All language subtitles for El Elegido (2016)

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Original subtitles

Em 1917, a Revolu��o Russa foi vitoriosa.

Com Lenine, Trotsky foi um dos principais protagonistas e ideologistas.

Trotsky fundou o Ex�rcito Vermelho

e conseguiu derrotar at� 14 ex�rcitos

que tentavam acabar com o movimento revolucion�rio.

Quando Estaline subiu ao poder,

Trotsky n�o hesitou em confront�-lo e aos seus m�todos criminosos,

denunciando o que considerava ser uma trai��o � Revolu��o.

Exilado e perseguido,

Trotsky e a sua esposa, Natalia, chegaram em 1936 ao M�xico,

o �nico pa�s no mundo que se atreveu a conceder-lhes asilo.

Foi dali que impulsionou a cria��o da Quarta Internacional Comunista,

um movimento destinado a recuperar o esp�rito original

da causa revolucion�ria, e a acabar com o poder de Estaline.

Em 1937,

receoso face � crescente influ�ncia internacional do seu advers�rio,

Estaline deu uma ordem � GPU, a sua implac�vel Pol�cia Secreta:

matar Trotsky.

- Sou o Coronel Leandro S�nchez Salazar. - Levante-se!

Lamento conhec�-lo numa situa��o t�o infeliz.

N�o sei porque estou aqui

e n�o sei porque me bateram.

Espanhol?

Porque n�o ficou no seu pa�s?

� l� que est�o em guerra...

... e n�o no M�xico.

Quando conseguir falar com quem o enviou,

diga-lhe que o Coronel Salazar estar� � espera deles,

para evitar que aconte�a algo ao nosso convidado,

Don Leon Trotsky.

ESPANHA, 1937

Para as trincheiras!

Toda a gente para as trincheiras!

Todos para as trincheiras!

Mantenham as posi��es!

Para as trincheiras!

Ram�n!

Merda! O que fazes, Ram�n?

Deem cobertura ao Ram�n!

N�o parem de disparar!

Algu�m o ajude!

Disparem! Disparem!

J� o temos!

Depressa! Para a enfermaria!

Cabr�o!

Devia prender-te agora mesmo!

N�o ganharemos com desobedi�ncias!

Iam mat�-lo, Capit�o!

Iam mat�-lo...

Aquele mi�do j� est� morto.

Devia prender-te, mas n�o vou faz�-lo.

Hoje recebi uma boa not�cia.

Sou pai de uma menina.

Parab�ns, Capit�o.

Festejamos mais logo.

Capit�o!

Capit�o.

M�dico!

Um m�dico, merda!

Capit�o...

Capit�o?

Vai ver a sua namorada?

A minha namorada?

Quem me dera t�-la aqui.

Voc� � o �nico que se arranja para jantar.

Estou a morrer, Ram�n.

Aqueles cabr�es mataram-me.

N�o vai morrer.

A ambul�ncia vai lev�-lo ao hospital.

Apenas lamento...

... n�o ter segurado a minha filha.

Capit�o.

Lembro-me de chegar � frente.

Vim com um grupo de volunt�rios de Barcelona.

Todos pens�mos que a guerra acabaria em poucas semanas,

portanto, n�o par�vamos de cantar e de rir por tudo e por nada.

Mas mal sab�amos agarrar numa arma,

quanto mais dispar�-la.

Mas o Capit�o uniu-nos.

Sem deixar de sorrir...

Filho da m�e.

Disse que a maioria de n�s n�o voltaria a ver as mulheres e os filhos,

nem os pais ou as namoradas.

Pois muitos tombariam na frente.

Mas gra�as a essas mortes,

os nossos filhos viver�o numa sociedade mais justa,

sem classes, sem explora��o.

E sem padres.

Sem padres.

Por isso, vale a pena morrer.

Por um mundo com menos padres e mais justi�a.

Est�s a fazer um bom trabalho.

Mas n�o ganhamos s� nas trincheiras, a passar fome e frio.

Por isso � que vim.

Serias mais �til a trabalhar connosco.

N�o.

N�o me parece.

O meu lugar � na linha da frente.

O Partido � que sabe e decide onde um comunista � mais �til.

M�e?

Lamento pela morte do Pablo.

Agora, o teu irm�o � um her�i.

Espero n�o sair da linha da frente para n�o acabar como ele.

Adeus, meu filho.

- Camarada! - Um momento.

Posso pedir-te um favor?

QUATRO MESES DEPOIS

Quem � o seu chefe?

Suplico que me liberte, por favor.

Diga-me para quem trabalha e poder� ir.

� uma resposta muito simples.

Por favor...

Ora bem.

Isto acabou.

J� sabemos quem �.

Chama-se Ram�n Mercader.

Trabalha para a Uni�o Sovi�tica.

- O seu chefe chama-se Kotov. - � uma loucura.

Contarei at� cinco antes de disparar.

A menos que assine uma confiss�o total.

Um,

dois,

tr�s,

quatro...

Sou Kotov e, a partir de hoje, obedece �s minhas ordens.

R�SSIA

Foste aceite para avan�ares.

S� isso � um triunfo.

Est� nas tuas m�os faz�-lo ou n�o.

Tens de decidir.

Ram�n...

... se entrares, n�o poder�s sair.

Jamais. Pensa bem.

M�e...

Farei o melhor para a Revolu��o e o Partido.

Vais passar aqui muito tempo, sozinho.

Com os treinadores apenas poder�s falar dos treinos.

Pens�mos que poderias querer alguma companhia.

Chama-se Brunete.

Chamas-te Jacques Mornard e nasceste a 22 de dezembro de 1905, em Bruxelas.

Nasceste uns dias antes do Natal. Eras lindo.

Tinhas muito cabelo, preto. A tua escola era perto de casa...

Estudei numa escola jesu�ta perto de casa.

Passavas os ver�es com os teus av�s numa casa na costa.

Chamo-me Jacques Mornard. Nasci em Bruxelas h� 32 anos.

No inverno, l�amos junto � lareira.

Gostaria de ter viajado � Lua ou � volta do mundo,

como nos livros de J�lio Verne.

Um jovem sagaz e prometedor como eu.

A m�e � a minha melhor amiga e protetora.

No restaurante, deves acender um cigarro.

As senhoras gostam disso.

Ao ler um mapa, p�e os �culos. Ficas mais atraente.

Podes mostrar-me em que restaurante est�s?

Chamo-me Jacques Mornard. Nasci em Bruxelas h� 32 anos.

A minha m�e ensinou-me a comportar-me nestas situa��es.

Lembro-me sempre de ti como a crian�a feliz que eras.

Chamo-me Jacques Mornard e nasci em Bruxelas.

�s o meu filho preferido.

- Isto � imposs�vel. - Acho que cortar esta carne

� o teste mais duro de todos.

- �s suas ordens, General! - � vontade.

Apresento-lhe Jacques Mornard, um camarada belga.

Belga? Durante anos, fui adido militar na embaixada de Bruxelas.

Posso juntar-me a v�s para um caf�?

Por favor.

Tenho boas mem�rias da B�lgica,

um pa�s discreto e culto.

Onde estudou, Monsieur Mornard?

Com os jesu�tas.

- A s�rio? - Sim.

Os seus pais devem ser muito cat�licos.

N�o. Na verdade, era porque a escola ficava muito perto de casa.

Tem piada. N�o me lembro de uma escola jesu�ta nesse bairro.

� imposs�vel lembrar-se de tudo.

Parte do meu trabalho � observar e recordar.

E n�o me recordo dessa escola.

- � realmente importante? - N�o estou a mentir.

N�o digo que esteja a mentir.

O que estou a dizer � que um de n�s est� a mentir.

Responda-me!

Qual � a verdade, Monsieur Mornard?

N�o sabe qual � a verdade e a realidade?

N�o existem!

S�o apenas perce��es subjetivas.

Feitas � medida para cada indiv�duo.

Por isso � mais f�cil mentir do que dizer a verdade.

Quem mente � livre para criar as suas inven��es e dar-lhes forma.

Quem diz a verdade � prisioneiro da sua mem�ria.

Apenas julga que tem a sua pr�pria realidade.

Aquela que escolhe!

Se nunca se desviar dela,

todos a aceitar�o.

Talvez lhe interesse saber

que nunca tive o prazer de visitar

o seu encantador, discreto e culto pa�s.

Nunca.

Prossigam.

Ap�s v�rios meses de trabalho �rduo, o vosso treino chegou ao fim.

Em nome do Partido Comunista, agrade�o o esfor�o demonstrado.

Os vossos futuros pr�stimos

ser�o de grande ajuda para todo o mundo sovi�tico.

Viva a Revolu��o!

Para servir a gente trabalhadora.

� vontade.

Parab�ns, Camarada.

Est� pronto a iniciar a sua miss�o.

Mas apenas conhecer� parte dela.

Este ser� o seu novo uniforme.

Dar-lhe-emos a informa��o essencial no momento adequado.

Quanto menos souber, melhor.

� sua promo��o e ao �xito da miss�o.

Bem-vindo � GPU.

Por favor...

N�o deve deixar rasto.

Nada deve lig�-lo a este lugar.

Porqu�?

A sua miss�o n�o � fazer perguntas, s� obedecer a ordens.

N�o temos d�vidas porque algu�m j� pensou por n�s.

� isso que nos levar� � vit�ria.

Ram�n Mercader est� morto.

Daqui em diante, � Jacques Mornard.

Bem-vindo a Paris, Monsieur Mornard.

JULHO 1938, PAR�S

Pr�ximo.

TINTURARIA L'AURORE

Obrigado.

Talvez Montmartre.

Aqui t�m, minhas senhoras.

- Espero que esteja tudo bem. - Obrigada.

Onde est�o os franceses bonitos das revistas?

Tenha paci�ncia, menina. Paris n�o ir� desiludi-la.

Ruby!

Desculpa. Eu sei. N�o pensei...

- N�o. Espero que n�o me tenha visto. - Quem?

O homem que est� � porta.

- Quem �? - � t�o aborrecido.

Ruby! Que bom ver-te. N�o sabia que estavas em Paris.

E eu n�o sabia que c� estavas. Estamos c� h� alguns dias.

� a minha amiga, Sylvia Ageloff.

- Jacques Mornard, enchant�. - Prazer.

- Esperam algu�m? - N�o.

- Posso ficar convosco? - Senta-te, por favor.

Obrigado.

N�o esperava ver-te aqui.

Na verdade, vivo aqui.

- A s�rio? - Sim.

Ent�o, o que te traz a Paris?

- A mim? - Sim.

Sempre quis conhecer Paris. � uma viagem de lazer.

- � a primeira vez? - Sim.

Nesse caso, ser� um prazer mostrar-vos a cidade.

Mas n�s queremos ver mais do que a Torre Eiffel.

Claro.

Obrigado, caros amigos. Bem-vindos esta noite ao Coq.

Acabada de chegar de Nova Iorque,

a nova dan�a que deixa todos loucos, o Boogie-Woggie!

Ensina-me a dan�ar.

N�o sei...

N�o �s de Nova Iorque? Deves saber o Boogie-Woggie.

- Vamos! - Ruby...

N�o sei dan�ar.

Olha para a Ruby.

- Disse-te que estava b�beda. - Sim.

- Est�s a divertir-te? - Sim.

Esteve a chover.

- Est�s bem? - Sim.

- Muito bem. - Vamos.

Estou bem.

Ela est� bem.

Vais levantar-te? Est� um dia lindo.

- � muito cedo para mim. - Pobre Ruby.

- Bebi demasiado. - Talvez.

- Bom dia. - Obrigada.

S�o do Jacques. Vem buscar-nos para jantar.

Esse belga n�o perde tempo.

Bom dia, senhor.

- As senhoras foram avisadas. - Obrigado.

Acho que te sentir�s melhor quando sa�res do quarto.

E o jantar ser� divertido.

- N�o posso sair assim. - A s�rio?

- N�o me sinto bem. - Ent�o, fico contigo.

N�o sejas tonta! Aproveita Paris. Faz isso por mim.

N�o est�s a fazer nenhum mal.

Posso pedir-te um favor?

Sim, claro.

Usa o meu batom.

Um pouco de cor fazia-te bem.

Bom dia.

O pequeno-almo�o est� pronto.

- Queres mais? - Estou bem, obrigada.

- � a minha m�e. - O que pensaria ao ver-nos agora?

Que fui imprudente ao meter uma desconhecida em casa.

N�o sei quase nada sobre ti.

- N�o h� muito para contar. - A s�rio?

Sou psic�loga.

Trabalho com crian�as das escolas de Brooklyn.

Muitos filhos de imigrantes que mal falam Ingl�s.

Est�o perdidos num mundo que n�o compreendem

e a pobreza tamb�m n�o ajuda.

Tento ajud�-los.

�s vezes, consigo.

- �s tu? - Sou eu.

Tinha seis anos. Foi em Saint �tienne.

Passei boa parte da vida a viajar com a minha m�e.

Fui de pouca utilidade para os meus compatriotas.

Quanto tempo ficar�s em Paris?

Tenho de dizer que me sinto culpada

por n�o ter dito toda a verdade.

Est� bem.

Na verdade, vim a Paris participar na Quarta Internacional.

Sabes o que �?

N�o.

Uma nova exposi��o universal?

N�o?

� um movimento impulsionado por Lev Dav�dovich.

Certo.

Trotsky.

Est� bem.

Tenho de ter cuidado porque Trotsky tem muitos inimigos.

H� uns dias, encontraram o corpo torturado e decapitado

do seu �ltimo secret�rio a boiar no Sena.

Portanto,

entendes que tenho de ter cuidado e n�o falar demasiado.

Enquanto estiveres comigo, n�o te acontece nada.

Admiro gente empenhada.

� algo que nunca consegui fazer.

S� ficarei algumas semanas, portanto, n�o te vou exigir nada.

Sei que pare�o inocente, e talvez seja,

mas entendo a situa��o.

- Sou uma paixoneta de ver�o. - Enganas-te.

Est�s completamente enganada.

N�o ser� f�cil livrares-te de mim.

Querida Sylvia,

penso em ti a toda a hora.

Imagino caminhar a teu lado,

respirando o mesmo ar do que tu e partilhando a tua vida.

Os dias que pass�mos juntos foram os melhores da minha vida.

Sem me dar conta, procuro-te no caf� onde nos conhecemos

ou vou aos jardins que visit�mos juntos.

A minha vida � mon�tona e s� a fotografia me mant�m ocupado.

Gostava de deixar tudo para te ir procurar,

e talvez o fa�a, embora pare�a uma loucura.

Sentes o mesmo?

- Ol�. - Ol�.

Ent�o, como correu o teu dia?

- Bem, e o teu? - Bem.

Vou para o meu quarto.

Ouve, Sylvia.

Acho que chegou uma carta da Europa para ti.

Obrigada.

� imposs�vel para ti regressares a Paris?

Sonho em voltar a ver-te e espero faz�-lo � primeira oportunidade.

Escreve-me.

As tuas cartas s�o a �nica cura para a minha solid�o.

Amo-te.

Jacques.

Meu querido Jacques.

Saber que pensas em mim deixa-me muito feliz

e d�-me for�as para esperar por ti.

Aguardo as tuas cartas todos os dias

e, quando chegam, dou por mim a l�-las vezes sem conta.

Tenho muito trabalho para fazer aqui.

Estamos a criar centros para as fam�lias de refugiados.

Conseguimos abrir escolas onde n�o existiam...

... e agora, muitas crian�as j� t�m um lugar onde aprender.

Recordar os dias que pass�mos juntos faz-me sentir viva.

Je t'aime, je t'aime,

je t'aime.

Sylvia.

A primeira pe�a encaixou.

- Conseguir�s tudo dela. - Sim.

Tens de deixar de v�-la.

Agora, deves concentrar-te na miss�o.

Farei isso � tarde.

Eu fa�o-o por ti.

E agora?

Esperamos. Basta manteres a chama acesa.

No momento certo, ir�s ao M�xico, e ela ir� atr�s.

JANEIRO, 1940, CIDADE DO M�XICO

Sylvia?

Sim.

Senti a tua falta.

� lindo, Jacques.

Aqui, sou Frank Jackson.

Ser canadiano afasta-me da guerra na Europa.

Foi ideia da minha m�e.

Jackson?

Jack!

E o que fazes, Jack?

� aborrecido.

Exporto mat�rias-primas para uma empresa de Chicago.

N�o � muito interessante, mas pagam-me bem.

Est�s feliz por eu ter vindo?

Sabes que sim.

Diz-me! N�o me canso de ouvi-lo.

Fechas os cortinados?

Claro.

�s suas ordens, Coronel Siqueiros!

Seu filho da...

- Homero! - Bem-vindo, cabr�o!

� t�o bom ver-te!

Professor Siqueiros.

O que te traz por c�, cabr�o?

Venho com uns amigos.

Querem encomendar-te um quadro.

Caridad.

Porque perdemos a guerra?

Porque Hitler e Mussolini apoiaram Franco,

a Europa teve medo, a Rep�blica estava dividida...

J� chega?

Tamb�m perdemos porque havia muitos traidores.

- E o pior deles todos est� c�. - Viemos falar disso mesmo.

Agora que vivemos juntos, podemos casar.

Primeiro, quero apresentar-te a minha m�e.

Isso � importante?

Sim.

E o trabalho que n�o podias contar ao telefone?

Vou trabalhar para Trotsky.

Algumas horas por dia. O resto do tempo ser� nosso.

N�o � perigoso?

Posso arranjar-te emprego num cliente.

- Ou melhor, podes ser minha secret�ria. - N�o entendes.

� mais do que um emprego.

� um compromisso com certas ideias, uma forma de luta.

Eu sei, mas temo que te aconte�a algo.

N�o posso esquecer as coisas que me contaste.

Por isso � t�o importante continuar a lutar.

Al�m disso, o velhote j� aprendeu a defender-se.

- Tem cuidado. - Adeus.

Obrigada.

Que belo carro!

Ele disse que tem um belo carro.

Obrigado. � mesmo.

Deve ganhar bem para ter um carro desses.

Na verdade, � da empresa.

Espere!

Pode tirar-me uma fotografia com o carro?

� para o meu pai.

- Est�s � espera h� muito tempo? - N�o.

- N�o? - Passei o dia na Alf�ndega.

Dois contentores de bananas a apodrecer por causa de uma licen�a.

- E tu? - Foi ca�tico!

A imprensa estalinista continua a atacar o velhote. Temos de reagir...

Esqueci-me que a pol�tica n�o te interessa.

N�o me avisaste que eu tamb�m corria perigo.

Como assim?

Os homens armados, um tinha uma metralhadora.

- Queria uma fotografia de recorda��o. - Era o Bob Sheldon.

Disse-me que acabou de chegar de Nova Iorque.

Parece um mi�do. � mesmo engra�ado.

Mas n�o quando te aponta uma metralhadora, acredita.

Jack!

N�o tens de ter medo deles. N�o s�o perigosos,

s� simpatizantes de Trotsky.

Alguns deles t�m uma arma nas m�os pela primeira vez.

Pela primeira vez?

N�o sei o que fariam se tivessem de us�-las.

Em breve vais conhec�-los.

Obrigado.

Sim.

Obrigada.

Obrigada.

- Esta � para si. - Obrigada.

E estas s�o para ti!

Ora bem, Jack.

Uma fotografia?

Jack.

- S� uma fotografia, n�o? - N�o quero fotografias.

Jack, ela n�o quer.

� s� uma fotografia.

Por favor.

Jack, fotografa-nos.

Claro.

Pego na flor.

Outra?

Jack.

- Muito bem. - N�o.

Otto, sorri.

N�o, por favor.

As suas palanquetas,

as suas alegrias,

as suas pepitorias...

Quero propor um brinde. Ao M�xico.

Fant�stico!

A um pa�s realmente revolucion�rio, o primeiro a acolher Trotsky.

Adoro este pa�s. � t�o vibrante e alegre.

Ao M�xico!

Ao M�xico!

Para mim, � um pa�s atrasado e primitivo.

E choca-me a forma como falam. � t�o... selvagem.

O Espanhol n�o tem a eleg�ncia do Ingl�s,

a Pr�zision do Alem�o, nem a musicalit� do Franc�s.

Faz-me uma pepitoria e um caldo tlalpe�o!

Entendo o que dizes.

N�o puderam frequentar as mesmas escolas do que tu.

- Otto! Ele estava a brincar! - Estava?

O Otto tem raz�o, mas eu n�o queria ofender.

Admiro o esfor�o e o sacrif�cio que fazem pela Revolu��o,

mas n�o acredito em revolu��es.

No final, fica tudo na mesma. Uns por cima, outros por baixo.

Para qu� derramar sangue para ficar na mesma?

Negas aos oprimidos o direito de lutarem por uma vida melhor?

N�o, estou s� a dizer...

� o que ele pensa. Deixem-no falar. Nem todos se atreveriam.

Sem a luta de classes e sem esse sangue,

ainda ser�amos escravos. - Exatamente.

- Como definem estas pessoas? - N�o � essa a quest�o!

Otto, � uma opini�o.

A opini�o de quem est� por cima.

Talvez devesses ver a Hist�ria pelo outro lado.

Devem estar todos a pensar

que sou um pobre ignorante que bebeu demasiado.

- Sim. - Sim.

Mas por certo conseguirei ver a vida pelo outro lado.

Tenho alguns livros que talvez te interessem, amigo.

Aqui tem a conta.

Por favor, pago eu.

Foram todos muito gentis ao aturarem-me.

Isto � o m�nimo.

- Por favor. - Muito obrigado.

De nada.

Obrigada.

Esse � Harold Robins.

Faz parte da luta quase desde crian�a.

Conhece algumas pris�es e passou dois anos em Sing Sing.

� o chefe da seguran�a.

Otto, esteve toda a vida com o traidor e nunca sai de perto dele.

� muito desconfiado e pode ser perigoso.

O Sheldon � um rec�m-chegado.

N�o sei muito sobre ele. Parece inofensivo.

Julga estar a viver uma aventura.

Fizeste um excelente trabalho.

N�o quero passar o dia trancado no hotel.

� melhor que saias o menos poss�vel.

H� muitos refugiados espanh�is e algu�m pode reconhecer-te.

Quero participar no plano.

- N�o sirvo para esperar. - Esperar faz parte do trabalho.

Ram�n.

N�o gostas da secret�ria?

A tua miss�o � estares com ela.

Na B�lgica, as coisas n�o melhoraram

e a Batalha de Sedan foi uma derrota.

Os combates acontecem a poucos quil�metros de Bruxelas.

O Primeiro-Ministro Churchill manteve-se firme na posi��o do pa�s.

Temos � nossa frente muitos meses de luta e sofrimento.

Perguntam-me o que...

Por favor.

Charlat�o.

Esse charlat�o e os seus aliados europeus t�m fechado os olhos � besta.

H� anos que o andam a engordar.

Mas agora lamentam pois sentem as garras dele na sua carne.

Onde estavam eles quando Hitler bombardeou Espanha?

Obrigado.

N�o, por favor. Ainda n�o termin�mos.

- Perd�o! - Obrigado.

De nada.

Ent�o, est� tudo perdido?

N�o, meu querido Rosmer.

Nada est� perdido enquanto houver nem que seja uma pessoa

a manter a luta.

N�o nos esque�amos do que se passa no M�xico.

O Partido Comunista mexicano e os seus sindicatos

n�o param de pedir a cabe�a do camarada Trotsky.

� um sinal de que v�o cort�-la.

Lev, antes de chegar esse momento,

podias dar-nos um pouco mais de aten��o?

Por favor, ignora-nos.

Na tua idade, n�o deves preocupar-te com isto.

Natasha.

Continuas a ser a mais bela mulher que alguma vez conheci.

A Sylvia est� lind�ssima. E mais contente.

Parece que brilhas!

Acho que tem um motivo para isso.

Sim, chama-se Jack.

Est� no M�xico em neg�cios.

Mas n�o se interessa pela pol�tica.

- Est�o apaixonados? - Muito.

Essa � a melhor pol�tica.

Chegou o Coronel Salazar.

Deem-me licen�a.

Onde o conheceste?

Em Paris, h� pouco mais de um ano.

� estranho.

- O que � estranho? - Que tenha trocado Paris pelo M�xico.

Porque h� de ser estranho?

Aqui, nenhum de n�s nasceu no M�xico.

Vejo que n�o confia muito nos agentes

que mandei para proteg�-lo, dia e noite.

O que teme? Que o bombardeiem do ar?

- Talvez. - Tenha calma, Don Leon.

N�o me diga para ter calma!

Est� a ser preparado um ataque e n�o parece entender isso.

Quem era aquele homem?

� o chefe da Pol�cia Secreta.

O que tens aqui?

- Trotsky. - O Robins emprestou-mo.

- O Robins? - E por isso estou a l�-lo.

Mesmo? Certo.

Deves estar muito preocupado com a tua m�e.

- Porqu�? - Hitler invadiu a B�lgica.

Sim, � terr�vel.

Felizmente, a minha m�e mudou-se para a Riviera Francesa.

- Que sorte. - Sim.

- O que queria o pol�cia? - Ele � Coronel.

Esqueci-me que no M�xico todos s�o generais ou coron�is.

Trotsky queria v�-lo.

Chegaram � cidade elementos importantes da GPU.

Obrigado.

Achamos que a Pol�cia n�o acredita nessas alega��es,

mas n�o deixa de ser perigoso.

- Posso tentar saber mais. - N�o, mant�m-te desinteressado.

Isso quer dizer que a opera��o ser� abortada?

N�o, ser� antecipada.

O que tenho de fazer?

J� o fizeste.

O teu trabalho foi muito importante.

Pensei que esperavam mais de mim.

Para que um rel�gio trabalhe,

todas as pe�as s�o necess�rias.

N�o deixes o hotel nas pr�ximas noites.

E n�o deixes a tua secret�ria sozinha.

24 DE MAIO DE 1940, CIDADE DO M�XICO

Aten��o!

A Hist�ria chamou-nos a figurar numa das suas p�ginas mais importantes.

Acabaremos com um dos maiores traidores a ter nascido no seio da Revolu��o.

Para vergonha do M�xico, aqui veio refugiar-se

e aqui encontrar� o seu fim.

Falo do Judas da Revolu��o Russa!

De Leon Trotsky!

Morte a Trotsky!

- Viva a Uni�o Sovi�tica! - Viva!

Um brinde, camaradas!

Por este lado!

Vamos, vamos.

S�o soldados!

Estou?

� para ti.

Estou?

Sim.

Vou imediatamente.

O que se passa?

- S�o 65, Coronel. - O que acha, Balderas?

O mesmo que o senhor, Coronel. O mesmo que toda a gente.

Isto � uma montagem.

Ningu�m sobreviveria a este massacre.

Faz ideia de quem � respons�vel por toda esta viol�ncia, Don Leon?

Tenho a certeza de quem foi.

E sei onde pode encontr�-lo.

Ent�o, diga-me, Don Leon.

Jos� Estaline, e pode encontr�-lo em Moscovo.

Est� a mandar-me para longe, n�o?

Procure no Partido Comunista do M�xico e encontrar� a GPU de Estaline.

Eles planearam isto.

Fico no hotel, caso precises de algo.

Ligo-te quando vir como est�o as coisas.

Soltem-me! Larguem-me!

Tira uma foto!

Larguem-me! Soltem-me!

Estamos inocentes. Somos comunistas bons, estamos inocentes.

O culpado � Estaline!

Soltem-me! Estamos inocentes!

- Quem s�o os detidos? - Onde est� Leon?

Quem pode dizer-nos o que aconteceu?

Antes do fim da investiga��o, n�o podemos dar-vos uma posi��o oficial.

O mundo est� � espera de not�cias.

S� posso dizer que nem Don Leon nem ningu�m ficou ferido.

Podemos falar com Don Leon?

Isso n�o est� nas minhas m�os.

N�o � verdade. As not�cias n�o s�o verdade.

Eu mesmo vi-o contorcer-se com os tiros.

Ent�o, quem falou com a imprensa esta manh�?

Algu�m verificou se ele estava morto?

A eletricidade estava cortada. Porqu�?

Porque estava cortada?

Mandei cort�-la para os alarmes n�o tocarem.

Tem de informar Moscovo.

Moscovo j� foi informado.

Todas as impressoras do mundo est�o neste momento a dar a not�cia do fracasso.

Garanto-lho.

Esvazi�mos as armas naquelas camas.

Ele devia estar morto.

E se eles n�o estivessem nas camas?

Se ele tivesse sido avisado,

as camas estariam vazias.

Apenas n�s conhec�amos o objetivo.

Sheldon...

N�o fomos n�s que o escolhemos. Ele veio diretamente de Nova Iorque.

Temos de descobrir quem ele �.

Deixe-me tratar disso, por favor.

Pare.

N�o pode parar aqui. Siga.

- A minha mulher trabalha aqui. - N�o. Lamento muito. Saia daqui.

- Est� bem. - Sargento.

N�o h� problema. � um amigo.

Espere l� dentro, n�o sabemos o que vai acontecer l� fora.

- Como est�o todos? - Estamos bem.

Mas v�o tentar novamente e ser� em breve.

Os canalhas t�m o Sheldon. Todos receamos o pior.

- Porque diz isso? - Ele � testemunha, Jack.

N�o o deixar�o viver.

Melqu�ades, pode ir buscar a Sylvia?

Claro.

Estou muito preocupado com a Sylvia.

Nestas circunst�ncias, o que vou dizer pode parecer ego�sta, mas...

N�o quero que lhe aconte�a nada.

E da pr�xima? Uma bomba? Outro assalto?

Jack... n�o � preciso ter vergonha.

Eu tamb�m ficaria preocupado, mas aprendemos a li��o.

Vamos construir muros, eletrific�-los,

refor�ar as portas, duplicar os guardas.

Nenhum filho da puta da GPU vai aproximar-se do velhote

e muito menos dela.

Precisa que algu�m a leve a jantar.

� imposs�vel. O velhote ainda n�o parou de escrever.

Todos querem a vers�o dele e tenho de traduzir v�rias.

E os Rosmer est�o c�.

Dentro de dois dias, t�m de apanhar um barco em Veracruz.

Estamos a procurar uma maneira de n�o irem sozinhos.

Posso lev�-los.

- N�o podemos pedir-lhe isso. - � claro que podem.

Assim, j� podemos ir jantar?

� imposs�vel, Jack. Teria muito gosto.

N�o espere por mim. Vou acabar muito tarde e devo dormir aqui.

Tenho de levar os Rosmer a Veracruz. O que devo fazer?

O seu jornal, senhor.

ALUGA-SE

Sylvia.

Ol�.

A Natalia n�o deixou o velhote trabalhar mais.

Agradecemos-lhe todos.

Foste jantar sem mim?

Tinha de dar uma volta.

- Est� tudo bem? - Claro.

Como foi o teu dia?

Trotsky est� grato por acompanhares os Rosmer a Veracruz.

Convidaram-nos para um ch�.

Isso seria bom.

�s vezes, tenho medo.

Do qu�?

De n�o...

... encaixar na tua vida.

N�o sou a mulher que a tua m�e queria para o filho.

Talvez...

... tamb�m aches o mesmo e...

... n�o queres dizer-me para n�o me magoares.

Porque n�o gostaria de ti?

N�o sou da classe nem do mundo dela.

E sou judia.

- Que import�ncia tem isso? - Na Europa, � importante.

- N�o � para mim. - E para ela?

Se tivesses certeza, j� ter�amos casado.

- Sylvia... - N�o me importo com isso, mas...

- Sylvia... - Andas inquieto h� dias.

Passa-se alguma coisa. O que foi?

Al�m da minha m�e, s� existes tu.

Se � isso que te preocupa,

vamos casar.

Sheldon, como est�o as coisas?

Desapare�a.

Para onde vou?

Se me quiseres escrever Sabes onde estou

Na linha de fogo

� isso!

Boa!

Sa�de!

Deviam ter ido a Espanha.

O mundo devia ter travado Hitler l�.

H� algo que todos nos temos perguntado.

Dispar�mos centenas de tiros e nenhum feriu Trotsky.

Como pode ser?

Porque Trotsky era o �nico que n�o estava b�bedo naquela noite.

- � isso que vai dizer? - Foi o que vi.

At� quando tenho de ficar aqui?

Porque acha que viemos? Vamos preparar a sua viagem.

- Nastrovia! - Nastrovia.

Trotsky acusa Estaline e a GPU! Extra! Extra!

Trotsky protesta contra as deten��es!

Trotsky acusa Estaline e...

A in�rcia da Pol�cia deu tempo � GPU para eliminar todos os rastos

e afastou a possibilidade de os seus agentes serem detidos.

A acumula��o de erros...

Dev�amos calar este chibo, Coronel.

Como foi com o Presidente?

Libertem os trotskistas.

- Como? - Ouviram bem.

Voltamos ao princ�pio.

Detenham o Siqueiros e os comunistas que possam t�-lo ajudado.

- Assim faremos, Coronel. - Ouviram?

Sim, senhor.

Ent�o, o que esperam?

Quero que encontrem o Sheldon.

R�pido! R�pido!

Tu, o das riscas, para ali.

O pr�ximo, vamos.

Sim?

Senhor, o t�xi que pediu j� chegou.

Deve haver algum erro, n�o pedi um t�xi.

Veio buscar o Sr. Frank Jackson.

O que devo dizer-lhe?

Sou seguido desde a noite do assalto.

Ser� a Pol�cia?

J� estaria preso, se fosse a Pol�cia.

Est� a expor-nos.

A GPU n�o tolera erros nem fraquezas.

N�o devia ter ido � minha procura.

N�o deve sair do hotel sem um bom motivo.

- N�o estou na pris�o. - Est� numa miss�o.

- N�o pensei que iriam vigiar-me. - Todos somos vigiados.

H� sempre um informador entre n�s.

- N�o confie em ningu�m. - Nem em si?

- Nem na minha m�e? - Quem sabe?

Talvez voc� seja um informador.

O seu maior perigo � voc� mesmo.

Porque levaram o Sheldon?

Para o proteger. � um camarada, abriu-nos a porta.

Onde est� ele agora?

Est� em Nova Iorque � espera que isto termine.

Assim, estaremos seguros.

V�o fazer isto a todas as janelas?

Sim, a todas.

Lev, apresento-lhe Frank Jackson.

Prazer em conhec�-lo.

Queria agradecer-lhe pessoalmente pela sua ajuda.

N�o foi nada, uma gota no oceano.

�s vezes, s�o os pequenos gestos que mudam o rumo da Hist�ria.

V� o estado a que querem reduzir-nos?

N�o existe parede alguma capaz de travar a verdade.

Por aqui, o ch� est� pronto no jardim.

A verdade abre o caminho � revolu��o.

Li isso num dos seus livros.

Pensei que a pol�tica n�o lhe interessava.

Teve m�s influ�ncias.

Por favor, sentem-se.

At� aqui, mantive a paci�ncia e o di�logo convosco...

... mas se n�o resolvermos o problema,

v�o obrigar-me a usar m�todos...

... que nem a voc�s nem a mim v�o agradar.

Acreditem.

Vou mostrar-vos uma fotografia do desaparecido.

Quero que a vejam com aten��o, depois olhem para mim...

... e digam-me se sabem onde ele est�.

N�o, senhor.

N�o, senhor.

N�o.

De onde veio?

Porque est� vestido assim?

Sou artista, senhor.

Trabalha na oficina do Siqueiros, Coronel.

Acha que sou parvo?

� claro que n�o, senhor.

V�-se a milhas que est� a mentir.

Juro que estou a dizer a mais pura das verdades, Coronel.

Como imaginam, h� muita preocupa��o em Moscovo.

N�o era isto que se esperava de si.

Sabe que gosto de si, mas n�o v�o perdoar-lhe este fracasso.

- Eu tamb�m n�o perdoaria. - Ainda bem que compreende.

Tamb�m n�o perdoaria que a opera��o fracassasse por um erro.

Um erro? Foi tudo pelos ares.

N�o podia ter corrido pior.

Al�m de o traidor continuar vivo, Estaline tamb�m foi exposto.

- Devia ouvir. - O qu�?

O que Kotov vai dizer em Moscovo.

Muito bem.

Qual � a sua teoria?

N�o estamos a falar de teorias.

Mandaram-nos disparar sobre camas vazias.

Trotsky n�o dormiu l� naquela noite. Algu�m o avisou.

- Consegue prov�-lo? - O facto de estar vivo prova-o.

Quem pode t�-lo avisado?

Sheldon, o homem de confian�a que nos mandou de Nova Iorque.

Muito bem...

Temos m�todos para saber a verdade. Tragam-me o Sheldon.

Est� morto.

N�o compreendo. Cumpriram ordens ou agiram por vossa conta?

Tentou escapar.

Se tivesse conseguido, ter�amos um problema muito maior.

N�o acredita?

N�o importa no que acredito.

Pensemos no que � melhor para todos.

Talvez fosse melhor irmos ambos a Moscovo para explicar.

O que podemos fazer?

Ser� mais dif�cil aproximarmo-nos dele.

Mas deixaram um dos nossos entrar.

� apenas um informador. N�o est� preparado para a a��o.

Est� mais do que qualquer um de n�s.

Foi escolhido.

Vamos.

Estamos a consider�-lo para uma miss�o.

Fica a�, cabr�o!

V� com o que est� a lidar, Coronel?

Garanto-lhe...

... Siqueiros ser� detido em breve.

Siqueiros � um fantoche.

Tem de procurar os assassinos na GPU de Estaline.

Os agentes dele continuam aqui, no M�xico, e voltar�o a tentar.

Mas da pr�xima vez...

... n�o falhar�o.

Coronel...

Chegaram-me informa��es de confian�a.

As pessoas que procura vieram de Espanha.

Vou encontr�-las.

Tamb�m n�o sabem com quem est�o a lidar.

Porque est� t�o sozinho?

Sabe, lembra-me Barcelona.

Chamo-me Chavita.

Lembra-me um bar...

N�o tem nome?

Ram�n!

Ram�n!

Ram�n!

Ram�n!

N�o me conhece?

Capit�o...

Capit�o, n�o. J� n�o somos soldados.

- A guerra acabou, Ram�n. - Estou com pressa.

D�-me o seu n�mero.

- N�o! Vamos beber um copo. - N�o posso.

A s�rio que n�o posso.

N�o o perca de vista.

Capit�o!

Capit�o!

� imposs�vel

O que posso fazer Se ao procurar o teu amor

Me enganei

Deves saber...

- A sua limonada. - A conta.

E o seu conhaque.

Olhe que bonito.

Vou lev�-lo � minha filha.

Tem pai gra�as a si.

- Nunca chegou a casar. - N�o.

Depois da guerra, ela fugiu para a R�ssia e eu para Fran�a.

Tivemos a sorte de cair neste lado do mundo.

Prefiro que a minha filha cres�a aqui, do que em Moscovo.

Como assim?

J� n�o vale a pena lutar?

N�o, homem...

A mis�ria e a injusti�a continuam iguais. A Revolu��o faz mais falta do que nunca.

- N�o o compreendo. - Enganaram-nos, Ram�n.

Lut�mos pelo para�so, mas acab�mos por faz�-lo para manter Estaline no poder.

Parece o Trotsky.

Trotsky est� acabado.

E n�o sei se teria sido melhor.

Mas isso divide-nos e enfraquece-nos.

� o medo que nos enfraquece. O medo de pensar de outra maneira.

Continuo t�o comunista como em Barcelona, mas o comunismo j� n�o est� em Moscovo.

N�o pergunte onde est�, n�o sei, mas n�o est� em Moscovo.

At� mesmo aqui.

Tenha muito cuidado com quem fala.

V�o chamar-lhe traidor, fascista.

A�, algo muito pior poder� acontecer.

- A sua conta. - Paga a pr�xima.

Combinado.

Serenamente

J� nada importa Deus assim n�o quis

N�o, obrigado.

Fico feliz que tudo lhe corra bem.

O M�xico � um s�tio bom para recome�ar.

Desculpem...

- Pode dar-me lume? - Claro.

Aqui tem.

Muito obrigado.

H� um bocado que me apetecia fumar.

De nada. Fique com os f�sforos, tenho mais.

N�o querem vir beber uns copos?

Talvez noutro dia. Estou com um amigo.

Ele tamb�m pode vir.

- Largue-me, disse que n�o. - Insisto.

Ram�n!

Ram�n, ajude-me!

Ram�n, n�o os deixe levarem-me!

Ram�n?

N�o � o meu nome.

O meu nome � Jacques Mornard.

Sylvia, o que se passa?

Encontraram o Sheldon.

Foi assassinado.

Isso � imposs�vel.

Acho que � paranoia.

Duplic�mos o n�mero de guardas. S� homens escolhidos a dedo.

� imposs�vel fazerem mal a Don Leon.

Acho que o velhote est� assustado.

Acredito nele.

V�o tentar mat�-lo novamente e ser� em breve.

Mas como?

A partir de dentro.

Est�o-se borrifando para os guardas que pomos,

porque quem vai mat�-lo j� est� l� dentro.

Quem?

Um espanhol, certamente.

Mas n�o h� espanh�is l� dentro.

S� americanos, alem�es, polacos...

Verifiquem as identidades deles.

E tamb�m as dos visitantes.

Est� l� fora uma mulher que esperou a tarde inteira.

Dissemos-lhe que est� ocupado, mas insiste em v�-lo.

� a esposa de um homem que se afogou na fonte de um parque.

- Como pode ter-se afogado? - Estava b�bedo.

O que a leva a pensar que o seu marido foi assassinado?

O meu marido n�o bebia �lcool.

As mulheres nem sempre sabem o que os maridos fazem.

O senhor n�o o conhecia. Vivi com ele mais de 20 anos.

O meu marido era um homem �ntegro com a fam�lia e com os amigos.

Com os seus princ�pios.

Que princ�pios?

Acreditava e lutava por um mundo melhor.

Era comunista.

Isto n�o era dele.

Ningu�m poderia sobreviver a isto.

Era necess�rio o Sheldon morrer?

Fala como se o Sheldon fosse inocente.

Se acredita nisso, est� a iludir-se.

Na GPU, ningu�m � inocente.

Todos temos pontos acumulados e algo parecido pode acontecer-nos.

E Carles? Do que era culpado?

Quantos comunistas morreram em Espanha?

Milhares.

Do que eram culpados?

� preciso ser culpado para morrer pela causa?

Se o teu capit�o morreu foi por haver uma boa raz�o.

- O capit�o era um bom comunista, m�e. - Ent�o, ele compreendeu.

Um bom comunista sabe sacrificar-se.

O teu irm�o f�-lo.

E tu?

C�us! N�o me admira que esteja a suar.

Precisa de gabardina?

Estamos em agosto, no M�xico. Porque tem tanta roupa?

Chove bastante � tarde.

Veja isto.

Se algu�m lan�ar granadas do exterior, isto trava-as.

N�o tentar�o mat�-lo com granadas.

Jackson!

Tem de entregar-me o seu passaporte.

A Pol�cia quer os dados de toda a gente que entra.

Devolvo-lho quando partir.

O que faz aqui?

N�o veio com a Sylvia?

Ela foi comprar prendas para a fam�lia.

Como sabe, vamos para Nova Iorque daqui a uns dias.

Boa tarde, Jackson.

Escrevi um artigo.

Gostaria de saber a sua opini�o.

� melhor irmos ao meu escrit�rio.

Por favor.

� um pouco confuso.

Devia arranjar uma maneira mais simples para expor a sua posi��o.

- Vou corrigir e trago-lho depois. - Use uma m�quina de escrever.

Mal consigo ler a sua letra.

N�o gosto deste sujeito.

- Diz que estudou em Paris? - Porqu�?

N�o tirou o chap�u enquanto esteve comigo e sentou-se na beira da secret�ria.

Nenhum franc�s se comportaria assim.

Nunca gostei dele. � um pouco estranho.

N�o dev�amos voltar a deix�-lo entrar.

Se cedermos aos nossos medos, iremos converter esta casa numa pris�o.

N�o daremos esse prazer a Estaline.

Sim, � ele. Sem d�vida.

Como tem tanta certeza?

Toda a gente bebe cerveja ou �lcool,

mas ele s� bebeu limonada.

Estava sozinho?

N�o. Estava sentado naquela mesa com outro senhor,

que tamb�m era espanhol.

Circule pelos homens a descri��o que o empregado nos deu.

Quem o encontrar ser� promovido.

Vejamos.

Cerca de 30 anos, tem �culos com aro met�lico,

pele branca, cabelo escuro... - N�o se esque�a do mais importante.

- � espanhol. - Sim, senhor.

A Greta queria despedir-se de n�s. Combinei almo�armos amanh�.

O Otto tamb�m vai. Pode ser?

� esta cidade que te deixa doente.

Arranjar�s trabalho em Nova Iorque.

N�o precisas da tua m�e para viver.

Adorar�amos receber-vos.

Sim, seria fabuloso se fossem.

N�o, para ir a Nova Iorque � preciso apanhar o barco.

Eu enjoo no mar.

- Ele est� a arranjar desculpas. - A s�rio, conheces-me.

- N�o, n�s vamos. - Consegue convenc�-lo?

- Sim. - � claro que vamos.

V�o casar em breve. � emocionante.

Est� preparada para ir? Para dizer adeus a toda a gente...

Vamos despedir-nos da Natasha e do Lev esta tarde. Ser� dif�cil, mas...

Quero dizer-lhe uma coisa.

Nunca confiei em si.

� t�o perfeito que tudo soa a falso.

Vou gostar que se v� embora.

� claro que ficarei feliz se estiver enganado.

A Sylvia merece um homem bom.

- Tenho uma reuni�o dentro de minutos. - Trabalho � trabalho.

Disse que pagava eu.

- Encontramo-nos aqui? - Sim, estaremos c� �s cinco.

- Ainda queres casar comigo? - Mais do que nunca.

Venho buscar-te daqui a uma hora.

- Bom dia. - Bom dia.

N�o sei se conseguirei.

� tarde demais para ter medo.

N�o tenho medo. S�o d�vidas e elas tiram-me a for�a.

Do que tem d�vidas?

N�o t�m morrido apenas traidores.

Nem mais uma palavra sobre esse assunto.

Faremos o que for preciso.

E se estivermos enganados?

Quem divide a classe oper�ria n�o � um traidor?

Trotsky est� a mando de Hitler.

Isso s�o mentiras da imprensa. Sabem disso t�o bem como eu.

Acha estranho usar mentiras para destruir o inimigo?

�s vezes, a verdade � um luxo ao qual n�o podemos dar-nos.

N�o nos perdemos com tantas mentiras?

Nunca tiveram d�vidas?

Acha que algu�m se interessa nas nossas d�vidas?

Treinaram-nos para servir o Partido, n�o para o p�r em causa.

Somos os seus filhos ign�beis.

N�o � poss�vel escapar aos mecanismos.

Porque question�-los � unir-se ao inimigo.

N�o h� alternativa. Obedecer ou trair.

Nenhum de n�s dois ir� unir-se ao inimigo.

Ponha os escr�pulos de lado.

Trotsky foi um grande revolucion�rio at� se tornar um traidor.

Ele compreendia que a vit�ria da Revolu��o exigia sacrif�cios.

Agora, ele � o inimigo.

Filho...

... estou orgulhosa de ti.

O teu nome brilhar� junto ao dos maiores her�is.

Tudo correr� bem.

Sim.

J� tem uma muni��o na c�mara.

N�o hesite em us�-la.

Tenha-a consigo at� chegar � sa�da

e dispare se algu�m tentar impedi-lo.

Voc� est� preparado, eles n�o.

N�o � t�o eficaz, mas � silencioso.

Pode precisar para terminar o trabalho.

A secret�ria...

Tens a certeza que ela n�o ir� a casa por sua conta?

Sargento.

Ou�a isto.

Idade: � volta de 30 anos.

Aspeto europeu, pode usar �culos com aros met�licos.

Cabelo escuro e pele branca.

Cerca de 1,80 m de altura.

Constitui��o atl�tica.

Veste-se de forma muito elegante

e usa chap�u cinzento,

com fita da mesma cor.

� de nacionalidade espanhola.

� o espanhol que o Coronel procura.

O sol est� forte, n�o?

Est� a dar mesmo em cima de n�s.

Desculpe, eu n�o...

O sol, sim. N�o compreende?

O sol.

Est� um calor insuport�vel.

Entre.

Entre.

Com licen�a.

Merda! Se fosse espanhol, j� o t�nhamos apanhado.

A Sylvia j� chegou?

N�o.

Deram-lhes erva molhada. � por isso que est�o t�o inchados.

Porque anda com essa gabardina com este calor?

Pode chover e n�o quero constipar-me.

- N�o est� com boa cara. - N�o me sinto bem.

Quer um ch�?

Adoraria um copo de �gua. Tenho a boca seca.

Obrigado.

Deixe-me ver o artigo.

- Sylvia, ol�. - Ol�.

- Pensei que o Jack estaria aqui. - Ele n�o ia busc�-la ao hotel?

N�o foi e n�o me ligou. � estranho, o Jack � sempre pontual.

Deve ter-se distra�do com as horas. Beba um caf� connosco. N�o h� pressa.

Ele deve estar bem.

Ouvi gritos ali!

Ouvi gritos ali!

C�us! O que aconteceu?

Jackson...

Lev!

Lev...

Lev...

N�o os deixes matarem-no.

Det�m-nos, ele deve ter uma hist�ria para contar.

Natasha.

Amo-te.

Lev!

Achas... que ele conseguiu?

Tentaram assassin�-lo.

T�m not�cias do Jack?

Temos de arranjar um t�xi.

Foi o Jackson.

Ele tentou matar o velhote.

O meu nome � Jacques Mornard.

Sou trotskista e cidad�o belga.

Tentei matar Trotsky porque ele tentou enganar-me.

Como?

Queria que abandonasse a mulher que amo.

Sylvia.

Para ir a Moscovo assassinar Estaline.

Foi acusado de homic�dio.

Trotsky acaba de morrer.

O que querem de mim agora?

Queremos saber se conhece esta pessoa.

Sabe quem � este homem?

� um traidor da amizade...

... do amor.

� um cobarde e um assassino.

Levem-no para a cela.

� um cobarde! Um cobarde!

Cobarde!

Cobarde e traidor!

� um cobarde! Cobarde!

Chamo-me Jacques Mornard e sou cidad�o belga.

A embaixada nega isso.

N�o entendo porqu�.

Quem o mandou para o M�xico?

A minha m�e queria afastar-me da guerra na Europa.

� mentira!

Chamo-me Jacques Mornard e sou cidad�o belga.

A minha m�e queria afastar-me da guerra na Europa.

N�o vamos deix�-lo ir enquanto n�o disser a verdade.

Como se chama?

Chamo-me Jacques Mornard e sou cidad�o belga.

Chamo-me Jacques Mornard e sou cidad�o belga.

A minha m�e quis garantir que nada me faltaria.

� um mentiroso. A sua m�e n�o existe.

Tudo o que diz � mentira.

Acredito em si, Sr. Mornard.

Acredito que tem uma m�e fabulosa.

S� h� uma coisa que n�o entendo.

Porque � que ela n�o veio ajud�-lo?

Onde est� a sua m�e agora?

Esqueceu-se de si?

Abandonou-o?

N�o.

N�o.

A m�e est� orgulhosa de mim.

Sempre fui o seu filho preferido.

Desde pequeno que ela me levava aos melhores teatros.

Mil�o...

... Londres...

... Paris.

Ram�n Mercader foi condenado a 20 anos de pris�o.

Durante todo esse tempo,

insistiu ser cidad�o belga e chamar-se Jacques Mornard.

Ap�s ser libertado, foi para Moscovo,

onde recebeu a Estrela de Her�i da Uni�o Sovi�tica,

a maior condecora��o que um comunista podia desejar.

Morreu em Havana em 1978.

Ap�s o julgamento, Sylvia Ageloff desapareceu da esfera p�blica

e nunca concedeu entrevistas nem permitiu ser fotografada.

Morreu em Brooklyn em 1995, com 85 anos.

Caridad recebeu a Ordem de Lenine em Moscovo,

e uma generosa pens�o,

mas a dificuldade da vida na Uni�o Sovi�tica era insuport�vel

e preferiu ir para Paris,

para ocupar um discreto cargo administrativo na Embaixada de Cuba.

Morreu em Paris em 1975.

Nahum Eitingon, conhecido como Kotov,

foi detido na Uni�o Sovi�tica anos depois.

Ap�s a morte de Estaline, foi libertado e voltou a ser detido,

acusado de ser estalinista.

Terminou os seus dias em Moscovo a sobreviver com uma modesta pens�o.

Natalia dedicou o resto da vida a defender as ideias

pelas quais ela e o marido tinham lutado.

As suas cinzas repousam junto �s de Trotsky,

na sua casa em Coyoac�n, no M�xico.

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