Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Não decide quem fica com o pão!
Não! Não! Não!
Para!
Cheguei.
Não estamos a contratar, seu gnomo.
Não, vim para a festa.
Ela parece a peste em pessoa.
E também uma pega.
Vá-se embora.
Vá.
- Não, sou prima do Leonardo. - Não.
Sabe que uma fraude dessas é punível com a morte?
Não, não sou uma fraude.
Sou a Filomena, da casa de Eduardo de Florença.
- Foda-se. - Certo.
Isso é impossível porque já temos uma dessas.
- O quê? - Sim.
Sim.
Licisca.
Como é que te atreves?
Sua cabra traidora! Tentaste matar-me!
Não!
Pronto, calma. Basta.
Largue-me!
Basta!
Os meus melhores sapatos!
Meu Deus.
Não gosto de bater em mulheres, mas foi necessário.
Se ninguém faz frente a esta maltrapilha, então, faço eu.
Não voltes a tocar na Signora Filomena.
Expulsem esta impostora!
Ela não é a Filomena, eu é que sou.
Parece-me que esta impostora é a sua criada ciumenta.
Não é verdade?
Infelizmente, sim.
É a minha criada ciumenta, Licisca.
- Não, ela… - Não te tinha reconhecido, Licisca.
Sempre cuidei tão bem de ti
e tu chegas com esse aspeto e a agir dessa maneira.
Que embaraçoso para mim.
Pede desculpa por me envergonhares tanto à frente dos meus amigos.
Não.
Não.
Infelizmente, ela perdeu o juízo durante a viagem.
Reclamar o seu nome é imperdoável.
- É melhor atirá-la aos cães. Eu ajudo. - Esperem.
- Eu também. - Ajudem-nos.
Não. Não. Não.
- Vamos lá. - Não vou sobreviver. Não.
- Não. - Acho que vais ficar bem.
- Não! - Esperem.
Ela devia levar pão, pelo menos, para o caminho.
Tão bondosa.
Dá-me.
Por favor.
Não tem de passar fome no regresso.
Tens de me deixar ficar.
Não tenho de fazer nada.
Traíste-me, Licisca.
Deixaste-me para morrer.
Atacou-me por dar pão a uma pessoa esfomeada.
Bem…
Desculpa.
Se quer mesmo ficar, terá de ser minha criada.
Senão deixo que a expulsem,
como a camponesa louca que parece ser.
E tu finges ser nobre?
Com os teus olhos normais e cabelo baço?
Tens os pulsos tão grossos que nunca passarás por tal.
Já estou a conseguir.
Um dos nobres até me corteja.
Padrone Tindaro.
O sobrinho do Marquês Peralto?
- Sim. - Não há tempo para cortejar.
Precisas de um pedido de casamento.
Estou feliz por estar aqui.
Mesmo que seja difícil olhar para essa boca horrível.
Eu mantenho-nos em segurança, cumpra a sua parte.
O seu antigo eu está morto.
Sim. Empurraste-o de uma ponte.
Muito bem.
- Desculpe, padrona. - Não há problema.
A natureza fará a sua parte.
Céus.
Deu cabo do Cardeal, padrona.
Salvou-nos a todos.
Até deu umas facadas extra. Foi pelo sim pelo não?
Não, foram todas necessárias. Só fiz o que tinha de fazer.
Todos temos de matar de vez em quando.
Ena.
O Dioneo está a neutralizar a peste
e depois vou servir a sobremesa. Bolos!
Entrem.
Ela também vem.
Bem, quantos mais…
- Pogo de Genebra diz-nos… - … melhor.
… que o veneno entra pelo olfato.
Se estivermos prevenidos, evitar a infeção é bastante simples.
A Licisca renunciou à sua maldade e eu perdoei-a graciosamente.
- Certo, Licisca? - Certo.
Chamas a isso uma vénia?
Faz outra vez.
Muito bem. Obrigada. Continue, doutor.
Obrigado. Esfregamos a cebola no queixo e no pulso,
e noutros pontos de olfato elevado, como lhes chamamos na profissão médica.
Não é preciso muito, só para afastar o miasma.
Façam como eu. Fedorento.
Fedorento. Vamos expulsar.
Fedorento.
Fedorento. Fedorento.
Fedorento.
Fedorento.
É um médico muito hábil.
Sim.
Fedorento.
Tem muita sorte em tê-lo.
E, claro, ele também tem sorte em tê-lo.
Como todos nós,
depois da sua impressionante e corajosa exibição contra os bandidos.
- Sim, bem… - Fedorento.
- Verdade. - Fedorento.
Sou muito versado em combate corpo a corpo.
Claro.
Agora fazemos ruídos altos para acabar com a peste restante no ar.
Por favor, gritem comigo.
Mais alto. Obrigado.
Sim, o ar está maravilhosamente leve. Doutor?
Ameaça neutralizada. Vai outro barril de vinho?
Sim!
Tinto ou branco? Pode ser branco.
Estamos a optar por ignorar que um trio de bandidos
atravessou o portão e causou o caos no santuário?
Sim, estamos?
- Não há guardas? - Não há?
E onde, em nome de Deus, está o homem da casa?
Se tivéssemos alguém no comando, isto nunca teria acontecido.
E não teria sido humilhada
com aquele ataque masculino.
Estava a proteger toda a gente.
Parecia fora de si.
O Sirisco fará tudo o que puder para evitar mais intrusos.
Sim. Sim, claro.
- Tinha alguma sugestão? - Temos de rezar pelo Cardeal.
Que tal uma oração por mim, cuja casa do noivo acabou de ser invadida?
Meu Deus, porquê?
Porquê, Deus?
- Meu Deus, porquê… - Basta!
Recomponham-se!
Todos sofremos grandes perdas nas mãos da peste,
mas é por isso que merecemos este descanso num refúgio idílico.
Estamos de férias! Lembram-se?
Vamos entrar no espírito, está bem?
Apoiado!
Devem estar todos a pensar, "Sirisco, onde está a sobremesa?"
Boa notícia.
Entregaremos bolos nos vossos quartos para garantir o mais doce dos sonhos.
Sirisco, os aposentos são muito pequenos.
Sim, signora, mas lembre-se que isto é temporário.
- Iremos para o quarto principal… - Sirisco!
Não há onde pôr o espelho de Padua. Não há espaço.
E este lugar livre? Ou este?
Ou posso pendurá-lo lindamente na porta.
- Sirisco! - Hora dos bolos!
O do meio é o meu preferido.
Prepare a minha carruagem.
Carruagem? Quer fazer uma visita noturna à aldeia?
A piazza é bonita, mas não se vê muito no escuro.
- Estou farta! - Como?
Farta. Deste quarto minúsculo
e com uma miserável criada solteira.
- Bem… - Vamos ter com o Leonardo.
Disse que ele estava numa cidade vizinha a comprar vinho.
- Em que cidade? Vamos lá agora! - Eu disse isso?
Espero que seja verdade. Disse muitas coisas.
Que cidade?
- Prato. - É em Prato?
- Não sabe? - Eu sabia que acabava em O.
- Ele está com outra mulher? - Não.
Se ele tiver um casamento secreto com uma mulher muito mais bonita…
- Não. - Vou matá-lo enquanto dorme.
- E depois mato-me. - Não.
- Misia, farás o mesmo. - Claro, depois de si.
Padrona, juro que ele é solteiro e não sabe nada do seu aspeto.
Se bem que seria motivo para voltar para casa a correr.
Meu Deus, é linda.
Não sei o que afasta um homem da sua noiva,
mas encurtarei a distância.
Posso sugerir que partamos de manhã, quando houver luz?
Fomos atacados por bandidos.
Sim.
Está bem.
Preciso de repousar.
Tenho de estar o mais bonita possível para o meu marido.
Sim.
Quando amanhecer, vamos os três procurá-lo.
Maravilhoso.
- Maravilhoso. - Misia, a minha canção de boa noite.
- O quê? - Sim, padrona.
Quando o falcoeiro canta
O que o falcoeiro canta…
Desapareça.
É uma coisa gloriosa
O que o falcoeiro canta
Quando o falcoeiro canta
Acho-a adorável, mas não vou a todas as cidades da Toscana
à procura do homem que enterrámos!
Há outra maneira.
Como se sente, padrone?
Sinto-me ótimo.
Que noite fantástica. A minha primeira vitória militar.
O Doutor viu.
Imagine se não tivesse intervindo, o que eles teriam feito.
Violação.
Podiam ter-me violado.
Já cometeu violência, Dioneo?
Muitas vezes, para o bem dos meus pacientes.
Recorda-nos o que é ser um homem.
A Filomena chamou-me para me felicitar pela minha bravura na escaramuça.
Este namorisco com uma mulher é o que eu preciso.
Um tónico para o que me aflige.
Talvez ela seja diferente das outras.
Vou cortejar a Filomena.
Dada a sua compreensão das mulheres e natureza feminina,
surpreende-me que empreenda algo tão arriscado.
Bem visto.
É quase triste. Quem me dera poder gostar dela.
Mas isso seria mau para ambos.
Sem dúvida. Ainda bem que está fortalecido.
Mas lembre-se, precisa de descansar.
E do seu chá.
Só preciso do que tenho dentro de mim.
Sinto que posso fazer tudo. Sinto-me ótimo!
Não!
Boa!
Voei.
Querida?
Querida, foi avassalador, não foi?
A propósito, acho que Deus não nos abandonou.
Cheguei a essa conclusão.
Mas estão todos a morrer, até o Cardeal.
Sim, admito que Deus possa estar zangado com a humanidade.
Talvez não haja catedrais suficientes. Ou haja demasiadas.
Ele age de formas misteriosas.
O Cardeal Agnolo esqueceu-se disso e veja o que lhe aconteceu.
Foi morto por uma mulher.
O Cardeal Agnolo fez-me a primeira comunhão.
Continua a contar, certo?
Querida…
O que tem no colo?
O dedo do pé do Cardeal.
Certo.
O que planeia fazer?
Não sei.
É tão pequenino e sinto-me tão sozinha.
Estou aqui, querida. Nunca está sozinha.
Vou livrar-me disso, está bem?
Estou mesmo maluca, não estou?
De uma…
De uma forma fantástica que eu adoro.
Caramba.
Panfilo!
Estou num poço!
Panfilo!
Alguém?
Deus?
Levanta-te. Há muito para fazer.
O Sirisco tem assuntos com a Pampinea, por isso, estará fora.
Tal como a Misia.
Há muito a fazer. Somos só nós.
Tratei dos penicos e do andar de cima.
Preciso de água.
Não toques nos lábios.
Dá azar e é nojento.
Anda cá. Anda cá!
Mãos macias.
És…
Sim?
Esquece. Limpa-te. Temos que fazer.
Nada como um dia a cavar para ligar os ossos à terra.
Vai para aquele lugar com erva no campo, a cerca de 30 passos depois do caminho.
Solo bom e macio. Um metro e meio de profundidade, pelo menos.
Só se quiseres repetir quando os lobos o desenterrarem.
Merda!
Neifile?
Neifile?
Bom dia, Sirisco.
Bom dia, padrone. Espero que tenha gostado do pequeno-almoço.
A propósito, viu a minha esposa esta manhã?
Não, não vi.
Mas não se preocupe, isto é muito seguro.
A invasão de ontem não inspirou confiança total.
Eu sei. E, desde então, pus o meu homem mais forte na segurança.
E o meu homem mais fraco. São o mesmo…
Podemos pensar em fazer algo mais?
- Algumas armas. - Sim.
Alguém acordado?
Não ponhamos a propriedade em risco devido a pormenores.
Sim. Com certeza. Mas não se preocupe com a sua mulher.
Os nossos terrenos são lindos e convidativos.
Há muito por onde ela se perder.
Estou tão farta de esperar.
Depois de ontem à noite, só preciso de conhecer o meu Leonardo.
Quando aquele bandido me agarrou, vi a vida a andar para atrás.
Seja como for, não podemos regressar até encontrarmos o meu pretendente.
Porque abrandámos?
Porque parámos?
Meu Deus. Misia, se forem bandidos a tentarem abusar de nós,
ofereces-te?
- Sim. - Eles que te levem.
Para facilitar?
Sirisco?
Porque me presenteia com um pato?
Um patinho, na verdade?
Achámos que a ia acalmar um pouco.
Acalmar-me com o quê?
Temos novidades
sobre o Leonardo.
Mas ele era a minha última oportunidade.
Eu seguro o pato. Obrigado. Sim.
O vestido, o dote e tudo!
Misia.
E o meu pai estava tão feliz por me ver a partir.
"Finalmente é a tua vez", disse ele.
- Era a minha vez! - A sua vez.
Pegue no pato. Pegue no pato.
Que felicidade. Que felicidade.
Que lindo.
Minha querida, minha querida
Temos um plano
- Minha querida, minha querida - Querida
- Temos um plano - Temos um plano
Que dia lindo. Passamos pelas oliveiras?
Porquê?
Por piada.
Sim, bem… Não, eu tenho um plano.
O pequeno-almoço foi muito bom.
Sim, delicioso. Os sabores eram…
Claro que podia ter sido melhor.
Como foi a sua infância? Incrível?
Bem, claro que foi muito má.
Mas um dos benefícios de ser doente é que tive tempo para estudar História.
Tempo mais bem empregue a aprender do que a brincar na rua
ou a fazer amigos.
Já disse que sou um dos maiores peritos do mundo
nas guerras romanas na Macedónia?
Deixou-o bem explícito.
Hoje queria continuar a deslumbrá-la
com a história completa da Guerra Etólia.
Maravilhoso.
É muito atrevido da sua parte.
As minhas desculpas, Tindaro.
O meu entusiasmo está a levar a melhor.
Estou desesperada por sustento intelectual.
Que privilégio ser esclarecida por si, Signore.
Sim, bem…
Céus, quem mais o faria?
Dioneo.
- Olá, doutor. - Padrona.
Dioneo, comece.
Um pouco de música para tornar os factos mais fáceis de metabolizar.
Por vós.
A relação de Roma com a Macedónia
foi turvada pelo resultado da Segunda Guerra Púnica.
Aníbal, claro, a cumprir a sua promessa ao pai
de nunca perdoar os romanos.
Deviam tê-lo matado
quando era uma criança em cativeiro.
Espanha, aqui. Não precisa de Marinha.
Cartago, aqui.
E se Aníbal despediu Saguntum, até o quarto…
E, meu Deus, outra razão.
É muito poderoso e muito grande.
Para onde iria, se fugisse do seu rebanho?
Sem fuga possível.
Neifile?
- Olá. - Meu Deus, está no fundo do poço.
- Está bem? Está ferida? - Estou molhada.
Tenho muitas perguntas, mas vou buscar uma corda, querida.
- Espere. - Estou bem.
Não quero que me salve.
- O quê? - Não preciso de ser salva por si.
Preciso de ser salva por Deus.
Não vai ser como quando pegou fogo à sarça?
Não, estou a testar Deus.
Se Ele não me abandonou, não me deixará morrer num poço.
Ele vai salvar-me e isso será um sinal.
Querida…
E se eu for o sinal?
Vá lá, não é o sinal.
É meu marido e ama-me.
Claro que tentaria salvar-me.
Isso não provaria nada.
Só sai se for alguém enviado por Deus?
Também pode ser um milagre.
Como uma escadaria mágica ou uma rajada de vento sagrado.
Como estava o pequeno-almoço?
Delicioso.
Geleias, borragem. Guardei mel para si.
- Eu preparo-lhe um cesto. - Não, eu estou bem.
Peguei no porco antes de vir.
E se Ele não a salvar?
Querido, porque diz isso?
Está bem, querida, faça figas.
Vou rezar por si. Tenha um dia maravilhoso.
Muito bem.
E agora, um poema pela Vossa glória,
em terza rima, que, segundo dizem, está na moda.
Baixo a cabeça e imploro Que vejas a minha vidinha piedosa
Parece ser meio-dia.
Temos de esperar pela noite?
- Sim. - Sim.
Como era o Leonardo?
Era simpático.
Simpático.
Que bom.
Pode descrevê-lo melhor?
A agente matrimonial disse,
mas deixei de ouvir quando disse que casava comigo.
Sim, claro.
Bem, ele adorava a villa.
Mas gostava mais de Veneza.
Ele adorava mesmo Veneza.
Foi onde o conheci. Eu geria um sítio pequeno.
Uma casa de repouso para mulheres.
Aliás, para os homens, as mulheres não descansavam muito.
Mas depois trouxe-me para trabalhar na Villa Santa,
e quando ele viajava, trazia-me sempre um livro novo.
- Ensinou-me a ler. - Sabe ler?
Parece bonito e rico.
Sim, é muito rico.
Ele herdou a villa quando era novo e tem-na melhorado desde então.
Um bom cristão.
Era barulhento.
Era mesmo barulhento.
Tinha uma voz estrondosa e um grande sorriso.
Qual era a cor preferida dele?
- Azul. - Azul! Misia, azul!
- Estávamos a pensar em azul! - Isso é maravilhoso.
Azul.
É como se estivessem ligados antes de se conhecerem.
Azul.
Sabe que mais? Ele adorava ruivas.
Ele esperava que fosse ruiva.
Eu sei.
Passemos à próxima atividade, onde mais uma vez atuarei para vós.
Fantástico.
Sei como as mulheres são obcecadas com a vaidade da carne.
- Posso fazer-lhe a vontade. - Desculpe, não sei a que se refere.
Vai querer ver o meu corpo mexer-se.
Dioneo, vamos mostrar à Filomena
exatamente como Filipe V cedeu sob a pressão
do grande Titus Quinctius Flamininus em Tessália.
- Sim. - Precisamos de paus.
- Minha senhora. - Sim. Por favor.
Credo. Porque ma deu com o lado pontiagudo para cima?
São ambos pontiagudos.
Cala-te, seu rafeiro macedónio e ocupa a tua posição!
Vou dividir-te membro a membro.
Boa ideia. Muito viril.
- Sim. - Dois homens cheios de esperma.
Credo.
Sim.
Baixe-se.
Os macedónios tinham os romanos entre a espada e a parede.
Mas depois ripostaram.
Boa, romanos!
Bu, macedónios.
Muito bem, Deus Todo-Poderoso, em quem confio plenamente,
vamos tentar algo diferente.
Sei que me vai salvar,
mas vou afogar-me.
Vou afogar-me!
Meu Deus, estive muito perto,
mas estás a tornar-me mais forte.
Certo.
Basta.
Outro poema. Isso agradar-vos-ia, Deus?
Isso mesmo.
Pedi que passasse o dia comigo porque é a primeira mulher
que não considero totalmente repugnante.
Obrigada.
É difícil ser um homem rico como eu.
Todos sabem que o cheiro do dinheiro torna as mulheres ferozes.
Mas isso, claro, é apenas ciência.
Nem imagino a posição em que está.
Somos criaturas cheias de avareza.
Desculpas aceites.
Mas é muito mais do que o seu dinheiro.
É inteligente, forte, bonito.
Coitadinho.
Deve ter a atenção de tantas mulheres que tem de as afastar com um pau.
O quê?
Não, não tenho.
Porque disse isso?
Não, quis dizer…
- Está a gozar comigo? - Não.
A sua bajulação mentirosa não me deixará mais fascinado.
Não estou a mentir. Eu…
É bonito.
O seu belo tom de pele, o seu cabelo ondulado.
O meu cabelo não é ondulado, é encaracolado!
Eu já sabia.
- Goza comigo ao ar livre. - Eu…
Eu…
Dioneo, diga a esta mulher insensível que não suporto zombaria.
Uma vez, a zombaria de um homem fez-me tombar.
A língua está inchada.
Não consigo respirar.
Será enforcada por isto!
Padrone, respire fundo. Pronto.
Língua.
Ótimo. Olhos.
Vai sobreviver.
- Tem a certeza? - Absoluta.
E esta criatura cruelmente zombeteira?
As mulheres são assim.
Ficam cegas pela emoção. Ela não quis ofender.
Ela falou do meu cabelo.
Como amigo, é verdade que o seu cabelo é rebelde e pouco atraente.
Mas, como médico, garanto-lhe
que ela não poderia gozar consigo.
A Filomena acha que é o homem mais lindo porque se apaixonou por si.
É verdade?
Está apaixonada por mim?
Sim.
Sim. Estou apaixonada por si.
Tal como eu suspeitava.
Dioneo, por favor, escolte a senhora para dentro
para se preparar para o jantar.
Tenho de me sentar e processar tudo o que aconteceu hoje
em completo silêncio e solidão.
Se vir mais petiscos, pode trazer?
Muito bem.
Bom dia, Filomena.
Não deixe que o amor por mim a cegue a ponto de não conseguir subir as escadas.
Tem de ver para subir as escadas.
Tem muita piada, claro.
Sim.
Muito encantador, Signore.
Como vês, cumpro a minha parte do acordo.
Também eu.
Espero que saibas que achei isso refrescante.
O amor é curioso.
Tem tanta veracidade.
Veracidade de corpo e mente.
Que pode fazê-la sair do seu corpo e deixá-la a flutuar no céu.
Bater com os pés nas nuvens.
Eu tive uma égua de que gostava tanto.
Tanto.
Dormi no estábulo com ela quando esteve doente.
Não queria que ela duvidasse se eu a apoiaria.
Estive lá durante horas. Horas.
Esqueci-me de comer. Partilhámos a água dela.
Passei um dia inteiro sem comer.
Arrastei-me até aos aposentos para ir buscar pão e cerveja
e, quando regressei, ela tinha morrido.
Como se quisesse poupar-me a isso.
Talvez não tenha significado.
Apenas…
Aconteceu.
Um dia a seguir ao outro.
O verdadeiro amor da vida desapareceu num instante sem um último beijo.
Sim, bem, teremos todos de ultrapassar isso, não é?
Ninguém gosta de pessoas demasiado dramáticas.
Vamos, está na hora.
Limpa-me os dentes.
Deus?
Padrona Neifile, é a senhora?
Já percebo porque Deus me disse para vir aqui.
Dê-me a mão.
Deus enviou-o?
Sem dúvida.
É um malandro. Eu sabia.
Como veio até si?
Como um pilar, uma nuvem?
Como uma voz na minha cabeça.
Sim, dizia: "Vai, Dioneo, ao velho poço e salva a rapariga.
Amém."
A voz de Deus.
Era profunda e estrondosa? Clara e brilhante como um chifre?
- Como está a sua temperatura? - Ainda estou a tremer.
Receio que o seu sangue esteja a gelar. Tão frio como a água.
Tenho de transferir parte do meu calor para si.
Compreendo.
Obrigada pelo sacrifício.
- Está bastante quente. - Ótimo.
E aqui?
E aqui?
E aqui, como se sente?
Sim.
E aqui?
E aqui?
Agora estou demasiado quente.
Obrigada pela ajuda.
Tem uma bela esposa.
Não lhe disse para tirar a camisa.
Foi Deus.
Querida, Deus salvou-a?
Salvou. Enviou o Dioneo.
Uma voz falou-lhe na cabeça.
Imagino que a voz de Deus seja: "Olá, doutor."
Mas talvez mais staccato: "Olá, doutor."
Adorava ouvir mais, mas estamos atrasados para o jantar.
Vista-se e vamos. Não quero deixar os outros à espera.
Neifile?
Sim.
É por isso que o comentário de Averróis sobre a teoria de Aristóteles
é de particular interesse para mim.
Também gosto da sua reflexão dinâmica sobre a limpeza.
Não percebo o que está a dizer.
Claro que não. É por isso que tem sorte em ter-me.
Porque percebo o que estou a dizer.
Aviso, ilustres convidados!
- Temos novidades… - Eu e o Visconde Leonardo casámos!
Sim.
Vamos festejar!
- Vinho! - Sim.
Encontrámo-lo em Prato.
Estava a ajudar um grupo de crianças a aprender a usar um moinho.
Ele tem um coração enorme.
Maravilhoso.
E decidiram no momento? Que romântico.
Que irracional.
O nosso amor foi tão imediato
que não teve alternativa senão casar comigo ali mesmo.
Num ímpeto de paixão e devoção divina,
realizámos a nossa união perante Deus numa pequena igreja.
Claro que depois nos unimos como marido e mulher, só nós.
Foi adorável.
Tudo o que sempre quis.
- Certo, Misia? - Sem dúvida, foi lindo.
Foi lindo.
E não vão acreditar nisto, ele estava de azul.
Estava de azul. A nossa cor preferida. Sim.
Isso é perfeito. É mesmo.
Ele juntar-se-á a nós em breve?
Sim.
Teve de comprar vidro em Veneza, mas depois volta.
Mas, por agora, sou só eu.
Sim, a senhora da casa.
Sozinha.
Está tudo bem, Pampinea?
Viscondessa, na verdade.
Erro meu, viscondessa. Peço desculpa.
Estou ótima.
Estou ótima. Sim.
Tenho os olhos inchados de tanto chorar.
Sim, claro, mas são lágrimas de felicidade.
Somente…
Lágrimas de alegria. Sim.
Mais vinho!
Então?
Sim.
Não tenhas pressa.
Beba.
Não, obrigada.
Beba.
Mas beba.
Incline a cabeça.
Para trás.
A bela donzela precisa de outro salvamento?
Padrona, não estava à sua espera.
Vão enforcar-me por isto.
Legendas: Helena Cotovio
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.