All language subtitles for Wave.of.Crimes.2018.SPANISH.720p.BluRay

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Original subtitles

Bolas.

Ol�. Boas tardes.

Isto � incr�vel.

N�o, isto � para denunciar.

N�o, n�o. Isto � coisa para ir para a pris�o.

Ainda n�o comecei, padre.

N�o estava a falar de ti, filha,

concebida sem pecado.

Descarregue a �ltima vers�o do Java Script.

Ou seja, descarregas o Java gr�tis para pagar as taxas municipais.

� um crime para pris�o sem fian�a.

Mas isto � prevarica��o.

D�o dez minutos de Java gr�tis

e se n�o tiveres tempo para preencher o formul�rio municipal,

o que � imposs�vel,

toca a pagar.

Cabr�es de usurpadores.

Vamos a isto.

Vamos l�,

por que vieste?

Eu? Vim confessar-me.

Hoje em dia nem Deus se confessa.

N�o me diga isso, por favor, padre. Eu preciso muito.

For�a.

N�o tenho a manh� toda.

Antes de mais, padre,

� verdade que diga o que disser n�o pode sair daqui?

- Seja o que for? - Isto n�o � o Twitter, filha.

Quais s�o os teus pecados?

Eu diria que s�o todos.

Podes ser mais concreta, por favor.

L� os jornais?

A onda de crimes em Bilbau? Pois fui eu.

Toca a andar que tenho muito que fazer.

N�o, por favor, pe�o-lhe. N�o, n�o.

Tenho de contar isto a algu�m.

Juro por Deus que tudo o que vou dizer � verdade.

N�o diga blasf�mias.

Logo vi que isto ia acontecer.

- Desculpe? - Nada. Coisas minhas.

Coisas minhas. Eu tamb�m tenho problemas, sabe?

As taxas, o Java... Muitos problemas.

E depois venho aqui

para ouvir, para perdoar,

n�o � f�cil.

Comece do in�cio.

Est� bem.

Pelo princ�pio. Aqui vai.

Ponha-se confort�vel.

ONDA DE CRIMES

N�o.

N�o. N�o vais levar nada.

Est�s a ouvir?

Vou levar isto.

E isto e isto.

- E isto. - N�o, fui eu que te dei os tacos.

Por isso s�o meus. Penso us�-los.

- Mas n�o jogas golfe. - Agora jogo. H� algum problema?

E j� que falamos disto

tens um m�s, 30 dias, para sair desta casa.

- Vou vend�-la. - O qu�?

N�o podes expulsar o teu filho de casa. � menor.

Posso, sim. Leyre.

N�o ias montar um neg�cio de queques ou o que era?

N�o precisas do meu dinheiro.

Mas tinha de deixar o col�gio.

E o amigo dele, o Julen. Finalmente fez um amigo.

- N�o podes fazer-lhe isso, Cosme. - Posso.

Cosme.

Mas que achavas, Leyre?

Que voltava para ti para te comer de vez em quando?

� teu filho.

N�o. Essa aberra��o � teu filho.

Tu � que o deixaste assim anormal com tantos psic�logos.

Um puro anormal.

Isto � coisa da Vanesa, n�o �?

Incr�vel.

Espero que saibas que a tua mulher � um monstro.

Que raio se passa contigo?

Que se passa?

� isso que te ensinam no col�gio?

� isso? � para isso que pago?

Para te ensinarem parvo�ces? �s idiota ou qu�?

Ou os idiotas s�o os professores porque te ensinam essas merdas?

Caramba, s� pedi um mi�do normal, porra!

Pareces um parvo. Fazes parvo�ces o dia todo.

A quem raio sa�ste? Na minha fam�lia n�o h� parvos,

tem de sair � fam�lia da tua m�e.

� �bvio que sa�ste � tua m�e, que � parva de todo.

A tua m�e � uma idiota de merda. Nem sabe estrelar um ovo.

Que porcaria de sorte.

Porcaria do telefone!

Espero que rebentes.

Desgra�ado, desavergonhado, vais arruinar-me a vida.

Mas Asier...

Asier.

Vamos a isso.

N�o, � melhor n�o. � melhor n�o.

Meu Deus. Que nervos.

Que fazemos?

Sou menor. Talvez nem v� para a pris�o.

N�o �s um assassino, est�s a ouvir?

Dizemos que fui eu e pronto.

Se fores para a pris�o o que � que eu fa�o?

Meu amor.

Vanesa.

- M�e. - Que �?

A tesoura tem as tuas iniciais.

- Ent�o? Foi uma prenda da av�. - Isso mesmo.

Vai-te trair, acho eu. LB, Leyre Blanco, n�o �?

Caramba.

N�o consigo.

Feito.

Desliga essa porcaria, caramba.

E limpa isto tudo, por favor.

� o Julen. Atendo? Se n�o pode suspeitar.

- Ol�. - Ol�. Est�s em casa?

- Estou. - Posso ir dormir a�?

Est� bem.

Se pode dormir aqui.

Asier!

N�o. Adeus.

J� te disse para falares mais com ele, filho, � teu amigo.

H� que tratar bem dos amigos.

E que fazemos agora?

Um, dois e tr�s.

Nem morto me vais deixar em paz.

N�o vou deixar que estragues tamb�m a vida do meu filho.

N�o querias um macho? Pois aqui o tens.

Agora deves estar orgulhoso.

V� s� como acabaste.

Que est�s a fazer, m�e?

Vou levar o carro do teu pai para longe.

Vamos dizer que n�o veio para casa.

- Mas n�o sabes conduzir. - Ent�o aprendo.

- Anda l�. - M�e.

- Que �? - Precisas de um �libi.

Quando lhe fizerem a aut�psia v�o saber a hora em que morreu.

Se � hora do crime te vissem noutro s�tio

n�o podias ser tu a assassina.

Vamos ver, repete l� isso.

Se fizeres com que te tenham visto h� pouco noutro s�tio

n�o podes ser tu a assassina.

Isso mesmo. Tiro-o daqui esta noite.

Mas n�o te podes sentir mal, querido.

Eu arranjo um �libi. N�o h� problema.

Caramba.

- Ol�. - Boa tarde.

- Para onde? - Para muito longe.

N�o, para o centro. Sim, isso.

Estou triste.

Estou triste.

Estou triste.

Estou zangado.

Estou zangado.

Estou zangado.

Estou zangado.

Que se passa?

Est� a olhar muito para mim.

Quem, eu?

Tem acontecido muito ultimamente porque apareci num an�ncio.

O do tipo p�o sem sal que pede um empr�stimo

com a mi�da muito sa�da da casca que n�o se cala.

O tipo p�o sem sal sou eu.

Sou ator.

Mas �s vezes ando com o t�xi do meu pai

porque n�o tenho muito trabalho. H� muitas cunhas, sabe?

Mas eu n�o me queixo,

j� fiz uns quantos an�ncios.

Bem, fiz dois. Mas j� l� estou.

E o t�xi ajuda-me.

Porque eu sei muito de psicologia, sabe?

Observo muito os clientes para apanhar detalhes para as personagens.

Pare, pare. Aqui.

Obrigada.

Espero n�o a ter chateado. Ponho-me a falar e n�o me calo.

O meu pai diz-me para n�o incomodar os clientes.

Ent�o � ator.

Que bem.

Fazia-me um favor?

Sabe, quero pregar uma partida.

Eu entro neste caf� e dez minutos depois

vem ter comigo como se me conhecesse desde sempre.

- Sim? - E o tax�metro?

Deixe-o a trabalhar. Eu pago. Por favor.

Sabe o que isto me lembra?

O "Taxi Driver", com o De Niro.

Bob. � um mestre, um Deus.

Vamos ent�o.

Espere,

que tipo de amigo?

As pessoas acham que improvisar � muito f�cil mas n�o � bem assim.

Meu amante. Pode ser?

Eu? Eu?

Por favor.

Diz-me qual � o problema.

- Ol�. - Ol�.

Um caf� pingado, descafeinado, com leite, por favor.

N�o! Um ch� vermelho.

N�o. � melhor um ch� preto.

Desculpe,

� que tenho o est�mago um pouco estranho.

- Decide-se ou o qu�? - Um Bloody Mary.

Um Bloody Mary.

Estou � espera do meu marido. Est� atrasado.

� estranho.

Est�o casados?

� ele. N�o tem vontade.

� melhor que n�o. Os homens s�o uns cabr�es.

O meu marido, que me deixou � espera,

fugiu com a minha melhor amiga

e deixou-me a mim e ao nosso filho.

� um mi�do muito complicado.

Bem, h� cada cabra por a�.

Se me fizeres isso mato-te.

Agora sou perseguida por um psicopata. Era s� o que faltava.

Mais vale s� do que mal acompanhada.

Meu amor, diz-me uma mentira. Diz-me que me amas.

Est�o a ver? Um psicopata.

O qu�?

N�o me chateies, n�o me persigas. Olha que vou � pol�cia.

Sem vergonha.

J� chega.

Que est�s a fazer?

- Bate-lhe ou assim. - N�o, era uma brincadeira.

N�o conhe�o esta mulher de lado nenhum.

Que se passa aqui? Fora.

- N�o. Eu sou taxista. - Vai-te embora.

Sim.

Mata-o, mata-o. D�-lhe. Assim.

Continua. Continua.

- Morto, morto. - Morto.

Sim.

Ol�, Leyre.

Ol�, m�e.

Que se passa, Leyre?

� bonita, a espingarda. � tua?

Julen.

Que fazes aqui?

Ele esqueceu-se que amanh� temos um trabalho de filo.

Posso ficar c� a dormir?

Querido,

podes vir aqui um segundo?

Temos o cad�ver do pai na garagem. Por que o deixaste vir?

O trabalho de filo.

- Quem � o Filo? - Filosofia.

Bom, est� bem.

Fazemos de conta que n�o se passa nada.

Mas diz-me, por favor, como tiro daqui o carro do pai?

Quando formos dormir.

Est�s a dificultar as coisas como sempre, meu filho.

Desculpa, querido. Estou muito nervosa.

Est� bem. J� me acalmo.

Pelo menos tenho um �libi.

Conheci um perfeito desconhecido. Um taxista.

Fiz com que todo um caf� olhasse bem para mim.

Atiraste-te a um taxista no caf�?

N�o! Ao taxista, n�o.

Combinei encontrar-me com o teu pai na baixa.

Esperei e ele n�o apareceu.

Depois entrou um imbecil a chatear-me,

gritei com ele e fui-me embora.

Depois, n�o se sabe como nem porqu�,

algu�m matou o pai.

Que te parece?

A minha m�e diz que posso ficar c�.

E manda cumprimentos.

Que boas.

�s tu que as fazes?

- V� l�, tu gostas dela. - Est� bem.

Que confus�o, Cosme.

Vamos ver o que fa�o ao teu carro.

- Mas � uma mi�da. - Como tu gostas das senhoras.

Meninos.

V�o dormir, por favor.

Adormeci. Adormeci.

- Ouviram? Adormeci. - Sim, n�o te preocupes.

N�s vamos. J� vamos.

Caramba, Leyre. Levantas-te maquilhada e tudo.

Toca a andar. Vamos.

Espero que o trabalho de filo vos corra bem.

Isso � o mais importante.

Asier, querido, chega aqui.

Eu trato de tudo. Fica tranquilo.

E principalmente com o nosso segredo.

Muito bem, meus senhores, esque�am o Viagra

e ou�am-me com muita aten��o.

Nada a deixa mais dura do que lixar o estado.

Voc�s investem X neste projeto,

metem nos impostos e n�s devolvemo-lo em dinheiro,

tirando uma pequena comiss�o, claro.

- E o Cosme? - Muito boa pergunta, cavalheiro.

A sua mulher est� a tratar disso agora.

Sabemos de alguma coisa, Vane?

Vamos ver se me deixam tirar o carro em paz.

Que chatice.

Sim?

Onde est� o Cosme?

E eu � que sei?

Agora � teu marido, n�o � meu.

T�nhamos uma reuni�o muito importante.

N�o me atende o telefone desde ontem � tarde

e n�o dormiu em casa. Est� contigo?

Comigo n�o. Por que havia de estar comigo?

Ontem combinou encontrar-se contigo.

Quem? O Cosme? Combin�mos, mas n�o foi aqui.

E al�m disso n�o apareceu.

N�o percebo por que achas que est� comigo, Vanesa.

At� podia estar.

Vou ser sincera...

N�o!

Mas que est�o a fazer?

Entram assim em minha casa?

Bom dia, o seu marido deu-nos uma c�pia da chave

para virmos de manh� despejar a garagem.

- P�s a casa � venda. - O qu�?

Nem pensar.

Somos s� empregados, senhora.

Olhe, ligue-lhe e fale com ele.

Ligo-lhe? N�o.

N�o falo com ele.

N�o posso fazer nada, senhora.

Por favor, v�o-se embora. Est�o a ouvir?

A garagem � minha e eu digo que n�o.

O seu marido avisou-nos que n�o ia querer e para n�o lhe ligarmos.

Para n�o me ligarem? Ele disse isso?

- Quem � a dona? - E agora, que fazemos?

- Vamos abrir. - N�o!

J� disse que n�o. Est� proibido.

Demora 5 minutos, chefe.

Cinco minutos.

N�o, n�o. O Cosme n�o volta atr�s.

O que se est� a passar � muito estranho.

- A cabra. - N�o sabemos onde est�.

D�s-me cinco minutos e j� te ligo?

- Sim? - Vanesa?

Desculpa, h� bocado fui um pouco rude.

J� sabes alguma coisa do Cosme?

N�o, estou a caminho da esquadra para o dar como desaparecido.

Tem o telem�vel desligado e o Cosme n�o vive sem telem�vel,

por isso aconteceu-lhe alguma coisa.

Que coisas dizes, mulher.

Quando souberes alguma coisa avisa-me, est� bem?

N�o entres em p�nico.

Op��es, A: o Cosme foi detido pelos maricas da anticorrup��o.

Mas sou advogada dele, j� saberia, por isso n�o �.

B: o Cosme est� a gozar connosco.

N�o tem tomates.

Ia ligar-te.

Sei o que acabaste de fazer ao teu ex.

Quero ajudar-te.

QUEM �S?

Espero-te na ponte suspensa �s 14h00.

�s tu?

N�o tenho dinheiro. Que quer de mim?

- Nada. - Por Deus, que quer de mim?

Nada, nada.

Julen.

- Ol�. - Julen.

- Combinei aqui com uma pessoa. - Tamb�m eu.

- Que coincid�ncia. - Contigo.

- Comigo o qu�? - Combinei contigo.

O Asier contou-me tudo ontem � noite.

Que confus�o.

E tir�mos o carro da garagem.

O meu pai tem estado a ensinar-me a conduzir.

Como estavas a dormir n�o te quisemos dizer nada,

mas est� descansada, us�mos luvas.

Descansada, dizes tu?

O Asier queria dizer-te tudo hoje

mas pedi-lhe para me deixar dizer-te uma coisa antes.

Dizer-me? Ou seja, ainda h� mais?

- Sim, sim. - Meu Deus.

- Que �? - � que...

O qu�?

Que nunca ningu�m...

Nunca ningu�m gostou tanto de uma pessoa

como eu gosto de ti.

J� est�.

- D�s umas chapadas! - Dou? Achas?

Sim.

- Olha! - Que foi?

Desculpe.

Est�o a dar comigo em doida. N�o posso mais.

Cala-te.

J� chega.

Est� louca.

Pode-se saber onde estacionaram o carro?

- Pois... - Era de noite.

- Num s�tio qualquer, fant�stico. - N�o, n�o.

- M�e. - Que �?

O que o Julen disse � de cora��o.

At� estava a pensar suicidar-se por tua causa.

Mas disse-lhe:

"Pelo menos diz-lhe que gostas dela".

Foi o que o psic�logo disse. Tens de dizer o que sentes.

Claro.

Mas que bem.

N�o me chateies que n�o estou de bom humor.

Vir trabalhar com uma ressaca do cara�as.

Do cara�as � pouco, Andoni.

Olha, est� ali.

- Ol�. - Que foi? Que aconteceu?

Nada. Vimos o Jairo num carro

que tinha de ser roubado. Par�mo-lo e surpresa.

Vamos ver, Jairo, que porcaria fizeste desta vez?

Caramba, senhor inspetor.

A s�rio que desta vez n�o fiz nada. Juro pelos meus filhos.

N�o grites, estou com dores de cabe�a.

- Cal�a as luvas. - Vai-te lixar.

- Alegria. - Caramba.

Roubo um carro e tinha de ter um cabr�o morto l� dentro.

Mas n�o fui eu, senhor inspetor.

Assassinado?

O Cosme foi assassinado?

- Assassinado como? - N�o vamos perder tempo, Vanesa.

- Mandaste mat�-lo? - Por que haveria de o matar?

- Est�s louca? - N�o sei.

Foi a primeira coisa que me ocorreu.

Bem, ent�o foram os de Madrid.

Porqu�? S�o a nossa fachada, estamos todos a ganhar dinheiro.

- N�o v�s que n�o faz sentido? - Algu�m foi.

Fica com estes, vou ver o que se passa.

Anto�ito, como est�s?

Tens de me dar uma informa��o agora mesmo, sem hesitar.

Ou ser� melhor ligar �s finan�as?

Conheces-me bem e sabes que estou a falar a s�rio.

Sabem quem foi?

Um delinquente encontrou um cad�ver na bagageira do carro,

mas n�o foi ele.

Desculpe, mas temos de lhe fazer umas perguntas.

Agora?

O telem�vel dele?

- Estava com ele? - N�o.

Tens no��o dos saltos que as raparigas usam hoje em dia?

Querem lixar-nos a vida, estou a dizer-te.

Bem, estou a ver que percebes disto.

S� tinha com ele a carteira, o dinheiro, os cart�es.

S� desapareceu o telem�vel.

Inspetor Galarza!

Convidamo-lo para jantar sushi. Gosta?

Vamos ver se nos concentramos

e entendemos todos o que temos de dizer.

O teu pai combinou comigo num caf� mas n�o apareceu.

Est� bem?

O Julen esteve aqui a tarde toda a fazer o trabalho de filo, sim?

Eu voltei para casa e estivemos a fazer cupcakes

e o Julen ficou c� a dormir.

- Repitam, por favor. - Podemos comer antes?

Posso ficar para acabar de falar sobre n�s.

Acho que vou encomendar alguma coisa.

Assim deixo-vos sozinhos.

Julen,

agrade�o muito tudo o que fizeste.

�s muito importante para o Asier

e n�o sabes como dou valor a isso

e ao que fizeste ao carro.

�s vezes quando se � jovem e um adulto nos d� valor,

pensamos que � uma pessoa especial.

Aconteceu-me o mesmo a mim.

Com um professor de ingl�s muito giro. Pensava que estava ca�da por ele.

E tamb�m � verdade que as hormonas vos comem o c�rebro.

Ainda para mais a ti que �s uns anos mais velho do que o meu filho.

Que se passa?

Vim-me.

Olha, Julen, vou acabar por me chatear.

Sonho com as tuas pernas todas as noites.

A s�rio que te quero tanto que tenho dores de barriga.

Quando se ama tanto o amor tem de ser correspondido.

J� chega! Acabou.

�s diferente das outras.

�s a melhor, como nos filmes.

Para mim �s como um anjo de Charlie.

Ou como uma Lara Croft

que quando volta a casa depois de uma miss�o perigosa

se p�e a passar a ferro, a fazercupcakes e a cozinhar.

Uma supermulher.

J� chega. N�o vou continuar a ouvir.

Olha para mim. Ouve-me.

Ama-me, por favor.

V� l�, nunca ningu�m te vai amar assim.

J� chega!

Mas por que n�o me amas?

Tornei-me no melhor amigo do Asier.

Sou c�mplice de um assass�nio. Que mais tenho de fazer?

Que mais tenho de fazer? Diz-me.

Est� bem, Leyre, ent�o mato-me. Que se lixe.

Sim, o que precisava agora era de outro morto.

Baixa isso, seu louco. Quieto.

Ouve-me, Julen.

Eu gosto de ti

quase como a um filho.

N�o, n�o.

Assim n�o. Quero comer-te.

Asier.

Est� a ver, Paqui? � como lhe disse.

A sua filha n�o nos quer aqui.

Olhe para ela. Vem receber-nos com uma espingarda.

Evelyn, que fazes aqui?

Como n�o teve vontade de atender o telem�vel...

N�s lig�mos j� n�o sei quantas vezes.

O apartamento da sua m�e est� completamente inundado.

N�o faz ideia de como descia pela escada da entrada.

Parecia uma cascata. Um problema tremendo.

E como o do seguro tamb�m n�o atendia aqui estamos.

- Ol�. Eve. - Ol�, mi�do.

Ainda bem que vieste, av�.

Outro. Sei por que gostas de mim.

Este � o tal amigo que fizeste?

N�o �s um pouco velho para seres amigo do meu neto?

Gosto dele.

Deves ser o �nico.

V� l�, toma.

Obrigado.

Evelyn,

voc�s n�o podem ficar.

- Hoje n�o, por favor. - Diga isso � sua m�e

que ela de mim n�o faz caso. E agora at� me chama negra.

Porque �s negra.

E mentirosa tamb�m.

Passou o dia a dizer-me que o tipo que mataram � o teu pai.

� ou n�o �?

�.

Sabes que mais? � pelo melhor.

� um parvo a menos.

Era um idiota, e forreta.

Uma informa��o de �ltima hora.

Morreu o empres�rio Cosme Insausti. O corpo foi localizado...

Mas que idiota, deixa sempre tudo a meio.

Ponho as m�os no fogo

em como vais direito ao inferno

mas por seres est�pido.

E onde raio est� o telem�vel?

Est� cheio de e-mails e mensagens que te mandei apagar 200 vezes

porque nos ias meter em problemas mas nunca o fizeste, idiota.

�s um idiota.

Dos promotores imobili�rios mais ricos...

Como pude casar-me contigo?

Os seus cr�ticos chamavam-lhe mal encarado pela sua...

Cabr�o.

Sim, gordinho, d� de jantar � menina.

Juro que esta noite chego cedo.

Est� bem. Ciao.

Adeus. Amo-te.

Gosta de vinho branco?

Faz efeito muito depressa. Prefiro este.

Isto � o Cosme a assombrar-me.

Quando ele bebia ficava sempre com solu�os.

Um dia disse-me:

"Nunca te vou abandonar."

E cumpriu.

J� se sabe quem foi?

Lamento, o caso est� sob segredo de justi�a.

N�o fazem ideia nenhuma.

Perfeito.

Estou a ver que o sushi n�o � a sua praia.

Quer que fa�a uns ovos estrelados.

N�o.

A Vanesa sempre foi assim direta. Eu sou mais de curvas.

E esta vai ser uma conversa privada e sem nenhuma validade legal.

Falamos?

Caramba, gosto de si.

Est�o a tentar comprar-me?

N�s? Nada disso.

Inform�mo-nos sobre si.

Tem um pai doente,

uma pens�o de alimentos que paga religiosamente � sua ex,

umas poupan�as escassas e est� quase na reforma.

Sabe com quanto vai ficar de reforma se descontarmos as suas despesas?

935 euros.

- Certo? - � pouco.

Que querem?

Que acha que queremos? Prender o culpado.

O que n�o queremos?

Que investiguem os neg�cios do Cosme por a�.

Era fant�stico encontrar o culpado e fechar o caso.

Alguma ideia?

Leyre Blanco. A ex do Cosme.

Uma morta de fome acostumada a viver � conta dos outros.

O marido deixa-a pela cabra da melhor amiga.

Cabra? Eu?

Estou a dramatizar um pouco.

A Leyre fica sem marido, sem amigos, sem nada. Fica lixada.

Qual � a sua �nica sa�da econ�mica?

Esperar que o Cosme morra e o seu filho herde.

Mas o Cosme est� bem de sa�de.

E ainda por cima despeja-a de casa, a �nica coisa que lhe resta.

E que � que ela faz?

Desprezada, mata-o. Adoro a parte do "desprezada".

Mas se h� uma cabra aqui � ela.

H� um pequeno pormenor.

Ela � inocente.

N�o se a apanharmos em flagrante.

� para isso que aqui est�. Para esse pequeno detalhe.

Mas n�o vamos falar de �tica.

� �tico um pol�cia como o senhor estar na situa��o em que est�? N�o.

Aquilo a que o Cosme se dedicava era �tico?

Tamb�m n�o.

V� l�.

Corrompa-se, homem. � o que toda a gente faz.

N�o nos v�? Estamos muito bem.

V�? At� o Cosme est� de acordo.

Os rec�m-contratados em Espanha v�o receber menos

do que os rec�m-reformados.

Exatamente 100 euros a menos.

- 100 euros a menos? - Sim, senhor.

Conclus�o, recebem mais para ver trabalhar do que para trabalhar.

Bem, n�o me admiro que...

Chegou atrasado.

Mais dez.

E no domingo n�o venho. N�o conte comigo.

Que achas?

N�o dizes nada?

E a Evelyn?

N�o te lembras, m�e? Mandaste-a embora.

- Quem? Eu? - Sim, tu.

Com essa mania de lhe chamares negra.

E n�o sei que outras coisas mais. N�o te preocupes, ela vem amanh�.

N�o sei onde a mulher arranja tanta paci�ncia.

� verdade o que aconteceu ao Cosme?

Quantas vezes me vais perguntar?

Que horror. Mas n�o tenho pena nenhuma.

Um idiota a menos n�o � coisa pouca.

Olha para mim.

Disse-te para olhares para mim.

Fui eu que o matei.

- Muito bem. - Caramba, m�e!

Por isso sim, tens de te confessar.

Faz as coisas como deve ser.

Trazes-me um copo de leite e umas bolachas?

Incomoda-te?

Ter matado o meu pai?

Na verdade, n�o me incomoda muito.

N�o, estou a falar de mim com a tua m�e.

Tamb�m n�o.

Ele disse-me que quando namoravam ele a teve de perseguir.

Sim?

Ent�o talvez...

Obrigada por teres vindo.

Era o pai do Asier.

N�o sei o que dizer, Vanesa.

Deixou o telem�vel em tua casa.

Ele n�o passou l� por casa.

Tamb�m n�o te disse que a �amos vender?

Ouve, Leyre, a mulher dele sou eu.

Vou continuar a gerir o patrim�nio dele.

Agora metade � do meu filho.

A morte do Cosme veio mesmo a calhar para ti.

J� sei que o continuavas a comer por um par de sapatos.

Cabra.

Bem, acho que ningu�m suspeita de n�s.

Leyre, pus-me elegante, como tu gostas.

Leyre Blanco?

Sim?

Pode acompanhar-me para responder a umas perguntas?

Claro.

� o meu filho e um amigo.

Podem ir para a escola de metro?

N�o te preocupes. A tua m�e pode com eles.

�gua e tudo o que precisar.

Obrigada.

Que n�o se diga que n�o somos porreiros.

Ent�o o meu ex-marido queria falar comigo.

Mas como o meu filho estava em casa com um amigo

a fazer um trabalho de filo...

- Quem � o Filo? - Filosofia.

Preferi encontrar-me com ele noutro s�tio.

Onde?

Num caf�, mas ele n�o apareceu.

A que hora combinaram?

Que rela��o tinha com o seu ex-marido?

Um momento.

Trabalha?

Eu? Sim.

Tomo conta do meu filho.

E estou a pensar em montar um neg�cio de pastelaria.

Estava a falar de trabalho remunerado.

O seu marido s� lhe dava uma pens�o de 800 euros.

Que � o pre�o desses sapatos?

Conhe�o os sapatos de mulher.

O Cosme era muito generoso.

E como tinha saudades minhas na cama porque a atual mulher dele...

- Isto n�o sai daqui, n�o �? - N�o.

Como est�, senhora?

Como � a vida. A vida � uma t�mbola a s�rio.

Denuncio-a porque se esquece de me pagar a corrida

e no dia seguinte vejo que � a mulher do senhor morto.

Lamento muito. As minhas condol�ncias.

Retirei logo a den�ncia.

Pensei:

"Esta senhora, com o choque que tinha n�o admira que se tenha esquecido".

Sente-se.

Este homem disse que lhe pediu que entrasse num caf�

� hora do crime.

Lembra-se da partida?

Eu?

Tamb�m disse que a apanhou no t�xi perto de sua casa,

que a levou ao centro

e lhe pediu que entrasse num caf� para fazer uma improvisa��o.

- Sim, mulher. - Diga-nos, por favor.

� verdade ou n�o?

Senhora, quer um conselho?

Diga a verdade.

A verdade?

� que tenho muita vergonha.

Por favor.

� que estive a tarde toda

em minha casa com o amigo do meu filho.

O Julen.

Quer dizer que passou a tarde toda sozinha com esse rapaz?

Primeiro vinha fazer o trabalho de filo.

E depois ele ficou l� a dormir.

Comigo.

Podem perguntar aos pais dele, se quiserem.

N�o. N�o, por favor.

Os pais dele n�o sabem de n�s. Por favor, pe�o-lhes.

Afinal, sem os �culos escuros... Talvez n�o fosse a senhora.

O meu pai tem raz�o. N�o me oriento.

Vamos rebobinar.

Esteve nessa tarde, em algum momento,

com o seu ex ou com este homem?

Sim ou n�o?

Estou a ver uma esquadra por dentro. Isto � fant�stico.

� que sou ator e gosto muito de reparar nestas coisas

para o caso de fazer o papel de pol�cia.

Steven Seagal.

� mau ator, mas d� bons pontap�s.

Vejo-me num filme do Steven Seagal a entrar num bar cheio de capangas

e dizer: "Are you talking to me? Tens algum problema?"

Vamos l� ver, atrasado mental de merda.

Esta mulher esteve contigo ou n�o?

Est�s a ensinar-me a interrogar � for�a, n�o �?

Mas que raio est�s a fazer?

N�o lhe podes bater, porra!

N�o sabes bater-lhe sem deixar marcas?

Vamos ver o que diz esta flor.

Mas que est�o a fazer?

S� quero colaborar. Sou um cidad�o.

Est�s a p�r-me de muito mau humor.

- Que quer que diga? - A verdade.

Estou a dizer a verdade. Ela entrou no meu t�xi

e depois disse-me para fazer uma partida.

Eu entrei no caf� e fiz e ela deu-me uma pancada com a mala.

N�o sei, achava que era essa senhora.

Mas depois do que disse do rapaz n�o sei o que pensar.

Est�s a brincar connosco ou o qu�?

N�o, digo-vos o que quiserem. S� quero colaborar.

Foi ela que esteve contigo? Sim ou n�o?

- Ela disse que n�o. - �ltima oportunidade.

Se for ela sim, se n�o, n�o.

O ano de 1492

� um dos anos mais importantes da nossa hist�ria.

� o ano da chegada de Colombo aos novos territ�rios

do outro lado do oceano,

tamb�m � o ano da expuls�o dos judeus

e para al�m disso � o ano da conquista de Granada.

1492.

Nesse ano reinavam em Espanha

Isabel de Castela e Fernando de Arag�o,

est� bem? Os reis cat�licos.

Fernando passou a maior parte da vida

a lutar contra a Catalunha. E porqu�?

Julen,

d�-me esse telem�vel. - N�o, eu expulso-me a mim pr�prio.

- Ent�o? Mijaste-lhes em cima? - Mudan�a de planos.

O �libi em que t�nhamos pensado n�o serve de nada.

- Qual �libi? - Ouve com aten��o.

Vieste c� a casa fazer o trabalho de filo,

vamos contar-lhes isso

e que pass�mos toda a tarde juntos, os dois, e demor�mos algum tempo.

- De acordo? - A fazer o qu�?

O amor, Julen. A comermo-nos.

- Fant�stico! Posso dizer isso? - Quando a pol�cia te perguntar,

n�o precisas de andar a apregoar.

Mas ent�o gostas de mim?

N�o confundas as coisas, por favor. � um �libi.

N�o, n�o. Se nos comemos comemo-nos.

Usar-me n�o est� certo.

Porra!

A casa � muito bonita.

Gosto muito da decora��o.

Ou�a, Evelyn, por acaso n�o viu

um telem�vel com uma capa vermelha e branca por aqui?

Para o caso de o encontrar,

ou se precisar de ajuda com os documentos,

porque aposto que est� aqui ilegalmente.

N�o posso acreditar no que me est�s a fazer, Julen.

� assim que gostas de mim? Liga-me, por favor. Pe�o-te.

Essa espingarda � do meu genro.

Bem, era. Sabia que o mataram?

Sim, senhora. As minhas condol�ncias.

Era um idiota.

Susana Salazar.

A advogada da Vanesa e do Cosme.

Est� a revistar a minha casa?

Quem, eu?

Bem, sim. Um pouco.

O Cosme pode ter deixado aqui o telem�vel.

O Cosme n�o esteve aqui.

E voc� n�o pode revistar a minha casa.

O que vim fazer foi oferecer-lhe os meus servi�os como advogada.

O Cosme teria adorado.

Sim, claro. E a Vanesa tamb�m.

N�o preciso de advogado.

Todos precisamos de um advogado, querida.

Por isso somos os melhores amigos do homem.

Ningu�m me acusou de nada.

Mas quem disse que a tinham acusado? N�o.

Estava a falar sobre a heran�a do seu filho.

At� ser maior � administrada por si.

Odeia a Vanesa e ela odeia-a a si.

Precisa de um advogado como de �gua no deserto.

N�o, muito obrigada. Fa�a favor.

At� muito em breve.

Comia o ex, comia o mi�do... Que fera.

N�o acredito nela.

Eu come�ava por investigar os neg�cios do morto.

Uma pessoa que fica assim t�o rica em quatro anos...

Que foi? J� n�o confias no meu olfato?

Sempre.

Que se passa contigo?

Nunca te tinha visto bater em ningu�m.

Incomoda-te?

�s o meu �nico amigo, tenho de cuidar dele, n�o �?

N�o estou a pensar deixar dois agentes armados

entrar numa escola p�blica

para interrogar um menor sem ordem do tribunal.

Vou queixar-me ao conselho, ao sindicato...

Senhora, isto n�o � um interrogat�rio.

Por isso vos cham�mos antes de avisar a Procuradoria.

Acho que se todos colaborarmos um pouco...

Caramba, Ikerne. � assass�nio.

Julen,

estiveste na ter�a em casa do teu amigo Asier?

Sim, para fazer um trabalho de filo.

- E dormiste l�? - Dorme sempre.

�s como se n�o tivesses casa.

- Que rela��o tens com o Asier? - Damo-nos bem.

O Asier � um rapaz um pouco especial.

Especial? O Asier � estranho como o cara�as.

Ikerne, o Julen tamb�m n�o � um menino de coro.

Chumbou tr�s vezes no mesmo ano.

O Asier e o Julen s�o amigos e isso � bom para os dois.

N�o estou muito convencida disso mas continue.

E com a m�e do teu amigo? Que rela��o tens?

Mas que pergunta � essa? Uma m�e!

Uma m�e e pronto. Por amor de Deus!

� verdade que dormes com a m�e do Asier?

For�a.

Vamos ver.

Em baixo.

- Espera, posso abrir esta pasta? - N�o. Abro-a eu que sou m�e dele.

Se isto for uma cal�nia v�o direitos para o tribunal.

Se for verdade est�s metido em sarilhos.

Vamos ver.

Fotografias.

Ouve l�!

Senhora, isto � seu?

N�o.

A filha da m�e vai ouvi-las.

"Pode ficar c� a dormir? Pode ficar c� a dormir?"

Vou denunciar o centro, S�o Pedro e os padres.

Vais apagar isto tudo.

Ikerne, � um adolescente, porra.

Mas �s idiota ou o qu�?

Esta porca est� a comer o teu filho.

Fora.

Sai l� para fora.

Sai que n�o sei o que te fa�o.

O teu olfato est� a come�ar a falhar, Andoni.

A vi�va estava muito ocupada no dia do crime.

Que sacana.

Anda c�.

Como gosto de ti n�o te corto os tomates hoje.

Mas talvez amanh� corte.

Entendido?

Anda c�.

Vamos poder tomar a��es legais contra esta tipa, n�o �?

Suponho que sim.

Caramba, fiquei com fome de ver tantas fotografias.

- Vamos comer, Andoni? - Vamos.

Onde est� o telem�vel, por favor?

As brancas s�o todas umas desarrumadas.

Como t�m tudo n�o querem saber de nada.

Depois �: "Evelyn, onde est� isto? Evelyn, onde est� aquilo?"

Caramba.

Eu digo-te quem matou o Cosme. A Vanesa.

Sempre foi pior que uma dor de dentes.

Ela nunca ia aguentar tanto como tu.

- M�e. - Asier.

- Onde est� o telem�vel do pai? - A pol�cia interrogou o Julen.

Asi, n�o sabes a confus�o que est� em minha casa.

Para, Julen, sou eu.

- Que contaste aos pol�cias? - O que me disseste.

E que te disse?

Espera, m�e. Eu estou a falar.

Olha l�, seu anormal.

Sou a m�e dele. Como est�s, Ikerne?

Ol�, Leyre.

Aqui estamos fant�sticos.

Gost�mos muito de saber que andas a comer o meu filho

e a mandar-lhe fotografias e cuecas de puta.

De puta n�o s�o! Passa-me, por favor?

Que se lixe. Aqui j� mais ningu�m se come.

Cabra de merda.

- Que raio est�s a fazer? - Mais ningu�m se come nesta casa.

- Sim, porque tu dizes. - Exato, porque eu digo.

Como estamos, Ferm�n?

O Andoni tem muito muito

muito muito dinheiro.

A mim tamb�m me acontece.

Anda, chefe. Vamos dormir.

Boa noite, pai.

Precisas de ajuda. Algu�m que cuide do teu pai.

Mete-o num lar, assim n�o podes continuar.

Ele pode viver muitos anos e est�s a enterrar-te.

- N�o pode ser. - Mudamos de assunto?

N�o. N�o podemos.

Algu�m tem de o dizer. Est�s a ser parvo.

De casa para o trabalho e do trabalho para casa.

Faz uma viagem, arranja uma namorada.

N�o sei, vai �s putas.

Faz o que quiseres mas

n�o podes estar fechado nestas quatro paredes.

- Olha para a tua mulher. - Ex-mulher.

Est� com outro.

Com um tipo cheio de dinheiro a viver � grande.

- Ela cuida dos meus filhos. - Cuida o cara�as.

Quem cuida dos teus filhos � uma filipina enquanto ela passeia por Bilbau

de loja em loja, e de festa em festa.

E ainda lhe pagas pens�o de alimentos como um parvo.

- Deixa-me em paz - N�o deixo.

H� quanto tempo somos amigos?

N�o te deixo em paz porque n�o te quero deixar-te em paz.

Deixa de pagar a pens�o � tua mulher.

Mete o teu pai num lar e vive a vida que s�o dois dias.

Fora.

Fora.

Tu � que mandas.

Andoni!

Estou?

Susana Salazar?

- Inspetor Galarza, n�o me pode ligar. - Calma, a linha est� limpa.

Que se passa?

Amanh� vamos deter a Leyre Blanco por assass�nio.

- Tem a certeza? - Sim, tenho.

Perfeito. Boa noite.

Muito bem. At� amanh�, se Deus quiser.

Adeus, Eve. Traz-me doces amanh�.

N�o, apodrecem-te os dentes e depois caem

e a tua m�e fica zangada.

Cobarde.

Fora.

Que est�s a fazer? Olha ali a Evelyn.

- O Asier � meu amigo, venho v�-lo. - E entras pela janela?

Est�s parvo.

A minha velha tirou-me o telem�vel.

Sabem que est�s aqui?

N�o.

Ficam a dormir como pedras quando fumam um charro � noite.

Ouve,

ent�o amas-me?

Julen.

N�o penses que n�o penso nos teus sentimentos.

Penso. Fico lisonjeada, a s�rio.

Achas mesmo que sou um anjo de Charlie?

�s um amor.

- Que est�s a fazer? - A beijar-te.

Muito bem, Julen. Vamos falar a s�rio.

- Queres mesmo fazer algo por mim? - Quero.

De certeza?

Bem,

ent�o

se a investiga��o se complicar, que Deus nos proteja,

mas se se complicar,

vamos dizer que tu � que assassinaste o Cosme.

Claro, isso mesmo. Foste tu que o assassinaste

porque ele te queria afastar de mim e isso n�o podia acontecer.

Sim?

Como tu quiseres. Sou todo teu.

Que se passa?

Vim-me.

N�o, Leyre. J� chega, por favor.

N�o pode ser.

N�o, eu consigo outra vez. Olha.

Est� bem. Tu � que pediste.

N�o ouves vozes estranhas?

N�o.

Devem ser interfer�ncias do aparelho auditivo com a box.

Acontece muitas vezes.

Sim?

Valha-me Nossa Senhora.

At� ao fim, como se diz.

N�o entendo nada.

Deve ser melhor, n�o �?

Pelo menos � o que me parece.

J� chega.

J� aguentei bastante. Acabou-se. Adeus.

Adeus como? Nada disso.

Tem a obriga��o de ouvir e calar.

Al�m disso n�o acabei. H� mais.

H� mais?

Estava � espera disto.

Deus nosso Senhor tem estado a p�r-me � prova

mas neste caso passou-se um bocado. Um bocado grande.

Deve ter feito alguma coisa. Entre e fa�a o seu trabalho bem feito.

N�o. Procure outro padre para contar as suas loucuras.

Deixe-me em paz.

Mas que bem.

N�o acredita no perd�o dos pecados nem em Deus, nem em nada.

Mas que belo padre se fez.

D�-me uma prova.

S� uma prova de que isto � verdade. Vamos ver.

Isto parece-lhe uma prova?

Aqui tem.

Ent�o? Onde �amos?

Sim, na manh� seguinte, depois de...

Julen.

Julen.

N�o te venhas, Julen. Nem penses nisso.

N�o aguento mais. N�o aguento, vais matar-me.

J� posso morrer.

Estive bem?

Merda! Vou para casa antes que os meus pais acordem.

Quero chegar a tempo dos Simpsons.

Meu Deus, n�o.

- Espera, Julen. - Que foi?

- Outra? - N�o!

Lembras-te do plano que te contei ontem?

Sim. E ent�o?

N�o te devia ter pedido nada.

N�o, n�o. �s a minha dona.

Isso excita-me.

N�o digas isso. J� n�o quero ser dona de ningu�m.

Bem, um bocadinho aos poucos. S� aos poucos.

Ainda por cima debaixo do meu nariz!

Olha, Leyre, eu posso gostar de assembleias, acordos e comit�s

mas se voltares a comer o meu filho

juro que te agarro pelo cabelo e te arrasto pelo Guecho, ouviste?

- M�e, m�e. - N�o, quero que todo o mundo ou�a!

J� estou farta destes convencidos

que pensam que podem fazer o que querem.

Para casa!

- Que saibas que isto n�o acabou. - Ent�o vais para um internato.

O meu filho n�o anda com uma velha ou n�o me chamo Ikerne.

Pode ser velha mas fode bem.

Ainda me vais contar, imbecil?

Como se portou o Julen?

Querido, ultimamente, com tantos problemas n�o temos falado.

H� coisas estranhas para ti,

como isto do Julen, por exemplo.

Mas quero dizer-te uma coisa, estou a fazer isto tudo por ti.

Se alguma coisa te fizer sentir mal deita para fora, meu amor.

Sem medo.

O qu�?

Perguntaste-me pelo telem�vel do pai, onde o deixei.

Quando eu e o Julen viemos buscar o carro

meti o telem�vel do pai numa caixa de garrafas de vinho que havia,

a �nica que estava aberta.

- E agora � que me dizes? - Sim. Que se passa?

Os transportadores levaram-no todo.

N�o ouviram algu�m a gritar como se fosse louca?

Agora n�o, m�e. Pe�o-te, por favor.

- Deve ser o aparelho auditivo. - Evelyn.

N�o me digas que n�o podes vir. Pe�o-te, por favor.

Pela tua m�e e pela minha.

Vamos, av�. Vamos fazer o pequeno-almo�o.

N�o, n�o. Eu mato-me.

A s�rio, mato-me.

Evelyn, aqui dentro de dez minutos. Ouviste?

- N�o grite comigo. - Queres que repita em chin�s?

- Muito obrigado. - De nada.

Ol�.

Ia buscar o t�xi agora mesmo.

D�-me o telem�vel.

O que aconteceu ontem n�o esteve bem.

N�o estamos em Bronx nem no Oeste.

D�-me o telem�vel e entra.

Est� bem. Mas nada de pancada.

- S� estou a tentar ser construtivo. - Entra.

Queres que te aconte�a o mesmo?

Queres levar uma tareia que te deixe inv�lido?

Mas eu n�o fiz nada, estava aqui tranquilo

e aquela louca entrou no meu t�xi.

Toma isto.

Vais voltar � esquadra e vou dizer-te o que tens de lhes dizer.

�s ator, n�o �s?

Sim, mas sou um ator de merda.

Acredita que te parto as pernas.

Podes acusar-me mas ningu�m vai acreditar

porque n�o tenho motivo nenhum para te deixar inv�lido. Percebes?

Repete comigo at� memorizares.

Depois vais � esquadra, fazes o teu papel, piras-te

e n�o nos voltamos a ver.

Mas de certeza?

Passei a noite toda sem pregar olho

a pensar no que fazer, se hei de dizer a verdade ou n�o.

E?

A mulher de ontem prometeu-me...

Dinheiro?

Mil euros para a ajudar a fazer uma cena no caf�.

Para a verem. Entrou no t�xi em Guecho.

E porque n�o nos disseste isso ontem?

Pelos mil euros.

Mas visto que h� um assass�nio pelo meio

pensei melhor.

E essa beata?

A beata.

A mulher n�o entrou sozinha no t�xi,

entrou com um rapaz que estava a fumar um charro.

Eu disse-lhe: "Por favor, atira o charro pela janela, rapaz".

E eu achava que ele tinha atirado mas esta manh� estava no ch�o.

Era um destes?

Sim.

O da frente.

Ol�. Eu vinha verificar uns portes.

Fale com o Paco.

Desculpe?

Ol�?

Desculpe?

- Ol�. - Ol�, senhora.

Os meus p�sames. Parece mentira, n�o �?

Eu no outro dia a falar com o seu ex e...

Sim, � horr�vel.

N�o tenho pena nenhuma.

Estou aqui porque acho que no outro dia levou uma coisa minha.

Uma coisa que caiu numa caixa de vinho que estava aberta.

Ainda est�o a� no armaz�m.

Menos mal. Posso ir buscar?

- Temo que n�o possa mexer em nada. - Porqu�?

A pol�cia fechou o per�metro. Suponho que por causa do assass�nio.

Fecharam o per�metro.

E s� ver?

Como lhe disse, uma estava aberta.

N�o. N�o h� nenhuma aberta.

Mas de que estamos � procura, filha? N�o me contas nada.

Ou�a, pare! Pare.

Esteve na minha garagem no outro dia

para ir buscar uns m�veis velhos e umas caixas de vinho. Lembra-se?

N�o viu, por acaso, uma que estava aberta?

Como estava aberta pensei que n�o vos interessava.

Desculpe.

Tem-na o senhor, gra�as a Deus.

Pode ficar com o vinho, ofere�o-lho.

Mas preciso de uma coisa que estava l� dentro.

Por favor.

- Claro. - Obrigada.

Mas querida, era um tonto, um forreta.

E para al�m disso era um sem-vergonha.

J� n�o te sei explicar como nos arruinou a vida.

Que bem que esse charuto cheira.

- Aonde vamos? - Sim, aonde vamos?

A um armaz�m que tenho com o meu primo.

Temos tralha para dar e vender. Mas n�o se preocupe.

Se houver ratos v�o para o arroz.

- M�e, tu ficas aqui. - Sim, e perco isto.

Alguma vez me vais dar ouvidos?

Coca�na. Quilo e meio bem pesado.

Primo, n�o te importes connosco.

Que raio se passa aqui?

Est�s parvo?

N�o v�s que estamos a tratar de neg�cios?

Mas quem � esta tipa?

� uma senhora que vem buscar uma coisa que deixou a�.

Ol�, como est�?

Desculpe, � que acho que me esqueci de uma coisa naquela caixa de vinho.

� uma lembran�a de fam�lia.

� que � vi�va.

Leva o que tens a levar e fora daqui.

Que am�vel. Desculpe.

Ol�.

Desculpe.

Caramba, que grande telem�vel.

Pode dar-mo por favor?

Isto n�o tem um microfone, pois n�o?

Como teria um microfone? Por Deus, n�o.

N�o sei.

- N�o. Asseguro que n�o. - Diz-me tu.

- N�o, n�o. - Atende.

- Deve ser o meu filho. - Eu atendo-o, linda.

- � o meu filho. - "Andoni, pol�cia".

- N�o, � um vizinho. - Um pol�cia a ligar-te aqui!

- N�o, n�o. - Merda, h� uma carrinha l� fora.

- � minha. - E tem gente dentro.

- � s� uma av�. - Quieto!

Merda! Que est�s a fazer, cabr�o?

- Vou levar tudo. - Levas o cara�as, sacana de merda.

Ajuda-me.

Filha da puta, ajuda-me.

Ajuda-me. Ajuda-me.

Salvei-te a vida, filha da puta.

Sra. Blanco, fala o inspetor Galarza.

N�o consigo falar consigo

mas preciso que v� � esquadra com urg�ncia.

Asier!

D�-lhes com for�a.

Sra. Blanco, fala o inspetor Galarza.

N�o consigo falar consigo

mas preciso que v� � esquadra com urg�ncia.

M�e.

M�e, n�o sei como dizer-te isto.

Vais ter de cuidar do Asier.

- Vais ter de tomar conta dele. - Eu?

Vou entregar-me � pol�cia, m�e. � o melhor.

N�o digas parvo�ces.

� melhor acabar com isto o quanto antes.

Vou para a pris�o e cumpro a pena.

Se me portar bem talvez esteja c� fora daqui a 3 anos.

Mas mataste o teu marido?

Caramba!

Porra, m�e. Sim, sim.

� um cabr�o a menos.

Julen, Asier, o que queremos � que digam a verdade, sem medo.

Estamos aqui para vos ajudar. Est� bem?

Estes senhores s�o do tribunal de menores.

Est� bem.

Muito bem.

Dizes que no dia em que mataram o pai do Asier

foste a casa dele � tarde para fazer um trabalho.

A que horas?

Pelas 18h00.

Ligaste ao Asier do teu telem�vel �s 18h20.

- Liguei? - Sim.

Isso quer dizer que n�o estavas com o Asier.

Com quem estavas, Julen?

H� uma testemunha que diz que te viu apanhar um t�xi

por volta das 18h45 com a m�e do Asier.

- Isso � verdade? - Desculpe, um t�xi?

Estiveste com a m�e e o pai do Asier? Estiveste com ele naquela tarde?

- Matei o meu pai. - O qu�?

N�o, n�o. Eu � que o matei com uma faca.

- Fui eu com uma tesoura. - Mentira!

- Verdade. - Um momento.

O interrogat�rio n�o pode continuar.

- Mas est�o a confessar. - N�o. Nada disso.

T�m direito a representa��o legal.

Al�m disso quero um relat�rio psicol�gico.

A partir de agora o caso est� nas nossas m�os.

S�o dois menores e acho que n�o h� o m�nimo risco de fuga.

E ainda por cima chega atrasada.

Evelyn,

preciso que leves a minha m�e a casa e que fiques a dormir com ela esta noite.

Agora a senhora pede favores

depois da gritaria desta manh�.

Desculpa, mas preciso que fa�as isto, por favor.

Mas de onde saiu?

- Parece que saiu do inferno. - Quase.

- Tratas de tudo? - Porque gosto do seu filho.

- E de mim n�o? - De si n�o.

� m� como as cobras.

Ela tem raz�o, m�e.

Porta-te bem.

Vamos para casa.

Disseste comida e sexo sem telefone e trazes-me aqui?

Ainda por cima comprei roupa interior sensual.

E?

Outra vez.

S� quero ver quem �s.

Porra.

- Estou? - Estou, fala a Evelyn. Ou�a.

Disse para a avisar se soubesse de alguma coisa

sobre o telem�vel de que estava � procura no outro dia.

- Acabei de o ver. - Porra!

Bom trabalho. Quem o tem?

Francamente, Leyre.

- N�o esperava isto de ti. - Nem eu de ti.

N�o sei de que est�s a falar, Susana.

- E n�o quero saber. - N�o queres saber?

Estou a falar do telem�vel do Cosme, o que tu tinhas desde o in�cio.

Vemo-nos esta noite em casa. Prometo que pelo menos fazemos sexo.

Vou entreg�-lo a uma esquadra.

O qu�? S� razo�vel, Leyre, por favor.

Desculpa a sinceridade, mas inteligente n�o �s

e vais acabar por fazer porcaria.

V�o deter-te.

Ent�o detenham-me.

Que bonito. E o teu filho?

Vai ser o filho de uma assassina?

� isso que queres? Porque eu posso salv�-lo de tudo.

N�o v�s que isto afeta toda a gente?

Que queres que fa�a?

A, deixa-te de melodramas.

B, vem aqui imediatamente. N�o, espera.

Daqui a pouco mando-te a localiza��o.

- Posso? - Que se passa, Susana?

Eu devolvo-a daqui a nada.

Est�s louca?

A Leyre tem o telem�vel do Cosme.

Talvez tenha sido ela a mat�-lo

e estamos a dar cabo de tudo.

Se o telem�vel chega a um juiz...

Se esse telem�vel chega �s m�os de um juiz estamos bem lixadas.

Vamos para a pris�o, querida. Queres continuar a ser rica?

Queres que o neg�cio continue a ser rent�vel?

Claro que sim.

Eu tamb�m. Ent�o, querida Vanesa,

temos de agarrar o touro pelos cornos, tu e eu.

N�o temos alternativa. Est�s disposta?

A qu�?

- A mat�-la? - Por exemplo.

Por favor, deixa-me sozinho.

Por favor, deixa-me sozinho.

Por favor, deixa-me sozinho.

Vamos dar uma volta.

- Eu n�o quero problemas. - Conduz.

Eu n�o me volto a meter nisto nem a colaborar.

S� fiz o que me disseram.

O que te disse quem?

J� come�as? Primeiro dizes assim, depois assado.

Assim n�o se pode. Tenho os meus direitos, assim n�o.

Eu pago os meus impostos.

Isto � por n�o teres posto o cinto de seguran�a.

Mas est� posto.

Vamos come�ar de novo.

Fizeste o que te disse quem?

Mas que te disse a m�e?

N�o atende as chamadas nem responde no WhatsApp.

Sim, ela disse-me uma coisa. Mas n�o me consigo lembrar o qu�.

Caramba, av�. S� te lembras do que queres.

- Sabes quantos anos tenho? - 101?

Mais tr�s.

Tenho o direito de me lembrar ou n�o me lembrar do que quiser.

MEU FILHO

Av�, queres jogar uma partida de cartas?

- Estou? - Ou�a-me.

Estou aqui sozinha com o mi�do e a av�.

Que tenho de fazer?

� muito f�cil.

A, tem de impedir que saiam. B, n�o podem falar com ningu�m.

Mas ningu�m mesmo.

Mas � que...

Evelyn, quer um visto de resid�ncia? Sim.

Quer um bom trabalho? Sim.

Quer dinheiro para mandar para a sua fam�lia? Sim.

Ent�o fa�a o que lhe pe�o.

Meu Deus.

A melhor da minha turma e acabei assim.

Vou ligar ao meu marido porque ele est� chateado.

Gordito.

Lamento, meu amor, vou atrasar-me outra vez esta noite.

Sim, prometo que n�o chego tarde.

N�o te preocupes, esta noite damos duas.

Adeus. Amo-te.

Por que viemos aqui?

Porque � propriedade do Cosme. V�o construir um hipermercado.

e porque � perfeito para n�s.

O telem�vel.

N�o pode acontecer nada ao meu filho.

Vamos.

N�o vai acontecer nada ao teu filho se fizeres o que dizemos.

Porque o tens?

Mataste-o?

Ainda por cima t�nhamos raz�o. Ela matou-o.

Muito bonito, Leyre.

D�-me j� a porcaria do telem�vel.

Queres mesmo desgra�ar o resto da vida do teu filho?

S� h� uma forma de o livrares do que lhe pode acontecer por tua culpa.

Copia isto, tal e qual, com a tua letra e assina.

- Que � isto? - A tua confiss�o.

Como e porqu� mataste o Cosme.

Amanh�, quando o juiz encontrar isto ao p� do teu cad�ver � caso encerrado.

N�o aguentaste os remorsos.

Do meu cad�ver?

Sim, Leyre.

Em troca o teu filho ter� a heran�a a que tem direito.

N�o lhe vai faltar nada. Dou-te a minha palavra.

Vou faltar-lhe eu.

Sim, a assassina do pai dele.

� o melhor para o parvo do teu filho.

Que queres? Que te investiguem?

Que encontrem a merda toda? � isso que queres?

�s boa m�e, Leyre.

Quem diria?

Queres um copo de �gua para tomar isto?

Se fizeres o que te pedimos

o teu filho vai estar a salvo de tudo.

Senta-te e escreve.

Engole.

Acabei de te denunciar ao juiz.

Por criares provas falsas, por aceitares subornos

e por colaborares num assass�nio.

S� tu podias ter tirado essa beata do quarto do mi�do.

O taxista contou o resto.

N�o �s bom para estas coisas, Andoni.

Diz alguma coisa.

D�-me uma chapada, n�o sei.

Desculpa, pai. N�o te vou deixar sozinho.

Abre a porta, Andoni.

Andoni, abre.

Andoni!

Abre.

Enquanto morre vou tratar do outro assunto.

- Evelyn? - Sim?

Ou�a-me bem e n�o diga que n�o pode fazer o que lhe vou pedir.

- Meu Deus. - Pode. Sabe porqu�?

A, porque vai voltar rica para o seu pa�s.

B, porque vai fazer a sua fam�lia muito feliz.

E C, porque vai acabar por se esquecer do que vai fazer.

Mas que vou fazer?

V� ao arm�rio do corredor no hall.

Est� l� uma espingarda de ca�a.

- Carregue-a. - Mas para qu�?

Para ir ao quarto do Asier e dar-lhe um tiro na cabe�a.

Mas tem de parecer suic�dio.

N�o, n�o. N�o vou fazer isso.

- Claro que vai fazer. - Merda.

O mi�do � o �nico de quem gosto. N�o posso matar a av�?

J� estamos com mariquices? Para que veio para Espanha, Evelyn?

Para fazer dinheiro ou para fazer de negra?

Mate o rapaz, porra.

N�o vai voltar a ter uma oportunidade igual, � o que lhe digo.

Vai deix�-la passar?

N�o desligue, quero ouvir tudo.

Fomos amigas.

Amigas? � o que achas?

Odiei-te desde o primeiro momento em que te vi.

Toda a vida na tua sombra.

Filha da puta.

Jurei que um dia me pagavas tudo.

E esse dia � hoje.

Mas n�o tem de acontecer nada ao meu filho.

Por favor.

Achas mesmo que vou deixar que o idiota do teu filho

fique com o que � meu?

Mas que est�s a fazer?

N�o me deixam ouvir.

Esta imbecil acabou de vomitar tudo o que lhe demos.

Que se dane. Vai suicidar-se hoje quer queira, quer n�o.

N�o viemos at� aqui para nada.

E tu deixa a porcaria do telem�vel e ajuda-me.

N�o, n�o. A viol�ncia deixa-me maldisposta.

Isso � contigo.

N�o!

Como vai isso, Evelyn?

Lembre-se, tem de parecer suic�dio.

Os melodramas s�o para a televis�o.

Aqui n�o gostamos disso.

O mundo � para os fortes, Evelyn.

N�o seja cobarde e fa�a o que lhe digo.

Que est�s a fazer, Eve? Eve!

Evelyn?

Evelyn?

Uma idiota a menos.

Evelyn?

Evelyn?

Evelyn?

Filha da m�e. Maldita seja.

N�o me atende o telefone.

Arrasto-a pelo cabelo at� Guant�namo.

Evelyn.

Evelyn?

Evelyn.

Que noite que estou a ter.

N�o me ajudas?

N�o, eu j� tenho que me chegue.

Estou?

- Susana? - Sim?

Fala a Dana do tribunal.

Acusaram o pol�cia de aceitar subornos vossos e falsificar provas.

Suicidou-se com um tiro.

Est�o agora mesmo a assinar a ordem para deter a Vanesa.

Lembra-te deste favor. Adeus.

Puta!

Agora vamos ver se eu e tu somos capazes de sair desta.

Nunca imaginei que a Vanesa fosse a assassina do marido.

Por que o matou?

Ci�mes.

O Cosme ia voltar para a primeira mulher

e ela n�o ia deixar que isso acontecesse.

Era patol�gico.

Uma alco�lica.

Queria culpar a Leyre pelo crime.

Comprou o seu colega.

Obrigou a Leyre a assinar a confiss�o

e a tomar barbit�ricos, se n�o matava-lhe o filho.

Felizmente a Leyre vomitou-os e foi por isso que lutaram.

Pois.

E voc� apareceu ali como que por magia.

N�o. Recebi uma pista do tribunal e percebi o que se passou.

Primeiro liguei para a casa da Leyre

e Gra�as a Deus a av� p�de impedir que matassem tamb�m o rapaz.

Coitada.

Depois liguei � Vanesa para tentar cham�-la � raz�o

e encontrei o que encontrei.

Incr�vel.

Um horror.

N�o ter� tamb�m uma explica��o para um tiroteio

num armaz�m onde houve cinco mortos?

Quem? Eu?

Agora h� uma onda de crimes e a culpa vai ser minha.

Inspetor,

n�o tem um pouco de whisky?

� que estou um pouco afetada.

Se me arrependo do que fiz?

N�o estive bem

mas que quer que lhe diga?

Matar essa cabra com as minhas pr�prias m�os

foi a melhor coisa que fiz na vida.

Queria matar o meu filho.

Em rela��o ao Julen

tamb�m n�o estive bem.

Mas n�o entende, padre.

N�o sabe como � possuir um homem assim.

� uma coisa...

J� est�. J� acabei.

J� est�? N�o. N�o est�.

Que quer que eu fa�a agora?

Que chame a pol�cia?

Que deixe o h�bito?

Que fa�o agora?

D�-me o perd�o e a penit�ncia e assim. N�o?

Quantos assass�nios foram no total? Oito?

Desculpe, perdi a conta.

Para n�o falar de tudo o resto.

Meu Deus, vais acabar por dar comigo em doido.

E acabou com o mi�do, certo?

O atrasado. Porque normal n�o �.

Bem, padre...

Tu tamb�m n�o pareces muito esperta.

� um bom mi�do.

N�o te apaixonaste?

N�o. J� deixei de me apaixonar.

Mas ou�a uma coisa, padre.

Tudo o que fiz foi pelo meu filho.

- Est� errado? - Errado, errado...

Ajudar um filho n�o, mas...

Ent�o qual � a penit�ncia?

Se voltar a ouvir falar de mais assass�nios...

E tr�s Av� Marias.

S�?

E a hist�ria com o Julen acabou.

Salv�, Rainha, m�e de miseric�rdia,

vida, do�ura, esperan�a nossa, salve!

A V�s bradamos os degredados filhos de Eva.

A V�s suspiramos, gemendo e chorando neste vale de l�grimas.

Eia, pois, advogada nossa,

esses Vossos olhos misericordiosos a n�s volvei.

E, depois deste desterro, nos mostrai Jesus,

bendito fruto do Vosso ventre.

� clemente, � piedosa...

Achas que se vai conseguir esquecer?

O Asier?

O Asier � feliz.

Como eu.

Tu �s feliz?

- O qu�? - Se �s feliz?

Porque n�o me mentes? Estou-me nas tintas.

Realiza��o

Argumento

Produ��o

Produ��o Executiva

Fotografia

M�sica

Montagem

Tradu��o e Legendas: Cinemundo, Lda por Lu�s Zanguineto

FIM

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