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UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
Eu e a Rosario �ramos colegas de escola.
Amigos.
Sei que mudou muito, mas n�o entendo a sua atitude.
Suponho que n�o suportou conhecer a sua verdadeira identidade
e isso enlouqueceu-a.
Estamos com a mulher que criou Rosario.
A empregada de toda a vida...
O que est�s a fazer, Rosario?
Rosario!
TR�S ANOS ANTES
Ela disse-te mais alguma coisa?
Acerca da sua reuni�o com o Bernal?
N�o, ainda n�o.
N�o gosto desse tipo.
Tenho um dia tremendo.
- Liga-me se houver not�cias. - Est� bem.
Acabaste de acordar?
Estarei no canal daqui a 15 minutos. Tenho uma bomba.
Adianta-me algo.
Por aqui, n�o posso. Preciso de um editor. O Gaspar est� a�?
N�o, est� para fora. Deixa-me pensar.
Tem de ser bom e discreto. N�o pode abrir a boca.
J� sei quem chamar.
Desliga, vou dizer-lhe para vir. Adeus.
O corpo esteve menos de cinco horas na �gua.
O que temos aqui
n�o � um afogamento.
- Entende o que estou a dizer? - Sim, claro.
Que a laringe j� estava contra�da.
Por isso ela n�o engoliu a �gua do reservat�rio.
Exatamente.
Ela foi estrangulada.
Tentaram livrar-se do corpo ao larg�-la ali.
N�o foi muito inteligente.
O que temos aqui? Ela defendeu-se?
Sim, o melhor que conseguiu.
Mas ainda n�o temos pistas.
Mas... tem as unhas partidas.
ADN?
Talvez sim, talvez n�o.
A �gua e a lama complicam as coisas.
E o homem que a tirou da �gua.
Amanh� saberemos mais.
Mas tenho algo que pode ser �til.
Estou a desenvolver a minha pr�pria teoria.
Se n�o houver rem�dio...
Ela estava descal�a.
Correu o mais r�pido que p�de.
A marcas nos p�s mostram que pisou com firmeza.
N�o se importava se fazia danos. Queria escapar.
Mas o agressor alcan�ou-a.
Estrangulou-a com um fio. Ela lutou.
E de alguma forma, libertou-se.
DESAPARECIDA EM 27/05/2011
Decerto pensou que iria conseguir.
A esperan�a...
A esperan�a � a �ltima a morrer.
Mesmo se soubermos que � o fim.
Sem o fio, o agressor n�o teve rem�dio a n�o ser usar as suas pr�prias m�os.
Todos nascemos iguais,
mas morremos de maneira diferente.
De certeza que esta rapariga nunca pensou que este seria o seu final.
E a tatuagem?
Sim, estava a esquecer-me. S�o n�meros.
Na forma de c�digo de barras. Quer anot�-los?
J� os sei. 25021985.
Mas como o fizeram?
Nada de estranho.
Nada de estranho. Se significa algo,
n�o o vamos descobrir agora.
� uma tatuagem comum.
Que se pode fazer em qualquer casa,
das m�s ou das boas.
As tatuagens complicaram a nossa vida.
S�o uma porcaria.
Qualquer um podia ter feito isto.
� muito comum.
Por um lado, acreditei nele, mas por outro,
tenho um pressentimento estranho.
Como o qu�?
Tinha uns olhos t�o sinceros, que acreditei nele.
Mas depois, disse-me tudo o que queria escutar.
Como se estivesse a tentar manipular-me.
E ao mesmo tempo dizia-me coisas importantes,
a toda a altura. - Todos fazemos o mesmo.
Tu fazes isso ao teu p�blico todos os dias.
Pap�, � um canal de televis�o, � diferente.
Aqui ligamo-nos a algo.
N�o temos uma pessoa em frente a olhar-nos constantemente nos olhos.
- A mim acontece-me o mesmo. - O qu�?
Na tua �poca n�o existia Internet, Twitter, Facebook.
Tinhas de ir ao local de batalha. Se explodisse uma bomba, tinhas de l� ir.
A minha experi�ncia � irreal. A tua era a realidade pura, crua.
Honestamente, preferiria trabalhar agora.
Porque esta loucura...
Tenho o Rolando.
- O que tem cinco filhos? - Sim.
De confian�a total. Podemos pedir-lhe qualquer coisa.
Perfeito.
O que aconteceu com o Bernal...
As pessoas encantadoras s�o perigosas.
N�o creio que me v� encontrar com ele de novo.
Supostamente, vou conhecer o informador.
Desculpa-me por um minuto, por favor?
Queres que pares com tudo sobre a Larissa.
Mas est� em todos os canais. Explodiu no Twitter.
N�o me importa. Para.
N�o quero saber nada da Larissa, nem do Bernal, nada.
Se a Rosario te perguntar, manda-a falar comigo.
Corta j�. Est� claro?
- Sim. - �timo.
Tem uma nova mensagem de voz.
Bernal, sou Alfredo Santa Cruz.
S� lhe queria dizer que o meu canal n�o o vai apoiar na sua opera��o.
N�o quero que a minha filha tenha nada que ver consigo.
Agradeceria que n�o a incomodasse mais.
A Larissa queria ser como a senhora.
Queria ser uma jornalista reconhecida. Como a senhora.
Come�ou a estudar.
Sim.
Ainda se sente o perfume da Larissa.
As coisas t�m o seu perfume.
Consegue sentir?
- Aqui tem o ch�. - Obrigada.
- Deseja a��car? - Sim, uma colher.
Monica, sei que j� falou muito sobre isso.
Mas n�o se recorda
de algo estranho, ou...?
Algo que a Larissa tenha dito fora do comum?
- N�o, creio que n�o. - Obrigada.
Olho para si e penso nela.
Ela vai ficar encantada quando souber que esteve aqui.
Mesmo aqui.
Ela quer chegar longe e vai conseguir.
- Sim, claro. - Vai conseguir. Sim.
Como est� o Ariel?
O Ariel est� bem. � um bom rapaz.
Um pouco passivo. Mas � um bom rapaz.
Ela gosta dele.
C� entre n�s...
Acho que n�o v�o continuar juntos.
Ela est� � procura de algu�m mais ambicioso.
Ela quer ter uma vida como a sua.
E nem sei se n�o quer ter uns pais como os seus.
Monica!
O que est� ela a fazer aqui?
- Saia. - Ariel!
- Ariel o qu�? Saia! - Mas...
N�o, n�o, r�pido!
- Mas... Onde...? - Saia!
- Saia! - Porque a est�s a expulsar?
- Ariel, est� confuso. - Ponha-se a andar!
N�o estou confuso.
Sim, n�s quer�amos ajudar-vos. Eu quero ajudar-vos.
Voc�s querem usar-nos. N�o somos idiotas. Saia daqui!
E n�o apare�a mais!
Procurador?
Vou enviar-lhe uma morada. Ter� de l� estar daqui a duas horas.
Para qu�? N�o entendo.
N�o me pergunte.
- O seu irm�o vai l� estar? - Boa sorte.
Entre.
Entre.
Ainda n�o vimos a cara do tipo que controla tudo.
Est�o perto?
Acreditamos que sim.
Quero agradecer-lhe,
porque muito poucas pessoas... Na verdade, ningu�m
se arrisca por estas causas.
Sou uma esp�cie de her�i para si?
N�o acredito em her�is.
Mas estou certa de que voc� e o seu irm�o
v�o expor um tema sobre o qual ningu�m quer falar.
- Isso ir� causar muitos danos. - N�o somos irm�os.
Ele n�o se importa com isso.
Ele diz que somos por soa a familiar, quente.
N�o me importa.
Estou aqui pela Larissa. E pelas outras raparigas.
Qualquer informa��o que me possa dar ter� um impacto nacional,
n�o creio que possamos controlar as consequ�ncias.
� bom que saiba disso, especialmente se quiser ir at� ao fim.
Claro que quero.
N�o toque nisso.
S� me importa a verdade.
Neste pa�s, a lei n�o protege as v�timas.
Portanto, temos de criar uma esp�cie de justi�a pr�pria,
para dar um pouco de paz a essa m�e.
A lei e a justi�a s�o duas coisas diferentes.
Quem � ele?
A ideia do Franco � tornar esse filho da puta famoso.
E revelar que h� um infiltrado.
Eles v�o sentir-se nus, expostos. V�o ficar loucos.
Como se chama?
Fa�a o que quiser com esta informa��o.
S� pe�o que o relat�rio se chame: "Quem � Roque Carbone?"
N�o tem medo que revelem a sua identidade?
Fiz muitas coisas para o Carbone. Nunca suspeitaria de mim.
Estava a pensar que,
agora que estamos a s�s nisto,
devia atribuir-lhe um pseud�nimo.
O qu�?
Sim, algo que tenha impacto televisivo.
Como uma alcunha?
Claro.
Um pseud�nimo.
Chame-me "Mudo", porque eu n�o falo.
Gosta de "Mudo"?
Gosto de Agente H.
O H � mudo em espanhol.
Claro. Sim.
- Que lhe parece? - Sente-se.
Este � um dos v�deos.
N�o pode voltar atr�s depois de ver isto.
Aqui est�s tu.
Estava � tua espera! Ouve.
N�o vais acreditar nisto.
Larissa?
�timo. Consideremos o caso de Zhou Youping.
Cantor, homossexual,
chin�s, de 37 anos.
Detido por supostamente asfixiar seis dos seus amantes,
enquanto praticavam jogos de asfixia er�tica.
� o maior caso na China
de um assassino em s�rie sadomasoquista.
Obviamente, assim que o encontraram,
foi preso.
� importante clarificar que a China
n�o tem muitos dos direitos constitucionais que temos no nosso pa�s.
E que a homossexualidade ainda � considerada uma doen�a mental.
Mas vamos diretos ao assunto.
O que aconteceria aqui com este caso?
Uma investiga��o far� sentido?
Merece uma investiga��o?
Como podemos provar a sua culpabilidade
se ele alegar
que estas pr�ticas foram com o consentimento dos seus amantes?
Como o podemos culpar se duas das suas potenciais v�timas
que conseguiram escapar
asseguram ter consentido com esta pr�tica?
At� onde chega a lei no �mbito privado?
Como podemos julgar o que se passa dentro das quatro paredes dum quarto?
D� que pensar, n�o d�?
Hoje ficamos por aqui.
Gostaria, na semana que vem, de fazer uma aula pr�tica sobre este caso.
N�o estou a falar de jogos de asfixia er�tica.
Gostaria que fiz�ssemos uma pesquisa real. Uma reconstitui��o.
At� � pr�xima aula.
Como correu?
Sabes que est�s a queim�-la viva, n�o?
N�o exageres. Ela s� tem de ficar em frente da c�mara
e enviar uma mensagem.
Estamos a cuidar dela, n�o a estamos a enviar para os le�es.
� uma boa rapariga, Franco. Que necessidade temos?
Porque n�o esperamos um pouco e deixamos que se matem entre eles?
Sou o bra�o direito do Carbone.
Podemos fazer algo sem a deixarmos t�o exposta.
� isso que estamos a fazer.
Ela � uma jornalista. � intoc�vel.
Tu est�s a� dentro, em perigo. Eu quero tirar-te com vida.
Se queres que tudo corra bem, vais fazer o que te digo, entendido?
Em rela��o ao chin�s, n�o sei, mas n�s ir�amos para a cadeia.
Aqui n�o, sabes bem.
Toda a gente sabe que visitas todos os meus buracos.
Achas que n�o veem que me visto como uma puta para ti?
Liga � Oti, diz-lhe que eu pago e para ela trazer tudo.
Est� bem. N�o pensei que quisesses ir t�o longe.
Ela � muito cara.
Contigo, � sempre tudo caro.
Porque n�o v�s por onde andas?
- Parvalh�o. - Desculpe.
Sabes quanto custa este fato?
- �s um g�nio. - Quero ver o Roli agora.
Est� tudo pronto. Ele est� na edi��o.
Vou ver isto a s�s com ele. Que ningu�m me incomode!
Est� bem. Perfeito.
Espera. N�o entres. N�o podes entrar.
- Como assim? - Ela est� a trabalhar. N�o a incomodes.
Sou eu. � o caso daquela rapariga?
Gravaste o relat�rio?
- Responde-me. - Comporta-te.
- Vou perguntar-lhe pessoalmente. - Para.
Porque n�o entendes que n�o podes passar?
Mal posso esperar que a Rosario veja quem realmente �s,
para que nunca mais tenhamos de te ver.
- A s�rio? - Sim.
- N�o vejo isso a acontecer. - Sai!
Sim, tu tamb�m queres.
�s um imbecil! P�e-te a andar! Vai trabalhar.
- S� vou porque estou com pressa. - Vai!
Aqui tem.
Porque nos chamou?
Acabei de dar uma entrevista
em que disse que a rapariga que apareceu morta no reservat�rio
foi assassinada pelo "Louco da Estrada".
O que tem isso que ver connosco?
� uma estrat�gia. Queremos controlar a informa��o.
Foi por isso que vos chamei.
Em breve, v�o saber coisas muito pesadas e quero que saibam por mim.
N�o entendo. Ele quer que pensemos que a Larissa est� morta,
e que quem a matou foi esse "Louco da Estrada"?
Est�o a lixar-nos. Querem encerrar a investiga��o.
N�o, n�o � isso.
A minha filha desapareceu da minha casa. Do meu bairro.
N�o de uma estrada. Recorda-se disso?
Porque n�o investigam?
Fa�am isso. Investiguem. N�o culpem algu�m ao acaso.
N�s n�o precisamos de uma estrat�gia.
Queremos a verdade. Queremos saber onde est� a Larissa.
Ariel, trate-me com respeito, estou a fazer o meu trabalho, e bem.
A senhora conhece-me, Monica. Acompanho-a desde o primeiro momento.
Importo-me com a sua filha, consigo e foi por isso que vos chamei.
Ningu�m pensa que as mortes dos �ltimos meses tenham sido obra de uma s� pessoa.
Muitas vezes, quando come�amos a investigar,
revelam-se coisas que nem sempre s�o agrad�veis.
O que vos tenho a dizer � dif�cil. Por favor, aceitem-no com calma.
De acordo com as �ltimas per�cias, a v�tima foi assassinada
entre as 22h00 de ter�a e as 5h00 de quarta.
Foi violada?
Apresenta sinais de se ter defendido.
De acordo com o m�dico-legista,
o assassino estrangulou-a com as pr�prias m�os
e atirou-a � agua. Tamb�m h� ind�cios que tenha sido amarrada com um fio.
Acredita que este caso esteja relacionado com as mortes dos �ltimos meses?
Com o chamado "Louco da Estrada"?
Sim. Mesmo que o assassino nos tente despistar constantemente,
com enigmas como as tatuagens,
estamos convencidos de que se trata da mesma pessoa.
Pode dar-nos mais pormenores, algo que possa ajudar as mulheres?
Lamentavelmente, n�o.
Andrea, porque divulgaram esta entrevista e n�o a reportagem do Carbone?
N�o te enerves comigo, sabes que n�o sou eu quem decide.
A ordem veio do teu pai. Discute com ele.
Quando este circo acabar, passa a reportagem.
N�o podes mudar a programa��o, Rosario.
Posso, sim. Ouve o que digo.
Juan, a seguir � a reportagem.
Quando tiver mais informa��es, comunicarei.
Com licen�a. Com licen�a, por favor.
- Rosario, aqui vamos. - Esta foi a declara��o...
Cinco, quatro, tr�s, dois, um, vamos.
Segundo o promotor
as informa��es iniciais apontam para o "Louco da Estrada".
Mas ser� isto verdade?
Ou ser� uma forma de congelar o caso por um procurador acusado de corrup��o?
Quem estar� a defender?
O que estar� o procurador a ocultar por tr�s desta falsa acusa��o?
Ontem est�vamos a falar de Larissa Torres
quando foi encontrado o corpo de Claudia Garello.
Hoje temos um v�deo confidencial e perturbador.
Um v�deo que foi filmado por algu�m que se apresenta como Agente H.
Desconhecemos a sua identidade. Mas estamos agradecidos.
As imagens, por favor.
N�o sei. Diz-me. Em que est�s a pensar?
MATERIAL EXCLUSIVO
Diz-me o que precisas. Eu tenho a solu��o.
N�o h� problema. Dominicanas? Queres uma dominicana?
As dominicanas s�o espetaculares. S�o incr�veis.
O �nico problema � transport�-las. Eles t�m de me dizer.
Temos de tratar de tudo antecipadamente. Porque pode ser complicado.
A nossa equipa de produ��o n�o conseguiu identificar o local.
Mas como podem observar, h� v�rios cavalheiros,
clientes, com jovens com pouca roupa.
Ocult�mos os rostos por motivos legais
e as imagens por editar est�o � disposi��o das autoridades.
Na �rea mais obscura, podemos observar a silhueta
de um homem com v�rias jovens.
Pedimos desculpas pela qualidade das imagens
mas foram gravadas com uma c�mara amadora,
com um telem�vel, ou algo semelhante.
Mas h� uma rapariga
cujo rosto n�o foi ocultado.
Esta rapariga est� desaparecida h� um ano e um dia.
Todo o pa�s busca esta rapariga.
Larissa Torres.
� evidente que Larissa n�o est� desaparecida.
Est� a ser escravizada neste local.
Ainda vamos a tempo de a encontrar com vida
e n�o lamentar a sua morte, como no caso de Claudia Garello.
� ela, certo?
- Est� viva. - Sim. Continue a ver.
...encontrar este homem.
O Agente H proporcionou-nos o nome desta pessoa.
Roque Carbone.
Apenas quero pedir �s autoridades que investiguem.
Que nos digam onde est� Larissa Torres,
e quem � Roque Carbone.
Estas foram as not�cias que decidimos informar.
- Quem gravou o v�deo? - Quem gravou?
Sabem quem � este Roque?
Onde fica isto? Porque n�o a v�o buscar?
N�o, tudo o que sei � que este v�deo
acabou de salvar a vida da sua filha.
Vamos encontr�-la s� e salva. Prometo.
Pare�o uma vaca a pastar.
Esta merda n�o sabe a nada.
Tanto quanto posso ver, Francisco,
tamb�m h� a� algum salm�o fumado.
O salm�o tem prote�na, n�o � verdade?
Quem � o Agente H?
N�o fa�o a menor ideia.
� muito dif�cil de acreditar
que n�o saiba nada acerca desta not�cia dos esclavagistas.
Eu sabia que ir�amos ter problemas consigo.
Gente estranha.
Esta ra�a dos jornalistas. Estranha.
Mais do que estranha, s�o ratos.
Trabalham para qualquer um
por um punhado de d�lares
e uma promessa de um furo.
Gente lament�vel.
Por esse dinheiro
e um pouco de fama,
fazem qualquer coisa.
E ainda por cima, uma ex-modelo.
Sabe o que se passa?
O senhor � um velho desprez�vel.
� o passado.
S� estou aqui porque o Bambiri me pediu.
Mas a conversa termina aqui.
Bambiri n�o me disse
que a Sra. Santa Cruz era t�o belicosa.
N�o posso crer.
Creio que se esqueceu que pertence ao Partido Conservador.
E que n�o se fala assim
com ningu�m.
Pertence a um pequeno grupo de legisladores
que podem decidir
se uma lei passa ou n�o.
Nesse cargo, quem a colocou fui eu.
Eu escolhi-a como candidata,
portanto, a partir de agora vai fazer tudo o que eu disser.
E vai votar como eu disser.
E n�o quero saber
se o seu pai morreu retorcido de dores
por fumar tr�s ma�os por dia. N�o quero saber.
N�o me importa nada. Entendeu?
Claro. Ent�o, o tema eram as tabaqueiras?
Porque n�o colocam o assunto na mesa, para o discutirmos claramente?
Fale, Bambiri?
Podemos entender a sua rejei��o �s tabaqueiras.
Respeitamos a sua posi��o sobre o tema.
E entendemos a dor que pode ter sentido, como filha,
ao perder um pai t�o jovem.
Mas a Rosario n�o se pode meter neste tema.
Claro, voltamos ao tema dos esclavagistas.
N�o podemos ser �rbitros neste tema.
� melhor deixar estes assuntos para os liberais e os populistas.
S�o coisas da sua classe, n�o da nossa.
� tudo?
Sim, querida. Sim.
A �nica coisa que tem de prometer
� que vai garantir que a sua filha fique calada.
Sabe o que dizem dos conservadores?
Que um conservador � demasiado cobarde para lutar,
e demasiado bruto para negociar.
E eu n�o sou nem bruta, nem cobarde.
Que l�stima.
O qu�?
Nada.
Uma ideia, nada mais.
N�o te reconhe�o, pai. N�o acredito no que me est�s a dizer.
Colocaste em perigo a vida da rapariga e a tua.
N�o podes fazer o que te apetece.
S�o grandes not�cias, n�o podia n�o as usar.
- Filha, n�o podes... - Pai...
Com licen�a. Ele quer ver as cassetes.
- Na produ��o. - Est� bem.
Deve estar contente, n�o? O circo saiu lindo.
Estamos a tentar fazer justi�a.
Se algo acontecer � minha filha, nada o salvar�.
- Recorde-se do que lhe digo. - Pap�.
- Como est�o a Monica e o Ariel? - Destru�dos, mas com esperan�as.
- Melhores do que ontem? - Sim, gra�as a si.
E ao seu irm�o.
E a si. Eles t�m de lhe agradecer.
Todos temos de lhe agradecer.
Disse que n�o a deixaria ficar mal. Mas isto � apenas o in�cio.
Estes tipos s�o muito pesados.
V�o fazer muito ru�do quando come�arem a cair.
A ilha de edi��o � por ali.
Obrigado.
Tem um para mim?
N�o tinha deixado?
� uma mentira, nunca se deixa de fumar.
N�o fez bem, Isabel.
Tenho de a avisar que ningu�m gosta disto. N�o sei onde quer chegar.
H� algo que n�o sei se entende.
At� quando tenho de aguentar que me chamem puta por ter sido modelo?
E porque insiste que tenho de fazer
o que aquele velho nazi diz?
J� sabe que o partido n�o me importa. Esse jogo � vosso, n�o � meu.
Responda-me a isto. Acha que consegue controlar o seu marido e a sua filha?
O meu marido, sim. A minha filha, esque�a. Nem sequer tente.
Certo. Se lhe perguntasse o que queria em troca do seu sil�ncio,
o que responderia? - O posto desse velho.
Quero a presid�ncia do partido.
O partido tem de se modernizar. Sabe bem disso.
Sen�o, � f�cil.
Mudo de partido e est� feito. Vou para um que n�o diga que � conservador
e aceite dinheiro de proxenetas e esclavagistas.
Tem lume?
Vamos, diz-me o que se passa.
V� l�,
preciso de algo.
Sabes que mais? N�o. N�o quero.
Desculpa.
Est� bem, diz-me quem � este tipo. Quem � o Roque Carbone?
Eu sou o �nico est�pido que n�o sabe quem �.
V� l�.
Juan Cruz, por favor.
N�o sejas t�o chato.
Entendo perfeitamente, mas penso que est�s a ser ego�sta.
Se fores bom no que fazes, n�o precisas de recomenda��o.
- Sou eu. - Juan.
Est� bem, eu entendo.
Vamos ver-nos depois da audi��o?
N�o sei. Liga-me, n�o sei como vai ser.
- Est� bem? - Est� bem.
Onde vamos?
Como est�s, linda? Prazer em conhecer-te.
Eu sou o Roque Carbone.
Agora, vais dizer-me
quem � o Agente H.
Estou a ouvir.
O qu�? N�o vais falar? N�o vais falar?
Est� bem.
Se n�o queres falar com o Roque, vou p�r-te em contacto com o Quique.
A ele vais contar tudo, vais ver.
Quique! Quique?
Vou deixar-te em boas m�os.
S� duro com ela. Ela tem de falar.
- Vais falar agora, chiba. - N�o, para!
TR�S ANOS DEPOIS
Tradu��o: Lu�s Perat
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