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- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - gustavohdh -
Legenda - Spa -
Legenda - willy_br -
Revis�o - willy_br -
Tudo mudou pra mim no dia em que Damilola Taylor morreu.
Foi assim, isso mudou tudo.
Me lembro claramente do dia.
Eu sa� do �nibus e, literalmente,
bem quando desci do �nibus, pude ver uma luz azul
e obviamente quando me aproximei, ficou mais brilhante
e eles fecharam as ruas e o policial me disse:
"n�o pode ir a�, uma crian�a acabou de morrer."
Ent�o, eu fui pra casa,
e a� abri a porta, e minha m�e estava...
estava gritando meu nome nigeriano, que n�o vou dizer,
e ela estava olhando pra TV, e ela s�...
s� estava chorando, com os olhos cheios de �gua,
e ent�o a m�e do Damilola Taylor come�ou a falar
e ela come�ou a chorar, sem nenhum motivo.
Ela literalmente chorou de joelhos, e...
provavelmente pegou meu irm�ozinho
o abra�ou, e disse: "poderia ter acontecido com um de voc�s".
A pol�cia procura os assassinos do menino de 10 anos
que foi esfaqueado at� a morte a caminho da escola, hoje cedo.
O nigeriano Damilola Taylor subiu as escadarias
de um condom�nio em Peckham, no sul de Londres,
na tentativa desesperada de fugir dos agressores.
Ele ainda usava o uniforme da escola quando morreu.
OVELHA NEGRA
Damilola Taylor, um menino de 10 anos
do mesmo pa�s dos meus pais, morreu.
Poderia ter sido eu.
E isso foi o que mais assustou a minha m�e.
Podia ter sido qualquer um de n�s.
Dois meses depois, minha m�e se mudou de Londres com a gente.
Me lembro do dia em que mudamos, e...
� como uma daquelas mem�rias felizes, porque...
Me lembro do meu pai, que � uma pessoa muito calma,
quando dizia aos outros onde ir e o que fazer,
eu pensava, "sim, esse � meu pai".
Lembro da gente sentado no banco de tr�s...
e eu estava vendo toda a Peckham
passar rapidamente pelos meus olhos, e eu via a mesquita,
a grande biblioteca de Peckham, as igrejas...
Era a minha Londres.
Minha Londres multicultural.
Ent�o continuamos indo, e s� o que eu via eram cavalos,
via vacas... tipo...
aonde estamos indo?
E... quando se anda de carro e v� as placas de velocidade
e vem as de tr�s barras, depois duas, uma...
e fico olhando pra aquilo, e olhando...
a� escurece tudo, e estou dormindo.
A� acordo, vejo a casa e penso, "essa � a minha casa".
Lembro do meu pai me segurando:
"� bom se comportar".
Na primeira semana, s� fiquei dentro de casa.
N�o sa�a. N�o queria fazer muita coisa.
Ent�o, um dia, minha m�e pediu pra fazer umas compras.
Lembro de sair de casa...
e andar por aquele longo caminho.
S� o que eu via eram pessoas brancas.
Literalmente, s� diferentes tons de branco.
Fui ao mercado...
e quando entrei nele
todos olhavam para mim.
Me encarando.
Ent�o, o atendente do caixa me olhou assim...
Tipo, "o que � voc�?"
E eu fiquei, tipo, "certo... t� bom".
Depois, acabei comprando o que precisava do mercado
e ent�o, andando pela rua, tudo o que eu ouvia era:
"Ei, preto!"
O qu�?
- "Ei, preto!" - Ei, preto!
Olhei pra cima e vi um menininho me chamando de "preto".
Ent�o, ele olha pra mim e come�a a fazer sons de macaco.
S� voltei pra casa e...
e guardei aquilo pra mim mesmo.
Poderia ter dito � minha m�e, "esse lugar � meio racista."
"Tem alguma forma de devolver a casa que acabou de comprar
e nos mandar de volta?"
N�o posso contar pro meu pai que me chamaram de "preto"
porque ele vai pensar que sou fraco.
E se eu chorar na frente dele, vai me achar mais fraco ainda.
Naquela idade, eu estava...
tentando seguir meu pai, tentando ser um homem,
tentando conseguir o amor do meu pai, e sua afei��o.
S� queria que meu pai me amasse.
N�o que ele n�o me amasse,
s� tinha dificuldades em mostrar isso.
E naquela idade, eu n�o queria demonstrar nenhuma fraqueza.
Lembro de quando era pequeno,
toda vez que deix�vamos meu pai bravo,
ele batia no seu peito o mais alto poss�vel
e dizia, "Sou um le�o! Sabe o que � o le�o?"
"Ele � o rei da selva".
"Significa que n�o podem se meter com um le�o."
E tomei isso pra mim.
Se ele for um le�o, devo ser filho de um le�o
e n�o posso demonstrar fraqueza.
Fui at� o meu quarto, fechei a porta,
e gritei o mais alto que podia, mas...
nada saiu da minha boca.
Logo percebi que o bairro em que viv�amos
era controlado por duas fam�lias.
Essas pessoas olhavam...
Sei que � estranho falar, mas quando voc�...
� poss�vel dizer que voc� � mau com algu�m...
apenas olhando pra eles?
O cara que comandava na �poca, queria poder dizer seu nome,
mas n�o vou fazer... ele...
ele fazia isso e isso.
Eu pensei "que merda". N�o podia ser pior, n�?
Minha primeira briga foi com um garoto na escola, um branco.
Mas o jeito como brigavam, comparado a Londres,
era totalmente diferente.
Em Londres, se voc� briga com algu�m,
voc� o agarra, e na hora,
como um soco r�pido... Voc� irrita algu�m, bum!
Em Essex, era tipo: "Me encontre na alameda,
l� tr�s, que eu e voc� vamos resolver."
"Est� bem, vou fazer isso".
Basicamente, preparamos a briga.
Era num campo aberto...
e eu vi...
um bando de brancos, num c�rculo,
e assim que eu entrei, eles abriram a coisa
e falaram: "� ele? � ele?"
Sai fora, preto de bosta!
Cai fora, porra!
Por que veio pra c�, porra?
- Por que veio? - Garoto preto!
Garotos brancos e pretos n�o se misturam, porra!
E depois, o garoto veio pra mim...
e eu... bum!
Eu ca� no ch�o.
Tudo ficou preto.
O garoto veio...
no meu rosto. Juro, n�o senti nada.
E s� escutava: "Vai cara, bate nele!"
"Acerta esse preto de bosta!"
"Bate no preto, bate no crioulo!"
Acerta bem no rosto! Acerta!"
"Mais forte, mais forte!"
Eles gostavam de me ver apanhar.
Eu congelei.
Ent�o deixei ele me acertar, e ele continuou at� se cansar.
Eu lembro deles fazendo do mesmo que fizeram
pra eu entrar, tamb�m fizeram pra eu sair.
E me seguiram...
dizendo: "Vai, vai embora!"
"Cai fora do nosso pa�s! Deixa a gente em paz!"
"Falei que pegaria voc�!"
Na pr�xima, o preto vai se ferrar."
Eu estava assustado, cara...
assustado.
Eu me lembro...
Meus olhos, estavam...
Lembro deles inchados. At� aqui em cima...
E eu...
me lembro de...
ir na pia... tentando...
N�o sei por que achei que podia limpar.
E comecei a chorar.
Eu nunca tinha chorado daquele jeito antes...
Sabe, era aquele...
choro preso.
Eu lembro...
Desculpe...
Lembro de escutar a minha m�e...
seus passos, vindo lentamente na escada.
Ela me viu...
e os olhos ficaram assim...
e ela come�ou a falar na nossa l�ngua nativa...
e come�ou a dizer,
"Minha vida, minha vida..."
"O que eu fiz?"
"Quem fez isso com o meu filho?"
Ela culpou meu pai...
pois achava que se ele estivesse em casa,
ent�o saberia aonde eu ia, ou teria escutado,
e poderia ter evitado.
E por ele n�o estar l�...
sabe... ela o culpou por isso.
De certa maneira, ele achou que ela tinha raz�o, pois...
ele era o Super Homem, certo? � pra isso que existem os pais,
e ele n�o foi capaz de fazer isso, e...
Acho que isso aumentou os problemas deles,
que eram os meus tamb�m.
Ele largou o trabalho em Londres depois disso.
E come�ou a procurar trabalho na regi�o.
Mas n�o deu certo.
E isso gerou uma tens�o na fam�lia.
Meu pai se tornou uma pessoa raivosa.
Ele te machucou?
Sim... mas tudo bem.
Depois que perdi a briga, falei pra mim mesmo:
A �nica maneira de sobreviver � se eu me adaptar,
se eu me tornar um deles.
Ent�o fiz o que era necess�rio para me entrosar num grupo
que odiava a cor da minha pele.
Comecei com a roupa, juntei todo o meu dinheiro,
passei fome, virei uma varinha de magro,
pra comprar roupa da moda: Lionel Scott, moletom com capuz,
e tudo que eu via os caras maiorais vestirem.
Era o que eu queria vestir.
E depois, foi o cabelo.
Naquela �poca eles usavam espetadinho,
era a moda na �poca, e eu, literalmente,
e eu comprei essa coisa, um creme de textura
que endireitaria o cabelo.
E ent�o eu peguei o sotaque,
e comecei a puxar um pouco, tipo, "Voc� est� bem, cara?"
E eles falam tipo,
"�, chapa, sou eu. Como t�? Voc� t� bem?
Quer tomar uma cerveja?
A� eu estava falando como eles, tipo: "'�, quero ser como voc�".
Depois disso, lembro de pensar comigo mesmo,
"O homem branco perfeito tem olhos azuis."
Ent�o eu disse: "Foda-se, quero olhos azuis tamb�m."
Ent�o fui at� uma loja local e comprei a mais brilhante
lente de contato azul que achei.
E a �ltima coisa que fiz foi branquear minha pele.
Lembro da primeira vez que fiz isso.
Lembro de colocar um pouco na minha m�o
e ent�o, olhar pra minha pele no espelho, tipo...
"J� estou claro?"
Eu n�o estava, ent�o botei um pouco mais.
A� eu acordo de manh� e minha pele est�
um pouquinho mais clara, tipo: "Uau".
Tive o bastante pra ser...
N�o � por eu querer ser branco. Eu s� queria me encaixar,
e se isso significasse ser como a gente branca, ent�o, vamos l�.
Parab�ns!
Com o tempo, comecei a ser amigo deles,
acho que dos racistas e das fam�lias,
acho que de todas as pessoas
que n�o gostavam de negros na �rea.
Eu virei amigo deles.
Eu n�o era mais uma amea�a.
Eu era apenas um garoto negro que queria ser como eles.
Quantos anos voc� tem?
Pra me entrosar, senti que precisava...
precisava ficar em sil�ncio, n�o falar sobre algumas coisas
que eu pensava serem coisas importantes,
e certas situa��es e certos temas dif�ceis,
assim encontraria uma maneira de ficar do lado dos brancos.
Uma vez aconteceu uma coisa, quando est�vamos andando,
e �amos a uma pequena festa com meus companheiros...
E os brancos e negros come�aram uma pequena, sabe...
discuss�o.
Foge logo, seu desgra�ado!
- Sumam! - Voltem pra porra da �frica!
E ele disse uma coisa, tipo: "Ele � um maldito crioulo,
ele � um maldito preto desgra�ado."
Foi tipo, "n�o voc�, Cornelius, n�o estou falando de voc�."
"Estou falando do seu amigo!"
E naquela hora, eu s�...
n�o orgulhoso daquilo, eu disse: "�, legal. Saquei."
Mas s�o meus amigos, ent�o o que eu devia dizer?
O que voc� disse?
Eu n�o disse nada.
N�o havia nada pra eu dizer.
Come�amos a quebrar casas, come�amos a quebrar carros.
Ficou muito violento.
Mas eu gostei.
Fez eu me livrar de toda a dor...
toda a raiva que eu sentia pelo meu pai,
ent�o eu gostei.
Voc� quer saber a coisa mais estranha?
A �nica coisa que eu queria
sendo um garoto de 10 anos naquela �poca, era...
S� queria que o meu pai me amasse, sabe.
Mas... sinto que ele foi muito machucado,
e a� pensei...
que ele nos machucou muito.
Ent�o eu machuco muito.
Deixa ele em paz!
Eu meio que sinto que...
Por qu�? Sabe...
Por que voc� faria isso?
Tipo, por qu�?
E isso me irrita porque, tipo...
Eu n�o sinto que voc� deva tratar as pessoas assim.
Isso realmente me incomoda, porque � como...
se realmente tivesse mexido comigo.
N�s sa�mos pra agitar uma noite.
E tinha esse cara de bicicleta...
E eu n�o sei o que aconteceu comigo, mas...
eu dei um soco nele, sem motivo.
Ele n�o disse nada. S� dei um soco nele.
E ent�o ele caiu.
Ent�o lembro de v�-lo no ch�o, e a� eu chutei a cabe�a dele.
Mas quando chutei a cabe�a dele, ele gritou o m�ximo que p�de,
e s� lembro de ver o rosto dele, e estava detonado, tipo...
Voc� se sente culpado?
�... eu me sinto culpado.
Me sinto culpado.
Mas... eu senti como...
como se eu fosse aceito.
Tudo bem, voc� faz assim e d� um tapa...
N�o vai gostar porque est� molhado e � horr�vel.
Isso a�, cara!
Estamos falando sobre... um garoto negro
sendo aceito por racistas...
e eles eram legais comigo, tipo, eu entre todos os outros.
E isso era bom.
Isso era bom.
Eu queria amor.
Eu queria sentir amor.
Ent�o, sim...
eu fiz amizade com monstros.
- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!
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AGRADECIMENTO ESPECIAL A CORNELIUS WALKER
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