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O que voc� fez, sua puta?
M�e!
O OUTRO LADO
O qu�? Eu deixo voc�s entrarem e tenho que ouvir isso?
- Voc� o matou, voc� o matou. - Eu, n�o. N�o � verdade.
Ficou claro desde o in�cio.
Vamos, Lorena. Nacho, vamos.
Voc� � louca. Voc� o jogou pela janela.
N�s vimos e o esp�rito dele quer que as pessoas saibam.
Ele s� vai embora quando souberem.
- O qu�? - Vamos, Lorena.
Nacho, � bom contar tudo.
Assuma as r�deas. A velha surtou.
- Eu n�o fiz nada. - N�o.
- N�o tem prova! - Duas m�diuns viram.
N�o uma, duas. Diga a ela.
Nacho, vamos, por favor.
A sua produtora vai mandar em voc�? Coloque-a no lugar dela.
Que inven��o � essa? Voc� pediu para elas mentirem?
Todos se metem no seu caso. Ela te chamou de mentiroso.
N�o tem sangue nas veias? Reaja, reaja!
- Nacho... - Cale-se!
Cala a boca, caralho!
O qu�? N�o fale comigo aqui.
N�o consegue me deixar fazer as coisas do meu jeito?
Sim! Como eu quero!
O qu�? N�o encoste em mim!
Eu n�o sei!
Vou ver o que posso fazer. Vou pensar muito bem nisso!
Pra voc� tamb�m! E olha, essa porcaria chinesa...
Pode enfiar na bunda! Foda-se!
O que foi?
O que significa? Que ele � maluco?
N�o usamos essa palavra.
O seu filho tem um transtorno bipolar tipo 1.
� conhecido por longos processos depressivos
que se alternam com epis�dios curtos e intensos de mania, de uma semana.
- Ent�o, ele est� louco. - Por que isso aconteceu?
�s vezes, um evento traum�tico pode desencadear algo latente.
Existe algum hist�rico familiar?
- A sua irm�. - Por favor.
J� consta uma tentativa de suic�dio na ficha do seu filho.
- O qu�? Como �? - Ele foi internado no s�timo...
Ele insistiu que foi um acidente.
- E n�o fizeram nada? - N�o nos avisaram?
N�o podemos internar adultos compulsoriamente.
Ele teve algum comportamento estranho nos �ltimos dias?
Bem, por exemplo, abrir o caix�o da minha tia morta.
- Que tal? - Luis...
Esses epis�dios s�o acompanhados por alucina��es visuais e auditivas.
O bom � que, com descanso e medica��o, ele ter� uma vida normal.
Vida normal? Meu irm�o? Nunca.
As pessoas daqui n�o entendem. Ou n�o querem entender.
Talvez isso te livre das alucina��es. Mas � s� um jeito de dizer.
Voc� voltar� a ter contato com a realidade? Sim, pode ser.
Vai parar de machucar a si mesmo e aos outros? Bem, sim. Por que n�o?
Mas talvez voc� pare de me ver porque reduzir� sua percep��o,
fechar� sua mente.
Embora a verdade seja que eu te ajudei pra caramba.
Voc� encontrou um caso, arruinou o Gorka, e at� transou.
Bem, isso que chama de transar.
E a exclusiva, a exclusiva... Precisamos falar disso.
Precisamos falar sobre como vamos organizar e tal.
Mas agora, n�o. Quando voc� melhorar, n�o �?
Nieto?
Bem, voc� tamb�m pode seguir por conta pr�pria.
Obrigado, mestre.
Adeus, meu amigo.
N�o sei, talvez demore pra fazer efeito.
At� entrar no sangue e tal.
NOVE CHAMADAS PERDIDAS
S�BADO, JANTAR
TER�A-FEIRA, JANTAR
S�BADO, ALMO�O
QUINTA-FEIRA, ALMO�O
Obrigado, Nacho Nieto.
Continuaremos atentos ao caso da curandeira de Es Fenollar.
Por que a menina cura?
Nossa Senhora age por meio dela?
Ou � algo que nem podemos imaginar?
Talvez nunca saibamos a verdade.
A verdade, a amante evasiva
que os jornalistas heterodoxos sempre perseguem.
O mais importante neste ramo � sempre dizer a verdade.
Claro. A verdade. Obrigado, mestre.
Ou n�o.
�s vezes, o mais importante talvez seja a honestidade.
Mas o que � honestidade,
se n�o outra forma de verdade? Talvez mais profunda.
No final, o mais importante � a verdade na honestidade.
Vamos passar para o misterioso caso da ponte dos c�es suicidas
perto da cidade escocesa de Dumbarton.
� uma ponte onde acontecem coisas inacredit�veis.
Filho da puta.
Que safado!
Que safado!
Olha...
Aqui ele falou sobre a verdade. Aqui, sobre honestidade...
Aqui, da verdade na honestidade...
E aqui, mais um monte de merda que saiu da boca dele!
Sobre a porra das Pir�mides do Egito
e a Constela��o de �rion!
Malditos destruidores de fantasmas!
Espero que voc�s se afoguem no ectoplasma dos seus corpos!
C�es! Porcos famintos! Voc�s arruinaram a minha vida!
Mais uma.
Fizeram o veneno tamb�m?
Bem...
Certo, meus amigos. O que teremos no pr�ximo programa?
Temos que inverter a situa��o.
Alguma ideia? Alguma ideia?
Poder�amos encobrir o que houve com outro t�pico.
H� um homem em M�rcia com uma l�grima anal
que afirma ter sido feita por alien�genas com uma sonda.
Algoritmos?
Fazendas de bots, intelig�ncia artificial descontrolada.
E as superbact�rias?
O assassino microsc�pico que acabar� com o mundo.
A Covid ainda est� bombando. Eu acho que rola.
- Um pouco alarmista, n�o �? - Sim, mas n�o � o jornal da noite.
- Algoritmos. Pense nisso. - N�o quero insistir.
Mas � uma l�grima anal feita por alien�genas, e em M�rcia.
Tudo bem. O que o Nacho Nieto est� fazendo?
- Ele n�o atualiza as redes dele h� dias. - Ent�o, ele vai vir com tudo.
- Vigie-o 24 horas por dia. - Eu configurei um alerta.
Ent�o, n�o perca essa alerta.
N�o, eu n�o quero vigiar o que Nacho Nieto faz ou n�o faz.
Este � um programa de televis�o. � isso que a gente faz.
Nesta sexta-feira, �s 22 horas
uma transmiss�o ao vivo no canal de "O Outro Lado".
Nacho Nieto contar� tudo sobre o caso Cardenal Cardona.
Espere, Dani. Pare o v�deo, por favor.
Como assim, ao vivo, �s 22h? No mesmo hor�rio do Nueva Era?
Desculpe, eu n�o perguntei. Achei que era uma boa ideia.
- Por qu�? - � perfeito. O Gorka est� encurralado.
Metade da comunidade dele te apoia.
Ser�, tipo, internet contra TV!
N�o, Dani, n�o. N�o vou fazer isso.
- A quest�o �... - O qu�?
Eu j� postei o v�deo, e tem mais de 20 mil visualiza��es.
- Dani! - Voc� vai bombar!
Ele tem a TV, mas n�o pode falar de dentro da casa do "poltergeist".
- O qu�? Voc� anunciou isso? - Sim, est� escrito. Quer ver?
- N�o, n�o quero. N�o mostre. - Eu posso ir a�, de manh�, pra ajudar.
- N�o venha! - Tudo bem. Ele consegue.
Beleza. N�o quer terminar de ver o an�ncio?
N�o! Valeu, Dani!
Caramba. Merda, merda...
Talvez ele esteja certo e possamos tirar proveito da situa��o.
Eu vou com voc� para te ajudar.
N�o. Preciso fazer isso sozinho.
Nem pensar. Voc� sabe o que tem na casa.
Sim? E o que tem?
Porque eu n�o sei mais o que � real e o que n�o �.
Mas eu sei. E voc� n�o deveria entrar l� sozinho.
Juana, talvez voc� devesse fazer uma tomografia cerebral.
Cansei de ser mandado.
Preciso fazer sozinho. Do meu jeito.
E � isso.
Pelo menos leve isto com voc�.
Talvez ajude.
- E agora, deveria falar com Eva. - Sim.
- Est� esperando algu�m? - N�o.
- Eva? - Nossa, adivinhei.
O que faz aqui? Eu queria falar com voc�.
Queria falar comigo? E por que n�o atende quando eu ligo?
- Oi, Eva, tudo bem? - Tudo bem, como?
Ent�o, voc� vai contar tudo sobre "a casa do poltergeist"?
Que verdade? Dessa a�?
- Elas estavam b�badas, ou drogadas! - Eu n�o desrespeitei voc�.
- Espera... - Voc� j� tem seu caso famoso.
- Pode me deixar em paz? - Vamos relaxar um pouco.
Eu sou jornalista. Como jornalista, eu preciso dizer a verdade.
Claro, voc� � I�aki Gabilondo. Que verdade? Eu n�o fiz nada.
Voc� quer arruinar minha vida?
Quer que eu seja presa por proteger meu filho?
- Mas voc� disse que n�o fez nada. - Exatamente!
E, se eu fizesse, seria pra me defender de um agressor.
Eu n�o deveria falar, ent�o?
Voc� n�o precisa decidir sobre a minha vida. Isso � sexismo.
- Isso � machismo, n�o �? - Bem...
- Vai ficar do lado dele? - Mas de que lado? N�o tem lado!
N�o, n�o tem lado. Mas em um caso de abuso, tem.
Mas n�o � uma quest�o de g�nero.
Um homem que quer que a mulher v� para a cadeia
por se defender do abuso de outro homem
n�o � uma quest�o de g�nero?
Ent�o, eu devo calar a boca para te proteger e n�o ser machista?
O cavaleiro que salva a donzela em perigo � machista.
- Mas � o que ele tem que fazer. - Eu nunca vou acertar.
E a�? Finjo que n�o aconteceu? Que n�o sei de nada?
Bem...
Se eu tivesse feito isso, o que eu n�o fiz...
Eu at� faria.
Mas n�o por mim, por Rub�n.
Ele n�o merece crescer sem um pai ou uma m�e.
Eva, Eva... Desculpa. N�o sei como te pedir isso.
N�o quero te atrapalhar,
mas acha que eu poderia voltar � sua casa uma �ltima vez?
Por volta das 21h?
Tudo bem, se n�o quiser.
N�s nos mudamos para a casa da minha m�e.
Nunca mais colocarei os p�s l�.
Aproveite seu sucesso, se � o que importa.
Pode ficar com o fantasma.
Bem-vindos, viajantes do Nueva Era.
Hoje, n�o quero falar
como o apresentador de um programa falando com o p�blico dele.
Hoje, gostaria que f�ssemos amigos,
que acredito que nos tornamos depois de tantos anos de aventura.
O programa da semana passada foi dif�cil.
Embora tenha muitos curiosos hoje, eu n�o serei sensacionalista.
O que aconteceu j� foi,
e n�o estou aqui para desacreditar um colega profissional.
Estou falando, ao vivo, da casa dos fen�menos,
onde o inexplic�vel pode acontecer a qualquer momento.
Hoje, encerramos o caso mais importante dos �ltimos 50 anos.
Olha a import�ncia desse caso, eu sempre falo isso.
Come�aremos revisando a cronologia dos eventos.
N�o vou te aborrecer
repassando todos os detalhes de um caso t�o conhecido.
Nossa primeira suspeita, a Sra. Dolores,
morreu em circunst�ncias tr�gicas, nesta mesma casa, onde estou agora,
em 14 de setembro de 2021.
Gosto de pensar que n�o falamos do passado, mas...
do futuro.
A fam�lia entra no im�vel tr�s meses depois
e faz uma pequena reforma.
Que foram as seguintes,
substitui��o do cook-top e do fog�o a g�s,
reabilita��o do isolamento no acesso � �rea exterior...
Lorena, vamos ver o Gorka. Isso � um p� no saco.
Cale-se. O Esteban quer ouvir o Nacho falar dele.
A morte de Esteban, f�sico,
especialista em psicofonia e membro do m�tico Grupo Lambda,
marcou um terr�vel ponto de virada na trama.
Est� vendo, bobo?
Ele n�o te esqueceria. Sua morte foi muito espetacular!
A �ltima op��o para sabermos
o que ou quem estava causando os fen�menos na casa
foi usar duas m�diuns, e foi o que fizemos.
Eu sei que falhei e sei que devo me desculpar,
mesmo que seja incomum nestes dias de falta de valores.
Bem, pode n�o parecer o suficiente para voc�...
- Ent�o, � hora da verdade. - Ent�o, � hora da verdade.
Merda.
E a verdade � que...
N�o importa.
O esp�rito poderia estar comigo neste exato momento,
mas as pessoas afetadas pelos fen�menos deixaram o im�vel
e n�o est�o mais em perigo. Isso � tudo que importa.
S�rio?
Meu trabalho nesta casa, testemunhando o inexplic�vel, acabou.
N�o somos ju�zes. Somos investigadores paranormais.
Que foda! Que mestre!
A jornada de hoje termina por aqui.
Sou Nacho Nieto.
Nos veremos de novo no pr�ximo epis�dio de "O Outro Lado".
Nacho!
Bem, o que ouvimos?
O que ouvimos faz parte do �ltimo �lbum que ele gravou,
entre outubro e dezembro de 2008,
apenas um m�s antes de sua morte.
Um �lbum p�stumo inesperado, uma surpresa, sem d�vida,
um trabalho muito bom que come�a com "Start Anew", cujo...
Este caso � uma bomba.
Vamos, acenda.
� uma bomba.
� um cigarro espectral. N�o queima nada.
Onde h� fuma�a...
A casa pegou fogo. Isso mataria qualquer fantasma.
Vamos, Nacho.
Nacho...
Com licen�a, voc�s n�o teriam um daqueles cobertores isolantes?
Desculpa. Acabou.
Se quiser, posso pedir agora para um filme americano.
Quer uma garrafa t�rmica com um caf� quentinho pra segurar?
- N�o, muito obrigado. - Ent�o, eu vou l�.
Sim, sim.
Como sabia que ele estava me atacando?
Porque agora eu vejo as coisas.
Sabe quando te receitam �culos novos?
Bem, � isso. Agora eu vejo coisas.
E acha que acabou?
Sim. Acabou.
Juana, voc� gostaria de fazer um trabalho de campo comigo?
Com sua habilidade, acho que formamos uma boa equipe.
Com a publicidade deste caso,
poder�amos ser freelancers e vender as hist�rias,
contadas � nossa maneira, com rigor jornal�stico.
Claro, cara.
Eu fiz mestrado s� para ficar atr�s desses imbecis.
- Desculpe. - Voc� tem raz�o. Eles s�o loucos.
O que vai fazer agora?
Bem, como eu disse, vou continuar investigando.
- Sobre o Gorka. - O que tem o Gorka?
Todo mundo est� falando de voc�.
Sobre o canal? O pessoal viu? Gostou?
N�o, nem um pouco.
Voc� come�ou com 50 mil pessoas e terminou com menos de 100.
Acho que voc� quebrou algum tipo de recorde de abandono digital.
- Nossa. - Est�o falando de voc� por causa disto.
Bem, pode n�o parecer suficiente.
Ent�o, � hora da verdade.
E a verdade � que, na semana passada, eu recebi
um desses parceiros que podemos chamar de jornalistas �ntegros.
Nacho Nieto.
Nacho, estou me dirigindo diretamente a voc� para me desculpar.
N�o apenas a voc�,
mas tamb�m � fam�lia da garota que foi arrebatada pelo paranormal...
E a todo o meu p�blico.
Eu vou ainda mais longe. Por favor.
Nacho Nieto...
Aqui est�. Uma poltrona vazia.
Uma poltrona vazia, um espa�o s� para voc�.
Junte-se a n�s nesta jornada de descoberta.
E nos tornar melhores profissionais.
Come�ando por mim mesmo.
E por que n�o dizer? Pessoas melhores tamb�m.
Estamos ansiosos para v�-lo na fam�lia paranormal,
aqui, na Nueva Era.
Mas vamos ao t�pico de hoje. Hoje vai ser pol�mico.
Pena de morte. Sim, n�o, depende? Depende do qu�?
Muito bem, muito bem.
- Parab�ns, cara. - Meu filho vai ficar famoso.
E com uma boa renda, porque essas pessoas pagam bem.
- Que bom, filho, que bom! - Vamos pedir algumas doses?
- Sim, sim. - Umas doses.
Gar�om, um licorzinho!
- De ervas. - De ervas.
Ningu�m disse que eu aceitei. Essa � a proposta dele. Mas eu n�o...
Como assim? Se voc� n�o tem um emprego, nem onde morar...
Pode ficar em nossa casa o tempo que quiser, mas...
Ficou assim depois do colapso, ficou burro? N�s perguntamos.
Ele inverteu a situa��o. Voc�s n�o veem?
- Ele assumiu a narrativa e a inverteu... - Que narrativa? Ficou louco?
N�o v� que outros matariam por esse trabalho?
- Paco, vai com calma. - Estou calmo! Muito calmo!
Nacho, aproveite a chance e volte a trabalhar, caramba.
Exatamente, � disso que se trata. Estou indo trabalhar.
- Obrigado pelo jantar. - Meu Deus.
Olha, traga a garrafa. Acho que vamos precisar.
- Vai trabalhar agora, � noite? - Sim.
Deixe-o. Deve ser uma garota.
Acho que � trabalho mesmo.
Ou um rapaz. N�o tem nenhum problema.
Nem garota, nem rapaz. Eu preciso trabalhar.
- Adeus. Eu te amo. - Mas filho...
Nacho Nieto, isso.
N�o, n�o tem problema.
Enquanto isso, v� para a casa de um parente e descanse.
Voc� foi embora? Perfeito.
Olha, me lembre o endere�o. Ram�n com a Cajal, 318.
N�o tem problema.
Se eu sair agora, estarei em Sarago�a em tr�s horas.
De nada. At� mais.
Isso � tudo por hoje.
Lembre-se que, na pr�xima semana,
temos um novo encontro com o desconhecido,
com os enigmas que nos esperam do outro lado da realidade, aqui,
em "A Sombra do Mist�rio".
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