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Dr. Estrada?
Tchau, amor.
Sim? Al�?
Sim, sou eu.
N�o se preocupe, tia. Eu estou aqui.
Vou te ajudar.
Amor, eu estou bem.
- N�o estou sozinha. - N�o est�?
Voc� nunca esteve sozinha, tia.
Caramba.
Voc� o v�?
- Voc� consegue ver? - Acho que sim, tia. Eu consigo.
Amor, voc� v� tamb�m.
Assim como voc�, eu tamb�m consigo ver.
M�e...
O OUTRO LADO
Se me permitem, eu gostaria de mostrar a linha Excellence.
� mogno. Sairia por 3.800.
Vai com uma coroa de flores.
O mais barato n�o era ruim. Posso ver de novo?
Claro.
Nossa, parece um daqueles de filmes de caub�i.
� a nossa linha biodegrad�vel, sem verniz.
- Bem, se for biodegrad�vel... - Gastar muito n�o vale a pena.
Porque ela se foi, n�o �? Ela n�o est� mais aqui.
- Eu disse algo? - N�o, mas pensou.
Bem, eu estou com o papai. Eu levaria o mais barato.
Minha irm� teria desejado isso.
E como voc� sabe?
Porque s� eu ia v�-la, e eu n�o fazia ideia.
- Que desrespeito. - N�o desconte em n�s.
Eu vou esperar l� fora.
N�o, vamos decidir j�.
Bem, qual desses sai mais?
Em termos de custo-benef�cio, este.
Olha, o segundo mais barato, como sempre.
Ent�o, pode ser esse. Assim todo mundo sai no lucro.
Todo mundo sai no lucro? Est� comprando um carro?
N�o, n�o estou. Na verdade, eu preciso voltar ao trabalho,
- se ainda souber o que � isso. - Eu tamb�m trabalho.
- Mas sem ganhar nada? - Para!
� dif�cil pra ele "dinheirizar".
- Monetizar, m�e. � "monetizar". - Monetizar... E da�?
Olha, eu n�o quero tomar mais do tempo de voc�s, ent�o...
- Vamos para as homenagens. - Sim, por favor.
Escolham o segundo mais barato e escrevam o que tiver mais sa�da.
Nacho!
Vamos trabalhar?
- Voc� aparece quando quer, n�o �? - N�o, eu apare�o quando voc� quiser.
Certo.
Anime-se. Sua tia est� bem agora.
- Sim. Voc� a viu? - N�o, e n�o me importo.
Acha que a vida ap�s a morte � uma cidade onde todos se conhecem?
- Como vou saber? - Vamos l�.
Voc� s� precisa voltar �quela casa
e fazer medi��es de energia, gravar psicofonias...
- N�o. - O qu�?
- N�o. - Voc� � burro?
O que � isso? Est� falando comigo, mal-educado.
N�o estou ligando para ningu�m. � pra n�o acharem que eu sou louco.
Quem liga pra isso?
Nieto, voc� j� viu um caso t�o agressivo de infesta��o?
- N�o. - Se n�o investigar isso, vai perder.
E se arrepender� pra sempre.
Este caso � uma bomba.
Certo. Mas vamos com calma.
Desta vez, faremos do meu jeito.
E eu preciso ter a pessoa certa por perto.
S� n�o o viciado em drogas.
Fora!
- Esse v�deo foi editado? - N�o, Juana. Eu estava l�, eu vi.
- Nacho, isso s� pode ter sido montado. - Juana, isso a� � de outro n�vel.
Deixe-me ver de novo, porque...
Que gostosona, n�o �? Ser� que ela � mandona na cama?
O qu�? Voc� n�o a comeu?
Dez anos com ela no r�dio e n�o pegou nenhuma vez?
Pra que servem as produtoras?
- N�o sei. N�o para isso. - N�o para os feios, claro.
Olha!
Juana, a� est� ela.
Eva, Eva! S� um momento, por favor!
De novo? Para de nos assediar!
N�o � isso. Podemos falar sobre ontem � noite, por favor?
N�s filmamos tudo.
- � uma amea�a? - N�o.
� uma amea�a? Isso � ilegal.
N�o pode expor um menor! Voc� vai se ferrar!
Palha�o! Voc� � um palha�o!
N�o, n�s desfocamos os rostos e n�o citamos nenhum nome.
E quem � voc�?
- Perd�o. � a Juana. - Olha, eu sou a Juana, a...
Bem, eu sou a produtora do programa do Nacho.
Bacana.
- Vamos, Rub�n. - Eva!
Eva, por favor. N�o vou atrapalhar.
- Deixe-me em paz. - S� quero fazer umas medi��es.
Eu te ajudo com isso.
S�rio, � rapidinho.
Vamos.
Ela entrou, n�o �? Ela � boa.
E voc�s n�o...
N�o ser� nada invasivo. S� precisamos fazer alguns testes.
Testes de qu�?
N�o, n�o, valeu. Mas � a minha casa, n�o um circo.
Eu conhe�o o Nacho h� mais de dez anos. Ele � a defini��o de integridade.
N�o, j� chega. J� chega.
Pode deixar as sacolas a�.
M�e, eu n�o quero entrar em casa.
Seu amigo pode fazer alguma coisa?
Se tem algu�m que pode, � ele. Ele j� enfrentou muita coisa.
Bom dia.
- Bom dia. - Bem-vindos.
Sou o Antonio, pai da Diana.
Voc�s s�o do programa do Dr. Lopez Estrada?
Sim, isso mesmo. "A Sombra do Mist�rio".
- Eu sou Gorka Romero... - Gorka.
- E este � Nacho Nieto. - Prazer.
- O Ricard � o cinegrafista. - Oi. Prazer.
- Venham comigo. - Sim.
Entrem. Est�vamos esperando voc�s.
Voc�s v�o adorar. V�o adorar.
- Cuidado com o degrau! - Beleza.
E agora, vamos por aqui, subindo as escadas.
- Sente-se. - Muito obrigado.
Sr. Gorka... Por gentileza.
Cinegrafista?
- Come�aremos em alguns minutos. - Perfeito, perfeito. Muito obrigado.
Como vai?
� a segunda vez que venho aqui.
Eu tinha uma constipa��o grave. Mas a garota tocou minha barriga
e eu precisei correr, quase n�o cheguei em casa.
E eu sou de Es Fenollar.
- E � a sua segunda vez aqui? - Sim. Agora, � pelos joanetes.
Voc� n�o sabe quantas espinhas o meu filho tinha.
Mas a garota acariciou o rosto dele e olha como ele ficou bonito.
- E por que veio hoje? - Hoje, por causa do meu pai,
pela desorienta��o dele que piora a cada dia.
- N�o toque em mim, vadia! - J� chega.
Esteve, levante-se.
Cuidado. Muito bem.
Aproxime-se.
- Qual � o seu nome? - Esteve.
J� pode ver.
Por favor, feche a janela.
Eu consigo ver.
Eu vejo.
Eu consigo ver.
O que ele disse?
Eu consigo ver.
Eu consigo ver.
Ela restaurou minha vis�o!
Am�m! Am�m!
Que beleza. N�s tiramos a sorte grande.
- Fa�am o que for preciso. - Obrigado.
Um minuto, e j� sa�mos.
Tem alguma coisa, eu sinto.
Essa casa cheira... Cheira a um grande sucesso!
E tamb�m a guardado.
Gravadores.
- Para que isto? - Bem simples.
Vamos gravar em v�rios formatos.
Vamos deixar a casa em sil�ncio e ver se gravou alguma coisa.
Dani, pode arrumar o quarto, enquanto isso?
Trabalho de campo, m�tico. Vingadores Unidos!
� incr�vel que ele n�o suje a cal�a.
- Quando voc� se mudou? - Um ano atr�s, mais ou menos.
Fez alguma reforma quando se mudou?
N�o muito. N�s reformamos a cozinha.
- Posso ver? - Claro.
Muito bem.
� no final do corredor.
Certo.
Foi uma reforma grande?
Trocamos os azulejos e...
Bem, trocamos os arm�rios.
- Mas s� essa parte. - Isso � relevante?
- Alguns fen�menos ocorrem ap�s as obras. - Exato.
- Exato, o qu�? - Exato.
Alguns fen�menos ocorrem ap�s as obras.
As energias s�o reposicionadas quando a estrutura do pr�dio � afetada.
Foi antes ou depois do seu marido?
- O qu�? As reformas ou os fen�menos? - As duas coisas.
Primeiro, n�s reformamos.
Depois, os fen�menos come�aram e...
Bem, e depois, o Javier morreu.
Pergunte a ela da crian�a. Lembre-se do caso Xirivella.
- Seu filho est� bem? - Sim, meu filho est� bem.
Essa pergunta pode parecer um pouco estranha, mas...
Voc� tem um tabuleiro Ouija em casa?
N�o, n�o temos isso. O que voc� quer dizer?
O caso Xirivella!
Do Ra�l Zarzoso. Ele usou a Ouija e ficou zoado.
Teve de tudo. Vozes, presen�as, aportes, objetos em movimento...
- Eles ouviram raps tamb�m. - Raps?
- Hip hop? Como assim? - N�o. � um termo parapsicol�gico.
S�o batidas repetitivas, em sequ�ncia, tipo...
Sei.
A Martina n�o acha ruim que voc� passe esses dias com ela.
- Obrigada por perguntar. - Sim. Ela est� animada.
Sim, ela � t�o intrometida. Agora saber� tudo em primeira m�o.
- Voc� configurou os dispositivos? - Sim.
- Pe�a para ele checar. - Pode verificar?
Juana?
Voc� est� bem?
Sim, n�o sei. S� me senti um pouco tonta.
- Quer se deitar? Deite-se. - N�o, vai piorar.
- Uma �gua? - N�o.
Vou sair para tomar um ar.
S� vamos terminar aqui e descer at� o bar, pra esperar.
- Certo, certo. - Voc� est� bem?
Tudo bem.
Ela est� menstruada. Aposto.
O qu�? O que eu disse agora?
Menstruar � coisa de mulher, n�o �?
Voc� � uma dessas pessoas que sobem e descem l� da Eva?
Desculpe se estamos incomodando.
N�o, n�o me incomoda em nada. Mas tem muito barulho
e os vizinhos falam que � um fantasma, mas n�o sei.
- Como assim? - Os vizinhos est�o dizendo. Eu n�o sei.
Mas estamos aqui na escada. N�o quer entrar pra tomar um caf�?
N�o, n�o se preocupe.
N�o � inc�modo. A cafeteira j� est� pronta.
E preciso te dizer uma coisa. Entre.
- Certo, certo. - Entre.
Mas s� um.
Obrigado.
Que sandu�che grande.
Tem gosto de croquete. � uma omelete.
Tudo que passa pela chapa fica com o mesmo sabor.
Toma, pode abusar.
O caso "Chirivita"...
- O poltergeist de Xirivella. - Sim, isso.
Foi resolvido?
- Como? - Bem...
Os sobreviventes tiveram que sair de casa, n�o foi?
Os sobreviventes?
- Vejamos... - Droga, � o Gorka Romero.
Com licen�a. Pode aumentar o volume?
Eu dedico ao meu time.
Sem eles, eu n�o seria ningu�m. Eu n�o estaria aqui.
Eles est�o comigo desde o in�cio,
neste caminho marcado por uma b�ssola
do rigor e da honestidade.
E mais importante, o respeito pelo nosso p�blico.
Temos um p�blico muito inteligente, muito livre,
e sempre quisemos trat�-los com respeito e dizer a verdade.
Dizer a verdade, n�o importa qu�o ruim seja.
Ent�o, � pra voc�s tamb�m,
nosso p�blico da Nueva Era. Muito obrigado.
- Ele merece. Ele � uma fera. - Sim, do est�dio.
Ele n�o instala nada em um apartamento h� anos.
Eu vejo o programa dele e n�o acho t�o ruim.
Ele nunca checa as fontes,
e s� usa demagogia barata e explica��es pobres.
Ele n�o tem respeito pelo paranormal.
- Mas o programa � bem feito. - Bem feito...
O Holocausto tamb�m foi bem feito.
N�o, eu n�o discuto pol�tica, sen�o perco os clientes.
Pol�tica? O Holocausto?
Estou com a chinesa.
Por que ele ganharia um Ondas? S� os melhores ganham.
Ele diz o que os outros n�o dizem e as pessoas n�o gostam.
Nisso ele tem raz�o.
E o que os outros n�o dizem?
- Tem coisas que... - As elites nos controlam.
- Que elites? - As elites, caralho.
A CIA, o Bill Gates, as farmac�uticas...
- O IBEX. - Isso mesmo.
"Chemtrails", s�o todos iguais.
Se o Gorka fosse pol�tico, o pa�s iria pra frente, ouviu?
Um gestor nem de direita, e nem de esquerda.
Radical de centro.
Por causa do politicamente correto ningu�m faz o que tem que fazer,
por medo do que v�o falar.
GORKA ROMERO, PR�MIO ONDAS DE MELHOR APRESENTADOR
N�o negue que n�o foi incr�vel, Nacho.
O Estrada vai gostar.
N�o t�o r�pido. Pode ser uma arma��o.
Precisamos de uma entrevista s� com a garota.
S� com ela? Eles n�o v�o deixar.
� por isso que vamos pedir.
Se eles n�o deixarem, n�o v�o desconfiar.
Certo, certo.
Suponho que queiram entrevistar a garota, n�o?
- H� quanto tempo tem esses poderes? - Eu n�o tenho poderes.
A Nossa Senhora curou essas pessoas atrav�s de mim.
Sou s� uma ferramenta.
Ent�o, voc� v� a Nossa Senhora? Fale sobre ela.
Ela � bonita? De que cor � o cabelo dela?
- Eu n�o a vejo, mas a sinto. - Pode cortar?
Cara, o que est� fazendo?
- A entrevista! - Se a Nossa Senhora � bonita?
� por causa do p�blico, um detalhe a mais.
- N�o somos um tabloide, beleza? - Beleza. Beleza.
Ent�o, Diana...
N�o poderia ser que as pessoas acreditem tanto que voc� pode cur�-las,
que elas se curem
sem qualquer interven��o de Nossa Senhora?
Como?
Um cego pode voltar a ver s� porque acha que posso cur�-lo?
Bem, por exemplo.
Mas isso n�o pode acontecer, pode?
Bem, de qualquer forma, isso tamb�m n�o seria um milagre?
O milagre da sugest�o.
N�o sei. Acho que sim.
- Voc� pode dizer isso pra c�mera? - O qu�?
Seja o que for, � mesmo um milagre.
Seja o que for, � mesmo um milagre.
- �timo. - Vejamos...
De toda as curas que voc� fez, qual foi a mais especial?
Boa pergunta.
Voc� pode classific�-las, de algum jeito?
Da menor para a maior.
- E olhando para a c�mera. - Corta um segundo.
Que pergunta � essa?
Desculpe, voc� fez a pergunta. Eu s� traduzo para a TV.
Grave, grave. Ela est� entrando em transe.
Aproxime no rosto dela.
- O que faremos agora? - Bem, analisaremos a grava��o.
Primeiro, a onda sonora, para ver se algum som alto foi gravado.
- Dani, pare o gravador, por favor. - Entendido, mestre.
Quer outro caf�?
N�o, obrigada. J� tomei dois. Sen�o, n�o durmo.
Queria me dizer alguma coisa?
Ningu�m te contou sobre a senhora que morava nesse apartamento?
- N�o. - Bem...
Ela era uma senhora muito idosa. Seu nome era Dolores.
Ela morava sozinha, n�o falava com ningu�m.
E s� um sobrinho dela a visitava, muito raramente.
Entre uma coisa e outra, �s vezes, n�o a v�amos por um temp�o...
At� semanas.
A� tem alguma coisa, nessa parte.
Certo.
Isso mesmo. Uma batidinha.
Avisamos a pol�cia por causa do cheiro vindo l� de dentro.
Era um odor t�o forte, t�o nojento, que nem sei como descrever.
Nunca vou esquecer.
At� hoje, �s vezes, eu lembro e gruda no c�u da minha boca.
Meu Deus, que fedor.
Isso � normal?
Sai um cheiro dos canos, mas n�o � tanto.
Que horror.
Voc� n�o imagina o lixo que eles tiraram de l�.
Sacolas e sacolas, caixas de papel�o, comida podre.
Ela estava pegando coisas da rua e tudo mais.
Ela tinha s�ndrome de "Androgene".
- De Di�genes. - Sim, sim. Tanto faz.
Mas a primeira coisa que acharam foi a cachorrinha,
- que ainda estava viva. - Cachorrinha?
Uma cachorrinha que a Sra. Dolores tinha,
uma poodle branca, pequena, muito simp�tica.
Credo!
- Vou abrir aqui. - Por favor.
Os bombeiros, acostumados a esse tipo de coisa,
disseram que foi um dos piores casos que j� viram.
Eles sa�ram com a cara amarela.
De enjoo!
Mas a pior parte foi quando a encontraram
e eles viram o que havia acontecido.
Voc� nem imagina.
A Sra. Dolores estava deitada no meio daquele lixo todo
e com a cabe�a esburacada.
A cachorrinha havia comido toda a carne da cabe�a dela.
Pouco a pouco, dia ap�s dia, o bichinho precisava comer.
Ela deixou o cr�nio completamente descascado.
Essa n�o era a grava��o.
- Preciso ir. - Tudo bem. Tudo bem, menina.
Vem de l�.
- Est� vindo dali. - Da cozinha.
O que � isso?
Est� vindo de l�. Est� mais alto ali.
O que foi?
O que �?
Minha Nossa.
Precisa de ajuda?
Nacho?
V� embora!
Ali, ali. A manifesta��o � mais forte ali!
Caralho. Que viagem, cara.
Dani, sai! � perigoso. Cuidado!
Sai da�, seu louco! N�o v� que os canos v�o estourar?
Dani, Dani!
Voc� est� bem?
- Ele morreu? - N�o sei.
Chame uma ambul�ncia, por favor.
Dani! Dani!
- � o apartamento da Eva de novo! - Foi l� de novo!
Que maravilha.
Parab�ns, Nieto. Tirou a sorte grande.
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