All language subtitles for Hitler And The Nazis Evil On Trial - 1x06

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Original subtitles

CIDADE DE NOVA YORK SETEMBRO DE 1944

Como um rep�rter que passou muito tempo na Alemanha de Hitler

e autor de um di�rio que teve a sorte de ser lido,

por muitos americanos,

A Army-Navy Screen Magazine me pediu

para falar sobre o filme que voc� vai ver.

No quinto ano da guerra,

as Na��es Unidas lutam contra a Alemanha nazista

e levam, enfim, a ofensiva at� mesmo � P�tria.

Todos os dias, uma cidade fabril alem� vira escombros.

A f�ria da propaganda exorta o povo

a salvar a si mesmo e ao regime nazista

do inferno em que foram mergulhados pelos planos nazistas,

mas as trombetas do ataque abalariam as muralhas da Alemanha

e agitariam mais trabalhadores a uma reflex�o inquieta

sobre o destino da Alemanha de outrora.

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J�RI DE NUREMBERG 18 DE MAR�O DE 1946

Quando voc� soube que a guerra,

em termos de alcan�ar os objetivos que tinha em mente,

havia sido perdida?

�UDIO ORIGINAL DO J�RI

� extremamente dif�cil dizer.

De qualquer forma, de acordo com minha convic��o,

aconteceu relativamente tarde.

E n�o havia jeito de evitar o prolongamento da guerra

enquanto Hitler estivesse � frente do governo alem�o, havia?

Enquanto Hitler fosse o F�hrer do povo alem�o,

ele decidiria, sozinho, se a guerra continuaria.

Na segunda metade de 1944,

ficou claro para qualquer um com um pingo de raz�o

que a Alemanha havia sido derrotada.

O Dia D foi um sucesso para os aliados do ocidente,

que percorreram a Fran�a rumo � Europa Ocidental e ao oeste alem�o.

Da mesma forma, os sovi�ticos lan�aram uma forte ofensiva,

e os alem�es estavam perdendo na frente oriental.

Cidades alem�s foram bombardeadas dia e noite.

O fim estava claramente pr�ximo.

Hitler estava convencido, at� o fim, que poderia vencer a guerra.

Toda a sua ideologia � baseada em um conceito

de luta racial,

uma luta pela sobreviv�ncia.

E para ele, era evidente

que a ra�a ariana, a ra�a superior, obviamente ia vencer.

Acreditava, acima de tudo, em si mesmo.

Superestimou seus pr�prios poderes.

No final de 1944,

Hitler estava na isolada Wolfsschanze, A Toca do Lobo.

As �nicas pessoas permitidas eram os principais dignat�rios,

que diziam o que ele queria ouvir.

Entre eles, Hermann G�ring, ainda importante no Terceiro Reich,

e ele era muito bomb�stico.

Fazia declara��es dram�ticas sobre seus pr�ximos passos.

Hitler passou a depender mais e mais de Heinrich Himmler,

a pessoa em quem ele confiava mais do que ningu�m.

Joseph Goebbels falava muito sobre a ideia

de que, nos hor�scopos e nas estrelas,

algo milagroso iria acontecer.

"Os aliados v�o se dissolver,

e, portanto, teremos uma oportunidade."

No final de 1944,

Hitler decidiu fazer a �ltima contraofensiva no ocidente.

Retirou um grande n�mero de tropas da frente oriental,

contra o conselho de seus generais,

e os jogou no oeste.

Mas, claro, a verdade foi que as for�as alem�s,

nesta fase, estavam muito mais fracas

do que as brit�nicas e americanas.

Ex�rcitos alem�es avan�aram rapidamente.

Criaram uma protuber�ncia, um bulge, na linha, batizando a Batalha do Bulge.

Mas os aliados resistiram mais do que os alem�es pensavam,

e os alem�es estavam quase sem gasolina para seus tanques,

e o avan�o alem�o parou completamente.

Os tanques ficaram sem gasolina e, im�veis, eram alvos f�ceis,

n�o s� para as armas aliadas no solo, mas tamb�m para os avi�es aliados.

Retirar grande n�mero de tropas do leste

enfraqueceu a frente oriental

e permitiu que a Uni�o Sovi�tica, o Ex�rcito Vermelho,

avan�asse ainda mais r�pido.

Em 18 de janeiro, tropas sovi�ticas come�aram r�pida persegui��o ao inimigo,

que n�o parava nem de dia nem de noite.

Na mesma hora,

os alem�es usavam trens, t�o necess�rios,

n�o para transportar refor�os ao front,

mas judeus h�ngaros para serem mortos em Auschwitz.

Mais de 400 mil judeus h�ngaros

foram levados para Auschwitz para serem exterminados,

e n�o havia prop�sito militar nisso.

N�o ajudaria a derrotar o Ex�rcito Vermelho.

Para os nazistas,

o exterm�nio dos judeus n�o era uma distra��o da guerra.

Era a pr�pria guerra.

Quando o Ex�rcito Vermelho entrou no territ�rio alem�o,

foi um banho de sangue.

Soldados do Ex�rcito Vermelho levaram uma vingan�a brutal

pelos quatro anos de guerra sofridos.

Come�aram a estuprar mulheres em uma escala extraordin�ria.

- E voc� tamb�m? - Sim.

Abusaram at� da minha irm� e da minha m�e de forma bestial, animalesca.

O JORNAL ALEM�O

As atrocidades sovi�ticas contra civis alem�es foram muito usadas

na m�dia de Goebbels para exortar os alem�es � luta,

porque tais atrocidades acompanhariam os sovi�ticos.

Soldados alem�es encontram um inimigo que ocupa cidades e vilas

com uma bestialidade que raramente se encontra...

ZONA DE COMBATE!

...na hist�ria humana.

PROTEGER NOSSAS MULHERES E CRIAN�AS DOS ANIMAIS VERMELHOS

Claro, isso causou ondas de p�nico entre o povo da Alemanha.

Hitler sempre dizia que, por pior que fosse a situa��o,

n�o iria capitular.

E n�o s� isso,

esperava que toda a popula��o se juntasse a ele.

N�o desistir, n�o se entregar, n�o ceder.

J�RI DE NUREMBERG 20 DE JUNHO DE 1946

Repita esse juramento:

"Juro por Deus

que eu direi a pura verdade

e n�o omitirei ou acrescentarei nada."

ALBERT SPEER - R�U MINISTRO DAS ARMAS E PRODU��O B�LICA

Pode se sentar.

De janeiro de 1945 em diante, um cap�tulo terr�vel come�ou.

A �ltima fase da guerra

e a percep��o

que Hitler tinha identificado o destino do povo alem�o com o dele.

Albert Speer foi ministro das armas em 1945.

Era antissemita, racista, e muito subserviente a Hitler.

Ele sabia, no in�cio de 1945,

que a guerra havia acabado.

Speer estava confiante o bastante

em sua pr�pria rela��o pessoal com Hitler

que pensou que poderia dizer a ele a verdade nua e crua.

Naquele regime, sempre se considerava como Hitler reagiria �s coisas.

A rea��o de Hitler ao memorando de Speer

foi de f�ria, raiva, e profunda descren�a.

Hitler disse

que declara��es pessimistas da natureza daquelas contidas no meu memorando

seriam, no futuro, tidas como trai��o e punidas de acordo.

Quem desobedecesse seria morto, inobstante posi��o ou patente,

e teria sua fam�lia presa.

�LTIMO DISCURSO DE HITLER 30 DE JANEIRO DE 1945

O terr�vel destino que est� tomando forma no leste,

com milhares de pessoas em aldeias e mercados,

no campo, nas cidades,

ser� afastado e dominado por n�s, no final,

com o maior esfor�o, apesar de contratempos e duras prova��es.

Espero que todos os capazes e incapazes

trabalhem at� suas �ltimas for�as.

A guerra, a essa altura,

havia matado mais de 5 milh�es de soldados alem�es.

E a Alemanha estava ficando sem homens jovens em idade militar.

Eles convocaram uma volkssturm, uma mil�cia popular.

Homens da volkssturm de Berlim...

Volkssturm quer dizer...

Volk � "o povo", e Sturm � "tempestade".

A Alemanha tinha milh�es de homens

prontos e determinados a lutar...

Volkssturm soa como uma palavra forte.

...que tinham a vontade firme e inabal�vel

de nunca capitularem.

Mas, na verdade, � muito pat�tica.

� o recrutamento de garotos muito jovens

e homens muito velhos para lutar contra o Ex�rcito Vermelho.

Volkssturm de Berlim,

levantem as m�os em uni�o e repitam depois de mim.

Fa�o este juramento sagrado

que, ao l�der do Grande Reich alem�o,

Adolf Hitler,

serei incondicionalmente leal.

- Serei incondicionalmente leal. - Serei incondicionalmente leal.

Algo que realmente caracterizou Hitler

foi sua aparente incapacidade de entender

empatia humana b�sica ou compaix�o para com os seres humanos

que ele manipulava como formigas num formigueiro.

Para entender Hitler e seu objetivo,

� preciso entender que, na verdade, ele n�o se importava

com os seres humanos com quem estava brincando.

Por causa do bombardeio de Berlim,

Hitler foi for�ado a se retirar de seus aposentos na Chancelaria do Reich

e se mudar para uma elaborada rede de bunkers subterr�neos.

Era escuro.

Era sombrio.

Era claustrof�bico.

O bunker era um lugar onde Hitler ficou cada vez mais isolado,

muito mais do que no resto da guerra,

e onde se tornou cada vez mais desconfiado

daqueles ao seu redor.

Traudl Junge era uma jovem da Baviera

que servira como secret�ria de Hitler por v�rios anos.

E � interessante ler as mem�rias dela,

que estava no bunker redigindo lealmente as ordens de Hitler.

Somos guiados em nossos pensamentos...

VOZ DE TRAUDL JUNGE SECRET�RIA DE HITLER

...e em nossos sentimentos por Hitler.

Est�vamos todos atuando em uma pe�a, cada um com seu papel,

e ele era o �nico que conhecia o roteiro.

Ele nos fez desempenhar nosso papel e falar nosso texto.

Ningu�m mais sabia como terminaria.

Ele raramente sa�a.

E � not�vel, na Segunda Guerra Mundial,

que tenha se recusado a visitar fam�lias bombardeadas.

N�o podia tolerar

a vis�o da destrui��o que, no fim, ele havia causado.

N�o d� para ser um ditador

no comando pessoal de suas for�as armadas

e vendo-as sendo recha�adas em todo lugar,

sem sofrer sintomas s�rios de estresse.

Ele desenvolveu um tremor no bra�o e na m�o,

que se tornou incontrol�vel.

Come�ou a mostrar sintomas de Parkinson.

Tomava um coquetel estranho e extravagante

de medicamentos e drogas.

VOZ DE TRAUDL JUNGE

De forma lenta, por�m certa, ele ficou fraco.

Os m�dicos entravam e sa�am, e ele ficou totalmente ap�tico.

O �nico cen�rio ao qual ele se apegou no in�cio de 1945

� que, uma hora, haveria uma cis�o

entre as pot�ncias do ocidente e a Uni�o Sovi�tica,

e isso traria a salva��o para ele e para a Alemanha.

No in�cio de fevereiro, os planos finais em Yalta.

Roosevelt, Churchill e Stalin esbo�aram os planos da vit�ria.

Em fevereiro de 1945,

em Yalta, na Crimeia, os aliados se reuniram.

Foi mais uma demonstra��o da solidez da Grande Alian�a,

na qual Hitler ainda n�o acreditava.

Os Tr�s Grandes chegam a um acordo. Os criminosos nazistas ser�o punidos.

Em Yalta, vamos encarar o fato,

decidiram por duras penas para a Alemanha.

Duras, mas n�o injustas.

A pacto de punir, de forma justa e r�pida, os criminosos de guerra alem�es.

Foi uma das raz�es pelas quais Hitler optou por tudo ou nada.

N�o se sujeitaria � humilha��o da captura e a um poss�vel julgamento.

E depois de Yalta, a��o no Ocidente.

O efeito para o pa�s e para o povo do arrojo de Hitler de lutar at� o fim

� que o fim da guerra foi catastr�fico para os alem�es,

muito mais do que precisava ser.

Avi�es aliados destroem a Alemanha.

Meio milh�o de civis alem�es foram mortos nos bombardeios,

e foram mortos, em sua maioria, na fase final da guerra.

No final da guerra,

a escala das frotas de bombardeiros cresceu tanto

que os bombardeiros faziam ataques de incr�vel poder destrutivo.

DRESDEN BOMBARDEADA AT� A ALMA

E uma das cidades que virou alvo infame

foi a cidade de Dresden,

que era uma bela cidade barroca com lindas obras de arte,

uma das joias da Europa Central.

Estava cheia de refugiados.

N�o tinha, de fato, grande capacidade industrial.

Havia, claro, algumas f�bricas l�.

O bombardeio n�o se concentrou principalmente em alvos militares,

mas em gerar terror

para causar o fim da guerra.

O ataque gerou uma tempestade de fogo.

Ou seja, havia tantos inc�ndios que se juntaram e superaqueceram,

sugando o ar do resto da cidade.

Algumas pessoas que tentaram passar foram puxadas pelo fogo.

Desapareciam bem na sua frente.

Uma corrente de vento em uma tempestade daquela. Foi horr�vel.

Voc� tinha que se salvar, ou tentar fugir do fogo,

porque o vento puxava voc�.

Cerca de 25 mil pessoas foram mortas naqueles dois dias.

N�o houve tempo

de cavar covas individuais.

Tivemos que fazer covas coletivas.

O fogo estava t�o quente que sugou o ar dos abrigos antibombas,

muita gente morreu asfixiada em seus abrigos.

N�o dava para acreditar que era uma pessoa s�.

�s vezes, eu via duas pessoas juntas

que talvez tivessem se abra�ado em desespero, e viraram uma coisa s�.

BUNKER DE HITLER, BERLIM 14 DE MAR�O DE 1945

Em mar�o de 1945,

Speer, que ficou ainda mais preocupado

com o poss�vel destino do povo alem�o,

foi at� Hitler e disse:

"Temos que trabalhar juntos para encontrar uma sa�da

para preservar os �ltimos vest�gios da Alemanha, do povo alem�o."

Hitler disse o seguinte para mim...

N�o era necess�rio levar em considera��o

o b�sico de que o povo precisaria para viver uma exist�ncia primitiva.

Pelo contr�rio, seria melhor

destruir essas coisas n�s mesmos,

pois esta na��o teria se provado a mais fraca,

e o futuro pertence, apenas, � na��o mais forte do leste.

Hitler acreditava que a hist�ria e a vida giravam em torno da luta

pela sobreviv�ncia da ra�a mais forte,

portanto, n�o mereciam sobreviver.

Quando eles recuam, eles destroem.

Hitler ordenou uma pol�tica insensata

de queimar a terra sem levar em conta o valor militar.

O povo alem�o permaneceu leal a Adolf Hitler at� o fim.

Ele os traiu intencionalmente.

Tentou jog�-los, definitivamente, para o abismo.

Eva Braun, que, de fato, foi a parceira de longa data de Hitler,

voltou para ficar com Hitler no fim.

Tiveram um relacionamento longo,

mas Hitler sempre insistiu em mant�-la em segredo.

Ele sempre se retratou como algu�m

que havia sacrificado sua vida privada pela Alemanha.

Ele a proibiu, categoricamente, de estar em Berlim com ele

e queria que ela ficasse na Baviera.

Mas ela, contra a vontade dele, voltou, pois era muito leal a ele.

Hitler tentou parecer zangado, mas falhou.

VOZ DE TRAUDL JUNGE

Ficou t�o feliz que ela estava l�,

que ningu�m tentou mand�-la de volta.

Ela fez aquilo por vontade pr�pria.

Queria compartilhar o destino final dele.

No final da guerra,

os campos de concentra��o estavam no caminho dos aliados.

Portanto, foram evacuados pelos alem�es.

Disseram que precis�vamos sair porque os russos estavam pr�ximos.

N�o nos queriam libertados pelos russos.

A SS reuniu os detentos e os afastou da batalha.

Ent�o andamos durante seis semanas.

N�o sab�amos de nada, nem para onde est�vamos indo.

OBRA DE ARTE DE LEO HAAS SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO

� noite, nos deixavam descansar em um campo, sem abrigo.

Estava frio l�.

E, de manh�, v�amos v�rias pessoas mortas pelo frio.

OBRA DE ARTE DE LUBA KRUGMAN GURDUS SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO

Come�amos a marchar com neve at� os joelhos,

e os soldados, com pastores alem�es, estavam atr�s de n�s,

e disseram que, se algu�m n�o conseguisse acompanhar,

levaria um tiro ali na sarjeta.

Centenas de pessoas foram baleadas na sarjeta.

Levaram os prisioneiros,

nessas marchas da morte, at� outros campos de concentra��o.

Um dos campos usados como um desses centros de coleta

era Belsen, ou Bergen-Belsen, no norte da Alemanha.

Quando entramos no campo,

vimos corpos e mais corpos empilhados.

Era nosso fim, pensamos.

"Se n�o formos libertados imediatamente, vamos acabar assim."

E n�o t�nhamos comida.

Seis semanas sem comer nada.

Com o passar do tempo, havia mais corpos do que dava para queimar,

e todas as manh�s olh�vamos, e havia uma enorme pilha de cad�veres.

Era um lugar para ir e morrer, s� isso.

Esse era o prop�sito,

n�o de matar logo, mas de nos fazer morrer lentamente.

E nessa conjuntura, O Ex�rcito brit�nico chegou.

Tal era a velocidade do avan�o aliado

que os guardas foram levados antes de conseguirem fugir.

Os libertados n�o conseguiam controlar a emo��o.

O comandante se levantou.

Pegou um daqueles alto-falantes e anunciou:

"Somos do Ex�rcito brit�nico. Viemos libert�-los, e est�o livres!"

Essa palavra, "livre", sabe?

Era como se ganh�ssemos uma nova vida.

Pudemos ver pessoas, ach�vamos que estavam mortas!

Vimos um sorriso em seus rostos ao ouvirem a palavra "livres".

O famoso rep�rter brit�nico Richard Dimbleby estava no local

e descreveu exatamente o que viu.

Acho dif�cil descrever adequadamente

as coisas horr�veis que vi e ouvi,

mas aqui, sem firulas, est�o os fatos.

Foi uma das primeiras ocasi�es em que o verdadeiro horror do nazismo

tornou-se claro para o mundo.

Eu atravessei a barreira

e me vi no mundo de um pesadelo.

Cad�veres, alguns em decomposi��o,

jaziam pela estrada e em trilhos irregulares.

Mortos e moribundos deitados juntos.

Estavam cheios de piolhos e cobertos de sujeira.

Uma mulher, perturbada ao ponto da loucura,

se atirou em um soldado brit�nico.

Implorou por um pouco de leite para o bebezinho que ela tinha nos bra�os.

E quando o soldado abriu o fardo de trapos para olhar a crian�a,

descobriu que estava morta h� dias.

Os campos j� eram de conhecimento p�blico,

mas uma coisa � saber no papel,

talvez considerar propaganda de guerra,

ou entender que aquilo era realmente parte integral

do sistema nazista de viol�ncia.

As coisas neste campo s�o indescrit�veis.

Ao virem com seus pr�prios olhos, saber�o pelo que est�o lutando.

Fotos no jornal n�o descrevem a contento.

As revela��es me tomaram de assalto

e fiquei dormente por v�rios dias.

Minha mente e imagina��o, incapazes de lidar com sua enormidade.

Foi horr�vel demais para meros mortais entenderem.

Eu mesmo fora c�tico, apesar de anos na Alemanha nazista.

Mesmo sabendo da maldade do regime, meu av� viu que era ainda pior.

Ele se culpou um pouco

por n�o ter feito o bastante.

Em retrospecto, da minha parte, admito um fracasso terr�vel.

Eu devia ter feito mais para aprender sobre este genoc�dio atroz e report�-lo.

Interrompemos o programa com um boletim especial.

O presidente Roosevelt est� morto.

Quando Franklin Delano Roosevelt morreu,

Hitler e Goebbels achavam que era um sinal ou press�gio

de que a guerra terminaria vitoriosamente, mas n�o pensaram nisso por muito tempo.

A batalha final por Berlim

come�ou em meados de abril de 1945.

Desde o come�o da opera��o em Berlim,

o inimigo ofereceu uma resist�ncia extremamente obstinada.

Os alem�es sentiam medo e terror do Ex�rcito Vermelho.

Sabiam que os sovi�ticos queriam vingan�a.

Dizem que Hitler os ordenou a lutar at� a �ltima pessoa,

at� a �ltima bala.

Civis alem�es viviam em por�es,

muitas vezes sem apartamentos habit�veis ou moradias acima deles.

Quando os alem�es encontravam algumas dessas pessoas em por�es,

eram levadas pelos alem�es, seus compatriotas, e eram mortas,

penduradas em postes com placas dizendo "Sou um traidor".

Era um sistema de degrada��o da vida humana.

FIZ UM PACTO COM OS BOLCHEVIQUES

O JORNAL ALEM�O

A �ltima filmagem conhecida de Adolf Hitler

foi feita quando ele emergiu, brevemente, do seu bunker

para receber um grupo da Juventude Hitlerista.

Em seu QG, o F�hrer recebe o L�der Juvenil do Reich, Axmann,

com uma delega��o de 20 garotos de Hitler

que se provaram deveras eficazes na defesa de sua p�tria

e foram premiados com a Cruz de Ferro.

Eram crian�as.

Garotos entre o in�cio e o meio da adolesc�ncia.

Muitas vezes consegui entregar bazucas e mantimentos � linha de batalha.

Entreguei sob fogo cruzado em vag�es ou carro�as.

Foi pat�tico e tr�gico para todos aqueles jovens,

muitos dos quais perderam suas vidas na luta.

O dia 20 de abril era o anivers�rio de Hitler.

Tinha 56 anos.

Anteriormente, a partir de 1933,

houve grandes celebra��es nacionais no anivers�rio de Hitler.

1936

1937

1938

1944

Mas o anivers�rio em 1945 foi muito diferente.

Todos apertaram a m�o de Hitler e desejaram tudo de bom, mas foi...

VOZ DE TRAUDL JUNGE

...tudo muito deprimente.

N�o foi um feliz anivers�rio.

Depois das cabisbaixas festividades de anivers�rio para Hitler no bunker,

muitas pessoas foram embora

e arrumaram carros ou avi�es para sa�rem de Berlim.

O l�der da SS, Heinrich Himmler,

um dos apoiadores e oficiais mais leais de Hitler,

tentou convenc�-lo a deixar o bunker.

E ent�o o pr�prio Himmler saiu de Berlim.

Diferente dos outros altos funcion�rios do partido,

o ministro da propaganda Joseph Goebbels n�o s� entrou no bunker,

mas levou a esposa e seus seis filhos.

VOZ DE TRAUDL JUNGE

As crian�as achavam aquilo empolgante e gostavam do bunker do Tio Hitler.

N�o sabiam do destino que as esperava l�.

Um marco hist�rico nesta guerra mundial

foi alcan�ado e ultrapassado.

Americanos e russos se uniram no cora��o da Alemanha, em Leipzig,

dividindo o Reich.

Em 25 de abril de 1945,

um momento importante aconteceu

quando o Ex�rcito Vermelho encontrou as for�as do ocidente em Torgau.

Sou William L. Shirer, ex-correspondente da CBS na Alemanha,

onde os aliados se reuniram.

Os americanos encontraram os russos nas margens do rio Elba.

Este � o dia que muitos de n�s, h� tempos, tem�amos que nunca chegasse.

Em Berlim, nos primeiros dias da guerra,

parecia que nada impediria a excepcional m�quina de combate

erguida por Hitler.

Mesmo quando a R�ssia e depois os EUA entraram na guerra,

era dif�cil acreditar nos dois ex�rcitos

se encontrando no cora��o da Alemanha.

Era ent�o uma quest�o de tempo at� que o resto das for�as se unissem,

extinguindo os �ltimos vest�gios das for�as de Hitler.

No bunker, o clima era de apreens�o,

e o caldo de fato entornou no dia 22 de abril,

quando Hitler ofendeu alguns dos seus comandantes militares,

algo extremo mesmo para os padr�es dele.

Ele deu a entender que achava que a guerra estava perdida.

E houve um momento de sil�ncio absoluto...

VOZ DE TRAUDL JUNGE

...ficamos parados, em choque.

Nesse momento,

Hermann G�ring e Heinrich Himmler chegaram a conclus�es.

Acharam que, na verdade, Hitler estava indicando

que era o fim, e que ia abdicar,

portanto come�aram a se planejar para tal.

G�ring escreveu um telegrama para Hitler

dizendo que ficaria feliz em assumir o posto de F�hrer.

Para Hitler, foi uma trai��o colossal.

Heinrich Himmler foi chamado por Hitler de "fiel Heinrich".

Era a figura firme que sempre estaria com Hitler.

E Hitler de fato acreditava nisso at� quase o fim.

Mas o que Himmler fez?

Com a queda da hierarquia nazista, dizem que Himmler se esfor�a

para acertar a rendi��o do que restou do Ex�rcito.

A BBC transmitiu o fato

que Himmler tentava negociar com os aliados ocidentais.

Em suas conversas, cr�-se que Himmler disse � Bernadotte que Hitler iria morrer,

n�o viveria mais de 48 horas depois da rendi��o alem�.

Alguns observadores interpretam isso como Himmler planejando matar Hitler.

Hitler ficou sabendo disso no bunker e perdeu completamente o ju�zo.

Hitler ficou bem abalado...

VOZ DE TRAUDL JUNGE

...pois tinha Himmler como seu mais fiel paladino,

e o mais confi�vel,

e agora viu que ele tamb�m tentou tra�-lo.

Em 29 de abril,

Hitler ditou dois documentos importantes para sua secret�ria, Traudl Junge.

Ele me ditou, a princ�pio, seu testamento particular,

e depois, seu testemunho pol�tico.

Eu esperava ser a primeira e �nica

a conhecer a explica��o

e a declara��o

da raz�o de a guerra ter chegado �quele fim,

e por que Hitler n�o conseguia parar.

E o motivo daquilo ter terminado em cat�strofe.

Pensei que aquele seria o momento da verdade.

Mas ele n�o disse novidade alguma.

S� falou suas velhas frases.

Reiterou suas acusa��es,

sua vingan�a,

xingando o inimigo

e o sistema capitalista judeu.

Hitler, em seu testamento,

disse que a luta contra o juda�smo global tinha de continuar.

O fato dele pensar que ainda haveria luta, e que o trabalho n�o havia sido terminado,

� algo que diz muito...

sobre a mente daquele homem.

Hitler, tendo sido um soldado,

acreditava que a �nica morte digna para um soldado era morrer baleado,

mas tamb�m sabia que Eva Braun tinha de morrer,

e seria morta por cianeto,

pois era um jeito mais feminino de morrer.

Uma vez que a decis�o de cometer suic�dio tomou forma,

Hitler decidiu testar o veneno.

Hitler tinha um cadela favorita, a Blondi,

e ele a amava muito.

Pegou uma c�psula de cianeto, colocou na boca da Blondi,

e fechou a boca da Blondi.

E a cadela sofreu uma morte agonizante.

Ent�o ele soube que o veneno surtiria efeito.

Dizem que Hitler amava os animais mais do que amava as pessoas,

mas isso mostrou, creio, como ele era cruel.

Na It�lia, a r�dio de Mil�o diz

que Benito Mussolini e l�deres fascistas foram mortos por patriotas italianos.

No dia 29 de abril, a not�cia no bunker

era que Benito Mussolini e sua amante haviam sido executados.

Mussolini e sua amante s�o exibidos, pendurados em um posto de gasolina.

Hitler n�o queria um destino assim.

Ele ent�o ditou que seu corpo e o corpo de Eva Braun seriam queimados.

Na noite de 28 e 29 de abril, Adolf Hitler e Eva Braun se casaram

no que deve ter sido um dos casamentos mais estranhos e bizarros j� realizados.

A ideia demente de honra que ele tinha ditava que se casassem.

Hitler garantiria que ela entrasse para a hist�ria

como esposa do grande homem,

em vez de algu�m com quem teve um caso ao longo dos anos.

Tive que parabenizar Eva Braun...

VOZ DE TRAUDL JUNGE

...e fiquei meio t�mida sobre o que dizer.

Apertei as m�os dela,

e ela disse: "Pode me chamar de Sra. Hitler agora".

Foi o que fiz.

Houve um caf� da manh� depois,

mas o clima ficou bastante melanc�lico, e bem rapidamente.

O rosto dele j� estava morto. Era como uma m�scara.

Ele olhou para mim, mas pareceu que olhava atrav�s de mim.

Nos momentos finais, levou alguns minutos para se despedir.

E tamb�m deu uma c�psula de cianeto para cada,

encorajando-os a cometer suic�dio.

Eva Braun estava determinada a ser um belo cad�ver.

Ent�o mordeu uma c�psula de cianeto

e tirou a pr�pria vida assim.

H� certa pol�mica

sobre se Hitler tamb�m tomou o cianeto

s� para ter certeza de que daria certo.

Sabemos que atirou em si pr�prio.

Hitler deu um tiro na t�mpora,

que considerava uma morte digna para um soldado honrado.

Seguindo instru��es cuidadosas de Hitler,

homens da SS subiram com os corpos at� a �rea acima do solo.

Juntaram o m�ximo de gasolina que encontraram.

A gasolina era muito escassa em Berlim,

mas juntaram o que deu, a borrifaram sobre os corpos,

e estes foram incendiados, queimados ali mesmo,

no jardim da Chancelaria.

VOZ DE TRAUDL JUNGE

Considerando os relat�rios para l� de terr�veis

da frente oriental,

o que os russos fizeram � popula��o alem�,

especialmente com mulheres alem�s...

est�vamos com muito medo,

e pretend�amos n�o cair nas m�os do inimigo.

Na sequ�ncia do suic�dio de Hitler e Eva Braun,

Joseph Goebbels e sua esposa Magda

tamb�m decidiram tirar suas vidas.

N�o s� isso, mas as vidas de seus seis filhos pequenos tamb�m.

Magda declarou a algu�m pr�ximo

que as crian�as tinham que morrer

porque n�o poderia haver futuro para elas sem Hitler e o regime.

Tiraram a vida dos seus seis filhos pequenos

antes de cometerem suic�dio.

V�rios nazistas de destaque tamb�m cometeram suic�dio.

Heinrich Himmler idem, mas s� depois de preso pelos brit�nicos,

porque temia o que viria a seguir.

E havia outros tamb�m

que simplesmente n�o suportavam a ideia de um mundo sem Hitler.

A CBS traz agora mais detalhes

sobre a morte de Adolf Hitler.

Direto de San Francisco, William L. Shirer informando.

Hitler est� morto, ou � o que dizem, al�m de destru�do,

tal qual seu pa�s, que ele tentou tornar mestre do mundo,

e terminou apenas destruindo.

Este � o dia que eu estava esperando por muitos anos.

Meu destino pessoal me levou ao contato com um homem

que acho que vai ficar na hist�ria

como o g�nio do mal do nosso tempo.

A ALEMANHA SE RENDE

Sem Hitler, o caminho ficou livre para a Alemanha se render.

Em breve conversa ap�s o evento hist�rico, o general Jodl diz:

"Com esta assinatura, o povo e as for�as armadas alem�s

est�o, para o bem ou mal, � merc� dos vencedores.

Agora, s� posso expressar a esperan�a de que sejam generosos com ambos."

Isto marcou o fim da guerra na Europa,

e a Europa irrompeu em comemora��o.

PARIS 7 DE MAIO DE 1945

Ser� que todos n�s comemoramos o fim da guerra esta noite,

e fora deste est�dio em Nova York,

ainda d� para ouvir os gritos nas ruas.

TIMES SQUARE BROADWAY

Ser� que esquecemos ou logo esqueceremos

de como a batalha parecia perdida para o nosso lado, por tanto tempo.

Eu estava em Berlim em 1o de setembro de 1939,

no come�o da parte alem� da guerra.

Os alem�es pareciam t�o fortes

que um americano solit�rio nas ruas de Berlim

se questionou se as for�as da democracia e da dec�ncia se juntariam a tempo.

Agora, os pensamentos se voltam para o futuro,

em criar, com todas as for�as, um mundo melhor

onde, acima de tudo, n�o haja mais guerra.

PR�DIO DO REICHSTAG, BERLIM 1945

A Europa estava em ru�nas.

Estima-se que 60 milh�es de pessoas morreram na Segunda Guerra,

e a grande maioria delas eram civis.

Mas, para os sobreviventes, encontrar at� mesmo comida e abrigo

era uma tarefa enorme.

Na Europa despeda�ada, a face da vit�ria parece a cara da derrota.

Ao mesmo tempo, punir os criminosos nazistas

era uma de suas maiores prioridades.

CRIMINOSOS DO EIXO!

Rudolf Hess, nazista de terceiro escal�o, preso ao tentar fugir para a Gr�-Bretanha.

O marechal Hermann G�ring perdeu as armas e a soberba

quando preso pelo Ex�rcito americano.

Milhares de criminosos de guerra fugiram da Alemanha.

Muitos foram encontrados ap�s meses de busca intensiva.

Mas os aliados logo pegaram alguns dos nazistas mais importantes.

O ministro Joachim von Ribbentrop

foi preso na casa de sua amante.

E o vice-chanceler von Papen, encontrado em sua cabana de ca�a.

Certos l�deres nazistas foram levados a julgamento,

pessoas como Hermann G�ring, Rudolf Hess, Hans Frank,

Joachim von Ribbentrop, Albert Speer, Alfred Rosenberg e outros.

E assim, 1945 se torna o ano n�o s� da derrota militar dos nazistas,

mas de seu julgamento p�blico.

J�RI DE NUREMBERG 31 DE AGOSTO DE 1946

Fui a Nuremberg para ver os capangas de Hitler como r�us.

A justi�a, ao menos uma vez,

pegou os autores de alguns dos crimes mais frios e graves j� cometidos.

Eu n�o tinha acreditado, nos anos de trabalho em Berlim,

que veria aquilo.

Os nazistas produziram e salvaram muitas provas documentais

dos pr�prios crimes de guerra e crimes contra a humanidade,

e esses documentos tornaram-se absolutamente cr�ticos

para o caso da promotoria.

Nesses documentos,

os nazistas se condenaram pelos crimes mais hediondos,

apesar de ganharem todas as oportunidades de defesa.

�UDIO ORIGINAL DO J�RI DE NUREMBERG

Acredito poder encarar minha responsabilidade

com a consci�ncia limpa.

No final do julgamento,

os r�us puderam fazer declara��es finais.

Amor ao pa�s e ao povo foi o �nico fator decisivo

em tudo o que fiz.

Alegam que todos participamos de confer�ncias secretas

para planejar uma guerra de agress�o.

Al�m disso, supostamente ordenamos o hipot�tico assassinato

de 12 milh�es de pessoas.

Sei que minha consci�ncia est� livre

de tal culpa.

Estavam sempre reiterando

que Hitler fora o respons�vel por todas as decis�es.

Hitler e o colapso de seu sistema

levaram a momentos de imenso sofrimento

para o povo alem�o.

Albert Speer tentou se retratar

como uma v�tima inocente do carisma de Hitler.

O povo alem�o desprezar� e condenar� Hitler

como o autor de seu infort�nio.

Joachim Von Ribbentrop, ministro das Rela��es Exteriores,

aproveitou a oportunidade para objetar a legitimidade do tribunal.

Nossa inten��o era cuidar de nossas necessidades b�sicas de vida,

da mesma forma que a Inglaterra visou os pr�prios interesses

ao subjugar um quinto do mundo,

da mesma forma que os EUA tomaram um continente,

e a R�ssia tomou o maior territ�rio continental do mundo

sob sua hegemonia.

Hans Frank, governador-geral de Hitler da Pol�nia ocupada,

admitiu ter um sentimento geral de culpa...

N�s nunca suspeitamos

que nosso afastamento de Deus

poderia ter resultados t�o mortais e t�o desastrosos.

...mesmo negando qualquer responsabilidade.

Naquela �poca, n�o sab�amos

que tanta lealdade

por parte do povo alem�o podia ter sido t�o mal dirigida por n�s.

Hermann G�ring n�o se arrependeu de nada.

Eu defendo as coisas que fiz.

Fez diversas nega��es...

Eu nunca

decretei o assassinato de um �nico indiv�duo em momento algum.

...foi muito arrogante...

E nem decretei quaisquer atrocidades, ou as tolerei.

...e totalmente rebelde.

A acusa��o usa o fato

de que eu era o segundo homem do Estado

como prova de que eu deveria saber

tudo que aconteceu.

Mas n�o apresenta qualquer documento ou prova convincente

de que eu sabia de certas coisas, muito menos de que eu as almejava.

Nenhum dos r�us demonstrou arrependimento real.

Fico feliz em saber

que cumpri meu dever com meu povo,

como fiel seguidor do meu F�hrer.

Presidente e membros do tribunal...

Ap�s um julgamento de quase um ano,

Jackson, em seu argumento final,

realmente reiterou que os alem�es, em suas pr�prias palavras,

admitiram uma vasta gama de a��es criminosas.

Os documentos mostram que concordaram em pol�ticas e m�todos,

e todos trabalharam agressivamente para a expans�o da Alemanha

pela for�a das armas.

O nazismo ser� uma mem�ria maligna na hist�ria

por causa da persegui��o aos judeus,

a mais completa e terr�vel persegui��o racial de todos os tempos.

Agora temos diante de n�s

as desculpas d�beis e as evasivas irris�rias

dos r�us.

Hitler � o principal vil�o em cujos ombros a culpa recai.

� o homem para quem quase todos os r�us apontaram um dedo acusador.

O que esses homens ignoraram �

que os atos de Adolf Hitler s�o atos deles.

N�o achamos uma �nica ocorr�ncia

onde qualquer um desses r�us se levantou contra o resto

e disse: "Isso foi errado."

Hitler n�o levou toda a responsabilidade para o t�mulo.

Toda a culpa n�o est� amarrada ao sud�rio de Himmler.

Foram a esses homens mortos que esses vivos escolheram se associar

e pelos crimes que cometeram juntos, devem pagar um por um.

Ap�s os fechamentos,

o tribunal ficou em recesso por um m�s,

no qual os jurados deliberaram sobre o julgamento e os veredictos.

Deus sabe que, como um dos poucos presentes

que tinham visto Hitler e seus capangas em Berlim come�arem a guerra,

eu sabia que era um crime

e que os autores deveriam ser julgados.

Mas isso era, percebi, uma rea��o emocional.

A justi�a tinha que ser ainda maior.

O Tribunal Militar Internacional durou dez meses.

Estudou com esmero as incont�veis evid�ncias.

Ouviu atentamente �s in�meras testemunhas

e, ap�s delibera��o madura,

os ju�zes pronunciaram o veredicto.

O tribunal considera que von Papen n�o � culpado desta acusa��o.

Tr�s dos r�us foram absolvidos.

Schacht n�o � culpado desta acusa��o.

O que diz algo sobre a legitimidade do exerc�cio.

R�u Albert Speer.

Os ju�zes ocidentais simpatizavam com Speer.

Deve ser reconhecido que ele foi um dos poucos homens

que teve a coragem de contar a Hitler que a guerra estava perdida,

sob risco pessoal consider�vel.

Acabou sentenciado a 20 anos de pris�o em vez de morte por enforcamento.

Ningu�m sabia melhor do que Hess

como Hitler estava determinado a realizar suas ambi��es.

Rudolf Hess foi considerado culpado em algumas das acusa��es.

Sobre as acusa��es pelo qual foi condenado,

o tribunal o sentencia � pris�o perp�tua.

Ao todo, havia 22 r�us,

no tribunal, 21,

com um dos r�us julgados � revelia.

E dos r�us, 19 foram condenados.

A defesa de Ribbentrop � que Hitler tomou as decis�es importantes.

O tribunal n�o considerou que essa explica��o fosse verdadeira.

Dos 19 condenados, 12 deles foram sentenciados � morte.

R�u Hermann Wilhelm G�ring,

suas pr�prias admiss�es s�o mais do que suficientes

como conclus�es de sua culpa.

Sua culpa � �nica em sua enormidade.

O registro n�o revela desculpas para este homem.

Sobre as acusa��es pelas quais foi condenado,

o Tribunal Militar Internacional o condena � morte por enforcamento.

Assim terminou o trabalho do tribunal da na��o,

do tribunal da hist�ria,

a espada da justi�a desceu nas cabe�as dos belicistas.

Mas Hermann G�ring conseguiu enganar o carrasco.

Ser enforcado como um criminoso comum era algo que ele achava indigno.

Contrabandeou uma c�psula de cianeto para dentro da cela

e, bem naquele �ltimo momento,

mordeu a c�psula de cianeto.

G�ring escolhe morrer por suas pr�prias m�os.

Os outros dez aguardam a forca.

G�ring,

Ribbentrop,

Keitel,

Kaltenbrunner,

Rosenberg,

Frank,

Frick,

Streicher,

Seyss-Inquart,

Sauckel,

Jodl,

e Martin Bormann

foram sentenciados pelo Tribunal Militar Internacional

a morrer na forca.

A humanidade, pressenti,

ficou aliviada e grata com as not�cias de Nuremberg.

Havia, afinal, algum tipo de justi�a crua no nosso mundo.

Quando via pessoas, civis que foram bombardeados,

ou pior, que foram perseguidos nos campos de concentra��o,

ainda intactos como seres humanos, com vontade de viver,

ainda com f� em si mesmos, em seus semelhantes e em seu Deus,

isso o enchia de orgulho.

DE 1946 A 1949, OS EUA FIZERAM MAIS 12 JULGAMENTOS EM NUREMBERG.

AS CORTES ACUSARAM 185 OFICIAIS, CONDENARAM 142, E 26 DELES, � MORTE.

KARL HERMANN FRANK MINISTRO DE ESTADO DA BO�MIA E MOR�VIA

Os julgamentos continuaram,

mas enquanto criminosos de guerra eram julgados,

a Guerra Fria estava come�ando, e a pol�tica dos EUA come�ou a mudar.

Os nazistas que eram �teis, seja na ci�ncia ou na tecnologia,

foram convidados aos EUA

porque a utilidade deles era mais importante

que o acerto de contas moral.

Muita gente que havia feito parte do regime assassino nunca foi punida.

Quando escreve hist�ria,

voc� deixa o leitor tirar as conclus�es,

mas devo dizer

que n�o pude deixar de pensar nas condi��es do nosso pr�prio pa�s.

As divis�es, a tremenda intoler�ncia de pessoas umas para as outras.

O mundo em que vivemos agora

� um mundo que parece ter esquecido

muitas das li��es do que houve na Alemanha nazista.

Vendo o aumento do autoritarismo, do antissemitismo.

HOJE, CERCA DE 30 GRUPOS NEONAZIS OPERAM NOS EUA, E DEZENAS NA EUROPA.

Meu av� fez quest�o de nos contar que o que houve na Alemanha nazista

poderia acontecer aqui.

E temos que estar vigilantes e lutar contra isso o m�ximo poss�vel.

A complac�ncia era o pior.

Viver em uma terra totalit�ria

me ensinou a dar valor, ferozmente,

�s coisas que os ditadores negavam.

A toler�ncia, o respeito pelos outros,

e, acima de tudo, a liberdade do esp�rito humano.

PARTE SIGNIFICATIVA DA TRILHA SONORA DESTA S�RIE

FOI ADAPTADA DAS OBRAS DE V�TIMAS DO HOLOCAUSTO.

DEDICADA �S V�TIMAS DOS NAZISTAS

E �S V�TIMAS DE TODAS AS GUERRAS SEM PROVOCA��O, EM TODOS OS LUGARES.

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