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Estavam a ver?
Estávamos a jogar a um jogo.
Eu digo: "Sou o porco."
- Vocês dizem… - Não toquem no ovo dele!
- Sim. - Não toquem no ovo dele.
Mais alto, camponeses.
- Com mais energia. - Mais alto.
- É divertido quando se percebe. - Sim.
Joguem bem e fiquem dentro dos limites.
Não, vá lá. Toma.
Arriguccio, acho que devia ser o porco.
- Sim! - Sim.
- Não. É uma oferta amável, mas eu… - Vá lá.
Arriguccio, hora do porco!
Arrigooch, vais adorar isto!
É a tua cara.
Pega no ovo. Agora, vai!
- O porco. - Não toquem no ovo!
- O ovo dele! - Não toquem no ovo!
Arriguccio, está a fazer mal. Eu mostro.
Tem de roncar. E tem de nos perseguir.
Vão ficar com o meu ovinho porque eu sou o porco!
Não lhe toquem no ovo!
Não me vai apanhar!
Ovo! Vão ficar com o meu ovinho!
- Não me vai apanhar! - Vão apanhar o ovo!
- Eu sou o porco! - Não lhe toquem no ovo!
- Eu sou o porco! - Não lhe toquem no ovo!
Está aí alguém?
São os mercenários!
- Pega na espada. - Soldados, preparem-se.
A dádiva da villa vem com um teste, mas podemos ganhar.
Sim.
Estes mercenários acreditam que esta villa está fortificada e segura.
Estamos fortificados. Estamos seguros.
- Sim. - Somos um bando de idiotas.
No topo desta colina, temos um portão de confiança,
paredes íngremes, com água e comida em abundância
e por aí adiante.
Acredito que podemos aguentar durante…
… cinco anos.
- Cinco anos! - Sim!
Com canibalismo limitado, seis.
Vão caçar presas mais fáceis muito antes disso.
- Meu Deus. - Homens, peguem nas vossas armas.
Signor Tindaro, a minha lança é decorativa.
Tem bom aspeto.
Meu Deus. É a Licisca.
Deixem-na entrar.
Toma.
Viu os mercenários? Quantos são?
Au!
Viu a Pampinea?
Licisca, espera!
Licisca, para.
- Licisca. - Afasta-te, por favor.
Aonde vais?
Pela porta das putas, se queres saber.
Já estão no portão.
Sim, mas o Tindaro diz para os esperarmos.
O génio militar?
Ele está errado. Mas boa sorte para ti.
Está bem.
Sou terrível. Mas…
Estou a melhorar, não estou?
E sou tua irmã.
Está bem, eu sei que não significava nada,
mas agora significa. Só…
Dá-me uma oportunidade.
Tive, em toda a minha vida,
dois dias longe de ti.
O dia em que te empurrei de uma ponte, e, no dia seguinte, quando cheguei aqui.
Os rapazes gostavam de mim e fiz o que queria,
e todos me trataram como um ser humano.
E lá estás tu, à porta, arrastando-me de volta à servidão.
Não te devia ter empurrado da ponte.
Devia ter-te cortado a cabeça.
Não, mas espera.
Viver aqui contigo mudou-me.
A Misia mudou-me…
Mesmo que tenhas mudado,
mesmo que a tua paixoneta pela Misia…
Não é uma paixoneta.
Amo-a.
Gostava de te ver amar alguém além de ti mesma.
Santo Deus. Não, não, não.
A Licisca diz que estão nos portões.
- Isto é um problema. - Não.
Esse portão existe há mais de 200 anos. Temos muito tempo para ferver o óleo.
Passaram o portão!
- Sirisco! - Não!
Ali!
Ali.
Meu Deus!
Devem ser uns 30. E são altos.
Muito bem!
Optamos por posições secundárias e óleo frio!
Óleo frio!
Tome.
Não sabia que era tão poderosa.
Obrigada.
Olhem para nós. É como sonhei.
Truz, truz, amigos!
- Não. - Meu Deus.
Não. Mas que porra?
Amigos?
Eu estava a divertir-me tanto!
- Acalma-te, Misia. - Amigos!
Tenho boas notícias.
Fiz um acordo com este cavalheiro e os seus camaradas.
Ele é bastante razoável apesar do aspeto bruto.
Podem entrar sob a bandeira de tréguas!
- Não! O quê? - Porquê?
Larguem as armas e esperem em silêncio…
Mas que porra?
… enquanto baixamos as nossas ferozes defesas.
Parece-me bem!
Baixem todos as defesas.
- Baixem as defesas. - Não, ela vai matar-me.
- Baixem as vossas defesas! - Largue isso!
Ponham no chão! No chão!
- Já está no chão. - No chão!
- Feliz? - Ela vai…
Merda.
Foda-se.
Muito bem, preparem-se. Calandrino, à porta.
Porque és tão forte?
Força, querido Calandrino.
Até que enfim.
Sirisco.
Tindaro.
Todos.
Olá!
Este é o general dos Discípulos da Ordem.
Chama-se Eric,
o que tem muita piada.
Ele é da Gália.
Seja como for, encontrei-o por acaso e pensei:
"Posso ajudar os meus amigos."
Tudo o que precisamos, literalmente, tudo o que pedem
é o meu dote.
Diz-nos onde o escondeu?
Certo. Sinceramente,
quando fui expulsa, tinha o meu dote comigo.
O quê? Como?
Não é importante.
A questão é que a Licisca mo tirou.
Se ela o entregar agora, vamos ficar todos bem.
Veem? O dinheiro resolve tudo.
Licisca?
Como está o seu olho?
- Meu amor. - Não encontro o Jacopo.
O quê?
Ele fica bem. É forte.
- Desculpa, esse vestido é meu? - Agora é meu.
- Ela está fantástica. - Obrigada.
- É uma fénix. - Está bem.
Lindo, não é?
Está bem.
Diga-lhes que têm de me perdoar
e deixar-me a villa.
Eric, obrigada.
Diga apenas que a villa agora é minha e podemos despedir-nos.
Pensava que a Villa Santa tinha muitos defensores.
Pensava que eram fortes.
Vou terminar o nosso acordo e reivindicar esta villa.
Os meus homens juntarão as riquezas que estragaram as vossas almas,
e depois matam-vos a todos.
Pronto, Eric. Eric!
- Não foi isso que combinámos. - Não, não foi.
Libertar o inferno!
Arriguccio! Não!
- Não! - Jacopo!
A villa é minha, não sua!
- Jacopo, para trás! - Espera.
- Afasta-te. És o meu melhor amigo. - Anda.
Não devia ter isso!
Enfrentai-me!
Enfrentai o olhar da Medusa!
Não!
Não!
Esta couraça é capaz de ser uma falsificação.
- Calandrino! - Céus!
Segure no meu vinho.
Vai morrer!
Meu Deus.
O quê? Não há aplausos?
- Foi fantástico. - Sim!
Foi fantástico.
Conseguimos.
- Sim! - Sim.
- Foi fantástico. - Obrigado.
Viva!
Estou morto?
Tem de admitir que eu…
Dei o meu melhor para ajudar, não foi?
Ainda estou viva?
Deste-lhe o dote, não foi?
Não foi?
O que querias? Deixá-la morrer à fome?
É o dote dela.
Pensei que compreenderias enquanto rica.
Ela obrigou-te a matar alguém.
Vocês ouviram-na. Ela fez um acordo para nos salvar a vida.
- É inteligente. - Ela deu-te a volta.
Nunca deixarás de a amar, pois não?
A Licisca odeia-me.
Devias odiar a Pampinea. Porque não odeias a Pampinea?
Passaste cerca de um mês como criada e achas que estás tão mudada.
Mas não.
Só vês um lado de uma pessoa de cada vez.
Sem história.
O amor tem mais do que uma dimensão.
O amor tem garras compridas.
Mas acho que não compreenderias nada sobre isso, pois não?
Chega de mulheres a falar. Temos de falar com o inimigo.
- Não. - O que resta deles.
- Cale-se. - Não.
- Pare. - Pronto para a batalha.
Cale-se.
É incrível. É um soldado.
- Cale-se. - Estou pronto para mais.
Depois devíamos fazer amor.
- Pode parar? - Agora já toda a gente sabe.
Esqueci-me do trompete.
Atenção, mercenários!
Por favor, ouçam!
Estão todos a agir por ganância e malícia,
mas tenho boas notícias.
Podem largar esse fardo hoje!
Não é necessário lutarem.
Somos todos iguais neste belo planeta.
O Eric está morto!
Esfaqueei-o!
E terão o mesmo tratamento se ficarem!
Esfaqueado. Esfaqueado.
Esfaqueado.
- Esfaqueado. - Mercenários!
Eu, Tindaro,
compro os vossos serviços com isto.
A primeira tarefa é obedecer a todas as ordens
da legítima dona desta villa, a Stratilia!
Ela será a vossa rainha!
Stratilia, venha cá e deixe-os ver a sua beleza.
Vejam a beleza dela.
Vão-se embora.
- Já disse para se irem embora! - Vão-se embora!
- Não nos podem derrotar. - Sim!
Matem-nos!
Vão pensar nisso.
Está bem?
Estou.
Sinto-me ótimo, obrigado.
Creio que a lâmina cortou o meu pulmão. Espero estar bem de manhã.
Tenho dois pulmões.
Porque se ri? Qual é o seu problema?
Eu não…
Vá lá!
Mais!
Vamos, canalhas!
O aríete…
Vamos entrar!
… uma ferramenta de guerra infame.
Ou talvez tenham um gigante.
- Quase lá! - Os nossos esforços foram em vão.
Amigos,
muitos líderes militares na história tiveram a honra de dar esta mensagem
que vos vou dar.
- Vitória. - Conseguimos.
- Está quase. - Vamos todos morrer.
Não.
Recordo que as orações raramente são eficazes
e, muitas vezes, enfurecem o destino
que trabalhou arduamente para arranjar mortes interessantes para as pessoas.
A retirada é a única opção.
Escondemo-nos lá em baixo. Enquanto saqueiam as nossas riquezas,
e aproveitamos os poucos minutos que restam de vida.
Juntos, fugimos corajosamente.
Um, dois, três!
- Panfilo? - Sim, querida?
- O que está a fazer? - Quero ficar a ver.
- Não tem medo? - Parece-lhe que tenho?
Estou a apaixonar-me por si?
Tenho de parar.
Nunca resultaria. Sou casado.
- Pronto. - Pronto.
Stratilia, por ali.
- Por aqui. - O quê?
Por ali.
Venha.
Rápido!
Licisca ou Filomena?
Meu Deus!
É pequena…
como uma cobra.
Obrigada.
A minha mãe cabia na travessa do Dia da Anunciação.
Que Deus a tenha, Filomena!
O quê?
Desculpe não ter acreditado em si quando me disse que não era criada.
Vejo-o agora, claro.
Na verdade, é bastante óbvio.
Tem uma certa beleza, não tem?
Algo que uma criada… não conseguiria ter.
Como a Misia?
Exatamente!
Podemos ajudar-nos uma à outra. Filomena!
Pare!
Tenho gemas fecais.
Senhoras, parem!
Parem!
Graças a Deus. Quem eu mais precisava.
Podíamos ter ido embora. Tínhamos uma hipótese.
Console-se com isto.
O Jacopo é um rapaz forte,
e podem contratá-lo como criança-soldado, se ele ficar órfão.
Obrigada.
Pensei que aqueles camponeses podiam defender-nos.
- Fui eu que nos desviei. - Não, íamos embora.
Mas voltei atrás para reclamar a villa para o meu filho.
- Que arrogância. - Não foi arrogância, foi justiça.
Justiça. A villa é dele.
Não se pode culpar quando os monstros chegam por acaso para a roubar.
Enfurece-me que pense que cometeu algum erro.
- Falhei com o meu filho. - Não.
Deu-lhe tudo.
E amor acima de tudo.
Ele é abençoado.
Compreendes isso, Jacopo?
És abençoado.
Toma.
Levanta-te. Toma isto. Vá lá, veste isto.
Ajude-o a pô-lo.
Agora és o general. Aqui tens.
Parece ridículo. Tira-o.
Não precisas. Estás bem sem ele.
Sim?
Não é peste, é um ferimento de faca.
É melhor prevenir.
Revistem os quartos. Reúnam tudo o que é valioso.
Matem quem encontrarem.
São pecadores.
Estou tão aliviada por te ver.
Estou tão aliviada que me veja, viscondessa.
- Tinha tanto medo que me odiasses. - Eu nunca faria isso.
Então, a Filomena? Ela…
Ela é bonita.
Sim, é.
Estás quase?
Sim, espero que sim.
Está bem, viscondessa?
Comi algo que me caiu mal.
Vamos. Vamos.
Ele não adorava apenas abelhas, ele respeitava-as.
O Calandrino era maravilhoso.
Estava ansioso que se tornassem amigos.
Iam tirá-lo da concha.
Malditos homens! Meu Deus!
Podem ouvir-nos.
Não quero saber.
Porque vamos descobrir uma forma de os vencer agora.
Vamos pensar em ideias. Ideias.
Pensem. Quem tem ideias?
- Uma ideia seria rendermo-nos. - Não comecemos com isso.
Que escolha temos, amigo?
Todos queremos viver, à nossa maneira peculiar.
É melhor morrer, Arriguccio, do que lhes lamber as botas.
Chega de lamber as botas!
Sirisco, não sobrevivemos tanto tempo por causa do orgulho.
Bem, talvez esteja na hora de dares uma oportunidade ao orgulho, amigo.
Muito bem, quem tem ideias?
Quem tem ideias? Ideias. Vamos lá.
Talvez possamos atraí-los.
Podemos atraí-los para algum lado. Isso é bom. É um ótimo começo. Sim!
Mais. Vamos continuar. Continuem. Sim.
Fingimos estar mortos e depois apunhalamo-los.
Isso! Isso vai dar resultado.
Senta-te. Deixem-me ver as vossas caras mortas.
Façam-se de mortos. Façam-se de mortos. Sim.
Está bem. Não façamos isso. Má ideia.
Estávamos a chegar a algum lado. Fazemos isto juntos!
Podíamos fingir ser monstros.
O quê?
Leva um homem contigo.
O que faz ele?
Sim. Têm medo da peste.
Eu também não gosto.
A Neifile era a minha preferida.
Era divertida.
Ela era muito divertida.
Depois morreu. Já não é tão divertida.
Isso é dor?
Ou a liberdade ou a loucura.
Seja como for, é algo
que sinto profundamente.
Também me sinto bastante livre.
Solta.
Sim. Faz sentido.
Estamos prestes a morrer.
Dá vontade de inclinar o queixo para o soco final.
Quer morrer?
Não quer ser livre?
O que há aqui para si?
Não!
Larguem-me!
Já chega de riquezas.
- Não! - As senhoras?
- Era a Filomena? - Pareceu-me que sim.
O quê? Espera que ela sobreviva?
- Não tinha pensado nisso. - Não comece agora, querida.
Pois.
- O que tens aqui? - É um porco.
- Ajuda-me a descer? - Às suas ordens, padrona.
Embora…
Possa ir embora.
Não há ninguém a guardar a porta.
Quer sair daqui, certo?
Liberte-se dela.
Vá ser uma senhora.
Ou uma pega.
Ou um palhaço de rua.
Ou quem quiser.
No final,
o amor é um fardo.
Vou salvá-la.
Eu compreendo.
Quando é que ele ficou o máximo?
Entrem.
Não vês? Não vale a pena…
Eu sou o porco!
Sim!
Não toquem no meu ovo!
Não lhe toquem! Porquinho.
Onde está o porquinho?
O porquinho?
Um para si. Eu sou o porco!
Não toquem no meu ovo.
O amor é um fardo.
Um para ele e outro para ele.
Ajudem-me!
Socorro!
Ajudem-me!
Socorro!
Licisca, voltaste a salvar-me.
Sim, sua cabra estúpida.
O amor tem garras.
Acho que isto pode ser o fim para mim.
Tindaro?
Sim?
Já passámos por tanto nestes últimos dias.
Não me ama.
O seu amor não depende do meu.
Não sabe nada sobre mim.
- Conheço-a melhor do que a maioria. - Talvez, mas…
Sei que lhe foi dado pouco
e lhe tiraram muita coisa.
É verdade?
Sim.
Só peço…
… que me deixe dar-lhe o que posso,
o que tenho.
Já não é grande coisa,
mas dê-me a honra.
- Este colar era… - Nós aceitamos.
Muito bem.
Jacopo…
Foi bom ser teu amigo.
Embora, bem no fundo do coração,
desejasse que talvez viesses a ver-me como pai.
Farias mesmo isso?
Pensavas em mim como um pai?
Sim.
Sim.
Meu Deus. Pensava mesmo que ia morrer.
Como sabemos quando é o nosso último suspiro?
Já estivemos em apuros piores, minha senhora.
Lembra-se de quando o seu chapéu derrubou o armário do seu pai?
Meu Deus!
- Ficou tão zangado. - Tão zangado.
Tens toda a razão, Misia. Juntas, podemos fazer tudo.
Tudo.
Misia?
A forma como me amas…
Amas-me, faça eu o que fizer.
É o maior presente que já tive.
É muita gentileza, não é?
Nunca te deixarei ir
enquanto for viva.
Fiquei a saber que é a verdade mais verdadeira.
Sim.
Misia.
Eles vêm aí?
Sim.
É isto?
Sim.
Pensei que tinhas dito não partirias sem a Misia.
Ela fez a escolha dela. Não a posso mudar.
Céus, podemos ter uma ideia que possa ajudar? Por favor?
Arriguccio.
Encontraste uma espada. Isso é útil. Isso pode ser útil.
Tinhas razão.
Tentei render-me agora mesmo
a um mercenário no corredor.
E quem diria?
Fui assassinado.
Não, não, não.
Não.
Sirisco, não te culpes.
Embora, obviamente…
Não. Por favor.
Por favor.
Não.
Muito bem. Eis o plano.
Vamos enfiá-la neste barril.
E vou selá-lo e nunca saberão que está ali.
- Está bem? - Está bem.
- Cuidado com os pés. - Está bem.
Entre.
Vou jurar fidelidade aos homens lá em cima.
Sou uma criada nata.
És, sim.
E vou fingir ser a criada deles e não a sua.
E quando tudo estiver calmo, na calada da noite,
vou descer e vou tirá-la daqui.
E vamos fugir juntas.
Misia.
Obrigada.
Obrigada.
E talvez nessa altura tragas comida?
De certeza que vou ficar com fome.
Com certeza, viscondessa.
- Está bem. - Sim.
Está bem.
Misia?
O que faria eu sem ti?
Nunca saberá.
Porque não canta uma canção
para se acalmar e passar o tempo?
A tulipa e a macieira
Estavam em paz no prado
- Quando do arbusto de amoras - Quando do arbusto de amoras
- Voou um pequeno pardal - Voou um pequeno pardal
- A tulipa e a macieira - Tulipa e…
- Estavam em paz no prado - … no prado
Quando do arbusto de amoras
Voou um pequeno pardal
O que farei sem si?
Estavam em paz no prado
Quando do arbusto de amoras
Voou um pequeno pardal
Podem impedir-nos de viver aqui e podem impedir-nos de sair daqui…
… mas não me podem impedir de incendiar este sítio.
Vou incendiar isto tudo.
Quem está comigo?
Ninguém ficará com esta villa.
Só os nossos cadáveres!
Arde!
Arde!
Arde!
Está bem. Vou deixar aqui.
Vamos!
Meu Deus, a adega está a arder.
Isto é uma festa?
A ideia de incendiar isto foi minha!
Não podemos ficar aqui.
Podíamos pegar em armas e lutar até à morte.
Posso liderar-nos na batalha.
Não estou preparada para isso.
Além disso, vocês as duas…
Vamos lutar pelo quê?
Acho que consigo tirar-nos daqui.
Aqui tens. Põe ali.
Vamos buscar mais.
Querida…
Preciso da sua ajuda.
Não consigo morrer sem si.
Então?
- Agora! Agora! - Vamos!
Vamos! Vamos!
Depressa! Vamos! Depressa!
Vamos!
Meu senhor!
Depressa!
Depressa! Depressa!
Peste!
Peste!
Retirar! Peste!
- Peste! - Irmão.
Até à vista, amigo.
Peste!
- Peste! - Peste!
Stratilia!
Jacopo.
- Peste! - Cuida dela.
Peste!
Peste!
Arqueiros!
- Peste! - Arqueiros!
Muito bem.
Jacopo!
Eu salvo-o!
Jacopo! Não!
Matem todos!
Vá lá! Vamos!
Pensava que ia arder.
É feita de pedra.
Imbecil.
Fazes-me lembrar o teu pai.
Meu Deus. Não acredito que sobrevivemos.
Tenho de acreditar ou estaria morto.
Novo capítulo!
Então?
- Pensei em voltar para a vossa aldeia. - Não, vamos procurar outro sítio.
- Devo ir convosco? - Não.
Sim, está bem. Adeus.
Sirisco?
Não fique triste.
É como disse, nós… Sobrevivemos.
Conseguimos.
Sim. Conseguimos.
Conseguimos.
- Conseguimos. - Sim.
- Sim. - Sim.
Está bem.
Já chorámos o suficiente.
Vá, vamos!
Levantem-se.
Levantem-se.
- Levanta-te, minha pomba. - Não.
Levanta-te, minha pomba!
Bem-vindos.
Esta gruta é minha e da Licisca.
O que é nosso é vosso, mas cuidado com a malvada Vitrucchia.
Quem é a Vitrucchia?
Ela é uma bruxa da noite.
Bruxa da noite?
Sim.
Vitrucchia, Vitrucchia O diabo amaldiçoou o teu nome
Vitrucchia, Vitrucchia O diabo amaldiçoou o teu nome
Vitrucchia, Vitrucchia O diabo amaldiçoou o teu nome
Vitrucchia, Vitrucchia O diabo amaldiçoou o teu nome
Vitrucchia, Vitrucchia O diabo amaldiçoou o teu nome
- Não. - Vitrucchia, Vitrucchia
O diabo amaldiçoou
Vitrucchia, Vitrucchia O diabo amaldiçoou o teu nome
- Vitrucchia! - Vitrucchia, Vitrucchia
- O diabo amaldiçoou o teu nome - Vitrucchia!
O diabo amaldiçoou
Vitrucchia!
Achas que ele sobreviveu?
O pai?
Sim.
Espero que não. Ficaria furioso comigo.
Acho que devíamos descobrir.
Sim.
Adoro-te…
… apesar de tudo.
Adoro-te mais,
apesar de nada.
Podem calar-se?
Então, o Giannello montou a Peronella como um garanhão monta uma égua.
Fez o que tinha de ser feito.
Misia!
No final, o Giannello ganhou dois prémios nesse dia.
O abraço amoroso da mulher do canalizador
e uma banheira grátis como sempre sonhou.
- Muito bem. - Bravo.
Muito bem.
Sirisco, é a sua vez.
É difícil de bater.
O Tindaro morreu.
Sim, morreu.
O Panfilo também.
O Panfilo foi muito amável.
É triste morrer.
Sim, é.
Não poderás fazer nada quanto a isso.
A parte da morte ou da tristeza?
As duas.
Podias comer uma laranja.
- Pronto. Querem? - Sim.
- Sim, o que mais tem? - Sobretudo, laranjas.
- Quero uma laranja. - Grande.
- Não. Não tenho fome. - Meu Deus.
Dás-me um pouco de laranja?
Sirisco. Conte-nos uma história feliz.
Feliz?
Achei a da Misia bastante feliz.
Vamos ver…
Uma história de amor?
- Uma história de amor? - Sim.
Sim.
Há algum tempo, os aldeões de Saluzzo
pediram ao seu marquês,
que era um solteirão muito empenhado,
para casar na esperança de gerar um herdeiro.
Ele não gostava muito dessa ideia.
Mas concordou com uma condição.
Que podia escolher a mulher
e que os aldeões respeitariam a sua decisão.
Então, ele vai à aldeia e escolhe a mulher mais bonita,
mas também era a mais pobre.
- Porquê? - Então…
Ainda não lá cheguei.
Desculpe!
Legendas: Helena Cotovio
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