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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

N�o quer que mande entregar, Sra. Wheeler?

Pode deixar, eu mesma levo, obrigada.

Colocarei na sua conta. Perfeito.

Bom dia, Sra. Wheeler. At� logo.

Oi! Um momento.

Oh, Sra. Wheeler. Deixe que eu carrego.

Obrigada, Dolores.

A Sra. Cooke j� voltou? Si, est� l� em cima. Quer que a chame?

N�o. Vou colocar as plantas no jardim. A senhora mesma vai plant�-las?

Hmm. N�o. Deixe que o Sr. Wheeler as plante.

Que cheiro bom. Deve ser para voc�.

O que vai ser para n�s? Para voc�s a carne.

Jantar �s nove hoje, Dolores. N�o oito nem dez. Nove.

J� viu estas florescendo?

S�o como rosas agrestes que florescem no interior. Pequenas e delicadas. S�o t�o bonitas.

Na Espanha s�o maiores. Com certeza, na Espanha tudo � maior e melhor.

Traga as outras duas, por favor.

Sim, senhora Wheeler.

Sra. Wheeler.

Obrigada, Dolores.

Ol�.

Ol�.

S�o rugosas, n�o?

S�o da variedade "Buff Beauty".

Minha esposa adorava essas.

Sempre tinha dessas pela casa.

O que estava fazendo ali esse tempo todo, Sr. Appleby?

Estava preparando um canteiro para uns amigos meus.

O preparo � tudo. N�o se pode simplesmente espetar as coisas no ch�o e esperar que cres�am.

O solo est� envenenado. Essa maldita casa tapa quase todo o sol do nosso jardim.

Quase nunca bate.

Oi, Ellen! Oi.

Vai demorar? Quero te mostrar uma coisa.

O que �? Espere para ver.

Entre, Sra. Wheeler. Posso fazer isso para voc�.

N�o posso aceitar isso. Al�m do mais, o jardim ainda estar� aqui amanh�.

E deix�-las passar a noite em vasos? Nem pensar!

Ser� um prazer fazer qualquer coisa nesse jardim.

Costumava brincar aqui em crian�a.

� mesmo?

Sua casa pertenceu ao meu pai.

Agora fiquei restrito � casinha adjacente.

Eu sinto muito. N�o se preocupe.

Agora estou sozinho. Pode entrar, Sra. Wheeler. Eu acabo isso.

Vou plant�-las exatamente onde as colocou.

� muita gentileza sua. Na verdade estou com um pouco de pressa.

� muito gentil. Obrigada.

Mulher bonita.

Hoje em dia � imposs�vel encontrar o que se quer.

Mas preciso comprar tudo antes de partir. As lojas na Esc�cia s�o horr�veis.

Passei o dia inteiro nisso.

N�o bem o dia todo, querida.

Tirando o almo�o, claro.

Experimentei um listrado. Me senti uma presidi�ria.

Como foi? O qu�, querida?

Seu almo�o?

Tomei vinho demais.

Acha que engorda?

� muito bem feito. Sim, mas engorda?

N�o, querida, est� lindo.

Barry vai largar a fam�lia e casar-se com voc�?

Eu � que n�o gostaria. N�o quero passar por isso de novo.

Casar e estragar um belo romance? Nem pensar.

Buenas noches, Dolores. A Sra. Wheeler est� l� em cima.

Obrigado.

Estou decidida. Me enganei. Ora, querida, amanh� voc� devolve.

Vai v�-lo amanh�, n�o? Acho que n�o.

Vai jogar golfe com a mulher.

Francamente, seu gosto em homens me preocupa.

Ol�, querida.

Ol�, Sarah.

Desculpe o atraso.

P�nico em Wall Street.

Toda vez que que os vietcongues lan�am uma ofensiva eu me atraso para o jantar.

Querida, esse vestido est� lindo.

Seu tolo, j� me viu centenas de vezes com ele. Sabe que gosto de me vestir para o jantar.

Claro que sim.

Tem tempo para um drink? Aceita um, Sarah?

Obrigada, j� estou bebendo.

N�o est� notando nada? Bem, umm.....

Est� de vestido novo. Presente de um admirador rico.

Isso n�o � da sua conta.

Quando era mais jovem, meu �nico interesse em vestidos era v�-los sendo tirados.

Agora que estou bem acostumado, posso apreci�-los de qualquer jeito.

O que fez hoje, querida? Tirou um cochilo � tarde?

N�o. Sa� e comprei umas rosas lindas.

O Sr. Appleby insistiu em plant�-las.

Simp�tico da parte dele.

N�o sei, n�o.

Acho que nunca vou morrer de amores por ele.

Parece-me um sujeito agrad�vel.

Tem algo nele que...

n�o sei...

n�o importa.

Bati um papo com ele outro dia.

Parece que ele fabricava manequins para lojas, ou algo extraordin�rio assim.

Concordo com voc�, Ellen. Evite vizinhos como se fossem a praga.

Hmm. Com certeza!

Se seus amigos ou inimigos moram afastados, voc� pode v�-los ou evit�-los quando quiser.

Mas se moram ao lado, isso � imposs�vel.

Quanto tempo voc� vai ficar, Sarah?

Ou seja, quando vou embora? Quanto mais cedo melhor?

N�o, n�o, por que n�o fica pra sempre?

� gentileza sua, mas quero estar em Glasgow no s�bado. Come�o a trabalhar na segunda.

Deixa ver, ent�o temos tr�s dias.

Preciso me lembrar de fazer uma celebra��o em sua honra.

Por que n�o damos uma festa?

Podemos convidar o Barry.

Bem...

� gentil da sua parte, mas Barry n�o � bem o tipo de homem que poderia apresentar a seus amigos.

Vou levar isso comigo. Tomarei um banho e mudarei de roupa.

A que horas vamos jantar. Pedi a Dolores que servisse �s nove.

�timo, ent�o � melhor ficar pronto l� pelas dez e meia.

Come�ou um novo quebra-cabe�as.

Parece dif�cil. Nem tanto.

Uma vez que j� se viu tudo.

Admiro sua paci�ncia.

Ajuda a passar o tempo quando estou sozinha em casa.

Est� com frio?

N�o.

Por que n�o consegue dormir?

Tenho ins�nia, n�o sabia? Mal de fam�lia.

N�o � heredit�rio. �, sim.

Meu pai tinha.

Tenho pensado no meu pai.

Tentando entender.

O qu�?

Para isso serve a vig�lia noturna.

Para as coisas que durante o dia s�o desconhecidas ou n�o lembradas.

Por que ele n�o conseguia dormir?

Era um amor de pessoa, era riqu�ssimo, fazia tudo que queria...

era um p�ssimo poeta...

morava numa casa linda...

era um gentleman.

Foi alguma coisa que fiz?

Voc�? O que voc� poderia ter feito, querido?

N�o consigo dormir porque n�o consigo.

Sou atormentada por sonhos e lembran�as.

Tenho sido t�o mimada, n�o?

Por ele, por voc�, por Carl.

Carl?

N�o estava pensando nele.

N�o pense isso.

Estava pensando em quando nos conhecemos.

E eu era...

como eu era.

E voc� disse...

apoie-se em mim...

confie em mim

Sim, e falava s�rio.

Falava?

Ainda fala?

Sim.

Me abrace!

Vamos viajar.

Vamos embora amanh�, para a Gr�cia, para Roma, algum lugar com sol.

Como faz�amos antes de... Antes de eu...

decidir viver �s minhas custas.

Viver n�o importa.

S� a vida.

Perdi uma coisa e quero-a de volta! Nada foi perdido!

Tem certeza?

Sim.

Sim.

Bem...

falo demais, n�o �? Desculpe.

Fala, sim.

N�o quer voltar pra cama? N�o.

Est� tarde demais agora.

Acho que ficarei olhando a tempestade. � fascinante.

Tamb�m n�o conseguirei dormir.

Desculpe.

Quer tomar alguma coisa?

Quer um copo de leite quente?

Um copo de leite.

Por que n�o?

Eu te amo.

Eu tamb�m..

N�o!

Meu Deus, n�o!

John! John!

O que foi, Ellen? Acho que vi um homem morto. Foi assassinado.

O qu�? Na janela da casa velha.

Acho que cortaram sua garganta.

Na janela de cima.

Desculpe, querida, n�o vejo nada. E as janelas est�o fechadas.

Meu Deus! Ent�o algu�m fechou.

Temos que chamar a pol�cia.

Est� um breu l� fora. Como p�de ter visto alguma coisa?

Vi com o rel�mpago. As janelas estavam abertas ent�o.

Por favor, chame a pol�cia. Acalme-se.

Estava sentado numa cadeira com a garganta cortada, coberto de sangue...

Sente-se. Vou pegar um licor e voc� me conta tudo de novo, com calma, exatamente...

N�o quero nenhum licor. Chame a pol�cia...

A pol�cia n�o � muito chegada a alarmes falsos a essa hora da noite.

Talvez voc� pense que viu alguma coisa...

O vento pode ter aberto e fechado aquelas janelas.

Por que n�o acredita em mim?

Est� bem! Est� bem!

Qual o n�mero da casa? N�o sei.

Acho que � Rua Hanson, 17.

Boa noite, Inspetor.

Quero comunicar um assassinato.

Pegue um alicate. Sim, senhor.

Tem certeza que disseram que vinham?

Sim, querida, j� disse que estavam a caminho.

Sempre falei que a pol�cia inglesa era ineficiente. Melhor tomar isso, querida.

Acho que n�o devo, isto �...

tenho que falar com eles, explicar... Vamos, vai acalm�-la.

Tudo bem.

Eu atendo. N�o, eles t�m que falar comigo.

N�o vou demorar.

Meu Deus... Tudo bem?

Meu Deus, nunca me senti t�o nervosa.

Nunca tive que lidar com a pol�cia antes.

Teve sim, Ellen.

Quando?

N�o se lembra?

Daquela vez com Carl.

Obrigado, Dolores, pode deixar comigo.

Foi o senhor que ligou?

Sr. Wheeler, n�o �? Desculpe muito incomod�-los a essa hora, mas...

N�o tem problema. Disse que viu algo estranho na casa ao lado.

Na verdade, foi minha mulher que viu.

Aconteceu mais alguma coisa desde que nos telefonou?

N�o, voc�s chegaram muito r�pido.

� nosso trabalho. Coloquei vigias na frente da casa.

Sabe se a casa tem alguma outra sa�da?

Sim. Existe uma sa�da pelos fundos que d� para nosso jardim.

Mas est� sempre trancada. Incomoda-se se puser meus homens l�?

Claro que n�o.

Wilson, assim que estiver pronto mande os outros entrarem.

Dolores, fa�a o favor de conduzi-lo at� o jardim.

Sim, Sr. Wheeler.

Vamos entrar, Inspetor. Obrigado.

Inspetor...

antes de falar com minha esposa... Sim?

Ela n�o est� nada bem. N�o tem dormido.

Quando falar com ela, procure n�o perturb�-la mais ainda.

Mais alguma coisa que eu deva saber?

N�o.

N�o... � que ela est� muito assustada com tudo isso.

Compreendo. Serei o mais r�pido poss�vel.

Acha que posso falar com ela agora?

Sim. Sente-se que vou cham�-la.

Thompson, Smith, deem uma olhada l� em cima.

Vamos olhar aqui dentro.

Vi tudo t�o distintamente com o rel�mpago.

Parece uma fotografia estampada na minha mente.

Ele estava sentado na cadeira com suas m�os...

ca�das para o lado...

de olhos abertos.

O sangue correndo pelo peito.

Pode descrev�-lo?

Era claro... alto.

Alto? Disse que estava sentado.

Mesmo sentado d� para se perceber se um homem � alto. Sim!

Alto � claro.

Quantos anos acha que tinha?

N�o sei.

Podia ter...

N�o sei.

Sr. Wheeler, talvez seja melhor eu dar uma olhada pela janela.

Da mesma posi��o em que seu esposa viu o homem.

Sim, claro.

Foi no primeiro andar. A janela com as venezianas.

Com todo respeito, a essa dist�ncia e com rel�mpagos,

acho dif�cil sua esposa ter tanta certeza.

Ela tinha certeza absoluta.

Aqueles s�o seus homens?

Sim.

D� uma olhada ali dentro. Sim, senhor.

Agora aqui.

Me passe a lanterna.

Por que insiste tanto que podia ser isso ou aquilo? J� disse tudo que vi.

Pode ter sido uma ilus�o de �tica causada pela tempestade.

Era um cad�ver causado por um assassino!

Inspetor...

Seus homens ainda est�o vasculhando, n�o? Sim, senhor.

Aceita tomar alguma coisa?

Obrigado. O que deseja?

Algo leve. Nada espumante.

Um u�sque com �gua? �timo.

Talvez o Inspetor queira com gelo, John.

Eu atendo. Deve ser um dos meus homens.

Desculpe incomod�-la, Sra. Wheeler. Mas o que quer que tenha sido, meus homens descobrir�o.

Boa noite.

Pode falar. N�o tem nada l�, senhor.

A casa � um labirinto de corredores e escadas. Vasculhamos tudo do s�t�o ao por�o.

Aparentemente h� muito tempo que ningu�m p�e os p�s naquela casa.

Isso � imposs�vel.

Primeiro andar, janela do meio. Sim, um sal�o com lareira e alguns m�veis.

Tamb�m tem uma poltrona antiga na janela.

Ent�o existe uma cadeira. N�o estou ficando louco.

A janela estava aberta? Estava meio solta, mas eu a fixei.

Devem ter removido o corpo!

Sinto muito, mas n�o h� nenhum sinal de viol�ncia perto da cadeira. Nenhum sangue nem sinal de luta...

N�o pode ser! N�o pode!

N�o est� dizendo a verdade para n�o me deixar mais nervosa.

Ele est� dizendo a verdade! Voc� esqueceu.

Eu sei o que tem l�. Eu vi!

Mas eu mesmo os vi vasculhando a casa.

Pelo amor de Deus, eu vi! Por favor, querida!

Voc� n�o acredita em mim! N�o acredita em mim!

Ellen! Deixa, vou ficar com ela.

Ellen, querida, espere, por favor.

Ellen!

Me espere l� fora. Sim, senhor.

Boa noite. Boa noite.

Me desculpe, Inspetor.

N�o se preocupe. Qualquer um pode se enganar. Mora aqui h� muito tempo?

H� uns seis meses. Qual � sua profiss�o, que mal lhe pergunte?

Sou consultor de investimentos. Um bom emprego.

Nunca entendi de letras e a��es. N�o conhe�o ningu�m que entenda.

� bom saber.

Conhece os donos daquela casa? N�o, mas soube que viajaram para a �frica do Sul.

Entendo. Sua esposa passa muito tempo em casa sozinha?

N�o mais que a maioria das mulheres.

A Sra. Cooke fica aqui conosco.

Est� de f�rias. S�o velhas amigas.

Obrigado pela aten��o, Sr. Wheeler. Entraremos em contato.

Inspetor...

N�o descartaria por completo a possibilidade de minha mulher ter visto alguma coisa.

N�o descartei. Colocamos um homem de vigia e voltaremos de manh� para checar. Boa noite.

Boa noite, Inspetor.

Alguma coisa que n�o me contou? N�o, senhor.

N�o tinha nada l�. O que acha disso tudo?

N�o acho nada. Estou � faminto. J� devia ter largado h� duas horas.

Pode ter sido a bebida, ou os rem�dios.

Mais prov�vel que seja o dinheiro e a menopausa. Gente rica tende a ficar nervosa.

O que quer que eu escreva no boletim? Pensaremos nisso de manh�. Agora vou pra casa.

Ela foi pra cama? Sim, dei-lhe um sedativo.

Acha que devia?

Vai dar tudo certo.

John.

John.

J� vou, querida.

Boa noite.

John.

A cadeira... e o corpo...

t�o perto da janela...

parecia proposital para que eu visse. N�o pense mais nisso, querida.

Tente dormir.

Durma.

Bom dia, Dolores. Bom dia.

Isso � para a Sra. Wheeler? Sim.

Ela tocou pedindo? N�o, mas est� na hora.

Acho que ela vai se atrasar um pouco hoje. Espere que ela toque. Voltarei na hora do almo�o.

Yo no s� lo que pasa en esta casa.

Ai, por Di�s! No s� lo que quieren ni lo que no quieren.

Sra. Wheeler.

Bom dia, Dolores.

Pode vir aqui um momento? Sim, senhora.

As �rvores estavam ali ontem?

Ah, sim. N�o, ontem n�o. Ele as plantou hoje de manh�.

Voc� o viu? N�o... hmmm...

Talvez tenha plantado ontem � noite. Quer que pergunte?

N�o... n�o, obrigada.

A Sra. Cooke diz que vai voltar depois do almo�o.

Obrigada, Dolores.

Al�?

Desejo falar com o Inspetor Walker, por favor.

Aqui est�, senhor. Muito obrigado.

47, por favor.

Obrigada.

Al�!

Al�!

Sob as �rvores?

� uma teoria bastante interessante, Sra. Wheeler.

O que a faz achar que o corpo esteja debaixo das �rvores?

A vala ontem no jardim. Sei porque o vi cavando.

E ontem � noite vi um cad�ver naquela casa.

O tempo que levou para voc� chegar aqui... N�o mais que dez minutos.

Algu�m n�o poderia ter removido o corpo e depois t�-lo enterrado?

Ontem n�o havia �rvores ali.

A empregada pode confirmar isso.

Qualquer um tem o direito de plantar uma �rvore em seu pr�prio jardim.

Meu Deus, n�o adianta. N�o posso fazer nada.

S� se convencer� se eu apresentar o corpo junto com o assassino confesso.

Mas isso eu n�o posso. S� posso dizer o que vi.

N�o se preocupe, Sra. Wheeler. Falarei com o Sr. Appleby.

Um corpo na casa velha?

Que interessante. Eu n�o vi nada.

Quando plantou essas �rvores, Sr. Appleby?

Pergunta estranha. Ontem � noite.

� a melhor hora de plantar, depois de uma tempestade.

As folhas est�o frescas, o solo saturado.

As enzimas est�o ativas.

Na verdade plantei-as logo depois que voc� partiu.

Ent�o sabia que est�vamos aqui. Ah, sim.

Fiquei intrigado com o que estava acontecendo. Entende alguma coisa de �rvores, Inspetor?

Na verdade, n�o.

Laburnum Adamii...

um enxerto h�brido, extremamente raro.

Um cruzamento entre a laburnum comum e a roxa.

Produz flores de ambas as cores.

� extraordin�ria.

Costuma ficar acordado at� tarde? Sim, frequentemente.

�s vezes a noite toda, �s vezes o dia todo.

Morando-se sozinho, dia e noite quase n�o fazem diferen�a.

Minha mulher costumava dizer... Se incomodaria de desenterrar essas �rvores?

Me incomodaria muito. Nem que fosse para apaziguar a Sra. Wheeler.

Poderia usar um cachorro para farejar.

Daria na mesma.

Nem tanto.

Para isso precisaria de mandado e faria o poss�vel para dificultar sua vida.

N�o ser� necess�rio.

Obrigado, Sr. Appleby.

Escrit�rio do Sr. Wheeler.

Sim, Sr. Clyde...

Sinto muito, ele deve voltar a qualquer momento.

Ele acabou de chegar. Aguarde na linha, por favor.

Sr. Clyde, linha 2. Pode transferir.

Mais algu�m? Telefonou um Inspetor Walker.

Duas vezes. O que andou aprontando?

Estuprando secret�rias.

Ponha o Walker na outra linha, por favor.

S� um momento, vou transferi-lo.

Al�, Tommy, j� ia ligar para voc�.

Estava tratando do assunto e acho que tenho algo para voc�.

Uma companhia nova chamada Harmon.

Harmon, H-A-R-M-O-N.

Empreendimentos imobili�rios.

Sim, � muito s�lida.

Est� subindo, deixe ver...

chegou a 117 esta manh�.

Tommy, preciso desligar.

Sim checarei a cota��o no fechamento e ligarei de volta.

Obrigado, at� logo.

Pode transferir.

Al�, Inspetor. Em que posso ajud�-lo?

Desculpe incomod�-lo, mas � que sua esposa ligou para a delegacia.

O Inspetor disse que voc� ligou quatro vezes para ele hoje.

Mesmo depois de ele ter sa�do daqui.

Est� convencido de que est� lidando com uma hist�rica.

E voc�?

N�o, nem um pouco.

Ent�o por que quer que eu consulte um m�dico? Tony n�o � s� um m�dico, � um velho amigo.

Amigo seu.

Nosso amigo.

Podia pelo menos conversar com ele.

Essa coisa que voc� viu... Um cad�ver!

Tudo bem, um cad�ver. Mas isso n�o vem ao caso.

N�o tem dormido, est� nervosa, irritadi�a.

Talvez tenha raz�o.

Melhor voc� tirar umas f�rias.

O que eu sugeri foi que n�s tir�ssemos umas f�rias.

Mas eu n�o posso, querida.

N�o vamos come�ar tudo de novo.

Se me amasse acreditaria em mim.

Mas sua primeira rea��o � sempre a mesma: "Ellen, � assim mesmo, est� pirando de novo."

Tem coisas acontecendo aqui.

E todos s� ficam dizendo: "Oh, n�o se preocupe, Sra. Wheeler...

v� dormir, n�o se preocupe, deve ser coisa de sua imagina��o.

Talvez seja mesmo.

E isso aqui?

Isso � coisa da minha imagina��o?

A pol�cia me deu isso depois do acidente do Carl.

Tinham desaparecido. Achei que os tinha perdido.

H� anos que n�o os via.

N�o sei como foram aparecer.

Hoje os encontrei naquela gaveta.

S� eu fumo nesta casa, s� eu uso aquela gaveta.

As coisas do Carl foram postas ali para que eu encontrasse.

Ent�o agora � o Carl... Mas de onde mais podem ter surgido?

Escuta, Ellen, me desculpe.

Um cad�ver at� d� para aceitar.

Mas seu falecido marido � demais.

Onde voc� vai?

Sair!

Para o �ltimo ref�gio quase extinto do homem ingl�s.

Meu pub. E me fa�a um favor.

N�o mande a pol�cia atr�s de mim.

Vai sair?

Sim. O que aconteceu?

O que aconteceu? Nada.

Ela est� bem? Sim. Encontrou umas coisas do Carl na gaveta.

Alega que algu�m colocou l� de prop�sito.

Onde voc� vai?

Tinha raz�o. Achava mesmo que estaria acordada. Vamos tomar algo para dormirmos bem.

Uma x�cara de chocolate para voc�, outra para mim.

Obrigada.

Nunca imaginei que fosse chegar a esse ponto.

Esperando meu marido voltar do pub.

Calma. Daqui a pouco ele volta. S� est� nervoso e preocupado.

O que est� acontecendo comigo?

Sarah, ei vi aquele homem com a garganta cortada e o sangue escorrendo...

Eu vi, sim.

Era o Carl?

Como poderia ter sido o Carl?

Disse que era alto e loiro.

Carl est� morto.

Viu o Barry hoje?

N�o, ele n�o p�de.

Eu acredito em voc�, querida.

Acredito que viu alguma coisa ou algu�m.

Lembra-se de quando nos conhecemos?

Quando voc� estava mal, naquela villa em Montreux?

Tamb�m disse que tinha visto Carl.

N�o me lembro.

� prov�vel que n�o.

Mas n�o � imposs�vel.

Acontece com muita gente. Gente que tem vis�es, v� fantasmas, tem alucina��es.

Quando a mente fica obcecada com alguma coisa ela chega a produzir uma imagem na retina.

Tem nome, chama-se imagem eid�tica.

H� anos que n�o penso no Carl.

Sim, eu o amava, mas...

isso j� passou.

Agora amo o John.

Vai tomar isso?

N�o.

Trarei alguma outra coisa.

Sarah.

Sarah!

O que foi? Vem c�.

Olha.

Olha!

Est� vendo?

Est� vendo, n�o?

Voc� tinha raz�o. Tem algu�m l�.

Vou chamar a pol�cia. N�o, Ellen, espera!

Por qu�?

Pode ser a pr�pria pol�cia. Ent�o eles saber�o.

Ou algo bobo, como um mendigo ou crian�as.

Pois t�m que ficar sabendo, n�o?

Vou ver se a porta da cozinha est� trancada.

Inspetor Walker?

Ellen viu uma luz na casa.

Outra vez? Mas tem.

Eu tamb�m vi.

Onde ela est�? Ligando para a pol�cia.

Voc� fique aqui fora. Vamos, r�pido. Entre l�.

Quem foi o idiota que deixou isso aberto?

Bando de incompetentes.

Ilumine aqui em cima.

Vamos, deve ter vindo por aqui.

Corram, est� indo para o corredor!

Vamos, pelo corredor.

Peguei!

Me largue! Solta!

Procurando fertilizantes, Sr. Appleby?

Levem-no para o carro.

N�o t�m direito, sou um cidad�o brit�nico!

Desde quando curiosidade � um crime?

Isto � uma invas�o de privacidade inadmiss�vel.

Ponha barras nas janelas e cadeados nas portas. Explicaremos aos donos de manh�.

Sim, senhor.

Acho que n�o d� pra cavar mais.

Tudo bem, pode parar.

N�o tinha nada l�. Terminamos.

O que esperava, Sherlock Holmes? Um manequim de cera coberto de ketchup?

Uma minhoca armada? J� disse que estava l� de curiosidade.

Se soubesse que tinha um cad�ver na casa do seu vizinho tamb�m n�o iria espiar?

Podia ter controlado sua curiosidade. N�o tinha direito de entrar l�.

Nessas circunst�ncias, vamos retirar as acusa��es.

Quanta gentileza! Se quiser podemos replant�-las.

Coisa morta n�o se replanta, se enterra. Saia do meu jardim!

Com licen�a, Sr. Appleby. Terei prazer em indeniz�-lo pelas �rvores.

Pagar� pelas �rvores, Sr. Bolsa de Valores, Sr. Carteira de A��es...

Com certeza t�m dinheiro para isso, voc� e sua mulher...

Cuidado com a l�ngua ou enfio suas �rvores...

Saiam do meu jardim! Saiam todos!

O cara ficou agitado. Com licen�a.

S� um momento, Sr. Wheeler.

Sim, Inspetor.

Isso encerra o caso. Espero que sua esposa n�o nos ligue mais.

Est� virando piada l�.

Isso tudo � um desperd�cio de tempo.

Com certeza seu tempo � muito valioso, Inspetor.

O meu tamb�m. Bom dia.

Bom dia.

Por favor entenda, John. Entendo muito bem seu lado.

Conhe�o o hist�rico cl�nico da Ellen.

E parece haver algumas neuroses latentes que podem ser...

perigosas. Mas s� para ela mesma.

Ontem ela ligou seis vezes para a pol�cia.

Hoje os mandou escavar o jardim atr�s de um cad�ver inexistente.

Agora o vizinho est� amea�ando me processar.

A pol�cia pediu-me que a controlasse.

Ela mal dormiu ou comeu estes �ltimos dias.

Est� tomando as p�lulas que eu receitei?

Sim, p�lulas para dormir, tranquilizantes, tudo.

N�o parecem ajudar muito.

O que mais me preocupa � que ela possa tomar uma overdose.

Tony...

N�o daria para usar um pretexto qualquer e aparecer l� em casa...

para jantar ou tomar alguma coisa...

s� para ver com seus pr�prios olhos.

Poderia, sim.

Mas duvido que a enganasse. Ela � inteligente demais.

Toda a confian�a que tenha em mim ir� por �gua abaixo.

Infelizmente acho que voc� n�o tem muito mais o que fazer.

A menos que decida intern�-la.

Nossa, n�o poderia fazer isso.

N�o, claro que n�o.

N�o estava sugerindo que o fizesse.

S� tem uma coisa que pode fazer. Convenc�-la a falar comigo voluntariamente.

Mas como?

Nem a pol�cia conseguiu convenc�-la de que est� vendo coisas.

Isso porque ela est� vendo.

N�o adianta voc� tentar convenc�-la de que n�o existe um cad�ver naquela casa.

Temos � que faz�-la aceitar o fato de que que o cad�ver est� aqui dentro.

Da�, ao come�ar a duvidar de seu pr�prio discernimento,

passar� a confiar no meu.

Tente n�o se preocupar.

Sen�o quem precisar� de tratamento � voc�.

Nem pensar. N�o teria dinheiro.

Se ela mudar de ideia, sabe onde me encontrar.

Entrementes, tente agir com naturalidade.

Mais um, Sarah? Ah, sim, por favor.

E voc�, querida?

Como foi com Barry hoje? Almo�amos no Flying Horse, na Sidney Street..

Ele tem p�ssimo gosto.

Ele tem que comer comida simples. Tem �lceras.

�lceras e golfe, que combina��o.

Esse cara est� ficando cada vez mais inacredit�vel.

O que ele vai fazer quando voc� for para a Esc�cia?

Encontrar outra mulher, imagino.

Provavelmente.

Tem muitas sobrando por a�.

Na verdade nem quero ir. S� de imaginar aquelas carinhas espinhentas olhando para mim.

Quero � ir numa expedi��o arqueol�gica no Panam�.

Ou me tornar uma croupier em Monte Carlo.

Por que n�o vai? Talvez v�.

Nunca fiquei mais de dois anos num mesmo emprego.

Droga!

Se for nessa expedi��o, o que far� com a escola?

Mando um telegrama. Doen�a na fam�lia ou algo transparente assim.

O jantar est� pronto, Sra. Wheeler.

Vamos logo antes que ela mude de ideia.

Vamos, querida.

V�o voc�s dois. N�o estou com fome.

Vamos, n�o pode ficar sem comer.

Por favor, n�o estou com fome.

Oh, a Sra. Wheeler n�o vem?

Deixe tudo preparado, Dolores.

Para que fui falar em doen�a na fam�lia?

Por que sempre que se tenta evitar um assunto ele sempre acaba se insinuando?

Podia ter se esfor�ado um pouco mais.

N�o desconte em mim, John.

Me desculpe.

Disse que n�o podia v�-la sem sua permiss�o.

Ela precisa ver algu�m, n�o pode continuar desse jeito a�.

N�s tamb�m n�o podemos continuar assim.

Por que n�o viajamos? Para as Bermudas ou algo assim.

Bela hora para fazer isso.

O que faremos com Ellen?

O que foi? O que aconteceu?

Ellen! Fale.

A pol�cia... O que foi?

A gar...garganta... cortada... Do que est� falando?

Uma menina morta na janela agora...

Menina morta... na janela...

menina... assassinada... N�o tem nada l�.

Na minha casa... Ellen, n�o � sua casa!

Algu�m est� fazendo alguma coisa.

Vamos, n�o pode ficar sentada a�. Levante-se.

Tente n�o pensar a respeito.

Al�, Tony? John Wheeler.

� a Ellen de novo.

Acho que sim.

Agora acha que viu o corpo de uma mulher.

N�o.

N�o, demos um sedativo.

Est� dormindo agora.

Sim, mas...

Agradeceria se viesse logo de manh�.

Sim, farei isso.

Obrigado. Boa noite.

Uma viagem de neg�cios para a Espanha, foi o que ele disse.

Mas era senhor e senhora num hotelzinho em Brighton.

As coisas na sua mala dariam para vestir todas as putas de Paris.

Ele estava quase nu e...

e sua... sua...

roupa estava toda desabotoada.

A testa dela estava ferida

O pesco�o quebrado

mas o rosto n�o tinha ferimentos.

Uma menina ainda, morta...

e estava sorrindo para mim.

Carl... na morgue...

tentaram dar-lhe uma apar�ncia decente...

para esconder da esposa que o amava.

Nem a 130 km/h n�o conseguiam tirar as m�os um do outro.

Havia mais batom que sangue em suas roupas.

Sim!

Sim!

Sim, � o meu marido.

Ele me traiu!

Isso � o que eu n�o consigo esquecer. Nunca!

Isso faz muito tempo, Ellen.

Muito tempo.

Parecia mais importante que o fato de ter morrido.

O que est� fazendo?

Uma receita.

Tem que tomar aquilo.

Para que �?

Tranquilizantes.

Acho que tem algu�m trocando os rem�dios.

Acho que estou sendo envenenada.

Eles n�o me acalmam, me fazem sentir-me pior.

Algu�m est� fazendo alguma coisa.

Quem voc� acha que seria?

John?

N�o! N�o estou paranoica. N�o vai dizer que estou paranoica.

Ent�o a Sarah?

Sarah?

Fomos colegas de turma, somos amigas, quase como irm�s.

Foi minha dama de honra quando me casei com Carl.

Ellen...

Existe alguma outra raz�o para pensar tanto em Carl ultimamente?

Est�o me fazendo pensar em Carl.

Por que acha que encontrei seu isqueiro e abotoaduras naquela gaveta?

Tem coisas acontecendo que n�o se explicam apenas pelo meu estado mental.

Ser� que voc� n�o v�?

N�o estou tentando ver nada, s� estou escutando.

N�o. Est� sendo cego e est�pido. Est�pido!

Havia um corpo naquela casa. Agora s�o dois.

Agora mesmo tem algu�m l� me espiando.

Me espiando sem parar.

Ellen, vamos com calma.

Acalme-se.

Venha, sente-se.

Sente-se e me escute. N�o quero escutar.

N�o quero mais escutar ningu�m.

Confia em mim, n�o?

Claro que confio em voc�, Tony.

Ent�o me escute.

Pelo seu bem, quero que saia imediatamente desta casa

Se existe um assassino, deve sair para sua pr�pria seguran�a.

Caso n�o haja, mesmo assim deve partir.

Para descansar.

Quer dizer uma cl�nica?

Conhe�o um lugar excelente que mais parece um hotel.

Muitos dos meus clientes adoraram.

Seria por muito tempo? N�o, n�o... s� precisa de um descanso e tratamento.

Um ou dois meses no m�ximo.

Muito bem, Tony.

O que voc� mandar.

�timo.

Vou falar com o John. J� volto.

Como ela est�? N�o est� grande coisa, infelizmente.

Mas consegui persuadi-la a ir.

Tem algo em seu comportamento que antes n�o havia.

Eu sei.

Mas uma coisa � certa, John.

Ela n�o pode passar nem mais uma noite nesta casa.

Conhe�o um �timo lugar na Su��a administrada por um m�dico alem�o.

Cobra caro mas � dos melhores.

Se voc� providenciar tudo, farei com que ela embarque hoje mesmo.

�timo.

Acho que � absolutamente necess�rio.

Inspetor... tem um m�dico aqui...

e est�o planejando me mandar embora.

Por isso voc� precisa acreditar em mim.

Houve outro assassinato. Uma jovem. Sim, claro, Sra. Wheeler.

Sim, estou anotando tudo.

Ela viu outro.

Quando foi isso, Sra. Wheeler? Ontem de noite, j� disse.

Voc� � a �nica pessoa que sobrou.

A �nica que pode me ajudar.

Vasculhe a casa de novo, por favor.

� horr�vel saber que aquela coisa est� l� dentro.

Por que a senhora mesma n�o vai l�?

Posso dar-lhe o nome dos propriet�rios, se quiser.

Quem s�o? Pensei que tivessem ido para a �frica do Sul.

Foi comprada h� 6 meses por uma companhia chamada DIPCO.

O endere�o? Claro.

� 39, Altcross Road, Londres W1.

Obrigada, Inspetor.

Eu mesma falarei com o Diretor.

Contratarei uma firma de detetives particulares para vasculharem a casa.

Mas detetives particulares n�o servem para nada...

N�o pode vir voc� mesmo?

Por favor.

Sim, Sra. Wheeler, iremos o mais r�pido que pudermos.

Claro, deixe comigo, est� tudo sob controle...

iremos assim...

com certeza. Tchauzinho, Sra. Wheeler.

Tchauzinho, Sra. Wheeler. N�o sei o que far�amos sem ela.

Me traga uma x�cara de ch�.

Volte �s 9:00 e n�o se atrase. Minha mulher n�o pode perder o avi�o.

Sim, senhor.

J� fez as malas, querida?

Sim.

Uma vez no ar a chuva n�o faz diferen�a.

� incr�vel como se pode deixar pra tr�s esse tempo chuvoso e de repente estar debaixo de um c�u estrelado.

Sarah vai nos acompanhar?

Sim, acho que vai.

Uma despedida sem a Sarah seria inaceit�vel.

Importa-se se ela vier conosco? O avi�o dela parte meia hora ap�s o seu.

De forma alguma.

Querida, antes de ela chegar...

se importaria de assinar estes pap�is?

Do que se trata? A maioria coisa de impostos.

Neste pa�s passa-se mais tempo pagando impostos do que fazendo dinheiro.

E os outros?

Transfer�ncia de a��es. S� por quest�es t�cnicas.

Mandei que seus advogados e contadores preparassem tudo hoje de tarde.

E estes?

Uma procura��o para nossos bens em conjunto.

Para os investimentos. Coisas que necessitem de decis�es r�pidas sem ter que consult�-la.

John.

Sim?

Tem certeza que quer que eu fa�a isso?

O qu�, querida?

Que eu v�.

Eu n�o quero.

� para seu bem.

GLAXO, I.D.V., Harmon Developments, DIPCO...

DIPCO?

N�o sabia de nossa participa��o nela.

Quando?

Deixa ver... hmm...

Acho que n�o me lembro. Terei que ver com os contadores de manh�.

Vi o balancete deles. Parecem estar indo muito bem.

Algum problema?

N�o.

Preciso de uma caneta. Ah...

Toma. Assine no n�mero 1.

Viu a Dolores? Queria me despedir dela.

N�o se lembra?

Ela foi embora hoje. Voc� a despediu.

Despedi?

Foi Sarah que me contou.

Que esquisito...

N�o me lembro.

Mas � por isso mesmo que vou para a Su��a, n�o �?

Tudo pronto. Minhas malas j� est�o na entrada.

Trouxe seu tranquilizante. Sei que odeia avi�es tanto quanto eu.

Obrigada.

A� est�, John.

Obrigado.

Vou descer com suas malas.

Vamos.

Onde est� o tranquilizante? A� dentro. Eu o dissolvi.

Sabe que n�o gosto de tom�-los assim.

Era o �ltimo. Estava esfarelado.

J� tomei tantas p�lulas. Talvez a �ltima seja a �nica...

que n�o deva tomar.

Vai precisar mais tarde, Ellen.

Quanto tempo levar� para voc� chegar a Glasgow?

Uma hora e meia.

Via Bermudas?

N�o fa�a cara de surpresa. Encontrei sua passagem nas suas coisas.

Desisti do emprego.

Acho que fiquei envergonhada de te contar...

que decidi partir com o Barry.

Por que haveria de se envergonhar?

Sempre falei t�o mal dele.

Desculpe se menti para voc�.

Uma mentira � uma trai��o t�o pequena.

Pronto. O carro n�o deve demorar.

Ainda d� tempo para um drinque.

Espero que sejam felizes.

Ellen, voc� est� tremendo. Deixe de tolice, tome isso.

Ela n�o � atenciosa?

Pensando no meu bem-estar, mesmo agora.

Minha companheira, minha amiga querida. N�o faz bem o papel?

Ela gosta muito de voc�. E de voc� tamb�m.

Disso eu n�o sei. Sabe muito bem.

Voc� � o Barry?

Voc� � o amante com quem ela se encontra?

N�o seja absurda, como... Como p�de mesmo!

O velho truque mais sujo de todos.

Ellen, eu juro. Claro que gosto dela tanto quanto voc�.

Como voc� deve me detestar, John.

Ficar nesta sala comigo e essa mulher.

Guardando esse segredo de mim como uma punhalada.

Fazendo amor comigo, com pena de mim...

o tempo todo sabendo que me fazia de palha�a.

Ela n�o significa nada para mim. Eu amo voc�!

Isso torna as coisas melhores ou piores?

Ellen, isso tamb�m � fruto da sua imagina��o. Afaste-se de mim!

Mandei seguirem voc�. Eu sei.

Toda noite eu fazia-a repetir sua mentira.

Agora quer que eu tome isso e nunca mais acorde.

Para largarem meu corpo naquela casa escura e lacrada.

Ellen!

Encontrei a passagem dela. Cad� a sua? Isso � loucura!

N�o �, n�o. Por favor, acalme-se.

Foi um plano maravilhoso, n�o?

Bolaram tudo durante aquelas tardes todas na cama...

em algum hotelzinho espelunca.

Ela j� est� meio maluca mesmo, s� falta um empurr�ozinho.

Sabia da vida do Carl.

John, � melhor ligar para o Tony. N�o podemos fazer mais nada.

Nada que j� n�o tenham feito.

Fui muita crueldade de voc�s usar o Carl.

At� de me fazerem achar que foi o Carl.

Sempre foi o Carl, Carl na sua imagina��o, Carl nos seus sonhos.

Nunca eu. Essa � sua doen�a.

Por isso voc� vai embora. Para superar isso definitivamente.

Acredite, Sarah n�o tem import�ncia nenhuma para mim. Mentiroso! Est� mentindo!

N�o armamos nada contra voc�. Mentiroso!

Ent�o o que significa isso?

Encontrei esta chave hoje em sua escrivaninha.

Est� escrito DIPCO. A companhia � nossa e ela � dona daquela casa.

Soube disso do Inspetor Walker. N�o sei como foi parar l�.

N�o sei de nada. Comprou a casa para me levar � loucura.

E � assim que voc� est� fazendo. N�o � verdade.

Nem seria poss�vel. Ent�o vamos ver.

Vamos ver agora mesmo.

John, n�o, ela ficou louca!

N�o, John, voc� vai se machucar.

Deixe chamar um m�dico.

John!

John, John, n�o v�!

John! John!

John!

Ellen!

Ellen!

John!

Ellen! Ellen!

Ellen!

Onde voc� est�?

John!

John! Pelo amor de Deus!

John!

John!

Meu Deus!

Meu Deus!

Inspetor Walker, por favor.

Inspetor Walker falando.

Inspetor, prometeu que ia mandar algu�m e n�o mandou.

Preciso contar uma coisa...

Sim, estou... estou...

estou de partida daqui a pouco.

Inspetor, tem dois corpos na casa agora... um homem e uma mulher...

lado a lado com as gargantas cortadas.

Sim, eu sei... mas dessa vez precisa acreditar em mim.

Por favor...

n�o pode checar a casa s� mais uma vez?

Outra pessoa ent�o.

Sabia que ia dizer isso.

Bravo!

Bravo. Fabuloso.

Interpreta��o fabulosa.

Planejado nos m�nimos detalhes.

Uma pena que tivesse que incluir minhas laburnums.

Me desculpe por aquilo.

Que linda decora��o.

Eram tr�s quartos quando eu era crian�a. Lindo.

Muito bonito.

Adoro arte indiana.

Er�tica, violenta.

Encantadora.

Vai ficar fora muito tempo?

Nesse momento, parece que isso depende...

de voc�, Sr. Appleby.

Mas Sra. Wheeler, o Inspetor Walker tamb�m n�o acreditaria em mim.

Mas eu a admiro.

Quantas esposas abandonadas...

ou mesmo maridos tra�dos...

teriam tido sua coragem?

Eu, por exemplo, n�o fiz nada.

� um grande favor que lhe pe�o, mas j� que gosta tanto desta casa...

Sim?

Poderia cuidar dela enquanto eu estiver fora?

E do jardim tamb�m, claro.

Ser� um prazer.

Cuidarei que n�o mexam em nada.

Obrigada, Sr. Appleby.

Obrigado a voc�, Sra. Wheeler.

Faria a gentileza? Claro.

Obrigada.

Adeus, Sr. Appleby.

Adeus, Sra. Wheeler.

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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