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-Bom dia, Julie Varenne. -Bom dia.
Seu filme "Mais Uma Manh�" estreia na semana que vem.
� a hist�ria dif�cil de uma mulher pobre.
Por que se interessou por essa hist�ria?
Porque a pobreza feminina � um fen�meno social
que tendemos a n�o encarar.
Porque ela perturba, incomoda e...
E acho que o cinema precisa falar dessas coisas.
Para voc�, fazer cinema tamb�m � fazer pol�tica?
Claro. A arte, de maneira geral, � algo pol�tico,
e fazer cinema � um ato de milit�ncia.
Falando de milit�ncia, voc� reduziu seu cach�
e aceitou filmar em condi��es dif�ceis
para ajudar no or�amento do filme.
� uma quest�o de coer�ncia.
N�o d� para falar de pobreza e agir como uma diva.
Seu ch�.
-Eu tinha pedido oolong. -Lamento, mas n�o temos.
Ent�o n�o quero.
Mas n�o quero falar de mim. O que importa � o filme
e apenas o filme.
MINHA IRM� DE PARIS
MAIS UMA MANH�
Ol�. Estou muito feliz por estar em Aix-en-Provence
para apresentar "Mais uma Manh�".
Espero que o filme marque voc�s como me marcou.
A sala est� quase vazia. � deprimente.
N�o, � normal. � um filme dif�cil.
Vamos, reservei um restaurante.
-E a imprensa? -Ainda est� morna.
N�o tente me proteger. Eu preciso saber.
No geral, n�o gostaram. N�o estou escondendo nada.
Eu sabia. Pronto, perdi a vez.
Duas ou tr�s cr�ticas ruins n�o determinam o sucesso.
S� que meus �ltimos tr�s filmes foram um fracasso, Jean-Pierre.
N�o entre em p�nico. Voc� s� precisa se renovar.
Mude essa imagem de atriz cabe�a
que se enfia em filme de arte.
-Como assim, "se enfia"? -Que se acomoda ent�o.
Mas precisamos mudar o rumo.
Fazer uma com�dia, por exemplo.
Vai dizer que com�dia � f�cil, n�o � chique, � vulgar.
Mas elas funcionam.
E algumas s�o boas.
Como o pr�ximo filme de Romain.
Est� brincando? Me v� num filme de Olivier Romain?
Por isso mesmo. � algo inesperado.
O filme se chama "Solange".
� a hist�ria de uma m�e que se candidata nas elei��es.
-� divertido, terno, delicado. -Me d� o roteiro, e eu leio.
Mas M�lanie j� vai fazer. S� quis dar um exemplo.
-� Julie Varenne! -Todo filme bom vai para ela.
Isso tamb�m � deprimente.
Voc� fala de mim, �s vezes?
� claro, Julie, n�o fa�o outra coisa.
Ent�o � pior ainda.
Estou ficando velha, e isso limita os pap�is.
A gr�vida, a jovem sedutora... N�o d� mais, acabou.
N�o! Conhe�o voc� h� 20 anos, e est� cada dia mais bonita.
Pare. Diz isso a todas as atrizes.
Digo, mas s� com voc� � verdade.
Sinceramente, acha isto bonito?
-E isto? E isto? -� bonito, sim.
� algo vivo, comovente.
� mais sexy do que essas mulheres que se esticam.
-E a beleza interior? -� para velhas e feias.
�s vezes acho que fazer uma coisinha...
-N�o vai fazer pl�stica! -N�o, n�o sou doida.
Mas dar uma refrescada, algo impercept�vel.
A refrescada impercept�vel como o nariz no meio da cara.
Que irritante! Eu disse algo quando voc� fez implante?
Oi.
Desculpe, mas queria conhecer voc� h� muito tempo.
Sou sua maior f�. Sei seus filmes todos de cor.
"N�o diga que n�o me traiu, St�phane!
Se ainda me respeita, diga a verdade,
ainda que seja dolorosa."
-� de "Um Golpe do Destino". -�, n�s vimos o filme.
Eu tamb�m fa�o imita��es.
"O cinema �, ao mesmo tempo, complicado e simples."
Sophie Marceau.
"Johnny, n�o � isso. Bom, eu adoro seus filmes,
porque acho que s�o filmes interessantes."
Olhe s�...
-Voc� � atriz? -N�o, sou cabeleireira.
Mas fiz teatro quando crian�a, e diziam que eu tinha talento.
Na verdade, queria conhecer voc� porque...
Tenho um sal�o a 20km daqui,
e ser� um prazer fazer um corte e uma escova em voc�.
Podemos tirar uma foto?
-Aqui. -Ent�o...
Pronto.
-Obrigada. Tchau. -Tchau.
-Voc� n�o disse que tinha irm�. -Que horror!
-� t�o parecida assim comigo? -N�o, mas...
Tirando o cabelo, a maquiagem e o estilo, � voc� todinha.
Vamos pedir?
-Gar�om. -Senhor?
Por favor, queremos pedir.
-Fez bem em n�o vir ontem. -�.
Foi uma noite horr�vel. Conte para ela.
Viu Lisa? Ela engordou 20kg!
-S�rio? -Eu juro.
-� a minha m�e. Pode segurar? -Claro, relaxe.
-Estou indo. Beijo. -Beijo.
E a�?
-Eu a vi e falei com ela. -E contou?
N�o.
-Por qu�? -N�o era a hora nem o lugar.
Mas n�o faz mal. Foi um primeiro encontro.
Dei o cart�o do sal�o, e ela disse que vai l�.
Claro. Ela vai vir aqui fazer uma escova.
Pare de brigar comigo. Eu n�o quis estragar tudo.
Me desculpe.
-Tirei uma foto. -Me mostre.
-O que acha? -Bonita.
N�o gostei do corte, mas o ruivo ficou bonito.
Acho que � ruivo acobreado escuro.
-�? -Um 7/43 ou 7/45.
Com um pouco de 8/34, para dar brilho.
Oi, sou eu!
Julie?
N�o precisa gritar, estou aqui.
Oi, boneca. Vou ao mercado. Quer algo para o almo�o?
Sabe que eu nunca almo�o, m�e.
Isso n�o faz bem. Vai acabar ficando doente.
E n�o me chame de "boneca". Vou fazer 45 anos. � rid�culo.
Temos algum parente em Aix-en-Provence?
Por que pergunta isso?
Conheci uma mo�a muito parecida comigo, podia ser uma parente.
Acho que n�o. Como ela se chama?
N�o lembro.
Laurette. Pode ser parente do papai?
-Laurette Albert. N�o conhece? -N�o, n�o conhe�o.
Olhe bem para mim, m�e, e fale a verdade.
Acha que tenho rugas aqui? Aqui e aqui.
-Um pouquinho, tem. -Ent�o est� decidido.
Olhe, ficou bom. Ficou muito bom mesmo.
Que horror! Fiquei desfigurada. Pare�o um peixe morto!
� verdade que est� meio inchado.
Engra�ado, coloquei pouqu�ssimo produto.
Pode ser uma pequena alergia, sabe?
E quanto tempo demora para desinchar?
Uma semaninha. Ou duas. Depende da pessoa.
Depois, se ainda achar inchado, posso injetar hialuronidase,
uma enzima que dissolve o �cido hialur�nico.
E n�o pode injetar agora?
Temos que esperar a alergia passar,
ou posso colocar demais, e seus l�bios v�o diminuir.
Tudo bem, j� entendi.
Elas nunca est�o satisfeitas.
S�rio. � desanimador.
N�o quer uns biscoitinhos com o ch�?
N�o...
M�e, se n�o pode se controlar, v� embora.
Meu estresse j� � o bastante.
Desculpe, preciso me acostumar.
Ai, ai... Parece aquela atriz, sabe?
A que fez pl�stica geral. Como ela se chama?
-Al�. -Est� sentada?
M�lanie quebrou a perna.
Fratura exposta, pino de tit�nio e tudo.
Ela teve que desistir do filme de Olivier Romain.
Falei de voc�, e ele est� animado.
Oba!
Enfim, que azar de M�lanie...
Mas me mande o roteiro. Vou ler e te ligo.
N�o, tem que responder agora.
As filmagens come�am segunda, e todas as atrizes querem.
Aceite logo e leia o roteiro depois.
Mas segunda � daqui a dois dias. N�o vai dar.
Pe�a para adiarem, sei l�, umas duas ou tr�s semanas.
Imposs�vel. � segunda, sem negocia��o.
Jean-Pierre, se Olivier Romain me quiser, tem que se esfor�ar.
Mas n�o � ele que quer voc�. Pronto.
Fui eu que implorei para ele te contratar.
E sua maior vantagem � estar livre agora.
Teve que implorar, �? Chegou a esse ponto?
Confie em mim. � sua chance de dar uma virada na carreira.
-E ent�o, aceita? -E eu tenho escolha?
N�o pode fazer um filme com essa cara!
Eu tenho que fazer, n�o tenho escolha.
Deve ter uma solu��o. Sempre tem.
Eu s� preciso encontr�-la.
O que vai fazer com isso?
-At� logo, meninas. -At� logo.
-Quer um cafezinho, sra. Jansen? -N�o, obrigada.
Vamos l�.
Que gracinha! De quem � este cachorro?
-Ito! Vem, amor. -� do ingl�s.
� o novo dono do restaurante.
-Parece que reformaram todo. -Mexe com finan�as em Londres.
-Em Wall Street? -Isso � em NY, sra. Jansen.
-Ah, � a mesma coisa. -Ito, vamos.
Chez Laurette, bom dia.
Quem �?
Vou passar para ela.
� Julie Varenne.
Com licen�a.
Al�.
Sim. Pode esperar dois minutos?
Ela me quer em Paris amanh� de manh�. Voc� cuida do sal�o?
Tudo bem.
Est� bem.
Ent�o at� amanh�.
-Ela desconfia de algo? -Acho que n�o.
Ela falou de um trabalho. Pediu para levar roupa.
Ser� que � o penteado para algum papel?
Voc� vai trabalhar em um filme! J� pensou?
Que bom que dei meu cart�o! Ela me achou profissional.
Mas agora vai falar com ela. N�o fa�a como antes.
Juro que vou.
Bem, vamos l�.
-O batom me deu alergia. -Ah, fiquei com medo.
Achei que era preenchimento.
Como aquela atriz, que ficou toda inchada.
-Como ela se chama mesmo? -Pode tirar o prendedor?
Ponha o cabelo para frente.
Mexa um pouco, assim.
Eu trouxe meu portf�lio, para mostrar o que eu fa�o.
Ent�o, s�o todas cria��es minhas.
Sou cabeleireira e visagista formada.
Sempre fa�o um croqui antes de fazer o cabelo.
Maravilhoso.
Fiz este coque na filha do prefeito quando ela se casou.
At� hoje falam dele.
Voc� saberia deixar o seu cabelo como o meu?
-O meu? -A cor, o corte... Tudo igual.
Acho que sim. Por qu�?
Porque n�o procuro uma cabeleireira,
e sim uma dubl�.
Tenho um filme come�ando amanh� e n�o posso filmar assim.
Voc� poderia muito bem me substituir.
Em segredo, claro. At� a alergia passar.
-Uma dubl� que atue? -�, um pouco.
Mas n�o � Shakespeare, � s� uma com�dia.
Mas eu n�o sou comediante.
L� no restaurante, aquilo foi s� para rir.
Mas eu treino voc�. Vamos repassar as cenas juntas.
E s�o s� 2 ou 3 semanas, n�o � o filme todo.
Duas semanas? E o meu sal�o?
N�o posso deixar minha filha sozinha l� esse tempo todo.
Voc� vai receber muito bem.
Pode fechar o sal�o durante esse per�odo.
Desculpe, mas n�o d�.
Est� chorando?
Desculpe, foi besteira. Esque�a o que eu pedi.
N�s, atrizes, somos como esponjas.
A gente absorve, absorve, e, uma hora...
Quanto eu te devo por vir at� aqui?
Com o ped�gio, d� 96 euros.
-Vou arredondar para 200. -N�o.
Sim, � um prazer. Pela vinda e pelo retorno.
Por que esse filme � t�o importante?
Porque eu estou acabada. Profissionalmente acabada.
Esse filme era minha �ltima chance de me relan�ar.
Mas tudo bem, fa�o outra coisa. N�o tem s� cinema na vida.
Tome.
Obrigada. N�o tem mesmo outra solu��o?
N�o. J� pensei bem, n�o achei nada.
Mas obrigada por ter vindo.
N�o vamos nos ver muito, mas estou feliz por te conhecer.
Eu te levo � porta.
Julie, seriam quantos dias exatamente?
Pronto?
Dois minutos.
E ent�o?
N�o aguento mais, padre. Estou no fim da linha.
Passo a vida correndo para direita, esquerda, tudo...
Quando volto da escola com o menino,
preciso levar Emma ao ortodontista ou ao piano...
Assim?
O ritmo est� melhor, mas tente ser mais s�bria.
-Tente gemer menos. -Mas aqui diz "ela geme".
�, mas d� para gemer com sobriedade.
Sendo mais sutil, sem fazer careta, entende?
-N�o. -Vou te mostrar.
N�o aguento mais, padre. Estou no fim da linha.
Passo a vida correndo para direita, esquerda, tudo...
Quando volto da escola com o menino, j� preciso sair.
Bl�-bl�-bl�.
Viu a diferen�a?
� mais sutil, claro. Mas � mais engra�ado?
Bem, vamos fazer de novo.
Quando ela disse que queria o cabelo de Dalida,
eu n�o podia dizer que, com 3 fios de cabelo,
s� o penteado de Giscard d'Estaing,
e, mesmo assim, com muito esfor�o.
Ser cabeleireira exige um pouco de t�cnica
-e muita psicologia. -Eu imagino.
Se sentir frio, tem outro cobertor no corredor.
Obrigada.
Minha filha, Kelly, tem talento para isso.
Ela sabe como lidar com as clientes, entende?
Quando meu companheiro me largou, h� 5 anos,
quebrei meu cofrinho, peguei minha filha
e fui para o sul abrir o meu sal�o.
Estamos indo muito bem. Fizemos nosso cantinho.
Mas estou aqui falando s� de mim. E voc�?
N�o tem filhos? Nunca se casou?
Mal consigo cuidar de mim, imagina de um filho e um marido.
Vejo que tem medo de se apegar.
Deve ser o medo da separa��o, a ang�stia do abandono.
Sem saber, voc� procura rela��es que n�o v�o durar
para n�o correr o risco de sofrer.
Bem, eu falei s�...
O que gostaria de jantar? Vou pedir.
Algo que n�o costumamos comer l� em casa...
J� sei. Um hamb�rguer com batata frita.
-� mais saud�vel que hamb�rguer. -Mas � leve.
� noite eu costumo comer muito.
Passo o dia em p� com o bra�o para cima...
Mas agora voc� vai ser atriz, e atrizes n�o comem.
-Qual � o seu tamanho? -40.
Acho que � um pouco mais. Precisa se cuidar.
Ent�o...
Amanh� eles v�m buscar voc� �s 6h para lev�-la ao set,
onde voc� vai para o camarim se vestir, maquiar e pentear.
Mas eu mesma posso me pentear. J� � uma economia.
N�o est� aqui para economizar. Voc� � a protagonista do filme.
S� precisa atuar.
Sabe, Laurette, h� dois tipos de atores:
os que querem parecer normais, que beijam todo mundo,
para parecerem simp�ticos e acess�veis;
e os caprichosos, distantes e at� odiosos.
� por isso que as pessoas os respeitam.
Engra�ado. No com�rcio, � o contr�rio.
Se sou antip�tica, os clientes procuram a concorr�ncia.
A gente se acostuma r�pido.
Bom, acho que n�o conhe�o ningu�m da equipe.
Voc� j� conheceu meu agente, Jean-Pierre De La Stelle.
Ainda n�o falei de voc�, mas de manh� vou contar a ele.
-Boa noite. -Julie.
Preciso te contar uma coisa muito importante.
Outra hora. Agora voc� precisa dormir.
Amanh� voc� acorda �s 6h. Vou te dar uma roupa, porque...
Esta n�o est� boa?
At� amanh�.
Posso vestir mais do que 40, mas sua blusa � grande demais.
N�o, ela � assim.
E n�o levante as mangas demais para n�o alargar.
Al�?
J� vou descer.
� com voc�.
-Discri��o. -Est� bem.
-At� de noite. -At� l�.
Bom dia, Julie.
Sou Guillaume, seu motorista durante as filmagens.
Bom dia! Bom dia.
N�o vai atr�s?
Ah, claro.
Pronto.
-Tudo bem? -Tudo. Tudo �timo.
-Quer que eu desligue a m�sica? -N�o, deixa. Adoro esta m�sica.
...star triste, triste star
-Tudo bem? -Tudo, e voc�?
Oi, Julie. Sou Pierre, 3� assistente.
-Vou lev�-la ao seu camarim. -Sim, eu sei.
-At� de noite. -At� de noite.
-Pierre, cad� voc�? -Com Julie, indo ao camarim.
� por aqui.
-Bom dia. -Bom dia.
Bom dia.
-O que aconteceu? -Como assim?
-Por que tantos policiais? -Ah, n�o, s�o figurantes.
Temos que criar uma delegacia.
Ah, ufa! Que cachorro � esse?
� Bonie, o cachorro do est�dio.
-A mascote das filmagens. -Que fofura! Puxa!
Eu n�o a conhe�o, mas dizem que � detest�vel.
-N�o brinque... -� verdade.
Mas conhe�o bem esse tipo de mulher.
"Como voc� � magra!" "Adorei o seu perfume."
E, por tr�s, ela s� fala mal.
E parece que ela ataca tudo que se mexe.
Se tiver um gato no set, � dela.
Soube que ela � muito violenta com os caras.
Sabe J�r�me Lancelier, o diretor de fotografia?
-Quase perdeu a orelha. -N�o acredito!
Mas � verdade! Elas s�o terr�veis.
N�o aguento mais atriz suscet�vel.
Tendo dinheiro, vou abrir um sal�o de manicure.
-Ah, �... -Boa ideia.
A cabeleireira, a maquiadora e a figurinista.
-Bom dia, Julie. -Bom dia.
-Pode pegar? -Posso.
Quer um cafezinho, um croissant?
-Quero, obrigada. -Vou pegar isto.
-Vamos come�ar pelo cabelo? -Vamos.
Tem alguma observa��o?
Em cabelos finos, uso shampoo para dar volume da Wella
e o condicionador para cor e brilho.
-S� tenho elogios. -Est� bem.
Mas n�o disseram que vai usar peruca?
-Tudo bem, adoro peruca. -Certo.
Aqui est�.
-Obrigada. -De nada.
-Por aqui. -Julie. Julie!
Voc� ficou bem de cabelo curto.
-Ah, ela n�o te contou? -O qu�? Quem n�o disse o qu�?
Julie. Ela tem que dizer uma coisa importante.
-Est� falando na 3� pessoa? -Ela vai ligar e explicar.
Est� me preocupando. Tomou alguma coisa?
-Julie, est�o esperando voc�. -J� vou.
At� logo, senhor.
Al�.
Voc� pirou?
E se descobrirem seu segredinho?
L� vem voc� com seus exageros.
Ent�o posso dizer enrola��o, fraude, sacanagem!
Voc� me deu a ideia ao dizer que �ramos parecidas!
E, sem esse filme, minha carreira j� era, n�o �?
"Sua carreira"... Acha que tem uma carreira com essa cara?
N�o conte comigo para te dar cobertura.
Se te pegarem, vou dizer que n�o sei de nada.
N�o... N�o finja que est� chorando.
Sabe que n�o funciona mais comigo.
-O que vamos fazer? -O que podemos fazer?
Vou ficar de olho nela.
E vamos rezar para ela n�o fazer besteira.
Espero que n�o. Eu ensinei tudo a ela.
Bem, eu acho.
N�o aguento mais, padre. Estou no fim da linha.
Por favor. N�o vamos filmar a cena 45?
-Vamos. -N�o � mais em uma igreja?
�. Vamos filmar no fundo azul e colocar a igreja depois.
Como os mapas da meteorologia.
-Ah, sei. Obrigada. -De nada.
-Bom dia. -Bom dia.
-Julie Varenne. -N�s nos conhecemos.
Fizemos "Vida � Parte" juntos.
Ah, � verdade. Que lembran�a boa, n�o �?
Sabe que demorei meses para cicatrizar?
Nossa "acrobacia" na cabana de madeira, lembra?
Claro, claro.
As acrobacias s�o sempre um risco.
Se quiser repetir, eu topo.
-Tudo bem? -Tudo �timo.
Perfeito. Vamos l�? Todos prontos?
-Tudo certo. -Vamos come�ar.
N�o aguento mais, padre. Estou no fim da linha.
-Passo a vida correndo... -Espere. Querida, eu...
-Eu n�o disse "c�mera". -� verdade. Desculpe.
-Eu... Estou meio... -N�o tem problema.
-Vamos l�. C�mera. -Rodando.
N�o aguento mais, padre. Estou no fim da linha...
-Espere a claquete. -O qu�?
-A claquete. -Ah, sim, desculpe.
Estou com tanta vontade de come�ar!
Vamos retomar. C�mera.
-Rodando. -Claquete.
45/4, tomada 1.
-N�o aguento mais, padre... -N�o, n�o! N�o!
-Por favor! -Eu n�o disse "a��o"!
Ah, n�o? Foi erro meu.
Vamos l�. Concentrem-se. C�mera.
-Rodando. -Claquete.
45/4, tomada 2.
E a��o.
N�o aguento mais, padre. Estou no fim da linha...
-Tchau, pessoal. -Tchau, Julie.
Obrigada. Boa noite, at� amanh�.
-Tchau. -Tchau.
-Desculpe incomodar. -Ah, Julie!
Parab�ns! Ficou muito bom.
-Verdade? Gostou? -Muito, gostei muito.
Acho que vamos fazer um bom trabalho.
Queria pedir...
Pode dar um aut�grafo para uma amiga minha?
Ela adora seus filmes. Aqui.
-Como ela se chama? -Chantal.
Ela perdeu metade dos cabelos quando o marido morreu.
Ele foi atropelado por um trator.
Ele caiu em um fosso e s� foi achado dois dias depois,
devorado por fur�es.
Aqui est�. Para Chantal.
-Ela vai ficar feliz. -Julie!
Merda! At� amanh�.
At� amanh�.
-Oi, Olivier. Tudo bem? -Oi. Tudo �timo.
-Julie est� aqui? -N�o, acabou de sair.
Mas eu ia ligar mesmo para voc�.
-N�o deu certo... -Deu, sim. E muito certo.
Muito melhor do que eu pensava.
Ela teve dificuldade no come�o, mas, depois...
N�o pensei que ela servisse para com�dia, mas estava errado.
Ela n�o � como eu pensava. � jovial, espont�nea, tem ritmo.
Ali�s, ela tem todo o lado solar da personagem.
� mesmo?
-Voc� parece surpreso. -N�o, estou feliz.
-Muito feliz. At� logo. -At� logo.
Tudo bem? O primeiro dia correu bem?
Ah, correu. Eu adorei. � uma profiss�o incr�vel.
Fala como se fosse a primeira vez.
Quando a gente ama o que faz, � sempre como a primeira vez.
E voc�? � assistente de produ��o h� muito tempo?
Na verdade, eu sou roteirista, mas queria ser cineasta.
Ent�o trabalho nas filmagens para ver como �,
para conhecer melhor antes de me jogar nisso.
E tamb�m ajuda a fechar as contas do m�s.
-Bem. -At� amanh�.
At� amanh�.
-E a�? -Foi...
S� tenho uma vontade: voltar l�.
E as pessoas s�o �timas. T�o simp�ticas e prestativas...
-S� teve um probleminha. -Qual?
O ator que faz o padre. Voc� teve um pequeno...
Com ele, nas filmagens.
Mas n�o estou julgando voc�! At� porque ele � gato.
E como foi com Olivier Romain?
�timo! Fiz o que voc� disse, mas ele n�o achou engra�ado.
Ele achou muito... Como ele disse mesmo?
Ah, sim! "Controlado."
Ent�o fiz do meu jeito, e ele adorou.
Como ele � simp�tico!
-Mas voc� foi sutil? -Claro, extremamente sutil.
Sutil, mas engra�ada.
Me diga, voc� acha que j� desinchou?
Talvez na esquer...
N�o. Lamento, mas...
Bem, vou tomar um banho.
-Posso comer alguma coisa? -Pode.
Obrigada.
Ol�.
Ah, � voc�? Me assustou.
Eu estava vendo como ela � na identidade dela.
Ela n�o se parece tanto com voc�.
E ela parece muito comum, com esse cabelo louro.
� realmente p�ssimo.
Sua alergia melhorou. Desinchou muito.
Que bom que posso dizer: voc� estava desfigurada.
E o que mais voc� e Laurette conversaram?
Sobre o que dever�amos conversar?
Eu sei l�.
Sobre ela ser minha irm� g�mea, por exemplo?
Desculpe, n�o quis assustar a senhora.
-Onde ela est�? -Tomando banho.
Meu Deus... Como voc� se parece com ela!
-N�o disse nada a ela, espero. -Eu ia contar hoje.
Hoje? N�o, n�o, hoje n�o. Est� indo r�pido demais.
R�pido demais? J� faz 45 anos.
Mas voc� n�o entende, ela n�o sabe nada, nada mesmo.
Mas ela sabe que foi adotada, n�o?
-N�o. -N�o creio!
-Desde quando voc� sabe? -Desde sempre.
Tentei me aproximar dela num festival, mas n�o deixaram.
Isso me desencorajou.
Ent�o eu a seguia de longe.
Nas revistas... Vi todos os filmes dela.
No come�o, isso bastava, mas...
Mas, h� algum tempo, eu me sinto, sei l�...
N�o estou mal, mas tamb�m n�o estou bem.
Acho que a hora chegou.
Ai, meu Deus! Eu sabia que essa hora iria chegar.
Mas me deixe falar com ela.
Vai ser horr�vel. Ela vai me odiar,
mas, se outra pessoa contar, ela nunca vai me perdoar.
-Ah, voc�s se conheceram. -Pois �.
-N�o preciso apresentar voc�s. -N�o, n�o.
Vou deixar voc� contar, mas me prometa que vai fazer isso.
Eu prometo. S� preciso achar a hora certa.
Est� bem.
-Posso pegar minha identidade? -Claro.
O que foi?
Laurette?
-O colch�o � de l�tex? -N�o sei. Por qu�?
Acho que � alergia.
Minha filha tamb�m � al�rgica.
Alergia � de fam�lia.
-Voc� tamb�m � al�rgica. -Sim, mas n�o entendi a liga��o.
-N�o tem nenhuma. -Hoje vai dormir aqui.
Amanh� vou buscar um colch�o na minha m�e, aqui do lado.
-Est� bem. -Boa noite.
Boa noite, Julie. Obrigada pela gentileza.
Voc� guardou um bichinho de quando era crian�a!
N�o, � s� uma pel�cia que me ajuda a dormir.
N�o preciso dele. Ali�s...
O bichinho � uma transfer�ncia afetiva.
Uma forma de se ligar � inf�ncia.
Boa noite.
Adoro as explica��es psicol�gicas para o dia a dia.
-Voc� tamb�m, imagino. -N�o.
Vamos dormir.
Isso � curioso.
Achei que, sendo atriz,
voc� precisasse explorar seus defeitos e fraquezas.
� o que eu fa�o.
Uso minhas fraquezas no trabalho.
Assim posso nutrir meus personagens.
Se resolvesse meus problemas, eu n�o precisaria mais atuar
ou talvez n�o quisesse. Bem, vamos dormir.
Levante, est� na hora.
Voc� n�o me contou. Como Laurette �?
Voc� j� sabe. Voc� a viu e falou com ela.
Sim, mas o que voc� achou dela?
Sei l�, n�o acho nada.
Eu pago a ela para trabalhar, n�o para ser minha amiga.
Porque fui ver se ela era nossa parente e...
-E a�? -E...
E ainda n�o descobri nada.
Que bom... Voc� me assustou.
-Por qu�? Voc� n�o gostaria? -Se fosse uma prima? O que acha?
M�e, n�o sei como voc� faz, mas sempre me deixa nervosa.
� impressionante. � quase um dom, isso.
-Est� bem, n�o digo mais nada. -Isso.
E pare de se informar sobre ela.
Prefiro n�o saber a ter uma not�cia ruim.
Lembro que foi voc� quem pediu.
-�... Bem, empurre. -Ok.
-Devagar. -Pronto.
-� ele. -Quem?
O gato de quem Julie vai arrancar a orelha.
Que pena! Eu ia gostar dele.
-Mas ela � muito simp�tica. -Pois �.
-Nada a ver com o que disseram. -�.
Ela brinca o tempo todo
e, em 10 dias, nenhum capricho e nenhum grito.
�, ela � legal. Mas eu conhe�o essa gente.
No come�o, s�o legais, mas logo a verdade vem � tona.
-Pare. Est� exagerando. -Voc�s v�o ver.
Para mim, um bom filme � uma hist�ria em que acreditamos.
N�o precisa ser verdadeira, mas poss�vel.
Conhe�o uma hist�ria que podem achar exagerada, mas...
-Me conte. -H� mais de 40 anos,
duas g�meas de 2 anos perderam os pais num acidente de carro.
O irm�o do pai quis adotar as duas,
a m�e da m�e tamb�m,
mas, como as duas fam�lias se detestavam, ningu�m cedeu.
Ent�o o juiz as separou.
Uma foi morar com a av� materna,
e a outra, com o tio paterno.
-Entendeu? -Que coisa horr�vel!
As duas se separaram e nunca mais se viram.
Um dia, uma delas soube da exist�ncia da outra
e decidiu procur�-la.
E como foi esse encontro?
N�o sei. N�o conhe�o o fim da hist�ria.
-70/1, tomada 1. -A��o!
Solange... Por favor, Solange, venha.
-Saia daqui! -Valeu!
Corta! Corta! Ficou perfeito. �timo.
-Ficou bom? Pensei... -Pode mandar ver.
-Mais forte? -Se quiser...
� uma boa ideia.
-Tudo bem? -Tudo, e voc�?
-Dormiu bem? -Muito.
Senta. Assim.
Corta!
-Tudo bem? -Tudo.
Essa semelhan�a entre voc�s � impressionante.
Os gestos, a voz, o jeito.
-Parab�ns pelo trabalho. -Obrigada.
Voc� imitou at� o jeito dela de levantar os olhos.
Muito bom.
S�o os detalhes que tornam a coisa ver�dica.
Mas � o tipo de coisa inata que a gente n�o controla.
Coisas que vemos em membros da mesma fam�lia.
Isso se chama "mimetismo". Acho que � o nome.
-Acho que preciso ir. -� irm� dela?
-Irm� g�mea? -N�o conte a ela. Ela n�o sabe.
Eu logo vi. Quando pretende contar?
-A m�e dela quer contar. -O que aconteceu?
Nossos pais morreram quando t�nhamos 2 anos.
Fomos separadas e nunca mais nos vimos.
Sempre me perguntei por que ela tinha esse g�nio.
Eu sentia que tinha uma ferida, uma dor...
N�o d� para sair inc�lume de algo desse tipo.
N�o.
-Ali�s, eu tamb�m sofri. -�, mas voc�s...
Voc� se saiu melhor.
Tem mais talento para a felicidade, � mais simples.
Como ela pode conviver com voc� e n�o ver que s�o irm�s?
Ela est� negando a realidade.
Recusamos o evidente para evitar uma realidade cruel demais.
-Isso � verdade. -Julie, vamos retomar?
Posso ser simples, mas n�o falo s� bobagem.
Al�.
Demorou dez dias. Dez dias para desinchar e tirar aquilo.
Mas nunca mais, eu juro.
-O que � isso? -Pepino, aipo e br�colis.
� nojento, eu sei, mas � cheio de vitaminas para amanh�.
Acho que nunca fiquei t�o impaciente para filmar.
Eu imagino.
Mas me perguntava se seria bom voc� voltar ao set t�o r�pido.
Est� brincando? Estou h� 10 dias na ansiedade.
Eu sei, mas pode ser complicado substituir Laurette.
Mas n�o vou ter que substitu�-la.
Lembre que � ela que est� me substituindo.
Claro, claro.
� que as pessoas est�o acostumadas com ela,
ela est� se saindo bem,
e seria uma pena mexer em time que est� ganhando.
N�o est� me sugerindo deix�-la terminar o filme?
Escute, Olivier Romain est� muito feliz.
Ningu�m reparou em nada.
Por que correr o risco de ser desmascarada?
Fora! Fora! Fora! Obrigada pela visita.
Tudo bem! Pode se jogar aos le�es!
S� n�o reclame depois!
N�o aguento mais.
O trajeto est� mais curto. Nem d� tempo de conversar.
Pensei que pod�amos jantar amanh�.
Assim podemos conversar de verdade.
Amanh�?
Amanh� � noite...
-Preciso perguntar. -�? A quem?
� minha m�e. � ela que cuida da minha agenda.
At� amanh�.
At� amanh�.
Julie?
-Oi! -Oi!
Viu a minha boca?
Injetaram o produto que dissolve o �cido, e estou como era antes.
Acabou, Laurette. Pode voltar pra casa.
-Antes de a semana acabar? -Mas vou pagar o que prometi.
Est� tudo aqui.
Coloquei um agradinho para a sua filha.
N�o deve ter sido f�cil cuidar do sal�o sozinha.
-Quer que eu v� agora? -N�o! Pode ser de manh�.
Mas n�o posso jantar com voc�, vou repassar o texto.
Vamos filmar a cena 67, do anivers�rio de Solange.
Eu adoro essa cena. Tem tanta ternura, fantasia...
-Julie. -Oi?
Preciso dizer uma coisa sobre a equipe.
N�o consegui manter a dist�ncia de que voc� falou.
N�o me diga que d� beijinho em todo mundo.
Tentei ser desagrad�vel, mas foram todos t�o simp�ticos!
Mas eu tinha avisado.
Tudo bem, eu dou um jeito. N�o se preocupe.
Eu tamb�m me apaixonei pelo assistente de produ��o.
N�o! O assistente de produ��o! Eu odeio freelas.
Ele me chamou para jantar amanh�.
Vou cancelar. O que posso fazer?
Vou dizer que me empolguei e que ele tem que esquecer.
-� que pod�amos... -N�o.
Eu adoraria ajudar voc�, mas n�o vai dar.
Est� bem.
Os romances do set nunca duram. No cinema � assim.
Passamos os dias juntos por 2 meses, nos adoramos,
achamos que nunca vamos nos largar,
e depois cada um retoma a sua vida.
Mas acho que ele tamb�m est� apaixonado.
Laurette, ele se apaixonaria se soubesse quem voc� �?
Sair com uma atriz famosa pode dar muitos frutos.
Vou arrumar minhas coisas.
-Podemos tomar caf� juntas. -Est� bem.
Al�.
J� vou descer.
Julie!
-Voc� mudou de perfume? -Mudei.
Combina com voc�.
-At� mais. -At� mais.
-Bom dia, Julie. -Bom dia.
-Bom dia, Julie. -Bom dia.
N�o vou beijar, estou meio mal.
N�o se preocupe, n�o saio do banheiro.
O que � isso?
Seu caf� da manh�. Tem um p�o de passas.
-O que � isto? -O qu�?
Esta cicatriz aqui, na sua cabe�a.
Um cachorro me mordeu quando crian�a.
Nossa, � enorme.
-Deve ter do�do muito! -Eu nunca tinha visto.
Porque n�o prestou aten��o.
-Nossa, mas... -Aqui...
Pronto? Todo mundo j� viu?
-Oi. -Oi.
Oi, Solange. Guardei um lugar pra voc�.
-Me solte. -Calma, querida.
-Me largue, estou mandando. -N�o, corta.
Qual � o problema agora?
O texto �: "Me largue, ou jogo a bandeja na sua cabe�a."
-Eu sei, mas n�o est� bom. -O qu�?
"Me largue, ou jogo a bandeja na sua cabe�a."
-Quem diria isso? -Solange.
-Quer que ela seja grotesca. -N�o, s� engra�ada.
-Eu queria que fosse mais sutil. -Esque�a!
Esque�a isso de sutileza. Isso � uma com�dia.
N�o pode ter medo de ser rid�cula.
De rid�cula, j� tive a minha dose.
Voc� tem que relaxar, Julie. Travada assim, n�o d�.
No primeiro dia, eu disse para ir fundo, e deu certo.
Agora voc� est� toda controlada, e n�o d�.
Olhe, sei l�, estou cansada, trabalhando desde cedo.
Est� tarde. Vamos retomar amanh�.
Est� bem.
-Encerramos. -Obrigada, boa noite.
Obrigado a todos. Encerramos.
O qu�?
Podem nos deixar a s�s, por favor?
Posso.
Voc� ouviu? Parece que sou sutil demais.
Sutil demais!
Entendeu meu medo de voc� vir?
-Estamos de m�os atadas. -A culpa � de Laurette.
Ela n�o ouviu nada do que eu disse.
Fez da cabe�a dela e deixou a personagem vulgar, e agora...
Desculpe, Julie. S� vim pegar meu telefone.
Preciso avisar � creche que vou atrasar.
Pois espere 5min. N�o viu que estou conversando?
Desculpe.
E, por causa dela, as pessoas me tratam como amiga
-e n�o me respeitam mais. -Bem, escute!
J� que est� aqui, termine a filmagem.
E atue como Laurette, seja como ela, passe despercebida.
-Atuar como uma merda? -Isso.
Ela era gentil com todos.
Sei que n�o � f�cil, mas, sendo atriz, voc� consegue.
Sabe, eu entendo esse �dio que voc� tem a� dentro.
� a menina que chora, que se revolta.
-� normal. -Que menina?
Vamos l�.
-Ent�o, a gente entra? -Ah, eu n�o vou.
-J� levei uma patada... -Deixa pra l�.
-Tudo bem? -�timo.
Julie est� em crise, e nem pudemos pegar nossas coisas.
Ela � legal, mas n�o vai passar 1h no trem para pegar os filhos.
Ela nem sabe o que s�o filhos ou trem.
Insuport�vel.
E voc�, tudo bem? Ainda tem as duas orelhas?
Desculpem, estou um pouco cansada.
-N�o foi nada. -Voc� pode estar cansada.
Bem, at� amanh�, Julie.
-Beijo. -At� amanh�, Julie.
Tchau.
Descanse.
Babaca.
Parece que o dia foi dif�cil.
Estou cheia dessa profiss�o.
Sempre digo que � meu �ltimo filme e...
T�nhamos combinado de jantar, mas, se estiver cansada...
Ei, calma.
Acho que voc� mordeu a minha orelha.
N�o!
-Devagar. -Venha.
O que � isso?
Minha orelha est� doendo.
Merda, est� sangrando...
N�o quer conversar ou beber algo?
N�o, n�o, pode ir. N�o � uma boa ideia.
-Pode bater a porta? -Est� bem. At� amanh�.
Viu meu coelho? N�o acho.
Deve estar na casa de Julie. Pego da pr�xima vez.
E vai ter pr�xima vez?
Por que diz isso?
Voc� se esfor�a para n�o ver?
Voc� est� fumando?
O que foi?
Voc� me fala da sua irm� h� anos.
Sonha com o momento em que enfim v�o se encontrar.
Passa 10 dias com ela, mas n�o diz nada.
-D� des�nimo. -E por que voc� fica assim?
� a minha hist�ria, nada a ver com voc�.
N�o tem nada a ver comigo? E quando voc� est� infeliz?
Quem te faz companhia quando largam voc�?
-� por mim que voc� fica? -O que voc� acha?
Que � legal ter 20 anos e morar aqui?
Que acho legal enxaguar o cabelo da sra. Colinet
e fazer permanente em Chantal Balaran?
-Pensei que voc� gostasse. -Eu gosto.
Mas n�o necessariamente quero essa vida.
Clara vai a Paris fazer um curso de assessoria de imprensa.
Ela me chamou para dividir o apartamento com ela.
Ent�o v� para Paris, v� morar com Clara.
Eu fico aliviada.
Acho muito triste ver filhos que n�o saem do ninho.
D� para ver de longe seu fingimento.
Cuidado! Quanta brutalidade!
Ainda bem que est� no fim. Elas n�o se aguentam mais.
Pois �.
Julie, te esperam para a �ltima cena.
Deixe assim mesmo.
Voc� vem?
N�o!
Caramba!
A �ltima cena de Julie Varenne e do filme.
Obrigado. Parab�ns a todos.
Parab�ns! Parab�ns! Parab�ns, Julie.
-Tudo bem? -Tudo.
Pronto, acabou.
Tim-tim.
-O que vai fazer agora? -Tirar uma semana de f�rias.
-Depois vou come�ar uma s�rie. -Que legal!
-Pois �! E voc�? -Vou abrir um sal�o de manicure.
-N�o! Conseguiu o dinheiro? -�, pode ser.
-Que maneiro! -Pode segurar meu buqu�?
Julie, seu celular. Esqueceu no camarim.
-Obrigada. -De nada. Sou eu que agrade�o.
Julie, querida.
-Ah, sim. -Ent�o...
Meus amigos, um �ltimo brinde ao fim das filmagens, claro,
e � nossa maravilhosa int�rprete.
Julie, parab�ns. Muito obrigado por tudo.
-Obrigada. -Obrigado, querida.
-Parab�ns a todos. -Parab�ns.
-Acho que j� nos vimos. -Na padaria? No mercado?
N�o, n�o. Foi em outro lugar.
N�o, voc� est� falando dela.
Julie Varenne. � uma atriz muito famosa aqui.
Julie Varenne, � isso!
-� sua irm�? -N�o, n�o. S� somos parecidas.
Na verdade, voc�s s�o bem diferentes.
Ela parece durona, mas acho que � bem infeliz.
�, � isso. Ela tem um olhar triste.
Deve ser muito solit�ria.
-Al�. -Al�, Colette, � Laurette.
Al�.
Voc� vai � festa do fim de filmagem?
N�o, quando acabou, acabou. E n�o gosto de despedidas.
Ent�o n�o vamos nos despedir.
Na verdade, pensei na hist�ria que me contou.
Pode dar um �timo filme.
-Que hist�ria? -A das g�meas.
As que se reencontram aos 45 anos.
Te incomodaria se eu escrevesse o roteiro?
N�o.
Acho que encontrei um fim legal.
-Quer ouvir? -Quero.
Elas acabam trocando de vida.
Legal, n�o �?
�, � legal.
Tchau.
Podia ter avisado que vinha jantar.
Eu teria preparado algo gostoso. Tudo bem, minha boneca?
-Me conte a verdade, m�e. -Sobre as rugas?
Seu pai e eu tentamos contar.
Quando voc� fez 7 anos, depois 10, depois 15...
Mas sempre havia algo que nos impedia.
Nunca era a hora certa.
Ent�o diz�amos:
"Vamos contar depois, quando ela for mais velha, mais segura.
Ela vai entender, vai aceitar."
Ent�o seu pai morreu, e...
Ficou tarde demais.
Perdi a coragem.
Eu me odeio por isso. Sabe, eu...
Eu sei que fomos covardes,
mas t�nhamos tanto medo de te perder...
Entende, minha boneca?
Olhe.
Tem 40 anos que eu guardo, para o dia...
Laurette era uma crian�a muito alegre.
Voc� chorava muito.
Quando tive que escolher, pensei:
"Vou ficar com Julie. Ela vai precisar de mim."
O que voc� � minha, afinal?
-Minha tia? -�.
Bem, a esposa do seu tio paterno.
Ent�o n�o temos nenhum la�o sangu�neo?
N�o.
Mas n�o � isso que faz...
Quero a chave da minha casa.
Por qu�?
Quero voc� fora da minha vida.
O que voc� quer?
Voc� mandou uma mensagem me chamando.
Ah, �. Entre.
Crescemos assim, sem desconfiar...
Confiamos, achamos que as pessoas nos amam,
ent�o percebemos que...
aqueles que nos s�o mais chegados,
que deveriam nos proteger contra o mundo...
Ent�o...
essas pessoas nos enganam.
-Desculpe, eu n�o... -Eu disse que todo mundo
engana todo mundo.
Todo mundo mente.
Voc� deveria parar de beber.
Eu largo o copo se eu quiser.
Pensei que tivesse me chamado para irmos � festa,
mas voc� n�o est� em condi��es de sair, ent�o eu j� vou.
-Fique aqui! -Pare de rasgar minhas camisas!
Vou te colocar na cama e vou embora.
Ningu�m me ama.
Todo mundo me conhece, mas ningu�m me ama.
-Por que diz isso? -Porque � verdade.
As mulheres me admiram e t�m inveja,
e, com os homens, � pior ainda.
Eles dormem com Julie Varenne, mas acordam comigo.
� claro que ficam decepcionados. N�o me deixe sozinha.
Ai! Est� me estrangulando.
-Meu coelhinho. -Eu estou aqui.
Eu quero meu coelhinho. Na sala.
Os coelhinhos. Tome.
Fique comigo.
Est� bem, mas largue o meu pesco�o.
Desculpe vir sem avisar, mas preciso falar com voc�.
Eu j� sei. J� sei o que quer dizer.
Sua m�e contou?
Contou.
-N�o sei o que dizer neste caso. -Nem eu.
Talvez n�o tenhamos que dizer nada.
-Ele est� aqui? -Quem?
Guillaume. Aquela � a jaqueta dele.
�, ontem ficamos bebendo.
-Voc� dormiu com ele? -N�o.
Dormiu. Se aproveitou dos sentimentos dele por mim
para dormir com ele?
-Laurette, juro que nada... -Me largue!
Como quer que eu acredite?
Voc� n�o tem nada de sincero.
Cresceu na mentira, vive na mentira. � parte de voc�.
O que est� acontecendo?
-Que brincadeira � essa? -Vou te explicar.
N�o precisa, j� entendi.
Voc�s estavam de goza��o com a minha cara.
Espero que tenha se divertido.
-Guillaume... -Relaxe. Vou ligar e explicar.
Vai ficar tudo bem.
N�o vai sair assim. Precisamos conversar.
Conversar o qu�? Voc� estragou tudo.
Voc� n�o � uma pessoa boa.
N�o quero mais te ver.
FELIZ ANIVERS�RIO, LAURETTE
N�o aguento mais, padre. Estou no fim da linha.
Passo a vida correndo pra direita, esquerda, tudo...
Quando volto da escola com o menino,
preciso levar Emma ao ortodontista ou ao piano...
E o que sobra pra mim?
J� faz dois meses e meio que eu n�o me depilo!
Eu sei o que o senhor vai dizer.
Que na S�ria � assim, na �frica � assado...
Mas eu estou cansada de n�o poder reclamar.
O mundo n�o � feito s� da �frica!
� genial.
O que deu em voc�?
O filme � �timo, est�o morrendo de rir.
Eles riem nas cenas de Laurette. Nas minhas, nada.
Que nada... Voc� tamb�m � muito engra�ada.
Na cena do jantar com as crian�as...
Quando quebro o prato?
N�o, quando voc� briga porque pegaram piolho.
� Laurette.
Viu? Voc� tamb�m me confunde.
N�o era o que voc� queria?
Para todo mundo, Laurette n�o existe.
S� tem uma Solange, e � Julie Varenne.
Mas � Laurette que faz rir. N�o quero colher os louros dela.
Eu n�o pedi para cham�-la.
Mas voc� me obrigou a fazer esse filme.
Avisei que n�o servia para com�dia.
Eu n�o sabia mais o que te propor!
Filmes de arte n�o funcionam, n�o serve para com�dia,
n�o tem mais idade para romances...
Pode ser que eu precise mudar de agente.
Pode ser.
Mudar de ares te faria bem.
-E a mim tamb�m. -Ent�o pronto.
Estamos de acordo.
Cuidado, Julie.
Com esse seu jeito, voc� vai acabar sozinha.
Ali�s, voc� j� � sozinha.
Sua irm� te odeia, n�o v� mais a sua m�e...
Voc� n�o liga para ningu�m, s� pensa em voc�.
Nos conhecemos h� mais de 20 anos.
Alguma vez perguntou da minha mulher e meus filhos?
Ah, voc� tem filhos? E como eles v�o?
Pois �, faz 10 dias que n�o os vejo.
Agora vou passar a noite com eles.
E voc� vai se virar sozinha pela primeira vez.
Estou atrapalhando? Est� jantando?
N�o, ainda n�o. Est� com fome?
-Um pouco. -Entre.
Comprei ostras e uma torta de lim�o,
para o caso de voc� aparecer.
Mas n�o precisa comer tudo.
Mam�e...
Ah, minha boneca!
Minha querida!
Mam�e!
Olhe!
Julie?
Julie!
Acorde!
-Olhe. -O que foi?
Olhe.
JULIE VARENNE E SUA DUBL�
Sim. Sim, � claro, claro.
Olhe, obrigado, viu? Obrigado.
Quem mandou a foto foi uma tal Charl�ne. Sabe quem �?
A cabeleireira do filme. N�o me surpreende. Uma peste.
Voc� precisa desmentir.
Se acertarmos tudo agora, pode dar a entrevista amanh�.
N�o, prefiro ficar na minha.
V�o falar durante uma semana, e depois v�o esquecer.
Se n�o desmentir, a produ��o vai pedir a devolu��o do cach�,
sem falar da indeniza��o que podem pedir.
Vai ter que vender seu apartamento.
N�o me importa. Vou embora de Paris.
�...
Voc� s� esquece que n�o est� sozinha nessa.
Eu te coloquei nesse filme. Tem minha credibilidade.
Ent�o voc� vai � TV, vai dizer que � sua irm�
e que essa hist�ria de dubl� � mentira.
Ou se despe�a da sua carreira. Ningu�m mais vai te contratar.
� melhor assim. Estou cheia desse trabalho.
Sei. Falamos disso depois. Agora � apagar o inc�ndio.
Ali�s, para dar credibilidade,
Laurette precisa ir com voc� e confirmar tudo.
Ela n�o vai querer. Ela me odeia.
Eu cuido disso.
E seus filhos? Ficaram felizes ao ver voc�?
Descanse. At� amanh�.
-Pronto. -Obrigada.
Obrigada.
Lamento obrigar voc� a isso, mas Jean-Pierre insistiu.
-Se fosse s� eu... -N�o duvido.
N�o � chique ter uma irm� cabeleireira.
N�o importa o que eu fa�a ou diga. J� tem sua opini�o.
N�o vou te fazer mudar de ideia.
Minha opini�o � que h� um fosso intranspon�vel entre n�s.
Voc� vai ser sempre a grande atriz elegante,
e eu, a pequena provinciana que exagera em tudo.
Posso ser uma grande atriz, mas � voc� quem brilha no filme.
� mesmo?
-Voc� n�o viu? -Por que eu iria ver?
Est� na hora.
Boa noite. Me acompanhem.
Raros s�o os artistas hoje que s� trabalham com pastel.
No ateli� em Montreuil,
Emmanuelle Perrat explora essa t�cnica h� 20 anos.
V�o.
-Ela prefere o pastel ao �leo. -Obrigada.
Ele permite um contato mais direto com a tela.
-Boa noite. -Boa noite.
O tempo de secagem n�o atrapalha,
como acontece com a tinta.
Eu uso os dedos como pincel
e a palma da m�o como trincha.
-Se quiser misturar... -Na verdade, eu vi.
-O qu�? -O filme. Eu vi.
Ele � muito bom.
� uma t�cnica imediata.
Vamos voltar em 5s.
Quatro, tr�s, dois...
� uma de nossas maiores atrizes.
Em 10 dias, o novo filme dela, "Solange",
j� teve 500 mil espectadores.
-Julie Varenne, boa noite. -Boa noite.
Um tabloide afirma que voc� usou uma dubl�
para algumas cenas do filme.
A foto que deu origem a isso � esta,
em que a vemos com uma mulher que � muito parecida com voc�.
Essa mulher est� com voc� no nosso est�dio.
Pode apresent�-la?
Ela se chama Laurette e � minha irm� g�mea.
-Boa noite, Laurette. -Boa noite.
-Voc� � atriz? -N�o mesmo. Sou cabeleireira.
Tenho um sal�o perto de Aix-en-Provence.
Tratamos os cabelos com cuidado e pre�os muito competitivos.
Que bom!
O que tem a dizer aos que a acusam
de ter sido dubl� de Julie no �ltimo filme dela?
-Bem, tenho a dizer... -Que � verdade.
Laurette me substituiu em metade do filme.
Ali�s, as cenas dela s�o as mais engra�adas,
porque ela tem um dom para a com�dia.
E por que pediu para ela substituir voc�?
Eu n�o podia filmar porque fiz preenchimento do l�bio
e fiquei totalmente desfigurada.
N�o � muito glamouroso, mas � a verdade.
As atrizes s�o constantemente
analisadas, julgadas, observadas.
N�o podemos errar, n�o podemos ser normais...
N�o podemos nem envelhecer.
Voc� fala de envelhecer, mas s� tem 40 anos.
Tenho 45. N�o acredite em tudo que l� na internet.
Julie, obrigada pela franqueza.
�ltima pergunta: voc� tem planos para o cinema, o teatro?
Depois do que eu disse aqui, acho que n�o vou ter muitos.
Mas tudo bem.
Meu �nico projeto agora � parar de trabalhar
at� a vontade voltar.
Quanto a voc�, Laurette?
Agora que sentiu o gostinho desse jogo, pretende voltar...
O que eu vou fazer...
com todos esses projetos que recebi para voc�?
Ofere�a a Laurette.
Mas ande logo. Ela n�o tem agente, mas por pouco tempo.
-Quer que eu te leve? -N�o, obrigada.
Tchau, pessoal. Obrigada e boa noite.
-Tchau, obrigada. -Tchau.
-Cad� ela? -Foi embora.
Tchau.
Laurette.
N�s precisamos conversar.
T�xi!
T�xi!
Julie?
N�o tem nem 5min que n�o sou mais atriz,
e os t�xis j� n�o param.
Tenho uma coisa para voc�.
Obrigada!
Senti falta dele.
Tamb�m senti a sua falta.
O que vamos fazer? N�o podemos ir embora assim.
-Cad� seu carro? -Ali.
-� por aqui. -J� vou. Vou fumar um cigarro.
Est� bem.
Ito! Ito! Desculpe, Laurette.
N�o sou Laurette. Sou a irm� dela.
Claro. � voc�. O olhar triste.
-Tem medo de cachorro? -Fui mordida quando crian�a.
Fa�a um carinho nele.
Vai ver como ele � bonzinho.
Ele parece mesmo bonzinho.
Tenho um restaurante aqui e um caf� �timo.
Gosta de croissants quentes?
-Um cafezinho, Laurette? -J� vou.
Please.
Ito.
Pronto, sra. Colinet. Est� linda.
N�o est� meio azul?
Azul? N�o.
Eu coloquei 8 gotas. No seu cart�o est� escrito...
Na verdade, n�o est� azul, est� luminoso.
� muito chique!
-Se est� dizendo. -Estou.
-At� logo, sra. Colinet. -At� logo, obrigada.
Oi.
Eu sei. Eram 3 gotas, e coloquei 8.
Estou morta de fome. Qual � o prato do dia?
Carne de porco com lentilha.
Eu adoro.
-Not�cias de Laurette? -Falei com ela hoje.
Est� tudo �timo, mas ela est� apavorada.
Apavorada?
-Um sandu�che? -N�o, obrigada.
Acho que eu engordei. Tenho que tomar cuidado.
N�o, mam�e, voc� est� linda.
Muito bonita.
-Tudo certo. -Est� bem.
Se estiverem todos prontos, vamos filmar.
-Tudo bem? -Estou com medo.
Eu tamb�m.
-Vamos l�. -Vamos filmar.
C�mera.
-C�mera 1. -Rodando.
"Minha Irm� de Paris", 1/3, tomada 1.
E a��o!
Revisora: Tainah Aquino
Tradutora: Monica Braga BRAVO STUDIOS
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