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Quando eu tinha 4 anos,
meu pai me deu minha primeira moto.
Aos 11 anos, eu já tinha 27 motos.
Apenas 27.
Meu pai era um dos homens mais ricos do planeta.
Ele o abraçava, brincava com ele, era um pai comum.
Um pai amoroso.
Juan Pablo não repetia roupas.
Ele usava um relógio diferente todos os dias.
Juan Pablo, venha aqui!
Como dizem hoje em dia,
ele era tratado como um reizinho.
Meu pai era o chefe
da maior organização criminosa da história.
Sou Juan Pablo.
Sou filho de Pablo Escobar.
Eu nunca falo isso para ninguém,
só para constar.
Quando você nasce sendo um Escobar,
não tem direito à felicidade nem à tranquilidade.
Ele não teve infância.
Desde os primeiros anos de vida, ele esteve cercado de metralhadoras,
carregamentos de cocaína, prostitutas,
sacos de dinheiro,
milhões de dólares, aviões, barcos, carros luxuosos.
Voltando às notícias do dia, a morte do traficante Pablo Escobar.
O dia 2 de dezembro de 1993
foi um dia muito triste para nossa família.
Todas as armas da Colômbia apontavam para mim.
Ir de rico para pobre em um piscar de olhos,
ninguém se prepara para isso.
Tínhamos que sair do país de alguma forma.
Ficávamos em esconderijos.
Meu pai era o maior inimigo do pai dele.
O meu pai queria se matar.
Tenho provas disso.
É uma herança que não se deve desejar a ninguém.
Pablo Escobar foi morto na cidade de Medelin.
A partir desse momento,
senti o meu mundo desmoronar.
Foi uma imensa tristeza.
Não há palavras para expressar a dor.
Eu estava falando com ele dez minutos antes.
CONVERSA ENTRE GLÓRIA CONGOTE E JUAN PABLO ESCOBAR
A polícia acabou de confirmar. É oficial.
COLÔMBIA MORRE ESCOBAR GAVIRIA
Eu vou matar todos os envolvidos na morte dele.
Eu mesmo vou matar esses putos.
A jornalista Glória ficou insistindo e fazendo a mesma pergunta.
Ela queria uma resposta violenta, e conseguiu.
Ela conseguiu.
MEDELIN COLÔMBIA
O primeiro sentimento, após a morte do meu pai, foi de querer vingança.
Eu entendi que ele queria vingar a morte do pai.
Tinham acabado de matar o seu herói.
Juan Pablo dá essa resposta violenta...
e, logo depois, desliga o telefone.
Parecia que eu estava morrendo.
A ameaça global é ouvida no rádio
e o país inteiro sabe
que o que viria depois seria sangue e morte.
Imaginavam que eu seria herdeiro.
Que eu assumiria o controle do Cartel de Medelin.
Havia muito medo sobre o que eu faria e quais seriam as minhas decisões.
O Cartel de Cali, o governo colombiano,
as vítimas do meu pai,
todo mundo queria me matar.
Realmente, havia muitas pessoas dos cartéis
que não perdoariam qualquer movimento ou atitude estranha.
Eu fiquei surpreso quando soube da reação do Juan Pablo.
Eu sabia que ele tinha cometido um erro.
Alguns instantes depois,
ele disse:
"Acabei de cometer o pior erro da minha vida, preciso consertar isso."
Levou uns dez minutos para eu perceber o erro que tinha cometido.
Após dez minutos, eu liguei para outro jornal.
Quero deixar claro que não vingarei...
Não vingarei a morte do meu pai.
A única coisa que me preocupa agora é o futuro da minha família.
Como cidadão colombiano, desejo que vivamos em paz nesse país.
Era uma matemática simples: "Se seguir o caminho de Pablo Escobar,
o que vou ganhar?
Mais terror? Mais sequestros?
Mais assassinatos?
Mais caos?
Em troca de quê?
Qual será o resultado? Vou ficar melhor?
Vou ter meu pai de volta?
Trarei paz e tranquilidade à minha família?"
Todas as respostas eram a mesma: "Não, não, não, não."
Você não vai ganhar nada se seguir o caminho do seu pai.
Mesmo que tenha dito aquelas palavras por causa do momento.
Ele cometeu um erro, não deveria ter dito aquilo.
Quando ele reagiu e tentou corrigir,
ninguém acreditaria nele.
Lembro que teve muito choro,
muita tristeza.
Lembro-me...
da mãe dele dizer:
"Vai ficar tudo bem", mas estamos sozinhos.
CORPO DE PABLO ESCOBAR
Nós vimos as primeira imagens deles descendo o corpo do telhado
onde ele morreu.
E o reconheci. Eu vi o corpo dele,
mesmo distante e na televisão, dava para ver que era mesmo o meu pai.
Ele deram a notícia: "Mataram o Pablo".
Eu fui igual uma louca pelos túneis para chegar na casa onde Pablo estava.
A polícia queria me matar.
Eles diziam: "Vamos matar essa doida."
Eu disse: "Podem me matar, é tudo o que eu quero agora."
A morte de Pablo Escobar pode ser o fim de uma guerra sangrenta.
Quando Pablo morreu,
eu soube através do rádio do carro,
imediatamente eu fui em direção
à casa onde ele foi morto e estavam descendo o corpo do telhado.
Eu encontrei a minha mãe, minhas tias, minha avó.
Quando o desceram, os Gaviria Escobar têm pés diferentes,
então eu olhei para os pés dele e disse: "É o Pablo."
A tristeza foi terrível.
IRMÃ DE PABLO ESCOBAR
De lá, nos levaram para o necrotério.
Eu nunca tinha entrado lá.
O lema de Pablo Escobar é lutar até o fim.
Lutar até o fim.
Lutar até o fim.
Se eles acham que matando-o, eles vão...
Povo da Colômbia, Pablo foi assassinado.
Quando eu o vi ali deitado,
parecia que meu coração ia sair do peito.
Eu dizia: "Pablo, leve-me com você.
Não me deixe. Eu quero morrer."
O que me chamou atenção foi o tiro que tinha na cabeça.
Tinha um tiro atrás da orelha, acho que do lado esquerdo.
Ele não estava cheio de tiros como disseram, não estava tão mal.
O Ministro da Defesa confirmou a morte de Pablo Escobar Gaviria,
o barão das drogas, em confronto com o exército e a polícia.
Paradoxalmente, saíram muitas histórias e pessoas que diziam que eles o mataram.
Hoje em dia, todos querem dizer:
"Fui eu. Eu matei Pablo Escobar."
A versão oficial...
é que Pablo Escobar foi morto pelo grupo de elite da polícia.
Outros, incluindo Juan Pablo,
defendem veementemente
que Escobar se suicidou.
Desde o primeiro dia, eu suspeitei que meu pai não morreu daquela forma.
É claro que ele queria se suicidar.
Há muitas provas nas fotos da autópsia,
nos relatos mentirosos dos policiais
que disseram que o mataram com um tiro de fuzil a distância.
Um tiro de fuzil na cabeça arranca um pedaço da sua cabeça.
Não é só um buraco de bala como tinha o meu pai.
Meu pai falava muito em se suicidar.
Eu ouvi isso muitas vezes.
Porque quando ele se tornou o homem mais procurado do mundo
entrou em centenas de guerras e colecionou problemas com o mundo todo,
ele sabia que seria capturado, torturado e morto.
Ele começou a achar que o suicídio seria a única forma de evitar tudo isso.
Ele me disse que tinha conversado com médicos
para saber qual seria o melhor lugar
para acabar com a própria vida usando uma arma de fogo.
E esse lugar era no ouvido.
E foi exatamente onde meu pai atirou.
Ela sempre me disse que o tiro seria ali.
Não me agrada o fato de meu pai ter tirado a própria vida.
O único fato é que está morto.
É a única coisa real.
Quem o matou? Se caiu um piano em cima dele,
se foi atropelado por um caminhão,
são apenas histórias.
Não importa. Se quiser, pode dizer que Mickey Mouse o matou.
Sem problema.
Ele percebeu...
que a única maneira de nos salvar, nos libertar,
era através de sua morte.
Em algum momento, meu filho disse:
"Mãe, meu pai teve que morrer para nós podermos viver."
Em meio a toda essa dor,
eu sentia que estava recuperando a minha liberdade e a minha vida.
EL TIEMPO ENFIM, CAIU!
Ele era o dono do país.
POLÍCIA COLOMBIANA MATA PABLO ESCOBAR GAVIRIA
É bom para o país, ele matou muitas pessoas.
PABLO ESCOBAR MORTO
Espero que a violência e os assassinatos acabem.
Quando assassinaram o Pablo, eu fui ver a minha mãe.
Eu disse: "Vamos comemorar, acabaram de matar Pablo Escobar."
Meu nome é Jorge Lara,
Pablo Escobar matou o meu pai, Rodrigo Lara Bonilla.
Minha mãe me disse: "Eu não te ensinei isso.
Ele teria que ser preso e julgado
para pagar todos os pecados e danos que cometeu com o povo.
Mas você não deve ficar feliz pela morte de alguém."
Foi uma misto de emoções.
Porque, por um lado,
o pai de um amigo tinha sido morto.
Meu nome é Felipe Arango e sou amigo de Pablo Escobar, desde os 5 anos.
Por outro lado, foi um alívio para muitas pessoas no país.
Eu senti tranquilidade.
Pensei que Bogotá ficaria mais calma
e que os atentados iriam parar de acontecer.
De certa forma, os colombianos seguiram com suas atividades
sem se abalarem com a notícia que chocou o mundo.
A morte de Pablo Escobar.
Boa noite! Voltamos com as notícias do coração da capital da República,
no centro comercial de Tequendama,
onde se encontra a família de Pablo Escobar Gaviria.
É um sentimento estranho.
É estranho ver as pessoas se alegrarem com a morte do seu pai.
É mais que raiva, eu senti ódio. Um misto de sentimentos.
Isso foi devastador.
Lembro que Juan Pablo deitou na cama
e ficou abraçado comigo a noite inteira.
Minha mãe disse:
"Quero ir ao funeral.
Vou acompanhar o seu pai. Não quero deixá-lo sozinho."
Ele levantou assustado e disse: "Não, mãe, como assim?
Se você for, todos iremos.
Lembra que o meu pai disse
para não irmos porque iriam nos matar."
Meu pai sempre disse:
"Quando eu morrer, nunca vá ao meu funeral.
Nunca, nem pense nisso.
Porque vão matá-los,
extorqui-los, sequestrá-los, algo ruim vai acontecer."
MEDELIN COLÔMBIA
Havia um grande número de agentes nos esperando,
cerca de 30 agentes.
Eles nos escoltaram até o cemitério Jardines Montesacro.
Nós fomos em dois carros.
Eu e minha namorada no carro preto
e minha mãe e irmã no carro branco e vermelho.
Assim que chegamos ao Montesacro,
a situação foi muito complicada, tinha umas 12 mil pessoas.
Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que estavam lá..
Eu quero ver o Pablo! Eu quero ver o Pablo!
Não imaginava que ele,
de forma quase instantânea,
despertaria tanta solidariedade entre os humildes.
Foi uma loucura!
As pessoas correndo pelo cemitério,
a família escoltada.
Parecia um carnaval. Era uma loucura!
O cemitério estava tão cheio que tiveram que fechar os portões.
As pessoas subiram nos telhados, quebraram as janelas.
Estávamos esperando num carro blindado do lado de fora da igreja,
ouvi pelo rádio que a minha mãe tinha conseguido entrar
no local onde meu pai estava.
Pablo! Pablo! Pablo!
Pablo! Pablo! Pablo!
Eu senti um forte aplauso do povo.
O que eu ouvi naquele momento de dor foi:
"Obrigada por ter vindo, por não deixá-lo sozinho."
Eu vi que as pessoas estavam tão passionais naquele momento
que abriram o caixão, tocavam nele,
tentaram arrancar um pedaço da roupa.
O povo cantava: "Podemos sentir, Pablo está aqui."
Podemos sentir, Pablo está aqui.
Podemos sentir, Pablo está...
Enfim, ficamos esperando no carro.
Sabia que a única coisa que podia fazer era
esperar minha mãe sair de lá.
Lembro que minha mãe me disse
por um instante, ela conseguiu ficar perto dele.
Ela conseguiu tocá-lo, dizer adeus...
dizer o quanto o amava.
É estranho lembrar que, no dia que meu pai foi enterrado,
eu estive perto do lugar onde estava, mas não consegui vê-lo.
Mas eu já tinha aceitado
à possibilidade de que aquele poderia não ser
o dia que me despediria do meu pai.
MEDELIN COLÔMBIA
Essa é a minha mãe e minha irmã
na comemoração dos 500 anos do descobrimento da América.
Essas são muito antigas...
É 1980.
Minha primeira comunhão.
Esse é o meu tio Carlos, irmão da minha mãe.
Ele sempre me acompanhava no lugar do meu pai.
CARTA DE PABLO ESCOBAR 17 DE JULHO 1990
"Querido filho.
Eu te envio a minha bênção e um abraço apertado.
Você não imagina quanta saudade sinto de você.
Sua mãe me escreveu dizendo que está desanimado.
Isso me deixou muito triste.
Só peço que acredite em mim
e que seja feliz para que eu também possa ser feliz.
Te amo muito. Papai."
O pai dele fazia de tudo para estar presente em momentos especiais.
Ele dava um jeito de estar lá.
Porque a sua situação não lhe permitia
estar presente o tempo todo
com Juan Pablo, então, sempre houve um vazio.
Parabéns para você
Nessa data querida
Muitas felicidades Muitos anos de vida
Parabéns para você
Ele fazia contato e via o pai.
Meu nome é Edgar Jiménez e eu sou fotógrafo.
Conheci Pablo quando ele tinha 12 anos.
A ausência do pai,
eu suponho,
era uma angústia eterna.
Os encontros com o pai aconteciam
sempre de forma clandestina.
Eu cresci cercado de bandidos.
Os piores criminosos do país eram minhas babás, fui criado com eles.
Eu cresci com essas pessoas.
Eu cuidava do Juan Pablo.
Eu comecei em 1981, ele tinha 4 anos.
Eu cuidei dele até os 16 anos. Passei 12 anos com ele.
Eu acompanhei durante toda a infância
e, praticamente, toda a adolescência dele.
Meu trabalho com o Juan Pablo
era cuidar das boas maneiras e os bons costumes,
ajudá-lo a fazer a tarefa.
Levá-lo à escola.
Muitas vezes, falar com a professora
sobre as tarefas que haviam ficado para o dia seguinte.
Eu cuidava de todo o desenvolvimento cultural do menino.
Eu também brincava com ele em casa.
Frequentar a escola Pablo Escobar era...
como estar num filme.
Sempre tinha alguém do lado de fora da sala de aula
fazendo a segurança.
Era como estar num mundo totalmente diferente
das outras crianças da escola.
No jardim, havia muitas crianças brincando,
da mesma faixa etária,
mas você poderia me identificar facilmente
porque sempre tinha um segurança
a 50 centímetros
de distância de mim.
Era muito difícil ter privacidade.
Era difícil ter o seu próprio espaço, difícil de conhecer os seus amigos
como você mesmo.
Fui segurança da família Escobar,
principalmente Sra. Victoria, Juan Pablo e Manuela,
durante dez anos.
Eu sentia muito o fato dele não poder ser
um menino normal e ter que crescer perto de nós,
mas nós tentávamos, do nosso jeito,
preencher o vazio da solidão
devido à necessidade que tinha de estar com seus amigos.
Juan amadureceu rápido demais
principalmente pelo fato de estar perto de nós.
Ele era uma pessoa que interpretava as coisas instantaneamente.
Ele era muito consciente de tudo.
Esse menino nasceu velho.
Ele não teve infância.
Ele cresceu, desde a tenra infância, entre metralhadoras,
carregamento de cocaína,
prostitutas,
malas de dinheiro.
Os dólares eram pesados, não dava para contar.
Esse menino teve que amadurecer muito rápido.
Quando fiz 7 anos, meu pai me disse:
"Eu sou um traficante, é o que eu faço."
O relacionamento com o meu pai, desde pequeno,
foi construída sobre
uma honestidade brutal.
Ele não queria esconder o mundo real que ele vivia.
Ele não inventava histórias,
não era um personagem, ele era verdadeiro.
Eles tinha uma relação muito aberta porque ele sempre falou a verdade.
Eu sou primo do Juan Pablo
e o considero um irmão.
Ele sempre teve, não eram brigas,
mas sempre houve conflitos
com o que ele fazia
porque ele era consciente de tudo
e sabia de todos os problemas que o cercava e...
Ele sabia que não traria nada de bom para sua irmã, sua mãe e todos ao redor.
Houve muitos momentos em que, depois de discutir com meu pai
sobre todas as bombas, sequestros,
assassinatos, todas as coisas que eu conversava com ele,
eu me sentia muito frustrado.
Eu posso matar todos eles, vão acabar perdendo no final.
Eu não conseguia justificar, então parecia que sempre batia numa parede
e não conseguia tocar no coração dele e nem fazê-lo mudar de atitude.
Temos que criar o pior caos para eles me procurarem.
"Pai, eu não te escrevo há algum tempo, mas estou preocupado que algo aconteça.
Acho que é melhor...
você parar agora.
Sei que você está tranquilo, mas não é hora para jogar com sua vida.
Não pense que vou escrever só quando estiver preocupado.
Cuide-se. Faça isso por nós.
Te amo. Seu filho."
CARTA DE JUAN PABLO ESCOBAR 5 DE JUNHO 1991
BOGOTÁ COLÔMBIA
VENDE-SE SOUVENIRS DE PABLO ESCOBAR
BEM-VINDO AO BAIRRO PABLO ESCOBAR AQUI SE RESPIRA PAZ
Meu pai estava morto,
mas a vida tinha que seguir.
Todos queriam dinheiro.
Os inimigos e os amigos dele.
Todos os que trabalhavam para ele.
Todos queriam algo.
Lembro que...
muitas pessoas ligavam, o telefone tocava o dia inteiro.
E ela presenciou todos os momentos difíceis
e perturbadores para Victoria, para ele, para Manuela
de ter que conversar
e negociar com os inimigos de Pablo.
MORTO POR SER AMIGO DE PABLO ESCOBAR
E foi assim que conhecemos Los Pepes.
Eles começaram a dizer que precisávamos entregar tudo o que tínhamos.
Tínhamos que fazer um inventário, caso contrário, seríamos mortos.
Eu conheci, na condição de advogado,
a família Escobar.
Quando eu comecei a trabalhar com eles,
Juan Pablo era agressivo.
Falava sobre injustiças, falava de tudo.
E eu comecei a repreendê-lo e disse: "Não, senhor.
Não é bem assim."
Um advogado ter que discutir com um garoto de 17 anos,
certamente, é...
uma coisa muito louca.
Ele foi uma pessoa muito crítica,
falava de forma muito direta e com toda rudeza possível.
Mas ao mesmo tempo, o agradecíamos porque não eram muitos que se atreviam
a dizer verdades.
Ele era muito insolente.
"Eles têm que nos proteger, nós somos vítimas de uma guerra
e eles são assassinos."
Eu disse: "A verdade é que o seu pai era um assassino.
Um assassino cruel."
E Pablo disse: "Doutor, o que vamos fazer?
Quanto esses desgraçados estão pedindo?"
A verdade foi que eu disse para ele:
"Você precisa fazer paz. Quanta acha que isso vale?"
Então, eu comecei a descobrir
as coisas que meu pai tinha, a fortuna que tinha.
Percebi que todo o dinheiro que o meu pai ganhava,
ele transformou em propriedades.
Pablo Escobar tinha muitas casas pequenas e horríveis por toda a serra.
Havia prédios no nome das crianças menores.
Pablo Escobar exigiu que eles fossem gerenciados por sociedades
que eram administradas por pessoas próximas a Pablo.
Ele sempre nos perguntava: "Onde está o resto?
Onde estão os outros aviões, helicópteros e propriedades?"
Nós dizíamos: "Doutor, esses são os aviões
e helicópteros, não temos mais nada, nem propriedades."
Essa é a principal pergunta que fazem sempre que me encontram:
"O que aconteceu com o dinheiro? Cadê ele?"
Nos tempos de maior prosperidade como narcotraficante,
meu pai chegava a ter um lucro médio
entre 50 a 70 milhões de dólares por cada fim de semana.
A maior parte do dinheiro foi investida
no pagamento de bandidos para disseminar
uma violência sem precedentes no meu país.
Com bombas, sequestros
e assassinato de policiais, militares e políticos.
Ele gastou toda a sua fortuna com isso
e com subornos.
Ele subornava políticos, militares, policiais, senadores.
Eu realmente nunca soube
onde foi parar o dinheiro de Pablo Escobar.
Dizem que ele gastou na guerra, mas eu não sei.
Se tivesse algum dinheiro,
ele deveria ser dado para a família viver
para comer, eles não tinham renda, entende?
Mas eu nunca vi uma riqueza
que me fizesse pensar: "Quanto dinheiro!"
BOGOTÁ COLÔMBIA
TEQUENDAMA HOTEL E CENTRO DE CONVENÇÕES
A nossa situação no Hotel Tequendama,
após a morte do meu pai,
era cercada de polícia, guarda-costas, polícia secreta,
além do hotel nos pressionar a pagar a conta
não apenas dos nossos quartos,
mas da alimentação de mais de 150 pessoas do Estado que estavam lá.
Ficamos desesperados porque precisávamos de dinheiro.
Nós decidimos deixar o hotel porque já tinha passado muito tempo
desde que fomos presos lá.
Alugamos um apartamento no bairro de Santa Ana
por recomendação do nosso advogado.
RUA SEM SAÍDA
Mas os problemas começaram quando os vizinhos descobriram
e nosso endereço tornou-se público.
Ligações recentes do Grupo Los Pepes
têm aterrorizado os moradores do bairro Santa Ana, na capital,
onde, recentemente, reside a família de Pablo Escobar Gaviria.
É compreensível os moradores terem medo de possíveis atentados
porque todos poderiam ser afetados, família, suas vidas, seus bens.
O prédio da família do narcotraficante está vazio
e muitas propriedades circunvizinhas estão sendo desocupadas.
Todas as pessoas estão indo embora.
Eles estavam fazendo manifestações,
não queriam que eu ficasse ali com meus filhos.
Fizeram cartazes nos rejeitando.
Lembro do Procurador Geral da República ir à televisão e dizer:
"Não posso dizer à família Escobar onde podem ou não morar.
Eles são livres."
Lamento muito todos os problemas gerados para os vizinhos,
mas isso não é nossa responsabilidade."
É claro que ele estava certo.
Enfim...
uma recepção muito calorosa.
Era como se não tivéssemos direito a nada.
Absolutamente, nada.
CALI COLÔMBIA
Victoria tinha que ir à Cali encontrar os chefes do Cartel de Cali.
Ela tinha que fazer essas reuniões
com diferentes cartéis
para pagar a fim de manter a paz.
Consegui tomar coragem
e comecei a dar os primeiros passos
para começar a conversar com os inimigos do meu marido.
Eu não sabia se eu voltaria viva dessas reuniões.
Eu fui à Cali três vezes,
éramos transportados em carros praticamente vendados.
Tinha guarda-costas, gente armada de todo o tipo.
E, normalmente, as reuniões eram em porões e escritórios escondidos.
E todos os Pepes se sentavam lá em fila,
um pouco teatral, e a Sra. Escobar.
Era muito doloroso.
Eu passava horas chorando na estrada indo participar dessas reuniões.
Era humilhante o que eles faziam
com as viúvas dos chefes que eles matavam.
Eles tiravam tudo.
Victoria precisou
entregar todos os bens
que eles sabiam que ela tinha.
Eles sempre diziam que a única coisa que não estava incluída na negociação
era a vida do meu filho.
Eu sempre dizia que se não incluísse a vida do meu filho,
a paz não me interessava.
Porque a vida não valia a pena sem ele.
Eles sempre diziam para ela que iriam me matar.
"Não se preocupe, você e sua filha vão ficar bem,
mas nós mataremos seu filho."
PRÓXIMO CAPÍTULO
O último Escobar tinha que desaparecer para sempre
da face da Terra.
Eu estava condenado a morte.
Juan Pablo sobreviveu entregando o dinheiro do Pablo.
Ninguém está preparado
para tornar-se pobre de repente.
Fomos para Moçambique.
Eu disse para mamãe:
"Ou vamos embora, ou me suicido."
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