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Agora, a CBS traz as not�cias do mundo, apresentadas por seus rep�rteres
nas principais capitais.
Abrindo a programa��o, temos William L. Shirer.
Aqui � a CBS, em Nova York, chamando William L. Shirer.
Atenda, Sr. Shirer.
Meu av� era rep�rter do Servi�o de Not�cias em Berlim,
mas, em 1937, conseguiu um emprego na CBS.
Ele poderia ser correspondente em Genebra ou Viena,
e ele escolheu Viena, pois � de onde minha av� �.
Ele amava Viena.
Enquanto isso, o caos irrompia na �ustria.
Os alem�es se concentravam na fronteira, falando em invas�o.
Havia muito medo e inquieta��o na capital.
A �ustria estava colapsando.
Em 1938, quando minha m�e deu � luz minha irm�,
Tropas nazistas marchavam pelas ruas.
O m�dico judeu da minha m�e teve que se esconder.
Foi assustador.
Shirer viu toda essa loucura se desenrolando bem na frente dele.
Mas n�o p�de chegar � central da r�dio em Viena
porque era controlada pelos alem�es.
Acabou pegando um avi�o de Viena para Berlim, depois, para Amsterd�,
e, enfim, para Londres.
Foi um grande momento para a CBS. Estavam fazendo algo in�dito.
Ele foi ao ar na hora,
e contou aos EUA o que os alem�es estavam fazendo em Viena,
e foi um enorme furo para o r�dio.
Esta manh�, quando voei para longe de Viena �s 9h,
parecia qualquer cidade alem� do Reich.
Bandeiras tricolores com su�sticas penduradas nas sacadas das casas.
E, nas ruas, as pessoas faziam a sauda��o nazista...
Um Povo! Um Imp�rio! Um F�hrer!
...e se mesuravam com "Heil Hitler".
- Adolf Hitler! - Adolf Hitler!
QUER SE JUNTAR A N�S? E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
Hitler tinha uma resid�ncia em Obersalzberg,
uma cordilheira acima de Berchtesgaden, nos Alpes da Baviera.
Ficava a poucas horas de Munique,
a sede do Partido Nazista.
Do lado da fronteira austr�aca.
A paisagem montanhosa, cortada por vales verdes, � incr�vel.
� um dos lugares mais bonitos da Europa,
e Hitler passou a ador�-lo pelo resto de sua vida.
Hitler estava em uma posi��o t�o poderosa ap�s a consolida��o dos nazistas
que ele podia se dar ao luxo de passar semanas, at� meses longe
em sua est�ncia de f�rias em Berghof.
Em um dia de primavera A felicidade bate � sua porta
E o mundo reluz com um brilho dourado
Estenda suas m�os para a felicidade E nunca mais a deixe ir embora
Segure firme, para sempre...
� como se fosse a Mar-a-Lago de Hitler, por assim dizer.
Uma esp�cie de retiro nos Alpes da Baviera
que tem uma proximidade com a natureza,
uma vista espetacular para as montanhas
que deu a Hitler a sensa��o de estar no topo do mundo
sem ter que lidar com a confus�o da pol�tica di�ria.
Em um dia de primavera A felicidade bate � sua porta
E realiza seu sonho mais lindo
O Berghof era um dos centros de poder mais importantes do governo de Hitler.
Ele tinha um c�rculo pr�ximo de aliados.
Eva Braun estava no centro dessa vida.
Eva Braun era uma jovem rec�m-contratada
do est�dio do fot�grafo de Hitler, Heinrich Hoffmann,
e � quase certeza que foi onde ele a conheceu.
Ela nasceu em 1912,
ent�o era 23 anos mais nova que Hitler.
Eles tiveram um relacionamento longo,
mas Hitler sempre fez quest�o de mant�-la em sigilo.
Hitler nunca quis que o povo alem�o soubesse
que ele tinha uma namorada permanente.
Dizia ser casado com a Alemanha.
� engra�ado que Hitler tenha se atra�do por uma mulher como Eva Braun.
De certa forma,
ela meio que incorporava a nova mulher do per�odo de Weimar,
era uma melindrosa, em analogia ao estilo americano.
A forma como ela se apresentava,
ela n�o era uma mulher t�mida
nos moldes imaginados pela propaganda nazista,
mulheres sendo esposas e m�es.
Como uma ex-aprendiz de fot�grafo, ela adorava fotografia.
Fazia filmes caseiros.
Eles existem at� hoje.
FILMADO POR EVA BRAUN
Mesmo quando ele era visto relaxando, estava sempre na persona de F�hrer.
Mesmo assim, por mais relaxado que parecesse,
os filmes retratam aquele ambiente.
Mostram Hitler beijando desajeitadamente as m�os de mulheres no Berghof.
Hitler fazendo piadas,
e d� para ver o cachorro de Hitler, um pastor alem�o chamado Blondi.
Blondi teve um papel importante na vida de Hitler.
Os filmes de Eva Braun representam um contraste interessante
aos registros visuais oficiais e coreografados
do Nacional-Socialismo e de Hitler, o ditador.
Hitler era um sujeito pregui�oso.
N�o gostava de trabalhar em algo que n�o achasse interessante.
Ele dormia tarde, acordava tarde.
Ele almo�ava sem pressa,
ent�o talvez recebesse ministros ou comandantes militares,
ouviria relat�rios, daria ordens.
Normalmente, assistia um filme � noite, �s vezes dois ou tr�s.
Depois disso, talvez falasse com aliados pr�ximos.
Hitler era um l�der bem incomum.
N�o dava ordens o tempo todo.
Em vez disso, parece ter desenvolvido uma t�cnica
onde seus subordinados, tanto ag�ncias quanto pessoas,
teriam que competir por seu favor.
Era tarefa deles trabalhar para o F�hrer.
Hitler fez muito poucas pol�ticas
ou metas e estrat�gias articuladas,
ao inv�s disso, tinha ideias amorfas
que muitas vezes eram bizarras e radicais.
Ao apresentar esses conceitos e ideias abstratas
para seus subordinados,
ele os convidava a redigirem pol�ticas para ele,
para bolar ideias e estrat�gias que o agradassem.
Tudo em toda a m�quina governamental
vivia tentando descobrir o que ele queria.
Esse processo levou a uma radicaliza��o,
ou, como dizem os historiadores, uma radicaliza��o cumulativa da Alemanha.
BERLIM 10 DE MAIO DE 1933
A era do intelectualismo judeu exagerado
chegou ao fim.
JOSEPH GOEBBELS PROPAGANDISTA-CHEFE
O advento da revolu��o alem�
abriu caminho para os alem�es.
Assim que os nazistas consolidaram seu controle do governo,
uma das coisas que eles queriam fazer era eliminar elementos indesejados
da vida intelectual, cultural, est�tica,
atrav�s de uma famosa s�rie de queima de livros.
Os nazistas precisavam assumir o controle do aparato cultural,
controlar a imprensa e o r�dio de forma que os permitisse
se apresentarem como gostariam de ser vistos.
O pr�ximo passo foi nazificar a sociedade
e a pol�tica-chave para tal foi algo chamado de Gleichschaltung,
traduzido como "coordena��o."
Em suma, versava que todos os elementos organizados
da vida social, da sociedade civil,
precisariam ser nazificados.
Muitas pessoas participaram ansiosa e voluntariamente.
Ser mais nazista que o vizinho
permitiu avan�os sociais e profissionais,
pois o Partido Nazista controlava tudo.
E igualmente importante,
dava a sensa��o de pertencer a uma comunidade.
A coordena��o do Gleichschaltung inclu�a at� diferen�as em cumprimentos.
Em vez de dizer Guten Tag, "ol�,"
as pessoas come�aram a dizer "Heil Hitler",
usando a sauda��o nazista.
Todas as associa��es, por exemplo, clubes de xadrez ou de futebol,
foram trazidas para o controle das organiza��es do Partido Nazista.
Queriam atrair especialmente a juventude,
tornando a Juventude Hitlerista cada vez mais importante para o regime,
de forma que, no final dos anos 30,
A filia��o � Juventude Hitlerista tornou-se obrigat�ria.
Faziam as mesmas atividades que grupos juvenis tradicionais,
mas tamb�m eram instrumentos de doutrina��o ideol�gica.
Eram lugares onde as pessoas aprendiam o que era ser um verdadeiro alem�o,
segundo os nazistas.
Aprenderam uma certa vis�o de uma masculinidade militarizada,
central para a idealiza��o que os nazistas tinham da Alemanha.
Alem�o � o sangue do soldado
Cora��o alem�o e coragem alem�
Feitos de a�o e ferro...
Em v�rios fins de semana, vagando pelas grandes florestas
que cercavam Berlim,
eu encontraria grupos da Juventude Hitlerista.
Foi algo desanimador
ver Hitler dominar a juventude alem�,
envenenar sua mente,
e prepar�-la para os fins funestos que planejara.
Eu n�o acreditava ser poss�vel at� ver com meus pr�prios olhos.
Tudo o que era feito seria para o bem da na��o,
visando melhorias para a na��o.
Havia at� grupos de mulheres e meninas, grupos femininos.
Raios solares s�o um prazer Sorria para n�s em um dia jovial...
Todas em defesa de diferentes aspectos do nazismo.
Ser m�e era virtude na Alemanha nazista,
ent�o o maternalismo era muito importante.
Um dos objetivos desta pol�tica de coordena��o
foi a cria��o do que os nazistas chamavam de Volksgemeinschaft,
de uma comunidade popular.
Era uma vis�o racial abrangente
do que os nazistas esperavam que a Alemanha se tornasse.
A chamada "ci�ncia racial" se tornou mat�ria nas escolas alem�s.
At� testes de matem�tica assumiram dimens�es antissemitas racistas.
A escola em que estudei aos seis anos foi uma das escolas especiais de Hitler,
que ele montou para o treinamento de sua futura elite de l�deres.
Vimos publica��es em que judeus eram retratados
como sendo gordos,
vorazes, feios,
com grandes narizes aduncos.
E essas fotos me marcaram por mais tempo
do que qualquer impress�o verbal que pudesse ter ouvido.
Racismo e eugenia,
a ideia de que alguns s�o mais que outros
por causa do tom da pele,
por causa de sua linhagem,
essa ideia n�o era exclusiva da Alemanha.
A eugenia era muito popular nos EUA.
Foi bastante difundida em todo o pa�s.
Havia pessoas importantes engajadas nessas ideias,
tentando determinar a superioridade e inferioridade de ra�as.
Tamb�m usaram tais ideias para codificar a lei e criar pol�ticas
por exemplo, cotas de imigra��o.
Havia uma quantidade definida de pessoas que podiam migrar para os EUA.
Hitler a achou uma �tima forma
de construir, nos EUA, o tipo de na��o que ele queria na Alemanha.
Os nazistas tamb�m foram influenciados pelas leis Jim Crow.
Na �poca, no sul dos EUA,
essas leis impunham segrega��o, identifica��o e separa��o racial.
Afro-americanos vivendo no sul dos EUA
eram tratados como cidad�os de segunda classe
e sujeitos � viol�ncia regularmente.
S� PARA BRANCOS
Os nazistas viam as leis raciais Jim Crow como um modelo
de como implementar leis semelhantes na Alemanha nazista.
J�RI DE NUREMBERG 26 DE ABRIL DE 1946
Repitam depois de mim.
Juro por Deus...
o todo-poderoso e onisciente...
JULIUS STREICHER R�U - PROPAGANDISTA NAZISTA
...que eu direi a pura verdade.
E nada omitirei ou acrescentarei.
Sente-se.
HANS MARX ADVOGADO DE DEFESA
Em 1935, no com�cio do partido em Nuremberg,
as chamadas "leis raciais" foram sancionadas.
O senhor foi consultado sobre o planejamento e a prepara��o
do projeto de tal lei?
E teve alguma participa��o nisso,
especialmente em sua prepara��o?
Sim, creio ter participado,
durante anos,
eu havia escrito
que qualquer mistura adicional...
de sangue alem�o com sangue judeu
deve ser evitada.
Escrevi artigos assim reiteradamente.
Nunca tive est�mago para aguentar Julius Streicher,
o s�dico e doentio assediador de judeus de Nuremberg.
Quase at� o fim,
Hitler adorava esse psicopata pervertido,
o chefe nazista da Franc�nia
e editor do horrivelmente vulgar peri�dico popular antissemita,
Der St�rmer.
OS JUDEUS S�O NOSSO AZAR!
Voc� era favor�vel � opini�o
que a lei aprovada em 1935
representou a melhor solu��o
para a quest�o judaica pelo Estado?
Com reservas, sim.
Eu estava convencido de que, se o programa do partido fosse executado,
a quest�o judaica seria resolvida.
NUREMBERG 15 DE SETEMBRO DE 1935
Em 1935,
Hitler e os nazistas tentaram codificar
o status dos judeus na Alemanha.
Proponho ao Reichstag que as leis sejam adotadas,
que o Presidente do Reichstag e correligion�rio G�ring ler�.
A primeira e a segunda lei t�m uma d�vida de gratid�o com o movimento
cujo s�mbolo fez a Alemanha retomar sua liberdade.
Os nazistas j� tinham implantado
uma s�rie de medidas legais e ad hoc
visando excluir os judeus da vida alem�.
Foi a tentativa deles de criar uma base legal est�vel para isso.
S� nacionais de sangue alem�o ou similar podem ser cidad�os do Reich,
aqueles cujo comportamento demonstre
que est�o dispostos e capazes
a servir com grande fidelidade ao povo alem�o e ao Reich.
As Leis de Nuremberg privavam os judeus da cidadania alem�,
os relegando ao status inferior de "s�ditos".
Proibiam o casamento entre judeus e arianos,
e rela��es extraconjugais entre eles.
Hitler, conforme repetido pelos trastes do partido,
havia se tornado a lei.
N�o havia outra no Terceiro Reich.
Ao nosso F�hrer, o salvador e guerreiro,
- Salve a Vit�ria! - Salve!
Embora os nazistas vissem o judeu como uma categoria racial,
tiveram de recorrer a uma defini��o religiosa.
Ent�o o que os nazistas disseram foi que voc� contaria como sendo judeu pleno
se tivesse quatro ou tr�s av�s
que estivessem oficialmente na lista de uma comunidade judaica.
Se tivesse um ou dois av�s judeus, seria considerado
o que era chamado em alem�o de Mischling, ou um mesti�o.
MESTI�O DE PRIMEIRO GRAU
Nos primeiros anos do Terceiro Reich,
havia muito ativismo de base,
muita viol�ncia nas ruas contra os judeus, realizada pela SA,
mas tamb�m por alem�es comuns.
Ent�o, muitos judeus alem�es
viram as Leis de Nuremberg como dotadas de um car�ter estabilizador
e, de certa forma, de regras claras.
"Temos regulamenta��o legal acerca da situa��o."
"Podemos nos adequar e sobreviver."
Alem�es n�o queriam matar judeus.
N�o viam aquilo como o in�cio da segrega��o
ou como um passo rumo ao genoc�dio.
Hoje vemos esse isolamento e roubo de direitos humanos
como cruciais,
mas n�o foi o que a maioria dos alem�es pediu.
Eles pediram melhorias na economia.
Muitos alem�es, provavelmente a maioria,
apoiou ativamente o regime.
E parte da raz�o para isso
foi o sucesso dos nazistas em resolver a Grande Depress�o.
Partiram de uma situa��o em que, no in�cio dos anos 30,
milh�es de alem�es estavam desempregados
para uma situa��o de pleno emprego.
Ent�o, para os alem�es comuns, era um milagre,
especialmente se olhassem para os EUA ou para a Gr�-Bretanha,
que ainda lutavam contra a Depress�o em 1935, 1936, 1937.
Os nazistas levaram muito cr�dito onde n�o era devido.
Exploraram planos j� existentes de obras p�blicas,
como a Autobahn, a rodovia,
e isso se tornou um s�mbolo muito potente
de propaganda nazista sobre o combate ao desemprego.
Os nazistas aumentaram muito tamb�m os gastos com armamentos.
Introduziram o servi�o militar obrigat�rio em 1935,
ent�o muitos que constavam no registro de desempregados
foram retirados de l� quando foram convocados para o Ex�rcito.
Al�m da estabilidade econ�mica b�sica,
havia a no��o da exist�ncia de oportunidades de participa��o,
o que fez os alem�es sentirem que estavam tendo um impacto
em suas vidas di�rias.
Quem quer, consegue,
especialmente se quiser ficar em forma.
As festas do For�a pela Alegria ocorrem em Hamburgo.
For�a pela Alegria � o lema, ent�o ria e fique em forma.
FOR�A PELA ALEGRIA
O �rg�o nazista Kraft durch Freude,
For�a pela Alegria,
promovia atividades de lazer para alem�es comuns.
Muitas eram locais, pequenas.
Caminhadas de domingo pelos campos, coisas assim.
Mas algumas coisas tinham um apelo mais tur�stico.
Levar as pessoas �s praias.
Cruzeiros no Mar do Norte.
A maioria dos alem�es nunca chegou perto de uma viagem do Kraft durch Freude,
mas, em termos de propaganda, era �mpar.
Se assistir a notici�rios da d�cada de 30,
a For�a pela Alegria era onipresente.
A maior surpresa veio em Wilhelmshaven, quando o F�hrer surgiu a bordo.
Estavam enviando a mensagem
de "ainda bem que n�o vivemos mais em uma democracia."
"Lembra de tanta gente desempregada e de como o tumulto na rua era terr�vel?
Agora todos fazem cruzeiros o tempo todo. � incr�vel."
� uma mensagem de propaganda muito eficaz
porque � pol�tica, mas n�o � abertamente pol�tica.
Em 1936, Hitler e o Partido Nazista haviam coordenado completamente,
atrav�s do processo de Gleichschaltung,
a pol�tica e a sociedade alem�s,
a economia, a cultura, e a vida di�ria alem�s,
que chegava a hora de focar no cen�rio internacional.
E, a essa altura,
Hitler passou a tomar medidas voltadas a uma pol�tica externa agressiva.
Tais medidas sempre pareciam acontecer em mar�o,
ent�o o termo "Surpresas de Mar�o" virou popular.
Em mar�o de 1936, houve a chamada militariza��o da Ren�nia.
ALEMANHA FRAN�A
A Ren�nia � a parte ocidental da Alemanha
ao longo do rio Reno, que faz fronteira com a Fran�a.
Como parte do acordo de paz no final da Primeira Guerra,
uma das cl�usulas era que a Alemanha n�o tinha permiss�o
de colocar militares nesta parte do pa�s.
Foi uma tentativa dos franceses de evitar outra invas�o alem�.
Mas os franceses foram intencionais ao usar soldados coloniais,
tanto da �frica quanto soldados asi�ticos da Indochina
para ocupar territ�rios alem�es.
Foi uma afronta proposital,
para mostrar que o lugar seria ocupado por povos supostamente inferiores
que estavam infligindo ainda mais humilha��o e desgra�a.
Ao enviar tropas � Ren�nia,
Hitler violava, ostensivamente, o Tratado de Versalhes
e fazia algo que era uma amea�a impl�cita � seguran�a militar francesa.
E tomou tal medida publicamente, dando um discurso perante o Reichstag
no momento em que as tropas cruzavam as pontes do Reno para a Ren�nia.
Foi um momento bem dram�tico
utilizado como pe�a de propaganda por Hitler.
Shirer e todos os correspondentes foram chamados ao Reichstag,
todos os funcion�rios do governo e fi�is seguidores.
Havia militares l� nos quais Shirer estava de olho
para ver suas rea��es.
Hitler disse, com voz grave e ressonante:
"Homens do Reichstag alem�o,
nesta hora hist�rica,
nas prov�ncias do oeste do Reich, tropas alem�s est�o marchando
rumo �s futuras guarni��es pac�ficas,
estamos unidos em dois votos sagrados..."
N�o deu para terminar.
Os 600 deputados, todos nomeados pessoalmente por Hitler,
saltaram como aut�matos,
com os bra�os em riste em uma sauda��o nazista...
e gritos de "Heil".
Os primeiros dois ou tr�s, em �xtase.
Os pr�ximos 25, em un�ssono.
TROPAS ALEM�S ENTRAM NA REN�NIA
A Alemanha alarmou o mundo p�s-guerra reocupando a �rea desmilitarizada do Reno.
Houve muita alegria, celebra��o e entusiasmo entre os alem�es
pela remilitariza��o nazista da Ren�nia.
Para os alem�es, era como "Tornar a Alemanha Grande de Novo",
ressurgindo das humilha��es ap�s a derrota na Primeira Guerra.
Fran�a e Inglaterra aceitam a situa��o,
e a nova pol�tica de apaziguar o homem armado
� a nova tocada internacional.
Os brit�nicos, em particular, concordaram com os alem�es
que certos elementos do tratado de paz do p�s-guerra eram injustos.
Hitler viu a aposta dar certo,
e isso s� fortaleceu seu ego, sua confian�a,
e a gana de continuar apostando.
O fato de os aliados ocidentais n�o responderem
tamb�m foi revelador para Hitler,
pois viu fraqueza nas democracias ocidentais,
portanto poderia continuar a pression�-las sem medo.
O que Hitler de fato quis mostrar ao mundo
� como os alem�es eram felizes,
que a Alemanha era um lugar pac�fico, pr�spero e desenvolvido.
Por tr�s anos,
os nazistas prepararam o corpo e a mente alem� para isso.
Pela primeira vez, os Jogos Ol�mpicos
assumiram um forte tom pol�tico e propagand�stico.
Hitler se lixava para os esportes.
N�o ligava para esportes internacionais, nem para esportes alem�es.
As Olimp�adas, no entanto, ofereceram a chance
de apresentar a grandeza alem� ao mundo,
apresentar a Alemanha � sua imagem,
para envolver a comunidade internacional
e refutar todos os argumentos
sobre viol�ncia, opress�o e censura,
e mostrar os feitos dele em t�o poucos anos.
Quando a comunidade internacional chegou a Berlim,
foi confrontada com uma exibi��o pr�diga.
Os nazistas removeram slogans antissemitas.
A imprensa parou de publicar a verborragia antissemita de sempre
de uma forma que n�o estava consistente
com a verve do Terceiro Reich.
Eu anuncio o in�cio dos Jogos de Berlim
em comemora��o � 11a Olimp�ada da nova era.
Uma das mensagens de propaganda que os alem�es esperavam enviar
com as Olimp�adas de Berlim
era a superioridade dos alem�es arianos racialmente puros
em termos de proeza atl�tica.
Os atletas alem�es foram bem.
Mas o problema para os nazistas
foi que a grande estrela das Olimp�adas, foco da m�dia internacional,
foi o atleta afro-americano Jesse Owens.
Ganhou v�rias medalhas de ouro.
Humilhou v�rias estrelas alem�s.
E, sobretudo,
atraiu a maior parte da aten��o da m�dia internacional.
Ele dominou os notici�rios,
foi primeira p�gina dos jornais internacionais.
Foi ele que saiu das Olimp�adas
como o �nico nome que todos lembravam.
Para os nazistas, isso foi uma humilha��o.
Estou bem feliz por ter vencido meus tr�s eventos aqui em Berlim.
Competi��o maravilhosa, um est�dio e um p�blico maravilhosos.
Os dias t�m sido �timos.
O povo alem�o tem sido bem gentil comigo,
estou alegre em mostrar meu talento aqui. Obrigado.
As Olimp�adas de 1936 deram um grande impulso
� reputa��o internacional do Terceiro Reich.
Muitos visitantes voltaram a seus pa�ses,
e acreditaram numa imagem de alem�es vivendo em harmonia com o regime nazista.
William Shirer cobriu as Olimp�adas pela CBS via ag�ncia Hearst, em Berlim.
E americanos famosos e outros estrangeiros foram a Berlim para as Olimp�adas.
Pessoas influentes como Charles Lindbergh,
viram tudo, saindo com uma boa impress�o dos alem�es
e tamb�m de Hitler.
William Shirer os considerou ing�nuos.
Tiveram uma impress�o totalmente falsa
do que estava acontecendo na Alemanha, e n�o haviam visto o lado ruim.
Come�ou a escrever sobre como os nazistas haviam disfar�ado o antissemitismo.
Os alem�es viram isso e o Minist�rio da Propaganda
e v�rios outros oficiais de alto escal�o
perderam completamente a estribeiras.
Foram para cima dele, acusando-o de escrever not�cias falsas.
Tess ligou o r�dio bem a tempo de ouvirmos um ataque pessoal contra mim.
Insinuando que eu era um judeu sujo,
tentando afundar os Jogos Ol�mpicos
com hist�rias falsas sobre os judeus e oficiais nazistas l�.
As primeiras p�ginas dos vespertinos
estavam cheias de histeria nazista contra mim.
Fui ao Minist�rio da Propaganda,
invadi a sala do encarregado da imprensa internacional
e exigi um pedido de desculpas na imprensa e no r�dio alem�es.
Ele come�ou a rosnar.
Fiz o mesmo e o desafiei a me expulsar.
Mas comecei a perceber o que eu deveria saber.
Aquilo n�o daria em nada,
que ningu�m, muito menos ele,
tinha o poder ou a dec�ncia
de corrigir uma pe�a de propaganda nazista depois de lan�ada,
inobstante o tamanho da mentira.
Uma das ironias das Olimp�adas
e da propaganda que as acompanhava,
� que enquanto elas aconteciam,
Heinrich Himmler, rec�m-tornado chefe das for�as policiais alem�s,
mandou erguer um novo campo de concentra��o
ao norte de Berlim, chamado Sachsenhausen.
Heinrich Himmler foi um dos arquitetos mais importantes
da pol�tica racial nazista.
Ele era o encarregado da SS.
N�o estava sujeito � lei, ou a quaisquer v�nculos.
Respondia diretamente a Hitler,
ou seja, a SS funcionava como um estado dentro de um estado.
Em 1936,
Himmler estava trabalhando em estabelecer
a chamada segunda gera��o de campos de concentra��o,
projetados para extrair m�o de obra da popula��o internada,
e n�o apenas para cont�-los.
CAMPO DE CONCENTRA��O
Ainda n�o era a inten��o dos nazistas
prender um grande n�mero de judeus alem�es.
Em vez disso, a �nfase estava nos "antissociais",
pessoas que n�o se conformavam,
pessoas que n�o se encaixavam na vis�o do Volksgemeinschaft,
a idealiza��o da comunidade do povo.
Aqueles que pareciam capazes de trabalhar,
mas n�o o faziam regularmente,
alco�latras,
pequenos delinquentes,
criminosos reincidentes.
Tamb�m passaria a incluir homens gays
como alvo particular do regime.
O campo de concentra��o de Sachsenhausen
refletia a radicaliza��o da pol�tica interna nazista.
Refletia tamb�m a escalada dram�tica da pol�tica racial nazista.
Foi constru�do em 1936.
1936 tamb�m foi o ano
onde o regime nazista tomou medidas distintas
para preparar a sociedade alem� para a guerra.
J�RI DE NUREMBERG 18 DE MAR�O DE 1946
O Plano de Quatro Anos tinha como objetivo
deixar toda a economia pronta para a guerra, correto?
Havia duas tarefas a cumprir.
Primeiro, proteger a economia alem� contra crises.
Em suma, torn�-la imune �s flutua��es de exporta��o,
e com rela��o � comida, de flutua��es na colheita,
o m�ximo poss�vel.
Segundo, torn�-la capaz de resistir a um bloqueio.
O que significa que, � luz das experi�ncias da Primeira Guerra,
posicion�-la de tal forma que, numa segunda guerra mundial,
um bloqueio n�o teria consequ�ncias t�o desastrosas.
Busco uma resposta direta, se poss�vel.
Voc� n�o disse que era sua tarefa,
dentro de quatro anos,
deixar toda a economia pronta para a guerra?
Disse isso ou n�o?
Claro que eu disse isso.
Hitler escreveu um memorando secreto
que ficou conhecido como Plano de Quatro Anos,
e ele nomeou G�ring como o chefe
de uma nova autoridade, o Escrit�rio do Plano de Quatro Anos.
A dire��o estava clara.
A Alemanha estaria pronta para a guerra em quatro anos.
Hermann G�ring, na d�cada de 1930, era conhecido
como copiloto na Alemanha nazista.
Era o bra�o direito de Hitler.
Era pau para toda obra, enviado para fazer trabalhos distintos.
Isso estava de acordo com o conceito geral de trabalhar para o F�hrer,
criando diversos �rg�os que competiriam entre si
para chegar ao fim pol�tico que Hitler quisesse.
Hitler n�o estava nem a� para procedimentos burocr�ticos.
Achava que, como um verdadeiro l�der, sua tarefa era focar em grandes problemas.
Hitler era incapaz de fazer amizade.
Hitler s� se importava com a pol�tica.
Hitler n�o tinha vida privada.
Uma das poucas pessoas que foram quase amigas de Hitler
foi Albert Speer.
ALBERT SPEER ARQUITETO
Quando jovem, Hitler sonhava em ser arquiteto.
Viu ent�o um grande talento naquele jovem arquiteto.
Speer tamb�m era bonito.
Vinha de uma fam�lia rica, e era bem articulado.
Speer claramente tratava Hitler como um �dolo, um her�i.
Ent�o o relacionamento deles tinha essa adora��o do lado de Speer
e rela��o paterna de mentor do lado de Hitler.
Hitler achava que estava criando o que seria um Reich de Mil Anos,
e Berlim seria uma esp�cie de capital imperial do mundo.
Berlim seria a Germ�nia,
teria um conjunto enorme de avenidas indo para o centro da cidade,
um novo aeroporto enorme.
Teria um Arco do Triunfo muito maior que o franc�s,
um sal�o com uma redoma maior que a de S�o Pedro em Roma.
Tudo era grandioso, enorme, monumental.
Quando o pai de Albert Speer o visitou e conheceu Hitler
e viu aqueles modelos,
ficou estupefato e disse que estavam loucos.
Hitler estava convencido de que era um homem do destino.
Estava convencido de que s� ele poderia liderar a Alemanha
rumo � grandeza a que estava destinada,
e sentia que precisa garantir a vit�ria para a Alemanha
enquanto ainda era jovem e robusto o bastante
para ser o tipo de l�der que s� ele poderia ser.
Hitler n�o sabia exatamente quando iria para a guerra,
mas sabia que precisava de um aliado.
E o aliado mais adequado para ele foi a It�lia de Mussolini.
Benito Mussolini e Adolf Hitler eram aliados ideol�gicos,
no caso, a ideologia do fascismo.
A pol�tica n�o era cultivada atrav�s de debates,
mas atrav�s da viol�ncia.
Era a cren�a em uma ordem mundial
onde os mais fortes prevaleceriam sobre os mais fracos,
incluindo institui��es.
CORREIO ITALIANO
Mussolini chegou ao poder na It�lia em 1922, muito antes de Hitler.
Ent�o ele se via como o ditador s�nior,
e Hitler pareceu aceitar isso.
Mas divergiam em rela��o � �ustria.
Mussolini fingia defender a independ�ncia austr�aca,
mas Hitler sempre foi um nacionalista pan-alem�o
desde jovem, na �ustria.
A ideia de incorporar a �ustria alem� � Alemanha
era algo em que ele pensava havia muito tempo.
Hitler estava de olho na �ustria em seus preparativos para a guerra.
A �ustria tem ferro e outros recursos que Hitler achava que seriam ben�ficos.
Ent�o, em 1937, Benito Mussolini fez uma visita de estado
a Berlim para ver Hitler.
E Hitler cortejou Mussolini.
Queria mostrar a Mussolini que a Alemanha era uma parceira vi�vel.
Os nazistas n�o pouparam gastos na visita.
Fizeram de tudo para criar grandes eventos.
Passearam com Mussolini pela Alemanha.
Mostraram o vigor das for�as armadas alem�s, a Wehrmacht.
N�o houve d�vida de que esta reuni�o cimentou a alian�a
entre os dois ditadores e seus regimes.
No final, Mussolini e Hitler concordaram
que a It�lia desistiria de ser a defensora da �ustria.
Ent�o, em fevereiro de 1938,
Hitler estava pressionando a �ustria
para estreitar la�os econ�micos.
Ele queria coopera��o militar.
A �ustria, a essa altura, j� estava sob um governo fascista
que simpatizava, ideologicamente, com Hitler,
mas que queria preservar a soberania.
BERGHOF 12 DE FEVEREIRO DE 1938
Ent�o o chanceler austr�aco, Kurt Schuschnigg, foi visitar Hitler
na Baviera, em seu retiro
para tentar acalmar as coisas entre eles.
Hitler recebeu Schuschnigg educadamente quando este chegou ao Berghof,
mas nas pr�ximas horas,
Hitler tentou intimidar Schuschnigg
para concordar com exig�ncias imposs�veis, segundo o pr�prio Schuschnigg.
Colocar austr�acos pr�-nazistas em posi��es importantes
no governo austr�aco para organizar uma uni�o econ�mica
entre os dois pa�ses,
e tamb�m para ter um controle crescente sobre a pol�cia e os militares austr�acos.
E isso � algo que Kurt von Schuschnigg
n�o queria que acontecesse, porque sabia que seria o fim,
na pr�tica, da �ustria como um estado independente.
Hitler o encurralou,
o tratou de forma condescendente e rude, como se fosse um moleque.
O repreendeu, gritou com ele,
e intimidou Schuschnigg at� que aceitasse um novo acordo
que dava aos alem�es tudo o que eles queriam.
Depois de suportar a intimida��o de Hitler no Berghof,
Schuschnigg retornou a Viena
e decidiu realizar um plebiscito
propondo uma unifica��o com a Alemanha nazista.
Achava que se a grande maioria dos austr�acos
votasse a favor de cooperar com a Alemanha,
mas ainda quisesse permanecer um estado soberano,
ganharia apoio internacional
para resistir �s exig�ncias alem�s mais agressivas.
O medo de Hitler, claro, era que a vota��o n�o fosse a contento
e que a maioria dos eleitores rejeitasse a uni�o com a Alemanha nazista,
e foi nessa altura que ele come�ou a mobilizar
uma invas�o do pa�s.
J�RI DE NUREMBERG 6 DE JUNHO DE 1946
Hitler, quando soube
que Schuschnigg ia obter a opini�o
do povo por plebiscito,
decidiu invadir imediatamente, n�o foi?
Sim, o que me foi dito � que quando ele soube que haveria uma
viola��o grotesca da opini�o p�blica
atrav�s do truque de um plebiscito,
ele disse que certamente n�o toleraria isso
sob nenhuma circunst�ncia, e foi o que ouvi.
Ele n�o toleraria que a opini�o p�blica fosse ouvida.
Ele n�o toleraria um truque que aviltasse a opini�o p�blica.
Foi o que me disseram.
Ent�o as For�as Armadas da Alemanha entraram na �ustria?
Foi isso?
Isso mesmo. A Wehrmacht entrou.
E a �ustria, a partir daquele dia, foi beneficiada pelo Nacional-Socialismo?
N�o foi?
� uma pergunta pol�tica.
Poderia muito bem ter se tornado o pa�s mais feliz do mundo.
O Anschluss da �ustria n�o foi uma invas�o.
Normalmente, quando h� uma invas�o
de uma pot�ncia estrangeira em outro pa�s,
h� resist�ncia militar.
�USTRIA MAR�O DE 1938
Na �ustria, n�o houve resist�ncia militar.
Os soldados alem�es foram recebidos com grande entusiasmo.
Surpreendeu muita gente, incluindo o governo austr�aco,
tanta receptividade �s tropas alem�s.
� bom lembrar que a popula��o da �ustria p�s-Primeira Guerra
era esmagadoramente alem� em sua composi��o,
e a maioria daquelas pessoas era favor�vel � uni�o com a Alemanha.
Quando Hitler entrou na �ustria, viajou por Braunau, sua terra natal.
Ele viajou por Linz,
a cidade onde viveu sua juventude nada glamorosa,
e ent�o ele entrou em Viena.
Foi um triunfo pessoal para Hitler.
Havia sido um mendigo em Viena.
Antes da Primeira Guerra, havia sido um ningu�m em tal cidade.
Agora, ele retornava a Viena, cerca de 25 anos depois,
como o l�der do destino
que traria a �ustria de volta � Alemanha.
At� aquele momento,
o plano era transformar a �ustria em um estado cliente subordinado,
mas aquele entusiasmo popular convenceu Hitler
que ele poderia, simplesmente, anexar a �ustria
e incorpor�-la ao Reich alem�o.
Homens e mulheres alem�es,
proclamo agora uma nova miss�o para este pa�s.
Corresponde ao mandamento que outrora chamou os colonos alem�es
de todas as partes do antigo Imp�rio para este lugar.
Doravante, o mais antigo territ�rio do povo alem�o
ser� o baluarte mais jovem da na��o alem�,
e, portanto, do Reich alem�o!
Para Hitler, o Anschluss
foi um dos maiores triunfos pessoais de sua vida.
Ele se gabou de ter corrigido uma das maiores injusti�as hist�ricas,
ou seja, a �ustria ter sido separada da Alemanha.
Como o F�hrer e o chanceler
da na��o alem� e do Reich,
eu anuncio diante de toda a hist�ria alem�
a entrada da minha p�tria no Reich alem�o.
JUDEU
Para os judeus austr�acos, o Anschluss foi uma cat�strofe.
Eram uma das maiores popula��es judaicas na Europa Central,
concentrada na cidade de Viena.
Quando os nazistas assumiram o controle da �ustria,
judeus austr�acos enfrentaram todo o processo
de exclus�o, discrimina��o, expropria��o
que se desenrolou na Alemanha nos quatro anos anteriores
de forma dr�stica e r�pida.
A SA e a SS ca�avam centenas de judeus nas ruas,
ou os arrancavam de suas casas
para limpar as latrinas dos quart�is e outros pr�dios ocupados.
Eu nunca tinha visto cenas t�o humilhantes em Berlim ou Nuremberg,
ou tanto sadismo dos nazistas.
Depois que Hitler entrou,
um amigo n�o judeu que eu conhecia h� muitos anos
me jogou na rua e me fez limpar a rua,
e me chamou de "Du sau Jude", "porco judeu".
Na semana seguinte, os bancos nos parques
j� contavam com placas proibindo judeus.
Judeus foram demitidos.
Pessoas desapareceram.
Pessoas morriam de medo.
Houve um grau de brutalidade e barbaridade
totalmente novo.
Representou uma grande escalada na persegui��o antissemita nazista.
O MESMO SANGUE PERTENCE A UM REICH UNIDO
Shirer come�ou a fazer reportagens ao vivo para a CBS em 1937,
e na �poca do Anschluss, em mar�o de 1938,
Shirer estava morando em Viena.
E a esposa de Shirer, Tess, teve uma gravidez muito dif�cil.
Minha m�e teve complica��es ap�s a cesariana
e ficou muito doente por v�rias semanas.
Ela tinha um obstetra judeu
que teve de se esconder,
e com raz�o.
Mas em certo momento
ela precisou de outra opera��o,
e ele a operou em segredo.
Mas ela levou muito tempo para se recuperar.
Ent�o meu av� queria tirar minha av� de Viena,
e queria lev�-la para Genebra,
onde ela e minha m�e Eileen estariam seguras.
N�o era f�cil deixar a �ustria ap�s a domina��o de Hitler.
A Gestapo estava � espreita,
n�o s� para judeus e dissidentes locais, mas para estrangeiros.
No aeroporto de Aspern, expliquei ao chefe da Gestapo
que Tess n�o conseguia se levantar
e eu revistaria a bagagem com ele.
Enquanto revistavam as malas dos meus av�s,
minha av� foi levada pelos oficiais
para ser revistada.
Expliquei que ela estava enfaixada por perigo de infec��o.
Me chamaram de lado.
Me mandaram esperar.
Ouvi a trava girar.
Eu estava preso.
Ent�o ouvi Tess gritar: "Bill, est�o me levando para me despir!"
Os inspetores alem�es insistiram em tirar as ataduras.
Pareceram suspeitar
que meus pais estavam tentando tirar dinheiro do pa�s.
Acharam que as ataduras eram falsas,
mas descobriram muito rapidamente que n�o eram.
Foi extremamente doloroso e constrangedor,
e Shirer estava totalmente enfurecido.
Conseguiram entrar no avi�o s� porque o piloto su��o do mesmo
entendeu a situa��o e segurou o avi�o para eles.
Sobrevoamos os Alpes at� a Su��a.
Sanidade, civiliza��o e liberdade
depois do b�rbaro pesadelo nazista.
J�RI DE NUREMBERG 29 DE ABRIL DE 1946
A promotoria sup�e que, em 1938,
um tratamento mais severo
foi introduzido contra os judeus.
� verdade? E qual � a explica��o?
Sim, claramente, em 1938,
a quest�o judaica entrou em uma nova fase.
Quanto a isso, s� posso dizer
que n�o houve confer�ncia preliminar sobre o assunto.
Imagino que o F�hrer,
impulsivo como ele era, e agindo no calor do momento,
s� chegou, provavelmente no dia 9 de novembro,
a dizer ao Dr. Goebbels:
"Diga �s organiza��es
que as sinagogas devem ser incendiadas."
Eu n�o participei de tal reuni�o.
ALEM�ES N�O COMPRAM DE JUDEUS
Os nazistas vinham tentando tirar os judeus da Alemanha h� anos,
mas, em 1938, a maioria dos judeus alem�es permanecia.
Pode parecer estranho hoje,
mas vale lembrar que eles n�o sabiam o que estava por vir.
Os nazistas estavam frustrados com a situa��o,
e ap�s a anexa��o da �ustria,
Adolf Hitler e Joseph Goebbels buscavam a oportunidade
para acirrar a persegui��o antijudaica.
ERNST VOM RATH ALVEJADO EM EMBAIXADA
A oportunidade veio quando um refugiado judeu em Paris
matou um diplomata alem�o servindo l�.
A not�cia da morte do diplomata chegou em 9 de novembro de 1938,
e, para os nazistas,
era o momento que eles esperavam.
Hitler usou o assassinato
como pretexto para retaliar contra os judeus alem�es,
para deixar claro que a vida judia n�o era mais bem-vinda,
e n�o seria mais tolerada na Alemanha nazista.
ALEMANHA 9 DE NOVEMBRO DE 1938
Ent�o, atiraram as for�as de seguran�a, a SA, a SS e a pol�cia,
contra judeus em cidades da Alemanha.
ALEM�ES! DEFENDAM-SE! N�O COMPREM DE JUDEUS!
Ver meu pai levar um soco
e ver isso sendo feito com a minha m�e
foi uma experi�ncia assustadora e dolorosa.
Ouvimos vidro quebrando.
Minha m�e disse que ir�amos morrer.
Eu n�o sabia o que era morrer,
mas ela estava chorando, e eu chorei.
ATEN��O JUDEUS
Atacaram e saquearam lojas de judeus.
Queimaram sinagogas.
Arrastaram judeus pelas ruas.
Bateram neles sem piedade.
Os eventos de 9 de novembro de 1938
s�o chamados de Kristallnacht,
"Noite dos Cristais".
N�o s� vidro foi quebrado ou estilha�ado,
quase cem pessoas foram assassinadas de forma brutal pelos nazistas.
At� 30 mil homens judeus foram desfilados de forma humilhante
pelas ruas da Alemanha e levados para campos de concentra��o.
Nazistas apresentaram aquilo
como um arroubo repentino de antissemitismo popular.
Isso � um mito, uma inven��o.
Uma mentira nazista.
A Noite dos Cristais,
usando o termo eufem�stico,
foi um massacre antissemita coordenado
que uniu a viol�ncia antissemita patrocinada pelo Estado
com viol�ncia antissemita de base.
HORROR ANTISSEMITA
Depois de toda essa viol�ncia nazista praticada contra comunidades judaicas,
a comunidade judaico-alem� foi for�ada a pagar pelos danos.
� claro que � totalmente perverso,
mas est� de acordo com a persegui��o nazista aos judeus.
Depois da Noite dos Cristais,
Hitler e os nazistas n�o decidiram como resolveriam
o que eufemisticamente chamavam de Problema Judaico ou Quest�o Judaica.
Os eventos da Noite dos Cristais
mostraram que parte da solu��o
envolveria assassinato, viol�ncia e encarceramento em massa.
Hitler fez um famoso discurso em 30 de janeiro de 1939,
no anivers�rio de sua nomea��o como chanceler do Reich em 1933.
Ele fez um pronunciamento catastr�fico.
BERLIM 30 DE JANEIRO DE 1939
Se financistas judeus internacionais dentro e fora da Europa
conseguirem mergulhar as na��es mais uma vez em uma guerra mundial,
n�o haver� a bolcheviza��o da Terra, ou seja, a vit�ria dos judeus,
mas sim a aniquila��o da ra�a judaica na Europa!
Eu sabia que havia pouca esperan�a para os judeus,
mas por algum motivo,
a amea�a publicamente expressa pelo ditador
n�o soou muito forte para mim.
Assassinatos em massa ainda n�o eram reais.
E eu n�o conseguia entender que poderiam se tornar.
Afinal, a Alemanha era um pa�s crist�o
com uma cultura europeia profunda e rica.
Hitler repetiu a amea�a cinco vezes
em outras declara��es p�blicas no ano.
Minha ingenuidade acerca dos projetos dele era maior do que eu imaginava.
Mas ningu�m pode dizer que Adolf Hitler n�o avisou
do mundo b�rbaro que ele pretendia criar.
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