Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Guarani
Gujarati
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
O CONDE DE MONTE-CRISTO
a partir do romance de
Em Fevereiro de 1815, em Marselha, o guarda-livros Danglars,
com inveja do marinheiro Edmond Dantès,
denuncia-o como conspirador Bonapartista.
O substituto do procurador, Villefort, comprometido no caso,
atira Dantes para um calabouço no Castelo de If.
Ele fica lá 14 anos.
Em confidência, o prisioneiro abade Faria
revela-lhe a existência dum fabuloso tesouro
enterrado numa gruta da ilha de Monte-Cristo.
Dantès consegue fugir do Castelo de If e encontra o tesouro.
Agora é um dos homens mais ricos do mundo
e começa a acertar contas com os seus inimigos
sob o manto do misterioso conde de Monte-Cristo.
Em 1838, durante o Carnaval de Roma,
salva o jovem visconde de Morcerf das garras dum bandido romano.
Cheio de gratidão, Albert de Morcerf convida o conde a ir a Paris.
Monte-Cristo encontra cada um cuja traição causou a sua prisão.
Fernand tornou-se Conde de Morcerf
e marido da Mercédès, antiga noiva de Dantès.
Danglars tornou-se banqueiro e Villefort chegou a procurador régio.
3º episódio OS CELERADOS
Albert, não se preocupe. Compreendo-o bem.
O Sr. Debray avalia os meus móveis?
Não, gosto demasiado deles.
Faço apenas umas contas.
Isto diz-lhe indirectamente respeito, Albert.
Calculo que a Casa Danglars ganhou com última alta do Haiti
300 mil francos.
- Como foi isso? - Muito simples.
Os fundos subiram de 206 para 400 francos em três dias
e o barão desfez-se das suas acções quando o valor atingiu este último valor.
Ele teve faro pois os fundos caíram para 204 depois de os vender.
Um homem bem informado.
Informado aqui pelo Sr. Debray, que recebe na sua secretária,
antes de todos, as notícias por telégrafo
e logo as passa à Sra. Danglars.
Porque diz isso?
A sua ligação à baronesa é notória, meu caro Lucien.
Não teme que um dia o telégrafo transmita uma notícia falsa?
A ideia é interessante,
mas asseguro o Sr. Conde que o Ministério do Interior
nunca recebeu notícias falsas por telégrafo.
Está a fazer a sua colheita?
Está na hora da pausa, senhor.
É um dos chefes?
Descanse, sou apenas um viajante que nunca viu o telégrafo aéreo.
Que bela invenção a do Sr. Chappe.
O senhor veio ver o telégrafo.
Não vou fazê-lo perder o seu tempo.
O meu tempo não vale muito.
Ainda tenho uns instantes.
Recebi o sinal de que podia descansar uma hora.
Deve ser um trabalho cansativo.
Não, é só repetir maquinalmente os sinais
transmitidos pelo posto anterior e o próximo faz o mesmo.
São 53 daqui até Bordéus.
Quanto tempo leva um envio de tamanho normal
para chegar de Bordéus?
Seis minutos com céu limpo.
Tem frequentemente mensagens interessantes a transmitir?
Interessantes?
Não tentamos compreender, limitamo-nos em repetir os 98 sinais.
Ser telegrafista requer longos estudos.
Não, é breve.
Longa é a espera pela promoção, que essa, nem vê-la.
Enfim...
Ganha-se mil francos por ano, tem-se alojamento...
E uma bela horta.
É onde passo as minhas pausas e os dias de nevoeiro.
Nesses dias é uma festa.
Planto, aparo, podo, dou cabo das lagartas.
Passa-se o tempo. Estou aqui há dez anos.
Daqui a mais dez, terei uma pensão de 300 francos.
300 francos? Interessante.
Caso se atrevesse a alterar qualquer coisa ao sinal que envia
e acabasse por transmitir outra mensagem?
Seria despedido e perderia a pensão. Jamais faria tal coisa!
Nem mesmo por...
Por 15 mil francos?
O senhor quer comprar-me?
Apenas tentá-lo. Digamos então 25 mil francos.
Pense um pouco.
Com 5 mil francos compra uma bela casa e duas jeiras de terra.
Dos 20 que sobram tira mil de renda.
Imagine só duas jeiras de terra. A quantidade de morangos,
os montes de damascos, as pirâmides de nectarinas.
Meu Deus...
- Que devo fazer? - Uma infantilidade.
Irá transmitir estes sinais.
O senhor pode acompanhar-me.
Lucien...
Hermine, o seu marido possui fundos espanhóis?
Creio que uns seis milhões.
Pois ele que venda, não importa o preço.
D. Carlos fugiu de Burges e regressou a Espanha.
Os carlistas vão tomar o poder.
Obrigada, Lucien.
É o notário?
Sim, Sr. Conde.
Aqui está a escritura.
Onde fica esta casa que estou a comprar?
Conde, a casa é muito bem localizada em Auteuil,
na orla do Bosque de Bolonha.
Acha os subúrbios um local para casa de campo, Sr. Bertuccio?
- Foi o Sr. Conde a ver o anúncio. - Tem razão.
Fui seduzido por um anúncio enganoso de "casa de campo".
- Vou procurar noutro lugar. - Deixe estar, fico com esta.
Entregue 55 mil francos a este senhor.
O Sr conde enganou-se.
São 50 mil francos apenas, já com os meus honorários incluídos.
É para pagar as suas deslocações.
Obrigado, senhor.
Sr. Bertuccio.
Senhor?
Gostaria de visitar hoje à tarde a minha propriedade.
- Acompanha-me? - Sim, senhor.
Em Auteuil, Rua de la Fontaine, nº 28.
Rua de la Fontaine?
Número 28?
Amigo, esta casa parece completamente abandonada.
É verdade, Sr. Conde.
Há mais de cinco anos que o marquês de Saint-Méran não vem cá.
Saint-Méran...
Esse nome diz-me algo.
Um fiel servidor do rei Luís XVIII.
Ele deu a sua única filha em casamento ao Sr. de Villefort,
que foi procurador régio em Marselha e mais tarde em Versalhes.
Ela morreu há vinte anos.
Desde então, o Sr. de Villefort não veio mais que três vezes.
A casa deve lembrar-lhe demasiado dela.
Devo acompanhá-lo?
Não, obrigado.
Entre, Sr. Bertuccio.
- Vejamos aonde vai dar esta escada. - Ao jardim, senhor.
Enfim, creio eu.
- Vamos assegurar-nos. - Sim, senhor.
Agora.
Sim, senhor.
Então?
Avance, Sr. Bertuccio.
Pode avançar.
O que o detém?
O senhor bem vê que nada disto é natural.
Compra uma casa em Auteuil
e é precisamente o número 28 da Rua de La Fontaine,
como se apenas houvesse a casa do...
Do...?
... do assassínio, senhor.
Do assassínio, peste?
Diabo do corso, sempre com mistérios e superstições.
Quero ver este jardim.
Não vá mais longe, senhor.
É este o lugar onde ele caiu.
Sr. Bertuccio, falemos a sério.
Estamos num jardim inglês em Auteuil e não no meio do mato.
O abade Busoni recomendou-o
sem mencionar o seu envolvimento num assassínio.
O abade ouviu-me em confissão.
Ele avisou-o de que eu cometi um grande erro.
Sim, mas pensei que fosse um assalto ou um caso de vendeta.
É isso mesmo, uma vendeta.
E essa vendeta foi executada aqui mesmo.
Aqui mesmo...
Conte-me tudo.
Isso só se conta em segredo da confissão.
Então mando-o de volta para o abade, na prisão de Nimes onde o achou.
Eu conto.
Tudo remonta a 1815.
O meu irmão mais velho serviu o imperador num regimento corso.
Após Waterloo, chegou a Nimes,
onde eu devia encontrá-lo para lhe levar dinheiro.
Infelizmente, no Sul era a época do Terror Branco
e eles massacraram o meu irmão.
Então, fui atrás do procurador régio em Marselha.
Diga-me...
Na época em Marselha, havia um procurador
chamado Villefort, parece-me.
Sim, era ele.
Contei-lhe sobre a morte do meu irmão
e ele disse que tantos monárquicos tinham sido massacrados na Revolução,
que agora era a vez dos republicanos e dos Bonapartistas pagarem
a dura lei das represálias.
Uma coisa muito natural, disse ele.
Foi então que lhe declarei a vendeta
e disse-lhe que no nosso próximo encontro o mataria.
E fugi.
Mandou procurarem-me em todo o lado e não se atrevia a sair de casa.
Esperei pacientemente pela hora certa,
sem me fazer notar.
Quando foi nomeado para Versalhes, segui-o
e descobri que ele vinha frequentemente a Auteuil.
Aqui,
a esta casa.
Averiguei.
O dono residia em Marselha.
Como nunca estava em Auteuil, alugou a casa
a uma jovem viúva conhecida como "baronesa".
Ela estava escondida, à espera do nascimento dum filho.
Disseram-me que o amante vinha vê-la com frequência.
Uma noite, estava à espera e vi-o.
Era o Villefort.
Poderia vingar-me.
Três dias depois, um criado saiu a cavalo pelas 19:00
e apanhou a estrada para Versalhes à rédea solta.
Às 10:00, Villefort estava lá.
Entrou na casa pela escadaria secreta.
Esperei e depois de algum tempo...
Quando o vi a cavar a terra para enterrar a arca que trouxe,
um pouco de ganância juntou-se ao meu ódio.
Pensei que a arca tivesse dinheiro.
Sou o Giovanni Bertuccio.
A tua morte para o meu irmão.
O teu tesouro para a viúva dele.
Pois bem...
O que vejo é um assassínio seguido dum roubo.
Perdão, meu senhor...
Uma vendeta seguida duma restituição.
Foi o que pensei, só que não havia dinheiro na arca
mas uma criança recém-nascida.
Parecia morta, tinha as mãos já roxas.
Julguei sentir-lhe o coração a bater fraco
e fiz como lá na minha terra nestes casos.
Soprei-lhe ar para os pulmõezinhos.
Após um quarto de hora, deu um grito.
Estava vivo.
O que foi feito dessa criança?
Era um rapaz.
Deixei-o no casa pia de Paris
e guardei metade do cueiro bordado que o envolvia.
Seis meses depois, a minha cunhada veio da Córsega para buscar o miúdo.
Deram-lho?
Sim, ela pôde mostrar a outra metade do cueiro.
Chamámos-lhe Benedetto.
- E a criança sobreviveu? - Sim, senhor.
Nem lhe conto os maus pedaços que o patife nos fez passar
quando era miúdo. Mas um dia...
O dia mais triste da minha vida,
o Benedetto ajudado por dois amigos,
amarrou a minha cunhada em frente à lareira
e queimou-lhe os pés para fazê-la dizer onde tinha o dinheiro.
- Atroz. - Sim.
O resto ainda é muito mais.
O fogo pegou na roupa da infeliz e...
... e ela morreu queimada viva.
O Benedetto fugiu.
Nunca mais o vi.
Deus fê-lo pagar caro pelo seu crime, Sr. Bertuccio.
Já leu esta coisa insólita?
A notícia da fuga de Dom Carlos foi um erro
devido a sinais telegráficos mal interpretados por causa pelo nevoeiro.
Um erro... Mas que dia!
O que tem, Sr. Procurador?
Escapou-lhe o pescoço dum condenado?
Não, Sr. Conde.
Sofri apenas uma perda de dinheiro. Quase nada, 900 mil francos.
O meu pai deserdou a minha filha Valentine.
- Sr. Conde! - Senhora...
Com licença...
Tomo conhecimento do vosso infortúnio.
Como assim?
O Sr. de Villefort contava-me a desgraça da sua enteada.
A Valentine sempre se opôs à ideia de casar com Franz d'Épinay,
pelo que não me surpreenderia que, combinada com o avô,
tenha feito por boicotá-lo.
- Abdicando de 900 mil francos? - Ela não quer saber disso.
Há menos dum ano, queria ser freira e ir para um convento.
A Valentine vai casar com o Franz d'Épinay.
Um casamento anulado é uma mancha na reputação duma donzela.
Estou de acordo.
Permite-me um conselho sobre o assunto?
Agradeço-lhe, Sr. Conde.
A opinião dum conselheiro assim é o melhor que eu poderia esperar.
Vou dar um jantar no próximo Sábado.
A vossa presença dar-me-á muito prazer.
Iremos sim, caro amigo.
Caso permita chamar-lhe "caro amigo".
É uma honra para mim.
Será na minha nova casa de campo
na Rua de la Fontaine, 28 em Auteuil.
Foi a si que venderam a casa do Sr. de Saint-Méran?
Foi, o mundo é pequeno.
O acaso dum anúncio nos jornais
foi uma escolha que me aproxima ainda mais da vossa família.
Espero-vos Sábado às 18:00.
Nós iremos.
O Sr. Marquês Bartolomeo Cavalcanti.
Marquês Bartolomeo Cavalcanti,
ex-major ao serviço da Áustria, se não me engano.
Exactamente, Vossa Excelência.
Foi o abade Busoni que o enviou?
Foi, sim. Ele pediu-me para lhe entregar esta carta.
O abade é um excelente homem.
"O major Cavalcanti, digno patrício de Luca,"
"descendente dos Cavalcanti de Florença..."
- Sente-se. - Obrigado.
"... possuidor duma fortuna que lhe dá meio milhão de rendimento..."
Meio milhão? Não esperava tanto.
Sim, é o que escreveu o abade Busoni.
Ele é incapaz de se enganar na avaliação das fortunas
que florescem na Itália.
"... meio milhão de rendimento e a quem só falta, para ser feliz,"
"encontrar o filho adorado"
"raptado aos cinco anos por ciganos".
É verdade. Ele tinha apenas cinco anos.
Pobre pai.
"Restituí-lhe a vida ao dizer-lhe
que o Sr. Conde pode reuni-lo com o filho."
Pois posso.
Perdoe, mas não leu tudo, Excelência.
Há um post-scriptum.
Perdão.
Pois há.
"E queira entregar ao major os 50 mil francos que me deve."
Muito bem.
A sério que concorda com os termos deste post-scriptum?
Porque não haveria de concordar?
Um pedido do abade Busoni, para mim é palavra do Evangelho.
É como um alter-ego.
Perdão?
É apenas o calor.
Peço que me perdoe, estou cansado da viagem.
- Fique à vontade. - Obrigado.
Então, tiraram-lhe o seu filho?
Sim, é uma situação muito difícil.
Sobretudo por lhe ter sido dado pela marquesa Olivia Corsinari,
uma dama encantadora e creio que da nobreza de Fiseole.
Sim, da nobreza de Fiseole.
Um pecado da juventude?
E casou com ela, apesar da oposição da família?
Uns monstros. Mas levei a minha avante.
O abade enviou-me a sua certidão de casamento
e a de nascimento do seu filho.
- Um homem excepcional. - Admirável.
O seu filho chama-se Andrea e a mãe morreu há dez anos?
Sim, dez anos.
E ainda hoje choro a morte dessa mulher.
Somos todos mortais.
Vai entregar estes papeis ao seu filho
e faça-o compreender o seu valor.
Vou dar-lhe 10 mil francos.
Fico a dever-lhe 40 mil.
Obrigado.
Não vista mais esse sobretudo, fá-lo parecer um aposentado.
Encontrará tudo o que precisa na mala
que chegou ao Hotel dos Príncipes, onde ficará hospedado.
Agora adivinhe quem está cá.
O Angelo?
Quero antes dizer Andrea.
Ele está cá?
Andrea!
Abraça-me, meu filho.
Andrea...
Abraça-me, Andrea. O meu filho foi reencontrado!
Muito bem.
Não peço qualquer reconhecimento
mas ficaria muito satisfeito em vos apresentar
no próximo Sábado num jantar em Auteuil.
A Sra. Baronesa Danglars.
O Sr. Lucien Debray.
O Sr. Barão Danglars.
O Sr. Barão d'Épinay.
Como vai, meu caro conde?
A sua casa tem um perfume delicioso.
É um perfume de flores silvestres de onde os ventos do Sul se cruzam.
O Sr. Danglars não parece de bom humor.
Não está a par?
A falsa notícia da fuga de Dom Carlos custou-lhe uma fortuna.
O Sr. Marquês Bartolomeo Cavalcanti.
O Sr. Visconde Andrea Cavalcanti.
A Sra. Baronesa Danglars.
O Sr. Lucien Debray.
O Barão Danglars.
Quem é aquele Cavalcanti?
Família de príncipes.
Procuram gastar a fortuna sem o conseguirem.
O filho quer arranjar esposa em Paris.
Cavalcanti. Bom nome, pois sim!
Veste de branco. Camisa e gravata do Véronique.
É perfeito.
Um pouco ingénuo, talvez.
O Sr. Procurador Régio e a Sra. de Villefort.
Sr. Conde...
O senhor não me disse o número de convidados.
Viu-os à porta e já chegaram todos.
O que se passa consigo?
A dama que chegou primeiro, de vestido cinzento...
A Sra. Danglars.
É a mulher do jardim.
A que estava grávida.
E o último a chegar, de óculos e aspecto sinistro...
O Sr. de Villefort, o procurador régio.
- Então não o matei. - Eu diria que não.
Observe o jovem loiro de casaca preta.
Junto ao quadro de Murillo.
Benedetto!
Podem começar a servir, vamos para a mesa às 6:30.
Parece fascinado pela minha tela, Sr. Barão.
Fico lisonjeado.
Conheço esta obra. Foi proposta ao museu.
- O museu não comprou. - E porquê?
É muito ingénuo, meu caro barão.
Porque o Governo não é suficientemente rico.
De quem é a culpa?
Eu vivi alguns meses na Rússia.
Creio que este peixe é uma variedade de esturjão,
o esterlete, cujas ovas são usadas para preparar caviar.
Exactamente.
O Sr. Major Cavalcanti, que é italiano, deve saber o nome do outro.
É lampreia.
Mas atenção,
para pescar uma lampreia deste tamanho,
só indo ao lago Fusaro, que fica a mais de cinco horas de Nápoles
e tem ligação ao mar.
Mas como chegam a Paris?
É muito simples.
Lembra-me o sucedido ao príncipe de Talleyrand.
Pediu ao chefe de mesa para trocar o prato de salmão
e ele imediatamente mandou trazer mais dois, mas vivos.
Sr. Conde, admiro imensamente
a prontidão com que é servido.
Creio que comprou esta casa na Segunda.
Sim.
Visitei-a quando o marquês a pôs à venda,
abandonada durante anos.
Confundia-se com uma daquelas casas de assassínios,
onde tenha sido cometido algum grande crime.
Sim, é estranho.
Ocorreu-me a mesma ideia na primeira vez que cá entrei.
Havia sobretudo um quarto forrado de vermelho-damasco
com um efeito surpreendentemente dramático.
Deixei-o ficar como estava.
Sim, faz-me lembrar do quarto da marquesa de Ganges.
Há uma pequena escadaria secreta que leva ao jardim
e posso imaginar o cavaleiro de Ganges e o abade
a descer as escadas numa noite de tempestade,
carregando algum fardo sinistro.
Desejam a todo o custo esconder-se dos olhos dos homens,
ou mesmo dos olhos de Deus.
O que tem a senhora?
O conde assustou a dama com essa história sangrenta.
- Estou desolado. - Dê-lhe a cheirar.
Hermine, a marquesa de Ganges morreu em Hérault e não em Auteuil.
Permita-me.
Assustei-a tanto assim?
Tem uma forma de contar as coisas que faz gelar o sangue.
Censuro-me pelo medo que lhe causei sem querer, Baronesa.
Poderia ter-me referido a esse quarto vermelho
como o de uma honesta e pacata mãe de família.
E a escadaria como aquela pela qual o pai,
em respeito ao sono dela, leva o filho adormecido.
Prefiro esta versão mais serena.
Uma autêntica Natividade.
Porém, tenho a certeza de que houve um crime nesta casa.
Sr. Conde, tenha piedade.
Cautela! Temos aqui o procurador régio.
Precisamente! Aproveito para fazer a minha declaração.
Senhor de Villefort...
Um dia, mandei os criados cavarem um buraco no jardim
e encontraram uma arca.
- Chamaram-me... - E nessa arca?
Havia o esqueleto dum recém-nascido.
Não me enganei.
Esta casa parece assustadora porque esconde um crime.
Quem lhe diz que foi crime?
Uma criança enterrada viva. Que nome lhe dá, Sr. de Villefort?
Nunca a vi neste estado.
Alguém a magoou.
Conte-me. Não precisa de me esconder nada.
Não, Lucien. Fiquei incomodada
ao ouvir as fábulas macabras do Sr. de Monte-Cristo, só isso.
Boa noite.
Sr. Debray, são 23:00 e mora muito longe.
Lucien, tenho mil coisas para lhe dizer. Não vá, sente-se.
O Sr. Debray ouvirá as loucuras da Sra. Danglars amanhã.
Não estou a expulsá-lo.
Normalmente é apenas rude, mas esta noite foi extremamente bruto.
Está a fazer progressos.
Agradeço que desconte o seu mau humor nos seus empregados.
Mas como eles fazem a minha fortuna e lhes pago mal,
não me zango com eles e sim com quem me esvazia o cofre!
Perdi 700 mil francos com a Espanha.
E a culpa é minha?
Ouça...
Sempre lhe dei rigorosamente 25%
dos ganhos obtidos através das suas relações ministeriais.
Transmitiu-me uma notícia falsa.
Faz-me perder 700 mil francos.
Portanto, deve-me 25%. Peça-os emprestados!
Ao Sr. Debray, por exemplo!
Não lhe dá metade dos seus ganhos?
Assim, o seu amante perceberá que não descobriu uma roleta
onde ganha sempre sem nunca apostar.
Miserável!
Pois é.
Engana-me tanto com o Sr. Debray como com o Sr. de Villefort,
que foi o primeiro da colecção.
Como assim, o Sr. de Villefort?
Preciso de lhe explicar?
O seu primeiro marido, o falecido Sr. de Nargonne,
teve a infeliz ideia de se ausentar sete meses.
Quando regressou, você estava grávida de seis meses.
Em vez de desafiar para um duelo
o pai da criança que levaria o seu nome,
ele preferiu matar-se.
O seu sentido de honra impediu-o de ser cornudo.
Ele não tinha dinheiro para salvar.
Só que eu tenho!
Falou o antigo guarda-livros.
Permitir-lhe-ia tornar-me odioso,
mas não vou deixá-la expor-me ao ridículo.
Faça de si o que quiser, é-me igual.
Mas eu proíbo a senhora de me arruinar!
Obrigado pela sua pontualidade.
Há muito que não tinha a felicidade de a encontrar a sós.
Foi necessária uma circunstância tão penosa para nos reunir.
Uma ocasião atroz.
Mais do que julga.
Não, é impossível.
O Conde de Monte-Cristo não pode ter encontrado nada
escavando o jardim da casa de Auteuil
porque não havia lá nada.
Mas porque me engana?
- Com que intuito, senhor? - Não a engano.
Há 20 anos que carrego este fardo sozinho.
Peço-lhe agora que o partilhe comigo, Hermine.
O homem que apenas me feriu, julgando matar-me,
levou a arca onde eu tinha colocado o cadáver do nosso filho.
Porque é que o levou?
Por uma razão terrível para nós.
A criança que julgávamos morta estava viva.
O meu assassino salvou-a.
Cismei durante os seis meses em que estive entre a vida e a morte.
Quando tive alta, corri à casa pia
e soube que naquela noite deixaram lá um rapazinho
embrulhado num cueiro de linho
que tinha metade duma coroa de barão com a letra H.
Onde está o meu filho?
Uma mulher tinha ido buscá-lo, levando a outra metade do cueiro
para atestar ser a mãe.
Procurei-o durante muito tempo.
E agora temos uma pista séria.
Alguém para além de nós sabe que o nosso filho está vivo.
O Monte-Cristo.
O Monte-Cristo?
Por que outra razão montaria aquela comédia medonha?
Porquê as fortes alusões
ao quarto vermelho e à escadaria secreta?
Não reparou nos olhos dele enquanto ele falava connosco?
Eram gélidos.
O que é que fazemos?
Tudo o que estiver ao alcance do procurador régio.
Dentro de oito dias,
saberei quem é esse Monte-Cristo.
O Sr. Abade Busoni está em casa?
Quem deve anunciar?
Um emissário do prefeito da Polícia.
O senhor abade está na biblioteca.
Sr. Abade, soubemos que conhece
pessoalmente o Conde de Monte-Cristo.
Sim.
Monte-Cristo é o nome duma ilha que o Conde possui no Mediterrâneo.
E o apelido dele é...?
Zaccone.
É o filho dum riquíssimo armador de Malta.
Eu sou siciliano.
Conheço-os desde que era criança.
Ele parece muito rico.
Fala-se de três ou quatro milhões de rendimento,
o que seria considerável.
Isso é possível.
Esse Zaccone, aliás Monte-Cristo, vem frequentemente a França?
Não, é a primeira vez.
E como passo metade do tempo em Paris,
dei-lhe as informações que ele desejava.
Pela minha parte,
recomendei-lhe o major Cavalcanti e o filho.
Uma última pergunta à qual peço que responda, Sr. Abade.
Sabe porque é que o conde de Monte-Cristo
comprou uma casa em Auteuil?
Certamente.
Quer instalar um asilo psiquiátrico
um pouco como o que foi fundado pelo conde Pisani, em Palermo.
É uma instituição magnífica.
Agradeço-lhe.
Queira perdoar incomodá-lo às dez da manhã
mas estou com um problema sério desde ontem
e queria muito abrir-me consigo.
Não foi o senhor que me disse no outro dia
que o jovem Cavalcanti quer casar em Paris?
Quando ele casar o filho deverá dar-lhe alguma coisa.
Claro está.
O Andrea levará pelo menos dois ou três milhões para o casamento.
Porquê?
Está interessado, Barão?
Não é para a Mna. Danglars, espero.
O Andrea seria degolado pelo Albert de Morcerf.
Sabe que o Morcerf...
Pensando bem,
preferia que a Eugénie se tornasse uma Cavalcanti a uma Morcerf.
Imagine só...
Imagine só que o general nunca se chamou Morcerf
e que é tão conde como eu sou barão.
Não.
Tem a certeza?
Aqui entre nós, conhecemo-nos há 30 anos.
Eu era um simples guarda-livros e ele um pescadorzito de Marselha.
Chamava-se Fernand Mondego.
Mas não é isso que me preocupa no que toca à minha filha.
Já ouviu falar do Ali-Tebelin?
O paxá de Janina assassinado na Grécia pelos turcos.
Pois.
Diz-se que o cúmplice deles
era um tal Fernand.
Isso seria uma estranha coincidência.
O melhor para si seria escrever hoje para Janina.
Toda a prudência é pouca quanto ao futuro duma filha.
Obrigado.
As uvas da França não se comparam às da Sicília ou do Chipre
mas ainda assim são muito boas. Prove.
Perdão, mas não como nada doce.
Prefere um pêssego? São deliciosos.
Há um costume árabe
segundo o qual ficam amigos para toda a vida
quem partilha o pão e o sal sob o mesmo tecto.
Estamos em França,
onde não existe o costume do sal e do pão.
Mas somos amigos, não é?
Porque não seríamos?
É verdade o que se diz?
Que tem viajado muito pelo mundo
e sofrido muito?
É verdade.
Em tempos
amei uma mulher em Malta.
Depois veio a guerra e levou-me no seu turbilhão.
Julguei que me amava o suficiente para me esperar.
Enganei-me.
Estava casada quando voltei.
Esta talvez seja a história de muitos homens
quando são jovens.
Talvez eu tivesse um coração fraco e sofresse tanto por causa disso.
Ela já morreu.
Perdoou essa mulher?
A ela sim.
Aos que me separaram dela...
... jamais.
Agora substituo o teu querido avô.
Dou-te um beijo.
Senhor...
Escreveu-me acerca do casamento desta pequena
com o Sr. Franz d'Épinay?
Sim, senhora.
É um partido vantajoso?
O barão é um dos homens mais distintos que conheço.
Essa aliança com a neta dum bonapartista não o repugna?
Sabe o que é feito do Sr. Noirtier. Ele não passa duma sombra.
Apressemos este casamento, senhor.
Sinto que tenho pouco tempo de vida.
Quero um notário, para me assegurar
de que toda a minha fortuna vai para a Valentine.
Claro.
Sossegue.
Não é um notário que a avó deve chamar. É um médico.
Não me dói nada.
Só tenho sede.
Dá-me de beber.
Vamos preparar o contrato nupcial.
Avisem o Sr. d'Épinay.
Se ninguém se opuser,
gostaria que tudo se resolvesse em dois dias.
Maximilien...
A minha avó está a morrer e exige que o contrato de casamento
seja assinado amanhã às 21:00.
Valentine,
no momento em que casares com o Franz d'Épinay, eu mato-me.
Maximilien...
Juro que me seria impossível viver sabendo que pertences a outro.
- Adeus, Valentine. - Não vás.
Eu serei apenas tua.
Então vem, vou levar-te.
Espera ao menos até não haver outra saída.
Tornei a implorar ao meu pai, vou falar com a minha avó.
Se não me ouvirem e chamarem o notário...
Partimos os dois.
Sim, juro-te pela minha vida.
Sou só tua.
Vem aqui ter amanhã antes das 21:00.
Ou bem que estaremos a salvo ou bem...
Ou bem...?
Ou bem que me perderei contigo.
Eu não insinuo nada, Sr. de Villefort. Eu afirmo.
A Sra. de Saint-Méran foi envenenada.
O veneno terá sido estricnina ou brucina.
Está enganado.
Infelizmente, meu amigo, não estou enganado.
- Contudo... - Contudo?
Se não for crime, talvez esta desgraça tenha acontecido por acidente.
- Como assim? - Eu trato o Sr. Noirtier com brucina.
Pode ter ficado um copo mal limpo.
Nesse caso, vigie os seus criados.
Mas se o ódio e o interesse forem a causa,
vigie os seus inimigos.
O que irá fazer?
O senhor é o procurador régio. Cabe-lhe a si agir.
Vou ficar calado, mas procure o culpado.
Como não apareceste
atrevi-me a entrar no jardim e surpreendi...
Ouvi os teus criados comentarem...
Sim, a minha querida avó morreu.
Antes de morrer,
ordenou que o meu casamento se realize o mais breve possível.
Vem. Tenho um amigo nesta casa.
Avô, apresento-te o Maximilien Morrel.
O Sr. Franz de Quesnel, barão d'Épinay?
Sou eu.
Estes senhores são as minhas testemunhas.
Devo prevenir o Sr. Barão que este casamento,
por decisão do Sr. Noirtier, alienou inteiramente
a fortuna que devia deixar à neta após a sua morte.
Pela minha parte, previno o Sr. d'Épinay
que me era impossível atacar o testamento do meu pai.
Penaliza-me que se tenha suscitado a questão diante da Mna. de Villefort.
O Sr. Noirtier de Villefort deseja falar agora
com o Sr. Franz d'Épinay.
- Agora? - Sim, senhor.
Após o contrato, se ele quiser. Imediatamente é impossível.
O Sr. Noirtier deixou bastante claro.
Em caso de recusa ao seu pedido,
o Sr. Noirtier far-se-á conduzir até ao salão.
Será um prazer em apresentar os meus respeitos ao Sr. Noirtier.
Vamos lá.
Perdão.
Queres que o Sr. d'Épinay leia este papel, avô?
"Extracto da acta do clube Bonapartista da Rua Saint-Jacques"
"Reunião de 5 de Fevereiro de 1815"
5 de Fevereiro de 1815...
Foi na noite de 5 para 6 de Fevereiro que o meu pai foi assassinado.
O que está na acta? Fale.
Senhor, acabo de saber que o meu pai,
que os bonapartistas julgavam estar do seu lado,
foi convocado para esta reunião a 5 de Fevereiro.
Informaram-no do regresso próximo do usurpador a França.
O general de Quesnel, feito barão d'Épinay por Luís XVIII,
declarou como homem honrado que permanecia leal ao rei.
O presidente do clube, temendo que o general de Quesnel
revelasse a fuga de Bonaparte da ilha de Elba,
algo que o meu pai certamente não faria,
o presidente desafiou-o para um duelo.
Bateram em plena noite
no Cais dos Olmos.
O meu pai foi morto no escuro.
Não era mais um duelo, foi um assassínio.
Atiraram o seu cadáver para o Sena.
Preciso de saber o nome do presidente deste clube Bonapartista,
de saber finalmente quem matou o meu pai.
Você?
O Sr. Conde de Monte-Cristo.
Minha senhora...
Sr. Cavalcanti, as meninas não o convidaram a tocar com elas?
Infelizmente, a Mna. Eugénie está na aula de canto.
Venha daí!
Admiro o meu marido pela sua força de carácter.
Ainda esta manhã soube da falência dum banqueiro em Milão
que o fez perder 400 mil francos.
Confio no Sr. Danglars. Conhece bem a bolsa e há-de recuperar.
Engana-se. Ele nunca jogou na bolsa.
É verdade.
Disseram-me que a senhora é que jogava, Baronesa.
Perdi o gosto, a bem dizer.
O Cavalcanti é um jovem encantador.
Mas a propósito, o título de príncipe vem de onde?
Presumo que da mesma fonte que o seu título de barão.
O Visconde de Morcerf.
Minha senhora...
Sr. Barão...
- Como vai a Mna. Danglars? - Está óptima.
Toca um pouco de música com o Sr. Cavalcanti.
Um duo encantador.
Ela e o príncipe entendem-se lindamente.
Qual príncipe?
O príncipe Cavalcanti, Visconde.
É primoroso.
Parabéns, donzela.
Bravo, Príncipe.
- Sr. Barão, um recado urgente. - Com licença.
Posso ter algo a transmitir-lhe, Conde. É o meu correio da Grécia.
Como está o rei Otão?
A carta não trata disso,
mas o seu conteúdo fará tremer certas pessoas.
Deu-me um excelente conselho, Sr. Conde.
Existe uma história horrível acerca destes dois nomes,
Fernand e Janina.
Parabéns.
Gostaria de ser assim tão bom atirador pois vou bater-me.
Com quem?
Com o Beauchamp. Já viu o jornal?
"Escrevem-nos de Janina."
"Um facto até agora ignorado que chegou até nós."
"A cidadela de Janina foi entregue aos turcos"
"pelo homem de confiança do vizir Ali-Tebelin,"
"um oficial francês chamado Fernand."
E então?
O meu pai lutou ao lado de Ali-Tebelin e chama-se Fernand.
Talvez tenha razão.
Pode haver quem veja algumas ligações infelizes.
Ou o Beauchamp se retracta ou eu mato-o.
Não. Deve informar-se primeiro.
- Informar-me? - Sim.
Procure o Beauchamp e fale com ele
antes de lhe enviar as suas testemunhas.
Provavelmente tem razão.
Caro Albert, tente encontrar um lugar nesta barafunda.
Venho falar do jornal.
Penso que este artigo merece, ao menos, uma correcção.
Este oficial é seu parente?
Sim. O seu jornal insulta-o.
Quero uma retractação e hei-de a ter!
Este oficial é o meu pai, Fernand Mondego.
conde de Morcerf.
Vai desmentir essa calúnia?
Sim, claro. Assim que me certificar
de que a acusação contra o seu pai é falsa.
Falsa? Há dúvidas?
Desminta, senhor.
Desminta ou iremos bater-nos.
Agora trata-me por "senhor"? O que significa isso?
É claro, parece-me.
Eis a minha resposta, caro senhor.
Esta informação será refutada ou confirmada por quem de direito.
Depois aceitarei cortar o pescoço consigo,
se considera que a honra do seu pai o exige.
Ele que entre.
Entre, Príncipe.
É sempre um prazer receber a sua visita,
seja qual for o motivo.
Sr. Barão, desde a partida do meu pai
que encontrei uma segunda família na sua casa.
É verdade. Descobri sob o seu tecto
toda a felicidade com que sonhava
e isto já antes de ser tolhido pela violência da paixão.
No que toca à paixão, tive a sorte de a encontrar, creio.
Italianos duma figa.
Sabem sempre falar das coisas do coração
de formas mais belas do que nós, pobres nórdicos.
Mas que paixão é essa?
A que nutro pela Mna. Danglars.
Em suma, está a pedir-me a mão da minha filha.
Em suma, sim, Sr. Barão.
Esta proposta honra-me, senhor.
Mas vou ser directo, a pior das minhas qualidades.
Podemos falar dos interesses envolvidos?
A minha filha é a minha única herdeira.
Dar-lhe-ei quando ela casar a soma de 500 mil francos
e mais aquela jóia que pertenceu à rainha.
Também será prenda de casamento e vale o dobro.
Pediu-ma em casamento e eu interrogo-me...
... e do seu lado?
O meu pai decidiu dar-me uma pensão anual de 150 mil francos
a partir do dia do meu casamento.
Mas penso que me dará também o capital de 3 milhões.
Mais os 2 milhões da parte da minha mãe,
a marquesa Olivia Corsinari.
Talvez devesse confiar-lhe tudo para que o faça render.
Claro está.
Normalmente dou 3,5%, mas ao meu genro darei 5%.
E partilharemos os lucros das operações.
Será maravilhoso, caro sogro. Perdão, "senhor".
Mas posso ter esperança?
No que me toca, Sr. Andrea, é um negócio fechado.
Tem diante de si o homem mais feliz do mundo.
O que veio aqui fazer?
Dar-te um abraço, miúdo.
Muito bem. Linda estampa.
O que quer, Sr. Caderousse?
Já não me tratas por tu?
Quando penso no que partilhámos na prisão de Toulon...
Até estivemos acorrentados ao mesmo grilhão.
Cala-te!
Assustei-te?
Esta noite estou ocupado.
Espero-te às 10:00 na Rua de Ménilmontant, nº 11.
Pergunta pelo Sr. Pailletin.
Um padeiro honesto que largou o forno.
Sou eu.
Conto contigo, meu príncipe.
Cá está o Sr. Pailletin, meu belo jovem.
És pontual.
Muito bem.
Tem calma, miúdo.
Calma.
Vê o que eu preparei para ti.
Lembras-te?
Adoravas os meus cozinhados na choça.
Vai para o Diabo mais a choça. Não me chateies.
Garoto!
Progrediste muito desde que te livraste do número no casaco.
O 59.
Lembro-me bem.
Sobretudo porque o meu tinha o número 58.
Convives com os homens mais ricos de Paris.
Dizem que andas a rondar a filha do patife do barão Danglars.
Tu...
... o príncipe Benedetto.
Como se chama o teu protector?
Conde de Monte-Cristo.
Um homem que não conhece a sua fortuna.
Devias ver a casa dele nos Campos Elísios.
Há tanto dinheiro que parece maçãs num pomar
depois duma noite ventosa.
Não perdeste a mão, Caderousse.
E...
Não é...
... no número 30 dos Campos Elísios que mora o teu Monte-Cristo?
Há quanto tempo andas a espiar-me?
Há uma semana.
Então deves ter-me visto ir a Auteuil.
Essa casa também é dele.
Amanhã passa lá a noite e leva os criados todos.
E a casa nos Campos Elísios?
Fica vazia?
Sim.
Ainda ontem lhe disse que um dia destes é assaltado.
Sabes o que me respondeu?
"Que diferença me faz que me roubem?"
Tens a vida feita, celerado!
Contas-me tudo isso,
ao teu pobre velho companheiro de miséria.
Espera, deixa-me sonhar um pouco.
A casa dos Campos Elísios...
... como é por dentro?
Não sou bom em descrições,
mas com papel e tinta posso tentar fazer-te um esquema.
Vai fazer-me um desenho.
Sr. Conde...
O Sr. Conde perdoe, mas isto acabou de chegar
e o portador disse que era urgente e importante.
"O Sr. de Monte-Cristo fica prevenido"
"de que um homem entrará esta noite na sua casa dos Campos Elísios."
"O Sr. Conde é corajoso"
"para fazer justiça sem alertar a polícia."
"Precauções evidentes afastariam o malfeitor."
"O acaso permitiu ao remetente descobrir este plano abominável."
Boa noite, Sr. Caderousse.
Que maus ventos o trazem?
Abade Busoni!
Continua sempre o mesmo, Sr. Assassino.
Não.
Assassino, não.
Sim.
Eu soube que assassinou um joalheiro de Beaucaire
que procurou para vender um diamante
que lhe foi legado por meu intermédio.
Um prisioneiro desgraçado.
Não fui eu quem matou o joalheiro, foi a minha mulher.
Foi reconhecido no julgamento.
Tanto assim que só me condenaram às galés.
Em perpétua, mas aqui o encontro em Paris.
Você é um foragido.
O Sr. Abade já me salvou uma vez.
Salve-me de novo.
O senhor...
... chamou a guarda?
Não, estou sozinho.
Diga-me a verdade e eu deixo-o fugir.
Como conseguiu fugir da prisão?
Graças a um inglês, o lorde Wilmore.
Ele protegia o meu companheiro de grilhão,
um jovem corso chamado Benedetto.
Arranjou-nos o material para a fuga.
E o que é feito do Benedetto?
Hoje é conhecido como príncipe Cavalcanti.
Sim.
É o jovem que deve casar com a filha de Danglars.
Sim, é ele.
É meu dever advertir o Sr. Danglars.
Não dirás nada, Abade!
Parte-me o braço.
Piedade!
Santo Deus, que mãos fortes tem!
Caluda.
Anda.
Escreve.
"Ao Sr. Barão Danglars"
"O jovem que deve desposar a sua filha"
"é um condenado foragido"
- Mais devagar. - "é um condenado foragido"
- "que deve"? - "desposar a sua filha"
"é um condenado foragido"
"da prisão de Toulon"
"com o número"
- "de Toulon"? - "de Toulon com o número"...
59.
"O seu nome é Benedetto."
Assina.
Quer desgraçar-me?
Assina.
Quando o barão ler este bilhete
com certeza não terás mais nada a temer.
Agora sai por onde entraste.
Vai atacar-me pelas costas?
Tu, certamente, farias isso.
Ouve.
Se chegares a casa são e salvo
acreditarei que Deus te perdoou
e onde quer que estejas, dar-te-ei com que viver.
Agora, desaparece.
Socorro!
Morro!
Benedetto...
Socorro! Assassino!
Vai chamar a polícia.
Sr. Abade...
Um médico...
Morro.
Já foram buscar.
Eu sei quem me assassinou. Reconheci-o.
O Benedetto.
É a vida que me dá, Sr. Abade.
Vou escrever a tua declaração.
Vais assinar.
Deus não te perdoou, Caderousse.
Sabia que ele ia matar-me?
A justiça de Deus é impassível e tem a eternidade do seu lado.
Ela atinge cada celerado na hora que decide.
Caderousse,
numa tarde de bebedeira traíste um dos teus melhores amigos.
Deus, ainda assim, enviou-te uma fortuna
e tentaste duplicá-la com um homicídio.
O Benedetto é um homicida e ainda assim...
O Benedetto pagará como todos.
Quanto a ti,
Deus concede-te uns segundos para te arrependeres.
Eu não acredito em Deus.
Queres prova de que Deus existe, Caderousse?
Observa.
Quem és tu?
Que tal?
Eu sou...
... o Edmond Dantès.
Senhor, eu creio em Vós!
Meu Deus...
Creio em Vós.
Um.
Tradução e Legendagem LAPORT INC.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.