All language subtitles for Cristian e Palletta contro tutti (2016)

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Original subtitles

- J� PENSASTE NUMA COISA? - NUNCA.

SAMUEL BECKETT

N�o acreditem quando vos disserem: "Trabalha muito!"

Ou: "Estuda e h�s de chegar longe." Longe, o cara�as! Isso � tudo treta.

Chamo-me Cristian Proietti e esta � a minha hist�ria.

Tr�s coisas s�o verdadeiras.

Um: � preciso ter sorte na vida.

Dois: aquele golpe de sorte

de que precisamos acaba sempre por chegar.

Para todos.

Tr�s: a sorte h� de me bater � porta.

Estava � tua procura.

- J� me encontraste. - Vamos.

Temos de falar, anda.

Mexe-te.

C� est� ele, senta-te.

- Ol�, Silvanello. - O que vais tomar?

Nada, obrigado. Ainda n�o almocei.

O que � que a mam� te vai fazer hoje para o almo�o?

Tem 30 anos e ainda vive com a mam�.

- Temos uma rela��o muito moderna. - Est� bem.

- O que vais fazer no domingo? - Nenhum.

- Queremos fazer-te uma proposta. - For�a.

Mas aqui n�o.

Qual era o problema do outro caf�? Porque � que viemos para aqui?

Porque aqui fazem as coisas bem.

- Como assim? - N�o metem o bedelho.

Que planos tens, Cri?

Estava a pensar comprar o A.S. Roma.

- Porra, p�. O gajo tem piada. - Tem jeito para a com�dia, sim.

Vamos ao que interessa.

Giogi� Franchini...

Quem � esse?

Um amigo que cumpriu dois anos e agora est� em pris�o domicili�ria.

- Ficou de nos dar uma coisa. - Um envelope.

- Quietinho. - Mas despediste-te...

N�o, dentro do envelope est�o cinco mil euros.

Vais l�, pegas no envelope e tr�-lo aqui.

Se � teu amigo, porque n�o vais tu buscar o envelope?

O Giogi� foi preso por assalto � m�o armada,

furto, tentativa de homic�dio, atentado � bomba...

E abigeato.

- Exato. - Isso � coisa s�ria.

A Pol�cia est� a vigiar a casa dele.

Se me virem a mim ou ao Silvanello, v�o estranhar logo...

E apanham-nos.

Posso saber de onde v�m os cinco mil euros?

- N�o. - N�o.

Faz isso e damos-te 300 euritos.

Ficas bem servido.

Porque � que volt�mos para aqui?

Para te dar tempo para refletir.

Fazes-nos este favor?

- Se fizeres, n�o nos esquecemos. - Se n�o o fizeres, tamb�m n�o.

S�o 300 euros por um envelope...

Aceito.

- Palletta! - Diz, Cri!

- Est�s a trabalhar? - N�o, estou a jogar PlayStation.

Preciso de falar contigo.

Posso ir fumar um cigarro com o meu amigo, patr�o?

S� um, n�o um ma�o inteiro. Temos de tratar de um Volvo.

- Ajuda-me com a Teresa. - Acabaram?

Querias! Tenho de fazer uma cena para o Sergione e o Silvanello no domingo.

- O que �? - Nada de especial.

Tenho de ir buscar um envelope por 300 euros.

O que tem ela a ver com isso?

Prometi-lhe que ia com ela ao casamento da prima em Ap�lia.

Que chatice!

- E que tenho eu a ver com isso? - Diz-lhe que temos cenas combinadas.

- Nem penses. - Isto n�o � nada de especial...

Eu preocupo-me com a Teresa, n�o lhe vou mentir.

- Que belo amigo me sa�ste. - N�o � n�o.

J� que vais receber 300 euros, paga os 80 que me deves.

Vou j� registar isso!

- Bom dia. - Bom dia, o cara�as!

N�o descarregues nele!

Tem calma.

Teresa, o que aconteceu?

O qu�?

- Roubaram-nos 50 kg de mozarela. - Para qu�?

- N�o tem piada. - Para que achas que �?

- Para comer! - V�o borrar-se todos!

Peppe, por favor.

- N�o estou a perceber. - Exato, esquece.

- Chamaram a Pol�cia? - A Pol�cia? Por favor...

Sim, vieram e disseram: "Temos tanta pena!"

- Querem l� saber de mozarela. - Chamar a Pol�cia? �s burro, ou qu�?

- Vamos fumar um cigarro. - Sim, v�o l�.

Sim, faz bem � sa�de e tudo.

- Com quem est� o teu pai a falar? - S�o os homens do meu tio.

S�o os nossos fornecedores de mozarela.

Veem? A vida tira, a vida d�.

V�s como o teu tio gosta de ti?

Ele disse para comprares um vestido bonito para ficares linda,

mas n�o t�o linda como a Rosaria, a filha dele!

N�o vai ser f�cil, pai.

Mesmo que me decapitassem, seria mais bonita do que ela!

Que exagero.

- J� viste a minha prima? - N�o, � feia?

- Parece uma vaca! - V� l�, Teresa.

Temos de preparar a remessa para Copenhaga.

- Vais ao casamento da Rosaria? - Ao casamento da vaca?

A Teresa pode chamar-lhe isso,

e eu tamb�m,

mas tu n�o!

Cumpre o teu dever no domingo, sim?

Porta-te bem.

Que tipo simp�tico...

Nem quis saber do assalto.

Tamb�m n�o � nada de especial.

Porque � que vieste c�? O que se passa?

S� vim dizer-te "ol�".

Treta.

� por causa de domingo...

N�o podes ir, n�o �?

N�o acredito.

Posso saber porqu�?

- A m�e vai para o hospital. - No domingo?

S� operam a ves�cula aos domingos.

- Tenho muita pena. - Pois, eu tamb�m.

N�o pode ir outra pessoa com ela?

O meu pai trabalha e o Paolo tem exame na segunda.

Que chatice! Queria que conhecesses o meu tio.

A filha dele vai casar, � importante.

- Esse tio s� d� chatices, p�. - Chatices?

� meu padrinho. V� l� como falas dele.

At� me deu dinheiro para um vestido!

Eu reparei.

Al�m disso, sou madrinha de casamento! Que desilus�o!

Vou pedir ao Palletta.

- Para ficar com a tua m�e? - N�o, para ir ao casamento.

Ele gosta dessas coisas. At� tem fato e tudo.

�s mesmo atrasado mental.

�s mesmo.

DOMINGO...

- Quem �? - Um amigo do Silvanello.

- Qual � o andar? - Desce.

- N�o percebi. - Desce as escadas!

Meu caro Cristian, ouve bem...

N�o ligues quando te disserem: "Estuda e h�s de chegar longe..."

Isso � tudo treta.

A �nica coisa que importa na vida � ter um golpe de sorte.

Eu digo a mesma coisa, concordo a 100 %.

A vida � uma roda, meu amigo.

E gira cada vez mais depressa.

Olha para mim.

No �ltimo assalto, por exemplo, usei uma granada de m�o.

Uma granada de m�o?

Falsa.

Mas depois tive um enfarte.

Ainda bem que havia b�fias no banco, sen�o teria tido uma morte miser�vel.

Que tristeza!

Sabe, tive o azar de ter tido um enfarte,

mas foi sorte ter l� a b�fia, percebes?

Sorte e azar,

uma sobe, outra desce,

mas nunca se cruzam.

Bem...

Giogi�, tenho de ir andando... Este xarope � uma bomba.

Quanto � que o Silvanello te est� a pagar?

- Trezentos euros. - Que tristeza!

Tenho a certeza de que um dia tamb�m vou ter um golpe de sorte...

Que tal fazermos uma coisa mais interessante?

Desculpe, Sr. Giogi�, com todo o respeito...

Eu sei que na pris�o n�o h� muito por onde escolher,

mas eu gosto muito de febra.

Est�s parvo ou qu�?

Scopetta!

O meu av� ensinou-me a jogar. Ningu�m lhe ganhava.

Giogi�, vou dar cabo de si.

N�o, n�o, n�o.

N�o, n�o, n�o.

Aonde ias todo disparado?

Deste cabo do cabelinho e tudo.

N�o se preocupe, menina, ele gosta de dar uns tombos.

- O que aconteceu? - Perdeste tudo!

Eu sou um especialista. Sou um g�nio do scopetta.

Perdeste cinco mil euros a jogar, ot�rio!

E logo com aquele tubar�o! �s muito burro.

O dinheiro era nosso!

Ia j� buscar...

Escuta, Cri, n�o tenho nada contra ti,

mas cinco mil euros � muita massa.

Como � que ele nos vai pagar?

Nem sequer tem emprego.

Nem qualquer hip�tese de arranjar um.

N�o �, Cristian?

Se tivesses emprego, pagavas �s presta��es.

Eu nem tenho onde cair morto.

Onde � que arranjo cinco mil euros?

J� agora, e os meus 300 euros?...

Mas tu queres ir novo para a cova.

Sergione, tenho uma ideia.

- Diz. - Porque n�o?

Ele merece uma segunda oportunidade.

E de que se trata?

Aqui n�o.

Tens carta?

- Tens carta? - Tenho.

Queres fazer um trabalhinho por n�s?

- Depende... - � uma coisa simples.

Damos-te um carro e tu, como o menino lindo que �s,

vais at� Vaduz, no "Lichenstein".

Onde � que isso fica?

- Na "Spitzerland". - N�o te preocupes, o carro tem GPS.

- Li... - "Lichenstein".

Levas o carro e voltas de comboio. F�cil.

Ent�o, porque � que n�o v�o voc�s?

"Porque � que n�o vamos n�s?" Ora olha l� para n�s.

Ele tem a carta suspensa.

O cadastro do Sergione � t�o grande que at� tem c�digo postal.

O que est� dentro do carro?

- Coca. - Pura.

De 75 %.

- Quanto? - Cinquenta.

- Cinquenta gramas? - Quilogramas.

Batem mal? Se me apanham, lixo-me a s�rio.

- J� viste a pol�cia da fronteira? - Nunca vi uma fronteira!

Viste ou n�o?

Posso pensar no assunto?

Claro.

Saltar caf�s est� a fritar-me a pipoca.

- J� refletiste? - Tenho cara de espelho?

J� decidiste ou n�o?

Se aceitar, se...

Quero 100 mil euros. Para dividir por igual com o meu s�cio.

- S�cio? - N�o vou fazer isto sozinho.

J� est�s a exagerar um bocado.

Farias a mesma coisa.

- Agora, n�s � que temos de refletir. - Vamos refletir agora.

Sergio, esquece esse verbo, contigo n�o funciona.

Cem mil euros?

N�o temos tempo.

Se os gajos nos topam, d�o-nos a comer aos b�falos.

Aos b�falos?

Acho que os b�falos s�o vegetarianos.

- A s�rio? - Sim.

- Ent�o, aos porcos. - Assim j� pode ser.

Esses comem tudo.

Neg�cio fechado.

Mas lembra-te...

Se deres com a l�ngua nos dentes, uma vez que seja...

A tua vida vai valer menos do que a mija que dei de manh�.

Silvanello, n�o vou dar nem um pio.

N�o te esque�as disso.

- De qu�? - De que te tiramos o pio.

Est�s a ver esses fios? O preto e o branco?

Tens de os ligar ao r�dio, sen�o podem causar curto-circuito.

D�-me um pano, depressa.

D�-me um pano! Quando olhar para ti, acena com a cabe�a.

- O pano est� imundo. - O que lhe disseste?

- Que agora trabalho aqui. - Porqu�?

Para ela parar de me moer o ju�zo.

E ela caiu nessa?

Sim, mas tens de alinhar no jogo.

Sinto-me mal por fazer isto � Teresa.

Por favor. S� namoraram durante duas semanas h� s�culos.

- E? - E ent�o deixa-te disso!

- Quando chega o teu patr�o? - � tarde.

H� Internet aqui?

Anda.

O que � isso?

O site de um bando de ganzados que n�o sa�ram dos anos 80.

O chefe chama-se John Benzedrine. Aposto que � um nome falso.

Mas t�m postado umas cenas porreiras, talvez passe por l�.

- Estava a pensar... - No qu�?

Devias mesmo faz�-lo.

- O qu�? - Vir trabalhar para aqui.

Durava mais tempo debaixo de �gua.

Isso n�o me convence, Cri...

Cadastro...

Vais partir o cora��o � tua m�e.

Carta suspensa...

Se te apanham, vais de cana o resto da vida.

E tipos como n�s s�o sempre apanhados.

Deve haver uma forma infal�vel de atravessar a fronteira.

Se houvesse uma forma infal�vel, toda a gente a usava.

A �nica coisa infal�vel s�o 15 anos de cadeia, na Rebibbia. Vamos.

TER�A-FEIRA...

Bom dia.

- Quem �s tu? - Chamo-me Cristian.

Fal�mos ao telefone.

Disse que podia vir falar com o John.

O John est� a falar com o Tudo.

- Com quem? - Com o Tudo.

O Emp�reo.

Vivemos tempos muito tensos, j� n�o h� ordem.

Por isso...

Vamos l� acima e desanuviamos a cabe�a.

Vou cham�-lo. Se ele responder, est� c�, sen�o, podes ir embora.

Certo...

John!

- John! - Que �?

Est� c�, for�a.

- Ele fala italiano? - Ele � de Frattocchie.

Mas esqueceu-se do nome dele e perdeu o bilhete de identidade.

Vai l�, v�.

Posso?

Posso?

Posso?

Senta-te.

E diz-me o que te vai na alma enquanto eu enrolo um charro bem gordinho.

Forever young, mano.

Ent�o...

Sr. John, preciso de uns conselhos.

Basicamente, preciso de atravessar a fronteira

com mercadoria.

Que mercadoria?

Coca.

Como � que fa�o? H� c�es, pol�cias...

N�o quero ser preso.

Tinha 20 anos, estava em Istambul

com 6 kg de haxixe.

Mercadoria da boa do Afeganist�o.

Tentei usar pasta de dentes...

J� viste um c�o turco?

N�o.

Como � que s�o?

Turcos.

N�o lhes escapa nada.

Apanhei dois anos.

J� viste uma pris�o turca?

N�o.

J� fizeste sexo anal passivo?

No sentido de... N�o, n�o... N�o.

Uma pris�o turca � mesmo assim.

� malta da pesada.

Mas eu vou para o "Lichenstein".

Aquilo � praticamente a Su��a.

N�o � melhor?

� o lado positivo de ir parar a uma pris�o su��a.

Podes n�o ser penetrado.

A menos que d�s o teu consentimento. D�s?

Queres dizer... N�o! Claro que n�o! Nem pensar!

Ent�o, vai com Deus, mano. D� cumprimentos meus a Zurique.

"Lichenstein".

VAI COM DEUS, MANO

- Chi�a, isso � que � um charro! - J� est�.

Agora, o John...

... vai fumar.

Depois da primeira passa, o John vai deixar de estar aqui.

Vai ver o diorama da vida.

Onde?

Se quiseres saber alguma coisa,

pergunta agora, porque estou prestes a partir.

Tecnicamente, esta mercadoria � 75 % pura.

� do melhor.

Imaginemos que a Pol�cia aparece

mesmo � minha frente...

E manda-me parar...

Quem �s tu?

O Cristian.

Quem �s tu?

O John.

Ent�o?

J� sabes o que fazer?

A fronteira � um lugar muito perigoso.

Queres atravessar a fronteira sem ser apanhado pela Pol�cia?

� f�cil. Conheces os colombianos?

Quando o meu irm�o atravessou a fronteira com coca,

mergulhou os sacos em chichi de jaguar.

O chichi de jaguar � potente, despista os c�es.

E a coca�na pode atravessar a fronteira muito facilmente.

C�es, chichi de jaguar...

Jaguar!

Jaguar!

Jaguar!

QUARTA-FEIRA...

O que � que queriam, patr�o?

V�s o Golf que deixaram c�?

Mete no elevador hidr�ulico.

- � para mudar o �leo? - N�o, uns ajustes.

Como assim?

Mete-lhe uma chapa de zinco e um fundo falso, percebeste?

- Eu n�o fa�o isso... - N�o me fa�as perder a paci�ncia.

Ouve bem.

Est�s a ver isto?

- Sim. - � papel.

Papel impresso n�o parece l� grande coisa,

mas � daqui que vem o teu sal�rio.

D�-me cabo do ju�zo e dou o dinheiro a algu�m que fa�a o que lhe mando!

Percebeste?

- � para quando? - Para ontem!

- Eles foram l�. - Quem?

O Sergione e o Silvanello. Estou a fazer um trabalho para eles.

- Vou instalar um fundo falso. - Para o carro?

Que grande ideia.

Fui ver o John Benzedrine.

� a alcunha dele. � de Frattocchie e fritou a pipoca toda.

E o que � que ele disse?

Contou-me o que os colombianos fazem para atravessar a fronteira.

- E o que fazem? - Usam mijo de jaguar.

- De qu�? - De jaguar.

Um gajo qualquer de Frattocchie disse-te isso?

N�o, foi a mi�da dele, ela � de l�.

- De Frattocchie? - N�o, da Col�mbia.

De jaguar, � isso?

Vai-te foder, Cri!

- Mas eu tenho uma ideia. - Encontrar um jaguar em Roma? Esquece.

� melhor do que trabalhar por 600 euros por m�s.

- Pronto, fa�o isto sozinho. - At� logo, Cri.

Faz um bom trabalho com esse fundo falso, escravo!

QUINTA-FEIRA...

Palletta, fizeste um bom trabalho com o fundo falso.

- Obrigado. - Mereces isto.

- N�o h� recibo? - Que recibo?

Tenho "gatuno" escrito na testa, ou qu�?

- Ri-te. - N�o tem piada.

- Vai-te lixar. - Vai-te lixar tu tamb�m.

"Nome cient�fico: panthera onca. � do sul da Am�rica Central.

Parece-se com leopardos. Alguns s�o pretos e � raro atacarem pessoas."

Isso � bom.

"Pesam 129 kg e medem dois metros de comprimento."

C'um cara�as, que monstro.

Paolo, j� que �s quase m�dico...

Se algu�m tiver mesmo de mijar, o que � que deve fazer?

Ir � casa de banho.

N�o me expliquei bem...

Se algu�m precisar mesmo de mijar, mas n�o conseguir, o que deve fazer?

Queres saber como algu�m que precise de mijar, mas sem conseguir,

pode acelerar o processo?

- Sim. - Com diur�ticos.

O que � isso?

� um f�rmaco que aumenta a excre��o de �gua atrav�s da urina.

H� muitos princ�pios ativos:

manitol, acetazolamida, bumetanida, espironolactona.

- N�o percebi um caralho. - S�o comprimidos. Tomas um e mijas.

- Compram-se na farm�cia? - N�o, no talho.

Um jaguar!

� um leopardo, do C�ucaso.

- Preciso de um jaguar. - Estou-me nas tintas.

Que simp�tica.

- Desculpe. Posso fazer-lhe uma pergunta? - Est� calor.

- T�m c� jaguares? - T�nhamos.

Para onde foram?

Para onde? Espere a� que j� lhe digo.

- A m�e morreu. - Ai �?

As crias foram enviadas para o Jardim Zool�gico de Berlim.

De Berlim?

- Mas fica t�o longe! - Pois fica.

Porqu�? � parente deles?

Seja como for, basta esperar. Daqui a dois meses, voltam.

Dois meses?

Preciso deles agora.

Espere, volte aqui.

� verdade que os jaguares n�o atacam pessoas?

N�o atacam? Olhe para isto!

E foi s� uma patada. Agora imagine uma dentada.

Ent�o, s�o perigosos?

Porque quer saber? Quer um para ter em casa?

- Sim. - A s�rio?

S� os mafiosos � que fazem isso, n�o as pessoas normais.

Os mafiosos?

Sim, senhor. Est� a ver os chefes da Camorra?

Eles t�m le�es, tigres e jaguares como animais de estima��o.

Dizem que se sentem mais fortes com eles.

H� gente muito estranha. Muito estranha.

Deixe l� isso, preciso mesmo de um jaguar.

Fabio, podes ser sincero comigo. �s meu amigo.

O que se passa com o Cristian?

Como � que se est� a safar no trabalho? Ele porta-se bem?

Discutiu com o patr�o e foi-se embora no dia seguinte.

- � t�o teimoso. - � mas � idiota.

N�o te respeita.

Faz coisas est�pidas, mente... Ele n�o te merece, Teresa.

- Achas que n�o? - Acho.

Tens quase 30 anos.

Acho que est� na altura de encontrares um tipo...

... que seja maduro, que queira assentar e constituir fam�lia.

Mas eu amo o Cristian.

Porque tem olhos azuis, fuma e arma-se em engatat�o?

O gajo � um aldrab�o!

N�o te rias. � um mentiroso!

Ele n�o veio trabalhar comigo.

Sabes onde ele estava no domingo em vez de ir ao casamento da tua prima?

Foi buscar um envelope a um tipo que est� em pris�o domicili�ria.

E perdeu cinco mil a jogar. Eis o teu Cristian.

- Mas ele disse... - Juro-te que � verdade, abre os olhos.

O gajo � um aldrab�o. Desculpa ter de ser eu a dizer-te isto.

Precisas de um homem a s�rio, com emprego,

que queira ter filhos, entendes?

O Antonello tamb�m diz isso.

"Algumas hist�rias de amor nunca acabam, repetem-se."

- Antonello qu�? - Venditti.

Fabio, eu tamb�m te adoro.

- Eu sei! - Mas como amigo.

Eu sei.

N�o � amor, � outra coisa.

- Somos amigos, n�o somos? - "Apenas amigos"...

Tenho de ir fatiar mozarela.

- Pensa nisso. - No qu�?

- No que o Antonello diz. - Sim, est� bem...

SEXTA-FEIRA....

S� preciso de dois dias.

Esquece.

De cinco mil passou para sete mil euros, percebeste?

�s pior do que um banco...

Calma, estava a brincar.

Eu sei...

Estou a organizar-me, mas preciso de tempo, isto � coisa s�ria.

N�o me irrites.

Concord�mos com a quantia exorbitante que pediste,

por isso, vai fazer o que tens de fazer.

Mas faz agora.

Ou n�o tens tomates para isso?

Claro que tenho.

Por falar em tomates, podes pedir ao Sergione para largar os meus?

Est� bem.

Para a pr�xima, corto-os.

Sabes o que a tua m�e me disse?

Ol�, Teresa. O que � que ela disse?

Que tem o f�gado de uma catraia.

Desculpa. � verdade, fiz asneira.

- Tinha algo importante para fazer. - Perder cinco mil euros?

E n�o ir ao casamento? Comes gelados com a testa?

- Quem te contou isso? - O Palletta!

Sacana de uma figa...

- Cri, o que vamos fazer? - Como assim?

Em que p� ficamos, Cri? O que vamos fazer?

Teresa, eu amo-te, mas agora tenho um problema enorme.

Conta-me.

Sou a tua namorada, podes confiar em mim.

Abre-te comigo, partilha o que sentes comigo.

Se n�o te abres comigo, o que ser� de n�s? A comunica��o � fundamental.

Temos de nos apoiar um no outro. Somos uma s� vibra��o.

Toma l� uma partilha: onde � que arranjo um jaguar?

- N�o estou a perceber. - � dose de cavalo para ti. Esquece isto.

S� te digo isto: se continuas a agir assim,

deixo de perder o meu tempo contigo.

Teresa, n�o sejas assim, por favor!

Porqu� um jaguar?

Preciso da foto de um para uma aposta.

- Os jaguares est�o no zoo. - N�o me digas.

J� l� fui, mandaram-nos para Berlim.

- Vai a Brindisi. - Porqu� Brindisi?

N�o � em Brindisi, � em Fasano. � l� o maior parque de saf�ri da It�lia.

N�o sei se sabias, mas sou de l�.

- T�m jaguares? - Claro!

- Foste buscar o teu carro novo? - Fui, porqu�?

Estava a pensar que pod�amos fazer uma viagem rom�ntica a Fasano.

Se tivesses vindo ao casamento, ter�amos ido a Fasano.

Mas n�o foste, logo, v�o para o raio que vos parta, tu e o jaguar.

- Aconteceu uma coisa horr�vel. - O que aconteceu?

O meu tio morreu.

- Qual tio? - O tio Gaetano, de Mesagne.

S� de pensar que o vi no casamento no domingo...

� o meu padrinho, segurou-me quando fui batizada.

O que � que havemos de fazer? S�o coisas da vida.

O qu�? N�o percebi.

Tenho de ir ao funeral amanh�.

Por favor, Cri, vem comigo.

Preciso que me abraces para eu afogar as m�goas.

- Teresa, eu e funerais... - O qu�?

Causam-me ansiedade com aquela choradeira toda...

O que achas que se faz num funeral, ri-se?

Est� bem, vou ver o que posso fazer.

- N�o, decide agora. - N�o sei.

Ouve bem.

O tio Gaetano era a pessoa mais importante da minha vida.

- E da vida da minha fam�lia. - N�o h� mozarela sem ele?

Ou vens ao funeral, ou acabamos. Percebeste?

- Est� bem. - N�o fa�as merda.

Est� bem.

- Ent�o, vais ao funeral? - Estou-me a cagar para o tio dela.

- Ela vai dar-te com os p�s. - Espero bem que sim.

- Quando � o teu exame? - Daqui a uns dias.

- Est�s nervoso? - Um bocado.

Basta um golpe de sorte e pronto.

N�o � uma quest�o de sorte. � preciso estudar.

- Boa noite, Paoletto. - Boa noite, Cri.

S�BADO!

Ol�!

Est�s chateado comigo?

Contaste tudo � Teresa. Deves comer merda �s colheres.

Sabes que n�o suporto mentiras.

Treta, contaste-lhe porque queres saltar-lhe para a espinha.

Podes tirar o cavalinho da chuva.

- Toma. - Que belo amigo me sa�ste.

- Que est�s a fazer? - Vou-me embora.

- Para onde? - Brindisi.

- Nessa mota? - E ent�o?

Nem vais conseguir sair de Roma nisso.

- Parece uma rede de pesca... - Estudei bem o mapa.

Se apanhar a autoestrada, estou l� em tr�s dias e meio.

Vais ser passado a ferro.

O meu pai n�o me empresta o carro e n�o posso apanhar um t�xi!

- E vais a Brindisi porqu�? - Preciso de ir a Fasano.

- O Zoosafari tem um jaguar. - Continuas com essa hist�ria?

- Sim e tamb�m comprei diur�tico. - Para qu�?

Para p�r aquele jaguar a mijar � campe�o.

Explica-me uma coisa.

Se encontrares o jaguar,

conseguires aproximar-te dele sem ser comido vivo,

dar-lhe o diur�tico e p�-lo a mijar-se todo e por a� fora...

Como � que vais recolher o mijo?

- Ao contr�rio de ti, eu penso em tudo. - Boa.

- Com isto. - O que � isso?

� um saco sem buraco.

Um saco?

- Testei-o com �gua. - Boa.

Amarra-se isto � volta da picha do jaguar,

ele mija, tira-se isto

e fica-se com um litro de mijo de jaguar fresquinho.

Vais p�r esse preservativo improvisado na pila de um jaguar?

- N�o sabes o resto do plano. - A s�rio?

� do cara�as. Queres ouvir?

- O que � isso? - S�o sopor�feros.

- Fiquei na mesma. - S�o os comprimidos da minha av�.

- Para qu�? - Vou p�-los dentro da �gua.

E mistur�-los com o diur�tico para o jaguar beber.

Ele adormece e eu poderei atar em seguran�a o saco ao pirilau dele.

Quando acordar, ele mija.

Depois, coloco mais tr�s comprimidos no lombo que comprei no talho.

Ele vai adormecer outra vez e eu agarro no saco de mijo.

- E pronto. - Pronto?

Tr�s comprimidos? Tens a certeza de que funcionam?

Tomei metade de um no outro dia e dormi at� �s 16 horas.

Tens a certeza de que h� l� um jaguar? A certezinha?

Liguei para l� e eles disseram que t�m carradas de animais selvagens.

T�m girafas?

Quem quer saber do raio das girafas?

Eu gosto de girafas, s�o animais estranhos.

Tens no��o do dinheiro que est� em jogo? � o nosso golpe de sorte.

Quanto � que o Sergione e o Silvanello te v�o pagar?

Qual � a piada?

Cem mil euros. Metade para mim e metade para ti, mano.

Quando � que queres ir?

- Agora. - Agora?

N�o, n�o � poss�vel.

Este n�o � o carro do teu patr�o?

- E ele deu-to sem mais nem menos? - � complicado.

Ap�lia ainda fica longe, conta-me.

Nunca estive em Ap�lia.

J� quiseste adormecer e s� acordar dez anos depois?

S� para ver se te sairias bem ou mal.

- J� pensaste nisso? - No qu�?

- No que acabei de dizer. - N�o.

�s mesmo quadrado. Eu gostava de saber como seria.

Daqui a dez anos vais estar no mesmo s�tio.

Contigo?

- Estamos perdidos. - N�o.

Dev�amos ter apanhado a autoestrada, as placas s�o confusas.

Vamos procurar um caf� e pedir informa��es.

Vou contigo buscar o mijo, mas n�o vou � Su��a.

- "Lichenstein". - Tanto faz.

N�o vens porqu�?

Tenho medo.

- Fazes mal. - Pois...

Diz l�, quanto tempo demorarias a ganhar 50 mil euros?

Cerca de sete anos.

Comigo e com o mijo do jaguar, demoravas s� meio dia.

Podias arranjar a tua pr�pria oficina

e nunca teres de voltar a trabalhar para aquele patr�o de merda.

J� trataram disso.

- Do qu�? - A garagem fechou.

- Porqu�? - Prenderam o meu patr�o.

Mais uma raz�o para vires comigo.

J� consigo imaginar: "Fabio Menoni - Mec�nico"!

- N�o... - N�o?

- N�o! - Porque n�o?

Posso partilhar um segredo contigo?

Sempre sonhei ser...

... eletricista auto.

Est� bem, Palletta.

Seja como for, tens de vir comigo ao "Lichenstein".

- Sou o teu golpe de sorte. - Ent�o, estou lixado...

- De quem � a coca? - Sei l�.

- Porqu�? - � imensa.

Parece ser coisa da m�fia Camorra.

O Silvanello e o Sergione s�o uns z�s-ningu�m.

Nem por isso. Foram os dois de cana uns tempos.

- Pois... - Que � que isso interessa?

- Quanto � que ela vale? - Um milh�o.

Dev�amos roub�-la e fugir.

Queres mesmo fazer isso?

Estou a gozar, 50 mil chega.

- Vamos ca�ar o jaguar. - � assim mesmo!

Grande homem!

Ent�o, caralho?

- Ent�o? - Tocaste-me.

- Mal encostei a m�o! - Mijaste com essa m�o!

N�o te rias, seu ot�rio.

- Anda c�, Palletta. - O que foi?

Olha. Este circo tem um jaguar.

"Morada: Stroppafossa." Onde � isto?

- Tamb�m t�m uma girafa an�. - Isso n�o existe.

- O qu�? - Deve ser uma cria.

E, quando crescer, soltam-na.

Devem vend�-la, n�o achas?

Como � que ser� uma girafa beb�?

Quero v�-la!

- Nunca vi uma! - Deixa de ser chato, anda.

Que idiota.

Sempre em frente.

- Para onde? - Em frente!

Vira aqui � esquerda.

- Aqui? - Sim.

- Tens a certeza? - � o que diz o mapa.

Espera, espera...

Encosta aqui. Aqui.

- Parou! - Ent�o...

- "Circo Meroni, 1,8 km de dist�ncia." - Com a breca...

Deixa-me ler aquela placa.

"Circo Meroni, 2,5 km." Como assim?

Mudou de s�tio?

Devem ir mudando de s�tio, como os ciganos.

- Que raio est�s para a� a dizer? - � verdade. Precisamos de sorte.

Ri-te, ri-te...

Espera, Palletta. O que � que diz?

"Quase l�"!

- O que � aquilo? - � uma placa.

Palletta, �s muito burro.

- O que est�s a fazer? - O circo fica por ali?

N�o, fica na �rvore, queres ver?

- O que est�s a fazer? - � uma lembran�a.

O jaguar

Porque n�o, porque n�o?

O jaguar, porque n�o?

O jaguar, porque n�o?

Bela merda.

Acho que cheg�mos tarde.

Devem ter comido o jaguar.

N�o h� nem jaguar nem girafa.

Esquece l� a girafa.

Viva! Est� aqui algu�m?

- Morreram todos? - Sim, de fome.

Que cheiro � este?

Mijo, v�mito, merda e muito bolor.

O que procuram?

- O que � isto? - N�o sei.

- Pertence ao circo? - Obviamente! Porqu�?

O que querem?

Deixa-me ser eu a falar.

Estamos � procura do diretor do circo.

O patr�o n�o est�, falem comigo.

- O senhor � o respons�vel? - Mais ou menos.

E ent�o? Querem falar com o patr�o, ou n�o?

H� algum s�tio que cheire menos a morte?

Vamos para a roulotte, � mais fresquinha.

- Podemos beber um copo. Venham da�. - Est� bem.

Desculpem l� a confus�o.

Esta � a minha patroa.

Desculpem-na por n�o se levantar, ela pesa para a� uma tonelada...

Alfredo, entras assim com convidados? Est� tudo desarrumado e estava a dormir.

- Vai-te lixar, p�! - Porra!

N�o digas asneiras, sen�o ficas a bal�es de soro!

Desandem daqui! Estou para aqui quase nua! Desandem!

� melhor irmos embora.

- Adeus, minha senhora. - Passe bem.

Vamos.

Ainda bem que n�o me magoou muito.

Vamos sentar-nos � sombra. J� agora, chamo-me Alfredo.

- Muito gosto. Cristian. - Prazer.

Venham sentar-se aqui.

O que querem beber? �gua, cerveja...

Refrigerante?

- �gua, Alfredo. - Refrigerante.

- �gua e refrigerante. - Obrigado.

Ela gosta de ti.

Caramba...

Aqui est�. �gua.

E um pouco de refrigerante.

Tudo bem fresquinho.

Refrigerante � que �. Ent�o, digam l�.

Olha, Alfredo...

Temos uma proposta que pode parecer esquisita...

- Mas n�o �. - S�o paneleiros?

- N�o. - N�o, Alfredo. N�o � isso.

- Ent�o, digam l�. Sou todo ouvido. - "Sou todo ouvidos." � assim que se diz.

S� tenho um ouvido a funcionar.

Pronto.

Vimos nos vossos cartazes que t�m muitos animais, � verdade?

Claro que sim. Temos a girafa mais pequena do mundo.

� t�o pequena como eu. A natureza pode ser muito estranha.

- Pois pode. - Mas...

- Posso ver a girafa? - N�o d�. Est� a dormir.

Estamos mais interessados nos felinos.

N�o est�o � venda. Gostamos muito deles.

- N�o queremos compr�-los. - Querem tirar fotos?

Precisamos de... T�m um jaguar?

Claro! Chama-se Franco.

- Precisamos do chichi do Franco. - Do chichi?

Do chichi.

Posso perguntar para que precisam do chichi do Franco?

- � para uma coisa... N�s pagamos-te. - Mil euros.

- Quanto? - Mil euros por litro. Ouviram?

Sabem porqu�?

Porque � um pedido estranho.

N�o sei porque precisam disso, mas vieram de Roma para arranjar chichi de jaguar.

N�o h� muitos jaguares por aqui, isto n�o � a Am�rica do Sul.

Portanto, deve ser por dinheiro, e eu tamb�m quero carcanhol.

- Alfredo, mil euros? A s�rio? - A s�rio.

Acho que ele pode ir apanhar no rabinho.

- N�o �? - Concordo.

Adeus!

J� n�o querem mijo de jaguar?

- Vamos arranjar isso em Fasano. - N�o h� jaguares l�.

- Tens a certeza? - Tenho.

Qual � a vossa contraoferta?

- Quanto � que tens contigo? - Nada. S� 50 euros.

- Precisamos de atestar para voltar. - O dep�sito est� cheio.

- Cinquenta euros, � pegar ou largar. - Alfredo!

O que foi?

Esperem a�.

Ent�o?

- Vamos esperar. - Estou farto disto, vamos embora.

- Nem posso ver a girafa. - Esquece isso.

Espera, acho que � a mulher-texugo que manda.

Ela vai aceitar os 50 euros. Vai durar-lhes o ano inteiro.

- Aposto que sim. - Podes crer.

- Podem ficar com ele de borla. - Com o qu�?

Com o chichi.

Ali a senhora � a dona disto tudo.

- Diz que podem ficar com ele de gra�a. - Fant�stico!

Mas ela quer uma coisa em troca.

- O qu�? - Tu.

- Eu? - Tu.

Se afogares ali o ganso, ela d�-te o chichi de borla.

Mas n�o � negoci�vel.

Vamos s� ali a um caf� refletir sobre isso...

N�o h� caf�s por aqui.

S� h� aquela gamela.

- O qu�? - A gamela de beber das ovelhas.

N�o consigo.

- Como assim? - N�o consigo ir-lhe � espinha.

- S� tens de te concentrar. - Em qu�?

Numa coisa que gostes. Diz l� uma coisa.

De rata.

Uma coisa mais espec�fica.

Uma mi�da de quem gostes. Concentra-te na Teresa.

Se fizer isso, j� fui!

Gosto da Alessia Marcuzzi.

�timo, concentra-te nela. Finge que est�s a pinar com ela.

Palletta, cabem oito Alessias Marcuzzis naquele pote de banhas!

Ainda melhor, finges que � uma orgia com a Alessia Marcuzzi,

ali�s, oito Alessias.

Ficas com 16 tetas, 16 n�degas e oito bocas!

Percebeste, Cri? Tens a� uma orgia linda! Relaxa.

- O que foi? - N�o.

N�o consigo.

Isto seria o que eu faria: pensava na Alessia Marcuzzi.

Quando estivesse de pau feito, entrava de olhos fechados

e concentrava-me na boca, nas mamas e no rabo da Marcuzzi.

- Com os olhos fechados? - Fechadinhos!

E como � que eu me oriento? Precisaria de um GPS intergal�ctico!

Teria de cortar a banha como se estivesse no mato!

Se acabar por me orientar,

vou ter aquela bela vista � frente e adeus Marcuzzi!

E mesmo que eu me oriente, j� pensaste no que deve haver l� dentro?

Lodo, calamares, ratos mortos, crian�as, uma toalha!

Tem calma e ouve-me.

Arrastaste-me para aqui por causa do maldito jaguar.

Levei o carro do meu patr�o... Vou contigo � Su��a.

- "Lichenstein"! - N�o interessa! Tens de fazer um esfor�o!

S�o cem mil euros, s� tens de quilhar um elefante-marinho.

- Uma baleia! - � a mesma coisa! Vais e pronto!

� uma hora que equivale a dez anos de vida. Cri!

Imagina: "Fabio Menoni - Eletricista Auto".

"Estou-me a Cagar. A Loja � Tua, N�o Minha".

Este � o nosso golpe de sorte.

Foder uma baleia n�o � sorte, � um pesadelo.

A vida custa, Cri.

- Podia ser pior. - Como?

Podias ter de quilhar o Alfredo.

Tenho de fazer uma coisa

muito, muito dif�cil.

� uma coisa terr�vel.

Posso n�o sair vivo desta.

Se n�o me voltares a ver,

fica sabendo que te amo a ti e s� a ti.

Hoje?

O funeral do tio Gaetano?

N�o est�s a ver este berbicacho. Eu � que preciso de um funeral.

A Teresa...

- Chateou-se? - N�o sei, desligou.

- Tem um feitio de merda. - Trata-a melhor, Cri.

N�o tens nada a ver com isso.

Al�m disso, isto n�o est� a ser f�cil.

- Queremos mesmo o mijo? - Queremos.

- Vamos mostrar-lhe quem somos. - Quem eu sou...

- Pronto. - Pronto.

Pronto...

- N�o consigo. - Despacha isso de uma vez. V� l�, Cri.

V� l�.

- Bom dia. - Gostas das minhas pernas?

Gosto.

Despe-te.

� para me despir?

Est� bem...

Que jeitoso.

N�o vejo ponta de gordura, s� m�sculo.

- Jogava futebol. - Anda c�.

D� um beijo � mam�.

Isto j� � dif�cil por si s�, a minha m�e n�o � para aqui chamada.

Anda c�!

N�o te preocupes. A roulotte aguenta. Senta-te aqui.

- Onde me sento? - � minha direita.

- A s�rio? - � direita.

Morde-me as mamas!

Come-me toda!

- Morde-me as mamas! - Estou a sufocar, minha senhora!

Estou curioso, aquela senhora gorda da roulotte

� a mulher-bala?

N�o, essa � outra.

� pequena e magra para poder voar.

Ent�o, ela � o qu�, o canh�o?

- Que tal um strip? - Nem pensar. Preciso de uma pausa.

Isto n�o est� a acontecer. � imposs�vel.

- Tem alguma revista pornogr�fica? - N�o.

A Maxim?

A Elle, a Cosmopolitan? Uma revista crist� qualquer?

N�o, s� tenho revistas de palavras-cruzadas.

- Quem est� na capa? - O Claudio Amendola.

N�o serve.

Vou usar a mem�ria.

Porqu� tanta tristeza?

N�o acredito.

Voc�s est�o juntos? A s�rio?

C'um catano...

Estava s� a brincar h� pouco.

Se gostas de mulheres roli�as, tens ali um mulher�o, Alfredo.

Ela � tudo para mim.

- V�, pensa na tua sa�de. - N�o.

N�o, n�o...

- Isso � a minha p�lvis. - Desculpe.

- Para a direita. - Aqui?

Mais para baixo.

Diga "frio", "quente" e a "escaldar". Assim, � mais r�pido.

Frio.

- Frio. - Os meus bra�os n�o aguentam mais.

Quente.

Meu Deus.

Neste momento, n�o tenho namorada.

Estava apaixonado por uma rapariga, mas acab�mos. Ela est� com um amigo meu...

Mas vai estar sempre no meu cora��o.

N�o te preocupes.

E deixa-me que te diga...

V�-se que ela te ama.

- O amor ganha sempre, Alfredo. - A Juventus.

A Juventus � que ganha sempre.

Que est�s para a� a dizer, ot�rio?

- Alessia, Alessia, Alessia... - Quem � essa? Chamo-me Esther.

Estou a tentar concentrar-me. Alessia, Alessia, Alessia...

Alessia, Alessia, Alessia...

Alessia, Alessia, Alessia...

Alessia... Sim, Alessia!

- Ainda est�s a sofrer? - Muito.

- S�o casados? - Estamos noivos.

Alfredo, ent�o casa com ela, para que ela n�o volte a fazer isto.

As mulheres querem � casar.

- N�o posso. - Porqu�?

- Ela � minha prima. - Por amor de Deus... Alfredo!

Acho que j� acabaram.

- Eu vou l� ver. - � melhor.

Cri! Cristian!

Cristian? Levanta-te!

Est�s-me a ouvir? N�o...

Vamos, levanta-te! Tu consegues!

Toma �gua. Lindo menino.

Tens aqui �gua, bebe.

N�o chores. Bebe. Faz isso, mano.

V� l�.

N�o chores, mano.

Bebe!

Lindo menino.

Eu sei...

� a tua vez, Alfredo.

Eu vou busc�-lo.

Cri.

Fizeste um excelente trabalho.

N�o consigo deixar de pensar

na cara dos nossos amigos quando lhes contarmos!

Se disseres uma �nica palavra,

dou cabo de ti.

Est� bem.

J� vem a�. Vamos buscar o mijo.

Aos tr�s. Um, dois...

Irra, cheiras mal! E tr�s.

V�. J� est�.

Aqui est�, o chichi do jaguar.

- Foi r�pido. - Sim, fiz assim...

E ele mijou logo.

Foi f�cil.

- Boa, Alfredo. - O Franco � bom rapaz.

- A s�rio? - Sim, � um bom animal.

- Tenho uma d�vida. - Qual?

Porque tens a braguilha aberta?

Segura aqui.

Fabio, n�o o mates.

Filho da...

Onde est�?

J� chega, Palletta.

- N�o o mates, por favor. - Porqu�?

Eu � que quero matar esse merdas.

- Onde est� o jaguar? - S�o tempos dif�ceis!

E v�o ser mais dif�ceis se n�o me disseres onde est� o jaguar.

- Bem, o Franco, o jaguar... - Estamos a marimbar-nos para o nome.

- Vendemo-lo. - A quem?

Diz-me j�, sen�o fa�o-te beber mijo e mando-te para o maneta depois.

- O que querem de mim? - Segura em mim.

Magoaste-me!

- Responde, a quem o vendeste? - Ao Gaetano Ruotolo.

- A quem? - � um tipo de Pozzuolo.

- Onde fica Pozzuolo? - � aqui perto.

- Leva-nos l� agora. - N�o, nem pensar.

Ouve l�, caga-tacos. N�o �s tu que decides.

Fa�o-te beber o mijo e dou cabo de ti depois.

Se vos levar at� l�, morro na mesma.

N�o necessariamente.

- A s�rio? - Logo se v�. Anda.

Tenho uma coisa para ti.

Virem na pr�xima.

Limpa-te, cheiras mal.

Posso saber para que precisam do chichi?

Mete-te na tua vida!

O Ruotolo n�o � para brincadeiras.

- � melhor voltarmos para tr�s. - N�o, meu caro.

Viemos de Roma de prop�sito e at� fodi a baleia nojenta.

- Tem calma, ela � a mi�da dele. - Isso � problema dele.

Podes ofend�-lo.

Ofend�-lo? Devia era dar cabo dele.

Para ti, � f�cil, �s jovem e bonito. Tens mulheres aos pontap�s.

- J� olhaste para mim? - Infelizmente.

- Ele tem raz�o, n�o arranja melhor. - Al�m disso, estou apaixonado por ela.

Conhecemo-nos quando apanhava esterco nas jaulas.

- Olhou-me nos olhos... - Ela abaixou-se, Alfredo?

Um bocado. Ela pesava menos nessa altura.

Olhou-me nos olhos e disse:

"Ol�, beb�!"

- Chamou-te "beb�"? - Sim.

- Beb�! - � verdade.

- � um bocado exagerado. - Porqu�?

"Beb�" � uma coisa doce e bonita, n�o um aborto como tu.

- Era um beb� fofinho. - Est� bem.

Nem todos os beb�s s�o iguais. H� le�es beb�s, ratos beb�s...

- Mosquitos beb�s. - Minhocas beb�s.

- Baratas beb�s! - Repelente para beb�s!

V�o-se foder.

Estaciona aqui.

Cheg�mos.

A casa � aquela.

Lembrem-se...

Eu n�o vos disse nada. Nem sequer me conhecem.

Vou voltar para casa, adeus!

Espera l�!

V�o ser enrabadinhos de certeza.

Raio do caga-tacos.

- E agora? - Pois...

- Vamos. - Onde?

Bater � porta.

- E depois? - Abrem-nos a porta.

E quando perguntarem: "O que �?"

- Eu digo: "Preciso de mijo de jaguar." - Pronto. E se perguntarem porqu�?

Digo: "N�o � da vossa conta"... N�o sei, improviso. Vamos..

O minorca que se lixe, vamos!

- Ent�o? - O que foi?

Arranca.

N�o gosto disto.

- Vamos esquecer isto. - N�o posso.

Sabes o que o Sergione e o Silvanello me faziam?

- Mas a mim n�o faziam nada. - Que belo amigo me sa�ste.

N�o � estranho que o tipo que nos trouxe c� se tenha posto a milhas?

Ent�o, fica aqui. Eu vou l� e volto com o mijo.

- Tu bates mal. - N�o, Palletta. N�o bato.

Estou desesperado, � diferente.

Um golpe de sorte s� aparece uma vez na vida.

Esta � a nossa oportunidade.

- Vamos l� ao invent�rio. - O qu�?

� inspe��o.

- �gua. - �gua.

- O lombo. - Est� aqui.

Est� h�mido, que nojo!

- O elefante-marinho foi bem pior. - Baleia, ali�s.

- Os comprimidos? - Est�o no bolso.

- O saco? - No outro bolso.

- Boa sorte. - Obrigado.

Entre.

Com licen�a.

Pouse a �gua e entre.

E tu?

Quem �s?

Sou o Cristian.

Beija-o.

- Desculpe? - O Gaetano!

Beija o Gaetano.

Na testa.

Beija o meu querido Gaetano.

Os meus p�sames.

Com licen�a, adeus.

- Cristian. - Teresa.

- Teresa. - Vieste?

Que querido, obrigada.

- Pai, olha quem est� aqui. - Muito bem.

Foi simp�tico da tua parte vires despedir-te do tio Gaetano.

- �s um tipo com princ�pios. - Certo.

O pai tem raz�o.

Podes ser uma besta quadrada...

- Mas tens respeito. - Claro.

- Minha senhora, os meus p�sames. - � horr�vel...

- Sem d�vida. - Obrigada por teres vindo.

De nada.

Que querido!

Deixa ver se percebi. O Gaetano...

O Gaetano Ruotolo � teu tio, o tipo da mozarela?

Sim, porqu�?

Ningu�m mo apresentou...

- J� � tarde, est� morto. - Eu sei.

- Como � que morreu? - Nem vais acreditar.

Foi mordido por um jaguar. Comprou-o a um circo.

Gostou dele, disse que o fazia sentir-se forte.

O que se h� de fazer? � como diz o Eros... "S�o coisas da vida."

Querias ver o jaguar. N�o querias?

Onde � que ele est�?

A tia trancou-o na cave, n�o se pode entrar.

- Porqu�? - Quer fazer dele uma passadeira.

- O que � isso? - � um tapete.

- Quer mat�-lo? - Claro, matou o marido dela.

Preciso de ir mijar imediatamente.

Entra l�. Porque � que andas com �gua?

Com este sol, preciso de me hidratar.

- N�o admira que tenhas de fazer chichi. - Pois �.

- Depois podemos falar? - Durante horas.

- Obrigada. - Somos uma s� vibra��o.

- Obrigada. - At� j�.

O quarto de banho � por aqui?

Sim, � � direita.

Mas n�o des�a as escadas, v�o dar � cave.

O acesso est� vedado.

Boa, j� posso ir? Obrigado.

Est� a� algu�m?

Fechem a merda da porta!

Tem calma, � s� �gua.

V�, bebe.

Bebe.

Lindo menino, bebe...

V� l�...

Aqueles sopor�feros s�o brutais.

- Palletta, consegues ouvir-me? - Sim, o que se passa?

Estou aqui com o jaguar.

- A s�rio? - Est� a dormir.

Boa! P�e-lhe o saco.

- N�o posso. - Porqu�?

Porque � uma f�mea!

- O Franco � f�mea? - Deve ser o diminutivo de Francesca!

Raio do caga-tacos! E agora?

N�o posso p�r-lhe um penso higi�nico!

N�o, isso absorve, precisamos do mijo.

Tenho de me despachar, ou ela acorda.

Fita adesiva. Fita adesiva para autom�veis.

E uma chave-inglesa e um alicate j� agora. Est�s bom da cabe�a?

Tem l� calma e ouve!

Faz uma esp�cie de fralda � volta do corpo com o saco, percebeste?

- Faz uma fralda! - Onde � que vou arranjar a merda da fita?

Procura!

Tenho de me apressar, a tia dela quer matar o bicho.

- A tia de quem? - Da Teresa.

A tia da Teresa quer matar o jaguar?

- Quer fazer uma passadeira com ele. - O que est�s para a� a dizer?

Andaste a beber, Cri?

Caralho para o gajo!

Boa!

Cri!

- Consegues ouvir-me? - N�o, espera!

Cri, o que disseste sobre a Teresa?

O tio da Teresa

� o tio Gaetano, aquele que comprou o jaguar.

N�o percebi nada, n�o consigo ouvir...

- N�o te consigo ouvir! - Cri...

- Ouves-me? - N�o consigo ouvir nada.

Aborta a miss�o. O Sergione e o Silvanello est�o mortos.

Que aborto? Que est�s para a� a dizer?

Entre.

V� prestar homenagem ao Gaetano.

Fabio, tamb�m est�s aqui?

- Onde est� o Cristian? - Pareces um azeiteiro.

Que bom ver-te outra vez...

- Mesmo numa ocasi�o destas. - Sim.

Fausto, �s bom rapaz.

- Pois... - Que nojo, p�!

Que bom teres vindo, Pellecchia.

- Fizeste uma boa a��o. - Obrigado...

Vamos ver o tio Gaetano.

- Onde est� o Cristian? - No quarto de banho.

- Tira-o de l�. - Porqu�? Tem problemas de pr�stata?

Consegui!

V� s�, deve ser pelo menos...

Que est�s aqui a fazer, Palletta? N�o interessa...

J� podemos ir embora.

- Minha senhora, os meus p�sames. - Exato.

- Desculpem o inc�modo, adeus. - Adeus.

Diz � tia o que tens na m�o.

Isto, tia?

Sim, o que � isso?

� l�quido.

De que tipo?

Encontrei-o na garagem e preciso dele para...

� mijo.

� mijo. Mijo de jaguar.

Para qu�, querido? Diz l� � tia...

Palletta, ajuda-me.

N�o � para nada. Vamos deix�-los em paz. N�o vamos, Cri?

- Larga o saco e vamos embora. - O qu�?

- Est�s maluco? - Larga o saco.

- O que � que se passa? - N�o � da tua conta.

J� chega! Calem-se.

Quem � esse?

- � o meu namorado, tia. - E o outro?

- � meu amigo. - Sim.

N�o pode...

Agora, algu�m que me explique

porque � que o teu namorado veio a minha casa,

num dia t�o triste...

... para recolher o chichi de um jaguar que pertencia ao meu pobre marido?

N�o sei, tia.

- Porqu�? - Porqu�?

� muito estranho.

N�o �?

Namorado da Teresa,

explica-te l�.

N�o posso entrar agora em detalhes...

� para os c�es...

Os c�es... N�o digas "Pol�cia"!

- C�es! - Exato.

Na Col�mbia, quando n�o querem que os c�es lhes apanhem o rasto,

usam chichi de jaguar.

- Qual � a piada? - Vamos pirar-nos.

- N�o acredito... - O jaguar...

Precisam do chichi do jaguar para um disparate desses?

Como assim?

H� anos que transportamos mercadoria pela fronteira.

- Conta-lhes, Giovanni. - O que acham que eu e a Teresa fazemos?

Embalamos mozarela cheia de droga e cobrimos com...

Leite.

N�o percebi o que ela disse.

- Que tipo de leite? - De b�falo.

- Leite de b�falo... - De b�falo?...

Cri, quem te deu a mercadoria para levares pela fronteira?

Isso agora n�o interessa.

- Devia dizer-lhe. - N�o, porra!

Foi o Sergione e o Silvanello.

N�o tenho a certeza se s�o c�mplices deles...

Mas eles roubaram-me a droga.

Lamento.

Minha senhora, n�s n�o sab�amos, juro.

- Sim. Mal os conhecemos. - N�o sab�amos!

Pronto.

Aonde isto chegou.

Quem sabe, talvez na pr�xima vida...

N�o posso correr riscos, percebem?

Acreditam na reencarna��o?

N�o. E tu, Palletta?

- N�o sei... - Vamos dizer que n�o.

- N�o. - N�o.

Que pena!

Isso deixa a tia muito triste.

Tia Filomena, somos praticamente parentes. Isto n�o me parece correto.

Tia... Isto � t�o medieval!

- Teresina, querida, tira-nos daqui. - Por favor.

At� te tirava, Cri, mas sabes como �...

N�o, como �?

Desrespeitaste a minha fam�lia, j� no casamento da Rosaria.

J� chega de falar na vaca!

- N�o piores as coisas! - Como � que isto pode piorar?

- Eu queria ir ao casamento. - N�o foste convidado.

- � verdade. - Ele devia ter ido.

N�o tenho fato!

Al�m disso, envolveste-te com aqueles dois...

- Claro que n�o! - Percebeste mal!

Devia-lhes cinco mil euros. Arranjei este esquema para me safar.

J� chega, Cri, por favor. Seja como for, amava-te.

Se me amas, tira-me daqui, amor.

N�o posso, a fam�lia j� decidiu.

Est� bem? Vou ter saudades tuas.

- Adeus, Cri. - N�o, por favor!

Adeus, Palletta. Gostava muito de ti, sabias?

Teresa, espera...

Amo-te, n�o me deixes aqui.

- Fala com a fam�lia, por favor. - Adeusinho.

Teresa!

- N�o podes deixar-nos aqui! - Aonde vais?

- Anda c�! - Teresa!

- Foi mesmo embora. Raio da mulher! - Calma, n�o digas isso.

Calma, o cara�as! Quando soltarem os porcos, estamos feitos!

Lembras-te de dizeres que querias acordar daqui a dez anos?

- E? - Eis o que ia acontecer.

- N�o, n�o, nem pensar! - Porque raio � que vim contigo?

Tu e a merda do jaguar que v�o para a puta que vos pariu!

Estaria desempregado, mas vivo.

Digo-te uma coisa.

�s um verdadeiro amigo.

A s�rio. Ali�s, �s o meu �nico amigo.

Tu tamb�m, Cri. A s�rio.

Desculpa.

Eu ainda me arrependo mais.

Mas est�vamos quase a conseguir!

- A fralda funcionou. - �s mil maravilhas!

Recolhi mais de um litro de mijo.

E estes canalhas usam leite de b�falo. Isso � muito f�cil.

Os b�falos s�o f�ceis de encontrar e n�o s�o perigosos.

- E n�o s�o carn�voros. - S�o omn�voros?

N�o, os porcos s�o omn�voros. Os b�falos herb�voros.

A s�rio?

V�o dar-nos de comer aos porcos, n�o aos b�falos.

- Tens raz�o. - Pois.

� esta a minha hist�ria.

N�o h� muito mais para contar, claro.

A �nica li��o �:

"Quem nasce com azar, morre com azar."

O golpe de sorte pelo qual esperava ou chegou tarde, ou n�o existia.

Cri?

- Cri. - O que foi?

Prometes n�o rir se te contar uma coisa?

At� sabia bem rir um pouco.

- Sabes o que me chateia mais? - Diz.

Vou morrer...

... sem nunca ter pinado.

Nunca, Fabio?

Nunca.

Bem, deixa-me que te diga...

N�o perdeste grande coisa.

S�o todas umas rameiras. A s�rio.

Pois...

Eu disse que iam ser enrabados.

Alfredo...

- Cri, � o Alfredo. - Est�s a delirar.

� o Alfredo! Olha!

- Alfredo! Anda ajudar-nos! - Anda c�!

Tira-nos daqui.

N�o sei, deixem-me pensar no assunto.

- Alfredino, v� l�, amigo. - Ajuda-nos!

O problema � descer daqui.

Este muro � t�o alto...

Como � que des�o?

Valha-me Santa Engr�cia.

- Alfredo! - Despacha-te!

Calma. Cada um tem o seu ritmo.

- Fala baixo. - Escava baixinho, mas com for�a.

- Baixinho ou com for�a? - V� l�, Alfredo!

Decidam-se.

Alfredo, escava baixinho, mas com for�a. Com for�a e baixinho.

Depressa e baixinho. Est� bem, Alfredo?

- Vou deixar-vos a�. - Fala baixo!

� que est�o a p�r-se a jeito.

Alfredo, deste �ngulo pareces alto.

- Pareces t�o alto. A s�rio. - Obrigado.

E bonit�o tamb�m.

- Despacha-te. - Obrigado pelo elogio.

Que homem t�o simp�tico. Mexe-te.

Quem diria que o Alfredo seria o nosso golpe de sorte!

- Alfredo, despacha-te! - Anda!

A p�!

V� l�, corre!

- Santa M�e de Deus! - Vamos!

Filhos de uma grande puta!

Cabr�es!

Vamos!

Conseguimos!

Imbecis!

V�o-se foder!

Vamos!

Legendas: Nuno Sousa Oliveira

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