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A ROSA NEGRA
Inglaterra Medieval.
Os primeiros anos do reino de Eduardo I.
Uma terra em conflito, naquela �poca.
Os grandes castelos feudais nascidos naquela conturbada �poca
permanecem agora como monumentos majestosos
� for�a da rivalidade que fez com que fossem constru�dos.
Mais de dois s�culos haviam se passado
desde as conquistas normandas que trouxeram a �ltima infus�o
para aquilo que um dia seria o sangue ingl�s.
Mas o rancor entre os conquistadores normandos e os sax�es conquistados
n�o havia ainda cicatrizado.
Isto manteve separadas as casas de Bulaire e Gurnie
muito mais do que os poucos quil�metros que havia entre elas.
Tudo come�ou com a morte de Rauf, Conde de Lessford
e Lorde da Casa de Bulaire.
Voc� a�. O que veio fazer aqui?
Fui chamado pelo advogado do conde.
E qual � o seu nome?
Sou chamado de Walter de Gurnie.
Devia ter logo visto que voc� � filho dele.
Bem, voc� tinha um bom homem como pai, devo dizer.
Venha por aqui.
Nenhum sax�o � bem-vindo aqui depois que ele morreu.
O que voc� quer aqui?
Ele quer ver Simeon Beautrie, o advogado do conde.
Voc� � o rapaz de Oxford. Vou lev�-lo at� ele.
Obrigado.
Walter, meu rapaz.
Estou feliz em v�-lo.
Voc� cresceu.
Engordou, pelo menos.
Encontrou seu av� em boa sa�de?
N�o passei em casa. Vim direto para c�.
Achei�
Tive medo que ele me proibisse de vir.
Meu av� nunca deixou de odi�-lo.
Ent�o, voc� ainda n�o comeu. Sente-se, rapaz.
Sempre tenho comida por perto.
Coma, rapaz.
Diga-me, jovem estudioso. O que aprendeu em Oxford?
N�meros e muitas outras coisas.
Leio t�o bem quanto voc�, Simeon Beautrie.
E tamb�m sabe escrever?
Sim. E sei um pouco de latim e grego tamb�m.
E talvez tamb�m franc�s?
N�o. N�o vou aprender uma l�ngua normanda. Que eles aprendam a nossa.
Est�o aqui h� 200 anos e ainda falam como estrangeiros�
Calma, rapaz. Esta � uma casa normanda.
Quer que sejamos enforcados?
Simeon�
diga, por que voc� me chamou?
Por v�rias raz�es.
-Voc� est� no testamento. -Meu nome?
Ele me reconheceu como filho?
-Sim, diz que voc� � filho dele. -Eu sabia que ele iria.
Mas n�o espere muita coisa.
Voc� conheceu bem meu pai. Ele amava minha m�e?
Mais do que amava a normanda com quem se casou.
Ele me amava tamb�m.
Eu sei que amava.
Eu me lembro de uma vez, quando eu era pequeno,
admirava o par de botas que ele estava usando.
Eram pretas, com leopardos dourados.
Ele disse que me daria um par como aquele.
Nunca deu, claro, mas sei que ele queria fazer isso.
Se ele pudesse fazer o que quisesse�
Ele teria feito as coisas diferentes, n�o � mesmo?
Seu pai, Walter, manejava bem a espada em com bate,
e tinha o cora��o generoso. Isso � verdade.
Sim, acho que ele amou mais sua m�e
e que voc� era o filho que ele queria.
Mas talvez tenha sido ruim incluir seu nome no testamento.
Ningu�m aqui sente afei��o por sax�es de fam�lia alguma.
Eles eram leais apenas ao seu pai e a mulher normanda sabe disso.
Ela atirou muitos deles em calabou�os�
como ref�ns, para evitar conflitos.
N�o quero que venha aqui cheio de emo��o tratar disso.
Pode estar presente na leitura do testamento,
mas s� se ficar nos fundos da sala.
Se ela o vir, tentar� prejudic�-lo.
Comece.
Em nome de Deus, am�m.
Este � o testamento de Rauf,
Conde de Lessford e Lorde de Bulaire.
Primeiro, ele entrega sua alma ao Senhor Todo Poderoso
e a todos os santos.
E o corpo dele deve ser enterrado na capela do castelo de Bulaire.
Item: ele deseja que todas as casas, terras e rendas
que ele recebeu como heran�a, passem para os herdeiros
Eleanor, a mulher dele,
e Edmond, o filho leg�timo dele.
Item.
Ele deseja reconhecer uma verdade conhecida,
que ele possui outro filho que, como n�o leva o nome dele,
� conhecido como Walter de Gurnie
e por quem ele sentia afei��o.
Para este Walter de Gurnie, ele deixa botas negras�
de couro espanhol, decoradas com leopardos dourados.
E o mais importante,
ele deseja que este filho dedique sua vida a servir o rei.
Ele sabe que o filho conquistar� um lugar de honra�
neste servi�o.
Item.
Ele deixa para o Altar da Capela de Bulaire, o c�lice�
N�o h� mais nada nesse testamento que diga respeito � esse obscuro.
Que ele pegue o que recebeu e saia.
Qu�?
Acha que vou ficar de quatro porque uma normanda me ordenou?
Cuidado com sua l�ngua sax�.
E n�o servirei a um rei normando. Sou sax�o.
Ele n�o tinha o direito de me enviar a um tirano normando.
-Isto � trai��o. -Ser� enforcado por isso.
Com licen�a, senhora de Lessford.
H� algo neste assunto que me interessa muito.
-Desejo interrogar este rapaz. -N�o precisa pedir, majestade.
Parece que a perspectiva de servir ao seu rei
n�o o enche de prazer.
Gostaria que me dissesse porqu� sente tanto rancor.
Pode falar, rapaz.
Vim para c� depois de uma ca�ada.
Ent�o vamos considerar que no momento n�o sou seu rei.
Vamos falar como dois homens.
N�o haver� castigo para sua honestidade.
Voc� � um normando, � raz�o suficiente.
Mas n�o basta.
Passaram mais de 200 anos desde a conquista.
Os sax�es e normandos n�o deviam ter achado uma forma
de viverem juntos depois de tanto tempo?
Seu pai n�o pensava como voc�. Ele era sax�o.
Ele sabia que se o rancor n�o cicatrizasse seria pior para a Inglaterra.
Este problema deve ser resolvido de um jeito ou de outro.
Diga,
quando voc� me recusa sua lealdade porque sou normando
n�o entende que n�o tenho escolha quanto a isso?
Que devo ser rei dos normandos e sax�es, quer eu queira ou n�o?
Os sax�es n�o nos devem mais nada al�m de �dio?
O que eu devo aos normandos?
Viv�amos em Gurnie quando os normandos eram lobos do mar.
E Gurnie era mais feliz antes que viessem nos roubar.
Ela � normanda. Ela roubou meu nome.
Ela roubou de meu pai a chance de ter um filho sax�o.
Por causa dela, n�o conheci meu pai.
Ela o for�ou a servir a um normando
mas ele n�o pode me for�ar a isso.
Nada do que voc� disse tem liga��o com meu problema.
Isto me parece uma quest�o entre pai e filho.
N�o gostaria que um rapaz fosse enforcado s� por que foi magoado.
� meu desejo que ele seja liberado.
Um viajante pode descansar aqui? Se ele nasceu nesta casa?
Mestre Walter.
� bom ver voc�, velho Will.
Voc� cresceu, e muito bem.
Entre.
Voc� est� de volta em casa.
Esperava que voltasse para o jantar. Coloquei seu prato.
Sabia que havia deixado Oxford, ent�o.
Sim. Temos um h�spede que veio de Oxford � sua procura.
-Quem � ele? -Bacon. Frei Roger Bacon.
O frei Bacon foi meu professor. Gostaria de v�-lo.
Direi a ele, mestre Walter.
Will.
O que ele disse quando soube que sa� da escola?
Digo, meu av�.
Voc� o conhece, mestre Walter. Ele nunca diz nada. Apenas olha.
Como ele est�?
-Viu a pilha de ferro no fosso? -Sim. Ia perguntar sobre isso.
Viramos comerciantes.
Um cavaleiro de Gurnie comerciante, vendendo ferro e porcos.
E assim como ele faz com todo o resto, n�o disse nada para ningu�m.
Um dia, os cavalos sumiram e os porcos apareceram.
E depois, o ferro.
E quando quiseram saber onde queria que o colocassem
ele mandou que o colocassem na frente do port�o.
Eles n�o sabiam o que ele queria dizer,,
mas eu sabia.
Se vamos entrar para o com�rcio, � melhor que todos vejam.
Se � o pre�o a se pagar, que assim seja.
E, quando ele passa ali, n�o olha para a direita nem para a esquerda.
Vou chamar o frei Bacon, mestre Walter.
Espero que esta recep��o n�o seja para mim.
Frei Bacon.
N�o pude evitar.
Quando era crian�a, era assim que media meu crescimento.
Quando segurava esta espada.
Queria ter despertado em voc� tanto interesse pelos livros.
Talvez assim n�o tivesse desistido t�o facilmente.
O que houve com seu pai? Foi como voc� esperava?
N�o.
Retornar� comigo, ent�o?
N�o sei.
N�o importa.
Teremos tempo para falar disso mais tarde, talvez com seu av�.
-Isso n�o vai ser f�cil. -Porqu�?
Eu e meu av� s� conversamos atrav�s de outra pessoa.
Isso dificulta o debate.
Voc�s n�o se falam?
Geralmente, falamos atrav�s do velho Wilderkin.
Mas talvez possa ser atrav�s de voc�, se n�o houver outra pessoa.
N�o pense que ele seja mal educado.
� apenas um juramento que ele fez depois de brigar com meu pai.
Vou contar um pouco da hist�ria para que fique mais claro.
Meu pai estava prometido para minha m�e antes de partir nas cruzadas.
Mas ele se feriu e quase morreu desse ferimento.
Cuidaram dele em uma casa normanda.
Depois de muito tempo, quando ele j� estava curado,
ele se casou com a filha do dono da casa.
A mulher que havia cuidado dele.
Acho que foi por gratid�o. Ele n�o sabia que eu havia nascido.
Como poderia saber?
Assim que ele descobriu, voltou para c�.
Ent�o, houve uma briga t�o amarga que ainda me lembro dela.
Meu av� jurou que nunca mais falaria com meu pai
ou com qualquer outro que tivesse o sangue dele.
Isso me inclu�a, � claro.
Embora n�o tenha sido a inten��o dele
acho que ele se arrependeu depois.
Mas voc� vai ver que meu av�
� um homem que n�o leva um juramento na brincadeira.
-Entendo. -Acho melhor contar-lhe algo�
Wilderkin, o jantar est� pronto?
-Nosso convidado j� chegou? -Sim, meu senhor.
Herr Wilderkin.
Diga ao meu neto que estou feliz em rev�-lo.
-Ele tem os ombros largos de homem. -Meu senhor gostaria de dizer�
Diga ao meu av� que estou feliz em rev�-lo.
Espero que meus ombros sejam largos o bastante para servi-lo.
-Senhor, mestre Walter disse� -Muito bem dito, Wilderkin.
E nosso convidado. Seja bem-vindo, frei Bacon.
Obrigado, senhor.
Porco. N�o � a melhor carne para um convidado
mas � forte e enche a barriga.
Herr Wilderkin, pergunte ao meu neto o que acha do nosso com�rcio.
-Ele j� deve saber disso. -Meu senhor diz�
Diga ao meu av�, Wilderkin�
que acho que ele tomou uma atitude corajosa e nobre.
Muito bem dito novamente, Wilderkin. Vamos comer.
� mais f�cil falar de barriga cheia.
Os normandos ainda n�o mudaram isso.
Um par de botas e o privil�gio de usar um colar de ferro
para um rei normando.
-Pergunte o que mais ele esperava. -Meu senhor�
Diga ao meu av� que achei que haveria algo para Gurnie.
Diga ao meu neto que ele foi tolo ao pensar isso.
Ele ajudar� Gurnie voltando aos estudos.
Para aprender a ser melhor do que o pai.
Diga ao meu av� que�
n�o vou voltar para a escola.
Diga que acho que meu lugar � aqui, com ele, em Gurnie.
Se ainda houver uma Gurnie.
Pergunte por que ele acha que deve ter uma opini�o.
Pergunte quem � melhor juiz do que ele precisa
para proteger a casa de ladr�es normandos.
-Ele acha� -Diga ao meu neto�
-Senhor, pode me dar licen�a? -Que lado vai apoiar?
N�o estou do lado de ningu�m.
Devo avisar que se o que diz n�o apoia minha opini�o
vou prestar pouca aten��o ao fato de que � meu convidado.
Viajei at� aqui para insistir no mesmo que voc�.
O retorno do seu neto para Oxford.
Conheci poucos estudantes com tanta habilidade quanto seu neto.
Seria um fracasso pessoal se eu o perdesse.
De que adianta?
Como vou lutar contra os normandos com livros?
Se eu fosse jovem e n�o tivesse um lugar certo na vida
n�o iria querer mais nada do que me dedicar � busca do conhecimento.
A for�a do conhecimento�
conquista vit�rias que a espada n�o consegue.
H� muita coisa para saber e poucas pessoas interessadas.
A Inglaterra precisar� disso um dia.
Ela precisa disso agora.
Temos poucos livros na nossa terra.
Escritos com dificuldade e lidos com dificuldade por poucas pessoas.
H� conhecimento em outras terras que devemos trazer para c�.
J� ouviu falar de Cant�o? Dizem ser um lugar onde nenhum ingl�s foi.
Um pa�s antigo, muito rico n�o apenas em ouro,
mas no conhecimento de muitas eras.
Ouvi dizer que conhecem uma subst�ncia que, quando � acesa,
desaparece em uma explos�o de luz.
Eles possuem instrumentos
com que viajam pelo mar e pela terra sem se perderem.
-Acredita nessas lendas? -Sim, e ainda h� mais.
Walter, que desafio quando se � jovem.
O que mais um homem poderia pedir da vida?
Eu n�o sei.
Mas � um motivo muito fr�gil.
Para deix�-lo aqui sozinho, preciso de um motivo melhor que esse.
Deixe-o ir. Est� magoado. Pensar� melhor depois que dormir.
Voc�. O que est� fazendo aqui?
-O que voc� quer? -Quem � voc�?
O neto do velho lorde.
Ent�o, ele � nobre. N�o gosto disso.
Tris Griffin. Voc� n�o � ladr�o. O que est� fazendo aqui?
Podem solt�-lo. Ele � sax�o.
Tris, brincam os juntos nesses muros.
Sei que voc� e Dickon n�o s�o ladr�es.
-O que est�o fazendo aqui? -A situa��o est� ruim.
N�o t�nhamos problemas em Bulaire quando seu pai era vivo.
Mas a mulher normanda atirou 12 sax�es na pris�o como ref�ns.
Sim, eu vi.
-N�s vamos libert�-los. -De Bulaire? Como?
N�o menospreze a for�a desta arma.
Ela tem bra�os longos e bonitos.
N�o contra muros de pedra, Tris.
Eu disse que ele ficaria do lado deles.
Quem disse que estou do lado dos normandos?
-Quem � seu l�der? -Sou eu, de certa forma.
N�s todos somos.
Voc�s teriam uma chance se passassem pelo port�o.
-Qual � o plano? -Essa � a parte mais dif�cil.
-Est�vamos pensando nisso. -Talvez eu possa ajudar.
Esta n�o � sua luta, Walter.
Posso levar alguns homens pelo port�o do moinho.
Conhe�o o sinal.
Se pudermos descer a ponte
talvez tenham chance. Se n�o conseguirmos, estar�o de fora,
a salvo para me castigarem por trai-los.
Est� bem. Pode vir conosco. Vamos, peguem as armas.
O que voc� quer?
Quem � voc�?
-Estamos com sorte. -Deve ser voc�.
Quem s�o voc�s a� fora?
Fiquem onde est�o.
Se algu�m sair por essa porta, levar� uma flechada.
Assim.
O resto de voc�s pode jogar as armas fora. Uma de cada vez.
Voc�s ai, quem quer que sejam, pe�o que se dispersem.
Se t�m alguma reclama��o, protestem da forma correta.
Vamos protestar agora.
Voc�s t�m cinco minutos para libertarem os prisioneiros.
Depois, a cada minuto
enforcaremos um dos soldados da torre de vigia.
Esperem a�.
Esse � o fim do seu problema.
O novo mestre normando n�o tem coragem para lutar.
Agora, vou resolver meu problema.
Os prisioneiros ser�o libertados.
N�o sei quem voc�s s�o.
Mas imploro que os recebam em sil�ncio.
Voltem para casa antes que mortes aconte�am.
Com certeza.
N�o vamos partir sem o jovem Gurnie.
Pare a� mesmo.
Voc� vai pagar por isso, Walter de Gurnie.
E voc�, Tris Griffin.
N�o podemos ficar. Vir�o nos ca�ar amanh� cedo.
Conhe�o a floresta melhor do que eles.
-Prender�o sua fam�lia para peg�-lo. -S� tenho a Sarah.
Voc� tem sorte.
Preciso contar ao meu av�. Esta noite.
Por que queria tanto aquelas botas, Walter?
Era tudo que eu tinha que provava que meu pai me amava
quando o mundo todo negava isso.
Se couberem em mim, manter�o meus p�s quentes.
� uma carta do meu pai.
Ele se importava comigo.
Escute:
"Escrita em Bulaire � luz de velas, com a ajuda de Simeon Beautrie.
Ao meu filho Walter:
Deixei um legado em ouro para voc�, com Joseph
no sinal de Merry Totter, em Londres.
N�o podia dizer isso abertamente porque voc� poderia ser atacado.
Ao envi�-lo para o servi�o do rei, tive esperan�as
de que, se voc� ajudasse a Inglaterra dividida,
poderia conquistar o nome honrado que n�o pude dar a voc�.
Que Deus o fa�a escolher bem.
Eu me arrependo de todo cora��o pela infelicidade que lhe causei.
Com afei��o, do seu pai�
Rauf de Bulaire."
Estou feliz que tenhamos buscado as botas.
Diga ao meu av� que, se me acharem aqui, Gurnie sofrer�.
Diga ao meu neto que os homens de Gurnie
n�o fogem de problemas com normandos.
Diga ao meu av� que n�o temos escolha.
Eles venceram. Os normandos venceram.
Bulaire pertence a eles, e Gurnie tamb�m pertencer�.
A Inglaterra � deles, n�o � nossa.
Diga que n�o vou ficar neste pa�s de normandos.
-O mestre Walter diz� -Pergunte ao meu neto
onde ele pode viver sabendo que fugiu de suas obriga��es.
Diga ao meu av� que encontrarei este lugar.
E quanto mais longe desta terra, melhor.
Talvez no Cant�o.
Diga que se eu conseguir ouro suficiente
para comprar a terra de que Gurnie precisa, eu talvez volte.
Mas, at� l�, eles podem ficar com a Inglaterra.
N�o pisarei em solo normando.
Nossos h�spedes t�m uma longa jornada pela frente.
Providencia o que precisarem.
Sim, meu senhor.
Vamos. O sol logo nascer�.
Os guardas dos Bulaire aparecer�o com o raiar do sol.
Mestre Walter, ele disse que deveria levar tudo que precisasse.
E que deveria levar este c�lice.
� valioso. Nosso �ltimo tesouro.
N�o. Diga que ele pode guard�-lo. Eu o encherei de ouro um dia.
Obrigado por tudo, Wilderkin.
Boa sorte, mestre Walter.
Bem, esse � o fim ou o come�o de algo. Eu n�o sei.
-Espero que durma bem em sua floresta. -Walter, estive pensando�
-No qu�? -Estava pensando em ir com voc�.
-Para o Cant�o? -Onde fica isso?
Fica muito longe da sua floresta.
Talvez Sarah gostasse de l�.
N�o brinque com isso, Tris.
Se formos para tal lugar, pode ser que acabe sendo enforcado
por um mongol ao inv�s de um normando.
Prefiro dar esse prazer a algu�m que n�o conhe�o
do que a um normando que odeio.
Ent�o, vamos para uma terra distante. Este ser� o in�cio.
Este � o maior at� agora.
O que esse pag�o�
As Cruzadas deram a eles raz�o para n�o gostarem de crist�os.
E estamos � procura do maior mercador
com a maior caravana, que v� aos lugares mais distantes.
Provavelmente, ser� o maior pirata tamb�m.
Bom dia.
-Voc� � o dono desta casa? -N�o.
O mestre desta casa � o am�vel, gracioso e gentil
Anthemus de Antioch, a quem sirvo como posso.
Avise que dois viajantes vieram falar com ele.
Meu generoso mestre s� se preocupa com quest�es importantes.
-Talvez este servi�al possa� -Olhe.
Viajamos muito para ver o seu mestre.
Vai ser dif�cil. N�o quero incomod�-lo sem raz�o.
O risco � muito grande.
Imagino que o risco pare�a menor agora.
Falarei com meu generoso mestre.
Bom dia.
Voc�s n�o parecem importantes.
Devo avisar que todos os minutos do meu dia devem me trazer lucro.
S� queremos seguir viagem com uma caravana para o leste.
-Para onde? -Isso n�o � importante.
-Talvez para o Cant�o. -Eu tenho uma caravana�
que vai para perto do Cant�o.
� uma caravana de presentes que estou enviando para Kublai Khan.
Pensei que caravanas pequenas desaparecessem nas terras selvagens.
Pequena? Do que est� falando?
Quando se manda presentes para o grande Khan
ele exige nove vezes nove de tudo.
Sedas, joias e mulheres.
Precisei reunir as 81 mulheres mais bonitas deste pa�s.
E como � tudo para Khan
viajar� sob a prote��o do ex�rcito do grande general Bayan.
Bayan dos Cem Olhos. Parece seguro o suficiente para voc�s?
Uma caravana s� de presentes � estranho.
N�o � estranho.
Veja, Khan come�a sua guerra contra a China
ou o Cant�o, como voc� a chamou.
Ele vai conquistar o pa�s mais antigo e rico do mundo.
E eu serei amigo dele.
Vou ajud�-lo a livrar-se das riquezas de v�rias gera��es.
Serei o mercador mais rico do mundo.
Est�o preparados para pagar bem para viajar na companhia deles?
Pensamos em nos oferecer como guardas da caravana.
Guardas crist�os atrairiam ataques.
� o melhor que podem oferecer? Est�o desperdi�ando meu tempo.
Eu avisei. Reviste-os.
Se n�o tiverem nada de valor, corte o cabelo deles para almofadas.
-Quero pagamento pelo meu tempo. -Eu j� os revistei.
S� havia isso de valor. Eu o guardei por um minuto.
N�o � muito lucro,
mas � o bastante para salvar minha honra.
-Pode se livrar deles. -Sim, senhor. Por aqui.
Por que fez isso? Por que mentiu para ele?
�s vezes sou chamado de p�ssaro que forra seu ninho,
porque dizem que roubo de todo mundo.
N�o � verdade, � claro.
Mas digam os que esteja em posi��o de lucrar um pouco menos
do que meu generoso mestre.
Eu vou com a caravana. Sou o respons�vel por ela.
Eu talvez possa lev�-los.
N�o me custar� nada fornecer equipamentos para voc�s.
Ser�o os equipamentos dele.
-Quanto ouro voc�s t�m? -N�o temos muito.
Voc� n�o nos deu raz�o para lhe entregar o que sobrou.
Quem � o general Bayan? O tal cheio de olhos?
Ele � o maior soldado do mundo.
O grande Khan o tomou emprestado da P�rsia para sua guerra contra a China.
Ele ir� conquistar o mundo um dia.
-E onde ele est� acampado? -A tr�s dias daqui. Com o ex�rcito.
Eu n�o iria at� Bayan para oferecer servi�os.
Os homens dele s�o treinados para gostar de matar.
Eles adorariam cortar a garganta de um crist�o.
Temo que voc� n�o tem escolha, a n�o ser tratar isso comigo.
Quanto ouro voc�s tem?
Que tipo de pa�s � esse?
-�timo. -Quando Vamos partir?
Daqui a dois dias. Tiveram sorte de me encontrar.
Por favor. Pela generosidade do meu cora��o
eles s�o para voc�s. Para a jornada.
Este se chama Singer, porque faz barulhos horr�veis.
O outro morde quando n�o consegue dar um coice.
Precisam encontrar um lugar na barraca que n�o tenha goteira.
Mas acho que serve para crist�os.
O servi�al � bom. Vai roubar tudo para voc�s.
-Mahmoud, senhor. -Isso � tudo. Tenham um bom dia.
Vamos decidir quem ouvir� m�sica e quem ser� mordido.
-Molhado ou seco? -Molhado.
� seco.
N�o sei por que n�o fui feito para montar melhor em um camelo
ou n�o criaram um camelo que combinasse comigo.
Descobri algumas coisas do nosso amigo fazedor de ninhos.
O poderoso general est� acampado na colina.
Estamos aqui para que eles n�o vejam as mulheres que trazemos.
N�o vamos viajar hoje. Eles est�o fazendo um campeonato.
E tamb�m descobri porque chamam ele de Bayan dos Cem Olhos.
-Talvez tenha muitos olhos. -Ele v� tudo.
Amanh�, saber� como cada homem se saiu nos jogos.
-Cavaleiros, arqueiros� -Arqueiros?
Isso interessa a voc�?
Sim. Est� um pouco frio, mas a luz est� boa.
-Como s�o os arcos deles? -Osso e a�o.
-Os melhores do mundo. -Espere at� verem a Sarah.
N�o, meu amigo impulsivo. N�o queremos chamar aten��o.
Ent�o, deixe Sarah onde ela est�.
-N�o faria mal apenas lev�-la junto. -Voc� n�o vai tirar ela do seu ombro.
Ela n�o nos causar� problemas.
Teria mais certeza se ela n�o se chamasse Sarah.
� uma bandeira inglesa.
Provavelmente de um cruzado que ele matou.
Porco pag�o.
-O que foi aquilo? -E o dono do camelo.
Chegou perto demais da barraca das mulheres ontem.
� brincadeira de crian�a.
Brincadeira de crian�a, sei.
Dessa dist�ncia, podia atirar a seta na marca.
Algu�m precisa mostrar o que um arco ingl�s pode fazer.
Tris!
V� l� descobrir o que est� acontecendo.
Ele diz que o mestre deve competir.
Mas se n�o se sair bem, o arco ser� partido na cabe�a dele.
Ele quer dizer que, se ele falhar, partir�o o cr�nio dele.
-Quem � ele? -� Bayan dos Cem Olhos.
-Ele sabe o que acontecer�? -Acho que n�o.
Acho que tem raz�o. Olhe para ele.
Ele s� sabe que est� com Sarah.
-O que est�o conversando? -Nada. Sobre o arco.
-V� em frente, amigo. -Pense no vento, Tris.
Cresci pensando no vento.
E Sarah me lembraria se eu tivesse esquecido.
Nada mal.
Chega de brincadeira de crian�a. Preciso de espa�o para atirar.
-Tris. -Se for mostrar alguma coisa
� melhor mostrar algo bom.
Tris, n�o seja tolo. J� est� bastante longe.
N�o. Um pouco mais. Quero que ele se recuse a tentar.
Agora, meu amigo pag�o, quer tentar primeiro?
-Foi o que achei. -N�o acertar� nem por milagre.
Se eu errar, terei errado algo dif�cil.
Voc� conseguiu.
Fui longe demais, n�o sei porqu�. Sarah queria se exibir.
Se tivesse errado, estar�amos mortos.
-O qu�? -Eram as ordens de Bayan.
Por que n�o me disse? N�o. Ainda bem que n�o disse.
-Sarah. -Mestre, Bayan quer falar com voc�.
-Agora? -Imediatamente.
-Tome cuidado com o que disser. -Deixe que eu falo.
Esta pode ser a chance de que precis�vamos.
-Senhor. -A sua flechada
foi sorte? Fale a verdade.
Houve um elemento de sorte.
-Quantas vezes acerta? -Tr�s de cada cinco.
-Sabe manej�-lo com rapidez? -Tr�s tiros antes do primeiro cair.
Perguntei ao arqueiro. Com que precis�o?
J� matei tr�s patos com quatro flechadas.
� leve. Leve e forte. � por causa da madeira ou da constru��o?
Ambas. Por causa do teixo e do corte que segue a fibra da madeira.
-Como se chama? -E um arco longo.
-Ele a chama de Sarah. -O nome de uma mulher.
Sim, meu senhor.
Tem motivos para amar Sarah ainda mais hoje.
-Ela salvou sua cabe�a. -Eu contei isso a ele.
-A seta deve atravessar armaduras. -Sim.
J� tentou isso? Voc�.
A ponta � de a�o. Atravessaria qualquer coisa.
Acho que � a melhor arma do mundo.
Ela estende os longos bra�os
e chega ao inimigo antes que ele possa atacar.
Com ela qualquer ingl�s parece um homem de verdade.
� o melhor soldado do mundo.
Imagino que voc� seja ingl�s.
Sim, senhor.
Vi ingleses atacando os sarracenos durante as Cruzadas.
Os soldados usavam armaduras t�o pesadas que mal se moviam.
Era muita estupidez. Mas isto n�o � est�pido.
Conversaremos sobre isso. Joga xadrez?
-N�o, eu� -Eu jogo.
-Joga bem? -Quatro jogadas sem errar.
� mais do que qualquer outro homem deste ex�rcito. Jogaremos esta noite.
Ser� um prazer. Como encontraremos sua barraca?
Se algum dos meus soldados n�o souber onde fica minha barraca
seu arqueiro po�tico pode us�-lo como alvo.
Talvez Sarah tenha nos ajudado.
Vamos lev�-la para casa. Voc� pode fazer um soneto.
Devia engolir sua l�ngua.
Est� ali.
Quero ver o seu arco.
O jogo j� est� pronto.
Eu sempre fa�o a primeira jogada.
Poderia fazer um arco semelhante ao seu?
-Se tiver a madeira. -� um jogo de retranca.
Fica � espera de um ataque. Mas n�o sobreviver� a uma investida.
� o tipo de jogo que quero jogar.
Vamos. O bispo do rei. Jogue.
Pode treinar soldados para usarem este arco?
-Sim, senhor. -Ent�o, encontrarei a madeira.
Como estudioso�
voc� n�o permite falhas no ataque. �timo.
Voc� conhece a teoria e pr�tica militar do seu pa�s.
Eu tenho�
Tenho um pouco de conhecimento sobre o assunto.
A guerra � minha profiss�o.
N�o conhe�o guerra vencida da mesma forma que outra guerra.
Por isso, minha arma � a velocidade.
Ningu�m deve usar armadura pesada
ou n�o ser� r�pido para se salvar ou atacar o inimigo.
Por isso gosto do seu arco. Ele � leve.
Pode alcan�ar o inimigo e acabar com ele.
A �nica maneira de dormir bem � enviar seu inimigo ao sono eterno.
Pe�o perd�o por distrai-lo do jogo, mas estou curioso.
Por que voc�s est�o viajando por esse lugar distante?
Viemos em busca de aventuras.
Ouvi falar da grandeza de meu senhor Bayan e vim procur�-lo.
N�o gosto de elogios.
Precisamos encontrar um lugar para viver.
N�o pensa em retornar ao seu pa�s?
N�o temos pa�s.
� estranho que um ingl�s diga isso. Por qu�?
Uma mulher?
-N�o. � mais que isso. -N�o importa.
O arqueiro e o estudioso n�o possuem um pa�s.
Talvez voc�s tenham utilidade para mim. Pensarei a respeito.
� a sua vez de jogar.
� voc�. O que quer?
-� muito, muito ruim. -O qu�?
Essa barraca velha. Esses cobertores velhos.
E apenas um servi�al para roubar comida e cozinhar.
� demais. Voc� precisa de outro.
Como farei isso? Com a sua generosidade?
Trarei outro para voc�. H� quem n�o goste de crist�os. Eu gosto.
Est� bem. Diga logo. O que quer dizer?
Nunca discuta algo importante quando n�o sabe quem mais pode ouvir.
Trouxe uma mensagem da Rosa Negra.
-E quem � a Rosa Negra? -Ela � a irm� do meu mestre.
-Isso � bom. -Ela deseja escapar.
Ela diz que quer ir para a Inglaterra e que os ingleses s�o galantes.
E que voc�s ajudariam algu�m do mesmo sangue.
Est� dizendo que ela � inglesa?
Dizem que o pai dela era ingl�s.
Um prisioneiro das Cruzadas.
Por que ela � chamada Rosa Negra?
� o nome que d�o ao cravo. A mais preciosa especiaria.
N�o gosto disso. Uma inglesa morando com esses pag�os.
-N�o, n�o sabemos se ela � inglesa. -Ela tem parentes em Marrocos.
Ela s� precisa chegar at� eles.
Entendo. E por que voc� est� fazendo isso?
N�o me importa se ela est� infeliz.
Ela possui uma safira enorme.
O que ela quer que fa�amos com o ex�rcito de Bayan?
A ave que faz seu ninho n�o deixa nada ao acaso.
Tenho um �timo plano no qual
farei todas as partes perigosas, se tiverem medo.
Medo? Far�amos mais pelo sangue ingl�s
do que voc� faria por qualquer safira.
�timo. Direi isso � Rosa Negra.
Mestre, o estranho est� aqui de novo.
Este � o seu segundo servi�al, o nome dele � Mahmoud.
Leve-o de volta. Saia daqui.
Muito estranho.
Ontem � noite os camelos atropelaram as tendas das mulheres.
Precisam de tempo para a busca. A Rosa Negra est� desaparecida.
Vamos, tire-a daqui.
V�o encontr�-la durante a busca e nos castigar.
-Por favor, mestre. -De volta ao trabalho.
Sim, mestre.
N�o sou tolo.
Ontem comprei um escravo para o ingl�s.
O menino desapareceu e todos pensam que este � ele.
E fiz mais uma coisa. Um dos camelos que fugiu estava selado.
Quando encontrarem o camelo, eles acreditar�o
que a Rosa Negra tentou escapar e se feriu. E simples.
-Tire-a daqui. -Talvez eu possa dizer
que a encontrei aqui agora. Ningu�m acreditar� na sua hist�ria.
Talvez voc� seja empalado e deixado para os abutres.
-Achei os camelos. -E temos um novo servi�al.
Ele � todo seu Tris, ele tem lindos olhos grandes.
� muito simples, jovens senhores.
Ela far� tudo que quiserem que ela fa�a.
Voc� entende isso?
Sabe o que acontecer� conosco se n�o me obedecer?
Sim, grande poderoso.
Onde est�? Deixe para l�. Mahmoud.
-Estou muito grata. -Sim, eu sei disso.
Mahmoud, o novo garoto o ajudar�.
Mas voc� ser� o primeiro, entende?
N�o precisamos de outro garoto. Ele n�o � bom.
-Posso fazer tudo. -Fa�a o que mandei.
Leve-o daqui. Ele deve comer e trabalhar.
Sim, mestre. Ele vai comer quando eu terminar. Pode ir.
Isso n�o vai dar certo. O que faremos?
Acho que s� nos resta ficar aqui e esperar o castigo.
O velho pirata tinha raz�o. Ali est� o camelo selado.
Ele � o filho de um cameleiro de olho doente.
-Ele quer me bater. -Sil�ncio. Leve-a para a barraca.
-Sabe quem � ela? -Mahmoud bateu em uma dama.
-Mahmoud ser� a�oitado. -Deixe para l�.
Seremos mortos se descobrirem que ela est� aqui.
N�o direi a ningu�m. Mahmoud morreria primeiro.
Entre na barraca e finja que nada aconteceu.
-Podemos confiar nele? -Ou confiamos, ou o matamos.
-Fico feliz que ele saiba. -Por qu�?
Porque n�o preciso mais fingir.
Posso ficar na barraca com voc�s, como deveria ser.
-Olhe, Mohamet. -Ele contou que sou inglesa?
-E que vou para a Inglaterra? -Sim, sabemos disso.
Preciso aprender sobre a Inglaterra se vou viver l�.
Acha que gostar�o de mim? Como s�o as coisas por l�?
As pessoas s�o t�o bonitas quanto voc�?
-Pergunte a ele. Ele � bonito. -N�o. Voc� � mais bonito.
-Voc� � como eu sempre� -Mohamet.
N�o temos tempo para conversas. Isto � s�rio.
Quero que coloque o turbante e vista-se.
-Ser� o segundo servi�al. Entendeu? -Sim�
N�o quero falar sobre isso. Fa�a o que eu disse logo.
-Sim, � muita gentileza� -Est� bem. Ent�o, fa�a.
Nunca vi ningu�m parecer menos prontos que voc�s
partindo em uma grande aventura.
-O que a dama acha disso? -Que dama?
Como � o nome dela? Sarah.
Acho que ela gostar� do que vamos enfrentar.
Estamos fabricando parentes para que Sarah n�o fique solit�ria.
J� dei ordens para encontrarem a mesma madeira.
E tenho algo do seu interesse, estudioso.
Com o apontador-de-dire��o
podemos atacar no meio de qualquer tempestade sem nos perdermos.
Podemos sair das trilhas e atravessar o pa�s.
-Foi feito na China? -Como funciona?
Dentro da caixa, h� uma agulha que sempre aponta na mesma dire��o.
Por que a agulha faz isso?
Se n�o sabe, estudioso, n�o se preocupe, meu tempo � para guerrear.
Olhe, ali est� a �ndia.
-Um dia, vamos conquist�-la. -A �ndia?
Quando terminar com a China, vamos conquistar outra coisa.
O estudioso deve se indagar sobre meu plano sobre a �ndia.
Mas, primeiro, a China.
Parece que acreditaram no truque do camelo.
Desistiram da busca e voltaram.
N�o est�o fazendo buscas no campo. Onde ela est�?
Ali, fora de vista.
-O que est� fazendo? -Tirando a tintura da pele.
-Pois coloque de novo. -N�o. � horr�vel.
N�o quero ficar feia enquanto comemos juntos.
-Mohamet. -Maryam.
Aqui.
-Onde arrumou isso? -Precisava dele.
E tenho roupas para vestir quando comer aqui.
Mahmoud!
-Sim, mestre. -Mahmoud, roubou essas coisas?
Mahmoud v�, Mahmoud pega.
E se revistarem nossa barraca? N�o quero que roube mais.
-As mulheres roubam umas das outras. -N�o roube mais.
-Se a grande dama� -Fa�a o que digo.
N�o importa o que a grande dama queira.
-Coloque a tintura no rosto. -N�o.
-Como assim, n�o? -N�o. N�o h� perigo.
Se fossem nos revistar, j� teriam feito isso.
Ningu�m chegar� perto da nossa barraca porque somos crist�os.
Tudo est� acontecendo como o milagre disse.
Mas preciso tirar a tintura do meu rosto
para que o resto do milagre aconte�a.
-Milagre? Que milagre? -Estou envergonhada.
Quase parei de acreditar nele
quando descobri que seria enviada a Khan.
Mas quando vi voc�, soube que fazia parte do milagre.
Maryam, nunca fiz parte de um milagre ent�o, n�o sei muito sobre isso.
Mas o que te faz pensar que um milagre est� lhe dizendo
para tirar essa mancha do seu rosto?
Sabia disso desde que era menina.
Meu pai me contou.
Queria ir para a Inglaterra. Imaginava como seria maravilhoso.
Um pa�s onde todos se pareciam com ele. Gentis, altos e bonitos.
Ele queria me levar para l�, mas n�o podia porque era prisioneiro.
Ent�o, ele disse que pedir�amos ajuda a Deus.
Se eu acreditasse de verdade, talvez um milagre acontecesse.
Gostei de um Deus que podia fazer milagres.
Ent�o, acreditei com toda for�a.
Meu pai me deu isto antes que o matassem
para me ajudar com o milagre.
Ele disse que, um dia, um ingl�s alto e bonito
subiria a colina a cavalo
e ele me acharia bonita e ofereceria ajuda.
Por isso vi que Deus o enviou como parte do milagre.
Mas como voc� vai perceber que sou bonita
se eu usar aquela tintura horr�vel no rosto?
Muito interessante, Maryam.
Gostaria que fosse milagre, porque precisamos de um.
Mas n�o podemos contar com isso. Milagres n�o acontecem.
Mas aconteceu.
Ingleses altos e bonitos n�o atravessam este pa�s.
Mas voc� apareceu quando o milagre precisou de voc�.
Por isso, sei que o resto vai acontecer como meu pai disse.
Milagre ou n�o, n�o quero ser enforcado.
Fa�a o que digo ou vou envi�-la de volta � barraca.
N�o.
Faremos como o milagre disse ou�
Ou direi a eles que estou aqui.
Eles me colocar�o com as outras mulheres.
Mas n�o ser�o t�o generosos com voc�.
Agora, voc� vai olhar para mim e pensar que sou bonita.
Est� bem. Voc� � bonita.
Agora, eu acho que voc� ficaria feliz em levar essa coisa feia para longe.
N�o me diga que nunca viu ningu�m enforcado.
O que eles fizeram?
V� aquele caminho? Passaremos por l� hoje.
Pod�amos combater, mas n�o tenho tempo. Isto � um aviso.
Se houver problemas, tenho mais prisioneiros.
Posso enforc�-los tamb�m.
-Entendo. -Entende, mas n�o aprova.
Eu esqueci a sua galanteria inglesa na guerra.
Pessoas diferentes acreditam em coisas diferentes.
N�o em coisas tolas, ingl�s.
N�o. O que eu n�o consigo tocar
n�o existe.
Ou voc� conquista, ou algu�m conquista voc�.
� simples assim.
Obrigado por me lembrar disso.
Gosto de voc�, estudioso.
Gosto da sua sinceridade. Vou recompens�-lo.
N�o quer conversar, Walter?
N�o.
� uma pena.
Queria que me contasse sobre a Inglaterra.
Como s�o as casas? � muito bonito?
N�o sei.
Acha que � bonito, Tris?
Sim, acho que � bonito.
O lugar mais bonito do mundo.
E tem um perfume delicioso.
A floresta, o solo ingl�s.
� limpo porque a chuva o deixa assim.
Fica tudo limpo e perfumado.
Acho que � o pa�s mais bonito do mundo.
Ah, Tris�
Gostaria de estar l�, s� isso.
Bayan tinha raz�o sobre voc� ser um poeta.
E � um poeta cheio de saudade.
Deve ser muito bonito. � como imagino.
-Ele s� se lembra da parte boa. -Gosto dele por isso.
Nunca se sente assim tamb�m?
� como meu pai se sentia.
Acho que tamb�m se sente assim, mas n�o quer dizer.
Conte a ela sobre os normandos.
N�o gosto que se sinta assim.
Para se sentir assim, deve ter amado muito
e deve ter sido muito magoado.
N�o gosto dela.
De quem?
Da mo�a na Inglaterra que voc� amou e que o magoou.
N�o havia mo�a alguma.
Ent�o, ficar� feliz.
Ficar� feliz em voltar para a Inglaterra, n�o �?
N�o preciso me preocupar com isso. N�o voltarei.
Ent�o, para onde vai?
Pergunte ao general Bayan.
Estarei com ele. Com o lado vitorioso, se tivermos sorte.
Qual � o problema, Mohamet?
Mohamet, qual � o problema?
Eu me sinto triste em pensar na Inglaterra sem voc� l�.
N�o � o que o milagre disse.
Eu�
Desculpe, Maryam. Eu me esqueci do milagre.
Mas vai dar tudo certo. Voc� achar� uma colina
e outro ingl�s aparecer� nela.
Provavelmente, um normando. Mas n�o far� diferen�a.
Tornaremos seu milagre verdade, tanto quanto pudermos.
Vai dar tudo certo.
Queria que n�o se sentisse assim.
Serei Mohamet de novo se isso o fizer mudar de ideia.
N�o ligo para a tintura.
Ela�
Por que n�o diz algo?
Foi voc� quem come�ou tudo isso com a sua poesia.
Foi voc� quem apareceu no milagre e estava muito bonito.
Viajamos muito para ver isto, estudioso.
O Cant�o.
Fica ali.
Jogue o jogo de verdade comigo. � o melhor jogo.
Jogue como nunca jogou. Pense.
Tenho um novo plano para a guerra. Tente achar uma falha.
� um plano para a China.
Muitos homens tentaram conquistar a China, mas ela destruiu a todos.
Como um golpe em uma almofada.
A almofada cede com o golpe e a for�a � absorvida.
N�o � poss�vel conquistar a geografia.
Voc� ocupa um pa�s, e o que acontece?
Os soldados viram carcereiros e voc� enfraquece.
O que podem os fazer? Pense. N�o vamos ocup�-la.
Atacarem os at� destruir tudo.
Atacaremos o cora��o da China, em Kinsai.
Destruiremos o governo e a resist�ncia.
-E se eles o perseguirem? -Deixe-os vir.
Inventei uma arma chamada velocidade.
-Sua linha de abastecimento� -N�o teremos.
Viveremos do pa�s. Pense melhor.
Deve haver uma fraqueza em todo plano, encontre essa.
Voc� falou de vencer batalhas e perder guerras.
Mesmo se ganhar cada batalha ficar� fraco.
Lutaremos quando os soldados de Khan chegarem.
A�, vamos esperar at� que os rumores da vit�ria se espalham.
Se perdermos, seremos insignificantes na hist�ria.
Mas se vencermos a China, ganharemos for�a e sabedoria.
Eles t�m um tubo de ferro que atira fogo.
Ainda � um brinquedo, mas um dia nos ajudar� a entrar em Roma.
Roma?
Roma fica longe daqui.
Assim como a Inglaterra. Gostaria de voltar l�, ingl�s?
Desta vez, com o conquistador.
Pode fazer o que quiser com quem os conquistou.
Pense bem, estudioso.
Podem os vencer o maior jogo do mundo.
Qual � o problema, arqueiro?
N�o consegue dormi?
Estava pensando. Acha que ele conseguir�?
N�o sei.
Talvez sim.
Estava pensando no jeito que ele falou.
Talvez estejamos lutando do lado errado.
-Tris. -Sim?
-Voc� quer voltar? -O que voc� quer fazer?
Posso dizer uma coisa. Estou farto de causas perdidas.
Se ele conquistar o mundo, estaremos do lado vitorioso para variar.
Qual � o problema de voltar com ele?
� a �nica forma de ver sua Inglaterra que cheira t�o bem.
-Sim, eu sei. -E melhor voc� dormir, arqueiro.
Tris, voc� se machucou?
N�o, estou bem.
Eu acho.
Vi voc� desde o in�cio. Seu arco contra os tubos de fogo�
Eles pareciam a ira de Deus. Acho que talvez seja.
Est�o matando todos os homens, mulheres e crian�as do distrito.
Camponeses trabalhando na colheita.
Cortam a cabe�a de todos eles, n�o deixam ningu�m vivo.
Como se estivessem colhendo trigo.
Qual � o problema, ingl�s?
Vencemos hoje.
Voc� n�o sente prazer na vit�ria. Por qu�?
O neg�cio da batalha � muito simples.
Matar o inimigo.
Um soldado deve gostar de matar.
Quem n�o tem est�mago para isso n�o pode me seguir.
Volte para a sua barraca e pense nisso.
Pense bem.
Voc� deve fazer uma escolha.
Isso mesmo. Voltaremos para nossas barracas.
Foi uma vit�ria, n�o foi?
Os arcos foram para ajudar. O general est� satisfeito.
Voltamos para as tendas para pensar nisso, Walter.
Fiquei preocupada por voc�. Temi por ambos.
Nada poderia me acontecer.
N�o � o que diz o milagre, lembra disso?
-Eu sei, mas� -N�o � assim, Tris?
-Sim, assim o �. -Gostaria�
Assim �, Maryam. N�o deve esquecer o milagre.
Um jovem ingl�s veio montado a cavalo sobre uma colina, certo?
Um cavaleiro. Um cavaleiro em armadura brilhante.
Devia t�-lo visto hoje.
Ele parecia um cavaleiro, um cavaleiro ingl�s.
Com a espada e a armadura brilhante.
Teria orgulho dele. Ele estava mais bonito que nunca.
Com exce��o dos votos de cavaleiro. N�o pensou nisso, pensou?
-Qual � o problema? -Seu pai ficaria orgulhoso.
Seu av� tamb�m. Ele foi um cr�dito para eles.
Pelo menos na apar�ncia. Por que n�o usa as botas do seu pai?
Ficariam bem em voc�. Onde est�o?
Vou busc�-las para voc�. Pode us�-las.
Tinha carta tamb�m. � melhor voc� ler ela outra vez.
O que dizia? Era algo sobre honra.
Tris. Tire suas m�os�
Tris.
-Walt, desculpe. -O que h� com voc�?
N�o o reconhe�o. Sempre nervoso e irritado.
-N�o � o Tris que conheci. -Vamos embora.
-Para longe. -Para qu�?
-N�o posso mais ajud�-los. -Voc� n�o precisa ficar.
O que quer que eu fa�a?
-Marche com eles contra a Inglaterra? -N�o devo nada � Inglaterra.
Acho que � tolice continuar a falar disso.
� melhor voc� voltar � Inglaterra.
Acho que voc� n�o tem o que ele disse: est�mago para isso.
-Acho que voc� � quem� -N�o. Vou ficar aqui.
Se n�o quer a mesma coisa, tudo bem. Eu o ajudo a fugir.
Isso combina perfeitamente.
Leve-a com voc� para onde ela quiser.
N�o. Se voc� vai ficar aqui, eu tamb�m ficarei.
Isso � muito bom Maryam,
mas n�o funciona dessa maneira.
Estava tudo bem, mas n�o ficar� mais.
Aonde voc� vai?
N�o pode sair daqui sem um plano.
Vou descobrir como chegar � China.
O que h� com ele, Maryam?
O que faremos?
N�o sei.
Mas nem tudo que ele diz � s�rio.
Acho que ele n�o sabe o que quer.
Mas eu n�o sei o que fazer a respeito.
Voc� est� saindo bem a tempo. Isso eu descobri.
Vamos partir amanh�.
O ex�rcito de Bayan ir� em dire��o � China
e a caravana de presentes seguir� para Khan, para o norte.
Isso significa que de agora em diante acamparemos no meio do ex�rcito.
Voc� n�o teria chance de escapar.
� melhor tentar esta noite.
Sim, � melhor fazermos isso.
Eu iria primeiro para o sul, depois iria para Kinsai.
De l�, o rio corre at� o mar.
Talvez voc� possa voltar dessa maneira.
Sim, tamb�m acho uma boa ideia.
Onde est� Maryam?
Ali.
Vamos partir esta noite, Walter.
Ouvi o que disse ao Tris.
Sim.
Quer se despedir de mim?
Sim.
Fico feliz ao ver que � dif�cil se despedir.
Tris vai cuidar bem de voc�, Maryam.
Pode confiar no Tris.
E eu�
Espero que goste da Inglaterra.
Ele ficar� mais feliz quando sentir aquele aroma novamente.
E�
diga a ele�
-N�o importa. -Sabe, Walter?
Posso ir ou ficar. O que voc� quiser.
N�o. Voc� gostar� mais da Inglaterra.
Seguirei com a coluna.
Para que eles n�o fiquem desconfiados por algum tempo.
Voc� precisa de um bom come�o.
Bom, parece que vai ser um bom dia para um passeio.
Vou verificar os cavalos.
Ent�o, foi voc�, ingl�s.
Foi sua curiosidade como estudioso?
Sabia que estava nos desviando da rota?
-Sabia. -Porqu�?
Sabe o castigo para algo assim.
Por que se arriscou para me prejudicar? Por que quis me prejudicar?
Vamos para o sul e leste para corrigir o desvio.
Quando acamparmos hoje�
tragam-no � minha barraca.
Qual � o problema? Escapamos, n�o foi?
N�o podem nos rastrear no escuro.
Voc� teve parte do seu milagre. Voc� vai para a Inglaterra.
N�o quero mais ir para l�.
Eu sei, Maryam. Eu sei.
Ent�o, havia uma mulher. Devia ter adivinhado.
Uma mulher e um arqueiro que n�o gostava de guerra.
Por que correr tamanho risco por uma mulher? Deve am�-la muito.
N�o.
Est� sendo galante de novo.
N�o quis ser galante.
Se voc� n�o fosse t�o observador, eu n�o estaria aqui agora.
Por que n�o me pediu? Eu a daria a voc�.
-Que diferen�a faz uma mulher? -N�o pensei nisso.
N�o, claro que n�o. Estragaria sua galanteria.
Bem�
deve valer alguma coisa se est� disposto a morrer por isso.
H� uma forma de voc� salvar sua vida.
Poucos homens sobreviveram a isso.
Voc� vai andar o caminho da corda de manh�.
-Boa noite, estudioso. -Boa noite, senhor.
Agora, entenda, ingl�s�
enquanto seus p�s tocarem a corda ningu�m pode bater em voc�.
S� os dois homens com as bexigas de porco.
Os outros podem atingir apenas abaixo da linha.
Pode come�ar.
Levem-no para a barraca.
Voc� � valente�
para um ingl�s.
Entre.
Sou seu prisioneiro ou o qu�?
Voc� pagou pelo que fez.
Suas costas provam isso.
-Gostaria de fazer algo. -Sente falta do arqueiro?
Tenho uma miss�o importante para voc�. Quando estiver pronto.
-Farei isso agora. -Primeiro, escute.
-Viu nossos visitantes? -Trouxeram d�divas pra evitar a luta.
N�o ser� t�o f�cil perto de Kinsai, mas nossa guerra vai bem.
Lutamos apenas uma vez desde que ficou doente.
Tomamos quatro cidades.
Talvez eu devesse permanecer na cama.
Agora, Kinsai.
As pessoas que querem a paz n�o t�m influ�ncia sobre a imperatriz.
Mas que tal se eu o mandar a Kinsai como um viajante importante
um estudioso de outro pa�s. Voc� lhes contaria sobre nossa for�a.
A imperatriz me ouvir�?
Fale com os partid�rios da paz. Far�o com que seja ouvido.
Pode recusar se quiser.
-O risco � grande demais. -N�o, eu irei.
Est� combinado.
Estudioso�
tenho um pouco de pena de envi�-lo nessa jornada.
Se eles o matarem, matarei dez homens por cada fio do seu cabelo.
Tenho uma estranha sensa��o de que n�o o verei de novo.
Se for verdade, sentirei sua falta.
N�o sinto falta de muitos homens.
Ent�o, por sua causa, tentarei n�o morrer.
-Voc� vir� comigo. -O que � isso? Eu�
Est�vamos esperando por voc�.
O que � este lugar?
� o Pal�cio da Magn�fica Ilimitada.
A Generosa e Esplendorosa Imperatriz da China.
O que estou fazendo aqui?
Eu n�o sei exatamente. Voc� deve esperar.
Curve-se v�rias vezes.
H� dois deles ou n�o?
N�o v� que a pele deles � clara?
H� uma profecia ou n�o?
N�o � o seu dever saber dessas coisas?
N�o discuta comigo sobre essa quest�o.
-Voc� vir� comigo. -O que ela quis dizer com "profecia"?
Nada de mal acontecer� com voc�. Longe disso. Por favor.
Esta � a sua casa.
Foi preparada para voc�.
Tris.
Tris.
O que est� fazendo aqui?
-Onde est� Maryam? -Deve estar presa em algum lugar.
Pedi a ela que descobrisse sobre o barco.
-Como chegou aqui? -N�o cheguei at� o rio.
Eles nos pegaram antes de come�armos.
-N�o sabe onde estamos? -Estamos no pal�cio�
porque eu estava falando com a impe�
Espere um minuto. Acho que vamos descobrir agora.
Bom dia, jovens cavalheiros.
Vim dar-lhes as boas-vindas.
Ficar�amos gratos se voc� nos explicasse o que isso significa.
Significa que a profecia das duas aves de cor clara
foi realizada.
� muito antiga.
Diz que, em uma �poca muito perigosa
duas aves de cores claras apareceriam.
E as nuvens do desastre se afastariam como a n�voa.
Imploramos � Sua Grandeza Real para pensar na paz.
Ela j� estava para ceder quando foi informada sobre um estranho
com a pele muito p�lida.
Algo assim nunca fora visto antes.
E isso a lembrou da profecia.
Ela disse que deveria haver outro e os guardas ficaram a postos.
Agora que est�o aqui, ela tem certeza que a profecia acontecer�.
E ela n�o quer mais falar de paz.
O que devemos fazer aqui?
Viver�o aqui para assegurar que a sorte que trouxeram continue.
Por quanto tempo?
Eu lhes disse que esta seria sua casa.
Quer dizer que somos prisioneiros?
As correntes que os prendem s�o de ouro,
mas voc�s n�o devem tentar partir.
N�o posso ficar aqui. Vim falar sobre paz com a imperatriz.
Diga que represento o pr�prio general Bayan.
� tarde demais.
Sua Generosa Excel�ncia est� certa de que foram enviados pelos deuses.
Agora, n�o temos nada a temer.
Os presentes s�o compat�veis com a sua posi��o como deuses.
E recebi ordens de lhes dizer que, se desejarem alguma coisa,
precisam apenas me dizer.
Se isso � verdade, gostaria de fazer um pedido.
Uma garota. Ela estava com meu amigo quando foi preso.
Se sabe onde ela est�, traga-a para c�.
Vou enviar algu�m para cumprir sua ordem.
Esta casa � chamada de a Morada da Felicidade Eterna.
Espero que o nome n�o falhe para os jovens deuses.
E que os jovens deuses n�o falhem na obriga��o
para com este povo que est�o enviando � guerra.
Acho que ele gostar� mais daquele.
O que � isso?
Acho que ele gostar� disso tamb�m.
-Walter. -Agora n�o, Maryam. V� embora.
-Tenho algo para lhe mostrar. -O qu�?
� bonito. S�o meias de seda para as pernas.
-Verei depois. -Est� bem, Walter. Mas � incr�vel.
N�o sei por que se importa.
Levei meia hora para convencer quatro garotas a n�o me dar banho.
-Onde ele est�, Tris? -N�o sei.
Disse que ia ver se os deuses
ainda podiam ter alguma coisa que pedissem.
Ele falou com voc�, Tris? Sobre ele mesmo.
N�o exatamente.
Acho que ele se arrepende de ter ficado bravo com voc�.
E por isso fugiu do general Bayan
-para ficar com voc�. -N�o.
N�o devia dizer essas coisas.
Ele est� aqui e n�o est� mais bravo. Ele vir� conosco para a Inglaterra.
Voc� realmente aprendeu a acreditar nas coisas.
N�o, ele veio em algum tipo de miss�o para Bayan.
Eu n�o quis falar a respeito. Voc� sabe como ele �.
Posso fazer com que ele diga coisas que n�o quer.
E ele n�o pode fazer nada enquanto estiver aqui trancado.
Tamb�m h� outra coisa. � sobre isso.
Ele ficou muito interessado.
Ele disse que n�o s�o escritos � m�o e n�o s�o escritos em couro.
Tem algo a ver com encharcar a madeira
produzir isto e depois usar essas coisas.
Tentei descobrir como, mas ele conhece algu�m na Inglaterra
que daria a vida para conhecer esta maravilha.
Ent�o, deve ser importante. Eles n�o sabem disso aqui.
E na noite passada�
Devia ficar mais contente, sentado no meio de riquezas de gera��es.
Aqui est� um pouco mais para voc�.
Sabe, eu estava certo.
Se h� livros, deve haver ci�ncia neles.
A dire��o da agulha e como fazer livros. E veja o que mais achei.
O que acha que � isso?
Isso � o p� que desaparece num clar�o de luz.
� o que usam nos tubos de fogo.
E se voc� o guardar em algum lugar�
Agora, vejam.
Viram? Bayan estava certo.
Essa � a maior das riquezas, arqueiro.
Ele preferiria ter isso a ter todas as joias da China.
E sabe o que ouviram? Eles ainda n�o sabem.
Mas o que ouviram foram as muralhas de Roma come�ando a cair.
Os jovens deuses j� devem saber das not�cias que recebemos.
N�o. Que not�cias?
O ex�rcito de Bayan tomou quatro cidades desde que voc�s chegaram.
A cidade que resistiu n�o existe mais.
Logo o ex�rcito chegar� aqui, e os jovens deuses n�o fizeram nada.
O que podem os fazer? N�o foi nossa ideia sermos deuses.
Tamb�m n�o foi ideia minha.
Estou em uma posi��o dif�cil.
Se algo acontecer aos jovens deuses
morrerei porque sou respons�vel por eles.
Mas estarei entre os primeiros que Bayan matar� se a cidade resistir.
Se vou morrer�
prefiro o caminho que salvar� a cidade da destrui��o.
Est� tentando dizer que, se vai morrer, voc� prefere a op��o
que talvez conven�a a imperatriz de que n�s n�o somos deuses.
Como se n�s f�ssemos encontrados mortos?
Isso � poss�vel.
Se tem uma ideia melhor, encontre-a logo.
Walter.
Qual � o problema?
N�o consegui dormir. Queria conversar. Por favor, acorde.
N�o pode esperar at� de manh�?
N�o. N�o sei se conseguirei dizer agora, mas se pensar mais
n�o serei capaz de dizer nada.
Est� bem. O que �?
Se o que ele disse � verdade, nunca sairemos daqui
at� morrermos, ent�o�
Ent�o�
Continue.
Sei que voc� n�o me ama.
Mas, se o que disse tamb�m � verdade,
ent�o, n�o encontrar� ningu�m mais para amar, certo?
-Sim. Acho que sim. -Ent�o�
estava pensando
que como n�o pode amar mais ningu�m
e como � poss�vel que fiquemos aqui por pouco tempo
talvez pud�ssemos fingir que voc� me ama
como se fosse no milagre.
Eu gostaria muito disso.
Voc� n�o precisaria fingir muito.
Mas se voc� fingisse por um tempo
talvez se tornasse verdade, j� que n�o h� outra mulher.
-Voc� � estranha. -Mas�
Mas esta casa � chamada de Casa da Felicidade Eterna.
E eu preferia ficar com voc�, mesmo por pouco tempo.
E mesmo que voc� apenas fingisse
do que ter todo o resto do meu milagre.
Maryam.
Qual � o problema?
Acorde, Tris. Acho que ele me ama.
Ah, isso.
Por que escolhe uma hora dessas para descobrir?
Maryam.
-Maryam, sabe costurar? -Onde voc� estava?
-Sim, um pouco. -�timo. Pegue estes casacos
e costure todas as joias que puder dentro do forro.
Fa�a isso o mais r�pido poss�vel.
-Achou um jeito de sairmos daqui? -Sim, achei.
Nosso amigo estava apontando algo. Ent�o, dei uma olhada.
Havia uma porta que estava trancada, mas que agora consigo abrir.
H� uma sala atr�s dela e uma passagem para o rio.
Segui o caminho. H� barcos no rio.
O ataque se aproxima. Muitos est�o fugindo pelo rio.
Agora, o que�
O que n�o gosto nisso � que � simples demais.
Tentei pensar como nosso amigo chin�s.
Apenas nos deixar escapar n�o bastaria.
Se formos mortos quando o perigo se aproxima�
n�o pareceremos deuses.
Ele pode convencer a imperatriz de que n�o fomos de volta para o para�so.
Ele teria a chance de salvar a cidade e a pr�pria pele.
O que voc� acha, Tris?
Ele n�o nos deixou muita escolha.
� melhor esperar at� a noite. Teremos mais chance no rio.
Vamos, apronte-se.
Est� escurecendo. N�o vai demorar muito.
N�o.
-Ainda n�o est� pronta? -Sim, quase.
-Vamos logo. -Sim, Walter.
Desculpe se a colocamos nessa situa��o.
Fico feliz por isso, Walter.
Bem�
-Vamos logo. -Sim.
Isso � seu, Tris.
Se sairmos daqui, voc� ser� um homem rico.
Como se sente?
Claro que, por direito, tudo pertence a Bayan.
S�o as riquezas da China. Mas ele ter� o bastante.
-Walter. -O qu�?
-Estive pensando� -N�o. Isso leva a problemas.
N�o. Preciso dizer isso.
O que acontecer� quando chegarmos ao outro lado do rio?
-Espere at� chegarmos l�. -N�o. Quero dizer�
Descobri algumas coisas. Sobre como fazer livros.
Coisas que voc� disse que algu�m gostaria de saber.
Assuntos da ci�ncia, como a agulha que acha a dire��o.
Achei que para uma ilha�
Pode ser �til para o com�rcio e para a defesa.
O que eu estava pensando�
gostaria que voc� os levasse de volta.
Seria melhor dessa forma.
Acho que devia ser voc�.
Bayan estava certo sobre uma coisa.
Voc� � um poeta, arqueiro. E um bom poeta.
Mas ele estava errado sobre outra coisa.
Ele disse: "O que voc� n�o pode tocar n�o existe".
Ele n�o sabia que era poss�vel
sentir o perfume dos carvalhos ingleses daqui. N�o �, arqueiro?
Ningu�m diria isso melhor que voc�, Tris.
E eu�
Gostaria de pensar da mesma forma.
Eu sinto muito por achar que devo seguir Bayan.
Mas � assim que eu me sinto.
Eu mentiria para voc�, Tris
se tivesse certeza de que n�o sobreviver�amos.
Mas, se sobrevivermos, n�o quero dizer que mudei de ideia.
Estou contente que n�o tenhamos nos separado na barraca�
com amargura e�
E rancor.
Felicidade significa outra coisa.
Espero que n�o consigamos.
Espero que n�o consiga chegar ao rio.
Walter.
Terminei, Walter.
Por aqui n�o vamos sair.
Estava aberta. Ent�o, � isso.
A porta n�o � t�o alta quanto as muralhas de Roma.
Por que n�o pede ao seu amigo Bayan para destru�-la?
Eles chegaram.
-Pode det�-los? -Vamos descobrir.
-Vou tentar. -O qu�?
As muralhas de Roma.
-Passe-a para mim. -Voc� n�o acertaria. Passe para c�.
E tire-a dali.
Tris.
Tris, voc� est� bem?
Voc� est� bem?
Nossos amigos chegar�o logo, leve-a para o barco.
Segure em mim. Cuidado.
Pare de agir como her�i. Como os deter�?
Vai jogar um diamante para eles?
Vamos, leve-a para o barco.
Est� bem.
Fique longe da margem. Eu j� volto.
Walter!
Vamos.
Eu disse que n�o queria chegar at� o rio.
Talvez isso n�o seja preciso.
Do que est� falando?
Voc� precisa voltar � Inglaterra, lembra?
Vamos. N�o pode ficar a� deitado. Vou ajud�-lo.
Largue os meus livros.
V� para as muralhas de Roma e deixe-me em paz.
Olhe s� para voc�.
Voc� tamb�m n�o tem est�mago para isso, n�o � mesmo?
Bem�
eu n�o sei.
Livros.
As muralhas de Roma.
E os milagres.
E os carvalhos.
N�o sei como podem ser t�o�
verdes.
Do que est� falando? O qu�?
Acha que vai morrer na minha frente?
Tris.
Vamos, Tris.
Vamos.
Vamos.
Vamos.
N�o usamos mais essa porta. Se veio fazer com�rcio�
Velho Will, n�o posso us�-la?
Est� tentando me enganar.
Mas � mesmo o mestre Walter.
-Estou feliz em rev�-lo. -Entre.
Entre, Mestre Walter.
Est� tudo igual. E farei as mesmas perguntas.
-Como vai meu av�? -Ele nunca dir�
mas sentiu muito a sua falta.
T�nhamos esperan�as de rev�-lo um dia.
Os homens do rei vieram procurar por voc�.
Havia homens estranhos com eles, como eu nunca tinha visto antes.
Eles tinham uma mensagem para voc�.
-Que mensagem? -N�o sei, mestre Walter.
Disseram que a entregariam para voc� quando chegasse.
Vou avis�-lo.
Est� mentindo, seu bandido. Est� mentindo.
-Eu juro. Ele est� aqui. -Walter meu rapaz.
Vov�.
De onde voc� veio? Pensamos�
Wilderkin, diga ao meu neto�
-Eu falei com ele. Voc� me deixou� -Meu senhor�
O que est� fazendo a�? Quebrei meu juramento.
Wilderkin, diga ao meu av� que foi minha culpa�
Diga ao meu neto que�
N�o adianta. Quando quebramos um juramento, n�o tem jeito.
-O bispo pode dizer� -O que quero com o bispo?
Posso cuidar do meu pr�prio castigo. Eu vou�
-Deixe para l�. Pensarei em algo. -Sim, meu senhor.
E ent�o eu posso falar com ele o quanto eu quiser, n�o posso?
N�o precisamos de voc�. Cuide de seus afazeres.
Sim, meu senhor.
Sim, meu senhor.
Ent�o, a�
A agulha sempre aponta na mesma dire��o, e os livros
deixei em Londres para enviarem ao rei.
Talvez precisem de explica��es. Pedi que me procurassem aqui.
E depois eu vim direto para c� falar com voc�.
Mas eu�
Gostaria de ter algo mais para dizer a voc�.
Tudo isso devia adiantar de alguma coisa.
Eu vi Cant�o. Mas, e da�?
Com toda essa conversa, n�o pude ajudar Gurnie.
E talvez�
talvez se eu tivesse ficado aqui, ele ainda estaria na floresta�
tentando acertar algum animal do rei.
Bem, eu�
devia saber as respostas para os seus problemas.
Sou velho o bastante.
-Mas se eu fosse voc� -Meu senhor.
Eles chegaram. Os soldados do rei.
-Querem ver o mestre Walter. -Traga-os, homem.
Estamos prontos.
H� um homem em Oxford que pode explicar
sobre a import�ncia dos livros e a forma como s�o feitos.
O frei Bacon.
Quanto ao resto, eu�
Achei que a agulha que aponta para a mesma dire��o�
pode ser �til no mar ao nosso redor.
Eu n�o sei.
Mas est� tudo explicado nos livros
e seus cientistas podem ler sobre isso neles.
N�o consigo acreditar na hist�ria dos tubos de fogo.
Talvez voc� tenha visto um drag�o.
Talvez sim.
Voc� nos contou muitas coisas, jovem sax�o.
Menos a parte mais importante.
Contei tudo que sei, senhor.
Tudo menos o motivo de ter feito tudo isso.
Lembro-me muito bem de voc�, jovem sax�o.
Voc� se recusou a entrar no meu servi�o. Foi muito franco sobre isso.
Eu lhe fiz uma pergunta sobre os sax�es e os normandos.
Tenho a sensa��o que a resposta pode estar aqui,
se pudermos encontr�-la neste servi�o que tentou nos prestar.
-N�o fiz isso por voc�, senhor. -Por quem, ent�o?
Por ele.
Ele�
Ele queria as coisas dessa forma.
O arqueiro?
Sim, senhor.
Por que ele queria assim?
Eu n�o sei.
Era algo que ele sentia que�
Eu n�o seio que era.
Bayan dizia que nada existe exceto o que podemos tocar.
Mas existia para ele.
O que ele sentia era claro para ele�
Ele se sentava ali e�
Era como um perfume para ele.
Precisava ser assim. Ele morreu por isso.
Acha que ele descobriu que era ingl�s antes de ser sax�o?
Eu n�o sei.
Os sax�es podem sentir isso por tr�s da amargura.
Podem servir a um rei que gostaria de ser�
ingl�s antes de ser normando.
H� certos detalhes que gostaria de dispor no seu caso
e no caso do arqueiro.
Lembro que havia a quest�o do nome, al�m de outras coisas.
Desejo que voc� permane�a aqui at� eu voltar.
Voc� se ajoelha como Walter de Gurnie
mas levanta-se como Sir Walter Fitzrauf.
E desejamos que seu escudo tenha um arco longo como parte de suas armas.
E como primeiro ato como cavaleiro,
deve colocar este arco, o melhor que pude achar,
acima de todas as armas de Gurnie.
Em sua presen�a, nenhum homem servir� melhor a Inglaterra
do que Tristam Griffin.
Coloque isto sobre o arco
como meu tributo a um homem corajoso.
Fomos enviados de muito longe para falar com voc�.
Se voc� for o homem que Bayan chamava de estudioso.
Bayan.
Se voc� � este homem, tenho algo para lhe entregar.
"Ao meu amigo
Walter, o estudioso."
"Bayan dos Cem Olhos envia-lhe sauda��es e uma mensagem.
Acho que entendo porque voc� n�o voltou para mim
e por que voc� voltou para a Inglaterra.
Ainda n�o acredito na sua tola etiqueta,
mas gosto de homens dispostos a morrer pelo que acreditam
onde quer que estejam.
O arqueiro alto morreu bem.
Acho que voc�s dois teriam morrido por mim se fosse necess�rio.
Ent�o, vou lhe enviar algo
que acho que teria levado com voc� se pudesse.
Ela estar� usando um casaco que voc� reconhecer�.
Tem um forro muito especial.
Tamb�m lhe envio meus soldados
com a mensagem de que eu estaria mais feliz se voc� estivesse aqui.
Maryam?
Ela n�o pode v�-lo at� voc� aceitar o presente.
Meu mestre pensou que pudesse ter se cansado dela.
Maryam.
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