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Invasores!
Invasores!
Invasores!
Invasores!
Não me defendas.
Está aqui toda a nossa gente.
Prendei-o.
Não lutem!
Não lutem, guerreiros.
Aguirre...
"Sabei que existe um único Deus
do qual todos somos filhos"
"E que este outorgou ao nosso soberano,
"o imperador Carlos,
"a posse de todas estas terras
e dos seus habitantes."
Ouro, Valdivia.
"E, por isso, sois dele agora seus súbditos."
Caso não o façais,
só vos espera a guerra.
Não lutem!
Não lutem!
# TEMA INÉS DA MINHA ALMA
#
INÉS DA MINHA ALMA
s a fundação da cidade
Ides varar azeitonas ou quê?
Força.
Outra vez.
Apontar!
Alçar! Com força!
O inimigo não descansa!
Vamos! Outra vez ao pescoço!
Um pouco de água, Tomás.
Apontar!
Não...
Não, não, não, não...
Não é assim!
Dai-me paciência, meu Deus! Tenho de fazer tudo eu?
Descei. Descei.
Já vos disse para descer. Descei.
Dá-me isso. Dá-me isso. Dá-me isso.
Eu trato disto sozinho. Descei daqui.
Passa-se alguma coisa?
Há já vários dias que vos vejo melancólica.
Estais bem?
Valdivia está há muito tempo fora,
e não chegam notícias.
Outra vez!
Ao pescoço e às tripas!
Outra vez!
Tocai a campana! Tocai a campana!
Tocai! Vêm aí ginetes!
Tocai! Vêm aí ginetes!
Ginetes! Vêm aí ginetes!
É Valdivia.
Catalina, Catalina...
Preparai o assado e a louça. Vamos.
Vem Valdivia. Abri as portas.
Dom Rodrigo...
Vejo que guardastes bem a cidade, na minha ausência.
Bondade vossa.
Vejo que a campanha foi um êxito.
Dizeis bem.
Os quatro caciques mais importantes do Mapocho,
incluindo o chefe de todos eles:
o grande Michimalonco.
Oficial de justiça...
Encarregai-vos dos prisioneiros.
E pagai àquele homem, que foi de grande ajuda.
Tratai-os bem, Gómez.
Desmontai dos cavalos e dai-lhes água!
Desfazer fileiras.
Vamos.
Então é este o famoso Michimalonco...
Agora já não parece tão grande... Insolente.
Alto. Valdivia disse para os tratarmos bem.
Claro, Gómez. Encarrega-te tu.
Afinal, já estás acostumado ao fedor dos índios.
Acalmem-se. Toca a andar, Monroy.
Vamos.
Dom Benito,
como vão os trabalhos, em Santiago de Novo Extremo?
A muralha está quase terminada, e a cavar o fosso que ordenastes.
Mas as obras da igreja estão atrasadas.
A ver se vós, Dom Pedro...
Dois meses.
Uma eternidade.
O que vais fazer com aquele homem?
Tentou matar-te.
É o cacique mais importante.
Se eu conseguir vergá-lo, todos os demais cederão.
E se não?
Não são como nós.
São selvagens. São como os mouros.
Pedro...
Se a ele e ao seu povo humilhares e torturares,
só vais conseguir mais guerra e morte.
Aquele homem é como tu.
Vi-o hoje nos seus olhos.
Como reagirias,
se um estranho chegasse a Espanha e te tratasse assim?
Se te fizesse renunciar...
...ao teu povo,
à tua terra, ao teu imperador, ao teu Deus.
Lutaria até à morte.
- Jamais me renderia. - Ele fará o mesmo.
Andai.
De joelhos, cão!
Desamarrai-o.
O quê? A este lixo?
Quase nos matou.
O que tens, Valdivia?
Nunca te tremeu o pulso, no Novo Mundo.
Disse para o desamarrares.
Língua.
Diz-lhe...
Diz-lhe que o meu povo e eu admiramos o grande povo mapuche.
E que, em todos os meus anos de guerreiro do outro lado do mar,
jamais vi lutadores como eles.
O teu povo e o meu, unidos,
podem ser grandes.
Ofereço-te a paz entre nós.
Isto é uma perda de tempo.
Digo que o esquartejemos; a ele e aos outros.
Tem razão, Pedro.
Atahualpa encheu um quarto de ouro, para salvar a sua vida.
O que pode oferecer-nos este miserável?
Atiremo-lo aos cães.
Se me matas,
quem vos levará até ao ouro?
Deixai-me livre,
e levar-vos-ei até ele.
Quantas vezes me disseste que o ouro corrompe?
E que foi o que dividiu os espanhóis, no Peru.
Não viemos para o Chile para fugir disso?
O Chile...
O Chile é só o princípio.
O princípio de quê?
Em frente!
Vamos!
Fogo!
Sois inúteis!
Não acertaríeis nem no Espírito Santo, em toda a sua imensidão,
ainda que o tivésseis em frente!
Isso...
Com cuidado, com cuidado...
Com cuidado.
Filhos de Satanás!
Saí daqui!
Saí daqui!
Filhos do demónio!
Não vos peço nada para mim, Senhora;
só que protejais de todo o mal o capitão Valdivia.
Se alguma alma tendes de levar para o céu,
que seja a minha.
A dois dias de Santiago de Nova Extremadura
Não me fio, Pedro.
Não me agrada por onde nos leva; pode ser uma emboscada.
- Deu-me a sua palavra. - Estes animais não têm palavra.
Gómez...
Adianta-te.
Disseste que as minas estavam a dois dias de Santiago.
Não tenhas medo.
Levar-te-ei às minas.
Não me fio. Olha para os olhos dele.
De certeza que está a esconder-nos algo.
Aguirre...
Estás bem?
Queres levar-nos para a morte,
mas vais chegar tu primeiro ao inferno!
Deixa-o.
Deixa-o.
Estão aqui!
Estão aqui as minas!
- As minas! - As minas!
O ouro!
As minas!
As minas!
Com cuidado, Isaías.
Ajuda com isso, Abraham. Ajuda.
Perfeito.
Aleluia.
Quero que me ensineis a lutar.
Tendes algum reparo?
Não. Claro que não.
O melhor será começar com um pouco de esgrima elementar.
Mas comecemos pelo princípio.
Aprender a segurá-la.
A vossa vida depende disso.
Os movimentos devem ser medidos e aprendidos.
É como uma dança.
Entre dois amantes?
Costumais matar os vossos amantes?
Continuai.
Continuai.
Começamos?
- Perdoai. - Começaremos por algo mais fácil.
Vinde.
O braço.
Este será o vosso pior inimigo.
Um mapuche disposto a tudo. Vá...
Permiti-me.
Não sou de porcelana, Quiroga. Não vou partir.
Vamos lá.
Vamos lá.
Os movimentos...
...devem ser certeiros.
Dai um passo...
...com toda a vossa força.
Agora.
O que vos parece?
Parece-me que é só um boneco.
Mas até foi bem. Foi muito bem.
Agora pretende manejar a espada.
Continuamos?
Não tardará a mandar em todos nós.
Duas semanas depois
Trabalhem.
Trabalhem!
O ouro? Onde está o maldito ouro?
Paciência.
Zamora não se conquistou numa hora.
Estamos aqui há duas semanas, e nada.
As provisões acabam e os homens impacientam-se.
São os homens ou és tu quem se impacienta?
Estes lavadouros incas parecem abandonados há anos.
Se calhar, já não resta nada.
Monroy tem razão.
No Peru, entrávamos num templo e era só arrancar o ouro da parede.
Já aqui...
Acho que este malparido está a esconder-nos algo.
O que ganharia com isso?
Não sei. Mas os homens estão nervosos.
Anda alguém a roubar comida.
E alguns viram uma sombra a mover-se por entre as tendas, de noite.
Os yanaconas falam de...
...demónios mapuches.
E desde quando acreditas em espíritos, Aguirre?
Vejo isto como algo muito real, Pedro.
Não te queixes.
Agora, estás mais bonito; pareces um rei mouro.
Digo que o martirizemos, que já nos dirá onde está o ouro.
Se não o fizer, juro que lhe corto o pescoço.
Estou com o Aguirre.
Ouro!
Ouro!
Ouro!
O rio é muito rico, Dom Pedro. Como eu nunca tinha visto.
- Mas precisaremos de homens. - Quantos?
Centenas,
se queremos que dê frutos em um ou dois meses.
Centenas de homens? Não temos yanaconas suficientes.
Posso entregar-te homens para o rio de ouro.
Tu?
- A troco de quê? - Para nós, o ouro não é importante.
São só pedras.
Não importa entregá-lo a ti, como antes o entregava ao inca,
se, com isso, deixares em paz o meu povo.
Pedro...
Olha o que encontrei. Queria matar-nos à traição.
Aposto que foi ele quem...
És selvagem? Vou matar-te como a uma ratazana.
Deixa-o. Não passa de uma criança.
Então, foste tu o "fantasma"
que aterrorizou os meus homens durante duas semanas?
Maldito demónio.
Já vais ver a fibra dos Aguirre.
Deixa-o.
Vai.
Vá, vai lá embora.
Vai lá embora daqui.
É valente o rapaz...
Prepara tudo, Aguirre; vamos para Santiago.
- E o rapaz? - Que venha connosco.
- Michimalonco... - Anda, animal.
Podeis ir, sois livre. Estamos em paz.
E os outros caciques?
Traz 500 homens para trabalhar nas minas,
e já veremos o que será deles.
Vós, com uma espada?
Bem-vindo, Dom Pedro.
Não a culpeis, que fui eu quem a consentiu.
A dama consegue sempre tudo o que quer, não é?
Assim é.
Gosto.
Deves aprender a defender-te, como qualquer um dos meus homens.
E Gómez?
Ficou a vigiar as minas.
- Alderete... - Capitão.
Ouro...
É ouro.
Michimalonco cumpriu a sua promessa.
Seremos ricos!
Então, libertareis os caciques?
Os nossos sonhos estão agora muito mais perto de concretizar-se.
Não respondestes à pergunta, Dom Pedro.
Ficarão aqui, na qualidade de meus convidados.
De vossos reféns, quereis dizer.
Chamai-lhe como queirais.
Pedro...
O que fazemos com este?
Pois, o pequeno selvagem...
Está quieto.
Padre,
há que cristianizá-lo.
E tu, Catalina,
quero que o vistais decentemente.
Chamar-te-ás...
...Felipe, como o filho do nosso César.
Cuidado com ele, padre, que morde como uma alimária.
Anda daí.
Vem comigo.
Anda, anda.
Anda daí.
Porque não soltas aqueles homens? Não é digno de ti.
É uma questão de sobrevivência.
Aqueles índios são o nosso salvo-conduto.
Tudo pelo ouro.
Não.
Pelo ouro, não.
Por um sonho.
Isto é o Chile.
E, um pouco mais a sul, uma terra chamada Araucania.
E, mais além, o Estreito de Magalhães,
que liga o Atlântico ao Mar do Sul.
Imagina o poder daquele que conquiste este ponto.
Já não será preciso atravessar ocontinente a pé, como no Panamá.
De mar a mar, será um passo.
E, na ponta da terra,
uma cidade onde todos pagarão tributo.
A nova Constantinopla.
E tu, a sua rainha.
A minha rainha.
Preciso desse ouro, ainda que me repugne.
Só com o ouro convencerei Pizarro
para que me ajude a completar a conquista.
Quero lutar contigo.
Iremos juntos.
Não.
A tua missão é muito mais importante.
Não te entendo...
Ter filhos que se tornem reis deste novo reino,
pois é esse o nosso destino.
O que fazes, índio? Levanta-te!
Cão invasor!
Não! Não!
Sai daqui! Sai daqui!
Estás bem?
Diz aos teus cães que trabalhem.
Agora são nossos aliados, Antonio.
Porque o dizeis vós...
...ou porque o diz a vossa princesa inca?
Porque o diz Valdivia.
Voltai ao trabalho, cães!
Senhor, voltai a dar-me forças para aquele que não sabe.
Está a perder tempo com isto, padrezinho.
Catalina...
Está aqui a palavra de Deus.
Toma.
A palavra de Deus.
Não ouço nada.
O que disse?
Que não ouve nada.
Que não ouve nada.
Pequeno sacrílego! Arderás no inferno!
O que é isto do demónio que tens ao pescoço?
Meu.
Meu. Meu.
Não me enganas.
És...
...mais esperto...
...do que este "huinca" pensa.
Não és, meu pequeno?
- Tens de aprender... - Não quero!
Onde está?
Se Marmolejo acha que pode ensinar um mapuche, está louco.
Não sabem o que é o bem e o mal.
Não existe crime, entre eles.
Sabeis como nos chamam?
"Huincas".
"Huincas".
"Ladrões".
Dizem que não temos palavra.
E talvez tenham razão.
Mas vós admirai-los.
- Não é? - É, minha senhora.
Como um caçador a um lobo; admiro a sua nobreza.
Lutei contra gente implacável e brutal.
Mas estes índios do Chile
têm algo que eu jamais tinha visto.
Vão todos à guerra.
Mulheres e crianças. Todos.
Almagro não pôde com eles, nem queimando aldeias inteiras.
E, se lhes matarem o chefe, não se importam.
Elegeriam outro e continuariam a luta.
Às vezes, pergunto-me como seria, se Valdivia...
Não.
Não o digais.
Firme.
Para, puta.
Morte aos "huincas"!
Não!
Deixa-o ir.
Que avise os seus.
Cão.
Agora, é hora de comer.
Come, pequeno.
Come.
Vá, come.
Já chega. Agora, já chega...
Catalina...
Ai, "mamitay"... É como um animalzinho.
Deixai comigo.
Nariz.
Nariz.
"Yüu".
- "Yüu"? - "Yüu".
Nariz.
"Narid".
Nariz.
Nariz.
- Nariz. - Nariz.
Muito bem.
Olhos.
"Nge".
- "Nge"? - "Nge".
- Olhos. - "Olhós".
Olhos.
- Olhos. - Olhos. Muito bem.
Calma.
És oportuno como uma tempestade.
Os mapuches têm muito medo dos cavalos;
acham que comem carne humana.
Isso é o que já veremos. Anda, Felipe.
Anda cá.
Anda, não tenhas medo.
Anda.
Olha, Felipe.
Olha...
Vês?
Não faz nada.
O Sultão é bom.
Dá-me a tua mão.
Isso, não tenhas medo.
É bom, não te fará mal.
Vamos dar-lhe de comer.
Dá-me a tua mão. Aí...
Viste?
Curiosa forma de educar uma criança.
Deve ser porque nunca tive nenhuma.
Até ao momento.
Juan! Juan!
Meu amor...
Meu amor...
O que aconteceu? O que aconteceu?
As minas. Atacaram as minas.
- Não chegaremos a tempo. - Não.
Que se prepare toda a cavalaria. Cuidai dele.
Ficais a cargo, Quiroga. Guardai Santiago como se fosse eu.
Assim será. Como o Senhor guardou Israel.
Catalina,
diz-me o que vês.
Não te chega o que te diz o teu Deus na cruz
e aquela mulher com uma criança?
Não sejas insolente, índia.
Vamos lá ver, "mamitay"...
Vejo sangue...
...e fogo.
Sangue e fogo?
É o que dizem os deuses.
E um grande chefe a cair.
Não vos preocupeis com Valdivia;
não lhe acontecerá nada.
Sempre tão seguros de vós...
Os homens acham sempre que têm tudo sob controlo.
Desculpai-me.
Não, desculpai-me vós.
Pagastes o meu mau humor.
Gosto desta terra.
Bela, fértil...
Cheia de vida.
Devo a Valdivia ter vindo até aqui.
Vós admirai-lo,
mas é um homem como todos os outros.
Não, é mais do que isso.
Não se conforma com o que quer o resto.
E vós?
Eu, o quê?
O que é que quereis, Sr. Rodrigo?
Vinde!
Dez vezes venceremos!
São demasiados. O que fazemos?
Ir para a praça; lá nos salvaremos.
Estão a atacar-nos! Alerta! Estão a atacar-nos!
Trazei os barris, para fazer uma barricada!
Vamos! Os arcabuzes!
- Os arcabuzes! - Vamos!
Defender a cidade! Às armas!
Os arcabuzes, Dom Benito! Onde estão?
Cuidado!
Morte ao invasor! Dez vezes venceremos!
Abri!
Abri!
- Correi! - Abri!
Rápido!
Fechai!
Arcabuzes!
Fogo!
Apontem!
Fogo!
Adverti-te, Pedro.
Adverti-te.
Michimalonco do demónio!
Devíamos ir à aldeia dele e arrasá-la.
Não.
Santiago.
O que tem Santiago?
Vão atacar Santiago. É uma armadilha.
Vamos! Voltemos para Santiago!
Vamos!
Mantende a guarda.
Temos de lutar e defender-nos, como seja.
Com o que contamos?
Valdivia levou quase todos os cavalos. Só nos restam cinco.
Vinte homens, entre arcabuzeiros e lanceiros.
E alguns yanaconas.
- Temos comida e água? - Sim.
Jamais um índio venceu um espanhol no seu bastião.
Valdivia voltará. Temos de resistir.
- E se não chega a tempo? - Voltará.
- Há mais de 100 índios ali fora. - Nem que fossem mil.
Valdivia voltará, e aqui o esperaremos.
-É justamente o que eu queria ouvir. - Ide lá.
O que fazeis aqui? É perigoso.
Não sejais criança. Há horas que não comeis nem bebeis.
Não repor forças, é ajudar o inimigo. Catalina...
Fogo!
- Fogo! - Fogo!
- Ocupai-vos, Alderete! - Acompanhai-me.
Fogo!
- Água! Rápido! - Fogo!
- Fogo! - Vamos!
Trazei água! Trazei água!
Sangue e fogo.
Felipe!
Levai a criança para o refúgio e ficai lá.
Trazei água!
Queimem-nos.
Que lhes aconteça o que fizeram...
...ao meu pai e aos meus irmãos.
Ali para cima, para não espalhar.
Temos de despachar-nos. Vamos, venham.
Vamos.
Mais água!
Vamos!
Vamos.
Vamos! Rápido!
Cuidado, "mamitay"!
Rodrigo!
Rodrigo!
Tenho de voltar...
Não. Não, não, não.
Tenho de voltar...
Estais ferido, não podeis ir assim. Rodrigo...
Catalina!
- Vinde, Catalina! - "Mamitay"...
Há que tratar esta ferida.
Dai-me a minha espada.
O que vamos fazer?
Só nos restam 15 homens.
Queimaram-nos todas as provisões e todos os animais.
Ainda temos os cavalos.
São esses cavalos que nos mantêm vivos.
Sabeis que os índios os temem.
Esses cavalos são a única opção de sairmos deste inferno com vida.
Não vedes?
Não podemos perder mais tempo, tem de ser agora.
Somos soldados do nosso imperador.
Ele é o único a quem devemos lealdade.
O que fazemos aqui, destinados a uma morte certa?
Uma morte sem honra.
Não muito mais honrosa do que a de qualquer dos yanaconas.
E Quiroga?
Esquecei Quiroga, esse maldito Quiroga.
Quando é preciso, nunca está.
Ouvi...
Eu tenho o despacho imperial.
É a mim que deveis lealdade...
...e obediência.
Dom Benito...
Por amor de Deus, Dom Benito. O que dizeis?
Digo...
...que, às vezes, uma morte honrosa...
...dignifica até mesmo a vida mais indigna.
Não vos parece?
Preparai-vos para morrer.
É Quiroga?
Tambor,
toque de batalha.
Senhores,
de que tendes medo?
Só de morrer?
Envergonhais-me.
Viajámos milhares de léguas para chegar até aqui
e os nossos irmãos morreram em vão,
só para nos rendermos?
Não!
Não nos renderemos!
Não claudicaremos, nem que só nos reste o último fôlego!
Que venham!
Que venham, que aqui os esperamos!
Pois não existe maior glória neste mundo
do que viver e morrer a lutar!
Abençoada Espanha,
que pare e cria homens armados!
Pelo imperador!
- Pelo imperador! - Pelo imperador!
Por Inés Suárez, de Plasencia!
- Por Inés! - Por Inés!
Sargento-mor...
Arcabuzeiros, a postos!
Senhores soldados,
apontar lanças!
Em frente!
Em guarda!
- Estás bem, Monroy? - Os cavalos já não dão mais.
Este cavalo está exausto.
Pedro, carece que deixemos que os animais descansem,
ou vamos rebentá-los.
Não, não pararemos.
O que foi, Pedro? Enlouqueceste?
Não percebes?
Ela vai morrer por minha culpa.
"Huinca"!
Tambor!
Estás a ouvir-me, "huinca"?
"Huinca",
não temos nada contra vocês!
Entregai-nos a nossa gente!
Deixar-vos-emos em paz!
Não vos mataremos!
Vinde buscá-los!
Valdivia virá e esfolar-vos-á a todos, um por um!
Esse a que chamas Valdivia
está morto!
Morreu!
O grande invasor...
- Matámos! - Matámos!
- O seu coração... - O que dizem?
- Comemos! - Comemos!
O que dizem?
E agora? Morte ao invasor! Morte ao invasor!
- Morte ao invasor! - Morte ao invasor!
O que dizem, Catalina?
Dizem que o cacique "huinca" está morto.
Que comeram...
...o seu coração.
E, agora, farão o mesmo connosco,
se não nos rendermos.
Aí vêm!
Aguardai, aguardai...
Benito...
Dom Benito...
Fogo!
Dez vezes venceremos! Dez vezes venceremos!
Dez vezes venceremos!
Dez vezes venceremos!
Morte ao invasor! Morte ao invasor!
Morte ao invasor!
Força, guerreiros!
Parem!
Parem, irmãos!
Parem!
É por isto que vínheis?
É por isto que vínheis?
Aí as tendes!
Vamos embora!
Vamos embora!
Vamos embora!
A morte, menos temida,
dá mais vida!
Inés...
Inés...
Inés!
Pedro...
Pensei que tínheis morrido.
Temi nunca mais voltar a ver-te.
Jamais.
Os índios queimaram quase todas as reservas, no ataque.
Os exploradores não podem ir caçar,
pois são emboscados e assassinados pelos mapuches.
Os yanaconas não são suficientes,
para cultivar o trigo de que precisamos para viver.
E isto é o nosso ouro:
sopa de ervas daninhas e carne de lagarto,
pela qual ainda devemos estar agradecidos.
- Para o Peru! - Para o Peru!
Muito em breve, faremos a colheita, e haverá pão para todos.
Aquele que tentar voltar para o Peru,
será perseguido como um cão e enforcado por desertor.
Julguei mal Valdivia.
Mostrou ser um grande capitão.
Não pensais o mesmo?
Diz a todos que vigiem a serpente,
para que não possa sair da sua toca, até que morra de fome.
Só daqui a três meses teremos outra colheita, senhor.
Ponde guarda armada, dia e noite, nos campos.
Precisamos daquele trigo.
Salvastes a cidade, quando estava perdida.
Está nas vossas mãos voltar a salvá-la.
O meu pior pecado é desejar a mulher do meu senhor.
Morro por ela.
Não há um dia no qual não me levante a pensar nela.
Talvez tudo isto seja uma loucura, e o sensato seja voltar para o Peru.
Mas como podeis dizer tal coisa?
Renunciar a tudo pelo que lutámos?
Aquele trigo é a vida.
Esta é a rainha,
a peça mais valiosa.
- Mais do que o rei? - Mais do que o rei.
Se a perdes, já não tens nada a fazer.
Ides fazer com que todos morram,
só para alcançar o vosso estúpido sonho de fama e glória.
Não entendeis.
Às vezes, esqueço-me de que sois apenas uma mulher.
O Chile é meu!
Vós sois minha!
Assim quereis tomar-me?
Assim tentais conquistar esta terra do Chile e as suas gentes?
Ajudai-me a livrar-nos do louco do Valdivia.
Há de levar-nos a todos à morte,
com os seus descabelados planos de conquista.
Só vós podeis levá-lo a cabo com êxito.
Fazei-o, e ela será vossa.
Estais a fazer com o Chile o que Pizarro fez com o Peru:
torná-lo um inferno. - Traidor.
Cortai-lhes a cabeça,
trespassai-as com uma lança e passeai-as pela cidade,
para que todos saibam o que acontece
a quem ouse desafiar Pedro de Valdivia,
governador do Chile!
Adeus ao meu sonho de conquistar a Araucania.
Fico sem soldados e sem ouro.
Adaptação e Legendagem RTP - Conteúdos Adaptados
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