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Quando eu tinha quatro anos,
meu pai me deu minha primeira moto.
Aos 11 anos, eu já tinha 27 motos.
Apenas 27.
Meu pai era um dos homens mais ricos do planeta.
Ele o abraçava, brincava com ele, era um pai comum.
Um pai amoroso.
Juan Pablo não repetia roupas.
Ele usava um relógio diferente todos os dias.
Juan Pablo, venha aqui!
Como dizem hoje em dia,
ele era tratado como um reizinho.
Meu pai era o chefe
da maior organização criminosa da história.
Sou Juan Pablo.
Sou filho de Pablo Escobar.
Eu nunca falo isso para ninguém,
só para constar.
Quando você nasce sendo um Escobar,
não tem direito à felicidade nem à tranquilidade.
Ele não teve infância.
Desde os primeiros anos de vida, ele esteve cercado de metralhadoras,
carregamentos de cocaína, prostitutas,
sacos de dinheiro,
milhões de dólares, aviões, barcos, carros luxuosos.
Voltando às notícias do dia, a morte do traficante Pablo Escobar.
O dia 2 de dezembro de 1993
foi um dia muito triste para nossa família.
Todas as armas da Colômbia apontavam para mim.
Ir de rico para pobre em um piscar de olhos,
ninguém se prepara para isso.
Tínhamos que sair do país de alguma forma.
Ficávamos em esconderijos.
Meu pai era o maior inimigo do pai dele.
O meu pai queria se matar.
Tenho provas disso.
É uma herança que não se deve desejar a ninguém.
Quando se pensa em Colômbia, a primeira coisa que vem na cabeça é
drogas e Pablo Escobar.
Pablo Escobar mandava no país.
Nos tempos de glória do meu pai,
havia 80.000 hectares de plantação de cocaína.
Meu pai tinha uma renda média
entre 50 a 70 milhões de dólares
por fim de semana, apenas na cidade de Miami.
Havia muita corrupção e sangue na Colômbia.
80 por cento da polícia era corrupta.
Assim como políticos, juízes, presidentes.
Meu pai queria trazer o caos para a Colômbia, e conseguiu.
Ele usou o terrorismo como arma para subjugar o governo colombiano
e a toda a sociedade à sua própria vontade.
Havia ataques e bombas todas as noites.
Temos que criar completo caos para chamar atenção para o Pablo.
Pablo Escobar infligiu o terror neste país.
PROCURADO PELA JUSTIÇA
Muitos acham que não são vítimas
porque comeram e viveram por causa do dinheiro dele.
Meu pai afetou as vidas e os destinos de milhões de pessoas,
incluindo seus filhos.
Os inimigos sabiam que nós éramos o calcanhar de Aquiles dele.
Sabiam que o atingiriam através de nós.
MEDELIN
Meu pai ficou foragido por dez anos antes de se entregar.
Com a minha rendição, eu gostaria de homenagear meus pais,
à minha insubstituível esposa,
ao meu filho pacifista de 14 anos,
à minha dançarina sem dente de sete anos,
e à toda a minha família que tanto amo.
Pablo Escobar Gaviria, 19 de junho de 1991.
La Catedral foi basicamente a primeira prisão
que um bandido ordenou um governo a construir.
O governo colombiano construiu para o meu pai
em troca da rendição dele.
Meu pai projetou um plano de construção da prisão
antes de ter sido aprovado pelo governo.
Nessa época, meu pai tinha tanto poder na Colômbia
que ele disse: "Vou começar a construção a prisão
e depois eu digo para o governo onde eles vão me prender."
Onde você pousou com o helicóptero?
Acho que foi por ali.
- Onde era o campo de futebol. - Exato.
- Ele desceu lá. - Lá...
Escobar me enviou uma carta
que dizia que eu seria o único jornalista presente.
Eu nem acreditei.
Todos os jornalista do mundo queriam estar lá.
Meu nome é Luis Alirio Calle.
Sou jornalista há 40 anos.
Trabalho para jornais, rádio e televisão.
Somente ao meio-dia, do dia da rendição de Escobar,
19 de junho de 1991...
- Bom dia. - Bom dia.
Bom dia.
Percebi que era verdade.
Nós chegamos aqui, o padre veio, o Procurador Geral
e o Diretor de Processo Penal, não havia um Ministério Público.
- Não, não tinha. - A Divisão de Processo Penal.
Ele pegou a arma, descarregou
e a entregou para Pataquiva Silva.
- Ele era o diretor. - Pataquiva...
Ele disse: "Este é um ato de paz, viva a Colômbia."
- Meu pai disse "Viva a Colômbia"? - Sim.
Quando eu ouvi sobre La Catedral pela primeira vez,
esperava que meu pai fosse passar muitos anos ali,
que iríamos visitá-lo regularmente
e saber como estava.
Não seria a vida dos sonhos, mas ele estaria são e salvo.
Era como se fôssemos a uma casa de campo
porque é um lugar agradável e confortável.
Eu sempre ficava feliz quando estava perto do meu irmão Pablo.
Meu nome é Gloria Escobar Gaviria, sou irmã de Pablo Emilio Escobar Gaviria
e tia de Juan Pablo Escobar.
Eu não considerava uma cadeia,
mas um lugar para ele visitar o pai.
Juan Pablo almoçava com o pai na La Catedral.
Eles brincavam e trocavam carinho.
Meu pai tinha total controle da prisão.
Ele mandava no diretor, no exército que cuidava do perímetro
e não permitia a polícia se aproximar.
Aqui, nessa parede...
Era onde ficavam todos...
Toda a parte elétrica da cadeia.
E aqui tinha a chave principal.
Ele cortou a energia de toda a cadeia daqui.
Quando eu estava em Medelin,
eu estava olhava para cá de uma das janelas do meu prédio
quando eu vi as luzes se apagarem.
Eu estava na cidade vendo tudo, quando vi as luzes apagarem, eu pensei:
"Vai acontecer algo ruim."
Pablo Escobar escapou da cadeia
quando as autoridades tentaram transferi-lo para outra prisão.
Pablo Escobar escapou e está escondido num túnel próximo à Catedral.
PROCURADOS PELA POLÍCIA NACIONAL
Quando meu pai fugiu da La Catedral,
nossa vida foi destruída novamente,
ficamos totalmente sem esperanças porque...
achávamos que meu pai estava tentando reparar, reconstruir
e abandonar o caminho da violência.
POR VOCÊ MEDELIN
Achávamos que o pesadelo de ser perseguido
pelo governo, Cartel de Cali e outros,
acabaria com a sua rendição.
Foi um momento de muito desespero.
Não tínhamos nenhuma perspectiva de futuro.
Só víamos escuridão e incertezas diante de nós.
Quando ele fugiu, a nossa missão era
capturá-lo vivo ou morto.
RECOMPENSA 2.700 MILHÕES DE PESOS
Eles o queriam morto.
Meu nome é Carlos Palao, atualmente sou guia de turismo em Medelin.
Eu era policial, e quando decidi entrar para a Força, minha vida mudou.
Eu era das Forças Especiais,
o Esquadrão de Busca que não era composto apenas pela polícia.
Era as Forças Armadas e a polícia.
Dos 152 policiais,
apenas três estão vivos,
de 152.
Se dissesse algo sobre Pablo,
você poderia estar em risco.
Pablo Escobar tinha muitos inimigos.
Quando meu pai fugiu,
Los Pepes começou a se organizar.
POLÍCIA NACIONAL
COMUNICADO PERSEGUIDOS POR PABLO ESCOBAR (PEPES)
Los Pepes era composto pela Polícia Nacional da Colômbia,
Exército, Serviço Secreto
e grupos de empresários e políticos que apoiavam
medidas violentas para acabar com a violência de Pablo Escobar.
Todos sabíamos da existência de Los Pepes,
o grupo de "Perseguidos por Pablo Escobar",
que estava determinado a acabar com ele e sua família.
Meu nome é Oscar Ritoré.
Sou jornalista colombiano com 40 anos de experiência.
Los Pepes tinha um estilo.
Eles matavam e deixavam os corpos nas ruas com cartazes.
Tinham uma assinatura.
"Morto por Los Pepes por ajudar Pablo Escobar."
A família estava sendo perseguida pelos Los Pepes.
Meu nome é Edgar Jiménez, eu sou fotógrafo.
Conheci Pablo quando tinha 12 anos.
Eles estavam invadindo propriedades, matando todo mundo,
todos que tivessem a ver com Pablo Escobar era morto.
Los Pepes assassinaram e desapareceram com cerca de 3.000 pessoas
para encontrar um único homem, meu pai.
Minha mãe e meu pai decidiram juntos
que não havia futuro para nós no nosso país,
mas não queríamos ir.
Nós queríamos ficar com meu pai.
Sabíamos que era irresponsabilidade ficarmos com ele,
todos ao seu redor estavam condenados à morte.
Ele queria que saíssemos do país.
Meu pai decidiu que o melhor lugar para irmos era os Estados Unidos.
A ideia era irmos para Miami
e os contatos do meu pai alugaram um apartamento para nós.
Ainda tínhamos o visto para a família e minha namorada.
Eu sou Ángeles, esposa de Juan Pablo.
Nós nos conhecemos muito jovens.
Ambos éramos muito pequenos.
Eu nunca apareci publicamente
porque não tinha interesse de aparecer como a esposa dele.
Um dia...
Num domingo, Juan Pablo chega na minha casa às 19h.
Ele chegou com um guarda-costas.
Quando cheguei no carro, vi um cara que não conhecia,
eu sentei atrás
e quando saímos, ele disse para fechar os olhos.
Ele riu e disse: "Hoje vai conhecer o seu sogro."
Naquele momento, eu só queria entrar num buraco.
Ele entrou com sua esposa
e pediu para ir com eles para os Estados Unidos.
Em menos de 15 dias...
Lembro que eu fiz as malas
e quando eu coloquei a mala no carro, minha mãe me disse:
"Você vai sofrer".
Foi um momento de incerteza, não sabíamos o que ia acontecer.
MEDELIN COLÔMBIA
Eu planejei como chegar ao aeroporto porque eu sabia
que os inimigos do meu pai poderiam estar esperando por nós.
Eu cheguei no aeroporto umas seis ou sete horas antes.
Os inimigos do meu pai ainda não estavam lá
porque eles não imaginavam que eu chegaria tão cedo.
Havia uma longa fila de pessoas para entrar.
Eu lutei para passar na fila, praticamente empurrei todo mundo,
e mostrei o passaporte para o oficial de imigração.
ÁREA DE EMBARQUE IMIGRAÇÃO
Ele levou mais tempo que o normal para analisar os documentos
tentando achar problemas e atrasando a minha partida.
Eu disse: "Vou perder o meu voo".
Houve gritaria e insultos,
foi terrível ver todos embarcando no avião e...
Eu sabia que não conseguiria ir.
Perdemos o nosso voo...
e o comandante do aeroporto disse
que eu teria que deixar a área internacional do aeroporto.
Quando lá fora, havia, literalmente, 30 homens
com os rostos cobertos, sem documentos oficiais
com o camburão dos Los Pepes.
Eu disse: "Eu não sairei daqui, senão eu serei morto lá fora.
Por que quer que eu vá para onde serei morto?"
Foi um dos dias mais longos da minha vida.
Eu descobri que Sebas tinha um incrível capacidade
de lidar com problemas.
Sebas era muito jovem e estava cuidando da situação.
Algum desconhecido apareceu,
e aproveitando uma falha dos policiais, se aproximou e disse:
"Eu sei que você está com problemas, como eu posso te ajudar?"
Através de uma janelinha, eu vi um helicóptero pousando.
Eu pensei: "Essa pode ser a única chance que eu terei para fugir."
Eu disse: "Pode alugar aquele helicóptero para eu fugir?"
Dez minutos depois, um helicóptero pousou.
Eu não tenho ideia do porquê aquele estranho me ajudou com tudo.
Fomos para o helicóptero e fugimos com muito medo.
Aquele dia parecia um filme.
Saímos nesse helicóptero,
logo atrás vimos outro com jornalistas,
e depois outro helicóptero...
Parecia uma perseguição de filme
e chegamos a Medelin.
Fomos de volta para o apartamento de onde tínhamos saído
e onde nos despedimos do meu pai.
Dez minutos depois de chegarmos lá, o angelito chegou.
Era o homem que cuidava do meu pai.
"O chefe quer que vocês venham,
este lugar não é seguro, temos que sair daqui."
E 20 minutos depois, estávamos falando e abraçando o meu pai.
Então, o pai dele disse:
"Só estarão seguros se ficarem comigo."
Ele me olhou e perguntou o que eu queria fazer.
Pablo disse:
"Como assim?
Ela tem que ficar conosco, senão eles vão matá-la."
E o pai dele virou e disse:
"Não, ela não tem que ficar com você,
ela não tem que ficar presa."
Claro que eu ia responder.
Ele me olhou e disse:
"Não, foi um longo dia, vai dormir e conversamos amanhã."
Bom, estou aqui. Eu fiquei.
Foi maravilhoso conhecê-la.
Para mim, Ángeles tem sido um anjo para essa família.
Em todos os aspectos, ela sempre esteve ao nosso lado.
É como uma filha.
Eu a amo muito.
Meu pai nos pediu
para ficarmos com ele a fim de garantir a nossa segurança.
Íamos a diversos esconderijos com os olhos vendados.
Ficamos em umas seis casas diferentes.
Ficamos em todos os tipos de lugares, mata, casa de campo,
lugares onde não tinha energia elétrica
e nem cozinha.
Não sabia onde estava, mas estava com ele.
Meu pai disse: "Vocês estão em perigo comigo."
Aproximadamente oito meses depois,
tomamos a decisão de pedir a proteção do governo colombiano
porque os inimigos do meu pai se empenharam
para impedir qualquer possibilidade de fuga.
Lembro-me que estávamos escondidos na Casa Azul com meu pai.
Antes de sair, meu pai se aproximou e nos abraçou.
Ele queria dizer algo, mas não conseguia.
Foi a primeira vez que o vi chorar.
Quando estávamos prestes a partir, fui em direção aos prédios Altos
e meu pai me seguia num carro.
Quando viramos para entrar no prédio,
ele buzinou e seguiu o seu caminho.
Foi a última vez que vi o meu pai vivo.
Foi o último adeus.
Lembro quando eles chegaram a Altos, já não os víamos há muito tempo.
Meu nome é Diana Ortiz,
prima de Juan Pablo, filha de Gloria Escobar.
Estávamos muito preocupados, a família totalmente destruída.
Foi um tempo muito difícil.
Eles só viam a minha filha e eu.
Nós levávamos tudo o que Juan Pablo precisava
e também entregávamos as cartas de Pablo.
Elas passavam por 50 pessoas antes de chegar até mim.
Eu levava para eles.
Era assim que ele falava com o filho.
"Meu amor, sempre comigo.
Quando o amor é o sinal em meio a caminhos tortuosos.
Conte sempre comigo
nas noites frias,
nos momentos de alegria,
nas tardes de dezembro
e até no silêncio."
"É difícil viver sem você, meu amor.
Às vezes, eu me sinto só, é doloroso.
Só pelos meus filhos.
Amo você, preciso de você,
meu amor, sua vida."
MEDELIN COLÔMBIA
O inimigos dele perceberam
que a única forma de pressioná-lo era nos atacar.
Uma picape vermelha, com 80 quilos de dinamite,
explodiu à 1h.
Foi colocada diante do edifício Altos del Campestre,
onde mora a família de Pablo Escobar.
Por cerca de dois meses, ininterruptamente,
nosso edifício era alvo de ataques diários do Los Pepes.
Quando as bombas explodiam, você podia sentir o isolamento.
As pessoas estavam apavoradas.
Meu nome é Alcides Roldán Rueda.
Eu trabalho nessa esquina há 33 anos.
As janelas estilhaçavam em todos os prédios vizinhos.
Não havia esse muro na época.
Os vidraceiros eram os únicos que lucravam com isso.
Por causa disso, faltava vidro aqui em Medelin.
Já era 20h quando aquela bomba explodiu
e logo depois, outra no Altos del Campestre.
Era uma guerra.
Los Pepes nos lembravam diariamente que tinham o poder
e iriam acabar conosco.
Ficamos encurralados,
eu não via uma saída.
O prédio virou um Vietnã, havia barricadas,
e vigilância permanente.
POLÍCIA
Mamãe e eu achamos que as conversas com o Procurador Geral
não estavam indo bem.
O governo colombiano começou com um jogo e diziam:
"Estamos procurando asilo para vocês,
mas que não era muito fácil."
Eles queriam usar nossa família para fazer meu pai perder a paciência,
e entrar em contato conosco para eles o capturarem.
O Estado colombiano jogava esse jogo e colocava a nossa vida em risco.
Eu decidi comprar passagens para Alemanha.
Alguns parentes estavam lá
e nos garantiram três meses de estadia.
Eu pensei que seriam três meses que não teríamos aqui.
Eu vi os helicópteros e depois a caravana inteira partiu,
eram muitos carros.
Não sabíamos em que carro estavam e havia helicópteros em toda parte.
O dia que ela e Juan Pablo saíram, parecia o fim do mundo.
O fim do mundo.
A viagem para a Alemanha foi uma grande esperança.
Foi a chance de sair daquele lugar,
daquela guerra para viver uma vida normal.
PARTIDAS NACIONAIS
PORTÃO DE EMBARQUE
O mundo sabia que a família de Pablo Escobar
ia sair da Colômbia.
A mídia sabia e eles buscavam de todo jeito
conseguir imagens dos Escobar.
Eles queriam conseguir aquela imagem exclusiva
da família Escobar que ninguém tinha.
Eu percebi 12 horas antes
que o voo deles era para Frankfurt.
Imediatamente compramos passagens de primeira classe.
Fomos os únicos jornalistas do mundo
que tivemos a chance de viajar com eles.
O que houve depois foi totalmente casual
porque a entrevista aconteceu uma semana depois
a 24.000 quilômetros de distância.
Era crucial cobrir tudo para saber o que aconteceria com eles.
Porque poderia acontecer qualquer coisa,
um ataque ou suicídio em massa, qualquer coisa.
Eu sou Manuel Alberto Monsalve,
jornalista aposentado.
A senhora e a filha cobriam o rosto com os casacos,
o filho foi o único que viajou sem cobrir o rosto.
Passaram rapidamente pela imigração e embarcaram no avião.
O avião decolou.
Quando a tripulação autorizou remover os cintos de segurança,
eu pulei do meu assento.
Imediatamente, eu me deparei com o estilo de cabelo...
o corte de cabelo daquele garoto.
Foi quando os problemas começaram.
Eu olhei para ele,
respirei fundo
e peguei o meu cartão de visita.
Eu disse: "Juan Pablo, meu nome é Oscar Ritoré.
Sou o único que pode contar ao seu pai como vocês chegaram na Alemanha."
Conversamos por algumas horas durante o voo
e ele ganhou nossa confiança.
Após 14 horas de voo, já tínhamos construído um ótimo nível de confiança.
A mãe e a irmã dele conversavam comigo.
Era uma garotinha linda, delicada
e com uma voz linda.
Mas não davam entrevista.
Anunciaram que estávamos perto de Frankfurt.
COLÔMBIA ALEMANHA
FRANKFURT ALEMANHA
O avião pousou.
De repente, o avião freou abruptamente.
Não sabíamos o que estava acontecendo, olhamos pelas janelas
e vimos carros de polícia,
carros de bombeiros, escadas móveis.
Eles abriram a porta e chamaram somente a família Escobar.
E nos pediram para descer.
Eu levantei e peguei minha câmera
para gravar pela janela.
Era a única gravação.
Eles desceram e entraram no carro
da polícia alemã.
Eles queriam nos levar em carros separados.
Com muito choro e grito,
eles me deixaram ir com minha filha.
E foram embora, desapareceram.
Um agente da Interpol me recebeu e me levou para alguns escritórios.
Eles me mandaram esvaziar os bolsos e pegaram tudo.
Eles estavam numa área cinza
onde eu podia relatar o que acontecia,
mas eu tinha que lembrar que não podia ter contato com eles.
A partir daquele momento, estavam sob custódia da polícia alemã.
A família de Pablo Escobar está em um limbo legal na Alemanha,
é uma área cinza no aeroporto de Frankfurt
de onde podem ser extraditados.
Queríamos pedir asilo.
Eles zombavam de nós e diziam:
"Peça asilo.
Não vamos conceder. Enquanto isso, podem fazer as malas
porque vão voltar para Colômbia. Não importa se vão morrer."
Eles nos pegavam pelo cabelo, nos empurravam.
Eles nos empurravam obrigando-nos
a entrar no voo da Lufthansa
para voltarmos e sermos mortos.
No voo de volta para Bogotá,
eu chorava muito, pois não sabia o que ia acontecer.
Eu sabia que nos matariam quando chegássemos.
Eu lembro que chorei
durante todo...
o trajeto.
Eu lembro que ela chorou por 12 horas sem parar.
Ela não parava nem por um minuto.
BOGOTÁ
Quando chegamos no aeroporto El Dorado, em Bogotá,
eles colocaram a escada e dois policiais entraram e disseram:
"Se quiserem proteção, têm que descer agora,
se quiserem ficar por sua conta, o avião vai prosseguir."
Claro que não tínhamos escolha, então, descemos.
E eles disseram: "Podemos protegê-los nas Residências Tequendama."
BOGOTÁ COLÔMBIA
HOTEL TEQUENDAMA
HOTEL E CENTRO DE CONVENÇÕES TEQUENDAMA
SUÍTES TEQUENDAMA
Ficamos no vigésimo nono andar das Residências Tequendama.
RESIDÊNCIAS TEQUENDAMA
Esse andar foi completamente liberado para nós.
Na parte debaixo do prédio, havia 150 homens
da Polícia Militar fazendo a vigilância.
A cobertura da estadia da família em Bogotá foi um pouco restrita.
Ficávamos do lado de fora enquanto estavam em Bogotá,
mas nunca tivemos contato direto com eles.
Quando nós chegamos,
sentimos a necessidade de mostrar para o meu pai que estávamos bem,
mas não tínhamos como entrar em contato com ele.
Como conhecemos Oscar Ritoré no voo de Bogotá a Frankfurt,
concedemos uma entrevista.
Vou dedicar essa música para o meu pai.
Manuela cantou, foi emocionante.
Ela era muito calma.
Foi incrível.
Ao cantar essa canção, Manuela Escobar lembra
dos momentos com o pai.
A coluna, o suporte, a estrutura que sustenta a família
era aquele homem, que já não estava mais lá.
O que estava ali era um jovem
que teria que enfrentar um problema colossal deixado por seu pai
e que poderia custar a sua vida.
Queremos sair do país.
Queríamos pedir para alguém nos ajudar.
Queria pedir para as pessoas violentas na Colômbia
que parem com a violência
para que o país encontre a paz.
A lembrança que eu tenho dessa família
é que o chefe da família,
o responsável, era o garoto.
Eles estavam praticamente presos naquele apartamento.
Vivíamos em total incerteza.
Por isso, quando chegamos aqui, as cortinas ficavam fechadas.
Imagine o que é ficar trancada
24 horas por dia com uma menina de nove anos.
Estávamos cansados,
não suportávamos mais ficar dentro daquele apartamento.
Fomos até ao heliporto
para termos uma vista ampla da cidade, olharmos para o horizonte,
pois estávamos presos entre quatro paredes.
O 2 de dezembro de 1993 foi um dia muito triste
para nossa família.
Naquela manhã,
o telefone tocou e eu atendi.
O telefonista me disse
que o Sr. Pablo Emilio Escobar Gaviria estava na linha.
Pablo Escobar está na linha e quer falar com você.
Pareceu muito estranho de um homem, que tinha me ensinado
a nunca tocar no telefone
e que tinha me dito literalmente que o telefone era a morte.
Eu posso pedir ao Procurador Geral para enviá-los para o exterior.
Comecei a pensar...
que o meu pai estava se expondo deliberadamente
para que os inimigos o encontrassem.
E pareceu que ele não estava agindo de forma racional.
Ele falou comigo
e disse para eu ficar calma e que tudo ficaria bem.
Que aquela situação iria acabar.
Cuide-se, por favor. Sabe que precisamos muito de você.
Fique calma, amor. Minha vida só faz sentido por sua causa.
Estou preso em uma caverna. A pior parte já passou.
Quando eu percebi que minha mãe estava falando com ele,
e peguei o telefone dela e desliguei.
Eu disse para ela: "O que está fazendo?
Como pode falar com meu pai? Não pode, eles vão matá-lo."
Depois meu pai ia deixando passar propositadamente
cinco segundos a mais,
dez segundos a mais,
15, 20 e assim por diante.
Ele esticava a chamada e eu dizia:
"Pai, já tem muito tempo. Tchau."
Depois de tantas ligações, eu não sabia como dizer para ele parar,
ele me disse, talvez, na quinta ligação:
"Eu já ligo de volta."
Eu já ligo de volta.
VOZ DE PABLO ESCOBAR 2 DE DEZEMBRO DE 1993
E foram as últimas palavras que me disse.
Por volta do meio-dia,
o Esquadrão de Busca formado por policiais,
celebravam a morte do barão das drogas.
Escobar caiu do telhado de uma casa em um bairro de Medelin,
enquanto tentava fugir pela janela.
Começamos a ver tudo isso em torno das 15h.
Não conseguíamos acreditar.
Não conseguíamos confirmar a morte.
Estava tudo muito confuso.
Dez minutos depois.
O telefone tocou.
- Alô! Juan Pablo? - Quem é? Sim.
Deixe-nos em paz,
ainda estamos tentando saber se é verdade ou mentira.
A polícia local acabou de confirmar.
A jornalista Gloria Congote me disse
que a polícia havia confirmado a morte do meu pai.
Eu estava falando com ele dez minutos antes.
No mesmo instante,
que Juan Pablo falava no telefone,
ele veio correndo e disse: "Mãe, disseram que mataram o meu pai".
A partir desse momento,
senti o meu mundo desmoronar.
Gloria Congote insistia que eu dissesse algo.
O que quer que eu diga? O que eu vou fazer?
Eu disse: "Não queremos falar agora."
A polícia emitiu uma declaração, é oficial.
CONVERSA ENTRE GLÓRIA CONGOTE E JUAN PABLO ESCOBAR
Filha da puta!
Não queremos falar agora.
Ela ficou insistindo e fazendo a mesma pergunta.
Ela queria uma resposta violenta, e conseguiu.
Ela conseguiu.
Eu vou matar todos os envolvidos na morte dele.
Eu mesmo vou matar esses putos.
"Eu mesmo vou matar esses putos".
No que eu estava pensando quando disse isso?
É claro que o ódio é um péssimo conselheiro.
Uma palavra, uma declaração...
Pode mudar a sua vida num momento.
Aqueles cinco segundos de ameaças...
Culminaram em 25 anos de exílio.
PRÓXIMO CAPÍTULO
A versão oficial
é que Pablo Escobar foi morto pelo grupo de elite da polícia.
Claro que meu pai queria se suicidar.
Há muitas provas.
Era um carnaval, uma loucura.
Todo mundo queria alguma coisa.
Eu não sabia se sairia viva dessas conversas.
Eu sabia que todas as armas da Colômbia estavam apontadas para mim.
Legendas: Victoria Melfi
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