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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

Obrigada.

Vim aqui hoje dizer-vos que a vida � uma aventura.

� uma aventura que se esconde por tr�s do olhar dos outros.

Durante muitos anos, ao dar as not�cias no meu canal,

pude ver as enormes injusti�as que existem no nosso pa�s.

Por isso tive de repensar o verdadeiro objetivo do jornalismo. Isto � jornalismo?

Dar as mesmas not�cias diariamente?

Por isso, achei que tinha de dar um salto e entrar em contacto com o desconhecido,

o misterioso.

Atr�s desse salto est� o inesperado, o inexplorado, o mist�rio.

E eu dei esse salto.

A minha filha tamb�m deu esse salto, sem pensar nas consequ�ncias.

E o meu marido

envolveu toda a nossa fam�lia,

porque o poder n�o se constr�i a partir do ego, do dinheiro ou dos m�dia.

Constr�i-se atrav�s de um olhar.

Eu vejo confian�a nos vossos olhos.

E isso � essencial porque sem confian�a n�o h� nada.

N�o existe poder, lideran�a, nada.

Temos de levantar-nos, erguer-nos e fazer deste pa�s

o que sempre devia ter sido, um grande pa�s.

Um grande pa�s,

com verdadeiras ambi��es.

T�o verdadeiras quanto o vosso olhar para mim.

Obrigada por estarem aqui hoje e por sempre me tratarem

com tanto carinho.

Obrigada.

Vamos come�ar ent�o as perguntas. Concorda, senhora deputada?

- Quando quiser. - Muito bem.

Cuidado que estes alunos podem ser duros.

Podem perguntar o que quiserem.

Qualquer coisa?

Qualquer coisa, exceto a minha idade. Estou a brincar.

Muito bem. Vamos come�ar.

Assim que fizerem a pergunta, passem o microfone a outro.

- For�a. - Ol�.

O que achou da atitude da sua filha no programa do Reina?

Ela passou por uma experi�ncia muito dif�cil.

Tem que ver com o salto de que fal�vamos h� pouco.

N�o podemos passar por estas experi�ncias

sem consequ�ncias f�sicas e emocionais.

O pr�ximo, por favor.

Sabia que Alfredo Santa Cruz, o seu marido,

ia declarar-se culpado do homic�dio de Larissa Torres?

TR�S ANOS ANTES

Not�cias de �ltima hora: Rosario Santa Cruz,

jornalista deste canal e querida colega,

acabou de ser libertada.

Estamos em direto junto � casa dela.

- Por favor, tenham respeito. - Como est� a sua filha?

Fizeste sexo com ela?

O que tens que ver com isso?

O que tenho que ver? Estou a perguntar-te. Fizeste sexo com ela ou n�o?

Muda alguma coisa se eu fiz?

Fiz-te uma pergunta. Estou a falar educadamente.

N�o sou um daqueles saloios com quem est�s habituado a lidar.

Se te envolveste com eles, foi porque eu mandei.

Por isso, n�o me trates como um.

Sim, comi-a.

"Comi-a"? Tens muita piada, n�o tens?

Porque falas assim? Salvei-te a vida. Tirei-te de l�.

Sabes onde estarias agora? Na pris�o e a engolir a palhinha de um criminoso.

Fala comigo como educa��o, est� bem? Eu n�o sou um deles.

Ela procurou-me. Eu gostei dela, fizemos sexo.

Acredita que n�o sou um daqueles tipos.

�s m�rbido.

Gostas de lama, mas n�o gostas de sujar-te.

Precisas que algu�m o fa�a por ti.

Como achas que consegues as coisas, Franco?

A gravar v�deos e a tirar fotos?

Quanto custou extrair informa��o � Larissa? Quantos v�deos?

Achas que o teu m�todo � melhor do que o meu, � isso?

Preciso que a Rosario saiba que vou proteg�-la. Tal como a Larissa.

Uma pergunta, acabei de lembrar-me. Quem salvou a Larissa?

Tu ou eu?

Pronto. Pe�o desculpa desde que tenhas tudo sob controlo. E tu tens, n�o?

Sim.

Preciso de dinheiro. O que me dizes a isso?

Metade est� marcada, a outra metade tenho de pedir autoriza��o. D�-me tempo.

H� duas coisas. Uma delas, n�o tenho para onde ir.

- A segunda, preciso de dinheiro. - Houve sempre dinheiro.

Mas j� n�o estamos com aqueles pedintes. Agora estamos com outras pessoas.

N�o te esque�as que, com ingenuidade e descontra��o,

podemos acabar como o Carbone.

- De acordo. � tudo? - Sim, �.

- Est� bem, sa�de. - Sa�de.

N�o creio que seja a altura ideal para falar disso.

Nunca ser� a altura ideal, Alfredo. Tens de contar-lhe a verdade.

Por favor, comporta-te como uma boa m�e e prepara algo para comer.

Quanto mais tempo passar, ser� pior.

Eles v�o vender a informa��o.

O Bernal vai manipular-nos. Conta-lhe a verdade. Ela adora-te.

Eu n�o importo. Eu apoio-te, mostro-me ofendida, o que for necess�rio.

- Tenho vergonha. N�o creio que consiga. - �s como um her�i para ela.

N�o podemos tirar-lhe a �nica coisa que a sustenta.

A minha reputa��o est� destru�da.

Isabel, ela � muito melhor do que n�s.

N�o posso. Acredita em mim, n�o posso. N�o vou conseguir.

Eu creio que n�o est�s a entender o que est� aqui em jogo.

Vamos perder muito mais do que o carinho da Rosario.

Sabes que mais?

A Rosario vai saber da tua rela��o com a Larissa por ti, Alfredo.

Surpreendeste-me.

- N�o estavas � espera, pois n�o? - N�o.

Quando disseste "Agora, mando eu", surpreendeste-me.

Mas n�o foi a primeira vez.

J� estou habituado a isso.

Quando deixaste a corda cair ao rio. No cais, lembras-te?

Andei � deriva durante 500 metros.

Eu fui contra os ramos e os nen�fares. Lembras-te disso?

- Agi mal naquele dia. - N�o, n�o agiste.

Tu nunca me dececionaste.

N�o sei como cuidar de ti, mas tu sempre cuidaste de mim.

O que vai acontecer-nos?

Vamos ficar presos para sempre �quele momento

em que levaram a Anita?

Eu sei que me queres bem.

Achas que n�o o vi na tua cara? Que eu n�o vi o teu medo?

Tu estavas a tremer de p�nico quando eu estava � deriva.

Eu estava a afastar-me e vi o teu rosto. Tamb�m tens medo de perder-me. Certo?

N�o temos culpa do que aconteceu � Anita.

Temos de ser claros quanto a isso. N�o temos culpa.

Est�s a olhar para onde? Perdeste alguma coisa?

- O qu�? N�o estou a olhar para voc�s. - Nunca viste dois homens sens�veis?

Para com isso. N�o devias brigar.

Se eu quiser lutar, luto. Luto contra ti, contra ele, contra um ex�rcito.

O que se passa? Perguntei-te se perdeste alguma coisa?

- Calma, n�o te preocupes com isso. - Senta-te, meu.

Anda c� sentar-te. Porque est�s a provocar-me?

- Porque n�o olhas para outro lado? - Tem calma.

Se quiser bater-te, bato-te.

- Porque n�o o sossegas? - Tem calma.

Quem �s tu? Queres lutar? Anda c�!

Ir aonde? Se eu quiser lutar, luto hoje.

- Anda, vamos embora. - N�o vou voltar a v�-lo.

- Toma o teu imperme�vel. - Ot�rio.

Ot�rio? Filho da m�e!

Porque n�o me deixaste lutar?

- Porque est� a olhar para mim? - O que se passa contigo?

Agora �s rebelde? Porque queres provocar uma briga?

- Sou um rebelde, mano. - O que se passa contigo?

Isto � uma reuni�o ou n�o? Estamos a falar. Pe�o-te que confies em mim.

Eu confio em ti. Quero proteger-te.

E dado que quero proteger-te, n�o d�s nas vistas at� vir buscar-te.

Apesar de estares b�bedo, gostas de maquina��es. Gostas disso.

- �s inacredit�vel. - Quero que fique tudo bem.

Podemos falar noutro s�tio? N�o podemos estar aqui. Ou podemos?

Podemos?

Porque n�o lhe damos uma tareia juntos, como nos velhos tempos?

Porque n�o vamos descarregar em cima daqueles dois idiotas?

Diz que sim, por favor.

- Acordei-te? - N�o.

- Foi o cheiro do caf�. - Sabes que fa�o um �timo caf�.

� verdade.

Toma, pai.

Rosarito, eu n�o conseguiria suportar se te acontecesse algo.

Mas j� acabou, pai. J� n�o h� perigo.

Sabes que �s a coisa mais importante da minha vida, n�o?

E tu da minha.

Agora o importante � apoiar a causa

das mulheres envolvidas nisto.

Rosario.

Apesar de sentir-me envergonhado, h� coisas que tenho de contar-te.

O que se passa?

Sabes que amo a tua m�e, que sempre amei.

Mas sabes que os homens t�m as suas fraquezas.

E, �s vezes,

cometemos alguns erros, uns mais graves do que outros.

N�o me venhas com essa hist�ria de fidelidade, porque n�o acredito.

Sobretudo vinda de ti.

Apesar de a tua m�e ser o amor da minha vida

e a minha companheira em tudo,

eu estive com outras mulheres.

Bem, pai, esse problema � vosso. N�o quero saber disso.

N�o, � importante que saibas.

Imagina um homem como eu,

um produtor, propriet�rio de um canal de not�cias, estas situa��es...

E por causa disso,

tive de manter estas rela��es em segredo.

At� que houve uma que me chantageou. Por isso, achei que tinha de ter cuidado.

E recorri a acompanhantes profissionais.

Eu j� conhecia a Larissa.

Nunca acreditei no desaparecimento dela. Parecia t�o sinistro.

Mas, ela trabalhava

naqueles eventos para classes altas.

Vi-a v�rias vezes e fomos para outros lugares.

At� que soube do desaparecimento dela quando trouxeste a not�cia para o canal.

- Podias ter-me contado. - Tudo o que constru�mos ia desmoronar.

Mesmo que n�o gostes, foi para a tua prote��o.

- Deixa-me fazer-te uma pergunta. - Sim.

Estiveste com ela durante o desaparecimento?

N�o.

S� soube do desaparecimento dela

quando come�aste a investigar, n�o voltei a v�-la. Juro!

Como foste capaz?

Acredita em mim, Rosario, pelo amor de Deus.

Estou t�o dececionada contigo, pai.

Sinto tanta vergonha.

Perdoa-me, filha.

Divertiste-te ontem � noite?

Nunca est�s aqui quando preciso de ti, pois n�o?

Sabes que n�o podes aparecer assim. Os m�dia n�o nos v�o deixar em paz.

O que aconteceu?

Embebedei-me, mas agora estou bem.

Queria saber porque n�o me falaste da investiga��o das tatuagens.

Est�s a ter uma bela manh�.

Eu ia contar-te quando achasse que devias saber.

- E devia saber mais alguma coisa? - Tenho estado a trabalhar.

N�o acreditas, mas tenho estado a investigar muito.

N�o pensei que era importante, mas claramente

temos de seguir o mesmo caminho.

- Est� bem. - A Paola veio falar comigo no outro dia.

A amiga da Chloe, a rapariga com quem...

Ela disse-me que ia encontrar-se com ela, mas a Chloe n�o apareceu.

Eu n�o estranhei,

mas os dias passaram-se e ela n�o ligou.

Estamos sempre em contacto. N�o sei talvez lhe tenha acontecido algo.

Est�s a brincar, Franco?

A mulher com quem tens uma rela��o, a tua aluna,

desaparece e n�o fazes nada?

- Est�s a encobrir algu�m? - O que se passa, Garrido?

- N�o confias em mim? - N�o.

N�o faz mal.

Quando te dei algum motivo para n�o confiares em mim?

Espero que n�o seja tarde demais para falar com a Paola.

Rosario, como se sente ap�s a sua liberta��o?

- Falamos depois. - Quem � o Agente H?

- Falamos depois, por favor. - Como se sente?

- Falamos sempre com a imprensa. - Eles bateram-lhe?

Bom dia, Rosario.

Quero que contactes a Monica e a Larissa. Quero falar com elas.

Eu sei que n�o gosta de microfones escondidos ou escutas telef�nicas.

Chamei-o aqui para podermos falar � vontade.

Tenho tudo aquilo que precisa.

Com estas informa��es, podemos atacar os seus amigos do partido.

Eles devem ter subornado muitas pessoas para que isto n�o se soubesse.

O procurador sabe como isto �.

Que informa��es � que tem para mim?

Posso entregar-lhas.

O meu agente fez um �timo trabalho. Tem de retribuir o favor dele.

O que deseja?

Atingi o meu limite na minha posi��o. Eu quero progredir.

- Quer ser pol�tico? - E quero a prote��o do seu canal de TV.

Muito bem.

Posso dar-lhe isso.

Mas, em troca, todas aquelas imagens do Alfredo ter�o de desaparecer.

Quais imagens?

N�o quero que nada prejudique a minha reputa��o.

Concordo. Mais uma coisa.

Eu quero estar pr�ximo da Rosario.

S� com uma condi��o:

n�o a magoe.

Tens no��o de como me senti impotente quando me disseram que foste raptada?

O Alfredo veio e tratou-me como uma idiota.

Imaginei o meu mundo sem ti e apeteceu-me morrer.

A s�rio. Est�s bem, Rosario? O que se passa?

- Juan... - Pareces distante.

- Temos de conversar. - Sim, diz-me, o que se passa?

Depois de tudo o que aconteceu, tenho um turbilh�o de emo��es.

- Sim, claro. - Eu amo-te muito,

mas tenho dificuldade em pensar em n�s.

- Amor, est�s a dar cabo de mim. - Eu amo-te e n�o quero magoar-te.

- Rosario, est�s a abandonar-me. - N�o, vou ajudar-te no teu trabalho,

na tua carreira. N�o te vai acontecer nada, n�o te preocupes.

Aconteceu mais alguma coisa que ainda n�o sei?

Aconteceram muitas coisas, Juan.

N�o posso falar agora, tenho uma reuni�o. Falamos depois, est� bem?

At� depois.

Estamos a avaliar.

Temos de testar as provas.

Nico, liga-me. Ach�mos um corpo.

- Rulfo, andamos a encontrar-nos muito. - Sim, � um trabalho da treta, n�o �?

Quanto mais sangue corre, mais nos aproximamos.

- Que po�tico. - Assim � a absurda tragicom�dia da vida.

Onde est� o seu amigo? Aquele ot�rio do Bernal? Na TV? A dan�ar?

Est� a ser injusto com ele. O Bernal trabalha muito.

Em benef�cio pessoal, por conveni�ncia. Nunca por justi�a ou solidariedade.

Ele finge que � um vingador diante das c�maras, mas n�s, Garrido,

n�s � que fazemos realmente o trabalho sujo. Trabalhamos no duro.

N�o deixe que ele a contamine. � demasiado valiosa.

Largue-me.

Como ir�s fazer a entrevista?

Ela foi raptada por uma rede de tr�fico.

A ideia � que a entrevista se centre no que as pessoas querem saber.

Quem � que a levou, para onde foi levada.

Como a obrigaram a ser prostituta, quem eram os clientes dela, a liberta��o...

Temos de ter cuidado porque n�o sabemos quem pode estar envolvido.

Creio que as quest�es s�o coerentes, sejam quem forem os envolvidos.

- E o que o Alfredo sugere? - A abordagem deve ser diferente.

- Isto j� se sabe. O que...? - Desculpe. A Larissa chegou.

Ouve, Rosario, tu entendes-me, certo?

Eu parei antes.

Sim, pai, eu entendo.

Ela pode pressionar-te,

pode manipular-te. - Pai, como costumas sempre dizer,

as coisas resolvem-se no direto.

Tenho de ir para a maquilhagem.

Bem-vindas, como est�o? Sou a Monica.

Prazer em rev�-la. Larissa, finalmente, � um prazer.

- Obrigada por receber-nos. - N�o tem de qu�. � por aqui.

Quando a Rosario voltou, ela retomou a investiga��o. � muito dedicada.

- Queremos que se saiba a verdade toda. - N�s queremos o mesmo.

Est� pronta, Larissa?

- Posso falar com a Rosario? - Sim, claro. Sigam-me.

Merda!

- Sim? - Posso entrar?

- N�o estava � sua espera. - Tenho de vigiar a minha testemunha.

- Como est� o seu irm�o? - Est� bem.

- Est� �timo. Porque pergunta? - � o m�nimo que posso fazer.

Ele salvou-me a vida. Estou viva gra�as a ele.

Ele vai ficar bem. N�o vai dar nas vistas durante um tempo. Vai ficar bem. E voc�?

Estou melhor. A melhorar a cada instante. Mas h� coisas que n�o se esquecem.

Eu sei. Mas passou um mau bocado. Vai ficar bem, eu sei que � forte.

Obrigada.

- Bernal. N�o se meta com a minha filha. - Diga-me coisas, Alfredo.

- Quer que lhe mostre a foto? - N�o � isso. Eu tamb�m tenho contactos.

Decerto estariam prontos a destruir a vida a um procurador corrupto como o Bernal.

O �nico que tresanda aqui � o Alfredo. Eu vim ver a minha testemunha.

- E agora tenho de ir. - N�o quero voltar a v�-lo aqui.

Dedique-se � televis�o e deixe-me fazer o meu trabalho quando e onde quero.

Est� bem? Porque n�o pergunta � sua mulher o que n�s decidimos?

- O que est� a dizer? - Tem de gostar de mim e tratar-me bem.

Em breve, v�o come�ar a receber-me aqui com uma passadeira vermelha.

Caso se lembre de alguma coisa, por favor ligue-me. Obrigada.

Podem ir. Vou � c�mara municipal pedir as grava��es da c�mara de tr�nsito.

Filho da m�e.

Desculpe. Precisa de ajuda?

- Arrombaram a porta e levaram tudo. - Espera. Tem calma e explica.

Eu entrei e estava tudo numa confus�o. Levaram tudo!

Quem foi? Quem te estava a seguir? Como foste t�o descuidado? De prop�sito?

Ningu�m me seguiu! Entrei como sempre. N�o sei o que aconteceu!

Isto s�o p�ssimas not�cias. N�o podemos fazer nada. Sai. E o nosso dinheiro?

Sim. Tudo. Garanto-te que vou recuperar tudo.

- Prometo. - Espero que sim.

Bem-vindos �s Not�cias 24/7.

Decerto muitos querem que eu conte a minha hist�ria, mas n�o o farei.

Hoje falamos da hist�ria que nos deixou em suspenso durante um ano.

Felizmente, com o melhor resultado poss�vel.

Larissa Torres foi encontrada viva.

E est� aqui connosco para contar a sua hist�ria.

- Obrigada por ter vindo, Larissa. - Obrigada.

Um ano.

Por onde quer come�ar?

Por si.

A minha m�e contou-me tudo o que fez por mim.

Obrigada. Por procurar-me.

Eu sei que tamb�m sofreu.

N�o foi nada comparado com o que lhe aconteceu.

Conte-me.

Conte-me algo que se lembre, o que quer que me queira contar.

Quando eles me raptaram,

a primeira coisa que perdi foi a no��o do tempo.

Disse-me que foi um ano.

Mas eu senti que foi uma eternidade.

Pode imaginar as coisas que me fizeram.

Ao ter l� estado e experienciado...

Posso imaginar, sim.

LARISSA TORRES: "A PRIMEIRA COISA QUE PERDI FOI A NO��O DE TEMPO"

Como arranjou a vontade de continuar, de...?

Continuar a viver?

Pensei na minha fam�lia.

No meu namorado.

Como seria voltar para casa.

E ter uma vida normal.

Alguma vez pensou em fugir?

Sim.

Na verdade, tentei.

Como eram os seus dias?

Os meus dias eram todos iguais.

"S� PENSEI NA MINHA FAM�LIA E NO MEU NAMORADO"

Exceto quando me iam buscar para sair.

Obrigaram-me a usar maquilhagem e a arranjar-me.

E levavam-me para festas.

"OS MEUS DIAS ERAM TODOS IGUAIS, EXCETO QUANDO ME IAM BUSCAR PARA SAIR"

Estavam repletas de homens estrangeiros.

Homens muito poderosos.

A Larissa ia sozinha?

Havia muitas outras.

Arruinaram a vida a muitas outras.

"ARRUINARAM A VIDA A MUITAS MULHERES COMO EU"

Tem consci�ncia de que era uma escrava?

- Desculpe. - Leve o tempo que precisar.

Ser escrava de um homem que pode fazer o que quiser connosco � o pior

que nos pode acontecer.

� verdade.

H� caras que nunca irei esquecer.

Conheceu o Roque Carbone?

Sim, conheci. Vi-o algumas vezes.

Agora que mo disse, lembro-me.

Consigo reconhecer a maior parte dos clientes.

J� foi chamada a testemunhar?

"CONSIGO RECONHECER V�RIOS CLIENTES"

Tenho de desenvolver o meu testemunho diante do juiz.

Aquele que comecei com o procurador Bernal.

E o que deseja fazer quando terminar este inferno?

Eu quero...

Quero ser feliz.

Quero retomar a minha vida.

- E n�o ter mais medo, claro. - Claro.

"QUERO SER FELIZ E N�O TER MEDO"

O que gostaria de fazer?

Eu sempre quis ser jornalista, como a Rosario.

- Obrigada por vir contar a sua hist�ria. - Obrigada.

Vamos para publicidade, depois voltamos com mais not�cias.

- Rosario... - Larissa...

Eu sei que havia uma pessoa que me era pr�xima que estava nessas festas.

Quero pedir-lhe o seu perd�o.

- Rosario, faltam cinco segundos. - Vamos para o ar.

O que faremos com as not�cias? Qual � o esquema?

A economia, pol�tica, desporto?

Ou vamos...?

- Tenho de falar consigo. - Sim. D�s-me um minuto, por favor?

Diga-me.

Preciso de contar-lhe algo. Interprete como quiser. Tenho de contar-lho.

- Queria conversar sobre isto... - N�o sabe o que quero contar-lhe.

Talvez seja melhor conversarmos noutro s�tio.

- O meu pai disse-me que depois... - N�o � sobre o Alfredo.

Uma vez ouvi uma conversa de um cliente numa das festas.

Era um tipo chamado Jimmy.

A TV estava ligada e passaram um an�ncio ao canal com a sua foto.

E ele fez um coment�rio.

Da sorte que aquela mulher teve ao ser adotada pelos Santa Cruz.

Se soubesse quem era a m�e biol�gica...

Foi tudo o que eu consegui ouvir. N�o sei se ajuda.

- Lamento. - N�o.

Filhos da m�e.

Filhos da m�e! V�o todos � merda!

Filhos da m�e!

- Ol�. - Obrigado.

Que filha da m�e.

Que grande sacana.

- Faz-me um favor. - Sim.

Deixei umas pastas l� em cima. Vai busc�-las.

Depois de tudo o que aconteceu, merecemos um jantar de fam�lia.

Passaste por coisas horr�veis, minha filha.

Tamb�m vou propor o aumento das penas

e tomar uma posi��o mais firme no Congresso.

- � uma boa ideia, m�e. - N�o te preocupes comigo e o teu pai.

N�s temos os nossos acordos.

Amamo-nos e precisamos um do outro e... n�o interessa.

- N�o creio que seja necess�rio, Isabel. - Eu acho que � necess�rio.

Quero que ela saiba e entenda

que cometemos muitos erros. Tu cometeste os teus e eu cometi os meus.

Mas continu�mos um com o outro.

Eu coloquei-me no lugar dele

e entendi que deve ter sido muito dif�cil para ele

reconhecer a rela��o com esta jovem.

Mas por certo que � muito dif�cil para ti

entender estas coisas, uma vez que �s t�o jovem.

Ela tem raz�o acerca de tudo e estou decidido a pedir perd�o.

A Larissa contou-me que numa festa se falou sobre a minha m�e biol�gica.

Sabes alguma coisa sobre isso, pai? Ela disse algo quando se encontraram?

TR�S ANOS DEPOIS

Sra. Santa Cruz?

Sra. Santa Cruz?

Isabel, sente-se bem?

Acha que isto pode ser vingan�a do Agente H?

- O que est� ele a dizer? - Quem � o Agente H?

- Isabel, sente-se bem? - Vai responder, senhora deputada?

Gonzalo, lamento, mas n�s n�o sab�amos.

T�nhamos medo.

Medo de perder o controlo.

Sente-se bem?

Tradu��o: Patricia Freitas

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