All language subtitles for Inés of My Soul S01E03 (2020).pt

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Original subtitles

Cusco, Peru, dezembro de 1539

Senhores,

estamos numa época de perdoar,

de esquecer os pecados do próximo

e emendar os próprios.

É tempo de partilhar

e conciliar as nossas divergências.

Boa noite de Natal a todos e que Deus vos abençoe.

- Feliz Natal! - Feliz Natal!

E então, Sr. De la Hoz?

Como vão os preparativos para a conquista de Nova Toledo?

Quereis dizer do Chile?

Bem.

Em breve terei os navios

apetrechados e prontos para partir desde Callao.

- De que vos rides, Valdivia? - Rio da vossa audácia.

Sabeis...

No outro dia tive oportunidade de ler o despacho imperial;

aquele que, segundo vós, por ordem do imperador,

estais autorizado a navegar até ao Estreito de Magalhães.

Mas não diz que podeis desembarcar e conquistar terra firme.

O que quereis dizer?

Que esse papel não vos autoriza a conquistar o Chile.

Só a navegar e explorar as suas costas.

Desejo-vos sorte, De la Hoz.

Enquanto invadis o reino de Neptuno,

conquistarei o Chile.

Vós?

Um simples fidalgo, conquistador de um reino?

Basta, senhores.

Disse que havia que conciliar as nossas divergências.

Ou não fui claro?

Bendita seja Santa Maria. Obrigado, senhores.

Escutai-me bem, Valdivia...

Enquanto a minha família cavalgava ao lado de reis,

a vossa era composta por tabaréus e peões

que nem o nome sabiam escrever.

Deus faz homens, não linhagens.

Bem dito, Valdivia. Bem dito.

Senhor governador...

Desculpai a minha grosseria; não quis insinuar que vossemecê...

Não! Voltai!

Voltai!

Alerta!

Guarnição em alerta!

Malparidos!

Vinde já!

- O que aconteceu, Gómez? - Consegui vê-los, senhor.

Estavam junto aos calabouços.

Tentavam libertar Almagro.

Os seguidores de Almagro são um perigo.

Ou os executamos a todos ou nunca estaremos a salvo.

Vigiai a porta.

Vamos.

INÉS DA MINHA ALMA

Sabiam.

Sabiam perfeitamente que baixamos a guarda no Natal.

Pergunto-me como conseguiram sabê-lo.

O que estais a insinuar?

Fazei-o.

Fazei-o pelo que mais queirais, Valdivia.

E que seja isto que resolva de vez a questão do Chile.

- Se assim quereis... - Basta!

Basta, senhores!

Isso que aconteceu é a consequência

das disputas e néscias lutas entre homens de bem.

Não permitirei que voltem a suceder enquanto for vivo!

Já tivemos uma guerra civil.

Aprendei com as lições que nos dá a providência.

Aqui e agora, senhores,

resolvei as vossas divergências,

se não quereis que vos encarcere com aquele lá em baixo.

Decidi!

Seja.

Comprometo-me a contribuir com 50 cavalos,

dois navios e 200 pares de coracinas.

Já sabemos com o que contribuo. E vós?

Homens valentes;

que é o único necessário para coroar com êxito qualquer empresa.

Que sejam 200.

Que sejam 200.

Muito bem.

Os ventos serão propícios daqui a uns meses.

Se não os reunirdes até então,

partirei sozinho para o Chile.

Tê-los-ei.

Procurai vós reunir essa frota da que tanto falais.

Seja, então.

Dom Pedro de Valdivia partirá por terra, com os seus homens,

e vós, De la Hoz, por mar,

para assistência e abastecimento.

Agora apertai a mão.

Desisti do vosso intento, mestre Valdivia.

Já vo-lo disse:

o Chile será meu,

e ela também.

Fizemos um acordo, Sr. De la Hoz.

Agora somos sócios.

Por isso só vos matarei quando chegarmos ao Chile.

Que tenha uma boa noite de Natal.

Estou farto de ter de vir a tua casa de noite,

como se fosse um ladrão.

És um homem casado. O que queres?

No que estás a pensar, Pedro?

Finalmente,

tenho autorização para conquistar o Chile.

E é isso o que te inquieta?

Mas tenho de fazê-lo com o miserável do De la Hoz.

E só tenho dois meses

para reunir homens e bagagens para a expedição.

Todos quererão colaborar com Pedro de Valdivia,

o herói de Salinas.

Mesmo que o consiga,

o Chile é apenas um espaço em branco nos mapas.

Só um homem esteve lá e voltou para contar.

E qual é o problema?

Que esse homem é o pior inimigo do meu senhor.

"A morte..."

"A morte menos temida

"dá mais vida."

Sabes o que quer dizer?

Que não se pode viver com medo.

É isso.

Então,

honra...

...a divisa da tua família.

Queríeis ver-me, meu senhor Dom Pedro de Valdivia?

Preciso da vossa ajuda.

Quero conhecer ao certo a rota que vos levou até ao Chile,

pela cordilheira andina, até Copiapó.

Fazei-o assim apenas se quiserdes morrer.

Naquelas serras faz tanto frio que os meus homens até congelavam.

Perdi metade dos meus índios e negros e toda a bagagem.

Mas e então?

Então,

por aqui, Valdivia.

Desde Arequipa até Tarapacá.

E de lá pelo caminho junto à costa até ao Chile.

Pelo deserto?

Impossível. Seria um suicídio.

Seriam mais de duzentas léguas por esse inferno sem água ou comida.

Não, Valdivia.

No meu regresso,

os exploradores encontraram poços de água ocultos pelos índios.

Como são os índios do Chile?

São tão hostis como contam?

Hostis é dizer pouco.

Os mapuches. Nunca consegui vergá-los.

Só falta uma coisa então:

que me digas a localização dos poços e das aldeias

para poder atravessar o deserto.

Não será tão fácil, mestre de campo Valdivia.

O que quereis?

Para mim nada.

Mas quero a liberdade para os meus homens.

E para o meu filho, o meu filho Diego.

Mas isso não depende de mim.

Só Pizarro pode tomar essa decisão, e jamais acederá.

Pois, então,

meu senhor mestre de campo Dom Pedro de Valdivia,

só me resta desejar-vos a melhor das sortes,

porque ides precisar.

Esse velho sifilítico...

Deixa-me um bocado a sós com ele e saco-lhe tudo o que queiras.

Não. Não adiantaria de nada.

Conheço-o; é igual a mim.

Morreria antes de dar o braço a torcer.

Quem vai morrer?

Almagro tem informação imprescindível sobre o Chile.

E digamos que pede algo em troca. Algo impossível.

E o Aguirre ofereceu-se para... "conversar" com ele.

Os homens só sabem usar a força para resolver problemas.

E o que sugeris? Que lhe cante uma canção de amor?

Não, mais simples do que isso. O que vos custa dar-lhe o que pede?

Impossível.

Libertar os seus homens só depende da boa vontade de Pizarro.

Então voltamos à porrada.

E isso não é o pior.

Se os homens fossem libertados e acontecera algo a Pizarro

o responsável seria eu.

É um velho avaro que só pensa no ouro.

Só devolvendo a mina e a comenda te deixou ir para o Chile.

É verdade. Mas é mais do que isso.

É o homem a quem jurei fidelidade.

Então

aí tens a solução.

Enlouquecestes, Valdivia?

Pedis que liberte, sem mais, os homens de Almagro?

Não.

Jurar-vos-ão fidelidade como o seu novo senhor.

Nunca poderão intentar nada contra vós nem contra os vossos.

Aquelas ratazanas?

Aquelas ratazanas?

Dependuremo-los na Praça de Armas

e façamos...

...um banquete,

enquanto se esvaem em sangue.

Muitos são companheiros de armas dos nossos soldados, senhor.

- Veteranos de guerra em Pavia. - E depois?

Como credes que reagiriam os nossos homens

ao ver pendurados em cordas os seus parentes e irmãos?

O que insinuais, Valdivia?

Que está a ser tramada uma rebelião, entre as tropas?

E, se assim fosse,

quem seria o cabecilha?

Talvez vós?

Meu senhor Francisco, castigar é privilégio de reis.

Mas o perdão só está ao alcance dos deuses.

"Chantiquei". Empadinhas.

"Chantiquei".

- Para o que olhais, senhora? - Adúltera.

Barregã.

Fora!

- Fora! - Fora!

Fora daqui!

A que vindes, marquês de Pizarro?

Para acabar com os vossos remorsos ou para matar-me de vez?

Porque tiveram as coisas de acabar assim, Diego?

Tu é que as acabaste assim, Francisco.

Juntos podíamos ter sido reis.

Mais poderosos do que o imperador Carlos.

Mais, até.

Podíamos ter sido deuses.

Fomos como irmãos.

Sim, é verdade.

Como irmãos.

Salvaste-me a vida.

Todos cometemos erros, Francisco.

Espero corrigir os meus.

Porque me odeias tanto?

E ainda perguntas?

Juntos conquistámos esta terra, Francisco.

Quando não eras nada só eu apostei em ti.

Eu.

E, agora, rodeias-te daquela chusma

que te lambe as botas como cães.

Mas, a mim,

a mim, que arrisquei tudo por ti,

o meu dinheiro, a minha vida,

a vida dos meus homens,

a mim,

que até dei um olho a lutar por ti,

relegas-me e convertes-me num pária.

Arriscaste tudo?

Sim, pois.

Mas só pelo ouro, como os demais.

Não te faças de mártir comigo, Diego.

Traíste-me.

Até te aliaste aos índios para destruir-me.

Vens falar-me de traição, Francisco?

Como te atreves?

Quando voltei do Chile tinhas-me roubado tudo.

Cusco pertence-me por direito.

O meu irmão...

...diz que eu devia queimar-te numa fogueira

como castigo pela tua rebeldia.

Outros pedem-me que te esfole vivo

e arraste os teus despojos por toda a Cusco.

Só Valdivia me pede que respeite a tua vida.

Vou pensar.

Mudança da guarda, soldados!

Sois livres.

É-vos perdoada a vida.

E podeis realistar-vos no exército do marquês,

se assim o desejardes.

Mas antes tendes de jurar fidelidade ao senhor marquês.

Tu primeiro.

E ser um cão fiel a Pizarro como vocês?

Jamais.

Então morrereis.

Fazei-o, Dom Benito.

- Jamais, meu senhor. - E cuidai do meu filho.

Jamais jurarei fidelidade a outro que não vós, meu senhor.

Ouvi-me todos.

Fazei-o. Eu vo-lo ordeno.

De joelhos.

Eu, Dom Benito,

juro fidelidade ao governador do Peru.

Se acontecer algo ao meu senhor de Almagro...

Agora tendes outro senhor.

Não o esqueçais.

Saí daqui, cão. Sois livre.

Seguinte.

Eu, Diego de Almagro, filho,

juro fidelidade ao senhor governador.

Almagro cumprirá a sua promessa.

Só faltam os homens e os apetrechos. E tudo graças a ti,

Inés Suárez, de Plasencia.

O que aconteceu? Quem te fez isto?

Houve um momento em que pensei que não voltaria a ver-te.

A forma como me olhavam, cheios de ódio...

Que lhes fiz eu, salvo amar-te?

Cobardes.

Só me consola saber que, em breve, iremos embora daqui

e poderemos viver em paz, sem nos escondermos

e sem fingir que não nos amamos.

Será melhor que vás para Cidade dos Reis.

Lá estarás a salvo.

Cidade dos Reis?

Quem falou em ir para Cidade dos Reis?

Não, nem penses.

Vamos juntos para o Chile ou não vais a lado nenhum.

Não, é muito perigoso. É melhor que me esperes lá.

Eu pensava que me amavas.

E é por isso que o faço.

Não conseguirias suportar.

Nem os homens de Almagro, veteranos curtidos, o conseguiram.

Mal possa virei buscar-te.

O último homem que amei abandonou-me

para ir descobrir o Novo Mundo.

Não voltei a vê-lo com vida. Não voltará a acontecer.

Não...

Não contigo. Vai.

Se deixar de amar-te não sofrerei quando te perca.

Sê razoável, Inés. Não sejas criança.

- Só quero o melhor para ti. - Vai para o Chile.

E procura sair com cuidado,

não vá ser que alguém te veja e a tua reputação fique manchada,

senhor mestre de campo Dom Pedro de Valdivia.

Obrigada.

Podes ir.

Porque me apaixono sempre...

...por sonhadores iludidos que me deixam fora dos seus sonhos?

Temo que o nosso querido Valdivia

tenha problemas mais urgentes com que preocupar-se

do que este pequeno arrufo de namorados.

O que quereis dizer, senhora?

Ninguém o ajudará na sua empresa. Ninguém.

Nem os agiotas.

Sabem que não há ouro nem riquezas no Chile.

E adeus ao seu sonho de criar um novo reino.

Não vos preocupeis.

Ajudarei Valdivia na sua expedição ao Chile.

Mas com uma condição:

eu também irei.

Para o Chile?

Porquê, se sois uma princesa? Que necessidade tendes de ir?

Não sois a única pessoa nesta cidade que tem um segredo.

Senhoras...

Que agradável surpresa, Sr. De la Hoz.

- Apresento-lhe a Inés... - Não, já nos conhecemos.

Esplêndido.

Com licença.

Não vades. Sentai-vos, Inés.

O Sr. De La Hoz salvou-me

de ser sacrificada num templo pelos partidários de Atahualpa.

Favor que me fazeis, princesa.

Princesa, apenas vim dar-vos conta

da minha iminente partida para a conquista do Chile.

Tenho entendido que não sois o único.

Essas terras têm mais do que um pretendente.

Sim, é o que parece.

Mas só um deles conseguirá vergar essas terras selvagens.

A bem ou a mal,

o Chile pertence-me.

Contai-me tudo. Vou buscar um chocolate.

Soldados.

Irmãos.

Prestai-me atenção.

Chamo-vos irmãos

porque sempre me haveis acompanhado;

em Pavia,

em Roma,

nas selvas da Venezuela ou contra o rebelde Almagro.

Durante todos estes anos

procurámos uma empresa digna do nosso valor.

Agora, finalmente,

chama-nos o Chile, desde o Sul,

e promete-nos a honra e a glória que merecemos.

O que me dizeis?

Senhora dona Inés,

venho...

...pedir-vos desculpas sinceras por tudo o sucedido.

Estou disposto a esquecê-lo se vós também estiverdes.

Vós é que estais dispostos a esquecer tudo?

- Não acredito... - Sim.

A esquecer e deixar tudo para trás

se vós esquecerdes também o bruto do Pedro de Valdivia.

Não é merecedor.

Não é digno de vós.

E vós soi-lo?

O que sois para Pedro de Valdivia?

Pensai.

Nada.

Vai usar-vos e deixar-vos pendurada mal não precise de vós.

Fazei-me caso, por favor.

Sei do que falo. Só o faço pelo vosso bem.

- Pelo meu bem? - Sim.

Vinde comigo à conquista do Chile.

Juntos somos indestrutíveis.

Farei de vós minha rainha. Farei de vós minha imperatriz.

Tratai dessa queimadura, que tem má pinta, Dom Sancho de La Hoz.

Até à próxima, senhora.

Valdivia,

conheces-me desde Roma e Pavia.

Posso falar?

Fala livremente, amigo Jerónimo.

Pizarro deu-nos um despacho para explorar o Chaco.

Terei terras e escravos. Poderei ser senhor.

Para quê ir para o Chile?

Alderete tem razão.

O que tivemos lutando com Pescara na Europa?

Nada.

O que nos espera nesse Chile de que tanto falas?

- O que queres dizer? - Fácil.

Quanto nos pagarás por ir contigo?

Não é suficiente a honra de lutar às ordens de Pedro?

Fica tu com a honra e a glória.

No Chile fareis fortuna como nunca ninguém fez no Novo Mundo.

Não.

Enganam-nos, camaradas.

- Não há ouro no Chile. - E quem disse tais mentiras?

- Não deveis fazer caso. - Não são tais.

Todos ouvimos histórias dos que lá foram com Almagro.

É verdade.

Não encontraram ouro; só tribos selvagens e canibais.

Não iremos para o Chile.

Monroy e eu levámos quase dois anos para organizar a expedição ao Chaco.

Sois uns cães. Ireis para onde vos seja ordenado.

Cães... Continua a ladrar.

O que quereis vós, Gómez?

Só ir com vós para o Chile.

Não sabes que não há ouro?

Não é pelo outro.

Valdivia...

Querias ser Júlio César e acabaste com um bobo.

O Chile é teu.

Mas nunca te esqueças do nosso acordo:

metade do que encontres pertence-me.

Oito.

Só somos oito.

Já contando tu, eu e o Gómez.

Parece que temos outro voluntário.

Um bom dia, senhor Dom Pedro de Valdivia.

Sei que preparais uma expedição ao Sul e queria acompanhar-vos.

Também vens zombar de mim,

como os meus queridos oficiais e soldados?

Os meus "irmãos"...

Eu nunca te abandonaria.

Tínheis razão, ninguém se alistará na expedição de Valdivia.

E ninguém em todas as Índias

lhe emprestará dinheiro para cavalos e apetrechos.

Há uns meses aclamavam-no como herói,

e agora evitam-no como se fosse um mendigo.

Senhor Dom Pedro de Valdivia, que grande honra.

O que vos traz por aqui? Já sei: vinho. Tenho o melhor.

Trazei vinho para o mestre de campo e o seu amigo, cães!

Não é vinho o que nos traz a vossa casa, Sr. Martínez.

Partimos para conquistar novos territórios para o imperador.

Precisamos de cavalos,

pólvora, apetrechos

e carregadores yanaconas.

Claro.

O que for preciso para o nosso mestre de campo.

E aonde me dizeis que ides?

A Nova Granada?

Ao Chaco?

Ao Chile.

Ao Chile?

De que vos rides, cão?

Esquecestes-vos de com quem estais a falar?

Desculpai. Não é de vós, é do Chile.

É demasiado arriscado.

Todos se lembram de como voltou Almagro com os seus homens.

Pareciam esqueletos.

Sem um mísero peso no bolso.

Ninguém em Cusco

vos fiará dinheiro para a vossa expedição.

Assinar-vos-ei uma promissória.

E se vos der uma terça parte

de todo o ouro e riquezas que encontremos?

Uma terça parte de nada é...

...nada.

Só lhe importa uma coisa, e sabem que não há no Chile.

- Deve haver forma de convencê-los. - Como?

Um "viracocha" adora ouro acima de tudo.

Lembrai-vos de como foram em massa para umas selvas imundas

só porque alguém lhes falou de uma cidade perdida feita de ouro.

Eu sei.

Foi a lenda de um Dorado inexistente que trouxe o meu marido ao Peru.

Talvez pudesse conseguir algo, um empréstimo.

- Conheço um... - Esperai.

Dizeis que todos querem ouro?

E terão o seu ouro.

Gonzalo.

Martínez.

Dizei-me uma coisa... A que veio a bela dama?

Comprar azeite como que para um exército.

Azeite? Para quê?

Não me disse.

- Mas pode ir para o inferno. - Porque dizeis isso?

Pagou adiantado.

O mais puro pó de ouro que jamais vi.

Onde o arranjou?

Quando lhe perguntei só me disse

que aonde queria ir haveria mais.

Ouve-se cada uma...

Tanto vinho em tão pouco tempo...

Tem a certeza, senhora?

É como para alimentar um exército.

Levai-o todo para o palácio da princesa Cecilia.

E lembrai-vos de que partimos daqui a quatro dias.

Senhora,

ofereço-vos um copo de vinho.

Dizei-me, por curiosidade...

Aonde pensais ir com tanto vinho?

Ao Chile.

Não há nada no Chile.

É o que dizem, não é?

Isso é o que Valdivia quer que todos acreditem.

Almagro esteve lá e viu.

Viu montes de minas de ouro.

Sancho de la Hoz e Pedro de Valdivia não querem que ninguém saiba

para não terem de partilhar com mais sócios.

Estava a pensar

que talvez gostásseis de fazer um acordo.

Quereis embebedar-me?

Não, não. Claro que não.

Sinceramente não te entendo, irmão.

Não te parecia estranha a insistência de Valdivia

em salvar a vida de Almagro e dos seus homens?

Dom Pedro sabe o que faz; nunca me defraudou.

Lembro que Valdivia tentou assinar um acordo de paz com os de Almagro

enquanto eu passava oito meses numa masmorra,

às mãos desse cabrão.

Quis evitar a guerra e isso salvou-te a vida.

Porque permites tanto a Valdivia, irmão?

É um homem audaz e inteligente.

Ninguém conhece a milícia da guerra como ele.

Sem ele não teríamos vencido em Salinas.

Há aqui dez mil homens mais valentes do que ele.

Valdivia invicto?

- Viva Pizarro! - Viva!

Até que o derrotem.

E também é o homem mais fiel que jamais conheci.

Cortar-se-ia o pescoço

antes de permitir que algo de mal me acontecesse.

Lealdade, Hernando.

Uma virtude que, nos tempos que correm,

parece ter-se tornado um horrível pecado

ou um bem escasso

que vale mais do que ouro.

Finalmente,

reina a paz em todo o Peru,

graças também a Valdivia.

Anda para aqui, irmão.

À guarda!

Tentaram matar o marquês de Pizarro!

- Estás bem? - Sim...

O que aconteceu?

Aquilo de que te adverti, irmão. Os cães não têm palavra.

Jamais devia ter-vos feito caso.

Jamais.

Sai!

Almagro está protegido pela Coroa, senhor.

Não podemos executá-lo.

Almagro nasceu velhaco.

E há de morrer como um velhaco.

Porquê, Valdivia?

Porque sempre o defendeis?

O que teria acontecido se vós ou nós tivéssemos sido os perdedores?

O que teria acontecido?

Dom Diego de Almagro ostenta os títulos

de adiantado e governador de Nova Toledo.

Que explicação se dará ao imperador?

Tentou matar o marquês de Pizarro!

Trazei-me mais vinho!

Que ironia...

Isto, que um dia foi o teu palácio, poderá tornar-se o teu ossário.

Reclamo o meu direito de defender a minha causa ante um tribunal,

como adiantado do imperador que sou.

Tendes direito...

...a morrer enforcado, como o cão traidor que sois.

Por favor, Diego de Almagro.

Não me envergonheis.

Morrei com a dignidade de homem castelhano que sois.

Hernando,

suplico-te que me mates pela espada.

Não me deixes morrer num cadafalso, com a corda ao pescoço,

à vista de todos.

Levai-o.

Hernando...

Não, Hernando!

- Vamos. - Não!

Hernando!

Hernando!

Hernando!

Hernando Pizarro,

cão bastardo,

ver-te-ei no inferno.

Conquistador do Chile...

Pendurai-o ali fora para que todos o vejam.

Cães.

- Cobardes malparidos. - Diego...

Juro-te que isto não ficará assim. Mas não agora.

Largai-me.

Não fizeste nada para evitá-lo. E dizes-te amigo do meu pai?

- Cobarde. - Não é a hora, ouviste?

Queres que nos matem?

Vingança.

Vingança, Dom Benito.

Juro-te que não pararei até ver-te morto, Dom Pizarro.

Juro-te.

Deus amaldiçoe a vossa laia!

Mate todos os rebeldes.

Por favor...

- Por favor! - Não!

- Deixa comigo. - Piedade.

Misericórdia.

Misericórdia.

Não há misericórdia possível para um cão traidor.

Senhores...

Venho falar-vos do capitão Dom Pedro de Valdivia.

Procuro homens valentes que amem a liberdade.

Homens que queiram encontrar um novo mundo e melhor.

E onde fica esse vosso novo mundo?

Essa "Terra de Promissão".

No Chile.

No Chile?

No Chile?

Não há nada no Chile.

Nem ouro nem riquezas. Nada.

Só morte e dor.

Não voltaremos lá. E muito menos com Valdivia.

- Esse homem salvou-vos a vida. - Sim.

E por isso quero conservá-la o máximo de tempo possível.

E vós?

Porque quereis ir para essa terra baldia e desprezível?

Não entendeis?

Quero ir para o Chile precisamente porque é pobre.

O ouro corrompe e vicia.

Dividiu-nos, provocou uma guerra.

O ouro...

...foi a nossa perdição...

...e o nosso amo.

Desiludistes-me, senhor.

Não sois tão diferente de Pizarro como achais.

Todos quietos! Não se mexam!

Largai-me!

Prendei-o!

Quieto.

Ouvi...

Toda a Cusco crê numa conspiração dos homens de Almagro agora.

Os seus seguidores estão a ser executados

e as suas propriedades confiscadas.

Como você ordenou.

Ainda nos falta encomendar mais um trabalho:

matar Valdivia.

Com tudo o que está a acontecer

todos pensarão que é mais uma vítima da...

...vingança dos partidários de Almagro nesta triste noite.

Tomai.

Isto é vosso.

E sede muito cautos.

Vós?

"Obrigado" cairia bem.

Tentais matar Pizarro, e agora salvais-me a vida?

Enganais-vos.

Não foi obra minha nem dos meus homens.

- Como posso sabê-lo? - Porque não teria falhado.

O que fazíeis aqui?

Vim alistar-me no vosso exército.

Irei com vós para o Chile.

E os meus homens,

os que restem vivos, também.

Obrigado,

mas já ninguém irá para o Chile.

Almagro conhecia a forma de atravessar o deserto

e a localização dos poços e das aldeias

onde nos abastecermos.

Uma vez morto,

os meus planos também morrem.

Não vos preocupeis com isso.

Eu também conheço a localização desses poços.

Podereis ir para o Chile.

E a que se deve essa inesperada

mudança de atitude?

Digamos que ao vosso anjo da guarda.

O que é isto?

Isto é mesmo todo o vosso exército, Sr. Valdivia?

Se não me falha a memória, acordámos em 200 homens,

e aqui apenas vejo uma vintena;

a maioria deles delinquentes renegados.

Cortés tomou o México com 300 homens.

E o meu irmão o Peru com 100.

E vós pretendeis conquistar o Chile

com 17?

Boa sorte.

Temo que tenham razão, Dom Pedro.

Nestas condições, será Dom Sancho de la Hoz...

Já somos 18.

Nesse caso, senhora, ide conquistar o mundo inteiro.

O que fazes aqui?

Não se pode viver com medo. Lembrais-vos?

Perdoai o meu atrevimento, senhora,

mas, por estas latitudes, é bem sabido

que as únicas mulheres que acompanham os soldados na batalha

são as putas

e as índias.

E, pelo vosso aspeto, juraria que não sois...

...índia.

É verdade, senhor marquês. É uma mulher.

Mas tem mais valor e sabe mais de honra e lealdade

do que alguns dos homens nesta divisão.

Já chega.

Isto é ridículo.

Senhor marquês,

peço-vos, rogo-vos...

Reivindico o meu direito sobre o Chile.

Está no despacho imperial.

Senhor marquês,

não disse que ia sozinha.

Princesa Cecilia...

A que devo esta honra?

Senhor marquês,

venho dar fé dos 200 yanaconas,

bem como de todos os apetrechos e cavalos necessários

para a expedição ao Chile de Dom Pedro de Valdivia.

Estão todos à espera na Praça de Armas,

prontos para a partida,

tal como ordenou.

Meu queridíssimo Dom Pedro de Valdivia,

podeis partir à conquista do Chile,

com a bênção do imperador. Janeiro de 1540

Ide com Deus.

Cavalheiros, isto está muito mudo,

para a glória que nos espera!

Tambor!

Aqui vamos,

Inés da minha alma,

à conquista do Chile!

Vale do Mapocho, Chile, dois meses depois

Os "viracochas" estão de volta.

Sabes o que fazer.

Quem não possa continuar ficará para trás!

Se o ajudarmos atrasará a nossa marcha

e minguarão as nossas provisões. Há que avançar.

Ela está grávida, "mamitay".

- Não posso mais. - Cecilia!

Não devemos parar por nada nem por ninguém.

A expedição está acima de tudo.

- E nunca me abandonarias? - Nunca.

Nem que fosse um estorvo, como aquele índio?

Chegaram-nos notícias da vossa marcha para sul,

e decidimos ir procurar-vos.

Rodrigo de Quiroga.

Se não fosse Quiroga estaríamos todos mortos.

- Isto é uma brincadeira. - Uma mulher vestida de homem...

Em Espanha queimavam-na por vestir-se assim, senhora.

Mas, graças a Deus, não estamos em Espanha.

As ordens de Dom Pedro são rígidas: se alguém não pode continuar...

Gostaria de contar com a vossa discrição neste assunto.

Só se em troca eu puder contar com a vossa amizade.

Ninguém me arrebatará o que é meu. Ninguém.

O que foi?

Aproxima-se uma nuvem de pó a menos de uma légua.

- Índios? - Poderia ser.

Atenção!

Formação de defesa!

Onde está o ouro?

Até os mortos são miseráveis aqui!

O que estão a dizer, Catalina?

Dizem que não sairemos daqui vivos, "mamitay".

Irão embora?

Vem uma mulher, uma feiticeira.

Tem o cabelo vermelho.

Não a podem matar.

Perdoai, mas parece-me uma loucura.

Levaremos pelo menos dois meses a atravessar o deserto.

- A fortuna sorri aos audazes. - Está envenenada.

Estamos a morrer.

Se voltarmos para trás poderemos sair deste inferno.

Quem quer voltar para Cusco?

Estamos a meio do caminho. Voltar seria um suicídio.

Ouvi-me todos, e ouvi-me bem.

É ela quem manda nesta expedição, não Valdivia.

Estais dispostos a obedecer-lhe?

Eu é que decido quem merece prémio ou castigo.

- Eu só estava... - Inés!

Preciso de todos os meus homens desta expedição.

Queres provocar um motim?

Não voltes a dizer-me o que fazer.

Se tiver de escolher entre os meus homens ou os delírios de um louco,

não duvideis que o farei.

Senhores soldados,

do outro lado daquela colina está o Chile!

O Jardim do Éden!

Mas para chegar lá

teremos de atravessar o inferno!

ptados

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