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Legendas: Lu�s Filipe Bernardes
O que est� fazendo a�?
- O que est�o fazendo a�? - Procurando uma coisa.
- Perda de tempo! - Viu alguma coisa por a�?
Como assim, alguma coisa?
Nada. N�o � nada.
Quanto mist�rio...
Ah, � voc�. Demorou, hein?
- A gata velha n�o para de te chamar. - O que ela quer agora?
- Problema para o seu lado. - Que foi que aconteceu?
Ela encontrou um par de pires e x�caras quebrados enterrados no canteiro.
O que foi que ela disse?
Que n�o tinha problema e at� te agradeceria.
- O que acha que ela diria? - O que que eu vou fazer?
- Quando voc� os quebrou? - Ontem quando voc� saiu.
N�o sei o que deu em mim.
N�o sei o que deu em voc� esta semana toda.
Desde o feriado que voc� anda feito barata tonta...
...perdendo tudo, quebrando tudo.
Dora j� voltou? Dora!
- O que eu fa�o? - O qu�?
Seja clara.
Diga que se n�o gostou problema dela. Eu diria.
Dora! Quero falar com voc�.
- Dora! - Cruzes.
- Deixe a menina em paz, tia. - Deixar em paz, essa dissimulada?
- Ah, chegou. - Deseja alguma coisa, senhora?
Chamei, n�o chamei?
Deve achar minha lou�a � coisa de bazar de quinquilharia.
Achou que enterradas no canteiro eu n�o daria por falta?
Pois eu descobri.
Ai, doeu! N�o seja desastrada!
Quer quebrar meu bra�o?
Vamos, Dora, n�o � caso para isso.
N�o �? � pior ainda!
- E a galinha que voc� roubou no domingo? - Eu n�o roubei!
Como chama, ent�o? Empr�stimo?
J� falamos sobre isso, tia.
N�o se meta.
N�o sei o que deu em voc�, n�o sei mesmo.
Desastrada, desonesta, dissimulada.
Pode ir embora. Est� despedida.
E pare de choramingar!
Vai fazer mal ao meu cora��o. V� para a cozinha.
Por favor, n�o me despe�a.
N�o tenho um tost�o no bolso. Se perder meu emprego...
Pensasse nisso antes de quebrar minha lou�a.
Me perdoe. N�o tenho andado bem esta semana.
Deu para perceber.
O que foi, Dora? Est� com algum problema?
Na verdade, estou, por assim dizer.
Ah, � homem? Ent�o � disso que se trata.
Homens tamb�m.
Homens, n�o. � s� um.
Prometeu casar-se comigo mas sempre vem com desculpas.
- Agora sei que n�o � s�rio. - Quem � ele?
Um rapaz que conhe�o. Trabalha como boy no hotel Tall Boys.
- Vigarista! - N�o, n�o �.
� muito simp�tico, se � que me entende.
N�o, n�o entendo. De onde ele �?
Acho que � irland�s. J� foi marujo tamb�m.
� muito divertido e muito dado.
- Chamam-no de Baby Face. - Baby Face?
Espera s� eu conhecer esse Baby Face.
- Senhora... - O que foi?
- A senhora falaria com ele? - Falar com ele?
N�o � para repreend�-lo,
...mas se conversar com ele quem sabe ele pense melhor.
Deixe ele comigo.
Na verdade, hoje ele deve passar aqui para me visitar.
N�o me diga! Nada como uma visita para melhorar o �nimo, hein?
Pois mande-o entrar assim que chegar. Terei uma conversa com ele.
Sim, senhora.
- Senhora... - E descontarei a lou�a do seu sal�rio.
- Ah... - O que ia dizer?
Ia dizer que n�o sei como agradecer sua gentileza.
Pronto, terminei. Melhorou?
Na mesma. Sei que � neurite.
Precisa mais � de exerc�cio, n�o de massagem.
- Seu corpo agradeceria se... - N�o se atreva a falar do meu corpo.
Ningu�m aqui entende do meu corpo nem de nada a meu respeito.
Quanto a solidariedade, nem se fala.
� pena. Bem, j� vou indo.
Volte na quarta. Minha neurite pode piorar.
Pode deixar. E se tiver outra crise me chame. At� logo.
Se isso � maneira de falar com uma inv�lida
- O que voc� quer? - Tem um policial na porta dos fundos.
- Policial? - Disse que era, mas n�o est� de uniforme.
- Quer falar com a senhora. - Sobre o qu�?
N�o sei. Pergunte a ele.
Minha consci�ncia est� tranquila. J� a dos outros, n�o sei.
Deve ter a ver com a Dora.
Por qu�? O que ela fez n�o � crime. Faz parte da vida.
- Onde ele est�? - Est� se dirigindo � porta da frente.
- Pode entrar. - Obrigado.
- Sra. Bramson? - Sim.
Sinto incomod�-la.
Meu cart�o.
Departamento de Investiga��o Criminal?
Apenas uma visita informal.
N�o me agrada receber desconhecidos em casa.
Infelizmente �s vezes � uma imposi��o legal.
Obrigado.
- Voc� pode ir. - N�o quero ir.
- Quero saber do que se trata. - Na verdade quero que fique.
Pode ser �til. Qualquer uma das duas pode.
- Mora aqui? - Nem pensar.
Realmente � um local muito ermo. Longe para caminhar todo dia.
N�o ando. Venho de bicicleta.
- Afinal, qual � o problema? - Se viesse a p�...
talvez tivesse passado por certos trechos das redondezas.
- Podia ter visto alguma coisa. - Que tipo de coisa?
� o seguinte. Eu...
Permita me apresentar. Sou sobrinha da Sra. Bramson. Trabalho para ela.
- Pelo menos aparenta. - Entendo. Obrigado.
Gostaria de saber se notaram algo fora do comum ultimamente?
Se algu�m as procurou?
Se viram algum estranho andando pela mata.
As �nicas visitas foram do m�dico e da enfermeira local.
Uma festa s�.
A Srta. Grayne est� sempre andando pela mata. Talvez ela saiba.
- Sim? - Sinto muito, mas n�o vi nada.
Ah, sim, vi uns homens vasculhando o mato.
- Ah, sim, ia falar nisso. - Afinal, por que tanta como��o?
- Houve algum assalto? - N�o, uma mulher desaparecida.
Morava no Tall Boys.
- Uma Sra. Shellbrook. - Shellbrook?
Sim, a loura platinada.
Vi�va de um coronel, segundo ela.
Vive sozinha, segundo ela.
Sempre vestida com meias de seda escandalosas.
- Tamb�m chegada a uma pinga. - Voc� a conhece?
Nunca a vi na vida. Mas sabe como as pessoas falam.
Dizem que � uma sirigaita.
O que � uma sirigaita?
Nunca foi ao cinema?
Enfim, n�o � vista desde segunda-feira passada.
Foi no feriado.
Costumava passear muito pela mata nesta dire��o.
Deve ter ca�do de b�beda e continua l� desacordada.
N�o. J� vasculhamos toda a mata.
Foram esses os homens que voc� viu.
Ela era muito chamativa...
...� uma mulher muito chamativa, esperan�osamente falando.
- Por que esperan�osamente? - Bem...
Est� dizendo que ela pode... n�o estar viva?
� poss�vel.
- S� falta dizer que foi assassinada. - Acontece.
Que despaut�rio. Ainda mais vindo de um policial.
Parece at� romance policial.
Enfim, por via das d�vidas agradeceria se ficassem atentas.
Bom dia, Sra. Bramson.
At� logo.
Bom dia, senhorita...
Ah, me desculpe.
O que foi, lembrou-se de alguma coisa?
Ah, n�o, n�o...
O que foi ent�o? Estava estranha.
Como se tivesse lembrado alguma coisa.
N�o foi nada... S� estava pensando que...
O qu�?
Bem...
Nessas manh�s t�o bonitas tento imaginar como ser� o anoitecer.
Mas nunca consigo.
Embora seja inevit�vel que anoite�a.
- � bobagem. - Com toda certeza.
N�o, continue.
Bem, c� estamos n�s, ingleses como outros quaisquer.
Acordamos pensando no novo dia que come�a.
Nos levantamos, vimos o tempo, conversamos...
e eis-nos aqui ainda conversando e...
esse tempo todo...
O qu�?
Esse tempo todo pode haver algo perdido a� na mata...
escondido sob algum arbusto.
Apenas dois p�s aparecendo.
Talvez um salto alto iluminado pelo sol...
com um passarinho pousado em cima.
O outro p� vestindo uma meia...
...manchada de sangue que secou com o tempo.
Em algum lugar perambula um homem...
...conversando exatamente como n�s.
Ele tamb�m acordou esta manh�, olhou o tempo...
e ele a matou.
- Ora essa! - Srta. Grayne, fiquei arrepiada.
N�o vejo como ela pode se descrever como "outra qualquer"...
...tamanha � sua imagina��o.
Mas espero que esteja errada, se n�o ser� trabalho dobrado para n�s.
Bem, qualquer coisa estranha que aconte�a,
� s� ligarem para a delegacia de Shepperley.
- Bom dia. - Bom dia.
N�o precisa se incomodar, bom dia.
- Quanta besteira! - Ser�?
Claro, para voc� tudo � motivo para divers�o.
- Por favor, senhora. - O que foi?
- Por favor, ele est� a�. - Quem?
Meu namo... meu amigo do Tall Boys.
Mande entrar. Estou preparada.
Ficar� sabendo qual � sua obriga��o.
� o que farei!
Ent�o?
Bom dia a todos.
- Ent�o voc� � o Baby Face. - Sou eu.
Nome tolo, n�o �?
Desculpem minha roupa, � do trabalho.
Estava de servi�o e minhas m�os n�o est�o muito limpas.
- N�o sabia que ia ter festa. - Festa?
- Bem, s� tem mulher. - Fica acanhado com mulheres?
- Sim. - N�o me parece que fique com a Dora.
- Bem, eu... - Voc� pode sair.
Sim, senhora.
- Vejo que voc� fuma. - Sim, eu...
Perd�o.
Esque�o minhas maneiras em p�blico.
Fico desajeitado na casa dos outros. Me desculpe.
Bem, voc� sabe do que vamos tratar?
- Acho que sim. - Devia se envergonhar!
- Mas estou. - E ent�o?
- Que horas s�o? - Quase onze e meia.
- Olivia! - Sim?
- Voc� esqueceu de novo! - O qu�?
- Meu rem�dio. Est� meia hora atrasado! - Eu sinto muito.
Sabe que s� faz efeito se tom�-lo na hora certa.
Se n�o fico de olho nada funciona nesta casa.
Que coisa horr�vel! Pegue um chocolate.
Bela maneira de cuidar de uma inv�lida.
Voc� trabalha no Tall Boys, n�o �? - Sim.
- Vinte e quatro horas por dia. - Sabe alguma coisa da mulher assassinada?
Sabe do desaparecimento da Sra. Shellbrook, n�o?
Achei que tivesse dito assassinada.
- Que tolice. - N�o se sabe, claro, mas...
pode ter sido homic�dio, n�o?
Sim, � poss�vel.
- Sim. - Voc� a conheceu?
Sim, j� levei bebidas e cigarros para ela.
- Como ela �? - Como ela �?
Alta, canelas finas e...
...uma daquelas pulseiras num deles.
- Cabelo claro... - Continue.
Sobrancelhas finas...
...com uma sombra branca em cima, onde foi depilada para ficar na moda.
Seus l�bios, finos tamb�m...
pintados de forma a parecerem mais gordos.
D� para tirar com a m�o, imagino...
Seu pesco�o...
meio grosso...
Ri meio alto...
a� para.
� muito animada...
Percebem que sou observador, n�o?
- � sempre t�o observador? - S� com as mulheres.
Se n�o fosse t�o observador Dora n�o estaria no aperto que est�.
- Tem raz�o. - N�o parece muito arrependido.
Estou, sim. Mas o que est� feito n�o se desfaz, esse � meu lema.
O que significa isso?
Ela parece meio esquentada, n�o?
Agora, quanto � Dora.
- H� quanto tempo a conhece? - N�o faz muito tempo.
- O a�ougueiro veio cobrar. - Ora essa!
Disse que viu uns homens fu�ando no jardim � procura da Sra. Shellbrook.
- Perguntou se sabia. - Pois v�o parar de fu�ar.
Na minha pimenteira � que n�o se metem!
Olivia! Ela nunca est� quando preciso. N�o, n�o, n�o!
N�o quero que me empurrem, obrigada.
Nunca vi pessoa mais desastrada. Me ignora totalmente...
N�o me deixa pagar o a�ougueiro para que n�o saiba onde guarda sua bolsa.
O pior � que sei. Fique sabendo.
L� no Tall Boy dizem que a bolsa � bem recheada.
Nunca a vi aberta.
E se voc� abrir pra olhar ela perceber� logo.
- Qual � a doen�a dela? - Doen�a?
� inv�lida, n�o �?
Se ela � inv�lida eu sou Mickey Mouse.
Preciso ver meu pernil.
O que est�o fazendo no meu jardim? Saiam da�!
Est�o arruinando meu gramado!
Quem autorizou que entrassem aqui?
Sabe se a Sra. Bramson me chamou?
Perd�o, mas n�o sei como se chama.
Vem c�.
Agora chega.
As coisas s�o meio paradas aqui para mo�as, n�o?
N�o � lugar dos mais divertidos para uma jovem, n�o �?
Nossa, que foi que ela disse?
Ah, me desculpe.
N�o � por pedantismo, mas caso apare�a aqui de novo...
...devo frisar que, embora esteja a servi�o de minha tia,
n�o ocupo a mesma posi��o de Dora.
Espero que n�o. Mas vou me casar com ela e...
N�o acredito em voc�.
N�o gosta de mim, n�o �?
N�o.
Mas todo mundo gosta.
Seus olhos s�o bem separados...
as m�os s�o boas...
Mas tem alguma coisa errada.
Tamb�m estive olhando para voc�. Sabe, se...
Sinto muito mas vai perder seu tempo com esse tipo conversa.
Voc� est� bajulando a Sra. Bramson?
Bajulando?
Foi a impress�o que tive.
Pois saiba que tem poucas chances.
Quer apostar?
Dizem ter um mandado para buscar a tal mulher.
E quem eles pensam que s�o?
Odeio s�o esses homens que se investem de autoridade.
Pior s�o homens que se investem de... charme.
O que ela quis dizer com isso?
Acha que devemos dar ouvidos?
- Agora, escuta. Quanto � Dora... - Espere.
N�o seria mais confort�vel colocar um travesseiro a� atr�s?
- Vou pegar... - N�o, n�o. Por favor, n�o interfira...
- Toma. - N�o gosto que mexam na minha cadeira.
Melhorou, n�o? E est� p�lida tamb�m.
P�lida? Disse p�lida?
Cansada.
Assim que a vi, pensei comigo mesmo...
Eis uma mulher que enfrenta muitas adversidades.
E como. S� eu sei.
Com certeza.
Deve ser horr�vel ver os outros andando pra cima e pra baixo,
se divertindo,
tirando proveito da...
Oh... n�o devia ter dito isso.
- Eu sinto muito. - Mas � verdade.
A mais pura verdade.
Parece que ningu�m percebe...
Agora escute. A respeito de Dora...
Perd�o, senhora, aquele � seu gato?
Sim.
N�o o tinha visto.
Posso segur�-lo?
- Gosta de gatos? - Gosto de todos os animais.
Especialmente de gatos.
Ele � lindo.
Aposto como � boa companhia, n�o?
- A �nica nesta casa. - Eu acredito.
Permite que lhe pergunte que mal a aflige?
Bem... n�o seria melhor se sentar?
Obrigado.
Bem... sinto umas palpita��es horr�veis.
Palpita��es?
N�o sei como consegue.
Hm?
Isso � muito s�rio.
Sabia que nove entre dez mulheres no seu estado...
estariam de cama e desenganadas?
- �? - Com certeza.
Conheci uma pessoa que sofria de palpita��es e...
Uma pessoa muito pr�xima...
- Ela morreu. - Hm?
Minha m�e, na verdade.
- Oh... - Parece que estou vendo-a.
- Na verdade... - Sim?
- N�o, � bobagem. - Vamos, fale logo.
Deve ser minha imagina��o, mas parece um pouco com ela.
Com sua m�e?
Hm?
N�o gosto de falar na minha m�e.
Fico meio triste.
Tinha esse mesmo olhar bondoso da senhora.
Os mesmos olhos bem separados.
E as mesmas m�os bonitas.
- E as mesmas palpita��es? - As mesmas palpita��es.
N�o se incomoda que falemos de sua sa�de, n�o �?
N�o.
Devia deixar os outros fazerem as coisas para senhora.
Sim.
Devia tomar muito cuidado.
Sim.
� t�o estranho um rapaz como voc� trabalhando como boy de hotel.
- �? - Parece t�o sens�vel...
...e compreensivo.
Nunca fui muito privilegiado, mas...
...sempre tentei fazer o que � correto.
Pois acho que merece melhor.
Falando em coisa certa... e a Dora?
- Vou me casar com ela. - Vai?
Claro. Me casaria j�, mas mal posso me sustentar com meu emprego.
Se conseguisse um sal�rio melhor me casaria num piscar de olhos.
Que tal trabalhar para mim?
- Para a senhora? - Gostaria?
Com certeza.
N�o imagino nada melhor que...
...morar numa casa bonita como esta, com uma senhora t�o gentil...
- ...cuidando dela. - Bem, veremos.
J� tem que ir?
Ainda n�o. Hoje � meio-expediente.
- Fique para o almo�o. - Bem, eu...
- Na cozinha, claro. - Sim, eu sei.
Tem comida de sobra. Fique para o almo�o.
� muita gentileza. N�o tem nada em que possa ajudar?
Dar uma caminhada...
...com a cadeira de rodas ao sol, o dia est� lindo.
Bem... podemos, sim.
Gostei de voc�, sabia?
� muita gentileza sua, Sra. Bramson.
Foi a maneira como falou de sua m�e.
- Foi mesmo? - Sim, foi uma lembran�a muito bonita.
Pod�amos fazer isso todo dia. Sei fazer isso como ningu�m.
- N�o diga. - Precisa de algu�m forte por perto.
Bom dia.
- Bom dia. - Em que posso ajud�-lo?
Quero um xale. Um xale para uma senhora idosa.
- Algo bonito que agasalhe. - Sim, eu entendo.
- At� quanto? - Bem, nada muito caro.
Mas que seja bonito.
Este � muito bonito. � de angor�.
E est� por 15 shillings.
� mais do que tenho.
Talvez algo por volta de 5 shillings.
Este � muito bonito, sai por 5 shillings e 6 p.
- � l� de Shetland. - Hm.
Gostei. Pode vesti-la para eu ver como fica?
Claro.
Hm... bonito. Vou lev�-lo.
Bem, acho que � tudo, Sra. Bramson.
N�o d� mole com essa gente.
Se n�o pagarem at� segunda, mande uma intima��o.
- E nada de desculpas. - Muito bem, pode assinar o recibo.
Primeiro vou contar.
� uma quantia consider�vel para guardar em casa.
- Trinta e seis libras. - Sil�ncio. Estou tentando contar.
Agora me perdi. Como foi que disse?
Que � muito dinheiro para se ter em casa.
Guardo mais que isso.
Meu lema � n�o confiar em bancos.
N�o tem medo de assaltos ou furtos?
N�o.
Os jornais n�o falaram de uma mulher que desapareceu nestas redondezas...
...possivelmente assassinada?
Bobagem. Publicam todo tipo de coisa nos jornais.
Mesmo assim, n�o me agrada a ideia de morarem sozinhas, a senhora e Olivia.
Devo dizer que � muito atencioso de sua parte.
Mas fique descansado. Teremos um homem morando conosco.
Estaremos bem seguras, obrigada.
- Um empregado? - Sim, um empregado.
Logo n�o precisa ficar com ci�mes.
Ci�mes?
Acha que n�o sei que est� pensando na Olivia e n�o em mim?
O que me lembra. Tem outra coisa que quero falar com voc�.
- Olivia? - Sim. Quanto deixei para ela?
- Deixou? - No meu testamento!
J� mudou seu testamento tantas vezes que n�o saberia dizer.
Pois eu sei. Duzentas libras.
Estive pensando e acho demais.
- Quero cortar pela metade. - Sra. Bramson!
- Qual � o problema? - Bem... ela n�o tem nada.
Escute aqui, Sr. Laurie!
Vai seguir minhas instru��es e fazer como estou mandando...
Ou precisarei contratar outro advogado?
- Se insiste. - Insisto, sim!
Agora, pare de falar para eu poder contar meu dinheiro e voc� ir embora.
- Ah, � voc�. - Estou me mudando.
- A velha est� em casa? - Sempre est�.
- Danny. - Hm?
- Ela te disse alguma coisa? - Alguma coisa?
Sim, sobre n�s, eu e voc�.
- Ela aprovou, deu-nos sua b�n��o. - Ent�o quando?
Em breve, Dora, em breve. Pronto.
Agora pode avisar que cheguei.
Era s� o que me faltava.
- Boa tarde, senhora. - Ah, � voc�, Danny.
- Tudo pronto para me mudar. - Trouxe suas malas?
- Sim, est�o na entrada. - Dora o acompanhar� at� seu quarto.
Muito bem. Ela pode me dar uma m�o.
- � o novo empregado? - Sim, um �timo rapaz, muito distinto.
Ol�, achei que n�o ia v�-la.
Bom dia, j� estou me mudando.
Boa tarde.
Parece at� que estamos saindo de f�rias, n�o?
- Ent�o, j� terminaram? - Sim, estou de sa�da.
- Me acompanha at� o carro? - Com todo prazer.
- Adeus, Sra. Bramson. - Adeus, e fa�a o que mandei.
- Quem � o rapaz? - Trabalha no hotel e caiu nas suas gra�as.
- � namorada da criada. - Parece ser simp�tico.
- Acha mesmo? - Sim. Por qu�, voc� n�o?
N�o, n�o acho.
Acho-o vulgar, insolente, arrogante e sonso.
Isso � meio forte, n�o?
- O que ele fez com voc�. - Comigo nada.
Est� nervosa, isto sim.
Pudera, morando nessa casa com ela.
- Ela anda insuport�vel. - N�o mais que de costume.
Querida, como � que voc� se sujeita a isso?
Fazer o qu�? N�o tenho dinheiro e...
- Sabe muito bem o que pode fazer. - N�o.
- Por qu�? - Ora, Justin, de novo?
Sim, e n�o vou parar. Por que n�o, Olivia?
- Por que n�o se casa comigo? - Porque...
...j� falei antes, n�o o amo desse jeito.
Eu sei. Mesmo assim, sou melhor que a velha.
N�o a trataria como uma empregada.
N�o teria que morar aqui no mato onde n�o acontece nada.
- � poss�vel que alguma coisa aconte�a. - O qu�?
N�o sei... alguma coisa.
Sei que sou uma tola. Voc� � um amor e t�o bom...
Mas... quero esperar mais um pouco.
Sei que vai falar que romance como se l� nos livros n�o acontece mais.
N�o vou, n�o. Eu sei que acontece.
Aconteceu-me com voc�, s� que...
- S� o qu�? - Bem...
Nem sempre acontece como imaginamos.
Isto �, por que Romeu n�o pode vestir um terno e dirigir um carro...
...em vez de pular no balc�o?
A minha Julieta usa �culos,
costura e atende a uma idosa.
Percebi de imediato que era a princesa que eu teria que salvar.
Vai me deixar salv�-la?
N�o, ainda n�o, Justin. Sinto muito, mas ainda n�o.
Est� bem. Mas n�o perderei as esperan�as.
- Adeus por ora. - Adeus.
O jornal de Shepperley.
Hm... esse bon� � seu?
- Sim. - Estava pendurado na entrada.
Acho melhor que fique aqui.
Imagina s�, fazer uma coisa dessas.
Pendurar como se fosse uma visita. Me desculpe.
Est� bem acomodado aqui? Costumava ser nosso dep�sito.
- Acho que tiramos tudo. - Espero n�o ter dado muito trabalho.
Pendurei uns retratos para me sentir mais em casa.
Ah...
Costuma ir ao cinema?
�s vezes.
Mas a vida real � melhor.
Hm, Napole�o.
Ele fez muita coisa.
Aquele � seu namorado?
Como? Quem?
O rapaz que acabou de sair.
Ah, era o advogado da Sra. Bramson.
- Para que ela precisa de advogado? - Ele trata dos seus neg�cios.
Ah, entendo.
Pelo jeito que a olhava, achei que estava interessado em voc�.
Est� meio abafado aqui dentro. Por que n�o abre a janela?
Deixa que eu ajudo.
Seria muito bonita sem esses �culos.
Obrigada, mas minha apar�ncia n�o me interessa.
N�o v� atr�s disso.
- Por que diz isso. - � s� o que eu acho.
Entendo voc� muito bem.
N�o acha que est� sendo meio atrevido?
Pe�o desculpas.
Quando acabar de se instalar...
...veja se a Sra. Bramson precisa de alguma coisa.
- Onde voc� foi? - A lugar nenhum.
Alguma coisa no jornal?
S� not�cias sensacionalistas sobre aquela mulher. N�o d� para ler.
Para uma cidade pequena � uma grande como��o.
Descobriram alguma pista?
Vigia do bosque de Shepperley declara que na madrugada em quest�o...
...ouviu algu�m andando pela mata assobiando 'Mighty Like a Rose".
- As investiga��es continuam... - Isso prova a falta do que escrever.
"Mighty Like a Rose"! Quanta baboseira!
Tudo em ordem. Em que posso servi-las?
Bobinho. O que est� escondendo a�?
- N�o � nada. - Vamos, o que �?
- � s� uma bobagem. - Anda, diga logo!
� algo que trouxe e achei que iria gostar.
Um xale.
Era de minha m�e, na verdade.
Achei que a senhora podia us�-la, se n�o se importasse.
Danny, mais que gentileza!
Posso colocar na senhora?
Sim.
Guardei comigo.
Pronto. � tudo o que sobrou da minha m�e.
Vestida desse jeito parece que estou vendo-a a� sentada.
Espera a�.
O que foi?
N�o est� bem colocada.
Pronto.
Leve-me at� o espelho para que possa ver.
� pra j�.
- Ent�o, que tal? - � muito bonita.
Obrigada, Danny. Voc� � um amor.
Agora acho vou tirar minha soneca.
- Quer que a leve? - Pode deixar, eu levo.
- Obrigada. - Para onde vamos?
Para l�.
Esta cadeira est� meio emperrada. Deve ser duro para a senhora se empurrar.
Posso consertar r�pido se me arranjar um pouco de �leo.
- Tem? - Na cozinha.
- �timo? E agora, para onde quer ir? - Pode me ajudar a deitar?
Claro!
- Cuidado, hein? - Trat�-la ei como uma pe�a de cristal.
Assim... pronto.
Assim.
Enquanto descansa, levarei a cadeira para a sala...
...e logo estar� consertada.
- Obrigada. - Est� confort�vel?
Est� �timo.
Est� �timo...
- O que... o que est� olhando? - Estou olhando seu quarto.
Nunca tinha entrado.
� muito bonito.
Sim, muito bonito...
Que retrato lindo.
Lindo...
Bem, bons sonhos e bom descanso, cama quente, bom remanso.
Bobinho.
- Sou? - Bobinho.
Agora concorda comigo, n�o �?
N�o gosta que eu more aqui, n�o �?
N�o faz diferen�a alguma se gosto ou n�o.
Como j� disse, tamb�m estou aqui a trabalho.
Mas n�o � uma empregada qualquer, verdade?
Talvez n�o.
Nem eu.
Vamos, Danny, conte mais.
Isso foi quando eu passeava com meus c�es e criava minha pr�pria matilha.
Antes de subir na vida e se virar boy de hotel?
E voc� sabe como isso aconteceu.
Danny j� nos contou que seu tio morreu deixando-lhe uma fortuna.
- Quanto foi, querido? - Dez mil libras.
Da �ltima vez que ouvi eram cinco.
- E gastou tudo em tr�s meses. - Hm-hmm.
Em que voc� gastou?
Champanhe, joias, uma villa na Riviera.
Depois foi ser marujo?
Dobrei o Cabo da Esperan�a duas vezes.
Bem, preciso levar isto...
Livro de Sonhos de Madame Olga?
Sonhar com aranhas...
...� sinal de perigo iminente.
Que besteira.
Sonhei mesmo com aranhas ontem.
Centenas delas.
Posso te garantir que h� perigo iminente se voc� continuar desse jeito.
Ele voltou a falar em casamento?
N�o desde que se mudou para c�. J� faz uma semana.
Ela tamb�m n�o tocou mais no assunto.
Parece que os dois se esqueceram.
Ent�o n�o devia deix�-lo te beijar. Pelo menos n�o na minha frente.
S� deixei meu marido fazer isso depois que nos casamos.
A� deixou de querer.
Olha s�. Ele est� virando esta casa num circo.
Daqui a pouco a velha est� dan�ando rumba.
N�o devia ter entrado com meu macac�o. Me desculpem.
Tudo bem. Estou de cal�as.
- Perd�o, meu cigarro est� incomodando? - Imagina!
Eu gosto.
Oh, desculpe, gatinho. Vem, vem pro papai.
A carta que n�o sai!
Olha! Aqui... aqui.
Eu tinha visto. Me deixe em paz, n�o se meta.
Aqui, aqui... veja.
Isso, e isso, e isso!
Sim, claro! Obrigada, querido, obrigada.
- O cigarro a incomoda? - N�o, meu bem, claro que n�o.
Acho que vai sair.
Oh, Danny, voc� nunca esquece.
Diferentemente de outras pessoas que nunca se lembram.
Pronto. Que tal essa m�o certeira?
Claro, Danny.
Agora um chocolate gostoso para tirar o gosto.
O a�ougueiro disse que entregaram 2 gal�es de querosene que n�o foram pagos.
E n�o ser�o pagos. Nem que precise entrar na justi�a.
Imagina se usamos essa quantidade de querosene?
Parece at� que o bebemos.
Por que n�o leva essa papelada para outro lugar?
"Um Soneto. A chama da paix�o...
"...n�o � vermelha, sen�o branca.
N�o r�pida, sen�o que lenta..."
Me d� isso, por favor!
O que foi?
- � um poema. - Deixe-me ver.
� s� uma bobagem, s�rio.
Obviamente, pelo que ouvi. Mas posso ver, n�o posso?
Danny, me d�!
S� o que faltava, poesia.
Belo hobby esse.
Afinal, o que voc� entende de paix�o?
- N�o muito. - Coitada.
Eu at� que gosto de poesia.
Mas n�o d� para entender como pensa nessas coisas, s�rio.
Ela � uma caixa de surpresas, hein?
Escrevendo poesia! Onde j� se viu?
Talvez ela seja meio... reprimida.
Vamos, hora do seu passeio.
- Seu chap�u e seu xale est�o na entrada. - E as p�lulas?
- No meu bolso. - E o chocolate?
E o chocolate!
Aqui est�o. Todos os seus desejos realizados.
- O chap�u est� na entrada? - Est�, sim.
Est� fazendo frio l� fora?
- Aqui est�. - Meu xale...
Seu xale e seu chap�u. L� vamos n�s.
N�o est� lindo?
Olha s� quantas flores se abrindo, parecem rabos de pav�o.
E os passarinhos...
Veja s�! M�e e filho se divertindo.
- O que acha dele? - Do Danny?
Ah, � um bom rapaz. Meio misterioso.
- Voc� tamb�m acha? - Meio mentiroso. Mas quem n�o mente?
- S� isso ent�o? - Como assim?
Tem alguma outra coisa. Algo que est� escondendo.
- O qu�? - N�o sei muito bem.
A Dora est� a�? Dora!
Ele n�o vai saber de nada.
� t�o boba quanto � pregui�osa.
Mais f�cil ela cortar fora o nariz pra n�o ter que limpar o fedor da lixeira.
Algu�m me chamou?
Dora, o que voc� sabe do Danny, isto �, do seu passado?
S� o que ele me contou. � t�o rom�ntico.
Sim, com certeza.
- Voc� confia nele, Dora? - N�o estou muito certa.
�s vezes sim, �s vezes n�o.
Mas ele � legal. � muito brincalh�o...
Parece n�o estar nem a�...
...mas sempre fica atento � imagem que pode estar passando...
- ...se � que me entende. - Sim.
Entendo, sim.
Uma vaidade incr�vel.
S�o sempre assim, sempre.
Quem?
Assassinos.
- Srta. Grayne! - Fala da mulher que desapareceu?
Ora, que ideia!
N�o parece poss�vel, n�o �?
Mas assassinato tamb�m parece ser uma coisa imposs�vel.
Apenas uma coisa que se l� nos jornais.
Que n�o nos atingem. Mas podem.
Est� aqui, � nossa volta...
Na mata, nesta casa. Convivemos com ele...
Vou vasculhar as coisas dele. Voc� me ajuda?
Eu? Est� bem.
- Est�o todas vazias. - Talvez n�o tenha desfeito as malas.
- Mas j� faz quase uma semana. - Onde ele guardou suas malas?
- Olha uma aqui. - Abra-a.
Viu? Ainda n�o tinha desfeito.
- O que j� � estranh�ssimo. - Uma camisa suja.
- Meias, tr�s len�os, l�minas de barbear... Olha uma carteira.
- Tem uma carta. - N�o podemos ler suas cartas!
Bobagem, por que n�o?
A mulher dele far� isso todo dia.
Hm, que perfumada!
"Querido Baby Face, meu �nico." Assinado, Lil.
Letra horr�vel.
"Da pr�xima vez que ganhar um castelo novo, estou dentro, Baby."
Outra empregadinha, imagino. Desculpe, Dora.
Tudo bem.
Passagem de �nibus.
- Fotos. - Nossa! Olha isso!
Despudorada! Tirando foto de mai�.
Quem � esse grupo?
- Olha, � ela! - Quem?
A desaparecida. N�o reconhece da foto no jornal?
Que horror pensar que pode estar morta. Que horror!
Parece t�o... hmm, n�o �?
- Havia outra mala, n�o? - Sim.
Esta.
- E esta. - Meio antiga, n�o?
Deve ter ganhado de algum boxeador no Tall Boys.
- Que pesada. - Extraordin�ria, n�o?
O que foi?
Estava pensando.
Ser� que tem alguma coisa dentro?
Esqueci as p�lulas dela no meu outro casaco.
Que distra��o, n�o?
Pode me devolver, por favor?
� a �nica que tenho.
Gostou da carta?
Carta?
Est� na sua m�o.
Lil era uma boa pessoa. Mas brigamos.
Ela me espionava.
Uma coisa que odeio � espi�o.
N�o concorda?
Tudo menos um espi�o.
Exceto um assassino, claro.
O que disse?
Disse exceto um assassino, claro.
Por falar em assassinato...
Faz alguma ideia do paradeiro da Sra. Shellbrook?
Sra. quem?
Vai dizer que nunca ouviu falar dela?
Ah, o paradeiro da Sra. Shellbrook. N�o tinha entendido.
Desculpe, estava distra�do.
Ent�o?
N�o posso ter certeza, mas acho que foi assassinada.
- Oh... - Por quem?
Danny!
Danny!
Ela est� ficando impaciente. Com licen�a.
Como pode pensar isso? Seria como desconfiar do pr�prio filho.
Acha mesmo que foi ele?
Acha?
N�o sei.
Fechei a porta r�pido e disse, "Sinto muito, senhor."...
...para que n�o pensasse que tinha uma mulher l� dentro.
Oh, Danny, voc� me mata de rir.
Cada coisa que voc� diz.
Acho que est� na hora de tirar minha pestana.
- Tire quantas quiser. - N�o me fa�a rir! Olha meu cora��o.
Esse j� est� perdido pro rapaz que empurra seu carrinho.
Pare com esse barulho.
Vou dormir.
Foi voc�?
N�o disse que ficaria melhor sem os �culos?
N�o sei do que est� falando.
N�o?
Que desastrado.
Desculpe.
Voc� � muito convencido, n�o �?
Sou.
E tamb�m n�o para de fingir, n�o �?
Fingir? Fingir o qu�?
Veja s� como consigo olhar nos seus olhos.
Consigo te encarar!
Minha teoria � que esta � a caracter�stica do criminoso.
S�o os honestos que enrubescem e desviam o olhar.
Ah?
Mas � um olhar bastante vago, n�o?
�?
Esse tempo todo voc� est� fingindo, n�o �?
Sim.
Como voc� � quando para de fingir?
- N�o sei se posso parar. - Mas quando est� sozinho?
- Finjo mais ainda. - Por qu�?
N�o sei, porque gosto...
S� para variar, que tal eu fazer umas perguntas?
S� para variar.
Por que esse seu interesse s� em mim?
N�o � interesse em voc�.
� que voc� n�o fala. As pessoas come�am a imaginar coisas.
Imaginar o qu�?
O que passa na sua cabe�a.
Voc� se surpreenderia.
N�o sei, n�o.
Acho que eu faria um bom diagn�stico.
Continue.
Voc� n�o tem sentimento algum.
Vive num mundo pr�prio, fruto se sua pr�pria imagina��o.
N�o sei se entendi bem.
N�o sou t�o instru�do.
Entendeu muito bem.
Ainda acha que foi um crime?
- N�o sei. - Desapontada?
Como assim, por que estaria desapontada?
Serviria para dar uma agitada na monotonia de um lugar como este.
Se houve um homic�dio logo se saber�.
Por que diz isso?
� sempre assim.
Sempre se comete algum erro.
� o que pensa.
E aqueles de que n�o se tem conhecimento?
E aqueles que cometem o crime e conseguem se safar?
Esses s�o os espertos. Enganam a pol�cia e todo mundo.
Essa mulher, por exemplo. J� est� sumida h� duas semanas.
Ainda n�o a encontraram.
- O que foi isso? - Foi a Dora. Ela desmaiou!
Acho...
Acho que encontraram alguma coisa.
Com licen�a. Posso usar seu telefone? � urgente.
Claro.
- Fica aqui. - Obrigado.
Shepperley 13.
O que foi? O que aconteceu?
Prefiro n�o dizer antes de fazer o comunicado.
Delegacia de Shepperley?
Quem fala? Aqui � Fred Gaston.
N�s a encontramos. Sim. Perto de umas roseiras.
Bem... n�o tudo.
Falta a cabe�a.
Muito bem.
Obrigado. Desculpe o inc�modo.
Voc� ouviu?
Onde voc� vai?
Vou dar uma olhada.
Voc� vem?
Quero Keystone 2348.
Sim, por favor.
- O que encontraram a�? - Venha dar uma olhada.
Ei, o que foi que aconteceu?
Al�, Justin Laurie est�?
Ol�, Sra. Laurie, aqui � Olivia Grayne.
Sim... Justin est�?
Ah... sabe onde ele est�?
Entendi... obrigada.
Tudo bem, obrigada.
Olivia! O que est� fazendo aqui?
Preciso falar com voc�.
O que houve? Est� t�o estranha. Cad� seu chap�u?
Podemos conversar em outro lugar?
Sim, vamos ali.
Gostei de ver, Laurie!
O que foi, Olivia?
Diga, querida.
Nossa, suas m�os est�o geladas.
- Justin, eles a encontraram. - Quem?
A mulher que desapareceu. Ela foi assassinada.
Encontraram-na na mata perto de nossa casa.
- Olivia! - E n�o � s� isso. A cabe�a...
- Mas quem...? - N�o sei...
- Corri aqui para te ver. - Coitada de voc�, que horror!
- Eles n�o t�m ideia? - Nenhuma, acho eu.
- Voc� n�o pode voltar para l�. - N�o, n�o posso.
O jogo vai acabar em meia hora.
Iremos para a casa de minha m�e. Voc� pode ficar conosco.
- Posso? - Claro que pode, o tempo for necess�rio.
Para sempre, se quiser.
Oh, Justin, voc� � t�o bom comigo.
Pena que seja numa circunst�ncia destas.
Eu te amo tanto, Olivia.
Nunca a tinha visto sem �culos.
Est� linda.
Vou ligar para minha m�e avisando que est� indo.
N�o... n�o ligue.
Por que n�o?
N�o posso ir. Preciso voltar.
Mas por qu�?
Bem... n�o posso deixar a Sra. Bramson sozinha.
Mas aquele rapaz est� l�. Ele � gente boa, n�o?
Sim, claro que �... Ele, bem...
� que fugindo desse jeito podem pensar que fui eu.
Olivia, n�o seja rid�cula. N�o podia ser ningu�m da sua casa.
Tem raz�o. N�o, n�o podia ser, n�o �?
Est� escondendo alguma coisa? O que foi?
N�o � nada...
N�o devia ter fugido desse jeito... fiquei desesperada.
Agora estou melhor.
N�o se preocupe. Me fale do jogo.
Bonita aquela jogada. Quanto foi?
- Seis. - Hm... que �timo.
Ent�o rapaz, voc� se mudou para c� no dia seguinte que o vi no Tall Boys...
...n�o � verdade?
- Isso mesmo. - N�o me disse que pretendia se mudar.
Nem eu mesmo sabia. Era a primeira vez que vinha aqui...
...e a Sra. Bramson me convidou para trabalhar para ela.
- A senhora j� o conhecia? - N�o.
- Tinha refer�ncias? - N�o precisei de refer�ncias.
Falei com ele. Isso j� me basta.
- O que est� insinuando? - Nada, nada.
- S� parece uma estranha coincid�ncia... - Nada de estranho.
Ele veio visitar minha empregada. V�o se casar.
Hm, n�o sabia.
Pelo menos uma boa not�cia.
Acho horr�vel todas essas perguntas.
N�o vou ficar mais aqui.
Se for embora agora v�o pensar que foi voc�.
- N�o tinha pensado nisso. - V�o atr�s de voc�, isso sim.
Nossa, nunca pensei que ia me meter numa confus�o dessas.
� muito melhor morar aqui que num hotel.
Com Dora e com a Sra. Bramson me tratando feito uma m�e.
Sim, entendo.
Tudo bem, ent�o. Pelo menos n�o fez mist�rio de por onde andou.
Ah, voc�! Onde esteve a tarde toda?
Boa tarde, Srta. Grayne.
Est�vamos nos perguntando onde estava.
Ficamos preocupados.
- Onde voc� estava. - Em lugar nenhum.
Preciso fazer a mesma pergunta, Srta. Grayne.
Sinto muito, Inspetor, mas eu...
Fui visitar um amigo meu.
- Sabe o que aconteceu aqui, n�o sabe? - Sei, sim.
Segundo Danny, voc� estava aqui na ocasi�o.
A� saiu apressada para ver um amigo.
� verdade, estava aqui quando aconteceu, mas...
Me desesperei, n�o conseguia ficar aqui. Sa� correndo.
Quem � esse seu amigo?
O Sr. Laurie, advogado da Sra. Bramson.
Hm, um advogado.
Mas n�o fui v�-lo como advogado. Ele � amigo meu.
O �nico amigo que tenho, ent�o...
...fui v�-lo porque estava apavorada.
- N�o pretendia voltar mais aqui. - E ele a persuadiu do contr�rio.
N�o! Ele disse para n�o voltar.
Ent�o por que voltou?
Bem...
Percebi que era tolice e estava sendo hist�rica...
Que n�o devia deixar a Sra. Bramson sozinha porque pareceria que eu...
Sei l�, era bobagem ficar assustada...
...ent�o eu voltei.
Hm, at� parece.
Mas � verdade. Precisa acreditar, � verdade.
Sim, acredito em voc�.
Sei que n�o parece muito sensato,
mas �s vezes o medo desperta rea��es estranhas.
Bem, acho que � s� isso.
Desculpe o inconveniente, Sra. Bramson, mas...
...receio que seja apenas o come�o.
- Eu aguento. - �timo.
Voltarei de novo. E n�o se preocupe, Sra. Bramson. N�s o pegaremos.
Perdeu toda a agita��o.
Jornalistas, fot�grafos.
- Tiraram tr�s fotos da Sra. Bramson. - Quero todos os jornais amanh�.
Todos. Seria at� uma boa ideia arranjar um �lbum para col�-las.
Por que est� me olhando desse jeito?
Acredito at� que esteja se divertindo com tudo isso.
Como pode?
Ah, � voc�.
O que voc� quer?
O que voc� quer?
Ouvi um barulho.
O que est� fazendo?
Ch�. N�o conseguia dormir.
Estou esperando a �gua ferver.
Cigarro?
Obrigada.
O que voc� contou ao seu amigo esta tarde?
Que tinham encontrado a mulher.
S� isso?
Sim, claro.
Que mais haveria para contar?
Nada.
Nada.
Ent�o s� contou isso... e voltou.
Por qu�?
- Como assim por qu�? - Por que voltou?
J� disse.
Percebi que era tolice ficar assustada e achei...
- Por que abana a cabe�a? - N�o foi por isso que voltou.
Voc� gosta dele?
Como assim? Claro que gosto dele.
- Ent�o por que n�o se casam? - Que direito voc� tem para...
N�o fique zangada. S� perguntei educadamente.
Por que n�o se casou?
- Ele ainda n�o te pediu? - Sim, j� pediu, mas eu...
Est� vendo? Ent�o n�o gosta dele.
E tem raz�o. Ele n�o � a pessoa certa para voc�.
Voc� quer uma aventura, n�o �?
E ela est� aqui, aqui nesta casa.
Aqui nesta cozinha.
N�s dois aqui sozinhos...
...a esta hora da noite.
� excitante, n�o �?
Algo que nunca aconteceu com voc� antes.
Estar a s�s a esta hora da noite com um homem como eu.
Voc� n�o est� assustada, est� excitada.
D� para ver, seus olhos est�o brilhando.
Est� com as faces rosadas e linda como ele nunca a viu.
N�o... estou com medo de voc�!
E se sente leve como o ar... como se estivesse totalmente solta...
E n�o bebeu nada, mas � como se tivesse.
E nunca soube que havia essa parte secreta dentro de voc�.
Foi por isso que voltou.
N�o foi?
N�o foi?
Danny!
Danny.
Senhoras e senhores.
Primeiro quero que reparem na beleza, na placidez, na reclus�o deste local.
E percebam que logo � sua frente fica o local...
...onde esse crime hediondo foi desvendado.
A menos de 100 metros da insuspeita casa cercada de roseiras atr�s de n�s.
Em momento algum passou pela cabe�a da Sra. Bramson...
A Sra. Bramson � a dona da resid�ncia.
- Est� falando de mim? - Ah, bom dia, senhora.
Trouxe outro grupo. � impressionante, n�o?
O interesse despertado por esta l�gubre ocorr�ncia.
Senhores, esta � a Sra. Bramson, de quem lhes falava.
- Como v�o? - Prazer em conhec�-la, senhora.
Que infelicidade acontecer isso na porta de casa, hein?
Posso tirar uma foto sua?
Fa�a o favor.
Meu chap�u est� direito?
Ah, e este jovem, ora a servi�o da Sra. Bramson...
...como seu criado e guarda-costas,
trabalhava antes como boy no hotel Tall Boys,
� �poca em que a infeliz v�tima deste crime desapareceu.
- Agora, senhores... - Pode me dar seu aut�grafo?
aproximem-se e vejam o local exato onde o corpo foi descoberto.
Senhoras e senhores, o local preciso.
N�o empurrem! Vamos manter a ordem.
Dizem que foi horr�vel como a encontraram, horr�vel.
Assim que soube que estava desaparecida eu disse, "Vasculhem a mata."
"Ela foi assassinada", foi o que eu disse.
Eu mal me aguentava nas pernas. Foi absolutamente horrendo.
S� uma palavra descreve, horrendo.
Contei tudo para minha m�e quando cheguei em casa...
...e foi o que ela disse, "Que horrendo, Emily! Que horrendo!"
- Bem, adeus. - Adeus. Adeus.
Nossa, estou exausta!
N�o diga bobagem. Ningu�m lhe daria mais que quarenta.
E assim que preparar um chazinho bem gostoso...
parecer� ter 25 � luz do sol e 18 � sombra.
Considere-se uma mulher de sorte.
Danny, voc� n�o tem jeito! Ai, minha nossa.
- Que tarde! - Notei que havia menos gente hoje.
- Talvez por ser domingo. - N�o fale assim, Danny.
- Minha nossa. - Pronto, chegamos.
- Toma meu chap�u, querido. - Claro, senhora.
- E n�o me chame de senhora. - Ent�o como vou cham�-la?
Se voc� se comportar posso deix�-lo chamar-me m�e.
T� certo, m�ezinha.
Danny, voc� me mata. Foi assim a tarde toda.
Vou preparar o ch�.
A Sra. Terrence providenciar�.
A Sra. Terrence est� ocupada com os visitantes na cena do crime.
Ademais, ela n�o faz ch� t�o bem quanto eu.
- J� fui marujo, Srta. Grayne. - Esse assunto n�o me interessa.
Vou botar a chaleira no fogo.
Escuta aqui, Olivia. Est� sendo muito grosseira com o rapaz.
- O que tem contra ele? - Seus modos.
Suas intimidades.
Os modos dele s�o bem mais divertidos que os seus.
Esteve de �timo humor a tarde toda.
Meu olfato diria que � do u�sque.
U�sque? Que cal�nia!
O rapaz � abst�mio!
Como voc� pode saber?
- Ele me disse. - E acredita em tudo que ele diz, claro.
Est� com ci�mes, isto sim.
Conhe�o a natureza humana. Sei que o car�ter dele � irrepreens�vel.
Veja como o gato se apegou a ele.
Animais e crian�as conhecem as pessoas.
Aqui est�. Um chazinho, a��car e seus bolinhos preferidos.
Obrigada, querido. Danny...
Deixe cheirar seu h�lito.
Parece um buqu�!
Cheira a menta.
Sim... tem um pouco na cozinha.
O assassino cometeu o crime na mata.
Provavelmente na calada da noite.
O corpo estava nu.
Tentativas foram feitas... Continua na p�gina seguinte.
Tentativas foram feitas para erra... erradicar impress�es digitais...
...com uma faca, possivelmente de a�ougueiro,
que foi...
- O que foi? - Esqueci que era domingo.
As pessoas est�o indo para a igreja nos vilarejos.
Todos em suas domingueiras.
O �rg�o tocando e os vitrais resplandecendo.
Resplandecendo figuras sagradas, pois coisas sagradas n�o temem a luz do dia..
- Ora, Danny... - Mas enquanto a luz avan�a sobre o ch�o...
e ao fim o serm�o o ar na igreja vai ficando esfuma�ado,
as pessoas j� n�o pensam tanto nas coisas sagradas.
Apenas nas coisas horr�veis que se passam do lado de fora.
Porque sabem que ainda � dia...
...e tudo ainda � normal e tranquilo.
Que o dia � como qualquer outro...
...e vai acabar.
E se far� noite.
Ora, Danny! Voc� devia ser pastor.
Agora acho que vou me recostar antes do jantar.
Olivia, leve isto.
- Pode me empurrar? - O que a senhora mandar, m�ezinha.
N�o sabia que falava t�o bem.
Fico muito eloquente quanto estou alegre.
Na igreja as palavras pipocavam na minha cabe�a.
Vamos, abrace seu Dannyzinho.
Isso! Agora o que eu fa�o com esse corpanzil?
Pronto, p�s para cima... Deixa ajeitar o travesseiro.
- Pronto. - Obrigada.
- Agora vamos afrouxar isso. - Obrigada, querido.
- Pronto. - Voc� � t�o atencioso, Danny.
O que � isso no seu pesco�o, uma medalha?
- � uma chave. - A chave do seu cora��o?
- Devia estar comigo. - Deixe de tolice.
� do cofre. Sempre a carrego no pesco�o.
E faz muito bem. Nunca se sabe.
- Deixa tirar seus sapatos. - Obrigada, Danny.
Um j� foi, agora dois.
Esse porquinho foi �s compras...
este ficou em casa...
- Para, Danny... - Este comeu rosbife, este bebeu rum...
E este correu para casa!
J� vi que sente c�cegas!
Vamos ficar bem aconchegadinha.
Agora sil�ncio. Vamos dormir.
Isso, sil�ncio. Chega. Boa noite, boa noite...
- Posso dar uma lida nisso? - Se quiser.
Interessante isso, n�o?
Voc� andou bebendo, n�o �?
- Voc� n�o deixa escapar nada, hein? - N�o.
Bebi um pouco e me sinto �timo.
- Quer que leia para voc�? - Prefiro conversar�
- Pode falar. - Prefiro fazer umas perguntas.
Fa�a.
Tem certeza que j� foi marujo? Que nunca foi a�ougueiro?
Falar � perda de tempo. O neg�cio � fazer.
Voc� tamb�m pode falar.
Posso, sim.
Voc� me agora h� pouco? Ela tem raz�o. Eu devia ter sido pastor.
Lembro quando eu era crian�a, na igreja...
...minha m�e ao meu lado apontando para o p�lpito...
...e depois para mim, como se dissesse "Aquele � seu lugar".
Nunca me esqueci.
E eu n�o acredito numa palavra sequer.
Nem eu. Mas � bonito de ouvir, n�o �?
N�o me lembro da minha m�e e nunca tive pai.
A primeira coisa que me lembro � das docas.
E voc� � a �nica mulher para quem conto isso.
Por isso, sinta-se privilegiada...
Ou talvez seja a bebida.
Acho que foi a bebida.
Voc� vive mesmo num mundo imagin�rio, n�o �?
Sim, � a �nica maneira de suportar as coisas horr�veis que se tem que fazer.
- Que coisas horr�veis? - Bem...
N�o bebi tanto assim.
Isso n�o � vida para voc�.
Como � que ela �? Diga.
Como �?
Acordar todo dia �s sete, lavar minhas meias...
...cerzi-las, tomar caf� com uma velha rabugenta...
...passar o dia com ela nesta casa l�gubre, dormir �s dez e meia.
- Voc� n�o gosta dela? - Se pudesse a mataria!
N�o, n�o faria isso. Nem todo mundo tem estofo para matar.
Me conte como era a sua vida no hotel.
Minha vida?
Bem, o dia j� n�o come�ava muito bem.
Um monte de botas para engraxar...
Pilhas de talheres para arear, usados por uns pobres coitados...
...que olhavam atrav�s de mim como seu eu fosse uma janela suja.
Ordens, ordens, fa�a isso, fa�a aquilo, boy, boy...
N�o sou um boy, sou um milion�rio. Todos eles inferiores a mim!
Quando acho que tenho pouco de paz come�a algu�m a me espezinhar.
A me fustigar, gritar, me ofender...
e a �nica maneira de faz�-los para �...
Continua!
Sou esperto demais para voc�. Bem que gostaria de saber, hein?
Por que voc� quer saber? Por que est� t�o interessada?
Eu lhe disse naquela noite na cozinha, n�o disse?
Por que voc� estava acordada naquela noite?
Voc� tamb�m estava acordado.
Me diga por qu�. Voc� n�o consegue dormir, n�o �?
N�o consegue! Alguma coisa na sua cabe�a n�o permite.
Algo que tenta esquecer e nunca conseguir�.
� uma coisa pequena, n�o �? Uma caixa.
Apenas uma caixa. E � pesada.
O jeito como voc� inspecionava minhas cartas naquele dia...
Dava vontade de rir.
� isso que me mant�m acordado.
N�o sei o que fazer. Nada no mundo me preocupa...
...nada me preocupa!
S� n�o suporto aqueles olhos, fixos em mim, vazios...
N�o sei o que fazer! N�o sei o que fazer!
Eu vivo sozinho. Sozinho aqui dentro.
E voc�s todos podem ir pro inferno, mas n�o antes que eu tire meu proveito.
Nada vai me impedir. Nada!
Tudo bem.
Tudo bem.
Seja quem for, darei um jeito.
Voc� ver�.
- Ol�. Como andam as coisas? - Como vai, senhor?
- Boa tarde, Srta. Grayne. - Boa tarde.
Pelo jeito ainda n�o os afugentamos daqui.
- Nem perto, senhor. - Nenhuma novidade, ent�o?
- Acho que n�o, senhor. - Que pena.
- Como est� a Sra. Bramson? - Bem, para ela foi um choque...
...encontrar os restos da mulher praticamente dentro do seu jardim.
Os restos da mulher... N�o fale. Eu vi com meus pr�prios olhos.
- Mas eu n�o. - N�o, obrigado.
Sabe, Dan, dizem que o sujeito que fez isso...
- ...era um sujeito extremamente inteligente. - N�o diga.
Sim. Virou uma celebridade. Apareceu em todos os jornais.
Ficou famoso.
Se � que se possa ficar famoso no anonimato, claro...
Ah, sim, claro.
Mas qualquer assassino inteligente de fato...
...teria se assegurado de que o corpo n�o pudesse ser identificado.
Mas n�s a identificamos de primeira. Chama isso de inteligente?
O que voc� acha?
Bem, eu sou meio devagar.
Mas se foi inteligente deixar a mulher in.. in...
- Inidentific�vel. - Obrigado...
...deixar a mulher inidentific�vel e n�o ser pego...
...n�o ter� sido mais inteligente deix�-la identific�vel...
...e mesmo assim n�o ser pego?
Por que n�o dormiu em sua cama na noite do dia 10?
Como disse?
Por que n�o dormiu em sua cama na noite do crime?
- Mas eu dormi. - N�o dormiu, n�o.
Ah sim, mas s� por meia hora. N�o conseguia dormir...
...ent�o subi a escada de inc�ndio e fui para o telhado.
- Que horas eram? - N�o sei. Quando se acorda de madrugada...
...n�o se d� conta da hora.
Tamb�m n�o conseguia dormir quando estava ao mar.
Por que n�o nos contou de sua rela��o com a falecida?
- Como assim? - Ora vamos, rapaz...
Voc� foi visto por duas criadas conversando com ela no jardim.
Ent�o?
Ora, senhor, desde ent�o isso ficou na minha consci�ncia�
- Ent�o voc�s dois� - N�o, n�o � nada disso, senhor.
Evitei-a desde o primeiro dia que me abordou. Mas sabe como �,
...uma mulher hospedada no hotel em que trabalhava, ainda mais casada...
Afinal, somos humanos, n�o �? E quando o senhor me perguntou no hotel...
...fiquei com medo de dizer que ela me abordava.
E agora que contei tirei um peso da consci�ncia.
Entenda, foi a tristeza de estar envolvido de alguma forma...
...que me mantinha acordado � noite.
Entendo.
- Voc� � meio esquisit�o, sabia? - Sou?
- Mas desta vez vou deixar passar. - Que al�vio!
Mas n�o esconda mais nada da pol�cia, hein?
Pode deixar.
A prop�sito, mais uma coisa. � apenas uma formalidade.
Se n�o se importa, preciso revistar seus pertences.
- N�o passa de uma formalidade. - Sim, senhor.
Bem, onde est� alojado?
Ali, primeira porta � esquerda...
- N�o tem como errar. - Muito bem. Posso ir sozinho.
N�o tem como errar.
Esta caixa est� trancada.
Voc� tem a chave?
- N�o � minha. - N�o � sua?
- N�o, senhor. - Ent�o de quem �?
N�o sei. N�o � minha.
Oh, sinto muito. Pensei que j� tivesse...
Inspetor!
O que est� fazendo com minha caixa?
- Sua caixa? - Sim, todas as minhas cartas est�o a�.
Mas estava no quarto do Dan...
Costumava ser o dep�sito. - Ah, entendo.
Acho que guardarei o meu arm�rio. Ficar� mais segura.
Queira me desculpar, eu...
- Espero n�o a ter ofendido� - N�o, tudo bem, senhor.
Bem,, preciso ir. D�ga � Sra. Bramson que passei por aqui.
Pode deixar.
- Diga que estimo suas melhoras. - Direi, sim. Obrigado.
- Tenha um bom dia. - Bom dia, senhor.
Bom...
Danny, Danny, tome isso.
Estou melhor.
Isso faz muito bem � pessoa.
Que estupidez.
Parece coisa de mulher, desmaiar desse jeito.
Fazer alguma coisa! � preciso fazer alguma coisa.
Primeira coisa a fazer � desfazer-me daquela caixa, se n�o se importa.
Importa-se se eu entrar l�?
O que se passa com voc�s? Nenhum dos dois comeu nada.
- Desculpe, tia. N�o estou com fome. - Nem eu.
Deve ser as balas que comi antes do jantar. Tiraram meu apetite.
Tiraram a l�ngua tamb�m? N�o abriu a boca desde que nos sentamos.
Desculpe. Estou com dor de cabe�a.
Dor de cabe�a nessa idade? Tolice. S� pode sua imagina��o.
O que estamos fazendo sentados aqui nesta penumbra?
Chega a dar calafrios. Acenda a lamparina.
- E feche as cortinas. - N�o, n�o fa�a isso.
- Por que n�o? - Sei l�...
...parecer� que j� � noite, s� isso.
N�o sei que diabos est� falando. Feche as cortinas, Danny.
Pode me dar licen�a? Quero ir para meu quarto.
- Para qu�? - N�o consigo mais ficar sentada aqui.
- Mas nem comeu seu pudim. - N�o quero, obrigada.
Ent�o fique e nos veja comer.
Sinto muito, n�o consigo ficar mais aqui.
Est� ficando frio. Pegue meu xale no quarto, querido.
- O xale, querido! - Oh, desculpe, m�ezinha. Estava longe.
- O que Sua Alteza deseja? - O xale!
O xale! � pra j�! Veja, um, dois, tr�s.
Tolinho. Tolinho.
Aonde voc� vai?
- Keystone 2348. - Quem voc� est� chamando?
Quem voc� est� chamando? Olivia, responda.
- Al�, o Sr. Justin Laurie est�? - Ah, ent�o � isso.
Al�, Justin?
Sim, mudei de ideia. Vou para a�. Sua m�e pode me receber?
Claro, querida. O que foi, aconteceu alguma coisa?
Sim, mas n�o posso falar agora.
Estou de sa�da. Chegarei a� em uma hora. At� logo.
Olivia, o que significa isso?
Escuta, outro dia eu achava que estava assustada.
Mas hoje, quando come�ou a escurecer e a noite se aproximando...
...comecei a sentir as m�os frias e percebi pela primeira vez...
...o que era terror de fato.
N�o sou louca e n�o estou hist�rica...
...mas n�o consigo mais distinguir o real do irreal.
O dia acabou e estamos no meio do mato�
Tudo pode acontecer. A senhora tamb�m n�o devia ficar aqui.
Que desatino tentar apavorar uma idosa que sofre do cora��o.
Est� com medo de qu�?
Houve um assassinato e o assassino ainda est� solto.
Ningu�m vai mat�-la. Ademais, temos Danny para cuidar de n�s.
� forte como um touro, tem nervos de a�o.
- Onde ele est�? - Foi pegar meu xale.
Ali�s, est� demorando.
- Danny! - J� vou, m�ezinha, j� vou!
Como voc� vai para a cidade?
Medo de andar pela mata voc� n�o tem, n�?
Antes passar a noite na mata que nesta casa.
Muito convincente, com certeza.
Pois pode ir. Mas estou avisando...
...quando voltar n�o sei se abrirei a porta.
Pensarei melhor pela manh�.
Pela manh�?
- Quem acabou de sair? - Minha sobrinha. Vai passar a noite fora.
Saiu? A noite toda?
D� para acreditar? Disse que estava assustada.
Traga logo esse xale. Estou morta de frio.
- N�o se o que se passa comigo hoje. - Coma um chocolate.
Vamos, ningu�m me pega mais nessas bandas depois de escuro.
- Espere por mim! - J� volto.
Bem, j� estamos indo.
Parece que todos est�o indo embora. O que deu em voc�s?
- O que faremos para o almo�o amanh�? - Almo�o? Vejamos�
Que tal um fil� gostoso? Com batatas assadas�
E rocambole com cobertura de geleia, como a senhora gosta?
Pode ser. Sim.
Entendo. Algo leve. Boa noite.
- A lenha est� �mida� - Melhor pegar o querosene.
Danny, voc� acha que Ol�via � uma ladra?
- N�o me surpreenderia. - O qu�?
- Bem, seus olhos n�o s�o muito separados� - Meu Deus! Minhas joias!
Que loucura deix�-la ir embora! E minha bolsa est� na mesinha.
Se levou alguma coisa mando a pol�cia atr�s dela.
N�o quero saber se � minha sobrinha.
Sempre odiei a m�e dela. O pai, nem se fala.
Ai! Ah, � voc�. Estou com os nervos � flor da pele.
- J� est�o indo? - Sim, e n�o ficaremos nem que implore.
Daqui a meia hora estar� um breu...
...e ningu�m me pega na mata no escuro.
O assassino pode estar � espreita.
Vou com voc�s. Na dire��o contr�ria.
Vai sair?
Estou me sentindo esquisito... a tarde toda.
- N�o pode deix�-la aqui sozinha. - Ela vai botar a casa abaixo.
Perguntei h� pouco e ela disse que n�o se importaria.
Disse que me faria bem.
Insistiu para que n�o ficasse.
- N�o adianta discutir com ela. - E eu n�o sei?
Trate de passear bastante enquanto pode.
Voc� a paparica demais.
- Boa noite. - Boa noite.
- Boa noite. - Boa noite, Dora, at� amanh�.
N�o est� faltando nada.
O quarto fica trancado. Tudo fica trancado.
Estou falando sozinha.
Onde est� o rapaz? Deve estar pegando o querosene...
Por que as pessoas somem desse jeito me abandonando?
Cad� meus chocolates?
Ah, est�o ali.
O que foi isso?
Danny?
Danny!
Bobagem, n�o foi nada.
Ah... o rel�gio.
Danny!
O que ele est� fazendo nessa cozinha?
Estou ficando nervosa.
Estou nervosa.
Estou nervosa. Danny!
Danny.
Danny!
Ele foi embora.
Foram todos embora.
Me deixaram aqui sozinha!
Deus me acuda!
Ora, Danny!
Danny.
Danny... Danny!
Danny! Danny!
Da...
O que foi isso?
Tem alguma coisa l� fora.
O que eu vou fazer? Danny! Danny!
Danny, onde voc� est�? Onde voc� est�, Danny, Danny...
Tem alguma coisa l� fora. Oh, Deus me acuda!
Perdoai-nos os nossos pecados assim como perdoamos �queles que...
Danny! Oh...
Tudo bem, tudo bem...
N�o, n�o, n�o, est� tudo bem.
Nunca o perdoarei...
- Por favor, est� tudo bem... - Nunca o perdoarei, Danny.
Est� bem, espera a�...
Toma.
N�o quero, n�o quero!
Toma um pouquinho, vai se sentir melhor.
Isso... Me perdoe.
Dora e a Sra. Terrence me pediram para lev�-las at� a estrada...
...porque estavam com medo.
Me perdoa. Agora est� melhor, n�o �?
Ainda n�o. Me d� mais.
Sim, toma aqui.
Nunca se gritou tanto por socorro...
Coitadinha, gritando pelo Danny.
Assim � que se faz...
Isso...
Oh, Danny, que al�vio quando vi seu rosto.
Te peguei de surpresa, hein?
Voc� � a �nica pessoa que me entende.
N�o preciso lhe dizer o que j� sofri.
N�o preciso dizer como meu marido era um homem bom...
- Sim, eu sei... - N�o, n�o sabe.
Sei, sim...
Isso... assim.
Oh, Danny... Oh, Danny...
Danny, querido...
...lembra quando disse que eu lembrava sua m�e?
- Lembro! - Podem dizer o que quiserem...
...mas foi um pensamento lindo.
S� de pensar que voc� � um rapaz t�o pouco instru�do...
...� impressionante!
Nunca esquecerei, n�o enquanto viver.
Pronto, est� melhorando, n�o?
Isso.
- Agora quero um chocolate. - Chocolate, claro.
Um pequeninho com a violeta em cima.
Toma.
N�o, n�o, abra a boca e feche os olhos...
- ...e veja o que a Rainha lhe mandou. - Bobinho.
Pronto.
Voc� � o �nico que me entende, Danny...
...o �nico que me entende. O que est� fazendo?
- S� estou brincando... - Seu bobinho. Que m�os fortes voc� tem...
Voc� � um doce, meu anjinho.
Meu Baby Face.
Meu Dannyzinho.
- Estou sentindo um vento encanado? - Espera um momento.
- Preciso cuidar da minha sa�de. - Precisa?
- Precisa? - Quero voltar para minha cadeira.
J� vou pegar.
Vamos. Calma... calma...
Muito bem... isso.
Hora de dar boa noite, hora de dormir...
Est� com muito sono hoje. Olha o bicho pap�o.
Bicho pap�o vem te pegar...
Dorme menino, a �rvore balan�a
O vento soprando embala a crian�a
- Quero dormir... - Se o ber�o cair com tal balan�ar
Descansa menino, mam�e vai l� estar.
Dorme menino, a �rvore balan�a
O vento soprando embala a crian�a
Se o ber�o cair com tal balan�ar
Descansa menino, mam�e vai l� estar.
Que cara estranha voc� est� fazendo, querido,
sorrindo desse jeito.
Que cara t�o boa.
T�o boa.
O que vai fazer com isso?
Voc� a matou.
Voc� a matou.
Nunca havia visto um cad�ver.
Voc� a matou...
...n�o foi?
N�o foi?
Por que n�o diz alguma coisa?
Por que voc� voltou?
- Para desmascar�-lo. - N�o, n�o foi por isso que voltou.
- Tamb�m n�o foi por que voltou outro dia. - Foi, sim.
Foi... eu tinha que desmascar�-lo.
E agora desmascarei.
Voltou para ficar sozinha comigo.
Como ficou na cozinha aquela noite.
N�o foi?
N�o foi?
�, sim.
Achei que queria.
N�o sabia o que era um assassinato.
Achava que havia alguma coisa em voc� que...
Mesmo assim, quando o vi t�o aterrorizado, senti pena de voc�.
Devia estar louca.
Voc� � desprez�vel.
Desprez�vel.
- Parece at� feliz. - E por que n�o?
Veja.
� minha chance, minha grande chance.
Com voc� eu posso me abrir.
V�o te pegar, v�o te desmascarar.
Isso � que n�o.
Existe uma grande diferen�a entre mim e os outros que entram nessa jogada.
Nunca serei desmascarado, entendeu?
Porque pouco se me d�.
Voc� n�o me conhece, n�o �?
Cansei de ouvir como os outros s�o espertos.
Quero mostrar como eu sou esperto, para variar.
Terei dinheiro! Todos aos meus p�s, eu dando as ordens.
Teve a mulher no hotel, n�o teve? Ela n�o fazia o que se mandava, fazia?
E essa velha, me tratando como filho e empregado ao mesmo tempo.
Em toda a sua vida ela nunca foi t�o �til quanto foi para mim esta noite.
O mundo todo saber� de mim.
Espere s�.
Mas voc� n�o pode esperar, n�o �?
Como assim?
Bem, quando digo que n�o serei desmascarado...
...significa que nenhum ser vivo poder� contar para outro sobre mim.
Conhece algu�m que possa contar � pol�cia amanh�?
Eu posso.
N�o pode, n�o.
Por que n�o?
Bem, estou com um problema muito s�rio nas m�os.
Mas a solu��o � muito simples para uma pessoa como eu.
Simples, simples. N�o adianta olhar para o telefone.
O fio foi cortado.
Ningu�m vai encontrar a velha amanh�.
E talvez n�o seja a �nica a desaparecer.
Quem sabe a casa tamb�m n�o desaparece?
A casa e voc�s duas.
Desaparecidas.
N�o est� assustada?
Acha que n�o sou capaz?
Sim... sei que �.
Mas n�o estou assustada. N�o sei por qu�, mas n�o estou.
Deve ser porque estou vendo voc� pela primeira vez...
...e percebendo como me salvei por um triz.
Se salvou?
Pode me matar.
Talvez me mate mesmo, mas...
Pelo menos agora sei o que voc� �.
Sei como voc� �. � louco, louco, horr�vel.
S� de pensar que eu...
Ah, que bom que voltei.
Que bom.
Decidi o que fazer com voc� agora h� pouco enquanto falava de mim.
Eu sou assim.
Decido uma coisa e fa�o.
Lembra do meu primeiro dia aqui?
Assim que a vi pensei...
...eis a� uma mulher decidida.
Essa da� � sabida.
N�o � como as outras. Ela tem...
Que luz � essa?
Tem algu�m a� fora com uma lanterna.
Tem algu�m espiando.
N�o t�m esse direito. Quem tem esse direito sou eu!
Querem saber? Quem espia sou eu!
Olhos... centenas de olhos atr�s das �rvores.
N�o era para ser...
O que foi isso?
Parece o som de uma imensa muralha ruindo para dentro do mar.
Est� tudo desmoronando sob meus p�s.
N�o est� sentindo?
Estou caindo a uma velocidade estonteante.
Ou�o uma ventania, ventos avassaladores.
Tudo passando feito balas diante dos meus olhos.
Tudo passando de tr�s pra frente.
Tudo, desde o dia que nasci, passando cada vez mais r�pido.
Quase vejo o dia que nasci!
Eu vou morrer.
- Boa noite, Srta. Grayne. - Boa noite.
- Ol�, Dan. - Ol�, senhor.
- Segunda vez hoje, hein? - Tem raz�o.
O que est� se passando aqui?
Est�vamos s� conversando antes de ir dormir.
- Como est� a Sra. Bramson? - Muito bem, senhor. Est� dormindo.
- Dormindo, �? - Sim, n�o quer ser incomodada.
- Que cheiro de querosene. - Inspetor!
L� dentro.
Sabe como ela �. Tem andado meio nervosa.
N�o tinha nem dobrado a esquina quando ela come�ou a me chamar...
Gritava, Danny, Danny, Danny!
� como ela me chama carinhosamente.
Avisei que era perigoso todo esse querosene em casa.
Disse que...
Sinto muito faz�-lo voltar a esta hora da noite.
Tudo bem, n�o tem problema.
Deixe-me ver suas m�os.
Assim � melhor.
Agora � melhor vir conosco.
Deixarei estes dois homens de guarda.
Cuidar�o para que n�o se toque em nada.
Esta � a realidade, rapaz.
Fingimento, foi o que ela disse, n�o foi?
E tinha raz�o, sabe?
Tenho fingido para voc�.
Te ensinei algumas coisas, n�o foi?
Esta � a realidade.
Tem um cigarro?
Engra�ado.
Agora quero uma coisa que nunca quis na vida.
Uma longa caminhada.
Sozinho.
Contradit�rio, n�o?
Vamos.
Acabarei sendo enforcado.
Mas ser�o recompensados durante o julgamento.
Espere s�.
- Justin, como voc�...? - Tentei te ligar de volta.
Ningu�m atendia.
Achei que havia algo de errado, por isso liguei para a delegacia.
Ser� que se agradece a algu�m por salvarem-lhe a vida?
Ademais, hoje voc� salvou mais que minha vida.
Salvou minha lucidez.
Oh, querida.
Legendas: Lu�s Filipe Bernardes
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