All language subtitles for Abducted in Plain Sight 2017

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Original subtitles

Era uma menina linda.

Muito animada e alegre.

Ela sorriu abertamente para mim

e quando sorriu

ficou com covinhas nas bochechas.

Roubou-me o cora��o.

Aproximei-me dela,

pus um bra�o � volta dela, puxei-a para mim e abracei-a.

Os olhos dela brilhavam.

E a� soube que tinha encontrado a menina que procurava.

JAN BROBERG 9 ANOS

A Jan era a crian�a mais exuberante

que eu j� conhecera. Era t�o soci�vel.

Foi a nossa primeira e era incr�vel.

A Jan era a minha campe�.

Eu era muito t�mida em crian�a e ela n�o era.

As minhas primeiras mem�rias s�o das minhas irm�s, a Karen e a Susan.

Uma � dois anos mais nova, outra quatro.

A Karen � a do meio, a Susan � a beb�.

E eu era a irm� mais velha, a mandona.

Eu e as minhas irm�s �ramos... �ramos muito amigas.

Brinc�vamos juntas.

Tivemos uma, o que considero uma inf�ncia normal.

Realmente livre e f�cil.

Viv�amos em Pocatello, em Idaho.

T�nhamos aquele tipo de vizinhan�a

onde nunca se trancava as portas. Sempre abertas.

Eram todos de confian�a.

A minha m�e e o meu pai eram muito tradicionais, sabem,

uns pais muito queridos.

A minha m�e era dom�stica.

Lembro-me de chegar a casa e ela estar a passar a ferro.

O meu pai era florista.

Durante 40 anos.

Eu era amada, totalmente. Tinha seguran�a.

E eles escutavam-nos.

E penso que isso foi crucial para sobrevivermos...

... �quilo.

Conheci o Bob Berchtold em junho de 1972.

Eu era corista na nossa igreja e estava a orientar o coro

um domingo e olhei e vi uma fam�lia que n�o conhecia.

A Mary Ann conheceu-os primeiro. Disse: "Conhecemos uma fam�lia simp�tica.

T�m cinco filhos e alguns t�m a mesma idade das nossas filhas."

Falou-me sobre eles e de como ele era simp�tico e af�vel.

Ele era muito animado, maravilhoso.

Fic�mos muito amigos.

E ele era empres�rio e fal�mos sobre neg�cios

e simpatiz�mos um com o outro. T�nhamos coisas em comum.

Eu tinha um neg�cio, uma fam�lia, ele tinha uma fam�lia.

Lembro-me de uma coisa.

Um dia volt�mos da igreja e havia um cesto de fruta lindo � porta.

Com um cart�ozinho.

E dizia: "Gostamos muito da vossa fam�lia. Os Berchtold."

Eu fiquei encantado. Pensei: "C�us. Que tipo porreiro."

A minha primeira impress�o quando vi o Berchtold

e a esposa, a Gail, achei que eles

n�o combinavam muito, porque ela era sossegada.

Mas acabei por ficar

muito amiga dela.

Toda a gente tinha um melhor amigo.

Havia entre os Broberg e a fam�lia Berchtold

um melhor amigo para todos.

Alguns dos nossos melhores momentos eram com a fam�lia Berchtold.

O Berchtold vinha buscar-nos de manh�, entr�vamos no carro

e grit�vamos juntos: "Vai ser um dia em grande!"

E era assim que come��vamos as manh�s.

N�o me lembro de quem � que disse

que o dev�amos tratar por B.

Ele vinha quase todas as noites falar com os meus pais e...

Tamb�m se dava bem com as mi�das.

Ele era muito divertido e queria

levantar-nos no ar e fazer puzzles, e sabe, era

o pai divertido.

Mas definitivamente...

... a aten��o dele era toda para a Jan.

O irm�o B. Chamava-me todo o tipo de nomes.

Mas o �nico de que me lembro

era "Dolly".

As nuvens espalhadas foram incendiadas

pelos raios do p�r do sol.

Olhei para a minha Dolly, a cara dela brilhava,

Ele pegou na minha m�o e disse: "Eu amo-te."

E eu respondi: "Eu tamb�m te amo."

Virei-me para ela, abracei-a e ao pux�-la para mim, disse:

"Dolly, trouxeste uma luz especial para a minha vida.

Amo-te mais do que posso dizer."

Ela olhou para mim, eu baixei-me e beij�mo-nos.

Nenhum homem podia amar mais uma mulher.

Ele dava uma aten��o especial � Jan que nos irritava a mim e ao Bob.

O fasc�nio dele pela Jan era um pouco perturbador.

O B era como um segundo pai para mim. Eu...

... amava-o totalmente, confiava totalmente nele

e sentia-me extremamente segura.

Sentia-me como se fosse filha dele.

17 DE OUTUBRO DE 1974

O Berchtold ligou-me antes nesse dia e disse:

"Quero levar a Jan a cavalgar

nas American Falls."

O Berchtold apareceu em minha casa e disse:

"J� podemos ir, Jan." Ela entrou pelas traseiras.

E eu disse: "Sim, quero ir!" E a minha m�e disse:

"Hoje � dia de escola e tens aula de piano e...

Dev�amos tentar noutro dia."

E ele disse: "Eu podia ir busc�-la � aula de piano

e lev�-la diretamente."

Eu implorei � minha m�e: "Por favor, deixa-me ir."

Eu disse: "Volta antes do Bob chegar para jantar."

"Eu trago-a."

O B foi buscar-me � aula de piano e disse:

"Trouxe o rem�dio da alergia, devias tomar um

antes de ir cavalgar."

Tomei aquilo e l� fomos n�s.

Eu devo ter

desmaiado r�pido, n�o me lembro de chegar ao est�bulo.

N�o me lembro da viagem sequer.

N�o me lembro... dele.

Visto que ela n�o chegava, comecei a ficar nervosa, ansiosa.

"Se calhar o carro avariou."

Por volta das nove da noite

a esposa do Berchtold, a Gail, veio a nossa casa, preocupada.

Eu disse: "Devia chamar a Pol�cia."

"N�o fa�as nada. De certeza que ele deve estar a chegar."

E esper�mos.

Eles foram aos cavalos numa ter�a. Passou a sexta.

N�o liguei a ningu�m, n�o queria chatear a Gail.

Passaram dois dias e eu disse: "Mary Ann,

� melhor chamar as autoridades, precisamos de ajuda para os encontrar."

No s�bado de manh� contactei o FBI.

"O escrit�rio est� fechado ao fim de semana.

Em caso de emerg�ncia, contacte a ag�ncia de Butte, Montana."

Mas eu n�o o fiz porque pensei

que n�o queria alertar toda a gente para nada.

Ent�o esper�mos. Passou...

... outra noite e chegou o domingo.

"Bem, vamos... Se n�o voltarem no domingo, ligamos."

22 DE OUTUBRO DE 1974 DIA 5

Atendi a chamada no meu escrit�rio do FBI em Pocatello, Idaho.

Era agente do FBI h�...

... seis, sete anos quando o rapto aconteceu.

Eu e o meu parceiro fomos logo

� casa dos Broberg.

E fal�mos com eles v�rias horas.

O Robert Berchtold era um amigo pr�ximo, um vizinho.

Era um empres�rio de Pocatello,

membro da comunidade LDS,

e um pilar na comunidade. Tinha imensos amigos.

N�o suspeitavam de algum tipo de crime,

mesmo ap�s cinco dias.

"Ele n�o a raptou, s� a levou algum s�tio."

E ele teve de nos convencer daquilo: "Ele raptou-a.

Ela � vossa filha. Ela desapareceu."

Fomos questionar a Gail Berchtold.

E ela disse que eles tinham uma autocaravana na arrecada��o.

Fomos l�.

N�o estava l� a autocaravana.

Percebi que teria de haver uma investiga��o do FBI

para a encontrar pois acreditava que ela tinha sido raptada.

Posto do Xerife, fala John Glen, temos um comunicado.

Recebemos uma chamada sobre um ve�culo Ford abandonado

no Parque Register Rock. As chaves estavam no interior.

Arrombaram a porta de tr�s do lado do condutor,

havia algum sangue por dentro da porta do condutor.

Encontraram o carro do Bob Berchtold com sangue na janela.

A janela foi partida do lado de dentro.

Se algu�m tentasse atac�-los,

estaria fora do carro e partia a janela para dentro do carro.

Ele deixou muito sangue

para poder ter a desculpa de que algu�m os tinha raptado.

Encontr�mos marcas de pneus, como de uma autocaravana,

e um conjunto de pegadas.

Pelo que achei que ele carregou a Jan at� � autocaravana.

Sab�amos que o Berchtold tinha a Jan, n�o sab�amos onde.

Foi uma busca a n�vel nacional.

Envi�mos alertas a todas as autoridades do pa�s,

at� ao servi�o de fronteiras do M�xico e do Canad�.

Isto tardou semanas.

N�o havia sinal de nada.

Como encontrar uma agulha num palheiro. N�o sab�amos onde ir.

N�o sab�amos o que fazer. Queremos fazer alguma coisa

e n�o podemos fazer nada.

A minha estrat�gia para lidar com isso foi saber tudo.

Tentava ouvir tudo. Era daquelas que ficava atr�s da porta

se o agente falava com os meus pais.

Um dia, entrei em casa.

O quarto da Jan era nas traseiras, na cave.

Entrei no quarto dela e vi o meu pai...

... deitado na cama dela a chorar e...

N�o me lembro de ver o meu pai a chorar alguma vez,

embora ele seja uma pessoa emotiva.

Acho que foi a primeira vez que percebi que se passsava

algo muito mau.

BUSCAS SEGUEM POR PAR DESAPARECIDO

Foi tanta gente l� a casa nas primeiras tr�s semanas.

Foram l� amigos, vizinhos e toda a gente.

Tantos n�o acreditavam que tinham visto,

que tinham falado com aquele homem. Ele tamb�m estava na vida deles.

Alguns disseram: "Ele n�o lhe faria mal."

Eu acreditava. Ele n�o lhe faria mal.

E n�s ador�vamos toda a gente daquela comunidade

porque eles tentaram ajudar-nos a passar aquilo.

Adoravam a Jan, estavam a tentar apoiar-nos

e diziam: "N�s sabemos que ela vai voltar em seguran�a."

Foi uma altura delicada. Foi dif�cil.

Era a agonia de...

... ir para a cama todas as noites e tentar dormir,

e pensar: "Onde est� ela? Estar� bem?"

Falei com muita gente de Pocatello que o conhecia, durante a investiga��o,

e descobri que o Bob Berchtold tinha uma paix�o por meninas.

O meu irm�o sempre foi um pervertido sexual.

Ele sempre gostou de meninas.

Tinha de satisfazer uma necessidade...

... como ped�filo, ele era ped�filo e eu sabia.

Uma vez, os nossos pais sa�ram,

e o meu irm�o meteu-se com a minha irm�, mas eles eram meios-irm�os.

Ela tinha seis e ele devia ter 12 ou 13.

Foi o meu primeiro caso de pedofilia.

No in�cio n�o compreendi.

O FBI ensina o perigo dos desconhecidos.

Nunca lhes chamamos ped�filos. Devia estar algures num dicion�rio.

Mas estava a ouvir que o Bert Berchtold gostava de criancinhas. Isto �,

aquilo tudo arrepiava-me.

Ele tentou abordar duas outras meninas em Pocatello

antes dos pais o afastarem.

Ent�o encontrou a Jan Broberg.

Depois disso, o objetivo dele...

... foi seduzir a Jan Broberg.

O Robert Berchtold e os Broberg ficaram amigos e confiavam uns nos outros

e era isso que o Bob Berchtold queria.

Parte do padr�o dele consiste em destruir tudo no seu caminho

que o impe�a de chegar � Jan.

Ent�o ele vai separ�-la da fam�lia o mais r�pido poss�vel.

Eu e a Jan partilh�vamos um quarto l� em baixo, era grande.

�s vezes diz�amos que um dia far�amos um quarto para cada.

O Berchtold sugeriu que est�vamos a crescer,

n�o quer�amos um quarto para cada?

Ele tinha uma loja de m�veis.

Lembro-me dele fazer a parede

e de p�r uma parede entre os quartos.

Assim ele podia ir l�.

E separar a Jan de mim.

Ele tinha uma forma de nos elogiar,

de fazer coisas por n�s e depois...

... de se aproveitar da situa��o de confian�a que desenvolvia.

Fomos convidados a ir andar de barco com o Berchtold.

N�o nos convidou s� a n�s, convidou a Jan tamb�m.

Eu suspeitei que algo se passava naquela sa�da.

Disse: "� a �ltima vez que fa�o alguma coisa com os Berchtold.

N�o me parece bem."

N�s costum�vamos dormir em casa deles.

�amos para casa dos Berchtold. Eles tinham um trampolim gigante,

e dorm�amos todos l� fora sob as estrelas no trampolim.

E uma noite, lembro-me de acordar

e de me dar conta de que tinha as cuecas � volta dos tornozelos,

e de ficar assustada.

O Berchtold estava deitado ao meu lado com as m�os em cima de mim.

Ele disse que me mexi muito

e que devia ter ficado desconfort�vel e...

... tirado as cuecas.

Pareceu plaus�vel porque o que n�o seria plaus�vel

seria esta pessoa ter-me feito algum mal.

Em junho de 1973, Jan acompanhou a fam�lia Berchtold de f�rias em Seattle.

A Jan j� tinha viajado com os Berchtold,

quando surgiu a viagem a Seattle.

Quando voltaram, ele contou hist�rias

sobre o que tinha acontecido com a Jan.

Ele contou-nos que, uma vez sentados a jantar,

a Jan tinha come�ado a balan�ar-se de repente

e tinha dito umas coisas estranhas.

Toda a gente perguntou: "Jan, est�s bem?"

E ele disse: "� melhor lev�-la para o quarto,

algo se passa com esta crian�a."

Lembro-me de me levarem para o motel.

Estava tonta, e sempre a desmaiar.

A Jan disse que acordou

e o viu nu.

A Jan Broberg e o Robert Berchtold tinham uma rela��o anormal.

O Berchtold perseguiu a Jan e perseguiu os pais dela.

Ele sabia que tinha de destruir a Mary Ann e o Bob Broberg para ter a Jan.

E eles ca�ram na armadilha. Como um rato num ratoeira.

Nunca previram aquilo. Nunca.

OUTONO, 1972 DOIS ANOS ANTES DO RAPTO

O Berchtold ligou-me da loja de m�veis

disse: "Mary Ann,

n�o consigo ir almo�ar, trazes-me uma sandes?"

E eu pensei: "Est� bem." Comecei a fazer isso,

a levar-lhe o almo�o quando ele ligava.

Era novo na cidade, tinha uma �tima personalidade,

e um certo carisma

que o Bob n�o tinha.

O Berchtold come�ou a dizer-me coisas excitantes.

Disse: "Tens um corpo bonito e essas pernas..."

Senti uma excita��o dentro de mim.

Ele conseguia fazer-me...

... sentir muito bem comigo pr�pria.

Ele atra�a-me.

Foi quando come�ou.

E eu tentei ignorar.

Mas lembro-me como me sentia.

E pensei: "N�o posso sentir isto por ele."

Acho que isso ficou consolidado

quando fomos a um evento da igreja em Logan, Utah.

Demos uma volta de carro l�, pelas montanhas.

Antes de virmos embora, fic�mos muito � vontade,

e houve beijos e abra�os, ele tocou-me nos peitos e...

E fic�mos entusiasmados. Fic�mos l� tempo a mais.

Mas nada al�m disso.

Voltei para casa e tentei ficar calma e viver a nossa vida.

Pensava sempre nisso.

Muito. Pensava naquela sensa��o e naquele toque.

Na altura estava casada h� 12, 13 anos.

E aquilo foi empolgante para mim.

O Sr. Berchtold era muito experiente no campo sexual.

Mas n�o tinha uma boa rela��o com a esposa, sexualmente.

Um dia veio � minha loja e percebi que ele estava muito agitado.

Disse para irmos dar uma volta.

E disse: "N�o suporto a minha esposa. Preciso de fazer sexo."

Vi que estava excitado sexualmente.

Ele disse: "Podes aliviar-me?"

E est�vamos a rir e ele disse: "Bob, � coisa de mi�dos

e tenho de me aliviar."

Ent�o, fui burro ao ponto

de me aproximar

e de o aliviar e de o masturbar.

Foi a pior coisa que j� fiz.

Quanto a...

... quebrar a confian�a e fidelidade que tinha com a minha esposa.

Comecei uma rela��o homossexual com o pai dela

para ter acesso � Jan.

Tinha uma fixa��o pela Jan.

N�o sabia porqu�, mas tinha.

E queria estar perto dela.

O tipo manipulou-os na perfei��o.

Queria destruir as defesas dos Broberg,

queria tir�-los do caminho.

� como quando temos domin�s.

Num lado est� o Berchtold.

No quarto domin� est� a Jan Broberg.

No meio est� a Mary Ann e o Bob.

E derrubando esses domin�s,

fica s� o Berchtold e a Jan

sem mais ningu�m no meio.

Segundo o FBI, em janeiro de 1974, Berchtold foi repreendido

pelo Conselho da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos �ltimos Dias

devido a uma rela��o com outra rapariga.

A igreja LDS decidiu que o deviam aconselhar,

e ele foi a um terapeuta em Idaho Falls.

Esse homem disse aos investigadores que ele tamb�m tinha ido � Calif�rnia

a um psic�logo cl�nico que o ia ajudar a ultrapassar a obsess�o pela Jan.

Quando ele voltou, contou-nos

que estava a ser tratado por causa dos abusos que sofreu em crian�a.

Disse: "Bob, isto vai surpreender-te.

Fiz sexo com uma tia aos quatro anos."

Fiquei passado.

Disse-me: "Bob, parte da minha terapia �

passar tempo sozinho com as tuas filhas. Importas-te?

E eu disse: "N�o."

E ele diz: "Podes ligar ao m�dico para ele explicar

se quiseres." Eu disse: "Eu confio em ti."

Depois da Jan ir para a cama, ele deitava-se ao lado dela.

Nenhum de n�s estava confort�vel,

mas era a terapia.

Escuta as ondas

ao fundo e ela come�a a acariciar-te mais depressa

e v�s que sabe t�o bem.

Sabe t�o bem, ela acaricia-te muito r�pido

e sentes tudo muito r�pido. Sabe bem.

E escutas as ondas.

Sentes o cobertor quente e suave, e o cobertor cheira bem.

Foram enganados. De uma forma horr�vel.

Determin�mos que o tipo n�o era um psic�logo acreditado.

Tiraram-lhe a c�dula profissional.

E foi ele que deu ao Berchtold aquelas cassetes estranhas

para ouvir deitado com ela � noite.

Ele andava a molest�-la.

Dava-lhe sempre vitaminas e coisas para as alergias dela,

quando, de facto, soubemos depois durante a investiga��o,

que eram comprimidos para dormir, para facilitar as coisas para ele.

Eu nunca tive... nunca pensei que ele pensava

na Jan sexualmente.

Na altura nem sab�amos bem

o que era um molestador.

E...

N�o sei como pudemos ser t�o cr�dulos

quando havia tantos sinais.

Mas eu n�o vi os sinais.

Percebi que os Broberg eram ing�nuos. N�o sabiam que estas coisas aconteciam.

E foi o mais dif�cil...

Foi o caso mais dif�cil da minha vida.

Os registos mostram que Robert Berchtold dormiu com Jan Broberg

quase quatro vezes por semana durante seis meses.

Exatamente at� ao dia que foi levada.

17 DE OUTUBRO DE 1974 JAN � LEVADA. DIA 1

Costum�vamos voar...

Eu acordei.

Estava escuro.

Tive a sensa��o de estar em movimento.

De estar numa cama.

Tinha os pulsos e os tornozelos amarrados, n�o conseguia mexer-me.

Ouvia uma voz monoc�rdica a falar-me ao ouvido.

Parecia um intercomunicador, uma caixa branca

que via ao lado da minha almofada.

Pensei logo que tinha sido raptada por um OVNI.

Estava sempre a adormecer, um sono profundo.

Voltei a acordar.

N�o estava amarrada.

Os alien�genas informaram-me: chamavam-se Zeta e Zethra,

disseram que eu era parte alien�gena.

A minha m�e era a minha m�e biol�gica, mas o meu pai

n�o era o meu pai biol�gico.

Tinha um pai de um planeta alien�gena.

Era a hist�ria de Natal de todos os anos

desde que era mi�da, sabem, que Jos�,

como o meu pai, tomou conta de Jesus.

Mas, na verdade, o pai de Jesus era Deus Nosso Pai.

Temos uma miss�o importante para ti.

Encontrar o companheiro para atuar.

A miss�o era ter um filho que ia

salvar o planeta alien�gena

quando eu tivesse 16 anos.

A caixa dizia que se n�o completasse a miss�o, eles

tinham um segundo plano, a minha irm� Susan.

Ela tamb�m era alien�gena e humana

e seria levada.

Vai � entrada da autocaravana.

"L� vais encontrar o companheiro."

E o B estava ali no sofazinho da autocaravana.

Era uma pessoa que eu amava tanto, em quem confiava tanto

e era-me familiar. Eu j� n�o estava sozinha.

Sabem, foi um al�vio enorme.

Ele estava coberto de sangue, tinha-se cortado.

N�o se mexia, tinha os olhos fechados.

Parecia estar morto.

E comecei a chorar e a aban�-lo e a tocar-lhe.

"Acorda! Tens de acordar!"

Ent�o ele despertou e come�ou a dizer-me o que tinha acontecido.

"�amos andar a cavalo

quando de repente vi uma luz branca

a descer do c�u.

O carro come�ou a vibrar e a abanar.

Devemos ter sido levados por essa luz."

E eu disse: "N�o, estamos aqui, estamos juntos

e temos uma miss�o."

Eu sabia que ele era o companheiro,

que era suposto termos um filho juntos.

A coisa dele ser um homem de 40 anos

e eu uma menina de 12 anos era definitivamente estranho.

Tudo aquilo era estranho, mas tamb�m pensava:

"Bem, eu sou alien�gena, sou estranha. N�o sou normal."

Acreditei piamente. Se combinarem estar isolada

e totalmente assustada,

podem levar algu�m a fazer e a acreditar em qualquer coisa.

N�o tive no��o do tempo que passou nessas primeiras semanas.

Penso que estive drogada quase sempre.

Mas lembro-me dele mexer nos arm�rios da autocaravana

e um deles tinha tr�s ou quatro livros.

Sabia que os livros eram sobre sexo.

E pouco depois disso a caixa disse:

"N�s achamos que est� na hora de pedires ao companheiro

para fazer o que alegra as pessoas."

N�o me lembro do tipo de viola��o violenta de que outras mulheres falam.

O Berchtold introduzia o seu p�nis muito ligeiramente.

Era sempre s� um cent�metro.

Ele queria que aquilo fosse quase t�o bom para mim

como era para ele, claramente.

Havia uma abertura min�scula no teto da autocaravana.

Eu podia olhar para a abertura

e podia...

Eu podia ficar s� a ver as folhas.

Havia um ramo qualquer, ou uma �rvore,

e eu podia s�... Eu s� ficava a ver as folhas.

"Olha para as folhas. Se olhares para elas, ficas bem."

Foi assim que sobrevivi.

20 DE NOVEMBRO DE 1974 DIA 35

O Bob ligou-me e disse: "Quero que ligues � Mary Ann e me deem autoriza��o escrita

para eu e a Jan voltarmos aos Estados Unidos e nos casarmos.

N�s cas�mos no M�xico, mas n�o � legal na Am�rica."

No M�xico � obrigat�rio ter 12 anos.

E, claro, eles puderam.

Fiquei furioso.

Nem pensei que aquilo podia acontecer.

O irm�o dele ligou e disse:

"Eles querem voltar a casa, mas ele s� pode voltar

se o autorizarem a casar com ela

nos Estados Unidos da Am�rica." E eu disse:

"A casar? Nunca far�amos isso."

"S� pode voltar nesse caso.

Ser� morto ou passar� a vida na pris�o se voltar.

Acusaram-no de rapto."

Ela disse: "Nem pensar. N�o o faremos. Onde est�o?" E eu...

A� decidi traz�-lo para casa.

Chamei o FBI e puseram o meu telefone sob escuta.

Ele ligou-me e disse: "Estou em Mazatl�n, no M�xico."

O FBI conseguiu rastrear a chamada a um hotel em Mazatl�n.

Achei que destru�ra a nossa rela��o,

que ele me mataria ao voltar.

Contact�mos o nosso adido de defesa na Cidade do M�xico.

Ele contactou a pol�cia federal do M�xico.

A Pol�cia mexicana veio � autocaravana.

Entraram pela porta.

Deitaram a porta abaixo.

Enfiaram-nos num ve�culo min�sculo.

Eu conseguia v�-lo pelo retrovisor.

E ele estava a olhar para mim, como se tivesse medo.

Levaram-nos para uma pris�o mexicana.

A certa altura, um dos pol�cias levou-me

por um corredor num piso inferior, cheirava a humidade, escuro,

at� � cela do B.

Ele deu um anel de ouro ao guarda para ele o deixar falar comigo.

O B disse: "Diz � tua fam�lia que te trouxe de f�rias

e que cometi um erro, e fomos muito longe.

N�o disse � tua fam�lia e devia."

Ele disse: "Tamb�m fui visitado por Zeta e Zethra, vieram ter comigo

e disseram-me que n�o podes falar sobre quatro coisas."

N�o podia falar sobre eles.

Sobre Zeta, Zethra, o planeta alien�gena.

N�o podia falar sobre os comprimidos para relaxar.

N�o podia falar sobre a miss�o.

E portanto n�o podia falar sobre

nada das experi�ncias sexuais que tiv�ramos.

Ele disse: "N�o ter�s contacto com qualquer outro homem,

sabes, mesmo o teu pai."

E se um de n�s falasse sobre estas quatro coisas,

a minha irm� Karen ficaria cega.

E a amea�a contra o meu pai era que o iriam remover,

foi o que disseram. Significava que o matavam.

E, claro, a amea�a quanto � Susan era que a levariam.

E ele disse: "Os teus pais devem vir c�

mas n�o lhes contes a eles nem a ningu�m sobre estas quatro coisas.

Sen�o �s vaporizada.

Eles t�m o poder de nos tirar a vida e os nossos esp�ritos.

Nem existiremos."

Para mim, uma menina que sempre teve uma f� muito forte na...

... vida ap�s a morte,

aquilo era aterrador.

Isso foi o que me manteve obediente ao que queriam que eu fizesse,

mais do que tudo.

Fomos a Mazatl�n para trazer a Jan para casa.

Quer�amos ir l� e estar l� com ela e...

... dizer-lhe que ainda a am�vamos.

E de repente vimos a nossa menina, a acenar, a gritar.

Lembro-me de dizer...

"Querida, � a nossa menina.

Ela � nossa."

A Jan... de repente foi-se abaixo.

Come�ou a dizer: "E o B?"

V�o fazer-lhe mal." E eu disse:

"N�o podemos pensar no B, s� em ti.

V�o ter de resolver isso com o FBI."

"Porque chamaram o FBI?"

Eu estava bem, estava de f�rias com o B, n�o se passou nada.

Temos de o levar." E eu disse: "Lamento,

n�s vamos para casa, Jan. Vamos para casa."

Mas lembro-me das l�grimas a escorrerem.

E eu n�o disse nada � Mary Ann, s� pensei...

... esta n�o � a nossa Jan.

Ao entrar no avi�o, a Jan n�o se sentou ao meu lado.

Lembro-me da m�goa

que senti naquele avi�o.

A Mary Ann estava ao meu lado e eu disse-lhe:

"Isto ainda n�o acabou."

Os Broberg mandaram o certificado de casamento

para ser anulado no M�xico.

O Bob Berchtold foi detido no M�xico, veio para os Estados Unidos.

Um j�ri de acusa��o indiciou-o pelo crime de rapto.

Lev�mo-la a um m�dico para ser examinada.

O m�dico disse que ela n�o tinha o h�men rompido.

"N�o vejo trauma de abuso sexual."

Isso foi um grande al�vio.

N�o conseguia p�-la a falar sobre mais do que:

"N�s fomos fazer parasailing."

E falava sobre algumas coisas que tinha feito no M�xico,

mas ela estava definitivamente...

... retra�da, especialmente com o pai.

Mostrei-lhe um recorte do jornal sobre o rapto

e ela disse: "N�o � verdade, pai." Ela defendia-o.

Ela parecia bem, voltou � escola, retomou o caminho dela.

Estava bem. N�o est�vamos preocupados com ela.

Eu estava sempre a pensar no B.

Como �amos continuar a miss�o? Como vou estar com ele?

Como vou v�-lo? Como vou fazer isto?

Separei-me mentalmente e emocionalmente da minha fam�lia

porque sabia que a miss�o n�o tinha sido cumprida.

Eu sabia que algo mais ia acontecer.

Disse � Mary Ann e ao Bob para n�o falarem com a Gail Berchtold, o Bob Berchtold.

"N�o deixem as vossas filhas com os deles. Isto � muito grave.

Afastem-se deles."

Coisa que n�o fizeram.

Na v�spera de Natal

a Gail Berchtold veio l� a casa pedir para falar com o Bob a s�s.

Os dois conversaram no escrit�rio algum tempo.

A Gail saiu, foi embora e o Bob disse-me:

"A Gail quer que retiremos as acusa��es contra o marido."

Pediu-nos para assinar umas declara��es.

E o Bob s� disse: "Se n�o assinarmos as declara��es,

eles v�o denunciar o que se passou entre mim e o Berchtold."

Fiquei em choque. Foi horr�vel.

Especialmente pelo meu marido.

S� pensei que n�o, isso n�o podia acontecer.

E assin�mos as declara��es.

"A minha filha n�o foi levada � for�a, nem contra a sua vontade,

nem foi detida contra a sua vontade

quando na companhia do arguido.

Acredito sinceramente na forte probabilidade do arguido

ter ficado com a impress�o de ter

o meu consentimento e do meu marido para levar a minha filha

quando partiu em outubro."

"Segundo a Primeira Emenda da Constitui��o dos Estados Unidos, eu tinha

o direito de manter o assunto privado.

Sinto que os interesses da justi�a e da sociedade

n�o ser�o servidos ao continuar com este processo."

Aquela gente chorava pela filha, eu fui viver para l�,

a negligenciar a minha fam�lia, e de repente...

... eles dizem: "N�s deix�mo-la ir."

Protegeram-se a eles pr�prios, n�o � crian�a. O que foi uma pena.

As pessoas n�o ficaram contentes. Houve telefonemas

de desconhecidos a perguntar porque fizemos aquilo.

Um procurador federal ligou-nos

e estava l�vido. Disse: "N�o podem fazer isto.

Vamos ter um julgamento."

O Berchtold ia a julgamento,

mas eu fiquei sem testemunhas de repente.

Os Broberg espezinharam o caso do governo basicamente.

O julgamento de Robert Berchtold foi adiado e ele saiu em liberdade provis�ria.

O Berchtold mudou-se para Ogden, Utah. Foi trabalhar no concession�rio do irm�o.

A Gail n�o foi.

Ela n�o sabia, ele n�o sabia. Se calhar ele podia

trabalhar l� at� se orientar,

e depois levava a fam�lia para perto dele.

Veio trabalhar para mim. Vendia carros � farta.

Vendia tudo a qualquer pessoa.

Vinha sempre a casa. Ia � igreja todos os fins de semana.

As pessoas davam-lhe palmadinhas nas costas e diziam:

"Lamentamos, sabemos que esteve doente.

Esperemos que isto passe e consiga retomar a sua vida."

Fomos t�o simp�ticos quando voltou.

At� naquela altura n�o t�nhamos no��o

daquilo... Do qu�o doente ele era.

A primeira vez que me lembro de o ver

depois do rapto,

foi � noite, foi no meu

quarto, l� em baixo.

O que me acordou foi a caixinha.

Companheira...

O Berchtold apareceu no meu quarto.

Entrou e falou sobre a miss�o e que a miss�o ia continuar

e que estava a planear ficarmos juntos

e para eu continuar a fazer o mesmo e seguir as regras.

E eu continuei a comunicar com o Berchtold.

Ou ele comigo e eu fazia o que me mandava.

�s vezes recebia um recado de algu�m na escola.

Diria: "Tens de ir a tal local, � cabine telef�nica

hoje �s quatro da tarde

e l� vais receber mais instru��es."

Recebia cartas do B. Cartas de amor

sobre o que ele estava a passar e como tinha saudades minhas e

sabia que est�vamos destinados a ficar juntos e...

A minha resposta natural foi

responder de forma igual, escrever-lhe cartas de amor

e perceber como lhas dar.

"Sabes que �s um querido?

Se n�o sabes, quero que saibas que �s.

O nosso amor � enorme. J� pass�mos por tanto um pelo outro.

A tua Dolly, Jan."

A mudan�a de "Amo este homem como um pai"

para "Amo-o como esposo ou como um homem" aconteceu.

Ela disse: "M�e, tenho tantas saudades dele.

Quero casar com ele."

E eu perguntei: "Queres casar com o B?"

Ela disse: "Sim. Quero casar com ele e ter filhos com ele."

Amava-o t�o profundamente como alguma vez tinha amado algu�m.

O meu n�vel de compromisso e "amor"

por ele era t�o profundo como tudo o que tinha sentido

no sentido de amor verdadeiro.

Mas era profundo, dedicado.

Sentia-o em todo o sentido da palavra.

Esta � uma carta do B para mim.

Devia ter 13 anos.

"Ol�, querida. Acordei hoje a pensar em ti, como sempre,

e a amar-te ainda mais.

Lembrei-me de ti no Oliver!

e na noite em que choraste quando me cantaste "Where is Love?".

Lembras-te da m�sica do musical "As Long As He Needs Me"

e do seu significado na pe�a?"

Enquanto ele precisar de mim...

"Por favor, querida, repete isso

e fica a saber que preciso do teu amor mais do que tudo na Terra.

As for�as do mal querem destruir-nos

e arruinar tudo.

S� me resta amar-te a cada minuto da minha vida.

O resto cabe-te a ti.

S� corajosa. Faz tudo bem e n�o percas a esperan�a.

Eu nunca perderei pois apesar de tudo existes tu. Para sempre.

B."

Ele precisar de mim

Enquanto ele

precisar de mim

PRIMAVERA, 1975

Falava com ele todos os dias.

Ele telefonava e dizia-me o quanto me amava,

queria que eu estivesse na vida dele.

Eu s� perguntava: "Por favor diz-me, porque casaste com a Jan?"

Ele disse: "Bem, se vieres falar comigo pessoalmente,

dou-te os pormenores todos."

E eu fui l� e...

Fui � autocaravana dele. Fui l� v�-lo

quando ele saiu do trabalho.

E convers�mos.

Ele disse que me amava muito, uma e outra vez,

e dizia-me:

"Pod�amos ter uma vida juntos, Mary Ann. S� tens de

te divorciar e vir viver comigo."

E pouco depois ele pegou

na minha m�o e depois acariciou-me

a perna e...

Ele declarou-se, de corpo e alma.

Fiquei tempo demais naquela autocaravana.

E beij�mo-nos e acab�mos por ter rela��es sexuais.

Eu amava o meu marido.

Mas tra�-o.

Depois disso acontecer...

... eu sabia

que tinha pisado um risco que nunca poderia desfazer.

Estava feito.

Penso que foi quatro ou cinco dias depois dela ir

que o Berchtold me ligou e me contou o que aconteceu.

A� come�aram os problemas a s�rio no nosso casamento.

E piorou.

Tive um caso sexual com o Sr. Berchtold oito meses.

Diria que me apaixonei pelo Berchtold.

Foi uma �poca

empolgante para mim.

Entre abril de 1975 e mar�o de 1976, Mary Ann viu Berchtold 11 vezes.

Eu sabia o que ele estava a fazer. N�o era pela Mary Ann.

Era pela Jan.

Nesse per�odo, Berchtold visitou Jan em nove ocasi�es diferentes.

Passaram duas noites juntos... sozinhos.

Era sempre sobre sexo nessa altura.

Aqueles encontros eram apenas sobre isso, para ele.

Ap�s falar com o bispo mais de uma vez,

ele disse: "Bob, tens de tomar uma decis�o porque

a Mary Ann vai...

Est� num mau caminho."

Ent�o pedi o div�rcio.

Recebi a intima��o para sair de casa.

Eu pus as filhas dele em risco.

Fiquei chocada com isso.

N�o o ia deixar ficar com as minhas filhas.

Eu peguei nas mi�das e sa�mos...

... no dia que eu sabia que ela ia receber os pap�is.

Sem d�vida, o pior dia da minha vida.

Fomos a um restaurante.

Quando cheg�mos ao restaurante e ele nos disse que ele e a m�e

se iam separar...

E naquela altura. Naquela cidadezinha ningu�m se divorciava.

Muito menos os meus pais.

S� quis um buraco

e enterrar-me viva. Senti que

n�o tinha mais por que viver.

Foi uma �poca dif�cil.

Passaram dois ou tr�s dias e ele ligou-me.

Ele disse: "Vais perder a tua esposa e vais perder as tuas filhas."

Desliguei o telefone.

Mas fiquei extremamente preocupado.

Ele ligou-me a dizer: "Mary Ann, se deixares o Bob,

eu arranjo-te um apartamento, podes ter uma vida nova aqui

e vais ser muito feliz."

E eu disse que n�o ia deixar o meu marido. "Desculpa."

Ele disse: "Ele n�o te quer. V� o que fez,

tirou-te de casa.

Sei que se arranjares um advogado e apresentares queixa contra ele,

ficas com as tuas filhas. Porque o Bob � homossexual."

E eu: "N�o � verdade."

Fui a um advogado e disse-lhe: "Preciso de ajuda. N�o quero o div�rcio."

Ele disse: "Tem de cortar o cancro.

Este homem n�o � bom."

Voltei a casa.

Eu estava na cozinha, ela abriu a porta e disse:

"N�o posso criar as mi�das sozinha.

Sei que precisam de ti e de mim."

Disse: "Vou tir�-lo da minha vida. N�o o quero na minha vida."

E ca�mos nos bra�os um do outro.

E foi o suficiente. Para mim.

Em junho de 1976, 20 meses ap�s o rapto,

Berchtold fez um acordo.

O Berchtold foi a julgamento e deu-se como culpado do crime de rapto.

O juiz condenou-o a cinco anos

e reduziu os cinco anos a 45 dias.

Devia apresentar-se na cadeia dentro de tr�s meses.

O B deixou Pocatello

e comprou um centro de divers�es familiar,

em Jackson Hole, Wyoming.

Eu quis ir trabalhar l� no ver�o.

Implorei � minha m�e, chorei ao meu pai, gritei um pouco.

E eu disse: "Nem pensar. A resposta � n�o."

Isso foi em 1976. Ela insistiu tanto.

E tornou-se uma pessoa diferente.

Come�ava discuss�es, embirrava com as irm�s, connosco,

s� para nos tornar a vida miser�vel.

Ela estava a decidir o que acontecia com ela,

sem perguntas, sem ouvir a minha m�e.

O Berchtold ligou, disse: "N�o desligues.

A Jan vem a Jackson Hole."

Ela vai para a estrada

e vem a p� se n�o a deixares." E pensei:

"C�us, tenho de fazer alguma coisa."

A minha m�e acabou por me p�r num avi�o

e fui para Jackson Hole.

Eu estava l�vido, por ele... Por ela a ter levado ao avi�o.

Disse: "Querida, vais arrepender-te dessa decis�o um dia."

Jan ficou em Jackson Hole duas semanas.

Durante esse tempo, viveu com B na autocaravana dele.

A minha voz fica t�o feia na grava��o.

Como foi o teu sonho?

Eu entro no barco e ele afunda... afundou.

Tivemos de nadar at� � margem e todos gritavam.

A �gua estava fria?

Sim. Estava muito fria.

Quando me levantei e te cobri ontem � noite estavas a tremer.

A miss�o continuou.

Houve mais sexo.

Vias a Rua S�samo?

Sim. Era est�pido.

Vamos falar de alguma coisa. De que falamos?

Damas.

Lembras-te da noite do p�r do sol?

Um p�r do sol lindo.

Sim. Foi lindo.

Muito lindo.

O B disse-me que ele e a Gail se iam divorciar

e j� pod�amos casar.

Eu estava totalmente convencida

de que amava o B, tinha de ficar com ele,

e claro que a base de tudo isso era termos de completar a miss�o.

Aquele tempo que passei em Jackson Hole com ele foi...

Vi que eram felizes, nunca tinha visto o Bob t�o feliz.

E n�o sei porqu� com uma menina, mas era a coisa dele.

A Mary Ann queria que ela voltasse

e insistiu muito, eu disse: "� melhor ires para casa."

Ela disse: "N�o, se eu... prefiro matar-me a voltar."

Ele p�s-me num avi�o e mandou-me para Salt Lake,

a minha m�e foi l�.

Estava furiosa.

"Eu n�o queria voltar. N�o quero estar aqui. Quero voltar."

Parecia ter uma personalidade diferente.

E estava sempre a escalar a tens�o.

Era um p�nico. Tinha o peso do mundo nos meus ombros.

Eu tinha de salvar o planeta e o rel�gio n�o parava.

Ele n�o me deixou em paz.

Tinha de a ter, a todo o custo.

Nunca mais a ver�amos, disse-me isso.

"Levo-a para a selva em �frica, levo-a para a Am�rica do Sul,

nunca nos vais encontrar." Eu disse:

"Deixa-me em paz, deixa as minhas filhas em paz. Fica fora das nossas vidas."

E ele n�o gostou disso.

Porque n�o ia deixar a Jan em paz. E...

... o resultado foi ela desaparecer uma segunda vez.

10 DE AGOSTO DE 1976 DIA 1

Ela s� esteve em casa umas semanas.

Eu estava a ver TV, toda a gente foi para a cama e...

A Jan apareceu, olhou para mim ali dentro e eu disse: "Anda,

Diz-me porque est�s zangada."

"N�o!" Voltou para o quarto.

Fomos para a cama, fomos dormir. Na manh� seguinte, cham�mos.

O Bob tocava o piano se fosse preciso, para as acordar.

Ela n�o veio.

Acho que foi o Bob que foi l� abaixo.

E ela n�o estava l�.

Encontrou uma nota.

"Queridos Bob e Mary Ann.

N�o me deixam fazer a coisa certa por isso farei a coisa errada.

Vou embora sem o B,

e n�o planeio voltar at� me aceitarem como sou.

N�o aceito a vossa religi�o nem a vossa moral retorcida.

S� quero ser eu e ter o B.

Antes que todos sejamos destru�dos, por favor deixem-me ir. Jan."

A nota nem parecia da Jan. Parecia que ele a tinha escrito.

Ele telefonou essa tarde, mais tarde,

disse que a Jan lhe tinha ligado a dizer que tinha fugido de casa e que

n�o lhe dizia onde estava. E estava preocupado.

Perguntou se eu estava preocupada e eu: "Muito."

Passaram dois ou tr�s dias e foi...

... uma agonia indescrit�vel.

Dissemos �s pessoas que ela estava com a av�.

E, claro, aquilo arrastou-se.

T�nhamos tanto medo que se soubesse

que ela tinha desaparecido outra vez, raptada.

N�o quer�amos isso na imprensa.

Os Broberg esperaram duas semanas at� me ligar,

daquela vez.

Falei com o Berchtold. Estava destro�ado por ela ter desaparecido.

"T�m de a apanhar. Encontrem-na. Algu�m a tem."

Eu sabia que ele estava metido naquilo.

Dia 1 de setembro, Jan desaparecera h� tr�s semanas,

e Berchtold come�ou a cumprir a pena.

Por causa do bom comportamento, s� passou 10 dias preso.

E foi viver para Salt Lake City na autocaravana.

E desapareceu. Mas n�o sab�amos

onde estavam a Jan nem o Bob Berchtold.

Ele ligava-me regularmente e chorava.

Liguei ao Pete Walsh a contar e ele disse:

"Continue a atender."

O FBI instalou

gravadores no telefone da casa dos Broberg.

Casa dos Broberg.

Ol�, Mary Ann. � o Bob.

Ol�, B.

Como est�s?

N�o muito bem.

Acabei de falar com a Jan.

Falaste? Ela disse-te onde est�?

N�o.

Acho que a Jan fez coisas que n�o me quer contar.

Roubou para sobreviver, prostituiu-se, vendeu droga.

Meu Deus.

Perguntei-lhe: "Querida, como tens dinheiro?"

Ela disse: "� duro."

C�us.

Agora n�o vou dormir.

- Ol�. - Ol�, B.

- Tiveste not�cias? - N�o soube nada.

Casa dos Broberg.

- � o Bob. - Ol�, B.

Isto durou tr�s meses.

N�o aguento mais isto.

B...

� horr�vel.

Deixa-me dizer-te uma coisa.

Se me est�s a armar uma cilada... Eu mato-te.

Ouve, se me estiveres a mentir, Eu mando matar-te.

Tenho dois irm�os que o fariam.

Nunca sei quando...

Quando est�s a ser sincero ou n�o.

E era cont�nuo. Era um bombardeamento emocional.

Acabei de falar com a Jan. Perguntei-lhe se ainda quer casar comigo.

Ela disse: "Sim, B. Mais do que tudo neste mundo."

Ainda queres casar com ela?

Nunca haver� mais ningu�m para mim al�m da Jan. Nunca.

N�o vejo a mi�da desde 31 de julho.

Sinto exatamente o mesmo de sempre.

C�us.

E s� o som da voz dela ao telefone deixa-me em �xtase.

E n�o aguento.

Est�vamos desesperados por encontrar aquela menina.

NOVEMBRO DE 1976

CERCA DE 90 DIAS AP�S O SEGUNDO DESAPARECIMENTO DE JAN

Demor�mos algum tempo a ver todos os parques

na zona de Salt Lake City, e finalmente encontr�mos o dele.

E, claro, n�o batemos � porta.

Coloc�mos a autocaravana sob vigil�ncia 24/7.

Duas ou tr�s semanas depois, um agente de Salt Lake City

bateu � porta. O Berchtold deixou-o entrar.

Perguntou se viu a Jan, ele disse n�o.

Sab�amos que ele sabia onde ela estava.

Sab�amos. Ele estava apaixonado por ela.

Se pensasse que ela n�o estava bem, iria procur�-la.

Ele tinha fotos gigantes da Jan na autocaravana,

tipo um mausol�u, uma zona de devo��o.

Mas n�o sabia onde ela estava.

Tinham passado meses

quando o telefone tocou.

Pode falar.

Ol�. Karen?

Sim?

� a Jan.

- Jan! - Sim.

Como est�s?

Est�s bem?

Estou bem.

Onde est�s?

S� queria ligar-vos e dizer que vos amo muito...

... que sinto a vossa falta.

S� quis ligar e ouvir as vossas vozes.

- Jan! - Sim?

O pai chegou. Podes esperar um segundo?

N�o sei, n�o tenho dinheiro.

Mas espera. S� um minuto. S� para lhe dizer ol�.

- Quem? - � a Jan.

Jan! Janni, como est�s?

- Estou bem. - Est�s bem?

Estou bem.

Vens para casa?

Tive de ligar e dizer que tenho saudades.

Vens para casa?

Precisamos de ti.

S� quis ligar e dizer que vos amo, sim?

Amamos-te tanto e queremos-te em casa.

- Eu sei. - Falaste com o B?

H� duas semanas que n�o.

Ele ainda... quer que tu cases com ele e isso tudo?

Bem, eu quero casar com ele, pai.

Ele quer casar contigo?

Sim. Pronto, amo-vos muito e at� logo.

- Eu amo-te, querida. - Amo-te, Jan!

11 DE NOVEMBRO DE 1976 SEGUNDO DESAPARECIMENTO. DIA 102

A vigil�ncia continuava em Salt Lake City.

E os agentes viram o Robert Berchtold a atravessar a estrada

at� uma cabine telef�nica numa esta��o de servi�o Husky.

Ele foi a uma cabine telef�nica e fez um telefonema,

passou 10, 12 minutos ao telefone.

Quando saiu da cabine,

deixou a lista telef�nica aberta com um n�mero escrito.

O n�mero era de Pasadena, Calif�rnia, de uma escola cat�lica.

E lig�mos.

Disseram que ningu�m com aquele nome estudava l�.

Explic�mos as circunst�ncias e dissemos:

"Ela deve ter dado outro nome."

Descobrimos que usou o nome Jan Tobler.

JANIS TOBLER

No dia em que fui raptada pela segunda vez...

10 DE AGOSTO DE 1976

... abri a janela do meu quarto.

Ele estava l� e basicamente ajudou-me a sair pela janela,

entr�mos no carro dele, um Lincoln Continental,

e ele conduziu.

Fomos at� � Calif�rnia.

Ele inscreveu-me num col�gio interno s� para raparigas, cat�lico.

Ela estava t�o longe de Pocatello que n�o sab�amos onde estava.

Mas o Berchtold estava perto dela e visitava-a aos fins de semana.

E ele disse �s freiras que eu era...

... filha dele e que ele era agente da CIA

que t�nhamos escapado do L�bano durante...

Est�vamos na crise no L�bano.

E tinham matado a minha m�e.

E que lhes agradecia tomarem conta de mim

porque ele tinha de ir trabalhar na CIA

mas viria aos fins de semana e basicamente inventou a hist�ria

�s freiras que

se algu�m viesse � escola, talvez � minha procura,

essas pessoas eram os maus da fita,

eram as pessoas que o queriam apanhar.

O FBI prendeu o Berchtold no dia seguinte

por viola��o da liberdade condicional, ele foi para a cadeia,

trouxeram-no para Pocatello.

JORNAL DO ESTADO DE IDAHO

Um pol�cia de Pocatello foi busc�-la a Pasadena.

For�aram-me a entrar no avi�o, para ir para casa.

E em Idaho tiveram de me registar l�

no sistema, tirar as minhas impress�es digitais,

passei por aquilo tudo, prenderam-me.

E depois levaram-me para casa. Abri a porta,

a minha m�e estava na banca da cozinha.

Eu entrei pela porta

e desci as escadas pelo corredor at� ao quarto

e fechei a porta.

Eu tinha desaparecido.

J� n�o havia nada daquela vivacidade, da alegria,

da divers�o.

N�o havia nada disso.

Essa crian�a partiu. Desapareceu.

A primeira vez que isto aconteceu,

ela era ela. Da segunda vez, era...

Foi algo muito diferente.

Aquela vez foi muito mais stressante.

N�o �ramos pr�ximas, n�o como antes.

Afastou-se de mim.

Sem abra�os, carinho, sem falar.

Ela estava t�o distante.

Penso que a melhor forma de a descrever �... vazia.

N�o tinha sentimentos.

A nossa filha tinha

desaparecido emocionalmente.

24 DE JANEIRO DE 1977 JAN ESTAVA EM CASA H� 38 DIAS

O telefone tocou e um dos meus funcion�rios gritava.

"Bob, a loja est� a arder."

Quando l� cheguei, as chamas eram intensas.

Est�vamos todos l�, na rua

e lembro-me de ver aquele edif�cio em chamas

e do meu pai com os bra�os � volta de n�s as quatro

e dizer...

Lembro-me disto muito claramente.

Ele s� disse: "Deixem arder.

Tudo o que quero, tudo o que � importante para mim

est� aqui nos meus bra�os."

E lembro-me de pensar: "A culpa � minha.

Est� a arder por causa do que eu fiz.

Sabia que tinha sido o Berchtold.

Ele estava t�o furioso que...

Acho que ele disse � Mary Ann que ia acabar com a minha vida se...

... n�o o autorizasse a ver a Jan.

Odiava a minha posi��o de pai dela.

Aquele �dio...

... era criminoso.

S� pensei que o Bob Broberg corria perigo quando

o neg�cio dele ardeu.

E ficou provado que o Bob Berchtold convenceu

dois tipos com quem esteve preso.

Dava-lhes mil d�lares por m�s a cada um,

se incendiassem a loja Atkin do Bob Broberg.

E fizeram-no.

E ainda incendiaram meio quarteir�o de Pocatello.

Foram condenados e presos, mas n�o apanh�mos o Berchtold.

Robert Berchtold, acusado de sequestro qualificado

pelo desaparecimento de Jan Broberg, ent�o com 14 anos, a 10 de Agosto,

est� detido na Cadeia de Bannock...

... acusa��o de sequestro qualificado contra Robert Berchtold

submetida em seis distritos...

... personifica��o de agente da Ag�ncia Central de Intelig�ncia

... contra Robert Berchtold, antigo...

Esta manh� come�ou a audi�ncia preliminar de Robert E. Berchtold...

... acusado de sequestro qualificado a 10 de agosto

ABSOLVI��O DE BERCHTOLD

Robert Berchtold, antigo empres�rio de Pocatello,

foi absolvido ter�a � tarde do sequestro qualificado

por motivo de incapacidade mental,

segundo o despacho assinado pelo juiz Arnold T. Beebe.

O Robert Berchtold escapou a muita coisa.

Ao fogo posto, personificar um agente da CIA,

e as duas acusa��es de sequestro.

Tanta gente nesta cidade perguntou: "Como � que ele se safou?"

Se o Procurador tivesse sido diligente,

se os Broberg tivessem assumido:

"Tivemos encontros sexuais com ele",

pod�amos ter conseguido, prend�amo-lo e esquec�amos isto.

Seria 20 anos ou pris�o perp�tua, pelo menos.

O tribunal condenou Robert Berchtold a uma institui��o mental em junho de 1977.

Saiu nem seis meses depois.

Eles libertaram-me. Deixaram-me sair.

Um psiquiatra disse-me qual era o meu problema.

Mostrou-me o porqu� desta minha fixa��o pela Jan.

Fui criado numa quinta isolada no Wyoming pelo meu padrasto.

Nem fazia parte da fam�lia. Eu dormia no celeiro.

Sofri abusos sexuais por parte dos trabalhadores.

Quando a minha m�e ficou doente

eu tomei conta da minha irm� mais nova.

E desde que tomasse conta dela, fazia parte da fam�lia.

Isto marcou-me e mais tarde, sempre que tinha problemas na vida,

precisava de tomar conta de uma menina.

JUNHO DE 1978 18 MESES AP�S JAN VOLTAR A CASA

A miss�o n�o estava cumprida.

Ainda havia alguma comunica��o com ele. N�o muita.

Acho que ele foi perdendo o interesse, � medida que cresci.

No ver�o dos meus 16 anos, tive algumas experi�ncias

que me permitiram questionar a exist�ncia dos alien�genas.

Quis passar cinco semanas um campo de teatro numa universidade.

E foi um pouco assustador para n�s. "Atrevemo-nos a mand�-la para l�?"

Mas decidimos: "Pronto, est� na hora de ela ir sozinha e desfrutar

dos amigos e de toda a gente que ia.

E havia um rapaz na pe�a

que tinha estado no campo que gostava de mim,

e um dia esse rapaz comprou-me um gelado.

E eu pensei: "Meu Deus, vai acontecer algo horr�vel."

Corri para o meu dormit�rio

e a minha m�e ligou

e disse: "Os c�es est�o a ter um mau dia.

Devo ter dado algo estragado."

A Jan exaltou-se, come�ou a gritar.

"Tenho de ir para casa, n�o devia estar aqui."

Chorei e disse: "N�o, m�e, a culpa � minha." E fui dormir.

Na manh� seguinte a minha m�e ligou

e disse: "S� queria dizer-te que os c�es est�o �timos."

Naquele momento parei tr�s segundos.

"Os c�es est�o bem, a Susan est� em casa, a Karen n�o est� cega, o pai n�o morreu.

Estas pessoas ainda me vigiam? S�o reais?"

E o pensamento seguinte foi literalmente:

"Eu sei que s�o reais."

O meu anivers�rio estava � porta. Dezasseis anos.

Ainda estava em p�nico e pensei: "Pronto.

Se n�o ficar gr�vida, arranjo uma arma

vou falar da miss�o � Susan

e se ela n�o o quiser fazer,

vou mat�-la,

e depois mato-me."

Fazia anos a 31 de julho.

No dia seguinte acordei, estava tudo normal

e estavam l� todos, estavam todos vivos.

E simplesmente...

Foram tantos sentimentos e emo��es...

Quando percebi que...

... n�o eram reais.

Sabia que devia contar a algu�m, mas n�o contei.

N�o sabia como, nem quando, nem...

Eu n�o...

N�o sabia o que fazer.

Acabei por contar � minha melhor amiga, Caroline, e � Karen.

Ela come�ou a falar de uma menina que tinha de ter um beb� e...

Era suposto ele ajud�-la nisso e cumprir a miss�o e

ficou �bvio que ela acreditava naquilo. Ela acreditava que era real.

E eu disse: "Tens de contar � m�e e ao pai."

Ela come�ou a contar estas coisas e eu pensei:

"Isto �, ser� que ela acredita mesmo nisto?"

E aquela menina foi-se abaixo. S� chorava e chorava.

E demorou duas horas pelo menos a contar-nos...

... 15 ou 20 minutos do que precis�vamos de ouvir.

Sim, aquela noite foi muito importante e,

foi algo que...

... me marcou a vida toda porque n�o foi muito confort�vel

ouvir aquilo sobre a nossa irm� e ficar com aquelas imagens e...

... nem os meus pais queriam.

E por isso n�o indagaram mais

ao ver que algo se tinha passado. "Conta-nos o que aconteceu."

Era doloroso demais perceber que permitiram que aquilo lhe acontecesse

e n�o queriam saber. Percebe?

Se fosse contar as vezes que o Berchtold tentou

relacionar-se sexualmente comigo...

... entre os dois raptos, durante e depois,

seria...

... mais de 200 vezes.

28 ANOS DEPOIS

O ciclo de vergonha e abusos acaba comigo.

Chamo-me Jan Broberg e em crian�a um amigo pr�ximo

raptou-me e lavou-me o c�rebro.

No pref�cio do nosso livro, no livro da m�e, Inoc�ncia Roubada...

Eu e a minha m�e come��mos a ter conversas longas, tipo entrevistas

e ela come�ou a escrever.

Na verdade, comecei a escrever o livro nos anos 90 e

terminei-o em 2003, publiquei-o

e depois come��mos a falar em v�rios eventos.

Sabiam que, estatisticamente, quatro em cada 10 mulheres

foi abusada sexualmente?

O Berchtold come�ou a aparecer em...

... tentou ir a eventos onde �amos falar.

Embora o pesadelo tenha come�ado

quando Jan tinha 12 anos,

os Broberg alegam que os ataques continuam. O �ltimo foi este...

O Berchtold disse: "Se deixarem esta gente falar,

ser�o mentiras. O livro n�o � verdade."

� tudo mentira.

Ela fala, para esconder o facto da Jan ter ido comigo voluntariamente,

falam em alien�genas e em lavar o c�rebro. N�o foi verdade.

O Berchtold come�ou a amea�ar-nos.

"Se n�o acabarem com isto ou se livrarem do livro,

vou infernizar as vossas vidas."

Mary Ann diz que Berchtold percorreu Pocatello a distribuir panfletos

com falsos testemunhos e informa��o caluniosa.

De que Berchtold teve acesso total � filha dos Broberg

a troco de favores sexuais com os pais dela.

E por isso pedi uma ordem de afastamento.

Fui a tribunal, ele contestou.

Acho que ele s� me queria ver de perto.

Foi t�o... horr�vel.

O Sr. Berchtold ainda me amea�a a mim e � minha fam�lia.

� uma preocupa��o constante

que escalou nos �ltimos meses.

N�o via o homem h� 30 anos e...

... tremi como uma vara nos primeiros cinco minutos.

� uma grande hist�ria.

E vendeste muitos livros por causa da hist�ria, certo?

Vendemos alguns, n�o recuper�mos o investimento feito

na publica��o.

Disseste � ABC News que ias fazer um filme. Correto?

N�o disse isso � ABC News.

Disse-lhes que havia ofertas para tal, podia acontecer, n�o sei.

� esse o objetivo?

- O meu objetivo? - Sim.

O meu objetivo, Sr. Berchtold, � educar o p�blico sobre predadores como o senhor.

Esse � o objetivo.

Estou a ver.

Espero que veja.

Espero que sim.

Nem sei como me olha nos olhos.

N�o tem alma.

Lamento que sintas isso.

E gostava de... te pedir desculpa

pelo sofrimento que te causei.

Se quer pedir desculpa, devia dizer a verdade

e cumprir pena de pris�o, Sr. Berchtold.

E consegui a ordem de afastamento.

N�o por tr�s anos, o normal,

mas enquanto ele vivesse.

Um confronto raro no sul de Utah.

Uma mulher fala sobre ser abusada em crian�a

quando o homem acusado de a raptar alegadamente aparece e confronta

os motociclistas que a protegiam.

Jan Broberg Felt. Oradora numa confer�ncia na Universidade Dixie.

Protegida hoje pelos BACA,

Motociclistas Contra Abusos Infantis.

Os membros dos BACA estavam no exterior quando Robert Berchtold

supostamente apareceu e fez amea�as.

O atacante atropelou um dos nossos membros

e depois fugiu de carro.

Um deles reconheceu-o. "� o Berchtold. Apanhem-no."

E o tipo saltou... Ele tinha uma carrinha Dodge.

Ele saltou para o capot, agarrou-se �s escovas, e ele

acelerou e depois travou a fundo. O tipo caiu e feriu-se.

Chamaram a Pol�cia. Mas o Bob tinha uma arma.

Berchtold foi preso e acusado de tr�s crimes graves e dois delitos.

O j�ri neste caso considera o arguido, Robert E. Berchtold,

culpado de posse de arma de fogo

sem qualquer d�vida razo�vel.

Segunda acusa��o, o j�ri considera o arguido, Robert E. Berchtold,

culpado de agress�o qualificada

sem qualquer d�vida razo�vel.

O Bob foi considerado culpado nesse dia.

Mandaram-no voltar na semana seguinte para a senten�a.

Ele disse: "Um dia preso sequer mata-me. N�o vou."

Tomou os comprimidos todos para o cora��o e bebeu

licor Kahl�a e leite.

Bebeu isso e morreu.

Suicidou-se.

Quando soube que se tinha matado

senti v�rias emo��es.

Chorei e senti...

... muita pena por toda a gente afetada pelas a��es dele.

Seis mulheres contactaram-nos

a contar que foram abusadas sexualmente quando eram crian�as

por Robert Berchtold.

Ele...

... foi condenado por viola��o de uma crian�a

no caso de uma dessas mi�das

e ficou preso um ano.

Um ano.

J� o perdoou?

Perd�o � uma palavra dif�cil.

Na minha cabe�a...

... n�o perdoar algu�m

s� nos p�e a n�s numa cela.

Percebi que posso viver com a minha trag�dia

sem que a trag�dia me controle.

Demorei a chegar aqui.

Consegui perdoar os meus pais ajudando-os a perdoarem-se.

Sim, cometeram erros, mas uma coisa � cometer um erro

como duas pessoas inocentes. Outra coisa � cometer um erro

estando a orquestrar,

a manipular emo��es e sentimentos.

Acho que o meu pai sofreu mais.

Ele fica t�o... zangado porque se sente est�pido.

"Como n�o vi?" Sabem...

Os pais devem proteger as suas meninas.

Eles disseram que ele era um mestre, mestre da manipula��o.

O Berchtold manipulou a minha m�e anos.

Era muito bom a criar aquele tipo de ilus�o

para poder fazer o que queria com a Jan.

Ele era t�o cred�vel, e sabendo que ele podia manipular

adultos como o fazia, e faz�-los acreditar nele,

imaginamos como seria com crian�as.

Teria sido diferente se a Jan n�o tivesse sido raptada, claro.

Mas n�o me roubaram a minha inf�ncia.

Eu tenho uma sorte incr�vel, sou aben�oada pelos pais que tenho.

E irm�s.

Penso...

... que fizemos algumas coisas bem no meio dos erros.

Am�mos a Jan. E isso fez a diferen�a e penso que isso �

o principal.

Porque � algo t�o bizarro.

Mas vivemos isto.

� tudo verdade.

Sempre... disse que eu fiz com que

aquilo acontecesse.

Sentia-me respons�vel.

Vendo o que ela sofreu e tem sofrido

estes anos todos,

porque eu deixei aquele homem entrar na minha casa.

Sei que o meu marido sente isso e acho que nunca poderei...

... perdoar-me por deixar aquilo acontecer.

Sabem, � ir�nico que...

... a pessoa que eu queria esquecer e em quem nunca mais

queria pensar, jamais...

... seja a pessoa em quem penso

todos os dias.

Legendas: Paula Beatriz Ribeiro

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