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- Como te sentes? - Bem.
PRIMEIRO DE MAIO
Despachem-se, sen�o vamos perd�-lo!
Quem tem lume?
BESIDE ME
Aten��o ao fecho das portas!
Ajude-me a p�r isto aqui.
Pr�xima esta��o, Grivitza, sa�da � direita.
Qual � a tua, meu?
O gajo nem olha para onde vai.
TENHO SAUDADES TUAS.
INC�NDIO EM DISCOTECA EM BUCARESTE
Chego daqui a 20 minutos, n�o entres em parafuso.
L� est�s tu outra vez.
EXPLOS�O ONTEM � NOITE EM DISCOTECA FAZ 31 MORTOS E MAIS DE 45 FERIDOS
Thomas, olha para mim... Sa�mos daqui a pouco.
Cambada de tecnocratas, at� a luz nos roubam!
Acalma, � avozinho!
Thomas, olha para mim.
Anda, canta comigo.
Um elefante... Anda.
Thomas!
Caros passageiros, devido a uma falha t�cnica
somos obrigados a aguardar.
O problema ser� resolvido sem demora.
Por favor, mantenham a calma durante esta paragem tempor�ria.
Obrigado.
Thomas. Desculpem.
A m�e n�o tem m�o no menino.
- Tiveste medo? - Thomas?
Thomas, olha para mim.
- Desculpe. - N�o se preocupe.
Anda.
Instala-te, meu amor.
Senta-te aqui.
Vais ver que o metro parte num instantinho.
Est� bem?
- Com te sentes? - Estou bem!
- Descansa, por favor. - N�o consigo, com o teu estado...
Santo Deus! Eu por acaso disse que ela estava enganada?
Ela tem raz�o.
Mas n�o � t�o grave quanto diz a contabilista.
Acredita, vamos ganhar o contrato.
Falei com... Tudo se vai resolver.
Acredita!
Confias em mim?
O que pensas que eu fiz at� agora?
Se n�o � confian�a, n�o sei o que �.
Se pusemos as nossas economias na empresa? Pusemos.
Se eu fiz um empr�stimo ao banco? Fiz.
Tamb�m eu: vendi o carro, a casa do meu pai... E ent�o?
Exatamente: e ent�o?
Teo, tudo o que fizemos, fizemo-lo para n�s.
Disse-te desde o in�cio que ia demorar.
Sabia que acabar�amos por ter esta conversa.
Estavas � espera que eu descobrisse?
N�o era mais simples manter-me a par das coisas?
J� estou a ver aquela enfermeira vesga mandar-nos � fava.
� mesmo vesga?
Nunca reparei.
N�o te preocupes, tenho a certeza de que nos vai receber.
- � s�... - Em que mundo vives?
E se te sentes mal aqui dentro?
N�o me deste os meus comprimidos, hoje de manh�?
Vi o e-mail.
Quem mais est� em c�pia?
Est� bem.
Vamos ter de resolver isto.
Diz-lhe que recebi o e-mail e...
Ainda n�o pude fazer as �ltimas verifica��es.
Depois falo com o Neagu.
Est� bem.
Tudo se resolve, mas tem mais cuidado, para a pr�xima.
V�o ligar-me � m�quina, eu fico ali tranquilo,
e depois, o m�dico vem para a consulta.
Sossega.
Nelu, viste a tua taxa de triglicer�deos?
Olha.
Est�s a ver?
N�o te preocupes. Quero l� saber dos meus triglicer�deos.
Espero que n�o comeste fruta, hoje.
N�o.
Espera... O abacate � um fruto ou um legume?
Ai, ai, ai...
O que foi, agora?
Importas-te de me dizer o que tens?
Perdi a minha carteira.
- N�o a tinhas? - Tinha, at� comprei um bilhete.
Para qu�, se tens um passe?
Tirei-a da pasta quando entr�mos no metro.
Garanto-te que a tinha.
Claro, se o dizes...
Poupa-me.
Sim, aguardo. Muito obrigado.
Onde foi que a arrumaste, depois?
Boa... N�o podias ter escolhido melhor s�tio para ta roubarem!
Bravo.
N�o me admira.
Grupo sangu�neo A2.
B-0-0-4-5
6-9-8-7-6.
Desculpe, no fim � sete em vez de seis.
Queria avisar que ia chegar atrasado.
Obrigado pela sua compreens�o.
Este tem ar de drogado.
- Curti com uma mi�da, ontem � noite... - Pois claro.
Curtiste mas � com a tua m�o direita!
Olha o borracho.
Menina, a esta��o Universidade ainda � longe?
� menina!
A esta��o Universidade ainda � longe?
Vejam-me s� esta parvinha.
E agora, como vamos pagar a dona Ivan?
- N�o a vamos pagar. - "N�o a vamos pagar."
Vamos dizer-lhe que perdi a minha carteira.
Diz-lhe tu, eu c� n�o digo nada.
Como queiras.
A bem pensar, n�o sei porque a vamos ver.
- Achas que tem novidades? - Ela disse que resolvia as coisas hoje.
Vamos arranjar uma solu��o.
Somos insolventes, esqueceste?
- Deixa de tapar o sol com a peneira. - Tens outra solu��o?
S� sei que estamos a perder dinheiro h� dois anos, e chega.
Como podem dizer uma coisa dessas?
� incr�vel.
A minha m�e estranha eu n�o ir � igreja.
N�o quero financiar aqueles mafiosos.
Estamos na s�rie O Polvo?
Disseram mesmo que n�o iam sem convite?
Porra, dezenas de pessoas morreram queimadas!
Quantas, exatamente?
Nem sei.
H� meia-hora, anunciaram 35 mortos.
- E o n�mero aumenta. - � terr�vel.
Que horror.
Imaginam o dinheiro que os pais v�o pagar para os enterros?
E o ciclo perpetua-se.
Dev�amos ligar aos nossos amigos.
A fam�lia e tr�s colegas meus ligaram-me ontem � noite.
Temos de fazer o mesmo, imagina se um dos nossos amigos estava l�.
Tem um telefone que me empreste por um minuto?
Desculpe ma��-la.
Tome.
Obrigado, devolvo-lho j�.
Sim, l� estarei. Daqui a umas duas horas.
Deixe-me falar com o cliente. Escusa intervir.
Lamento imenso, terei mais cuidado no futuro.
Eu trato disso.
- Muito obrigado. - N�o tem rede?
N�o.
Simples curiosidade, quantos n�meros consegue memorizar?
Vi que ligou para tr�s n�meros de mem�ria.
Nunca pensei nisso, n�o fa�o ideia.
Impressionante!
Quanta gentileza sua.
Muito obrigada.
- Desculpe, por acaso sabe... - Sim?
Esqueci-me do que lhe queria perguntar.
A s�rio?
A s�rio.
N�o h� problema.
Queria encontrar alguma coisa inteligente para lhe dizer,
mas com olhos t�o lindos, perdi as palavras.
Est�-me a fazer corar.
O que foi?
Pode ficar com ele mais um bocado.
Ainda tem bateria, talvez consiga ligar.
- Vamos ficar aqui um certo tempo. - Bolas!
N�o me d� jeito.
Se temos de matar o tempo, que seja agrad�vel.
N�o pode ser! Tinha uma marca��o no cabeleireiro.
Ainda bem que me lembro. Vou ligar-lhe.
Dona Jeni? Daqui fala a Sveta.
A Sveta! Est�-me a ouvir?
N�o sei quanto tempo ainda vou ficar aqui presa.
O que aconteceu?
Comigo, nada.
Ent�o com algu�m importante?
Sim, uma figura!
O meu irm�o. N�o � do tipo que passa despercebido.
N�o nos damos muito, mas sei que costuma sair � noite.
N�o lhe consigo ligar.
Talvez lhe tenham roubado o telem�vel.
Isso, ningu�m pode saber.
E se lhe aconteceu alguma coisa? Estou sem not�cias.
N�o penses no pior.
N�o consigo, estou preocupado.
Estou? Como assim, cancelar?
Dona Jeni?
Idiota!
Com licen�a.
M�E SATAN�S
Estou, sim?
Vi que tinhas ligado, mas estou no metro.
Como podes pensar que ia perder um momento t�o importante?
Diz-lhe que acalme, est� entre boas m�os.
O que foi, minha querida?
Diz-me como correram as coisas, no cabeleireiro.
Nelu, sei o que est�s a fazer.
Diz-me mas � como te sentes.
Sinto-me bem.
Garanto-te.
Conta-me qualquer coisa,
estou-me a chatear e nem trouxe o jornal.
E pensas que a minha ida ao cabeleireiro pode ser uma conversa interessante?
A cabeleireira tratou do meu cabelo com os olhos postos na televis�o.
Estavam a dar not�cias de um inc�ndio, numa discoteca.
Todos os canais falavam disso. � uma trag�dia.
Para ti tamb�m.
Estou a ver que tem jeito com palavras.
Sou comercial, que rem�dio.
- Tenho uns clientes malucos. - N�o me diga.
E o que vende?
- Coisas perigosas? - N�o exatamente.
Carros.
� menos perigoso do que parece,
mas d� sempre confus�o.
Conduz bem?
T�o bem que o meu carro est� na garagem!
Calhou-me um garagista meticuloso, vai levar tempo.
Que culpa tenho eu se gosto de velocidade?
Gosta de velocidade?
- N�o devia. - Bem, tamb�m depende.
H� coisas para as quais gosto de ir devagar.
Falavam de 31 mortos e sei l� quantos feridos.
Havia ambul�ncias, param�dicos, bombeiros...
As v�timas eram todas muito novas.
Uma aut�ntica cat�strofe.
Nem posso imaginar o desespero dos pais.
Que coisa...
Santo Deus...
N�o posso ficar sem fazer nada. Vamos ver se precisam de ajuda.
N�o te deixam passar o cordel de pol�cia. Podemos � doar.
Mas doar a quem?
Desde ontem, abriram v�rias contas.
- Grande oportunidade para os vigaristas. - Estava a falar em doar sangue.
Talvez se tenham enganado?
V� se te respondeu.
Talvez lhe tenham roubado a carteira
com o bilhete de identidade dentro.
Faz quanto tempo?
Quinze minutos.
N�o consigo...
N�o posso ficar aqui fechada.
Vou enlouquecer, Sorin.
N�o aguento mais...
Repete-me o que eles disseram.
Jovem, 20 anos.
Stancu Catalin, pap�is de identidade parcialmente queimados.
O nome do nosso filho.
Um dos amigo dele pode ter encontrado a carteira.
Talvez os pap�is dele estivessem dentro?
Talvez...
N�o, obrigado.
N�o me apetece ouvir barulho.
Porque pensas que a minha cultura musical se resume a barulho?
N�o sei, talvez as apar�ncias.
Um-zero para ti.
Sabes o que eu podia pensar, se me fiasse nas apar�ncias?
Surpreende-me.
L� vou eu...
Barba e bigode, olheiras, chaves de carro...
Um hipster que frequenta bo�tes na moda
onde s� se aceita gente fina,
a quem tiraram a carta por condu��o perigosa com o carro do pap�.
Acertaste para a bo�te, para o resto n�o.
Trabalho l�.
Como empregado de bar.
Sim, agora � f�cil de adivinhar.
Podias ter sido o dono.
Mas se fosses, n�o adivinhava.
- At� podias ser giro, sem a barba. - Obrigado.
E a T-shirt?
Um cliente deixou-a.
Tem as suas vantagens, trabalhar l�.
E as chaves?
A c�pia das chaves do meu irm�o.
Casa, carro e caixa de correio.
N�s vivemos numa �poca melhor.
Estas coisas n�o aconteciam, no nosso tempo.
Lembras-te?
Das festas de arromba que d�vamos, quando �ramos novos?
Est�s mesmo a pensar nisso, agora?
Porque n�o? � t�o bom, relembrar.
Devia ligar para a jovem m�dica, � muito simp�tica.
- Incr�vel! - O qu�?
Depois de tanto tempo...
os furos das tuas orelha ainda se veem.
Porque n�o usas mais brincos?
- Que conversa � essa? - Ficavam-te t�o bem.
Tens ar de saber muito.
� a minha vez de adivinhar.
Pela tua roupa, deves ser uma artista.
Numa banda de m�sica?
Canto mal e desafino, mas acertaste na parte art�stica.
Armada em esperta... arrogante...
Que faz tro�a das velhas.
Muita maquilhagem: sa�ste ontem � noite.
Em maus termos com os teus pais.
N�o deves ter namorado, sen�o n�o falavas com estranhos.
Estudas arte...
ou arquitetura.
N�o queres mais conversar?
S� disse o que via.
- Thomas... - Ol�.
Sabes? Acho que tenho uma coisa para ti.
Toma.
Desculpe, ele �...
- �... - Amoroso.
Lindos brinquedos. Onde os comprou?
Ele gosta muito de cisnes.
Fui eu que os fiz.
A s�rio?
Esculpiu-os � m�o?
Sim. � uma paix�o, um hobby.
Ajuda a passar o tempo.
Devolve os brinquedos ao senhor, meu anjo.
- D�-os ao senhor. - N�o � preciso.
Insisto... ele pode ficar com eles.
Se gosta deles, que os guarde. A s�rio.
Por favor, n�o � preciso.
Fico incomodado.
O prazer � meu, n�o quero dinheiro.
Chocolate?
N�o, obrigado, sou al�rgico.
N�o tenho outra ideia.
E escusa ter.
Se ele gosta deles, fico contente por lhos oferecer.
� bom, ter uma paix�o.
Eu tamb�m tinha, mas foi tudo por �gua abaixo. Anda, Thomas.
Qual era a sua paix�o?
Desculpe, o que gostava de fazer?
Nada de especial, apenas pensava...
Mariana.
Daniel. Prazer.
Se lhe disser, vai fazer tro�a de mim.
Diga.
Costumava escrever poesia.
N�o vejo raz�o de tro�a. Linda paix�o.
S�o palermices.
Quando leio o que escrevia no secund�rio...
desato a rir.
A sua paix�o...
Os seus brinquedos s�o mais...
Como posso saber? Nunca li um dos seus poemas.
Se me mostrar um, talvez concorde, talvez n�o.
Parece uma armadilha.
N�o vou cair nessa. Anda, meu anjo.
Como queira, eu disse-lhe o que pensava.
Juro-te, foi o que disseram. Fizeram coisas sat�nicas.
Brincaram com fogo, queimaram-se.
O que queres? Andavam l� pelas caves, arderam!
Aquele tem ar de gostar � canzana.
- Pois tem. - O que foi, linda?
Choc�mos-te?
Vai consol�-la.
- Ficou fula! - � boa demais para ti.
� chefe, queres uma m�sica alegre ou triste?
- Estava a falar com a mi�da. - Cala-te e baza!
N�o se preocupe, n�o a v�m mais chatear.
- S� lhe queria dizer isso. - Muito obrigada.
Coitados...
Acha normal comportarem-se assim?
N�o se pode esperar deles o que Deus n�o lhes deu.
Os tempos mudaram.
V�-se logo que nunca apanharam uma boa sova.
H� quem n�o fez bem o seu trabalho, l� em casa.
Nem toda a gente � bom pai,
e nem todos os pais n�o s�o boas pessoas. Est� escrito algures.
Bem dito.
Era preciso fazer passar um teste a quem quer ter filhos.
Como para a carta de condu��o.
Muito obrigado.
Thomas?
O que � isto, agora?
Devem estar a brincar connosco...
- Eles desceram? - Como?
Hei!
A s�rio?
Desceram para a via-f�rrea?
E n�s? Porque n�o descemos?
- Est�o a sair. - S�o os da carruagem da frente.
Deixem-nos sair!
Bata no vidro.
- � melhor ficarmos quietinhos. - Mas o que � isto?
Sa�ram.
Melhor para eles.
O que foi?
N�o falas mais com o teu irm�o?
N�o.
� ele que n�o quer, ou � casmurrice tua?
Um pouco de ambos.
Sei o que queres dizer.
E estamos ambos errados.
Depende.
Cada caso � diferente, �s vezes n�o h� outra solu��o.
E tu, qual � o problema?
O teu ex-namorado?
Antes fosse, esta ainda est� na minha vida.
� a minha m�e.
Tento afastar-me dela, mas � complicado.
Mant�m-te com r�dea curta?
� mais ao contr�rio... e cansa.
Como assim, mant�m-la com r�dea curta?
Depois dos meus pais divorciarem e do meu pai partir para a Fran�a,
a minha m�e frequentou um homem, e outro... e outro.
Como posso diz�-lo gentilmente?
A minha m�e falta de maturidade.
Tive uns dez pais em dez anos.
E todos se piraram.
� pesado.
E cada vez, ela chorava, deprimia.
E depois, recome�ava.
N�o sei o que te dizer.
E... tu?
Como te davas com eles?
Muito...
mal, com todos.
Passado um m�s ou dois, punham-se a mandar l� em casa.
Quando eu via um ramo de flores, sabia que era sinal de rutura.
� p�, n�o!
Desculpa, hoje n�o � o meu dia.
Descansa, vais encontr�-lo.
Queres pedir outro telefone?
N�o, deixa estar.
N�o estou com disposi��o.
Cuidado.
- Nelu, o que foi? - Devagar!
Algu�m acuda!
- Nelu, responde. - Podemos ajudar?
Algu�m chame uma ambul�ncia!
- Chamem uma ambul�ncia! - Deixa de filmar!
Chamem uma ambul�ncia!
Sou enfermeira, deixem-me passar!
Deixem-no respirar.
- Cheguem-se para tr�s. - Espere.
Vamos para o hospital, para a di�lise dele.
Se tiver an�lises, mostre-mas.
Posso procurar sozinha.
Meu Deus!
Deixem o homem respirar.
Para de filmar, porra!
Com licen�a.
- Deixe... - Posso ajudar, tive o mesmo.
- Posso ajudar? - Sou enfermeira, desenrasco-me.
- Quer �gua? - Sim, se faz favor.
- Ent�o? - Temos de o levar para o hospital.
Pois mas o metro...
Tome.
- Vai morrer? - N�o, minha senhora.
Fique calma, sen�o arrisca sentir-se mal.
Apanhe-me isso, por favor.
Respire.
Nelu...
Sentes-te bem?
Se parasses de me bofetear, at� sentia.
Aqui est� a �gua.
Obrigado, j� estou melhor.
Sabe, ela reage sempre assim.
Mas eu n�o fico aflito.
O que foi que eu fiz? Disse alguma coisa?
Tamb�m tens um papel?
Thomas, espera!
Deixe-o estar. N�o se preocupe.
N�o precisam de uma criada de mesa, na tua bo�te?
N�o sei, mas posso perguntar.
N�o � um trabalho f�cil.
Muitos b�bedos, hor�rios de noite, dorme-se pouco...
Se � assim t�o dif�cil, porque ficas?
Preciso de dinheiro.
Podias trabalhar noutro s�tio.
Falas bem, tens um bom ar...
Tens ar de poder fazer outra coisa.
Depois v�-se.
Eu c� n�o tenho a tua paci�ncia.
Disseram-nos para ir...
para...
identificar o corpo.
Disseram-nos para ir ao hospital.
- Onde? - Deve ser um bom hospital.
Zanguei-me com ele.
Gritei coisas que n�o queria.
Disse-lhe para sair l� de casa.
E agora foi-se para sempre.
N�o conseguia dormir, quando ele sa�a � noite.
Tinha medo que tivesse m�s frequenta��es.
Como vou poder viver, agora?
- Como? - Acalme.
Vamos encontr�-lo. Garanto-te.
Nenhuns pais deveriam viver uma desgra�a t�o grande.
Nunca me vou perdoar.
Preferia ter morrido eu.
Calma.
O seu filho ama-a,
e se estivesse aqui, n�o gostava de a ver sofrer tanto.
Talvez o que lhe vou dizer n�o seja um grande consolo,
mas ele est� feliz, onde est�.
O qu�?
Como pode dizer uma coisa dessas?
Quem � o senhor, para dizer que o meu filho morreu?
- Deixe-nos! - Pe�o desculpa.
Vamos encontr�-lo.
- Tem filhos? - N�o.
Mas quer ter?
Quero.
Vai ser um bom pai. � do g�nero paciente.
Nem tem ideia.
- Tamb�m usa essa aplica��o? - O qu�? N�o, imagine...
Porque diz "n�o", se nem sabe do que estou a falar?
Fez muitos encontros, no Tinder?
Como � poss�vel n�o nos termos cruzado?
Ou�a bem...
N�o julgue que sou leviana.
- Uma amiga inscreveu-me... - Claro, sei como �.
- Tamb�m foi o meu caso. - A s�rio?
Sim.
Estava com uns amigos e come�ou como uma piada.
Eu, foi depois de uma rutura dif�cil.
Uma amiga disse-me que podia encontrar uma rela��o s�ria,
com um homem s�rio, como voc�.
Tamb�m procuro um relacionamento
simples e natural.
As coisas devem acontecer naturalmente.
Pois, naturalmente.
Leu o meu pensamento.
Desculpe, consegui rede e tenho mesmo de responder.
Claro, esteja � vontade.
Estou?
Estou bloqueado no metro.
Juro, � uma avaria.
Est�s a tricotar-me um p�-de-meia?
O que mais me chateia, � nunca teres confiado em mim.
Ou na minha opini�o.
Eu bem te disse para n�o te associares com aquela gentalha,
mas fazes o que te d� na tola.
Disse-te para pedires um pagamento adiantado.
Entre outras coisas.
E agora, j� n�o podemos resolver nem recuperar nada.
E quem pagou as contas? N�s.
Esfol�mo-nos ao trabalho.
Gast�mos as nossas economias,
e agora ficamos sem nada, absolutamente nada.
Para ser honesta, n�o confio mais nos teus esquemas.
Se me tivesses dado ouvidos, pelo menos uma vez...
N�o pedia mais do que isso.
Desiludiste-me.
N�o consigo mais mentir.
Quero divorciar.
Deixaste cair uma malha.
Eu sei.
EST�S BEM? N�O ME RESPONDES.
PLANOS PARA LOGO � NOITE?
PENSA BEM. ESTOU CONTIGO. TALVEZ SEJA UMA MENINA.
RESPONDE. N�O FA�AS NADA DE EST�PIDO.
ESTOU A CAMINHO. SE QUISERES, ESPERA POR MIM NA CL�NICA.
MENSAGEM N�O ENTREGUE. REDE INDISPON�VEL.
Mimi, ouve. Espera, n�o desligues...
Para onde vai?
Saio na pr�xima esta��o.
E agora?
E esta?
Est� a gostar?
Do qu�?
Minulescu.
"Na cidade onde chove
Tr�s vezes por semana
Um velho e uma velha
Dois estranhos brinquedos caminham de m�os..."
"Brinquedos partidos."
"Dois brinquedos partidos." Percebo, quis ser educado.
Conhece o poema inteiro, ou s� a �ltima estrofe do Aquarela?
"Na cidade onde chove
Tr�s vezes por semana
Cidad�os nos passeios..."
Estou a ver que o conhece.
Por acaso � professora?
Como adivinhou?
Deu-me �ndices suficientes.
� muito magrinho, coma esta sandu�che.
- Obrigado. - E com essas veias salientes...
Acha?
N�o me diz respeito, mas parecem-me inchadas.
- D�i? - O qu�?
As inje��es.
- Porque se ri? - N�o sou nenhum drogado, minha senhora.
Sempre foram assim.
Mas tem raz�o, n�o gosto de agulhas.
E hoje, vou doar sangue.
Para um amigo que teve um acidente.
- O inc�ndio de ontem � noite? - Sim.
Est� na unidade de queimados de Bagdasar.
Felizmente, muita gente foi doar sangue.
- � uma trag�dia. - Pois �.
Pois.
Um amigo querido?
Muito.
Um rapaz... novo?
Temos a mesma idade.
Espero que fique bem.
Tamb�m eu.
Vamos nessa?
- Est�s pronto? - Estou a filmar.
In�cio da experi�ncia.
Os indiv�duos contaminados manifestam uma tosse leve.
Piscam dos olhos com frequ�ncia e co�am-se.
� terroristas!
O v�rus espalha-se rapidamente,
com uma progress�o de duas pessoas a cada 30 segundos.
Indiv�duos com uma imunidade elevada
sentem uma leve irrita��o nasal na primeira fase.
Outros parecem j� ter contra�do o v�rus da raiva.
Os primeiros sintomas s�o evidentes,
e podemos ler o medo nas suas caras...
Est�o malucos? Por acaso acham piada a isto?
Pensam que s�o engra�ados?
Vais ver o que � bom para a tosse.
P�e-te a andar!
Opa!
Idiotas...
N�o t�m nada nos miolos?
Quanto tempo ainda vamos ficar aqui?
Sente-se bem?
Tenho de tentar manter a minha calma.
Pensava conseguir controlar-me.
Uma vez acabei no hospital por causa disso.
Como paciente, desta vez.
Acontece.
Bando de idiotas!
Queria agradec�-la.
Porqu�?
Pela sua boa ideia.
Decidi fabricar brinquedinhos.
Amanh�, vou � serra��o para comprar madeira.
Que boa ideia. Fico contente por si.
E quando � que me vai ler um dos seus poemas?
N�o para j�.
Pois...
Imagino que tem pouco tempo para isso.
N�o � uma crian�a como as outras.
Quero dizer, tem necessidades especiais.
N�o conhe�o a sua situa��o, mas n�o deve ser simples.
� muito dependente de mim.
N�o tenho ningu�m para me ajudar.
Ele n�o gosta de ficar em casa dos meus pais.
E o seu marido? Est� ocupado?
Est�. Com outra.
� para mim?
Julguei que era al�rgico.
Mente facilmente.
Desculpe.
Sou um pouco selvagem, tenho rea��es absurdas.
O que dizia, acerca do seu marido?
O meu marido...
Quando o Thomas foi diagnosticado,
disse que n�o estava pronto para isso e desapareceu.
Completamente.
Que homem admir�vel! N�o que seja da minha conta.
Nem queria pagar pens�o de alimentos. Tive de o processar.
Com o meu sal�rio...
E ainda � o caso? Nada mudou desde que o Thomas nasceu?
Vive numa gruta, ou qu�?
- N�o sei nada dessas coisas... - Ningu�m faz nada.
Bem, ausentei-me durante uns tempos.
Ontem, descobri que a minha namorada tinha casado com um amigo.
Nem me tinham avisado.
Recebi uma carta, ontem.
Onde estava?
Estive a viajar.
Ajude-me a perceber. O que faz? � biologista? Escultor?
Escolha o que quiser.
� maluco.
Vou medir a tens�o dele.
Meu rapaz, sinto-me mal desde ontem � noite.
Tenho a impress�o que a minha cabe�a vai explodir.
E a minha tens�o arterial subiu.
Enfermeira, tenho de lhe dizer que tinha a tens�o alta, hoje de manh�.
Como assim?
Fui � entrada do pr�dio, onde tinham posto...
o aviso com o montante dos encargos.
E sabe que mais? Dobraram desde o m�s passado.
E ainda nem ligaram o aquecimento!
Como � poss�vel?
- Fizeram-nos a mesma coisa. - Ai foi?
Foi.
Mas reunimo-nos com outros inquilinos e pedimos um inqu�rito.
- Ora essa... - E ajudou?
- Temos um novo administrador. - Muito bem.
As pessoas roubam que nem ladr�es
neste pa�s.
N�o � verdade?
Est� tudo bem.
Como est�? Tem ar de se estar a divertir.
Claro que est�. � um menino especial.
Vai ser um malandro, quando crescer.
Ainda vamos ficar aqui uns tempos.
Parece.
Estou habituado a esperar.
Sa�ste hoje?
Sa�.
Quanto tempo?
Sete anos.
Sete?
Porqu�?
Por um ganso.
Punha ovos de ouro?
Um manda-chuva com um jipe atravessou a aldeia do meu pai
e atropelou um dos gansos dele.
O meu pai atirou-se a ele.
O filho da m�e come�ou a bater no meu pai, quase o matava.
Assustei-me.
Fui l� para dentro,
peguei num machado.
Acabava de festejar os meus 18 anos.
Coisa feia. Sorte s� teres levado com sete anos.
Devia ter ficado mais, mas deixaram-me sair por boa conduta.
Melhor para ti.
N�o sei o que me deu.
Quando vi o meu pai deitado no ch�o, passei-me completamente.
Podia t�-lo matado.
Ainda �s novo, tens a vida � tua frente.
Vai tudo correr bem.
Espero que sim.
L� dentro... aprendi um of�cio. Gostava de o tornar numa profiss�o.
No secund�rio, gostava de inform�tica.
Mas j� l� v�o muitos anos e � dif�cil compensar o atraso.
Todos olham para mim como se fosse escumalha.
N�o posso dizer nada, falar com ningu�m.
Todos cometemos erros.
Se erraste, reconhece-o, n�o tens de ter vergonha.
Se tens vergonha, talvez n�o tenhas aprendido do teu erro
e arriscas reproduzi-lo.
S� honesto contigo e com os outros.
Pede perd�o e acima de tudo, perdoa-te a ti pr�prio.
Muitos vivem no passado, outros fogem dele.
O homem tem de se manter direito na luz para ser visto de todos.
Aqueles que t�m olhos para ver estimar�o essa vis�o.
Percebes?
Diz-lhe.
� incr�vel como ele se ligou consigo.
N�o � costume. Habitualmente, precisa de mais tempo...
- Tenho de lhe dizer. - ...para criar la�os.
N�o se costuma dar com desconhecidos, mas consigo...
Sa� da pris�o, hoje.
Anda com a m�e.
- N�o queria... - N�o me toque.
Morreu anteontem.
Eram familiares?
N�o, amigos.
Eramos quatro. H� vinte anos, embarc�mos num barco.
Quer�amos ganhar dinheiro. Toc�vamos de manh� � noite,
para o mundo inteiro.
Gast�vamos o dinheiro assim que o ganh�vamos.
Era muito dinheiro.
Era uma loucura, ganh�vamos rios de dinheiro.
As pessoas para quem toquei...
Empres�rios, figur�es de Hollywood e Beverly Hills.
- E as pessoas com quem toquei... - Quem?
Mariah Carey, Whitney Houston,
Carol... como era o nome dela?
- N�o conhe�o. - N�o interessa.
Grandes cantoras.
Deve ter viajado muito.
Muito... Londres, Nova Iorque,
Milano, um lugar espantoso. Pelo mundo inteiro.
- E gostou? - Muito.
E os outros do grupo?
Os outros...
O violonista embebedou-se uma noite
e caiu pela borda fora.
O meu irm�o, o pianista,
perdeu o dinheiro todo no p�quer
e deu um tiro na cabe�a.
E este coitado...
tocava flauta como mais ningu�m.
- E? - Morreu com cirrose.
Teve uma morte horr�vel.
Deu o dinheiro todo � fam�lia
e nem lhe compraram uma cruz...
Uma morte terr�vel.
Num armaz�m.
Sozinho.
H� muito que te decidiste?
A mensagem da contabilista foi a gota de �gua.
� medida que o ia lendo,
perguntava-me o que tinha feito com a minha vida.
Olha.
"Os pap�is da insolv�ncia est�o prontos
assim como o balan�o anual, para o banco.
Proponho-lhe encontrarmo-nos no s�bado no caso de decidir prosseguir."
Podes ler.
O que � isto?
O que � esta mensagem? "Sessenta e sete mil euros, M�e."
Explicas-me?
Fala!
N�o te queria mentir. N�o � o que julgas.
Eu... por favor...
Fiquei com medo, Adrian.
P�e-te no meu lugar.
Pensa em tudo o que aconteceu.
Este heran�a � a minha �ltima garantia de n�o acabar na rua.
Tu tens jeito nos neg�cios, safas-te.
Mas eu... O que vou fazer?
Confiei em ti e olha que bem me sa�.
- N�o passa de uma fachada. - Ent�o n�o � verdade?
N�o. Nada de glorioso.
Mas o que lhe falta?
Compreens�o, um pouco de compaix�o.
E considera��o, quando fa�o as coisas bem.
N�o digo sempre, mas ao menos de vez em quando.
Que parem de julgar que tudo lhes � devido.
N�o sei... estou cansado.
- Lamento. - N�o me estava a queixar.
Mas como me perguntou...
Os meus rapazes s�o crescidos.
Instalaram-se na Alemanha. T�m casa, fam�lia.
Mandam-me um postalzinho de vez em quando, para os anos ou para as festas.
Quando me ligam, � s�: "Ol�, como est�s?" E desligam.
N�o querem gastar muito.
Deixe-me mostrar-lhe.
Est�o sempre comigo. Olhe aqui, os tr�s.
Est� a ver?
Este � o meu cora��ozinho, o Aurash.
Desejo-lhes o melhor.
- Ent�o, chefe? - � um pope!
Olhem s� para este traje!
Quando se fala no diabo...
- Uma sotaina! - � um milagre.
- Quer uma esmolinha? - Quem o chamou?
Sua Santidade!
Aben�oai-nos, Senhor...
A caridade rende?
"N�o mentir�s"?
Faz o que diz o padre, n�o o que ele faz.
Gosta de borche?
- E de caldo de carne, gosta? - S� se for bem quente.
- E couve recheada? - O meu prato favorito.
Um aut�ntico moldavo.
Talvez possa vir a minha casa um dia destes, preparo-lhe um bom prato.
N�o sei cozinhar sobremesas, mas posso aprender.
Vou ficar uns tempos aqui,
n�o tenciono viajar.
J� mo disse.
Desculpe, recuperei o sinal. � do escrit�rio, tenho de responder.
Onde est�s? A tua m�e e eu estamos � tua espera.
Estou a caminho do bloco, Catalin!
�s o pai desta crian�a, ou n�o �s?
Estou a parir sem ti, cabr�o!
Devia ter vergonha.
Quando tencionava dizer-me?
Antes, ou depois da couve recheada?
D�-me isso! Por acaso dei-te a autoriza��o?
At� � parecido.
�s um parvo.
Ficaste zangada?
A tua m�e sabe que beijas barbudos no metro?
Olha para ti, n�o tens vergonha?
- O qu�? - Um m�nimo de dec�ncia.
- Aprendi contigo. - N�o te importas, �?
Devia? H� pouco, nem querias falar comigo.
Pois, porque �s uma pespineta!
- E �s m�. - Ai sou?
Tenho vergonha de ti. Estou farta!
- At� no metro... - N�o � da tua conta!
Ficaste de m�os a abanar, �?
Vinha ter contigo,
mas nem isso percebes, sua pirralha idiota.
Estou farta de te ver ir com a conversa do primeiro gajo que passa.
- A minha m�e. - Percebi.
Bogdan, senhora.
- Prazer. - Como sabias que era ela?
Ela n�o tirava os olhos de ti.
N�o reparei.
Estavas ocupada a ignorar os outros.
Agradecemos-lhes pela paci�ncia.
Mantenham a calma at� o problema ser resolvido.
Queres incendiar-nos?
Terrorista!
Eu sabia que nos queriam gasear!
- O que foi, meu? - S� queria queimar um fio.
Ficou tudo maluco? O que vos deu?
Julgam que est�o na selva?
O que julgam que s�o? Pol�cias?
T�m olhos, mas n�o veem mais longe do que a ponta do nariz!
- Por acaso tem ar de terrorista? - E porque n�o?
- Pare de deitar achas para a fogueira! - Cale-se l�.
N�o me chateies!
M�e, anda c�, n�o te metas em sarilhos.
Meus caros...
Trouxeste o teu pai?
Acordem, homens de boa vontade!
Est�o a ficar cegos.
Se nos comermos uns aos outros
acham que o metro arranca mais depressa?
Porque olham para mim assim?
Viste isto? Tu tamb�m?
Sim, sou um pope.
Mas tamb�m sou um homem, como voc�s.
Tenho dois olhos, duas orelhas e dez dedos.
Com tu... e tu.
Ou como o espertalh�o do isqueiro.
Enchem-nos na cabe�a com um monte de porcarias.
Terroristas, tecnocratas...
Coisas que n�o existem.
Mas algum de voc�s consegue ver
a prenda incr�vel que nos foi dada?
O tempo parou para nos podermos conhecer.
Para nos podermos olhar nos olhos.
Tivemos a coragem de o fazer? N�o.
Porque temos medo de ser julgados por este
ou aquela.
Estamos neste metro como estamos na vida.
Uns ao lado dos outros.
Mas os nossos cora��es est�o a milhas.
Porque temos medo.
Procuramos culpados...
porque o metro avariou.
Porque na noite passada, perto daqui, as nossas crian�as arderam.
Uns esquecem que t�m filhos.
Outros estragam-nos com mimos.
Outros ainda querem escond�-los da vida porque se sentem fracos.
Acordem e olhem dentro de voc�s mesmos, como eu tento olhar em mim.
�s vezes, n�o gosto do que vejo.
Acordem.
Uns gabam-se de ser crentes, outros de ser ateus.
Outros... de ser sei l� o qu�.
Mas crentes ou ateus... todos s�o humanos.
S� isso.
Fiquem contentes por serem humanos.
Ao entrar para o metro,
pens�vamos percorrer umas esta��es e sair.
Mas o que aconteceu?
Percorremos uma vidas.
Amem-se um ao outro... boa gente.
Para que est�s a olhar?
Ele n�o tinha culpa.
Queres vir morar comigo?
Sua pateta.
Estou, m�e?
Nasceu?
Como est�?
Que maravilha.
E a Ada, est� bem?
Pod�amos tentar outra vez.
N�o quero desistir.
Sei, mas estou morto de medo.
Deixe-me, por favor.
Pe�o-lhe para se ir embora.
Diz-me o que me vai acontecer?
Vou tomar conta de ti.
Tamb�m n�o sou nenhuma santa.
N�o tenho o direito de o julgar.
De qualquer maneira, sa�mos na pr�xima esta��o.
Recomendo-lhe uma massagem linf�tica.
Vai ver que endireita o mecanismo todo.
N�o me diga que tamb�m faz isso.
N�o, mas aprendi certos truques com especialistas.
Mas o que faz?
Eu?
Sou core�grafo.
Dan�a contempor�nea.
Produzo-me na televis�o, em emiss�es art�sticas.
Como ballets?
Integro uns elementos de ballet, sim. Dan�o desde crian�a.
� assim por causa do ballet?
N�o h� causa especial para ser como sou.
Nasci assim.
�s vezes descobre-se muito tarde. Ou nunca.
Mas as pessoas n�o percebem e julgam-me.
Vi logo � partida que era diferente.
- Mas sou diferente. - N�o estou a falar disso.
Julguei que era um drogado.
Seja o que for que as pessoas digam,
devia mand�-las � fava.
� fava.
Dorme, meu menino
Vais tornar-te lindo
A mam� olha por ti
E ama-te, meu anjinho
Dorme a noite todinha
Bom dia, � o senhor?
Quem os chamou?
- A enfermeira com o menino? - N�o sei.
Fomos n�s que cham�mos a ambul�ncia.
Ora vejam s� que surpresa!
- Sente-se bem? - Perfeitamente bem.
Bem, vamos indo.
Muito obrigado. Foi um prazer, como uma dan�a.
Obrigada, querido.
N�o se esque�a de ser fiel a si pr�prio.
- Estimas melhoras! - Obrigado, meu caro.
Consegue andar, ou precisa da maca?
- Posso andar. - Ent�o vamos.
Tem um telefone?
Estou?
Radu?
Pr�xima esta��o, Primeiro de Maio...
Legendas: Eva Bacelar
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