ancestrais migraram do sudoeste da Alemanha

entre os anos 1500 e 1600.

E este homem, cavalheiros,

este homem pertence à Família Heroica.

Com licença, senhor. Você conhece minha família?

Melhor do que pode imaginar, meu rapaz.

Ah, é?

Você pode se vestir.

Obrigado.

Agora, eu pergunto, cavalheiros.

Qual foi a causa histórica

que fez os homens dessa "Família", por um período de

300 a 400 anos atrás, reproduzirem-se exclusivamente

com mulheres da sua própria raça?

Quando ao seu redor existiam outras mulheres,

muitas delas, sem dúvida,

mais atraentes.

Bem, cavalheiros, o que temos aqui

é o instinto de purificação racial.

Foi a urgência biológica de purificação do sangue

que impediu que essas pessoas

tivessem uma perniciosa mescla de raças.

E aqui está o resultado.

Senhores, levantem-se.

Olhem.

O cabelo, forte, mas sedoso.

-Sente-se. -Obrigado.

Ainda mais sedoso que nos principais grupos germânicos.

Especialistas podem identificá-lo em questão de segundos.

A raiz, da mesma forma.

Testa, olhos, nariz, queixo.

Exatamente como nas Gravuras do século XVI.

E agora, cavalheiros,

concluindo a minha demonstração,

direi a vocês

exatamente de onde vem este homem.

Escutem com atenção.

Você veio da Renânia?

-Não, senhor, eu... -Correto.

-Transilvânia! -Transilvânia, isso mesmo!

E sua casa é

-em Timisoara? -Não.

-Berghof? -Não, senhor.

-Região de Szekler? -Isso mesmo, senhor.

Fontana.

Mas, coronel...

-O que é, Capitão Von Horst? -Este homem é escuro.

Seu cabelo, sua pele, seus olhos...

Tudo escuro.

Esqueceu que os antepassados arianos

emergiram da escuridão mística da Índia?

Nem todos são loiros como Siegfried ou Sieglindor,

capitão Von Horst.

Mais alguma pergunta?

Ótimo.

Capitão Von Horst?

Quero fotografias desse homem com o uniforme da SS.

Envie as fotos ao Dr. Goebbels

e ao Dr. Rosenberg. E uma para cada jornal

e revista na Europa.

-Sim, coronel. -Cavalheiros,

vocês podem saudar.

Não, não a mim, a ele.

Um raro espécime, que deve ser preservado.

Johann Moritz,

o 1º espécime do primeiro zoológico humano na história!

E eu tenho a honra de ser seu fundador.

Joseph?

Joseph?

Joseph?

Ei.

Quem é?

Sou eu. Não me reconhece?

Johann Moritz.

Janos.

Janos?

Onde conseguiu essa fantasia?

Oh, aquele oficial, foi ele que me deu.

Ele disse que conhecia minha família.

O que está fazendo aqui?

Eles me pegaram de novo, os bastardos.

Mas tudo bem.

Não vai demorar muito agora. Estão perdendo a guerra.

Estão fugindo de Stalingrado.

Voltem para o alojamento! Acelerado!

Um, dois, um, dois, um, dois, um, dois!

Vou trazer comida e cigarros amanhã.

Um, dois, um, dois.

-Um, dois, um, dois. -Um, dois, um, dois.

Joseph?

Sempre esqueço, não sou mais prisioneiro.

Olhe!

- 20 DE ABRIL DE 1944 - EXÉRCITO RUSSO INVADE A ROMÊNIA

Sargento Dobresco! Lembra-se de mim?

Oh, Marcou Goldenberg. Estou feliz em vê-lo outra vez.

Eu também. Vamos lá.

Juro que tudo que fiz foi seguindo ordens.

-Decidiremos depois. -Eu só fiz...

Cale a boca! E marche!

Padre, o que está acontecendo?

Vamos entrar.

Padre, quer uma xícara de café?

Não, obrigado.

É o Johann.

Ele está vivo!

Olhe, Petre.

Anton!

Anton, olhe, esse é...

É seu papai.

Papai! Oh!

Minha criança...

ele está vestindo o uniforme da SS.

Ele se juntou aos alemães.

Mas ele está vivo, Padre.

E eu estou muito feliz.

Como eu gostaria que você tivesse notícias de Trajan.

Trajan...

Talvez ele esteja com os alemães também.

Talvez ele e Johann estejam...

Trajan nunca se juntaria ao inimigo.

Mas Johann não tem inimigos.

Ele nunca teve.

Ele tem agora, minha cara.

Você e as crianças devem sair daqui imediatamente.

Pegue só o que precisar. Depressa, eu imploro.

Sim, Padre.

Gostaria de escondê-la na minha casa,

mas é muito perigoso.

A 1ª coisa que os partidários estão fazendo

é prender padres e colaboradores.

O que você vai fazer, Padre? Vai fugir?

Minha única paróquia é aqui.

Johann.

-Boas notícias. -O quê?

Ouvimos ontem à noite,

os Americanos estão a 25 Km daqui.

Não falem! Continue andando!

Todo mundo pra fora! Protejam-se.

Que bombardeio!

-Os Americanos. -Não, são os Britânicos.

-Falei que são os Americanos. -Britânicos!

-O que acha, Johann? -Não faz diferença pra mim.

Estou aqui embaixo.

Quando acabar, temos que sair correndo.

Está sempre fugindo.

-Não gosta do seu guarda? -Gosto muito.

Por isso queremos que venha conosco.

Por que eu deveria? Eu estou bem.

Não estará quando os aliados chegarem aqui.

-Quem são eles? -Britânicos, Russos, Franceses.

Nenhum gostará de você. Nem os Americanos.

Americanos?

Toda a minha vida tentei ir pra América.

Quem vai acreditar em você com esse uniforme?

Todo mundo dentro do caminhão!

Dentro do caminhão!

Dentro do caminhão!

Entrem no caminhão!

Eu disse, entrem no caminhão!

Afastem-se!

-Afastem-se! -Não.

Entrem todos!

Rápido, antes que achem os corpos.

Entre agora! Entre! Eu dirijo.

Éramos prisioneiros e fugimos.

Graças a ele.

Ele roubou o uniforme. Nos pegou nas linhas alemãs.

Maravilhoso. Tenente!

Tenente, leve estes homens e lhes dê roupas novas, Ok?

E cuide bem deles.

Agora, você vem comigo, por favor?

Tudo bem. Você fique aqui com eles.

QUARTEL GENERAL DA 3ª BRIGADA 24ª DIVISÃO DE INFANTARIA

Depois você vem.

OREMBURG - CAMPO 3

Voltamos para os alemães.

Olha, talvez o mesmo campo, mas mudou de dono.

Atenção todos os prisioneiros.

O Coronel Greenfield é o seu oficial comandante.

Bem-vindos ao acampamento.

Queremos informá-los que todos serão tratados

de acordo com a Convenção de Genebra.

A nossa equipe fará o possível

para tornar a sua estada aqui tranquila e confortável.

Distúrbios não serão tolerados.

Repito, distúrbios não serão tolerados.

Serão organizados em grupos de 100.

Fiquem em frente aos alojamentos aguardando ordens.

Não foi autorizado entrar no alojamento.

Foi informado para ficar em frente aguardando ordens.

Sr. Trajan!

Johann.

-Como você chegou aqui? -Eu sou Romeno.

A Romênia se aliou ao inimigo. Isso me torna um inimigo.

Agora podem entrar no alojamento.

Venha!

19 MESES DEPOIS SETEMBRO DE 1946

Talvez eles tenham esquecido de nós.

Escrevi 64 petições para o comandante do acampamento.

Uma para cada semana que estive aqui.

Se não me responderem, entregarei a 65ª pessoalmente.

Correio!

-Kasut Nicholas. -Sim.

-Holderline Edwick. -Sim.

-Emrady Yanus. -Sim.

-Debesco. -Sim.

-Keller Hoot. -Sim.

Johann Moritz.

Apresente-se ao escritório do comandante do campo.

Depressa, talvez algo vá acontecer.

-Koruga Trajan. -Oh.

Nome?

Johann Moritz.

Senhor, por 19 meses...

Você soletra Moritz com Z ou TZ?

Aí depende, senhor. Na Romênia, com Z,

Na Alemanha, com TZ.

Isso é tudo.

-Obrigado. -Não, senhor.

Veja, eu quero explicar

que houve um engano...

Ouça, imbecil. O capitão disse que é tudo. O próximo!

Isso é tudo, então?

Queria me ver pra isso?

-Nome? -Rudolph Mann.

Um N ou dois?

Dois Ns.

Dois Ns.

O que eles queriam?

Eles queriam saber como se soletra o meu nome.

De Fontana.

Sabem que você está aqui?

A Cruz Vermelha enviou.

Como está sua família?

Meu pai está na prisão.

Eles fecharam a igreja.

Minha mãe está morta.

Sua esposa?

Nora era judia.

Johann...

Suzanna está viva.

Seus filhos também.

Eles deixaram Fontana.

Pra onde eles foram?

Ninguém sabe.

Sr. Trajan?

Sr. Trajan?

Você não dormiu?

-Faria algo por mim? -É claro.

Cuide dos meus óculos!

Mas não pode ver sem eles.

Não quero ver mais nada. Já vi o suficiente.

Sr. Trajan...

Sr. Trajan,

sempre haverá algo bom para se olhar.

Eu olhei para o céu,

para o mar, para as montanhas,

para os homens,

para alguns santos, mas

há tantos homens loucos...

Li milhares de livros e escrevi talvez

milhões de palavras. Já é o suficiente.

Mas e esse livro que ia escrever?

Lembra? O único em que todos nós íamos entrar.

O último presente da minha mãe pra mim.

-Um título: "A 25ª Hora". -É isso.

Vai escrever o livro?

Johann,

a 25ª Hora, é a última hora de todas.

Vou sair pra caminhar.

Espere, espere, vou com você.

Não, não.

Tenho que ficar sozinho por um tempo.

PARE. NÃO ULTRAPASSE. PROIBIDO CRUZAR A LINHA BRANCA

Pare! Pare ou eu atiro!

Pare! Vou atirar pra matar!

Pare!

Pare!

Vamos!

Em frente.

Eu falei que não queria distúrbios.

Quem diabos é o responsável por isso?

Um dos rapazes Poloneses. Estão todos meio nervosos.

Coloque-o na casa da guarda.

Senhor,

ele tinha isso nas mãos.

Endereçada ao senhor.

65ª e Última Petição Coronel Greenfield

CAMPO OREMBURG

Bem, esse homem escreveu 64 petições.

Por que não me falaram sobre isso?

Bem, coronel, temos 3.000 prisioneiros neste campo.

E cada semana, temos 3.000 petições.

"A Família Heroica" pelo Coronel Müller.

Condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade.

"A Supremacia Da Raça Ariana"

Um artigo do Dr. Rosenberg, condenado à morte.

"Superioridade da Raça", um estudo do Dr. Otto von Bach.

Diretor de Campos de Extermínio, condenado à morte.

"Tempo, Caminhando para a Vitória",

"A Folha Ilustrada",

"Berlin, Cidade Ilustrada",

E finalmente, "Signal".

São ao todo...

3.728 publicações.

Descrevendo este homem como o arquétipo do Super Homem.

Suas características serviram como um modelo

para estimular na juventude Germânica

sentimentos de superioridade racial, arrogância

e crueldade para com as outras pessoas.

Digamos que ele foi o principal modelo

do mais sinistro e maligno advento da história moderna:

O Culto Racial Nazista.

Para escapar do destino de um campo de concentração nazista,

pessoas inocentes tinham que ter o tipo de sangue dele.

Mesma forma da cabeça, do nariz,

estrutura óssea...

Milhões morreram,

só porque não se pareciam com ele.

A defesa, sem dúvida, tentará minimizar o papel

do acusado nesses eventos.

Posso dizer-lhes, sem dúvida,

que os principais responsáveis já foram punidos.

Que Ribanchop, Rosenberg, Kaito, Yodel e Sauko

já passaram por este mesmo tribunal sendo condenados à morte.

Sim, vocês condenaram com justiça à morte

os autores desta tragédia atroz.

Agora peço que condenem também aqueles que a protagonizaram.

Somente quando todos os criminosos pagarem sua dívida,

a humanidade será capaz de curar as suas feridas,

para esquecer e começar a viver de novo.

Silêncio no tribunal!

A Defesa tem a palavra.

Excelência, com a sua permissão,

eu gostaria de fazer ao réu apenas uma pergunta.

-Johann Moritz. -Sim, senhor.

Por favor, ao banco das testemunhas.

Sim, senhor.

Obrigado.

Moritz, você sabe porque está aqui hoje neste tribunal?

Sr, há 8 anos estou em vários lugares sem saber por quê.

Excelência, Johann Moritz resumiu a sua situação

de forma simples, mas completa.

Por 8 anos não soube por que estava em qualquer lugar.

Por isso hoje não vou pedir a absolvição de Johann Moritz.

Tudo o que peço é clemência.

E faço esse pedido não em meu próprio nome,

nem em nome de uma justiça

que é o direito, o simples direito

até dos homens mais simples. Não.

Eu peço...

Peço em nome de Suzanna Moritz, esposa do réu.

Sente-se, Moritz.

Peço à Corte permissão de ler uma carta que Suzanna Moritz

recentemente enviou ao marido.

-Figurará como Prova A. -Nunca recebi uma carta. Nunca.

Foi interceptada quando você estava preso aqui.

Eu me oponho à leitura pública desta carta.

Por respeito aos nossos aliados soviéticos.

Quero saber o que está na minha carta!

Senhor, por favor, leia a minha carta.

Quieto!

Objeção negada.

Sente-se, Moritz.

A defesa pode prosseguir.

"Caro, Johann,

"se passaram 8 anos desde que nos vimos pela última vez.

"Graças ao Monsieur Pableci da Cruz Vermelha Suíça,

"eu descobri onde você estava.

"Tanta coisa aconteceu desde que a polícia

"levou você para longe de Fontana.

"Todos os dias esperava que você voltasse.

"Eu fazia pão fresco todas as manhãs.

"Deixava a porta aberta esperando escutar os seus passos.

"Mas você nunca veio.

"Um dia, a polícia me fez assinar um papel, me divorciando de você.

"Assinei para manter a nossa casa.

"Mas eu nunca me divorciei de você no meu coração.

"Depois que saímos de Fontana, andamos um longo caminho

"e fiquei doente.

"Cuidaram de mim numa pequena vila alemã,

"mas uma noite, alguns soldados russos vieram.

"Nós trancamos a porta, mas eles arrombaram.

"Levaram a mim e a filha do senhorio com eles.

"Nos fizeram beber vodka.

"Então rasgaram as nossas roupas.

"Eu desmaiei.

"Fico envergonhada por escrever isso, caro Johann,

"mas não quero esconder nada de você.

"Eu não me matei por causa das crianças.

"Mas desde então, me sinto como se estivesse morta.

"Como resultado daquele tempo terrível,

"eu tive outro filho.

"Ele está agora com 2 anos de idade.

"Vou entender se você nunca mais quiser me ver.

"Mas por favor,

"por favor, me responda.

Suzanna."

Excelência,

esta mulher está esperando.

Seu veredicto será a resposta que ela espera.

Eu não acredito que a paz

deste mundo será muito mais afetada

se este tribunal decidir reunir outra vez

um homem e uma mulher que já sofreram tanto

com uma guerra que teve muitos criminosos,

mas que também teve inocentes.

NOVEMBRO DE 1949 EM ALGUM LUGAR DA ALEMANHA

Olá, Suzanna.

Bem, você...

Você não mudou nada.

Você também não mudou.

Vão, beijem o seu pai. Vamos!

Oh, Suzanna, são homens agora.

E homens não se beijam.

-Não é? -Não, senhor.

Anton!

Ei...

qual seu nome?

Marcou.

Marcou?

-O trem já chegou? -Acabou de sair.

-Johann Moritz? -Sim, senhor.

Faço uma série de artigos sobre os réus de Nuremberg.

Vejo que encontrou sua família outra vez.

Bem...

Posso perguntar quais são seus planos?

"Planos"?

Não temos planos.

Bem, se importa se eu fizer algumas fotos?

Fique ao lado do seu marido, senhora.

Vamos, garotos. Um fica do outro lado.

Você fica aqui.

Isso mesmo.

Johann,

segure o bebê em seus braços, Ok?

Muito bem, ficou ótimo. Agora, sorriam!

Certo, aproxime-se mais do seu marido, senhora.

Coloque o braço sobre ela, Johann.

Agora, Johann, sorria.

Sorria!

Um grande e feliz sorriso.

Agora, a última.

Sorria!

Continue sorrindo.

Continue sorrindo.

Continue sorrindo.

Vamos, pode fazer melhor do que isso.

Um grande e feliz sorriso.

Re-tradução e Re-sincronia: Walter Santos

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