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[Rogério] Filha.
Que foi, pai?
É....
Bom, é que amanhã...
O pessoal da concessionária vai vir aqui em casa...
A gente vai fazer um churrasquinho de tarde.
Se precisar de ajuda é só me chamar.
Não, filha, na verdade....
Na verdade, filha, eu queria te pedir pra...
...pra se comportar...
...com os convidados...
...homens.
Tá achando o quê de mim, pai?
Arletinha, não sei.
[Rogério] Eu tô chocado, me sentindo culpado...
Eu sei que eu não fui... presente, que não te orientei direito, e é muito triste...
A gente ver a filha da gente se...
...se estragar assim, Arletinha.
Se prostituir.
[Arlete] A culpa não foi tua, pai.
Foi o jeito que eu tive de ajudar a vó.
Eu sei que não é certo. Eu ia parar.
Ah, Arletinha, eu fiquei tão orgulhoso de você quando eu vi tuas fotos naquela revista de moda.
[Rogério] Eu saí mostrando pra todo mundo, filha.
Ai, que vergonha...
Mas pai, eu não fiz só coisa ruim.
Eu tava indo bem como modelo.
Eu vou te ajudar, filha.
Porque aqui cê vai mudar de vida.
E quem sabe, daqui a pouco você encontra um cara legal, se casa...
[Rogério] Agora você vai mudar, não vai, filha?
Vou.
Vou, porque não quero que nem você, nem a mãe e nem a vó tenham vergonha de mim.
[♪ música triste com violino e teclado ♪]
Me perdoa, pai.
[sussurra] Filha...
[Rogério] Cê não tá bem acomodada aqui, né, Arletinha?
É.
Foi tudo muito corrido, né? A gente fez tudo no improviso.
Mas olha, daqui a pouco entra uma graninha.
A gente ajeita tudo aqui pra você, tá?
[Rogério] Dorme bem, filha.
Pai, cê não sentiu minha falta?
É claro que senti, Arletinha, sou teu pai.
Mas cê nunca me ligou.
Nunca me mandou uma mensagem.
Ah, Arletinha, cê sabe como eu sou ocupado. Eu trabalho....
[Rogério] A Yasmim é pequenininha.
Ela ocupa bastante o meu tempo.
Cê gosta mais da Yasmim do que de mim?
Arletinha, eu sei que não fui um pai presente.
Eu não quero que nada aconteça com ela.
Mas pra mim vocês são iguais.
[Larissa] Olha quanta grana o cara me deu!
[Divanilda] Esse é dos bons, ein? Tomara que te chame muitas vezes, né, filha? Dá que eu guardo pra você.
[Divanilda] Ó, cê tem a prestação do flat pra pagar, da casa que nós compramos, ein?
[Divanilda] Ainda tem as despesas do mês. [Larissa] Também tem teus luxos, né?
[Divanilda] Não sou mulher de luxo. [Larissa] Te dou metade. Agora me deixa na casa do Sam.
[Divanilda] Tá pagando pra namorar o vagabundo ou se drogar com ele?
[Larissa] Mãe, me deixa. O Sam não é vagabundo. Agora, vai.
[Larissa] Chega de interrogatório. Chega, vai.
[campainha]
[Sam] Oooba!
[Sam] Cê veio.
[Larissa] Trouxe dinheiro pra comprar suas coisinhas.
[Sam] Que é isso? Sabe que por mim, eu nem te cobrava nada.
[Larissa] Não existe viagem grátis.
[Sam] Tá, então... Pra você vou fazer preço de custo.
[Sam] Tá a fim? [Larissa] Tá lá no banheiro?
[Sam] Uou! [Larissa] Calma, calma, peraí! [ri]
Qualquer hora eu vou te apresentar uma coisa diferente.
[Larissa grita] Tipo o quê?
Tipo...
...uma parada mega especial.
De sair voando.
[Sam suspira]
[♪ música animada ♪]
[♪ Criança - Marina Lima ♪] ♪ Vou levar ♪
♪ Até descobrir ♪
♪ Onde está ♪
♪ O mapa da mina ♪
♪ Eu sei (eu sei) ♪
♪ Criança, eu sei. ♪
♪ Mas se você disser ♪
♪ Que quer ♪
[Bruno] Chegou tarde, ein.
[Bruno] Balada devia tá show mesmo.
Virou vigia noturno, pentelho?
Dedo-duro cê já é.
Que é isso? Só tô querendo saber qual é a boa da noite.
A boa...
...é que nerd e criança estão fora. Vai dormir.
♪ O que eu desejo pra você ♪
♪ Vou levar ♪
Que vidão! ♪ Até conseguir ♪
♪ Alcançar ♪
A gente se diverte...
...e ainda ganha uma grana.
Fala sério.
Preciso de pai pra quê?
♪ Eu sei (eu sei) ♪
[Giovanna suspira feliz] ♪ Criança eu sei ♪
[Pia] Giovanna não levantou ainda?
[Bruno] Pela hora que chegou, vai acordar tarde. [Pia] Eu não ouvi ela chegar. Que horas foi?
[Bruno] Lá pelas 4.
[Giovanna] Me dedurando, aprendiz de belzebu?
[Igor] Hum.... [Giovanna] Nossa, acordei na maior larica!
[Pia] Como é? [Igor] Fome!
[Bruno] Fome na linguagem de maconheira.
[Pia] Giovanna, eu não sei o que faço com você. E olha como você desce. Não tá pronta pra sair ainda?
[Bruno] Vou apresentar um trabalho na primeira aula. O motorista tem que me levar já, não vou esperar essa folgada.
[Giovanna] Bruno, me erra. Vai ser gay, ser feliz.
[Igor ri] [Pia] Oi?
[Pia] Bruno, cê não é gay, né, meu filho? [Giovanna] Nunca vi pegar menina.
Claro que não, mãe. Essa garota é que tem mais peguete que dedo na mão.
[Pia] Vocês não vão começar a brigar nessa hora da manhã. É a única coisa que peço.
[Leidi] Longe da senhora é pior ainda. Quase se matam!
[Giovanna] Leidi, criadagem não dá palpite.
[Pia] Giovanna, não fala assim. Respeita a Leidiana, que ela é quase da família.
[Giovanna] Só se for da tua. [Leidi] Já tive que te criar, garota.
[Leidi] Poxa, Gi, você é como filha pra mim. [Giovanna] Tenso. Não nasci pra filha de pobre mesmo.
[Igor ri] [Pia] Igor, não é engraçado.
[Pia] Cê não tá ajudando rindo desse jeito, tá?
[Pia] Filho, vai indo com o motorista pra você não se atrasar.
[Pia] Eu vou levar a Giovanna.
[Pia] Vai se arrumar que eu vou te levar.
[Giovanna] Posso terminar? [Pia] Pode, mas anda logo.
[Pia] E essa história de balada durante a semana acabou, ok?
[Giovanna] Cê acha que me segura, né?
[Pia] Cê acha que meu filho é gay?
[Igor] Olha, sinceramente...
[Igor] Na idade dele eu já pegava umas minas.
[Igor] Não que eu seja contra, não sou. Mas o pai dele ficaria tão decepcionado. O Alex é muito machista.
[Igor] Ah, Pia, você até pode não ser tão preconceituosa, mas nenhuma mãe quer que o filho seja gay.
[Igor] Até ficar amiga, demora.
[Pia] Falando assim até parece que cê tem alguma experiência. [Igor] Meu irmão é gay, nunca falei?
[Pia] Não. Sei tão pouco da sua vida. [Igor] Pois é.
[Pia] Mas não, olha só... O Bruno não é gay. Ele não, não é gay...
[Pia] Ele só é um menino tímido. Segura aqui um minutinho.
[Igor] Posso guiar? [Pia] Pode.
[Igor] Sabe o que cê faz?
[Igor] Fala pra uma das tuas amigas dar um trato nele.
[Igor] Muleque fica doido com mulher mais velha. [Pia ri]
[Pia] Olha só: o dia já começou complicado e você não tá ajudando.
[Pia] Eu, cada vez, sei menos o que fazer com meus filhos. É isso.
[Igor] Arruma outro.
[Pia] Outro filho? [ri] [Igor] Uhum.
[Pia ri] Essa foi boa. Foi a melhor piada do dia.
[Giovanna] Vamos? [Pia] Oi!
[Pia] Como você tá linda com essa roupa.
[Pia] Até me lembrou de quando você era pequena. Quando eu colocava aqueles vestidinhos em você...
[Pia] ...bordados, toscos, assim, casinha-de-abelha.
[Giovanna] Eu odiava aquilo. Me vestia igual uma boneca de porcelana. Me sentia uma retardada.
[Pia] Você ficava tão linda!
Ó, vou chegar tarde. Tenho uma parada pra resolver.
Que parada pra resolver, Giovanna?
[Giovanna] Segredo. Tem a ver com meu investimento.
Pois eu tô esperando uma explicação sobre esse investimento até hoje.
Tô lucrando. Rapidinho te devolvo o que peguei do cofre.
[Fanny] Quero essa caixa aqui. Também me dá um bom cortador. Obrigada.
[Alex] Lugar estranho pra marcar um encontro. Tô me sentindo um agente secreto.
[Fanny] Cheguei mais cedo, aproveitei pra comprar charuto.
[Alex] São pro seu... como eu chamo aquele rapaz?
Depende do teu humor.
Michê, gigolô, namorado...
[Alex] Gigolô tá de bom tamanho. Meu humor em relação a você não tá dos melhores.
Pelo menos você não me mordeu.
Os charutos são pra mim.
Eu gosto de um bom cubano.
[Alex] Presente meu.
[Alex] A Samia, minha namorada, tá chegando de viagem. Vou comprar uma joia pra ela.
[Fanny] É um presente ou um pedido de desculpa pelo o que você aprontou enquanto ela estava fora?
[Alex] Eu não sou um homem de pedir desculpas, Fanny.
[Alex] Muito menos de contar o que não é necessário.
[Alex] Toda vez que ela chega de viagem eu dou uma joia pra ela, como um ritual.
[Fanny] Queria ter te conhecido quando eu era mais jovem.
[Fanny] Cê quer que eu te ajude a escolher a joia, é isso? [Alex] Não.
[Alex] A Samia sempre vai na mesma joalheria. Ela entra...
[Alex] ...gosta, mas não leva.
[Alex] Aí, quando eu vou, a vendedora diz o que ela escolheu.
[Fanny ri] Operação cruzada. Entendi.
A garota que eu te mandei ontem à noite... gostou?
Você me mandou uma profissional.
Ah, que isso? Imagina.
A Larissa não é nenhuma ninfeta, mas ela... é nova no book rosa.
Nova? Conta outra, Fanny...
A garota até tentou fazer um teatrinho.
[Alex] Mas eu não nasci ontem.
Nem ela é atriz. Aliás a profissão dela é outra, e bem mais antiga.
[Fanny] Bom, se você diz...
Cê não gostou?
Também não foi...
Não é a Angel. Eu sei.
É.
Com a Angel, o sexo...
Não é só sexo.
É o cheiro...
[Alex] ...é o sorriso...
[Alex] ...dá vontade de pegar...
...o cabelo, a pele...
...como se ela fosse uma droga que eu precisasse mais e mais.
Disso eu entendo.
Sou apaixonada pelo Anthony.
Eu aceito coisas dele que mulher nenhuma aceitaria.
De qualquer forma, valeu a tentativa.
Da próxima vez, me arruma alguém mais... menina.
[Fanny] Menos experiente. Prometo.
Vai comprar joia pra tua oficial.
Depois, mais tarde, quando você chegar na suíte do teu hotel...
...cê vai encontrar uma surpresinha, tá?
Vou esperar.
Quem vai encantar esse homem?
[recepcionista] É ela ali.
[Edgard] Você é a Estela, não é?
[Estela] Sou. [Edgard] Fui eu que falei com a moça da recepção.
[Estela] Claro, ela me contou sobre sua história.
[Estela] Poxa, eu sinto muito. Não sei nem como posso te ajudar. Eu tô super atrasada, tem uma amiga me aguardando.
[Edgard] Sendo uma holding forte, eu sou engenheiro de produção.
[Edgard] Eu queria uma entrevista com o presidente. [Estela] Doutor Alexandre é impossível.
[Edgard] Sei que é um homem arrojado. Eu tenho certeza que se ele me ouvir vai gostar do que penso pro setor.
[Estela] Eu não me arrisco.
[Estela] Secretária é um cargo de confiança, mas eu conheço bem o gerente do R.H.. Te passo o contato.
[Edgard] Muito obrigado! Se eu conseguir, te pago um almoço!
[doutor] Isso é muito ruim.
[Anthony] O que, doutor? [doutor] O tanto de papel que se gasta!
[doutor] Podia ser por email. [Fábia] O meu filho estava louco...
pro doutor dizer que já pode me enterrar.
Não diz bobagem, mãe.
[Fábia] Tô me sentindo bem, filho. Eu estou muitíssimo bem.
Você bebeu antes de vir pra cá?
[Fábia] Eu estava com frio. Tomei um gole pra me aquecer.
Tá o maior calor.
Gente velha sente frio. Eu tô velha. Cê me trouxe num geriatra.
Doutor, já podemos encomendar o caixão?
A senhora está ótima.
Ótima? Não, impossível.
Que é isso? Que tipo de filho você é?
Tipo preocupado.
Ela bebe e come muito mal, doutor.
Comer é luxo, beber é uma necessidade!
Tá vendo?
O fígado dela não pode estar em boas condições.
[doutor] Está como novo. Melhor do que o meu.
Os exames de sangue confirmam.
Colesterol está um pouco alto.
[doutor] Mas não é nada grave. É só tomar um remedinho simples.
[Anthony] Peraí. Ano passado tive problema de alta de glicose e tive que me tratar.
Isso não é justo, ein?
Esse problema cê herdou do teu pai, que tá um caco!
Porque de mim, meu filho amado, você herdou foi a beleza!
[doutor] Aqui está.
[doutor] Um comprimido por dia.
[Fábia] Ótimo, e uma garrafa de vinho por dia também, né, doutor? Eu posso...
[doutor] Esse é um conselho que eu não posso dar pra uma mulher da sua idade.
Modere-se e viverá 100 anos.
Quem foi que disse que eu quero viver 100 anos? Oh, meu Deus!
Vamos, meu filho. Me leva pra casa. Eu preciso beber antes que a longevidade me mate de tédio!
[Fábia ri] Ótimo!
[Fábia] A boa notícia é que agora cê não vai mais poder me atormentar com a bebida.
[Anthony] Agora eu acredito em milagre, viu?
[Anthony] Fico feliz, mãe. Quero te ver bem.
[Anthony] Tô indo, beijo. [Fábia] Espera, espera...
Devolve a grana da joia que eu vendi. Trato é trato.
[Anthony] Vai gastar em uísque? [Fábia] Eu gasto no que eu quiser, tá bom?
Devolve, se não saio na janela e grito "pega ladrão"!
Brincadeirinha!
Tá aqui, Dona Fábia.
Pus mais um pouquinho pra você ir vivendo.
Ô mãe, se cuida.
Você é muito importante pra mim.
[Anthony] Dá um beijo.
[Fábia] Meu filho lindo!
Tchau-tchau!
[ao telefone] Ingrid!
Fábia. [ri]
Ai, que saudade!
Eu também.
Quer almoçar?
Isso, chama a turma.
Não, eu pago.
Eu sei que você tá no litigioso por causa da piriguete que te roubou o marido. Eu pago!
Ó, e vai ter muita champanhe!
[Visky] O que quer de mim, Absoluta? Sou todo teu.
[Fanny] Eu ia te pedir um palpite.
[Fanny] Mas já tive uma boa ideia.
[Visky] Vim na esperança de ser útil, Adorada.
[Fanny] Vai atrás da Kika.
[Fanny] A mais nova piriguete do pedaço.
[Visky] É pra vigiar o catálogo?
[Visky] Virei produtor de moda agora?
[Visky] É dupla função. Devia ser duplo salário.
[Fanny] E dupla demissão.
[Fanny] Não me irrita, ô coisinha ridícula.
[Fanny] Ela é nova nesse trabalho. Pode dar problema, né?
[Visky] Cê tá torcendo por um motivo pra botar ela pra fora.
[Anthony] Aqui todo mundo sabe que ela pegou o Anthony.
[Fanny] Sabe? Que merda.
[Visky] O Anthony é um troféu.
[Anthony] Eu também espalhava se pegasse. Com todo o respeito, Absoluta.
[Visky] Daria um up no currículo pegar teu boy magia.
[Visky] Imagina se eu ia te trair.
[Fanny ri]
[Fanny] Tô com saudade de bater um papinho com você.
[Anthony] Se o Anthony chegar muito tarde hoje, eu te chamo pra dar um pulinho lá casa.
[Visky] Ai, Absoluta... eu me sinto o mais VIP dos VIPérrimos quando me chama pra ir pra sua casa.
[Fanny] Ele vai levar a mãe ao médico...
[Fanny] Eu preciso vomitar uns sapos que engoli.
[Fanny] Você é a melhor lata de lixo que eu conheço.
[Visky] Pelo menos me promove a balde, a bacia. [Fanny ri]
[Visky] Mas desabafa! Se eu puder ouvir, é agora.
[Mayra] Cê me chamou, Fanny? [Fanny] Chamei.
[Fanny] Chamei sim. Desinfeta, Libélula.
[Fanny] Mayra, eu preciso agradar um empresário muito especial.
É o tipo de patrocinador que pode levar uma modelo ao topo.
[Mayra] Opa! Já gostei.
Tudo aqui. Endereço, hora... tá?
[Fanny] É um homem muito, muito especial.
[Fanny] Todas as coordenadas estão aí.
[Mayra] Hm... e alguma orientação?
Todas.
Mayra, ele gosta de meninas doces, delicadas, entendeu?
[Fanny] Muito novinhas...
[Fanny] Pelo amor de Deus...
Não vai mostrar muita experiência, tá?
Então eu devo fazer a bobinha, tipo assim, quase virgem?
[Fanny] Isso, isso, faz assim, a... sem malícia...
[Fanny] ...mas carinhosa, envergonhada...
Deixa ele conduzir. Entendeu?
[Fanny] Faz assim, carinha de anjo.
[Fanny] E deixa ele achar que é ele que tá te ensinando.
[Fanny] Entendeu? Sacou? [ri] [Mayra] Saquei.
[Fanny] Finge que só está fazendo isso pra ajudar sua família, pra pagar os estudos, sei lá, essas coisas.
[Mayra ri] Entendi.
Outra coisa: se ele perguntar, diminui a idade, tá?
[Fanny] Faz a ingênua, não a burra.
[Fanny] Deixa ele encantado e o céu é seu.
[Mayra comemora] Ai, obrigada, obrigada, obrigada!
[Mayra] Nem sei como te agradecer. [Fanny] Eu sei.
Faz, e faz bem feito.
[Mayra] Tchau! [Fanny ri alto]
[♪ música com piano e ritmo marcado ♪]
♪ I knew from the start ♪
♪ Full of ghost and creatures within our hearts ♪
♪ A ship on a lonely sea ♪
♪ Because I'm waiting on the spot ♪
♪ And as we electrify ♪
♪ The lightning bugs look for our hearts ♪
♪ Like ships on a lonely sea ♪
♪ Cut down, an afterthought ♪
♪ And I don't even know ♪
♪ But down to get together ♪
♪ Who wants to be surprised ♪
♪ Wake up, you need another one ♪
♪♪♪
♪ Yes, I need a friend ♪
♪ I'm seeing things in black and white again ♪
♪ A man on a lonely sea ♪
♪ Cut down, it never ends ♪
♪ And I don't even know ♪
♪ But down to get together ♪
♪ Who wants to be surprised ♪
♪ Wake up, you need another ♪
[Visky] Isso! Vamos dar um tempo, se não a menina morre, né?
[Visky] Ei, adorei o seu trabalho.
[Visky] Abafa, abafa! [Kika] Tô morta!
[Kika] Ter que aguentar ventilador na cara...
[Visky] Cabelos aos vento é moleza, acredite.
[Visky] Tem coisa bem pior. [ri]
[homem] Posso falar um pouquinho com a Kika?
[Kika] É toda sua.
[Kika] Arrasou. A roupa que cê faz é mó legal.
[homem] Obrigado.
[homem] É uma moda mais ousada. Vendo muito. Ter esse catálogo é bem importante.
[Kika] Um luxo.
[Kika] Legal te conhecer.
[homem] Também gostei.
[homem] Queria até conversar mais.
[Kika] Tranquilo. A gente pode sair depois das fotos.
[homem] Hoje não dá. É aniversário da minha mulher...
[homem] Toma meu cartão.
[homem] Me liga.
[homem] Ou eu te acho pela agência.
[Kika] Tá bom. Acha mesmo. Valeu.
♪♪♪
[Visky] Eai??? Rolou?
[Kika] Ele vai com a patroa.
[Kika] Que pena. Pegava ele até sem grana.
[Visky] Você vale nada, Kika! [Kika] E você vale alguma coisa?
[Visky] Menos ainda. Sou inteiramente vagaba!
[ambos riem] [Visky] Dá uma voltinha!
[Visky] Que linda. Luxo. Assassina!
[Visky ri]
[Carol] Eu não me conformo, mãe.
[Carol] Não me conformo.
[Carol] Tão vazio sem a Arlete, pior...
[Carol] Parece que falta um braço, uma perna...
[Hilda] Carolina, quando você foi embora eu também sofri.
[Hilda] Depois acostumei. Faz parte da vida.
[Carol] É diferente, mãe.
[Carol] Eu me casei...
[Carol] Engravidei...
[Hilda] Mas você foi morar em outra cidade e eu fiquei aqui, sozinha.
Ai, mãe... Ó...
Cê acha que Arletinha ficou com saudade do pai?
Um dia ela volta, minha filha.
Imagino que ela pode ter tido um outro motivo, mas ela negou...
E minha filha não mente pra mim.
Descobri que odeio esse azul.
[Hilda] Eu odeio. Preferia branco!
[Carol] Agora tá parecendo uma adolescente. Não sabe mais o que quer.
Ai meu Deus. Não suporto olhar pra isso! Como eu me arrependo.
Meu Deus! Como eu me arrependo.
Olha, é bom a Arlete ficar com o pai. Você sentia muita saudade do seu.
Mas meu pai era um homem íntegro. Meu pai era um homem amoroso.
O Rogério, pobre coitado, não é.
Ainda tem aquela mulherzinha dele.
Não suporto isso aqui. Não. Suporto.
[Viviane] Ainda não terminou?
[Viviane] Falei pra passar só uma água. [Angel] É muita coisa.
[Viviane] Respondona, você. [Yasmim] Posso lavar também, mamãe?
[Viviane] Não, filha. Os convidados já estão chegando.
[Viviane] Mais rápido, Arlete. Sem quebrar nada.
[Viviane] Ah! Economiza água, tá?
[Viviane] Vamos.
[Angel suspira]
[pagode tocando ao fundo]
Ó!
[Rogério] Olha aí. Vocês vão se distraindo com essa linguicinha, que daqui a pouco vem a picanha!
[mulher] Que delícia!
[mulheres conversando]
De repente, sem mais nem menos, a avó despeja a filha do Rogério pra viver com a gente.
[mulher] Não acredito. Assim, de repente? [Viviane] Aham!
Acha? Agora vou ter que cuidar da filha da outra?
Pedi pra passar uma água nos pratos, ela com uma má vontade...
[mulher] Que terror a gente tem que aguentar por causa de marido.
[mulheres] Homem não é fácil. Não sei como vai aturar.
[mulher] Mas ela é chata?
[Viviane] É ela, é ela. Arlete! Vem cá conhecer minhas amigas.
[Viviane] Queridas, essa é a Arlete. Filha do Rogério.
-Muito prazer. - Prazer.
- Cê é muito bonita, viu?
[Angel] Obrigada.
[mulher] Mal educada...
[mulher] Não deu a mínima pra gente.
[outra mulher] Curtinho, o shortinho dela.
[Viviane] Mais fácil ela aparecer nua. [mulher] Como assim?
[Viviane] Ai, cala-te boca, Viviane...
[Rogério] Filha, faz um pratinho pra você.
[Angel] Ah, não, pai. Eu tô sem fome.
Olha que o pessoal aqui é morto de fome, ein? Levar um pouquinho ali.
[mulher] Cê tem alguma coisa pra contar.
[Viviane] Ai, é segredo. Não posso.
- Não acredito. Não tem confiança na gente? - Alguma fiz alguma fofoca de você? Alguma vez?
Ela era garota de programa em São Paulo.
[mulher] Não acredito... [Viviane] Aham!
[mulher] Tão novinha... [Viviane] É...
[Viviane] Se bem que corpo tem, né?
[Viviane] Parece que cobrava caro. Foi parar até na polícia.
[mulher] Que encosto cê arrumou, amiga.
[Viviane] Não quero esse tipo de influência dentro de casa.
[mulher] Eu, no seu lugar, nem deixava entrar...
[Haroldo] Oi...
[Haroldo] Sou Haroldo...
[Angel] Arlete, filha do Rogério.
[Haroldo] Trouxe pra você. Tá aí sozinha, não come nada...
[Angel] Tô sem fome, obrigada. [Haroldo] Ah, poxa...
[Haroldo] Cê é bem bonita. Desculpa a palavra mas...
[Haroldo] Gostosa, mesmo...
[Angel] Licença, vou pegar a- [Haroldo] Peraí, faz charme pra mim não.
[Haroldo] Faz não. Eu sei de tudo. [Angel] Tudo o quê?
[Haroldo] Tudo. Vamos marcar uma saída.
[Angel] Me solta...
[Viviane] Olha lá, já tá dando em cima do seu marido.
[mulher] Quê? Do meu marido, não!
[mulher] Peraí! Peraí!
[mulher] Você, garota! Para de dar em cima do meu marido, su vagabunda!
[pessoas brigando]
[Viviane] Rogério, a culpa é dela!
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
[Rogério] Logo no primeiro dia, Arletinha. Pra cidade toda ficar sabendo.
[Angel] Eu não fiz nada! Foi você que contou para as suas amigas.
[Viviane] Você apronta e agora a culpada sou eu.
[Angel] Foi você, sim. Pois estava com a mulher dele.
[Rogério] Cê contou, Viviane!?
[Viviane] Em segredo.
Segredo...
[Viviane] Eu precisava desabafar, Rogério. Agora, se essa aí tivesse ficado quieta, no canto dela...
[Viviane] ...teria ficado só entre nós. [Angel] Entre nós e a cidade inteira.
[Viviane] O problema é que se um churrasquinho já deu nisso, imagina o que essa aí ainda vai aprontar.
[Yasmim] Por que estão brigando? Eu gosto da minha irmã. [Angel] Também gosto de você...
[Viviane] Não. A minha filha você não leva pro mal caminho.
[Rogério] Também não é assim, né? [Viviane] Yasmim, vai pro seu quarto.
[Viviane] Vai, filha.
[Viviane] A Arlete é sua filha, mas tenho que proteger a minha.
[Viviane] Não quero garota de programa convivendo com a Yasmim.
[Rogério] E o que cê quer dizer com isso?
Que se ela ficar, eu vou embora com a Yasmim agora.
Cê vai fazer o quê, pai?
Eu vou ligar pra sua avó,
e pedir pra ela vir te buscar.
[♪ música lenta e triste com piano ♪]
O quê?
[Hilda] Mas agora, Rogério?
Não, pode deixar. Eu falo com o Oswaldo.
Eu entendi, Rogério!
Eu dou um jeito.
Você me decepcionou muito.
[Carol] O que aconteceu, mãe?
[Hilda] O Rogério quer que eu vá buscar a Arlete agora.
[Carol] A mulherzinha do Rogério aprontou com a Arlete.
[Carol] Eu vou buscar minha filha. [Hilda gagueja] Como que-
[Todas discutem juntas]
[Hilda] Imagina você, nervosa desse jeito, pegar uma estrada? Você fica.
[Darlene] Eu dou aula amanhã cedo, mas vou com você.
[Hilda] Não, obrigada. Não precisa. Vou ligar pro Oswaldo. Ele me ajuda sempre.
[Hilda] Ele é amigo pra todas as horas. [Carol] É melhor não ir mesmo, pois do jeito que eu tô...
Se aquela mulherzinha aprontou alguma coisa pra minha filha, eu sou capaz de matar.
Matar, matar!
[homem] Acabou, gente. [Visky] Acabou, vocês arrasaram! [palmas]
[Visky] Você também!
[Kika] Meu celular...
[Visky] Arrasou, linda...
[toque de celular]
[Anthony] Ih, é meu.
[Fanny] Atende.
Alô.
[Kika] Gaaatooo...
[Kika ri] Tô liberada.
[Anthony] Oi mãe, o que houve?
[Kika] Saquei. Teatrinho pra coroa.
[Anthony] Tá bom. Eu vou te buscar.
[Anthony] Não, mãezinha. Tô indo agora. Tchau.
O que aconteceu com a tua mãe?
[Anthony] Tá na casa de uma amiga, passou mal.
Tenho que sair correndo, Fanny.
[Fanny] Mas cê foi hoje ao médico com ela. Disse que estava tudo bem, tudo ótimo...
Preparei maior jantarzinho pra nós.
[Anthony] Não dá pra acreditar em milagre, né, amor? Ainda mais na idade dela. Uma hora tá bem, outra hora passa mal.
Eu vou com você.
[Anthony] Não, não.
Só me dá uma grana, pra uma eventualidade.
Bom...
Me liga, né?
Me liga pra dar notícia dela.
Desculpa, amor. Desculpa.
[Anthony] Estraguei o jantar, né? [Fanny] Hum.
[Anthony] Tchau.
[Anthony] Tchau. [Fanny] Tchau.
[♪ música emocionante ♪]
[Kika] Estava maluca pra te encontrar. [Anthony] Esperei você me ligar.
[Anthony] Vim voando.
[Kika] Com fome de você.
[Kika] Como é que cê disse? Me destrói.
♪♪♪
[toque de telefone]
[grita] Como que eu caio num golpe desse!? Que merda!
Ai, meu Deus!
Que droga, e ainda dei dinheiro pro motel! [vidro quebrando]
Idiota! Burra!
Burra! Burra! Burra! [pratos quebrando]
Que merda!
Ainda dei dinheiro pra ele gastar com essa vaca!
Ai, que ódio! Ai, que ódio.
Ai, que ódio.
[Rogério] Tua avó e o Oswaldo já chegaram pra te buscar. [Angel] Já tô pronta.
[Angel] Só não quero ter que ver tua mulher. [Rogério] Ela tá no quarto com a Yasmim.
[Rogério] Dá aqui. Deixa que te ajudo com a mala.
[Hilda] Arletinha, meu amor, o que houve?
[Angel] Depois eu te conto. [Rogério] Ela aprontou, Dona Hilda.
[Oswaldo] O que ela pode ter feito num único dia?
[Angel] Não aprontei coisa nenhuma. Quem aprontou foi tua mulher,
[Angel] que colocou meu nome na boca da cidade inteira.
[Hilda] Meu Deus, ainda bem que não deixei sua mãe vir. Vamos embora.
[Hilda] No caminho cê conta.
Manda notícias, tá, filha?
Cê nem tá interessado, pai.
Sabe... Você é um covarde.
[♪ música triste com instrumento de cordas ♪]
♪♪♪
[Mayra] Tô sendo esperada na suíte principal. [recepcionista] Seja bem vinda, por gentileza.
[batidas de salto alto]
[campainha de elevador]
Tá subindo? Ok.
[Mayra] Oi, eu sou a Mayra.
[Alex] ...entra... [Mayra] Nossa...
[Mayra] Tô tão feliz de estar aqui...
[Mayra] É maravilhoso, é tudo tão lindo...
[Mayra] Mas o principal, mais incrível mesmo, é que eu jamais esperei encontrar você aqui.
[Mayra ri] Posso chamar de 'você', né?
[Alex] Pode. 'Você' tá ótimo.
[Mayra] Eu fiz o seu desfile.
[Mayra] Sei muito bem quem você é.
[Mayra] Mas se não quiser falar o nome, tudo bem.
É... eu também não digo.
[Mayra] Seu nome, claro. Porque o meu eu já disse, Mayra! [ri]
[Mayra] É, acho que eu tô falando demais.
[Mayra] Tô um pouco nervosa, porque não tenho muita experiência.
Cê quer ficar na sala ou prefere o quarto?
O quarto é...
...ali.
[♪ Eu Amo Você - Céu ♪] ♪ Toda vez que eu olho ♪
♪ Toda vez que eu chamo ♪
É assim que cê gosta?
♪ Toda vez que eu penso ♪
♪ Em lhe dar ♪
♪ o meu amor ♪
♪ meu coração ♪
♪ de lhe encontrar ♪
♪ de te amar ♪
[Mayra] Tá bom pra você? ♪ te conquistar ♪
[Mayra suspira] Gostou?
[Mayra] Adorei você. Quando quiser, me chama.
[Mayra] Você me ensina mais...
[Mayra] Eu aprendo rápido, pego experiência...
[Mayra] Tá bom?
♪ Eu amo você, menino ♪
♪ Amo você ♪
♪♪♪
[Angel] Me veste igual um bebê.
[Alex] Garota...
[Alex] Assim a gente não sai mais daqui...
♪ Eu te amo ♪
♪ Toda vez que eu olho ♪
[Visky] Fica tranquila, Absoluta.
[Visky] Não vou deixar nenhum vestígio da tua crise de ciúmes.
[Fanny] Foi ciúme não. É raiva.
Raiva de cair num golpezinho baixo desse.
Ainda dei dinheiro, entendeu? Dinheiro!
Pra ele se divertir com essa biscate em um motel.
Se eu pudesse, agarrava essa Kika pelos cabelos e jogava pra fora da agência.
[Visky] Não ia adiantar, Absoluta. Ela ia arrumar outra agência.
E o Anthony deve estar de quatro. Vai correr atrás dela.
Cê acha que entende de homem mais do que eu?
Mais que você, não, Absoluta.
Mas alguma coisa eu entendo.
Já rodei mais que roda de caminhão.
Eu achava que entendia, né.
Até cair nesse golpe ridículo de mãe.
Meu Deus, como eu fui burra!
[Fanny] Ai, que burra.
[Fanny] Cê tem razão.
Se eu boto a piriguete pra fora da agência, ele vai atrás dela.
Vai ficar inventando um monte de mentira.
O Anthony não me ama, como ele diz.
Quem não te adora, Absoluta?
[Fanny] Fechei os olhos pra muita aventura dele.
[Fanny] Mas uma mentira? Uma mentira assim, na minha cara?
Eu tive uma ideia. Arruma uma coisa melhor pra ela.
Como assim?
Eu fico lá no meu cantinho, discreta...
[Fanny] Discreta é coisa que cê não é.
Alexandre Ticiano.
Tá saudoso da pequena Angel.
[Visky] Cê tem que fazer ele feliz pra assinar o contrato.
Tem que mandar alguem tipo a Angel.
Não a deslocada da Larissa, nem a deslumbrada da Mayra.
Manda a Kika.
Lógico...
Lógico, meu Deus...
Eu estava tão irritada que não consegui raciocinar.
Ela é esperta...
Ela vai se agarrar no Alex como uma sanguessuga.
[Visky sussurra] Ela sabe fazer a tonta.
É novinha, como ele gosta.
Um milionário como o Alex. Ela não vai nem lembrar que o Anthony existe.
Olha...
Resolvo dois problemas com uma piriguete só.
Vou mandar.
Vou mandar Kika pro Alex
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
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