All language subtitles for Inés of My Soul S01E06 (2020).pt

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Original subtitles

Entenderão os soldados do capitão

o honroso ofício que entre mãos têm

e professaram.

O maior ditame da milícia é a obediência.

E então, senhores?

Como vão os preparativos para a campanha em Arauco?

Ansiosos por voltar ao combate sob o teu comando, Pedro.

O maior ditame da milícia é a obediência.

E vós, Sr. Quiroga?

Compartis o ânimo do alferes?

A verdade?

A verdade, claro.

Sempre a verdade. Já o sabeis.

Falai sem medo.

Os índios queimaram quase todas as reservas, no ataque.

Os exploradores não podem ir caçar,

pois são emboscados e assassinados pelos mapuches.

Os yanaconas não são suficientes,

para cultivar o trigo de que precisamos para viver,

apesar de trabalharem noite e dia.

Os yanaconas são preguiçosos por natureza.

Darão mais, com o chicote. Se se revoltam, levam com a lança.

Não são só os yanaconas que podem revoltar-se.

Uma rebelião?

Os meus soldados?

Disparate.

Um soldado que não se queixa não é soldado.

O que foi, cão?

Talvez sejais vós quem os incita.

Tendes sono?

Basta, senhores.

Já chega os selvagens ali fora; não vamos lutar entre nós.

Esperai, Cecilia.

Senhor,

permiti que alguém vá ao Peru pedir socorro.

Pedir socorro?

Ou melhor, informar sobre o que se passa.

O que tendes a perder?

Pizarro fê-lo, quando foi para o Peru e seus homens morriam de fome.

Cuidai a "guagua".

Eu não sou Pizarro, Sr. Quiroga.

Este homem está morto de fome. Como vos atreveis a bater-lhe?

Senhora.

Gostaríeis que a vós ou aos vossos homens

açoitassem desta maneira, como se fôsseis animais?

Isso não acontecerá, senhora princesa.

Somos espanhóis,

não animais.

Vocês, toca a continuar! Alçar lanças!

Alçar lanças!

INÉS DA MINHA ALMA

Aposto que estais cheios de fome.

Quereis?

- Eu! Eu! Eu! Eu! - Eu! Eu! Eu! Eu!

Busca.

Pequenos animais...

Ide descansar, Quiroga.

-Eu encarrego-me do resto da guarda. - Obrigado.

Devo dizer-vos que creio que me enganei em relação a vós.

Defendestes Santiago valentemente.

Agradeço-vos, senhor.

Mas eu era o único que estava enganado.

Julguei mal Valdivia.

Mostrou ser um grande capitão.

Não pensais o mesmo?

Sim.

Claro que sim.

- Que tenhais boa guarda. - Obrigado.

Já não sei que mais pôr aqui.

Toma...

Viraste-me a sopa.

- Dá-me a tua. - Desaparece.

- Vou arrancar-te... - Comportai-vos como soldados.

Soldados?

E dizei-lo vós, uma índia?

Paciência. Em breve, haverá colheita, e todos comeremos.

Viemos para cá para nos tornarmos reis.

Valdivia,

o teu Valdivia,

tornou-nos pedintes e mendigos.

E isto é o nosso ouro:

sopa de ervas daninhas e carne de lagarto,

pela qual ainda devemos estar agradecidos.

Voltemos para o Peru!

- Para o Peru! - Para o Peru!

Silêncio! Isso é deslealdade.

Porque vos calais?

Sois soldados do rei!

Quem é esta mulher, para dar-vos ordens?

É só a puta de Valdivia, e a sua amiga índia.

Há porcos e frangos, nos estábulos. Alimentar-nos-emos com eles.

Enlouquecestes? Esses porcos são para criação.

Agarrai a panela! A panela! A panela!

Não! Não!

Vizinhos de Santiago,

homens livres,

só vos peço que aguenteis um pouco mais.

Muito em breve, faremos a colheita, e haverá pão para todos.

Porque não podemos voltar para o Peru, se é o queremos?

Não somos homens livres?

Aquele que tente voltar para o Peru,

será perseguido como um cão e enforcado por desertor.

Eu próprio irei atrás dele, se for necessário.

Alerta!

Vinde!

Ardem os trigais!

Rápido, tragam água.

- Voltai para o conselho. - Não, Pedro...

Rápido! Já!

Ide em boa hora, que eu cuido deles, Dom Pedro.

Malditos índios...

São tão oportunos como uma almorreima nas nalgas.

O melhor seria fazer o que disse:

roubar uns cavalos e ir embora daqui.

Já não aguento mais.

Isso seria uma loucura.

- Mas pensei que tínheis dito... -Não ouvistes o que disse Valdivia?

Ele próprio perseguirá e enforcará

todo aquele que fuja ou deserte.

Água! Trazei água!

Aqui!

Que não se espalhe! Mais água!

Água!

Diz a todos que vigiem a serpente,

para que não possa sair da sua toca,

até que morra de fome.

Trazei água!

Vai.

Certo.

Faltavam só duas semanas, para a colheita do trigo.

Grandes miseráveis...

Bastardos.

Há que recomeçar.

Só daqui a três meses teremos outra colheita, senhor.

Três meses? Que assim seja.

Ponde guarda armada, dia e noite, nos campos.

Precisamos daquele trigo.

Está bem.

Já perderás a vontade de voltar a roubar.

Pequena alimária nojenta... Vou degolar-te.

Vou castigar-te diante de todos, para que aprendas.

Não fareis nada. O que se passa?

Apanhei-o escondido com isto, num túnel debaixo da paliçada.

De certeza que os roubou para dar aos seus.

Não roubei nada! Cacei-os com as minhas mãos!

Ninguém entra ou sai deste forte, sem minha autorização.

- Eu, sim. - Não maltrateis assim uma criança.

Há que ter cuidado com os mapuches. Para eles, todos são soldados.

As mulheres, as crianças...

Não me admiraria que fosse espião.

O que se passa, Francisco? Vês conspirações onde não as há?

Anda cá, Felipe.

Este selvagem, como tu lhe chamas,

atreve-se a sair à caça.

E é só uma criança.

Ainda vai ter mais valor do que alguns dos meus homens.

Credes que se tornarão amigos?

Assim espero.

Um par de frangos e estes porcos são os únicos animais que nos restam.

Agora que mal têm que comer,

só lhes resta fazer uma coisa para esquecer a fome.

Por isso, espero que possam ter muitos porquinhos.

Cecilia...

O que foi?

Vós?

Estais... Inés!

Que alegria...

Senhoras.

Acho que vou ver onde está Pedro.

Princesa.

Dom Rodrigo.

Em que posso ajudar-vos, Dom Rodrigo?

Temos de recorrer ao Peru.

Enviar um mensageiro a Cusco,

para que saibam o que se passa.

E porque acudis a mim?

Porque sois o meu único remédio; Valdivia não me dá ouvidos.

E o que vos faz pensar que me fará mais caso que ao seu imediato?

Vós...

Eu, o quê?

Sou a sua puta?

Sois um insolente, Dom Rodrigo. Por quem me tomastes?

Salvastes a cidade, quando estava perdida.

Está nas vossas mãos voltar a salvá-la.

Enviai ao Peru o correio que vos sugeriu Quiroga.

O que tendes a perder?

Não.

Não pedirei ajuda.

Não me mostrarei débil, ante Pizarro e o imperador.

Não é digno de um governador.

Nem pelos vossos homens o faríeis?

Sabiam o que estavam a fazer, quando vieram para cá.

E nem sequer...

...o farias pelo teu filho?

Pelo meu filho?

Pelo meu filho?

Sim.

Pelo meu filho?

"Vossa Majestade,

"encontramo-nos em situação desesperada,

"desde que os índios arrasaram Santiago,

"junto com toda a comida e quanta fazenda tínhamos.

"Apenas ficámos com os trapos para vestir,

"duas porcas,

"um par de frangos e dois punhados de trigo.

"Nem vinho temos para dizer missa,

"e andamos a comer raízes que tiramos..."

"Certifico a Sua Majestade

"que, desde a descoberta das Índias,

"não há terra igual a esta do Chile.

"Para poder viver nela e perpetuar-se, não há melhor no mundo.

"E nela abunda tudo o que um homem pode desejar.

"Ouro e prata,

"que parece que criou Deus ali para poder ter tudo à mão.

"E nela não falta outra coisa que mais espanhóis e cavalos,

"com os quais descobrir e povoar novas terras,

"para maior glória de Sua Majestade."

O que fazes?

Nada.

Estava só a sonhar.

E com o que sonhavas?

Contigo.

Sempre contigo.

Aqui tendes as cartas para imperador e para o meu senhor Pizarro.

Senhor Monroy, senhor Gómez, desejo-vos sorte.

Obrigado, senhor.

Levas os melhores cavalos que temos.

E lembrai-vos: viajai de noite e evitai povoações.

Assim farei.

E tu não te preocupes, Alderete,

que não te deixarei ficar com o meu ouro e as minhas comendas.

Acredito, Monroy.

Ide com Deus.

Cuida-te, filho da puta!

Credes que têm alguma hipótese?

O Gómez chegará.

Tem algo pelo que voltar.

Não sei, Pedro.

São mais de setecentas léguas, até Cusco.

Três homens em terras infestadas de índios.

Chegará. Faz-me caso.

Deus o ouça, Dom Pedro. Deus o ouça.

Ainda é cedo, só tive duas faltas.

Quando poderei tê-lo nos meus braços?

Na primavera.

Vamos comer.

Será o herdeiro de tudo o que estamos a fazer.

- O maior dos Valdivia. - Pedro...

Disseste...

...que não haveria linhagens nem privilégios.

Certo. Foi isso que prometi.

O que será das outras crianças da gente de Santiago?

Como se alimentarão?

São yanaconas.

Desenvencilhar-se-ão.

Aquele trigo tem de ser para toda a gente,

incluindo para os yanaconas e para os seus filhos.

Assim será.

Dom Benito,

para dar cabo do canastro como fazia o meu pai em Aranda

não atravessei eu um oceano, duas selvas e um deserto.

O nosso governador sabe o que faz.

Pequeno mapuche do demónio...

Aprende rápido, o rapaz.

Vai ser melhor ginete do que tu e eu.

Não devias afeiçoar-te tanto a esse moço.

Nunca deixará de ser índio.

És como uma velha seca, Aguirre:

não quer nem se deixa querer.

Senhor,

protege-nos da humanidade dos homens

e dos pecados da carne, que nos levaram a esta situação.

Por nossos pecados nos envias os Teus ginetes da guerra,

a peste e a morte.

Quem és?

Mostra-te.

Não tema, padre.

Sou um homem de Deus.

Então, porque não te mostras?

Dom Rodrigo...

Vim confessar-me.

Dizei-me, Dom Rodrigo.

Roubei e matei, pela minha pátria e pelo meu rei.

Matei em nome de Deus.

Isso não é pecado, é o dever.

Doloroso, mas necessário.

- Eu te absolvo... - Não terminei, padre.

O meu pior pecado...

...é desejar a mulher do meu senhor,

do meu amigo,

o homem que mais confia em mim.

Morro por ela,

a cada dia.

Quando a vejo, de manhã, semeando o trigo.

Quando a vejo a alimentar os animais.

Quando faço a ronda, à noite, e vejo luz na sua janela.

A sua força,

a sua valentia...

Não há um dia no qual não me levante a pensar nela.

Estou apaixonado desde a primeira vez que a vi.

Mas parte-me o coração,

saber que nunca será minha.

E ela também vos ama?

- Larga o Sultão! - Baixa isso. Calma, calma...

Baixa, baixa...

Alimária!

Avisa a guarda.

Guardai o cavalo de Valdivia.

Sim, senhor.

- Dom Benito... - Caluda.

- Por amor de... - Caluda!

Por caridade...

Tínhamos fome.

Por favor, senhor.

Por amor de Deus, senhor.

São espanhóis, não podemos açoitá-los como criminosos.

Dê-lhes 20, Dom Benito.

Disse que lhes dê 20.

Aguirre...

Senhor mestre de campo,

que se cumpra o castigo.

Entenderão os soldados do capitão

que o maior ditame da milícia

é a obediência.

Entenderão os soldados do capitão

que o maior ditame da milícia é a obediência.

E que ante qualquer violência, força, roubo e morte...

E que ante qualquer violência, força, roubo e morte...

...ele é o advogado e juiz

que decide a condenação.

Ele é o advogado e juiz...

Parai com isto, Pedro. Por Deus.

Só com boa ordem e disciplina se alcança a glória.

É só um cavalo.

- É só um cavalo? - Sim.

É muito mais que isso.

É uma arma de guerra.

É a única coisa da qual os selvagens têm medo.

É a única coisa que os mantém fora deste forte.

Precisavam de comer.

- E eu preciso daqueles cavalos. - Mais do que da gente?

Sim, mais do que da gente.

Era esta a civilização que queríeis trazer para o novo país?

Fome e sangue?

O que foi, Inés? Inés, meu amor...

Inés...

Como está?

Ela está bem.

E a criança?

Como está o meu filho?

Na verdade,

não havia nada.

Apenas sangue.

Como é que não havia nada? Como é possível?

Nunca houve "guagua".

O que estás a dizer?

Às vezes...

Às vezes, acontece, com a fome.

As mulheres ficam sem perda de sangue.

Tal como outras ficam sem leite.

Às vezes, acontece.

Tenho um plano.

Só tenho de escolher o melhor momento para levá-lo a cabo.

Aguirre e os outros não descolam dele.

Sim, eu sei. E esse é o maior contratempo.

E o Quiroga?

Não vos preocupeis, Dom Benito.

De Quiroga encarrego-me eu.

Como vos encontrais?

Melhor.

Sois muito gentil.

E Dom Pedro?

Não sei.

Decidiu castigar-me, com o seu silêncio.

É um néscio.

Não sabe o que tem em casa. E não o digo só por vós.

O que quereis dizer?

Temo que os homens se sublevem

e não tarde a haver um motim.

Não, Gómez e Monroy não tardarão a chegar com ajuda.

Não, não chegarão.

Explicai-vos.

Corre um rumor, entre os yanaconas.

Pizarro morreu.

Não virão ajudar-nos.

Estamos sozinhos.

Que outra provação nos vais impor, meu Deus?

Temo pela vossa segurança.

O melhor será uma retirada.

Retirada?

Neste momento,

temo mais o que possam fazer-vos os nossos homens

do que aqueles selvagens lá fora.

Talvez tudo isto seja uma loucura, e o sensato seja voltar para o Peru.

Mas como podeis dizer tal coisa?

Renunciar a tudo pelo que lutámos?

Esquecermo-nos de todo o esforço e sacrifício?

Não agora que estamos perto dessa colheita que tanto custou semear.

Não podemos desistir.

- Ouvi... - Ouvi vós.

Aquele trigo é a vida.

A de todos os habitantes de Santiago

e a dos seus filhos.

Talvez Deus nos tenha abandonado,

mas eu jamais deixarei esta gente à sua sorte.

Eu...

...só estava a pensar no melhor para vós.

Pensai no melhor para Santiago.

Que ninguém se afaste do grupo sozinho.

O que fazeis aqui?

Não preciso de mais conselhos, Sr. Quiroga.

Devíeis descansar.

- Se Pedro de Valdivia... -Quantos mais, mais cedo acabaremos.

Os soldados estão todos a trabalhar.

E vós?

Eu?

Eu, o quê?

Índio...

O que foi, Sr. Quiroga? Demasiado trabalho, para um soldado?

Quiroga tem razão.

Talvez devais descansar, Inés.

Não, não... Não é nada.

Dar a estes a satisfação de verem-me desfalecer?

- Não. - Inés...

O trigo não vai fugir a voar.

Vou refrescar-me um pouco.

Aonde vai Dona Inés?

Vai apanhar ar.

Inés...

Já vos disse que ninguém devia afastar-se do grupo.

É perigoso.

- Rodrigo, eu... - Não digais nada.

Amo-vos.

E creio que não sou o único que sente algo.

Por favor, Rodrigo...

Estais bem?

Xeque.

Não, não se pode fazer isso.

Como não? Ontem, disseste que podia mover a torre assim.

A torre é sempre para a frente ou para os lados.

Reta.

Não queres é perder.

Fica lá com o teu jogo de mouros.

O que foi?

Quero.

- Não conheces as regras. - Já te vi jogar muitas vezes.

São como dois exércitos.

Senta-te.

Este é o cavalo.

Como o Sultão.

Vamos! Despachai-vos, cães!

Despachai-vos. Rápido, rápido.

- Para onde levais este trigo? - Para o armazém do conselho.

- É para o acampamento yanacona. - São ordens de Dom Pedro.

Despachai-vos.

Vá.

Vá, despachai-vos.

Este é o rei,

a peça mais importante.

É como um cacique entre caciques. Como o nosso grande Carlos.

E esse Carlos quantas esposas tem?

Só uma.

Então, não é tão grande.

Esta é a rainha,

a peça mais valiosa.

- Mais do que o rei? - Mais do que o rei.

Se a perdes,

já não tens nada a fazer.

Felipe...

E se fôsseis...

...brincar com o pequeno Pedro?

Obedece.

Sois um mentiroso.

Prometestes-me que o trigo seria para alimentar a gente de Santiago.

E será.

Graças a ele, já poderemos partir para sul.

Não vos importa o que aconteça àquela gente, pois não?

Só o utilizareis para fazer bolacha com a qual alimentar as tropas,

no vosso delirante plano de conquista de Arauco.

Não sabeis o que dizeis.

O que será da gente de Santiago, se levais daqui todo aquele trigo?

Sobreviverão.

Fizeram-no até agora, comendo ervas e lagartos.

Um soldado em campanha precisa de comer mais e melhor.

Tem prioridade sobre qualquer um;

ainda mais sobre um maldito índio e os seus malditos filhos.

Ides fazer com que todos morram,

só para alcançar o vosso estúpido sonho de fama e glória.

Não entendeis.

Às vezes, esqueço-me de que sois apenas uma mulher.

Se não afiançarmos a conquista para sul,

estaremos sempre expostos aos ataques dos mapuches.

Nunca haveria descanso.

Lembrais-me o meu marido;

sempre a pensar...

...em projetos infantis e irrealizáveis.

O teu marido era um bêbado e jogador que se deixou matar.

Eu, não.

Chega!

Dom Pedro...

Saí daqui.

Que saia?

Esta é a minha casa.

Esta é a minha cidade.

O Chile é meu!

Vós sois minha!

O que tendes?

Assim quereis tomar-me?

Assim tentais conquistar esta terra do Chile e as suas gentes?

Pois assim vos responderão: com desprezo e ódio.

Olho para vós,

vejo no que vos tornastes, e arrependo-me...

...de ter tentado trazer um filho vosso a este mundo.

Como podeis dizer algo tão horrível?

Será verdade o que dizem de vós;

que sois uma bruxa.

-Vedes-vos muito pensativo, Quiroga. - Senhor.

Crede que vos entendo.

Mais do que pensais.

- Não sei do que falais. - Ouvi...

Ajudai-me a livrar-nos do louco do Valdivia.

Há de levar-nos todos à morte,

com os seus descabelados planos de conquista.

Continuo sem entender-vos.

A gente está muito descontente com Valdivia.

Ouvem-se rumores.

Há que aproveitar agora.

É o meu senhor.

Sabeis que não vou fazer nada sem contar com vós.

Mas Aguirre e Monroy...

...prestam-lhe reverência...

...e nunca se separam dele.

Preciso de vós.

Adeus, Sr. De la Hoz.

Rodrigo...

Rogo-vos.

Pensai bem no que acabo de dizer-vos.

Salvai-nos do louco do Valdivia, por amor de Deus.

Só vós podeis levá-lo a cabo com êxito.

Fazei-o,

e ela será vossa.

Ganho e volto a ganhar.

És o demónio, Pedro. Não há quem te ganhe.

Dá.

Duvidais, Quiroga?

Não mostrais as vossas cartas?

- Boa tarde, senhores. - Senhor De la Hoz...

- A que devemos esta honra? - Sentai-vos, por favor.

Temo que a razão que me traz até aqui seja...

...menos lúdica.

Na verdade,

trata-se de uma questão de suma relevância, Dom Pedro.

Não vedes que estamos ocupados?

É um assunto privado, Dom Pedro, que creio,

não tenho a certeza,

será do vosso maior interesse.

- Não me façais perder a paciência. - Juro-vos que não é minha intenção.

Trata-se de Dona Inés.

Quem é a jogar?

Bem...

Lamento ter errado no juízo; já vejo que não é do vosso interesse.

Se me desculpais, vou retomar os meus afazeres, no bastião norte.

Ficai com Deus, senhores.

Como diz um velho refrão:

um general não deve humilhar os vencidos.

Por isso, deixo-vos em paz, senhores.

- Outra vez? - Melhor.

Ide com Deus.

Desde que chegaste, não ganhei nem uma mão.

Dá.

- És tu. - Pois sou.

O que foi, Quiroga?

- Tens medo de perder? - Já sabes como é, Quiroga.

Desafortunado ao jogo, agraciado nos amores.

Vou de ronda, até à noite.

Boa sorte.

Dizei lá.

Senhor governador,

em primeiro lugar, gostaria de fazer as pazes com vós.

Sempre fostes muito bom e generoso comigo,

na guerra e na trégua.

- Outro, no vosso lugar... - Não me venhais com lisonjas.

O que tendes a dizer-me de Dona Inés?

Não é fácil de contar a um cavalheiro.

Não me venhais com jogos.

Isto vai doer-vos.

Asseguro-vos, meu senhor.

Mas, antes,

permiti-me prestar-vos reverência, senhor,

como todo o vassalo deve ao seu senhor.

Filho da puta malparido...

Não te mexas, bastardo.

Filho da puta!

- Abri! - Abri!

Abri.

- Estás bem, Pedro? - Deixai-o aí.

Prendei-o!

Vós?

Tinham-na bem pensada.

Fariam crer que os mapuches te tinham matado.

E depois pensáveis tomar o poder, com o vosso despacho imperial.

Rogo-vos que não vos precipiteis nas vossas conclusões, Dom Pedro.

Juro-vos que não tenho arte nem parte na traição de Dom Benito!

À morte.

Rogo-vos, minha senhora.

Intercedei por mim! Intercedei por mim!

Vamos pendurar-vos,

como aos porcos.

O que esperas?

Entenderão os soldados do capitão

que o maior ditame da milícia

é a obediência.

Pedro...

O que fazeis, Pedro? É Dom Benito.

Sem ele, não teríamos cá chegado; ele trouxe-nos ao Chile.

Defendendo, em seu nome, o rei...

...e a pátria.

Pedro...

Cervera...

A corda.

Não, não, não... Suplico-vos.

Tende compaixão.

Rogo-vos.

Sou Pedro Sancho de la Hoz!

Não podeis enforcar-me, como a um vulgar lacaio!

Encomendai-vos a Deus, De la Hoz.

Ou ao diabo.

Sei algo que vos concerne.

Sei que há um traidor entre as vossas fileiras.

Alguém que quer arrebatar-vos...

Baixai estas carcaças daqui.

Cortai-lhes a cabeça,

trespassai-as com uma lança e passeai-as pela cidade,

para que todos saibam o que acontece

a quem ouse desafiar Pedro de Valdivia,

governador do Chile!

Já ouvistes.

Baixai-os.

Senhor Quiroga...

Aonde ides com tanta pressa?

Como?

Não vos entendo.

Creio que sabeis a quem se referia De la Hoz,

quando falava de um traidor.

Com vossa licença...

Queríeis tirar-me o comando?

Lutai por ele.

Acalmai-vos.

Lutai.

Lutai, cara a cara,

ou mato-vos aqui mesmo, como a um cão.

Não vos enfrentarei.

Senhora dona Inés,

é melhor irdes para o conselho.

Enlouquecestes?

Traidor.

Sempre o fostes.

Largai-me.

Estais a fazer com o Chile o que Pizarro fez com o Peru:

torná-lo um inferno. - Não.

Não sou Pizarro.

Jamais serei.

Claro que não. Sois pior do que ele.

Traidor.

Foi para isto que viemos para o Novo Mundo?

Voltar a ser espanhóis fratricidas e reavivar desavenças e misérias?

Foi para isso o sacrifício

de todos os que morreram para chegarmos até aqui?

Então, nada terá valido a pena.

Mais vale morrer.

Por aqui!

Missão cumprida, Dom Pedro.

Ao entrar no Atacama, os índios capturaram-nos.

Estivemos meses presos.

Mas conseguimos escapar.

E, já em Cusco, convencemos Francisco Martínez a ajudar-nos.

Esse velho malparido?

Como convencestes o judeu avarento?

Monroy disse que havia muito ouro, no Chile, e ele acreditou.

Sofreu muito?

Não.

Adoeceu com febre, pouco antes de partir do Peru.

Por Monroy.

- Por Monroy. - Por Monroy.

Por Monroy.

Mas, graças a ele,

Francisco Martínez fretou o barco com o que trouxe estas mercadorias.

Está à espera em Valparaíso, pronto para zarpar para o Peru.

O que foi?

Quando o resto dos homens saiba, vai querer desertar.

Desertar?

Sempre foram fiéis.

Talvez mereçam voltar às suas terras, se assim o desejarem.

Isso é traição, minha senhora.

Antes disso, damos-lhes o garrote. Não é, Pedro?

"Pela presente,

"eu, Pedro de Valdivia,

"autorizo todo o cidadão de Santiago

a voltar para o Peru, se assim o desejar."

Boa!

"Podendo partir

"com todo o seu ouro e seus pertences.

"Para tal,

"um escrivão

"tomará nota de quantidades."

Adeus ao meu sonho de conquistar a Araucania.

Irão todos.

Fico sem nada.

Fico sem soldados...

...e sem ouro.

Fizestes bem.

Senhor...

Sim...

Gostaria de ir naquele barco.

Entendo que queirais ir.

Comportei-me de forma indigna, e peço-vos desculpa.

- Mas asseguro-vos que doravante... - Não, não há nada que desculpar.

Impulsiona-me outro tipo de razões.

Então, ide.

Com licença.

Senhores e amigos,

tenho de confessar que me entristece a vossa partida.

Entendo as vossas razões,

e consola-me pensar

que, finalmente, ides descansar

e desfrutar...

...do que ganhastes com o vosso esforço e trabalho.

Porque muitos de vós

derramastes várias vezes o vosso sangue,

como leais soldados do imperador.

Eu...

Eu...

...jamais conheci melhores.

Por Dom Pedro de Valdivia.

Graças a ele, voltaremos a Espanha.

- Por Dom Pedro de Valdivia. - Por Dom Pedro de Valdivia!

Sinto orgulho de vós.

Perdoa-me.

Não sabia que voltaríeis para Espanha.

Não posso fazer nada, para que mudeis de opinião?

Temo que não.

Tereis saudades minhas?

Ficai.

Esta terra precisa de vós.

Vinde comigo.

Ele não pode impedi-lo.

Não sois sua esposa, não sois nada, para ele.

- Enganais-vos. Sou... - Alerta!

Alerta!

Malditos mapuches...

Alerta à guarnição!

O que foi?

- Valdivia partiu com o ouro. - O que dizeis, soldado?

Partiu para a costa com os cavalos, e leva todo o ouro.

Como ousas dizer isso? Dom Pedro é incapaz de tal infâmia.

Traidor... Traidor!

Era tudo conversa fiada. Um ardil, para enganar-nos e roubar-nos!

É um Judas!

O que estás a dizer, cão?

Enlouqueceste?

Estás a falar de Pedro de Valdivia; ele nunca nos atraiçoaria!

Uma carta! É uma carta do governador.

Lede-a.

"Senhores soldados e meus irmãos,

"entendo a vossa indignação.

"Mas não temais.

"Agi movido pelo bem comum; por isso, tomo o vosso ouro."

Judas! Traidor!

"Cujo inventário foi levantado, ante escrivão, os haveres de cada um.

"Graças à vossa generosidade, reabilitarei a fama destas terras

"e poderei recrutar novos soldados para a sua inteira conquista.

"Dona Inés Suárez, que tão bem soube defender a cidade,

"seguramente o fará agora também, até ao meu regresso.

"Não creio que haja em Santiago outra pessoa tão capaz e discreta,

"para levar a cabo, em minha ausência,

"as obrigações de governador de Santiago

"e zelar pelo bem comum.

"Em sinal da minha total confiança face à sua pessoa,

"a ela deixo a minha casa, as minhas terras

"e participações nas minas.

"Deus vos guarde a todos.

"Pedro de Valdivia, governador do Chile."

Como enviado do imperador e novo vice-rei do Peru,

estou autorizado a conceder-vos tudo o que me peçais.

Só desejo voltar para o Chile, o quanto antes.

- Dom Pedro de Valdivia. - Sou eu.

- Estais preso. - Por quem? Como vos atreveis?

Por ordem da Santa inquisição.

Trouxestes a prosperidade, Inés.

Construístes um hospital, uma escola...

Finalmente, reina a paz. E tudo graças a vós.

Sois acusado de agir com tirania e cobiça,

roubando o ouro dos vossos homens, com enganos e ameaças.

Calúnias!

A que se deve a vossa visita?

Trago-vos uma carta de Dom Pedro.

O que foi, Inés?

Não é brincadeira, capitão Valdivia.

Sois acusado de delitos muito graves.

A sentença é a morte.

Continuareis à espera que volte? Se é que volta...

- Traiu-vos. - Mas não eu a ele.

Tereis de renunciar a Inés Suárez.

Jamais.

Se vos castigarem, irão depois atrás dela.

E ninguém poderá salvá-la.

Senhora.

Esta é Dona Inés Suárez, administradora de Santiago.

Viúva de guerra, mulher muito devota e temente a Deus.

Abarcaremos o maior território

jamais conhecido em todas as Índias.

Honra e glória.

- Honra e glória. - Honra e glória.

Sabeis o que mais me dói?

Que não tenhais tido a coragem de vir dizer-mo em pessoa.

Tende a decência de dizer-mo na cara! Vá.

- Não tendes valor. Dizei-mo! - Sim! Sim!

Se é isso que quereis ouvir.

Quando Atahualpa matou toda a minha família, fiquei sozinha.

E, ainda que às vezes nos doa,

há que matar o passado, para que nasça o futuro.

Viva Dona Marina Ortiz de Gaete!

Viva!

Viva a nossa governadora!

Viva!

"Mamitay"...

Deixa-a, Catalina.

Esta terra é bela,

mas selvagem.

É preciso muito valor e muita virilidade,

para domá-la.

Não te temo, "huinca"!

Cão "huinca"!

Cortai as mãos a todos os homens.

Pegai fogo a esta aldeia.

Vós não podeis estar apaixonada por um homem como Quiroga.

Ide, por amor de Deus.

Só podes gostar de mim.

ptados

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