All language subtitles for Inés of My Soul S01E04 (2020).pt

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Original subtitles

20 de abril de 1540

Pré-cordilheira Andina

3 meses desde a partida de Cusco

O que foi ?

Demasiado peso.

- Partiu o tornozelo. - Já conheces as ordens, Gómez.

Quem não possa continuar, ficará para trás !

Os restantes, pegai nos apetrechos e toca a andar !

Não fiqueis aí parados ! Toca a andar !

Não podes fazer nada por aquele homem ?

Se o ajudarmos, atrasará a nossa marcha,

e minguarão as nossas provisões.

- Há que avançar. - Vamos !

INÉS DA MINHA ALMA

O que foi ?

Aproxima-se uma nuvem de pó,

a menos de uma légua.

Índios ?

Poderia ser.

Atenção !

Formação de defesa !

Vamos !

Já ouviste, Inés. Para a retaguarda, com os yanaconas.

Grumete !

Para a retaguarda, com as mulheres !

Calma, eu proteger-vos-ei.

Nem a vós vos protegeis. Guardai isso.

- E o que é isto ? - Uma ferida.

- Dos índios. - Pois...

Depois vinde, para que vo-la cure. Isto pode gangrenar.

São espanhóis !

Procuro Dom Pedro de Valdivia.

Sou eu.

Rodrigo de Quiroga.

Jerónimo !

- O que foi ? - O Quiroga !

- O que se passa com ela ? - "Guisayo".

"Chichuña".

Ela está grávida, "mamitay".

Como estais ?

Bem. Estou bem.

Deveis descansar pelo menos um par de dias, Cecilia.

- Falarei com Valdivia e... - Não.

Suplico-vos.

Já o vistes.

Valdivia não parará por nada.

Nem por ninguém.

Então, pedir-lhe-ei que prepare uma escolta,

para acompanhar-vos de volta a Cusco.

Não, Inés.

Não podemos voltar para o Peru.

Não entendeis ?

O que pode esperar lá o filho de um soldado e de uma índia ?

Temos de chegar ao Chile.

O nosso filho tem de nascer num país melhor.

Suplico-vos.

Não digais nada a Valdivia, ou deixar-nos-á para trás.

E o que fazeis vós ?

Vamos.

Tirai a camisa.

O que esperais ?

Há que limpar a ferida, ou apodrecerá o sangue.

Se isto não melhorar depressa,

temo que teremos de cortar-vos o braço.

Um soldado maneta não serve de nada, Dona Inés.

Um soldado morto ainda serve de menos.

As ordens de Dom Pedro são rígidas: se alguém não pode continuar...

Gostaria de contar com a vossa discrição, neste assunto.

Claro.

Só...

Só se, em troca, eu puder contar com a vossa amizade.

Já a tendes.

Ouvi Aguirre a chamar-vos grumete.

Alistei-me como marinheiro num barco para viajar até ao Novo Mundo.

Foi assim que cheguei ao Peru.

Conheci Dom Benito, em Cusco,

e juntámo-nos a Almagro, para ir para a guerra.

Escobar,

posso pedir-vos um favor ?

"Mamitay"...

Ide.

Obrigada.

Dos mais de 400 que éramos no início, restamos apenas 100.

Los Chunchos é um inferno de selvas onde até a alma apodrece.

E tudo correu mal desde o início. Gutiérrez, o oficial a cargo,

era um inútil e um louco.

Se não fosse Quiroga, estaríamos todos mortos.

Chegaram-nos notícias da vossa marcha para sul,

e decidimos ir procurar-vos.

Mais vale servir Sua Majestade

do que andar em terras onde o demónio anda à solta.

- Não é, padre ? - É, meu filho.

E dizei-me, Sr. Quiroga... O que aconteceu a esse tal Gutiérrez ?

Boa noite, senhores.

Valha-me Deus...

- Isto é uma brincadeira. - Uma mulher vestida de homem...

Senhora...

Apresento-vos Dona Inés Suárez, de Plasencia.

A minha...

... governanta.

Em Espanha, queimavam-na por vestir-se assim, senhora.

Sim, mas, graças a Deus, não estamos em Espanha.

É isso que sou, para vós ?

É uma viagem longa.

Os homens não têm mulheres, e eu tão-pouco.

A propósito...

Bela indumentária.

Gosto.

Assim, ninguém te olhará com desejo.

Ninguém ?

Ninguém, exceto eu.

Jamais deixarei de olhar-te com desejo,

Dona Inés Suárez.

E nunca me abandonarias ?

Nunca.

Nem que fosse um estorvo, como aquele índio ?

Disse que jamais.

E Aguirre, Dom Benito, ou outro que não quisesse continuar ?

Se fossem um estorvo, sim.

E eles compreenderiam.

Em breve, escassearão as provisões.

E temos de encontrar-nos com De la Hoz, no ponto acordado:

aqui.

Não devemos parar por nada nem por ninguém.

A expedição está acima de tudo.

O Chile...

... e tu.

Junho de 1540 5 meses desde a partida de Cusco

Não há nada, só esta carcaça.

Acabam de abandoná-lo a toda a pressa.

O mesmo que nas seis aldeias anteriores.

Sabem que estamos cá.

Este é o local escolhido para esperar pelo De la Hoz.

Não estamos longe da costa, e vê-se bem à distância.

Acamparemos aqui.

- Achas que o cão vem ? - Mais lhe vale.

Há cinco meses que partimos de Cusco, e não tivemos notícias suas.

Sem a comida e os apetrechos desses barcos, estamos perdidos.

Jamais atravessaremos o deserto.

Ainda mais agora, que aumentámos em número.

Estão a preparar, no Peru, umarebelião contra os "viracochas".

Partem mensageiros, desde Cusco,

para ordenar às tribos do Norte

que escondam a comida dos invasores

e fujam com as suas famílias para as montanhas.

Ou outros podem fazer o que quiserem.

Nós, os mapuches,

não nos escondemos.

Os "viracochas" já cá estiveram, com o homem de um só olho,

e não foram capazes de sobreviver nesta terra.

Farás o que te ordene o teu soberano, o Inca Manco,

descendente do grande Atahualpa,

filho do Sol.

Não somos servos dos "huincas".

Todos os guerreiros deles não conseguiram vergar a nossa gente.

E esse punhado de "viracochas" e os seus criados

tão-pouco conseguirão.

Será que não queres enfrentá-los...

... porque tens medo deles ?

Estás a chamar-me cobarde, seu miserável orelhudo ?

Queimaram viva toda a minha família, e só eu sobrevivi.

E houve 300 "viracochas"

que pagaram com o seu sangue.

Desaparece daqui !

Antes que eu perca...

... o respeito à minha gente.

O ouro... Onde está o ouro ?

Até os mortos são miseráveis, aqui !

Ai, "mamitay"...

Não permitas que façam aquilo.

Os corpos dos meus antepassados

são sagrados, "mamitay".

Costumes do diabo, nesta terra de bárbaros.

É muito diferente das relíquias dos vossos santos, nas igrejas ?

O que estão a dizer, Catalina ?

Que dá má sorte ultrajar o espírito dos mortos,

e que voltarão para vingar-se.

Dizem que não sairemos daqui vivos, "mamitay".

Cecilia !

Cecilia !

Cecilia...

Se não fosse a vossa ajuda...

Qualquer outro não se importaria com uma índia.

Não sinto diferença entre vós e eu.

Até sinto...

A maravilhosa dádiva que tendes aí dentro.

E vós não pensastes em ter filhos ?

O meu ventre é estéril, como este deserto.

E Valdivia sabe disso ?

Conseguiste algo ?

Lamento.

Só consegui trazer isto.

Desde que chegaram os de Quiroga, é impossível fugir ao racionamento.

E há dois sentinelas a vigiar o armazém.

Ainda não chegámos ao pior do deserto,

onde até o ar seca.

Estaremos de volta ao anoitecer.

Ides muito longe ?

Não mais de um par de léguas. Há de haver comida nalguma aldeia.

Estes demónios não se alimentarão de ar.

- Ficais a cargo, Quiroga. - Certo.

Vamos.

Não !

Não !

Não vos assusteis.

Sou eu.

Sancho de la Hoz ?

Como vos atreveis a entrar na minha tenda a meio da noite ?

Percorremos centenas de léguas, desde a costa,

à vossa procura,

atravessando este deserto do demónio,

até Deus nos ter ajudado a encontrar esta aldeia perdida,

onde combinei com Dom Pedro trazer as provisões e os apetrechos.

E esta é a receção que nos dais, Inés ?

Onde está Dom Pedro ?

Só chegará ao amanhecer.

Está bem. Aqui o esperaremos.

Vem gente.

- Não, não... - Calai-vos.

Catalina...

Estes senhores são...

São nossos convidados.

Chegaram desde muito longe,

e estarão esgotados. Trazei comida.

E não esqueçais o vinho especial da princesa Cecilia.

Alegro-me muito de ver-vos.

Não esperava menos de vós.

E Valdivia ?

Na expedição, já vos disse.

Não. Deixa, que eu sirvo.

E de certeza...

... que virá muito cansado;

com vontade de tirar as esporas e as armas.

Valdivia é um louco temerário.

Eu jamais vos teria deixado sozinha.

Sois muito amável.

E chegais no momento certo, sabeis ?

Valdivia está...

Está fora de si, está estranho.

Não é o homem que conheci em Cusco.

Eu disse.

Avisei-vos de que Valdivia não era homem para vós.

Talvez me tenhais julgado mal.

Nisso, tendes razão.

Não sois a ave necrófaga que eu pensava.

Sois um pavão-real.

E bastante tonto, claramente.

Beltrán...

López...

O que me fizestes ?

O que me fizestes, bruxa do demónio ?

Com que direito prendeis contravontade

um emissário do imperador ?

Estais bem ?

Viestes assassinar-me, Sr. De la Hoz ?

Só vim recuperar o que é meu, Valdivia.

Só eu tenho direito sobre o Chile.

E os vossos homens deveriam saber que a expedição é minha por direito.

E vós...

De que vos rides, bruxa ?

Pedro...

Ouvi-me...

Ouvi-me todos, e ouvi-me bem.

É ela quem manda nesta expedição, não Valdivia.

Estais dispostos a obedecer-lhe ?

A dar a vossa vida e o vosso sangue por essa...

... vulgar concubina.

Digo que sejam executados.

Matai-os.

Onde estão os barcos com as provisões ?

Falai, e talvez vos deixe viver.

Que não vos passe pela cabeça voltar a ameaçar-me, Valdivia.

Como queirais.

Oficial de justiça.

Credes que me assustais ?

Clemência, senhor. Clemência.

Contar-vos-ei o que aconteceu com os barcos, se nos deixardes ir.

Cala-te !

Falai.

Não reuniu dinheiro para a frota.

E os credores ameaçavam matá-lo.

Pagou-nos para acompanhá-lo e assassinar-vos,

para ficar a cargo da expedição.

Mentes, cão !

Cometeram traição.

- Executa-os. - Isso.

Sabeis que este homem é um protegido do imperador.

Morto o cão, morta a raiva.

Mata-o, Pedro.

Se não o fazes agora, ele matar-te-á, um dia.

Matai estes cães, Valdivia.

Sempre disseste que convém ter os inimigos perto,

para vigiá-los.

Vocês os dois...

... são condenados ao desterro.

Voltareis para Cusco, sem água nem comida.

Quanto a vós...

Caminhareis com os yanaconas,

como a escória que sois.

Ser-vos-ão retirados privilégios.

Para além disso, a partir deste momento,

renunciareis publicamente a qualquer direito sobre o Chile.

Todos estão contentes.

Sabem que não tardaremos a voltar para Cusco.

Não sei do que falais.

Vós o disseste:

sem De la Hoz, não podemos continuar.

Senhor Quiroga,

a fortuna sorri aos audazes.

Racionaremos as provisões.

Somos soldados ou donzelas ?

E a água ?

Dom Benito conhece poços, no caminho.

Não faltará.

Perdoai, mas parece-me uma loucura.

Levaremos pelo menos dois meses a atravessar o deserto.

Talvez estejais habituado a desistir à primeira contrariedade.

Mas eu não.

O Chile será meu.

Ninguém me arrebatará essa terra.

Ninguém me arrebatará o que é meu.

Ninguém.

2 meses depois da entrada no deserto de Atacama

Está envenenada.

Em frente !

Estão a chegar homens, vindos do Norte.

Vêm guiados...

... pelo seu grande capitão.

Trazem bestas que gritam

e armas que ferem como o raio.

Se eu matar o líder deles,

irão embora ?

Não.

Vem uma mulher, uma feiticeira.

Tem o cabelo vermelho.

Não a podem matar.

Está envenenada.

Há que cuidá-la.

Não a podem matar.

Já veremos.

- Vamos ! - Vá, vamos !

A comida escasseia, já pouca água temos

e o desespero difundiu-se no vosso seio.

Não obstante, peço-vos um esforço. Um último esforço.

Do outro lado deste deserto, espera-nos o paraíso.

Aguentai.

Inés,

temo que vou parir no meio deste deserto.

E Valdivia não terá outro remédio que abandonar-me e ao meu filho.

Não. Confiai, Cecilia.

O Chile já não fica muito longe.

Tomai a minha ração; já não há mais.

Obrigada.

Maldita seja.

Já reparei em como olhas para ela.

Para Valdivia, ela é só a sua concubina.

Se me ajudares a tomar o comando,

dou-te a minha palavra que te nomearei meu mestre de campo.

E então, só então,

ela poderá ser totalmente tua.

Grumete,

ajudai a levantar acampamento.

Sim, senhor.

Senhor De la Hoz,

só vinha verificar que o alojamento era do seu agrado.

Alegra-me ver que, apesar das circunstâncias,

não perdeis o vosso sentido de humor.

Sou soldado;

estou acostumado à penúria.

Mas não à traição, imagino.

Não abuseis da minha generosidade;

tem um limite.

Inés de Suárez conspira contra vós e o vosso comando.

Adeus, Sr. De la Hoz.

E a princesa inca, a sua amiga,

está prenhe.

Sabíeis ?

Já vi que não.

Vá !

Avançar !

Não posso crer que vamos fazer isto outra vez.

Viver ou morrer, Alderete.

Segue-me.

Jerónimo...

Alderete...

É a minha vez, Alderete.

- Larga essa mulher, animal ! - Deixai-me !

Puta...

Inés !

Enlouqueceste ?

Quieto.

Estes miseráveis estavam a tirar o leite à criança.

Castigai-os, como é devido.

Aguirre,

amanhã, à primeira hora, quero os oficiais na minha tenda.

Já ouvistes.

- Pronto, Jerónimo. - Cadela...

- Chega. - É uma cadela.

Não voltes a dizer-me o que fazer.

Jamais.

Eu é que decido quem merece prémio ou castigo.

- Eu só estava... - Inés !

Preciso de todos os meus homens desta expedição.

Queres provocar um motim ?

Em pé, senhores.

Não me porei com preâmbulos, sei do vosso desassossego.

A comida escasseia, já pouca água temos

e o desespero difundiu-se no vosso seio.

Não obstante, peço-vos um esforço.

Um último esforço.

Do outro lado deste deserto, espera-nos o paraíso.

Ontem, foram à vida mais de 30 yanaconas.

A água está envenenada,

as povoações abandonadas

e não há animais para caçar, Valdivia.

Estamos a morrer.

Se voltarmos para trás,

doseando a água e a comida,

poderemos sair deste inferno.

É verdade. Voltando, sobreviveremos, Valdivia.

Não, já não podemos voltar.

Estamos a meio do caminho. Voltar seria um suicídio.

Assim que o vento amaine, partiremos.

Caí na razão.

Rogo-vos.

E se não o fizer, Quiroga ? Far-me-eis o mesmo que a Gutiérrez ?

Se tiver de escolher entre os meus homens

ou os delírios de um louco,

não duvideis que o farei.

Com vossa licença...

Agora não.

As coisas não parecem ir bem, para o Valdivia.

Catalina !

Catalina !

Força, "mamitay", que tu tens magia.

Força, "mamitay".

Aqui ! É aqui...

Cavai ! Cavai !

Vá, vá...

O que fazeis ?

Voltai para a tenda. É perigoso estar aqui.

Se quereis sair vivo daqui, cavai.

Índia...

Temos de voltar.

- Temos de voltar. - Voltar é uma loucura.

Não podemos acabar como os homens de Almagro:

mortos e secos, neste inferno.

Estás a amotinar-te ?

- Mando enforcar-te ! - Não tenho medo de ti, Aguirre !

- Quem quiser que volte ! - Calma.

Ouviste ?

Mas sem comida e sem água !

Chega, senhores !

Dizei-me...

Quem está comigo ?

- Um milagre, Dona Inés. - Água, "mamitay" !

Quem quer voltar para Cusco ?

Água !

Água, senhor !

Sai água ! Água...

- O que dizeis ? Onde ? - Sai água. Por ali, por ali...

Dom Pedro...

Bebei, Dom Pedro.

Por Dom Pedro de Valdivia !

Por Dom Pedro de Valdivia !

Por Dom Pedro de Valdivia.

Ouvi, ouvi, ouvi...

Ouvi-me...

Ouvi-me, ouvi-me, ouvi-me...

Se me permitis, Dom Pedro...

É o momento de todos fazermos uma oração,

em agradecimento à Virgem do Socorro por este milagre.

Claro que sim, padre. Rezaremos.

Mas não devemos isto ao céu,

mas, sim, a outra senhora.

Procurais sempre o caminho mais fácil, senhores.

Mas não é assim que se conquista um reino

nem uma dama.

Sois vós...

Queria agradecer-vos por curar a minha ferida.

Não carece.

Ide desfrutar da festa, com os outros.

Também queria dar-vos isto.

Arranjei-o num templo de virgens,

e ia ser para a minha esposa.

- Guardai-o para ela. - Quero que seja para vós.

- Quero que sejais minha esposa. - O que estais a dizer ?

Vi como vos trata Valdivia; como uma fulana.

Não vos merece. Deixai-me amar-vos.

Prometo que vos respeitarei sempre.

Confundistes a minha amizade com outra coisa.

Amo-vos, e vós a mim. Sei-o.

O que estais a fazer ? Largai-me.

Inés, porque...

O que fazeis ?

Como vos atreveis, filho da puta ?

- Pedro... - Levanta-te !

- O que se passa ? - Leva-o !

- Mandarei que te enforquem ! - O que fizeste ?

Os "viracochas" vêm aí.

Como, se vos mandei envenenar os poços ?

E envenenámos.

Então, porque não morreram de sede ?

Encontraram água.

Como ?

Uma mulher de cabelo vermelho.

Encontrou água no deserto.

O quê ?

Uma mulher de cabelo vermelho,

como o fogo.

Manda chamar...

... todos os caciques.

É hora de sangue.

Peço-te clemência para Escobar.

Por amor de Deus, Pedro.

Perdoaste a vida ao canalha do De la Hoz.

Ultrajou a minha mulher.

Traiu-me.

Como confiar num soldado capaz de trair o seu general ?

Escobar é apenas um rapaz.

Não é digno da minha confiança.

E tu ?

Posso confiar em ti ?

- Achas que eu... - Diz-me tu.

- Eu jamais vos enganei. - Tens a certeza disso ?

Nunca me ocultaste nada ?

Está na hora.

Pois.

Sois o oficial de justiça, Gómez; tendes de fazer algo.

- Vai matá-lo por ciúmes estúpidos. - Não posso fazer nada.

Cecilia não teria aguentado, sem a sua ajuda.

Devei-lo.

Aquele rapaz está morto.

É acusado o soldado Rafael Escobar

de ter penetrado na tenda do capitão-general

para atentar contra a sua honra.

Por isso...

... é condenado à morte.

Não...

Não, por favor...

- Não... - Lamento, grumete.

Não, não, não...

Não, não, não...

Não, não...

Não...

Que se cumpra a sentença.

Tambor.

Milagre.

Milagre ! É o juízo de Deus !

É o juízo de Deus, senhor !

Não quero voltar a vê-lo.

Não te preocupes; viverá.

E tu ?

Também conseguirás viver, depois disto ?

Setembro de 1540 9 meses desde a partida de Cusco

"Señoray"...

Ajuda, "mamitay" !

Cecilia ! Cecilia !

Não posso mais, Inés.

Está para parir, "mamitay".

Respira.

Respira, sim ?

O que se passa ?

Está indisposta.

Que se levante; descansará de tarde.

Não pode.

Vai ter uma criança.

Terá de tê-la sozinha.

Sigamos.

Pensais deixar que morra, como fizestes com Escobar ?

Caí na razão, Inés.

Não podemos arriscar a vida de todos, só por um.

Não será preciso.

Segui, que eu fico com ela.

Cecilia...

Seguimos, Pedro ?

Vêm aí índios !

Calma...

- Quantos ? - Centenas.

- Já ouvistes, senhores ! - Vamos !

- Preparar defesas ! - Às armas !

Respira, sim ?

Respira.

Confiai, senhores.

Deus está do nosso lado, não do daqueles animais !

Sultão...

Belo e nobre.

Devo parecer-te um ser abominável.

Traí tudo o que sempre respeitei.

Perdoa-me. Não queria perder-te.

Não queria perder esta terra.

Amo-te, Inés Suárez.

E sempre amarei.

Então, vai.

E luta por aquilo que amas.

E se não venço ?

Morreremos juntos.

A morte, menos temida, dá mais vida.

Prendei bem as lanças. Pega no teu arcabuz, Gutiérrez.

Prendei bem essas caixas.

Ide, e vencei aqueles diabos. Deus está do nosso lado.

Empunhai uma espada, padre.

Senhores...

Senhores soldados,

do outro lado daquela colina está o Chile !

O Jardim do Éden !

Mas, para chegar lá,

teremos de atravessar o inferno !

O que fazemos, senhores ?

- Lutar ! - Lutar !

- O que fazemos, senhores ? - Lutar !

Vamos por Deus e pelo nosso senhor !

Uma espada...

Suplico-vos que me deis uma espada.

Por amor de Deus, deixai-me morrer como um fidalgo.

Nada tem mais valor do que a lealdade, Gómez.

Sois o meu senhor.

Jurei-vos fidelidade até à morte.

Valdivia disse que ficaríeis aqui,

a ajudar.

Se tentardes outra das vossas vilanias,

juro que vos mato.

Há mulheres pelas quais vale a pena morrer,

como Inés.

Apontem !

Fogo !

Apontar lanças !

Respirai, respirai...

Ajuda !

Ajuda !

Ajuda !

Aqui...

A mão aí...

Pressionai com força.

Já está quase.

Já está a chegar, "mamitay".

Isso, mamã.

Um pano, "mamitay".

Já está quase. Já o vejo.

Vais morrer, bruxa de cabelo vermelho !

Já está a chegar...

Respira.

Vamos embora !

Vamos embora, irmãos ! Vamos embora !

Vamos embora !

Vamos embora !

Vamos embora !

Estás bem ?

É Santiago, que vem em nosso auxílio.

Olha...

Eu, Dom Pedro de Valdivia,

em nome de Sua Majestade, Carlos,

rei de Espanha,

e pela coroa de Castela,

tomo posse desta província

à qual chamarei Nova Extremadura.

À volta desta colina,

fundaremos uma nova cidade à qual chamaremos Santiago,

em honra ao santo que nos levou à vitória na batalha.

Viva Santiago !

- Viva ! - Viva !

Um lar, onde esquecer velhas desavenças,

odiosos privilégios

e estúpidos ciúmes.

Um lugar onde, finalmente, seremos livres.

Viva !

Viva Dom Pedro de Valdivia !

- Viva ! - Viva !

12 de fevereiro de 1541

Após 13 meses de viagem, é fundada Santiago de Nova Extremadura

Vem Valdivia. Abri as portas.

- Vejo que a campanha foi um êxito. - Dizeis bem.

Os quatro caciques mais importantes do Mapocho,

incluindo o chefe de todos eles.

Porque não soltas aqueles homens ? Não é digno de ti.

É uma questão de sobrevivência.

Se um estranho chegasse a Espanha e te tratasse assim, como reagirias ?

Lutaria até à morte.

- Jamais me renderia. - Ele fará o mesmo.

Se a ele e ao seu povo humilhares e torturares,

só vais conseguir mais guerra e morte.

Estes índios do Chile têm algo que eu jamais tinha visto.

Vão todos à guerra.

Mulheres e crianças. Todos.

O que fazemos com este, Pedro ?

Pois, o pequeno selvagem. Há que cristianizá-lo.

Não me enganas.

És mais esperto do que este "huinca" pensa.

Quero que me ensineis a lutar.

Pretende manejar a espada.

Não tardará a mandar em todos nós.

Não me fio, Pedro.

Não me agrada por onde nos leva; pode ser uma emboscada.

- Deu-me a sua palavra. - Estes animais não têm palavra.

Digo que o martirizemos, que já nos dirá onde está o ouro.

Se não o fizer, juro que lhe corto o pescoço.

Estou com o Aguirre.

Quantas vezes me disseste que o ouro corrompe ?

Não viemos para o Chile para fugir disso ?

O Chile é só o princípio.

Tocai a campana ! Tocai a campana !

Alerta !

Estão a atacar-nos ! Defender a cidade !

Às armas !

Vejo sangue...

... e fogo.

E um grande chefe a cair.

Valdivia voltará. Temos de resistir.

- E se não chega a tempo ? - Abri !

- Há mais de 100 índios ali fora. - Nem que fossem mil.

Valdivia voltará, e aqui o esperaremos.

-O que foi, Pedro ? Enlouqueceste ? - Ela vai morrer por minha culpa.

Pois não existe maior glória neste mundo

do que viver e morrer a lutar !

- Por Inés Suárez, de Plasencia ! - Por Inés !

ptados

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