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ESTE EPIS�DIO CONT�M CONTE�DO PERTURBADOR
HAVA� 7 DE DEZEMBRO DE 1941
�s 7h55,
a primeira leva de avi�es japoneses ataca Hickam Field
para impedir o Corpo A�reo Americano de contra-atacar.
A maior parte da frota a�rea havaiana � destru�da em 20 minutos.
�s 7h57, o ataque contra o alvo principal come�a.
A Battleship Row, espinha dorsal da frota do Pac�fico.
Sete dos oito encoura�ados sofrem graves danos.
O ataque em Pearl Harbor apagou o grande debate
sobre a participa��o dos EUA na Segunda Guerra.
O ataque japon�s a Pearl Harbor foi, claro, devastador para os americanos,
pois destruiu grande parte da frota americana do Pac�fico,
com pesadas baixas humanas.
A resposta de Hitler foi surpreendente,
pois Hitler n�o esperou os americanos.
Hitler declarou guerra aos EUA.
Alemanha, It�lia e Jap�o
travar�o a guerra comum instigada pelos EUA e pela Inglaterra
com todos os meios do poder � sua disposi��o,
at� a conclus�o vitoriosa.
Hitler considerava inevit�vel a guerra contra os EUA.
Estava convencido de que os EUA, junto com a R�ssia,
eram o cora��o do juda�smo global.
Para Hitler, os EUA eram o foco da conspira��o do mundo judeu
em sua face capitalista,
assim como Moscou era o foco da conspira��o do mundo judeu
em sua face comunista.
Claro que isso � absurdo.
Estava come�ando a pensar em termos prof�ticos, at� apocal�pticos
sobre uma guerra mundial, uma luta pela exist�ncia.
E para ele,
isso foi algo que desencadeou
todas as suas fantasias de aniquila��o e destrui��o.
Duas coisas podem ser ditas sobre os alem�es nazistas.
Primeiro, querem n�o s� conquistar nosso mundo, mas destru�-lo.
Segundo, at� atingir esse objetivo, n�o v�o parar por nada.
Hitler diz que o inimigo deve ser aniquilado.
N�o s� conquistado, mas dizimado,
arrancados do palco da hist�ria.
Estamos lutando para evitar esse destino para n�s,
para evitar que sejamos destru�dos.
QUER SE JUNTAR A N�S? E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
AO VIVO
Depois de voltar para Nova York em dezembro de 1940,
Shirer publicou o Di�rio de Berlim.
Relatando, como testemunha ocular, o que houve na Alemanha,
mas tamb�m continuou na CBS.
Cobria grandes eventos.
Ele tinha seu pr�prio programa.
O r�dio crescia muito,
e era o meio preferido de entretenimento e de not�cias
nos EUA e ao redor do mundo.
As pessoas ligavam o r�dio � noite, depois do jantar ou � mesa do jantar,
e l� estava Shirer relatando o que acontecia na guerra.
A Alemanha nazista e a R�ssia sovi�tica...
TRANSMISS�O ORIGINAL
...est�o lutando em uma frente de 3.200km,
desde o Mar �rtico at� o Mar Negro.
A Alemanha atacou hoje sua ex-amiga e colega
com a mesma c�lere ferocidade
que usou na Frente Ocidental ano passado.
Parece que se tornar� a maior guerra da hist�ria.
JUNHO DE 1941
O que era t�o fenomenal
na invas�o alem� da Uni�o Sovi�tica em junho de 1941
era a escala.
Mais de tr�s milh�es de homens do lado alem�o,
uma enorme capacidade a�rea e militar.
Igualmente not�vel foi como Stalin n�o sabia,
pois havia recebido mais de 100 relat�rios de intelig�ncia
dizendo que a invas�o era iminente.
Achou que eram informa��es falsas, e as rejeitou.
O Ex�rcito alem�o levou tanques Panzer e armas.
A Luftwaffe levou milhares de avi�es.
Foi a maior campanha militar na hist�ria do mundo.
� crucial entender que a vis�o de Hitler
era que aquela seria uma guerra diferente
das outras que os nazistas j� haviam travado.
Deixou bem claro que era uma luta
entre nacional-socialismo e marxismo.
E com conota��es raciais, tamb�m.
Uma interpreta��o ideol�gica delirante.
Para ele, a ideologia do comunismo mundial
era uma express�o do esp�rito judaico mundial,
ent�o a luta ideol�gica e a luta racial,
para Hitler, eram dois lados da mesma moeda.
Hitler, em suas instru��es aos generais,
disse que combateriam uma Vernichtungskrieg,
uma guerra de exterm�nio.
Foi o termo que ele usou.
Eliminariam todos que resistissem e todos que considerassem inimigos,
mesmo que n�o resistissem.
Opera��o Barbarossa,
a invas�o alem� da Uni�o Sovi�tica,
foi inegavelmente genocida desde o in�cio.
O fim �ltimo era matar o m�ximo de pessoas poss�vel
e fazer dos restantes uma classe camponesa sem instru��o
que serviria ao povo alem�o.
O objetivo era que um grupo do Ex�rcito atravessasse os B�lticos
rumo a Leningrado.
Um grupo se moveria pelo centro, pela Bielorr�ssia,
e depois para Moscou.
E o terceiro iria para a Ucr�nia,
e depois subiria at� o Mar Negro.
MAR NEGRO - C�UCASO
Em poucos meses, os alem�es sofreram baixas severas.
Foi algo que a Wehrmacht n�o havia experimentado antes.
Encontraram resist�ncia pesada do Ex�rcito Vermelho.
O m�todo de luta de Stalin � o cl�ssico jeito russo de fazer guerra.
Ou seja, jogar mais gente no moedor de carne.
E a Uni�o Sovi�tica era grande e populosa o suficiente
para dar conta disso.
A enorme quantidade de territ�rio, a dist�ncia a ser coberta,
aquilo foi demais para os alem�es.
Os tanques, altamente mecanizados, sofreram nas estradas ruins da R�ssia.
Em setembro, o clima entrou em jogo.
Havia o per�odo da lama,
o que eles chamam de Schlammperiode ou a Rasputitsa...
e depois, o inverno.
Havia v�rias vezes durante o ano onde as estradas n�o eram transit�veis.
O inverno de 1941 foi uma dos mais frios da hist�ria,
com massas de neve de um metro de altura, quedas horr�veis de temperatura.
Hitler e a lideran�a alem� apelaram ao povo alem�o
que ajudasse no esfor�o de guerra
arrecadando roupas de inverno
e mandando roupas quentes para o front.
Geralmente, eram casacos femininos e outras vestimentas civis,
para tentar mant�-los aquecidos.
Ent�o, em dezembro de 1941, a guerra mudou completamente.
Poder�amos dizer, em retrospectiva, que o destino da Alemanha azedou.
Houve um novo tom de confian�a no comunicado russo de hoje,
insinuando que o Ex�rcito Vermelho atacaria em uma frente ampla.
O fracasso de Hitler em destruir os russos no inverno
constitui o maior retrocesso que ele enfrentou nesta guerra, de longe.
Perdeu esta grande batalha contra o tempo.
Os alem�es n�o s� fracassaram em tomar Moscou,
mas o Ex�rcito Vermelho contra-atacou
e empurrou o Ex�rcito alem�o uns 100 quil�metros ao oeste.
Os alem�es ficaram presos l�,
com cerca de um milh�o de mortos.
Cerca de um ter�o da for�a alem� que invadiu a Uni�o Sovi�tica
havia morrido.
Foi claramente o momento em que a blitzkrieg acabou.
A Opera��o Barbarossa foi suspensa, e os generais n�o sabiam o que fazer.
Tinham ataques card�acos, colapsos nervosos.
Buscavam a lideran�a de Hitler.
Alguns dos generais alem�es queriam fazer uma retirada estrat�gica
para encurtar o comprimento da zona que tinham de defender.
Hitler ordenou que o Ex�rcito ficasse parado e n�o recuasse.
E, em sua mente,
foi isso que acabou detendo o avan�o sovi�tico.
Ele passou a acreditar cada vez mais
que os generais eram covardes, at� traidores.
E ele decidiu se declarar o comandante supremo do Ex�rcito.
Considerava os riscos t�o altos e tanto se achava um grande estrategista,
que pensou que ningu�m mais poderia assumir o papel.
J�RI DE NUREMBERG 10 DE AGOSTO DE 1946
Sabe, marechal de campo, se outros l�deres militares tamb�m
tinham diferen�as com Hitler?
�UDIO ORIGINAL DO J�RI DE NUREMBERG
ERICH VON MANSTEIN TESTEMUNHA, MARECHAL DO EX�RCITO ALEM�O
De 17 marechais de campo que eram membros do Ex�rcito,
s� um marechal de campo
conseguiu sobreviver � guerra
e manter sua patente de marechal.
Todos esses l�deres
eram oficiais militares altamente qualificados,
mas todos foram mandados embora porque Hitler desconfiava deles.
Voc� era da opini�o de que, por raz�es de obedi�ncia militar,
tinha que aguentar tudo, ou melhor, cooperar com tudo?
O dever militar de obedecer �, sem d�vida, obrigat�rio e indivis�vel.
O direito ou o dever de desobedecer
n�o existe para o soldado.
Muita gente pensava que seguir ordens
era uma defesa leg�tima,
mas acho que a promotoria realmente fez um argumento convincente
de que, naquela guerra, claramente uma guerra de exterm�nio,
onde as ordens eram de acabar com povos inteiros
e cometer atrocidades em massa,
que "eu estava seguindo ordens" n�o constitu�a uma defesa vi�vel.
� crucial entender que Hitler n�o estava t�o preocupado
com a Frente Ocidental.
Desde o momento em que invadiu a Uni�o Sovi�tica at� o fim da guerra,
nunca houve menos de dois ter�os das for�as armadas na Frente Oriental.
Sempre foi o principal teatro de guerra para Hitler.
Fora a guerra no ocidente,
a Alemanha lutava duas guerras assim que invadiu a Uni�o Sovi�tica.
Uma delas era a guerra militar, e a outra era a guerra contra os judeus.
Hitler entrou com o objetivo
de aniquila��o e limpeza raciais, desde o come�o.
E para isso,
ele criou as Einsatzgruppen.
Eram esquadr�es especiais da morte
projetados especificamente para ca�ar
e assassinar civis.
N�o havia outro prop�sito.
Os comandantes desses esquadr�es da morte
n�o eram gente oriunda das camadas baixas, como gostar�amos de pensar,
eram pessoas com diplomas acad�micos.
Eram jovens e dedicados � sua tarefa.
O objetivo era a matan�a fria e racional
de pessoas identificadas como inimigos do povo,
do Volk, da na��o e da ra�a.
Na Pol�nia, foram inaugurados contra intelectuais, contra a elite.
E foram usados, especificamente, contra a popula��o judaica.
Alguns chamam isso de "Holocausto a balas".
Pois aconteceu em todo o territ�rio,
em quase todas as cidades onde havia popula��o judaica consider�vel.
Os assassinatos, que come�aram s� contra homens,
passaram a incluir popula��es judias inteiras.
E o exemplo mais claro disso foi em setembro de 1941, em Kiev.
KIEV, UCR�NIA 29 DE SETEMBRO DE 1941
Os alem�es conquistaram Kiev.
E os sovi�ticos evacuaram a cidade.
Os sovi�ticos deixaram bombas operando com temporizadores,
e explos�es eclodiram em pr�dios ocupados por alem�es.
Os alem�es retaliaram,
mas n�o contra o Ex�rcito Vermelho.
Retaliaram chamando toda a popula��o judaica restante,
trinta e tr�s mil homens, mulheres e crian�as,
para se juntar,
e essas pessoas foram levadas a um desfiladeiro.
Ent�o nos levaram.
VOZ DE DINA PRONICHEVA SOBREVIVENTE DO MASSACRE DE BABYN YAR
Percebi que corria o risco de ser baleada.
Talvez at� me matassem na hora.
Fui espancada com bast�es.
Fui espancada como todo mundo,
mas mantive minha dignidade. Eu n�o ca�.
Nos enfileiraram em uma passagem estreita,
onde mal se podia ficar de p�.
Eu vi todas aquelas pessoas,
todas alinhadas
em uma �nica fila.
Eu olhava para baixo.
N�o aguentei ver a barbaridade que acontecia ao meu redor.
Come�aram a atirar em todos.
Fechei os olhos, cerrei os punhos,
enrijeci todos os meus m�sculos e pulei.
Ca� sobre os cad�veres. N�o fui baleada.
No final, mais de 30 mil seres humanos jaziam mortos nas ravinas de Babyn Yar.
� um horror al�m da nossa imagina��o.
Depois de um tempo, o tiroteio parou.
Ouvi os alem�es descendo para a ravina...
para matar quem ainda estava gemendo.
Fiquei muito quieta.
Puxei todo o ar que pude, reuni todas as minhas for�as,
e consegui sair.
J�RI DE NUREMBERG 3 DE JANEIRO DE 1946
Quero chamar o Sr. Otto Ohlendorf como testemunha.
Otto Ohlendorf.
Otto Ohlendorf era o l�der do Einsatzgruppe D
e, t�pico de muitos que subiram na vida na SS de Himmler,
tinha diploma de doutor em jurisprud�ncia.
Um intelectual, um economista brilhante, serviu boa parte da guerra
como supervisor do Escrit�rio Central de Seguran�a do Reich,
mas, por um ano, esteve em uma miss�o fora da capital.
Sabe quantas pessoas foram liquidadas pelo Einsatzgruppe D
sob sua dire��o?
De julho de 1941 a junho de 1942,
os Einsatzkommandos informaram que 90 mil pessoas foram liquidadas.
Isso inclui homens, mulheres e crian�as?
Sim.
Voc� supervisionou pessoalmente a execu��o em massa desses indiv�duos?
Estive presente em duas execu��es em massa para fins de inspe��o.
E em que categoria voc� colocaria as crian�as?
Por que foram massacradas?
A ordem era que a popula��o judaica deveria ser totalmente exterminada.
Todas as crian�as judias foram mortas?
Sim.
Aquelas execu��es em massa eram horr�veis e macabras.
Ent�o descontavam tudo na bebida.
Estavam quase sempre b�bados durante os tiroteios.
Estavam sempre b�bados depois dos tiroteios.
Era um mecanismo de defesa.
A lideran�a nazista, Himmler em particular, estava preocupada
com o bem-estar mental dos membros da SS que tinham que atirar naquelas pessoas.
Isso mostra a perversidade
das prioridades morais dos nazistas.
Reconheciam o trauma emocional daquilo, mas s� para os assassinos.
Foi assassinato em massa em uma escala que nunca foi vista antes.
O n�mero de mortes � astron�mico.
Estima-se que 1,5 milh�o de pessoas
foram assassinados assim.
Heinrich Himmler, certa vez, observou a execu��o de cem judeus.
Supostamente, Himmler ficou mortificado,
pois peda�os de c�rebro foram parar em seu uniforme.
E depois que acabou, ele se sentiu enojado.
Ent�o foi falar com os Einsatzgruppen
que fizeram a demonstra��o para ele.
E disseram: "Apenas 100 pessoas foram mortas, veja como � dif�cil."
Foi uma das coisas que levaram os alem�es
a parar de executar judeus atrav�s do uso de armas de fogo
e come�ar a buscar formas mais eficientes
de assassinato em massa.
Na �poca do Natal de 1941,
come�ou a haver uma mudan�a em dire��o ao que agora conhecemos
como a solu��o final,
o exterm�nio em massa da popula��o judaica.
O estilo de lideran�a de Hitler realmente influenciou
o caminho que levou ao Holocausto.
Ele sempre quis evitar
que ordens documentadas dele fossem rastreadas
caso alguma decis�o pol�tica se tornasse impopular.
Dava ordens verbais, se reunia com outros, conversava,
e n�o deixou um rastro escrito
para que historiadores seguissem.
Mas sabemos que toda a m�quina genocida
n�o teria ido na dire��o que foi sem Hitler.
Hitler basicamente colocou Reinhard Heydrich no comando
de planejar e conceitualizar
os assassinatos em massa.
Foi realmente o g�nio do mal
por tr�s de tantas coisas que se tornariam o Holocausto.
Reinhard Heydrich era o subcomandante de Himmler.
Era conhecido como o oficial nazista com mais fei��es arianas,
muito mais do que Himmler, Eichmann, Hitler, G�ring ou Goebbels.
Era bastante cruel, um bom organizador
e, aparentemente, muito leal a Himmler.
O objetivo � que os judeus sumissem, n�o por expuls�o e dizima��o,
mas assassinato em massa sistem�tico.
Ent�o a quest�o era
como disseminar isso para o resto do governo alem�o.
Foi a meta da Confer�ncia de Wannsee.
WANNSEE, BERLIM 20 DE JANEIRO DE 1942
A Confer�ncia de Wannsee foi convocada por Reinhard Heydrich,
com seu assistente, Adolf Eichmann,
entre os altos funcion�rios do Terceiro Reich,
a fim de conseguir a colabora��o deles.
A Villa Wannsee era uma bela casa de campo
em uma linda margem do Lago Wannsee, em Berlim.
Havia uma lareira ador�vel, lustres, uma mesa enorme,
e um grande buf� foi servido,
e Heydrich e Eichmann garantiram
vinhos e conhaques excepcionais.
Ent�o a atmosfera era muito jovial, bem descontra�da,
e, ainda assim, o conte�do real da discuss�o
era de arrepiar at� os ossos.
Come�ou com um mon�logo de Heydrich em que ele diz:
"At� o outono passado, lid�vamos com a quest�o judaica
pela imigra��o."
O que era, � claro, expuls�o e dizima��o.
Heydrich disse:
"Todos concordamos que, a partir de hoje,
vamos vasculhar a Europa de oeste a leste,
achar todos os homens, mulheres e crian�as judias,
e vamos transport�-los para campos onde ser�o mortos."
Hitler decidiu mandar os judeus para o leste,
e isso estava em andamento.
Agora tinham que aceitar a lideran�a de Heydrich e participar.
A SS, para implementar este grande projeto,
precisaria da coopera��o
daqueles v�rios minist�rios e autoridades.
Sozinhos, n�o davam conta.
Precisavam de ajuda com trens, administra��o financeira.
Heydrich estava preocupado.
Eles aceitariam?
Acontece que, claro, fizeram de tudo um pouco,
competindo para ver quem ajudaria mais.
Ap�s discutirem matar 11 milh�es de judeus na Europa,
se levantaram da mesa e foram se servir no buf�.
Heydrich ficou t�o satisfeito que se sentou com Eichmann,
tomou conhaque e fumou um charuto.
Eles comemoraram,
porque todos haviam, com euforia, concordado com aquilo.
POL�NIA OCUPADA
As autoridades, na Pol�nia ocupada pelos alem�es,
come�aram a constru��o de seis campos de exterm�nio.
O TRABALHO LIBERTA
Houve uma evolu��o dos campos, que ficaram maiores e mais sofisticados.
Auschwitz, ent�o, era o �pice tecnol�gico da evolu��o do campo de exterm�nio.
Auschwitz I era um campo que tinha pr�dios de tijolos
e casernas constru�das com fornos.
Auschwitz-Birkenau ficava a uns tr�s quil�metros
do complexo original do campo,
e era um territ�rio enorme com casernas erguidas de forma rudimentar.
N�o havia instala��es, nem sistema de esgoto,
nenhum tipo de infraestrutura al�m das dedicadas a tirar piolhos.
E mais tarde, cremat�rios foram constru�dos
para servir como centros de exterm�nio
para judeus deportados de toda a Europa.
Quando voc� chegava l�,
toda a moralidade que pensava existir no mundo
era virada pelo avesso.
As condi��es eram indescrit�veis.
Pessoas amontoadas em casernas
que n�o tinham ventila��o nem aquecimento.
No ver�o, era extremamente quente e grudento,
com pessoas dormindo em seus pr�prios excrementos.
Jornadas de trabalho ainda aconteciam em lugares como Birkenau.
E havia muito medo,
porque todos que n�o conseguiam executar o trabalho atribu�do
se sujeitavam a virar alvos de sele��es,
e todos em Auschwitz-Birkenau sabiam que isso significava morte por g�s.
Antes de Auschwitz,
os alem�es experimentaram formas de matar via g�s.
Primeiro, furg�es.
Depois, c�maras de g�s fixas.
Havia quatro locais de exterm�nio.
Em Auschwitz, os assassinatos ocorriam via c�psulas de cianeto,
que eram jogadas nas c�maras de g�s por cima,
e essas c�psulas se dissolviam, criando um g�s mortal.
As pessoas, em p�nico, lutavam entre si
tentando subir o mais alto que podiam
em busca do pouco ar fresco que restava, pois o g�s venenoso vinha do ch�o.
Levava 10, 20 minutos para as pessoas morrerem.
Sufocavam lentamente.
Choravam, vomitavam.
Era algo horr�vel, angustiante.
PARE!
DOS ESTIMADOS 6 MILH�ES DE JUDEUS ASSASSINADOS NO HOLOCAUSTO,
CERCA DE 1 MILH�O DELES FORAM MORTOS EM AUSCHWITZ.
Assassinatos em massa ocorreram mais do que gostar�amos de pensar,
antes e depois do Holocausto.
Mas o tipo de matan�a industrial, onde f�bricas foram criadas,
cujo prop�sito era transportar pessoas de trem, vindo de todo o continente,
visando mat�-las com g�s, crem�-las e faz�-las desaparecer,
�, e continua sendo, algo exclusivo do Holocausto.
Foi no J�ri de Nuremberg
que enfim aprendi sobre a solu��o final,
o plano diab�lico de Hitler
feito de forma t�o implac�vel por Heydrich e Himmler.
Parte da verdade havia vazado aos poucos para os aliados
durante a guerra,
mas n�o para o p�blico.
Minha pr�pria ingenuidade acerca dos planos dele foi ainda maior.
As revela��es do que pretendiam fazer
foram t�o chocantes que eu mal podia acreditar.
Hitler estava determinado, ele disse, a tornar a Europa livre de judeus.
Ele quase conseguiu.
J�RI DE NUREMBERG 29 DE NOVEMBRO DE 1945
A acusa��o dos EUA ir�, neste momento...
�UDIO ORIGINAL
...apresentar um document�rio sobre campos de concentra��o.
Parte do objetivo do J�ri de Nuremberg
era dar uma li��o de hist�ria ao mundo,
e a promotoria decidiu
que havia poucos meios did�ticos melhores que o cinema.
O conhecido cineasta Roman Karmen foi recrutado pelos russos.
Os EUA estavam trabalhando com os irm�os Schulberg,
Budd e Stuart,
e o diretor de Hollywood, John Ford.
Os Schulberg vasculharam a Europa
atr�s de filmagens autorais das atrocidades nazistas
que os alem�es tentaram e falharam em destruir ou esconder.
A promotoria mostrou tais imagens,
al�m de imagens da liberta��o dos campos,
e isso criou um dos momentos mais dram�ticos
do julgamento.
Este filme que oferecemos agora
representa a verdade nua e crua, em todo o seu inesquec�vel terror,
e explica o que as palavras "campo de concentra��o" significam.
A atmosfera mudou completamente.
Um sil�ncio caiu sobre a sala.
Dava para ouvir o zumbido do projetor.
Na tela, imagens apareceram.
Imagens que pareciam sa�das de pesadelos.
Ningu�m ali estava pronto para aquilo.
Alguns dos r�us abaixaram a cabe�a, envergonhados.
Mas muitos pareciam entediados,
o que � terr�vel, considerando o fato
que aqueles r�us eram respons�veis por aquilo.
Quando assisto ao filme,
ainda hoje, e estudei isso toda a minha vida adulta...
Mas sempre que vejo trechos, n�o acredito que tenham feito aquilo.
Os filmes basicamente dizem:
"Foi isso que os nazistas fizeram.
Vejam isso.
N�o podemos permitir que isso aconte�a de novo."
BERLIM 30 DE JANEIRO DE 1942
Em algumas semanas, o inverno chegar� ao sul,
e, depois, a primavera ir� para o norte.
O gelo vai derreter,
e ent�o chegar� a hora
de o ch�o ficar firme mais uma vez,
e o soldado alem�o poder� operar suas m�quinas,
e novas armas fluir�o para l�, direto de nossa p�tria,
e seremos fortes novamente!
TOCA DO LOBO, POL�NIA OCUPADA 1942
Na primavera de 1942,
tendo sobrevivido ao inverno, Hitler julgava que reaveriam a vantagem.
A miss�o principal tornou-se rumar ao sul
para tomar campos de petr�leo e grandes cidades como Stalingrado.
Stalingrado era crucial, pois era uma cidade com o nome de Stalin.
Se Stalingrado fosse perdida, seria um grande golpe para os sovi�ticos.
Hitler disse ao comandante Friedrich Paulus
que a vit�ria deveria vir a todo custo,
que a rendi��o era imposs�vel.
Ambos os lados viam uma futura batalha l�
como um evento que determinaria o resultado da guerra.
A Alemanha precisava de uma vit�ria impressionante
para mostrar aos aliados ocidentais, e tamb�m ao povo alem�o,
que ainda possu�a a vantagem, e Stalingrado seria a solu��o.
A ofensiva aconteceu em junho.
O Ex�rcito alem�o progrediu rapidamente pela Ucr�nia, rumando ao leste.
Estava avan�ando r�pido demais,
embora estivesse tomando territ�rio,
n�o estava derrotando ningu�m.
Os sovi�ticos estavam s� recuando.
Hitler chegou a Stalingrado, mas n�o tomou a cidade imediatamente.
Ent�o, o cronograma foi para o lixo,
e o Ex�rcito teve de travar uma batalha para a qual n�o foi projetado.
Virou uma guerra urbana, quadra a quadra,
e as divis�es panzer, os tanques, n�o estavam preparadas.
Foi uma batalha de casa em casa,
�s vezes cara a cara, entre alem�es e sovi�ticos.
Soldados do Ex�rcito Vermelho desenvolveram t�ticas bem criativas
para emboscar os alem�es, matando-os das janelas,
jogando bombas neles e explodindo casas.
Enquanto os alem�es se perdiam em Stalingrado,
Stalin lan�ou o contra-ataque, que cercou a cidade.
Hitler e suas for�as estavam encurralados, exaustos, sem muni��o, nem suprimentos.
O marechal Friedrich Paulus queria se render.
Era o comandante do 6o Ex�rcito alem�o,
mas Hitler o proibiu,
esperando que, se tudo mais falhasse, Paulus cometesse suic�dio.
Hitler era, por seu pr�prio jeito de ser, incapaz de recuar,
porque era parte de sua vis�o de mundo nunca negociar a partir de um ponto fraco,
mas s� negociar a partir de uma posi��o de for�a.
O marechal Friedrich Von Paulus se rendeu,
e Hitler ficou enfurecido com aquilo.
Foi uma derrota catastr�fica, que destruiu um ex�rcito inteiro.
As perdas foram quase sem precedentes,
um ex�rcito de quase 300 mil pessoas.
Desses, mais de 150 mil alem�es morreram.
J�RI DE NUREMBERG 11 DE FEVEREIRO DE 1946
�UDIO ORIGINAL DO J�RI DE NUREMBERG
NIKOLAI ZORYA PROMOTORIA SOVI�TICA
Pe�o permiss�o para apresentar ao tribunal
o marechal de campo do antigo Ex�rcito alem�o,
Friedrich Paulus.
Os promotores russos lan�aram m�o daquela testemunha surpresa.
Paulus entrou no tribunal.
E, segundo todos, foi um momento dram�tico.
Pensavam que ele estava morto.
G�ring ficou furioso.
Ele via Paulus como o maior dos traidores.
ROMAN RUDENKO PROMOTORIA SOVI�TICA
Sua �ltima posi��o oficial foi comandante-em-chefe
do 6o Ex�rcito em Stalingrado?
Sim.
Os pr�prios r�us estavam perdendo o ju�zo vendo Paulus l�,
porque sabiam que ele iria incrimin�-los.
Quem voc� considera culpado
pelo criminoso in�cio da guerra contra a R�ssia sovi�tica?
Os principais conselheiros militares de Hitler,
o comandante supremo das for�as armadas, Keitel,
o chefe da divis�o de opera��es, Jodl,
e G�ring, como marechal do Reich.
O testemunho de Paulus foi crucial
por expor a conspira��o de travar uma guerra agressiva
e toda a acusa��o de crimes contra a paz.
Os espectadores do julgamento se referiram a Paulus,
quando falaram daquele momento, como o Espectro de Stalingrado,
que viera contar a verdade sobre a guerra.
N�o houve uma palavra de simpatia ou dor vinda de Hitler
para os mais de 100 mil soldados alem�es
massacrados na carnificina de Stalingrado,
nem uma �nica palavra de Hitler sobre sua pr�pria responsabilidade
pela maior derrota militar na hist�ria alem�.
Virou, ent�o, um homem condenado por sua pr�pria loucura.
Hitler estava acabado ap�s a derrota em Stalingrado.
E ele sabia disso, mas ainda se recusava a admitir.
O resultado da guerra foi decidido em 1942,
mesmo que ela ainda fosse durar muito tempo.
Hitler se isolou cada vez mais das vistas do p�blico.
Sabia que o v�nculo entre o povo e seu F�hrer tinha enfraquecido,
e s� era fortalecido quando ele obtinha vit�rias militares.
Enquanto isso, Joseph Goebbels, ministro da propaganda,
fez o que propagandistas fazem.
Tentou transformar lim�o em limonada
e fez um discurso batizado de "Discurso do Sportpalast".
BERLIM FEVEREIRO DE 1943
Os ingleses dizem que os alem�es
se op�em �s pol�ticas de guerra total do governo.
Dizem que os alem�es n�o querem guerra total, mas capitula��o.
- Nunca! - Nunca!
Guerra total era um conceito
em que toda a economia e vida civil alem�s
seriam chamadas a servir � guerra.
Queremos guerra total?
- Sim! - Sim!
Tentou agitar sentimentos na Alemanha com o objetivo de dizer:
"Agora, talvez sejamos derrotados,
portanto, temos que lutar at� o fim.
Temos que ser implac�veis."
Mas � preciso entender que os relat�rios do n�mero de perdas,
dos mortos e feridos que estavam voltando para a Alemanha
eram tais que a �nica arma que o regime acreditava
que poderia usar para sustentar o moral do povo
era instigar uma guerra total.
Em 1943, os aliados estavam lan�ando grandes ataques a�reos.
A magnitude da guerra a�rea
e a capacidade dos aliados de destruir cidades alem�s inteiras
estava sendo demonstrada noite ap�s noite.
Mataram 40 mil pessoas em Hamburgo.
E na Ren�nia,
Col�nia e outras cidades estavam sendo obliteradas
porque essa �rea fica bem perto da Gr�-Bretanha.
Ontem � noite, os brit�nicos derrubaram
seis milh�es de libras em bombas, em Col�nia.
O maior bombardeio da hist�ria.
Fuma�a e inc�ndios eram vis�veis, ao amanhecer, da Holanda.
H� tr�s anos, a guerra tinha 36 horas.
Era guerra.
Sangrenta, cruel e terr�vel, como todas as guerras,
mesmo assim, em Berlim, naquela noite,
n�o pareceu bem assim para a maioria dos alem�es.
A guerra � muito pior para eles hoje,
seus est�magos t�m mais n�s.
Sua grande esperan�a t�o reduzida,
e n�o h� fim, nem vit�ria, nem paz � vista.
Com as perspectivas ficando sombrias para os nazistas,
Heinrich Himmler, chefe da SS, arquiteto-chefe
e executor do Holocausto,
reuniu os l�deres nazistas, os principais generais,
e fez um discurso em Posen.
POSEN, POL�NIA OCUPADA OUTUBRO DE 1943
Quero falar a voc�s aqui, com total franqueza,
sobre um assunto muito s�rio.
Me refiro � evacua��o dos judeus...
DISCURSO GRAVADO APENAS EM �UDIO
...a erradica��o do povo judeu.
Foi uma das �nicas vezes em que algu�m da alta lideran�a nazista
admitiu abertamente que estavam matando todos os judeus da Europa.
A maioria de voc�s sabe como � ver 100 cad�veres lado a lado,
ou 500, ou 1.000.
Termos resistido a isso
e, exceto em casos de fraqueza humana,
termos permanecido decentes, nos tornou dur�es.
Esta � uma p�gina de gl�ria n�o escrita, e que jamais o ser�,
na nossa hist�ria.
Himmler disse "esta hist�ria nunca ser� escrita"
porque sabia ser um crime,
na l�gica pervertida dos nazistas,
que tiveram que cometer em prol do futuro da Alemanha.
T�nhamos o direito moral,
o dever, para com nosso povo, de destruir
as pessoas que queriam nos destruir.
Nunca vou ficar parado assistindo
enquanto um pequeno ponto podre se desenvolve ou toma conta.
Onde quer que tal ponto se forme, vamos queim�-lo juntos.
Em suma, podemos dizer que realizamos a mais dif�cil das tarefas
em nome do amor pelo nosso povo.
E n�o sofremos dano algum
ao nosso ser interior, nossa alma, nosso car�ter.
� muito dif�cil de entender
at� que ponto aquelas pessoas eram t�o deformadas.
O que ele estava tentando dizer a seus oficiais da SS e a si mesmo
� que estavam fazendo algo glorioso.
Um ato de grandeza.
Que o assassinato em massa em que a SS estava envolvida
os elevava a uma esfera moral superior.
Estavam fazendo um favor � humanidade, mas ela ainda n�o o entendia.
TRIBUNAL
J�RI DE NUREMBERG 4 DE JUNHO DE 1946
Dir� ao tribunal o que sabia sobre o exterm�nio de judeus?
�UDIO ORIGINAL DO J�RI DE NUREMBERG
Lembro a voc� que est� sob juramento.
ALFRED JODL, R�U CHEFE DE OPERA��ES, FOR�AS ARMADAS ALEM�S
Sei o qu�o improv�veis essas explica��es parecem,
mas s� posso expressar aqui,
que eu nunca ouvi falar de um exterm�nio de judeus.
Fiquei desconfiado em uma �nica ocasi�o...
e foi quando Himmler falou da revolta no gueto judeu.
Est� falando de Vars�via?
Estou falando da revolta no Gueto de Vars�via.
VARS�VIA, POL�NIA OCUPADA 1943
Em 1943, as condi��es nos guetos judeus da Pol�nia
estavam piorando vertiginosamente.
Surtos de tifo e ondas de fome
levavam milhares e milhares de vidas.
As condi��es de vida eram apertadas.
Fam�lias inteiras trabalhavam como escravas.
Pessoas achavam, em v�o, que trabalhar para os nazistas
potencialmente as salvaria.
Mas como a solu��o final estava em andamento,
tamb�m houve a��es para liquidar alguns desses guetos
e mandar os judeus para os campos, onde seriam mortos.
Os alem�es disseram que seriam levados a campos de trabalho no leste,
mas tanto a intelig�ncia judaica e a clandestina, de Vars�via,
diziam que os trens iam cheios de pessoas, mas sempre voltavam vazios.
"Tais linhas nunca transportam comida."
"Algo terr�vel est� acontecendo."
Havia organiza��es no gueto que come�aram a dizer:
"Certo, vamos resistir."
O objetivo era come�ar a procurar lugares
para esconder o m�ximo poss�vel de crian�as
e come�ar a comprar e procurar armas
e lev�-las para o gueto.
As organiza��es coletaram coquet�is molotov.
Tinham algumas armas.
Tinham tamb�m muni��o.
Os alem�es achavam que seria muito r�pido.
Era s�, finalmente, limpar o gueto.
Era para ser um presente de anivers�rio para Hitler.
Seu anivers�rio era em 20 de abril.
E ent�o Vars�via poderia ser declarada Judenrein ou Judenfrei, livre de judeus.
Foi o ato mais importante da resist�ncia judaica
em toda a Europa ocupada pelos alem�es.
E pegou os alem�es de surpresa.
O novo comandante dos alem�es em Vars�via
inventou um novo m�todo de atacar o gueto,
que era simplesmente incendiar tudo.
Ent�o pegou lan�a-chamas,
e come�aram a queimar pr�dio a pr�dio.
E tamb�m vi algumas fotos, que ficaram gravadas na minha mente.
Judeus pulando de pr�dios.
E as pessoas l� fora,
algumas delas dizendo para olharmos
porque judeus estavam fritando.
N�o pod�amos fazer muito para ajud�-los.
Foi o fim do Gueto de Vars�via.
Os lutadores do gueto foram verdadeiros her�is,
pois sabiam que n�o conseguiriam vencer o poderio dos alem�es.
Sabiam que seriam mortos, e a maioria o foi,
mas a bravura deles era espetacular,
porque decidiram
que iriam lutar de arma na m�o, ou morrer lutando,
em vez de serem levados de trem para serem assassinados.
Como algu�m que passou muito dos �ltimos oito anos em uma ditadura,
vi o que acontece com as na��es e povos que Hitler conquista.
O massacre de mulheres e crian�as
tem sido bem pior do que em qualquer outra guerra.
Considere Vars�via.
L�, foi uma decis�o deliberada
matar n�o tropas inimigas, mas civis indefesos.
Homens das for�as armadas
estavam lutando para sobreviverem e permanecerem livres.
DIA D 6 DE JUNHO DE 1944
� 6 de junho de 1944. O Dia D.
A maior armada j� reunida
chega ao norte da Fran�a para libertar o continente.
Sob o comando do general Eisenhower, for�as aliadas navais e a�reas
desembarcaram ex�rcitos na costa norte da Fran�a.
Em 6 de junho de 1944,
os americanos, os brit�nicos e os canadenses
come�aram a t�o esperada invas�o do norte da Europa.
Era onde o terreno permitia grandes opera��es ofensivas.
Era o caminho para a Alemanha.
Os barcos chegam �s praias da Normandia sob fogo cruzado mortal na �gua.
As intermin�veis tropas entram at� a cintura na �gua
visando tomar a praia.
Cada jarda perigosa deve ser singrada,
cruzando minas submarinas e intensa resist�ncia.
Hitler dormiu durante as primeiras horas do Dia D,
depois de passar a noite com seus companheiros
relembrando os bons tempos do movimento,
mas quando finalmente acordou
e foi informado do come�o da invas�o,
ficou aliviado, at� otimista.
Hitler sempre teve excesso de confian�a.
Sempre superestimou o poder e os recursos da Alemanha,
que era apenas uma pot�ncia regional na Europa,
e era um racista radical
que acreditava que os EUA eram uma mistura de diferentes ra�as,
uma horda de incapazes.
Ent�o subestimou enormemente o poder e a determina��o deles.
Se ouvir as transmiss�es alem�s hoje,
falaram da invas�o de hoje como se fosse apenas uma distra��o,
como se esperassem o golpe real em outro lugar.
Haver� surpresas, contratempos, e muitas mudan�as de planos.
Mas com toda a empolga��o ganhando espa�o na imprensa hoje,
devemos nos lembrar que a batalha mal come�ou,
que dias sombrios est�o por vir,
a menos, � claro, que os alem�es caiam.
Tenhamos certeza de que nosso Alto Comando n�o est� contando com isso.
Quando os aliados invadiram a Fran�a,
os alem�es n�o tinham mais a op��o
de tratar a frente ocidental como coadjuvante.
Havia se tornado uma amea�a t�o grande para a sobreviv�ncia da Alemanha
quanto a guerra na R�ssia.
A Alemanha passou a enfrentar uma guerra de duas frentes
no sentido mais amplo poss�vel.
Hitler, em sua Wolfsschanze, estava,
sendo realista, vendo um mapa encolher cada vez mais.
Havia ex�rcitos se movendo em dire��o �s fronteiras alem�s.
Hitler estava, de certa forma, delirando.
Havia um grupo de oficiais da Wehrmacht,
muitos deles veteranos leais ao regime,
que decidiram que era hora de tentar achar um modo de assassinar Hitler.
Perceberam que Hitler lutaria at� o fim,
e que aquilo resultaria na destrui��o da Alemanha.
Amavam a Alemanha, n�o queriam v�-la arruinada.
N�o queriam massacres de civis.
Quem se voluntariou e, na verdade, foi escolhido
para levar a cabo o assassinato
foi o coronel Graf Schenk von Stauffenberg,
que era um conde e um aristocrata nas for�as armadas.
Stauffenberg fora gravemente ferido no norte da �frica.
Havia perdido um olho e a m�o direita,
al�m de dois dedos da m�o esquerda.
Stauffenberg percebeu que teria sua chance
quando foi chamado � Toca do Lobo
para uma reuni�o em 20 de julho de 1944.
Aterrissou no campo de pouso.
Tinha as bombas em uma maleta.
Foi levado do aeroporto para a Wolfsschanze, a Toca do Lobo,
e, finalmente, para o c�rculo interno onde o pr�prio Hitler trabalhava.
Para o plano dele dar certo,
teria sido melhor se a reuni�o ocorresse
em um dos abrigos de concreto na Toca do Lobo,
mas a reuni�o foi marcada em um pr�dio de madeira.
E isso significava que o poder potencial da explos�o da bomba
seria consideravelmente reduzido.
Quando chegou, Stauffenberg pediu para ir ao banheiro.
S� teve tempo de armar um dos dois explosivos.
Tudo feito �s pressas.
Batiam na porta perguntando por ele.
Estava morto de medo,
porque, a qualquer momento, algo poderia dar muito errado.
A tens�o aumentava � medida que se aproximava de Hitler.
Ele chegou � sala dos mapas.
Generais estavam l�, junto dos mapas.
Hitler come�ou a falar de planos e das ordens do dia.
Com a desculpa de que estava quase surdo dos ferimentos no norte da �frica,
Stauffenberg conseguiu garantir um lugar perto de Hitler.
Ent�o colocou a maleta o mais pr�ximo poss�vel de Hitler.
Ent�o inventou a desculpa que tinha que dar um telefonema,
e se retirou da sala.
Algu�m mudou a maleta de lugar
para atr�s da perna da mesa de carvalho, onde a reuni�o acontecia.
Stauffenberg saiu �s pressas.
Sabia que a bomba ia explodir.
Correu em dire��o ao carro, e ouviu a explos�o.
Estava convencido de seu sucesso.
Pensou que n�o havia jeito
de Hitler ter sobrevivido � explos�o.
Quando Stauffenberg voou para Berlim, a sede efetiva da conspira��o...
Stauffenberg n�o sabia que algu�m tinha mexido na maleta com a bomba,
limitando o impacto da explos�o,
e, de certa forma, ajudando Hitler a sobreviver.
Hitler ficou fora de si.
Exigiu que todos os conspiradores fossem reunidos imediatamente...
e que n�o apenas eles fossem executados como traidores,
mas todos os membros de suas fam�lias e todos os seus parceiros pr�ximos.
Mesmo tendo escapado por um milagre,
Adolf Hitler nunca mais foi o mesmo depois de 20 de julho de 1944.
O que antes era uma tend�ncia ao blefe tornou-se pura desonestidade.
Sempre mentia, sem hesitar,
e presumia que mentiam para ele.
N�o acreditava em mais ningu�m.
Frequentemente perdia o autocontrole,
e a viol�ncia de sua linguagem piorou.
Em seu c�rculo �ntimo, n�o havia influ�ncia restritiva.
Foi este homem, sozinho,
meio louco e desmoronando de corpo e mente,
que conseguiu, quase por si s�,
prolongar a agonia da guerra por quase um ano.
Mesmo assim, esse foi o come�o do fim.
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