All language subtitles for Decameron2024-107

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Original subtitles

Deixem-me em paz! Não fiz nada de mal!

O quê? Fez tudo mal!

Por aqui!

Isto vai assombrar-me até à campa!

Depressa!

Cerquem-na!

- Ali! - Onde?

Ali!

Muito bem, vai para ali!

Continuem!

Vi-a a esconder-se!

Por aqui!

Aqui!

Não! Vá lá! Não a podemos deixar escapar!

Vá lá, Sirisco.

Misia!

Por aqui!

Jacopo!

Mãe!

- Mãe! - Jacopo!

- Mãe! - Jacopo!

- Mamã! - Estou aqui.

- Mamã. - Estou aqui.

Estou aqui.

Mamã!

Espera.

- Mãe. - Estás bem?

- Estou. - Estás ferido?

- Estás bem? - Não. Estou assustado.

Estás bem? Estás ferida?

Estou queimada e envergonhada.

A minha amizade com o Tindaro trouxe-nos até. O erro é meu.

- Não. - Falhei-te.

Muito bem.

Procurem atrás das portas.

Há muitas portas.

Que belo espaço.

Aquela aranha pode estar em qualquer lado.

- Não, quero dizer, isto é ótimo. - Agradável.

Obrigado.

E a Pampinea está a destruí-lo.

Foi construído por monges benfeitores, e agora está cheio de chapéus dela.

E alguns são exagerados.

A maioria é exagerada!

É a mulher de quem estavas a falar?

Sim. É muito importante que tenham prestado atenção.

Obrigada.

Agora, temos de a encontrar.

Temos de nos livrar dela

e depois podemos partilhar esta villa maravilhosa juntos.

E podemos fazer como os nobres.

Podemos beber vinho e contar histórias de mulheres taradas!

- E monges tarados. - Sim.

Muito bem, por favor, mantenham os olhos abertos.

Mas cuidado.

Cuidado.

Ela vai encantá-los

porque ela é uma mulher bonita.

Vamos!

- Onde? - Por aqui.

Amiga, pensei que tinhas morrido.

Sim, ia morrendo, às mãos daqueles mercenários nojentos.

A Licisca estava a ser uma cabra.

"Onde está a Misia quando precisamos dela?"

É tão estranho que sejas a Filomena.

Não, faz todo o sentido.

Estou tão feliz por te ver.

Tive tantas saudades.

Também tive saudades tuas, seu raminho pendurado.

Obrigada, coto torto.

Temos de encontrar a Pampinea antes deles.

Ela tentou queimar a Stratilia na fogueira.

Podíamos deixá-los encontrá-la.

Não posso deixar que a magoem.

Não podes ou não queres?

Seja como for, diz-me tudo o que perdi.

Stratilia!

Meu rapaz, estás bem.

És um guerreiro no coração, como eu suspeitava.

Stratilia, queria dizer-te uma coisa.

Entendo porque recusaste a minha proposta na fogueira.

Estavas muito ocupada.

Mas ver-te em perigo deixou-me desesperado para assegurar o seu conforto.

Sou um homem rico. Posso proteger-te.

E existe, como sabes,

uma forte ligação erótica entre nós.

Agora, pergunto-te…

… com toda a calma…

Muito bem.

Estás ferida?

A harpia ruiva feriu as tuas pernas? Precisamos de um médico.

Jacopo, manda chamar o Sirisco, que pode enviar um mensageiro,

que pode chamar um médico.

O dinheiro não importa. Neste caso, é interminável.

Cale-se.

- Calo-me? - Nunca se cala.

- Meu amor. - Por favor, cale-se.

Vamos.

Stratilia, onde está o Dioneo?

Morto.

Morto?

Morto.

Meu Deus.

Merda. O que vou fazer?

Não sei. Adeus.

Não, Stratilia, por favor.

Tenho um ferimento muito grave.

Podes ajudar-me?

Posso, mas não o farei.

O quê? Porquê?

Vou levar o meu filho e vamos embora de vez.

- Vamos? - Sim.

- Mas para onde vamos? - Para outro sítio.

Por favor. Sem a tua ajuda, morrerei aqui

e tenho de sair daqui.

Quero partir tanto como tu.

Mãe, sê simpática.

Não, nunca mais ponho os assuntos de um nobre acima dos nossos.

Mas ela não é uma nobre, é uma criada.

Ainda bem que ouviste.

Está bem. Vai para a cabana, faz as malas.

Eu trato dela.

Mas partimos ao nascer do sol.

- Posso brincar com o Tindaro? - Não.

Deite-se na mesa.

Isto vai ser horrível.

Gostava de estar aqui para o ver desmoronar-se.

Gostaste de ver o Ruggiero e os seus lunáticos

receber as justas recompensas?

Sim, gostei.

Espera!

O quê?

O Ruggiero está aí.

O Ruggiero está vivo?

Mas pensei que tinhas dito que morreram todos da peste.

Não.

Não, ele não está vivo ou nem todos morreram?

As duas coisas.

O que se passa?

A Pampinea…

A Pampinea quê?

Ela pediu-me para matar o Ruggiero.

E fizeste-o?

Sim. Mais ou menos.

No geral.

Sim, matei-o mesmo.

Ela obrigou-te a matar?

Ele estava lá, tinha de ser feito.

Não, não tinha de ser feito.

Minha amiga, pareces perturbada.

Tens os olhos turvos.

Vá lá.

Estão como sempre foram.

E eu sou a mesma Misia.

A bordo do Brassy Saint Ia um homem chamado Ivy

E quando ele sorria…

Misia, sei que a amas, mas com o que aconteceu, tens de a deixar.

E eu vou ajudar-te. Ela é má pessoa.

Não deixarei que te mantenhas leal a ela.

Se não cortares a podridão, o que te vai acontecer?

- Eu vou ficar bem. - Não vais.

Vais ser eliminada. Vais ser extinta.

Merda.

Quero acabar com ela.

Sinto que estou a sufocar.

Sinto que estou a sufocar. Ajuda-me, por favor. Ajuda-me.

Quero que sejas livre.

Podes ser livre.

Sinto-me livre quando estou contigo.

Pampinea?

Pamp…

Verifica esta sala. Há um armário no canto.

Pampinea?

Está lá dentro?

- Está. - A sério?

Refere-se a Neifile, a sua mulher. O corpo dela.

- Sim. - Lamento.

Eu menti.

- O quê? - Antes de ela morrer.

Não posso voltar atrás?

Não sei.

Ajuda-me a enterrá-la?

Acho que não consigo sozinho.

Sim. Sim, eu ajudo-o, Panfilo.

Sim.

Assim que encontrar a Pampinea,

e a atirar da janela!

Aquele grito foi para o bem dela.

Eu compreendo.

Podia dizer uma oração.

Ela parecia gostar desse tipo de coisas, certo?

Aqui estão os meus novos amigos.

Sim. Sim, agora vivem aqui, como iguais.

- Estará nas paredes? - Pode estar.

Ela é pequena. Cabe num frasco grande.

Despachem-se. Por favor.

Atenção aos frascos grandes.

Querido Pai Todo-Poderoso…

Eu sei que disse que não tinha a certeza sobre Si…

Mas aceitarei toda a misericórdia que me possa dar.

Qualquer simples migalha.

Não suporto esta dor,

esta raiva, esta culpa.

Ajude-me.

Neifile, ajude-me.

Pouco barulho.

Pronto.

Ainda nem sequer comecei. Respire, querida.

Para que são as penas?

As hastes ficam em cima das farpas na seta,

quando a puxo não rasga tanto.

- Certo. - A parte difícil é encontrar a farpa.

Muito bem, inspire, dois, três…

Onde aprendeste a fazer isto?

Uma vez, o Leonardo alvejou a cadela preferida e decidi salvá-la.

Ele vai odiar o que fizeram a este sítio.

Está morto há semanas.

Tenho de sair daqui.

- Pronto. - Foda-se!

O primeiro é o pior.

O teu filho era giro.

Sim, o meu Jacopo.

O Leonardo era pai dele.

Isso é…

- É surpreendente. - Sim.

Fala mais. Fala-me mais sobre o teu caso com o nobre miserável.

- Meu Deus. - Está bem. Começou bem.

O Leonardo era muito romântico quando lhe apetecia.

Disse que me amava.

Tenho vergonha de admitir quanto tempo durou.

Acreditei até ser óbvio que ele não queria saber.

Depois, tive o Jacopo e tive de ficar.

- Não estavam juntos quando ele morreu? - Há anos.

Eu nem dormia em casa. Mas foi suficientemente generoso.

Ele disse que deixaria ao Jacopo tudo o que era dele.

- A villa pode ser dele. - Agora já não significa nada.

Se significou alguma coisa.

- Pronto. - Porra para esta seta!

- Fale a senhora, está bem? Fale. - Está bem.

Parece que a Filomena é minha irmã

e ela sabia e manteve-me como criada dela.

Então, também é nobre.

Não mais do que o teu filho.

Passei a vida a esfregar o chão do meu pai e das minhas irmãs,

sabendo eles quem eu era e muito contentes com o acordo.

Dormi em cima de juncos imundos

enquanto dormiam em colchões de penas, a rir.

Riam-se enquanto dormiam?

A rir-se do meu sofrimento e humilhação.

Nobres.

Pessoas.

Queria acreditar que o Tíndaro era melhor do que o Leonardo,

que desta vez seria diferente.

Mas a única diferença foi que a sua pequenez e egoísmo

eram muito mais óbvias.

Gostei do poder, mas não gosto da pessoa.

Ele não é nada para mim.

Nem para mim.

- Que se lixem todos. - Que se lixem todos.

Muito bem, vai sobreviver.

Acho eu.

Lembre-se de manter a perna elevada e descanse até partir.

Obrigada por cuidares de mim.

É uma coisa estúpida da qual não consigo fugir.

Leva-me, morte.

Que a Stratilia me encontre e chore.

Enquanto estava fora,

estava a pensar em ti

e mantiveste-me quente.

Gosto de ti.

Eu sei.

- Posso ser livre. - Que se lixe a Pampinea.

Sim, que se lixe.

Arriguccio, procuraste no sótão?

Não há rasto dela, Sirisco.

Há três sótãos.

Contei quatro.

Sirisco, pensei que podíamos procurar na cozinha juntos,

e, enquanto lá estamos, comer a comida que prometeste.

Como podem comer numa altura destas? Por favor.

A Pampinea pode estar a observar-nos!

Só um lembrete de que estamos a morrer à fome.

Sirisco, posso falar?

Como amigo?

Um amigo querido.

Talvez tenhas deixado essa Pampinea pesar demasiado na tua mente.

Ela apanhou-te?

- Não. - Pagou-te para isso?

- Não. - Pagou.

- Não. - Aranha!

Não, amigo, tem calma. A mulher já não te pode fazer mal.

Sabes que ela me usou?

Até me mentiu e fez-me acreditar que estava grávida de mim.

- É a tua amante. - Sim.

Ela adorava isto.

Céus.

Aquela sereia faz de mim parvo.

- Não. Não, Sirisco. - Tens razão, isto é inútil.

Ela não tem poder sobre nós.

Então, vamos comer alguma coisa?

- Vamos empanturrar-nos. - Sim.

Vamos empanturrar-nos. Vamos.

Vamos.

- Temos de ir? - Sim.

- O Tindaro pode vir? - Não.

Vou perder o meu primeiro amigo.

Acabei de o conhecer.

- Ele não é teu amigo. - É, sim.

Desculpa, querido, podes fazer outro.

Aonde vamos? A que distância? Sabes sequer?

Não, não sei. Está bem?

Mas vou fazê-lo.

A senhora disse que a villa é minha.

Não é, porque eu não era casada com ele.

E, para eles, és um camponês. Não és nada.

És pouco mais que terra.

- Como podes dizer isso? - Porque eu também sou.

Não é mau. Não é nada. É onde o mundo nos colocou.

Estou feliz por isso.

Ela disse que a villa é minha. E é rica.

E se… E se isto for tudo nosso?

As coisas podem ser nossas, não podem?

As coisas podem ser nossas.

Sim.

Se ficarmos com elas.

Irmão, está doente?

Não.

Devia estar.

Que tipo de homem nem se consegue matar?

Um fraco, suponho.

Sim… exatamente.

Sou exatamente isso.

Um homem fraco.

Sinto-me oco.

Vazio.

Eu também.

Apesar das minhas súplicas cavalheirescas,

perdi a única mulher que alguma vez amei…

romanticamente.

Pelo menos, está aqui.

A Neifile deixou-me.

Não tenho ninguém…

… e a culpa é minha.

Podia tê-la deixado ser freira.

Não tinha de casar com ela.

Estou tão sozinho como você.

Não está nada.

Estou.

Encontrei uma mulher que admiro,

não apenas como um objeto, mas como pessoa humana.

E aquela pessoa humana nunca me retribuirá o amor.

Está praticamente morta.

O meu olho.

O meu maldito noivo.

Ex-noivo.

Está…

Uma visão?

Não, ia dizer que está bastante acabada.

Mas…

Sim, parece uma visão.

Não a amei bem?

Amou-a bem, mas amou-a da forma errada.

Desculpe tê-la amado da forma errada.

Não me amava mesmo, pois não?

Pensava que sim.

Talvez não, dada a facilidade com que se tornou em ódio.

Bem, passei a vida inteira a ser amada da forma errada.

Ou nada amada.

Quando o sol nascer, vou-me embora disto tudo.

- O que significa isso? - Vou fazer isto sozinha.

A independência é o maior luxo.

Vou ficar com tudo para mim.

Não parece divinal?

Não.

De todo.

A coisa mais divina do mundo é ter alguém que valha a pena amar.

- Salto para este fosso? - Não.

Quando a peste acabar, podes vir viver comigo em Florença.

Como tua criada?

Como minha… amiga.

Acho que já não quero criados.

É a coisa mais maluca que já ouvi.

Eu não trabalhar.

O que vais fazer?

Já não vais trabalhar para a Pampinea.

Acho que tens razão.

Não vou.

Pois.

Depois de sairmos daqui, nunca mais terás de a ver.

Certo.

A convicção é poderosa e está do nosso lado.

Este sítio era do teu pai, por isso, pertence-te.

Se alguém discordar, pode enfrentar-me.

Mamã.

Odeio aquelas flores.

Vou ficar com a villa.

Posso ir?

Vai-te lixar.

Que bom para ela.

Que fixe. Pareces a senhora.

Estou muito mais bonita do que a Pampinea, Jacopo.

Estou pronta.

Andreoli.

Céus! O que lhe aconteceu?

Bateram-me.

O que vos aconteceu?

Ela faleceu?

Lamento.

No fim, menti-lhe

e ela percebeu.

E tínhamos prometido acabar com as mentiras.

Isso deixou-a tão assustada.

E ela morreu tão assustada.

Sinto tanta dor. Não consigo lidar com isso.

- O que quer que lhe diga? - A verdade.

Ela morreu.

E?

E a sua perda não o torna único.

Já todos sofremos.

Entreguei mensagens de morte centenas de vezes.

E sou apenas um belo mensageiro.

Panfilo, é horrível e nunca recuperará.

Isto é horrível…

… e nunca recuperarei.

Sim.

Sim.

É essa a verdade.

Bem, talvez o possa animar com mais notícias terríveis.

Têm uma cópia das Fábulas de Aviano?

Sabes ler?

Não, mas uma pessoa pode interessar-se por um livro.

Sim, é verdade.

O Visconte Leonardo tinha uma bela biblioteca,

que podes ver à vontade.

Acho que agora é tua.

Apanhem-na!

Ena.

Stratilia.

Estás brilhante.

Sirisco, vou ficar com a villa.

Pertence ao Jacopo e eu sou a mãe solteirona dele.

Podes ficar como mordomo.

Vais ficar com a villa?

O Jacopo é o herdeiro. É assim que funciona.

É mesmo?

Porque a villa não é de ninguém.

O Leonardo está morto.

Devíamos partilhar os seus recursos.

Devia ser gerida pelo povo.

O Jacopo é o povo.

Eu sou o povo.

É a minha vez.

Santo Deus.

Temos outra cabra entre mãos.

Amigos? Amigos, venham cá. As férias acabaram.

Olá, Panfilo. Sente-se connosco.

Tenho novidades terríveis.

Vêm aí mercenários.

Os mercenários?

Os que me fizeram isto?

Só se queixa da perna.

- Quanto tempo temos até chegarem? - Talvez umas horas.

Andreoli, o mensageiro, disse-me que vinham.

Também lhes disse que a villa está fortificada com cavaleiros armados.

Mas não está!

Ele sabe. Ganhou-nos algum tempo.

Muito bem, calem-se.

Licisca, exijo mais informações tuas.

Quantos mercenários são?

Há hipótese de serem fisicamente mais fortes do que eu?

É um exército pequeno.

Temos sorte em estar aqui. A villa está bem fortificada.

É preciso um plano.

- Podíamos suborná-los. - Sim.

Sirisco, o Leonardo tem alguma sala do tesouro escondida?

Há o dote da Pampinea.

Sim.

O enorme dote com que ela esperava comprar o coração de Leonardo.

A pega.

Isso faria de Leonardo a pega.

- Isso resultaria? - Talvez. São muito corruptos.

Tem de resultar.

Entretanto, a nossa demanda para encontrar a Pampinea foi renovada.

- Encontrei a Pampinea! - O quê?

Pampinea, precisamos do seu dote para salvar a villa.

As suas joias?

O quê? O meu dote?

- Eu… - Não se atreva.

Estão no baú dela.

Estão no baú dela.

Onde está?

Onde está o saco chique?

Alguém mexeu nas suas coisas?

Sente-se.

Vêm aí soldados, não é?

Se o dote nos salvar, levem-no.

Cale-se.

Onde está a Stratilia?

Devo-lhe um pedido de desculpas.

Claro que não é bruxa.

Afaste-se dela.

Acho que vos devo um pedido de desculpas, não é?

Queria tanto o amor que inventei um,

e a mentira fez-me perder a cabeça por um momento.

Perder a cabeça?

Manipulou todos nesta sala.

Eu sei.

Desculpe, Sirisco.

Tenho muita vergonha.

É tarde de mais.

O saco não está aqui. O dote desapareceu.

Onde está, Pampinea?

Levou-o enquanto o Sirisco a caçava?

Juro que não o tenho.

Está a mentir.

- Juro que não estou. - Ela está a mentir!

Pronto, parem.

Talvez ela só precise de tempo para se preparar antes de nos contar.

Preparar-se? Ela não vai engolir um inseto.

Prometo pela nossa amizade que não o tenho.

Amizade?

Tem piada que ainda considere a Misia sua amiga.

Ainda somos amigas.

Misia, esta mulher só se preocupa com ela e como podes melhorar os interesses dela.

Quando falhas de alguma forma, ela finge que já não gosta de ti.

Isso é mentira.

Depois, sorri e permite que, só dessa vez, voltes a ser amiga dela.

E, por algum tempo, ela está alegre.

E estás alegre porque ela está alegre.

Mas ela só está alegre porque sabe que o sistema funciona.

Já o provaste.

- Não, é um pouco mais complicado. - Sim, Misia. Sim.

Sei isto porque sou assim.

Ou era assim.

Misia, não.

Misia, não é verdade.

Misia, por favor.

Afasta-te desta mulher.

Misia, sabes que te adoro.

Suponho que ela não seja útil para nós sem as joias.

Levem-na, rapazes.

- É inútil. - É hora de dizer adeus, minha senhora.

- Vamos. - Sirisco, não.

- Adeus. - Não!

Sirisco, talvez um dos seus amigos pobres

tenha encontrado o meu dote.

O que disse?

Não os censuro.

É a natureza deles. Não conseguiram evitar.

Tem de se afastar daqui o mais humanamente possível.

Não me podes dizer para sair daqui.

Quem pensas que és?

Quem penso que sou?

É óbvio, não é?

Sirisco, isso é uma faca.

É aquele pelo qual esperava.

O seu adorado Visconte Leonardo.

Finalmente cheguei.

Distraí-me com umas prostitutas venezianas,

mas voltei.

Estou aqui e estou pronto para conhecer a minha nova noiva.

E vou chupá-la até secar.

Mas primeiro, sabe do que preciso?

Do dote.

É o meu pagamento.

Sejamos sinceros, foi por isso que a escolhi.

Olhe para si.

Então, onde estão?

Mostre-me as joias.

Não as tenho.

- Misia. Misia, socorro! - É hora de ir!

- Misia, não quero ir! - Então?

Misia, como foste capaz?

- Misia! - Pare!

- Misia! - Pare!

Não deixes que me ponham lá fora sozinha!

Sirisco, um momento. Um momento, por favor.

Não sobrevivo sem ti!

Por favor.

- Pare! - Basta! Basta!

Adeus, Pampinea.

Não.

Sei que vai ficar bem sozinha.

Tal como nós.

Misia, ouve-me. Por favor.

Por favor.

Adeus.

Vocês tresandam!

Muito bem. As coisas vão ser diferentes por aqui.

Sirisco, pessoal.

Está na hora de voltarmos a nossa atenção

para alguém que a mereça.

A Neifile.

Venham.

Obrigado.

Amigos…

Vim aqui para evitar a verdade das coisas.

Para ganhar tempo com distrações agradáveis.

Vim passar férias.

Mas essas férias foram fugazes, como todas.

E agora,

só me resta a verdade.

Neifile, sem si…

… estou perdido.

Abracei a minha irmã enquanto ela morria.

Mesmo antes de morrer,

ela não conseguia ver.

Nesse momento,

os meus próprios olhos falharam-me,

por querer tanto ocupar o lugar dela.

Fiammetta.

Ela limpava as lareiras por mim quando eu estava muito cansada.

Eu tinha a Lisabetta.

E o Carlotto.

O Luigi, o Antonio.

O Freduccio.

O Rambaldo.

A Scarlata e o Tedaldo.

E a minha mãe Caterina.

Ela morreu quando eu nasci.

O meu cérebro de bebé era tão grande que a matou.

E o Dioneo.

O meu tio enfrentou a morte de pé, o que…

Não sei, deixou-me triste.

Costumava bater-me nas orelhas, mas era bom para mim.

Lupetta.

Ela era linda e gentil.

Tinha pés grandes.

Maldita peste.

Não.

Um cavalo pontapeou-a.

A minha Lucia.

Ela odiou-me até ao último suspiro.

E percebo porquê.

Parmena.

A minha pomba.

Violetta.

Lauretta.

Mãe.

- Eduar… - Pai.

Então? Licisca.

Espera.

Queres falar sobre ele?

- Ainda não quero falar contigo. - Desculpa.

Menti porque o pai me pediu.

Não há nada em mim que te consiga perdoar.

Temos de tentar. De que serve ter uma família

se não podes ter o seu amor incondicional?

Vou começar a tratar-te como família?

Quando devias começar a fazer o mesmo?

Certamente não os anos em que lavei a merda dos teus penicos,

limpei as tuas roupas sujas de merda.

Parece que estou sempre cheia de cocó.

Nunca tens de fazer coisas difíceis. Eu faço sempre.

É essa a diferença entre nós.

Nunca faço coisas difíceis? Isso é absurdo.

O que fizeste para outra pessoa?

Destruí a Pampinea pela Misia.

Sim, certo. E o que fizeste alguma vez por mim?

E quando te salvei a vida?

Quando fizeste isso?

Disse-te que o pai estava morto

para que não adoecêssemos e morrêssemos da peste e isso salvou-nos.

Como assim?

Ele estava morto.

Disseste que estava morto.

Menti.

Deixámo-lo a morrer sozinho?

Ele compreenderia.

Como foste capaz?

É óbvio que ele ia morrer e nós também se tivéssemos ficado.

Eu salvei-nos.

Sim. Esqueci-me de que estamos salvas.

Recuso-me a estar ligada a ti.

Sempre a servir as tuas necessidades, a salvar-te.

Estás impotente e mereces seguir sozinha.

Sei que é isso que quero.

Não tive alternativa.

Pensava que eram do Leonardo.

Não há nenhum Leonardo.

Diga-lhes.

Diga-lhes que tive de trazer o meu dote.

É tudo o que eu valho.

Espere.

Aonde vai com isso?

A villa é para o outro lado.

Pare! É o meu dote!

Pode crer, signora.

Foda-se!

Legendas: Helena Cotovio

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