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Original subtitles

AS GAROTAS FAZEM 25 ANOS

Desde a ponte at� a pra�a Colbert...

toda Rochefort lembra do filme que J. Demy fez em 1966...

"Duas Garotas Rom�nticas".

Os turistas ainda perguntam pela "Pra�a das Garotas"...

e os moradores frequentemente respondem...

cantando a famosa m�sica composta por Michel Legrand.

Somos duas g�meas

Nascidas sob o signo de G�meos

Somos duas garotas

Que gostam de garotos h� tempos

Vinte e cinco anos depois...

Rochefort decidiu comemorar.

Um avi�o trouxe convidados...

que tiveram participa��o no filme.

Como eu.

A grande estrela da ocasi�o era, claro, a Srta. Deneuve.

Prefeito Jean-Louis Frot.

Bem-vindos a Rochefort.

� um prazer t�-los aqui.

N�s escolhemos 5 de junho...

em mem�ria de Jacques Demy, nascido h� 61 anos.

Meu nome � Michel Rivaux, e estou aqui hoje...

porque fui um dos motociclistas...

que participou do desfile de motos do filme.

Ainda tenho esse lindo quepe. Ele tem 25 anos.

Encolheu depois de lavar, mas ainda est� inteiro.

Meu nome � Andr� Kety.

T�nhamos cinco motos Honda CB77...

para fazermos nossa parte no filme.

Eu sou Christian Gu�rin.

Eu tamb�m fazia parte do motoclube de Rochefort.

Meu quepe ficou amarelado, e meu cabelo, grisalho.

Meu nome � Pierre Veniel.

Um de n�s n�o est� aqui.

O quinto motociclista...

Guy Vinet, cujo apelido era Guitou.

Est�vamos todos meio que sonolentos...

um pouco como a Bela Adormecida.

Isso era Rochefort.

A equipe do filme veio e n�s acordamos.

N�s sa�mos daquele marasmo...

e todos come�amos a cantar.

Foi maravilhoso! Extraordin�rio!

Este foi o est�dio

para as primeiras cenas internas do filme.

Minha mem�ria sempre me engana. � um lugar pequeno.

Na minha cabe�a, � bem maior.

Somos adultos que voltam a um lugar de inf�ncia e dizem:

"Esse lugar era t�o grande na �poca!"

O est�dio de dan�a ficava aqui.

Havia tantas coisas.

Havia trilhos para dolly...

o piano, a barra de bal�, os alunos.

O piano ficava ali.

- N�o, ficava l�. - Ah, �?

A mem�ria da gente tende a ampliar as coisas.

� a� que a realidade e o filme diferem.

Hoje estamos em um lugar real, o gabinete do prefeito.

N�s o transformamos em um local de filmagem.

E se eles realmente nos amam?

Como essas t�lias cresceram!

- Elas s�o lindas. - Sim, s�o.

Para mim, foi um filme atemporal...

mas estar aqui agora o traz para a realidade...

porque somos n�s, eu, 25 anos depois.

Ainda sou eu...

seja qual for o prazer e a melancolia.

E eu ou�o a m�sica do filme l� fora.

Teremos bal�es, depois a exibi��o do filme...

e a sess�o de fotos. Eu vou aproveitar tudo.

Sei que ser� melanc�lico...

mas tamb�m sei...

que h� o fato de que o filme perdura, n�o se apaga.

O prazer da recorda��o vai vencer a batalha.

N�o deixarei que emo��es dolorosas me dominem. Espero.

Estamos de volta a Rochefort...

25 anos, um quarto de s�culo...

depois de fazer...

o grande "Duas Garotas Rom�nticas".

Tenho a sensa��o de que se eu sair andando por a�...

os animadores e os marinheiros aparecer�o de repente...

e de uma maneira perfeitamente natural, todos come�ar�o a dan�ar.

E como interpretei Maxence naquela �poca...

posso me ver entre os marinheiros...

passando pelas ruas.

Era um filme sobre a alegria.

Foi o que Jacques e eu quer�amos fazer.

Voltei para reencontrar essa alegria.

� maravilhoso ver que a cidade decidiu homenagear...

um filme sobre a cidade. � maravilhoso.

A cidade passou semanas se preparando.

Aulas de dan�a ferviam de emo��o.

Ensaios dentro dos sal�es, bal�es do lado de fora...

fl�mulas subindo por todas as partes.

A m�sica, o guindaste, os alto-falantes!

Lembro-me quando fizemos "Os Guarda-Chuvas do Amor".

Seja qual for o tema...

se voc� estiver filmando ao ar livre com m�sica...

isso se transforma em uma festa.

� um musical...

cl�ssico na forma, meio tradicional...

mas tentando criar algo novo...

ou pelo menos algo pessoal.

Mas os personagens todos cantam, conversam e dan�am...

como nos cl�ssicos de Hollywood.

Jacques escolheu Rochefort...

por sua ador�vel e imponente arquitetura militar.

Jacques e eu visitamos...

cidades francesas constru�das nesse estilo.

Saumur, La Roche-sur-Yon, lugares do tipo.

Ele queria Hy�res, cuja pron�ncia lembra a palavra "ontem".

Seria "Les Demoiselles de Hy�res", "Duas Garotas do Passado".

Mas no final...

a arquitetura era mais importante do que o jogo de palavras...

e ele escolheu Rochefort.

Ele amava os musicais de Hollywood. Eles alimentaram seus sonhos.

Mas ele estava atr�s de algo muito mais franc�s e cl�ssico...

e Rochefort era o lugar certo para isso.

Quando vimos a pra�a Colbert, pulamos de alegria...

porque ele viu uma cidade magn�fica...

que poderia se transformar em uma grande festa.

Quando assisti a "Duas Garotas Rom�nticas"...

de repente, no meio do filme...

me veio � mente essa imagem do passado.

De repente, vi e ouvi Jacques novamente.

Quando eu era assessor de imprensa...

do produtor Georges de Beauregard...

costum�vamos ir ao caf� Chiquito...

e nos sent�vamos l� enquanto ele descrevia...

os cen�rios usados...

como ele filmaria as dan�as e m�sicas...

e faria o que n�o conseguiu fazer em "Lola".

E, de repente, eu o vi sobreposto na tela...

como uma dupla exposi��o.

Eu o vi entre os edif�cios pintados em todas as cores.

Eu vi o Chiquito...

e eu vi o Demy na tela, falando comigo.

Eu at� lembro da cor...

do su�ter e casaco que ele usava no Chiquito.

- O casaco de veludo. - Exatamente.

Acho que Demy precisava...

de atrizes que pudessem fazer protagonistas que eram...

distantes e �ntimas ao mesmo tempo.

E Deneuve realmente transmite essas qualidades no filme.

Demy e Deneuve eram como Hitchcock e Grace Kelly.

Acho que Jacques encontrou em Deneuve...

o que ele sempre procurou.

Uma atriz com calibre de estrela.

Voc�s vieram em grande n�mero hoje...

assim como vieram em 1966 para ver as filmagens nesta pra�a.

Vou pedir a Catherine Deneuve...

para vir at� aqui.

Voc�s conhecem Michel Legrand.

Conhecem as m�sicas que ele fez para o filme.

O cen�grafo...

que transformou nossa cidade para o filme.

Aqui est� ele!

Uma salva de palmas para ele!

Foi ele que trouxe toda a cor.

Gosto de trabalhar com pessoas que conhe�o...

simplesmente porque a amizade conta muito...

e faz o trabalho ser mais r�pido.

N�s nos entendemos bem.

Se eu disser a Evein que eu quero certo azul...

como o azul-ultramarino...

ou um sal�o vermelho-sangue...

ele visualiza a cor na hora.

Bernard mandou repintar mais de mil persianas.

Lembro-me das novas cores da cidade quando chegamos...

e a popula��o ansiosa para participar do filme...

ansiosa para a grande festa...

sem nem saber como seria.

O que achei mais fant�stico...

foi a prepara��o.

Ensaiamos as dan�as na Inglaterra.

Norman Maen, o core�grafo...

era brit�nico, assim como os dan�arinos.

As irm�s tamb�m tiveram que aprender...

a cantar em sincronia com o playback.

Duas semanas em Londres. Estamos ensaiando as dan�as.

Catherine est� trabalhando...

h� tr�s meses, e eu tamb�m.

Eu j� dancei antes, mas a Catherine, nunca.

Essa vida do interior me entedia

Paris � o lugar onde a arte d� retorno

Foi uma aposta de risco...

fazer de mim a dan�arina.

Fran�oise sabia dan�ar bal�...

e era mais adequada para o papel.

Mas ele queria que Fran�oise fosse a cantora...

por causa do seu treinamento l�rico...

e que eu fosse a professora de dan�a.

Tive problemas t�cnicos para aprender as m�sicas...

para cantar em sincronia perfeita com o playback.

� dif�cil cantar e dan�ar ao mesmo tempo.

� preciso um grande controle da respira��o.

E concentrar-se em fazer os dois...

� muito dif�cil.

N�o � f�cil cantar e dan�ar...

ao mesmo tempo.

Vamos ensaiar a cena toda.

� a vers�o em ingl�s.

Pode se virar mais?

Voc� mexeu a cabe�a antes do tempo.

Eu tinha que dan�ar na pra�a.

Foi terr�vel.

E com Gene Kelly e dan�arinos de verdade l�!

Me senti como um idiota...

porque a dan�a � uma arte mesmo, nada pode ser deixado ao acaso...

enquanto os atores podem se beneficiar do acaso.

Mas a dan�a requer...

muita precis�o.

Aprendi muito com Gene. Ele foi fant�stico.

Havia toneladas de coisas que eu n�o sabia.

Eu queria que ele coreografasse o filme todo, mas ele disse que n�o.

Ele veio para a Fran�a...

mas apenas por tr�s semanas...

para n�o ficar longe de seus filhos.

Fez seus n�meros e ajudou a escolher os planos.

Ele � um verdadeiro mestre, ele sabe tudo...

como a c�mera se relaciona com os dan�arinos e tudo mais.

Foi preciso uma viagem por dois continentes

Foi preciso um incr�vel golpe de sorte

Para mudar minha vida e lhe dar sentido

Foi preciso eu voltar � Fran�a

- Voc� veio por aqui. - Depois da cena de Kelly.

- Voc� se lembra de tudo? - N�o muito bem.

Vinte e cinco anos � muito tempo. Mas lembro de algumas cenas.

Especialmente da cena com Gene Kelly...

que escolheu a gente dentre a turma da 5a s�rie toda.

O teste foi no p�tio da escola. Ele nos mostrou os passos.

E a� ele me escolheu.

Chegamos perto do carro.

Ele dan�ou com 2 marinheiros, depois fomos para perto dele.

Ele entrou no carro enquanto est�vamos ali perto.

N�s observamos e nos despedimos, acho que foi isso.

Andrew Miller...

estava procurando um amigo que tinha uma loja de m�sica.

Meu nome � Simon Dame, e esse � o meu problema.

Quando algu�m entra...

na loja...

sua sauda��o parece ser:

"Ol�, senhor e dama".

Bom dia, Sr. Dame.

Bom dia, irm�s.

Bom dia, Sr. Dame.

A trag�dia da minha juventude � que minha noiva...

n�o suportava meu nome...

ent�o ela me deixou.

- Ela foi embora? - Foi.

- Para longe? - Para o M�xico, com um malandro.

Qual era o nome desse monstro?

Dame. Simon Dame.

Eu me tornaria a "madame Dame". Rid�culo!

Ele era um canalha!

N�o, papai! Acalme-se!

Um canalha!

Talvez sim, mas tinha um nome encantador.

"Madame Dame".

- Que engra�ado. - Fiz bobagem, ent�o?

Mas Jacques acertou em cheio ao escolher Danielle Darrieux...

para ser a atraente m�e das g�meas.

Ele a amava e admirava.

Ela fazia o tipo dele, como Catherine.

Eu conhecia Danielle desde sempre.

As coisas eram bem simples e �ntimas com ela.

Somos muito parecidas...

h� coisas que preferimos levar n�o t�o seriamente...

e temos certa semelhan�a f�sica...

que Jacques utilizou.

Por que devo desistir do amor?

Ela voltou para Rochefort...

e ficamos juntos de novo. A vida � bela.

Em junho de 1966, eu tinha 17 anos.

No 1o dia de filmagens, era para eu ir � pra�a Colbert.

Eu nunca vou esquecer isso...

principalmente porque n�o era �poca de f�rias...

e eu estava correndo muito risco ao matar aulas.

Geralmente me chamavam para ser figurante.

Eu era pago por isso...

e meus amigos ficavam morrendo de inveja.

Mas tudo terminou de um jeito estranho...

pois tive que voltar �s aulas no fim de junho para n�o ser expulso.

- Sou Didier. - Eu sou Alain.

N�s �ramos os g�meos verdadeiros do filme.

Est�vamos no quinto ano.

Fomos escolhidos, como outros figurantes infantis...

para aparecer em v�rias cenas.

O filme foi a nossa primeira experi�ncia real de vida.

Foi uma festa fabulosa.

Descobrimos o mundo do cinema...

mas principalmente nossos primeiros sentimentos rom�nticos...

pelas "garotinhas" de Rochefort.

Foi um grande evento, e acabamos...

escrevendo sobre tudo.

Inspirado por este acontecimento, comecei a manter um di�rio.

E eu fiz o mesmo.

Ambos registramos tudo.

Mas n�s s� lembramos disso recentemente.

Durante 25 anos, esquecemos completamente...

que esses di�rios existiam.

Esses cadernos sobreviveram.

Hoje dou aulas de Hist�ria e ainda escrevo.

Eu dou aulas de Franc�s. Ambos estamos em Poitiers.

Para esta entrevista, procuramos...

algum item da �poca.

Encontrei meu quepe de marinheiro.

Eu tamb�m achei o meu. Eu o guardei.

"Catherine me deu um sorrisinho.

Eu respondi com uma risada t�mida."

"N�s gostamos um do outro...

mas como uso �culos...

eu os tiro para agrad�-la."

"Nossos olhos se encontraram com curiosidade."

"Meninos e meninas usavam roupas de marinheiro.

Era um quepe pequeno com pompom vermelho...

camisa listrada, cal�as brancas...

saias plissadas brancas para as meninas...

t�nis, com meias soquete brancas para as meninas.

Fizemos uma entrada triunfante diante da multid�o...

que se movia numa grande onda. Era uma festa sob encomenda!"

Parece t�o estranho agora.

Todas essas imagens em cores do ver�o de 1966...

foram gravadas por mim para um pequeno filme.

Um grande filme!

"Duas Garotas Rom�nticas".

Voc� estava fazendo um filme sobre o filme...

enquanto eu filmava o que voc� estava filmando.

Um filme do filme sobre o filme.

Come�ou como um filme para a fam�lia.

Rosalie ficou feliz da vida l�.

Assim como minha m�e, que tinha pavor de se intrometer.

S� eu teria filmado meu amor...

se vestindo em seu ritmo todo especial.

Eu filmei sua calma em meio � equipe de trabalho...

e seu sorriso encantador.

Como convidada especial, pude filmar as estrelas...

bem de perto.

Tamb�m filmei pessoas comuns, o que amo fazer.

Precisamos de um banco para sentar.

N�o conseguimos ver nada, ent�o s� ouvimos.

Est� gostando da m�sica?

Estamos aqui ainda. Ruim, a m�sica n�o �.

Qual voc� prefere?

Elas s�o muito parecidas.

Mas elas deveriam ter a mesma cor de cabelo.

Elas s�o g�meas, � isso?

Chegamos ao set como duas adolescentes...

visto que resgatamos um pouco...

a forma como viv�amos em casa.

Naquele momento em nossas vidas...

Fran�oise morava perto de nossos pais...

mas eu j� tinha um filho.

T�nhamos perdido nosso v�nculo de irmandade, mas renovamos...

esse v�nculo antes do filme...

e durante todo ele.

Eu senti bater uma melancolia quando fomos para casa...

ela para seus amores, eu para minha vida.

Mas eu recuperei algo que eu tinha perdido.

Por sorte, n�o somos g�meas de verdade. Que horror!

- Isso � verdade. - Seria horr�vel.

Mas est� sendo legal ser uma g�mea para Jacques...

e isso com minha irm� de verdade.

Embora haja alguns probleminhas.

Ela se atreve a me bater!

Este foi um filme feito por Jacques...

para unir n�s duas em frente �s c�meras...

e recriar uma m�sica que se assemelhava � nossa vida.

Com os p�s no ch�o, voamos no mundo da fantasia

Ouvir as g�meas em ingl�s, em franc�s...

em trilhas pr�-gravadas 25 vezes por dia...

uma hora come�a a deixar voc� meio tonto.

Somos almas delicadas, duas garotas rom�nticas

Apaixonadas por arte, m�sica e divers�o

- Onde est� esse cara? - Que tanto queremos encontrar?

O cara ideal, poucos defeitos n�o far�o mal

Eu encarnava o ideal masculino...

como Jacques o enxergava, ou talvez a tradi��o...

da mesma forma que a personagem de Deneuve.

E fiquei espantado.

Por que eu? Eu n�o conhecia Demy.

Muitas vezes quis discutir isso com ele...

descobrir por que e como surgiu aquela liga��o especial.

N�s fizemos todo o filme apenas com a cumplicidade...

que surgiu no momento da filmagem.

As coisas aconteceram instintivamente...

e quando acabou, perdi contato com Jacques.

Achei que era assim que deveria ser.

Conhe�o mais seus filmes do que conhe�o a ele.

Mas �s vezes voc� conhece as pessoas atrav�s de seu trabalho.

Nesse sentido, conhe�o bem o Jacques.

Tente a m�sica de Maxence.

Ele est� pr�ximo ou distante? Ele poderia estar em Rochefort?

Sei que vou conhec�-lo, sei que ele existe

Seja l� o que diz a raz�o, meu cora��o fala mais alto

Sua for�a, suas regras, a elas n�o consigo resistir

E nunca irei nem tentar

Querida, gente assim n�o vem para Rochefort.

Para Jacques...

� uma vis�o rom�ntica dos grandes melodramas.

Avida tem v�rias fases.

Se n�o � para ser, ent�o...

Mas o romance sempre pode acontecer mais tarde.

� como se houvesse um intervalo de tempo...

desejos que est�o fora de sincronia.

Ent�o, sempre h� um sentimento de melancolia.

O tema de Maxence � rom�ntico porque ele tamb�m �.

Ela � meu �nico amor, mas para que serve um sonho?

Procurei por toda parte, mas n�o a encontrei

Querido Jacques, seu romantismo � contagioso

Todo homem j� teve o mesmo desejo

Encontrar um grande amor

Mas para que servem os sonhos?

Uma festa de quatro meses.

Os comerciantes ficaram encantados. Todo mundo ficou.

O filme nos impulsionou. E precis�vamos disso...

tenho que admitir.

Ele nos trouxe muitos clientes novos.

Havia uma verdadeira atmosfera de f�rias.

Tenho uma hist�ria boa da �poca.

Uma boa amiga minha...

filha de um joalheiro local...

casou com um "enrolador de filme".

Uma hist�ria encantadora.

Talvez tenham sido casados pelo Sr. Gaury.

Ele era o prefeito da cidade.

N�o tenho muito tempo.

Aqui est� o atual prefeito...

posando ao lado de um vaso de beg�nias, uma planta da Martinica...

importada pelo padre Plumier...

na �poca em que Begon era intendente de Louis XIV.

O nome � uma homenagem a Sra. Begon.

Beg�nia.

Rochefort � famosa por quatro coisas.

1: Beg�nias de todas as variedades.

2: O escritor Pierre Loti e suas fantasias orientais.

3: "Duas Garotas Rom�nticas".

E, por tabela, 4: g�meos.

A filmagem foi um evento de destaque na hist�ria local.

Por quatro meses...

a cidade ficou fervilhando de atividade...

por causa do que estava acontecendo.

Chakiris, Gene Kelly...

as g�meas dan�ando e cantando na Pra�a Colbert.

Foi extraordin�rio.

Muita m�sica...

muitas imagens impressionantes...

muito movimento.

E devo dizer que...

por causa de toda aquela emo��o...

e o ritmo intensificado de vida na cidade por 4 meses...

1966, o ano em que o filme foi feito...

foi provavelmente...

o ano do renascimento de Rochefort.

Foi quando come�amos a dizer:

"Embora os estaleiros tenham fechado...

a cidade vai voltar � vida."

Hoje, isso � um fato.

O arsenal foi restaurado, junto com a f�brica de cordas.

Eles abrigam o Centro Oce�nico...

a Associa��o de Preserva��o das Aves...

uma biblioteca e um centro de m�dia.

� tamb�m um destino popular aos domingos.

Falando em fotos...

a f�brica de cordas est� exibindo...

fotos dos filmes de Jacques...

principalmente de "Duas Garotas Rom�nticas".

Agora vamos ao rio Charente...

ao come�o de tudo, � ponte que aparece na abertura do filme.

Estamos aqui...

na ponte transportadora...

agora um marco hist�rico.

Na base...

desta ponte, a primeira e a �ltima cenas...

de "Duas Garotas Rom�nticas" foram filmadas.

Nada mais natural...

que a estrada que leva � ponte...

recebesse o nome de Jacques Demy, na presen�a de...

Agn�s Varda...

Mathieu Demy, seu filho...

H�l�ne Demy, irm� de Jacques Demy...

bem como aqueles que todos conhecemos...

Catherine Deneuve...

Bernard Evein, Michel Legrand...

e Mag Bodard, sem a qual...

n�o estar�amos aqui hoje...

j� que ela foi a produtora...

de "Duas Garotas Rom�nticas".

� um filme importante...

uma produ��o em estilo norte-americano...

filmado em dois idiomas...

mas feito com dinheiro franc�s.

Um enorme or�amento para a Fran�a, mas todo bancado pelo pa�s.

Claro que � uma aposta de alto risco.

Ser�o muitas cenas externas...

o que significa que estaremos � merc� do tempo...

j� que � um filme que exige luz do sol.

Mas como a responsabilidade no fim � toda minha...

sei que vou ganhar no final...

o que me ajudou a assumir os riscos.

Acredito no filme...

e acredito em Jacques Demy.

Vou pedir a Agn�s Varda...

para batizar a avenida.

H�l�ne, ent�o.

AVENIDA JACQUES DEMY CINEASTA, 1931-1990

Jacques era como um irm�o para mim.

H� muito tempo eu dediquei...

muito mais do que uma rua para ele:

ele era uma art�ria principal da minha vida...

uma art�ria que sa�a do meu cora��o.

Agora, vamos a outro momento de emo��o.

Rochefort gostaria de eternizar Fran�oise Dorl�ac.

Esta � Christiane Fageolle.

Ela cuidava dos figurinos de Fran�oise e de Catherine.

Voc�s est�o entre...

aqueles que trabalharam pela honra...

do cinema franc�s.

Este local ter� o nome de Fran�oise Dorl�ac de agora em diante.

Jovens sonham em atuar.

Mesmo que seja apenas figurantes.

Eu estava desempregada.

A� uma amiga minha disse:

"Vou participar do filme. Posso apresent�-la."

Fui contratada na hora.

Os policiais falaram em ingl�s na vers�o inglesa...

ent�o os figurantes na cena...

n�o faziam ideia do crime...

e dos casos amorosos de Solange.

Que bom que estou com sorte hoje

Tivemos que regravar...

uma, duas, tr�s vezes.

As tomadas n�o acabavam nunca.

Eles n�o entenderam a piada...

que Maxence faz quando vai embora. "Minha partida � imi-Nantes."

Porque em ingl�s o trocadilho se tornou...

"A born loser in Toulouse".

Ent�o, o marinheiro nascido em Nantes...

virou um perdedor de Toulouse. Pobre Maxence!

Por tr�s dessas cenas alegres...

houve, como na maioria dos filmes, o contrapeso da t�cnica.

A grua, as dollies, os trilhos.

Fran�oise, voc� d� dois passos.

Um, dois, tr�s passos naquela dire��o.

N�o precisa ir t�o longe.

Marque esses dois pontos, por favor.

Jacques marcou os planos olhando pela c�mera.

Pausa no "dois".

Em seguida, vai vir o dolly e a grua vai descer.

Fez a marca final? Isso � tudo.

Nosso amigo belga Andr� Delvaux...

filmou esta cena de Jacques virando a c�mera...

para Ghislain Cloquet, mestre da imagem e da luz.

N�o se deixe enganar.

Fa�o parecer f�cil, mas n�o �.

Tivemos uma semana de c�u azul.

Verificando cenas de teste. Esta filmagem � em preto e branco...

mas o negativo estava em cores.

Em seguida, o diretor se concentra em seus atores.

No mesmo instante que Gene.

Voc�s dois t�m que estar em perfeita sincronia.

Voc�s v�o pegar as coisas juntos.

- "N�o se preocupe." - "N�o se preocupe."

Voc� tem que...

Em algum momento, voc� deixa a partitura cair.

Senhorita, sua an�gua est� aparecendo.

"Senhorita, sua an�gua est� aparecendo."

Com mais intensidade.

Esse movimento brusco � bom.

Corta! Hora de almo�o! Voltamos �s 13h45.

Todos para o Grand Bacha, como de costume.

Eu era o maitre do Grand Bacha.

N�s serv�amos 150 pessoas.

T�nhamos que ser r�pidos.

N�o havia distin��o...

entre atores...

eletricistas ou qualquer outro da equipe.

Todos se sentavam juntos.

Volta ao trabalho ap�s o almo�o.

Jacques consulta a continu�sta Annie Maurel.

Ao fundo, Claude Miller e Alain Franchet...

seus assistentes.

A filmagem finalmente � retomada.

A��o!

- Voc� � musicista? - Sou.

Adeus, senhor.

Senhorita, sua an�gua est� aparecendo.

Eu sei, mas n�o importa.

Senhorita...

posso v�-la de novo?

Eu n�o sei.

Acho que n�o.

Vamos.

Que cara abusado!

Em "Duas Garotas Rom�nticas", se eu fosse nascido na �poca...

gostaria de interpretar Boubou.

Jacques era meu av�.

Ele exibia filmes em 16mm para mim.

Ele dizia: "Quer ver 'Os Guarda-Chuvas do Amor'?

Quer ver 'Duas Garotas Rom�nticas'?

E eu respondia: "Claro!"

J� vi "Duas Garotas Rom�nticas" umas 30 vezes.

Eu realmente adoro o filme.

Existem obras que fazem parte da minha vida.

Livros como "O Testamento", de Elie Wiesel...

m�sicas como as su�tes para violoncelo de Bach...

e dois filmes: "Orfeu", de Jean Cocteau...

e "Duas Garotas Rom�nticas", de Demy.

Quando viajo ou estou longe de casa...

levo junto a fita cassete de "Duas Garotas Rom�nticas".

N�o � uma ilus�o. Essa � a minha vida.

� tamb�m a vida de duas ratinhas que se tornam...

as "Demouselles de Roquefort"...

uma cria��o de Pierre Beaucousin...

que est� no �ltimo ano do segundo grau.

Eu alterno entre ser professor e ser cin�filo.

Sou Marc Le Gouard, e dou aula no jardim de inf�ncia.

Antes de chegar aqui...

s� tinha visto a cidade de cima atrav�s de fotos em postais.

Vista de cima, Rochefort parece uma m�quina de waffle.

Quando me mudei para c�...

eu tinha todas essas imagens...

do filme na cabe�a.

Eu vivi mais no filme...

do que na pr�pria cidade.

� uma cidade chata...

com suas rotinas di�rias.

Na rua, eu imagino pessoas dan�ando...

e cantando.

No fundo, sempre senti aquela magia...

aquelas melodias, aquela atmosfera.

Marc representou essa atmosfera...

como desenhos das "duas garotas" para seus alunos colorirem.

Esse � do Tony, que tem 3 anos e meio.

Este, cheio de vida, movimento e cor...

� de Anamandine.

Aqui elas est�o usando roupas listradas.

Este tamb�m � bem colorido.

Escola de la Providence, primeira s�rie.

Crian�as, mostrem seus lindos desenhos.

Segurem as folhas bem alto.

O tema �: a pra�a da cidade e as "duas garotas" do filme.

Essa � a pra�a.

As duas garotas...

com seus vestidos e chap�us.

Falando de roupas atemporais e deslumbrantes...

Jacques pegou fotos de vestidos de Courr�ges...

de linhas retas e mais soltos...

e inventou chap�us extravagantes.

Uma mistura estil�stica dos anos 60 e do in�cio do s�culo 20...

como a fantasia que ele projetou nas ruas retil�neas da cidade.

Ele falou com Jacqueline Moreau...

e ela desenhou os vestidos.

O mesmo padr�o para m�e e filhas.

Apenas a cor do tecido e os enfeites variaram.

Os chap�us eram de Jean Barthet.

- Oi, Solange. - Oi, fofinho.

Sua an�gua est� aparecendo!

H� vinte e cinco anos, interpretamos crian�as...

saindo da escola.

Deneuve e Dorl�ac foram pegar Boubou, nosso colega de sala.

Pediram para nos darmos as m�os...

e corrermos para as nossas mam�es.

Corri para a mam�e Dominique.

Eu sou Dominique.

Eu tinha 15 anos. Interpretei a mam�e.

Eu sou Jo�l, e eu tinha 11 anos. Eu fiz o filho dela.

N�s n�o nos conhec�amos, �ramos s� figurantes no filme.

Nos reencontramos em 1973, em uma f�brica...

onde n�s trabalh�vamos.

N�s nos tornamos amigos e ent�o nos casamos.

Temos uma filhinha.

Ent�o, voc� se casou com sua m�e?

De certa forma, sim.

Ela interpretava minha m�e quando era crian�a.

Agora ela � minha patroa.

A trama n�o significa nada para mim.

� um sentimento geral...

um momento na vida...

apenas momentos de exist�ncia.

Pode chamar de "cenas da vida interiorana".

Essa vida estranha, onde mulheres de casacos transparentes...

deixam seus filhos onde eles podem se afogar...

para andar a cavalo com soldados!

Jacques via o interior com alegria.

A for�a de Jacques estava em ter...

uma vis�o do que ele queria.

Ele n�o fazia nada para impressionar. Era ele, seu estilo.

Era ele, sua imagina��o.

Minissaias e fardas de marinheiros...

j� que os marinheiros s�o mais divertidos.

Eu sou o capit�o Camescasse...

da Base Aeron�utica de Rochefort.

Eu era um jovem marinheiro na �poca.

Pediram que f�ssemos � pra�a de uniforme...

para aparecer no filme.

Est�vamos cansados de marinheiros, garotas e navios.

Grover Dale veio de Nova York, e George Chakiris havia brilhado...

em "Amor, Sublime Amor".

Foi maravilhoso ver George Chakiris e Gene Kelly...

aqui na pra�a da cidade.

N�s vamos de cidade em cidade, o futuro � uma inc�gnita

Se uma garota linda aparece, dos males a gente esquece

- Hoje, aqui - Amanh�, l�

Nossa vida � um romance, uma melodia composta ao acaso

Cheia de novos prazeres

Preferimos alegria a tristeza

Intelig�ncia a estupidez

Conversa sincera a hipocrisia

E abra�os a bra�os vazios

Viajamos de festival em festival Todo mundo nos olha e aponta

Nos chamam de festeiros

Em meio aos bal�es flutuantes e �s dan�as fugazes...

Catherine lembrou dos ensaios malucos

que eu filmei sem som?

Eu sugeri Braque, Matisse, Picasso.

Jacques disse: "N�o, quero pinturas que n�o precisam ser lindas...

mas modernas, pseudo contempor�neas".

Ent�o criamos algumas telas falsas.

Alugamos nosso dep�sito...

para a galeria de arte do filme.

Eles fizeram tanta bagun�a que n�o pude encontrar mais nada!

Foi estranho ver a "Galeria Antiga"...

exibindo nada al�m de arte moderna.

Guillaume Lancien fazia pintura com respingos.

Ele enchia bal�es com tinta e atirava neles.

Como Niki de Saint Phalle nos primeiros anos.

Ol�, minha rosa.

- Voc� est� linda, minha alma. - Fala do meu corpo, n�o �?

Isso mesmo, meu cora��o.

Para "Duas Garotas Rom�nticas"...

Jacques escreveu falas...

praticamente esculpidas a m�o.

S�o fant�sticas.

Ele amava o ritmo dos versos alexandrinos.

Eu ficava furioso. "Como vou fazer m�sica com isso?"

"D� um jeito!"

Voc� acha que me conhece e gosta muito de falar

Mas n�o sabe de nada, nada, nada

N�o sabe como me sinto Se soubesse, ficaria perplexo

Mas voc� nunca vai saber

E a� tinha aquela m�sica com um ritmo mais acelerado.

N�s quer�amos velocidade.

Era o artigo do jornal...

sobre o crime.

Algu�m assassinou uma senhora perto do castelo em Etiquette

Um ba� encontrado hoje continha os peda�os de Pelagie Rosier

Moro na rua onde ocorreu o crime.

A pessoa que mais vi foi Michel Legrand.

Ele caminhava pela nossa casa...

fazendo anota��es em um caderno.

Quando pedem onde moramos, sempre dizemos:

"Na cena do crime". Do filme, naturalmente.

O ba� foi aberto, e o caso tamb�m A pol�cia n�o revela se h� pistas

Ser� feito de tudo

Para que se descubra a identidade do assassino

O monstro que matou a cantora Lola-Lola...

armou uma confus�o sobre cortar um bolo...

mas Catherine, n�o. Ela cortou...

o bolo de anivers�rio do filme feito pela Doceria Fraternidade...

de Saint-Honor�, Aunis e Saintonge.

Na grande exibi��o ao ar livre...

choveu sobre as "garotas de Cherbourg".

O p�blico esperou imp�vido sob "os guarda-chuvas de Rochefort".

E a chuva parou. Um pouco.

Falei com pessoas de Rochefort.

Eles sabem o filme de cor. Faz parte de sua cultura.

O filme pertence a eles.

N�o � bem o filme de um diretor...

ou de uma atriz famosa.

Ele � do povo de Rochefort...

um filme caseiro gigantesco...

que ficou mundialmente famoso.

� fato, Jacques e eu...

fizemos 10 ou 12 filmes juntos.

Um n�mero razo�vel de musicais.

"Duas Garotas Rom�nticas"...

foi nossa colabora��o e nossa recorda��o mais alegre.

Quando o ver�o vai embora Quando as esta��es mudam

Quando as folhas morrem e caem Um suspiro � nossa �nica rea��o

Mas, para trazer de volta o ver�o

Corta!

N�o est�o em sincronia.

N�s somos o foco, mas cercadas por uma equipe inteira...

e a m�sica � um escudo adicional.

� como filmar na chuva:

isso protege e isola voc�.

� mais f�cil do que uma cena �ntima na rua...

onde est�o apenas dois atores.

Melhor ser o foco de uma cena enorme...

com 500 pessoas a 500 metros de dist�ncia...

do que com 10 pessoas a 3 metros de dist�ncia.

Ame sua vida, ame as flores, ame rir, ame chorar

Eu tamb�m lembro...

o calor terr�vel que fazia.

O cansa�o de ensaiar nas piores horas.

Houve alguns momentos tensos...

devido ao calor e � fadiga e � complexidade do filme.

Mas todos estavam determinados a aguentar.

Sab�amos que era uma aposta de risco...

fazer um filme como esse...

fora do est�dio. Foi uma loucura total!

A��o!

Ao repetir "Quando o Ver�o Vai Embora"...

talvez ele n�o v� embora.

Talvez fique um pouco mais.

E para reviver parte desse ver�o de 1966...

s� � preciso filmar.

Tudo que voc� tem que fazer � amar

Ame sua vida, ame as flores, ame rir, ame chorar

Ame o dia, ame a noite, ame o sol e as chuvas

Ame o frio, ame o vento, ame as cidades e os campos

Ame o mar, ame o fogo, ame o mundo e fique feliz de novo

Fique feliz de novo

Lembrar da felicidade talvez seja uma forma de felicidade.

- Somos g�meas. - Nascidas sob o signo de G�meos.

- Somos g�meas. - Nascidas sob o signo de Le�o.

- Somos g�meas. - Nascidas sob o signo de �ries.

- Somos g�meas. - Nascidas sob o signo de �ries.

- Somos g�meas. - Nascidas sob o signo de Aqu�rio.

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