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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

- Toma conta de mim. - Amo-te.

Hoje temos dois convidados muito especiais.

S�o o casal do momento. Os mais requisitados. Sabem quem s�o?

Uma grande salva de palmas para Rosario Santa Cruz e o procurador Franco Bernal.

- Obrigada por nos convidar, Reina. - Por favor, s�o o casal do momento.

Muito obrigado.

Franco, tem consci�ncia de que � o procurador mais respeitado da Argentina?

E desde que est� com ela, o povo adora-o. N�o me esque�o.

Lembro-me de a ver aqui enquanto menina. Cresceu imenso, como mulher e jornalista.

- � maravilhoso. Parab�ns. - Est� a exagerar, Reina.

- N�o, n�o est�. �s uma mulher fant�stica. - Obrigada.

Parece que o procurador est� muito apaixonado.

Como poderia n�o estar? Ela mudou a minha vida.

- Imagino que n�o lhe conseguiu resistir. - N�o. � verdade, n�o consegui.

E tudo o que sou, devo-o a ele.

Enquanto os namorados se mimam, vamos ver um v�deo de Rosario Santa Cruz.

Combativa, sagaz, influente, na moda.

Rosario Santa Cruz �, qui��, a jornalista de investiga��o mais conhecida do pa�s.

Filha da deputada Isabel Santa Cruz

e do dono do Canal de Not�cias 24/7.

As investiga��es sobre tr�fico humano renderam-lhe reconhecimento internacional.

AGORA ENTRO EU EM CENA... H.

Quatro, tr�s, dois, no ar.

Sabemos que sendo filha de pais famosos, � dif�cil guardar segredos,

mas como conseguiu guardar segredo da identidade de H, o agente infiltrado?

Sim. O mais importante � que conseguimos desmantelar

um grupo muito perigoso

sem revelar o nome da pessoa que nos ajudou a partir de dentro.

Agora vamos conhecer melhor Franco Bernal. Temos um v�deo para partilhar.

Franco Bernal revolucionou a justi�a com a sua investiga��o sobre tr�fico humano.

A sua vontade implac�vel de combater o anel de corrup��o...

Est�s t�o bonita quanto da �ltima vez que te vi no cais.

- O que queres? - N�o te assustes, Rosario.

Estou aqui. Regressei. Estou t�o perto, que consigo cheirar o teu perfume.

Pela primeira vez no nosso programa, o procurador Franco Bernal.

...Um, no ar.

Realmente, meteram-se com peixes muito gra�dos, n�o?

Sim, � o meu trabalho. O sistema de justi�a existe

para que todos os criminosos recebam o seu castigo.

E � isso, realmente, que o p�blico agradece.

Sim, e por falar no p�blico, que � o que importa, gostaria de fazer um an�ncio.

Claro, metade do pa�s est� a assistir. Continue.

Vou acompanhar a minha futura sogra, Isabel Santa Cruz,

como candidato a vice-presidente pelo Partido Conservador Federal.

Que not�cia! Isabel Santa Cruz candidata a presidente, e Franco Bernal como vice.

O p�blico vai agradecer-vos. Querem candidatos honestos para a oposi��o.

- T�m o meu voto. - Muito obrigado.

E o que pensa, Rosario, sobre ter a sua m�e e o seu noivo na mesma lista?

Rosario?

Rosario. Rosario!

TR�S ANOS ANTES

- Vamos a casa da Larissa hoje? - O teu pai j� sabe?

- Tenho de lhe dizer tudo? - � ele que me paga.

Ele � teu pai, n�o � meu. E � meu chefe.

Est� bem, eu entendo. Vamos seguir com isto.

E diz ao Ricardo que se a informa��o se confirmar, para a seguir de perto.

- Est� bem. - Quero-te por dentro de tudo.

Est� bem.

A Isabel ligou?

N�o, querida. Sabes que a tua m�e nunca liga para aqui.

Vou fazer um relat�rio sobre Larissa.

Mesmo que n�o gostes.

Se certos assuntos n�o interessam a pol�ticos, nem a ju�zes,

� melhor que n�o te canses. - Nem tudo � ci�ncia ou o tempo.

O namorado da Larissa e a sua m�e d�o-nos algo mais, d�o-nos profundidade.

Mas eu conhe�o-te, Rosarito. N�o quero que d�s em louca com um tema

que est� esquecido. E recordo-te que n�o a podemos recuperar.

N�o a podemos fazer reaparecer. Como n�o podemos parar uma tempestade.

Est�s no autocarro 29?

J� a tens em vista?

Marcaste a mochila?

Certo, fica a�. Vemo-nos no clube.

Prepara-te, Mole, avan�a agora.

- N�o te mexas. - N�o! Socorro!

N�o! Larguem-me!

Cabr�es!

Ol�. Estou a resolver um assunto. D�-me trinta minutos e manda algu�m buscar-me.

Como?

Diz ao Garrido que n�o quero os ratos envolvidos. N�o quero c�maras nem micros.

- Franco? - � dif�cil de crer que quatro ou cinco

autoproclamados militantes de esquerda causem semelhante engarrafamento.

O povo n�o entende raz�es t�o ego�stas

quando querem chegar ao trabalho e o p�o dos seus filhos depende disso.

Obrigada, Ricardo. Retomamos um tema que n�o queremos esquecer.

Hoje cumpre-se um ano do desaparecimento de Larissa Torres.

Faz um ano que a procuramos. A reportagem.

H� um ano, Larissa Torres desapareceu de casa da sua m�e.

Misteriosamente e sem deixar rasto.

Saiu de casa por seus pr�prios meios e, na esquina, entrou neste carro.

Um Mercedes branco, ao qual n�o foi poss�vel identificar a matr�cula.

Disse-lhe boa noite, como todos os dias, ela veio dormir nesta cama,

e na manh� seguinte, quando a vim acordar, ela n�o estava.

Estavam as suas chaves, as suas coisas, os documentos, mas ela n�o.

N�o. N�o a vi mais.

Bem... o meu sonho �

conhecer o mundo. Quero conhecer Paris.

N�o sei. Ir para longe.

Ela quer ser jornalista. Quer ser como a Rosario Santa Cruz.

� o seu �dolo.

Mas quando n�o se pode, n�o se pode.

Estamos aqui com Ariel Aguirre, namorado de Larissa Torres. Obrigada por ter vindo.

O que nos pode contar sobre o estado da investiga��o?

Est� parada. N�o sabemos nada. O sistema de justi�a � muito lento.

Como foi o �ltimo dia em que esteve com ela?

Normal. Acord�mos, tom�mos o pequeno-almo�o,

prepar�mo-nos para o trabalho, ela disse que ia ficar em casa da M�nica.

As primeiras hip�teses apontavam para o c�rculo mais �ntimo,

particularmente para si.

O que pode dizer-nos sobre isso?

Sim, a princ�pio a investiga��o

centrou-se em mim. Sim. Mas estou muito tranquilo.

As pessoas que me conhecem acreditam em mim. Amigos, fam�lia, a m�e da Larissa.

N�o sabemos porque partiu ou porque a levaram.

N�o sabemos. Somos pessoas normais. N�o temos dinheiro. N�o pediram resgate.

Tudo o que sei � que dar�amos tudo o que temos para que regresse.

E por �ltimo, o que significa Larissa para si?

� o amor da minha vida. � a minha amiga.

A pessoa com quem queria formar uma fam�lia. Tudo.

Acredita que est� viva?

� isso que me mant�m de p�.

Fa�am um grande plano.

- A�. � esse o olhar. - Sim, tenho esperan�a.

- Obrigada por ter vindo. - Obrigado.

- Monica, que se passa? - Ariel, tenho estado a ligar-te.

Os funcion�rios do Bernal ligaram-me para dizer que encontraram outro corpo.

E vim para aqui porque tenho de ir.

Est� bem, calma. J� pass�mos por isto. Pode ser outra pessoa.

N�o pensemos no pior. Vai estar tudo bem.

Sinto que � ela, Ariel. Por favor, anda. Encontraram-na no reservat�rio.

- Est� bem. Estou a ir. - N�o o consigo fazer sozinha.

Para de dizer que sou o �dolo da Larissa.

Fazem-me parecer uma idiota em frente a toda a gente.

N�o ligues a isso. Foi um bom relat�rio. Como os que tu gostas.

N�o te preocupes com isso. Para al�m disso, foi boa TV, tal como gostas.

Tem um pouco de sentido de humor. Estamos todos a trabalhar para ti.

- J� l� vou. - Est� bem.

Estou a ir. Fique calma. O mais importante � que fique calma.

- Passa-se algo, Ariel? - Encontraram um corpo no reservat�rio.

� a quinta vez que passamos por isto. � um horror.

Imagino. Sente-se aqui. Acalme-se. Vai estar tudo bem.

- Sente-se. Fique calmo. - Sim.

- Em que reservat�rio? - Acho que � perto

do rio Lugones, mas n�o...

Espere por mim aqui. Eu trago-lhe um copo de �gua.

Andrea, anda c�.

- O que se passa? - Fala com o Bernal. Encontraram um corpo.

Parece que � a Larissa. Envia o Ricardo com um ve�culo.

- Tome. - N�o, obrigado.

- Tenho de ir ter com a Monica. - Porque n�o fica aqui?

- Pode carregar o telefone. - Eu quero ir...

Mas est� quase sem bateria. Eu tenho um carregador.

Fique calmo. Vai estar tudo bem.

Vamos esperar aqui. Venha. Sente-se aqui.

Encomende o que quiser. Vou buscar o carregador. Quer que ligue a algu�m?

- N�o, est� tudo bem. Eu trato disso. - Vou buscar o carregador, sim?

- Obrigado, Rosario. - De nada.

Ricardo, tens de conseguir entrar. Quero um plano da m�e, do corpo e do procurador.

Claro que a vais reconhecer. E cuidado com o procurador, ele acha que est� na TV.

- Pai? - Sim.

Certifica-te que falo com o procurador ao vivo. O Ricardo que o segure.

J� te envio.

Liguem-me ao procurador Bernal.

N�o acredito que estes cabr�es j� est�o aqui. Cheiram a mis�ria e excitam-se.

Saia, por favor. Quero garantir que est� tudo em ordem. Venha comigo.

- Ol�, meu amor. - O que est�s a fazer aqui t�o cedo?

Adoro quando �s t�o carinhosa. A Andrea precisa de mim para uma reportagem.

Quero dizer-te uma coisa. Temos uma confus�o terr�vel.

- Tens sempre. - N�o tenho tempo para reclama��es.

N�o � uma reclama��o. Tenho a audi��o para o filme

e tu n�o me ajudaste. - Desculpa, esqueci-me que a tua audi��o

� mais importante do que o corpo no reservat�rio. Vou cancelar tudo.

- Ligo-te mais tarde. - �s m�, quando queres.

O que est�o a filmar? N�o vai haver qualquer declara��o.

Monica, queremos colocar-lhe uma pergunta. Por favor.

O corpo � da Larissa Torres?

- Estamos em direto para o 24/7... - Por favor...

Porque n�o respeitam a dor alheia?

- Por favor, venha. - Eles n�o podem passar.

N�o, n�o v�o passar.

Acredita que � a sua filha?

- Estamos a trabalhar. - Sem coment�rios.

- Sem coment�rios. - O p�blico quer saber.

- O namorado da Larissa est� no canal. - Estamos em direto para o canal 27.

Procurador, a Rosario Santa Cruz quer falar consigo em direto.

- Est� bem. - Estamos em direto.

Perd�o por interromper, Bernal, mas temos de saber o que se est� a passar.

- O p�blico quer saber. - Estamos a trabalhar, Santa Cruz.

Aqui tamb�m. O namorado da Larissa est� no nosso est�dio, muito angustiado.

Todo o pa�s est� angustiado.

Quando puder seguir com o protocolo e tiver a informa��o, transmito-a.

- Quem fez a den�ncia? Quem a encontrou? - Isto � incr�vel. Estamos a investigar.

Porque permite que Monica esteja a�? Est� certo de que � o corpo da filha dela?

N�o posso crer. N�o posso crer na falta de escr�pulos, de dignidade, de moral.

Estamos a presenciar a dor de uma m�e. Deixem-me trabalhar. Sem mais coment�rios.

Muito obrigada, Ricardo. Dentro de minutos teremos mais pormenores.

O procurador est� muito nervoso e montou o espet�culo habitual. Voltamos j�.

Pai, traz o Ariel aqui. Se for a Larissa, quero a rea��o ao vivo.

N�o me venha com isso, Augusto. Sei exatamente do que a sua gente precisa.

- O ficheiro que aguardava. - Obrigada.

- Outro caf�? - N�o, obrigado.

Deputada, tem raz�o.

Necessitamos de gestos do seu partido. Por vezes criticam-na, mas admiram-na.

Pode marcar o caminho. Vim aqui para dizer que queremos um acordo.

Ajude-nos com a lei. N�o se vai arrepender.

Estou de acordo com 99 por cento da lei.

E com o sindicato. E estes 500 postos de trabalho devem ser protegidos.

Mas o outro 1 por cento diz-me que a ind�stria tabaqueira est� a perder poder.

Caso contr�rio, n�o viajaria tanto para falar com uma deputada ex-fumadora,

cujo pai morreu de cancro do pulm�o.

Est� surpreendido? Pensei que j� sabia tudo isto.

E que antes de negociar, olhavam para o nosso passado e para as nossas mis�rias.

E agora, se me perdoa, tenho de tratar deste ficheiro.

Entendo. Envie os meus cumprimentos ao Alfredo e � Rosario.

Claro que sim. E envie os meus ao seu chefe.

E diga-lhe que nem ele, nem o partido, me v�o dizer como vou votar.

Adeus, deputada.

- Ent�o... - Espere por mim, por favor.

- Garrido, podes dar-me um minuto? - Um, dois, tr�s, quantos queiras.

- Quero um minuto para falar com ele. - N�o o assustes mais do que j� est�.

Como est�, senhor? Sou o procurador do caso de Larissa Torres.

Disseram-me que foi o senhor quem encontrou o corpo.

Sim, j� disse � agente. Venho aqui muitas vezes.

A princ�pio, quando a vi, pensei que era um animal morto.

Depois vi um reflexo, aproximei-me e vi um saco preto que se estava a rasgar

e uma m�o de mulher estava a sair. - A que horas foi isto?

Antes do meio dia, por volta das 11h30.

Quando cheguei � cidade, disse � senhora da loja para chamar a pol�cia.

Vieram depressa. Em tr�s minutos estavam aqui.

Acho que a largaram ontem � noite. Ou hoje de manh�, muito cedo.

- Coitada. - Acho que tenho o suficiente.

Se necess�rio, entraremos em contacto consigo. Muito obrigado.

Doutor.

Sabia que isto acontece com muita frequ�ncia aqui?

Sim, eu sei. Mas estamos a investigar e tomou a atitude correta.

Digo-lhe isto porque tenho filhas. E elas t�m medo.

- Est�o em seguran�a, n�o correm perigo. - Obrigado, doutor.

- Obrigado pela colabora��o. - Obrigado, doutor.

Bernal, temos de fazer o reconhecimento.

- Est� bem. Espere por mim aqui. - N�o, eu quero ir.

Por favor, pe�o-lhe. Tenho de saber se � ela. Pe�o-lhe.

Est� bem. Acompanhe-me, por favor.

Com cuidado.

- Tenha cuidado. - Vamos por aqui.

- Sim. - Que se passa?

- A Rosario quer falar consigo. - J� dei a entrevista.

Por aqui. Est� � sua espera. Por favor, sente-se. Obrigada.

- Que se passa? Ela identificou-a? - Sente-se, Ariel. � sobre a Larissa.

J� vamos descobrir.

No ar!

24/7 not�cias ao vivo. Temos novidades de �ltima hora.

Aparentemente, encontraram o corpo de Larissa Torres.

Temos uma equipa ao vivo, onde a m�e est� prestes a identificar o corpo.

Estamos ao vivo no momento em que a not�cia est� a acontecer.

Podemos ver ali em baixo...

Parece...

...que � o corpo de Larissa.

Parece que chegou o momento.

Dez passos separam, aproximadamente, Monica do encontro

com a sua filha. Diz-me que conseguiste. - Mais perto, mais perto.

E aqui podemos ver o momento chocante.

N�o h� palavras.

- Eu disse-te para n�o o fazeres, Bernal. - Tragam um m�dico.

Mantenham a�. Mantenham.

A m�e acabou de ver o corpo

e a sua rea��o...

Rosario, aproxima-te do namorado. Abra�a-o, conforta-o.

Fique calmo.

Larissa Torres. O corpo que acaba de aparecer.

O pa�s est� todo a ver. Era isto que querias, aqui o tens. D�-lhe.

Estou aqui consigo.

- Todo o pa�s est� consigo. - Comp�e.

Vamos fazer justi�a.

Tem alguma informa��o para n�s?

Estamos ao vivo para o canal 27. Que informa��o nos pode dar?

- O pa�s aguarda as suas declara��es. - Como se encontra a m�e, Bernal?

- Pode falar connosco? - Estamos � espera desde...

J� vou.

Necessitamos dos seus coment�rios, Bernal. Estamos � espera.

- Porqu� tanto mist�rio? - N�o h� qualquer mist�rio.

Gostamos de trabalhar com seriedade. A �nica informa��o que vou prestar

� que a v�tima n�o � Larissa Torres. - O qu�?

- Como n�o � a Larissa? - O que est� a dizer?

Vou repetir, a v�tima n�o � Larissa Torres.

� outra rapariga. Gra�as � m�e da Larissa, podemos dizer isto.

Esperamos poder identificar esta v�tima em breve.

Este procurador ainda n�o tem de lamentar a morte de Larissa Torres.

Ricardo, podes dizer-lhe que quero falar com ele? Estamos em direto.

Doutor, disse que falava quando tivesse novidades. Estamos em direto.

Apenas um minuto, nada mais.

Tenho apenas uma quest�o para fazer.

N�o lhe parece estranho que no dia em que Ariel veio aqui, o senhor fa�a este circo

para fazer o reconhecimento do corpo da Larissa Torres?

N�o sabemos nada sobre ela h� um ano, e parece que assim vai continuar.

Est� a tentar dizer que estou a manipular o meu trabalho?

Que eu mesmo atirei um corpo para o reservat�rio?

Claro que n�o. Apenas digo que h� uma m�o invis�vel por tr�s de tudo isto.

S� mais dura, Rosario. Est� a esconder algo.

- O que est� a esconder, Bernal? - O que me importa s�o as pessoas, voc�s

s� se importam em usar a mis�ria para aumentar as audi�ncias.

Porque n�o pergunta ao homem que encontrou o corpo? A ver se tinha a v�tima em casa,

� espera que eu lhe dissesse quando a largar. N�o querem saber das pessoas.

N�o querem saber da Larissa, da Monica, de ningu�m. S� das audi�ncias.

Est� a faltar-me ao respeito. Todo o pa�s se pergunta onde est� Larissa Torres.

Devia perguntar quem � esta rapariga. Ou como � pobre, n�o interessa?

Como sabe que � pobre? Ainda n�o foi reconhecida. Estou cheia das suas farsas.

Das minhas farsas?

Porque n�o tenta limpar a sujidade que a sua fam�lia esconde?

Ouviu-me? Ainda est� a�?

Est� a falar mal da minha fam�lia? Vou considerar a fonte.

Um homem, um procurador acusado de corrup��o e de manipula��o de provas.

S�o ataques pol�ticos. Devia sab�-lo, Rosario.

Apenas tentam desprestigiar a minha imagem, o meu servi�o, a minha voca��o.

Porque n�o pede � sua m�e um curso sobre manipula��o medi�tica?

Ela � muito boa nisso. N�o vou fazer mais nenhuma declara��o.

Bambiri? Porque est� aqui? Porque n�o foi anunciado?

N�o quis incomodar a estrela do partido.

Chame-me Bambi, Isabel. N�o sou um pol�tico, sou seu amigo.

Eu n�o tenho amigos, Bambiri.

- Sabe porque estou aqui? - Para me incomodar, suponho.

- Algo assim. - Gostaria de saber porque � que

se sup�e que, permanentemente, tenho de baixar a cabe�a?

N�o cheguei at� aqui para que um grupo de press�o me diga o que tenho de fazer.

N�o, ou�a. O partido est� a pedir. Sabe muito bem.

Estou disposto a entender a sua causa, seus motivos, sua vontade em transcender.

Talvez tenha sido por isso que a procur�mos. N�o, foi mesmo por isso.

Mas tem de entender que este dinheiro � muito importante para o partido.

O dinheiro desta gente. Foi esse dinheiro que a colocou aqui.

N�o somos tontos. Somos conservadores. Somos o sistema.

E h� certas coisas que n�o nos pode pedir. A sua filha preocupa-nos.

A minha filha! � uma mulher. E j� sabe como elas s�o, Bambiri.

E o que est� a fazer com o ficheiro do Bernal em cima?

Porque tamb�m precisamos desse dinheiro. � importante. � fundamental.

T�o importante quanto o das tabaqueiras. Somos a minoria. Entende?

Os nossos votos inclinam a balan�a. N�o t�m peso pr�prio.

Ent�o, o Partido Conservador tem de deixar de fazer neg�cio com esclavagistas.

O meu conselho � que n�o brinque com eles. Ou�a-me.

N�o estamos a lidar com um movimento de adolescentes, ou uma coliga��o municipal.

Somos o partido mais antigo do pa�s. Esta gente � muito poderosa.

V�o levar o corpo para a morgue, onde se vai realizar uma aut�psia.

Vai com o corpo. � todo teu, Ricardo.

- Ricardo, podes aproximar-te do corpo? - Grande plano.

Grande plano.

Qu�o dif�cil pode ser?

N�o pode ser.

Sim, tem uma marca no pulso. Podes perguntar o que significa a marca?

Bernal! Dizem-me que tem uma marca no pulso! Pode confirmar?

Podes pedir ao procurador que olhe e fa�a o seu trabalho?

- Parem. - Porque n�o faz o seu trabalho?

V�o. � verdade.

Tem uma tatuagem. � um c�digo de barras.

Carreguem-na. Carreguem-na, vamos. O mais r�pido poss�vel.

H� algum tipo de confirma��o?

- N�o! - N�o te mexas!

N�o te mexas, cabra!

- Eu disse-te para n�o te mexeres! - Anda!

Anda!

- Acalma-te! Acalma-te. - Parem.

Cala essa boca. N�o digas nada.

Lembra-te, n�o digas nada.

- N�o! - Anda!

- Tenho de falar contigo. - Agora n�o. O Carbone vem a�.

Se queres trabalhar num tema que n�o interessa a ningu�m,

mas que sentes que � importante porque emociona as pessoas,

f�-lo, mais vai at� ao fundo.

- Mas abra�ar o convidado... - � um programa de televis�o.

- Sou o produtor com mais anunciantes. - E precisas de espetacularidade.

Precisamos de um pouco de drama. As pessoas gostam, ou n�o? Ouve-me.

Chegam a casa do trabalho, veem isto e esquecem-se que trabalharam o dia todo.

Sentem-se felizes porque n�o est�o numa ambul�ncia a caminho da morgue.

E depois est�s l� tu, uma rapariga bonita, que se emociona com as trag�dias.

- Muitos escolhem o canal para te ver. - N�o t�m de sofrer?

- Por isso mesmo. - �s um idiota.

- Ouve, a tua m�e quer... - Espera.

- Sra. Santa Cruz, procurador Bernal. - Procurador, que surpresa.

Imagino que se queira desculpar.

Quero falar pessoalmente. Convido-a a jantar. Vou fazer uma reserva.

- N�o disse que aceitava. - � uma mulher inteligente.

- N�o estou a ligar para me desculpar. - O que tem para me oferecer?

- Que r�pida que �. - Sou advogada.

Baixe a guarda, por favor. O que quero discutir, pode ser proveitoso para ambos.

- Para. - Diga ao seu pai que n�o a comprometo.

Vou adiantar-lhe algo. � a �nica pessoa importante que se ocupa do caso.

Est� comprometida com a causa. E com a fam�lia da Larissa.

Se queremos que tudo se resolva, venha jantar comigo.

Estarei � espera.

Ainda n�o entendo o que fa�o aqui.

Veio pelo mesmo motivo que eu.

Quer encontrar Larissa Torres com vida.

Sabe algo sobre isso?

Por favor, um minuto. J� chamamos.

� um tema delicado. Tenho de confiar em si e tem de confiar em mim. � confidencial.

Eu confio nas pessoas.

� um grande defeito que tenho.

Estou atr�s de uma grande organiza��o. O principal neg�cio � tr�fico humano.

Usam uma claque como fachada.

E o que quer de mim?

� a pessoa mais confi�vel do pa�s.

Quero chegar ao povo. O povo cr� em si. Conhecemo-la desde que era crian�a.

Conhecemos a sua fam�lia. Os seus pais. A si. Vimo-la a crescer.

� a voz da rapariga desaparecida. Defendeu-a quando mais ningu�m o fez.

O que fez pela causa da Larissa foi muito importante.

- Est� a manipular-me como fez no ar. - Sei que se importa com esta rapariga.

Tenho um infiltrado dentro da claque.

H� dois anos que trabalha para mim. Temos informa��o importante.

O suficiente para fazer cair peixe mais gra�do.

Estas pessoas s�o muito poderosas.

Necessito de si. Necessito da TV. De si.

Quero recuperar o meu agente com vida. E quero crer que os pode desmascarar.

N�o posso fazer nada, estou sozinho. Compraram toda a gente � minha volta.

Quem � o seu agente?

Isso � um sim? Aceita?

Digam-me quem � e depois, talvez, penso nisso.

Est� bem.

Chama-se Gonzalo.

� meu meio-irm�o.

Fica calma.

TR�S ANOS DEPOIS

- O que fazes? Est�s louca? - � ele. Juro que � ele.

Juro que � ele.

- O que queres? - Que todos saibam que me arruinaram.

Que o teu casamento � uma farsa. E que o �dio que me consume, devo-o a v�s.

Tradu��o: Lu�s Perat

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