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Original subtitles

A arte � importante porque nos d� o infinito.

A arte descreve o eterno.

Fico cada dia mais fascinado pela arte.

Suas infinitas possibilidades...

e nossa necessidade dela.

Nossa necessidade de...

hist�rias e...

conhecer outros destinos...

Sem isso, haveria um vazio muito grande.

Devemos ser gratos por existir a arte.

SENDO UM SER HUMANO

Roy Andersson faz filmes sobre seres humanos

Ele mora e trabalha num edif�cio no centro de Estocolmo.

Todo cen�rio � constru�do em seu est�dio

Cada cen�rio leva em m�dia um m�s para ser constru�do...

filmado...

N�o! Para, para, para!

...e depois destru�do.

Seu �ltimo filme foi muito bem recebido.

Isso me d� for�as para seguir com um novo projeto.

Aos 75 anos, Roy come�ou um novo filme

Onde deixei os meus �culos?

Est� decidido que ser� o �ltimo.

Ah! Eu sempre esque�o...

O tempo todo!

S� um minuto...

J� vou sair!

Ah!

Agora lembrei...

"Eternidade".

"Sobre a Eternidade".

Na verdade, admito que n�o � um t�tulo perfeito.

Eu queria que fosse "Infinitude"...

"Sobre a Infinitude". Mas � uma palavra mais dif�cil.

Tamb�m poder�amos usar um de seus sin�nimos...

mas "Sobre a Eternidade" n�o � t�o ruim assim.

N�o � perfeito, mas tamb�m n�o � ruim.

Este filme � uma colet�nea de poemas curtos sobre a exist�ncia.

Todos os lados do ser humano.

� tr�gico, engra�ado...

...tudo, enfim.

- Ol�! - Ol�.

Agora est� come�ando a ficar bom.

Tome um gole.

Essa cena vai me levar pra cadeia!

O tempo n�o perdoa ningu�m!

...voc� est� vivendo.

� totalmente absurdo!

Imagine se voc� disser essa frase maravilhosa sem olhar o texto.

- � de qualidade! - Sem d�vida.

O importante � chegar no ponto de dizer: �Agora est� funcionando�.

Para Roy, se n�o est� bom...

ent�o est� muito ruim...

porque fica banal e sem um significado mais profundo.

Voc� corrigiu um pouco aqui?

Sim, corrigi. Podemos ver como ficou.

Ah... agora n�o posso reclamar mais.

Minha querida equipe...

O mundo do cinema vai nos agradecer...

por termos feito uma cena t�o maravilhosa.

Roy vem sentindo uma press�o muito grande, ultimamente.

Ele n�o sabe se conseguir� fazer as cenas ficarem boas.

A maior press�o vem dele mesmo: "Ser� que isso est� bom mesmo?"

"Eles me pregaram pelas m�os..."

Acho melhor voc� dizer "Eles pregaram minhas m�os".

Ent�o voc� diz: "O que aconteceu?"

E em vez de dizer: "Deixe-me ver" diga: "O que h� de errado?"

O que h� de errado?

O mais importante para mim � descrever...

essa condi��o especial que todo ser humano tem:

a fragilidade.

A fragilidade diante da vida.

Eu estou surpreso por ter...

conseguido fazer isso direito.

Porque no come�o eu n�o estava certo de que conseguiria.

Porque n�o tenho certeza de que sou um bom ator.

O principal problema em todos os meus filmes � a autoconfian�a...

e a falta de autoconfian�a.

Roy precisa de tempo para pensar nas cenas e no filme.

Ele � assim.

A curiosidade pelas pessoas e por

situa��es faz parte da produ��o do filme.

Acho que todo mundo gosta de observar as pessoas que passam.

Sentar em um restaurante...

e olhar as pessoas passando.

Ser humano...

� sentir prazer em ser humano.

Roy, conversamos sobre como voc�, �s vezes, apenas observa pela janela...

Sim, mas estou usando o bin�culos para olhar o card�pio.

Assim n�o preciso descer e atravessar a rua.

Posso ver o menu daqui.

- Que esperto! - Sou muito pregui�oso.

�s vezes.

Outono - 2017

Crucifique-o! Crucifique-o!

Que pecado voc� cometeu?

Depois de dizer isso, bata nele.

Vamos criar alguma tens�o.

"Levante!"

Bem, n�o � muito divertido ser crucificado.

N�o, definitivamente n�o �.

Posso apertar a m�o de uma lenda brilhante?

Obrigado.

Podemos tirar uma foto juntos?

Sim, claro.

Devo dizer que � uma honra estar aqui.

Ah, obrigado.

Estou encantado... � um sonho.

Obrigado, sr. Roy. Sensacional!

- Obrigado. - Sucesso com o trabalho.

O est�dio � um lugar especial para todos n�s.

Eu e Johan come�amos a trabalhar aqui nos anos 90.

Eu vim aqui como estagi�rio.

Trabalhamos muito por longas horas.

O trabalho � intenso, mas muito legal.

Estamos h� tanto tempo juntos que somos como um �nico corpo.

A atmosfera � muito familiar.

Porque Roy mora no mesmo lugar...

Ele desce e toma o caf� da manh�.

Esta � a casa dele, o est�dio.

E n�s tamb�m fazemos parte disso.

Um mundo com suas pr�prias regras.

Todos os cen�rios s�o constru�dos no est�dio, diante da c�mera...

e isso foi muito inspirador para mim, quando comecei aqui.

O tamanho do est�dio determina o m�todo usado para fazer os cen�rios.

Para fazer com que pare�a maior...

usamos um m�todo conhecido como "Trompe-l'oeil": uma ilus�o de �tica.

Tudo � feito em escala menor...

e depois posicionado entre a c�mera e o ambiente real...

fazendo com que os dois se juntem.

Voc� provavelmente ir� notar que � uma maquete.

Se olhar direito, voc� ir� perceber que � tudo constru�do.

Voc� tamb�m pode ver os tra�os em uma pintura, mas isso...

n�o estraga a pintura.

Ver como foi o processo torna a esperi�ncia mais rica.

Esse bast�o mole foi usado no filme...

na cena em que Jesus � espancado.

Essas s�o algumas das obsess�es de Roy.

Ele � obcecado por tomadas...

e radiadores.

Em todas as cenas h� longas discuss�es

sobre canos, tomadas e radiadores.

Eu realmente entendo isso.

Aumenta a sensa��o de realismo, de que existe vida nos ambientes.

Me orgulho da cena de trem do filme "Voc�s, os Vivos"...

quando o cen�rio, que est� parado, come�a a se movimentar.

No come�o, era um simples truque de luz.

Havia camadas de maquetes movendo-se em velocidades diferentes.

Era uma equipe muito grande.

Quando voc� conhece pessoas que j� trabalharam aqui...

Voc� pode v�-los nos filmes.

Todos deixam rastros.

Todo esse est�dio � um lugar e um mundo onde ele pode...

fazer tudo o que ele imagina, do jeito que ele imagina.

E sem compromisso.

Semana 1

Semana 2

Semana 3

Semana 4

Semana 5

Cena finalizada

Ele � um verdadeiro acumulador.

N�o se desfaz de nada.

� dif�cil lembrar o quanto j� usamos disso tudo.

Especialmente quando fazemos testes de cena.

Come�amos montando o cen�rio e os �ngulos de c�mera.

Como pintor, prefiro experimentar o tempo todo.

Uma ideia diferente, uma escala diferente, um �ngulo diferente...

Uma nova paleta de cores, novos di�logos...

Mudar os personagens, as posi��e em cena.

Vou testando muitas coisas at� chegar � decis�o final.

Meu conceito � criar cenas a partir da imagina��o.

O filtro da mem�ria completa o resto.

Mem�ria e sonho definem o meu estilo.

Com ajuda disso, voc� simplifica...

e obtem alguma esp�cie de abstra��o.

Adoro isso porque � um exemplo...

do que chamo de linguagem posicional e linguagem corporal.

N�o h� di�logo e nem narra��o...

mas voc� � capaz de entender os personagens...

quem s�o, sua classe social e suas atitudes.

Pessoas meio que perdidas, alheias ao que acontece � sua volta.

Gosto de mostrar nossa fragilidade.

E nosso destino aqui na terra.

Mostrar o ser humano em toda a sua simplicidade.

Existe poesia nos momentos mais simples.

J� � setembro.

Muitas vezes encontramos nossos atores l� fora, na vida real.

Voc� me pergunta se eu me vejo em todos esses personagens...

Eu acho que sim!

Me vejo em todos eles.

Por que voc� me abandonou?

N�o sabemos se foi Deus que o abandonou...

... ou se foi a garrafa de vinho!

- Ol�! - Ei!

Voc� est� bem? Faz tempo que n�o nos vemos.

Roy chama atores que n�o s�o vistos com frequ�ncia.

Que, na verdade, n�o est�o em atividade.

S�o pessoas que n�o tiveram muito sucesso na vida.

Veja isso.

� o registro de contabilidade.

Nada foi salvo.

Isto � uma fortuna.

Eles t�m vidas chatas e parceiros chatos.

Isso, na superf�cie.

Mas Roy enxerga neles algo mais.

Eles podem ser um pouco rid�culos nas cenas tamb�m, mas...

Roy os olha com ternura e lhes d� dignidade.

Vamos tentar.

N�o posso dizer que isso � atuar.

Parecemos uma parte da mob�lia.

N�o � fant�stico?

O que?

Tudo.

Sim.

O mais importante para um ator � a autenticidade.

Cada pessoa tem um sistema de reflexo interno.

Seus reflexos instintivos...

s�o bem afinados e reagem em fra��es de segundo.

O olhar, a express�o facial, a linguagem corporal

D� um passo � frente. Vamos ver como fica.

Olhe para o m�dico.

� muito divertido e interessante quando se observa uma pessoa...

que est� processando o que v� e ouve.

Deixe-me dar um exemplo.

Se algu�m chega e diz algo como:

"Voc� soube que meu pai morreu?"

"Ah, ele morreu? Como isso aconteceu?"

"Ele caiu de uma cerejeira."

Se voc� disser "cerejeira"...

Se voc� for espec�fico...

em vez de dizer apenas: "caiu de uma �rvore"...

Se voc� explica que � uma cerejeira, quem ouve...

certamente come�a a...

tentar entender...

como isso teria acontecido.

E esse processo...

quando a pessoa tenta imaginar...

ele caindo de uma "cerejeira"...

� um momento divertido de se ver.

Primavera - 2018

Geralmente, Roy n�o gosta de membros da equipe atuando.

Mas fizemos um teste com Tatiana, que era estagi�ria...

e ele ficou satisfeito. Agora estou atuando tamb�m.

Eles abrem mais?

Acho que n�o.

Voc� precisa passar pelo est�dio B.

Como contorno isso?

Voc� est� aqui h� quantas semanas?

- Quatro? - Quatro semanas?

Mais ou menos isso.

- E voc� trabalha como carpinteira? - Sim.

Eu me pergunto porque Tatiana veio parar aqui?

Eu adoro seus filmes! Por que n�o viria?

- Foi por isso? - Sim, sem d�vida.

Dia de testes do cen�rio da esta��o de trem

Faremos um teste quando Roy chegar. E ele j� deveria estar aqui.

Espero que ele venha logo.

Estamos esperando Roy chegar...

para fazer nosso teste hoje...

do que preparamos ontem.

Vamos come�ar.

O que estamos fazendo?

Estamos testando o cen�rio da esta��o.

Eu entendo, mas... s� o cen�rio?

- Agora, vazio? - Sim.

�s vezes o trabalho de Roy � apenas ficar sentado aqui...

se certificando...

de que estamos fazendo direito.

Est� certo.

Est� bem gasto.

Ao v�-lo olhar para um teste...

voc� sente que ele est� pensando: "Uau, est� muito bom".

Ultimamente ele est� em d�vida sobre a qualidade do trabalho.

Est� muito ruim.

Acho que devemos tentar de outra forma.

� uma quest�o de ponto de vista.

Ele tem a capacidade de sentir: "Essa cena � fant�stica, � linda!"

O problema � que no dia seguinte ele n�o v� do mesmo jeito.

Ent�o ele muda de ideia porque n�o sente mais o mesmo.

N�o � uma forma racional de pensar, � deixar o lado emocional agir.

Essa � uma boa ferramenta.

Mas nem sempre podemos confiar nela.

Ver�o - 2018 A produ��o est� atrasada

Vamos seguir o planejamento e estrearemos em 2019.

Certo, entendi.

Sim, estamos progredindo, tudo est� caminhando bem.

Mas como eu disse, ainda h� muito trabalho a fazer.

Parab�ns pra voc�! Parab�ns pra voc�!

Feliz anivers�rio, Am�lia!

Parab�ns pra voc�!

Am�lia.

Obrigado!

Pra voc�.

Ah, Bruegel!

- Voc� gosta dele? - Sim.

Por favor, fique � vontade.

Tudo bem?

Tudo bem, tudo bem.

Ele �s vezes...

tenta esconder.

Ao mesmo tempo, vem fazendo isso mais abertamente.

Bebendo vinho e...

Mas agora est� claro que isso afeta o trabalho de forma negativa.

Tudo certo?

Acabei de pegar... Quero um pouco de �gua.

Obrigado.

Conversei com meus colegas.

Eles est�o preocupados com meu sonsumo de �lcool.

Eles n�o est�o errados em suas cr�ticas.

O consumo aumentou nos �ltimos dois anos.

Muitos de n�s tem se perguntado: "O que fizemos no ano passado?"

N�o acredito no que Roy pretende fazer aqui.

N�o combina com o que pintamos.

Ent�o decidimos arquivar isso.

Por que?

- Para falar com... - Para pode falar com Roy.

T� certo.

Acho que isso o assusta.

Sempre que falamos de quantas cenas faltam...

ele reage: "Ah, n�o quero que isso acabe".

Ent�o... sim...

Talvez seja um truque inteligente, para que isso nunca acabe!

Eu realmente espero que Roy chegue a um estado onde ele...

onde ele se sinta melhor.

S� acho que � ser muito otimista...

acreditar que depois de trinta anos bebendo muito...

ele vai ficar completamente bom...

em um m�s ou dois.

Ele teve esse tipo de problema durante toda a filmagem.

Isso aumentou muito nos �ltimos meses...

...tomanda uma grande parte do filme.

Se olhar o que filmamos at� agora...

� sobre ansiedade, morte e nostalgia.

E h� uma grande quietude nisso.

Se voc� comparar com os seus filmes anteriores...

ver� que ele fez muitos filmes

reflexivos, mas que eram engra�ados...

e este filme n�o � nada engra�ado.

� mais delicado...

e mais sombrio.

A conclus�o do filme depende inteiramente do ritmo de Roy.

� uma caracter�stica especial dele tamb�m.

No final, s�o as quest�es de Roy que tornam o filme interessante.

Seus filmes s�o extremamente autobiogr�ficos.

Gostar�amos de lhe apresentar alguns de nossos produtos.

Vamos l�.

Os caras vendendo artigos de divers�o no filme "Um Pombo"...

acho que � uma refer�ncia a ele mesmo.

Um dos �tens mais vendidos s�o esses dentes de vampiro...

com essas...

presas extra longas.

Quando eu era jovem, n�o via problema...

em repetir respostas nas entrevistas.

Primeiro eu queria ser escritor. Sonhei imensamente com isso.

Mas atualmente, quando estive no Festival de Veneza...

eu dava aproximadamente vinte entrevistas todos os dias.

E isso faz parte do trabalho.

No entanto, voc� precisa beber para ser mais...

agrad�vel...

e surpreendente.

O �lcool faz parte do seu processo criativo?

Para...

Para resumir, acho que � uma quest�o de evitar...

evitar...

ficar entediado.

De querer se livrar das emo��es negativas.

Do t�dio.

Em parte, bebo por isso.

Para me livrar do t�dio.

Quando fiz meu primeiro filme, "Uma Hist�ria de Amor Sueca"...

n�o bebi nada de �lcool.

Evitava beber �gua com g�s, por causa das bolhas.

Eu queria estar muito s�brio.

Quero apresentar um jovem de talento excepcional.

Seu nome � Roy Andersson.

Ele dirigiu "Uma Hist�ria de Amor", que fez muito sucesso na Su�cia.

E voc� recebeu quatro pr�mios no Festival de Berlim.

Quantos anos tem agora este jovem cavalheiro?

Fiz 28 anos h� alguns dias.

Ent�o est� se tornando um adulto agora?

Eu estava cansado disso.

Fiquei enojado do sucesso.

Enojado ao ouvir todos os elogios.

Realmente, n�o foi um momento divertido.

Chamamos isso de "depress�o do desejo saciado".

Voc� luta por algo que deseja e quando consegue realizar...

surge uma esp�cie de vazio.

� uma verdade antiga...

que o sucesso nem sempre traz felicidade.

E, de certa forma, tamb�m fere.

Agora, estamos curiosos para saber o pr�ximo projeto de Roy Andersson.

Quando conversamos por telefone, voc� disse...

que chegou a pensar em parar de fazer filmes.

Isso � verdade?

Existem muitas outras coisas divertidas

e interessantes pra se fazer na vida.

Por exemplo?

O cinema � cheio de coisas dif�ceis...

e exige um trabalho intenso.

E � muito estressante.

Requer grandes sacrif�cios.

Ent�o voc� se questiona: "� isso que vou fazer, ano ap�s ano?"

Eu vivi em Dalarna, zona rural da Su�cia...

e estou interessado no ramo hoteleiro,

ent�o isso � algo a se considerar...

S�rio?

Eu n�o sabia como continuar.

Parecia errado fazer outro filme usando

a mesma linguagem cinematogr�fica.

Numa esp�cie de protesto, fiz "Giliap", usando planos gerais.

"Giliap" �, na verdade, um grito silencioso.

Foi um fracasso em todos os aspectos: financeiro, de cr�tica...

Se voc� n�o faz sucesso, � deixado de lado.

Decidi que precisava ter controle sobre minhas produ��es.

Em 1981, Roy comprou uma moradia em ru�nas no centro de Estocolmo

Ele deu o nome de Studio 24

Fui for�ado a seguir um caminho diferente.

Levei anos montando a empresa, com o est�dio e os equipamentos.

Com certeza ficar� incr�vel depois que tudo estiver pronto!

O est�dio � um grande trunfo.

Sem isso, eu n�o conseguiria desenvolver meu pr�prio estilo.

Agora sou meu pr�prio produtor.

Posso trabalhar at� que tudo esteja perfeito.

S� tenho que aceitar que devo me internar...

para me desintoxicar.

N�o sei como � isso. Talvez seja �timo!

- Foi tudo bem? - Acho que sim.

Mas eles querem me internar.

- Quando? - Imediatamente, falaram.

Ah, meu Deus.

Pernilla, n�o se preocupe. Vou para a reabilita��o amanh�.

- Acho que � muito caro. - N�o �, de jeito nenhum.

- Quanto ser�? 10 mil d�lares? - �, talvez uns 15 mil.

Quanto?

- 15 mil. - Que droga!

Talvez 13.000.

- Caramba! Vale a pena? - Sim, vale!

Ah, meu Deus.

- � muita grana! - � mesmo.

Se n�o levar a s�rio ter� sido muito caro.

Mas n�o ser� caro se der resultado.

Com um custo desses, n�o h� escolha a n�o ser se comportar!

Enquanto fazia um filme, ele j� tinha outro em mente.

Mas desta vez, ele sente que nunca mais far� outro filme.

Quem se acostumou a trabalhar o tempo todo com outras pessoas,

se n�o tiver um novo projeto, ir� se sentir muito solit�rio.

Acho que vai dar tudo certo amanh�. Vai dar certo.

N�o gosto nem um pouco disso. Mas eu tenho que fazer.

N�o gosto disso, de verdade...

N�o quero ser considerado um...

viciado.

Um derrotado.

"Pobre homem".

"Escravo do �lcool".

N�o quero estar nessa situa��o.

Seria triste ter um come�o incr�vel e um final horr�vel.

Vai ser muito melhor quando ele estiver em forma novamente.

� o nosso pior momento no Studio 24.

N�o sabemos em que ponto exatamente estamos nessa crise.

A �nica coisa que realmente importa �...

saber como as coisas funcionar�o nas pr�ximas semanas.

10 dias depois

Ei Johan, voc� conseguiu um t�xi?

� muito importante.

� realmente muito importante.

Voc� conseguiu um t�xi?

Ou terei que caminhar at� Lund?

Estou numa clareira, perto da estrada principal.

Roy decide deixar o centro de reabilita��o

Espero que voc� n�o esteja me enrolando.

N�o � t�o dif�cil assim arranjar um t�xi.

Pelo amor de Deus! � urgente. N�o � brincadeira.

Fa�a o que puder para resolver isso o mais r�pido poss�vel..

Cem por cento mais r�pido!

Ningu�m acreditou...

que eu poderia voltar ao normal de novo.

Que droga, Anders.

� um momento muito dif�cil, e eu fa�o parte disso.

N�o sei o quanto Roy est� consciente da gravidade da situa��o.

� uma situa��o muito cr�tica e n�o sei se ele de fato entendeu isso...

at� agora.

Ser� que voc� pode fazer um rascunho?

S�o janelas?

Pelo menos duas janelas grandes.

Acho que vai ficar muito bom.

Estou desapontada, � claro.

N�o fiquei muito surpresa, mas desapontada.

Eu n�o sei... � que...

a ida ao centro de reabilita��o foi um

compromisso claro para uma mudan�a.

Acho que isso foi demais para ele.

Est� claro para todos, menos para Roy,

que est� com muito mais energia agora...

que todo mundo precisa, definitivamente, de um descanso.

Cenas prontas aprovadas por Roy

Cenas prontas, mas que Roy quer reescrever

Cenas que precisamos gravar hoje

Este � meu �ltimo trabalho.

Quero dar o melhor de mim!

Poder dizer: "Isso � o que sou capaz de fazer!"

� importante que isso esteja bem preciso.

A cena ganha for�a com esse ambiente.

Fica muito mais realista.

Encontrar um recurso � extenuante, principalmente no meu estilo.

�s vezes voc� comete o erro de achar que um whisky vai te fazer relaxar.

Voc� precisa relaxar.

Olhando bem, vejo que fizemos coisas realmente fant�sticas.

Levo isso extremamente a s�rio agora.

Oi, pai!

Isso � muito saud�vel.

Mmmm... j� me sinto diferente.

Foi uma situa��o muito triste.

N�o quero falar sobre isso agora.

Ele era um pai extraordin�rio.

Ele se sensibiliza muito com pessoas que s�o maltratadas.

Principalmente quando pensa em seus pais...

e como eles se sentiam inferiores aos mais privilegiados.

Ele se orgulha muito de seus filhos poderem ter uma vida diferente.

Em Danderyd, era raro algu�m morar numa pequena casa alugada.

A maioria de nossos colegas de escola morava em mans�es � beira-mar.

Meu pai achava estimulante estar em desvantagem.

Viver entre aqueles que o provocam.

Ele realmente n�o � algu�m ligado � fam�lia.

Ele � uma pessoa que s� trabalha e vive de maneira solit�ria.

Por isso, � muito dif�cil manter um

relacionamento de longo prazo com ele.

Ele n�o tem inten��o de parar de beber.

Ele disse que isso nunca vai acontecer...

porque sen�o ele morre entediado.

Ele acredita que � independente e que pode fazer da vida o que quiser.

Mas ele n�o percebe o quanto isso afeta as pessoas � sua volta.

Estamos cuidando bem do seu t�mulo, Tommy.

Estamos deixando ele sempre bonito.

Fant�stico!

- Obrigado por ter vindo! - Obrigado a voc� tamb�m.

- Quando isso ser� lan�ado? - Em um ano.

Voc� ganhar� ingressos para a estreia.

Espero que sim!

Isso � algo que espero.

Voc� precisa autografar meu livro, Roy!

E o que tem feito? Est� trabalhando?

Me aposentei, mas vivo com as m�os ocupadas.

� mesmo? O que voc� faz?

Hoje eu estive no refeit�rio comunit�rio em Linjeholmen.

Refeit�rio comunit�rio?

Chama-se �Food for Change�.

� �timo participar disso.

� muito gratificante!

Obrigado, senhor!

Posso pegar minha caneta de volta?

N�o estou certo disso!

Voc� n�o pode simplesmente embolsar as cois assim.

- Voc� ainda faz sucesso. - Sim, n�s fazemos...

- Obrigado! - Obrigado a voc�.

- A gente se v� por a�. - Claro.

�timo, obrigado. Tchau!

Ver�o - 2018

- Voc� quer agora? - Voc� quer agora?

- Voc� quer anestesia ou n�o? - Voc� quer anestesia ou n�o?

Voc� quer anestesia ou n�o?

Lennart, voc� pode entrar agora.

Excelente!

Mais uma vez e depois fazemos uma pausa!

Na verdade, � muito dif�cil.

Uma cena simples.

Mas o tempo deve ser perfeito.

N�o sei bem o que estou fazendo...

Mas continuaremos trabalhando na cena!

- Voc� quer um caf�? - Aceito.

� dif�cil lembrar de tudo.

N�o tenho uma fala longa, mas mesmo assim...

Fazer coisas, chutar...

Eu estava vendo o filme dele, "Um Pombo Pousou Num Galho" e...

Voc� viu esse filme?

Eu n�o entendi quase nada!

Voc� gostou?

Eu n�o sei...

N�o consegui assistir at� o fim, porque o filme � muito estranho.

� louco.

- Mas ele � conhecido no mundo todo. - Sim, em todo o mundo.

Conheci Roy no The Indian, restaurante aqui ao lado.

- Caf�? - Ah, claro, por favor.

Eu disse: �N�o h� nenhum personagem aqui nesta mesa�.

"Ah, voc� � um!", ele disse.

Eu pensei: "Deve ser brincadeira ou algo assim".

Mas n�o era!

Caramba, � muito desconfort�vel!

Posso deixar aqui?

Tudo que eu quero � uma cadeira normal!

Eu mesmo ajusto.

Apenas uma cadeira alta com encosto.

Vamos dar uma olhada.

Gravando!

A��o!

Ele est� bebendo menos.

Ele est� realmente lutando.

Mas seu comportamento mudou.

Ele anda mais irritado.

N�o entendo porque n�o conseguimos resolver isso!

Deu certo at� aqui...

Antes, isso acontecia no m�ximo uma ou duas vezes por ano.

Agora, acontece tr�s vezes por dia...

e ele se irrita quando digo alguma coisa.

Isso acontece por estar em contato maior com a realidade.

"Oi, vov� Roy! Estou com saudades de voc�."

� maravilhoso! Comovente!

Ela tem apenas cinco anos.

Mesmo quando crian�a voc� come�a a perceber...

que a vida n�o � muito longa...

que � desperdi�ada, ou escapa.

A educa��o � muito importante. � o que vai moldar o resto da sua vida.

Voc� leva para sempre o que viveu nos primeiros quinze anos.

Este mundo n�o foi feito para mim.

N�o foi feito para pessoas solit�rias.

Meu pai tinha dist�rbio neur�tico.

Ele ficou um tempo num hospital psiqui�trico em Gotemburgo.

Essas cenas foram baseadas em minhas lembran�as.

Meu pai era grande e forte. Um velhote genioso.

Um boxeador, extraordinariamente forte...

e ainda assim, extremamente sens�vel.

Ele tinha grandes problemas com �lcool...

at� os meus doze ou treze anos...

ent�o, de repente, ele parou de beber completamente.

Ele fez isso porque ficou muito deprimido.

Sempre fiquei impressionado por ele ter sido capaz de conseguir.

� preciso ter uma for�a de vontade muito grande para fazer isso.

Vamos fazer os �ltimos pedidos agora. �ltimos pedidos!

Amanh� vai ser outro dia.

Quando trabalhamos em uma cena por um m�s...

� dif�cil imaginar o quanto ele tem que

trabalhar com essas cenas na cabe�a.

Acho que, �s vezes, Roy fica sozinho revendo as cenas.

Ele deve lutar com elas o tempo todo.

O que eu penso quase todos os dias...

� que foram feitas tantas coisas inacreditavelmente cru�is...

com as pessoas, com a humanidade.

O que essas pessoas sentiram?

Quando as portas se fecharam e o g�s come�ou a entrar...

o que pensaram sobre a vida e o ser humano?

Algu�m perceber� isso no futuro?

Ele olha para n�s porque est� olhando para a mem�ria.

Para a hist�ria, que registra isso.

Espera que ningu�m perceba no que ele est� envolvido.

Estou sempre voltando para o mesmo tema.

Porque cresci com um sentimento de culpa.

Eu vivi durante a Segunda Guerra Mundial.

Eu sei que n�o estava l�, mas...

ainda assim, tenho um sentimento de vergonha e culpa...

por termos sido capazes de fazer o que fizemos.

Martin Buber expressa isso bel�ssimamente quando fala sobre...

as atrocidades cometidas contra a ordem do povo ou a ordem da vida.

Quando voc� destr�i isso, surge um sentimento de culpa...

que faz as pessoas se sentirem sujas e incomodadas.

Buber diz que sentir isso � normal, mas que pode ser reparado.

N�o necessariamente no local onde os crimes foram cometidos...

mas podemos reparar isso amando a vida em outras situa��es.

Sei que � uma atitude muito otimista.

Que seja poss�vel reparar essa culpa.

Fazendo o bem. Simplesmente assim.

Esta gravura de Callot n�o tenta influenciar o espectador.

� t�o concisa...

e � t�o poderosa.

Por sua frieza e objetividade.

Ele � muito bom.

Eu me sinto um amador...

comparado a esse pintor fant�stico.

Como ele teve tempo para criar todas essas obras incr�veis?

Mas no final ele estava quase exausto.

Enquanto os �ltimos cen�rios s�o constru�dos

Roy viaja � Espanha para receber um pr�mio pelo conjunto de sua obra

Roy n�o viaja h� alguns anos.

Estivemos nesta bolha de produ��o.

Ser� nossa primeira viagem...

depois de muito tempo.

Estamos muito felizes por estar aqui.

Obrigado.

Posso tomar um gole, Pernilla?

S� uma pequena ta�a.

Eles se emocionam ao chegar at� Roy e falar com ele sobre seus filmes e...

dizer o quanto significam para eles.

� muito importante fazer uma pausa durante o processo de produ��o.

Acredito que isso lhe d� mais energia.

Ele precisa ver que as pessoas esperam

que ele tenha algo novo para mostrar.

Museu do Prado - Madrid Exposi��o Francisco Goya

Existem tantos lados, brutais e bonitos, do ser humano.

N�o entendo como Goya manteve essa energia por tantos anos.

Ele tinha muita vitalidade.

E eu sei que ele teve momentos de depress�o em sua vida.

Posso imaginar como ele se sentia.

Pois tinha que ser forte demais para continuar vivendo.

Devemos ser gratos por ter esse tesouro.

A arte � guardi� do ser humano.

Socorro! Socorro! N�o consigo enxergar.

Socorro! Estou cego. N�o consigo ver nada.

Corta, corta, corta.

� s� virar a cabe�a, olhar e contar at� sete.

Preparar. Mais uma vez.

Rodando! C�mera!

Se eu n�o tivesse esse trabalho que tenho agora...

acho que seria uma pessoa extremamente pessimista.

Outono - 2018

Se o filme participa de uma sele��o,

existe o receio de que possam n�o gostar.

Voc� realmente espera que tenha ficado o melhor poss�vel.

� tudo uma quest�o de medo do fracasso.

Visita do Comit� de Sele��o do Festival de Berlim

Ol�, que bom ver voc�. Como vai?

- Voc� est� bem agasalhado. - Sim, est� um pouco frio.

Exibir o filme em Berlim � muito importante para Roy.

Prazer em conhec�-lo.

Nos divertimos muito na Espanha.

Recebemos isso.

Ah! Muito legal!

H� espa�o suficiente, n�o acha?

- At� mais. - At� mais, Pernilla.

Fant�stico.

Ah... � t�o humano!

- Hein? - � t�o humano!

Ah, que bom.

� muito engra�ado tamb�m. Todos n�s, eu acho, rimos muito.

� muito engra�ado.

Voc� riu um pouco, pelo menos?

- Um pouco n�o, n�s rimos muito mesmo.

Quando o assisti, h� alguns dias, pensei: �Uau, que filme tr�gico�.

- "Que filme extremamente triste". - S�rio? N�o...

E agora voc� diz que � engra�ado.

Pensei: "Ser� que as pessoas suportar�o

assistir a essas trag�dias do destino?"

Mas voc�s viram um pouco de humor nisso.

De verdade.

Roy, este filme � muito humano. Uma esp�cie de com�dia humana.

Na verdade, descreve o estado de esp�rito humano.

Tudo bem, Roy. Muito obrigado.

Voc� realmente me deixou emocionado.

Aproveite, entraremos em contato.

Certo.

Tchau.

Eles ficaram bem entusiasmados.

Estou mais preocupada com o tempo. O festival ser� em breve.

- De n�o terminarmos? - Sim.

- Mas vamos conseguir. - � pouco tempo.

Mas o bom � que eles acharam que vale a pena continuar.

S� falta terminar as duas �ltimas cenas.

E isso n�o � problema. elas est�o bem planejadas.

Foram muito gentis em me trazer isso.

� hora de fazer uma pausa...

As coisa mais criativas acontecem aqui...

Nesta semana, na pr�xima e na semana antes do Natal.

Ent�o, n�o temos muito tempo.

Estamos trabalhando nisso h� tr�s anos...

e agora temos que andar r�pido para que fique pronto a tempo.

E tem a quest�o do or�amento tamb�m.

Esgotamos o cart�o de cr�dito corporativo.

Ser� um per�odo realmente dif�cil.

O que fazer quando perdemos a f�?

O que fazer quando perdemos a f�?

Fico com esse filme na cabe�a o dia inteiro.

O tempo todo.

Dia e noite.

Est� aqui.

Ficar preso a essas coisas...

pode lev�-lo a um tr�gico fim.

Voc� n�o pode fugir do seu trabalho...

e nem de si mesmo.

� quase igual...

uma pris�o...

onde n�o h� nenhum jeito...

de escapar.

�s vezes � muito dif�cil.

Pode ser extremamente dif�cil passar por esse...

per�odo em sua vida.

Em que voc� sente... que n�o h� como escapar.

Voc� se torna prisioneiro de sua mente.

Fomos informados pelo Festival de Cinema de Berlim que...

o filme foi selecionado para a competi��o.

E ent�o...

Roy deixou claro que quer refazer uma cena.

N�o conseguiremos terminar a tempo.

Na verdade, eu disse a ele:

"Voc� � o l�der criativo".

"Voc� deve voltar, ser forte..."

"e querer terminar o filme".

Roy n�o pode se apegar a besteiras agora.

Tem que ter um plano bem definido.

Roy � muito aberto sobre suas pr�prias fraquezas.

Mas ele tem uma grande habilidade para esconder a verdade.

Ele � bom em enganar as pessoas, e tamb�m em enganar a si mesmo.

Ele realmente tem que estar em forma e ent�o terminamos o filme.

Precisamos que ele queira mudar.

E n�o sabemos se isso � poss�vel.

3 meses depois Primavera - 2019

A produ��o � retomada para as cenas que faltam

Ele s� tem olhos para esse filme.

Mas j� faz tempo que ele fala que em breve ficar� pronto.

E o que vai acontecer depois?

Todos v�o embora ou o que vai acontecer?

Gergely, voc� volta para a Hungria amanh�?

Sim.

- N�o, voc� vai ficar aqui! - Sim...

- H� quanto tempo trabalhamos juntos? - A primeira vez foi h� tr�s anos.

Em qual filme?

- Neste! - N�o! S�rio?

Se voc� for paciente o bastante, vai dar certo.

O processo � muito estranho e ruim em muitas partes.

Mas � a maneira de ser de Roy.

Trabalhar assim � confuso, porque se trata dos sentimentos dele.

O filme � feito baseado em suas ideias.

Precisamos de Roy para tudo.

� a �nica maneira de fazer um filme de Roy Andersson.

Voc� pode dizer a fala que ensaiamos?

"A primeira regra do estado termodin�mico..."

Acho que devemos acrescentar: �A energia � infinita�.

�A energia � infinita�?

Digo: "� infinita e continuamos a viver?

Isso, exatamente.

Vai ficar bem melhor agora.

- � barra pesada aqui no est�dio! - Certamente...

Isso � baseado no apartamento em que ele nasceu...

e cresceu, em Gotemburgo.

N�o vi pain�is de madeira assim em nenhuma outra casa...

mas Roy foi bem espec�fico quanto a esses pain�is.

Eles constru�ram o cen�rio a partir de

fotos do apartamento pobre onde cresci.

Fiquei paralisado quando o vi.

Eu estava l�!

�LTIMA CENA Ver�o - 2019

Estou feliz por estar terminando.

Porque cheguei a pensar: "Talvez n�o tenhamos um filme".

�ltima tomada da �ltima cena.

Sim...

A �ltima...

Rodando.

Uma �ltima vez.

� uma cena bem forte.

� muito estranho.

Eu n�o me acostumo a isso.

N�o me acostumo com essa situa��o.

Eu sinto que � estranho.

Na verdade, me sinto um pouco perdido.

Com o filme pronto, temos que pensar nos pr�ximos passos.

Agora vamos para Veneza. E depois?

Voc� vai ficar sentado aqui atendendo os telefonemas?

Como vai ser?

Algu�m estar� aqui depois do festival?

- N�o. - No est�dio?

Ningu�m?

N�o.

Outro dia perguntei a ele: "Qual o seu desejo?"

Ele disse: "� manter o est�dio funcionando".

"Consideraria fazer um novo projeto apenas para mant�-lo funcionando".

"Mesmo que n�o seja conclu�do, apenas

para continuar fazendo tudo como sempre"

Estou ansioso para ver o filme junto com o p�blico.

Estou bastante feliz com todas as cenas que fizemos.

FESTIVAL DE VENEZA Agosto - 2019

Ele sempre � atencioso e agrad�vel com as pessoas..

Isso faz parte do seu prazer em fazer filmes.

Trabalhamos juntos todos esses anos e nunca o vi t�o mal.

Estou com muita dor.

As pessoas v�m pedir aut�grafo, mas ele n�o consegue assinar.

E ele n�o quer ser visto como uma pessoa esnobe pelo p�blico.

Isso parte o seu cora��o.

Estreia Mundial de "Sobre a Eternidade"

Eu consigo subir.

- Tem certeza? - Sim.

Queridos amigos...

Quando pessoas trabalham juntas em um projeto, como n�s...

elas se encontram e fazem amizade umas com as outras...

Se n�o fosse esse filme, talvez nunca tiv�ssemos nos conhecido.

Acho que nos lembraremos um do outro pelo resto de nossas vidas.

� muito bom saber que vou me lembrar de cada um de voc�s para sempre.

E que se lembrar�o um do outro, e de mim tamb�m.

Isso � muito bom...

� uma pequena maneira de n�o se sentir totalmente sozinho.

O sentimento de amizade que vivenciamos aqui...

levaremos conosco por toda a vida.

Teoricamente, nossas energias...

podem se encontrar novamente...

em alguns milh�es de anos.

E ent�o, talvez voc� seja uma batata.

Ou um tomate.

Ent�o eu prefiro ser um tomate.

Um dia, passando por esse pr�dio, vi que ele estava vazio.

Entrei e perguntei: "Por que est� desocupado?"

"O propriet�rio morreu e agora seus dois filhos herdaram."

"Uau... Pode me passar o n�mero do telefone deles?"

Fiquei feliz por convenc�-los...

a me venderem o pr�dio.

Na verdade, esse foi o come�o da minha carreira.

N�o acha que talvez voc� tenha medo de n�o obter o mesmo sucesso de novo?

N�o, n�o � isso. Muito pelo contr�rio.

- Um homem jovem e confiante... - � melhor, � melhor...

Em troca de todo esse esfor�o...

voc� recebe algumas coisas de volta.

S�o muitas pessoas pelo mundo...

n�o muitas...

n�o muitas mesmo...

mas muitas o suficiente...

para que voc� sinta que est� oferecendo algo a elas.

Para a sociedade. Para a vida.

Bem, quero dizer...

Eu acredito na arte.

Em latim, se diz:

"Ars longa, vita brevis"

"A arte � longa, a vida � curta"

Roy ganhou o pr�mio de melhor diretor no Festival de Veneza de 2019

O trof�u ficou exposto na sua pizzaria preferida

Roy come�ou a trabalhar em um novo projeto

LEGENDAS - SergioEfe -

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