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UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
Ningu�m percebe o que aconteceu.
Vimos uma Rosario Santa Cruz fora de si, alienada.
Sabemos que tem passado por momentos dif�ceis,
mas nada justifica a sua rea��o.
N�o posso deixar de perguntar o que estar� ela a esconder,
pois, obviamente, h� muito que n�o sabemos.
Nunca acreditei no que ela dizia.
E o namorado � um corrupto total.
Imaginas a quantidade de pessoas que deve ter pisado para passar de procurador
a candidato a vice-presidente?
J� acabei. E tu?
Ainda me falta um pouco.
- Espero que te despaches. - At� amanh�.
TR�S ANOS ANTES
O procurador vem agora falar contigo.
Vou pedir que te tragam mais �gua fresca.
Larissa, tens de confiar em n�s.
As coisas mudaram.
Tens de ser forte.
Procur�mos-te por todo o lado, sabes?
N�o deixaremos que algo de mal te aconte�a.
Vamos encontr�-las a todas.
Se nos ajudares, vamos encontr�-las a todas.
J� disse que ouvi.
Calma. Tenha calma.
Isabel, por favor!
Fiz tudo o que me pediu, cumpri tudo � letra.
Quero a minha filha de volta.
- Tenho as m�os atadas. - Desate-as!
Esse homem n�o trabalha para si?
Calma, por favor. O meu agente est� a arriscar o pesco�o.
A Rosario � que est� a arriscar o pesco�o por fazer o que pediu.
Se n�o me ouvir, vamos passar horas a discutir.
N�o me interessa discutir.
Quero as respostas que n�o me est� a dar.
Ou�a, deputada, isto n�o � um jogo, n�o � uma encena��o.
Se o agente n�o comunica, � para o bem de todos,
incluindo o da sua filha. Temos tudo controlado, confie em mim.
Pare com a conversa da confian�a, procurador!
N�o sabe do que sou capaz para recuperar a minha filha. N�o me falhe.
Garanto que vou resolver isto. Agora, vou interrogar a Larissa.
Fico � espera de not�cias, procurador.
Ol�.
- Ol�. - Como vais, pequena?
- Como est�s? - Estou bem. E tu?
Estou bem.
Venha.
Ines, oferece algo para comer � Rosario.
- Mostra-lhe onde � o quarto de banho. - Venha comigo.
Vamos.
Como est�s?
Podes olhar-me nos olhos, por favor?
H� muita gente l� fora que te quer ver.
Est� l� a tua m�e.
Imagino que tamb�m a queres ver.
E est� l� um m�dico que tem de te observar.
Sei que passaste por coisas muito feias, inclusive o massacre de ontem.
Por isso, pe�o-te que me ajudes e te ajudes.
Sabes, eu canso-me muito depressa, putinha.
E n�o gosto de brincar.
Achas que n�o sei que �s a bisbilhoteira do Gonzalo l� dentro?
Eu n�o sou como ele.
Por isso, diz-me para onde levou a Rosario.
Queres brincar?
Muito bem.
Vamos brincar.
- Bernal. - Que se passa, Garrido?
Tenho a m�e dela ali h� seis horas.
Ela diz que quer v�-la. O que fa�o?
- Que espere. - N�o precisa de ser vista pelo m�dico?
Que espere.
O que quer tomar?
�gua.
- Obrigada. - De nada.
Teve sorte.
H� semanas que n�o chove.
Nem imagina como ficam as estradas quando chove.
- Podemos esquecer as formalidades? - Sim.
�s mais bonita ao vivo.
Obrigada.
Desculpa, nunca estive com algu�m como tu.
Podes tomar banho, se quiseres.
N�o tenho roupa.
Posso ir buscar-te algo. A minha m�e veste o teu n�mero.
Tenho de perguntar ao Gonzalo primeiro.
Ele � que decide.
Claro. Ele � que decide.
Sabe algo da minha filha, Bernal?
Ainda nada, Santa Cruz. Mas preciso de v�-lo.
Recomendo que a encontre imediatamente.
N�o queira ver-me enervado.
Como � que n�o entendeu que comigo as amea�as n�o funcionam?
Quero encontrar a minha filha, raios!
Sabe o que vai fazer? Vai fazer o que eu digo e vai acalmar-se.
Quero-o daqui a 20 minutos no endere�o que vou dar.
- Para qu�? O que quer? - N�o. Pelo telefone, n�o.
Bernal, que cara! Pareces chateado.
Como queres que esteja? � o nosso trabalho.
Este trabalho � andar chateado, lixado, tramado.
N�o podes apoiar-me?
- Precisas de alguma coisa? - Sim.
Gostaria de saber por que raio me complicas as coisas.
N�o sou ing�nua.
N�o estou a complicar-te nada. O que queres?
Est� bem. Encontr�mos informa��o acerca do guia.
Sim? Porque o mataram?
- Estamos a investigar. - Diz-me o que j� descobriram.
Neste momento estou chateado, irado, passado. Tudo junto.
� verdade que andas com o rapaz da meteorologia?
Uma amiga minha est� apaixonada por ele.
Eu nem sempre vejo.
Mas, �s vezes, a minha m�e p�e no canal e gosto de ver-te.
Estamos muito longe da estrada principal?
Vives aqui?
N�o, nem por isso.
Mas passo c� muito tempo, porque cuido da Josefina.
Sabias que ela � cega?
D�s-te bem com o Gonzalo.
Sim, claro.
E com o irm�o dele?
- Com quem? - O Franco.
Acho melhor tomar um banho.
Est� bem, eu preparo tudo.
- Vai l�. - � num instante.
Vou ligar o aquecimento da �gua e j� volto.
Porque tenho de vir c�? Onde est� a minha filha?
Baixe a voz e sente-se. Sente-se.
Isto � para si.
O que �?
Veja.
Como conseguiu isto?
Sou procurador-geral.
Estou a investigar uma rede de tr�fico humano.
Pode n�o acreditar, mas frequento os bord�is mais luxuosos do pa�s.
Gosto imenso que me olhe assim.
Faz-me sentir que fiz bem o meu trabalho.
Quanto vai custar-me esta parte da minha vida?
Todos estamos metidos nisto.
O senhor, o meu agente, a Rosario, a Larissa e eu.
Todos somos culpados, todos envolvidos.
Mas a lei, a �nica lei, sou eu.
E hoje, como representante da lei,
venho oferecer-lhe algumas op��es.
Espero que seja inteligente e saiba escolher a melhor.
Est� bem?
- Vou deixar as roupas aqui. - Obrigada.
Quem era a senhora?
A minha m�e. Est� cega e meio senil.
Porque me trouxe para c�?
Porque � a �nica carta que tenho.
- E tive de jog�-la. - Porqu�?
As coisas est�o a ficar feias.
O jogo est� a mudar. Melhor dizendo, o Franco est� a mudar.
N�o posso confiar mais nele.
N�o entendo. Porque me diz isso?
N�o estava planeado que as coisas corressem assim.
O Franco exp�-la demais.
Estou a arriscar a vida nisto. N�o gosto de perder.
E parece-lhe bem ter matado todas aquelas pessoas?
E a si, parece-lhe mal?
O que teria feito?
Abdiquei da minha vida por isto.
Estava farto.
Enchi as m�os de sangue.
S� quero que desapare�a essa rede de merda.
Quero-os todos arruinados, do mais reles ao chefe mais alto.
O Franco n�o quer isso.
O Franco s� quer acumular poder e informa��o para extorquir pessoas.
Hoje, isto �-lhe conveniente. Mas, amanh�,
vai querer algo muito pior e, a�, estaremos todos tramados.
Percebe o que eu digo?
Rodolfo.
Noite agitada.
Parece que sim.
A noite de um dia agitado.
Tudo indica que arrastaram o corpo v�rios metros at� aqui.
Depois, o assassino veio buscar a mulher.
A cabine do empregado fica ali.
� a �nica pessoa encarregue do parque.
Vou falar com ele.
Esque�a. O homem est� fora de a��o.
Deram-lhe um calmante.
Devia ter chegado antes, Garrido.
N�o me foda, Rodolfo.
O que chegou a dizer o funcion�rio do parque?
Durante a semana, n�o vem c� ningu�m.
Os �ltimos que c� passaram a noite foram as v�timas.
E um homem numa carrinha. Pelos vistos, de poucas palavras.
Ele disse onde estacionou a carrinha?
Ali. Tomei a liberdade de delimitar a �rea.
Sabe que a pol�cia de prov�ncia � bruta.
- Sim. - Esqueceu-se da roupa.
Diga � m�e da Ines que lhe agrade�o.
Espero l� em baixo.
N�o lhe pe�o que entenda.
Pe�o-lhe que confie.
Custa-me confiar.
Ontem, matou cinco homens.
Um deles,
continuou a disparar com ele j� no ch�o.
Depois, traz-me a este s�tio.
N�o me deixa falar com a minha fam�lia.
Custa-me...
... confiar.
Juro que a entendo.
Mas n�o me arrependo.
A sua vida estava em jogo. Para mim, isso era o mais importante.
Venha comigo.
Sempre que v�nhamos da ca�a, o Jeremiah trazia-nos para aqui e...
... come�ava a tocar piano.
Tamb�m bebia uns copos.
Apesar de ser meu padrasto,
o Jeremiah nunca fez diferen�a entre mim e o Franco.
Ele foi muito importante para mim.
Foi algu�m que me marcou.
A minha m�e trabalhava no campo dele.
Ela estava sempre a dizer
que o Jeremia Bernal
era um dos homens mais poderosos de Buenos Aires.
Ele ficou vi�vo pouco depois do Franco nascer.
A minha m�e era uma das mulheres mais bonitas da aldeia,
talvez a mais bonita, n�o sei.
Enfim, o Jeremiah apaixonou-se por ela.
Ela apaixonou-se por ele.
Passado pouco tempo, eu e o Franco j� est�vamos a viver aqui.
Mal t�nhamos c� chegado e nasceu a Ana, a nossa irm�.
Era uma beb� linda.
Era incr�vel.
De alguma forma ela...
... mantinha-nos a todos unidos.
E onde est� ela?
Tamb�m se zangaram com ela?
A Ana desapareceu quando tinha sete anos.
N�o soubemos nada dela.
Uma semana depois, recebemos uma chamada.
Os homens poderosos tamb�m podem perder.
E, desta vez, foi o Jeremiah.
Algu�m quis ajustar contas pelo passado e...
Foi horr�vel.
Foi o pior momento da nossa vida.
Nunca odiei tanto algu�m.
O Jeremiah n�o conseguia aguentar.
Odiava-se a ele pr�prio.
Um dia depois do funeral, levou um saco de armas e partiu.
Apareceu uma semana depois, na igreja, a sangrar.
Matou 14 filhos da puta.
Por via das d�vidas, matou-os a todos.
Eles n�o sabiam com quem se tinham metido.
"O Massacre de Jeremiah."
O t�tulo que lhe deram nos jornais.
O Franco n�o aguentou tanta dor e foi embora.
Foi para Buenos Aires.
Tinha 16 anos.
Eu fiquei c�, a cuidar da minha m�e e do campo.
Quinze anos mais tarde,
o Franco regressou.
J� era advogado.
P�s a escritura do campo no nome da minha m�e.
E ofereceu-me um emprego.
N�o vos esqueceu. Foi justo.
"Justo" n�o � uma palavra que defina o Franco.
Come�amos de novo?
Larissa, n�o sei que tipo de acordo tens com o Gonzalo.
Por isso, n�o vou meter-me.
Poderia faz�-lo, mas n�o me importa.
Mas se o Gonzalo estiver a esconder-me algo
e tu tiveres decidido ser c�mplice dele,
isso sim, j� seria algo de que eu n�o iria gostar.
A lei sou eu.
O Gonzalo n�o � mais do que um agente. Faz bem o seu trabalho, sim,
mas � apenas um agente.
E tu...
... poderias ser a puta de turno dele.
Acho que o mais conveniente para ti
� que me digas onde est�o o Gonzalo e a Rosario.
N�o vais falar.
Muito bem. Como queiras.
Eu sei que vais falar.
Mais cedo ou mais tarde, vais falar.
Com mais dor ou menos dor,
isso depende de ti.
Alfredo.
Sabe, ainda h� pouco tempo isto estava cheio de patos e cisnes.
As pessoas comeram-nos a todos.
N�o t�m respeito por nada.
Que fofos.
Isto era t�o pitoresco.
Enfim, passemos ao nosso assunto, Isabel.
Quando pensa que v�o libertar a Rosario?
N�o sei.
N�o sei. Presumo que � algo que ter� um custo elevado
e eu ultimamente n�o ando a par de nada.
O Alfredo n�o veio dormir ontem � noite.
Algo est� errado com aquele homem.
Ele foi um grande parceiro para si.
A aus�ncia da filha deixou-o muito vulner�vel.
Qualquer um ficaria.
Os meus filhos s�o uns ingratos.
Com tudo o que fa�o por eles.
Fico t�o chateado com os meus filhos. Nem sei para que os tive.
Chegou o Perrone.
A decis�o dele n�o importa.
O que importa � que nos veja juntos.
Vai mesmo embora?
Ele j� nos viu. J� est� lixado.
Voc� sabe o que tem de dizer-lhe. Adeus.
- Bom dia, deputada. - Bom dia.
Aconteceu algo ao Bambiri? Parece ter ido embora � pressa.
Acho que tinha consulta no proctologista.
O que � isto, deputada?
Suponho que n�o me chamou para falar dos problemas retais do Bambiri.
Sup�e bem.
H� algum tempo que o Gonzalo n�o trazia uma rapariga c� a casa.
Vem, senta-te.
Desculpe, n�o queria incomod�-la.
N�o faz mal.
O Gonzalo falou-me muito de si.
N�o falemos do meu filho.
Importas-te que fa�a uma pergunta?
N�o.
Diga.
Quero saber onde est� o Franco.
Onde est� o meu outro filho?
N�o me d� sempre raz�o como se faz com os loucos.
Percebo a sua situa��o e quero ser educado, deputada.
N�o estamos a falar da Rosario, mas sim do seu apoio.
Quanto a isso, receio que n�o gostar� do que tenho a dizer.
Espere, n�o se apresse.
As coisas feitas � pressa n�o saem bem. Primeiro, ou�a-me.
Tenho de reconhecer que este cen�rio � impressionante.
O Bambiri sai na hora certa.
Este s�tio e estes edif�cios lembram-me que venho de uma prov�ncia pequena,
que � aqui que se fazem coisas importantes.
V�?
O que tenho a dizer-lhe � importante.
N�o me fa�a isso, deputada.
Sabe que n�o posso garantir-lhe nada.
As pessoas do partido enforcar-me-iam em pra�a p�blica.
Ali�s, ficariam fulos s� de saber que estou a falar consigo.
N�o posso p�r a minha fam�lia em perigo.
Em troca de qu�?
Em troca, digamos, de n�o estar rodeado
de criminosos e esclavagistas.
Com esta gente n�o se brinca, deputada. N�o vou mentir-lhe,
n�o conte com o meu voto.
Lembro-me de uma frase de um discurso seu,
onde dizia
que o pa�s s� seria salvo
por homens e mulheres de coragem.
"Como os anos mudam as coisas."
Lembra-se do tango?
N�o, n�o me lembro desse tango.
Mas lembro-me de todas as vezes que o entrevistei.
Sim, � verdade. Foram muitas e sempre me deu uma m�o.
Pois � isso que estou agora a pedir em troca.
Porqu� logo eu?
Nem com o meu voto conseguiria o que quer.
Deixemos as coisas como elas est�o.
Voc� n�o se queima
e eu n�o fico como traidor do partido.
Quem diria que voc� � um cobarde?
O meu avi�o parte daqui a uma hora e meia. Desejo-lhe sorte com a sua filha.
Se precisar de alguma coisa, n�o me ligue.
Deputado.
Recordo-o que, al�m de ser deputada,
sou dona de uma das empresas de m�dia mais importantes do pa�s.
Nessa posi��o, como entender�, recebo todos os dias
material, informa��o,
arquivos.
Pergunto-me,
o que diriam as pessoas se soubessem
que um deputado como voc�, quando era jovem, � verdade,
gostava muito de vestir-se com roupa nazi,
de fazer a famosa sauda��o.
E para n�o falar na incontorn�vel su�stica.
Onde conseguiu essa informa��o?
Se lhe explicar, vai perder o avi�o.
Fa�amos uma coisa. Leve isto.
Um destes dias, passe no meu escrit�rio.
Em troca, entrego-lhe os originais.
Deve ser ele. Este telefone nunca toca.
- Estou. - � bom dar aten��o
aos meus palpites.
Encontrei-te.
- � ele? - Vai para o quarto, mam�.
Esquece-os aos dois.
TR�S ANOS DEPOIS
Larissa.
Alfredo.
Como est�s?
O Gonzalo n�o devia ter aparecido.
Larissa, h� segredos com que n�o se pode brincar.
Tradu��o: Pedro Ribeiro
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