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Nos in�cios do s�culo XVI, o emergente Imp�rio Espanhol
conquistou as poderosas civiliza��es Inca e Azteca.
Impelido pela sua �nsia de ouro e riquezas,
lan�a-se na ocupa��o de um novo territ�rio.
Uma terra desconhecida e selvagem. O Sul.
Tambor,
toque de batalha.
Senhores,
de que tendes medo?
S� de morrer?
Envergonhais-me.
Viaj�mos milhares de l�guas para chegar at� aqui
e os nossos irm�os morreram em v�o,
s� para nos rendermos?
N�o!
N�o nos renderemos!
N�o claudicaremos nem que s� nos reste o �ltimo f�lego!
Que venham!
Que venham, que aqui os esperamos!
Pois n�o existe maior gl�ria neste mundo
do que viver e morrer a lutar!
Aben�oada Espanha,
que pare e cria homens armados!
Pelo imperador!
- Pelo imperador! - Pelo imperador!
Por In�s Su�rez, de Plasencia!
- Por In�s! - Por In�s!
Sargento-mor...
Arcabuzeiros, a postos!
Senhores soldados,
apontar lan�as!
Em frente!
Em guarda!
IN�S DA MINHA ALMA
Plasencia, Espanha, 10 anos antes
Cavai aqui. Aqui h� �gua.
Deus a guarde.
N�o � preciso; guardai-o.
Obrigado. Obrigado.
In�s.
In�s.
Porqu� a pressa, irm�?
- O av� quer falar connosco. - Aconteceu-lhe alguma coisa m�?
Deus queira.
Cidad�os de Plasencia,
esperam-vos a gl�ria e a aventura!
Alistai-vos nos Ter�os!
Viajareis e conhecereis mundo,
servindo o imperador Carlos!
Tereis honras
e riquezas sem fim.
Iremos ao Peru,
para lutar contra os Incas nas suas cidades de ouro?
Isso, irm�o. Ao Peru, de certeza.
Assina.
Doce � a guerra, para quem n�o a conhece.
Doce? Quem disse tal sandice?
P�ndaro.
P�n, qu�?
� um general?
Sim, o general do poetas gregos.
N�o conhe�o.
Vamos l�, meus senhores!
Alistem-se nos Ter�os!
Viajareis e conhecereis mundo, servindo o imperador Carlos!
Estais bem?
Ser soldado n�o vos d� direito a tratar a gente assim.
Antes de julgar, dev�eis ver na sacola, senhora.
Vamos, irm�.
O av� espera-nos.
Cuidado, Pedro.
Cabelo ruivo, m� mordida e pior uivo.
Volta ao trabalho, Aguirre.
Cidad�os de Plasencia,
alistai-vos nos Ter�os!
Viajareis e conhecereis mundo,
servindo o imperador Carlos!
Tereis honras...
H� j� 10 anos que chegaram a mim, ainda meninas,
quando a inomin�vel levou a vossa m�e.
Sabe Deus que eu teria gostado que fossem homens,
para me ajudarem com o neg�cio.
Mas pronto...
Deus ter� querido assim.
Asunci�n,
decidi que casar�s com o Luis, o filho do ferreiro.
J� acordei com o pai dele.
Obrigada, av�.
Quanto a ti, In�s,
n�o h� dote que chegue para as duas.
E, agora que sou velho e preciso de cuidado,
decidi que ficar�s aqui comigo.
Podeis ir.
Porqu�?
Porque me fazeis isto?
Deixa-nos a s�s, Asunci�n.
Por favor.
Quando mais precisavam, acolhi-vos.
Cuidei-vos,
alimentei-vos, eduquei-vos.
Agora, sou eu quem precisa de aten��o.
Parece-te assim t�o terr�vel cuidar do teu av�?
N�o tens no��o, In�s,
mas os homens n�o gostam de mulheres como tu.
Com esse olhar...
...rebelde e desafiante,
como o da tua m�e.
Esses cabelos ruivos do dem�nio
e essa forma de te moveres...
E n�o sabes fazer nada.
Mal sabes ler e escrever. Todos te enganariam, acabarias mal.
Acredita que estou a fazer-te um favor.
A m�e ensinou-me a encontrar �gua.
Isso � of�cio de bruxas e ciganos, indigno de uma mulher decente.
Ficar�s aqui.
Assim quero eu, e assim quer Deus.
Obrigada, av�.
Devo-vos a vida.
Podes ir.
Deus as guarde.
Deus as guarde.
O dote... � podre de rico.
Bom seria que o velho n�scio e avaro deixasse este mundo o quanto antes.
- Cuidado, que a Elvira pode ouvir. - Essa?
Devia era esfregar as malgas como deve ser,
em vez de cheirar-nos as saias como uma cadela.
Mas sinceramente, irm�,
n�o invejo muito a tua sorte.
Ser� f�cil de enganar, pelo menos.
Quero provar uma.
Nem o duque de Veneza em sua corte ter� provado tal manjar.
� tenra e suave, por fora,
e deliciosa, por dentro.
Como a dona.
Tens belo olho para galos, In�s.
D�-me duas.
� o Juan de M�laga.
Vem vender as mercadorias
que a fam�lia comercializa pelo Mediterr�neo.
Cuidado com ele, In�s.
S� a lux�ria de mouro lhe supera a cobi�a.
Sobraram muitas.
J� est�o secas.
J� sabes que Dom Alonso quer que as sobras v�o para o convento.
Leva-as tu.
In�s...
Obedece.
Ainda h� empadas?
Persegue-vos o diabo?
Sou Juan de M�laga.
E, desde hoje,
o vosso mais humilde servidor.
Assim sendo, o que ordenais?
Que vossemec� volte por onde veio.
Vejo que sois diligente.
Vendeis empadas na cidade, e tamb�m sa�s extramuros.
N�o s�o para venda. Levo-as ao convento.
S�o sobras para os pobres.
E que vos importam os meus assuntos?
Misericordiosa e caridosa, para al�m de bela.
Importais-vos que vos acompanhe?
Ou tendes medo?
- Medo? - Sim.
De v�s? Fazei o que quiserdes.
Est� bem.
Nesse caso, e como estava a dizer, chamo-me Juan.
- E como vos cham�veis? - N�o vo-lo disse.
- Deixai-me ajudar-vos com a cesta. - N�o.
- Perdoai. - N�o, desculpai-me v�s.
Parece do vosso agrado.
Quereis l�-lo?
Empresto-vo-lo de bom grado.
J� entendi... N�o sabeis ler.
Gostais de meter-vos na vida alheia.
Ficai com Deus.
Jamais voltarei a ver-vos?
N�o quereis ler comigo o Amadis?
Gostais de zombar?
N�o, n�o...
Podia ensinar-vos.
V�s?
N�o ouvistes falar de mim?
Juan de M�laga, grande mercador e melhor professor.
Aqui, � mesma hora.
Mas quando?
Amanh�.
In�s. Chamo-me In�s.
Chama-se In�s.
N�o. Levo-as eu ao convento.
A leitura � um prazer que exige... comodidade,
tanto para o esp�rito como para o corpo.
Esta...
Esta � a "A".
A minha irm� Asunci�n ensinou-me as letras.
Tanto melhor. Agora, s� tendes de junt�-las todas.
Come�ai.
Li...
...vro...
...pri... mei... ro...
...do...
...ca...
...va...
- Rides-vos? - N�o.
- N�o? - N�o.
Prossegui. Rogo-vos.
Amadis,
que
combatia
pela
raz�o
da
Formosura
da sua
senhora,
arremeteu
contra
o
Monstro.
As mulheres,
quando n�o s�o capazes de manter a castidade,
merecem tanto mal...
...que n�o chega o pre�o de uma vida para pag�-lo.
N�o vos descuideis.
O dem�nio e as suas obras espreitam nas sombras.
�
A cr�nica
do muito
valente cavaleiro
Amadis...
...da...
...Gr�... cia,
imperador de...
...Constantin...
Constantinopla.
- N�o sabeis o que �? - N�o.
Esses belos olhos n�o podem apagar-se,
sem antes conhecer a mais bela cidade do mundo.
Um dia, levar-vos-ei. Mas antes...
Permiti-me.
Oxal� pud�sseis ver-vos.
Fechai os olhos.
V�.
Imaginai que ides...
...num dos meus barcos.
Sentis?
� a brisa do mar.
Imaginai-vos...
...a passar pelas costas de It�lia.
Mais adiante, Gr�cia;
a de Alexandre Magno e Ulisses.
Agora chegamos � parte mais perigosa do nosso trajecto:
o Estreito de Dardanelos, que separa a Europa da �sia.
Do outro lado,
esperam-nos Constantinopla
e os seus tesouros.
A ti e a mim.
O que fazeis?
S� me quereis para satisfazer um desejo sujo, fugaz e pecaminoso.
Acabareis no inferno.
N�o me importa ir para o inferno, se consigo levar-vos ao c�u.
- Deixai-vos de versos baratos. - Quero-vos minha esposa.
Amo-vos, In�s Su�rez.
N�o entendeis.
N�o posso casar com v�s nem com ningu�m.
Porqu�?
Porqu�?
Porque assim quis Deus.
Deus?
Sim, Deus.
Santa Maria, m�e de Deus,
Orai por n�s, pecadores, agora.
Am�m.
- Am�m. - Am�m.
Cuidado.
Desculpai... Procuro Juan de M�laga.
N�s tamb�m. Quando � para recolher, desaparece.
Recolher? Mas recolher porqu�?
Vamos embora amanh�, depois da Sexta-feira Santa.
Porqu�? Quer�eis algo dele?
Sim.
Sim...
Dizei-lhe...
N�o importa. Dai-lhe isto.
O Juanillo n�o para.
Pensei que n�o voltar�amos a ver-nos.
Andastes a zombar de mim.
Sou s� mais uma alde�, n�o �?
Uma dessas mulheres com as quais tereis estado, nas vossas viagens.
Tudo aquilo de Constantinopla... Que n�scia.
- Ter-vos-� rido de mim. - Mentira.
N�o me dissestes que �eis embora.
- Vinde comigo. - Largai-me.
Ouvi. Amo-vos desde que vos vi.
Jamais quero voltar a ver-vos.
- � o que desejais? - Sim.
- J� vos livrareis de mim. - Quanto antes, melhor.
- Jamais voltaremos a ver-nos. - Jamais!
- Adeus! - Adeus...
Vinde, Esp�rito Criador,
visitai a alma dos vossos fi�is.
Enchei de gra�a celestial
os cora��es que V�s criastes.
Acendei vossa luz em nossa alma
e infundi vosso amor em nosso peito.
E a fraqueza da nossa carne
fortalecei-a com redobrada for�a.
Acendei vossa luz em nossa alma
e infundi vosso amor em nosso peito.
E a fraqueza da nossa carne
fortalecei-a com redobrada for�a.
Acendei vossa luz em nossa alma e infundi vosso amor em nosso peito.
E a fraqueza da nossa carne... Infundi vosso amor em nosso peito...
E a fraqueza da nossa carne
fortalecei-a com redobrada for�a.
Infundi vosso amor em nosso peito...
E a fraqueza da nossa carne...
Oxal� isto nunca acabasse.
N�o tem de acabar.
Ireis comigo para Sevilha.
E, de l�,
para o Novo Mundo.
Dizem que h� imensas riquezas.
Fala-se de uma cidade toda feita de ouro.
El Dorado.
Qualquer um pode ser pr�ncipe, l�.
Ou rei.
At� rainha.
Mentis.
Sim?
S� me quereis para satisfazer um desejo sujo
e fugaz.
Sujo...
Mas fugaz?
O que foi, av�?
Trouxeste desonra a esta fam�lia.
Sei que estiveste com o Juan de M�laga,
a fornicar como uma rameira.
Sim.
Amamo-nos.
E quer casar comigo; � amor.
Algo que v�s jamais conhecestes.
Que saber�s tu de amor?
N�o entendes, desgra�ada?
Agora que te fez sua, n�o vales nada para ele.
Vai tornar-te rameira, tal como a tua m�e.
Era a minha menina, e o teu pai roubou-ma.
Converteu a minha menina numa puta!
In�s!
E � por isso que me odiais, n�o �?
Sempre odiastes; n�o suportais que seja como a m�e.
Ela � o que mais detestais:
o desejo.
A liberdade, a beleza, a generosidade!
Sois incapaz de mostrar o mais �nfimo desses sentimentos.
Dar�s entrada no convento.
� a minha vontade.
Sois um ser desprez�vel.
Entra.
Elvira...
Deixa-nos.
Pensei que te ficaria pior.
Anda.
O pendente da m�e.
- Quero que fiques tu com ele. - N�o.
Sabes que v�o tirar-mo, quando v� para o convento.
Ela estaria orgulhosa de ti.
E eu estarei sempre.
Asunci�n...
Tenho de contar-te uma coisa.
N�o � preciso.
Fa�as o que fizeres,
nunca deixarei de gostar de ti.
Nem eu de ti.
Dom Alonso ordena que n�o saias desta alcova,
at� ires para o convento.
Est�s perfeita.
Perfeita.
Conv�m que te v�s habituando a estes h�bitos.
O convento � o lugar id�neo para ti, In�s.
L�, ensinar-te-�o em profundidade a palavra de Deus.
E ver�s...
Olha quem est� aqui... O teu amor.
Despede-te dele, pois � a �ltima vez que o ver�s.
Fa�o tudo isto pelo teu bem, In�s.
S� pelo teu bem.
Odeio-te.
Odeio-te, odeio-te, odeio-te...
Odeio-te!
In�s.
In�s.
Promete-me que saberei de ti.
Segue os teus sonhos, In�s.
Pelo menos uma das duas viver� livremente a sua vida.
Nunca te esquecerei, irm�.
Vai.
In�s!
Volta, In�s!
Volta!
Juan.
Juan!
- Onde vos hav�eis metido? - Vamos, que j� vos conto.
"Querida irm�,
"tenho saudades tuas.
"Mas nada mais me une a esse lugar.
"N�o posso ser mais feliz
6 meses depois
"Casei com o Juan,
"numa aldeia muito perto de Sevilha.
"Agora, vivemos aqui.
"Da janela de nossa casa,
"veem-se os barcos que v�m e v�o para o Novo Mundo.
"Sevilha � a porta para a Am�rica.
"O Juan acaba de expandir a sua empresa,
"com novos s�cios.
"Quer devolver � sua fam�lia o prest�gio que tiveram outrora.
"Agora tem um barco
"com o qual est� a abrir novas rotas, por todo o Mediterr�neo."
N�o! N�o!
"Perdemos tudo.
"Tudo."
Faz for�a, faz for�a.
"Os s�cios do Juan arrebataram-nos.
"N�o disse nada antes para n�o te preocupar,
"mas o Juan partiu para a Am�rica, ontem."
Juan...
"Ainda que doloroso, separarmo-nos era a �nica solu��o.
"Agora, s� espero o seu regresso.
"Com ouro ou sem ele,
"n�o paro de rezar para voltar a v�-lo.
"Reza tu tamb�m, irm�.
"Reza pelo Juan."
"Querida irm�,
"h� j� mais de um ano que n�o tenho not�cias do Juan.
"Parto para o Novo Mundo.
"Parto para tentar recuperar a minha vida.
"Parto em busca de esperan�a; esperan�a de reencontrar o Juan.
"Mas tamb�m tenho medo.
"Tenho medo de n�o voltar e, sobretudo, de n�o voltar a ver-te.
"Adoro-te, irm�. Adoro-te."
Cartagena das �ndias, 3 meses depois
Cartagena � um s�tio de paz. Aqui, ningu�m conhece ningu�m.
S� fico eu, para despedir os que v�o.
E para receber os que regressam, se � que regressam.
Deixam aqui testamentos, direc��es...
Como se chamava o vosso esposo?
Juan. Juan de M�laga.
E confiam tamb�m aqui a correspond�ncia.
Aqui est� uma carta de Juan de M�laga para uma tal...
...In�s Su�rez,
de Sevilha.
Sim, sou eu.
Sim, sou a mulher dele.
Podeis l�-la, pronto.
E quando chegou?
H� apenas uns dias; desde Cusco.
Temo que o vosso marido foi outro dos que partiu para o Peru,
atra�do pela lenda do El Dorado.
Um embuste
com o qual os �ndios zombam de n�s e da nossa avareza.
Padre Gregorio,
tenho de ir a Cusco.
Preciso de saber como faz�-lo.
"Minha amada esposa,
"o Peru � a nova Constantinopla.
"Nesta terra, n�o se sabe o que � a fome,
"pois colhe-se trigo e milho duas vezes por ano.
"E existem mais frutas do que jamais ter�eis imaginado.
"Tamb�m h� minas de ouro e prata em abund�ncia.
"Gra�as a um bom amigo, travei amizade com os Pizarro.
"� a nossa hip�tese de fazer fortuna, nesta terra de provis�o.
"N�o obstante, daria todas as riquezas deste mundo,
"s� para ter um beijo vosso e voltar a abra�ar-vos.
"N�o temais, que em breve conseguirei que venhais ter comigo.
"At� � morte, o vosso Juan de M�laga."
Sebasti�n Romero?
Entra.
Entra.
Disseram-me que liderais uma expedi��o at� ao Sul.
Quero ir com v�s.
V�s?
E o que perdestes l�?
Isso n�o vos interessa.
Sim...
Interessa-me, sim,
dado que sou o chefe e patr�o desta expedi��o.
E ent�o?
Quero viajar para o Sul.
Quero viajar at� Cusco, para procurar o meu marido.
Vai � procura do marido.
Que corajosa...
Senhora,
ide esfregar as vossas malgas.
O vosso marido est� morto.
Ou pior:
os �ndios capturaram-no, e agora anda pela selva,
com um osso no nariz e um har�m de �ndios atr�s.
J� o vi outras vezes.
Quero ir na mesma.
Temo que isto n�o seja suficiente.
� tudo o que tenho.
Creio que n�o.
E esse colar?
� bijuteria, n�o tem valor.
- Quero-o. - J� vos disse que n�o tem valor.
Porque o quereis?
Porque poder� n�o ter valor para mim,
mas, para v�s,
para v�s, tem.
N�o.
N�o.
Permiti-me,
suplico-vos.
Advirto-vos que ser�o caminhadas extenuantes pela selva.
E n�o me responsabilizarei por v�s,
se vos atrasardes ou adoeceres.
Ou no caso de, Deus n�o permita,
serdes sequestrada pelos �ndios selvagens.
Uma mulher...
...t�o bela...
...como v�s...
Nem quero imaginar o que vos fariam.
Partimos amanh� ao alvorecer, junto ao fortim.
Dormi bem.
D�em-me outro jarro.
Alegria, que isto n�o � um funeral!
- Sa�de! - Sa�de!
Dia 13
Vamos! O que foi?
Avancem!
O que foi, esc�ria?
Quem atrasar a marcha, j� sabe o que lhe acontecer�!
Vamos!
Vamos, bastardo!
Mais r�pido! Mais r�pido! Vamos!
O que foi?
Afastai-vos.
Toca a mexer! Vamos!
Levanta-te!
Vamos!
Isto � desumano!
Ides mat�-lo. H� dias que n�o paramos de andar.
Pens�veis que o Novo Mundo era melhor do que o Velho?
Vamos, bastardos! Como �?
Dia 35
Tu...
Anda.
Nesta selva,
at� o ser que parece mais inofensivo pode ser mortal.
N�o podemos fiar-nos.
Essa r� era venenosa.
S� de toc�-la, ter-vos-ia matado em dois dias.
N�o o esque�ais.
Vamos! Avancem!
O que � isto? A prociss�o de Corpo de Deus?
Vamos! Vamos, mexam-se!
Vamos!
Vamos, n�o vos atraseis!
V�, mais r�pido!
N�o pareis!
Vamos, bastardos!
Vamos! Vou matar-vos a todos!
Dia 75
Senhora...
Sentai-vos, por favor.
H� j� noites que queria passar um ser�o com v�s.
Tendes fome?
As caminhadas pela selva despertam o apetite.
Um pouco de vinho?
A v�s,
minha senhora.
Um pouco mais?
Queria pedir-vos desculpa.
A forma como me comportei, no outro dia...
N�o penseis que sou um selvagem.
J� sei.
J� sei o que pensais.
Se n�o sou selvagem, porque trato os �ndios assim?
Bem...
N�o s�o seres humanos.
Posso fazer com eles o que me apetecer.
N�o vos d� direito a trat�-los daquela forma.
Sabeis...
Quando cheguei a esta terra,
era pobre.
A gente desprezava-me.
Mas, agora...
Agora, respeitam-me.
T�m-vos medo.
E n�o � o mesmo?
Se me permitis, queria retirar-me, para descansar.
Antes de irdes, queria dar-vos uma prenda.
Se me permitis.
Para v�s.
Ser traficante de escravos pode fazer-vos pensar
que tudo nesta vida tem um pre�o.
Mas n�o � assim.
Que tenhais uma boa noite, Sr. Romero.
Puta.
Vamos! R�pido!
Dia 115
Vamos, esc�ria!
Vamos!
Estais bem?
O que foi?
Porque par�mos?
Vamos, vamos...
Vamos, vamos...
Afastai-vos.
Afastai-vos!
Afastai-vos.
N�o!
Sois uma besta imunda. Era um filho de Deus!
Deus?
Que Deus?
J� vos adverti.
Quem atrasar a marcha e n�o for �til,
ser� eliminado!
Aqui,
a �nica religi�o que conhecem estes selvagens
� a minha.
Aqui,
eu sou Deus.
Vamos, esc�ria!
Vamos!
Vamos, filho da puta!
Vamos!
Caminhai! N�o vos demoreis!
Vamos!
Vamos! O que se passa? N�o vos atraseis!
Vamos!
Mexei-vos!
- Meu amor... - Juan...
Meu amor, meu amor...
Soltai-me.
Quieta, puta.
N�o sois mais que uma puta.
Sereis minha.
Agora, o amo sou eu.
Deixai-me!
Puta...
Socorro...
Atirai este lixo por a�.
N�o merecia viver.
Mulher...
O �ndio levar-vos-� a Cusco.
Tomai...
Creio que vos pertence.
Vamos, toca a andar! Toca a andar!
Dia 172, Cusco
Quanto falta?
Quase. Quase.
Atr�s das colinas. Quase.
"Wa�uy". "Wa�uy".
N�o, n�o, n�o... Aonde vais?
- "Wa�uy". Voltar. - O que � "wa�uy"?
Grande "wa�uy".
N�o, tenho de chegar a Cusco.
N�o, n�o. Desculpa.
- Voltar. - Como tenho de ir?
Seguir o caminho. Por ali.
N�o saia do caminho. Por ali.
Juan?
Juan...
Senhora...
Senhora...
Estais bem?
Onde estou?
- Quem sois? - Chamo-me Pedro de Valdivia.
Como chegastes at� aqui?
Que lugar � este?
� Cusco?
Muito perto.
Aguirre...
Uma mulher? Como diabo chegou at� aqui?
Traz um cavalo; vamos tir�-la daqui.
N�o, n�o, n�o...
Tenho de ir at� Cusco, procurar o meu marido.
Acalmai-vos, senhora. Levar-vos-ei a Callao.
A Callao, n�o. Tenho de ir a Cusco.
J� vos disse que tenho de procurar o meu marido.
Chama-se Juan de M�laga. Deveis conhec�-lo.
Crist�bal!
Juan de M�laga?
O vosso marido caiu em batalha,
lutando para o nosso senhor, marqu�s de Pizarro,
contra o rebelde Almagro.
N�o entendeis?
Cusco...
Tenho de ir a Cusco. Cusco...
- Acalmai-vos. - � l� que est� o Juan.
Senhora...
Juan!
Senhora...
Mateo de Jumilla.
- Juan... - Fernando Murgu�a.
- Francisco Altamirano. - Juan...
Manuel Dominguez.
Viva Valdivia!
- Viva! - Viva!
Os cap�tulos...
Morte a Almagro!
- Morte ao traidor! - Matai-os a todos.
Porque tiveram as coisas de acabar assim?
Pod�amos ser deuses.
Aqui, resolvemos tudo com o que sai da terra.
Tu �s bruxa.
Tu sabes onde ruge a �gua, debaixo da terra.
Bem-vinda � festa de Carnaval.
Que soe a m�sica e comece o baile!
E Valdivia tamb�m est� aqui pelo ouro?
Ningu�m conhece Valdivia.
As mulheres s� s�o para os homens um territ�rio onde p�r uma bandeira.
Depois, passam � conquista seguinte.
Escolhestes mal o lado, Valdivia.
Com v�s a meu lado, ter�amos conquistado um reino
e ser�amos mais poderosos que Pizarro.
- E que reino � esse? - O Chile.
A terra mais bonita do mundo.
O grande chefe, descendente do grande Atahualpa.
N�o controlam os Incas.
Todos esses guerreiros n�o foram p�reo para a nossa gente.
Isto � o Chile.
E, mais a sul, uma nova Constantinopla.
E tu, a sua rainha.
Daria o que fosse, por uma noite mais a teu lado.
N�o v�s embora. Amo-te, In�s Su�rez.
Levava-te comigo at� ao fim do mundo, se pudesse.
Eu nunca te abandonaria.
Lembrai-vos que todos os novos reinos
se conseguem atrav�s das guerras,
e s�o ampliados gra�as �s vit�rias.
A vit�ria s� se alcan�a com a destrui��o do inimigo.
Salvastes a cidade, quando estava perdida.
Est�s nas vossas m�os voltar a salv�-la.
Ouvi-me todos, e ouvi-me bem.
� ela quem manda nesta expedi��o, n�o Valdivia.
Estais dispostos a obedecer-lhe?
N�o voltes a dizer-me o que fazer.
Um "viracocha" adora ouro acima de tudo.
Eu sei.
Foi a lenda de um Dorado inexistente que trouxe o meu marido ao Peru.
Estamos aqui h� duas semanas, e nada.
Onde est� o maldito ouro?
Se tiver de escolher entre os meus homens ou os del�rios de um louco,
n�o duvideis que o farei.
Est�o a atacar-nos! Est�o a atacar-nos!
N�o nos renderemos!
Cortai-lhes a cabe�a,
trespassai-as com uma lan�a e passeai-as pela cidade,
para que todos saibam o que acontece
a quem ouse desafiar Pedro de Valdivia,
governador do Chile!
Ptados
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