All language subtitles for El.Dia.de.Manana.S01E02.720p.BluRay.x264-SbR.DUAL-RK55554

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Original subtitles

Informo que nenhuma evid�ncia influenciou a minha decis�o.

Por isso, estou ciente da minha responsabilidade

diante de Deus e da Hist�ria.

E digo com toda sinceridade

que o Pr�ncipe Don Juan Carlos de Borb�n y Borb�n,

que vem de uma dinastia que reina na Espanha h� s�culos,

j� demonstrou sua lealdade

aos princ�pios e �s institui��es do regime.

Ele est� vinculado ao Ex�rcito

e em v�rias situa��es provou seu car�ter.

Ao reunir as condi��es citadas pelo Artigo 11 da Constitui��o,

decidi nome�-lo em nossa p�tria como meu sucessor.

Jura demonstrar lealdade

� Sua Excel�ncia, o Chefe de Estado,

e fidelidade aos princ�pios do Movimento Nacional

e demais leis fundamentais do reino?

Sim. Juro lealdade ao Chefe de Estado

e aos princ�pios do Movimento Nacional

e demais leis fundamentais do reino.

Chamem uma ambul�ncia! Uma ambul�ncia!

Uma ambul�ncia! R�pido!

Um m�dico!

Vamos orar pelo descanso eterno

da nossa irm�.

Eulalia Rom�n.

Pai nosso que estais no C�u,

santificado seja o Vosso nome,

venha a n�s o Vosso reino,

seja feita a Vossa vontade,

assim na Terra como no C�u.

O p�o nosso de cada dia nos dai hoje.

Perdoai as nossas ofensas,

assim como n�s perdoamos a quem nos tem ofendido.

No fim, a Lali conseguiu o que queria.

Ela se juntou ao namorado.

Meus tios, n�o sei... Envelheceram uns 20 anos.

Foi muito dif�cil.

Foram meses muito dif�ceis.

E a gr�fica ia mal com as d�vidas do Justo.

O AUGE DA CONSTRU��O E A CRISE DA MORADIA SOCIAL

APROVADO O PROJETO DAS MORADIAS SOCIAIS

EMPRES�RIO NEBOT VAI CONSTRUIR MIL MORADIAS

- Como est�? - Bem.

E voc�, como est�?

Vamos levantar este pa�s de uma vez.

Tudo bem?

Bem-vindos ao C�rculo Equestre.

Um lugar que, para muitos de n�s,

� como uma segunda casa.

Voc�s v�m aqui para falar.

Para propor, para negociar,

para comer, beber, rir...

mas, sobretudo, para prosperar e ser solid�rios.

Sim, senhores. Solid�rios.

E antes que o Dom Marcelo pense que viramos comunistas...

Seremos solid�rios com os empres�rios espanh�is.

Pessoas que querem aprender com nossa experi�ncia,

e para quem dizemos: "Estamos orgulhosos e encantados

de facilitar o caminho para que a Espanha seja rica".

Bravo!

Como o conheci?

Acho que foi no clube de polo.

N�o sei como ele chegou l�,

mas sempre ficou claro que era um cara experiente.

Disse que tinha viajado pela Inglaterra, pela Fran�a,

pela Alemanha, e que entendia da Bolsa, de investimentos,

de economia.

Mas ele tinha uma ideia muito clara

do valor dele.

Isso me conquistou.

- Foi fant�stico. - Tudo bem?

Obrigado.

Pai, quero apresentar um amigo.

- Justo Gil. - � um prazer conhec�-lo.

- Adorei seu discurso, Sr. Nebot. - O Justo veio aprender.

De que empresa voc� �?

Nenhuma. Sou aut�nomo. Trabalho para v�rios locais.

Ele esteve na Inglaterra.

- Inglaterra? - Sim. Em Londres, senhor.

E o que foi fazer l�?

Fui at� a sede da General Eletric

para estudar a demanda por duchas e interfones.

S�o o nosso futuro.

N�o sou eu quem diz isso, s�o as vendas.

Eu adoraria conversar sobre meus produtos.

Os espanh�is s�o tradicionais com os itens de casa.

- Nebot? �timo discurso. - Sim. Obrigado.

Tem raz�o,

mas os interfones venderiam muito

para todas essas casas que deseja construir.

Claro, mas sempre trabalhamos com as mesmas pessoas.

Mas n�o h� ningu�m no meu segmento.

Acredite.

Se o senhor visse as maravilhas que uma ducha pode fazer,

- iria logo instalar uma. - Como se chama mesmo?

- Justo Gil, senhor. - Justo...

aqui h� muitos empres�rios que adorariam falar com voc�.

Obrigado.

Viu s�?

Se n�o � comunista,

o que faz com livros sovi�ticos?

- N�o s�o sovi�ticos. - Ivan Goncharov n�o � sovi�tico?

Sergei Aksakov?

Nikol�i Ogariov?

S�o autores russos do s�culo XIX.

Gosto de literatura russa, mas n�o sou comunista.

Nunca vi tortura na Delegacia de V�a Laietana.

Nunca.

Claro que, de vez em quando, havia algumas surras.

Mas como em qualquer delegacia, n�o �?

E o delegado Revuelta n�o gostava de viol�ncia.

Mas nos pressionavam

para acabar com os anarquistas, comunistas...

E n�o se consegue isso com beijos e abra�os.

Quem sabe um dia.

Com licen�a, delegado.

Mateo, tem uma mo�a perguntando de voc�.

Que mo�a?

Carmen Rom�n?

Ainda n�o localizamos o golpista.

Eu sei, mas meu tio est� insistindo.

Eu j� disse que n�o precisa vir aqui toda semana.

Quando o encontrarmos, serei o primeiro a dizer.

Minha fam�lia s� quer garantir que isso seja prioridade.

Escute, Carmen.

Barcelona est� cheia de golpistas.

De golpistas, de pivetes, de gente sem vergonha.

E n�s j� avisamos que vai demorar.

- Ele pode estar em outro lugar. - Onde?

N�o sei. Madri, Hong Kong, Toulouse, Buenos Aires.

N�o h� como saber.

Fa�a o que puder. � s� o que pe�o, por favor.

- Escute, Carmen... - N�o. Escute voc�.

Desde que a Lali morreu, meu tio s� pensa em prender o Justo.

� como se devesse isso a ela.

Carmen, dou a minha palavra que estou fazendo de tudo.

Ent�o fa�a mais que isso.

As casas populares sa�ram na imprensa.

Por isso tome cuidado com quem se aproxima de voc�.

- Com que se aproxima de mim? - Seu amigo n�o morou em Londres!

Ele n�o disse que morou l�. Disse que j� foi para l�.

Ele foi a pa�ses que est�o na nossa frente.

- Onde o conheceu? No Babel? - O que tem o Babel?

- Ele � outro amigo �ntimo? - O qu�?

- N�o fa�o mais isso. - Tem certeza?

Tenho.

N�o foi isso que o Dr. Bosch disse.

Ele me ligou hoje cedo.

Disse que voc� teve uma reca�da.

N�o � verdade.

Se a terapia n�o funcionasse,

ficamos de fazer um tratamento radical.

Foi sem import�ncia. J� estou curado.

- Vamos falar com o Bosch. - Eu juro!

Ele n�o me levava a s�rio.

Sabe como �. O filho...

Ele gostava mais do motorista e de outros do que de mim,

mas isso mudou quando o Justo apareceu.

De repente, comecei a me sentir mais seguro.

Mais confiante.

Ele me fez acreditar em mim.

GR�FICA ROM�N

Antes de mais nada,

sinto muito pela Lali e pelo que aconteceu.

Por que est� aqui?

N�o ligo se o seu tio aparecer. Posso explicar tudo.

Explicar o qu�?

Eu precisava curar a minha m�e, mas n�o tinha dinheiro.

Vou chamar a pol�cia.

N�o.

N�o, n�o, n�o. Vou devolver tudo, Carme.

Veja. Aqui tem dez mil pesetas.

Pode contar, se quiser.

Voc� roubou 65 mil.

E vou devolver at� o �ltimo centavo.

Voc� vai ser preso, Justo.

Ent�o chame a pol�cia. Pode chamar.

Chame. Pronto.

S� pe�o uma oportunidade para consertar o que fiz.

- N�o d� para consertar isso. - Claro que d�.

Tenho planos para n�s, Carme.

- Do que est� falando? - Eu me sinto mal, Carme.

Fiquei muito mal porque falhei com voc�.

Voc� me roubou e agora se sente mal?

Penso nisso todos os dias.

N�o acredito em voc�.

Ent�o me deixe mostrar.

Estou em um neg�cio...

que, se der certo, vai mudar a minha vida.

E, se quiser, vai mudar a sua.

N�o v� que minha vida j� mudou?

S� pe�o algumas semanas, Carme.

Algumas semanas.

Se eu n�o resolver, me entrego � pol�cia.

V� embora.

Hong Kong.

� o que a pol�cia acha. Ou Buenos Aires.

Buenos Aires...

At� parece!

O sem-vergonha est� aqui. Sei disso.

- Como voc� sabe? - Sabendo!

O policial pediu paci�ncia.

N�o me importo.

Na segunda, volte � delegacia.

- Mas, tio... - Tio nada.

Se n�o quiser ir...

eu mesmo vou.

Voc� quer sobreviver? Crescer?

Claro que sim.

Ent�o traga algo s�rio, algo pol�tico.

Voc� s� traz putas, bichas e babacas que leem em russo.

Sabe como sou pressionado?

H� um m�s, resolvi o caso da Diagonal.

Um m�s.

Onde acha que estamos?

Aqui n�o � a Andaluzia, precisa dar seu sangue.

Sinto muito.

Vai sentir quando nos expulsarem daqui.

Voc� e eu.

Oi.

- Oi. - Voc� viu o Quim Nebot?

- O que vai beber? - Sou o Justo Gil.

- Vim aqui outro dia. - O que vai beber?

Uma cerveja.

Silvio.

- Mais dois gins-t�nicas. - Dois?

O que foi?

N�o se lembra de mim?

N�o?

Eu estava com o Quim.

Conversei muito com ele uma noite dessas.

L� fora.

Sim! Voc� �...

Voc� �...

o cara que ele conheceu no clube de polo?

Justo Gil.

- Seu blazer era meio velho. - O meu?

Hoje est� melhor, mas n�o abotoe o �ltimo bot�o.

�... Sei l�.

- Onde voc� mora, Justo? - Eu...

Por a�.

Quem mora por a� n�o joga polo.

Nem v�m ao Babel.

O Quim e eu somos amigos.

N�o. Olha s�.

Quando ele chamar voc� para l�...

a� sim ser�o amigos de verdade.

Aten��o! Aten��o!

Vai ter festa no s�bado!

Naquela noite, o Justo me deu um serm�o.

Sobre o meu pai, sobre a empresa.

Que a empresa n�o ia bem,

que eu precisava fazer alguma coisa como herdeiro.

- Seu pai est� falindo, Quim. - Falindo?

�. As moradias sociais s�o a �ltima chance dele.

Se ele estragar tudo, acabou.

Como voc� sabe?

Tenho um amigo na Receita que me conta tudo.

A empresa dele est� mal h� 17 meses.

Mas n�o diga nada ao seu pai.

Ent�o por que me contou?

Para voc� fazer alguma coisa! Voc� pode ajudar.

Ajudar? Como?

Mostrando os bons investimentos.

Ele tem assessores.

Os mesmos que est�o acabando com ele.

N�o me importo com a empresa. Que afunde!

N�o acredito que n�o se importa.

Mesmo que n�o se importe,

voc� tamb�m afundaria com ela, Quim.

N�o poderia mais ter essa vida

e fazer o que voc� faz.

Acha que ainda gostariam de voc�?

Viemos aqui para nos divertir, n�o para encher os outros.

S� estamos conversando.

Acho que voc� n�o sabe dan�ar.

- At� que n�o dan�a mal. - Ele parece um caipira.

Voc� est� com inveja.

Inveja do qu�?

Fala s�rio!

O Xavi desconfiou dele desde o in�cio.

Ficou muito implicante.

Eu achei que fosse ci�me,

porque o Xavi e eu t�nhamos nossos assuntos.

- Voc� trabalhou em Londres? - N�o trabalhei, s� estudei.

- Fui me atualizar. - Sobre o qu�?

Complementos eletr�nicos industriais.

Parece muito t�cnico,

mas vou atr�s de tecnologia para as empresas.

- Vai atr�s de tecnologia? - Isso.

O futebol procura o novo Cruyff,

eu procuro a nova Xerox, o novo r�dio, a lavadora do futuro.

- Que interessante! - Se eu contasse...

Por que n�o conta?

- � mesmo. - Porque s�o tr�s da manh�.

N�o importa. O Quim nos leva para casa, certo?

- Claro! - N�o.

- Vamos. - N�o, n�o.

- Vamos! - J� est� tarde.

Eu bebi muito e vou come�ar a dizer besteira.

- Boa noite. - Boa noite.

- Vamos? - Vamos.

N�o...

Quim, por favor.

As sess�es s�o curtas, mas n�o invasivas.

� um procedimento muito meticuloso.

� mais seguro do que levar um choque.

E como isso vai ajudar na cura?

Posso mostrar estudos

da Associa��o Psiqui�trica Americana.

O que eles dizem?

Que os transtornos de conduta respondem bem a terapias assim.

- Elas devolvem o equil�brio. - J� estou equilibrado.

Bom...

- a reca�da da outra semana... - N�o foi uma reca�da.

Calma, Quim.

Estamos falando apenas de terapia eletroconvulsiva.

Pode nos deixar a s�s, doutor?

Claro.

N�o posso permitir que comentem.

� prejudicial a voc�, a mim e � empresa.

- N�o v�o comentar. - V�o, sim. Se dermos motivos.

- Pai, por favor... - Pare de ir ao Babel.

- Por qu�? - Voc� sabe por qu�.

� como quando seu tio parou de beber.

Se n�o quer beber, n�o frequente o bar.

O Babel n�o � o problema. Os filhos do Castellnou v�o l�.

Os filhos do Castellnou n�o t�m os seus problemas.

- Se eu contasse... - Contasse o qu�?

- Me coloque no Conselho. - O qu�?

- Quero me envolver na empresa. - Desde quando voc� se importa?

Sou seu herdeiro, n�o?

Pare de ir ao Babel, e lhe dou um projeto.

- N�o. Quero o Conselho. - N�o.

- Por qu�? - Porque temos que ir com calma.

Primeiro o Babel.

Se quiser fazer parte do Conselho,

case-se.

E me d� um neto.

Um neto?

Voc� � meu herdeiro.

Mar�a del Carmen Rom�n Busquets.

N�s vamos denunci�-la como respons�vel civil.

Fora daqui!

Pode parar.

Amanh� voc� vai de novo � delegacia.

E se resolv�ssemos de outra forma?

- Outra forma? - Com um acordo.

Acordo com quem? Com o Justo?

Est� me escondendo alguma coisa?

- N�o. S� quis dizer que... - O qu�?

- Que seria uma possibilidade. - N�o, Carme.

N�o � uma possibilidade.

Por qu�?

Tudo isso foi por dinheiro. Se ele devolvesse...

poder�amos at� pedir uma indeniza��o pelos danos.

- J� disse que n�o. - Por qu�?

Porque n�o � quest�o de dinheiro.

- Ent�o � de qu�? - De justi�a.

N�o quero que o Justo nos pague, quero que v� preso.

Quero passe por maus bocados, que sofra como eu sofri.

Mas, tio... voc� � cat�lico.

Quero que ele morra. � isso que eu quero.

N�o importa o que Deus prega.

Minha Lali era inocente e nunca machucou ningu�m.

Ela est� morta. E...

Meu tio estava piorando,

e eu n�o soube ajud�-lo.

Sei que � besteira,

mas, se eu voltasse atr�s, faria tudo ao contr�rio.

N�o pediria permiss�o a ele. Eu diria:

"Escute, tio. O Justo me deu isto.

Agora vamos superar isso". Entende?

Mas n�o tive coragem.

Para n�o o irritar ou...

para n�o o decepcionar.

N�o tem contradi��o.

No comunismo cient�fico, elas n�o s�o antag�nicas.

� s� uma teoria.

- �, mas est� fundamentada. - Chega. Peguem logo.

- De onde voc� tirou isso? - O qu�?

- Contradi��es n�o antag�nicas. - De Bukharin.

N�o, foi de Kamenev.

Marxismo.

Quem trouxe o gelo? J� est� acabando.

O Tato e o �ngel.

Sinto muito!

- Ent�o v� buscar mais. - Mas onde, em pleno s�bado?

- Em Vallvidrera, no posto. - Ent�o eu vou.

N�o, n�o. V� voc�.

Vamos ver se serve para alguma coisa.

� perto daqui, siga pela estrada.

- D� uns 3km. - Voc� veio de carro?

- Devo ir agora? - Isso.

Certo.

Espere, vou com voc�.

Qual � o seu carro?

Parei l� em cima.

Espere, espere.

- A chave. N�o pode ser. - Deixou l� dentro?

N�o, estava comigo. Vou dar uma olhada.

Calma, vamos com o meu.

- N�o. � melhor... - Vem, estamos com pressa.

- Vem. - Est� bem.

- Felicidades, Quim! - Obrigado.

- O Xavi n�o gosta de mim? - O Xavi?

N�o gosto de como ele me olha ou fala comigo.

N�o ligue para ele. Ele � assim mesmo.

- Deve ter puxado ao pai. - Quem �?

Castellnou, o governador civil

e chefe provincial do Movimento.

Acho esse nome engra�ado, porque nada se move por aqui.

E por falar em movimento...

falei com meu pai sobre a situa��o da empresa.

N�o contou o que eu disse, contou?

N�o, fique tranquilo.

Mas...

concordamos que preciso me envolver mais.

� s�rio?

Vou poder criar um projeto.

- E ser� com seus interfones. - N�o!

Vou mostrar seu estudo de mercado aos assessores.

- Assessores? - Calma, vou tomar conta de tudo.

Se estiver tudo certo, vou defender voc�.

- E meu pai vai me apoiar. - Como voc� sabe?

Sabendo.

Muito obrigado, Quim.

De nada.

- Se tudo for como voc� diz... - A empresa vai se dar bem.

E voc� tamb�m, Justo.

Voc� tamb�m.

Cuidado!

Justo.

- Justo. - O qu�?

- O Quim est� esperando voc�. - Me esperando?

Isso.

Ele quer mostrar uma coisa.

Onde?

Bem ali.

Voc� vai ver.

Ele quer mostrar uma coisa.

Vai logo.

Vai l�.

Justo.

Sabe o que � isto?

- N�o. - Prove.

A festa foi como qualquer outra,

n�o aconteceu nada de diferente,

mas, dias depois, meu pai me ligou

para dizer que tinha gostado do neg�cio dos interfones.

Pediu que o Justo e eu f�ssemos falar com ele.

Finalmente meu pai prestou aten��o em mim.

� isso mesmo.

� melhor, at� que ele...

- Mar�a! Tudo bem? - Oi, Sr. Quim.

- Como voc� est�? - �timo.

- Este � o Justo. - Oi, Sr. Justo. Tudo bem?

- Oi. - Prazer.

Ela est� conosco h� anos.

�. Desde que voc� era um remelento.

E o meu pai?

Est� na sala. Est�o cortando o cabelo dele.

Perfeito.

- Quer cerveja? - Quero.

Choveu muito nos vinhedos este ano.

- Eu notei. - Foi o mesmo com o Dom Carlos.

- Tiveram que trocar de uva. - Isso � uma bobagem.

E eu n�o vivo do vinho.

E os frutados ficaram fenomenais.

O que achou?

Perfeito, Mart�n. Obrigado.

- Foi um prazer, Dom Joaqu�n. - Caramba...

Que dia p�ssimo!

Isso vai ser fatal para os vinhedos.

- Pai. - Justo?

Desculpe... mas n�o conhe�o voc�.

- Como assim? - Sempre me confundem.

Voc� � o Justo. Justo Gil Tello.

Deve ser a sua roupa...

Onde voc� corta o cabelo, Justo?

� que as pessoas mudam muito sem a roupa de trabalho.

Ainda mais o almofadinha do Mart�n.

Mar�a, sirva algumas uvas novas quando o Sr. Tello voltar.

- Claro, senhor. - At� a semana que vem, Mart�n.

- Tchau. - Eu acompanho voc�, Mart�n.

- Tudo bem, filho? - Tudo, pai.

Preparamos os relat�rios...

Escute, Justo... Justo!

O que est� acontecendo? Em que voc� se meteu?

Nunca mais fa�a isso.

Entendeu?

Mas...

N�o.

Meus assessores disseram que suas contas est�o corretas.

- Quem ensinou voc�? - A vida, Sr. Nebot.

De qualquer forma,

negociar�amos com os fornecedores diretamente,

mas, para pagar seus servi�os,

voc� trabalharia no escrit�rio de Hospitalet.

- Por no m�nimo dois anos. - Dois anos?

� uma boa oportunidade de voc� se estabilizar.

Eu estava pensando em receber por comiss�o.

Que tipo de comiss�o?

Dez por cento das vendas dos interfones.

Nem pense nisso. Aqui n�o � Londres.

Podemos chegar a um acordo que seja bom para todos.

Obviamente com as comiss�es de sempre...

Que tal dois milh�es de pesetas e esquecer as comiss�es?

E quatro anos de contrato.

- Pode levar, Mar�a. - Sim, senhor.

- Obrigado por vir. - N�o se iluda. Eu s� vim...

Porque dei minha palavra que devolveria tudo.

Aqui tem mais dez mil pesetas.

S�bado que vem, dou mais 20 mil.

- No s�bado? - Estou esperando um cheque.

Consegui um contrato fixo...

N�o se resolve o que voc� fez com alguns cheques.

Ent�o me diga o que preciso fazer.

Sabia que meu tio quer mover uma a��o contra voc�?

E voc�?

Ele � empres�rio, o dinheiro vai acalm�-lo.

Voc� n�o o conhece.

Ent�o me ajude a convenc�-lo.

Nos vemos no s�bado, certo?

No mesmo hor�rio. Podemos jantar juntos.

Prefiro jantar em casa.

PAR�QUIA SAGRADO CORA��O DE JESUS

� aqui que voc� mora, Justo?

Belo bairro...

Eu n�o moro aqui.

Claro que n�o. Veio rezar na igreja, certo?

Vou contar ao Quim que voc� � uma farsa.

- Cuidado, Xavi. - Por qu�?

Todos n�s temos segredos.

Que medo... E qual � o meu, Justo?

Conte para quem quiser, para ver se levam voc� a s�rio.

Voc� s� sabe mentir, enganar e manipular.

Pense bem, Xavi...

se voc� n�o sabe quem sou,

se tudo o que digo � mentira...

deveria tomar cuidado.

- Por qu�? - Porque...

Posso ser bem pior do que voc� pensa.

Posso n�o ter escr�pulos.

Eu n�o ligaria de cortar esse seu pesco�o,

que � o que fazemos quando algu�m vem se intrometer.

Voc� sabe quem eu sou?

Pergunto o mesmo a voc�... Xavi Castellnou.

Est� vendo aquilo ali?

S�o moradias para os imigrantes

que chegam na esperan�a de poder comer.

Pessoas que entrariam num bueiro para n�o tomar chuva.

S�o os apartamentos que seu pai faz.

Mas, se olhar para l�,

vai ver a vista linda do Mediterr�neo,

da Barcelona antiga, da cidade de Gaud�.

- S�o im�veis de luxo. - Que est�o incompletos.

O que voc� quer, Justo?

O que eu quero?

O Xavi me contou onde voc� mora.

� verdade que voc� o amea�ou?

- Inacredit�vel! - Justo, n�o vou julgar voc�.

- Mas n�o gosto de mentiras. - Eu n�o menti.

Eu estava indo para a casa de uma garota que magoei.

Sempre levo dinheiro para ela.

Posso apresent�-la, e voc� pergunta o que quiser.

- N�o precisa. - � a Carme, da gr�fica...

J� disse que n�o precisa! S� queria falar com voc�.

- N�o podemos ter segredos. - N�o tenho segredos.

- Se n�o confia em mim... - Claro que confio, Justo!

- E agora? - Nada. J� resolvemos.

Vamos esquecer isso.

Sabe...

prometi ao meu pai que eu n�o iria mais ao Babel.

Ao Babel?

Ele acha que � um lugar de v�cios.

Mas quero dar uma �ltima festa.

Para comemorar nosso contrato.

- E o fim de uma �poca. - Que �poca?

De quando eu era um z�-ningu�m.

Com sobrenome e dinheiro, mas um z�-ningu�m.

Algu�m nos informou

que estavam fumando baseados de haxixe.

Era isso que os bacanas fumavam.

Baseados de haxixe.

Se voc� vai a Paris, Londres ou at� Perpignan,

parece que a Espanha continua na Idade M�dia.

Mas isso vai mudar.

O que vai mudar?

- Tudo. - E como voc� sabe?

Ontem fui a uma reuni�o na universidade.

Uma reuni�o antifranquista, com certeza.

Quase isso.

Conseguiram uma grava��o da Pasionaria. Veio de Moscou.

E distribu�ram isto.

O que � isto?

O que �?

- O que est� fazendo com isso? - Como assim?

- Sabe o que pode acontecer? - Voc� pode ser preso!

- Viu isso? - Quim...

- O que foi? - Quim, calma.

- Calma nada! - S�o s� pap�is in�teis.

Voc� viu? Guarde logo. Por que trouxe isso?

Tudo bem, j� vou guardar.

Entrem.

Boa noite!

Onde est� o pessoal?

Essa gentalha que temos que aguentar...

O pai dele resolve todos os problemas.

J� o seu...

Identifiquem-se, senhores Que vergonha!

O que � isso? � uma festa particular.

- N�o o machuquem! - Ningu�m se mexe!

Agora v�o todos sair bem calminhos daqui.

- Andem! - Venham!

- J� para fora! J� para fora! - Vamos!

Todos bem calmos!

Venham!

- Um de cada vez, calma. - Andem.

Vamos.

Anda logo!

Venham, vamos!

Isso mesmo, podem ir com calma.

Com calma. Isso.

Andando.

- Calma, Tato. - Continuem andando.

Vamos!

N�o participei daquela batida.

Eu estava de folga.

No outro dia, eu soube que a cadeia estava cheia

de filhinhos de papai. Tinha o filho do Nebot e outros.

Lembro que comecei a ler a lista

e, de repente,

vi o nome que menos esperava:

Justo Gil.

Caramba...

Justo Gil Tello?

Sou eu.

Calma. Os advogados do meu pai v�o cuidar de tudo.

S� um burro para fumar haxixe sendo procurado.

- Eu sou procurado? - Para a frente, anda.

Foi uma fraude de 65 mil pesetas.

Sabe o mal que causou � fam�lia?

N�o vai ler a den�ncia?

- Eu... - Leia.

Leia logo!

� voc� ou n�o?

N�o estou ouvindo.

Sim, sou eu, mas...

- O qu�? - �... Sou eu.

Procuro voc� h� mais de um ano.

Estou devolvendo o dinheiro, pergunte � Carme Rom�n.

Diga isso ao juiz.

Sabe qual � a pena? Cinco anos, com certeza.

N�o posso ser preso.

- Ningu�m quer ser preso. - Voc� n�o entendeu.

Acabei de fechar um neg�cio.

- Deu outro golpe? - Juro que n�o. Eu juro.

Escute...

se me ajudar, podemos fazer um acordo.

Est� me subornando?

N�o. N�o!

N�o, n�o. S� estou dizendo que...

Cale a boca, Justo Gil.

Voc� � um filho da puta que ferra pessoas de bem.

Sabe o que fazemos com gente como voc�?

Gostamos de ver quando "comem" voc�s.

- Conhe�o uma c�lula comunista. - Do que est� falando?

Ontem, no Babel, tinha panfletos da Pasionaria vindos de Moscou.

Sei onde est�o escondidos.

Est�o com o Tato, que faz Direito na universidade.

Ele faz parte de uma c�lula.

� amigo do Toni e do Quim Nebot.

Eles organizam reuni�es antifranquistas.

Todos eles conspiram contra o governo.

Continue.

N�o sei muito mais...

mas, se quiser, posso ser seu informante.

- Meu informante? - Isso.

- Sabe o que um informante faz? - N�o.

N�o, mas aprendo r�pido.

N�o vou falar disso, certo?

Para terminar esse assunto do Justo...

Se ele foi algu�m que apareceu na minha vida

e me fez mal?

Bom... N�o.

Na verdade, ele me fez muito bem.

CAPITALISMO EM PEQUENAS EMPRESAS

O AUGE DA CONSTRU��O E A CRISE DA MORADIA SOCIAL

APROVADO PROJETO DE MORADIAS SOCIAIS

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